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Profa. Nívia Garcia 
UNIDADE I 
Interpretação e 
Produção de Textos 
Noções de texto 
 No dia a dia, “texto” remete à obrigação de escrever algo, geralmente longo. 
 
 Nos estudos discursivos, o conceito de “texto” é algo mais amplo. 
 
 “Texto” deriva do latim tecere, tecer. Ou seja, o texto é algo “tecido”. 
 
 O texto não é um amontoado de elementos. É uma 
composição intencionalmente construída para transmitir 
uma mensagem. Todas as suas peças são importantes 
e devem estar bem encaixadas com as demais. 
 
Noções de texto: a matemática da linguagem 
Um texto é um todo organizado de sentido, um conjunto formado de partes solidárias, ou 
seja, o sentido de uma depende das outras. Repare nos exemplos: 
 
 Ana é bonita _______ inteligente. 
 Ana é bonita _______ antipática. 
 Ana é grosseira _______ inteligente. 
 Ana é grosseira _______ antipática. 
 
 Perceba, nos exemplos acima, a relação lógico-
matemática da linguagem. 
 
Noções de texto: a matemática da linguagem 
Pensando ainda na conexão entre as partes solidárias de um texto, 
vejamos os seguintes exemplos: 
 
 João estuda _______ trabalha. 
 João estuda _______ não trabalha. 
 João não estuda _______ trabalha. 
 João não estuda _______ não trabalha. 
 
 Novamente, o que se demonstra é a relação 
lógico-matemática presente na linguagem, em 
qualquer texto, por mais simples que seja. 
 
 
 
 
 
 
Ainda sobre o que é um texto... 
 Um texto é um todo organizado de sentido. 
 Isso implica afirmar que o texto é um conjunto formado de partes solidárias, 
que o sentido de uma depende das outras (Fiorin, 2011). 
 Os elementos internos de um texto interagem coerentemente 
na construção de um sentido. 
 Como produção, ele se associa a outros textos e ao contexto em que foi construído, ou 
seja, um texto não existe de forma isolada, desvinculada. 
Texto: um todo organizado de sentido 
 Analise o quadro a seguir. 
Fonte: http://www.aindatorindo.com/ 
2015/01/moco-eu-queria-uma-rasteirinha.html 
Texto: um todo organizado de sentido 
 Analise agora este 
outro quadro. 
 
Fonte: http://www.aindatorindo.com/ 
2015/01/moco-eu-queria-uma-rasteirinha.html 
Texto: um todo organizado de sentido 
Fonte: http://www.aindatorindo.com 
/2015/01/moco-eu-queria-uma-rasteirinha.html 
Ainda sobre o que é um texto... 
 Nenhum texto é uma peça isolada, nem a manifestação da individualidade de quem 
o produziu. 
 Constrói-se um texto para, através dele, marcar uma posição ou participar de um 
debate de escala mais ampla que está sendo travado na sociedade. 
Até mesmo uma simples notícia jornalística, sob a aparência de neutralidade, tem 
sempre alguma intenção por trás (Fiorin, 1999). Vejamos os exemplos a seguir: 
 Quatro em cada dez usuários desistem de ação anticrack da prefeitura. 
 Seis em cada dez usuários permanecem em ação 
anticrack da prefeitura. 
 
Ainda sobre o que é um texto... 
a) Estudantes invadem reitoria e forçam renúncia do reitor. 
b) Estudantes ocupam reitoria e reivindicam renúncia do reitor. 
c) Os sem-terra invadiram 100 fazendas neste ano. 
d) Os sem-terra invadiram só 100 fazendas neste ano. 
e) Os sem-terra invadiram 100 fazendas só neste ano. 
 
Interpretação de textos nos dias de hoje... 
 Você já deve ter visto em 
alguma rede social a 
seguinte brincadeira: 
 
 
 
 
 
Fonte: http://espaco-do-saber-funcional.blogspot.com 
/2018/08/blog-post.html 
Interpretação de textos nos dias de hoje... 
 É importante perceber a diferença entre compreender e interpretar um texto. 
 As perguntas feitas no anúncio revelam que as pessoas não compreenderam o anúncio, 
talvez por não lerem, de fato, o que estava escrito. 
 Compreender corresponde à mera decodificação. No exemplo, todas as respostas estão 
no texto, colocadas de forma explícita. 
 Interpretar, por sua vez, significa apreender o sentido do texto e depende de elementos 
que estão além dele. Quer ver um exemplo? 
Interpretação de textos nos dias de hoje 
Fonte: http://delhumberto.blogspot.com/ 
2018/07/vejas-diferenca-entre-saber-ler-e-saber.html 
Interatividade 
De acordo com o que vimos quanto ao que é um texto, pode-se dizer que: 
 
a) Uma charge sem palavras não pode ser considerada texto. 
b) Registros da oralidade não podem ser chamados de texto. 
c) Um texto bem escrito deve buscar a imparcialidade. 
d) Um texto é um todo organizado de sentido. 
e) Todo texto é assim considerado se tiver certo tamanho de linhas e parágrafos. 
 
Resposta 
De acordo com o que vimos quanto ao que é um texto, pode-se dizer que: 
 
a) Uma charge sem palavras não pode ser considerada texto. 
b) Registros da oralidade não podem ser chamados de texto. 
c) Um texto bem escrito deve buscar a imparcialidade. 
d) Um texto é um todo organizado de sentido. 
e) Todo texto é assim considerado se tiver certo tamanho de linhas e parágrafos. 
 
Texto e linguagem: diferentes modos de dizer 
 A linguagem é um sistema essencial à concretização da comunicação verbal, que é uma 
necessidade humana. 
 Linguagem é todo sistema de signos que deve ser compartilhado pelo emissor e pelo 
receptor para que a comunicação ocorra. Signo, de uma forma sintética, é aquilo que 
representa algo, que substitui outra coisa. Um desenho e uma palavra são signos. 
 A escolha da linguagem nunca é neutra, seu uso é sempre subjetivo, uma vez 
que há um sujeito que faz as escolhas que resultam em certo efeito de sentido. 
Texto e linguagem: diferentes modos de dizer 
 Podemos, por exemplo, proferir qualquer um dos enunciados a seguir. 
 
 Arnaldo faleceu ontem. 
 Arnaldo morreu ontem. 
 Arnaldo bateu as botas ontem. 
 Arnaldo vestiu o terno de madeira ontem. 
 Arnaldo virou uma estrelinha ontem. 
Texto e linguagem: diferentes modos de dizer 
 Ainda que os dicionários apresentem palavras ou expressões como sinônimos, é nítida a 
diferença entre os impactos provocados por cada uma das formas. 
 
 “Falecer” é mais respeitoso do que “morrer”; 
 
 “Bater as botas” e “vestir o terno de madeira” são desrespeitosas ou engraçadas; 
 
 “Virar uma estrelinha” é uma forma suave de expressar a 
ideia de morte. 
Texto e linguagem: diferentes modos de dizer 
 Procure notar que a maioria dos veículos de imprensa utiliza o verbo “ocupar” para se 
referir a ações policiais e usa o verbo “invadir” para as ações do Movimento Sem-Terra 
(MST), por exemplo. Reflita sobre os sentidos que são construídos a partir dessa escolha. 
 
 Assim, a forma de dizer interfere no conteúdo do que se diz. Quando interpretamos 
um texto, devemos também perceber como ele foi construído e qual efeito de sentido 
ele provoca. 
Figuras de linguagem: eufemismo 
 Muitas vezes, quando não queremos ofender alguém, buscamos suavizar o modo de 
apresentar uma crítica. Procuramos uma forma eufemística para dizer algo desagradável. 
 A origem da palavra “eufemismo” está no grego eu (bom, agradável) e pheme (palavra). 
Desta junção, formou-se euphémein, que significa “falar palavras agradáveis” ou 
“bem dizer”. 
 Eufemismo é uma figura de linguagem que se caracteriza por suavizar alguma 
afirmação desagradável. 
 
Exemplos de eufemismo 
 Arnaldo virou uma estrelinha ontem. (morreu) 
 
 Aquele político enriqueceu por meios ilícitos. (roubou) 
 
 O País está passando por uma desaceleração do crescimento. (crise) 
 
Figuras de linguagem: hipérbole 
 Em certas situações, o exagero no enunciado é importante para revelar a dimensão 
daquilo que queremos dizer. 
 Nesse sentido, a hipérbole é oposta ao eufemismo, já que, em vez de suavizar o que se 
quer dizer, exagera-o. 
 O vocábulo tem origem na língua grega, na palavra hiperbolé (exagero). “Hiper” (sobre, 
por cima) e “bolé” (atirar, lançar). 
 Hipérbole é a figura de linguagem em que se exagera 
no enunciado, a fim de ampliar a dimensão do que está 
sendo dito. 
Exemplos de hipérbole 
 Faz séculos que não vejo Maria. (faz muitotempo) 
 
 Morri de rir ontem no jantar. (foi muito divertido) 
 
 Aquele ônibus leva uma eternidade para passar. (demora muito) 
 
 
Figuras de linguagem: ambiguidade 
 É importante o uso do duplo sentido de palavras e expressões. Quando intencionalmente 
produzida, a ambiguidade caracteriza um recurso que enriquece o texto. 
 
 Ambiguidade: derivado do termo latino ambiguitas (equívoco, incerteza), que vem do 
grego amphibolia, que quer dizer “duplicidade de sentido”. 
 
 O duplo sentido surge tanto por relações sintáticas na construção das orações ou pela 
polissemia de palavras (um significante com mais de um significado). 
Exemplos de ambiguidade/duplo sentido 
 “Ouvi falar da festa no escritório.” 
 
 “O boi se diverte com a pata na lama.” 
 
 “O menino estava perto do banco.” 
Exemplos de ambiguidade/duplo sentido 
 “Ouvi falar da festa no escritório.” - Eu estava no escritório quando ouvi falar da 
festa ou a festa será realizada no escritório? 
 
 “O boi se diverte com a pata na lama.” - O boi coloca uma parte de seu corpo na 
lama ou brinca com outro animal? 
 
 “O menino estava perto do banco.” - De um instrumento para sentar ou de uma 
instituição financeira? 
 
Exemplos de ambiguidade/duplo sentido 
Fonte: 
https://www.lg.com.br 
Figuras de linguagem: ironia 
 A ironia consiste em se fazer uma afirmação que, na verdade, significa o oposto. 
 
 É a utilização proposital de termos que manifestam o sentido oposto do seu significado. 
Por exemplo, uma pessoa que levou uma bronca do chefe após um péssimo dia de 
trabalho pode dizer: “Era o que faltava para encerrar o meu dia maravilhosamente bem”. 
Figuras de linguagem: ironia 
 Em conversas cotidianas, a ironia é facilmente percebida pela entonação e pelo contexto. 
Quando a professora diz ao aluno que tirou zero em uma prova que ele foi “muuuuito 
bem”, a ironia é evidente. 
 
 Em textos impressos, nem sempre a percepção da ironia é tão imediata e, quando ela não 
é percebida, a interpretação é totalmente equivocada. Observemos a charge a seguir. 
 
Figuras de linguagem: ironia 
Fonte: http://4.bp.blogspot.com 
Figuras de linguagem: ironia 
Fonte: https://manualdapilhaerrada.wordpress.com 
A expressão afeta o conteúdo 
 Em outras palavras, podemos dizer que a forma de expressão interfere diretamente 
no conteúdo. 
 
 Vejamos um exemplo com um “meme”, algo tão corriqueiro hoje em dia, baseado em 
Nicolau Maquiavel: 
 
 
 
A expressão afeta o conteúdo 
 
 
 
Fonte: 
https://www.obaoba.com.br/
comportamento 
A expressão afeta o conteúdo 
 Nicolau Maquiavel: importante pensador, defensor do poder absoluto e autor de O Príncipe. 
Nessa obra, ele comenta que um governante tem o dever (e o direito) de se manter no 
poder de qualquer forma. 
 Com esses exemplos, queremos mostrar que a densidade do conteúdo está intimamente 
relacionada com a forma de expressão. 
 Essas relações de sentido refletem-se diretamente na linguagem, na mensagem, naquilo 
que se quer transmitir. 
Tipos de linguagem 
 A linguagem é uma atividade humana que representa o mundo, que constrói a realidade, 
revelando aspectos históricos, culturais e sociais. É com a linguagem que o ser humano 
organiza e dá forma às suas vivências. 
 A linguagem pode ser verbal ou não verbal: 
 Linguagem verbal: a comunicação acontece por meio das palavras, escritas ou faladas; 
 Linguagem não verbal: a comunicação acontece por desenhos, gestos, entre outros. 
Tipos de linguagem: verbal 
Uma mesma ideia pode ser expressa por meio de signos verbais, não verbais ou pela 
combinação deles: 
 
 
 
Fonte: o Autor 
Tipos de linguagem: não verbal 
Fonte: http://loja.afixgraf.com.br/placa-proibido-
fumar 
Tipos de linguagem: sincrética ou híbrida 
Fonte: 
http://www.aerotexextintores.com.
br/advertencia-e-proibicoes 
Linguagem verbal e não verbal 
 Como vimos, um texto pode utilizar somente linguagem verbal, somente linguagem não 
verbal ou misturar as duas, sendo assim denominado sincrético ou híbrido. 
 Decodificar um texto implica reconhecer os significados dos seus signos, sejam eles 
verbais ou não verbais, e observar a combinação entre eles. 
 Um texto é uma unidade de sentido, com a combinação coerente e coesa dos seus 
elementos. Existem infinitas formas de dar concretude a uma ideia, o que significa que 
são inúmeros os textos que podem ser construídos para expressá-la. 
Interatividade 
De acordo com o que vimos, pode-se dizer que: 
a) Informar a uma criança que alguém “virou estrelinha” em vez de dizer que “morreu” 
configura hipérbole. 
b) Uma ideia expressa em linguagem não verbal é mais fácil de ser interpretada que uma 
em linguagem verbal. 
c) A hipérbole está associada à ideia de exagero, como em “morrer de rir”. 
d) O eufemismo está associado à ideia de mentira ou de ocultação da verdade. 
e) A ambiguidade é um recurso que deve ser evitado nos 
textos orais. 
 
Resposta 
De acordo com o que vimos, pode-se dizer que: 
a) Informar a uma criança que alguém “virou estrelinha” em vez de dizer que “morreu” 
configura hipérbole. 
b) Uma ideia expressa em linguagem não verbal é mais fácil de ser interpretada que uma 
em linguagem verbal. 
c) A hipérbole está associada à ideia de exagero, como em “morrer de rir”. 
d) O eufemismo está associado à ideia de mentira ou de ocultação da verdade. 
e) A ambiguidade é um recurso que deve ser evitado nos 
textos orais. 
 
O texto e o contexto 
 Nenhum texto existe de forma isolada: “Todo texto é produto de criação coletiva: 
a voz de seu produtor se manifesta ao lado de um coro de outras vozes que já 
trataram do mesmo tema e com as quais se põe em acordo ou desacordo” – 
Platão e Fiorin (1999, p. 25). 
 Intertextualidade é a relação entre textos, a referência direta ou indireta de um texto 
a outros, é um “diálogo” entre textos. Por isso, para perceber a intertextualidade, o 
receptor deve ter conhecimento dos textos com os quais o texto em questão dialoga. 
Intertextualidade: a relação entre textos 
 O recurso da intertextualidade aparece nos mais variados textos, inclusive nos 
publicitários. É comum vermos uma peça publicitária fazendo referência a um filme, 
a uma música, a um poema, a outro anúncio. 
 
 Observe o anúncio publicitário que divulga um bistrô da Feira do Livro. 
É visível, para quem conhece um pouco de literatura (conhecimento que se espera 
de quem frequenta o evento), a referência a um famoso poema de Carlos Drummond 
de Andrade. 
Intertextualidade: a relação entre textos 
Fonte: 
http://discutindoaredacao.wordpress.com 
Intertextualidade: a relação entre textos 
Vejamos o trecho inicial do texto de Carlos Drummond de Andrade: 
 
E agora, José? 
E agora, José? 
A festa acabou, 
a luz apagou, 
o povo sumiu, 
a noite esfriou, 
e agora, José? 
Intertextualidade: a relação entre textos 
 Vejamos também o trecho final do texto de Carlos Drummond de Andrade: 
 
Sozinho no escuro 
qual bicho-do-mato, 
sem teogonia, 
sem parede nua 
para se encostar, 
sem cavalo preto 
que fuja a galope, 
você marcha, José! 
José, para onde? 
 O poema de Drummond foi publicado em 1942, na época da Segunda Guerra Mundial 
e do Estado Novo no Brasil. O conflito e a ditadura varguista causam desolamento no 
poeta. É possível ver isso nos versos, pois parece não haver saída para José diante do 
desconsolo que domina a realidade. 
 
 O anúncio inverte o sentido de desesperança presente no poema de Drummond, 
transformando a cena em um momento de alegria, a hora da Festa do Livro no bistrô. 
Intertextualidade: a relação entre textos 
 Certa vez, a empresa O Boticário veiculou uma campanha em que as peças faziam 
referência a protagonistas femininas dos contos de fadas, atribuindo-lhes mais poder 
que na história original. Dessa forma, os textos sugeriam que os produtos da empresa 
poderiam empoderar as mulheres. O anúncio a seguir fez parte dessa campanha. 
 
 Texto verbal dapeça: “A história sempre se repete. Todo chapeuzinho vermelho que se 
preze, um belo dia, coloca o lobo mau na coleira”. 
 
 
Intertextualidade: a relação entre textos 
Fonte: https://creativitate2013.wordpress.com 
Intertextualidade: “Conto de fadas para mulheres modernas” 
 Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de 
autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago 
do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma 
rã. – Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um 
encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me 
transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu 
lindo castelo, e viveríamos felizes para sempre… 
… E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, 
acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de 
 um finíssimo vinho branco, a princesa sorria 
 e pensava: – Eu, hein?… nem morta! 
Intertextualidade: Um conto real 
 Essa mesma inversão do discurso tradicional dos contos de fada pode ser observada 
nos quadrinhos a seguir. 
 
Fonte: https://br.pinterest.com 
O texto e seu contexto histórico-social 
 Como já afirmamos, nenhum texto existe de forma autônoma. Nas palavras de Norma 
Discini (2005, p.13), o texto deve ser considerado “naquilo que é dito, no como é dito, no 
porquê do dito, na aparência, na imanência, como signo, como História”. 
 
 Isso significa que devemos analisar, além dos elementos internos de qualquer texto, as 
suas condições de produção. 
O texto e seu contexto histórico-social 
O bêbado e a equilibrista 
Caía a tarde feito um viaduto 
E um bêbado trajando luto 
Me lembrou Carlitos… 
A lua 
Tal qual a dona do bordel 
Pedia a cada estrela fria 
Um brilho de aluguel 
E nuvens! 
Lá no mata-borrão do céu 
Chupavam manchas torturadas 
Que sufoco! 
Louco! 
 
O texto e seu contexto histórico-social 
 A composição de João Bosco e Aldir Blanc, lançada em 1979, no período da ditadura 
militar, é um exemplo da importância do contexto na interpretação de um texto. 
 Na música, o enunciador apresenta o embate entre a Arte e a violência do Estado. 
Na primeira estrofe, para indicar como a tarde havia caído repentinamente, o autor faz 
referência ao Viaduto Paulo Frontin, no Rio de Janeiro, que desabou em 1971; a alusão 
ao luto e a Carlitos (Charles Chaplin) representa o estado de tristeza da classe artística 
diante da pouca liberdade de expressão. 
 
 O mata-borrão e as manchas torturadas referem-se à 
violência dos órgãos estatais com os opositores do regime. 
O texto e seu contexto sócio-histórico 
 Uma leitura não pode se basear em fragmentos isolados do texto. 
 
 Uma leitura deve levar em consideração os elementos do interior de um texto e também 
os aspectos externos, do contexto em que foi produzido, bem como as relações que ele 
estabelece com outros textos. 
As informações implícitas 
 Imagine que você chegue à faculdade e escute a seguinte frase: 
“Hoje você está bonito!”. 
 
 Apesar da evidente intenção de elogio contida na frase, não se pode deixar de reparar 
na presença do advérbio “hoje”. Você pode questionar: só hoje? Embora não esteja 
explícita, há a mensagem de que, nos demais dias, você não estava bonito. Além disso, 
há o uso do verbo “estar”, que, na língua portuguesa, tem um sentido diferente de “ser”. 
 
As informações implícitas 
 Notemos o uso de conjunções adversativas (mas, porém, contudo, no entanto) ou de 
concessivas (apesar de, mesmo que), como nos enunciados: “Apesar de ser francês, o 
filme é bom”; “Tem mais de 60 anos, mas sabe usar o computador”. 
 Aqui, notamos que um falante não aprecia o cinema francês, e que o outro pensa que as 
pessoas mais velhas não sabem utilizar as tecnologias mais modernas. 
 Certa vez, um anúncio de iogurte usou a seguinte frase: “Tão gostoso que nem parece 
light”. Nesse caso, fica implícita a afirmação de os produtos light não serem gostosos. 
 
Interatividade 
“[...] Relação estabelecida entre dois ou mais textos. É muito comum que os autores façam 
uso de conteúdos já existentes e reconhecidos com a finalidade de embasar melhor um 
tema, dar mais informações aos leitores, defender uma ideia etc.” 
Essas características apresentadas definem o conceito de: 
a) Elaboração de charges. 
b) Intertextualidade. 
c) Apropriação textual. 
d) Oralidade. 
e) Publicidade. 
 
Resposta 
“Relação estabelecida entre dois ou mais textos. É muito comum que os autores façam 
uso de conteúdos já existentes e reconhecidos com a finalidade de embasar melhor um 
tema, dar mais informações aos leitores, defender uma ideia etc.” 
Essas características apresentadas definem o conceito de: 
a) Elaboração de charges. 
b) Intertextualidade. 
c) Apropriação textual. 
d) Oralidade. 
e) Publicidade. 
 
Interpretação de textos não verbais 
 Um texto não verbal é aquele em que não se usam palavras. Assim, devemos prestar 
atenção na imagem. 
 
 A compreensão e a interpretação de textos não verbais dependem da capacidade do 
leitor em decodificar os signos não verbais e atribuir sentidos a eles. Deve-se ter atenção 
a cada elemento e, especialmente, à combinação deles. 
 
 Embora a linguagem não verbal tenda a ser mais universal, 
ou seja, ela pode ser compreendida por pessoas de 
diferentes países e idiomas, a interpretação de um texto 
não verbal nem sempre é fácil. 
 
Interpretação de textos não verbais 
 Charles Peirce, filósofo e fundador da Semiótica, considerava que os signos não verbais 
poderiam ser classificados, de acordo com a relação que estabelecem com seus 
referentes, em: 
 Ícones; 
 Índices; 
 Símbolos. 
 
Ícones 
 Mantêm relação direta de semelhança com seu referente. 
É o que se observa na figura a seguir, em que temos o 
desenho de um cão. A semelhança é de tal ordem que 
mesmo uma criança pequena é capaz de identificar 
o referente. 
 
 
 
 
Fonte: 
http://www.comoaprenderdesenhar.com.br 
Índices 
 Os índices são indícios, isto é, apresentam uma relação de contiguidade ou de 
causalidade com o referente. Por exemplo, a fumaça pode representar o fogo. 
 Uma placa com talheres à beira da estrada indica 
a proximidade de um restaurante, assim como o 
desenho de uma bomba de gasolina significa a 
presença de um posto de combustível, como 
se vê na figura a seguir. 
 
 
Fonte: http://www.comoaprender 
desenhar.com.br 
Símbolos 
 Os símbolos, por sua vez, apresentam relação convencional 
e arbitrária com seu referente. Como exemplo, podemos 
mencionar a representação de operações matemáticas, 
como a da raiz quadrada. 
 
Fonte: https://imagepng.org/raiz-
quadrada-simbolo/raiz-quadrada-simbolo/ 
Interpretação de textos não verbais 
 A compreensão dos ícones tende a ser mais imediata, já que eles representam aquilo 
com o que têm semelhança. Já os índices e os símbolos exigem do leitor um raciocínio 
que vai além da mera decodificação. 
 
 Um mesmo signo pode ser um ícone, um índice ou um símbolo, dependendo do texto. 
O desenho de uma cruz pode ser um ícone, caso represente apenas uma cruz; um 
índice, caso represente a crucificação; e um símbolo, caso represente a fé cristã. 
 
 Assim, não podemos dizer que um signo encaixa-se 
definitivamente em uma categoria, mas sim que ele é 
classificado como ícone, índice ou símbolo em 
determinado texto. 
Interpretação de textos não verbais 
 Na charge que veremos a seguir, vemos pessoas tirando fotos de outra pessoa, 
representada por uma mão dentro da água. Até aqui, estamos no nível da 
compreensão do texto. 
 
 No entanto, qual o sentido de tal charge? Não se trata apenas de registrar uma cena do 
cotidiano. Ela apresenta uma crítica à atitude de tirar fotos em vez de ajudar a pessoa que 
está se afogando, ao uso exagerado dos recursos tecnológicos que a maioria das 
pessoas faz hoje em dia.Vejamos: 
 
Interpretação de textos não verbais 
Fonte: http://www.tribunadainternet.com.br 
Interpretação de textos não verbais 
 Essa interpretação é resultado de vários elementos, que dependem de nosso 
conhecimento de mundo e dos elementos internos do texto. 
 
 Em primeiro lugar, devemos considerar o gênero textual: a charge. Trata-se de um tipo 
de texto cujo objetivo é a crítica de algum aspecto da contemporaneidade. 
 
 Em segundo, o fato de que as pessoas normalmente tiram 
fotos para exibi-las em redes sociais em busca de “likes”. 
A charge critica esse desejo de exibição e aprovação 
promovido pelas redes, já que as pessoas preferem 
registrar uma tragédia a salvar alguém que está prestes 
a morrer afogado. 
 
Interatividade 
Quanto à compreensão de textos não verbais, podemos dizer que: 
a) É mais fácil a compreensão de textos verbais, já que os textos não verbais são de 
compreensão universal. 
b) Embora a linguagem não verbal tenda a ser mais universal, nem sempre é fácil a 
compreensão de um texto não verbal. 
c) Um texto não verbal é o tipo mais completo de texto que há, uma vez que fornece ao 
leitor todas as informações necessárias, mas sem usar palavras. 
d) Os símbolos mantêm relação tão direta de semelhança 
com seu referente que mesmo uma criança pequena é 
capaz de identificar facilmente o referente. 
e) Um texto não verbal precisa ser representado ao mesmo 
tempo por um ícone, um índice e um símbolo. 
 
Resposta 
Quanto à compreensão de textos não verbais, podemos dizer que: 
a) É mais fácil a compreensão de textos verbais, já que os textos não verbais são de 
compreensão universal. 
b) Embora a linguagem não verbal tenda a ser mais universal, nem sempre é fácil a 
compreensão de um texto não verbal. 
c) Um texto não verbal é o tipo mais completo de texto que há, uma vez que fornece ao 
leitor todas as informações necessárias, mas sem usar palavras. 
d) Os símbolos mantêm relação tão direta de semelhança 
com seu referente que mesmo uma criança pequena é 
capaz de identificar facilmente o referente. 
e) Um texto não verbal precisa ser representado ao mesmo 
tempo por um ícone, um índice e um símbolo. 
 
ATÉ A PRÓXIMA! 
 
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	Noções de texto
	Noções de texto: a matemática da linguagem
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	Ainda sobre o que é um texto...
	Texto: um todo organizado de sentido
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	Ainda sobre o que é um texto... 
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	Interpretação de textos nos dias de hoje...
	Interpretação de textos nos dias de hoje...
	Interpretação de textos nos dias de hoje
	Interatividade
	Resposta
	Texto e linguagem: diferentes modos de dizer 
	Texto e linguagem: diferentes modos de dizer
	Texto e linguagem: diferentes modos de dizer
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	Figuras de linguagem: eufemismo
	Exemplos de eufemismo
	Figuras de linguagem: hipérbole
	Exemplos de hipérbole
	Figuras de linguagem: ambiguidade
	Exemplos de ambiguidade/duplo sentido
	Exemplos de ambiguidade/duplo sentido
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	Figuras de linguagem: ironia
	Figuras de linguagem: ironia
	Figuras de linguagem: ironia
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	A expressão afeta o conteúdo
	A expressão afeta o conteúdo
	A expressão afeta o conteúdo
	Tipos de linguagem
	Tipos de linguagem: verbal
	Tipos de linguagem: não verbal
	Tipos de linguagem: sincrética ou híbrida
	Linguagem verbal e não verbal
	Interatividade
	Resposta
	O texto e o contexto
	Intertextualidade: a relação entre textos
	Intertextualidade: a relação entre textos
	Intertextualidade: a relação entre textos
	Intertextualidade: a relação entre textos
	Slide Number 47
	Intertextualidade: a relação entre textos
	Intertextualidade: a relação entre textos 
	Intertextualidade: “Conto de fadas para mulheres modernas”
	Intertextualidade: Um conto real
	O texto e seu contexto histórico-social
	O texto e seu contexto histórico-social
	O texto e seu contexto histórico-social
	O texto e seu contexto sócio-histórico
	As informações implícitas
	As informações implícitas
	Interatividade
	Resposta
	Interpretação de textos não verbais
	Interpretação de textos não verbais
	Ícones
	Índices
	Símbolos
	Interpretação de textos não verbais
	Interpretação de textos não verbais 
	Interpretação de textos não verbais
	Interpretação de textos não verbais
	Interatividade
	Resposta
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