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PORTAGE
1. O QUE É?
O inventário portage é um inventário comportamental de pais, que faz parte do sistema Portage. O Sistema Portage consiste em:
- Proposta de procedimento de treino domiciliar;
- Um currículo para avaliação e ensino de crianças especiais;
- O inventário portage.
Data de publicação original: 1978;
Em 2001, foi traduzido, no Brasil. Na época, era utilizado apenas voltado para treino de habilidades, mas passou a ser um instrumento de avaliação para identificar em que etapa a criança se encontra e orientar os profissionais no planejamento das intervenções adequadas.
As mesmas autoras responsáveis pela tradução, oferecem, na mesma, instrumentos p/ intervenção a famílias de crianças especiais e de risco; modelo de intervenção com famílias nos seus domicílios; modelo de investigação acessível na pesquisa; treino domiciliar e de professores.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
- A definição do comportamento esperado;
- As condições que o avaliador deve propor (como as instruções que devem ser dadas, qual material necessário, ex.: brinquedos)
- Critério de exigência p/ considerar o comportamento como tendo sido alcançado;
Tudo isso em prol de uma avaliação mais digna possível ao desenvolvimento infantil.
2. OBJETIVO
- Servir de ferramenta de suporte e orientação para uma descrição de comportamentos, voltado para crianças na faixa etária de 0 a 6 anos;
- Facilitar a construção de um parecer para uma posterior intervenção; visando a aquisição de desempenho nas atividades constatadas em déficit durante a idade pré-escolar nas 5 áreas do desenvolvimento: desenvolvimento motor, cognição, autocuidado, socialização e linguagem.
Embora o guia tenha se apoiado em padrões típicos de desenvolvimento, é possível que nenhuma criança com comportamento típico siga com exatidão a sequência proposta; ou seja, algumas crianças podem apresentar itens fora de sequência, omiti-los ou requerer objetivos intermediários adicionais p/ aprender um item específico do inventário.
Nesse caso, cabe ao profissional usuário do inventário alterar a sua sequência e objetivos p/ atender as necessidades específicas de cada criança; e se lembrar de que o processo de desenvolvimento é cumulativo e que há sobreposição das áreas abordadas.
Ou seja, a responsabilidade pela subjetividade de cada criança e identificação das respostas é do profissional avaliador.
3. ESTRUTURAÇÃO
É feita pela listagem de atividades propostas que são divididas em faixas etárias:
- 0 a 1 ano
- 1 a 2
- 2 a 3
- 3 a 4
- 4 a 5
- 5 a 6
São 580 comportamentos listados onde foram estabelecidos critérios de comportamento comum esperado, separados em 5 áreas base e 1 que só é aplicada em bebês de 0 – 4 meses, quando estes não apresentam nenhum comportamento listado na primeira metade de todas as 5 áreas descritas que o instrumento abrange.
· Avaliação por Faixa Etária
Inicia-se pela faixa etária anterior a da criança observada.
O critério utilizado p/ a avaliação pertinente à faixa etária corresponde ao fato da criança apresentar 15 respostas positivas consecutivas em cada área. Caso não apresente, uma faixa etária é retrocedida; p/ avançar uma faixa, deve-se certificar de que pelo menos 15 comportamentos foram observados dentro de cada área, passando a se avaliar na próxima faixa etária.
Deve-se interromper quando a criança parar de apresentar 15 comportamentos consecutivos na avaliação.
O tempo de sessão, deve durar, em média, 30 minutos, dando preferência, se possível, a horários diferentes do dia e finalizar a sessão com atividades agradáveis à criança.
· Estratégias de Análise
Dentre todos os componentes, o observador é quem decidirá quais atividades aplicar em qual área; considerando os critérios de avaliação do instrumento e usando como base uma ou uma combinação de abordagens desenvolvimentistas p/ seus estudos; como por exemplo:
- a behaviorista, através do estudo acerca da mudança do comportamento a partir de experiências; 
- a psicométrica, que mede as diferenças quantitativas nas habilidades que compõem a inteligência;
- a piagetiana, que se volta p/ as mudanças ou estágios na qualidade do funcionamento cognitivo, buscando saber como a mente estrutura suas atividades e se adapta ao ambiente;
- a do processamento de informação, que focaliza a percepção, aprendizagem, memória e resolução de problemas, objetivando descobrir como as crianças processam as informações no momento em que as recebem até o momento em que utilizarem-nas;
- a neurociência cognitiva, buscando identificar quais estruturas cerebrais estão envolvidas em aspectos específicos cognitivos;
- a sociocontextual, que examina os efeitos dos aspectos ambientais dos processos de aprendizagem, o papel dos pais e dos outros cuidadores.
· Procedimento de Avaliação
O ideal é que o cuidador fique como mediador da observação, explicando e aplicando as atividades. Essa observação se trata de uma investigação particular, p/ identificar pistas p/ a indicação de intervenção mais adequada.
Também deve-se evitar distrações desnecessárias, fora do cotidiano da criança; além de tentar ser claro e objetivo nas orientações, certificando-se de que a integridade da criança será preservada durante a execução das atividades. 
Os materiais utilizados nas avaliações são compostos de diferentes objetos, como brinquedos e jogos, indicados em cada área do desenvolvimento e que se adequem ao local de aplicação – o qual pode ser a casa da criança e de preferência com a pessoa da família que ela mais convive.
· Áreas de desenvolvimento estabelecidas
- COGNIÇÃO
Linguagem receptiva e o estabelecimento de relações de semelhanças e diferenças;
Segundo Feldman e Papalia (Desenvolvimento Humano), cognição e personalidade estão mais sujeitos às variações da experiência, o tipo de família que educa a criança, a escola que frequenta e pessoas que ela conhece.
Uma área pertinente é a ação de aprender a ler, visto que a criança precisa atingir um certo nível de capacidade cognitiva, linguística e cognição.
O ambiente tem um importante papel no desenvolvimento de atividades escolares, como a leitura. E aí fica mais evidente a importância dessa área no contexto escolar.
- SOCIALIZAÇÃO
São habilidades relevantes na interação com as pessoas. É através dela que a criança desenvolve hábitos, habilidades, valores e motivações que as tornam membros responsáveis e produtivos de uma sociedade.
A resposta positiva às expectativas parentais podem ser o primeiro passo p/ a internalização dos padrões sociais, fundamentais p/ que as crianças bem sucedidas na socialização possam não mais obedecer aos comandos apenas p/ receber recompensas ou evitar punições, mas, sim, p/ internalizarem como sendo próprios padrões sociais.
No IPO, o segmento é composto por 28 comportamentos no 1 ano de vida do bebê, mas até os 6 anos o total de comportamentos avaliados no material é de 83.
As orientações referem-se a descrição de comportamentos pra classes de reposta: estabelecer contato visual, vocalizações, acariciar, interagir com o adulto, manipular objetos, brincar, imitação motora de gestos e discriminação auditiva.
O critério mínimo é de 3 respostas em 4 tentativas, sendo consideradas as iniciadas em até 30s.
- LINGUAGEM
É o comportamento verbal expressivo, no qual a criança pode utilizar p/ representar objetos, ações e comunicar suas ideias.
4. PROCEDIMENTO DE AVALIAÇÃO
O preenchimento será feito somente na primeira coluna.
Deve-se observar item por item e marcar os dados obtidos ao lado de cada comportamento da seguinte forma:
Marcar com:
Letra S: p/ os comportamentos que o aluno emitir com previsão; valem 1,0 ponto;
AV: emitidos de forma intermitente (às vezes); valem 0,5;
N: os que não são emitidos. Valem 0 ponto.
Vale ressaltar que para a observação e o preenchimento da tabela, nós desconsideramos as idades; mas, para calcularmos, devemos considerar os intervalos de idades.
Por exemplo, de 29 comportamentos esperados no intervalo de idade 0-1, foram realizados 24, equivalendo-se a 24 pontos.
 
Daí,pegamos o resultado da avaliação referente aquela faixa etária, x 12 e dividindo pelo total esperado (29).
Isso é feito com o restante dos intervalos etários.
No fim, somamos o total de pontos dos intervalos das idades e encontramos o total de meses.
Para encontrarmos o total de anos, basta dividir esse resultado da soma dos meses por 12 (que é o total de meses).
Também existe a tabela de aproximação dos meses.
 Devem ser selecionados do Portage aqueles objetivos que sejam prioritários para o aluno, ou seja, os não alcançados.
 Os objetivos em cuja avaliação o aluno obteve A.V. (às vezes), devem ser trabalhados para reforço até que sejam alcançados.
 Os objetivos já alcançados deverão ser sempre reforçados.
 Selecionar dois objetivos de cada área, no mínimo, para desenvolver com o aluno. A medida que cada
objetivo for alcançado, o mesmo deverá ser substituído por outro da mesma área, na mesma folha.
 O professor não deve restringir-se apenas aos objetivos do Portage. Deve haver dinamismo para trabalhar as dificuldades que forem surgindo.
 Sempre considere a individualidade de cada aluno. Ninguém é igual a ninguém.
 Sempre considere utilizar o interesse do aluno para tornar as atividades mais relevantes para ele. Seja
criativo.
 Baixe o livro Como Adaptar Atividades para Alunos com Deficiência: aprenda a identificar as necessidades do seu aluno e adaptar atividades – Lá mostro como preencher a escala e usar uma tabela de Excel para os cálculos. E-book Disponível em https://institutoitard.com.br/categoria/livros/
 O inventário Portage não pretende ser um livro de receitas, mas sim um sistema de apoio ao professor, para ajudá-lo de forma organizada a descobrir o que a criança já aprendeu e o que ensiná-la a seguir.

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