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Indaial – 2020 Atendimento e PlAnejAmento de CAmPAnhA Profa . Heloisa Rosa 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2020 Elaboração: Profa. Heloisa Rosa Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: R788a Rosa, Heloisa Atendimento e planejamento de campanha. / Heloisa Rosa. – Indaial: UNIASSELVI, 2020. 187 p.; il. ISBN 978-65-5663-113-4 ISBN Digital 978-65-5663-108-0 1. Estratégias de comunicação. – Brasil. 2. Estratégias de mídia. – Brasil. 3. Campanha publicitária. – Brasil. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 659.1 III APresentAção A comunicação é uma atividade complexa que envolve diversos aspectos para cumprir seu papel de transmitir uma mensagem. Ao abordarmos o ambiente organizacional, especificamente, devemos nos atentar ao conhecimento do cenário para estabelecimento das estratégias e às particularidades para implantação de campanhas. Desta forma, neste Livro Didático você aprenderá sobre esses processos analíticos e estratégicos da comunicação, por meio de discussões sobre as Estratégias de Comunicação e Mídia. Também, conhecerá os processos operacionais de uma campanha publicitária em um mercado publicitário composto por anunciantes, agências, fornecedores e veículos de comunicação. Na primeira unidade você compreenderá as particularidades de desenvolvimento das Estratégias de Comunicação, conhecendo os elementos básicos do cenário organização, como jornada de consumo do consumidor, stakeholders fundamentais da organização, particularidades da marca etc. Ainda tendo em vista estas questões, conhecerá as variadas estratégias que podem ser colocadas em prática considerando abordagens criativas que trazem maior impacto, ferramentas de comunicação e o planejamento de comunicação. Na segunda unidade, a Mídia é discutida, expondo a importância de análises de retorno sobre investimentos em comunicação e trazendo uma visão mais quantitativa ao campo comunicacional. Nesse momento, você conhecerá os meios de comunicação e suas particularidades, aprenderá sobre técnicas de distribuição de mídia e cálculos de retorno sobre investimentos em Mídia. A partir dos conhecimentos propostos nessa Unidade, você estará apto para ter uma visão muito mais analítica e estratégica das campanhas publicitárias focadas em resultados para o cliente. Por fim, na última unidade você conhecerá as dinâmicas do Mercado Publicitário e entenderá os processos de oferecimento de serviços em comunicação por uma agência de publicidade. Com o intuito de discutir os papéis dos profissionais das agências e suas entregas, essa unidade tem como proposta fazer você compreender como ocorre a operação de uma campanha publicitária em um cenário complexo percebido por anunciantes, veículos e agências. Esses elementos são propostos considerando refererências teóricas do campo da Comunicação e Publicidade. Espero que todos os conhecimentos apresentados contribuam para a ampliação de uma visão do profissional de comunicação, possibilitando que você, estudante, alcance sucesso em sua jornada profissional. Desejo a você uma boa leitura e sucesso na caminhada como profissional de Comunicação. Profª. Heloisa Rosa IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfi m, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI V VI Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE VII UNIDADE 1 – PLANEJAMENTO DE CAMPANHA .........................................................................1 TÓPICO 1 – DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO ........................................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3 2 IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO ...................................................................................................4 2.1 NÍVEIS ESTRATÉGICOS DO PRODUTO .....................................................................................6 2.2 COMPORTAMENTO DE COMPRA DO PRODUTO ..................................................................7 3 ANÁLISE DA CONCORRÊNCIA .......................................................................................................9 4 PÚBLICOS DE INTERESSE ..............................................................................................................10 4.1 PERFIL DOS PÚBLICOS ................................................................................................................14 4.2 DA PERCEPÇÃO À AÇÃO ............................................................................................................15 5 MAPEAMENTO DA JORNADA DO CONSUMIDOR ...............................................................16 5.1 PERCEPÇÃO DE VALOR DE MARCA .......................................................................................17 5.2 JORNADA DOS 5 A’S .....................................................................................................................18 6 OBJETIVOS DE COMUNICAÇÃO ................................................................................................20 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................24 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................26TÓPICO 2 – ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO ........................................................................29 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................29 2 TIPOS DE CAMPANHAS .................................................................................................................30 2.1 COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL...........................................................................................31 2.2 COMUNICAÇÃO MERCADOLÓGICA ......................................................................................31 3 ESTRATÉGIAS DE CAMPANHA ...................................................................................................33 3.1 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE INFORMAÇÃO ...............................................................33 3.2 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE TESTEMUNHO ...............................................................34 3.3 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE COMPARAÇÃO ..............................................................35 3.4 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE HUMOR ............................................................................36 3.5 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA OFENSIVA ..............................................................................37 3.6 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE DEFESA ............................................................................37 3.7 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE POSICIONAMENTO/REPOSICIONAMENTO .........38 4 MIX DE COMUNICAÇÃO ...............................................................................................................39 4.1 PROPAGANDA ...............................................................................................................................40 4.2 MERCHANDISING .........................................................................................................................41 4.3 PROMOÇÕES DE VENDAS ..........................................................................................................42 4.4 PATROCÍNIOS DE EVENTOS E CAUSAS ..................................................................................43 4.5 RELAÇÕES PÚBLICAS .................................................................................................................44 4.6 ASSESSORIA DE IMPRENSA .......................................................................................................45 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................49 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................50 TÓPICO 3 – PLANO DE COMUNICAÇÃO ......................................................................................53 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................53 2 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO PLANO DE COMUNICAÇÃO .........................53 sumário VIII 3 ROTEIRO DE UM PLANO DE COMUNICAÇÃO ........................................................................59 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................61 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................64 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................65 UNIDADE 2 – PLANEJAMENTO DE MÍDIA ...................................................................................67 TÓPICO 1 – DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA ........................................................................................69 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................69 2 A INFLUÊNCIA DO MIX DE MARKETING NO PLANEJAMENTO DE MÍDIA ..............70 2.1 MÍDIA E PRODUTO .......................................................................................................................71 2.2 MÍDIA E PREÇO ..............................................................................................................................72 2.3 MÍDIA E A PRAÇA .........................................................................................................................73 2.4 MÍDIA E A PROMOÇÃO ...............................................................................................................74 3 MAPEAMENTO DOS MERCADOS-ALVO ..................................................................................75 3.1 VARIÁVEIS DEMOGRÁFICAS .....................................................................................................76 3.2 VARIÁVEIS SOCIOPSICOLÓGICAS ..........................................................................................77 4 OBJETIVOS DE MÍDIA .....................................................................................................................78 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................82 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................83 TÓPICO 2 – CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA..............................................................................85 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................85 2 MEIOS E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO .................................................................................85 2.1 TV ABERTA ......................................................................................................................................89 2.2 RÁDIO ..............................................................................................................................................92 2.3 JORNAL ...........................................................................................................................................94 2.4 REVISTA ...........................................................................................................................................96 2.5 CINEMA ............................................................................................................................................99 2.6 MÍDIA DIGITAL ...........................................................................................................................101 3 VARIÁVEIS FUNDAMENTAIS EM MÍDIA ................................................................................105 3.1 ALCANCE, COBERTURA E FREQUÊNCIA ............................................................................105 3.2 AUDIÊNCIA E SHARE ................................................................................................................107 3.3 CPP, GRP E TRP ............................................................................................................................108 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................110 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................111 TÓPICO 3 – ESTRATÉGIAS DE MÍDIA ..........................................................................................113 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................113 2 DEFINIÇÃO DO TIMING DE UMA CAMPANHA.....................................................................113 3 ANÁLISE E ALOCAÇÃO DE INVESTIMENTOS EMMÍDIA ................................................115 4 ROTEIRO DE UM PLANO DE MÍDIA .........................................................................................116 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................120 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................124 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................125 UNIDADE 3 – ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO .........................................................................127 TÓPICO 1 – MERCADO PUBLICITÁRIO .......................................................................................129 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................129 2 DINÂMICAS DO MERCADO PUBLICITÁRIO .......................................................................130 IX 2.1 ANUNCIANTES ............................................................................................................................131 2.2 MEIOS E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO .............................................................................132 2.3 FORNECEDORES ..........................................................................................................................134 3 ESTRUTURA DE UMA AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO .......................................................136 3.1 ATENDIMENTO ............................................................................................................................138 3.2 TRÁFEGO .......................................................................................................................................140 3.3 CRIAÇÃO .......................................................................................................................................140 3.4 PRODUÇÃO ...................................................................................................................................141 3.5 MÍDIA ..............................................................................................................................................142 3.6 PLANEJAMENTO .........................................................................................................................143 4 REMUNERAÇÃO DA AGÊNCIA ..................................................................................................143 4.1 COMISSÕES ESTABELECIDAS PELA LEI Nº 4.680 ................................................................144 4.2 COMISSÕES ESTABELECIDAS PELA LEI COM DESCONTOS PROGRESSIVOS ............145 4.3 FEE MENSAL FIXO .......................................................................................................................146 4.4 MARKUP ........................................................................................................................................146 4.5 REMUNERAÇÃO POR RESULTADOS .....................................................................................147 4.6 FEE MENSAL ACRESCIDO DE UM PERCENTUAL .............................................................147 SOBRE OS RESULTADOS ..................................................................................................................147 4.7 HONORÁRIOS DE CLÁUSULA DE RESULTADOS ...............................................................148 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................149 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................151 TÓPICO 2 – ATENDIMENTO AO CLIENTE ...................................................................................153 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................153 2 QUEM É O ATENDIMENTO? .......................................................................................................154 3 ATENDIMENTO X PROFISSIONAL DE NEGÓCIOS ...............................................................156 4 TIPOS DE CLIENTES ATENDIDOS ............................................................................................159 5 APRESENTAÇÃO DE CAMPANHAS ............................................................................................161 5.1 COMO CONDUZIR UMA REUNIÃO? .....................................................................................161 5.2 COMO PREPARAR A SALA? ......................................................................................................162 6 AVALIAÇÃO DA CAMPANHAS ....................................................................................................163 7 NEGOCIAÇÃO .................................................................................................................................164 8 PROSPECÇÃO DE CLIENTES ......................................................................................................167 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................169 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................171 TÓPICO 3 – BRIEFING .........................................................................................................................173 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................173 2 POR QUE O BRIEFING É FUNDAMENTAL? ..............................................................................173 3 O BRIEFING NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO DE CAMPANHA ...............................174 4 ROTEIRO DE UM BRIEFING .........................................................................................................176 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................179 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................182 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................183 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................185 X 1 UNIDADE 1 PLANEJAMENTO DE CAMPANHA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • apresentar elementos fundamentais para o diagnóstico de comunicação; • conhecer as estratégias de comunicação em um planejamento de comunicação; • desenvolver um planejamento de comunicação; • realizar análises das melhores práticas de comunicação, de acordo com necessidades percebidas. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO TÓPICO 2 – ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO TÓPICO 3 – PLANO DE COMUNICAÇÃO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 1 INTRODUÇÃO Para que seja possível defi nir estratégias que entreguem resultados aos negócios, o Planejamento de Comunicação deve ser iniciado considerando uma avaliação geral da realidade de negócio. Este conhecimento é fundamental para a criação de estratégias coerentes e com baixo risco. Afinal, quanto mais conhecemos uma realidade, menores são os riscos de erro. O diagnóstico de comunicação é a primeira etapa de um bom planejamento e compreende etapas fundamentais de compreensão da realidade, avaliando importantes pontos conforme apresentado na fi gura a seguir. FIGURA 1 – ELEMENTOS DO DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO FONTE: A autora Como você pode ver, um diagnóstico envolve a avaliação de diversos elementos. Todos estes elementos mapeados são fundamentais, pois contribuem diretamente para a defi nição da abordagem da comunicação, das estratégias e canais utilizados. Considerando essa importância, neste tópico você verá a defi nição de todos esses elementos, suas particularidades e importância na estratégia de comunicação. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 4 2 IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO Entender as características do produto e serviço de uma marca é um dos pontos fundamentais para entregar ações de comunicação de resultado. Afinal, atualmente, as marcas passam a entregar produtos cada vez mais semelhantes, gerando diferenciações em elementos intrínsecos como posicionamento, valores e experiência. Nesse cenário, o conhecimento das vantagens de um produto ou serviço precisa ir além de suas qualidades técnicas, passando por elementos estratégicos que geram vantagem competitiva no processo de escolha de um produto ou até à fidelização do cliente. Assim, precisamos saber, ao certo, o que é um produto para você? Acesse o link https://www.youtube.com/watch?v=-Xrdx8pDPj8 e assista ao vídeo da marca Starbucks e reflita: o que diferencia o produto desta marca com os produtos de outras cafeterias? DICAS Ao avaliar o vídeo apresentado anteriormente, vemos que um produto vai além de sua entrega técnica. No caso da marca Starbucks, por exemplo, a percepção de valor de seus produtos permeia toda a entrega de serviço do estabelecimento, gerando bem-estar ao consumidor que não busca apenas pelo café, mas também pela experiência que este produto causa. Na concepção clássica de produto, entendemos que “qualquer coisa”, como bicicleta, televisão, carro ou outro elemento tangível, seja um produto. Enquanto, “tarefas oferecidas” como consultoria, planejamento de comunicação, consertos de automóveis, cortes de cabelo, entre outros, são ditas como serviços. Essas concepções estão corretas, no entanto, precisam ser atualizadas, considerando, principalmente, os avanços da tecnologia e reformulações dos negócios. Por exemplo, reflita: você acha que um aplicativo para celular é um produto ou serviço? Para Kotler e Armstrong (2014, p. 244), produto é um elemento oferecido a um mercado para “apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade”, incluindo fatores para além da tangibilidade. Dessa forma, produtos podem ser representados por elementos tangíveis ou intangíveis que demandam compreensões específicas sobre comportamento de compra para o estabelecimento de estratégias, como você pode ver no quadro a seguir. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 5 Produto de Consumo São produtos que apresentam a finalidade de uso próprio, como celulares, automóveis, alimentos etc. Produto Organizacional São produtos comprados por organizações, que contribuem na gestão do negócio, como peças, suprimentos, serviços e bens de capital. Organizações É uma abordagem que reconhece a própria organização como produto, buscando evidenciar seus pontos positivos para construção de reputação positiva. Pessoas Indivíduos são reconhecidos como produtos para estabelecer estratégias relacionadas a visibilidade e reconhecimento. Ocorre em casos de figuras públicas, como celebridades e nomes políticos. Lugares Lugares, como pontos turísticos, cidades, estados ou países, são reconhecidos como produtos. As estratégias podem ter como objetivos a atração de turistas, moradores ou indústrias. Ideais Abordagem em que ideias relacionadas ao bem-estar da sociedade são reconhecidas como produtos, buscando sua valorização. Assim, ideias que visam ao não uso de tabaco, drogas ou alimentação inadequada são oferecidas por organizações para reduzir problemas evidentes da sociedade. QUADRO 1 – TIPOS DE PRODUTOS FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2014) Considerando as abordagens apresentadas no Quadro 1, perceba que os produtos se comportam de maneiras distintas. Assim, ao definir as estratégias de comunicação, é necessário compreender as características do produto oferecido, possibilitando, assim, maior coerência na ação estratégica e resultados alcançados. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 6 2.1 NÍVEIS ESTRATÉGICOS DO PRODUTO Ao analisar os pontos estratégicos de um produto, é necessário compreender quais valores este produto entrega ao seu consumidor. Pense no exemplo da Starbucks que você viu no vídeo anterior: quais elementos o café desta marca entrega a quem o consome? Seria somente a bebida? Ou há elementos adicionais que fazem com que este produto seja escolhido em comparação aos concorrentes? Ao fazer esses questionamentos, eu desafi o você a pensar sobre todos os elementos que fazem parte do escopo do produto e que muitas vezes não são pensados. Por exemplo, na fi gura a seguir, você pode encontrar diversas decisões estratégicas que compõem a caracterização de um produto que vai além de suas entregas técnicas. Como produto, vamos simular novamente a marca Starbucks. Perceba que, como benefício central temos o café, que passa a ser rodeado de outros elementos estratégicos que contribuem na valorização do produto pelo consumidor. FIGURA 2 – ELEMENTOS DE UM PRODUTO FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2014) Como você pode ver, o benefício central de um produto, ou seja, sua entrega funcional, é apenas um dos elementos que contribui para a valorização do produto, dependendendo de inúmeros outros fatores que agregam valor ao produto e tornam a experiência de compra mais efetiva. Esses elementos, classifi cados como níveis de produto por Kotler e Armstrong (2014), são denominados: produto ampliado, produto básico e produto núcleo. Eles representam características fundamentais que, ao serem adicionadas, agregam valor ao produto elevando seu patamar de entrega ao consumidor, como você pode ver na fi gura a seguir, simulada no exemplo da marca Starbucks. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 7 FIGURA 3 – NÍVEIS DO PRODUTO FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2014) Esses níveis de produtos apontam os elementos que podem ser vistos como vantagens competitivas para as marcas no momento de desenvolver suas estratégias de comunicação. Dessa forma, no momento de levantar as características do produto na etapa de diagnóstico, levante todas as características do produto identifi cado e refl ita sobre quais são os elementos que, de fato, podem tornar o produto competitivo em relação aos seus concorrentes. 2.2 COMPORTAMENTO DE COMPRA DO PRODUTO Além de compreender o que é o produto e quais são seus elementos competitivos, durante o desenvolvimento das estratégias de comunicação é necessário compreender qual é o comportamento de compra do consumidor em relação ao produto. Entender como os indivíduos agem ao realizar determinada compra em determinado segmento e de determinado produto, contribui para que as estratégias sejam adequadas ao momento em que o consumidor tem algum objetivo para ser atendido em relação à busca pelo produto. Compreender como ocorre o comportamento de compra de um produto é uma tarefa complexa que envolve a percepção de como os indivíduos selecionam, compram, usam produtos, serviços ou experiências (SOLOMON, 2002). Nesse cenário deve ser considerado que indivíduos são seres individuais, específi cos e complexos de serem decifrados. Como no teatro, cada consumidor tem falas, acessórios e fi gurinos necessários para um bom desempenho na encenação. Como as pessoas representam muitos papéis diferentes, elas às vezes modifi camsuas decisões de consumo, dependendo da “peça” específi ca de que UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 8 participam em um certo momento. Os critérios que usam para avaliar produtos e serviços em um papel pode ser bem diferente dos utilizados em um outro (SOLOMON, 2002, p. 24). Nós, enquanto comunicadores, precisamos entender o contexto em que o consumidor se encontra, para que este receba a mensagem adequada em um canal adequado, exatamente quando precisa. Existem alguns comportamentos de compra que direcionam as estratégias podendo ser definidas como compras mais frequentes e simples ou compras mais complexas e que exigem grande esforço do anunciante. Veja algumas classificações propostas por Kotler e Armstrong (2014) no quadro a seguir, como os quatro comportamentos de compra e estratégias pertinentes para cada realidade: compra por conveniência, compra comparada, especialidade, não procurado. Conveniência Compra comparada Especialidade Não procurado C om po rt am en to d e C om pr a Compra frequente, pouco planejamento, pouca comparação ou esforço na compra, baixo envolvimento do cliente. Compra menos frequente, muito planejamento e esforço na compra, comparação de marcas quanto a preço, qualidade, estilo. Forte preferência e fidelidade de marca, esforço especial na compra, pouca comparação de marcas, baixa sensibilidade ao preço. Pouca conscientização ou conhecimento do produto (ou, quando há conscientização, pouco interesse ou até interesse negativo). Pr om oç ão Promoção em massa pelo fabricante. Propaganda e venda pessoal feitas tanto pelo fabricante quando pelos revendedores. Promoção mais cuidadosamente dirigida feita pelo fabricante quanto pelos revendedores. Propaganda agressiva e venda pessoal pelo fabricante e pelos revendedores. Pr eç o Preço baixo. Preço mais alto. Preço alto. Varia. D is tr ib ui çã o Distribuição ampla, localizações convenientes. Distribuição seletiva em menos ponto-de- venda. Distribuição exclusiva em um único ou poucos pontos-de-venda por área de mercado. Varia. Ex em pl os Creme dental, sabão em pó. Eletrodomésticos, televisão, vestuário. Bens de luxo. Seguros de vida, doação de sangue. QUADRO 2 – ESTRATÉGIAS E COMPORTAMENTO DE COMPRA FONTE: Adaptado de Kotler e Armstrong (2014) TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 9 Como você pode ver, as estratégias apresentadas são particulares às necessidades de cada abordagem de consumo. Uma compra por conveniência, por exemplo, exige um esforço de comunicação muito mais massivo do que a compra comparada, que, por sua vez, exige uma complexidade na escolha de canais mais específicos. Esse cenário demonstra que o tipo do produto e, principalmente, sua forma de consumo interfere diretamente nas estratégias de comunicação, preço e distribuição do produto. Assim, os profissionais desse campo devem compreender esses cenários, para que possam desenvolver estratégias adequadas para os momentos de compras (SOLOMON, 2002). Solomon (2002, p. 240) expõe um exemplo de um negócio norte-americano ao desenvolver estratégias no período anterior ao verão, considerando o comportamento de compra: “por exemplo, clubes de livros investem intensamente em campanhas promocionais em junho porque muitas pessoas procuram fazer estoque de ‘livros para a praia’, para ler durante o verão”. Perceba que, nesse caso, as estratégias são desenvolvidas de acordo com as demandas existentes e de maneira adequada às necessidades do consumidor. É importante que você compreenda que cada produto apresenta suas características e suas particularidades quanto ao comportamento do consumidor, exigindo, assim, estratégias específicas. 3 ANÁLISE DA CONCORRÊNCIA Um dos pontos importantes de um diagnóstico é o reconhecimento dos concorrentes. Nesse momento, são identificadas as marcas ou produtos que estão na competição pela liderança no mercado de atuação. É importante reconhecer os pontos fortes e fracos da concorrência, possibilitando, assim, a criação de estratégias competitivas. Como reconhecer os concorrentes? Bom, primeiramente precisamos compreender que os concorrentes podem ser divididos em dois perfis: concorrentes diretos e concorrentes indiretos. Os concorrentes diretos são definidos como os competidores que estão mais próximos a “roubar” os possíveis consumidores, enquanto os concorrentes indiretos apresentam risco, mas se colocam mais distantes das possibilidades de compra (CORREA, 2017), perceba que nem sempre os concorrentes diretos podem ser definidos como empresas de um mesmo segmento. Por exemplo, imagine uma marca de cosméticos que apresenta grande parte da sua fatia de vendas em “produtos para presente”. Essa marca identificou que seu foco de negócio se relaciona muito mais com o “ato de presentear” e consegue gerar grandes receitas em virtude do posicionamento adotado. Neste mesmo cenário de produtos para presente, a marca reconhece que determinados produtos podem roubar a fatia deste mercado de presentes, representados por produtos como chocolates finos ou sandálias de borracha. Assim, precisa estabelecer estratégias para ser competitiva no momento de escolha do consumidor sobre qual tipo de produto presentear. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 10 Esse caso representa um cenário de uma marca que apresenta concorrentes que fogem do seu segmento de atuação, no entanto, apresentam alto grau de risco à marca, se colocando, assim, como concorrentes diretos. Dessa forma, a partir da definição dos concorrentes claros, chega o momento de realizar análises específicas sobre os pontos competitivos presentes (YANAZE, 2013): • O produto tem maior qualidade? Apresenta embalagem mais competitiva? A marca apresenta maior valor? • O preço é reduzido e competitivo? As condições de pagamento são atrativas? • A distribuição do produto é ampla? Consegue atingir locais que não consigo alcançar? • A comunicação é altamente criativa? A exposição em mídia é massiva ou segmentada? • Apresenta ações de comunicação agressivas? Perceba que todas essas análises contribuem para definições estratégicas. Ao falarmos de comunicação mais especificamente, esses pontos contribuem para identificar pontos positivos que podem ser exaltados pela comunicação e pontos negativos que podem ser minimizados nos discursos da marca em seus variados canais de comunicação. 4 PÚBLICOS DE INTERESSE É comum, ao falar de ações de comunicação, termos em mente somente um público que deve ser considerado: os consumidores. Esta lógica considera que o consumidor é o único receptor que deve ser considerado pois somente ele trará resultados positivos às marcas. Devemos refletir: será que atualmente, considerando tantas possibilidades de informação, somente os consumidores impactam no negócio de uma empresa? Será que, a comunidade em que uma empresa está inserida, não contribui para o fortalecimento da reputação desta organização e, consequentemente, a venda de seu produto? Ainda, será que a opinião da imprensa sobre determinada marca não interfere na percepção dos consumidores desta marca? Quando levantamos todas estas questões, estamos levantando alertas sobre públicos que não consomem o produto, mas tem total impacto na formação de percepção do consumidor que irá consumir o produto. Estes públicos são chamados de stakeholders ou públicos de interesse. São representados por grupos que podem impactar as ações, decisões ou metas de uma organização e, por isso, devem ser considerados nas estratégias da organização (KUNSCH, 2003). Vamos a um exemplo prático? Imagine que uma marca do segmento automotivo precisa comunicar ao seu público consumidor sobre o lançamento de um novo carro. A marca desenvolve diversas ações de comunicação voltadas para esse público, como: propaganda em TV aberta e mídias sociais; outdoors nas regiões de venda do produto; website do produto e ações de conteúdo nas redes sociais comoTwitter, Instagram e Facebook. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 11 Todas essas ações visam alcançar o consumidor, tornando o produto conhecido para o público de interesse. Paralelamente a isso, outros públicos precisam ser considerados com o intuito de garantir que essas ações com o consumidor ocorram de maneira positiva. Um público extremamente importante é o colaborador que irá atender possíveis consumidores nas lojas. Esse público precisa estar munido de informações sufi cientes para cumprir seu papel de garantir a venda do produto e garantir melhores condições, para o consumidor e marca. Assim, ações de comunicação que visam o conhecimento e engajamento deste colaborador com o produto são fundamentais para alcançar objetivos mercadológicos. Como exemplo de ações com este público, poderiam ser realizadas: • Ações que visam o conhecimento técnico do produto: ○ test drive; ○ manual informativo; • Ações que visam o engajamento do colaborador: ○ concursos internos; ○ planos de bonifi cações especiais. Nesse simples exemplo, com apenas dois públicos de interesse, vemos uma complexidade de ações que devem ser consideradas para garantir que objetivos mercadológicos sejam atendidos. Para entender essa complexidade, veja a fi gura a seguir, que apresenta as estratégias pertinentes para cada público (colaborador e consumidor). Perceba que para esses públicos, existem ações que visam objetivos específi cos relacionados ao engajamento e conhecimento do produto. FIGURA 4 – ESTRATÉGIAS PARA PÚBLICOS DE INTERESSE FONTE: A autora UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 12 Esse exemplo apresenta um pequeno recorte das estratégias de comunicação de uma campanha mercadológica e não considera outros importantes públicos, para além dos consumidores e colaboradores. Imagine que, ao estabelecer estratégias de comunicação, outros importantíssimos públicos devem ser considerados e compreendidos para que, assim, sejam definidas ações de comunicação que contribuam para atingir objetivos de uma organização. Freeman (1984) defende que os públicos de interesse de uma organização podem ser definidos como primários, que apresentam grande influência ao negócio; e secundários, que apresentam pouca influência sobre o negócio. • Primários: acionistas, sócios, colaboradores, fornecedores, clientes, comunidade. • Secundários: imprensa e grupos de pressão (associações, ONGs). Perceba que, ao definir diversos públicos em uma campanha, as estratégias se tornam mais complexas e o profissional de comunicação precisa ter clareza, ao realizar o diagnóstico dos públicos, os quais stakeholders são fundamentais nas estratégias. Neste contexto, o gestor de comunicação deve primeiro identificar os stakeholders, para, em seguida, priorizá-los. Essa priorização é um assunto bastante controverso e polêmico. A quem vamos atender primeiro? Aos acionistas ou aos clientes? O ideal seria atender a todos os grupos de interesses a um só tempo, mas isto é utopia. É sabido que os executivos das organizações precisam encantar o cliente - que sempre quer melhor preço -, sem se esquecer de proporcionar o máximo de lucro aos acionistas (LUPETTI, 2012, p. 57). Definir públicos prioritários para a comunicação não é uma tarefa fácil que possa ser definida por meio de regras. Não existem, por exemplo, regras que delimitam o grau de importância de determinados públicos, sendo que cada marca, em cada situação, deverá analisar quais são suas prioridades em relação aos públicos mapeados. É papel do comunicador no momento do diagnóstico do público, compreender quais stakeholders afetarão de maneira mais incisiva os objetivos de marketing e comunicação identificados. No quadro a seguir, você pode acompanhar alguns públicos de interesse importantes. Lembre-se de que, cada situação deve ser avaliada para que os públicos sejam selecionados no momento do diagnóstico. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 13 Público Descrição Exemplos Força de Vendas É composta por todos os indivíduos, ligado ou não diretamente à empresa, que realizam a venda dos produtos. Pode-se definir como força de vendas todos os colaboradores que vendem o produto da organização, sejam eles externos ou internos. Vendedores, representantes, suporte técnico, assistentes de vendas, telemarketing. Intermediários Todos os players existentes entre a empresa produtora e o consumidor final. Em outras palavras, intermediário é aquele que compra para revender. Atacados, varejo, corretores. Influenciadores São influenciadores os indivíduos que mencionam favoravelmente uma marca, sem receber vantagens financeiras. Também são chamados como formadores de opinião. Especialistas na área do negócio, imprensa. Consumidores finais A identificação do público- alvo compreende possíveis compradores dos produtos, os usuários atuais, as pessoas ou grupos que têm poder de decisão nas compras, ou, ainda, públicos específicos. Consumidores. QUADRO 3 – PÚBLICOS DE INTERESSE FONTE: Adaptado de Lupetti (2012) Além destes públicos mapeados, ao realizar o diagnóstico sobre os stakeholders de uma campanha, o profissional de comunicação deve compreender quais públicos são mais pertinentes ao negócio para, assim, estabelecer estratégias que tragam resultados ao negócio. Em casos específicos, dependendo do segmento do negócio, por exemplo, públicos não mencionados no quadro anterior, como acionistas, são tão importantes quanto os consumidores. Portanto, entenda que além de conhecer todos os possíveis públicos no momento de estabelecer as estratégias, o comunicador precisa analisar o cenário e ser coerente na escolha dos públicos. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 14 4.1 PERFIL DOS PÚBLICOS No campo da definição de públicos, ainda precisa ser claro de que maneira estes públicos se portam. Afinal, qual é o perfil dos públicos prioritários da marca? Reconhecer o real perfil do consumidor contribui de maneira efetiva para a proposição da ideia criativa da campanha, bem como seleção das estratégias e veículos de comunicação. Diversos estudos no campo de Marketing e Comunicação propõem que os perfis de públicos podem ser definidos partindo de alguns critérios. Correa (2017) expõe estes critérios em sete categorias, conforme você pode ver a seguir: Dados Características Demográficos Sexo, idade, grau de instrução, estado civil, grupo étnico, local de residência. Socioculturais Classe social, grupos profissionais, artísticos, esportivos, tradições, folclores. Econômicos Classe econômica e demais dados relativos à situação econômico-financeira. Religiosos Religião a que pertence, seitas e crenças. Psicológicos Relativos a atitudes, opiniões, reações e motivações de cada grupo. Hábitos de compra, uso, consumo, estilo de vida Procedimentos usuais, diferenças de comportamento entre os diversos públicos. Atitudinais Referentes à atitude ou postura de pessoas perante determinadas situações, conceitos ou filosofias de vida. QUADRO 4 – DETERMINAÇÃO DO PERFIL CONSUMIDOR FONTE: Adaptado de Correa (2017) Todas estas definições são importantes para compreender qual é o perfil do público, que muitas vezes, pode ser representado por diversos grupos de perfis diferenciados, que precisam ser atendidos de maneiras pontuais de acordo com suas necessidades. E, para que seja possível reconhecer esses perfis é necessário realizar uma série de pesquisas de mercado, seja por meios digitais ou não digitais. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 15 Neste cenário de definição do perfil dos públicos, podemos ir à frente e definir um personagem para esse público. Esse personagem é definido no Marketing como Persona, pois ajuda personificar o público trazendo mais clareza na construção das estratégias. Quer saber mais sobre Persona? Veja o vídeo que a Rock Content preparou: https://www.youtube.com/watch?v=TzlVl6qY_JA DICAS 4.2 DA PERCEPÇÃO À AÇÃO Belch (2004 apud GALINDO, 2009) traz umadiscussão sobre as dimensões comportamentais do indivíduo, reforçando que existem três momentos essenciais que devem ser considerados ao determinar as estratégias: conativo, afetivo e cognitivo. Para cada dimensão proposta, existem ações específicas de comunicação que contribuem para atender movimentos de compra específicos, desde a consciência até a compra, conforme você pode ver no quadro a seguir. DIMENSÃO COMPORTAMENTAL MOVIMENTO PARA COMPRA DEMANDA DA COMUNICAÇÃO PROMOCIONAL EM VÁRIOS ESTÁGIOS Conativo (O reino dos motivos) Ações que estimulem e dirijam os desejos. Compra Convicção Preferência Envolvimento Conhecimento Consciência Ações no PDV e transações com o varejo. Comunicação objetiva e oferta de “última-chance”. Apelo de preço e venda pessoal. Afetivo (O reino das emoções) Ações que mudem atitudes e sentimentos. Comunicação argumentativa e competitiva. Trabalhar a imagem. Apelo de status, glamour. Cognitivo (O reino dos sentimentos) Ações que apresentem informações e fatos. Ações de comunicação mais descritivas – uso de formas chamativas e marcantes. Campanhas de sinalização da chegada do produto/ serviço. QUADRO 5 – O EFEITO DA COMUNICAÇÃO: DA CONSCIÊNCIA À AÇÃO FONTE: Belch (2004 apud GALINDO, 2009, p. 200) UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 16 Quando falamos de mapeamento da jornada do consumidor, entramos no campo da identificação do momento em que o consumidor se encontra, com o intuito de estabelecer uma comunicação pertinente para aquele momento. Devemos compreender que o consumidor, ou outro stakeholder foco de uma campanha, é um indivíduo complexo que analisa suas escolhas e determina suas ações após uma série de informações e análises. Daniel Galindo (2009) traz uma ótima analogia sobre esta situação, ao evidenciar que nenhum ser humano se torna adulto em 24 horas. Então, podemos compreender, também, que nenhuma marca conseguirá atingir a lealdade de seus consumidores em pouco tempo e com poucas ações de comunicação. Uma maneira bem simples de compreendermos esta relação é a constatação de que ninguém nunca presenciou uma criança tornar- se jovem ou adulta em 24 horas, ou seja, somos surpreendidos pela força e poder de algumas marcas, acreditamos ou confiamos em determinadas organizações, compramos com maior segurança e aceitamos novas abordagens, pois reconhecemos uma série de atributos e de experiências relacionais que contribuem efetivamente para a adoção e até a propagação através de nossos testemunhos, esquecendo-se de que estas organizações e suas marcas receberam um investimento constante por longo tempo (GALINDO, 2009, p. 201). Este cenário aponta que as marcas devem estabelecer ações constantemente com base no grau de envolvimento de um consumidor, que apresenta características e dúvidas específicas para cada grau de envolvimento com a marca. Por exemplo, ao analisarmos marcas bem posicionadas no mercado, percebemos que estas apresentam altos índices de aceitação do público. No entanto, o grau de aceitação dificilmente será homogêneo em diversos stakeholders, podendo, cada stakeholder se portar de maneira específica em relação a uma marca. Por exemplo, olhe para as duas marcas a seguir e reflita: o seu grau de envolvimento com estas duas marcas é igual? Perceba que este cenário, proposto em 2004, prevê um crescimento no envolvimento do consumidor desde a consciência até à efetiva compra. No entanto, é importante percebermos que, considerando cenários atuais, o processo de compra continua ocorrendo após a venda, demandando ações de relacionamento e fidelização com o consumidor. Considerando essa necessidade, as demais abordagens apresentadas neste subtópico trazem uma visão para além da compra, compreendendo os momentos do consumidor desde a consciência da existência da marca até a garantia da lealdade do consumidor. 5 MAPEAMENTO DA JORNADA DO CONSUMIDOR TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 17 5.1 PERCEPÇÃO DE VALOR DE MARCA Sob uma perspectiva semelhante, Aaker (2007) aponta que existem cinco estágios de envolvimento com uma marca: consciência de marca, associação de marca, qualidade percebida, confi ança, lealdade de marca. Esses estágios apresentam os momentos em que o consumidor se encontra e contribui para indicar possíveis estratégias para determinado momento. FIGURA 5 – HAVAIANAS E IPANEMA FONTE: <https://bityli.com/C2bcn>; <https://bityli.com/q0qq8>. Acesso em: 13 abr. 2020. Provavelmente, o seu grau de envolvimento com essas duas marcas se diferencia de acordo com a sua vivência, podendo ser apenas um envolvimento superfi cial ou um envolvimento que atinja altos índices de lealdade. Para entender melhor como esses graus, ou etapas de envolvimento, se caracterizam, nos subtópicos a seguir você verá três abordagens distintas que categorizam o consumidor nessas etapas. COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR CONSCIÊNCIA DE MARCA Consumidor têm consciência sobre a existência da marca. ASSOCIAÇÃO DE MARCA Consumidor consegue associar elementos à marca, como identidade visual, garoto propaganda, jingle etc. QUALIDADE PERCEBIDA Consumidor avalia a marca de acordo com seu julgamento do que é bom. CONFIANÇA DE MARCA Consumidor confi a na marca e acredita em sua credibilidade. LEALDADE Consumidor prefere a marca em relação às concorrentes. QUADRO 6 – PERCEPÇÃO DE VALOR DA MARCA FONTE: A autora UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 18 Como você pode ver nos estágios apresentados, os públicos (sendo consumidores ou outros stakeholders) se colocam de maneiras específicas. Em um primeiro estágio de consciência de marca, por exemplo, as marcas devem fazer grandes esforços de reconhecimento da marca que não é conhecida ou percebida por seus públicos. Enquanto em outros estágios, como o da lealdade, por exemplo, a marca compreende que os consumidores são leais e deve estabelecer estratégias de manutenção desta lealdade existente. Um ponto que deve ser compreendido em relação a esta jornada, é que uma marca nunca terá todos os seus stakeholders enquadrados em um estágio só. Dessa maneira, ela deve reconhecer que são inúmeros objetivos distintos de acordo com os momentos dos públicos, estabelecendo, assim, ações de comunicação que atinjam objetivos relacionados à consciência de marca, associação de marca, qualidade percebida, confiança de marca e lealdade. 5.2 JORNADA DOS 5 A’S Assim como Aaker (2007) que propõe os estágios de envolvimento em re- lação à marca, Kotler (2017) traz um olhar semelhante, considerando cinco impor- tantes estágios: assimilação, atração, arguição, ação, apologia. Alguns dos pontos defendidos por Kotler (2017) apresentam similaridade com os estágios vistos até aqui, representando envolvimentos gradativos dos públicos com as marcas. COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR POSSÍVEIS PONTOS DE CONTATO COM O CONSUMIDOR IMPRESSÃO- CHAVE DO CONSUMIDOR ASSIMILAÇÃO Os consumidores são passivamente expostos a uma longa lista de marcas em função de experiências passadas, comunicações de marketing e/ou defesa da marca por clientes. Aprender sobre a marca com seus pares. Ser exposto inadvertidamente à propaganda da marca. Lembrar-se de experiência passada. EU SEI ATRAÇÃO Os consumidores processam as mensagens que são expostas – criando memória de curto prazo ou ampliando a memória de longo prazo – são atraídas somente para uma lista curta de marcas. Ser atraídos pelas marcas. Criar um conjunto de marcas que serão levadas em consideração. EU GOSTO QUADRO 7 – MAPEAMENTO DA JORNADA DOS 5 A'S TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 19 FONTE: Kotler (2017, p. 96) ARGUIÇÃO Levados pela curiosidade, os consumidores pesquisam ativamente para obter informações adicionais dos amigos e da família, da mídia e/ ou direto das marcas. Pedir conselhos a amigos. Pesquisar avaliações on- line do produto. Contatar central de atendimento. Comparar preços. Testar o produto naslojas. ESTOU CONVENCIDO AÇÃO Reforçados pelas informações adicionais, os consumidores decidem comprar uma marca específica e interagem de forma mais profunda por meio de processos de compra, consumo e/ou serviço. Comprar na loja física ou on-line. Usar o produto pela primeira vez. Reclamar de um problema. Obter atendimento. ESTOU COMPRANDO APOLOGIA Com o tempo, os consumidores podem desenvolver uma sensação de forte fidelidade à marca, refletida em retenção, recompra e defesa da marca perante seus pares. Continuar usando a marca. Recomprar a marca. Recomendar a marca a outros. EU RECOMENDO Observe que estágio apresenta impressões-chave, ou seja, ações essenciais de cada momento. Ainda, para cada momento, existem possíveis pontos de contato com o consumidor, que devem ser compreendidos, para delimitação das estratégias coerentes de comunicação. Perceba que, no estágio representado pela ação, as estratégias de comunicação podem explorar ações de envolvimento no ponto de venda do produto ou em oportunidades de atendimento ao cliente. 6 OBJETIVOS DE COMUNICAÇÃO Um dos pontos essenciais para definir as estratégias de Comunicação é a definição clara dos objetivos. Muitas campanhas, por vezes, acabam não trazendo resultados positivos por não haver clareza pela organização sobre qual de fato é o objetivo a ser alcançado. Ainda nesse contexto, existe uma simplificação de UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 20 que as ações de comunicação cumprem exclusivamente papéis mercadológicos de realizar a compra (YANAZE, 2013). Neste tópico, vimos dois elementos importantes que ajudam a contestar esta mentalidade de objetivos exclusivamente atrelados à compra de um produto: 1. Existem diversos públicos de interesse que precisam ser atendidos, que contribuem para resultados mercadológicos. No entanto, tais públicos não se portam como públicos mercadológicos (acionistas, sócios, colaboradores, fornecedores, comunidade, imprensa e grupos de pressão). Desta forma, a comunicação não deve considerar apenas a finalidade de compra em suas estratégias. 2. A própria jornada do consumidor, exposta especialmente por Aaker (2007) e Kotler (2017), evidencia estágios para além da compra, como a manutenção da lealdade do consumidor após a compra. Considerando essas duas realidades, é extremamente importante que os comunicadores atentos às necessidades atuais compreendam que definir objetivos de comunicação deve estar altamente relacionado com os resultados esperados da organização, considerando ambientes complexos. Para contribuir em uma delimitação clara dos objetivos de comunicação, Yanaze, Freire e Senise (2010) propõem uma lista de 14 possíveis objetivos que podem ser considerados antes das definições das estratégias de comunicação. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 21 OBJETIVO DESCRIÇÃO Despertar a consciência Despertar certo grau de consciência das necessidades e carências, relacionadas ao objeto da comunicação, deve ser a primeira etapa do processo de comunicação. Chamar a atenção A pessoa que já tenha certo grau de consciência de suas necessidades e carências, certamente terá sua atenção despertada com maior facilidade. Obviamente, mensagens repletas de elementos criativos, exóticos, engraçados e até grotescos tendem a chamar atenção. No entanto, se o receptor não tiver nenhuma consciência da relevância da mensagem para ele, o processo de extinguir a atenção. Suscitar o interesse A consciência prévia direciona a atenção do indivíduo, despertando o interesse. Para isso, é importante que os elementos utilizados na chamada de atenção para a mensagem estejam relacionados com despertar da consciência. Proporcionar conhecimento O receptor interessado está pronto para receber uma informação mais detalhada e obter ou ampliar seus conhecimentos sobre o objeto da comunicação. Nesta etapa, a mensagem de ser mais informativa e consistente, a fim de facilitar a compreensão. Garantir Identificação, Empatia As informações devem ser elaboradas e transmitidas levando- se em consideração as características e as possibilidades de percepção do receptor – seu vocabulário literário e gráfico e perfil psicossociodemográfico – para que ele se identifique com o objeto da comunicação e estabeleça uma relação de empatia. Criar Desejo e/ou suscitar Expectativa Uma vez que o indivíduo se identifique com as propostas, mensagens e produtos apresentados, o processo de comunicação deve lançar mão de elementos que criem desejo de compra ou suscitem expectativa favorável à efetiva aquisição, posse e uso do bem, serviço, ideia ou conceito oferecido. Conseguir a preferência Como a empresa emissora da comunicação não está sozinha no mercado, o próximo passo do processo exige argumentos que garantam a preferência do indivíduo, a despeito das ofertas dos concorrentes. Algumas empresas conseguem levar os receptores até a fase anterior, do desejo ou expectativa, mas não conseguem evitar que os potenciais clientes comprem produtos de seus concorrentes. Levar à decisão Depois de conseguir a preferência do receptor, a comunicação deverá levá-lo a se decidir pela compra ou a realizar aquilo que o objeto de comunicação preconiza. QUADRO 8 – OBJETIVOS A SEREM CONSIDERADOS ANTES DAS DEFINIÇÕES DAS ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 22 Efetivar a ação Muitas vezes a tomada de decisão não é imediatamente seguida da ação objetivada pela comunicação. São vários os fatores que podem interferir no prosseguimento da sequência: ausência de recursos financeiros para consumar a aquisição; falta de tempo para se dirigir ao local de vendas; surgimento de outras prioridades etc. A comunicação deve identificá-los previamente e procurar minimizar seus efeitos ou valorizar outros fatores que levem seu público-alvo à ação. Trata-se da principal consagração de todo esforço de marketing, mas não é a única, nem a reta final. Garantir e manter a Satisfação pós- ação Os Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC) e os serviços de treinamento e orientação ao cliente são alguns dos aparatos à disposição das empresas para manter uma relação positiva com os compradores, mesmo depois da realização da venda. Anúncios e mensagens diretas, que elogiam a decisão de compra (ou da ação) e que ratificam o bom gosto e a inteligência da preferência pela marca (ou da realização), geralmente contribuem para a redução da dissonância cognitiva (FESTINGER, 1957), ajudando na manutenção de certo nível de satisfação, mesmo que o produto em si (ou a ação em si) não o proporcione. Estabelecer interação As novas tecnologias, principalmente as relacionadas com a internet, possibilitam às empresas estabelecer um fluxo contínuo, de duas mãos, com seus interlocutores. As reclamações e as sugestões, se bem recebidas e processadas, podem se transformar em elogios e em desenvolvimento efetivo dos negócios da empresa em um processo constante e consistente de melhoria de relações com seus públicos. Obter fidelidade Manter o cliente constitui um grande desafio para as empresas. Muitas são as razões que podem levar um comprador de determinado produto de uma empresa a passar a adquirir mercadoria de outra. A empresa deverá identificar as razões e estudar como revertê-las. E, caso haja argumentos, fazer com que o público se conscientize deles e tenha respaldo – racional ou emocional para se manter fiel à organização. Gerar disseminação O último estágio pressupõe a formação de agentes geradores e disseminadores de comunicação positiva, a partir dos públicos- alvo. A empresa deverá estabelecer estratégias de comunicação específicas para incentivar seus clientes satisfeitos a emitir seus sentimentos e compartilhar suas experiências positivas com outras pessoas e suas relações. Assim procedendo, a empresa conseguirá ampliar seus canais de comunicação. FONTE: Yanaze, Freire e Senize (2010, p. 74-77)TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICO DE COMUNICAÇÃO 23 Todas os objetivos propostos por Yanaze, Freire e Senise (2010) apresentam fortes relações com os elementos da jornada do consumidor apresentado no tópico anterior. Isto somente demostra a importância de se reconhecer o comportamento do consumidor, buscando identificar quais objetivos de comunicação precisam ser atendidos a cada momento. Nesse caso, além de reconhecer que os objetivos podem ser divididos em momentos específicos, é importante que você compreenda que uma campanha de comunicação pode ser definida a partir de diversos objetivos que, consequentemente, são atendidos por estratégias específicas de comunicação. Uma campanha promocional de lançamento de produto, por exemplo, pode trazer em seu escopo alguns objetivos a serem atendidos: • Despertar a consciência com propaganda e promoção de vendas. • Suscitar o interesse com venda pessoal e feiras. • Criar desejo e/ou suscitar expectativa com assessoria de imprensa e merchandising em televisão aberta. • Gerar disseminação com concurso cultural em redes sociais. Nesse contexto, o reconhecimento dos objetivos de uma campanha da maneira adequada contribui para a construção de estratégias coerentes, seja na definição dos canais e da ideia criativa por trás da campanha. Ao definir o objetivo claro, toda as ações passam a ser norteadas para resolver determinado problema de comunicação (objetivos), seja no direcionamento dos públicos de interesse, investimento da campanha, estratégias de comunicação, abordagem da mensagem e ideia criativa. 24 Neste tópico, você aprendeu que: RESUMO DO TÓPICO 1 • O diagnóstico de comunicação compreende uma série de levantamentos e análises de informações que contribuem para a definição das estratégias, relacionando: conhecimento do produto, conhecimento da concorrência, conhecimento dos públicos de interesse e público consumidor, conhecimento da jornada do consumidor e definição dos objetivos de comunicação. • Produto é um elemento oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade. • Produtos podem ser definidos como: produtos de consumo, organizacionais, organizações, pessoas, lugares, ideias. • Um produto não é representado apenas por suas entregas funcionais e sim, um composto complexo de elementos que trazem valorização. • Um produto pode ser considerado em diversos níveis, como produto ampliado, produto básico e produto núcleo. • Os produtos podem se diferenciar pelo comportamento de compra, como: conveniência, compra comparada, especialidade e produtos não procurados. • A concorrência é caracterizada por marcas que competem em uma realidade, podendo ser classificadas como concorrentes diretas e indiretas. • Os públicos de interesse, ou stakeholders, são ditos como públicos essenciais e que impactam no negócio, como: acionistas, colaboradores, comunidade, imprensa e grupos de pressão. São públicos que devem ser considerados, junto ao público consumidor nas estratégias da marca. • As ações mercadológicas tendem a ter alguns públicos prioritários, como força de vendas, públicos intermediários, públicos influenciadores e consumidores finais. • O perfil dos públicos pode ser definido considerando algumas características, como dados: demográficos, socioculturais, econômicos, religiosos, psicológicos, hábitos de compra e atitudinais. • A jornada do consumidor evidencia estágios de envolvimento com a marca, desde o conhecimento prévio da marca até a lealdade. 25 • O reconhecimento dos estágios de uma jornada contribui para o oferecimento de ações pertinentes às necessidades de cada etapa de envolvimento com a marca pelo consumidor. • Os objetivos de comunicação norteiam as estratégias, trazendo coerência para obtenção de resultados no negócio. • Os objetivos de comunicação não podem ser reduzidos a proporcionar a compra, pois os indivíduos são seres complexos que permeiam vários estágios de comportamento em relação à marca. • Os objetivos podem ser representados desde momentos iniciais de conhecimento da marca, como "proporcionar o conhecimento" a estágios em que o público já apresenta relacionamento com a marca, como "gerar disseminação". 26 1 Os produtos podem ter características específicas que os diferenciam de outros grupos de produtos. Essas características contribuem para a definição estratégica de produto, distribuição, preço e promoção. Quando falamos de estratégias de promoção, qual estratégia, das citadas a seguir, garantem melhores resultados para os produtos de conveniência? a) ( ) Propaganda e venda pessoal feitas tanto pelo fabricante quando pelos revendedores. b) ( ) Promoção mais cuidadosamente dirigida feita pelo fabricante quanto pelos revendedores. c) ( ) Promoção em massa pelo fabricante. d) ( ) Propaganda agressiva e venda pessoal pelo fabricante e pelos revendedores. 2 Um dos elementos fundamentais ao se trabalhar a comunicação de maneira estratégica é reconhecer o receptor da mensagem. Somente assim será possível traçar ações adequadas e dialogar de maneira assertiva com este público. Dessa forma, muitas marcas erram ao estabelecer ações de comunicação apenas com o consumidor e esquecem de outros públicos que sejam importantes. Considerando essa realidade, disserte sobre o que são os Stakeholders de uma organização. 3 Para que uma marca tenha força no mercado é necessário que estabeleça ações de comunicação constantemente, buscando atingir diversos objetivos distintos de acordo com necessidades específicas. Um consumidor, por exemplo, apresenta etapas de envolvimento com a marca, que denominamos como jornada do consumidor. Assim sendo, sinalize as etapas corretas para cada situação apresentada: (A) Assimilação. (B) Atração. (C) Arguição. (D) Ação. (E) Apologia. AUTOATIVIDADE 27 ( ) Levados pela curiosidade, os consumidores pesquisam ativamente para obter informações adicionais dos amigos e da família, da mídia e/ou direto das marcas. ( ) Os consumidores são passivamente expostos a uma longa lista de marcas em função de experiências passadas, comunicações de marketing e/ou defesa da marca por clientes. ( ) Com o tempo, os consumidores podem desenvolver uma sensação de forte fidelidade à marca, refletida em retenção, recompra e defesa da marca perante seus pares. ( ) Reforçados pelas informações adicionais, os consumidores decidem comprar uma marca específica e interagem de forma mais profunda por meio de processos de compra, consumo e/ou serviço. ( ) Os consumidores processam as mensagens que são expostos - criando memória de curto prazo ou ampliando a memória de longo prazo - são atraídos somente para uma lista curta de marcas. 28 29 TÓPICO 2 ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Você já viu até aqui que existem particularidades no diagnóstico e que elas infl uenciam na determinação das estratégias, considerando objetivos claros das marcas. Neste tópico, você verá como as estratégias de comunicação podem ser defi nidas considerando diversos aspectos antes da defi nição dos canais de comunicação. Questões como tipo de campanha oferecida, estratégia de campanha e defi nição do mix de comunicação são fundamentais antes mesmo de defi nir se uma campanha veiculará em televisão aberta ou internet. Essas defi nições compreendem a primeira etapa da estratégia de comunicação, podendo ser organizada conforme os elementos apresentados na fi gura a seguir. FIGURA 6 – ESTRATÉGIAS DE UMA CAMPANHA PUBLICITÁRIA FONTE: A autora UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 30 Essas estratégias representam posicionamentos específi cos da estratégia relacionados aos objetivos e à abordagem mais adequada para garantir a atenção do público da campanha. E os elementos representam o primeiro passo da campanha, sendo essencial ter defi nições claras antes mesmo da defi nição dos canais de contato, que são classifi cadoscomo táticas. 2 TIPOS DE CAMPANHAS Um dos primeiros pontos a serem considerados na defi nição da estratégia é a delimitação do tipo de campanha. Essa defi nição está altamente relacionada aos objetivos de comunicação e deve ser responsável por nortear as demais estratégias de abordagem na mensagem e escolha dos canais de comunicação. Uma campanha pode ser enquadrada em diversos tipos. Lupett i (2012) defende que as campanhas podem ser enquadradas em características institucionais e mercadológicas. Para compreender a grande diferença entre estas duas abordagens, observa os anúncios a seguir. FIGURA 7 – CAMPANHAS MERCADOLÓGICA (A) E INSTITUCIONAL (B) FONTE: <https://bityli.com/6bRxU>; <https://bityli.com/uqxqz>. Acesso em: 13 abr. 2020. Perceba que as duas campanhas trazem o fortalecimento da marca, mas são associadas a objetivos distintos. A campanha mercadológica Fan Feat tem como objetivo fortalecer o produto, utilizando como estratégia a associação a celebridades de reconhecimento popular no país. Desta maneira, esta estratégia visa o relacionamento com o público, garantindo que o produto atinja um patamar de vendas no mercado. Por outro lado, a campanha institucional evidenciada tem como objetivo associar a marca a questões sociais, como reciclagem. Essa abordagem contribui para a associações positivas do consumidor à marca, valorizando a reputação da organização e não do produto. No entanto, é válido reforçar que esta abordagem institucional traz retorno positivo à organização e, consequentemente, ao produto que passa a ser valorizado em razão da valorização da instituição. Para trazer essa discussão a uma abordagem conceitual, podemos trazer alguns argumentos sobre as seguintes abordagens de Comunicação. TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 31 2.1 COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL Considerando que as organizações são responsáveis pelo desenvolvimento das regiões em que estão inseridas, é necessário que as marcas estejam presentes e utilizem a comunicação como eixo central de negociação de interesses, capacitando as vozes envolvidas para as situações vividas pela organização (PEREIRA et al., 2009). Nesse contexto, as ações de comunicação de cunho institucional contribuem para a fixação de imagem das organizações, estando relacionada com o segmento de atuação (LUPETTI, 2012). Essa abordagem de comunicação é considerada como responsável pelo diálogo com todos os públicos não considerados consumidores, contribuindo, desta maneira, para influenciar a identidade e imagem corporativa da organização perante a sociedade na qual está inserida (KUNSCH, 2003). A comunicação, então, cumpre papéis de garantir relevância com públicos como comunidade, imprensa, investidores, entre outros. Geralmente tais campanhas ocorrem em grandes organizações que tenham como objetivo o fortalecimento de sua reputação, mas podem trazer outros objetivos, conforme as situações elencadas a seguir: • Campanha institucional de serviço público, com o intuito de divulgar e orientar o público geral sobre serviços prestados pelo governo. • Campanhas de ONGs ou fundações, com o intuído de promover conhecimento sobre causas específicas, como: aleitamento materno, prevenção de câncer de mama, prevenção de DST etc. • Aumentar nível de admiração e de empatia com opinião pública. • Difundir uma identidade corporativa positiva. • Promover boa vontade dos públicos, evitando ou minimizando conflitos. • Atrair talentos, tornando a empresa um local desejado para se trabalhar. Perceba que, nestes casos de campanhas institucionais, os objetivos não se relacionam apenas com públicos-consumidores ou à compra de um determinado produto. Desta maneira, é comum, nos casos de campanhas institucionais, terem como públicos de interesse diversos, como imprensa, comunidade, parceiros estratégicos etc. 2.2 COMUNICAÇÃO MERCADOLÓGICA Por outro lado, as campanhas mercadológicas apresentam em sua essência o atendimento a objetivos mercadológicos de uma organização, seja no fortalecimento da marca ou na venda de um produto. Essa abordagem, se comparada às demais interfaces da comunicação integrada, é a ferramenta que melhor se relaciona com produtos ou serviços fornecido pela organização (FARIAS, 2002). No entanto, é importante compreender que elementos institucionais podem influenciar diretamente em resultados mercadológicos, conforme evidencia Galindo (2009, p. 228). UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 32 Acreditamos ou confiamos em determinadas organizações, compramos com maior segurança e aceitamos novas abordagens. Isso porque reconhecemos uma série de atributos e de experiências relacionadas que contribuem efetivamente para a adoção e até a propagação mediante nossos testemunhos. Dessa forma, entenda que nenhuma abordagem de comunicação (institucional ou mercadológica) ocorre de maneira isolada, mas sim, totalmente integrada. Podemos citar três tipos de campanhas mercadológicas: campanhas de propaganda, campanhas guarda-chuva, campanhas de promoção e campanhas de promoção de vendas (LUPETTI, 2012). Tipo de Campanha Descrição Campanha de Propaganda As campanhas de propaganda, ou publicidade, tem como característica a divulgação de um produto, informando seus benefícios e atributos, objetivando tornar a marca conhecida e levar o consumidor à compra. É também utilizada para sustentar as vendas de um produto, mantendo sua imagem de marca em evidência. É comum ocorrer em indústrias que fabricam bens de consumo, como xampu, sabão em pó etc. Campanha Guarda- Chuva – ou de linha de produtos Caracteriza-se por conceituar a empresa, fixar sua imagem e informar sua linha de produtos, com o objetivo de estabelecer e reconhecer a marca da empresa e de seus produtos. Em geral, apresenta toda a linha de produtos, evidenciando a marca. É utilizada por empresas de eletrodomésticos, como TVs, geladeiras, fogões. Campanha de Promoção Além de divulgar o produto, objetivando tornar a marca conhecida e levar o consumidor à ação de compra, caracteriza-se, também, por acelerar as vendas, manter contato direto com o público, bloquear a ação da concorrência e reativar um produto. Neste tipo de campanha, as vendas são imediatas, o retorno é rápido e o contato com o consumidor mais estreito e direto. Em geral, campanha de promoção solicita algo ao consumidor, oferecendo algo em troca, como “recorte o selo, coloque seu nome e endereço, envie para... e concorra à...”. Campanha de Promoção de Vendas Enquanto a campanha de promoção divulga o produto, torna a marca conhecida e interage com o público, solicitando algo e oferecendo alguma coisa em troca, a campanha de promoção de vendas é voltada à redução de preços de diversas formas, como liquidação por exemplo. QUADRO 9 – TIPOS DE CAMPANHAS FONTE: Lupetti (2012, p. 108-110) TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 33 Até aqui vimos que existem diversos tipos de campanhas que podem ser considerados em um planejamento. Nessa realidade, devemos compreender que, considerando as demandas atuais de mercado e a complexidade dos negócios, uma marca dificilmente trabalhará em uma campanha isoladamente, como já afirmamos. A realidade que temos hoje demanda que uma marca trabalhe simultaneamente para garantir o atendimento de diversos objetivos, para diversos públicos e, principalmente, considerando tipos de campanha diferenciados. Diferentemente da época de comunicação de massa, focada em produtos e comunicação unidirecional, as organizações atuais precisam atender diversos objetivos simultâneos, como: fortalecer sua reputação, garantir reconhecimento de marca, proporcionar a venda de produtos, queimar estoques, lançar novas linhas etc. E, nesse caso, a definição do tipo de campanha que irá atender cada objetivo é fundamental. 3 ESTRATÉGIAS DE CAMPANHA Após definir o tipo da campanha necessário, de acordo com os objetivos do negócio, é hora de definir as estratégias que nortearão a campanha. Essas estratégiasde campanha não dizem respeito às escolhas dos canais de comunicação, mas sim, da abordagem em que a informação será oferecida aos stakeholders da campanha (LUPETTI, 2012). Para você compreender melhor do que esta necessidade diz respeito, vamos ver alguns exemplos de estratégias: estratégias de campanha de informação, estratégias de campanha de testemunho, estratégias de campanha de comparação, estratégias de campanha de humor, estratégias de campanha ofensiva, estratégias de campanha de defesa e estratégia de campanha de posicionamento/reposicionamento. 3.1 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE INFORMAÇÃO Esta estratégia tem como foco o oferecimento de informações sobre um produto novo (ou reformulado) no mercado (LUPETTI, 2012). A sua abordagem tem como necessidade central apresentar informações novas ao consumidor, como você pode ver no caso da campanha de lançamento do Renault Stepway, a seguir. Nesse caso, as mudanças do produto, como versatilidade na direção e classificação como SUV, são evidenciadas por meio de uma narrativa. CASO: Renault Stepway Depois de estourar nas redes sociais com uma campanha que literalmente encerrava a história de Caverna do Dragão, a Renault agora volta a apostar em um comercial de alto orçamento para divulgar o seu novo Stepway. O tema? Uma história de espionagem protagonizada pela atriz Marina Ruy Barbosa, que pela primeira vez na carreira “ficou loira”. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 34 “Ficou loira” porque bem, descobre-se que no fim da peça criada pela DPZ&T a personagem vivida pela artista estava apenas usando uma peruca para se infiltrar numa festa do que parece ser uma máfia russa e extrair uma digital do líder da organização. Além de mostrar a versatilidade da direção do veículo, o vídeo intitulado “Aposta” busca passar o novo posicionamento do Stepway no mercado brasileiro, que agora é vendido pela marca como “O SUV à altura de sua aventura”. Confira o comercial na íntegra acima. De acordo com Fabio Mozeli, diretor de criação da DPZ&T, a ideia por trás da campanha foi tirar o Stepway do enfoque tradicional da publicidade sob o segmento ao qual se enquadra: “Enquanto a maioria dos concorrentes no segmento cross retrata o escapismo com produções na montanha e na praia, exploramos um conceito original de aventura, inspirado no cinema de espionagem, como 007, ‘Sr. e Sra. Smith’ e ‘Atômica’“ declara o criativo. FONTE: <https://www.b9.com.br/111821/marina-ruy-barbosa-vira-agente-secreta-em- comercial-da-renault/>. Acesso em: 13 abr. 2020. 3.2 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE TESTEMUNHO Esta estratégia tem como objetivo dar credibilidade ao produto com a utilização de celebridades (LUPETTI, 2012). Ela pode ser dita como estratégia de testemunho ou endosso (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Dessa forma, as celebridades, que tenham perfil semelhante aos das marcas anunciantes, cumprem o papel de endossar a marca, ou seja, valorizá-la. É importante ressaltar que caso uma celebridade apresente posturas não condizentes aos valores da marca, a imagem do anunciante pode ser prejudicada. Artistas de TV, astros de filmes, atletas famosos e até personalidades falecidas são amplamente usados para endossar as marcas. Os anunciantes e suas agências estão dispostos a pagar altos cachês a celebridades que são estimadas e respeitadas pelo público-alvo e que, espera-se, influenciarão favoravelmente as atitudes dos consumidores e seu comportamento com relação à marca endossada. Na maioria dos casos, tal endosso é justificado. Por exemplo, os preços das ações aumentam quando as empresas anunciam contratos de endosso com celebridades e caem quando chega à mídia uma propaganda negativa sobre a celebridade que endossa as marcas da empresa (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p.219). Como exemplo, podemos ver o caso a seguir da Mastercard, que utiliza celebridades do esporte para dar credibilidade à marca. TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 35 CASO: Mastercard Priceless A mais recente campanha global da Mastercard reúne só atletas do alto escalão, incluindo Lionel Messi, Neymar Jr., Ana Ivanovic, Dan Carter, Bryan Habana, Annika Sorenstam e Valeri Kamensky. O filme traz todos os envolvidos, atletas e pessoas comuns, em uma missão conjunta para recuperar a bola vermelha perdida de um cão. Com essa premissa, a gigante financeira fará o comercial criado pela McCann rodar em 45 países. FONTE: <https://www.b9.com.br/107836/mastercard-reune-messi-neymar-ana-ivanovic-e- outros-atletas-em-nova-campanha/?highlight=neymar>. Acesso em: 13 abr. 2020. 3.3 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE COMPARAÇÃO Nesta abordagem, o intuito é trazer comparações dos atributos do produto com o produto concorrente, não atacando o concorrente, mas sim, evidenciando as diferenças entre eles. Um dos pontos interessantes desta abordagem é a valorização mútua dos produtos pois, a partir do momento em que uma marca é citada pelo concorrente, esta acaba sendo beneficiada pela visibilidade gerada (LUPETTI, 2012). Esta estratégia é bastante comum nos Estados Unidos, porém não muito utilizada no Brasil, que apresenta restrições regulatórias que inibem a utilização de comparações entre marcas por um anunciante. Como exemplo, leia o caso a seguir que evidencia a estratégia do produto iPhone da Gradiente, que evidencia a história do produto de mesmo nome de produto da Apple. CASO: iPhone Gradiente Antes de ter seu nome indissociavelmente ligado à Apple o iPhone fez seu debute no País como uma criação da Gradiente. A empresa fez o registro da marca no Brasil em 2000, sete anos antes da Apple lançar mundialmente o seu modelo. O aparelho celular com acesso à internet foi apresentado ao mercado nacional na Telexpo e virou notícia no Estadão de 3 de abril de 2000. Baseado no modelo 7160 da Nokia, empresa com a qual a Gradiente tinha um acordo tecnológico, o aparelho era "o primeiro celular equipado com microbrowser" da empresa, contava a matéria. Na época a Apple ainda não havia entrado no mercado de smartphones, que era disputado pela Motorola, Nokia e Samsung. FONTE: <https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,gradiente-lancou-o-seu-iphone- em-1999,70003004449,0.htm>. Acesso em: 13 abr. 2020. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 36 Assista ao vídeo que evidencia a comparação entre produtos, disponibilizado pela Gradiente no endereço: https://www.youtube.com/watch?v=w8HxIArMLFE. DICAS 3.4 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE HUMOR Nesta estratégia de abordagem, o humor é utilizado com a finalidade de atrair o consumidor, encobrindo o conteúdo informativo do produto (LUPETTI, 2012). No entanto, é importante que as marcas tenham o cuidado de associar ao humor apresentado, características que sejam pertinentes à marca e a seus consumidores. Uma complicação do uso do humor na propaganda é que esse tipo de apelo varia em sua eficácia junto a diferentes grupos demográficos e mesmo entre indivíduos. Por exemplo, homens e mulheres não são igualmente atentos a anúncios humorísticos. Além das diferenças demográficas quanto à reação ao humor, pesquisas revelam que os anúncios humorísticos são mais eficazes que os não humorísticos apenas quando as avaliações, por parte dos consumidores, da marca anunciadas já são positivas. Quando as avaliações anteriores são negativas, os anúncios com humor são menos eficazes do que os sem humor. Essa descoberta tem correspondência com as relações interpessoais: quando você gosta de alguém, está mais inclinado a considerar engraçadas as tentativas dessa pessoa de fazer humor do que se não gostasse dela (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p.227). Para ilustrar, a seguir você pode ver um caso da marca Havaianas, que utiliza esta estratégia frequentemente para promover seu produto. CASO: Havaianas e Barrichello As Havaianas Urban agora ganham campanha própria estrelada por Rubens Barrichello, com criação da AlmapBBDO e estreou neste domingo, (14), durante intervalo do Fantástico, na Rede Globo. No filme principal da campanha,o ex-piloto de Fórmula 1 e atual piloto da Stock Car entra em cena em uma das lojas da marca procurando por “Aquelas Havaianas mais arrumadinhas”. Ao atendê-lo, a vendedora não consegue controlar a pronúncia de seus “R”s ao relembrar a forma como os narradores chamavam pelo piloto. De maneira bem-humorada, o comercial e os seus desdobramentos desconstroem a ideia de que as Havaianas foram feitas apenas para situações muito descontraídas, como curtir uma praia ou relaxar em casa. FONTE: <https://bityli.com/771ju>. Acesso em: 13 abr. 2020. TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 37 3.5 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA OFENSIVA Esta estratégia é semelhante à Estratégia Comparativa que vimos anteriormente. No entanto, ela tem como foco o ataque ao concorrente, considerando suas vulnerabilidades. Ao realizar comparações que atacam as fraquezas do concorrente, o anunciante tem o objetivo de ganhar participação ao enfraquecer o produto de outra marca (LUPETTI, 2012). Existem diversas vantagens no uso desta estratégia, pois ela garante melhor desempenho na lembrança de marca, lembrança dos argumentos da mensagem, geração de credibilidade, geração de atitudes favoráveis do consumidor, possibilita maior intenção de compra (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Como exemplo prático, podemos citar o Guaraná Antarctica que atacou a Coca-Cola em uma campanha. CASO: Pepsi x Coca-Cola O Super Bowl este ano será realizado em Atlanta, capital da Geórgia que também foi onde a Coca-Cola nasceu. É meio óbvio, então, que a região seja dominada pela marca quando o assunto é refrigerante: além de sua sede, a Coca mantém um museu inteiro dedicado à bebida na cidade, que basicamente tem no líquido uma de suas maiores forças econômicas. A questão é: o refrigerante oficial da final da NFL é a Pepsi, a grande rival da Coca e que, apesar de estar presente no local, sempre foi rechaçada pela cidade que agora vai servir de sede ao evento. Como proceder? A resposta encontrada pelos executivos e equipe de publicidade da PepsiCo foi a de apelar para o humor. A marca espalhou pela cidade uma série de anúncios que celebram a sua “chegada” como bebida oficial do Super Bowl com uma leve provocação à preferência da população de Atlanta. É uma verdadeira “invasão azul” na cidade dominada pela rival vermelha, com direito a outdoors azuis ilustrados com uma Pepsi gelada seguida de frases como “Pepsi em Atlanta. Quão refrescante.” e “Ei Atlanta, obrigado por sediar. Nós vamos trazer as bebidas.”. FONTE: <https://bityli.com/JuW80>. Acesso em: 13 abr. 2020. 3.6 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE DEFESA Na estratégia de defesa, o anunciante tem como objetivo exaltar a sua liderança no mercado em relação aos concorrentes (LUPETTI, 2012). Ao trazer essas associações, a marca acaba por valorizar seu produto. Como exemplo, veja o caso da marca Brahma que traz evidências sobre a sua preferência. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 38 CASO: A eterna número 1 FONTE: <https://bityli.com/54w1N>. Acesso em: 13 abr. 2020. Não dá para escapar: quando se fala em Brahma, é impossível não pensar na “Número 1”, uma das campanhas mais memoráveis da propaganda brasileira dos últimos 30 anos. A assinatura, representada por um gesto simples (o dedo indicador levantado, como quem pede “mais uma” no bar), surgiu em 1991, quando a Fischer América ganhou a conta da cerveja. Ela veio para substituir o antigo “Produto de Qualidade” e se tornou um fenômeno que ficou no ar pelos oito anos seguintes. Um dos episódios mais geniais dessa jornada aconteceu na Copa do Mundo de 1994, quando a marca apareceu mais que os patrocinadores oficiais do evento – um exemplo perfeito e acabado de marketing de guerrilha. Em julho de 1999, o mercado foi surpreendido com a notícia da fusão entre os dois principais concorrentes do setor cervejeiro, Brahma e Antarctica, movimento que resultou na formação da AmBev, ou Companhia de Bebida das Américas. E a conta mudou de agência. Superar uma campanha com o apelo popular da Número 1 era um desafio e tanto. E quem o encarou foi a F/ Nazca, que na época já fazia um bom trabalho para Skol. FONTE: <http://marcas.meioemensagem.com.br/brahma-a-numero-1/>. Acesso em: 13 abr. 2020. 3.7 ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE POSICIONAMENTO/ REPOSICIONAMENTO Esta estratégia busca trazer uma posição clara da marca em relação à concorrência ou trazer novo posicionamento. Assim, o objetivo é trazer evidências que a marca traz benefícios claros e diferentes dos benefícios oferecidos pelo concorrente (LUPETTI, 2012). Como exemplo, veja a marca de cerveja Skol, que buscou trazer um novo posicionamento ao seu produto. Antes relacionado à cerveja leve, que desce redonda, a marca passa a adotar um posicionamento relacionado a valores da diversidade. TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 39 CASO: Skol e seu reposicionamento O posicionamento “Desce Redondo” de Skol completa 20 anos em 2017. Nesse período, responsável pela sedimentação de uma lovebrand brasileira, a assinatura passou por inúmeras interpretações como forma de evoluir a própria essência da marca. No último ano aconteceu a mudança mais signifi cativa. Skol transcendeu seu passado – em grande parte formado por humor sexista e rasteiro – para abraçar a diversidade e a inclusão. Grandes exemplos são as iniciativas “#RespeitoIsOn”, “Viva a Diferenç a” e “Redondo é sair do seu quadrado”. Agora, em sua nova campanha de verão (que é o Super Bowl brasileiro das cervejas), a marca continua nesse caminho, mas pretende iniciar o debate com bom humor e leveza. Com o comercial “Mãe” Skol resgata o “Desce Redondo” para falar de preconceitos. Comentários ofensivos, que são quadrados e afastam as pessoas, são trocados por uma atitude redonda. FONTE: <https://bityli.com/qppEd>.Acesso em: 13 abr. 2020. 4 MIX DE COMUNICAÇÃO A partir da defi nição da Estratégia de Campanha, é possível defi nir o Mix de Comunicação que será colocado em prática, ou seja, como as ações serão compostas. Esta diz respeito à escolha das estratégias que contribuirão para atender aos objetivos de uma campanha e servem de base para a seleção das táticas, ou seja, os canais de comunicação que serão utilizados para cada estratégia. Para entender melhor, veja a fi gura a seguir, que aponta algumas estratégias de Mix de Comunicação de uma campanha hipotética. FIGURA 8 – MIX DE COMUNICAÇÃO FONTE: A autora UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 40 Todas as ações apresentadas dizem respeito a categorias que definimos como mix de comunicação ou composto de comunicação e que podem ser utilizadas de acordo com a realidade do negócio. Estas ações, denominadas como propaganda, merchandising, patrocínio de eventos, relações públicas e assessoria de imprensa são descritas nos subtópicos a seguir. 4.1 PROPAGANDA A propaganda tem como objetivo central informar benefícios, características e atributos de uma marca. É caracterizada pelo envio de mensagem para uma grande quantidade de pessoas por meio de mídias de massa (PÚBLIO, 2008). Ocorre em lançamento de produtos, divulgação de eventos ou de uma marca específica (LUPETTI, 2012). Esta estratégia pode ser definida como estática, ou seja, não dialoga diretamente com o consumidor pois cumpre o papel de apenas emitir uma mensagem. Ainda, este formato se caracteriza por ser viabilizado a partir da compra de um espaço comercial pela marca anunciante, com o intuito de fixar esta marca. A propaganda pode ocorrer em diversos formatos, conforme você pode ver a seguir: Anúncios em Mídia Eletrônica Mensagem publicitária exibida em intervalo comercial da programação de televisão ou rádio. Os vídeos exibidos são usualmente chamados de VT’s, enquanto os materiais para rádio podem ser chamados de Spots ou Jingles. Anúncios em Mídia Exterior Mensagem publicitária exibida em espaços externos como outdoors, painéis ou ônibus. Informes publicitários Peças publicitárias de conteúdo editorial veiculadas em espaços comerciais comprados,porém com conteúdo de tom jornalístico. Anúncios de display ou banner Peças publicitárias exibidas em sites em locais de grande visibilidade. São comprados pelo anunciante considerando quantidade de exibições ao usuário. Propaganda em buscadores Compra de espaço em resultados em buscadores da internet, garantindo melhor posicionamento nos resultados da busca. O espaço é comprado pelo anunciante por meio de leilões de palavras-chaves buscadas. Neste caso, quanto mais uma palavra- chave é buscada, maior será seu preço para o anunciante estar associado. Propaganda em Mídias Sociais Compra de espaço em mídias sociais, garantindo a exibição da mensagem publicitária a um público específico. Atualmente, a compra desses espaços pode ocorrer em mídias sociais como YouTube, LinkedIn, Facebook e Instagram. Podcasts Exibição de mensagem publicitária em podcasts, seja por meio patrocínio ou participação no conteúdo. QUADRO 10 – VARIAÇÕES DA PROPAGANDA FONTE: A autora TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 41 Todas as variações apresentadas são possibilidades que podem ser escolhidas pelo anunciante de acordo com seu diagnóstico e estratégia de campanha. Então, percebemos que todas as variações são semelhantes, pois apresentam em sua característica a exibição da mensagem comercial em espaço comprado pelo anunciante. No entanto, mesmo demonstrando semelhanças, é possível traçar diferenciações nas ações digitais em relação às ações não digitais. As ações ocorridas em ambientes digitais, como anúncios de display ou banner, Propaganda em buscadores e propaganda em mídias sociais apresentam maiores possibilidades de mensuração de resultados colocando-as em um patamar de maior segurança para pequenos anunciantes. No entanto, é importante ressaltar que não existem melhores ou piores estratégias, mas sim, melhores estratégias para cada realidade identificada. 4.2 MERCHANDISING O merchandising é uma estratégia que visa “construir um cenário favorável para a compra de um produto no ponto de venda” (LUPETTI, 2012, p. 21). Esta estratégia está altamente relacionada com conversões de vendas de consumidores já dispostos a comprar o produto, podendo ser representadas por experimentação de produto, demonstração de produto e alinhamento da identidade da marca ao ponto de venda. Veja na imagem a seguir como a marca Havaianas expôs o produto com o intuito de gerar maior atenção ao consumidor: FIGURA 9 – MERCHANDISING HAVAIANAS FONTE: <https://bityli.com/T3O9l>. Acesso em: 13 abr. 2020. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 42 Merchandising na TV é merchandising? Você já deve ter ouvido falar sobre Merchandising em programas de Televisão, certo? Bom, este nome é frequentemente utilizado no mercado, conceituando erroneamente o merchandising conforme os conceitos que vimos até aqui. FIGURA – PERSONAGEM DE NOVELA ESCOLHE PRODUTO DA MARCA DUDALINA FONTE: <https://bityli.com/YU6wZ>. Acesso em: 13 abr. 2020. As ações de demonstração de Produto em programas de televisão, videoclipes ou filmes são corretamente chamadas de Merchandising Tie-In ou Product Placement. Essas ações são associadas ao próprio merchandising, pois evidencia a exposição de produto e, principalmente, a propaganda, pois caracteriza inserção da marca em espaço pago pelo anunciante. IMPORTANT E 4.3 PROMOÇÕES DE VENDAS As promoções de vendas são estratégias que visam garantir a venda de produtos em um curto período com um volume já preestabelecido. Dessa forma, são constituídas ações que contribuam para a geração das vendas nas condições estipuladas, podendo ser dirigidas à atacado ou consumidor final. Os fabricantes usam as promoções para induzir o canal de distribuição (varejistas e atacadistas) ou os consumidores a comprar uma marca ou encorajar a sua equipe de vendas a vendê-la agressivamente, atividade também conhecida como programa de inventivo de vendas. Os varejistas usam incentivos promocionais para estimular os comportamentos desejados de seus consumidores – compre nesta loja e não na do concorrente, compre esta marca e não a outra, compre quantidades maiores etc. E as organizações sem fins lucrativos empregam promoções para estimular comportamentos desejados como fazer que as pessoas aumentem suas doações a causas nobres, façam doações agora não mais tarde e se mobilizem em relação a uma determinada causa (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p. 382). TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 43 É importante ressaltar que para que uma Promoção de Vendas ocorra, ela dependerá de outras estratégias do Mix de Comunicação, como Propaganda em mídias segmentadas ou de massa, ações de Merchandising no Ponto de Venda ou outras ações que você verá neste tópico. 4.4 PATROCÍNIOS DE EVENTOS E CAUSAS O patrocínio é uma estratégia utilizada pelas marcas para trazer maior valor à marca ou aumentar o número de vendas (CRESCITELLI e SHIMP, 2012) por meio da associação da marca a alguma iniciativa que apresente valor semelhante ao valor da marca. Dessa forma, este tipo de estratégia contribuirá tanto para objetivos mercadológicos, quando institucionais de uma marca. O patrocínio envolve duas atividades principais; (1) uma troca entre um patrocinador [como uma marca] e um patrocinado [como um evento esportivo], na qual este recebe uma taxa e o primeiro obtém o direito de se associar à atividade patrocinada e, (2) o marketing da associação pelo patrocinador. As duas atividades são necessárias para que a taxa de patrocínio seja um investimento significativo (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p. 474). Os patrocínios são estratégias que trazem reconhecimento à marca e devem ser utilizados como forma de sustentação de uma imagem, trazendo resultados a longo prazo. Ao incluir esse tipo de ação, os profissionais de comunicação devem compreender que dificilmente os resultados serão obtidos a curto prazo. Como vantagens deste tipo de estratégia aos negócios, temos as seguintes vantagens: Exposição da marca em canais segmentados. Associando seus nomes a eventos e causas especiais, as empresas são capazes de evitar a concentração inerente à mídia de massa. Baixo custo em relação à mídia de massa. Os patrocínios ajudam as empresas a responder às mudanças de hábito de mídia por parte dos consumidores. Por exemplo, com o declínio da audiência da TV aberta, os patrocínios oferecem um meio potencialmente eficaz e eficiente em termos de custo para alcançar clientes. Obtenção de aprovação com diversos públicos de interesse. Os patrocínios ajudam as empresas a obter aprovação de vários membros, incluindo acionistas, funcionários, e da sociedade como um todo. Ou seja, esses membros respondem de maneira favorável quando uma marca se associa a um evento ou causa desejáveis. Garantia de envolvimento com consumidores potenciais. Os relacionamentos criados entre uma marca e um evento patrocinado podem servir para promover o brand equity, tanto pelo aumento da percepção da marca por parte dos consumidores, quando pela promoção de sua imagem. QUADRO 11 – VANTAGENS DO PATROCÍNIO UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 44 Direcionamento para regiões ou grupos específicos. O patrocínio de eventos e causas especiais permite aos profissionais de marketing direcionar suas comunicações e esforços promocionais a regiões geográficas específicas, ou a grupos com aspectos demográficos e estilos de vida específicos. FONTE: Crescitelli e Shimp (2012, p. 474) Considerando esses pontos positivos apresentados, perceba que, ao definir as estratégias, é necessário reconhecer os reais objetivos necessários a serem cumpridos de maneira que o patrocínio seja a melhor alternativa no cenário identificado. 4.5 RELAÇÕES PÚBLICAS São estratégias dirigidas a diversos públicos de interesse de uma organização (PÚBLIO, 2008). As estratégias de relações públicas têm como papel contribuir para a valorização da reputação de uma marca por meio de um relacionamento positivo com diversos públicos(KUNSCH, 2003), dessa forma, é frequentemente associada a objetivos institucionais de uma marca. No entanto, pode ser considerada em objetivos mercadológicos também, de acordo com os objetivos de uma marca. Esse tipo de estratégia é altamente associado à geração de credibilidade, podendo se colocar como ações proativas ou ações reativas (CRESCITELLI; SHIMP,2012). As ações proativas são ditas como ações provocadas pela marca, com o intuito de gerar uma imagem positiva sobre ela ou sobre um produto. Neste contexto, podemos acompanhar dois exemplos de ações proativas em relações públicas: • Exemplo 1: uma marca que tenha previsto um lançamento de produto, por exemplo, poderia potencializar a credibilidade deste produto por meio de releases de produtos, publicados canais de renome da sua área. • Exemplo 2: declarações do CEO da empresa sobre o novo produto lançado, gerando envolvimento com o setor de atuação e, consequentemente, exposição em mídia. Que tal assistir um exemplo de relações públicas na prática? Frequentemente, durante os lançamentos de seus produtos, a marca Apple tinha como premissa apresentar seu novo produto por meio de seu CEO, Steve Jobs, gerando assim credibilidade no setor e exposição gratuita na mídia. Assista ao vídeo no link a seguir: https://www.youtube.com/ watch?v=9ou608QQRq8. DICAS TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 45 Já no campo das ações reativas em relações públicas, são associadas as medidas que a organização precisa tomar para reverter alguma imagem negativa, obtida sem seu devido controle (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Para você compreender melhor esse cenário, veja o exemplo a seguir: • No ano de 2007, a marca Mattel Inc. precisou realizar três grandes recalls de seus produtos pois apresentavam níveis perigosos de chumbo. Assim, a marca colocou em prática ações que visavam a substituição dos produtos e transparência com a comunidade impactada (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Diversas ações podem caracterizar relações públicas, como: publicações institucionais, projetos culturais, ações de relacionamento com a comunidade, revistas institucionais, eventos, relacionamento com a mídia etc. (PÚBLIO, 2008). É válido ressaltar que, neste tipo de estratégia, a credibilidade gerada se diferencia de uma propaganda, pois não se trata de um espaço comprado pelo anunciante. Então, a partir do momento em que a visibilidade é gerada de forma orgânica por diversos formadores de opinião, a marca passa a ter sua reputação elevada, obtendo resultados mercadológicos positivos. 4.6 ASSESSORIA DE IMPRENSA A assessoria de imprensa é uma estratégia que visa a obtenção de visibilidade na imprensa. Lupetti (2016, p. 14) aponta que estratégia “compreende um trabalho de captação de fatos ocorridos na organização, transformação destes textos jornalísticos e sua divulgação coordenada coerente e lógica aos jornalistas dos meios de comunicação impressos e eletrônicos”. Dessa forma, os prestadores de serviço de assessoria de imprensa, compostos por jornalistas, realizam a atividade de monitorar conteúdos relevantes das marcas que possam gerar notícia a veículos de comunicação específicos. Assim, é atividade desse profissional identificar assuntos que sejam pertinentes à imprensa, possibilitando a geração de exposição em mídia de maneira não-paga. CASO: O enterro do Bentley de Chiquinho Scarpa é campanha por doação de órgãos Fez um barulho danado nos últimos dias a notícia de que Chiquinho Scarpa, esta figura mítica agora também das redes sociais, enterraria um de seus bens mais preciosos, um Bentley avaliado em R$ 1,5 milhões. Claro, ninguém em sã consciência enterraria um Bentley. Por mais que o Conde tenha se empolgado com a ideia dos faraós que enterravam fortunas para chegarem ricos ao mundo dos mortos, todo o ouro hoje está em museus ou coleções particulares. Ele sabe disso, ou pelo menos deveria saber. A história moveu um belo circo, incluindo a transmissão ao vivo do enterro pela Record. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 46 FIGURA – ENTERRO DO BENTLEY DE CHIQUINHO SCARPA FONTE: <https://assets.b9.com.br/wp-content/uploads/2013/09/chiquinho5-920x690.jpg>. Acesso em: 13 abr. 2020. Ocasião em que Chiquinho Scarpa “desistiu” da ideia e afirmou que, por mais precioso que seja, nada tem valor depois de enterrado. Tratava-se de uma campanha publicitária para incentivar a doação de órgãos. Daqui a alguns dias começa a Semana Nacional da Doação de Órgãos, com mais mensagens institucionais sobre o assunto. FONTE: <https://www.b9.com.br/40907/enterro-bentley-chiquinho-scarpa-campanha- doacao-orgaos/>. Acesso em: 13 abr. 2020. Essas estratégias que você viu até aqui são alguns exemplos de ações que podem ser colocadas em prática. No entanto, é importante que você perceba que, considerando os avanços da tecnologia e mudanças causadas por eles, novas possibilidades de estratégias no campo da comunicação podem surgir alterando todo um cenário. É fundamental que você perceba que nenhuma estratégia é eficaz sozinha, sendo altamente dependente de outras estratégias que cumprem papeis distintos e específicos aos problemas de comunicação existentes. Dessa forma, é papel dos profissionais de comunicação compreenderem a existência das estratégias, dos problemas de negócio para que, com coerência, coloque em prática as ações mais adequadas dentro do contexto exigido. TÓPICO 2 | ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 47 Eficiência de marketing: como deixar de jogar no escuro Marcelo Petercem Ramos É possível construir modelos customizados utilizando indicadores e pesquisas de percepção de valor da marca para identificar quais estratégias de comunicação têm mais efetividade em gerar esse tipo de impacto nos consumidores. Tudo isso de forma analítica e baseada em dados. A avalanche dos meios digitais, com sua ampla gama de ferramentas de medição, mudou o mindset das empresas na área de comunicação e marketing. Agora, os investimentos no próprio meio digital ou mídia tradicional, eventos, brindes e ações variadas estão condicionados a provar sua real contribuição aos objetivos de negócio das empresas, sejam eles refletidos em fortalecimento de marca ou, principalmente, contribuição com as vendas. É então que chegamos à grande pergunta: mas conseguimos medir com razoável nível de solidez e de forma exequível o retorno financeiro (ou em imagem) dos investimentos em marketing? A resposta cabal é sim, mesmo nas ações off-line. A dúvida que fica então é “como fazer isso?”. Uma primeira resposta apressada seria realizando pesquisas de campo, o que de fato é possível, porém é custoso e demanda um tempo que, na maioria das vezes, acaba sendo lento para retroalimentar as estratégias de negócios. Desenvolvemos, porém, uma abordagem que mescla os conhecimentos de negócio e estatística avançada de consultorias com o conhecimento do perfil dos meios e ações das agências de comunicação para desenvolver uma solução que batizamos de Engenharia de Mídia. Nela, buscamos garantir que a estratégia e tática de marketing alcancem os melhores resultados possíveis para os clientes ao impactar mais pessoas, com o melhor uso do investimento e com foco em conversão. No caso de investimentos e ações no meio digital, a medição é direta, especialmente naquelas associadas a plataformas de e-commerce. Nos demais casos, utilizamos uma modelagem estatística para medir de forma indireta esse retorno. Os modelos mais usuais combinam dados de vendas e de impactos gerados por meio de ações de marketing para entender a correlação entre estes dois fatores. São cálculos estatísticos complexos, baseados em dados históricos e de mercado, para os quais contamos com o suporte de estatísticos e matemáticos experientes. Há ainda metodologias que alavancam o conhecimento do negócio de clientes, no qual a expertise de mídia e a comunicação das agências podem identificar e utilizar as variáveis corretas, de acordo com a realidade e o objetivode cada cliente. Recentemente, tivemos um exemplo em uma grande rede de shoppings centers identificando qual a melhor forma de alavancar o negócio utilizando ações de marketing. Sabemos que shoppings não investem de forma significativa em mídia tradicional ou digital e que também as vendas não são necessariamente a melhor métrica de sucesso para o departamento de marketing desse segmento. Nesse caso, os modelos tradicionais não se aplicam. IMPORTANT E UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 48 Diante disso, foi preciso desenvolver uma modelagem customizada criando um registro histórico de eventos temáticos realizados nas diferentes unidades, informações de fluxo de pessoas e outros dados como indicadores socioeconômicos e metragem de cada unidade para construir um modelo que respondesse à seguinte pergunta: Qual o fluxo adicional de clientes gerado por cada tipo de evento em cada um dos diferentes shoppings da rede? Dessa forma, foi possível desenvolver uma ferramenta que suportasse, de forma analítica, a criação de planos de comunicação mais eficientes para cada uma das unidades. Para adequar as ações, esse tipo de análise suporta executivos de marketing na tomada de decisão para escolher a melhor forma de aplicar seus investimentos em comunicação nos veículos, formatos e conteúdos que geram maior potencial de resultado para o seu negócio. Com isso, é possível construir modelos customizados utilizando indicadores e pesquisas de percepção de valor da marca para identificar quais estratégias de comunicação têm mais efetividade em gerar esse tipo de impacto nos consumidores. Tudo isso de forma analítica e baseada em dados. Aplicar esse tipo de modelo é um investimento que se paga e traz para os anunciantes mecanismos para “deixar de jogar no escuro”, possibilitando o modelo operacional muito mais robusto e que favorece o desenvolvimento contínuo em termos de estratégia e resultados financeiros. É importante ressaltar que esta abordagem não substitui o trabalho das agências, que continuam responsáveis pelo planejamento, criação e execução das ações. Trata-se de empoderar o cliente de ferramentas para que ele possa ter melhores resultados e insumos para pleitear mais recursos em sua organização. FONTE: <https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/how-to/2019/02/19/eficiencia- de-marketing-como-deixar-de-jogar-no-escuro.html>. Acesso em: 13 abr. 2020. 49 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • As estratégias de comunicação podem ser divididas em três grandes grupos: tipos de campanha, estratégias de campanha e mix de comunicação. • Os tipos de campanha estão relacionados aos objetivos da campanha ou produto. • Os tipos de campanha podem ser divididos em: campanhas de propaganda, guarda-chuva, promoção ou promoção de vendas. • As estratégias de campanha dizem respeito às decisões que podem ser tomadas buscando trazer maior atenção à mensagem desenvolvida. • As estratégias de campanha podem ser representadas por: estratégia de informação, estratégia de testemunho, estratégia de comparação, estratégia de humor, estratégia ofensiva, estratégia de defesa, estratégia de posicionamento/ reposicionamento. • O mix de comunicação representa ações que podem ser desenvolvidas, sendo que cada ação apresenta um objetivo e característica diferente. • O mix de comunicação pode ser representado por: propaganda, merchandising, patrocínio de eventos, relações públicas, assessoria de imprensa. • Cada estratégia de comunicação, seja relacionada ao tipo de estratégia de campanha ou mix de comunicação deve ser analisada e definida de acordo com os problemas de negócio evidentes. 50 1 O mix de comunicação consiste em um conjunto de ações que visam atender a objetivos diferentes em uma campanha, contribuindo, assim para atingir o objetivo de comunicação principal. As ações presentes no mix são diversas, podendo ser representadas por propaganda, merchandising, promoção de vendas, patrocínio, relações públicas e assessoria de imprensa. Assim sendo, sinalize o conceito correto de cada ação. (A) Propaganda. (B) Merchandising. (C) Promoção de Vendas. (D) Patrocínio. (E) Relações públicas. (F) Assessoria de Imprensa. ( ) Tem o objetivo de valorizar a reputação de uma marca por meio de um relacionamento positivo com diversos públicos. ( ) É uma estratégia utilizada pelas marcas para trazer maior valor à marca ou aumentar o número de vendas por meio da associação da marca a alguma iniciativa que apresente valor semelhante ao valor da marca. ( ) Visa construir um cenário favorável para a compra de um produto no ponto de venda. ( ) São estratégias que visam garantir a venda de produtos em um curto período com um volume já pré-estabelecido. ( ) É uma estratégia que visa a obtenção de visibilidade na imprensa. ( ) Tem como objetivo central informar benefícios, características e atributos de uma marca. 2 Os tipos de campanha evidenciam qual será a abordagem da campanha de acordo com seus objetivos de negócio e comunicação. Dentre os variados tipos de campanha, podemos citar a campanha guarda-chuva, muito utilizada por marcas do segmento de eletrodomésticos. Sobre este tipo, assinale a alternativa que apresenta seu conceito correto. a) ( ) As campanhas de propaganda, ou publicidade, têm como característica a divulgação de um produto, informando seus benefícios e atributos, objetivando tornar a marca conhecida e levar o consumidor à compra. b) ( ) Caracteriza-se por conceituar a empresa, fixar sua imagem e informar sua linha de produtos, com o objetivo de estabelecer e reconhecer a marca da empresa e de seus produtos. c) ( ) Além de divulgar o produto, objetivando tornar a marca conhecida e levar o consumidor à ação de compra, caracteriza-se, também, por acelerar as vendas, manter contato direto com o público, bloquear a ação da concorrência e reativar um produto. AUTOATIVIDADE 51 d) ( ) É voltada à redução de preços de diversas formas, como liquidação por exemplo. 3 A marca Skol passou por um processo de mudança, deixando de assumir o slogan “A cerveja que desce redondo” para “Redondo é sair do seu quadrado”. A partir desta mudança, a marca passou a dialogar com seus públicos de maneira diferenciada, assumindo um discurso muito mais focado em marca do que produto. De acordo com o conteúdo visto, esta realidade representa qual estratégia? a) ( ) Estratégias de informação. b) ( ) Estratégias de testemunho. c) ( ) Estratégia de posicionamento/reposicionamento. d) ( ) Estratégias de comparação. 52 53 TÓPICO 3 PLANO DE COMUNICAÇÃO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Após compreender que os diferentes critérios de um diagnóstico de negócio e estratégias de comunicação, chegou o momento de compreender como podemos colocar tudo isso em prática em um plano de comunicação. Neste tópico, você conhecerá os elementos necessários em um planejamento de comunicação. Também compreenderá que existem diversos modelos que podem ser aplicados em momentos diferentes de acordo com as realidades de cada negócio. Por fim, você compreenderá que todos os elementos que vimos até aqui, nesta unidade, estão interligados e são altamente interdependentes. Vamos lá? 2 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO PLANO DE COMUNICAÇÃO O plano de comunicação é um documento formal que tem como objetivo central garantir que as informações sejam formalizadas a fim de garantir o bom resultado das estratégias de comunicação. Neste contexto, o plano de comunicação contribuirá para que planejamentos de marketing ou de negócio sejam atendidos. Perceba que, durante esta unidade, você compreendeu que a comunicação pode estabelecer ações para cumprir objetivos mercadológicos ou institucionais. Dessa forma, um plano de comunicação contribuirá para atender objetivos de marketing de uma organização, como também objetivos da área de recursos humanos, relações com investidores, ou níveis estratégicos. Veja na figuraa seguir, que simula como um plano de comunicação, como ele pode contribuir para a organização em diferentes níveis. 54 UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA FIGURA 10 – AÇÕES DE COMUNICAÇÃO PARA OS DIFERENTES NÍVEIS FONTE: A autora Nesse contexto, um planejamento de comunicação contará com análises que permeiam o cenário da marca e suas necessidades, as estratégias a serem colocadas em prática e possibilidades de avaliação e controle dos resultados. A formalização das estratégias, durante o desenvolvimento de uma campanha, se mostra necessária considerando a gama de profi ssionais envolvidos. Assim, a formalização das estratégias por meio de um Plano garantirá que as informações não se percam e as tarefas sejam desempenhadas conforme o planejado. De acordo com Correa (2017), Lupett i (2012), Ferrari (2002), Kunsch (2003) um Plano de Comunicação deve ser composto por uma análise de cenário, com levantamento de informações necessárias sobre o negócio, produto, públicos de interesse e outras questões relevantes ao negócio. Ainda devem ser apresentados os objetivos e ações que sejam coerentes para o atendimento desses objetivos. Por fi m, devem ser formalizadas as formas de controle das ações. Quais são as etapas necessárias? Bom, não existem modelos melhores ou piores, mas existem modelos adequados à realidade do negócio. A seguir você pode identifi car as etapas necessárias de acordo com os quatro autores citados anteriormente. TÓPICO 3 | PLANO DE COMUNICAÇÃO 55 Corrêa (2017) Lupetti (2012) Ferrari (2002) Kunsch (2003) D IA G N Ó ST IC O Cenário mercadológico Análise situacional Determinação de objetivos Diagnóstico situacional Problemas e oportunidades Problemas e oportunidades Levantamento de informações Identificação de públicos Objetivos de comunicação Definição de objetivos/metas Avaliação crítica do briefing Políticas de comunicação Posicionamento Posicionamento Estabelecimento de estratégias Público-alvo Tema Definição do público-alvo ES TR A TÉ G IA S Objetivos e estratégias de criação e mídia Estratégias de campanha Conteúdo básico da comunicação Objetivos e metas Discriminação de verbas de veiculação, produção, PDV Definições de mídia Estratégia de comunicação Estratégias Relação das peças publicitárias Construção do plano de mídia G ER EN C IA M EN TO Determinação dos sistemas de avaliação de resultados Controle e avaliação Controle da execução Programas de ação Cronograma de aplicação do plano Administração/ coordenação das áreas da agência Recursos Anexos Finalização da campanha Controle Avaliação de resultados QUADRO 12 – ESTRUTURAS DE UM PLANEJAMENTO DE COMUNICAÇÃO FONTE: Adaptado de Correa (2017); Lupetti (2012); Ferrari (2002); Kunsch (2003) 56 UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA Perceba que cada modelo apresentado se caracteriza por etapas específi cas. É necessário que você compreenda que não existem modelos fechados de um plano de comunicação, pois este documento deve ser fl exível para atender as necessidades de uma organização e seu respectivo problema. Sob outro contexto, Silveira e Costa (2018) apresentam um modelo de planejamento de campanha que considera um formato diferenciado apresentando diversos elementos essenciais de um diagnóstico, estratégias e gerenciamento. O formato proposto, denominado como “modelo de arquitetura de campanha” foi desenvolvido por Julian Cole, profi ssional renomado do campo da comunicação, que atuou como chefe de planejamento da agência BBDO de Nova Iorque. Sua proposta de modelo de planejamento de comunicação apresenta uma sintetização de demandas da indústria de comunicação, não apresentando denominações claras sobre formatos como propaganda, relações públicas etc. De outra maneira, a formato propõe uma apresentação clara do posicionamento, ideia de campanha, barreiras, proposta, tarefas e táticas, conforme você pode ver na fi gura a seguir, que apresenta as características deste modelo e sua aplicação com a marca Puma. FIGURA 11 – MODELO DE PLANEJAMENTO DE JULIAN COLE FONTE: Silveira e Costa (2018, p. 7) Essa proposta sintetiza e agrupa três momentos diferenciados, relacionando plano de marketing, posicionamento e estratégia criativa, de maneira que estes pontos estejam totalmente interligados. Perceba que o modelo apresentado é bastante resumido em comparação a outros modelos. No entanto, como já falamos aqui, é importante conhecer diversos modelos, possibilidades, ferramentas, pois cada modelo pode ser adequado para cada necessidade identifi cada. O que o modelo de Cole perde em profundidade ganha em amplitude, pois permite que os outros setores com quem o planejador tem interfaces (inclusive o cliente) tenham uma compreensão mais intuitiva do plano, permitindo maior participação destes num processo de coplanejamento (SILVEIRA; COSTA, 2018, p. 6). TÓPICO 3 | PLANO DE COMUNICAÇÃO 57 Como de fato ocorrem as atividades para cada área? Bom, você aprendeu até aqui que existem formas de ser analisar o negócio sobre diversos aspectos, propondo um diagnóstico do negócio. Você viu também, que existem diversos elementos estratégicos de comunicação, seja na definição do tipo de uma campanha, estratégias de campanha, escolha de estratégias de comunicação, entre outros elementos. E viu também que devem existir maneiras de se gerenciar uma campanha, de maneira que ela ocorra de maneira correta e atinja os resultados esperados. Apesar do modelo de Julian Cole se colocar de maneira distinta, ele apresenta diversos elementos que vimos por aqui, em modelos mais tradicionais de um planejamento de comunicação, conforme você pode ver a seguir. ETAPAS EXEMPLO: PUMA Pr ob le m a de N eg óc io O problema de negócio não é um problema de marketing, de comunicação ou de mídia, mas sim a síntese do que se espera – com foco no negócio – que a campanha a ser arquitetada resolva. No caso da campanha PUMA, o problema de negócios era: a marca perdeu relevância com o mercado alvo jovem. Po si ci on am en to E st ra té gi co Criado na esfetra da promoção como forma diferenciadora, baseando-se neste caso em proposições intangíveis. [...] Como o posicionamento busca influenciar a percepção do público alvo, recomenda- se que seu desenho e proposta sejam fundamentados em uma compreensão profunda das chamadas verdades da marca, do público e da cultura. No caso da campanha da PUMA a proposta é a de que esta é a marca do atleta do casual, tem-se um exemplo de posicionamento fundamentado em intangíveis. Ou seja, uma proposição que busca fazer com que a marca e produto sejam percebidos de forma diferente pelo consumidor A Id ei a de C ri at iv a Nesta etapa do processo de arquitetura de campanha, recomenda-se que o planejador se junte ao departamento de criação para elaboração da ideia criativa, sintetizando a ideia/ conceito em uma frase, que não é necessariamente o slogan ou assinatura da campanha, não tampouco precisa figurar nas peças. No caso da campanha exemplo da PUMA, a ideia criativa para transmitir o posicionamento estratégico foi: PUMA Social. Ideia que traduz de maneira clara ao público o posicionamento desejado e permite diversos desdobramentos táticos para superação das barreiras e realização das tarefas. QUADRO 13 – ETAPAS DO PLANEJAMENTO DE COLE 58 UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA D et er m in aç ão d as b ar re ir as e T ar ef as A última etapa é determinar as barreiras que devem ser superadas para que se solucione o problema de negócio. A dimensão Tarefas determina as ações necessárias para superação da barreira, devendo estas serem tratadas em detalhamento no nível tático. No caso do exemplo PUMA, considerou-se que as barreiras, tarefas e táticas relacionadas eram: Barreira: o público-alvo não sabe o que o Atleta Casual significa. Tarefa: Estabelecer o Atleta Casual. Tática: TV/ Cinema, Revista/Mídia Exterior, PDV. Barreira: o público-alvo não entende a relação entre a Puma e o Atleta Casual. Tarefa: Mostrar como a Puma adiciona valor ao Atleta Casual. Tática: linha de Produtos, Hub Digital. Barreira: como ter certeza que o Atleta Casual é algo legítimo? Tarefa: convidar novos consumidores para se tornarem Atletas Casuais. Tática: Ativações em bares, lojas e Hub Digital. El em en to s co m pl em en ta re s da A rq ui te tu ra Para ilustrar a aplicação da Arquitetura de Campanha são ainda utilizados mais três elementos de função tática que servem para demonstrar operacionalização da campanha6, são eles: o cronograma de desdobramento da campanha, que coloca toda as táticas em uma linha do tempo; o ecossistema de campanha, que serve para demonstrar como os meios e ações se relacionam e os indicadores- chave de performance que determinam como os resultados serão medidos. FONTE: Silveira e Costa (2018, p. 7-10) Como você pode ver, este modelo apresenta um elemento inicial de definição do problema em que são apresentadas informações relacionadas ao diagnóstico, elementos relacionados à definição das estratégias, como posicionamento estratégico, a ideia de criativa e determinação das barreiras e tarefas. E, por fim, um elemento que diz respeito ao gerenciamento das atividades, representado pelos elementos complementares da Arquitetura. Perceba que, de uma maneira sintética e, cumprindo o papel de ser direto, este modelo de Arquitetura de Marca de Julian Cole pode ser adequado a diversos modelos de negócio, assim, como outros modelos já apresentados neste tópico. TÓPICO 3 | PLANO DE COMUNICAÇÃO 59 3 ROTEIRO DE UM PLANO DE COMUNICAÇÃO Para que você compreenda melhor as etapas necessárias, após identifi car diversos modelos que apresentam etapas e abordagens diferenciadas, vamos considerar que: para que uma estratégia de comunicação ofereça resultados positivos às marcas, é necessário: Entender o contexto, planejar e controlar as ações. Observe a fi gura a seguir, que aponta como alguns elementos já vistos neste capítulo se colocam no processo de desenvolvimento do Planejamento de Comunicação. FIGURA 12 – PLANEJAMENTO DE CAMPANHA FONTE: A autora Como você pode ver, diversos elementos relacionados ao diagnóstico e estratégias de comunicação estão presentes nas duas primeiras etapas do processo de planejamento, que diz respeito às análises situacionais e planejamento de estratégias. Em um primeiro momento, no campo do Diagnóstico, devem ser compreendidas todas as particularidades do produto, as características dos concorrentes diretos e indiretos, o mapeamento de todos os públicos de interesse que são pertinentes ao problema identifi cado, a identifi cação dos estágios da jornada de envolvimento com a marca e objetivos de comunicação gerais ou específi cos para cada público ou etapas de uma jornada de envolvimento a ser defi nida em etapas posteriores. A segunda etapa, por sua vez, será responsável por defi nir as estratégias, relacionadas ao tipo de campanha, estratégias de campanha, mix de comunicação e orçamentos. Perceba que a defi nição da estratégia compreende tanto ações que envolvam aspectos de negócio (tipo da campanha), de atenção (estratégia da campanha) e de contato (mix de comunicação). O agrupamento de todas estas ações, resultará, por fi m, em um orçamento com a apresentação de valores de planejamento de campanha da agência e outros fornecedores envolvidos na execução da campanha. A terceira etapa, por sua vez, diz respeito à aplicação das estratégias planejadas na segunda etapa. Por isso, é importante compreender que um planejamento de comunicação de sucesso só é possível mediante a organização das atividades e distribuição das tarefas dos profi ssionais envolvidos. Ou seja, de nada adianta planejar ações que atendam objetivos, se estas ações não conseguem ser executadas no grupo de trabalho. Ainda, é válido reforçar que a etapa de 60 UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA gerenciamento e controle apresenta um importante papel de acompanhamento dos resultados obtidos, permitindo mudanças de estratégias em casos de estratégias que não estejam trazendo os resultados esperados. Desse modo, percebemos que, durante o processo de planejamento de comunicação, ao identificar o insucesso de uma estratégia, os profissionais podem retomar ao diagnóstico com o intuito de levantar mais informações, desenvolver novas estratégias com maiores possibilidades de acerto e colocá-las em prática para reduzir perdas. Perceba que, planejar, por muitas vezes, não é uma tarefa linear com início, meio e fim, podendo retomar etapas já passadas para reverter erros identificados. Para finalizar este conteúdo, vamos tentar resumir o que vimos até e aqui e entender como colocar em prática em um plano de comunicação? Veja a figura a seguir que representa um mapa de todos os elementos vistos nesta unidade e que garantem que um plano de comunicação seja bem executado. FIGURA 13 – ROTEIRO DE UM PLANO DE COMUNICAÇÃO FONTE: A autora TÓPICO 3 | PLANO DE COMUNICAÇÃO 61 LEITURA COMPLEMENTAR MCDONALD’S ESPALHA SEUS APELIDOS PELO BRASIL Renato Rogenski CMO da rede, João Branco revela próximos passos da ação que pretende mostrar a intimidade do público com a marca: "É fácil fazer piada e ser polêmico, difícil é construir uma relação" Mequinho, Mecão, McZera, Muleke Donald’s ou simplesmente Méqui. Ditos informalmente pelos clientes da marca, esses apelidos agora ganharão destaque em diversos pontos de comunicação dos restaurantes da rede em todo o Brasil. O objetivo da campanha criada pela DPZ&T é mostrar a relação de intimidade que há entre a empresa e os brasileiros. As grafias descoladas estarão desde as fachadas dos restaurantes, embalagens dos lanches, passando pelas lâminas de bandeja, camisetas e até no próprio menu das lojas. Até João Branco, CMO da companhia no Brasil, mudou seu perfil no Linkedin para “João Branco do Méqui”. Na história da publicidade brasileira, não foram raras as vezes em que um anunciante precisou investir em comunicação para deixar claro qual era a grafia ou a pronúncia de seu nome, principalmente no caso de empresas que acabam de nascer ou chegar ao País com nomes complicados para quem fala português. No caso da atual campanha, o McDonald´s fez justamente o caminho contrário. “Fomos descobrindo os apelidos, e essa é uma prática cultural do brasileiro. Quando alguém fala McDonald´s por inteiro soa quase como os nossos pais quando falam o nosso nome completo para dar bronca. E também não é sobre não falar bem o inglês ou abrasileirar expressões, é sobre a forma carinhosa como as pessoas nos tratam e que agora está sendo celebrada em nossa comunicação”, afirma o CMO da rede. UNIDADE 1 | PLANEJAMENTO DE CAMPANHA 62 Tudo começou em 30 de agosto, quando a companhia mudou a grafia da fachada de dois de seus restaurantes para “Méqui”, sem fazer nenhum alarde. O “mistério” se espalhou pelas redes sociais e veículos de mídia. Já em uma segunda fase da campanha, na semana passada, a grafia “Méqui” substituiu “McDonald’s” nos avatares dos perfis oficiais da marca no Twitter, Facebook e Instagram. Nessas plataformas, o público também foi convidado a revelar quais são os apelidos que costuma colocar no fast-food. Na entrevista a seguir, João Branco revela de que maneira a nova fase da campanha está alinhada com a estratégia de comunicação da marca. Meio & Mensagem — Qual foi o impacto das primeiras etapas dessa campanha? João Branco — Quando trocamos as fachadas, a repercussão nos surpreendeu muito. Esperávamos um impacto grande, mas não tão gigantesco como foi. Inclusive, o próprio engajamento interno dos funcionários foi algo fora do planejado. Mudei o meu perfil nas redes sociais para “João Branco do Méqui” e não pedi para ninguém fazer o mesmo, mas várias pessoas resolveram fazer. Criei também uma montagem com o meu nome na fachada das lojas edepois abrimos para todos os funcionários, já que recebemos dois mil pedidos, desde franqueados até os funcionários. De maneira geral, calculamos neste primeiro momento ter atingido mais de 40 milhões de pessoas de forma espontânea. Foi uma ação que teve um investimento pequeno de mídia, mas muita força de PR. M&M — De que maneira essa iniciativa está conectada com o trabalho de marca que o McDonald’s tem feito nos últimos meses? João — Temos trabalhado de forma mais intimista com o consumidor, com uma comunicação mais divertida e institucional. Agora é menos sobre preços e promoções e mais sobre a relação emocional que temos com as pessoas. E isso está sinalizado nas últimas ações, como o pacote de batatas gigante que colocamos recentemente no Largo da Batata, em São Paulo, ou a parceria com o Spotify, que disponibiliza playlists musicais nas bandejas. Enfim, há uma série de coisas que está agora em outro tom, mais moderno, jovem, divertido e com menos comunicação varejista. E isso está se refletindo nos resultados. Estamos tendo até agora o melhor ano da história, com a maior quantidade de visitas e clientes em nossos restaurantes no País. Nunca foram consumidos tantos Big Macs por brasileiros na história. M&M — O que você pode dizer sobre os cuidados da marca para não ultrapassar a linha tênue entre ser divertido e forçar a barra? João — É preciso ser atrativo para o público, mas sem deixar de ser você mesmo. É essencial entender como o cliente enxerga a sua marca de verdade. É fácil fazer piada e ser polêmico, difícil é construir uma relação sólida e duradoura com os consumidores, preenchendo um espaço que ninguém é capaz de preencher. E mais do que isso, fazer tudo sem atacar ninguém, se comparar ou polemizar apenas para ser mais falado. Não precisamos forçar a barra para sermos queridos. Apesar disso, é claro que as pessoas querem que a gente aborde coisas legais, que estejamos atualizados e que falemos sobre coisas do dia a dia. Isso se reflete, TÓPICO 3 | PLANO DE COMUNICAÇÃO 63 inclusive, no nome dos nossos produtos. Lançamos recentemente, por exemplo, o Picanha das Galáxias. Vivemos um momento em que o público gosta da informalidade e da proximidade. M&M — Quais são os fatores que estão conectados com os resultados positivos que você mencionou sobre a empresa neste ano? João — Tudo é consequência de uma estratégia que está sendo bem sucedida e que envolve todas as áreas da empresa. Temos trabalhado, por exemplo, com a modernização de nossos serviços e instalações. Mais da metade dos nossos restaurantes acabaram de ser reformados e ganhar novas tecnologias com totens digitais, WiFi, além de um atendimento mais humanizado. É claro que o marketing, a comunicação e a estratégia de produtos têm ajudado bastante. Além disso, desenvolvemos departamentos que antes não existiam dentro da empresa, como CRM, precifi cação e merchandising. Em março, fi zemos também a integração da conta de on e off na DPZ&T. Veja as imagens de algumas peças a seguir: FONTE: <https://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2019/09/11/mcdonalds- espalha-seus-apelidos-por-todo-o-brasil.html>. Acesso em 23 out. 2019. 64 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O plano de comunicação é um documento formal que tem como objetivo central garantir que as informações sejam formalizadas a fim de garantir o bom resultado das estratégias de comunicação. • Planejamento de comunicação contará com análises que permeiam o cenário da marca e suas necessidades, as estratégias a serem colocadas em prática e possibilidades de avaliação e controle dos resultados. • Existem diversos modelos de planos de comunicação que contam com etapas específicas de Diagnostico, Estratégia e Gerenciamento. • O modelo de Julian Cole propõe que o planejamento deve contar com as etapas: problema de negócio, posicionamento estratégico, ideia de criativa, determinação das barreiras e tarefas, elementos complementares da arquitetura. • O problema de negócio apresenta qual problema deve ser resolvido com a comunicação. • O posicionamento apresenta qual é o posicionamento de campanha que deve ser adotado, ou seja, que posição diferencial da concorrência será apresentada. • A ideia criativa apresenta qual será a abordagem de atenção utilizada. • As barreiras apontam quais elementos podem impedir que as ações ocorram com sucesso. • As tarefas apontam quais ações são necessárias para resolver os problemas identificados. • Os elementos complementares apresentam cronogramas, orçamentos e outros elementos importantes para a execução das ações. • Dentre os elementos fundamentais para o diagnóstico de comunicação, estão: identificação do produto, análise da concorrência, definição dos públicos de interesse, mapeamento da jornada, objetivos de comunicação. • Dentre os elementos fundamentais para a estratégia de comunicação, estão: definição do tipo de campanha, definição da estratégia de campanha, definição do mix de comunicação, orçamentos. • Dentre os elementos fundamentais para o gerenciamento de comunicação, estão: definição do plano de ação, execução das atividades, acompanhamento dos resultados. 65 1 Existem diversas atividades que devem ser realizadas durante o processo de desenvolvimento de um plano de comunicação. Cada uma cumpre um papel importante e contribui para a etapa que diz respeito, podendo ser enquadradas em três grandes etapas: diagnóstico, estratégia, gerenciamento. A respeito destas ações, sinalize a qual etapa pertence cada atividade. (A) Diagnóstico de comunicação. (B) Estratégia. (C) Gerenciamento e controle. ( ) Acompanhamento dos resultados. ( ) Análise da concorrência. ( ) Defi nição da estratégia de campanha. ( ) Defi nição do mix de comunicação. ( ) Defi nição do plano de ação. ( ) Defi nição do tipo de campanha. ( ) Defi nição dos públicos de interesse. ( ) Execução das atividades. ( ) Identifi cação do produto. ( ) Mapeamento da jornada. ( ) Objetivos de comunicação. ( ) Orçamentos. 2 O modelo de plano de comunicação proposto por Julian Cole se diferencia dos demais devido ao seu caráter sintético e direto. Este modelo, denominado como Arquitetura de Planejamento de Marca oferece algumas etapas necessárias. Desta forma, identifi que alguma campanha realizada recentemente e simule seu planejamento por meio do modelo proposto por Julian Cole nas etapas apresentadas a seguir: AUTOATIVIDADE 66 3 Durante este tópico você viu diversos modelos de planos de comunicação que podem trazer resultados positivos às marcas na apresentação de uma campanha. De acordo com o que foi visto, qual é o melhor modelo a ser colocado em prática atualmente? 67 UNIDADE 2 PLANEJAMENTO DE MÍDIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • reconhecer elementos fundamentais de um diagnóstico de mídia; • ter uma visão geral sobre conceitos básicos de mídia; • discutir a importância das estratégias de mídia; • ter uma visão analítica da mídia e suas estratégias. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA TÓPICO 2 – CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA TÓPICO 3 – ESTRATÉGIAS DE MÍDIA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 68 69 TÓPICO 1 DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Após a defi nição de todas as estratégias de campanha, apresentadas na Unidade 1 deste livro didático, chega o momento de discutir estrategicamente quais canais de comunicação serão escolhidos para a campanha. A escolha destes canais compreende as etapas de um planejamento de mídia, em que serão escolhidos os meios e veículos de comunicação mais adequados para dialogar com o consumidor.Para que isso seja possível, diversos estudos, análises e cálculos são esperados, conforme você verá nesta unidade. Nesta etapa de planejamento de mídia de uma campanha, é esperado que o profi ssional desempenhe um papel analítico, buscando oferecer as melhores alternativas para resolver problemas de Comunicação e de Marketing, sejam relacionados a produtos ou a questões institucionais de uma organização. O fato é que a mídia é uma forma de atender objetivos estratégicos de uma organização, como você pode ver no esquema a seguir. FIGURA 1 – PLANEJAMENTO DE MÍDIA NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL FONTE: A autora Assim como outros contextos de planejamento (estratégico, marketing e comunicação), o planejamento de mídia conta com algumas etapas essenciais: diagnóstico, defi nição das estratégias, execução e controle, que veremos nesta Unidade 2. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 70 O diagnóstico, primeira etapa de um Planejamento de Mídia, é uma importante etapa antes da defi nição das estratégias, em qualquer campo de planejamento. Nesta etapa, são identifi cadas as variáveis de Marketing que impactam diretamente nas decisões de mídia, como características do produto, preço, distribuição e ações de comunicação já existentes. Ainda são compreendidas questões fundamentais sobre o consumidor, que contribuem para a escolha dos melhores meios e veículos de comunicação de acordo com índices de audiência. Além de identifi cados os objetivos de mídia, de maneira que estejam altamente relacionados com os objetivos de Marketing e Comunicação de uma organização. 2 A INFLUÊNCIA DO MIX DE MARKETING NO PLANEJAMENTO DE MÍDIA Como você já sabe, as estratégias de Comunicação são integrantes do Mix de Marketing, caracterizado pelos 4 P’s essenciais (Produto, Preço, Praça e Promoção). A fi gura a seguir deixa claro que existem estratégias para cada elemento do Mix de Marketing e que as estratégias de Promoção dizem respeito a ações específi cas, como propaganda, relações públicas, assessoria de imprensa etc. Dessa forma, são variadas as maneiras de estabelecer um relacionamento com os públicos de interesse de uma marca. FIGURA 2 – MÍDIA E O MIX DE MARKETING FONTE: A autora Neste cenário, vemos que a propaganda apresenta características de exibir uma mensagem publicitária em espaço pago pelo anunciante, podendo ocorrer de diversas maneiras em canais diferenciados. Esses canais são os espaços em que a mensagem será veiculada e também são denominados como mídias. Você pode ver um exemplo a seguir, de uma ação realizada pela plataforma de streaming de música Spotify. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA 71 FIGURA 3 – AÇÃO REALIZADA PELO SPOTIFY FONTE: A autora A Figura 3 representa uma ação de mídia da marca Spotify, realizada em diversas estações de metrô. A marca, ao definir essa estratégia, buscava impactar os usuários de metrô de uma região específica, gerando visibilidade para a marca. Perceba que, além da exposição da marca, a ação proposta buscava interagir com a audiência oferecendo posters das músicas apresentadas na plataforma Spotify. Além da criatividade da ação em gerar visibilidade e interação, é importante reforçar outro aspecto fundamental que garante seu sucesso: a ação está altamente conectada com um dos P’s do Mix de Marketing, a Praça. A escolha da realização das ações em estações de metrô evidencia que a marca buscou impactar seu público onde este está presente, de maneira massiva. A marca também considerou o comportamento dos usuários de metrô, que, frequentemente, utilizam este meio de transporte com fones de ouvido. Dessa forma, chegamos ao ponto desta seção de estudos: a mídia precisa ser definida estrategicamente de acordo com o Mix de Marketing (Produto, Preço, Praça e Promoção). 2.1 MÍDIA E PRODUTO Conhecer os estágios de um produto é fundamental para fazer as melhores escolhas sobre as mídias de uma campanha. Para produtos maduros em seu mercado de atuação, por exemplo, “a propaganda de sustentação pode demandar objetivos de mídia que maximizem o número de impactos transmitidos” UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 72 (BARBAN et al., 2001, p. 22). Neste cenário, é importante reconhecer que as características de um produto impactam diretamente nas melhores decisões. Produtos alimentícios, por exemplo, podem demandar maior presença massiva em mídias como a televisão. Outros produtos, como serviços de consultoria, por exemplo, podem ser comunicados em mídias mais especializadas e de acordo com as necessidades do consumidor. Ainda, é importante levar em consideração, que determinadas mídias podem explorar diferentes aspectos de um mesmo produto. Por exemplo, imagine uma marca de veículos que busca lançar seu novo veículo e precisa dar ênfase ao design interno e externo do veículo. Neste cenário, considerando que o foco do produto é extremamente visual, a mídia deverá ser amparada, principalmente, por canais que tenham apelos visuais fortes, como televisão, cinema, internet e revista (BARBAN et al., 2001). Meios que não possibilitem de maneira clara este apelo como rádio e outros meios visuais com baixa qualidade de visualização (como jornais e mídias exteriores) podem ser repensados na estratégia. 2.2 MÍDIA E PREÇO O preço defi nido em um produto pode infl uenciar fortemente nas decisões de mídia. Barban et al. (2001) argumentam que são três os fatores de preço de produto que podem infl uenciar em um Plano de Mídia. Primeiramente, pode-se afi rmar que o preço do produto dita a verba de campanha. Deve-se considerar que todo o investimento defi nido para a campanha publicitária do produto é resultante do lucro deste produto, que, por sua vez, é resultante do preço do produto. Logo, se um produto tem uma margem de lucro considerável e passa a ser aceito pelo consumidor, logo, os investimentos em mídia poderão ser maiores. FIGURA 4 – FATOR 1 FONTE: A autora O segundo elemento relacionado ao preço é resumido pela frase: a margem de lucro do revendedor do produto dita as necessidades de mídia. Neste ponto, o que entra como infl uenciador da mídia é o lucro recebido por quem revende o produto, ou seja, o atacado ou varejo. Margens de lucro maiores para esses parceiros, geram maior apoio promocional ao produto no ponto de venda. Neste cenário, considerando a ajuda destes parceiros na venda do produto, o investimento em mídia pode ser reduzido. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA 73 FIGURA 5 – FATOR 2 FONTE: A autora Como último ponto temos a premissa: o preço do produto dita os meios ou veículos de uma campanha. Por muitas vezes, o preço elevado de um produto contribui para a geração de uma percepção de qualidade elevada para o consumidor. A partir dessa percepção, os meios ou veículos de comunicação escolhidos para esse produto devem ser adequados à qualidade percebida dos consumidores. FIGURA 6 – FATOR 3 FONTE: A autora 2.3 MÍDIA E A PRAÇA A praça de um produto diz respeito à região em que este produto é distribuído. Na maioria das vezes, veicular uma campanha em lugares certos não diz respeito a veicular em todas as regiões de um país (BARBAN et al., 2001). Como exemplo, podemos ver o produto “Guaraná Jesus”, bebida distribuída pela Coca-Cola Company, e extremamente forte no Maranhão. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 74 O que é o Guaraná Jesus? FONTE: <https://bityli.com/ysLAo>. Acesso em: 14 abr. 2020. Apesar de ter sido um produto exclusivo de alguns estados do Nordeste até o início deste ano (2016), a fama do refrigerante fez com que a bebida virasse queridinha também em outras regiões do país. O Guaraná Jesus era produzido e engarrafado somente pela Solar BR Coca-Cola (fabricante do Sistema Coca-Cola Brasil) em São Luís, no Maranhão, e distribuído em três estados do país: o próprio Maranhão, Piauí e Tocantins. Em maio, para a felicidade dos admiradores da bebida, outro fabricante do Sistema, a Coca-Cola FEMSA, confirmou a distribuição do refrigerante em São Paulo,Minas Gerais e Paraná. FONTE: <https://bityli.com/si8wt>. Acesso em: 14 abr. 2020. UNI Ao desenvolver as estratégias de Mídia, os profissionais devem estar atentos às regiões em que o produto é distribuído, de maneira que não atinjam indivíduos que não terão acesso ao produto. Marcas que desenvolvem estratégias de cobertura de mídia ampla, quando possuem uma distribuição de produto limitada acabam por desperdiçar investimentos em mídia que poderiam ser direcionados para as praças de atuação (BARBAN et al., 2001). 2.4 MÍDIA E A PROMOÇÃO Você já viu na Unidade anterior que existem ferramentas de promoção que garantem o sucesso de uma campanha, como promoção de vendas, vendas pessoais, assessoria de imprensa, relações públicas etc. Perceba, então, que ao definir as mídias de uma estratégia de propaganda, é necessário compreender quais outras estratégias foram contempladas no plano de comunicação e que podem impactar diretamente na escolha dos melhores canais. Por exemplo, imagine que uma marca de roupas X busca aumentar em 30% as vendas do produto Y em determinados mercados-alvo. Para que isto aconteça, a partir de uma verba definida, a marca desenvolve um plano de comunicação TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA 75 com as seguintes estratégias: propaganda dirigida ao consumidor, propaganda dirigida para as lojas que revendem seu produto, vendas pessoais, promoção de vendas para o consumidor e promoção de vendas para o revendedor. Partindo dessas escolhas, a distribuição do investimento pode ser realizada como você pode ver em uma simulação a seguir. GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DE INVESTIMENTOS DE ACORDO COM A ESTRATÉGIA PROPAGANDA PARA CONSUMIDOR PROPAGANDA PARA REVENDEDOR VENDAS PESSOAIS PROMOÇÃO DE VENDAS PARA CONSUMIDOR PROMOÇÃO DE VENDAS PARA REVENDEDOR FONTE: A autora Perceba que, considerando o investimento geral da campanha, a distribuição de investimentos é realizada para cada estratégia e não somente para as ações de propaganda. Ao realizar esta distribuição, a marca consegue direcionar seus esforços de comunicação para as ações que lhe trarão mais resultado. 3 MAPEAMENTO DOS MERCADOS-ALVO Além de adequar as decisões de mídia de acordo com o Mix de Marketing, é necessário que o planejador de mídia compreenda como impactar o público desejado. A partir das decisões corretas, a campanha de comunicação criada para o público específico, impactará este mesmo público, contribuindo para alcançar objetivos mercadológicos. Dessa forma, o profissional de mídia buscará dados suficientes que lhe auxilie a escolher os melhores canais de maneira que otimize os investimentos da marca. Quais critérios devem ser levados em consideração para identificar e escolher os mercados-alvo de uma campanha de Mídia? Bom, um bom planejador de mídia deverá considerar diversos critérios e deverá, além de analisar investimentos, compreender as características do público a ser impactado. Barban et al. (2001) definem que algumas variáveis devem ser consideradas, como variáveis demográficas e sociopsicológicas. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 76 3.1 VARIÁVEIS DEMOGRÁFICAS As variáveis demográficas são representadas por características relacionadas a “idade, gênero, renda, ocupação, educação, ciclo de vida familiar, tamanho da família, raça/etnia, religião, região geográfica, dimensão do município e localização” (BARBAN et al., 2001, p. 44). Dados sobre todas estas características contribuirão para a escolha de canais mais assertivos. Quanto mais dados uma campanha fornecer sobre o público, mais específica e segmentada será sua definição de público, conforme afirmam Barban et al. (2001, p. 44). Cada vez que uma variável demográfica é acrescentada à definição, o mercado-alvo tem sua extensão limitada. O equilíbrio desejável entre mercados-alvo definidos de maneira excessivamente ampla ou restrita é o seguinte: o mercado alvo deve ser definido de modo específico o bastante para que o planejador de mídia saiba que tipo de público procurar ao fazer comparações de mídia mas não deve ser definido de modo limitado a ponto de excluir um número significativo de clientes em potencial reais. Neste cenário, é preciso ter cautela na construção das características identificadas que contribuem para segmentar o público de uma campanha. Barban et al. (2001) expõem um exemplo de possibilidades para definir um público quanto as suas características, que você pode ver a seguir. Idade menos de 6 6-11 12-17 18-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65 ou + Gênero masculino feminino outro Educação primeiro grau incompleto primeiro grau completo segundo grau incompleto segundo grau completo superior incompleto superior completo pós-graduação Ocupação técnico gerente proprietário vendas supervisores operários aposentados estudantes donas de casa desempregados Tamanho da família 1-2 3-4 5 + membros Ciclo de Vida Familiar jovem, solteiro jovem, casado, sem filhos jovem casado com filho com menos de 6 anos jovem casado com filho com mais de 6 anos mais velho, casado com filhos mais velho, casado, com filho com mais de 18 anos mais velho, solteiro outros QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA 77 Religião Católica Protestante Judaica Outras Raça/Etnia Branca Afro-americana Asiática Região geográfica Nordeste Centro-leste Centro-Oeste Sul Localização Região Metropolitana Região Suburbana FONTE: Barban et al. (2001, p. 45) Perceba que existem uma série de características que podem ser aplicadas ao público, com a finalidade de identificar as mídias mais adequadas para se estabelecer um relacionamento. No entanto, cabe aos profissionais compreenderem se estas características apresentadas são pertinentes ao negócio e se não existem outras características que devam ser consideradas para uma maior assertividade. 3.2 VARIÁVEIS SOCIOPSICOLÓGICAS As variáveis sociopsicológicas dizem respeito à personalidade do indivíduo, pois, além de suas características demográficas, as características relacionadas ao estilo de vida são essenciais para a escolha de canais, considerando dados de audiência e estilo da programação escolhida. Ainda assim, essas características contribuem para a construção da mensagem mais adequada da campanha. Demograficamente falando você pode estar lidando com um consumidor do sexo masculino de 35 a 44 anos, de nível universitário, [...], mas uma descrição desse tipo certamente não envolve tudo o que se pode dizer a respeito desse consumidor. Há milhares de consumidores americanos identificando-se com essa descrição demográfica. Acrescentando, entretanto, outros dimensão à definição do mercado alvo – de caráter sócio psicológico - verificamos que dentro do mesmo segmento diferentes consumidores podem ter valores e atitudes bastante diferentes, bem como padrões de vida diferenciadas (BARBAN et al., 2001, p. 46). Para compreender melhor a importância das variáveis sociopsicológicas, vamos analisar os cenários de dois potenciais consumidores de uma marca. Estes dois consumidores pertencem às mesmas categorias demográficas, no entanto, portam-se de maneira bastante diferente quando falamos de hábitos e estilo de vida. Veja a seguir a descrição destes dois potenciais consumidores que têm como características demográficas: homens, entre 35 e 44 anos de idade, ensino superior completo e com rendas similares. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 78 QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS SOCIOPSICOLÓGICAS FONTE: Adaptado de Barban et al. (2001, p. 50) Como você pode ver existem particularidades sobre os indivíduos que são extremamente diferentes das características demográfi cas. Essas características sociopsicológicas, como as do exemplo anterior, ditam o comportamento de consumo de mídia desses indivíduos, fazendo com que estejam em grupos sociais totalmente distintos, mesmo apresentando características demográfi cas semelhantes.Por exemplo, ao abordarmos consumo de informação na internet para estes dois personagens, podemos supor que o Consumidor A tende a ler, diariamente, veículos de comunicação da área de negócios. No entanto, o Consumidor B tende a ler, diariamente, veículos de comunicação da área de turismo e lazer. A defi nição das características sociopsicológicas muito se assemelha à defi nição de uma Persona para a campanha. Você sabe a diferença entre Público-Alvo e Persona? “Público-alvo é, de uma maneira geral, uma parcela abrangente da sociedade para quem você vende seus produtos ou serviços. Já a persona [...] é a representação do seu cliente ideal, de forma mais humanizada e mais personalizada” (SIQUEIRA, 2016, s.p.). NOTA Portanto, podemos afi rmar que defi nir os veículos de comunicação com base apenas nas características demográfi cas do público pode ser arriscado, pois essas características são incapazes de defi nir, por completo, o público de uma campanha. 4 OBJETIVOS DE MÍDIA Na vida cotidiana temos vivência com inúmeros objetivos. São objetivos relacionados ao crescimento profi ssional (Quero receber uma promoção até o fi nal do ano!) ou pessoal (Vou perder 2 quilos neste mês!). TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA 79 A defi nição clara destes objetivos, nos ajuda a criar estratégias para atingir os objetivos propostos, e com o Planejamento de Mídia não é diferente. Nesse caso, você precisa defi nir objetivos claros para o plano, de maneira que possa contribuir para que a marca alcance seus objetivos de marketing e objetivos de comunicação. Veja a simulação a seguir. FIGURA 7 – OBJETIVOS DE MARKETING, COMUNICAÇÃO E MÍDIA FONTE: A autora Neste caso, vemos que os objetivos de marketing estão relacionados ao composto de marketing, ou seja, aos 4 P’s, e, consequentemente, são apresentados os objetivos de comunicação de maneira que possam contribuir para atingir os objetivos de marketing propostos. Como você já viu aqui nesta disciplina, os objetivos de comunicação são relacionados aos estágios de envolvimento do consumidor com a marca ou produto, podendo ser representados pelos elementos a seguir. FIGURA 8 – OBJETIVOS DE COMUNICAÇÃO FONTE: Adaptado de Yanaze (2013) UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 80 Dessa forma, cada objetivo de comunicação contribuirá para um determinado objetivo de marketing. E, para cada objetivo de comunicação, existem variados objetivos de mídia, que devem ser delimitados de acordo com a realidade da campanha. Desta forma, o que temos, no momento de definição dos objetivos de mídia, é uma relação próxima entre objetivos de marketing, objetivos de comunicação e objetivos de mídia, conforme aponta Katz (2003). Assim, percebemos que só é possível construir um bom planejamento de mídia, a partir de objetivos claros anteriores. Neste caso, o profissional de mídia é apresentado aos objetivos de marketing, objetivos de comunicação, com a tarefa de delimitar os objetivos de mídia e, consequentemente, as estratégias do plano (KATZ, 2003). Como construir o objetivo de Mídia? Os objetivos de Mídia devem ser claros ao apresentar quais serão os públicos impactados, em quais períodos, buscando relacionar frequência em que a publicidade será apresentada ao consumidor, seu alcance (KATZ, 2003; SCISSORS; BARON, 2010) e outras questões. Os objetivos da mídia identificam especificamente a meta de marketing e quantas vezes essas pessoas devem ver a mensagem publicitária durante os períodos introdutório e sustentável. Isso reflete um equilíbrio entre quantas pessoas verão os anúncios e quantas vezes eles verão (ou seja, algumas pessoas muitas vezes ou muitas pessoas algumas vezes) (SCISSORS; BARON, 2010, p. 29). Para contribuir na definição dos objetivos, considerando que deve ser uma tarefa complexa envolvendo diversas variáveis de Marketing e Comunicação, Katz (2003, p.48-49) propõe algumas perguntas que devem ser respondidas no momento de definir os objetivos de mídia. Para a sua compreensão nesta disciplina, realizamos uma breve alteração na proposta da autora que você pode ver na simulação a seguir. TÓPICO 1 | DIAGNÓSTICOS DE MÍDIA 81 Perguntas Respostas Objetivo construído 1. Qual é o objetivo de Marketing? Aumentar a venda dos produtos X em mil itens. Impactar de 80% dos Públicos X e Y, dos estados Y e Z, em um período de 12 meses. 2. Qual é o objetivo de Comunicação? Despertar a consciência do produto X. 3. Qual é o estágio da Jornada do Consumidor? Consumidores a serem impactados não conhecem o produto. 4. Quais são seus públicos a serem impactados? Público X e Público Y. 5. Qual é a região de cobertura da campanha? Região norte do país, nos estados Y e Z. 6. Qual é o prazo da campanha? 12 meses. 7. Qual é o alcance da campanha? Impactar de maneira massiva, com amplo alcance nas regiões delimitadas. QUADRO 3 – QUESTÕES PARA DELIMITAÇÃO DE OBJETIVOS DE MÍDIA FONTE: A autora A simulação expõe uma séria de perguntas que são apresentadas de maneira que seja possível construir um objetivo de mídia. Perceba que, nas perguntas iniciais (1,2 e 3), são expostos os objetivos de comunicação, que contribuem para a definição do público. Vemos nesses dois casos, que o produto X precisa ser vendido para o consumidor que não conhecem o produto. Dessa maneira, seria possível ampliar as vendas do produto em questão. Já nas perguntas 4 e 5 são apresentadas questões relacionadas ao perfil do público e onde este público se encontra. E, nos itens 6 e 7 são apresentadas as informações que delimitam o período em que a campanha deve ser veiculada nas mídias e de que maneira deve-se impactar os públicos (de maneira massiva ou segmentada. A partir da construção clara dos objetivos, um planejador de mídia consegue delimitar melhor suas escolhas em meios ou veículos de comunicação. Ainda é importante ressaltar, que, aliado ao objetivo, deve ser considerada a verba de mídia, que contribuirá para orientar a distribuição de investimentos nos canais de comunicação, de maneira que seja possível atender ao objetivo de mídia proposto. 82 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Planejamento de Mídia corresponde ao planejamento dos pontos de contato com o consumidor, ou seja, definição dos canais de comunicação. • A mídia é altamente influenciada pelas decisões do Mix de Marketing: produto, preço, praça e promoção. • O estilo do produto influencia nas escolhas dos canais de comunicação. • O preço elevado ou baixo de um produto contribui para a escolha de canais de comunicação. • A distribuição geográfica das vendas de um produto é fundamental para determinar as regiões em que a campanha será veiculada. • Outras ações de comunicação, como relações públicas, assessoria de imprensa etc. influenciam diretamente nas decisões dos canais de mídia, podendo exigir maior ou menor esforço desses canais. • A compreensão do público de uma campanha envolve o reconhecimento de variáveis demográficas e sociopsicológicas deste público. • As variáveis demográficas dizem respeito às características de idade, gênero, educação, ocupação etc. Ou seja, características relacionadas a quem o consumidor é. • As variáveis sociopsicológicas dizem respeito ao comportamento e estilo de vida do público. Ou seja, características relacionadas aos atos e comportamentos do consumidor. • Os objetivos de mídia são altamente influenciados por objetivos de marketing e comunicação. • Os objetivos de mídia representam a forma em que a comunicação alcançará o público. 83 AUTOATIVIDADE 1 O diagnóstico de mídia é importante para oferecer uma percepção da realidade para, assim, definir os objetivos de mídia e estratégias de campanha. Neste cenário, existem particularidades do Composto de Marketing que influenciam diretamente nas decisões de mídia. Estão apresentadas, a seguir, algumas decisões de mídia considerando os P’s do Composto de Marketing. Para cada decisão, assinale o Pque apresenta relação direta. I - Produto. II - Preço. III - Praça. IV - Promoção. ( ) A campanha conta com um grande esforço de assessoria de imprensa. Portanto, as ações de mídia devem ser reduzidas durante os três primeiros meses da campanha. ( ) Os produtos são caracterizados como produtos de conveniência, demandando comunicação massiva. ( ) O produto não apresenta aceitação na região Norte do país. Assim, devem ser reduzidos os esforços de mídia para essa região até a alteração do produto. ( ) Os meios escolhidos devem ser altamente segmentados devido ao alto custo do produto e à percepção de qualidade apresentada pelos consumidores. 2 Os mercados a serem impactados por um planejamento de mídia são diversos e precisam ser reconhecidos de maneira profunda para que o diálogo entre marcas e consumidores possa acontecer, por isso existem características demográficas e sociopsicológicas que podem ser identificadas. Sobre essas duas características, assinale a alternativa que representa as características sociopsicológicas. a) ( ) Mulheres, moradoras das regiões A e B, pertencentes às classes sociais A e B. b) ( ) Jovens ativistas, líderes expressivos em suas comunidades e que não consomem carne. c) ( ) Profissionais liberais, com ensino superior completo, casados e com filhos. d) ( ) Homens mais velhos, sem filhos, protestantes e com renda superior a R$ 80 mil por ano. 84 3 Definir os objetivos de uma campanha é fundamental para construir as melhores estratégias durante o processo de planejamento. Neste caso, é importante definir claramente os objetivos de Marketing, Comunicação e Mídia. De acordo com o que você viu neste tópico, classifique de maneira correta os objetivos de Marketing, Comunicação e Mídia apresentados a seguir. I - Objetivo de Marketing. II - Objetivo de Comunicação. III - Objetivo de Mídia. ( ) Impactar 100% dos potenciais consumidores Y nos pontos de venda das regiões Y e Z, durante os 6 primeiros meses da campanha. ( ) Proporcionar conhecimento da marca Y. ( ) Aumentar em 20% a distribuição do produto no país. ( ) Conseguir a preferência do produto X em relação aos concorrentes B e C. ( ) Reduzir em 10% a venda da linha de produto X. ( ) Levar à decisão de compra nos pontos de venda. ( ) Atingir 50% do público Z nas regiões norte e leste da cidade X. 85 TÓPICO 2 CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Definir estratégias de mídia é uma tarefa complexa que depende de inúmeros fatores que devem ser considerados e, portanto, compreendidos. Partindo desse pressuposto, neste tópico você verá alguns importantes conceitos, como a diferença entre meios e veículos e as especificidades da TV, rádio, jornal, revista, cinema e mídias digitais. Ainda conhecerá alguns indicadores que contribuem para analisar o custo- benefício de uma programação, como alcance, cobertura, frequência, audiência, Share, CPP, GRP e TRP. 2 MEIOS E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO Meios de comunicação, são os canais que o emissor seleciona para emitir a mensagem ao receptor. Estes canais, explorados estrategicamente em campanhas de comunicação, podem ser caracterizados de acordo com sua forma de distribuição de informação. Neste subtópico, você compreenderá as características de cada meio, bem como seus pontos positivos e negativos. Compreenderá, também, as características dos públicos que consomem cada meio, e, por fim, os formatos de comercialização que estes meios oferecem aos anunciantes. Toda esta discussão está amparada sob a ótica dos autores Crescitelli e Shimp (2012) que fornecem conceitos importantes sobre os meios estudados. Ainda, você compreenderá como está o desempenho de consumo das mídias, a partir do Mídia Dados Brasil 2019 (GRUPO DE MÍDIA SP, 2019), por meio de dados de audiência, participação e perfis de consumo. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 86 E, para iniciar, vamos a uma pergunta: na sua opinião, qual dos meios de comunicação a seguir são mais fortes entre a população brasileira? Ou seja, qual meio de comunicação, alcança mais pessoas? FIGURA 9 – MEIOS DE COMUNICAÇÃO FONTE: A autora Como você pode ver, são variados os meios de comunicação. Todos estes meios apresentam particularidades em públicos específi cos. Dessa forma, cada meio apresenta pontos positivos para cada realidade e pode trazer muitos resultados para uma campanha publicitária. Vamos retomar a nossa pergunta. Segundo dados de pesquisa de audiência, alguns meios apresentam maiores possibilidades de alcance, ou seja, são meios que atingem uma grande quantidade de pessoas. O Mídia Dados Brasil do ano de 2019 apontou que a TV Aberta ainda é o meio que mais alcança pessoas. No gráfi co a seguir você pode ver o percentual de participação de cada meio na população brasileira. GRÁFICO 2 – PERCENTUAL DE PENETRAÇÃO DOS MEIOS FONTE: Adaptado de Grupo de Mídia SP (2019) Avaliando estes dados e sua resposta à pergunta sobre os meios mais fortes, refl ita: você acertou ou errou? Como profi ssionais de comunicação, é fundamental que saibamos desenvolver estratégias baseadas em dados de pesquisa, deixando de lado nossos próprios comportamentos e nossas próprias TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 87 GRÁFICO 3 – PARTICIPAÇÃO DOS MEIOS POR CLASSE SOCIAL FONTE: Adaptado de Grupo de Mídia SP (2019) preferências quanto ao consumo de mídia. Neste cenário, por exemplo, alguns meios podem ser mais adequados para públicos específi cos. A seguir, você pode ver dois gráfi cos que demonstram o quanto cada meio é forte para características como classes sociais e faixa etária. GRÁFICO 4 – PARTICIPAÇÃO DOS MEIOS POR FAIXA ETÁRIA FONTE: Adaptado de Grupo de Mídia SP (2019) UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 88 Perceba que os gráficos apontam semelhanças entre os meios nos públicos específicos. No entanto, alguns meios apresentam características muito particulares, sendo mais efetivos em alguns grupos especificamente. Por exemplo, ao avaliarmos o meio “Cinema”, percebemos que seu público se diferencia dos demais em dois aspectos: a) o público jovem (12/19 e 20/24) é mais presente nesse meio se comparado aos outros meios; b) a classe A/B se coloca mais presente em comparação aos outros meios, como TV aberta e rádio. Ainda, aliado a estas características dos meios, devemos considerar que cada meio de comunicação apresenta uma infinidade de veículos de comunicação, ou seja, uma série de organizações que tem como atividade a produção e distribuição de conteúdo em cada meio. Dessa forma, temos, a seguir, alguns exemplos de meios e veículos. QUADRO 4 – MEIOS E VEÍCULOS Meios Veículos TV Aberta Rede Globo, Rede Record, SBT. Mídia Out-of-Home Empresas que fornecem espaços de mídia eletrônica em locais públicos e privados. São televisores em ônibus, estações públicas etc. Mídia Exterior Empresas que fornecem espaços de mídia em placas, como Outdoors, painéis, espaços externos de ônibus etc. Mídia Digital Google, Facebook, UOL. Rádio AM/FM Rede Bandeirantes, Jovem Pan, Rede Transamérica. TV por Assinatura Discovery Kids, Globo News, Multishow. Jornal (Impresso + Digital) Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de São Paulo. Revista (Impresso + Digital) Veja, Caras, Superinteressante. Cinema Empresas que fornecem espaços de mídia em cinemas. FONTE: Adaptado de Grupo de Mídia SP (2019) Dessa forma, é tarefa do profissional de mídia buscar informações suficientes sobre o consumo de meios e veículos, de maneira que esteja munido de dados que deem segurança aos canais de comunicação escolhidos. Afinal, todo o investimento realizado nesses meios, devem trazer resultados ao anunciante. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 89 Para compreender melhor as particularidades de cada meio, você verá nas próximas seções o detalhamento de alguns meios de comunicação: TV aberta, mídia digital, rádio AM+FM, jornal (impresso + digital), revista (impresso + digital)e cinema. 2.1 TV ABERTA Como você já viu até aqui, a televisão predomina na disputa no quesito alcance. “Os aparelhos de TV estão presentes em um pouco mais de 98% de todos os lares norte-americanos” (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p. 175) e isso não se faz muito diferente no Brasil, em que 95% dos lares brasileiros possuem um aparelho de TV. Apesar de apresentar inúmeros fatores positivos, como alcance e qualidade na mensagem transmitida, o consumidor deste meio apresenta maiores possibilidades de distração do espaço publicitário, o que reduz a força de uma campanha publicitária. Este meio, através de seus veículos e suas repetidoras locais, apresenta grandes possibilidades para anunciantes nacionais e locais, pois oferece espaços comerciais distribuídos entre cobertura nacional e local, garantindo, também, sua sustentabilidade financeira. Ainda, apresenta grandes possibilidades de segmentação de públicos, considerando a escolha de veículos que apresentem perfis específicos além da programação, que pode ser dirigida a temáticas específicas que possam impactar diferentes grupos, como: programas de auditório, jornalismo, filmes, novelas etc. É válido ressaltar que é papel do profissional de mídia compreender os perfis comportamentais da audiência de cada veículo/programação para fazer as escolhas de onde realizar a compra dos espaços publicitários. Pontos fortes e fracos do meio: QUADRO 5 – TELEVISÃO: PONTOS FORTES E FRACOS Pontos Fortes Habilidade de demonstração Nenhum outro meio pode alcançar os consumidores simultaneamente por meio dos sentidos auditivo e visual. Isso considerando, é claro, somente as mídias tradicionais, pois se considerarmos a Internet essa afirmação já não é mais tecnicamente verdadeira, porém, ainda é válida se pensarmos em termos de cobertura da TV em relação à Internet. Os espectadores podem ver e ouvir um produto sendo usado, identifica-se com os usuários do produto, e se imaginar utilizando-o. Valor de intrusão Os comerciais de TV envolvem os sentidos da pessoa e atraem a atenção mesmo quando ela prefere não ser exposta aos anúncios. É muito mais fácil evitar um anúncio em revista (simplesmente mudando de página), ou em rádio (mudando de estação). Costuma ser mais fácil ver um comercial de TV em vez de tentar evitá-lo física ou mentalmente. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 90 Habilidade de gerar excitação Os produtos anunciados podem criar vida ou parecer maiores que a vida. Anunciados na televisão, podem ser apresentados de forma dramática, dando a impressão de serem mais excitantes e menos comuns que talvez de fato o sejam. Pontos Fracos Erosão do público espectador Programas independentes, televisão a cabo, Internet e alternativas de lazer e recreacionais diminuíram o número de pessoas que assistem à TV aberta. [...] Usando como referência as telenovelas – por serem os programas mais populares e tradicionais da TV aberta – podemos observar que os patamares de audiência veem caindo ao longo dos anos. Enquanto na década de 1980 o índice médio era de 60 pontos (Roque Santeiro, 67 e Tieta, 63 pontos), atualmente esse índice é alcançado somente no último capítulo da novela, que em geral, é o pico da audiência. O Jornal Nacional, o programa de maior audiência da TV aberta brasileira, também passa por situação semelhante. Sua audiência na grande São Paulo caiu de 39 para 31 pontos na última década. Zapping Os espectadores passam uma boa parte de seu tempo mudando de canal para canal, zapeando os comerciais. O zapping ocorre quando os espectadores mudam para outro canal no momento em que os comerciais vão ao ar [...]. As pesquisas revelam que talvez quase 1/3 do público potencial de um comercial de TV pode ser perdido devido ao zapping. Embora o zapping seja extenso, um estudo intrigante apresentou evidências sugerindo que os comerciais que são zapeados são ativamente processados antes de o zapping acontecer, e podem ter um efeito mais positivo sobre o comportamento de compra da marca que comerciais que não são zapeados. Concentração A concentração se refere à quantidade crescente de comerciais e outros materiais como mensagens de utilidade pública e anúncios promocionais de estações e programas. Na verdade, a cada hora de transmissão do horário nobre, o conteúdo que não é programa representa um pouco mais de 15 minutos entre as principais redes de TV, ou mais de 25% do tempo. FONTE: Crescitelli e Schimp (2012, p. 322-323) Formatos de comercialização do meio: Os formatos de comercialização deste meio são representados por conteúdos comerciais veiculados em intervalos comerciais e conteúdos comerciais veiculados durante a programação. É válido ressaltar que os valores destes formatos variam de acordo com índices de audiência, ou seja, para horários em que há maior alcance de público há maiores custos para o anunciante. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 91 • Vídeos de 15”, 30”, 45” e 60”: são espaços de 15 a 60 segundos disponibilizados em intervalos comerciais. Existe a possibilidade de formatação de espaços especiais, com mais de 60 segundos. • Patrocínios: são investimentos do anunciante em programações específicas, que oferecem visibilidade por meio de espaços no intervalo comercial do programa em questão e, citações especiais no início e término do programa. • Merchandising: denominados como Merchandising, Merchandising Tie-in ou Product Placement, são espaços comerciais no conteúdo da programação, seja uma novela, filme ou programa de entretenimento. Representa a apresentação da marca ou produto fora do horário comercial, ou seja, durante a programação, gerando maior visibilidade para o anunciante. É importante ressaltar que, conforme as tecnologias avançam, novas possibilidades comerciais podem surgir além desses formatos que vimos por aqui. Por exemplo, você sabia que o “TOP de 5 segundos” da Rede Globo – formato que evidencia anunciantes na programação esportiva – foi criado pelo publicitário Altino João de Barros em parceria com a própria Rede Globo? O insight veio quando Altino visitou na Globo a sala de controle, cheia de televisores, onde se coordenava junto às outras praças quantos segundos faltavam para a próxima atração nacional, para que todas as emissoras entrassem em rede ao mesmo tempo. Naquele momento, ele estava inconformado com o fato da General Motors – cliente da McCann – ter ficado de fora do time de patrocinadores de um dos pacotes esportivos da Globo. “Naquele dia na Globo, eu olhei para aqueles monitores com os círculos cinzentos e pensei: porque não gerar esse grande momento de expectativa para os profissionais das emissoras também para o telespectador? Com uma imagem bonita, uma mensagem do patrocinador. E por que não da GM?”, contou ele em sua biografia, “A mídia no Brasil do reclame à era digital”, lançada em 2013. FONTE: <https://bityli.com/z4r2T>. Acesso em: 14 abr. 2020. Como você pode ver, o que ocorreu foi a identificação de uma oportunidade de negócio que virou um formato tradicionalmente conhecido na emissora. E, além desse ocorrido, outras novas possibilidades podem surgir, seja na programação televisiva ou aliando a televisão a outros meios. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 92 Você sabia que além desses formatos, cada emissora de TV pode desenvolver seus próprios formatos? Veja a lista de formatos que a Rede Globo oferece, acessando o link a seguir: https://negocios8.redeglobo.com.br/FormatosComerciais DICAS 2.2 RÁDIO O rádio é um meio presente nos lares e forte entre os anunciantes há muito tempo. Apesar dos avanços tecnológicos, este meio ainda apresenta muita força, estando presente em 65% dos lares brasileiros (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Dentre suas características principais está a tradição e amplo alcance obtido pelo grande número de emissoras no país. Segundo o Grupo de Mídia SP (2019), são mais de seis mil emissoras de rádio (AM e FM) oferecendo conteúdo para as regiões brasileiras.“Apesar do rádio ser uma mídia tradicional e de amplo alcance, o grande número de emissoras torna o setor altamente competitivo e com estações cada vez mais segmentadas e audiência extremamente pulverizada” (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p. 316) Esses dados demonstram o potencial deste meio no campo publicitário, tanto localmente, quanto nacionalmente. Apesar deste meio ser muito forte em suas regiões específicas, a ascensão de grandes grupos de rádio, com cobertura nacional, como CBN, Jovem Pan e Transamérica fez com que os anunciantes nacionais direcionassem atenção a estes grupos que apresentam ampla cobertura geográfica (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Pontos fortes e fracos do meio: QUADRO 6 – RÁDIO: PONTOS FORTES E FRACOS Pontos Fortes Habilidade para alcançar públicos segmentados A variedade de programas de rádio permite que os anunciantes escolham formatos e estações específicos compatíveis com a composição de seu público-alvo e suas estratégias criativas de mensagem. O rádio pode ser usado para direcionar anúncios a grupos específicos: adolescentes; fanáticos por esportes; executivos; entusiastas de jazz; conservadores políticos; grupos religiosos etc. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 93 Economia Em termos de Custo por Mil* (CPM) de público-alvo, a propaganda no rádio é, consideravelmente, mais barata que em outras formas de mídia de massa. Nas últimas décadas, o CPM do rádio aumentou menos que o de qualquer outra mídia de propaganda. Datas curtas de fechamento Como os custos da produção de rádio não são caros e os prazos de cronogramas são curtos, as mudanças de texto podem ser feitas rapidamente para aproveitar importantes desenvolvimentos e mudanças no mercado. Pontos Fracos Ausência de visuais O rádio é o único grande meio de propaganda incapaz de empregar visualizações. Porém, os anunciantes de rádio tentam superar a limitação visual do meio usando efeitos sonoros e escolhendo palavras concretas para criar imagens mentais no ouvinte. É importante notar que muitas campanhas usam o rádio como suplemento de outras formas de mídia em vez de mídia única. Fragmentação do público A seletividade é uma das principais vantagens da propaganda nesse meio, mas ao mesmo tempo o anunciante é incapaz de alcançar um público diverso, porque cada estação e programa tem seu próprio grupo especial de aspectos demográficos e interesses por parte do público. Dificuldade para comprar Esse problema é particularmente grave no caso de um anunciante nacional que deseja ter espaços em diferentes mercados por todo o país. Com tantas emissoras de rádio em operação, a compra de tempo é complicada por estruturas de preço não padronizadas que incluem uma variedade de combinações de preços fixos e descontos. * Custo por Mil: Custo para atingir mil pessoas. Você verá mais sobre esta nomenclatura ainda nesta Unidade. FONTE: Crescitelli e Schimp (2012, p. 317-318) Formatos de comercialização do meio: Os formatos de comercialização tradicionais deste meio são muito semelhantes aos formatos da televisão, pois se utilizam de espaços publicitários no intervalo da programação e durante a programação. Neste meio, os principais formatos são: UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 94 • Spots de 15 a 60 segundos: são peças publicitárias focadas na exposição da mensagem falada por algum locutor. • Jingles de 15 a 60 segundos: são peças publicitárias focadas na exposição da mensagem cantada por algum locutor. • Patrocínios: da mesma forma que a televisão, são investimentos do anunciante em programações específicas, que oferecem visibilidade por meio de espaços no intervalo comercial do programa em questão e citações especiais no início e término do programa. • Merchandising: assim como na televisão, são denominados como Merchandising, Merchandising Tie-in ou Product Placement, os espaços comerciais no conteúdo da programação. No caso dos programas de rádio, este formato é muito utilizado em programas de debate. Assim como em outros meios de comunicação, em horários em que há maiores índices de audiência, a programação do veículo acaba por tornar-se mais cara para o anunciante. Neste cenário, a lógica de audiência e custo permanece, ou seja, quanto maior for a audiência, mais caro será o espaço publicitário. Você sabia que os veículos oferecem Mídia Kits com dados de audiência para os anunciantes? Estes Mídia Kits contribuem para informar o anunciante sobre o perfil do veículo, para que possam decidir sobre os investimentos nestes veículos. Veja o Mídia Kit da rádio Jovem Pan, neste link: https://jovempan.com.br/panflix/downloads/midia-kit-grupo- jp-completo.pdf. DICAS 2.3 JORNAL Os jornais, por muito tempo, alcançaram as primeiras posições no consumo de informação pelos consumidores. Com o passar dos anos e com o avanço de tecnologias, que proporcionou o surgimento de novas mídias, a leitura de jornais passou a ceder espaço para o consumo de outros meios, como televisão (CRESCITELLI; SHIMP, 2012) e internet. No entanto, assim como todos os meios de comunicação, o jornal apresenta particularidades positivas como, por exemplo, a forte presença local. Os jornais, assim como as emissoras de rádio, cumprem papel regional, buscando trazer informação às regiões em que estão inseridos (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Também existem particularidades sobre os veículos de comunicação deste meio que podem ser dirigidas, como: política, economia, entretenimento etc. Assim, o perfil do público de cada veículo e cada seção do jornal devem ser considerados no momento de fazer as escolhas de mídia em uma campanha. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 95 Pontos fortes e fracos do meio: QUADRO 7 – JORNAL: PONTOS FORTES E FRACOS Pontos Fortes Cobertura em massa do público Apresenta alcance amplo. Sua cobertura não fica restrita a públicos muito específicos. Flexibilidade Há possibilidades de direcionar a mensagem pelo anunciante. Um anúncio pode ser inserido em uma seção que seja compatível ao produto anunciado. Habilidade para usar texto detalhado Há possibilidade de apresentar informações detalhadas sobre o produto. Oportunidade Devido ao curto espaço de tempo entre fechamento comercial e impressão (de um dia para outro), os anunciantes podem explorar oportunidades recém- lançadas com maior facilidade. Pontos Fracos Concentração de anúncios Há alta concentração de anúncios, para pouco tempo de atenção para o leitor. Meio pouco seletivo Podem apresentar públicos específicos, mas não é possível delimitar grupos específicos, como em outros meios. Qualidade inferir de imagem A impressão do jornal apresenta qualidade inferior a outros meios (como revista). Isto pode impactar negativamente em um anúncio que busque apresentar detalhes de um produto. Compra complicada para anunciantes nacionais Por serem regionais, a compra por anunciantes que queiram anunciar nacionalmente é complicada. Nestes casos, os anunciantes devem buscam mercados múltiplos e uma série de veículos, para atingir uma cobertura nacional ampla. FONTE: Crescitelli e Schimp (2012, p. 309) Formatos de comercialização do meio: Os formatos de comercialização deste meio variam entre medidas de página fracionas a formatos especiais, considerando a localização do veículo e os dias em que ocorrerá a veiculação. Para dias com maior circulação e em locais de maior visibilidade, os preços são maiores. Como exemplo, veja os formatos do veículo Folha de São Paulo, que estão disponíveis no site: http://www.publicidade. folha.com.br UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 96 FIGURA 10 – JORNAL: FORMATOS FONTE: Adaptado de <https://bityli.com/j1pZZ>. Acesso em: 14 abr. 2020. Estes formatos são particulares do veículo de comunicação Folha de São Paulo e, assim como ele, outros veículos podem apresentar outros formatos e particularidades. No momento de uma negociação, é fundamental que o profi ssional de mídia tenha conhecimento destascaracterísticas dos veículos, de maneira que possa oferecer as melhores soluções aos anunciantes. Você já parou para pensar sobre os custos de mídia para anunciar em grandes jornais? Muitos veículos de comunicação disponibilizam suas tabelas de preço na internet. Veja a tabela de preços do jornal Folha de São Paulo, acessando este link: www.publicidade. folha.com.br/folha/ DICAS 2.4 REVISTA Apesar de serem consideradas como mídia de massa, as revistas apresentam particularidades de acordo com suas temáticas podendo atingir grupos diferentes de acordo com os interesses e estilos de vida dos consumidores (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). No momento de se planejar a presença do anunciante neste tipo de mídia, os planejadores se atentam a índices que demonstram o custo benefício dos veículos. No Brasil, o IVC (Instituto Verifi cador de Circulação) visa assegurar a transparência e confi ança dos números de circulações de mídias impressas e TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 97 digitais por meio da verificação dos números de circulação (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Isso garante maior segurança ao anunciante, que obtém as informações reais dos veículos. Este meio, assim como o jornal, recebeu impacto negativo a partir da proliferação de tecnologias. Portanto, vem perdendo títulos que passam a não ser distribuídos de maneira impressa, migrando para o digital. No gráfico a seguir, disponibilizado pelo Grupo de Mídia SP (2019), você pode ver a queda no número de revistas auditadas pelo IVC, representando, assim, uma queda no volume de títulos no Brasil. GRÁFICO 5 – TÍTULOS AUDITADOS PELO IVC FONTE: Grupo de Mídia SP (2019, p. 345) Perceba que a quantidade de veículos reduziu, no entanto, isto não significa que o meio deixou de ser importante em uma estratégia de mídia, pois, assim como outros meios, existem veículos que podem dialogar muito bem com os públicos necessários de uma campanha, visando atingir um objetivo especifico. Pontos fortes e fracos do meio: QUADRO 8 – REVISTA: PONTOS FORTES E FRACOS Pontos Fortes Vida longa Diferente das outras formas de mídia, as revistas com frequência são usadas como referência e guardadas por semanas em casa (e em barbearias, salões de beleza, consultórios de dentis- tas e médicos etc.). Alta qualidade de reprodução No que se refere a considerações qualitativas, as revistas como meio de propaganda são excepcionais quanto a elegância, qualidade, beleza, prestígio e apelo de superioridade. Essas características resultam do alto nível da qualidade de reprodução de imagens e do conteúdo editorial que, com frequência, é transferido para o produto anunciado. Por exemplo, os itens alimentícios anunciados na Ana Maria sempre parecem saborosos; móveis em Casa e Jardim parecem elegantes; e os itens de vestuário na Estilo parecem estar na moda. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 98 Habilidade para transmitir informações com autoridade São, particularmente, uma boa fonte de informações detalhadas sobre o produto, porque transmitem essas informações com um senso de autoridade. Ou seja, como o conteúdo editTorial das revistas costuma incluir artigos que por si mesmos representam visão, experiência e credibilidade, os anúncios publicados nessas revistas transmitem um sentido similar de autoridade ou retidão. Pontos Fracos Longas datas de fechamento Nos jornais e na mídia de rádio e TV é relativamente fácil mudar o texto de um anúncio com pouco tempo de antecedência e em mercados específicos. As revistas, em comparação, têm longas datas de fechamento que exigem que os materiais de propaganda sejam entregues com alguns dias de antecedência da data real de publicação. Não existe um prazo padrão, mas para ilustrar, de acordo com os kits de mídia disponíveis na internet, os anúncios quatro cores e as datas de fechamento das revistas Caras e Veja são de 9 dias. Opções geográficas um tanto limitadas A propaganda nas revistas também apresenta menos opções geográficas que outras formas de mídia, embora algumas revistas de grande circulação, como a Veja, tenham uma seletividade considerável. Por exemplo, a Veja oferece preços diferentes para os suplementos regionais, como Veja São Paulo. Variabilidade nos padrões de circulação do mercado Uma limitação final da propaganda em revista é a variabilidade nos padrões de circulação de mercado para mercado. A revista Rolling Stone, por exemplo, é lida mais em regiões metropolitanas. Por isso, os anunciantes que estão interessados em, digamos, alcançar homens jovens não teriam muito sucesso com leitores que não residem nas áreas metropolitanas. Para isso, eles precisariam colocar anúncios em uma ou mais revistas além da Rolling Stone, o que aumentaria o custo total da compra de mídia. Rádio, TV, ou ambos, podem atender melhor às necessidades desse anunciante e permitir uma cobertura mais uniforme do mercado. FONTE: Crescitelli e Schimp (2012, p. 312-313) Formatos de comercialização do meio: Neste meio, os espaços são comercializados em formatos específicos de acordo com a grade da revista. Geralmente, são oferecidos espaços como 1/3 de página, 1/2 página, página interna, contracapa etc. Ainda são viáveis formatos especiais de acordo com a negociação especial com cada veículo de comunicação. A seguir, você pode ver alguns formatos oferecidos por revistas da Editora Abril. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 99 FIGURA 11 – FORMATOS - EDITORA ABRIL FONTE: <http://publiabril.abril.com.br/uploads/ckeditor/pictures/95/content_spac_2.png>. Acesso em: 14 abr. 2020. Novamente, assim como todos os meios, os espaços com maior visibilidade, gerarão maiores custos ao anunciante. Dessa forma, contracapas ou terceiras capas geralmente apresentam altos custos, se comparadas às páginas internas das publicações. A Editora Abril, detentora de inúmeros títulos de revistas impressas, disponibiliza um site com todas as informações necessárias para comercialização de seus espaços publicitários. Está curioso para saber quanto custa anunciar na contracapa da revista Veja? Acesse o link a seguir e consulte as tabelas de preços: http://publiabril.abril.com.br/svp/ tabelas/precos. DICAS 2.5 CINEMA Além das propagandas exibidas nos fi lmes, denominadas como Merchandising, Merchandising Tie-in ou Product Placement, as salas de cinema passaram a receber outros formatos de anúncios. Como você viu no início deste subtópico, a participação do Cinema nas ações publicitárias ainda é pequena, tendo apenas 16% de participação sobre a atenção do público (Grupo de Mídia SP, 2019). No entanto, anunciar nestes ambientes pode gerar inúmeros resultados, dependendo do objetivo de mídia pretendido. Nã o obstante, pesquisas demonstram que os anú ncios no cinema que apa recem antes do fi lme nã o incomodam os consumidores. Os consumidores mais jovens, entre 12 e 24 anos, respondem de modo mais positivo à propaganda no cinema que os mais velhos, o que torna esse tipo de propaganda uma proposiç ã o atraente para os gestores de marca, considerando-se a difi culdade em alcanç ar o pú blico mais jovem por meio da mí dia tradicional (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p. 372). UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 100 No quesito público, é válido ressaltar que este meio se mostra estável, mesmo considerando novas tecnologias e novas possibilidades de consumo de filmes, como os serviços de streaming. A realidade apresentada pelo Grupo de Mídia SP (2019) aponta que este meio não apresentou quedas no número de ingressos vendidos, conforme você pode ver no gráfico a seguir. GRÁFICO 6 – INGRESSOS VENDIDOS (BRASIL) FONTE: Grupo de Mídia SP (2019, p. 390) Ao considerar esta audiência ainda forte, é necessário que os profissionais envolvidos em uma campanha (que considera o cinema como mídia) trabalhem em peças publicitárias que explorem as imagens e sons que o cinema possibilita. “Para obter sucesso é imprescindível a criação de peças específicas para veiculaçãoem salas de cinema. A simples projeção de peças feitas para a TV nem sempre surte os mesmos efeitos” (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p. 372). Formatos de comercialização do meio: Dentre os variados formatos tradicionais deste meio, podem ser consideradas ações de envolvimento e ações de exposição da marca. • Vídeos de 30”: os vídeos publicitários podem ser exibidos em intervalos comerciais antes do início do filme, atingindo a atenção plena dos espectadores que estão aguardando pelo início do filme. • Sampling: são ações de distribuição de materiais publicitários como brindes, fôlderes, flyers etc. Neste tipo de formato, os anunciantes podem explorar momentos específicos antes ou depois da exibição do filme. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 101 Coca-Cola pede silêncio no cinema A Coca-Cola lançou uma ação em um cinema na Dinamarca para incentivar os espectadores a ficarem quietos durante um filme, e não atrapalharem as melhores cenas com barulhinhos inconvenientes. A dinamarquesa Saatchi filmou as expressões das pessoas enquanto tomavam o refrigerante, e esperavam para entrar na sessão. Em seguida, rapidamente editou as imagens e colocou-as no fundo de um trailer falso do filme. No meio da exibição, os espectadores apareceram de repente na tela, arruinando a cena quente do trailer com suas expressões e sons detestáveis. A marca ainda lançou outros vídeos, que não foram editados em tempo real, mas que também incluem os telespectadores nas cenas do cinema. Quer conferir esta ação? Acesse o link no endereço a seguir: https://bit.ly/2Z9EKxL. FONTE: <https://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2014/04/14/coca- cola-pede-sil-ncio-no-cinema.html>. Acesso em: 14 abr. 2020. IMPORTANT E 2.6 MÍDIA DIGITAL A mídia tradicional, representada por meios de massa, passou por diversas mudanças tecnológicas, culturais e econômicas, que impactaram o setor de comunicação. O advento do rádio na década de 1920 e a massificação da televisão na década de 1960 foram importantes para trazer uma mudança drástica no mercado de comunicação, em que grandes veículos de comunicação passaram a ter suas receitas prejudicadas pelos novos meios que passaram a dominar o mercado em audiência, pelo consumidor e, consequentemente, em receita de publicidade, pelo mercado publicitário (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Esta realidade volta a acontecer devido à popularização da internet. Segundo o Grupo de Mídia SP (2019) este meio vem crescendo entre a população brasileira, conforme você pode ver no gráfico a seguir. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 102 GRÁFICO 7 – PERCENTUAL DA POPULAÇÃO COM INTERNET (10 OU MAIS ANOS) FONTE: Adaptado de Grupo de Mídia SP (2019) Perceba que o gráfi co demonstra que, até o ano de 2016, 64% da população brasileira tinha acesso à internet. E, conforme já vimos no início deste tópico, este meio é o terceiro com mais força entre a população brasileira. Isso nos mostra que, a internet tem muito potencial para ter mais força ainda. Quanto as suas características, este meio apresenta a individualização e interatividade como norteadores das estratégias. Tais elementos são particulares deste meio, que podem trazer resultados positivos para as marcas, mas trazem complexidade às ações de comunicação. FIGURA 12 – INDIVIDUALIZAÇÃO E INTERATIVIDADE DA INTERNET FONTE: Crescitelli e Shimp (2012, p. 334) Considerando essas duas características, perceba que a comunicação se torna muito mais complexa, pois passa a considerar elementos individuais e personalizados do consumidor. Ainda, deve-se considerar que a comunicação passe de passiva para proativa na perspectiva do consumidor. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 103 Assim, as marcas precisam prever ações que possam atingir os consumidores de maneira individual, e, ainda assim, estabelecer diálogos constantes entre os consumidores. Portanto, este meio apresenta complexidades de planejamento, e execução, conforme apontam Crescitelli e Shimp (2012, p. 335) no trecho a seguir. [...] nenhuma mídia é perfeita para todos os propósitos. A Internet não é uma exceção, contrariando o exagero inicial. É possível argumentar, na verdade, que a característica de interatividade da Internet pode, às vezes, representar uma desvantagem em vez de uma vantagem. Segundo esse argumento, o usuário da Internet tem uma mentalidade “proativa” comparada ao espectador de TV, por exemplo, que tem uma mentalidade “passiva”. Enquanto o espectador de TV está casualmente assistindo aos programas e anúncios em um estado de relaxamento (passivamente, por assim dizer), o usuário da Internet é movido por uma meta e pela missão de obter informação (proativo). Com essa mentalidade, os anúncios em banners, floaters e mensagens de e-mail não solicitadas simplesmente representam uma interrupção, um obstáculo à missão principal do usuário que é a de navegar na Internet. Nesse sentido, as mensagens comerciais na Internet são bem mais interruptivas e mais invasivas que nas mídias convencionais, especialmente em relação à mídia impressa. Desta forma, considerando estas dificuldades, é importante que uma campanha presente na Internet considere a variedade de formatos que este meio apresenta, buscando alcançar o consumidor por meio de visibilidade de marca e interação. Formatos de comercialização do meio: Os variados formatos de publicidade neste meio buscam atingir objetivos distintos. Enquanto alguns formatos buscam apenas a exposição da mensagem, outros conseguem interagir com os usuários, oferecendo informações e até dialogando com o público. A seguir, você pode ver uma série de formatos deste meio (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p.336). QUADRO 9 – FORMATOS DE MÍDIAS DIGITAIS FORMATO DESCRIÇÃO W EB SI TE O website de uma marca é um meio valioso de propaganda para transmitir informações sobre a empresa e seus produtos, fazer ofertas promocionais, construir valor de marca e interagir com os consumidores. Talvez a principal diferença entre os sites e outros formatos de propaganda on- line seja a de que os usuários buscam os sites de maneira orientada por um objetivo (por exemplo, aprender mais sobre uma empresa ou produto, buscar entretenimento via jogos, pedir orientações sobre uso e solução de problemas relacionados aos produtos e serviços ou se registrar para um concurso ou promoção), ao passo que os outros formatos on- line são “esbarrados por acidente”. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 104 A N Ú N C IO S D E D IS PL AY O U BA N N ER O formato mais popular na curta história da propaganda na Internet é o anuncio estático conhecido como display ou banner. Os anúncios de banner, um elemento principal da propaganda na Internet, são estáticos – de certa forma, análogos aos impressos em revistas e jornais – e aparecem em sites visitados com frequência. RI C H M ED IA Pode ser entendida como ferramentas multimídia que permitem transmitir a maior quantidade de informações por meio de interfaces otimizadas e inclui pop-ups, plotters, intersticiais, supersticiais e anúncios em vídeo. Em outras palavras, a forma relativamente enfadonha e inanimada da propaganda em banners naturalmente progrediu para a forma animada de propaganda on-line que, embora irritante, chama a atenção. BL O G S São o meio de “cada indivíduo” se comunicar com os outros e estabelecer comunidades digitais onde indivíduos, a maioria com pensamentos semelhantes, podem compartilhar suas visões sobre questões de relevância pessoal. É nesse contexto que produtos e marcas são, às vezes, discutidos. PO D C A ST S Podcasting é um modo de publicar arquivos de som da Internet, permitindo aos usuários assinar e receber novos arquivos de áudio automaticamente. Na verdade, os podcasters produzem por si mesmos programas parecidos com os de rádio. Os consumidores assinam os podcasts usando uma forma especial de software de agregação que periodicamente faz a checagem e o download de conteúdonovo, que é, então, tocado em computadores e áudio players digitais. O podcasting permite que os anunciantes direcionem as mensagens a consumidores que compartilham estilos de vida parecidos, revelados pela autosseleção de um podcast específico. RE D ES S O C IA IS O Brasil, é um dos países com maior número de usuários de rede sociais. [...] Não é de se surpreender que os profissionais de marketing tenham entrado para os famosos sites de redes sociais ou tenham criado suas próprias redes sociais como um mecanismo para se comunicar com os consumidores a respeito de seus produtos. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 105 E- M A IL O e-mail pode ser um instrumento de Comunicação de Marketing muito eficiente para transmitir mensagens e oferecer incentivos de vendas a grandes públicos ou a grupos menores selecionados. Todavia, essa forma de comunicação on-line foi de certa forma prejudicada por profissionais de marketing que enviam junk mail, em uma prática conhecida como “spamming” (SPAM). PR O PA G A N D A P O R BU SC A D O RE S Como a propaganda tem o objetivo de aumentar as chances de que consumidores prontos tenham um “encontro casual” com seu anúncio (não apenas com qualquer anúncio), sua tarefa como anunciante da Internet é aumentar tais chances. Os links patrocinados que aparecem nas buscas naturais servem magnificamente para alcançar esse objetivo. FONTE: Crescitelli e Shimp (2012, p. 336-349) Acadêmico, é importante lembrar que a área de Comunicação apresenta mudanças constantes, portanto, no momento em que falamos de formatos de publicidade e internet, novos formatos podem estar sendo criados. Dessa forma, é fundamental que os profissionais de Comunicação busquem constantemente atualização no mercado de atuação. 3 VARIÁVEIS FUNDAMENTAIS EM MÍDIA Definir estratégias de Mídia é uma tarefa complexa pois considera a gestão de grande parte dos investimentos de uma campanha. Deste modo, um planejador de mídia deve considerar em suas atividades a análise constante de indicadores, visando trazem um bom retorno sobre os investimentos dessa campanha. E, para isso, existem algumas variáveis que devem ser consideradas: alcance, cobertura, frequência, audiência, Share, CPP, GRP e TRP. 3.1 ALCANCE, COBERTURA E FREQUÊNCIA O alcance e a cobertura são duas variáveis frequentemente confundidas ao se planejar as mídias de uma campanha publicitária. Os termos podem ser muito parecidos, até porque, em alguns casos, a cobertura pode ser um sinônimo de alcance (SISSORS; BARON, 2010). No entanto, suas particularidades são claras. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 106 FIGURA 13 – COBERTURA X ALCANCE FONTE: Adaptado de Sissors e Baron (2010) Como você pode ver, o alcance faz parte da cobertura. O alcance se refere ao número, ou percentual de pessoas que são expostas ao meio de comunicação analisado. Enquanto a cobertura se refere ao percentual que poderia ser impactado pela mídia. Em termos práticos podemos considerar um veículo de TV Aberta que cobre o país inteiro, este veículo tem potencial para cobrir todos os habitantes do país (cobertura), mas, considerando particularidades dos consumidores desta mídia, pode alcançar uma parte reduzida dos habitantes do país (alcance). No entanto, é importante considerar que estamos falando do meio ou veículo e não do próprio anúncio, que pode vir a apresentar um alcance mais baixo ainda, se comparado ao alcance da mídia avaliada. Diversos elementos podem distrair a atenção do público, reduzindo o alcance planejado, como: falta de interesse, uso de outras mídias, interesse em outras atividades etc. Dessa forma, ao falarmos sobre alcance em um plano de mídia, falamos apenas sobre oportunidades de exposição e não da exposição efetiva (KATZ, 2003). Já a frequência em uma campanha de Mídia é denominada como a média de vezes que um indivíduo assistiu à campanha publicitária. Nesse caso, entende- se que algumas pessoas são impactadas apenas uma vez, enquanto outras são impactadas várias vezes. Enquanto o alcance é uma medida de dispersão e informa a amplitude de uma campanha, a frequência é uma medida de repetição e indica quantas vezes o material publicitário foi visto nesta amplitude (SCISSORS E BARON, 2010). Vamos ao exemplo prático a seguir. Imagine que quatro, das seis pessoas a seguir, precisam ser impactadas de maneira agressiva pela campanha X. Neste cenário, precisaremos obter uma frequência de três exibições da campanha publicitária para este público. A mídia planejada em mídia aberta obteve o seguinte. TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 107 QUADRO 10 – ALCANCE, COBERTURA E FREQUÊNCIA FONTE: A autora Como você pôde ver, a mídia planejada tinha uma cobertura potencial de seis pessoas e alcançou apenas quatro pessoas. No entanto, mesmo com o alcance planejado, a campanha conseguiu uma frequência planejada em apenas três indivíduos e não quatro, conforme planejado. Assim, obteve apenas dez exibições nos quatro indivíduos, conseguindo uma frequência de 2,5 exibições por pessoa. 3.2 AUDIÊNCIA E SHARE O Índice de Audiência é um indicador de mídias eletrônicas (rádio e televisão) que traz uma estimativa do público que assistiu a um determinado programa, em relação a todas as outras mídias existentes. Essa estimativa é obtida por meio de pesquisas que utilizam amostras e trazem percentuais de alcance de um veículo, horário e programação, bem como dados sobre o perfi l dos públicos impactados pela programação. Dessa forma, a audiência considera a participação de um veículo em relação a todas as outras mídias existentes (SISSORS; BUMBA, 2003). Já o Share é uma variável que traz uma estimativa do público que assistiu a um determinado programa, em relação a todos os televisores ligados. Dessa maneira, o Share contribui para identifi car quais são os programas ou veículos com maior participação, entre o próprio meio (SISSORS; BUMBA, 2003). Para compreender melhor, veja o esquema a seguir. Imagine que precisamos medir a audiência e o Share em um público de cinco pessoas, sendo que cada pessoa consome apenas um meio/veículo específi co. UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 108 PÚBLICO PESSOA 1 PESSOA 2 PESSOA 3 PESSOA 4 PESSOA 5 MEIO CONSUMIDO RÁDIO TV TV TV RÁDIO VEÍCULO CONSUMIDO JOVEM PAN BAND BAND REDE GLOBO RÁDIO CBN SHARE 33,33% 33,33% 33,33% TOTAL DE 100% DE SHARE AUDIÊNCIA 20% 20% 20% 20% 20% TOTAL DE 100 % DA AUDIÊNCIA QUADRO 11 – AUDIÊNCIA X SHARE FONTE: A autora Perceba que, conforme o exemplo apresentado, as duas emissoras de televisão indicadas apresentam índices de audiência específicos. A Band, que alcançou dois televisores dos três ligados, acumulou o total de 66,66% de Share e 40% de audiência, enquanto a Globo obteve somente 33,33% do Share e 20% da audiência pois alcançou apenas um televisor ligado. 3.3 CPP, GRP E TRP Existem diversos indicadores de mídia que contribuem para medir a eficácia de uma programação de televisão. Estes indicadores servem para mensurar a qualidade de uma programação e, também, o custo desta programação. Somente dessa forma os profissionais de mídia conseguem trazer evidências para manter ou alterar um planejamento realizado. Para que possamos compreender esta realidade, vamos entender os conceitos com base na programação hipotética a seguir. QUADRO 12 – SIMULAÇÃO DE INDICADORES DE MÍDIA Programa Frequência Custo Pontos de Audiência Bruta Pontos de Audiência na Classe C GRP BRUTO TRP (Classe C) CPP Programa 1 1 $ 100 50 10 50 10 2 Programa 2 2 $ 60 25 25 50 50 2,4 FONTE: Globo (2015, p. 13) • Custo por Ponto (GPP) O CPP, ou Custo por Ponto, é uma forma de comparar programações de mídia. O indicador calcula o custo para cada ponto de audiência em um planejamento realizado (KATZ, 2003). O Cálculo do CPP é realizado considerando: TÓPICO 2 | CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA 109 Como você pode ver na simulação apresentada, temos dois programas com custos eaudiências específi cos. Nesta realidade, podemos compreender que o Programa 1 apresenta um custo por inserção maior e uma audiência considerável. Se o planejador de mídia focasse sua análise apenas no custo da inserção, perceberia que este programa é mais caro que o Programa 2. No entanto, ao avaliar o CPP, que analisa o custo em relação à audiência, o planejador verifi caria que este programa apresenta um custo benefício melhor, pois seu CPP é de 2, em relação ao CPP do Programa 2, que é 2,4. • GRP (Gross Rating Points) e TRP (Taget Rating Points) O GRP é um indicador que busca evidenciar o peso de uma programação de mídia, considerando a audiência e frequência. Por meio desses indicadores a força de uma programação pode ser obtida de maneira que possa trazer subsídios para uma análise sobre o investimento de uma programação (KATZ, 2003). O GRP pode ser usado para medir a efi cácia de várias programações para que se possa fazer escolhas e, ainda, medir programação de uma semana, um mês ou até um ano. Seu cálculo é realizado considerando: No exemplo que você viu, temos dois programas com preços e audiências específi cas, no entanto, mesmo apresentando características específi cas, estes dois programas apresentam a mesma forma, ou seja, apresentam o mesmo GRP. Neste cenário de indicadores de força de uma programação, podemos citar ainda o TRP (Target Rating Points). Este indicador é usado por planejadores que buscam identifi car a força de uma programação em um grupo específi co. Dessa forma, como variável de audiência, deve ser considerada a audiência no grupo específi co de interesse no planejamento de Mídia, como por exemplo: 110 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Meios de comunicação são representados pelos canais em que as mensagens são transmitidas, como televisão, rádio, internet. • Veículos de comunicação são organizações, que apresentam CNPJ e transmitem a mensagem, como: Rede Globo, Rádio CBN etc. • Os meios de comunicação apresentam particularidades e devem ser compreendidos de maneira específica, nas estratégias. • Alcance diz respeito ao público pelo qual a campanha é apresentada. • Cobertura diz respeito ao público potencial da campanha. • Frequência é a média de vezes que um indivíduo assistiu à campanha publicitária. • Audiência é um indicador de mídias eletrônicas (rádio e televisão) que traz uma estimativa do público que assistiu a um determinado programa, em relação a todas as outras mídias existentes. • Share é uma variável que traz uma estimativa do público que assistiu a um determinado programa, em relação a todos os televisores ligados. • Alguns indicadores contribuem para medir o custo benefício de uma mídia, como CPP, GRP e TRP. • O CPP, ou Custo por Ponto, é uma forma de comparar programações de mídia. O indicador calcula o custo para cada ponto de audiência em um planejamento realizado. • O GRP é um indicador que busca evidenciar o peso de uma programação de mídia, considerando a audiência e frequência. • O TRP é um indicador usado por planejadores que buscam identificar a força de uma programação em um grupo específico. 111 AUTOATIVIDADE 1 Meios e veículos são denominações fundamentais no campo de Mídia e que devem ser compreendidas para que as estratégias possam ser desenvolvidas. Na listagem a seguir, você pode ver uma série de meios e veículos, organizados de maneira aleatória. Para organizá-los, sinalize M para meio e V para veículo. ( ) Rádio. ( ) SBT. ( ) Jornal Extra. ( ) Internet. ( ) Televisão. ( ) Mídia Exterior. ( ) Folha da São Paulo. ( ) Rádio Globo. 2 Um profissional de mídia deve dominar o cálculo de indicadores que contribuem para medir o custo benefício de uma campanha. Neste cenário, indicadores como CPP, GRP e TRP são essenciais. Desta forma, relacione os conceitos a seguir. GRP CPP TRP O ________ é uma forma de comparar programações de mídia. O indicador calcula o custo para cada ponto de audiência em um planejamento realizado. O ________ é um indicador que busca evidenciar o peso de uma programação de mídia, considerando a audiência e frequência. O ________ é um indicador usado por planejadores que buscam identificar a força de uma programação em um grupo específico. 3 A compreensão da amplitude de uma campanha é um dos pré-requisitos para determinar estratégias de mídia em um mercado de atuação. Para isso, elementos como cobertura, alcance e frequência devem ser apresentados e, portanto, compreendidos. De acordo com o que você viu neste tópico, qual é o conceito de alcance? a) ( ) Diz respeito ao público potencial da campanha. b) ( ) É a média de vezes que um indivíduo assistiu à campanha publicitária. c) ( ) É um indicador de mídias eletrônicas (rádio e televisão) que traz uma estimativa do público que assistiu a um determinado programa, em relação a todas as outras mídias existentes. d) ( ) Diz respeito ao público pelo qual a campanha é apresentada. e) ( ) É uma variável que traz uma estimativa do público que assistiu a um determinado programa, em relação a todos os televisores ligados. 112 113 TÓPICO 3 ESTRATÉGIAS DE MÍDIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste último tópico, veremos que existem algumas decisões fundamentais em uma programação de mídia, como a defi nição da exibição da mensagem em períodos específi cos defi nida como timing de campanha. Entenderá, também, que a distribuição de investimentos de mídia pode considerar importantes elementos do cenário de mercado, e que um planejamento de mídia depende de um roteiro preliminar. 2 DEFINIÇÃO DO TIMING DE UMA CAMPANHA A defi nição de cronogramas em uma campanha publicitária é peça fundamental na garantia de resultados. Uma programação com excesso de inserções publicitárias pode ser boa para uma marca e ruim para a outra. Dessa forma, é importante que o planejamento de mídia atenda a particularidades tanto no perfi l, quanto na forma de inserir a mensagem durante o período de uma campanha publicitária. Um aspecto importante em um planejamento de mídia é a defi nição do timing, em que são defi nidos os fl uxos de exibição da mensagem em todos os meios de comunicação da campanha, durante certo período de tempo, podendo ocorrer de três maneiras distintas: continuidade, fl ighting e pulsing. QUADRO 13 – CONTINUIDADE FONTE: Adaptado de Sissors e Baron (2010) 114 UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA Na “continuidade”, temos um padrão contínuo, em que uma mensagem poderia ser exibida, por exemplo, durante 365 dias no ano. “A continuidade é necessária quando um anunciante tem uma mensagem que não deseja que os consumidores esqueçam. A publicidade contínua funciona como um lembrete, mantendo a mensagem sempre diante do consumidor” (SISSORS; BARON, 2010, p. 234). Dentre as vantagens da continuidade, é possível elencar (SISSORS; BARON, 2010, p. 234): • Cobertura do Ciclo de Compra: Ela cobre todo o ciclo de compra, porque não haverá brechas no tempo. Isso assegura ao planejador que a maioria dos clientes é alcançada o tempo todo, tanto quando eles estarão comprando quanto em momentos em que eles podem não estar comprando. • Possibilidade de negociação com veículos: Permite que o anunciante aproveite os descontos de mídia maiores concedidos quando tanta publicidade é comprada. Esses descontos proporcionam efi ciência de custo, porque o custo por meta atingida tenderá a ser menor do que nos planos que não contêm esses descontos. Além disso, o anunciante terá uma vantagem em obter certos tipos de posicionamento desejável na mídia. QUADRO 14 – FLIGHTING FONTE: Adaptado de Sissors e Baron (2010) Flighting é um padrão intermitente com intervalos de tempo sem publicidade pelo anunciante. Neste caso, existem altas concentrações de publicidade em determinados períodos, intercalados por momentos curtos sem presença do anunciante, chamados hiatos. Este tipo de estratégia é utilizado quando existemlimitações de orçamento ou fl utuações nas vendas, em que o anunciante anuncia apenas em momentos necessários de vendas. Isso permite que o anunciante possa economizar investimentos (SISSORS; BARON, 2010). Dentre as vantagens destra estratégia, é possível elencar (SISSORS; BARON, 2010, p. 235): • Permite que o anunciante atenda melhor à concorrência, colocando a publicidade nos horários mais favoráveis em relação à concorrência. • A publicidade pode se concentrar em períodos de alto potencial de vendas, seja no tempo de transmissão ou no espaço de impressão. • A publicidade pode ser programada precisamente para atingir os melhores períodos do ciclo de compra com pouco desperdício quando a compra é lenta. TÓPICO 3 | ESTRATÉGIAS DE MÍDIA 115 QUADRO 15 – PULSING FONTE: Adaptado de Sissors e Baron (2010) O pulsing é uma mistura de continuidade e fl ighting, em que há uma continuidade de mídia em alguns meios e concentrações de mídia em outros meios, fazendo com que a programação seja regular com pulsos adicionais à programação. Esta estratégia é recomendada para campanhas de produtos vendidos no ano inteiro, mas com concentrações mais pesadas de vendas em alguns períodos (SISSORS; BARON, 2010). 3 ANÁLISE E ALOCAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM MÍDIA A partir do momento em que o orçamento de publicidade foi defi nido, ele deve ser dividido de maneira estratégica, considerando algumas particularidades da organização. Esta divisão compreende a alocação dos investimentos de acordo com meios, praças ou períodos específi cos (SISSORS; BARON, 2010). Veja os exemplos a seguir: • Exemplo 1 – marca de Produtos infantis, com distribuição de produtos nos estados do RJ, ES, SP e MG: ○ Marca defi ne que 80% da sua verba será direcionada para meios e veículos das capitais, onde há maior potencial de compra. Os 20% restantes serão distribuídos nas demais cidades. • Exemplo 2 – marca de roupas para adolescentes, com distribuição de produtos nacional por e-commerce: ○ Marca defi ne que 60% da sua verba será direcionada para Internet, para atrair o público potencial para o E-commerce. Os demais 40% serão utilizados em televisão aberta, com o intuito de gerar credibilidade à marca. • Exemplo 3 – marca local de loja com produtos natalinos, com atuação na cidade de Blumenau/SC: ○ Marca defi ne que 50% da sua verba será dirigida para publicidade entre janeiro e setembro para reforço de marca. Os demais 50% serão utilizados nos meses de outubro a dezembro, de maneira que atraia o público para a loja. Essa defi nição estratégica é fundamental para garantir as etapas seguintes de defi nição de cronogramas. A partir destas diretrizes, programações e negociações serão possíveis de acordo com as necessidades apresentadas. 116 UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA 4 ROTEIRO DE UM PLANO DE MÍDIA O roteiro de um plano de mídia, assim como no planejamento de comunicação, deve considerar elementos de análise de cenário, defi nição de estratégias e questões operacionais. Paulo Tamanaha (2013), autor de diversos livros na área de mídia e publicitário que atuou por diversos anos na agência de Publicidade DPZ, propõe um roteiro de Plano de Mídia que pode ser seguido. Perceba, em sua leitura, que diversos pontos desse roteiro dizem respeito aos elementos que vimos durante esta Unidade de estudos. FIGURA 14 – ETAPAS DO PLANEJAMENTO DE MÍDIA FONTE: Adaptado de Tamanaha (2013) • Parte 1 – informações básicas recebidas pelo cliente: nesta etapa devem ser consideradas as informações recebidas em um Briefi ng com o cliente. São informações essenciais como situação do mercado, concorrência, estratégias de marketing e comunicação que podem impactar no planejamento de mídia. Ainda, são esperadas informações operacionais e táticas da campanha como período de veiculação, regiões que devem ser impactadas (e quais devem ser priorizadas), verba disponível para a mídia e perfi l do público (socioeconômico e psicográfi co). FIGURA 15 – PARTE 1 FONTE: Adaptado de Tamanaha (2013) TÓPICO 3 | ESTRATÉGIAS DE MÍDIA 117 • Parte 2 – defi nição dos objetivos: neste momento, considerando a análise do cenário apresentada anteriormente, é possível defi nir os objetivos que nortearão as estratégias de mídia. Assim, são esperadas as defi nições sobre variáveis quantitativas, que representam quantidade de pessoas que se pretende atingir, frequência média que deve apresentar a campanha e continuidade da campanha durante o período da campanha e, após seu término. FIGURA 16 – PARTE 2 FONTE: Adaptado de Tamanaha (2013) • Parte 3 – defi nição das estratégias de mídia: a defi nição das estratégias considera a escolha dos meios de comunicação que sejam adequados à campanha. Neste momento devem ser avaliados como os meios podem atender aos objetivos de Marketing e Comunicação. Ainda, devem ser analisados de maneira que possam atender aos objetivos de Mídia, relacionados a alcance e frequência. Elementos qualitativos também devem ser considerados, como a escolha do meio mais adequado à campanha publicitária de acordo com a criação das peças. E, por fi m, deve ser considerado como ocorrerá a integração dos meios, ou seja, se um meio deverá ter o maior esforço de mídia, ou se deve haver distribuição semelhante em todos os meios. 118 UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA • Parte 4 – defi nição do cronograma de veiculação: nesta parte de um planejamento, devem ser distribuídos os meios de acordo com o período da campanha, apontando a responsabilidade de cada meio em um cronograma de veiculação, como você pode ver no exemplo a seguir. QUADRO 16 – CRONOGRAMA DE VEICULAÇÃO MEIOS CRONOGRAMA DE VEÍCULAÇÃO Objetivo Jan Fev Mar Abr Mai Jun Televisão Básico x x x x x x Rádio Complementar x x Internet Reforço x x x x Revista Complementar x FONTE: A autora • Parte 5 – defi nição da tática de veiculação: esta etapa diz respeito a uma consequência da etapa anterior, em que são detalhadas as particularidades da programação de cada meio, considerando cronogramas detalhados da programação (dias e formatos específi cos) e análises de rentabilidade (audiência, Share, CPP, GRP e TRP). Esta é uma importante etapa que contribui para a execução da compra dos espaços de acordo com as particularidades detalhadas. Veja um exemplo a seguir, que demonstra uma pequena programação em um meio de comunicação apenas. FIGURA 17 – PARTE 3 FONTE: Adaptado de Tamanaha (2013) TÓPICO 3 | ESTRATÉGIAS DE MÍDIA 119 Ainda, é importante que nesta etapa sejam apresentados detalhamentos de todos os meios contemplados na campanha, bem como resumos de investimentos em todos os meios, de maneira que o anunciante esteja ciente da distribuição de sua verba publicitária. • Parte 6 – apresentação dos elementos de apoio: por fi m, devem ser apresentadas informações adicionais, que dão embasamento aos elementos já apresentado, seja na apresentação da situação inicial ou demais etapas. Informações como dados de pesquisa, propostas de patrocínio detalhadas que foram consideradas e já apresentadas brevemente na programação de veiculação e negociações especiais com os veículos de comunicação considerados. Esta etapa tem como objetivo apresentar informações que não foram aprofundadas em etapas anteriores, mas são fundamentais para a compreensão do planejamento de mídia como um todo. Legenda: S (Segunda), T (Terça), Q (Quarta), Q (Quinta), S (Sexta), S (Sábado), D (Domingo) FONTE: A autora TABELA 1 – PROGRAMAÇÃO DE VEICULAÇÃO 120 UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA LEITURA COMPLEMENTAR A DONA DO PEDAÇO (E DO MERCHANDISING) Bárbara Sacchitiello Trama da Globo explora diferentes formatos comerciais e faz emissora flexibilizar regras em relação ao envolvimento de personagens e marcas Uma cena exibida nesta semana na novela A Dona do Pedaço chamou a atenção dos espectadores e de quem comentava a novela nas redes sociais. Com a participação do personagem Rock, interpretado pelo ator Caio Castro, aGlobo exibiu um comercial da Casas Bahia dentro de uma cena da novela, com direito às vinhetas que separam o break do conteúdo da programação. No capítulo, que foi ao ar na segunda-feira, 7, o personagem comentou que precisava de um novo celular para poder usar as redes sociais de forma mais assídua. Após receber uma indicação de Maria da Paz (personagem de Juliana Paz, que também havia protagonizado uma ação para a rede varejista), Rock segue para uma loja em busca de seu smartphone. Ao entrar no estabelecimento, o personagem descobriu que, naquele momento, estava sendo gravado um comercial da Casas Bahia. Na sequência, Rock foi convidado para participar da gravação publicitária, quando entrou no ar a vinheta do intervalo comercial, emendada já com a participação do personagem, ao lado do garoto-propaganda das Casas Bahia, Fabiano Augusto, comentando sobre as ofertas e preços dos celulares da rede. Após Rock escolher o seu, novamente a vinheta do intervalo comercial apareceu, retornando para a ‘novela’, com o lutador já fazendo seu uso de seu smartphone. A mistura entre conteúdo e comercial não é uma novidade na dramaturgia da Globo, mas ganhou contornos diferentes em A Dona do Pedaço. Antes da trama de Walcyr Carrasco, a emissora restringia aos capítulos da novela a interação dos personagens com marcas e produtos. Não era permitido que um personagem saísse da trama e aparecesse no intervalo comercial, com a mesma roupa e trejeitos da ficção, apresentando uma marca ou produto. TÓPICO 3 | ESTRATÉGIAS DE MÍDIA 121 Os muros que separavam a dramaturgia da área comercial já vinham ganhando porosidade nos últimos anos com algumas ações pontuais em que personagens extrapolaram a tela e ganharam a presença nas redes sociais anunciando produtos ou serviços. Foram os casos das personagens Abigail, de A Força do Querer (que interpretava uma consultora Natura) e Nicácio, de O Outro Lado do Paraíso (que se tornou popular, na trama, ao passar a usar um chip da operadora Claro, ganhando um perfil personalizado no Instagram). O case de A Dona do Pedaço, no entanto, chama a atenção pelo fato de concentrar novos tipos de entregas comerciais. O fato de contar com uma personagem que faz parte do universo das redes sociais (a Vivi Guedes, interpretada por Paolla Oliveira), trouxe a Globo um universo amplo de oportunidades de inclusão de marcas na trama. Assim como acontece na vida real, Vivi Guedes é requisitada para ações publicitárias, tanto nos capítulos da trama como no Instagram (o perfil @estiloviviguedes, atualmente, conta com mais de 1,8 milhão de seguidores). A personagem já apareceu em campanhas da Fiat, Avon e, recentemente, do Globoplay, a plataforma de streaming da emissora. Não apenas com a influenciadora da ficção que a área comercial da Globo viu a possibilidade de experimentar outras entregas publicitárias. Além do caso de Rock com as Casas Bahia, a personagem Maria da Paz também foi utilizada em ações publicitárias que tiveram participação importante no rumo da trama. Relembre, a seguir, algumas ações de merchandising exibidas em A Dona do Pedaço que envolveram as áreas de dramaturgia e comercial de forma mais integrada: Fiat – Vivi Guedes A ação de merchandising da Fiat quebrou paradigmas na emissora. Foi a primeira vez que a Globo usou seus estúdios de dramaturgia para a gravação de um comercial. E, também, foi a primeira vez que um personagem de uma trama (no caso, Vivi Guedes), apareceu no intervalo comercial da Globo nas mais diferentes faixas de programação. 122 UNIDADE 2 | PLANEJAMENTO DE MÍDIA Casas Bahia – Maria da Paz e Rock Antes da ação envolvendo o ator Caio Castro, a rede de varejo já havia entrado no ambiente de A Dona do Pedaço com a ação Casa de Novela – projeto que já havia sido realizado anteriormente pela agência Y&R com a trama Segundo Sol. Em um episódio, a protagonista Maria da Paz visitou uma das lojas da rede para comprar eletrodomésticos e encontrou o garoto-propaganda Fabiano Augusto. Na ocasião, a personagem havia acabado de sofrer um golpe, que a fez perder toda a sua fortuna. A compra na loja, então, representava um recomeço na vida da boleira da ficção. Posteriormente, a ação ganhou continuidade com o comercial protagonizado por Rock. Para complementar a iniciativa, as Casas Bahia também fizeram a exposição de alguns itens que aparecem no cenário da novela em suas lojas. iFood – Maria da Paz Assim que voltou a fazer bolos, a personagem de Juliana Paes rapidamente prosperou e conseguir abrir sua confeitaria. Para agilizar as entregas, Maria da Paz começou utilizar os serviços do iFood. Em alguns capítulos, entregadores exibiram o logo e a cor vermelha da marca ao retirar bolos para a entrega. Como parte da ação, a atriz Juliana Paes também foi contratada para protagonizar as campanhas publicitárias do aplicativo. Fora da trama, a parceria continuou: o iFood começou a oferecer entregas dos bolos da Maria da Paz, em um acordo que também envolveu a marca de doces Sodiê: Stone – Maria da Paz A relação da Globo com a fintech Stone foi mais além do que uma ação de merchandising na trama. A marca apareceu em alguns capítulos da novela, como uma alternativa para facilitar as transações comerciais da loja de bolos da protagonista. Na mesma época, foi anunciado que o Grupo Globo investiu 33% em uma joint venture com a Stone para a comercialização de máquinas de processamento de cartões no Brasil. TÓPICO 3 | ESTRATÉGIAS DE MÍDIA 123 Globoplay – Vivi Guedes e Kim (Monica Iozzi) A ação de merchandising para a plataforma de streaming da Globo envolveu também a trama Bom Sucesso, das 19h, e teve desdobramento em mais de um capítulo. Tudo começou com uma postagem no Instagram de Vivi Guedes, divulgando o aplicativo. No mesmo dia, em A Dona do Pedaço, Kim (Monica Iozzi), agente de Vivi na novela, comentou sobre a nova parceria comercial da influenciadora. Antes disso, personagens de Bom Sucesso também comentaram, em uma cena, sobre o post de Vivi no Instagram. A ação foi concluída nessa segunda-feira, 7, quando a personagem Kim, novamente, falou sobre o Globoplay e comentou sobre o lançamento da série Manifest, cujo episódio de abertura foi exibido na Tela Quente, na sequência. FONTE: SACCHITIELLO, B. A dona do pedaço (e do merchandising). Meio e mensagem, 2019. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2019/10/10/a-dona-do- pedaco-e-do-merchandising.html. Acesso em: 14 abr. 2020. 124 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Uma campanha pode apresentar diferentes fluxos de exibição da mensagem, ou seja, diferentes timings. • Estratégias de continuidade determinam que a campanha será contínua durante um período, sem apresentar pausas. • Estratégias de flighting consideram que existem pausas no período da campanha, ampliando seu período de início e fim que acaba contando com hiatos. • Estratégias de pulsing consideram uma integração entre continuidade e flighting, em que há fluxos contínuos adicionados a fluxos intercalados (pulsados). • A análise e alocação de investimentos em mídia deve considerar fatores estratégicos das marcas, como áreas de cobertura ou perfil. Uma marca, por exemplo, pode direcionar maior percentual de sua verba para regiões com maior participação. • Um plano de mídia, assim como um plano de comunicação, considera a análise do cenário, objetivos e estratégias. • Um plano de mídia conta com seis importantes etapas: parte 1 – informações básicas recebidas pelo cliente; parte 2 – definição dos objetivos; parte 3 – definição das estratégias de mídia; parte 4 – definição do cronograma de veiculação; parte 5 – definição da tática de veiculação, parte 6 – apresentação dos elementos de apoio. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 125 1 Dentre asestratégias de timing de campanha, uma delas considera hiatos entre a exibição da mensagem, garantindo que a campanha seja veiculada por um período maior de tempo, mesmo que com hiatos. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a nomenclatura desta estratégia. a) ( ) Timing out. b) ( ) Pulsing. c) ( ) Flighting. d) ( ) Contínua. e) ( ) Timing in. 2 Um plano de mídia deve contar com diversas etapas. Tais etapas, apresentam particularidades entre si e devem ser elaboradas com atenção, de maneira que possam contribuir para as etapas seguintes. Em uma das etapas são detalhadas as particularidades da programação de cada meio, considerando os cronogramas detalhados da programação (dias e formatos específicos) e análises de rentabilidade (audiência, Share, CPP, GRP e TRP). Qual é esta etapa? a) ( ) Definição das estratégias de mídia. b) ( ) Definição da tática de veiculação. c) ( ) Definição dos objetivos. d) ( ) Apresentação dos elementos de apoio. e) ( ) Informações básicas. 3 A primeira etapa de um planejamento de mídia é focada na análise de cenário, fornecendo subsídios suficientes para as etapas posteriores. Dessa maneira, um bom planejador deve estar atento às informações necessárias desta etapa. Considerando o exposto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, um elemento fundamental a ser apresentado na primeira etapa. a) ( ) Análises de rentabilidade da programação. b) ( ) Situação do mercado. c) ( ) Cronograma de veiculação. d) ( ) Dados de pesquisa. e) ( ) Propostas de patrocínio. AUTOATIVIDADE 126 127 UNIDADE 3 ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • reconhecer as dinâmicas do mercado publicitário; • conhecer as responsabilidades e comportamentos esperados de um profissional de atendimento; • discutir as novas abordagens do atendimento; • desenvolver um modelo de briefing a ser seguido. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – MERCADO PUBLICITÁRIO TÓPICO 2 – ATENDIMENTO AO CLIENTE TÓPICO 3 – BRIEFING Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 128 129 TÓPICO 1 MERCADO PUBLICITÁRIO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Para compreendermos as funções do atendimento em uma campanha de comunicação, precisamos compreender todo o cenário em que este profissional está inserido: o mercado publicitário. Este mercado é altamente complexo e depende de inúmeros agentes que garantem que as campanhas sejam entregues com qualidade, de maneira a atingir os objetivos de Marketing e Comunicação propostos pela organização. Dessa forma, neste primeiro tópico, compreenderemos todas as dinâmicas que representam esse mercado. Primeiramente, compreenderemos as Dinâmicas, em que você compreenderá as particularidades dos principais agentes deste cenário: os anunciantes, os veículos de comunicação e os fornecedores de comunicação. Assim, você compreenderá qual é o impacto que cada agente apresenta em uma campanha e como estão relacionados com os trabalhos de uma agência de comunicação em uma campanha. Após, você conhecerá a estrutura de uma agência de comunicação, que tem por finalidade entregar serviços de comunicação aos anunciantes, de maneira que seus objetivos de negócio sejam atendidos. Nesse momento, você compreenderá que uma agência depende de profissionais que desempenham seus trabalhos em momentos específicos em uma campanha de comunicação, sendo representados por: atendimento, tráfego, criação, produção, mídia e planejamento. Aqui nesta discussão, você será capaz de compreender como algumas funções estão relacionadas com o Planejamento, visto na Unidade 1, e Mídia, vista na Unidade 2 deste livro. Por fim, neste tópico, você verá ainda as formas de remuneração de uma agência. Afinal, para que ela possa ser sustentável financeiramente, é necessário estabelecer critérios de remuneração. Aqui, veremos que existem alguns modelos de remuneração e que cabe às agências e anunciantes estabelecerem os melhores formatos para as suas realidades. Ao todo, veremos os seguintes modelos de remuneração: comissões estabelecidas pela Lei nº 4.680; comissões estabelecidas pela lei com descontos progressivos; fee mensal fixo; markup; remuneração baseada em resultados e participação; remuneração por resultados; fee mensal acrescido de um percentual sobre os resultados e honorários de cláusula de resultados. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 130 Todos esses conteúdos foram pensados de maneira que você possa compreender o cenário em que o atendimento está inserido, pois ele é peça fundamental para garantir o sucesso do cliente em uma campanha de comunicação. 2 DINÂMICAS DO MERCADO PUBLICITÁRIO O mercado publicitário depende de uma série de agentes para funcionar, demonstrando uma complexidade e interdependência entre anunciantes, veículos de comunicação e fornecedores que atuam de maneiras especificas. Todos estes agentes, quando unidos, conseguem entregar grandes campanhas que dialogam com seus públicos e garantem relacionamentos duradouros entre marcas e públicos de interesse. Lupetti (2009) defende que estes agentes são categorizados em Anunciantes, Meios e Fornecedores, sendo que cada um desempenha um importante papel, conforme você pode ver na figura a seguir. FIGURA 1 – INTER-RELAÇÕES ENTRE AGÊNCIAS, FORNECEDORES E MEIOS FONTE: Lupetti (2009, p. 100) TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 131 A figura anterior demonstra que uma agência, que atua no campo da comunicação, está altamente relacionada com os anunciantes, fornecedores e meios. Nesse caso, tanto os anunciantes, quanto fornecedores ou meios, podem se portar de maneiras específicas, conforme veremos nos próximos itens deste tópico. 2.1 ANUNCIANTES O anunciante é definido com toda organização que busca comunicar alguma coisa para um público específico. Atualmente, podemos compreender que os anunciantes podem ser definidos, conforme seu modelo de negócio, que impactará diretamente no seu porte, estrutura interna complexas ou simples. O fato é que não existem modelos de anunciantes que sejam padronizados em nosso mercado e, essa complexidade, exige que as agências conheçam a fundo seus clientes para entregar melhores resultados. O anunciante é concebido como toda organização que possui a necessidade de comunicar alguma coisa para o público. Há no mercado empresas anunciantes dos mais diversos tipos, tamanhos e estruturas, desde pequenas empresas, grandes conglomerados multinacionais, até empresas sem fins lucrativos e órgãos governamentais como empresas públicas e mistas. Entre elas encontram-se as empresas com estruturas organizacionais diferentes, por vezes simples, por vezes complexas e sofisticadas. Há ainda aquelas que trabalham com bens de consumo, serviços, bens industriais, intermediários, entretenimento, as associações e o governo (LUPETTI, 2009, p. 89). Neste cenário, perceba que os clientes podem ser muito diferentes entre si, demandando, assim, serviços específicos. As agências de comunicação, neste contexto, contribuem para estes negócios oferecendo seus serviços para divulgar serviços, produtos ou marcas, por meio de mídias tradicionais, materiais promocionais em ponto de venda, eventos ou veículos dirigidos (LUPETTI, 2009). Além da complexidade dos anunciantes, que exige um profundo conhecimento pelas agências, vemos esta complexidade migrando, também, para as estratégias de comunicação adotadas por estes anunciantes. Se até a década de 50 vivíamos um momento de massificação da comunicação, hoje vemos as estratégias de comunicação muito mais personalizadas (LUPETTI, 2009; GALINDO, 2008). Como afirma Don Peppers, houve um momentoem que as empresas se especializaram em determinados segmentos e procuravam vender um serviço único para um maior número de clientes possível. Hoje o marketing se volta à individualização e as empresas passam a vender vários serviços para um único cliente. Em uma agência de comunicação, esse conceito se aplica perfeitamente, porém é preciso, antes de tudo, conhecer e entender a empresa anunciante, seu cliente (LUPETTI, 2009, p. 89). UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 132 Como você pode ver na citação de Lupetti (2009), a personalização das ações passa a ser uma exigência para se estabelecer relacionamentos com consumidores. Logo, se os anunciantes são pressionados a diversificar suas ações de comunicação, as agências passam a ser pressionadas a oferecer estes serviços aos anunciantes. Nesse caso, as novas exigências do consumidor, que busca cada vez mais personalização em seus diálogos, exige cada vez mais diversificação dos seus serviços às agências. 2.2 MEIOS E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO Você já viu na Unidade 2 deste livro, que os Meios de Comunicação dizem respeito aos canais em que a mensagem será transmitida até chegar ao seu receptor, ou seja, o público da campanha. No entanto, ao abordar as dinâmicas do mercado publicitário, devemos direcionar o nosso olhar aos meios ou veículos de comunicação como instituições que oferecem serviços aos anunciantes e agências, de maneira a potencializar seus negócios. Os veículos, como já vimos, são instituições que disponibilizam seus espaços para exibição de mensagem de anunciantes, em troca de alguma remuneração. Esta relação comercial entre anunciantes e veículos de comunicação é fundamental para garantir o reconhecimento das marcas e a sustentabilidade financeira dos veículos, conforme aponta Sampaio (1999, p. 82 e 83). Há veículos que são inteiramente subsidiados pela propaganda, como as emissoras comerciais de televisão e rádio, listas telefônicas e guias, revisas e jornais dirigidos e de distribuição gratuita, outdoor e mala-direta. Existem veículos cuja receita é proveniente, em parte, de sua venda aos consumidores e, em parte, da propaganda como a maioria dos jornas, revistas e o cinema. E, por fim, existem veículos que não percebem grandes receitas da propaganda, embora sejam eventualmente utilizados para disseminação de mensagens publicitárias de caráter comunicativo (não comerciais), como as emissoras educativas de televisão e rádio, mantidas pelo governo ou fundações sem finalidade lucrativa. Dessa forma, os veículos, anunciantes e agências são totalmente interdependentes para que alcancem sucesso em seus negócios. Durante o desenvolvimento de uma campanha publicitária, por exemplo, é comum que haja o envolvimento direto desses três agentes para o desenvolvimento de um projeto diferenciado que possam gerar visibilidade para o anunciante e receita para o veículo de comunicação. Perceba então, que os veículos são parceiros que devem estar constantemente próximos às agências. Os profissionais que atuam nos veículos, responsáveis pela proximidade com as agências são denominados contatos publicitários, gerentes ou diretores comerciais em atividades que auxiliem as agências no planejamento de mídia e execução da compra da mídia aprovada pelos anunciantes (SAMPAIO, 1999). Dentre todas as suas atividades, podemos elencar algumas principais conforme você pode ver na figura a seguir. TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 133 FIGURA 2 – FUNÇÕES DO CONTATO PUBLICITÁRIO FONTE: Adaptado de Sampaio (1999) Como você pode ver, a atuação dos contatos publicitários se refere às questões analíticas sobre o uso do seu veículo ou meio de comunicação de maneira que contribua para comercializar o espaço publicitário, e assim, garantir a sustentabilidade do veículo de comunicação que representa. Globo integra comercial e cria divisões por segmentos Em mais uma etapa do projeto Uma Só Globo, que visa unifi car todas as marcas da empresa em uma única estrutura, a Globo anunciou a unifi cação de toda a sua área comercial. Na prática, a emissora não irá mais comercializar, de forma isolada, espaços para anúncios na TV aberta, nos canais Globosat ou no Globplay. Toda o pilar de publicidade será integrado para que as negociações com anunciantes contemplem todas as plataformas. Para complementar a mudança, a Globo também cria uma nova divisão em sua estrutura comercial, baseada no segmento dos anunciantes. As equipes da emissora serão estruturadas em núcleos para o atendimento e desenvolvimento de projetos das marcas de Serviços & Telecom, Bens de Consumo, Financeiro & Auto, Comércio e Governo. Segundo a Globo, esse novo formato, que passa a valer a partir de 1o de fevereiro, “será pautado pela inteligência de mercado, aliada ao desenvolvimento de produtos e soluções que atendam às estratégias de negócios e de comunicação dos clientes, em projetos desenhados em parceria com suas agências”, como diz a emissora, em nota. IMPORTANT E UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 134 Eduardo Schaeffer, diretor de negócios integrados em publicidade da Globo, explica que “o modelo tem como objetivo fortalecer a relação com todos os agentes do mercado publicitário, reforçando o vigor do ecossistema e contribuindo para que ele se mantenha robusto e capaz de gerar valor para todos os envolvidos”. O executivo ainda diz que a busca pela eficiência nos projetos de publicidade passa pela compreensão dos desafios dos mercados anunciantes e que a Globo está empenhada em entendê-los com mais profundidade. A Globo também criará uma frente exclusiva de atendimento voltada às agências, cuja proposta será discutir novas oportunidades de negócios e estratégias para marcas. Desde janeiro deste ano, a Globo vem aplicando o projeto de atuar como uma única empresa, que abriga as operações de TV aberta (Globo), T paga (Globosat), digital (globo. com) e streaming (Globoplay). FONTE: <https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2020/01/28/globo-integra-comercial-e- cria-divisoes-por-segmentos.html>. Acesso em: 16 abr. 2020. 2.3 FORNECEDORES Você viu até aqui que existem relações próximas entre agência, anunciante e veículo de comunicação, que garantirá resultados positivos para todos estes agentes. Pare para pensar: Será que esses agentes são suficientes para garantir que você, enquanto consumidor, assista ao VT do anunciante X no veículo Y? A resposta é: não. Existem diversos fornecedores que contribuem para garantir que um material seja produzido e entregue ao veículo de comunicação, ou até mesmo, disponibilizado em um ponto de venda do anunciante conforme aponta Lupetti (2009, p. 103). Quem assiste a um comercial de TV não imagina quantas pessoas e empresas estão envolvidas na realização de um filme de apenas 30 segundos. Os mais conhecidos são os criativos da agência, mas com eles estão uma série de fornecedores de serviços: as gráficas, os birôs, os fotógrafos, as agências de modelos, as produtoras de áudio e vídeo, os institutos de pesquisa, as montadoras de estandes, os fornecedores de brindes e muitos outros. Esses fornecedores entregam seus serviços de maneira a contribuir com os resultados de uma campanha publicitaria desenvolvida pela agência. Vamos ver alguns exemplos de fornecedores? Veja o quadro a seguir! QUADRO 1 – FORNECEDORES DE COMUNICAÇÃO Fornecedor O que fazem? Fornecedores gráficos Oferecem serviços de impressão seja de materiais em grande escala como fôlderes e flyers ou materiais de maior porte para eventos ou ponto de venda, como banners, adesivos e placas. TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 135 Fotógrafos O trabalho dos fotógrafos envolve a seleção dos modelos, das cenas, dos cenários a serem fotografados, do figurino, dos objetos de decoração e de extensa série de aspectos visuais que influenciam nesse trabalho. Na realização das tarefas, o fotógrafo conta com um constante acompanhamento do diretor de arte da agência. Ilustradores O trabalho dos ilustradorestem alguma semelhança com um dos fotógrafos, mas possui suas particularidades também. É a criação que chama ilustradores, solicita algum tipo de arte com base no layout e algumas referências. Pede ao ilustrador que forneça uma mancha de seu trabalho, ou seja, uma espécie de rascunho do que fará. Institutos de Pesquisa Estes fornecedores são responsáveis pelo planejamento realização e análise de pesquisas. Muitas pesquisas limitam- se ao fornecimento de dados brutos que serão interpretados pelo usuário da pesquisa – agência ou anunciante. Outras pesquisas fornecem os dados levantados mais uma certa gama de interpretações de recomendações. Produtoras de Áudio São fornecedores que atuam no desenvolvimento de materiais sonos com finalidades publicitárias. Em parceria com o setor criativo da agência, desenvolvem materiais como jingles, spots, trilhas especiais etc. Produtoras de Vídeo São empresas realizadoras dos filmes publicitários que reúnem uma equipe de profissionais e uma certa estrutura para produzir efetivamente as peças para o cinema, televisão e internet criadas pelas agências e, às vezes, até pelos anunciantes. Desenvolvedores de Web e Web designers São fornecedores de serviços para internet, envolvendo planejamento, desenvolvimento e layout de um site ou aplicativo. FONTE: Adaptado de Sampaio (1999) e Lupetti (2009) As variadas tarefas desempenhadas por uma agência de comunicação em uma campanha dependem de diversos fornecedores, como você pode ver no quadro. Assim como a agência, que desempenha o papel de planejar, criar e entregar uma campanha em diversos veículos de comunicação, muitos fornecedores atuam diretamente na criação e até na produção do material que será veiculado. Nesse caso, é fundamental que haja uma integração no trabalho desempenhado, de maneira a otimizar os investimentos do anunciante. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 136 3 ESTRUTURA DE UMA AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Entregar os serviços de comunicação de uma agência depende de uma divisão clara de atividades, denominadas nas funções de uma agência. Tradicionalmente a estrutura de uma agência é organizada conforme departamentos que entregam serviços específicos nas etapas de um planejamento de comunicação. Ao abordar, por exemplo, o processo de desenvolvimento de uma campanha, podemos compreender as responsabilidades dos envolvidos, conforme apresentado a seguir. FIGURA 3 – PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE CAMPANHA FONTE: Lupetti (2009, p.109) TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 137 Perceba que, nesse processo, diversas áreas são envolvidas em diversos momentos do processo. Isso demonstra que as áreas propostas, como atendimento, planejamento, criação, produção e mídia, são responsáveis por atividades desde a concepção de uma campanha até a entrega da mesma. Como essas áreas são compostas na estrutura de uma agência? Bom, a visão clássica nos traz que os departamentos de uma agência de comunicação são organizados conforme suas atividades desempenhas. Assim, cada função é departamentalizada, conforme apresentado na fi gura a seguir. FIGURA 4 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL FONTE: Adaptado de Lupetti (2009) O organograma apresenta de que maneira as áreas são compostas, considerando que cada área desempenha um importante papel em uma campanha de comunicação. É importante salientar que as áreas não atuam de maneira isolada e são totalmente interdependentes no desenvolvimento e execução das estratégias. Ainda, é válido ressaltar que cada agência pode se organizar de maneira distinta conforme seus modelos de negócios e clientes atendidos. Em algumas agências, por exemplo, são criados núcleos de atuação a um cliente específi co, agrupando áreas, como criação, mídia e produção, em um só núcleo que desenvolve atividades a apenas um cliente ou um grupo de clientes. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 138 Todas iguais? Apesar da efervescência no setor e do surgimento de novos modelos operacionais, grandes agências continuam sobrevivendo da remuneração atrelada à compra de mídia. São notáveis as grandes transformações vividas pelo mercado de agências de publicidade nos últimos tempos. De maneira geral, o trabalho necessário para atrair o público mais disperso e atender os objetivos de comunicação e negócios mais rígidos das marcas ficou muito mais complexo. O ferramental disponível para embasar estratégias, desenvolvê-las, acompanhar execuções e comprovar resultados se multiplicou. Paradoxalmente, diminuíram a remuneração das agências e os salários e bônus pagos a funcionários e acionistas. O ambiente inóspito fez sucumbir num espaço de menos de um ano duas das marcas mais emblemáticas da publicidade brasileira: DM9 e F/Nazca. Apesar da efervescência do setor, da capacidade de adaptação de algumas grandes empresas e da chegada de players já conectados com a nova realidade, há aspectos na atuação das agências de publicidade que se mantêm muito parecidos há décadas. Embora diversos novos modelos organizacionais convivam no mercado brasileiro e novas propostas mais arejadas surjam constantemente, os quatro pilares internos de sustentação dessas empresas continuam sendo os mesmos: criação/conteúdo, planejamento/ estratégia, atendimento/novos negócios e mídia/canais. As nomenclaturas mudam de um lugar para outro, em alguns com mais sinergia, em outros com menos, mas é raro uma grande estrutura que fuja deste padrão. Quase todas as agências líderes abriram, por exemplo, espaços para dados e performance nos últimos anos, em alguns casos com muita competência, mas mesmo essas novas áreas acabam acopladas às já existentes. FONTE: <https://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2020/02/17/todas-iguais. html>. Acesso em: 16 abr. 2020. IMPORTANT E 3.1 ATENDIMENTO O profissional de atendimento em uma agência é responsável por ser o interlocutor em dois aspectos. Primeiramente, é o interlocutor do cliente na agência, tomando as decisões sobre o desenvolvimento das campanhas, orientando as equipes da agência quanto às particularidades do cliente. Da mesma maneira, esse profissional se coloca como interlocutor da agência no cliente, participando das reuniões sobre novos produtos ou marcas. Neste ponto, o atendimento dialoga com os clientes a respeito do que sua agência pode desenvolver, negociando projetos, prazos e entregas (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). Para ter bom atendimento, é preciso ser profundo conhecedor das téc- nicas de comunicação e saber como, quando e onde aplicá-las. É pre- ciso possuir amplo conhecimento do mercado em que os seus clientes atuam, assim como as empresas de seus clientes. O que uma empresa anunciante espera de uma agência deve ser percebido, entendido e incorporado pelo atendimento. Ele é, segundo Longo, uma espécie de Thinker, Doer, e Fallow Upper. (Thinker: um ser que tem capacidade de pensar, planejar, decidir, tomar decisões e criar soluções. Doer: Tem de ser capaz de fazer as coisas acontecerem; e Follow Upper: deve ser capaz de administrar, controlar e revisar) (LUPETTI, 2009, p. 33-34). TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 139 Perceba que, de maneira geral, conforme apontado por Lupett i (2009), esse profi ssional deve exercer funções relacionadas ao pensar, fazer e controlar, envolvendo todos os processos de uma campanha e, consequentemente, todos os profi ssionais envolvidos no planejamento desta, seja no cliente ou na agência. Dessa forma, existem diversas atividades que são de responsabilidade do atendimento, conforme você pode ver na fi gura a seguir. FIGURA 5 – FUNÇÕES DO ATENDIMENTO FONTE: Adaptado de Lupetti (2009) Essas atividades são fundamentais para garantir que os serviços sejam entregues da melhor maneira aos clientes garantindo assim, que seus objetivos sejam atingidos. Além destas funções, é fundamental que um bom atendimento esteja a par de questões operacionais do mercado publicitário como formas de remuneração de uma agência de comunicação, leis e regulamentosque regem o mercado. Ainda, é necessário que saiba prospectar novos clientes e estabelecer bons relacionamentos com os clientes existentes, sabendo negociar valores, demandas e prioridades. Todas essas particularidades você verá nos tópicos a seguir, que estão focados nos processos de trabalho e necessidades básicas de um bom profi ssional de atendimento. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 140 3.2 TRÁFEGO Os profissionais responsáveis pelo Tráfego em uma agência (e assim denominados) são responsáveis pelo controle de “Pedidos Internos de Trabalhos” (PIT ou JOB). Sua função é próxima ao atendimento, realizando atividades internas e controlando demandas, de maneira que os prazos sejam entregues, conforme o acordado entre atendimento e cliente. Dessa forma, o profissional de tráfego acompanha as demandas, negociando prioridades entre as atividades a serem realizadas. Este profissional também é responsável por sinalizar trabalhos finalizados, de maneira que possam ser faturados pela agência, conforme apontam Sant’anna, Júnior e Garcia (2002, p. 269): Quando o serviço está terminado o encarregado de tráfego exige um visto do chefe de grupo e encaminha toda a documentação aos serviços de contabilidade quer com sua indicação de “pronto para faturar” ou com a indicação de “lucros e perdas” necessitando, neste caso, da aprovação da direção geral. O tráfego deve ter suficiente autoridade e firmeza para assumir o papel ingrato de fiscal, e diplomacia bastante para resolver pelo melhor, sem recorrer demasiadamente à autoridade superior, os conflitos suscetíveis de surgir entre os diversos serviços, do ponto de vista da execução dos trabalhos. Dependendo do porte da agência, as atividades deste profissional podem ser integradas às atividades do atendimento. Portanto, é uma função necessária, porém não obrigatória, dependendo da estrutura em questão. 3.3 CRIAÇÃO Por muito tempo esta área foi a mais cobiçada entre os estudantes de comunicação, com foco em publicidade. Pode-se dizer que é a área mais cobiçada, visto que a lembrança de uma campanha, muitas vezes, está atrelada à ideia criativa de uma campanha que, por sua vez, é de responsabilidade deste setor. Conforme já vimos até aqui, esta área é composta por profissionais representados pelo diretor de criação, diretor de arte, redator e arte-finalista. Todas estas funções apresentam contribuições essenciais para uma campanha publicitária e devem ser valorizadas de maneira específica conforme suas entregas. O que de fato faz cada profissional? • Diretor de criação: o diretor de criação é responsável pela gestão da equipe de criação, dirigindo os trabalhos de acordo com as capacidades criativas dos profissionais. Este profissional tem a responsabilidade de orientar a equipe criativa (diretores de arte e redatores) no processo de criação de uma campanha (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). • Diretor de arte: é de responsabilidade do diretor de arte toda a concepção visual de uma campanha, seja ela impressa, eletrônica etc. Tem como norteador TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 141 do seu trabalho a preocupação estética e harmonia das campanhas criadas. Entre suas atividades, este profissional atua, em parceria com o redator, na criação de layouts, ou seja, no esboço da campanha a ser aprovada pelo cliente (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). • Redator: este profissional apresenta atividades relacionadas à redação de uma campanha publicitária. O desenvolvimento de um título, texto ou slogan, é de responsabilidade deste profissional, que deve trabalhar em parceria com o diretor de arte, compondo a chamada “dupla criativa” ou “dupla de criação” (LUPETTI, 2009). • Arte-finalista: ao olhar para o processo de criação de uma campanha, o arte-finalista é o último profissional que terá contato com a campanha. Mais focado em materiais impressos, este profissional vai adequar o layout aprovado às especificações técnicas exigidas pelo veículo ou fornecedor de comunicação. Assim, tem a responsabilidade de ajustar medidas, cores, e formatos de entrega de acordo com exigências, garantindo a qualidade do material publicitário (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). Como você pode ver, existem particularidades no que diz respeito aos profissionais de Criação. No entanto, todos eles estão diretamente envolvidos com as peças publicitárias criadas, garantindo que a campanha seja veiculada e entregue aos públicos-finais. 3.4 PRODUÇÃO Conforme você já viu anteriormente, além dos veículos de comunicação, existem agentes importantes no mercado publicitário, denominados fornecedores de comunicação, podendo ser representados por gráficas, produtoras, fotógrafos, agências de modelos etc. Dessa maneira, os profissionais alocados em setores de produção desenvolvem atividades relacionadas a estes agentes, apresentando contato direto, realizando orçamentos e garantindo a produção dos materiais. Produtor produz. Produz o quê? Ele produz ou finaliza o que foi criado pela dupla de criação. Se a criação de um folheto, o produtor se encarregará de concretizar a ideia, ou seja, responsável por transformar em um número “X’ de folhetos que serão distribuídos para o cliente. Nesse caso ele é chamado de produtor gráfico. Quando a criação cria um filme, o produtor se encarregará de tomar todas as providências para que a filmagem ocorra sem problemas. O mesmo ocorre com a criação de peças publicitárias para o cinema ou para o rádio. Nesse caso ele é chamado de produtor de rádio, TV ou cinema (PRTVC). Ambos servem de suporte técnico para a dupla de criação (LUPETTI, 2009, p. 20). Como você pode ver, o produtor tem a função de viabilizar determinadas ações de comunicação, atuando diretamente com a equipe de criação e mídia. Para que isso aconteça, é necessário que estes profissionais tenham conhecimentos técnicos sobre os processos que atuam, garantindo que os materiais sejam entregues com qualidade. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 142 Ao falarmos de elementos gráficos, esse profissional deverá ter amplo conhecimento sobre as especificações técnicas de papeis, analisando e escolhendo as melhores opções de acordo com a gramatura e tipo de papel, considerando os objetivos da ação de comunicação e verba da campanha (LUPETTI, 2009). Esse profissional deve estar apto para fazer as melhores escolhas, como: qual é a gramatura do papel? O fôlder será com verniz localizado? O papel será fosco ou brilhante? É um formato especial? O material será entregue no prazo do início da campanha? Já no quesito produção eletrônica, mantemos como exigência o conhecimento técnico sobre os materiais produzidos, que, neste caso, são caracterizados como materiais eletrônicos como VT’s e jingles. Dessa forma, o produtor deverá manter contato próximo com as produtoras de vídeo e áudio para a viabilização dos materiais, realizando orçamentos e agendando gravações. Nesse caso, é fundamental o envolvimento da criação, que dará o tom do que será gravado (LUPETTI, 2009). Ainda, é válido ressaltar que, em casos específicos, o produtor na agência de publicidade apresentará contato direto com produtores das próprias produtoras, que são responsáveis por viabilizar questões específicas do vídeo, como: contratação de modelos, produção de cenários, locação de espaços etc. ATENCAO 3.5 MÍDIA Durante a Unidade 2 deste livro, falamos muito sobre o profissional de mídia, que está altamente conectado com os meios e veículos de comunicação, desempenhando análises às atividades operacionais de compra de espaços em veículos de comunicação. De maneira geral, as atividades de mídia se resumem às negociações, requisições e controle do que foi veiculado (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). Este serviço, depois de ter negociado de acordo com as indicações aprovadas no planejamento publicitário, com os diversos veículos, faz encomendas mediante uma autorização de publicidade especificando as características do anúncio,seu tamanho, cores, espaço a ser utilizado, datas de publicação, material que segue anexo, custo bruto, comissão de agência, custo líquido, prazo de pagamento. No serviço de mídia deve existir uma documentação para cada meio de comunicação de todo o país, com o máximo possível de informações (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002, p. 275). TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 143 Além do planejamento, visto na Unidade 2, e especificações, os profissionais de mídia devem, ainda, controlar toda a mídia veiculada. Ou seja, deve-se fazer a checagem se o que foi comprado realmente foi entregue pelo veículo de comunicação (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). 3.6 PLANEJAMENTO A existência de um profissional de planejamento em uma agência de comunicação dependerá muito da estrutura da agência e dos clientes que atende. Em determinados casos, pode existir uma área de planejamento. Já em outros, esta função pode ser diluída em diversos profissionais, como atendimento, criação e mídia. Na Unidade 1 deste livro didático, você aprendeu sobre o processo de planejamento de uma campanha, que envolve análises de cenário, definições estratégicas e controle das ações planejadas. Dessa forma, todas essas funções são desempenhadas pelos profissionais de planejamento da agência, com o apoio de outros profissionais em determinados momentos. Devemos lembrar que planejar não é uma tarefa para uma única pessoa. É uma tarefa de equipe. Por isso planejar uma campanha requer esforço conjunto do pessoal da criação, da mídia, do atendimento e da pesquisa, coordenadas e orientados pelo planejador (LUPETTI, 2009, p. 33). Lembre-se que, nas etapas que vimos do planejamento de comunicação, diversos pontos dependiam diretamente das estratégias de criação, determinando o tom da mensagem, abordagens criativas etc. Ainda, outros momentos apresentam estratégicas no que diz respeito a canais e orçamentos, colocando, assim, responsabilidades de áreas como mídia e produção sobre o planejamento. É válido ressaltar que, durante todo o processo, o profissional de atendimento deve estar próximo ao planejador, instruindo sobre particularidades do cliente que devem ser consideradas no momento de estabelecer diagnósticos e estratégias. 4 REMUNERAÇÃO DA AGÊNCIA A remuneração de uma agência pode ser estabelecida de acordo com determinadas práticas, que garantem a sustentabilidade do negócio pois diversos profissionais estão envolvidos e, precisam ser valorizados. A mais comum é o comissionamento estabelecido por lei, seguido pelo fee mensal. No entanto, não existe um modelo que seja melhor que outro. Cabe à agência e seus anunciantes negociaram o formato mais adequado de remuneração dos serviços realizados, de acordo com suas realidades. Nesta seção, veremos com maior profundidade alguns modelos de remuneração das agências de comunicação, conforme você pode ver listados a seguir. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 144 FIGURA 6 – REMUNERAÇÃO EM UMA AGÊNCIA FONTE: Adaptado de Lupetti (2009) 4.1 COMISSÕES ESTABELECIDAS PELA LEI Nº 4.680 Este formato de remuneração defi ne, por lei, que a agência receberá 20% dos serviços prestados em mídia e 15% dos serviços prestados em produção (LUPETTI, 2009). Essa lógica considera que a agência está envolvida no processo operacional de compra de espaços pelo anunciante ao veículo/fornecedor. Dessa forma, considerando seus serviços prestados, a agência deve ser remunerada. FIGURA 7 – ATIVIDADES OPERACIONAIS DA AGÊNCIA FONTE: A autora Perceba que os serviços desempenhados pela agência são fundamentais para que o veículo de comunicação (ou fornecedor) possa desempenhar seu papel para o anunciante. Dessa forma, é fundamental direcionar determinada remuneração às agências que são envolvidas no processo. Como, de fato ela ocorre? Veja a seguir duas simulações: uma para Veiculação e outra para Produção. TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 145 QUADRO 2 – COMISSIONAMENTO DE AGÊNCIA COMISSIONAMENTO DE VEICULAÇÃO Preço cobrado pelo veículo R$1.000,00 100% Comissão da agência R$ 200,00 20% Valor pago ao veículo R$ 800,00 80% COMISSIONAMENTO DE PRODUÇÃO Preço cobrado pelo fornecedor R$5.000,00 100% Comissão da agência R$ 750,00 15% Valor pago ao fornecedor R$ 5.750,00 75% FONTE: Lupetti (2009, p.120-121) Como você pode ver, a distribuição dos valores é específica para cada tipo de serviços e garante a valorização dos profissionais que estão envolvidos no processo de compra de espaços em mídia e viabilização de materiais produzidos para uma campanha. 4.2 COMISSÕES ESTABELECIDAS PELA LEI COM DESCONTOS PROGRESSIVOS Neste formato, a remuneração de veiculação e produção é considerada pela agência. No entanto, é concedido um desconto sobre o comissionamento de acordo com o volume do valor investido. Ou seja, quanto maior for o investimento em mídia ou produção, menores serão os percentuais de comissionamento da agência. Este formato é comum em organizações cujos investimentos em mídia são grandes, como multinacionais ou organizações públicas (LUPETTI, 2009). Veja a seguir um exemplo desta aplicação para comissões em mídia, tradicionalmente acordadas como 20%. QUADRO 3 – EXEMPLO DE NEGOCIAÇÃO DE COMISSIONAMENTO Negociação de Comissionamento Investimento bruto do cliente Comissionamento da Agência Remuneração da Agência Opção 1 R$1.000.000,00 20% R$200.000,00 Opção 2 R$1.300.000,00 19% R$247.000,00 Opção 3 R$1.600.000,00 18% R$288.000,00 Opção 4 R$1.900.000,00 17% R$323.000,00 FONTE: A autora UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 146 O Quadro 3 apresenta quatro opções de negociações que poderiam ser estabelecidas entre uma agência e um anunciante, considerando investimentos a partir de um milhão de reais em mídia. Perceba que neste exemplo, o percentual de comissionamento diminui conforme o investimento total do cliente aumenta. Esse formato garante que o anunciante tenha um desconto gradativo, devido seu alto investimento em mídia. 4.3 FEE MENSAL FIXO Este tipo de remuneração considera que um determinado cliente terá um valor fixo a pagar para a agência, em troca de serviços pré-estabelecidos. Esse sistema garante maior previsibilidade de trabalhos entre agência e cliente, pois são previamente discutidos. Ainda, garante maior sustentabilidade financeira à agência, visto que o valor é fixo por um determinado período de tempo. Nesse modelo, o valor fixo pode ser definido de acordo com alguns elementos (LUPETTI, 2009): • horas trabalhadas de uma determinada equipe; • média salarial dos profissionais envolvidos com os jobs do cliente; • atividades previstas no período (campanhas, materiais avulsos etc.). Mesmo tendo maior previsibilidade, é importante que, neste modelo, haja clareza sobre os serviços prestados e cobrados no fee, de maneira que a relação entre cliente e agência não seja desgastada. É válido ressaltar que, neste modelo, além do fee, custos relacionados ao comissionamento são mantidos, conforme a negociação entre agência e cliente. 4.4 MARKUP Este formato de remuneração não apresenta tanta popularidade no Brasil, sendo muito utilizado em agências norte-americanas. Ele consiste na definição de percentuais de remuneração para serviços realizados com terceiros, em que se deve estabelecer um acordo para percentuais de acordo com serviços frequentes realizados com veículos ou fornecedores de comunicação. “Normalmente o preço final a ser cobrando do cliente deve ser mais alto do que o preço cobrado pelos fornecedores (custos)m afinal, a agência precisa cobrir as despesas operacionais e ainda gerar lucro. A diferença entre o preço final e o custo é o Markup” (LUPETTI, 2009, p. 123). Nesse modelo, a agência pode definir percentuais para serviços, como fotografia, produção, veiculação, pesquisa, impressão. Assim, este percentual é acrescido ao valor cobrado pelo cliente. Perceba que esse formato de remuneração é muito semelhante ao comissionamento de veiculação e produção. No entanto, o que diferem estesdois modelos é a flexibilidade de percentuais a serem definidos. Nesse caso, existe flexibilidade de negociação conforme a melhor realidade para ambos, tanto agência, quanto cliente. TÓPICO 1 | MERCADO PUBLICITÁRIO 147 4.5 REMUNERAÇÃO POR RESULTADOS Neste formato, a agência não é remunerada considerando comissionamentos de produção ou veiculação, mas sim, de acordo com os resultados obtidos pelo cliente, de acordo com seu objetivo de marketing. Lupetti (2009) aponta que agência e cliente podem definir um percentual fixo de remuneração caso os objetivos sejam atendidos. É fundamental que haja clareza sobre a mensuração dos resultados a serem pretendidos no objetivo de Marketing. Por exemplo, caso a remuneração esteja atrelada ao aumento da lembrança de marca do cliente, é necessário que se saiba mensurar a lembrança antes e após as ações de comunicação. Somente assim, será possível compreender se a campanha realizada pela agência surtiu efeitos sobre o objetivo de Marketing proposto. 4.6 FEE MENSAL ACRESCIDO DE UM PERCENTUAL SOBRE OS RESULTADOS Este modelo é uma junção dos formatos fee mensal fixo e remuneração por resultados. Nesse caso, é adicionado ao fee, ou seja, à remuneração mensal, um percentual sobre os resultados obtidos. Veja um exemplo a seguir, que simula a remuneração de uma agência no período de 3 meses, que define o percentual de 5% sobre os resultados obtidos para um cliente de pequeno porte. TABELA 1 – SIMULAÇÃO DE REMUNERAÇÃO Jan Fev Mar DESEMPENHO DO CLIENTE Resultado obtido do cliente no mês R$ 200.000,00 R$ 280.000,00 R$ 195.000,00 REMUNERAÇÃO DA AGÊNCIA Resultado da agência R$ 10.000,00 R$ 14.000,00 R$ 9.750,00 Fee R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 Total remunerado R$ 15.000,00 R$ 19.000,00 R$ 14.750,00 FONTE: A autora Nesse caso, a remuneração da agência é variável de acordo com o desempenho de seu cliente. Dessa forma, a agência apresenta um maior envolvimento no processo de definição dos objetivos de marketing, até a entrega da campanha (LUPETTI, 2009). UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 148 4.7 HONORÁRIOS DE CLÁUSULA DE RESULTADOS Neste caso, os comissionamentos sobre veiculação e produção são mantidos. Ainda, caso o cliente alcance os objetivos propostos na campanha, a agência é remunerada com um valor absoluto, ou seja, um valor fechado. Este caso é semelhante ao caso anterior, no entanto, neste modelo, a agência é remunerada a um valor fixo caso o cliente atinja seus resultados ou extrapole excessivamente os resultados (LUPETTI, 2009). Por exemplo, imagine que uma agência está trabalhando em uma campanha do cliente Y, que busca aumentar em 5% as vendas do produto X. O acordado entre as partes foi que, se alcançado o objetivo, a agência será remunerada no valor de R$ 30.000. Tendo o acordo realizado, a campanha é iniciada e o desempenho do cliente Y extrapola as expectativas, obtendo um aumento de 8% sobre as vendas do produto X. Dessa forma, mesmo obtendo o percentual acima do planejado, a agência permanece com a remuneração acordada, fixa de R$ 30.000. 149 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • O mercado publicitário é composto por diversos agentes, denominados principalmente por: anunciantes, agência, fornecedores e veículos de comunicação. • Os anunciantes são os agentes financiadores, que demandam serviços de comunicação e remuneram os demais agentes pelo serviço realizado. • Os anunciantes também são denominados também como clientes. • As agências são organizações que desenvolvem estratégias de comunicação. E, para isso, são altamente dependentes dos veículos e fornecedores de comunicação. • Os veículos de comunicação são empresas que veiculam conteúdo de entretenimento e anúncios publicitários. São financiados pelos anunciantes. • Os fornecedores de comunicação são responsáveis por produzir materiais de comunicação, sejam impressos ou eletrônicos. • Uma agência de comunicação é, tradicionalmente, composta pelos seguintes profissionais: atendimento, planejamento, criação, produção e mídia. • O profissional de atendimento tem a responsabilidade de ser o interlocutor do cliente na agência, e, agência no cliente. É responsável pelo controle das demandas e atendimento aos prazos. • O tráfego exerce funções semelhante ao atendimento, com foco na organização das tarefas internas, garantindo que os trabalhos sejam entregues no prazo. • A criação é responsável pela ideia criativa de uma campanha, considerando concepção visual e redação, por meios dos profissionais diretor de arte e redator. • Os profissionais de arte-final garantem que o material seja impresso de maneira adequada considerado padrões de qualidade. • Os profissionais de produção garantem que a estratégia seja viabilizada, por meio de produção do material impresso ou eletrônico. Seu trabalho está altamente relacionado com os fornecedores de comunicação. 150 • Os profissionais de mídia são responsáveis pelo planejamento e execução da mídia planejada, desenvolvendo relacionamento próximo com os veículos de comunicação. • As agências podem ser remuneradas de diversas maneiras, considerando comissionamentos, fee, markup e remuneração baseada em resultados. • As remunerações envolvendo comissionamento, a agência recebe um percentual de comissão sobre o valor investido em veículos ou produção. Este percentual pode ser fixo ou com descontos progressivos. • O fee é um modelo de remuneração fixa por serviço, em que a agência é remunerada com valor pré-estabelecido para trabalhos pré-estabelecidos. • Markup é um modelo de remuneração em que são definidos percentuais fixos para os serviços oferecidos. • A remuneração baseada em resultados considera que a agência alcançará uma maior remuneração para o atingimento dos resultados da campanha, podendo ser dividida em remuneração por resultados, fee mensal acrescido de percentual sobre resultados e honorários de cláusula de resultados. 151 1 O mercado publicitário depende de inúmeros agentes para se organizar, e para que possamos, enquanto comunicadores, entregar resultados para uma organização, dependemos de inúmeras organizações e inúmeros serviços. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir. I - As dinâmicas do mercado publicitário apontam que os anunciantes negociam espaços publicitários diretamente com os veículos de comunicação. II - Fornecedores de comunicação é uma denominação dada aos profissionais que atuam nas agências. III - É papel da agência de comunicação intermediar os processos de veiculação e produção com veículos e fornecedores de comunicação. Dessa forma, é possível afirmar que: a) ( ) Apenas o item III está correto. b) ( ) Apenas os itens I e III estão corretos. c) ( ) Apenas os itens I e II estão corretos. d) ( ) Nenhum dos itens está correto. 2 Uma agência é composta por diversos profissionais de comunicação que desempenham atividades específicas em uma estratégia de comunicação de uma marca. Dessa forma, para que uma campanha seja entregue com sucesso, é necessário o envolvimento de inúmeras competências. A respeito do profissional de atendimento, analise as sentenças a seguir. I - Este profissional tem a função de atender veículos de comunicação. II - O atendimento desempenha o papel de ser o interlocutor da agência no cliente. III - O atendimento é responsável por acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos, zelando por custos e prazos do cliente. Dessa forma, é possível afirmar que: a) ( ) Apenas o item III está correto. b) ( ) Apenas os itens I e III estão corretos. c) ( ) Apenas os itens II e III estão corretos. d) ( ) Nenhum dos itens está correto. 3 A remuneração de uma agência deve ser discutida entre anunciantes e agências de maneira que haja coerência e justiça sobre os serviços realizados e retornos financeiros recebidos pela agência. Nesse caso, existem diversos modelos de remuneração para as agências. A respeitodeste cenário, analise as sentenças a seguir. AUTOATIVIDADE 152 I - A melhor forma de remuneração que deve ser estabelecida é a remuneração por resultados. II - O fee mensal diz respeito aos comissionamentos recebidos por veiculação em televisão aberta. III - Cabe aos anunciantes e agência negociarem o formato mais adequado de remuneração. Dessa forma, é possível afirmar que: a) ( ) Apenas o item III está correto. b) ( ) Apenas os itens I e III estão corretos. c) ( ) Apenas os itens II e III estão corretos. d) ( ) Nenhum dos itens está correto. 153 TÓPICO 2 ATENDIMENTO AO CLIENTE UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, abordaremos alguns elementos essenciais de um bom profi ssional de atendimento relacionados a questões comportamentais e atividades fundamentais deste profi ssional. Aqui, você entenderá que este profi ssional é multifacetado e precisa, cada vez mais, apresentar visão de negócios e representar o cliente em uma agência. Algumas perguntas básicas, que você pode ver na fi gura a seguir, serão respondidas neste tópico. FIGURA 8 – PERGUNTAS QUE RESPONDEREMOS NESTE TÓPICO FONTE: A autora Neste tópico, você conhecerá todas as respostas para essas perguntas e poderá aplicá-las em seu dia a dia. E mesmo que estejamos falando de um profi ssional de atendimento, devemos lembrar que sempre que prestamos algum serviço a alguém, devemos ter noção do atendimento. Então, conhecer as particularidades deste cenário é fundamental, também, para outras áreas ou até modelos de negócio. Afi nal, você já parou para pensar que até um freelancer, que oferece serviços de criação, precisa saber atender bem? Então, vamos lá? 154 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 2 QUEM É O ATENDIMENTO? Até aqui você já viu de que maneira o profissional de atendimento pode se envolver com outros profissionais e com as dinâmicas de uma campanha de comunicação. Existem muitos outros pontos que podem ser aprofundados sobre suas características essenciais. Antes de adentrar a estas particularidades, vamos a um detalhe básico: existem diversas nomenclaturas para esse profissional no mercado publicitário. Tradicionalmente, são denominados como atendimento, mas, ainda, esse profissional pode ser denominado como executivo de contas, considerando que terá uma carteira de clientes variada, atendendo diversas contas em seu dia a dia. Discussões mais atuais sobre esta profissão, apontam que esse profissional pode ser considerado um profissional de negócios, exercendo funções de atendimento e negócios. Você compreenderá mais sobre essa nova realidade na próxima sessão. O profissional de atendimento pode ter uma formação variada, como Publicidade e Propaganda, Administração, Economia, Sociologia, Psicologia, Relações Públicas, Jornalismo e Comunicação (CORRÊA, 2006). No entanto, mesmo apresentando possibilidades variadas, ele precisa apresentar algumas particularidades essenciais. Roberto Corrêa, escritor e professor, que já atuou no mercado publicitário como Diretor de Atendimento em uma das maiores Agências de Publicidade da época, McCann-Erikson, afirma que um bom atendimento deve ter duas características básicas: organização e iniciativa (CORRÊA, 2006). Primeiramente, a organização diz respeito à capacidade de aproveitar melhor o tempo, priorizando atividades de acordo com as necessidades do momento, conforme afirma Corrêa (2006, p.65). Ser organizado não é ter a mesa arrumada, a gravata bem-posta ou brinco combinando com o vestido. Ser organizado é saber aproveitar o tempo priorizando as diversas tarefas a serem cumpridas e dedicando o esforço necessário a cada uma delas. É saber quem fez o quê, em que período, ter as principais informações de memória e não se assustar quando várias solicitações ocorrem ao mesmo tempo. Nesse sentido, organização pode ser enquadrada em dois aspectos específicos: organização física e mental. A organização física diz respeito à organização prática de documentos que sejam pertinentes ao trabalho, facilitando os processos. Nesse caso, uma boa organização é identificada “quando as informações procuradas podem ser identificadas rapidamente, não importando a estrutura que venha a ser adotada” (CORRÊA, 2006, p. 65). É importante ressaltar aqui que, cada indivíduo apresenta suas particularidades no que diz respeito a organizações físicas, podendo ocorrer com agendas digitais, físicas etc. Aqui, o fundamental é cada indivíduo deve compreender seu “sistema de organização” e pôr em prática da melhor maneira. TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 155 Já a organização mental diz respeito à organização das ideias colocadas em pauta em uma reunião ou conversa de trabalho. Como isso ocorre? Bom, durante reuniões de trabalho, é comum sermos apresentados a uma série de informações aleatória, que podem contribuir com o objetivo de trabalho. Dessa forma, deve- se estabelecer uma organização mental, agrupando assuntos por semelhanças e seguindo uma lógica de discussão (CORRÊA, 2006). Tenho visto muitos relatórios de visita que são iniciados comentando sobre o tamanho da embalagem, por exemplo, depois do preço, menciona as cores, pula para o folheto, comenta as fotos, volta a comentar a embalagem e assim por diante. Dessa forma, fica difícil entender o que está escrito porque as diferentes partes do mesmo assunto são mencionadas várias vezes, em diferentes partes do texto. Neste exemplo, o certo é esgotar o tema sobre a embalagem, depois abordar as informações sobre o folheto e dizer tudo o que é preciso de forma resumida, mantendo sempre a coerência de um assunto por vez. O mesmo pode ser dito ao organizar uma reunião, onde a pauta deve ser montada para que propicie um desenvolvimento natural das discussões. Parece algo muito simples e lógico, mas na prática é comum não acontecer dessa forma (CORRÊA, 2006, p.65). Considerando a rotina repleta de pessoas, campanhas em andamento, clientes diversos e demandas variadas, a organização se torna fundamental, de maneira que os trabalhos possam caminhar com maior segurança. A iniciativa é uma outra característica fundamental que diz respeito à capacidade que o profissional de atendimento tem em pensar como o cliente dentro da agência, demandando serviços, controlando e garantindo a sua entrega com qualidade de acordo com o que é exigido. “Ele tem de fazer as coisas acontecerem, precisa implementar os planos, não pode perder prazos e não pode ficar sentado em berço esplêndido à espera de um telefonema do cliente para atender ao seu pedido” (CORRÊA, 2006, p. 66). Veja a seguir um exemplo de caso que evidencia a importância da iniciativa! O caso do ¼ de página Ao se aproximar do dia do dentista, a agência teve a iniciativa de criar um belo anúncio para jornais em comemoração a essa data. O cliente se encantou tanto com a proposta a ponto de autorizar a inserção do anúncio no tamanho de uma página de jornal, em 4 importantes periódicos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Como essa veiculação era exagerada, uma vez que a intenção era apenas homenagear os profissionais dentistas naquela oportunidade e não lançamento de produto ou uma promoção, recomendei o tamanho de ¼ de página como sendo adequado para marcar decentemente a presença da empresa naquela data comemorativa, considerando que a felicidade e oportunidade da ideia aprovada certamente atrairia a atenção do público alvo. A recomendação foi aceita. IMPORTANT E 156 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO Em vista deste fato, você poderá pensar que o atendimento perdeu uma oportunidade de faturar uma verba 4 vezes maior, deixando escapar uma oportunidade só para fazer bonito frente ao gerente. Muito bem, no curto prazo até se poderia aceitar essa colocação, mas a consequência foi um sensível aumento de credibilidade por parte do cliente. Devido a essa postura transparente, sem ganância por parte da agência, foi criado um clima propício para o anunciante aceitar futuras recomendações,inclusive de aumento de verbas, como de fato veio acontecer em várias oportunidades. FONTE: CORRÊA, R. O atendimento na agência de comunicação. São Paulo: Global, 2006. p. 45. Como nesse caso, a iniciativa trouxe inúmeros benefícios. O profissional e atendimento poderia apenas seguir a partir da aprovação do cliente. No entanto, teve um olhar crítico sobre o que estava ocorrendo e tomou a iniciativa de ser crítico perante às decisões. Essa realidade vale em iniciativas em relação ao cliente e às equipes em que está envolvido. É esperado que um profissional de atendimento tenha iniciativa de demandar trabalhos e estar próximos a eles, não apenas sendo um “disparador de e-mails”. Corrêa (2006, p. 66) exemplifica muito bem esta situação: Com isto quero dizer que ao soltar um pedido de criação, vão encontrando dupla de criação para saber se entendeu bem a solicitação que acompanha o desenvolvimento do trabalho. Mesmo acontece com os trabalhos de mídia é demais tarefas. Não fique esperando ser chamado pelo cliente, mas adiante-se [...]. Essa característica, assim como a organização, faz do profissional de atendimento um agente importantíssimo na condução de uma campanha, seja em uma etapa de planejamento, execução ou controle. Nesse caso, é fundamental que esse profissional consiga estabelecer um bom relacionamento com todos os envolvidos, executando suas tarefas da melhor maneira. 3 ATENDIMENTO X PROFISSIONAL DE NEGÓCIOS Como você já viu até aqui, o profissional de atendimento apresenta algumas características essenciais para desempenhar seu papel. Este profissional, conforme afirma Quinn (2002) é como um regente de uma orquestra, garantindo que uma quantidade diversa de profissionais seja capaz de tocar uma mesma música. Neste cenário, este profissional deve ter conhecimentos generalistas de todas as áreas que se envolve, como planejamento, mídia e criação, representando o cliente nas atividades. E, ainda, deve apresentar conhecimentos de negócio sólidos visando tomar as melhores decisões pelo cliente. TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 157 Essa noção é muito importante. Muitas propostas são boas em si mesmas, porém não são necessariamente adequadas para o cliente. Por exemplo, o oferecimento do patrocínio de um concurso de beleza é uma coisa boa se organizada por gente competente. No entanto, se o xampu fabricado pelo seu cliente é um anticaspa, acredito que este patrocínio não seria adequado nem para o concurso, nem para o produto. A associação malévola de que uma futura miss tem caspa não seria benéfica para ninguém (CORRÊA, 2006, p.51). Nesse contexto, o profissional de atendimento deve ter visão de negócio, buscando avaliar as realidades das situações e identificando vantagens e desvantagens para o cliente na estratégia construída pela agência. Ao apresentara esta mentalidade analítica e, se antecipando quanto à decisão do cliente, a agência pode trazer muitos benefícios para o cliente, que receberá propostas mais assertivas de estratégia e para a agência, que manterá sua reputação positiva perante o cliente. Veja um exemplo de um caso apresentado pelo publicitário Roberto Corrêa, na leitura a seguir. O caso dos três layouts para aprovação O meu primeiro encontro com a nova gerente de uma linha de produtos, que estava a cargo da agência para a qual trabalhava, foi muito importante para estabelecermos um bom relacionamento profissional. Meu primeiro objetivo foi colocá-la a par de todas as ações de comunicação que a agência estava fazendo para cada um desses produtos que iam ficar sob a sua responsabilidade. Por sua vez, ela começou a explicar o seu método de trabalho, de como gostava de lidar com a agência e outros pormenores. A uma certa altura da conversa, a gerente me disse que gostaria de sempre receber três alternativas de layouts para cada peça publicitária que viesse a ser criada, pois dessa forma ela teria opções de escolha. Procurei explicar que ela seria melhor servida se houvesse uma flexibilidade enquanto essa norma. Seria mais proveitoso que a agência tivesse a liberdade de apresentar um, três, cinco ou dez alternativas de layouts, dependendo do caso. Não fazia sentido levar rigorosamente três alternativas somente para seguir uma regra. Quando ocorressem várias boas ideias, com diferentes abordagens sobre o mesmo tema, elas seriam apresentadas. Quando houvesse apenas uma solução, da mesma forma, apenas esta seria levada. O ponto principal estava na qualidade do material ou nas diferentes formas de solucionar o mesmo problema e não na aceitação de uma regra, neste caso, o número 3. A gerente compreendeu a minha postura e a aceitou porque percebeu, inteligentemente, que teria a ganhar muito mais na execução dos trabalhos se fosse flexível. FONTE: CORRÊA, R. O atendimento na agência de comunicação. São Paulo: Global, 2006. p. 44-45. IMPORTANT E 158 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO Nesse caso, vemos um exemplo de como um olhar para o negócio e um bom relacionamento podem trazer frutos positivos entre cliente e agência. Isso reflete muito o novo perfil de profissional exigido ao falarmos de entregas de um atendimento. Conforme as décadas passam, a figura do Atendimento passa a ser mais estratégica e menos operacional. Se antes este profissional tinha como responsabilidade a gestão de serviços oferecidos pela agência e entregues aos clientes, hoje, o profissional de atendimento deve ter um olhar analítico, como apresenta o depoimento, a seguir, de Cris Pereira Heal, Diretora Executiva de clientes da agência FCB Brasil e vice-presidente do Grupo de Atendimento e Negócios. A profissional discute sobre o papel do Atendimento e nomenclatura do Grupo de Atendimento, que passa a se chamar Grupo de Atendimento e Negócios. “Já há algum tempo é bastante comum ouvirmos que o profissionais de atendimento precisam entender sobre o negócio dos clientes, Na verdade, o contexto de atuação do atendimento é bem mais amplo do que isso e abrange compreensão de gestão, aplicação de princípios de liderança, entendimento de contextos e desenvolvimento de negócios. Avaliamos isso e concluímos que a nomenclatura Grupo de Atendimento apequenava as propostas de atuação que possuímos para fazer com que essas pessoas tenham cada vez mais capacitação para executar um trabalho qualificado e imprescindível para a estrutura das agências”, explica Cris Pereira Heal, diretora executiva de clientes da FCB Brasil e vice-presidente da entidade. FONTE: <https://bityli.com/AMQX0>. Acesso em: 17 abr. 2020. Que tal conhecer mais o mercado publicitário? Acesse o site do Grupo de Atendimento e Negócios, o qual apresenta notícias, cursos e materiais de interesse a profissionais de atendimento e negócios das agências brasileiras. Disponível em: https:// www.ganegocios.com.br/. DICAS TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 159 4 TIPOS DE CLIENTES ATENDIDOS Reconhecer os tipos de anunciantes do mercado publicitário é fundamental para que o profi ssional de atendimento saiba tomar as decisões adequadas considerando às indústrias as quais pertencem estes anunciantes, afi nal, um cliente do setor automobilístico se comporta de maneira diferente do que um cliente do setor artístico, como uma banda ou infl uenciador digital. Ao olharmos o porte do anunciante (grandes ou pequenos), já podemos traçar algumas características específi cas. Grandes anunciantes, por exemplo, costumam demandar, em suas estratégias, ações com mídias tradicionais, como televisão e rádio, por exemplo. Isso exige que a agência que atenda estes grandes clientes, tenha uma equipe capacitada para tais demandas. Por outro lado, anunciantes de pequeno porte, costumam dirigir seus investimentos para estratégias mais direcionadas, com materiais promocionais, eventos ou veículos dirigidos (LUPETTI, 2009). Independentemente de seu porte, é inegável que os anunciantes dependam de agências de comunicação para atingir seus objetivos estratégico.E, para isso, é fundamental que nós, comunicadores prestadores de serviços, compreendamos os setores dos quais os anunciantes pertencem. Assim, podemos enquadrar os anunciantes em algumas categorias, que você verá com maior profundidade a seguir. FIGURA 9 – TIPOS DE ANUNCIANTES FONTE: Lupetti (2009) 160 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO Os anunciantes de bens de consumo são representados por empresas que oferecem seus produtos ao consumidor final, dependendo das estratégias de comunicação para trazer reconhecimento de marca e venda. Estão nessa categoria empresas que produzem alimentos, bebidas, vestuário, eletrodomésticos, automóveis etc. Para a comercialização de produtos, dependem de outras empresas caracterizadas como intermediárias (LUPETTI, 2009). Já os anunciantes de serviços são representados por empresas que oferecem serviços, podendo ser representados por escolas ou bancos. Nesse caso, é importante reconhecer as necessidades do tipo de serviço, de maneira que sejam oferecidas as melhores estratégias de comunicação (LUPETTI, 2009). “Nos bancos, por exemplo, a função principal é fixar a marca, enquanto em uma imobiliária as principais funções são a informação, a divulgação de características dos imóveis, preços e condições de pagamento” (LUPETTI, 2009, p. 89). De outra maneira, os anunciantes de Bens industriais (ou Business to Business) têm como característica principal o oferecimento de produtos para outras empresas. Dessa forma, considerando que seus consumidores são organizações e apresentam um volume de indivíduos bem menor (se comparado ao anunciante de bens de consumo), é necessário estabelecer estratégias para este cenário. Por exemplo, informações técnicas do produto são valorizadas, exigindo, assim, estratégias de comunicação focadas em informação (LUPETTI, 2009). As empresas caracterizadas com anunciantes intermediários têm como objetivo de negócio comercializar produtos dirigidos aos consumidores. Dessa forma, estão altamente relacionadas com os anunciantes de bens de consumo, comercializando os produtos por eles produzidos. Neste cenário, estas empresas tem como desafio informar os consumidores sobre produtos disponíveis, ofertas, condições de pagamentos, preços etc. (LUPETTI, 2009). Os anunciantes de entretenimento têm como característica o oferecimento de entretenimento ao público, havendo, assim, comercialização. O entretenimento aqui defendido pode ser descrito como teatro, cinema, shows, música, emissoras de TV, parques de diversões. Considerando que as ações são particulares de acordo com interesses pessoais, a comunicação nesse setor ocorre de maneira informativa, em sua maioria (LUPETTI, 2009). As associações são denominações para anunciantes que estão enquadrados em algum grupo, como associação de empresas, clubes, cooperativas, associações comerciais etc. Nesse caso, conforme aponta Lupetti (2009), as estratégias de comunicação podem ser variadas, assumindo particularidades de suas associações, como: esclarecimento de fatos, informações de características ou preços etc. Por fim, anunciantes caracterizados como Governo representam os governos de cunho municipal, estadual e federal. Dessa forma, as estratégias de comunicação têm como objetivo apresentar transparência à população sobre as iniciativas realizadas. Neste campo, são inúmeras as instituições pertencentes ao governo e que necessitam de comunicação: educação, segurança, serviços públicos, saúde, licitações públicas etc. TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 161 Dessa forma, considerando todas as particularidades apresentadas dos mais variados tipos de clientes que uma agência pode atender, o profissional de atendimento deve compreender os variados cenários, buscando contribuir para maior assertividade nas estratégias de comunicação. 5 APRESENTAÇÃO DE CAMPANHAS Apresentar campanhas planejadas na agência é uma das tarefas realizadas pelo profissional de atendimento, podendo ocorrer individualmente ou com apoio dos profissionais de planejamento, mídia ou criação. Ainda, pode haver a apresentação em conjunto com o fornecedor ou veículo de comunicação. De qualquer forma, na maioria das vezes, é responsabilidade do atendimento garantir que a reunião ocorra de maneira produtiva, conduzindo-a (CORRÊA, 2006). A apresentação de uma campanha ao cliente pode parecer uma tarefa simples. Acredite, existem diversos elementos que impactam em uma boa reunião e que podem ser cruciais para o bom andamento de uma campanha complexa ou até mesmo ação pontual de comunicação. Nesse caso, o profissional de atendimento deve se atentar a alguns pontos. 5.1 COMO CONDUZIR UMA REUNIÃO? As reuniões devem ser algumas diretrizes básicas para um bom aproveitamento. A primeira delas diz respeito aos horários de início e término, que devem ser respeitados. Corrêa (2006) afirma que uma boa reunião apresenta horário claro de início e fim. No início, os participantes devem chegar com 5 a 10 minutos de antecedência e, ao final, deve-se realizar um resumo das decisões tomadas reforçando a distribuição de tarefas acordada. E, para que isto ocorra com clareza, um segundo ponto é essencial: a existência de um responsável pela condução. O profissional é encarregado de preparar a pauta e comunicar os assuntos da reunião com antecedência aos envolvidos, de maneira que todos possam se preparar (CORRÊA, 2006). Já no decorrer da reunião, este responsável deverá se atentar a manter o foco das discussões, evitando fugas dos temas da pauta e garantindo maior produtividade aos envolvidos. Aliados a esses dois pontos fundamentais, temos outros elementos que garantem uma reunião produtiva: sala e ferramentas. Deve-se escolher uma sala que comporte, confortavelmente, todos os envolvidos e torne o ambienta agradável para as discussões, com presença de café, água e papéis para anotações. Ainda, deve-se atentar às ferramentas necessárias, como projetores, aparelhos de som, computadores com acesso à internet, ou outras ferramentas que possam auxiliar na apresentação e discussões (CORRÊA, 2006). 162 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 5.2 COMO PREPARAR A SALA? Na preparação da sala em que ocorrerá a reunião de apresentação da campanha, alguns elementos devem ser considerados, como: público, disposição das mesas e cadeiras, materiais, treinamento, ordem de apresentação e debates, distribuição de materiais e slides da campanha. Estes elementos você pode ver em detalhes no quadro a seguir. QUADRO 4 – ELEMENTOS DA SALA Público Procure saber quem são os participantes e quantos estarão presentes, para que a apresentação seja montada para melhor atender às expectativas. Materiais Os materiais precisam ser dispostos na sequência da apresentação. É desesperante quando a pessoa tem de parar para procurar um documento ou peça publicitária que deverá ser mostrada naquele momento. Treinamento Para que tudo saia perfeito, é preciso preparar-se adequadamente para a apresentação. A melhor forma para isso é treinar, fazendo a apresentação para um colega da empresa, o que ajuda a memorizar o que será dito e mostrado. Introdução e Sequência da Apresentação Logo no início é importante dar uma ideia do conteúdo, ou seja, o roteiro e o tempo que tomará a apresentação. Procure apresentar os dados e informações de maneira lógica, bem encadeada, de sorte que a exposição de uma parte conduza a seguinte etc. Debates Em qualquer situação, deixe sempre um tempo para debates e perguntas antes de encerrar. É natural que as pessoas tenham dúvidas, por melhor que seja a apresentação, ou queiram alguma informação adicional. Distribuição de Materiais A distribuição de materiais, como planos, relatórios, pelas publicitárias etc., só deve ser feita no final da apresentação para não desviar a atenção dos participantes. Se for feita durante a exposição, fatalmente as pessoas vão começar a ler e analisar o material recebido, desviando a atenção do que está sendoapresentado. Slides A elaboração de slides deve ser de forma muito simples, com pouco texto. Eles são apenas referências para o apresentador dissertar sobre o assunto. FONTE: Adaptado de Corrêa (2006) TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 163 Esses são alguns elementos essenciais que devem ser considerados quando o atendimento prepara uma reunião de apresentação de campanha. No entanto, ainda devem ser consideradas as particularidades do cliente que podem influenciar nas discussões da apresentação. Dessa forma, é fundamental que o atendimento (e demais envolvidos) preparem-se para este momento que é crucial para a agência e cliente. 6 AVALIAÇÃO DA CAMPANHAS A avaliação de campanhas é um dos momentos vivenciados por profissionais de atendimento e cliente. E, conforme você já viu até aqui, o atendimento deve ter os olhos do cliente e realizar avaliações anteriores ao cliente, buscando entregar as estratégias com maior assertividade. Nesse momento de avaliação, é fundamental que os profissionais envolvidos deixem de lado opiniões pessoais e se atentem às particularidades da marca em que a campanha está focada. Para isso, Corrêa (2006) apresenta alguns critérios que devem ser levados em consideração, ao se avaliar uma campanha. • Ideia diferente: deve-se considerar se a ideia apresentada é comum no segmento ou apresenta uma proposta diferenciada. Isso serve de base para avaliar se a campanha apresentará um posicionamento diferente que possibilitará maior lembrança. • Produto como foco principal: o produto, ou o foco da campanha, deve ser o item principal e deve estar claro ao receptor da mensagem. Ele não precisa, necessariamente, aparecer, mas sua proposta deve ser clara. Muitas campanhas são geniais, mas não deixam claro o produto na compreensão da mensagem. • Compreensão da mensagem: a história contada na mensagem deve ser clara ao consumidor. • Impacto: a peça publicitária deve despertar a atenção do recepto da mensagem. Assim, deve-se avaliar se a campanha traz impacto suficiente que provoque uma atenção maior ao anúncio publicitário em meio a tantas outras distrações. • Simplicidade: a peça deve ser simples, ir direto ao ponto sem rodeios. Isso é fundamental de maneira que os receptores da mensagem não tenham que fazer esforços para compreender o que a marca quer dizer. • Ideia central forte: a ideia central precisa ser forte, de maneira que estabeleça um relacionamento mais profundo com o receptor da mensagem. Corrêa (2006) discute sobre este critério apresentando uma situação: Lembro-me de um comercial para televisão da Honda no qual um rapaz, ao lado do motorista, colocava a cabeça para fora do carro que trafegava em uma estrada e sentia o prazer do contato com a natureza e do vento. A motocicleta não aparecia na tela, mas apenas a assinatura da marca no final era suficiente para que todos identificassem corretamente a mensagem: a sensação de liberdade e do contato gostoso com a natureza (CORRÊA, 2006, p. 224). 164 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO • Credibilidade: a campanha deve transparecer credibilidade, fazendo com que o receptor confie na mensagem que está recebendo. Muitas vezes, as campanhas focam em excesso de valorização do produto, gerando descrença ao receptor. Conforme Corrêa (2006, p. 224) diz: “Diga sempre a verdade e não tente esconder nada”. Vamos colocar em prática? Pense em uma campanha recente e reflita: a marca foi coerente em todos os aspectos estratégicos que vimos por aqui? ATENCAO Dessa forma, é fundamental que esses critérios sejam considerados, aliados também às características da marca, de maneira que a mensagem reflita a identidade presente. Ao considerar todos esses critérios, reduzimos discussões desnecessárias sobre opiniões pessoais e focamos em questões técnicas que devem ser consideradas ao desenvolver uma campanha. Isso contribui para trazer maior agilidade aos processos de planejamento de campanha, eleva os patamares de discussão sobre as marcas e, consequentemente, valoriza a agência. 7 NEGOCIAÇÃO Negociar é uma prática fundamental para o desenvolvimento das campanhas e constante em um mercado de comunicação. Isso se dá considerando que agências de comunicação não oferecem serviços que sejam padronizados, podendo oferecer um preço fechado aos clientes. Cada agência, fornecedor ou veículo poderá avaliar seu serviço oferecido e propor um preço que seja coerente (LUPETTI, 2009). No mercado de comunicação existem preços tabelados como valores padronizados por veículos de comunicação, serviços de impressão e até serviços de agência. A Tabela SINAPRO, que você pode ver no link a seguir, é um exemplo. Ainda assim, os agentes presentes na negociação têm a liberdade de barganhar os preços apresentados, ou seja, reduzir os preços de acordo com as possibilidades e realidades. Veja: http://www. sinaprosc.com.br/alma-do-negocio/tabela-de-servicos.html. ATENCAO TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 165 Nesse caso de preços, formatos especiais, prioridades e pautas de trabalho cheias, cabe aos profi ssionais de agência e, especialmente, o profi ssional de atendimento, saber negociar. Assim, a capacidade de negociação de um profi ssional, buscando o bem mútuo, pode trazer bons frutos para uma agência (LUPETTI, 2009). Como iniciar uma negociação? Bom, Lupett i (2009, p. 126) afi rma que é necessário saber entrar no jogo da negociação. A primeira premissa do negociador é evitar ceder de imediato qualquer coisa, seja uma oferta condizente, seja algo oferecido de graça. As ofertas com preços altos ou considerados justos têm de ser negociadas e as de valor reduzido não atraem uma negociação nem são valorizadas. É preciso ser hábil, e a habilidade consiste em saber jogar o jogo de ambos os lados, seja como comprador, seja como vendedor de serviços. Ao entrar no jogo da negociação, podem ser considerados dois aspectos que impactam diretamente no resultado da negociação: a negociação terá caráter competitivo ou colaborativo? Negociações de cunho competitivo são mais agressivas e consideram que uma das partes sairá ganhando e outra, sairá perdendo. O confronto gerado por este perfi l de negociação pode trazer resultados negativos para ambas as partes, pois colocará em risco futuras oportunidades de negócio. Já as negociações colaborativas, consideram que ambas as partes chegam a um acordo que visa o resultado positivo para todos (LUPETTI, 2009). É importante compreender que o processo de negociação é particular do contexto, das partes que negociam e dos objetivos a serem atingidos. Assim, não é possível estipular regras de negociação. No entanto, Lupett i (2009) propõe etapas para um processo de negociação, que podem trazer resultados positivos, sendo representadas por cinco etapas. FIGURA 10 – ETAPAS DE NEGOCIAÇÃO FONTE: Adaptado de Lupetti (2009) 166 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO Em um primeiro momento, denominado como planejamento, ocorre a preparação da negociação em que são defi nidos os objetivos, prioridades e limitações inerentes ao contexto. Dessa forma, o negociador deve pensar em características dos objetivos de negociação, que devem ser “mensuráveis, realistas e viáveis” (LUPETTI, 2009, p. 128). A partir desses objetivos, é possível imaginar quais ofertas seriam feitas pela outra parte da negociação e, assim, delimitar quais concessões são possíveis. Nesse momento, é importante que haja um esforço de preparação pelos profi ssionais, de maneira que possam prever situações. Em um segundo momento, tem-se a abertura da reunião, momento inicial de um processo que pode ser competitivo ou colaborativo. A abertura da reunião é um processo introdutório que possibilita descobrir as necessidades de ambas as partes. Se as duas partes forem colaborativas e estiverem devidamente preparadas, a negociação se desenvolve a caminha do sucesso. Caso a discussão enverede por caminhos competitivos, contorne o problema justifi cando que sua presençaali tem apenas o objetivo de discutir os principais aspectos que envolvem uma possível e futura negociação. A chance de sucesso mútuo é maior se houver entrosamento entre as partes e se o assunto exigir perguntas relacionadas às necessidades de cada um (LUPETTI, 2009, p. 129). A terceira etapa processo diz respeito à proposta. Nesse momento ocorre a apresentação das propostas pelos participantes. É importante que se compreenda que as propostas devem apresentar caráter fl exível, possibilitando a negociação. Lupett i (2009) dá um bom exemplo sobre propostas fl exíveis, conforme você pode ver na imagem a seguir. FIGURA 11 – EXEMPLOS DE PROPOSTAS FONTE: Adaptado de Lupetti (2009) É importante que, caso haja o interesse de redução de preço em uma negociação, seja oferecido em contra partida algo que reduza a perda de quem está baixando o preço. Por exemplo: redução de preço de serviços em troca de uma palestra realizada gratuitamente para os funcionários da agência. Dessa maneira, compreende-se que ambas as partes podem fi car satisfeitas com o resultado alcançado (LUPETTI, 2009). TÓPICO 2 | ATENDIMENTO AO CLIENTE 167 A partir da apresentação da proposta, é possível partir para a fase seguinte: a barganha. Neste momento, as partes buscam trazer maior benefício para si, analisando as propostas apresentadas. Lupetti (2009) expõe a importância, neste momento, do planejamento realizado, afirmando que uma boa estratégia é oferecer diversas propostas ao adversário. Dessa maneira, coloca-se sob a responsabilidade dele, a decisão de propostas previamente selecionadas por seu “adversário”. Quando se tem várias cartas na mesa, o “adversário” se entreterá analisando-as, sem ter muito tempo para pensar em uma ou duas opções, e por consequência, retrucar. A decisão de várias propostas é sua, no entanto, jogue-a para ao outro. Teoricamente, a outra parte decidirá e ficará contente porque ele decidiu o negócio (LUPETTI, p. 130). Após todo o processo de planejamento, abertura de reunião, proposta e barganha, chegou o momento de fechar o contrato. É neste momento que são acertadas todas as condições, oficializando o resultado da negociação. É importante que o processo de oficializar seja amparado por algum documento, seja um contrato ou e-mail que registe as decisões tomadas (LUPETTI, 2009). 8 PROSPECÇÃO DE CLIENTES Dentre as atividades realizadas em uma agência, está a prospecção de novos clientes, que garantirá a sustentabilidade da agência. Geralmente, essa atividade é desempenhada por profissionais que tenham perfis comerciais e técnicos da agência, como diretor comercial, ou até o profissional de atendimento (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002). Essa atividade diz respeito à busca de novos clientes e envolve a seleção de clientes potenciais, contato e relacionamento. A prospecção é geralmente confiada ao Diretor Comercial ou a um chefe de grupo que tenha qualidade de vendedor, além de sólidos conhecimentos gerais comerciais e técnicos. Se a agência for pequena um deles poderá consagrar uma parte do seu tempo aos seus clientes fixos e outra parte à prospecção; se a agência for maior, poderá ter supervisores especializados em cada setor, e se a agência for muito importante, os prospectores serão por sua vez especialistas, conforme os seus conhecimentos particulares, os mercados, as suas relações etc. (SANT’ANNA; JÚNIOR, GARCIA, 2002, p. 265). Você viu na Unidade 1 que os anunciantes devem colocar prática determinadas estratégias para conseguir vender seus produtos e conquistas novos clientes. Para isso, dependem dos serviços de uma agência de comunicação. E, com as agências, o cenário não é diferente e também depende de estratégias para alcançar e conquistar novos clientes. Para prospectar novos clientes, a agência deve considerar algumas estratégias básicas, como a promoção de vendas, prospecção racional e publicidade, que você pode ver no quadro a seguir. 168 UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO FIGURA 12 – ESTRATÉGIAS DE PROSPECÇÃO Promoção de Vendas Deve-se começar por um estudo aprofundado do funcionamento da agência e segundo as especialidades dos serviços particulares que ela pode pôr à disposição dos clientes. A seguir deve-se empreender verdadeiro estudo do mercado, com o fim de descobrir o gênero e o nome dos clientes prováveis, dos clientes possíveis e dos indiferentes A seguir, descobrir o maior número possível de informações sobre o cliente potencial a fim de poder argumentar com base. Prospecção Racional Um grande princípio de prospecção consiste em reunir, antes de qualquer diligência, o máximo de fatos que sejam imediatamente suscetíveis de interessar os diretores das empresas solicitadas. Pesquisa de mercado, informações sobre a concorrência. Assim o prospector falará a mesma linguagem dos clientes potenciais e irá conquistá-los por meio de uma exposição de fatos ou de ideias capazes de lhes interessar imediatamente. Publicidade Podem ser usados os seguintes meios: Publicidade de imprensa: em revistas especializadas ou em publicações industriais, econômicas ou comerciais. Publicidade direta: o primeiro objetivo é conseguir a autorização para a visita do representante da agência. O seguinte a manter um contato permanente com o diretor da empresa, em questão, até que se produza um novo fato, que permita a apresentação de novas propostas por parte da agência. FONTE: Sant’anna, Júnior e Garcia (2002, p. 263-264) Além desses elementos, os profissionais envolvidos com a prospecção de novos clientes devem estar atentos às informações adequadas que devem ser apresentadas em uma visita, buscando, assim, conquistar novos clientes. Ao se apresentar, a agência deve proporcionar ao cliente prospectado uma realidade sobre seu negócio, considerando: • História da agência. • Métodos de trabalho. • Habilidades ou experiências do quadro de colaboradores. • Campanhas de êxito que desenvolveu. • Anúncios e demais materiais produzidos. • Situação financeira da agência. Ainda, os profissionais responsáveis pela prospecção devem apresentar justificativas plausíveis sobre o atendimento ao cliente. A agência deve estar preparada para convencer o cliente-anunciante de que conhece suas características e está apta para apresentar estratégias de comunicação convincentes (SANT’ANNA, 2002). 169 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O profissional de atendimento deve apresentar organização e iniciativa. • A organização diz respeito às questões físicas ou mentais, garantindo que o ambiente esteja favorável para encontrar informações necessárias no momento necessário. • A Iniciativa representa a proatividade do profissional, em agir antes mesmo do cliente, otimizando processos e trazendo facilidades ao momento de desenvolvimento de uma campanha. • Existem diversas nomenclaturas para um profissional de atendimento, como executivo de contas, atendimento e negócios etc. • O atendimento deve considerar, além da gestão de atividades da agência, um conhecimento sobre negócios, antecipando decisões do cliente na agência. • Existem diversos tipos de clientes que podem ser atendidos, como Bens de consumo, Serviços, Bens industriais (ou Business to Business), Intermediários, Entretenimento, Associações e Governo. • Bens de consumo são organizações que vendem produtos para o consumidor final. • Serviços são organizações que oferecem serviços. • Bens industriais (ou Business to Business) são organizações que vendem produtos ou serviços para outras empresas, podendo ser para uso ou revenda. • Intermediários são organizações que estão entre o consumidor final e organizações de bens de consumo. Estas, compram os produtos de organizações de bens de consumo e revendem para o consumidor. • Entretenimento são organização que tem como produto base o oferecimento de entretenimento. • Associações são organizações de pessoas que apresentam objetivo em comum. • Governo são órgãos governamentaispodendo ser secretariais, ministérios, prefeituras etc. 170 • Cabe ao profissional de atendimento compreender as particularidades dos tipos de anunciantes, para oferecer as melhores estratégias. • A apresentação de campanhas deve seguir uma organização prévia, garantindo um ambiente favorável para discussão e aprovação de uma campanha. • Para a apresentação de uma campanha, devem ser considerados: à forma de condução e preparação da sala. • Para avaliar uma campanha, o atendimento deve considerar alguns critérios técnicos e fugir das opiniões pessoais. Dentre os aspectos técnicos estão: ser uma ideia diferente, apresentar o produto como foco principal, apresentar fácil compreensão, ter impacto, ser simples, ter uma ideia central forte e credibilidade. • A negociação é uma das atividades essenciais em uma campanha e deve buscar o acordo entre partes. • Para criar um ambiente favorável à negociação, devem ser considerados? planejamento, abertura da reunião, proposta, barganha e fechamento do contrato. • Prospectar novos clientes pode ser uma das responsabilidades do atendimento. Para isso, devem ser consideradas estratégias e o profissional deve ser claro na apresentação da agência ao possível cliente. 171 AUTOATIVIDADE 1 Uma das tarefas de um profissional de atendimento é avaliar as peças publicitárias desenvolvidas, antes de apresentá-las ao cliente. Neste momento, o profissional deve ter um olhar atento às particularidades que devem ser atendidas e solicitar ajustes caso seja necessário. Uma campanha só pode ser apresentada para o cliente se já passou pelo olhar no Atendimento. De acordo com o exposto, relacione os critérios de análise da campanha a seguir. (A) Ideia diferente. (B) Produto como foco principal. (C) Compreensão da mensagem. (D) Impacto. (E) Simplicidade. (F) Ideia central forte. ( ) Deve-se considerar se a ideia apresentada é comum no segmento ou apresenta uma proposta diferenciada. ( ) A ideia central precisa ser forte, de maneira que estabeleça um relacionamento mais profundo com o receptor da mensagem. ( ) A peça publicitária deve despertar a atenção do recepto da mensagem. ( ) A história contada na mensagem deve ser clara ao consumidor. ( ) O produto, ou o foco da campanha, deve ser o item principal e deve estar claro ao receptor da mensagem. ( ) A peça deve ser simples, ir direto ao ponto sem rodeios. 2 A prospecção de clientes é uma das atividades que pode ser desempenhada pelos profissionais de atendimento, além da gestão de campanhas e atendimento a clientes. A prospecção é tão importante quanto a gestão de clientes e deve ser considerada por uma agência de comunicação. O que é a prospecção de clientes e qual é a sua importância? 3 Todos os profissionais de uma agência apresentam responsabilidades específicas, garantindo que campanhas publicitárias aconteçam. É importante que haja o envolvimento de todos os profissionais em conjunto, mas é fundamental que haja uma delimitação clara das atividades. Existem funções claras para os profissionais de mídia, criação, planejamento, produção, tráfego etc. Neste contexto, assinale a alternativa que NÃO representa uma atividade do atendimento. 172 a) ( ) Controle de prazos. b) ( ) Relacionamento com clientes. c) ( ) Prospecção de novas contas. d) ( ) Aprovação de campanhas. e) ( ) Orçamento com veículos de comunicação. 173 TÓPICO 3 BRIEFING UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Você já viu nas Unidades 1 e 2 deste livro que é necessário planejar as ações de comunicação sob diferentes aspectos, desde as estratégias envolvendo canais às estratégicas que envolvem uma “sacada” criativa. Viu também que o mercado publicitário se configura de maneira complexa envolvendo diversos agentes e que o atendimento é um profissional fundamental em uma agência, exercendo o papel de “orquestrar” uma campanha, prospectar clientes, estabelecer relacionamento com clientes e se envolver em negociações importantes. Nesse processo, considere que um profissional de atendimento deve ser o elo entre cliente e agência e, portanto, deve demandar os serviços internamente de maneira que resolva os problemas de comunicação dos anunciantes atendidos. Pare para pensar como ocorrem os pedidos de novos serviços nas agências? Existem processos estabelecidos? Bom, a resposta para esta última pergunta é: Sim. Ao identificar a necessidade de realizar uma campanha de comunicação, um anunciante deve formalizar seu pedido à agência, diretamente ao profissional de atendimento que irá se responsabilizar pela primeira etapa do planejamento de campanha: o Briefing. O Briefing nada mais é o do que a formalização de uma nova demanda do anunciante na agência, ocorrendo de diversas maneiras e sendo documentada por meio de um Checklist a ser compartilhado com a agência. Vamos entender mais sobre este processo de “brifar” uma campanha? 2 POR QUE O BRIEFING É FUNDAMENTAL? Briefing é um termo da língua inglesa muito utilizado quando tratamos do campo da comunicação, seja em Relações Públicas, Promoção, Propaganda, Merchandising etc. Esse termo tem como significado básico a transferência de informação de uma pessoa para outra que, em nosso caso, se trata do anunciante para o profissional de atendimento. Após isso, cabe ao profissional de atendimento transferir essas mesmas informações aos profissionais da agência que atuarão no desenvolvimento das ações de comunicação (SAMPAIO, 1999). UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 174 Essa transferência de informações pode ocorrer de diversas formas, seja presencialmente, por telefone ou e-mail, sendo formalizadas em um documento. Mesmo podendo ocorrer de diversas maneiras, o fundamental de um bom briefing é a minuciosidade na apresentação de informações, que garantirá diversos ganhos no processo de desenvolvimento de uma campanha, como: • otimização e melhor uso do tempo; • redução de riscos; • redução de retrabalho; • maior assertividade no desenvolvimento das estratégias; • maior assertividade no atingimento dos objetivos. Como, de fato, fazer um bom briefing? Precisamos ser extremamente minuciosos no detalhamento das informações? Ou devemos ser sucintos e diretos? Bom, Sampaio (1999) aponta alguns pontos relevantes sobre este questionamento. 1. Primeiramente, um briefing deve ser tão longo e tão curto quanto necessário, não deixando de lado informações fundamentais, nem, apresentando informações desnecessárias. 2. Um briefing deve ser seletivo, ou seja, apresentar somente as informações que sejam relevantes ao processo. Isso contribui para definir foco e evitar dispersões. 3. Devemos evitar que o briefing seja o objeto final, com demasiadas informações. Deve ser um instrumento de um objeto final que, no caso, é a campanha de comunicação. 4. Um bom briefing deve estar completo, fornecendo informações suficientes. Um briefing muito reduzido, deixa espaço livro para imaginação. Nesse caso, há o risco de fuga do que foi proposto. Como você pode ver, o briefing deve ser assertivo, apresentando informações que sejam realmente relevantes para o processo de desenvolvimento de uma campanha, evitando desperdícios de informação ou ausência da mesma. Garantir que todas as informações sejam coletadas e repassadas aos profissionais da agência garantirá que estes tenham maior segurança no desenvolvimento das estratégias, pois terão a certeza que caminharão para a direção correta, conforme realidade e expectativas do cliente. 3 O BRIEFING NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO DE CAMPANHA Como já vimos, o briefing cumpre o papel de transmitir a informação do anunciante para o atendimento, seguindo para os profissionais da agência. A partir do compartilhamento das informações, os profissionais estão aptos para trabalhar nas etapas do planejamento de comunicação, caracterizado pela figura a seguir. TÓPICO 3 | BRIEFING 175 FIGURA 13 – PLENEJAMENTO DE CAMPANHA FONTE: A autora O que vemos nesta fi gura é umasérie de pré-requisitos para o desenvolvimento de uma campanha sendo que, determinadas etapas tem um envolvimento maior de determinadas áreas. A primeira etapa, por exemplo, segue com um envolvimento maior dos profi ssionais de planejamento e mídia. De outra maneira, a partir das estratégias, temos o envolvimento dos profi ssionais de planejamento, criação, mídia e produção, assim como no gerenciamento e controle. Diferentemente destes profi ssionais, o profi ssional de atendimento atuará em todo o processo, obtendo as informações necessárias para o cumprimento destas etapas, por meio do briefi ng. Neste ponto, vemos que o briefi ng pode contribuir com o processo de desenvolvimento de uma campanha de maneira gradativa. [...] o briefi ng é um processo contínuo e cumulativo através de todos os estágios do planejamento de propaganda. Se cada estágio for corretamente realizado, o passo seguinte torna-se muito mais claro, fácil, certo e preciso. Um processo de briefi ng ocorre, como vimos, todas as vezes que uma informação passa de um ponto a outro. Dentro desse conceito, o propósito do briefi ng pode ser estabelecido como uma forma de organizar a passagem da informação certa – das pessoas certas para outras pessoas certas –, na hora certa, de maneira certa e pelo custo certo (SAMPAIO, 1999, p. 262 e 263). Dessa forma, vemos que o briefi ng deve ser coletado e distribuído aos profi ssionais de maneira adequada. Como coletar essas informações? Bom, Sampaio (1999) aponta que o processo de coleta deve considerar uma sequência de perguntas que devem ser respondidas pelo anunciante em formalizadas em um documento. Essas perguntas podem estar estruturadas em um checklist que deve ser preenchido pelo profi ssional de atendimento, considerando cinco grandes tópicos: produto (ou serviço), mercado, consumidores, objetivos, estratégia básica. Todos estes tópicos apresentam relações diretas com etapas do planejamento de comunicação que, por sua vez, demandam tarefas dos profi ssionais da agência. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 176 QUADRO 5 – ETAPAS DO BRIEFING, PLANEJAMENTO E PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS Etapas do Briefing Etapas do Planejamento Profissionais envolvidos Produto ou Serviço Diagnóstico: identificação do produto. Atendimento, Planejamento e Mídia. Mercado Diagnóstico: análise da concorrência. Atendimento, Planejamento e Mídia. Consumidores Diagnóstico: definição dos públicos de interesse. Atendimento, Planejamento e Mídia. Diagnóstico: mapeamento da jornada. Atendimento, Planejamento e Mídia. Objetivos Diagnóstico: objetivos de comunicação. Atendimento, Planejamento e Mídia. Estratégia Básica Estratégias: definição do tipo de campanha. Atendimento, Planejamento e Criação. Estratégias: definição da estratégia de campanha. Atendimento, Planejamento e Criação. Estratégias: definição do mix de comunicação. Atendimento, Planejamento, Criação, Mídia e Produção. Estratégias: orçamentos. Atendimento, Planejamento, Mídia e Produção. FONTE: A autora 4 ROTEIRO DE UM BRIEFING Até aqui você já compreendeu que este documento e fundamental para o início de um serviço em comunicação e que, para que ocorra, é necessário considerar alguns elementos. Como, de fato, este documento se configura? Bom, o briefing consiste em um documento que deve ser preenchido considerando diversas etapas relacionadas à marca do cliente, produto e expectativas. Sampaio (1999) apresenta um modelo de checklist do Briefing, que deve ser considerado pelo profissional de atendimento, durante a reunião com o cliente. Este checklist considera os grandes pilares: produto, mercado, consumidores, objetivos, estratégia básica. TÓPICO 3 | BRIEFING 177 QUADRO – MODELO DE CHECKLIST DO BRIEFING ETAPA 1 (PRODUTO OU SERVIÇO) 1. Nome. 2. Descrição. 3. Propriedades. 4. Histórico. 5. Aparência física. 6. Embalagem. 7. Preço e tendência. 8. Custo x benefício. 9. Vantagens. 10. Desvantagens. 11. Como é usado. 12. Frequência de uso. 13. Local de fabricação. 14. Capacidade de produção. 15. Disponibilidade. 16. Concorrentes. 17. Vantagens e desvantagens relativas aos concorrentes. 18. Diferencial. 19. Imagem de marca. ETAPA 2 (MERCADO) 20. Canal de venda. 21. Importância relativa. 22. Como se vende o produto ou se presta o serviço. 23. Tamanho do mercado (presente e potencial). 24. Sobreposições de mercado. 25. Influência do atacado e do varejo. 26. Tendências das vendas (do produto ou serviço, da categoria, do mercado total). 27. Influências (regionais, sazonais, demográficas). 28. Distribuição. 29. Organização do mercado. 30. Atitudes dos distribuidores. 31. Influência da força de vendas. 32. Efeitos da propaganda. 33. Investimentos em comunicação. 34. Concorrência. 35. Pesquisas realizadas. ETAPA 3 (CONSUMIDORES) 36. Os compradores (do produto/serviço, da concorrência e potenciais), (os itens a seguir se aplicam a cada um dos três grupos definidos acima, quando essa separação tiver sentido no caso específico). 37. Ocupação. 38. Profissão. 39. Posição social e cultural. 40. Quantidade. 41. Nível de Escolaridade. 42. Localização (onde eles moram, trabalham, passeiam). 43. Grupos de idade. 44. Sexo. 45. Nível de renda. 45. Segmentação psicográfica. 47. Decisões de compra (formais e informais). 48. Influenciadores da compra (dentro e fora de casa/empresa). UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 178 49. Necessidade do produto/serviço. 50. Atitudes do consumidor (preço, qualidade, utilidade, conveniência). 51. Atitudes subconscientes. 52. Grau de conscientização sobre o Produto. 53. Hábito de compra/uso. 54. Frequência de compra /uso. 55. Principais ações de compra/uso. ETAPA 4 (OBJETIVOS) 56. Objetivos estratégicos da empresa. 57. Objetivos de marketing (da empresa, linha, marca, produto) em termos de volume, valor, participações, ampliação do mercado, rentabilidade). 58. Objetivos de venda (resultado prático final). 59. Objetivos de comunicação (quem atingir, quantos atingir, o que comunicar, que atitude/resposta se deseja motivar a curto e a longo prazo). 60. Problemas (que atrapalham a obtenção dos objetivos). 61. Oportunidades (que facilitam a vida da obtenção dos objetivos). ETAPA 5 (ESTRATÉGIA BÁSICA) 62. Ferramentas de comunicação. 63. Peças sugeridas e conteúdo básico. posicionamento (como a empresa, linha, produto, marca quer ser percebida no mercado). 65. Approach criativo (sugestões). 66. Pontos obrigatórios a serem destacados ou evitados. 67. Target primário e secundário. 68. Mercados (regiões e segmentos) a serem cobertos. 69. Meios de comunicação e veículos sugeridos. 70. Período de veiculação desejado. 71. Estilo (da empresa, linha ou marca) a ser seguido. 72. Verba disponível. FONTE: Adaptado de Sampaio (1999) Como você pode ver, o briefing é organizado com a finalidade de ceder informações sobre o cliente em diversos aspectos, exigidos no Planejamento de Comunicação e Planejamento de Mídia que vimos nas Unidades 1 e 2. A partir dessas informações coletadas junto ao cliente, é possível estabelecer as análises de cenários necessárias para as construções das estratégias de comunicação e de mídia que possam atingir os objetivos propostos. É válido ressaltar que, em alguns casos, muitas das informações não poderão ser coletadas devido ao formato do anunciante, seja em sua estrutura organizacional, modelo de negócio ou até mesmo capacidades do setor de Marketing em oferecer essas informações. É fundamental que exista um esforço para obter o máximo de informações sobre o cliente, garantindo, assim, maior assertividade na construção das estratégias a serem aprovadas, e, principalmente, no atingimento dos objetivos do anunciante. TÓPICO 3 | BRIEFING 179 LEITURA COMPLEMENTAR RIP, AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO Alexandre Alfredo Modelo atual só reforça o pensamento arcaico em lidar com reputação das marcas; sua morte é inevitável caso nada seja feitoNão quero ser o cavaleiro do Apocalipse, mas trago más notícias: o modelo atual das agências de comunicação faliu, morreu e não será ressuscitado. Sim, você leu certo! As agências de relações públicas (muitas são ainda, na verdade, assessorias de imprensa) estão com seus dias contados. Explico: como a mentalidade da maioria delas ainda é focar em atividades envolvendo exclusivamente jornalistas, espécie em extinção, está chegando a hora em que elas não terão mais com quem falar, infelizmente. O foco em atividades direcionadas a editores e repórteres é só a ponta do iceberg. Basta mergulhar um pouco mais para entender que o modus operandi trincou. Acompanhe a seguir: 1) Fala que eu te escuto: em geral, quando uma empresa vai atrás de uma consultoria de comunicação é porque está em apuros ou quer vender um determinado produto ou serviço. E, como o nome consultoria sugere, busca orientação, conselho, direcionamento. O que acontece na prática é que as agências acabam falando menos e reagindo mais. Este approach reativo está calcado no fato de muitas agências ainda terem pencas de jornalistas em seus quadros de funcionários. E jornalistas sempre foram treinados para atuar com um chapéu específico: contar histórias no mundo off-line. Não existe certo ou errado aqui, mas a verdade é que as habilidades necessárias para vencer em um ambiente de agência vão muito além um bom texto. Faço uma ressalva aqui. Desde os 12 anos de idade, quis ser jornalista. Me formei na área e exerci a profissão por vários anos. A verdade dói, mas precisamos reconhecer que nossa profissão, como foi desenhada inicialmente, virou pó. UNIDADE 3 | ATENDIMENTO PUBLICITÁRIO 180 Outro ponto a ser discutido é a juniorização das agências. Em primeiro lugar, há que ser justo e notar que ela acontece na mesma proporção e velocidade adotadas pelas áreas de comunicação das grandes corporações, o que só prejudica o jogo. Dez em cada dez pitches seguem o mesmo script: os caciques das agências costumam aparecer frente aos contratantes e discursar sobre como a sua empresa é diferente, integrada, só trabalha com gente bem preparada para fazer as entregas necessárias, blá blá blá. O walk the talk dura algumas horas, talvez dias e, passada as tais reuniões de imersão, os atendimentos são as cabeças que debatem e decidem a reputação das corporações. Será que alguém com dois ou três anos de experiência tem capacidade para decidir o posicionamento de uma marca X sobre o universo LGBTQ+ ou as recentes queimadas na Amazônia? Sobre o uso de canudinhos? Ou ainda economia circular? Não estou aqui dizendo que deveria ser diferente. Entendo que, se você quer ganhar um negócio, tem que ir com o melhor time disponível. Nada mais justo que esse mesmo time esteja presente sempre que necessário. Raramente é o caso. 2) Estômago X cérebro: basicamente, temos três categorias de agências de comunicação. Uma delas é batizada boutique. Em geral, são pequenas empresas que atuam em nicho e têm em seu quadro societário colegas de profissão e amigos. Seu lema é ter poucos clientes e entregar bem. Uma segunda leva é formada por aquelas agências que nasceram, cresceram e se casaram com grupos internacionais (leia-se: foram compradas pelas WPPs e Omnicoms deste planeta). O próximo passo, como nos ensinou Galileu Galilei em seu Ciclo da Vida, é morrer. Sim, porque, geralmente, sua essência vira fumaça no momento que o cheque gordo é depositado na conta bancária dos fundadores. A terceira e mais populosa turma (estudos apontam que temos hoje mais de duas mil agências Brasil afora) ainda são empresas familiares. E aí, meus caros, temos o anjo e o demônio de mão dadas. O bem se faz presente porque, teoricamente, elas poderiam ser ágeis e astutas em fazer primeiro. Em desbravar mercados. Em testar novos produtos e formatos de atendimento. Tudo isso sem ter que passar pelos vários níveis de aprovação que as agências gringas exigem. Gostou? Faz! Quer testar? Tô dentro! Vamos nessa! E sem precisar passar por oito calls, seis versões de um plano em Power Point, catorze reuniões, incluindo gente que se senta em Nova York, São Francisco ou Londres e que sabe pouco ou nada do mercado local. Diferentemente das histórias da Disney, aqui o mal prevalece sobre o bem. Isso porque as agências familiares parecem seguir a mesma cartilha de funcionamento: decisões lentas (e muitas vezes erradas por serem baseadas puramente em emoções), falta de processos (o que exige retrabalho e horas gastas com tarefas inúteis feitas por gente cuja hora laboral é cara e que deveria estar participando de outras atividades como inovar, por exemplo) e carência de visão estratégica (Hamlet, personagem 181 icônico de Shakespeare, nos fez pensar sobre existir ou não existir ao declamar To be or not to be, that´s the question). Pois é, as agências nacionais precisam refletir sobre o que querem ser nesta vida. É oferecer mais do mesmo? Qual é a sua razão de ser? Sua causa? Seu diferencial? São perguntas que devem ser respondidas. Até acredito que algumas delas querem discutir seu propósito. Não sabem como. Tampouco sabem pedir ajuda. É tudo muito caseiro, tosco e recheado do tal jeitinho. Muitas gritam por socorro quando já estão debaixo d´água – muito esforço para quase zero resultado. Outras parecem acreditar que, num passe de mágica, tudo será resolvido. 3) Déjà vu: a tríade da comoditização de serviços e produtos, baixa qualidade dos profissionais que habitam os corredores das agências e um pensamento arcaico sobre como fazer comunicação faz com que as agências de relações públicas continuem em seu cercadinho, sempre pautadas por inchadas e desleais concorrências, fees que beiram o ridículo (continuam sendo os primos pobres da publicidade) e turnover alto – este último ponto é agravado pela inexistência de áreas de recursos humanos nas agências. É como se elas fizessem parte do filme O Dia da Marmota, estrelado por Bill Murray e Andie MacDowell. A película conta a história de Phil Connors, um meteorologista presunçoso e arrogante que fica preso em uma armadilha atemporal que o faz reviver o mesmo dia sem fim. Todos perdem neste cenário. Nem por isso devemos abolir agências de comunicação dos planos de negócios e planilhas de budget em Excel das empresas. Prova disso é que renomadas consultorias como Accenture, McKinsey e EY, só para citar algumas, resolveram entrar neste jogo. Isso nos dá uma ou duas pistas sobre a demanda reprimida que existe por um trabalho de inteligência quando o assunto é a marca das corporações. Essas consultorias já entram em vantagem nesta briga por apresentarem um portfólio customizado de acordo com as necessidades dos clientes, mix de pessoas que pensam de maneira diferente e complementares (sim, é saudável discordar!) e processos de todos os gostos, tamanhos e cores. Não estou aqui cuspindo no prato que comi (já trabalhei em agências de pequeno, médio e grande porte. E aprendi muito em todas elas. Aprendi a acertar. E a errar também). Ao contrário. Como disse no início deste artigo, o modelo atual das agências caducou. Ainda acredito que seja possível proteger e projetar marcas valendo-se de tecnologias disruptivas, pessoas com capacidade de pensar em profundidade e, acima de tudo, doses intravenosas de coragem, muita coragem para arriscar e fazer diferente. Caso contrário, as agências de comunicação viverão para sempre o seu dia da marmota. FONTE: ALFREDO, A. RIP, agências de comunicação. Meio e mensagem, 2019. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2019/09/25/rip-agencias-de- comunicacao.html>. Acesso em: 15 abr. 2020. 182 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Briefing é a denominação da transferência de informações entre anunciante e atendimento e, atendimento e profissionais da agência. • Um briefing bem feito pode trazer diversos benefícios, como: otimização do tempo, redução de riscos, redução de retrabalho, assertividade nasestratégias e objetivos. • Para ser bom, é necessário que o briefing se atente às informações necessários, sem ausência de informações ou excessos. • O briefing contribui para o desenvolvimento do planejamento de comunicação, nas etapas de diagnóstico e estratégias, sendo um processo contínuo durante o processo de planejamento. • Para a coleta das informações fundamentais, é necessário seguir um checklist de perguntas a serem respondidas pelo anunciante. • Os cinco principais tópicos que devem ser considerados no briefing são: produto (ou serviço), mercado, consumidores, objetivos, estratégia básica. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 183 AUTOATIVIDADE 1 O briefing é um documento que faz parte do processo de coleta de informações do anunciante para a agência. Dessa forma, os profissionais que estão envolvidos na coleta de informações devem se atentar a informações específicas, de maneira que possa garantir assertividade nas ações planejadas. Sobre o briefing, analise as sentenças a seguir. I - Um briefing bem feito é um briefing longo, com excesso de informações. II - O processo de coleta de informações do briefing deve ser realizado diretamente pela área de criação, com a finalidade de reduzir processos. III - Briefings adequados garantem menor risco no desenvolvimento das estratégias e maior atingimento dos objetivos. Dessa forma, é possível afirmar que: a) ( ) Apenas o item III está correto. b) ( ) Apenas os itens I e III estão corretos. c) ( ) Apenas os itens I e II estão corretos. d) ( ) Nenhum dos itens está correto. 2 Realizar o briefing de uma campanha é uma das tarefas essenciais em um processo de desenvolvimento de campanha. A sua realização garante inúmeros benefícios aos profissionais da agência em seus processos criativos. Sobre esta realidade, assinale a alternativa que apresenta o profissional que NÃO se necessita do briefing em uma agência de comunicação. a) ( ) Mídia. b) ( ) Produção. c) ( ) Planejamento. d) ( ) Nenhuma das alternativas. 3 O checklist de um briefing considera diversas temáticas fundamentais para o desenvolvimento das estratégias, como o reconhecimento do produto, mercado, consumidor, objetivos e estratégias, que abordam questões específicas. Avalie as questões a seguir e assinale à etapa correspondente. 1. Imagem e marca. 2. Influenciadores de compra. 3. Objetivos de marketing. 4. Peças sugeridas e conteúdo básico. 5. Tendências de venda. 184 ( ) Produto ou serviço. ( ) Mercado. ( ) Consumidores. ( ) Objetivos. ( ) Estratégia básica. 185 REFERÊNCIAS AAKER, D. Construindo marcas fortes. São Paulo: Bookman, 2007. AAKER, D. Marcas brand equity: gerenciando o valor da marca. São Paulo: Negócio, 1998. BARBAN, A. M. et al. A essência do planejamento de mídia: um ponto de vista mercadológico. São Paulo: Nobel, 2001. Disponível em: https://books. google.com.br/books?id=Mr34CrLzCgEC&printsec=frontcover&hl=pt- BR#v=onepage&q=tempo%20livre%20reduzido&f=false. Acesso em:15 jan. 2020. CORRÊA, R. Comunicação integrada de marketing. Editora Saraiva, 2017. CORRÊA, R. O atendimento na agência de comunicação. São Paulo: Global, 2006. CRESCITELLI, E.; SHIMP, T. A. Comunicação de marketing: integrando propaganda, promoção e outras formas de divulgação. São Paulo: Cengage Learning, 2016. [e-book]. 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