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Curso de Bacharelado em Medicina Veterinária Semiologia veterinária Profº Felipe Eduardo da Silva Sobral GLÂNDULA MAMÁRIA Introdução • Comum e característico dos mamíferos; • Secreção do leite regulada pelo sistema neuroendócrino (respostas rápidas – nervoso / respostas lentas, crescimento, produção, metabolismo – endócrino; • Glândula mamária (assim como as sebáceas e sudoríparas) são cutâneas; Introdução • Desenvolvimento mamário – puberdade/gestação; • Produção leiteira no 1/3 final da gestação; • Estímulos táteis/amamentação determinar a liberação de ocitocina (contração das células mioepiteliais que envolvem os alvéolos); Introdução Classificação conforme o número de glândulas mamárias Dimástícos CAPR / OVI / EQU – até 2; Polimásticos BOV (4); CARN (6 a 10); ONÍV (10 a 14). Introdução Variação de glândulas mamárias entre as espécies Caninos √ 4 a 5 glândulas mamárias em cada lado da linha média (desde a região ventral do tórax até a região inguinal); √ Cada teta com até 20 aberturas distintas; √ De acordo com a localização anatômica: (1) torácica cranial, (2) torácica caudal, (3) abdominal cranial, (4) abdominal caudal, (5) inguinal; √ Metade das cadelas não apresentam um dos pares da glândula abdominal cranial. Felinos √ 4 pares de glândulas mamárias; √ Nomenclatura similar as cadelas. Introdução Variação de glândulas mamárias entre as espécies Equinos √ 1 par de glândulas mamárias; √ Cada glândula é dividida por cápsulas fibroelásticas originando 2 ou3 lobos mamários; √ Cada teta pode apresentar 2 ou 3 aberturas. Resenha • Espécie; • Raça; • Nome; • Número; • Tatuagem; • Registro; • Idade; • Peso; • Outras eventuais particularidades. Anamnese • Inquiridora ou espontânea; • Quantos partos a fêmea já teve? • Nulípara (nunca pariu)? • Primípara (um trabalho de parto)? • Plurípara (vários partos)? • Partos normais ou distócicos (difícil, laborioso)? • Cirurgias anteriores (ovariectomia)? • Exames realizados (biopsia)? • Aparecimento e duração dos sinais clínicos? • Uso prévio ou vigente de anticoncepcionais? • Tratamentos realizados e evolução? Exame físico • Constantes fisiológicas (mucosas, FC, FR, Mov. Rumin. T) • Inspeção (observação de coloração da pele, existência de lesões, secreções, número e tamanho das glândulas mamárias e das tetas); • CARN – coloração de glândula (melanócitos/melanina), geralmente marron-clara, podendo ter manchas acinzentadas ou enegrecidas; • EQU – invariavelmente escuras; • Aumento de mamas – colostro/leite (fisiológico) – mastite, abcessos, neoplasia (patológico); • Aumentos de volumes necessitam OBRIGATORIAMENTE de palpação – processo inflamatório/infeccioso/neoplásico? • CARN – palpação facilitada com animal em decúbito lateral, palpando sempre das sadias para doentes sendo todas palpadas; • EQU – palpação com o clínico lateralmente ao animal (coice!!!). Exame físico • Agalaxia – ausência de leite; • Galactostasia – acúmulo e estase de leite (glândulas firmes, quentes e edemaciadas); • Hiperplasia mamária – comum em felinos; • Mamite/mastite – inflamação das mamas (normalmente infecciosa); • Neoplasias mamárias - maior incidência em cadelas (comum em idades superiores a 5 anos), uso de biopsias (cirúrgicas/PAAF), radiografias e cirurgias oncológicas; Características higiênico-organolépticas do leite • Características sui generis; • Tipos de leite: Leite higiênico; Leite anti-higiênico; Leite mamitoso. Leite higiênico x anti-higiênico • Produzido em condições ideias (manejos adequados de criação e alimentação); • Cuidados durante ordenhas/conservação; • Para leites anti-higiênicos: classificado de sofrível a péssimo; • Consumo >> industrialização >> descarte; Leite mamitoso • Leite oriundo de fêmeas com apresentações clínicas de mastites; • Impróprio para consumo e produção de derivados lácteos; • Para leites anti-higiênicos: classificado de sofrível a péssimo; • Consumo >> industrialização >> descarte; Glândula mamária Úbere • Conjunto de 4 glândulas mamárias, em pares, independentes morfológica e funcionalmente, localizadas na região inguinal (bovinos e bubalinos); • Pequenos ruminantes, úbere com duas glândulas mamárias. Glândula mamária Número e localização das glândulas mamárias em animais domésticos e selvagens Número de pares Distribuição e localização Espécimes Vários pares Linhas toracoabdominal e inguinal Porca (6 a 7 pares, raramente 5 ou 8 pares); Cadela (4 a 5 pares, raramente 6 pares); Coelha (5 pares). Vários pares Linha toracoabdominal (os felinos, por serem animais trepadores, não apresentam glândulas na região inguinal) Gata (4 pares). Um par Região peitoral Aliá, primatas, morcegos. Um par Região inguinal Cabra, ovelha, égua, cobaia. Dois pares Região inguinal Vaca, búfala, corça. Glândula mamária Formato e volume • Os formatos das glândulas mamárias variam conforme fatores intrínsecos e extrínsecos; • Raça; • Espécie; • Idade; • Constituição individual; • Condições de manejo leiteiro; • Alimentação; • Criação; • Condições de sanidade do próprio órgão. Glândula mamária Características anatômicas da glândula mamária dos animais domésticos Característica Vaca Búfala Cabra Ovelha Égua Porca Cadela Gata N. de glândulas 4 4 2 2 2 10 a 12 8 a 12 8 Formato da glândula Hemisférico Hemisférico Cônico Hemisférico Hemisférico Ovoide Ovoide Ovoide Formato do teto Cilíndrico Cônico Cônico Cilíndrico Cônico Carnoso Carnoso Carnoso N. de orifícios do teto 1 1 1 1 2 3 5 a 8 4 a 7 N. de ductos galactóforos 5 a 20 --- 6 a 9 6 --- --- --- --- Glândula mamária Características anatômicas da glândula mamária dos animais domésticos Característica/Observação Vaca Búfala Cabra Ovelha Égua Porca Cadela Gata Produção econômica de leite X X X Prod. para crias/econ. de leite X Cisterna da gl. dividida; Produção para cria X 2 glând. abdom. e 1 a 2 inguin. mais desenvolvidas/ Produção para crias. X Papila da glandula em formato de mamelão, apresentam aréola como nos primatas X Ausência de glândulas inguinais. X Glândula mamária Implantação da glândula • Fixadas e implantadas por ligamentos suspensores; • Formados por tecido conjuntivo e elástico; Ligamento suspensor lateral da mama; Ligamento suspensor médio; Cordões conjuntivos (localizados na superfície dorsal da mama, fixando-a à parede do abdome). Morfologia da glândula mamária Tetos • Papilas das glândulas mamárias, desprovidas de pelos e glândulas; • Internamente, com plexo vascular; • Canal do teto (ductus papillaris) é curto e irregular, mais estreito em sua extremidade distal; • Cisterna da glândula mamária (sinus lactiferous) pode variar com a raça utilizada na produção leiteira; • Para 1 L de leite >>> 300 a 400 L de sangue no sistema circulatório da mama. Glândula mamária Relações entre hormônios e desenvolvimento Relações entre hormônios e desenvolvimento funcional da gl. mámaria Hormônio Ação no desenvolvimento da mama Ação na função da mama Estrógeno • Crescimento dos ductos galactóforos; • Prepara o tecido mamário para a ação da progesterona; • Estimula a secreção e a ação da prolactina; • Atua na lactogênese; Progesterona • Estimula a formação e o desenvolvimento dos alvéolos • Restringe a ação dos estrógenos sobre o lobo anterior da hipófise para a produção de prolactina; Prolactina ou hormônio lactogênico --- • Estimula a produção de leite; • Determina a lactogênese; Glândula mamária Relações entre hormônios e desenvolvimento Relações entre hormônios e desenvolvimento funcional da gl. mámaria Hormônio Ação no desenvolvimento da mama Ação na função da mama Ocitocina --- • Determina a descida do leite Tiroxina --- • Atua sobre o metabolismo geral; Epinefrina --- • Impede a ação da ocitocina. Glândula mamária Exame clínico – Inspeção direta • Modificações de formato da glândula >> malformações/adquiridas determinadas por enfermidades anteriores; • Disposição e simetria >> convergênciaou divergência são causadas por cicatrizações de lesões no parênquima. Glândula mamária Exame clínico – Aumento de volume • Edemas pós parto; • Edemas inflamatórios por mastites; • Abcessos; • Cistos lácteos, serosos, hematomas; • Neoplasias; Glândula mamária Exame clínico – Redução de volume • Vacas secas por longo tempo e idosas; • Atrofia de glândula e tetos (consequência de mamites crônicas). Glândula mamária Palpação • Consistência? • Linfonodos retromamários (inserção dorsal do úbere/mamas)? • Nódulos? • Endurecimento local ou difuso? • Edemas? • Edemas fisiológicos de mama pós-parto? Ou patológico por inflamações e infecções? Glândula mamária Aspecto macroscópico do leite • Volume; • Cor; • Consistência; • Características organolépticas (sabor, odor); – Caneca de fundo escuro; – Placa telada; – CMT; • Leite sanguinolento, purulento? • Leite fluido-aquoso, mucoso, caseoso? • Soro sanguíneo? • Flocos de pseudomembranas? Glândula mamária Composição do leite utilizado no diagnóstico das mamites • pH / California mastitis test (CMT) > alterações acima de 7,2; • Determinação de lactose; • Avaliação semiquantitativa do número de leucócitos no leite; • Prova de catalase (enzima encontrada em efusões orgânicas de animais a partir de extravasamento de conteúdo sanguíneo ou linfático); – Tubos de fermentação; – Prova em lâminas; • Prova de Whiteside (microbiológico); – Tubos de fermentação; – Prova em lâminas; Glândula mamária Exame microscópico do leite • Coleta de amostras; • Contagem de células somáticas; • Diferenciação das células somáticas do leite; • Provas bacteriológicas (meios de cultura); Curso de Bacharelado em Medicina Veterinária Semiologia veterinária Profº Felipe Eduardo da Silva Sobral GLÂNDULA MAMÁRIA