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Sífilis Congênita 
 
- Causada pelo Treponema pallidum 
- Transmissão materno-fetal por via 
hematogênica 
- Pode ser transmitida em qualquer fase 
gestacional 
- Se a mãe está na fase primária ou 
secundária da doença, tem de 70 a 100% 
de chance de ocorrer a transmissão 
- Se a mãe está nas fases latente tardia ou 
terciária, tem 30% de chance de transmitir 
- Não há contraindicação absoluta ao 
aleitamento materno 
 
- Pode ser classificada quanto ao tempo de 
evolução: 
• Recente: <1 ano de evolução 
• Tardia: >1 ano de duração 
- Pode ser classificada quanto as fases de 
evolução clínica: 
• Sífilis primária: um ou mais úlceras 
endurecidas indolores (cancro 
duro) no local de inoculação. Pode 
ocorrer linfadenopatia regional 
associada. 
 
• Sífilis secundária: 3 a 6 semanas 
após o cancro. Caracteriza-se por 
exantema polimorfo, 
maculopapuloso, generalizado e 
acometendo palmas e plantas. 
Podem apresentar dor de 
garganta, febre, cefaleia, 
linfadenopatia difusa, mialgias, 
artralgias, alopecia, condilomas 
planos e placas nas mucosas. 
Obs. Os sintomas remitem sem 
tratamento. 
 
• Sífilis latente: períodos sem sinais 
e sintomas clínicos, mas com 
evidências sorológicas positivas. 
Pode ser recente ou tardia. 
• Sífilis terciária: 4 a 12 anos após o 
estágio secundário e caracteriza-se 
por gomas, que podem surgir na 
pele, nos ossos ou nas vísceras. 
Também pode ser caracterizado 
por sífilis cardiovascular, 
especialmente inflamação dos 
grandes vasos. 
• Neurossífilis: pode ocorrer em 
qualquer estágio da doença. As 
manifestações iniciais incluem 
meningite e doença neurovascular. 
As manifestações tardias incluem 
demências, doença da coluna 
posterior da medula espinal e 
crises epilépticas, entre outras. 
- Durante a gravidez, os acometimentos 
mais comuns são: 
• Aborto espontâneo e natimortos 
(40%) 
• Hidropsia fetal 
• Prematuridade 
• Baixo peso ao nascer 
 
- Quando ocorre até o segundo ano de vida 
- Mais de 50% são assintomáticos 
- Os sinais e sintomas mais frequentes são: 
• Morte (25%) 
• Exantema maculopapular e 
bolhoso 
• Pênfigo palmoplantar 
• Rinite sero-sanguinolenta 
• Hepatomegalia e esplenomegalia 
• Periostite, osteíte e osteocondrite 
• Metafisite (sinal de Weimberg) 
• Pseudoparalisia de Parrot 
• Anemia e trombocitopenia 
 
 
- Após o segundo ano de vida 
- Substituição dos órgãos por tecidos de 
granulação sifilítica 
- Principais comprometimentos: 
• Tíbia em sabre 
• Palato em ogiva 
• Hidrocefalia 
• Fronte olímpica 
• Retardo cognitivo 
• Nariz em cela 
• Alargamento da clavícula (sinal de 
Higoumenakis) 
• Dentes de Hutchinson 
 
 
- Existem métodos de detecção direta e 
métodos de detecção indireta 
- Dentre os métodos indiretos, tem-se os 
testes treponêmicos, como FTA-ABS, TPHA 
e ELISA, usados para confirmação 
-Ainda, tem-se os testes não treponêmicos, 
como VDRL 
- O VDRL é presuntivo para Sífilis quando 
maior que 1/32, sendo além de 
diagnóstico, um teste para 
acompanhamento do tratamento 
- Deve-se avaliar o comprometimento, 
através da fundoscopia (coriorretinite), 
USG de crânio (hidrocefalia), RX de ossos 
longos (deformidades ósseas), hemograma 
(anemia e plaquetopenia) 
- No líquor, sempre que tiver VDRL+, 
considera neurossífilis congênita. Além 
disso, quando VDRL-, mas pleocitose (>25 
hemácias/mm³) ou proteínas (>150 mg/dL) 
deve-se considerar também como 
neurossífilis congênita, devendo-se tratar 
como tal 
 
- A decisão para tratamento deve 
considerar fatores maternos: 
• Diagnóstico de Sífilis na gestação 
• Tratamento adequado ou não da 
mãe e do(s) parceiro(s) 
• Sífilis diagnosticada até 30 dias 
antes do parto, mesmo que tratada 
• Tratamento com outra droga que 
não seja a penicilina 
- Os fatores do RN para o tratamento são: 
• Evidências clínicas, laboratoriais ou 
radiológicas de Sífilis 
• Títulos maiores (4 diluições) que os 
da mãe 
• Aumento, estabilização ou falta de 
declínio nos títulos de VDRL de 
acompanhamento 
• Achado do treponema em exame 
da placenta ou cordão umbilical 
• Meningite (VDRL+ em LCR) 
• Persistência da reatividade de 
teste treponêmico após 18 meses 
 
 
- A droga de escolha é a penicilina, não 
considerando tratamento adequado 
quando usadas outras drogas 
- Existem três tipos de penicilina: 
• Benzatina (Benzetacil): usada em 
casos de baixo risco para 
neurossífilis, visto que não 
atravessa a barreira 
hematoencefálica. Usada em dose 
única de 50.000U/Kg/dose. 
• Procaína: meia vida mais curta e 
não atravessa a barreira 
hematoencefálica. Dose diária de 
50.000 U/Kg/dose por 10 dias. 
• Cristalina: usada em neurossífilis. 
Dose de 50.000 U/Kg/dose a cada 
12 horas nos primeiros 7 dias de 
vida e depois a cada 8 horas até o 
10° dia. 
 
- O tratamento inadequado da mãe é 
definido por: 
• Uso de drogas que não sejam 
penicilina ou aplicação inadequada 
de penicilina 
• Tratamento iniciado dentro dos 30 
dias pré-parto 
• Ausência de documentação do 
tratamento 
• Ausência da queda da titulação 
após o tratamento 
• Parceiro com Sífilis sintomática, ou 
testagem positiva, não tratado ou 
inadequadamente tratado 
- O seguimento da Sífilis na gestação deve 
ser realizado mensalmente após instituição 
do tratamento, com o VDRL, sendo 
avaliado: 
• Cura: queda de dois ou mais títulos 
ou negativação após seis meses 
• Novo tratamento: elevação dos 
testes em duas diluições 
 
- No período neonatal, deve-se adotar as 
seguintes condutas, segundo o MS: 
• A - Em RNs de mães não tratadas 
ou inadequadamente tratadas: 
Independente do VDRL do RN, 
realizar hemograma, RX de ossos 
longos, punção lombar, e 
avaliações de outros sistemas 
quando necessário: 
• (A1) Com alterações clínicas, 
sorológicas, radiológicas ou 
hematológicas: Tratar com 
penicilina procaína ou cristalina 
• (A2) Com alterações liquóricas: 
Tratar com penicilina cristalina 
• (A3) Sem alterações clínicas, 
sorológicas, radiológicas, 
hematológicas e liquóricas: Tratar 
com penicilina benzatina 
 
• B – Mães tratadas 
adequadamente com RN de VDRL 
reativo, com titulação de duas 
diluições maior que a materna, 
e/ou existir alterações clínicas: 
Realizar hemograma, RX de ossos 
longos e análise de LCR: 
• (B1) Com alterações clínicas, 
radiológicas, hematológicas, sem 
alterações liquóricas: Tratar com 
penicilina procaína ou cristalina 
• (B2) Se houver alterações 
liquóricas: Tratar com penicilina 
cristalina 
 
• C – Em RNs assintomáticos, de 
mães tratadas adequadamente: 
Realizar VDRL: 
• (C1) VDRL não reagente: 
Seguimento clínico-laboratorial. 
Mas na impossibilidade do 
seguimento, deve-se tratar com 
penicilina benzatina 
• (C2) VDRL reagente, mas de 
titulação igual ou inferior ao 
materno: Fazer seguimento, mas 
em impossibilidade, investigar 
líquor e tratar de acordo com essa 
investigação 
 
- Avaliações mensais até o 6° mês e 
bimensais do 6° ao 12° mês 
- Realizar VDRL com 1, 3, 6, 12 e 18 meses, 
interrompendo somente com negativação 
em dois consecutivos 
- Após 18 meses sem negativação, reavaliar 
e tratar novamente 
- Acompanhamento oftalmológico, 
neurológico, e audiológico semestral por 
dois anos 
- Quando LCR alterado, deve-se reavaliar 
LCR a cada seis meses, até normalização 
- Crianças tratadas inadequadamente, 
devem ser reavaliadas e tratadas de acordo 
com os exames clínicos e laboratoriais.

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