Prévia do material em texto
PUC PR LONDRINA Ana Leticia Cecy Sponholz ABDOME: O abdome, ou a cavidade abdominopélvica, situa-se entre o diafragma torácico e o diafragma pélvico e contém duas cavidades contínuas, a cavidade abdominal e a cavidade pélvica, envoltas por uma parede flexível com muitas camadas de músculos e tendões laminares. Esta cavidade estendida aloja a maioria dos órgãos do sistema digestório, o baço e partes dos sistemas urinário e genital. Revestindo essa cavidade e dobrando-se sobre as vísceras, como o estômago e os intestinos, estão os peritônios visceral e parietal. Quadrante superior direito Fígado, vesícula biliar, piloro, duodeno, flexura direita do colo (flexura hepática do cólon) e cabeça do pâncreas Quadrante superior esquerdo Baço, flexura esquerda do colo (flexura esplênica do cólon), estômago, corpo e cauda do pâncreas e colo transverso Quadrante inferior esquerdo Colo sigmoide, colo descendente, ovário esquerdo Quadrante inferior direito Ceco, apêndice, colo ascendente, ovário direito Os rins são órgãos retroperitoneais (posteriores). As costelas protegem os polos superiores dos rins. O ângulo costovertebral (ACV) – constituído pela borda inferior da 12a costela e pelos processos transversos das vértebras lombares superiores – define a região onde é realizada a manobra de Giordano. Sinais/sintomas comuns ou preocupantes o Distúrbios gastrintestinais o Dor abdominal, aguda e crônica o Indigestão, náuseas, vômitos, inclusive de sangue (hematêmese), perda de apetite (anorexia), saciedade precoce o Dificuldade para engolir (disfagia) e/ou dor ao engolir (odinofagia) o Alteração da função intestinal o Diarreia, constipação intestinal o Icterícia o Distúrbios urinários e renais ð Dor suprapúbica ð Dificuldade para urinar (disúria), polaciúria ou urgência ð Hesitação, redução do jato urinário nos homens ð Micção excessiva (poliúria) ou micção em excesso à noite (noctúria) ð Incontinência urinária ð Sangue na urina (hematúria) ð Dor nos flancos e cólica ureteral DOR: A dor visceral ocorre quando órgãos abdominais ocos, como o intestino ou a árvore biliar, contraem-se de modo incomumente vigoroso ou estão distendidos ou estirados. Os órgãos sólidos, como o fígado, também podem causar dor no caso de estiramento de sua cápsula. A dor visceral pode ser de localização difícil. Tipicamente ocorre próximo à linha média -> solicitar que o paciente aponte o local da dor -> observar distensão abdominal; dor; náuseas; eructações; irose; disfagia (dificuldade para engolir) e/ou odinofagia (dor ao engolir); diarreia; constipação intestinal; ictericea (pele e escleróticas amareladas – aumento de bilirrubina) Exame físico •Mantenha o paciente confortável, em decúbito dorsal, com um travesseiro sob a cabeça e, se for preciso, debaixo dos joelhos. Passe a mão na região lombar do paciente para verificar se ele está relaxado e bem acomodado na mesa de exame •Solicite ao paciente que mantenha os braços ao lado do corpo ou cruzados sobre o tórax. Se os braços estiverem sobre a cabeça, a parede abdominal se distende e retesa, o que impede a palpação Antes de começar, solicite ao paciente que indique as regiões com dor, de modo a serem examinadas por último •Aqueça as mãos e o estetoscópio. Para aquecer as mãos, friccione uma na outra ou coloque-as sob água quente •Fique de pé ao lado do paciente e proceda de maneira sistemática a inspeção, ausculta, percussão e palpação do abdome. 1. ABDOME: à INSPEÇÃO: Primeiro, observe a aparência geral do paciente – deitado tranquilamente, contorcendo-se com desconforto ou apertando um lado. No lado direito do leito, examine a superfície, os contornos e os movimentos do abdome. Observe se há saliências ou peristalse. PUC PR LONDRINA Ana Leticia Cecy Sponholz Tente sentar-se ou inclinar-se para diante, para visualizar o abdome tangencialmente Observar: ð Pele: temperatura / coloração / cicatrizes / estrias ð Veias dilatadas ð Erupções ou equimoses ð Umbigo – contorno e localização, com sinais de inflamação ou protrusão, sugestivos de hérnia ventral ð Contornos abdominais: O abdome mostra-se retificado, arredondado, protuberante ou escafoide (acentuadamente côncavo ou escavado)? ð Peristaltismo. Observe o abdome durante alguns minutos, caso suspeite de obstrução intestinal. O peristaltismo é visível em pessoas muito magras. Inspecione para ondas peristálticas aumentadas na obstrução intestinal. ð Pulsações. A pulsação aórtica normal é frequentemente visível no epigástrio. Verifique se há aumento da pulsação por aneurisma aórtico abdominal ou aumento da pressão diferencial. à AUSCULTA: A ausculta do abdome deve ser efetuada antes da percussão ou da palpação, manobras que modificam as características dos sons intestinais. Deve-se aprender a identificar as variações nos sons intestinais normais, sons sugestivos alterados de inflamação ou obstrução, e sopros, que são sons vasculares semelhantes a bulhas cardíacas na aorta ou em outras artérias no abdome. O diafragma do estetoscópio é apoiado suavemente sobre o abdome. Os sons intestinais devem ser auscultados, verificando sua frequência e suas características. Os sons normais consistem em estalidos e gorgolejos, que ocorrem em uma frequência estimada de 5 a 34 por minuto. Ocasionalmente, são auscultados gorgolejos prolongados de hiperperistaltismo no “estômago roncando”, chamados de borborigmo. ð Sopros: Ausculte à procura de sopros sobre a aorta, as artérias ilíacas e as artérias femorais. Sopros com componentes sistólicos e diastólicos sugerem turbulência do fluxo sanguíneo por causa de doença arterial aterosclerótica. à PERCUSSÃO: A percussão auxilia na avaliação do volume e da distribuição dos gases no abdome, nas vísceras e nas massas solidas ou cheias de liquido e as dimensões do fígado e do baço. Deve-se percutir delicadamente os 4 quadrantes do abdome para determinar a distribuição do timpanismo e da macicez. O timpanismo costuma predominar, em função dos gases existentes no sistema digestório, mas também são típicas regiões esparsas de macicez, em virtude de haver líquido e fezes. Abdome protuberante e totalmente timpânico sugere obstrução intestinal ou íleo paralítico. Veja o Quadro 11.9, Abdomes protuberantes. ■Pesquise regiões de macicez sugestivas de massa ou um órgão aumentado de tamanho. Essa observação orientará a palpação subsequente As áreas de macicez caracterizam um útero gravídico, tumor ovariano, distensão da bexiga, hepatomegalia ou esplenomegalia. ■Observe a transição de timpanismo para macicez das estruturas posteriores sólidas, nos dois lados de um abdome protuberante Macicez em ambos os flancos justifica investigação adicional de ascite Percuta brevemente a borda anteroinferior do tórax, acima das margens costais. À direita, geralmente se observa a macicez hepática, enquanto, à esquerda, verifica-se o timpanismo sobrejacente à bolha de ar gástrica e à flexura esplênica do colo intestinal. No situs inversus (raro), os órgãos estão invertidos: bolha de ar à direita, macicez hepática à esquerda. à PALPAÇÃO: PUC PR LONDRINA Ana Leticia Cecy Sponholz a. Palpação superficial: palpação delicada do abdoe auxilia na identificação de dor à palpação, resistência muscular e alguns órgãos ou massas superficiais. Mantendo a mão e o antebraço no plano horizontal, com os dedos juntos e retos sobre a superfície abdominal, o abdome é palpado com movimentos descendentes leves e suaves. O examinador, ao deslocar a mão de uma região para outra, eleva-a um pouco acima da pele. Todos os quadrantes são palpados com movimentos suaves e uniformes. b. Palpação profunda: geralmente é necessária para delinear a borda hepática, os rins e as massas abdominais. Mais uma vez usando as superfícies palmares de seus dedos, palpe todos os quatro quadrantes.Verifique se há quaisquer massas e registre sua localização, forma, tamanho, consistência, hipersensibilidade, pulsações e mobilidade com a respiração ou com a mão examinadora. Correlacione os seus achados de palpação com as observações colhidas pela percussão. As massas abdominais podem ser classificadas de diversas maneiras: fisiológicas (útero gravídico), inflamatórias (diverticulite), vasculares (AAA), neoplásicas (carcinoma de colo intestinal) ou obstrutivas (bexiga distendida ou alça intestinal dilatada). FÍGADO à A maior parte do fígado fica protegida pela caixa torácica, o que limita a avaliação direta. a. Percussão: meca o limite vertical da macicez hepática na linha hemiclavicular direita. Começando em um nível abaixo do umbigo no QID (em região de timpanismo), percuta suavemente para cima em direção ao fígado. Identifique a borda inferior da macicez hepática na linha hemiclavicular. A seguir, identifique a borda superior da macicez hepática, começando na linha do mamilo, percuta no sentido causal ao longo da linha hemiclavicular até que a ressonância pulmonar se torne a macicez do fígado. b. Palpação: O examinador coloca a mão esquerda por baixo do paciente, paralela à 11a e à 12a costela, de modo a sustentá-las bem como as partes moles adjacentes. Lembre ao paciente de relaxar apoiado na sua mão. Ao pressionar a mão esquerda do examinador para cima, o fígado do paciente pode ser palpado mais facilmente pela mão direita. O examinador coloca a mão direita no lado direito do abdome do paciente, lateralmente ao musculo reto abdominal, com as pontas de dedos bem abaixo da borda inferior da macicez hepática. Uma suave compressão para dentro e para cima é aplicada nos dois casos. Deve-se solicitar ao paciente que inspire profundamente. Buscando sentir a borda do fígado enquanto ela desliza em direção às pontas dos dedos da mao do examinador. Quando o fígado é palpável, a borda hepática normal é macia, bem delimitada e regular, com superfície lisa. Se for palpada a borda, deve-se diminuir um pouco a pressão. O fígado de consistência endurecida, com borda romba ou arredondada e superfície irregular levanta a suspeita de doença hepática. Durante a inspiração o fígado é palpável cerca de 3cm abaixo do rebordo costal direito na linha hemiclavicular. A “técnica do gancho”. A “técnica do gancho” (mão em garra) pode ser útil, especialmente quando os pacientes são obesos. O examinador fica à direita do tórax do paciente. Coloca as duas mãos, lado a lado, sobre o lado direito do abdome, logo abaixo da PUC PR LONDRINA Ana Leticia Cecy Sponholz borda da macicez hepática. Pressiona com os dedos para dentro e para cima, em direção ao rebordo costal. Solicita ao paciente que inspire profundamente. BAÇO: Quando há aumento de tamanho do baço, isso ocorre anterior, inferior e medialmente, e com frequência se observa a substituição do timpanismo do estômago e do colo pela macicez de um órgão sólido a. Percussão: percute-se no espaço de Traube, região inferior esquerda da parede torácica anterior b. Palpação: Para aumentar o relaxamento da parede abdominal, o paciente deve manter os braços ao longo do corpo e, se necessário, flexionar o pescoço e as pernas. Com a mão esquerda, o examinador segura o paciente, de modo a apoiar e pressionar para frente a região inferior da caixa torácica e os tecidos moles adjacentes. Com a mão direita por baixo do rebordo costal esquerdo, o examinador faz pressão para dentro, na direção do baço. Solicitar que o paciente inspire profundamente. Deve-se tentar palpar a extremidade ou a borda do baço enquanto esta desce ao encontro às pontas dos dedos do examinador. A manobra é repetida com o paciente em decúbito lateral direito com os membros inferiores discretamente flexionados na altura dos quadris e nos joelhos. Nessa posição, a gravidade desloca o baço para frente e para a direita, passando a ocupar uma localização palpável. RINS: órgãos retroperitoneais Palpação do rim esquerdo. Fique à esquerda do paciente. Introduza a mão direita entre o dorso do paciente e o colchão da maca, logo abaixo e paralelamente à 12a costela, e com as pontas dos dedos apenas tocando o ângulo costovertebral. Eleve a mão, tentando deslocar o rim para frente. Coloque a mão esquerda, com cuidado, no QSE do abdome, lateral e paralelamente ao músculo reto do abdome. Solicite ao paciente que inspire profundamente. No pico de inspiração, pressione com firmeza a mão esquerda e profundamente no QSE, logo abaixo da margem costal. Tente “capturar” o rim entre suas duas mãos. Solicite ao paciente que expire e, depois, prenda a respiração por um breve período. Libere lentamente a pressão, procurando ao mesmo tempo sentir o rim voltando para a sua posição expiratória. Se o rim for palpável, devem ser descritos seu tamanho, seu contorno e se há dor à palpação. Palpação do rim direito. O rim direito normal pode ser palpável, especialmente em pessoas magras e com bom relaxamento muscular. Para capturar o rim direito, o examinador retorna para o lado direito do paciente. Tente elevar o rim com a mão esquerda sob o dorso do paciente e com a mão direita palpe profundamente o QSE do abdome. PUC PR LONDRINA Ana Leticia Cecy Sponholz Sinal de Giordano: Dor a percussão do rim – o examinador coloca a mão espalmada sobre o ângulo costovertebral e, a seguir, desfecha um golpe com a superfície ulnar do punho. AVALIAÇÃO DE UMA POSSÍVEL APENDICITE. A apendicite é uma causa comum de dor abdominal aguda. É preciso pesquisar com cuidado sinais de irritação peritoneal (abdome agudo) e os sinais adicionais de dor à palpação do ponto de McBurney, sinal de Rovsing, sinal do psoas e sinal do obturador (descrito na página seguinte). Solicita-se que o paciente determine o local da dor; que tussa e informe se ocorreu dor em algum local. - a dor da apendicite classicamente começa perto do umbigo e migra para o QID. É menos provável que adultos mais velhos relatem esse padrão -> PONTO DE McBURNEY – 5 cm do processo espinhoso anterossuperior do ílio em uma linha imaginaria traçada entre esse processo e o umbigo -> dor a palpação localizada em qualquer lugar do QID sugere apendicite Palpe o sinal de Rovsing e a ocorrência descompressão dolorosa referida. Pressione profunda e uniformemente o QIE. Em seguida, os dedos são retirados rapidamente Dor no QID durante compressão do lado esquerdo é um sinal de Rovsing positivo. Avalie o sinal do psoas. Coloque sua mão logo acima do joelho direito do paciente e peça que ele eleve essa coxa contra sua mão. Como alternativa, peça ao paciente que vire para o lado esquerdo. Em seguida, estenda a perna direita do paciente na altura do quadril. A flexão da perna nessa posição contrai o músculo psoas, enquanto a extensão o alonga Dor abdominal acentuada em qualquer manobra é um sinal de psoas positivo, o que sugere irritação do músculo psoas devido a um apêndice inflamado. Sinal do obturador: flexione a coxa direita do paciente na altura do quadril, com joelhos dobrados, e efetue a rotação interna da perna na altura do quadril. Essa manobra estira o musculo obturador interno. A dor hipogástrica direita é sinal do obturador positivo, de irritação músculo obturador devido a um apêndice inflamado. Esse sinal tem sensibilidade muito baixa. AVALIAÇÃO DE COLECISTITE AGUDA: SINAL DE MURPHY Quando a dor no QID e dor à palpação sugerem colecistite aguda, avalie sinal de Murphy. Posicione o seu polegar esquerdo ou os dedos de sua mão direita, em garra, sob o rebordo costal, no ponto onde a borda lateral do músculo reto fizer intersecção com o gradil costal. Como alternativa, palpe o QSD com os dedos de sua mão direita perto da margem costal. Nos casos de hepatomegalia, coloque o polegar ou seus dedos, em garra, por baixo da borda hepática, em um ponto correspondente mais abaixo. Peçaao paciente que respire fundo, o que força o fígado e a vesícula biliar para baixo na direção dos dedos do examinador Observe a respiração do paciente e observe o grau de dor à palpação. Um aumento acentuado na dor à palpação com esforço inspiratório é um sinal de Murphy positivo. REGISTRO DOS ACHADOS: PUC PR LONDRINA Ana Leticia Cecy Sponholz Abdome protuberante e com peristalse. Flácido e indolor à palpação. Ausência de massas ou hepatoesplenomegalia. Hepatimetria de 7 cm na linha hemiclavicular direita; borda lisa e palpável 1 cm abaixo do rebrodo costal direito. Baço e rins impalpáveis. Não há dor em ângulo costovertebral (sinal de Giordano negativo) OU Abdome plano. Ausência de peristalse. Abdome firme e em tabua, com dor à palpação, defesa e descompressão dolorosa no quadrante médio direio. Hepatimetria de 7 cm na linha hemiclavicular; borda hepática impalpável. Baço e rins impalpáveis. Ausência de massas palpáveis. Não há dor em ângulo costovertebral (sinal de Giordano negativo)