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Instrumentação Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dr.ª Claudia Barros dos Santos Revisão Textual: Prof.ª Esp. Kelciane da Rocha Sistemas de Medição e Instrumentos • Sistemas de Medição e Instrumentos. · Compreender a representação de um instrumento de medida, seu uso e suas funções; · Compreender e descrever as características estáticas e dinâmicas de um instrumento; · Diferenciar sensores passivos e ativos em instrumentos com classifi- cações diferentes; · Compreender a maneira de operar o instrumento com o modo de deflexão ou detecção de nulo; · Reconhecer e interferir em entradas não desejadas durante uma medição. OBJETIVO DE APRENDIZADO Sistemas de Medição e Instrumentos Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Sistemas de Medição e Instrumentos Sistemas de Medição e Instrumentos Sistema de medição é uma disposição de elementos capaz de fornecer informa- ção sobre uma grandeza física que se pode medir, o mensurando. Os elementos em um sistema de medição são diversos, são sensores, circuitos, escalas, softwares e interfaces, agrupados de tal maneira, que possam fornecer a maior acuracidade sobre determinada medida. Acuracidade: é a precisão e exatidão de dados e informações, quando há ausência de erros ou equívocos. A palavra acuracidade está relacionada com a acurácia, termo bastante utilizado na Física e na Matemática para definir a aproximidade de um resultado experimental, com o seu valor real. Quanto maior a acurácia, mais autêntico é o resultado da experiência. Ex pl or Fonte: https://goo.gl/pKvx8p Um sistema de medição pode ter diversas aplicações. Vamos verificar algumas delas e estabelecer uma classificação de acordo com essas aplicações. • Sistemas de medição para verificação de grandezas: esse é o caso onde o sistema mede algumas variáveis com o objetivo de verificar seus valores. A variável medida é o mensurando. Neste tipo de medida, diz-se que o sistema de medida está em malha aberta, visto que não há necessidade de realimentação. Ou seja, a medida é realizada com a intenção de verificar, monitorar, analisar. Por exemplo, um torneiro mecânico verifica se a peça confeccionada tem as mesmas medidas do projeto ou, ainda, um médico verifica a temperatura ou a pressão arterial de seu paciente no pós-operatório. • Sistemas de medição para aplicações em malha fechada: esse caso é especial, visto que a medida tem como objetivo gerar uma resposta, ou uma correção, para o próprio sistema, ou seja, para que ele execute uma opera- ção automaticamente. Por exemplo, quando um ar-condicionado é progra- mado para deixar um ambiente com temperatura x, há um sensor que mede a temperatura do ambiente e gera uma resposta para o próprio regulador de temperatura do ar-condicionado. Enquanto o sensor não mede a temperatura programada para o ambiente, ele não para de mandar informações e coman- dos para o regulador de temperatura do ar-condicionado. A imagem a seguir representa em (a) um sistema de malha aberta para verificação de grandezas e em (b) um sistema de malha fechada, que toma decisões com base em verificações. 8 9 meio em que se encontra o mensurado instrumento medida (a) (b) meio em que se encontra o mensurado instrumento medida regulador Figura 1 Fonte: Adaptado de Pearson Education do Brasil, 2013 Um instrumento pode pertencer tanto a um grupo de malha aberta, quanto a um grupo de malha fechada, sem necessariamente ter diferenças em relação à sua construção. No entanto, há algumas diferenças fundamentais. Por exemplo, não é possível aproveitar o medidor de pressão arterial utilizado pelo médico numa aplicação para malha fechada, visto que a leitura desse instrumento é em um visor, onde não é possível a conversão desse sinal de resposta para atuar automatica- mente e fazer ajustes ou interferências no sistema que está sendo medido. Sendo assim, os instrumentos utilizados em sistemas de malha aberta devem apresentar boas características estáticas, assim como os instrumentos de malha aberta devem apresentar boas características dinâmicas. Entrada e saída de instrumentos de medida Um instrumento de medida pode ser representado com uma relação de entrada e saída, conforme mostra a imagem abaixo. Onde a entrada é a grandeza que se quer mensurar, o mensurando. E a saída é a medida em si, fornecida pelo instru- mento de medida. INSTRUMENTO SaídaEntrada Figura 2 9 UNIDADE Sistemas de Medição e Instrumentos No geral, a saída do instrumento pode ser mostrada em um display, em uma escala, em uma impressão (como em um eletrocardiograma) ou pode ser na forma de sinais elétricos, analógicos ou digitais. Já a entrada é dada pelo fator que se quer medir mais as chamadas entradas espúrias, que são o conjunto de fatores externos que podem alterar a resposta do sistema. Logo, conclui-se que em uma medição há a entrada principal x(t) e as entradas não desejadas x1i(t), x2i(t),... ou entradas espúrias e uma única saída y(t). Portanto, podemos escrever e representar a medi- ção por meio da seguinte equação: y t f x t x t x ti i( ) = ( ) ( ) + ( ) +… , 1 2 Essa linguagem matemática nos auxilia na compreensão de que a saída é uma função dependente de cada uma das entradas. Por exemplo, caso o instrumento seja um instrumento de malha aberta, a única calibração será estática, onde a curva de saída é muito parecida com uma reta. No entanto, a maioria dos instru- mentos funciona como dispositivos dinâmicos, onde a função f precisa descrever esse comportamento dinâmico com uma função de transferência dependente do tempo. A descrição dos sistemas de medida em função do tempo é de importância fundamental para o aluno, já que o auxiliará a compreender o funcionamento do sistema, assim como a atuar em projetos que construam ou alterem os mesmos. Importante! Para que servem os instrumentos de medida? Acesse: https://goo.gl/B1bqBc. Você Sabia? Descrição funcional de instrumentosde medida Não existe uma maneira padrão ou um número fixo para descrever os compo- nentes que formam um instrumento de medida. No geral, eles podem ser descritos por subsistemas que desempenham as funções necessárias para a medida. Descre- ver essas funções é realizar a chamada descrição funcional do equipamento. Por exemplo, vamos fazer a descrição funcional do tanque medidor de tempera- tura mostrado na imagem a seguir: 10 11 termopar transmissor cabo condicionador de sinal display Figura 3 Fonte: Adaptado de Pearson Education do Brasil, 2013 Nesse sistema, temos o meio onde a medição é realizada, há um instrumento em contato com esse meio, o termopar, que troca energia com o meio. No termopar é o objeto que viabiliza a troca de energia térmica para energia elétrica. O transmissor converte a tensão no termopar em sinal elétrico, que por sua vez é transmitido pelo cabo. O condicionador do sinal é o responsável por interpretar os dados e colocá-los em uma escala que será mostrada através do display. Podemos realizar essa descrição funcional por meio de um diagrama de blocos, conforme mostra a imagem a seguir: ELEMENTO PRIMÁRIO (termopar) MEIO (líquido) CONVERSOR (transmissor) TRANSMISSOR DE DADOS (cabo) CONVERSOR (condicionador) INDICADOR (display) Figura 4 Pode ocorrer de um mesmo bloco servir para desempenhar funções diferentes dentro de um sistema ou, ainda, um mesmo bloco servir para descrever o funcio- namento de sistemas diferentes, o que facilita a análise funcional e facilita a enge- nharia de sistemas diversos. No geral, sistemas medidores convertem algum tipo de energia (mecânica, tér- mica, de pressão) em energia elétrica, para que possa ser analisada, interpretada, comparada, controlada e principalmente medida. Vamos chamar esses sistemas de transdutores, para estudá-los e classificá-los. • Transdutores passivos: neste tipo de elementos, a energia de entrada é transmitida em sua totalidade para a saída e o dispositivo não precisa de uma fonte de transmis- são externa. Por exemplo, no sistema térmico que citamos acima, a diferença de temperatura entre o líquido e o termopar é transformada em tensão elétrica. 11 UNIDADE Sistemas de Medição e Instrumentos • Transdutores ativos: já no caso de transdutores ativos, é necessário que haja uma fonte de alimentação da tensão no elemento. Sendo assim, a energia na saída do transdutor não é necessariamente a energia que foi transformada na entrada. Um exemplo de transdutor é um potenciômetro resistivo, que para funcionar é necessário que seja conectado a uma fonte de energia externa. • Instrumentos analógicos: são os dispositivos cujo sensor, transmissor e display são baseados em grandezas e medidas elétricas e magnéticas. Podemos dizer que instrumentos analógicos são sensíveis a campos elétricos e magnéticos, e não só os que provocam a medida, mas os externos. Desta maneira, é sempre necessário blindá-los para esse tipo de interferência. São instrumentos altamente sensíveis a perturbações eletromagnéticas externas. • Instrumentos digitais: o processo de sinais nesses instrumentos é feito de for- ma digital, ou seja, com códigos binários. Os resultados são apresentados em um display, em vez de em uma escala. Figura 5 Fonte: iStock/Getty Images Veja diferença entre instrumentos analógicos e digitais em: https://goo.gl/43Bj9a. Ex pl or Também pode-se classificar os instrumentos de medida de acordo com seu mé- todo de realização da medida. Vejamos alguns: • Método de deflexão: o elemento que representa a medida sofre um deslo- camento proporcional à medida, e ela é apontada em uma escala ou display. Um exemplo é o termômetro de mercúrio. A temperatura mostrada é proporcio- nal ao deslocamento na coluna de mercúrio, seja o resultado mostrado em uma escala graduada ou em um display digital. Um segundo exemplo é o medidor de nível de combustível no reservatório de um carro. A deflexão no ponteiro (seja analógico ou digital) é proporcional à quantidade de combustível no reservatório; • Método de detecção de nulo: neste caso, o método mostra não uma medição, mas um desequilíbrio do sistema em relação a um ponto de referência (no caso, um zero) no instrumento; sendo assim, o instrumento mostrará uma escala ne- 12 13 cessária para reestabelecer o equilíbrio do sistema medido, ou seja, equiparar o sistema medido ao ponto de referência do equipamento. Por exemplo, para medir se uma superfície está no nível correto, após apoiar o nivelador sobre ela, o instrumento deverá indicar se está no nulo (no nível correto) ou não, conforme mostra a imagem abaixo; Figura 6 Fonte: Wikimedia Commons • Método da diferença: baseia-se em comparar o valor que será medido a um valor de referência, de tal forma que o instrumento possa medir essa diferença, ainda que essa diferença seja nula - e então a grandeza atribuída ao mensuran- do será a mesma atribuída à referência. Neste caso, um exemplo típico e tradi- cional são as balanças de prato, que equiparam o mensurando a uma mesma massa que possa ser colocada no prato. Figura 7 Fonte: iStock/Getty Images Cada método de operação de um instrumento é crucial para que sua resposta seja mais ou menos precisa. Assim, um mesmo instrumento, em condições diversas, pode responder de diferentes maneiras. Sendo assim, devemos quantificar algumas condições de entrada e saída nos instrumentos, para obter a resposta mais fidedigna possível. 13 UNIDADE Sistemas de Medição e Instrumentos Para modelar qualquer sistema, vamos utilizar as funções de entrada e saída. Para um sistema ideal, poderíamos escrever essa relação com a seguinte equação: y t f x t( ) = ⋅ ( ) Saída (grandeza medida) Entrada (grandezas que permitirão identi�car o mensurando) Onde f∙é uma função composta pela entrada x(t). No entanto, sabemos que essa equação para qualquer instrumento tem mais com- plexidade. A entrada normalmente é acompanhada de perturbações indesejadas, são as entradas espúrias, conforme já mencionamos no texto. Sendo assim, a equação é: y t f x t x te( ) = ⋅ ( ) ( ) , Saída (grandeza medida) Entradas espúrias Entrada (grandezas que permitirão identi�car o mensurando) Na equação acima, o efeito de entradas espúrias pode ser somatório ou multiplicativo. Como podemos observar a ação de entradas espúrias na prática? Vamos estudar o seguinte exemplo: observe o gráfico que mostra Y(s), que é a saída de um sensor de pressão normalizada em relação à tensão de alimentação Vcc, em função da temperatura de operação do instrumento. 26 28 32 34 36 3830 490 470 450 430 410 Tamb (ºC) Y s / Y cc (µ V /V ) Figura 8 Fonte: Adaptado de Pearson Education do Brasil, 2013 14 15 Neste experimento, a pressão, ou seja, o mensurando, foi mantida constante. Logo, esperava-se que a saída, ou seja, a curva de resposta do instrumento fosse (também) uma reta constante, ou seja, uma linha horizontal. No entanto, o que ve- mos no gráfico é que a temperatura de operação do instrumento está influenciando na sua saída. Logo, podemos concluir que essa temperatura é uma entrada espúria para o sensor de pressão. Note que as entradas espúrias poderão ser classificadas de duas maneiras: entra- das de interferência e entradas modificantes. As entradas de interferência afetam a saída do instrumento diretamente, como no caso da temperatura acima; já as en- tradas modificantes afetam a saída do instrumento de forma indireta por exemplo, considere o material do qual o instrumento é feito, ele pode contribuir ou não para facilitar a alteração da medida devido à troca de calor com o meio. Na prática, é comum que a saída do instrumento apresente os efeitos de todas essas entradas. Existem alguns métodos capazes de minimizar os efeitosindesejados de entradas espúrias. Entre eles: • Método da sensibilidade inerente: esse método consiste em prevenir que algumas entradas espúrias existam desde o projeto do instrumento. Por exem- plo, para um instrumento em que a saída é indicada por um ponteiro, deve-se escolher para esse ponteiro um material cujo coeficiente de dilatação seja o mínimo possível. Visto que é possível que a variação da temperatura seja uma entrada espúria e, assim, um indutor de erros na medida. Sendo assim, esse método consiste em escolher os materiais para cada item do instrumento de maneira a prevenir a ocorrência de entradas espúrias; • Filtros: os filtros são elementos que filtram as entradas espúrias na entrada do sistema de medição ou, ainda, quando as entradas espúrias já alteraram o sistema, então filtra-se a saída. A localização do filtro (entrada ou saída) deve ser decidida no projeto do instrumento de medida; • Método das correções calculadas: neste método, deve-se conhecer e quantifi- car as entradas espúrias. Uma vez que se pode estimar o que são entradas espú- rias, a função ou quantidade que elas representam, são subtraídas da saída, ou seja, faz-se uma correção da saída. Entretanto, entradas espúrias nunca são de fato conhecidas, logo a saída desse instrumento apresentará um erro estimado; • Método das entradas em oposição: em semelhança ao método das corre- ções calculadas, também deve-se ter estimativa das entradas espúrias para que se possa incluir no sistema um dispositivo que insira no mensurando os mes- mos valores que uma entrada espúria insere; no entanto, esses valores devem estar em oposição às entradas espúrias; • Método de realimentação negativa: neste tipo de configuração de instrumen- to de medida, o projeto prevê que embora haja entradas espúrias, o sistema terá um ganho otimizado para que a relação entre saída e entrada seja pouco afeta- da. Esse método é mais facilmente compreendido quando o aluno já realizou o curso de modelagem e controle de sistemas dinâmicos, onde entrada e saída de um sistema são os objetos de estudo, com as chamadas funções transferência. 15 UNIDADE Sistemas de Medição e Instrumentos Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Fundamentos de instrumentação AGUIRRE, Luís Antônio. Fundamentos de instrumentação. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. Sistemas de Medição e Metrologia TOLEDO, José Carlos de. Sistemas de Medição e Metrologia. Curitiba: Intersaberes, 2014. Série Administração da Produção. Leitura Analógica versus digital – utilização de equipamentos analógicos e digitais de medição GOMES, António; CARDOSO, Marílio; RAMOS, Sérgio. Analógica versus digital – utilização de equipamentos analógicos e digitais de medição. https://goo.gl/4aeNEy Circuitos elétricos aplicados COSTA, João Paulo C. Lustosa. Circuitos elétricos 2. Circuitos elétricos aplicados. https://goo.gl/xcSji5 16 17 Referências AGUIRRE, Luís Antônio. Fundamentos de instrumentação. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. ALBERTAZI, Armando. Fundamentos de metrologia científica e indústria. Barueri: Manole, 2008. OGATA, Katsuhiko. Engenharia de controle moderno. 5ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. 17