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DeSistema de Ensino a distância
licenciatura em educação física 
FERNANDA CRISTINA SAGRILO
esporte e igualdade de gênero: o futebol feminino como proposta de trabalho nas aulas de educação física
Francisco Beltrão-PR
2021
FERNANDA CRISTINA SAGRILO
esporte e igualdade de gênero: o futebol feminino como proposta de trabalho nas aulas de educação física
Projeto de Ensino apresentado à Universidade Norte do Paraná, como requisito parcial à conclusão do Curso de Licenciatura em Educação Física.
Docente supervisor: Rodrigo Aparecido dos Santos
Francisco Beltrão-PR
2021
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO	3
1	TEMA	5
2	JUSTIFICATIVA	6
3	PARTICIPANTES	7
4	OBJETIVOS	7
5	PROBLEMATIZAÇÃO	8
6	REFERENCIAL TEÓRICO	9
7	METODOLOGIA	14
8	CRONOGRAMA	16
9	RECURSOS	16
10	AVALIAÇÃO	16
CONSIDERAÇÕES FINAIS	17
REFERÊNCIAS	18
INTRODUÇÃO
No Brasil, as escolas consolidam nas vertentes da educação física escolar, o esporte coletivo como principal conteúdo das suas aulas sendo os mais trabalhados o voleibol, basquetebol, handebol e futebol. 
A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) concerne e interpõe os esportes como uma unidade da educação física classificando alguns critérios que permitem o desenvolvimento de eixos como cooperação, interação, desempenho motor e objetivos táticos de ação que são importantes para os desenvolvimentos tanto rudimentares quanto especializados da iniciação esportiva geral. Ainda podem-se questionar as oito vertentes subdivididas nas privilegiadas ações esportivas inerentes que combinam várias formas e requisitos esportivos semelhantes também na prática.
Então por que os professores de educação física continuam, mesmo sobre o olhar da BNCC que motiva todos esses desenvolvimentos, privando o público feminino presente nas salas de aulas de desfrutar desse direito igualitário? Por que ainda se vê a tradicional divisão de uma fila de meninos e outra de meninas, a divisão de meninos em quadra de futebol e meninas na quadra de vôlei ao invés de trabalhar em conjunto? 
Refletindo sobre o alvo deste projeto que é o futebol, o Brasil é considerado a casa do futebol e muitas vezes se torna a ferramenta mais usada nas aulas de educação física por preferência dos próprios alunos, sendo trabalhado sempre que possível considerando o planejamento para cada etapa de ensino. Porém, sabe-se que numa bagagem histórica, culturalmente falando, por muitos anos foi considerado um esporte masculino, refletindo esse paradigma tecnicista dentro das escolas. 
Este projeto objetiva a reflexão da postura docente dentro da educação física, para mudar paradigmas da identidade de gênero dentro das aulas, sobretudo nos esportes coletivos. Esse esforço para a quebra de estereótipos interpretado na prática de esporte por mulheres partiu da vivência nos estágios presentes na grade do curso da Unopar, onde se verificou essa diferença de gênero, despertando imediatamente o interesse em mudar esse cenário para despertar nas estudantes o questionamento do igual direito participativo dentro dos esportes escolares. 
Problematizar esse papel feminino dentro do futebol permite refletir O objetivo geral é a compreensão e possibilidades com o futebol feminino, utilizando como ferramenta de desenvolvimento a inserção de alunas nas aulas coletivas do esporte, para efetivar o proposto na BNCC para todos os públicos presentes na sala de aula. 
Os objetivos específicos se pressupõem em:
· Analisar e discutir a importância da inserção feminina no futebol escolar e sua relação direta com o desenvolvimento social dos alunos em formação identitária; 
· Ressaltar, por meio da revisão e organização de teorias, a técnica e o emprego de elementos direto do futebol e os fatores essenciais para o desenvolvimento efetivo;
· Refletir sobre a educação básica e corpo e compreender as limitações de cada educando na execução das atividades coletivas, visando uma possível mesclagem entre os diferentes gêneros na mesma aula.
· Analisar as possibilidades e relações da sociocultural e como isso se reflete na educação física escolar. 
como a sociedade vem dando pouco valor e importância para a participação feminina, mesmo após tantas mudanças nesse fator ao longo do tempo e dos conceitos socioculturais. Por meio da pesquisa bibliográfica e organização de teorias, pretende-se alcançar reflexões acerca do tema por parte da comunidade docente habilitada nos preceitos da educação física escolar. 
4
TEMA 
A abordagem temática desse projeto tem o esporte coletivo, especificamente o futebol, como estimulador e ferramenta acessória para escolares do público feminino, que organiza sua aplicabilidade nos paradigmas conceituais da bagagem histórica sociocultural.
Esse projeto foi intensificado pela falta de trabalhos acadêmicos sobre a temática e pelo desejo de mudar esse cenário. Ainda na atualidade, o esporte feminino é desvalorizado quando se compara aos esportes praticados pelo público masculino, mesmo sendo o mesmo esporte, como é o caso do futebol, respaldando essa prática conceitual também dentro da escola. 
Adentrando nessa linha de pesquisa, o projeto versa sobre os esportes escolares, na modalidade coletiva, trazendo o futebol feminino como prática de trabalho e investigando o universo feminino no esporte ao longo da história e sua aplicabilidade feita dentro da escola. 
A importância dessa temática é cada vez mais vista como fundamental, na medida em que se aprofunda nos conceitos como a base para restaurar todas ou parte das funções de posturas docentes tecnicistas e tradicionalistas que não devem refletir dentro das aulas de educação física. 
Vale ressaltar que muitos professores têm foco na prática esportiva, organização de campeonatos, treinamento esportivo e execução de ações, porém, educadores com visão mais humana e métodos de ensino inovadores podem focar no entretenimento igualitário e no aprendizado em expressões corporais que seguem na BNCC, não privando nenhum aluno do seu direito igualitário.
JUSTIFICATIVA
Segundo Faligurski (2020) é importante aliar a aprendizagem com ordem cultural física, psicológica e social para que se possa ter um aprendizado igualitário, fazer e possuir, organizar e equilibrar a relação com os diferentes ambientes do mundo e da identidade de gênero. 
Esse aprendizado deve ser estimulado e desenvolvido desde o início, como estabelece a BNCC para as atividades educacionais dentro da disciplina de educação física. Ao formar os indivíduos por meio da psicomotricidade, do movimento e dos fatores de especialização motora, os professores vão construir com ações físicas, emocionais e lógicas a identidade do aluno. Quando existe a diferenciação do gênero nas aulas, automaticamente se afiança a quebra desses fatores, o que não pode em hipótese alguma acontecer (VEDOVE, 2021). 
As situações e expressões que os alunos criam com outras pessoas desenvolvem suas faces sociais, o que favorece o processo de aquisições que o futebol proporciona. Alinhar essa prioridade de aquisição somente ao público masculino nas aulas é assumir uma sociedade que diminui as mulheres perante a ação social, visto que a intenção e obrigação da escola é formar cidadões aptos a tomar decisão concernente a si próprio e ao outro enquanto sociedade (VEDOVE, 2021). 
Então, o futebol, estreitamente ligado a psicomotricidade, trabalha dentro de um viés de ensino a formação integral dos alunos ao privilegiar a utilização de recursos que preparam os sujeitos para atuar ativamente em suas vidas sociais. Dessa maneira, o aluno expressa-se qualitativamente ao expor suas habilidades, desenvolvendo seus aspectos físicos e psíquicos que os preparam para uma aprendizagem concreta e efetiva, pois como se sabe, a educação psicomotora propicia distintos benefícios. Então se justifica essa abordagem baseada no direito igualitário das alunas terem todos esses fatores aos seu alcance. 
PARTICIPANTES
Esse projeto é destinado para a etapa de Ensino Fundamental II, anosfinais, devido às estatísticas da Agência Brasil (2019) representar que essa etapa de ensino possui maior aquisição de movimento e percepção da cultura de corpo atreladas a psicomotricidade, que são fatores proporcionados pelo futebol, Além de maior receptividade de escolares que apresentam sua formação identitária totalmente flexível a novos conceitos, sendo possível quebrar o paradigma existente de que o futebol é só para meninos. 
OBJETIVOS
· 
PROBLEMATIZAÇÃO
	
No olhar social, pensar a escola na perspectiva da promoção da educação para a diversidade humana significa superar os inúmeros desafios que ainda existem neste campo, mas também reconhecer que a escola é um dos espaços de convivência diferenciado e um dos mais importantes locais de discussão e formação de atitudes.
Para o entender a desigualdade de gênero de forma mais clara, é essencial entendermos que sua manutenção e gênese estão interligados ao conceito patriarcal. 
As relações diferenciais entre os gêneros mostram que as constituições patriarcais engrenam e sobrepõem as relações e produção, nos quais os homens como categoria social levam vantagens sobre as mulheres, nas mesmas condições. Em outras palavras, o patriarcado regula a sexualidade feminina e estimula a postura predatória no homem. 
Há ainda o machismo entrelaçado nas famílias, no poder e nos valores, nos comportamentos e na distribuição dos brinquedos às crianças. É o patriarcalismo estratificado em todos os segmentos de nossa cultura.
No olhar educacional da educação física, a dificuldade está em desconstruir a ideia de o professor receber meninas como sendo “frágeis” e meninos sendo as principais ferramentas para o esporte da escola. 
De certo modo, para trabalhar com esportes com as alunas nas escolas é importante considerar sim uma diferença, mas essa diferença não considera fragilidade, mas sim os pontos limites da maturação de cada gênero, que partem do crescimento e desenvolvimento humano, sendo necessário o encontro de uma linha tênue de trabalho com os dois gêneros de forma coletiva. 
REFERENCIAL TEÓRICO
A função social das mulheres normalmente ocupou uma posição de inferioridade em relação ao desempenho dos homens, pois a relação que existia entre os gêneros era de real dominação na história. Por muito tempo, a mulher realmente foi considerada como um ser fraco, no sentido físico e intelectualmente, quando vista em referência ao homem, ficando esse geralmente ao centro das melhores oportunidades que a sociedade teria a fornecer (BORTOLLIN, 2011). 
Diante de tal realidade social, as pessoas pensam de forma natural sobre o fato de que alguns homens dominem os outros, firmando-se uma verdade que vai passando de geração em geração. Esse procedimento de dominação, portanto, pode ajudar a explicar, em alguns casos, a submissão marcada historicamente que abrange as mulheres em face aos homens. Considera-se, então, o homem como o responsável principal pela família, aquele que sustenta a casa, trabalhando fora, aquele que participa dos esportes com conhecimento, habilidade e liberdade, o que tem dinheiro, ficando a mulher vista como um ser quase inútil, restando-lhe, apenas, o trabalho da própria casa, desvalorizada, nem vista pelos seus talentos, e, ainda, na função de cuidar dos filhos e sem a possibilidade de envolver-se nas atividades esportivas (BORTOLLIN, 2011).
A categoria gênero masculino e feminino, segundo Louro (1997), surgiu na constituição dos movimentos feministas do século XX e foi realçada especificamente a partir da década de 1960, quando o movimento feminista tornou-se mais visível no meio social. Mas seu reconhecimento iniciou-se na década de 1930 com o movimento do “sufragismo”, que significa a “primeira onda” do feminismo, o qual representou a luta pelo direito das mulheres ao voto, e com as reivindicações ligadas à organização familiar, oportunidade de emprego e direito à profissão. Dessa forma, as mulheres, no início do século passado, tiveram um papel desafiante na sociedade, demonstrando uma total mudança de atitude ao buscarem e lutarem pelo verdadeiro valor e reconhecimento dos seus direitos enquanto mulheres e cidadãs (BORTOLLIN, 2011). 
No entanto, apesar das lutas em busca dos direitos da mulher, ela ainda enfrenta obstáculos com o preconceito masculino, de modo que as ideias existentes por muito tempo estão ainda presentes nas falas e atitudes dos homens e das instituições por eles vividas. Apesar de o futebol feminino ter conquistado cada vez mais o espaço na própria sociedade brasileira, ainda há muita resistência por parte de alguns homens. Talvez por uma necessidade de afirmação, os homens ainda querem mostrar-se como seres principais e superiores sobre todas as coisas. Dessa forma, no ambiente social em que vivemos, tende-se a manter ainda, em alguns casos, a desvalorização da mulher, partindo-se do princípio de que ela em si pouco ou nada significa e de que deve esquecer-se de si e dos seus interesses e dedicar-se apenas às atividades corriqueiras como cuidar da casa, dos filhos ou do marido, sem exercer qualquer atividade esportiva que não seja considerada delicadamente feminina (BORTOLLIN, 2011). 
Entretanto, hoje, a perspectiva que se tem aponta para que esse tipo de mulher fraca e que só serve para cuidar dos afazeres da casa, se transforme, permitindo um lugar a uma mulher mais dinâmica, habilidosa e inserida no mundo do trabalho fora de casa, mulher trabalhadora que conquista cada vez mais o espaço no mundo profissional, da política, das lutas sindicais, dos esportes, dentre outros, espaços antes considerados apenas masculinos. Contudo, é lamentável que esses locais ainda permaneçam recheados de preconceitos, discriminações e exclusões definidas pelas pessoas que não conseguem atualizar sua visão nesse contexto (BORTOLLIN, 2011). 
As mudanças percebidas nessa área indicam que alguns fatores importantes têm contribuído, como, por exemplo, a necessidade financeira, que força a entrada cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, o aumento crescente por mulheres que chefiam e até sustentam a família, a organização das mulheres lutando por mais igualdade nos direitos legais, lideranças sindicais e entre outros fatores que influenciam diariamente a sua vivência e contribuem para defender a sua adaptação e autonomia no meio social (BORTOLLIN, 2011).
Louro (1997) coloca que, para tanto, nota-se que seja necessário pensar qual a função da mulher nesta sociedade excludente que a represa em todos os ambientes sociais, inclusive no espaço escolar e esportivo, fortemente representado no jogo de futebol. Segundo Louro, ainda existem aqueles que justificam as desigualdades atribuindo-as às características biológicas.
É neste argumento que homens e mulheres são biologicamente distintos e que a relação entre ambos decorre desta distinção, que é complementar e na qual cada um deve desempenhar um papel determinado secularmente, acaba por ter o caráter de argumento final, irrecorrível (LOURO, 1997, p. 20-21).
Sendo assim, seja em qualquer lugar, a distinção sexual serve para compreender e justificar a desigualdade social. No entanto, a autora acha necessário demonstrar que não são as características sexuais que devem ser determinantes, porém a forma como essas características são representadas e valorizadas. O que realmente constitui o masculino e o feminino é aquilo que se diz ou se pensa sobre essas características em determinada sociedade e época. E ela confirma: “Para que se compreenda o lugar e as relações de homens e mulheres numa sociedade importa observar não exatamente seus sexos, mas sim tudo o que socialmente se construiu sobre os sexos” (LOURO, 1997, p. 21).
Apesar de serem conceitos relacionados, sexo e gênero possuem significados distintos, pois as diferenças de sexo estão relacionadas a aspectos biológicos, enquanto as diferenças de gênero são estabelecidas por intermédio do meio social em que vivemos (LOURO, 1997, p. 21).
Para se compreender o lugar e as relações de homens e mulheres numa sociedade, importa observarnão exatamente seus sexos, mas tudo o que socialmente se constitui sobre os sexos. Nesta sentença, Louro (1997, p. 22) faz refletir que “o gênero se constitui com ou sobre corpos sexuados, ou seja, não é negada a biologia, mas enfatizada, deliberadamente, a construção social e histórica produzida sobre as características biológicas”. De acordo com Connell (1995, p. 189, apud LOURO, 1997, p. 22), “No gênero, a prática social se dirige aos corpos”. A autora, então, acrescenta que o conceito se refere à maneira como as características sexuais são compreendidas e representadas ou como são trazidas para a prática social e como se tornam parte do processo histórico (BORTOLLIN, 2011).
Diante da discussão sobre gênero e sexualidade, pode-se considerar que a igualdade entre homens e mulheres inclui e depende do reconhecimento da existência da diferença, e como revela Louro (1997, p. 22), “As justificativas não devem ser buscadas nas diferenças biológicas, mas nos arranjos sociais, na história, nas condições de acesso aos recursos da sociedade e nas suas representações”. (BORTOLLIN, 2011).
A história da Educação Física mostra que ela foi sempre discriminatória mantendo os papéis sexuais distintos e determinados, caracterizando os comportamentos tipicamente masculinos e femininos, a serviço de uma ideologia sexista. Para melhor exemplificar, na época da República quando a Educação Física foi introduzida na escola, a idéia de estender a atividade prática também para o sexo feminino foi veementemente rechaçada pela opinião pública, inclusive por alguns pais que chegaram a proibir a prática de atividades físicas por suas filhas, mesmo com risco de vê-las perder o ano escolar (ROMERO, 1994).
ROMERO (1994) acrescenta que, durante o Estado Novo a Educação Física serviu de instrumento ideológico à ditadura instalada, o governo militar investiu nessa disciplina em função de diretrizes pautadas no nacionalismo, na integração (entre os Estados) e na segurança nacional. Este quadro acabou colaborando para que a participação feminina ficasse restrita às comemorações e desfiles cívicos, já que no campo esportivo, a maior concentração ficava centrada no sexo masculino. As atribuições do professor de Educação Física na escola vinculam-se à finalidade de contribuir para a formação global do cidadão, incluindo-se assim, os aspectos biológico, cultural, social e afetivo. Dentro desta perspectiva cabe ressaltar a importância de proporcionar a todos os educandos, indistintamente, as mesmas oportunidades de aprendizado. No entanto, na prática podemos observar uma diversificação de tratamentos para meninos e meninas, perpetuando os modelos sexualmente tipificados pela família e sociedade.
“A título de comparação, observa-se comumente que os meninos são completamente livres e libertos. Jogam bola nas ruas, ... e desenvolvem outras atividades que lhes favorecem o desenvolvimento da motricidade ampla. Essa conduta tem total anuência dos pais, vizinhos e amigos. Por outro lado, as meninas, de um modo geral, são decididamente desencorajadas e, até mesmo proibidas de praticarem essas brincadeiras e atividades., desenvolvem, como conseqüência, a motricidade fina.” (ROMERO, 1994, p. 229)
Este tratamento diferenciado, segundo ROMERO (1994), acaba resultando em um desempenho motor igualmente diferenciado. 
Complementando, ROMERO (1994) argumenta que em uma observação da prática dos professores, constata-se, muitas vezes, a insistência de discriminação entre os sexos para as atividades físicas. Isto leva a uma compreensão do porquê da falta de habilidades motoras envolvendo os grandes músculos evidenciados pelo grupo feminino. Estas alunas, ao chegarem no 5º ano de escolarização, quando normalmente são trabalhadas por professores da área, apresentam um estágio de habilidades motoras significativamente inferiores aos meninos. 
ALTMANN (1998) discorre sobre a exclusão nos esportes e, aponta características muito interessantes que revelam não ser o gênero o principal motivo de exclusão nas aulas de Educação Física e nos esportes. Em seu estudo, a autora observou que apesar de os meninos em média participarem dos jogos mais do que as meninas, tanto quantitativa como qualitativamente, podia-se notar meninas que tinham um nível de participação próximo ao dos meninos e vice-versa. A autora sustenta que, mais do que uma exclusão de gênero – ou ao menos além dela - existe uma exclusão por habilidade. 
Um dos fatores apontados por ALTMANN (1998) que leva a esta exclusão por habilidade, é o caráter competitivo presente na prática esportiva escolar. Este caráter competitivo acaba por promover uma “seleção natural”, onde apenas os mais aptos são aceitos. Assim, acoplados à habilidade têm-se a idade, a força e o gênero agindo como critérios determinantes desta “seleção natural”. 
Portanto, o que podemos constatar é que por força do processo de transmissão cultural reforçam-se os preconceitos, colaborando para que as meninas não tenham as mesmas experiências dos meninos, criando-se então uma cadeia de situações que leva à exclusão e à falta de motivação por parte das mesmas quanto à prática da Educação Física. 
Uma alternativa para tentar reverter este quadro seria, na fase anterior à iniciação esportiva, do pré à 4.ª série, oferecer para as meninas os mesmos estímulos motores amplamente explorados pelos meninos, minimizando-se assim os efeitos proporcionados pelo maior envolvimento dos meninos com diversas atividades que ocorre não só na escola, mas em casa, na rua, no parque, no clube. Além disso, durante a iniciação esportiva de 5.ª a 8.ª série, seria importante instrumentalizar meninos e meninas para uma participação efetiva e prazerosa na cultura esportiva, para que ambos indistintamente possam desfrutar dos benefícios proporcionados por estas atividades, bem como a reflexão quanto às razões da construção histórica de papéis e atribuições diferenciadas.
METODOLOGIA
Visando alcançar os objetivos propostos, foi adotado enquanto procedimento a pesquisa do tipo bibliográfica, que busca as informações de forma direta com os artigos, livros, dentre outros materiais. 
Quanto à abordagem, trata-se de uma pesquisa qualitativa, a qual não se preocupa com a representação numérica, mas com o porquê da importância do exercício físico na gestação. A pesquisa bibliográfica tenta compreender, de forma aprofundada, determinado grupo social, fenômeno, organização etc. Busca produzir informações que não podem ser quantificadas. 
A pesquisa qualitativa trabalha com o universo dos valores, crenças e atitudes relacionados aos fenômenos, os quais não podem ser explicados de forma quantificada, por meio de fórmulas e variáveis. Quanto aos objetivos, será utilizada a forma explicativa, a qual permite familiaridade com o problema, tornando-o mais explícito. 
Os dados bibliográficos foram colhidos por meio dos sites de pesquisas Lilacs, Google acadêmico e Scielo. Foram considerados os trabalhos publicados na Língua Portuguesa, gratuitos e dos últimos dez anos (2012 a 2021), com preferência nos artigos científicos. As palavras chaves utilizadas foram: futebol feminino. Foram encontrados 17 artigos, dos quais 9 fizeram parte desse estudo por tratar diretamente do assuntos após terem seus resumos lidos e aprovados pelo critério de inclusão e exclusão.
Os estudos foram incluídos de acordo com o critério de avaliar os a inserção feminina nas aulas de educação física escolar. Excluídas revisões bibliográficas, estudos de caso e artigos que não fossem de livre acesso. 
Seguindo, realizou-se a leitura cautelosa e minuciosa dos autores com a finalidade de se obter um arranjo teórico robusto e qualitativo para compor as justificativas desse projeto. 
Após, deu-se início a leitura da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a construção do corpo estrutural embasando toda a teoria de conceitos sobre esporte, relação com o desenvolvimento, como compartilha esse processo na aprendizagem e tudo isso voltado para a prática do público feminino. 
Na elaboração do desenvolvimento do trabalho,foi argumentado de maneira coerente e precisa os objetivos propostos nesse material, utilizando várias referências nessa defesa. 
O objetivo geral foi à compreensão e possibilidades desenvolvidas, de acordo com a BNCC, utilizando a representatividade feminina no futebol como ferramenta de desenvolvimento, para efetivar a expressão e comunicação atreladas ao processo de desenvolvimento do aluno em fase de aprendizagem rudimentar no ensino fundamental II. 
Objetivou-se também, baseado nas referências, conhecer as bases do trabalho, analisar os pontos de relevância das atividades que o futebol proporciona e buscar resultados positivos dentro das perspectivas de obras que nos encaminham para esse conhecimento, analisar e discutir a importância da de se entender o arranjo patriarcal sociocultural e sua relação direta com a aprendizagem na escola por parte do público feminino, tentando promover reflexões de mudanças necessárias na postura docente.
CRONOGRAMA
	ETAPAS DO PROJETO
	PERÍODO
	Levantamento do conhecimento prévio.
	Semana 1 - Setembro
	Análise da observação teórica.
	Semana 2 - Setembro
	Organização de teorias.
	Semana 3 - Setembro
	Desenvolvimento de dinâmicas dissertativas.
	Semana 4 - Setembro
	Leitura.
	Semana 4 - Setembro
	Análise de novos produtos educacionais adaptados para a temática e produção do projeto escrito.
	Semana 1 - Outubro
RECURSOS 
Como recurso, será imprescindível a escola estar com o acervo de materiais da disciplina de educação física completo. Será necessário também que a escola tenha em seu arquivo, todas as informações referentes ao aluno, a fim de embasar um dos procedimentos descritos na metodologia e possibilitar a comprovação de teorias descritas no referencial teórico. 
AVALIAÇÃO
A avaliação do projeto será realizada promovendo reflexão sobre o tema proposto. O objetivo é a compreensão do professor sobre sua postura e apreciação da reflexão sobre temas pouco discutidos (como os tópicos apresentados neste material) Além disso, a avaliação se dará também através da participação nas atividades, discutindo regras, questionando e sugerindo novas possibilidades.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na prática da educação física, cada corpo pode adotar estratégias diferentes para atingir o objetivo final, ficando claro que a educação física escolar pode ser uma grande incentivadora de estratégias como um ponto de partida para a criação, tornando os jogos coletivos unânime para todos os gêneros a fim de alcançar esse objetivo. 
Propor aos alunos o estímulo para a execução do percurso do movimento, considerando que o corpo possui características, nuance e sutilezas de gesto podem desenvolver-se de forma sistemática, deixando de considerar a fragilidade feminina como fator decisório de separação, e passando a considerar as diferencias maturacionais como estimulante na tomada de decisões. 
Considerando que cada instituição tem as suas dificuldades, conhecimentos e experiência, o enfoque está nas diferenças que a tornam única e singular, sendo necessário por parte da docência de educação física percutir no ponta pé inicial para a mudança desse cenário separativo. 
Portanto, o entendimento sobre a possibilidade de trabalhar o esporte feminino e interpretar o futebol como mecanismo dessa efetivação, capaz de potencializar processos de aprendizagem e expressão, é tão mais entendido pelos profissionais quando se organiza as teorias, principalmente em programas escolares e de planejamento. Faz-se urgente e necessária a valorização desta atividade para além do conceito de entretenimento e recreação dos meninos, para que ocorra sua difusão e ampliação dos quadros de planos de aulas.
REFERÊNCIAS
BESSE, Susan. Modernizando a desigualdade: reestruturação da ideologia de gênero no Brasil (1914-1940). São Paulo, Edusp, 1999. 
BORTOLLIN, A. M. P. Futebol Também é Coisa de Menina: Um Estudo sobre o Gênero Feminino na Escola. Revista Univap, São José dos Campos-SP, v. 17, n. 30, dez. 2011.
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GOELLNER, Silvana V. Mulher e esporte no Brasil: entre incentivos e interdições elas fazem história. Pensar a Prática (UFG), Goiânia, v. 8, n.1, p. 85-100, 2005. 
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VEDOVE, Rebeca Dalle. Futebol feminino: sua história e a busca pela igualdade. 2021.

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