Prévia do material em texto
DINÂMICA
do PONTO MATERIAL e do CORPO RÍGIDO
Jorge Humberto Oliveira Seabra
Carlos Alberto Magalhães Oliveira
José Fernando Dias Rodrigues
Pedro Manuel Leal Ribeiro
Pedro Manuel Ponces Camanho
Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – Secção de Mecânica Aplicada
6ª Edição - Fevereiro de 2004
ii DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO iii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Ao Amigo e Mestre
Vasco Sanches da Silva e Sá
Professor Catedrático Jubilado
do DEMEGI – FEUP.
iv DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO v
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
PREFÁCIO
Este texto representa um trabalho continuado ao longo de vários anos, de vários
docentes da Secção de Mecânica Aplicada, do Departamento de Engenharia Mecânica e
Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, no sentido de
elaborar um texto didáctico de qualidade. Esta é a 5ª edição destes apontamentos,
sucedendo às elaboradas em 1995, 1997, 2000 e 2002.
Merece destaque o trabalho realizado pelo Professor Vasco Sanches da Silva e Sá,
Professor Catedrático Jubilado do DEMEGI, a quem se devem os primeiras monografias
didácticas de qualidade no domínio da Mecânica Racional, publicados pelo DEMEGI.
Refira-se, ainda, o trabalho realizado pelo Professor Carlos Alberto Magalhães
Oliveira, Professor Associado do DEMEGI, autor de várias notas didácticas, sobretudo no
domínio da Dinâmica dos Corpos Rígidos, e que estão na origem dos presentes textos.
Nesta monografia, para além dos conceitos teóricos da Dinâmica do Ponto Material
e do Corpo Rígido, são desenvolvidas várias aplicações concretas e são propostos
problemas, de modo a permitir ao aluno uma aprendizagem de tais conceitos.
Porto e FEUP, Fevereiro de 2003.
Os Autores
vi DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO vii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ÍNDICE
Capítulo 1 – CINEMÁTICA DAS MASSAS
1 INTRODUÇÃO 1
2 TORSOR DAS QUANTIDADES DE MOVIMENTO 3
2.1 Definições 3
2.1.1 Ponto Material 3
2.1.2 Sistema Discreto de Ponto Materiais 4
2.1.3 Sistema Material Contínuo(sólido rígido) 5
2.2 Vector Quantidade de Movimento 6
2.3 Vector Momento Cinético em O 7
2.3.1 Momento Cinético em G 8
2.3.2 Casos Particulares do Momento Cinético 9
2.4 Unidades da Quantidade de Movimento e do Momento Cinético
no Sistema Internacional 12
2.5 Quantidade de Movimento e Momento Cinético de
Mecanismos Compostos por Vários Corpos 12
3 TORSOR DAS QUANTIDADES DE ACELERAÇÃO 15
3.1 Definições 15
3.1.1 Ponto Material 15
3.1.2 Sistema Discreto de Ponto Materiais 16
3.1.3 Sistema Material Contínuo(sólido rígido) 17
3.2 Vector Quantidade de Aceleração 18
3.3 Vector Momento Dinâmico em O 19
3.3.1 Casos Particulares do Momento Dinâmico 22
3.4 Unidades da Quantidade de Aceleração e do Momento Dinâmico
no Sistema Internacional 23
3.5 Quantidade de Aceleração e Momento Dinâmico de
Mecanismos Compostos por Vários Corpos Rígidos 23
3.6 Componentes do Vector Dinâmico em G de um Sólido Rígido 24
4 ENERGIA CINÉTICA DE UM SISTEMA MATERIAL 27
4.1 Definições 27
4.1.1 Ponto Material 27
4.1.2 Sistema Discreto de Ponto Materiais 27
4.1.3 Sistema Material Contínuo (sólido rígido) 28
4.2 Energia Cinética de Um Corpo Rígido Animado de Movimento de Translação 29
4.3 Energia Cinética de Um Corpo Rígido Animado de Movimento de Rotação 29
4.4 Energia Cinética de Um Corpo Rígido em Movimento Polar 31
4.5 Decomposição de Movimentos 33
viii DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4.6 Energia Cinética de Um Sólido em Movimento Qualquer 33
4.7 Unidades da Energia Cinética no Sistema Internacional 36
5 CINEMÁTICA DAS MASSAS – RESUMO DAS EQUAÇÕES 37
6 APLICAÇÃO – O SISTEMA MANIVELA / BIELA / ÊMBOLO 39
6.1 Geometria do Sistema Manivela – Biela – Êmbolo 40
6.2 Velocidade e Aceleração Angulares dos Corpos 1, 2 e 3 40
6.3 Trajectória do Centro de Massa de Cada Corpo 42
6.4 Torsor da Quantidade de Movimento do Sistema 42
6.4.1 Torsor da Quantidade de Movimento do corpo 1 42
6.4.2 Torsor da Quantidade de Movimento do corpo 2 43
6.4.3 Torsor da Quantidade de Movimento do corpo 3 43
6.4.4 Torsor da Quantidade de Movimento do Sistema no Ponto O 44
6.5 Torsor da Quantidade de Aceleração do Sistema 47
6.5.1 Torsor da Quantidade de Aceleração do corpo 1 47
6.5.2 Torsor da Quantidade de Aceleração do corpo 2 47
6.5.3 Torsor da Quantidade de Aceleração do corpo 3 48
6.5.4 Torsor da Quantidade de Aceleração do sistema no ponto O 50
6.6 Energia Cinética 53
7 APLICAÇÃO – SISTEMA TRIDIMENSIONAL 55
8 PROBLEMAS PROPOSTOS 59
Capítulo 2 – DINÂMICA DO PONTO MATERIAL – Teoremas Vectoriais
1 INTRODUÇÃO 67
2 O PROBLEMA GERAL DA DINÂMICA 68
3 MASSA E INÉRCIA 68
4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA DINÂMICA 69
5 EQUAÇÕES DO MOVIMENTO DE UM PONTO MATERIAL 72
6 TEOREMAS VECTORIAIS DA DINÂMICA DO PONTO MATERIAL 74
7 FORÇA E MOMENTO DE INÉRCIA 75
8 SISTEMA DE REFERÊNCIA INERCIAL 76
9 FORÇAS E MOMENTOS 77
9.1 Força Normal e Força Tangencial – Atrito de Coulomb 78
9.2 Força Tangencial – Atrito de Rolamento 79
9.3 Forças e Momentos Elásticos 79
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO ix
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
9.4 Forças e Momentos Dissipativos 80
10 APLICAÇÕES 82
10.1 Movimento Rectilíneo 82
10.2 Movimento Circular 85
10.2.1 Solução analítica da equação de movimento 86
10.2.2 Aplicação numérica 88
10.3 Movimento Sobre Um Referencial Móvel 90
10.4 Pêndulo Cónico 92
11 EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA DINÂMICA EM REFERENCIAIS LIGADOS À TERRA 95
11.1 Forças Gravitacionais 95
11.2 Forças de Inércia 96
11.3 Conclusão 100
12 PROBLEMAS PROPOSTOS 101
Capítulo 3– DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
1 INTRODUÇÃO – MÉTODO DE ANÁLISE 103
2 TEOREMA DO MOVIMENTO DO CENTRO DE MASSA 105
3 TEOREMA DO MOVIMENTO EM TORNO DO CENTRO DE MASSA 106
4 PRINCÍPIO D’ALEMBERT – CONCEITO DE EQUILÍBRIO DINÂMICO 107
5 MOVIMENTO PLANO DE CORPOS RIGÍDOS SIMÉTRICOS 108
5.1 Equações do movimento para um corpo rígido em movimento plano 108
5.2 Análise de sistemas de corpos rígidos em movimento plano 110
5.3 Movimento plano vinculado 110
6 PROBLEMAS PLANOS RESOLVIDOS 111
6.1 Sólido animado de movimento de translação 111
6.2 Sólido animado de movimento de rotação 115
6.3 Sólido em movimento mais complexo 119
6.4 Mecanismo manivela, biela, êmbolo 124
6.5 Mecanismo de accionamento do limador 138
7 MECANISMO ESPACIAL 151
8 PROBLEMAS PROPOSTOS 163
x DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Capítulo 4– DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO – Trabalho e Energia
1 INTRODUÇÃO 175
2 CONCEITO DE TRABALHO 176
2.1 Trabalho de uma força 176
2.2Trabalho de um sistema de forças concorrentes 177
2.3 Trabalho de um binário 178
2.4 Potência 179
2.5 Unidades de trabalho e potência 180
2.6 Trabalho de um sistema de forças aplicado a um sólido rígido 180
2.7 Trabalho das forças interiores num sistema material 182
2.8 Trabalho de forças conservativas 182
2.8.1 Exemplos de forças conservativas 184
2.8.2 Exemplos de forças não conservativas 187
3 TRABALHO E ENERGIA 189
3.1 Trabalho e energia cinética 189
3.2 Trabalho e energia mecânica total 192
3.2.1 Princípio da conservação da energia mecânica total 193
3.3 Trabalho e energia em deslocamentos finitos 193
4 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DO TEOREMA DO TRABALHO E ENERGIA 194
4.1 Corpo deslizando sobre um plano inclinado 194
4.2 Cursor deslizando sobre uma guia circular 197
5 TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS 200
5.1 Conceito de deslocamento virtual 201
5.2 Conceito de trabalho virtual 204
5.3 Teorema dos trabalhos virtuais 204
5.4 Aplicação do teorema dos trabalhos virtuais 206
6 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DO TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS 207
6.1 Disco rolando sobre um plano inclinado 207
6.2 Mecanismo simples 212
6.2.1 Diagrama de corpo livre 213
6.2.2 Equação de movimento 214
6.2.3 Forças de ligação ao exterior no ponto O 218
6.2.4 Velocidade angular do disco 221
6.3 Sistema came - impulsor 224
6.3.1 Geometria e cinemática do sistema came - impulsor 225
6.3.2 Diagrama de corpo livre do sistema 228
6.3.3 Equação de movimento do sistema came - impulsor 228
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO xi
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3.4 Forças de ligação entre os corpos 1 e 2 no ponto I 234
6.3.5 Reacção no ponto O 239
7 PROBLEMAS PROPOSTOS 243
Capítulo 5– DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO – Impulso e Quantidade de Movimento
1 MOVIMENTO DE UM PONTO MATERIAL 255
1.1 Impulso linear 255
1.2 Impulso angular 256
2 MOVIMENTO DE UM SISTEMA DE PONTOS MATERIAIS 257
2.1 Impulso linear 257
2.2 Impulso angular 258
3 CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO 258
4 MOVIMENTO PROVOCADO POR UMA FORÇA IMPULSIVA 259
4.1 Aplicação do teorema do impulso e da quantidade de movimento 259
5 CHOQUE OU IMPACTO 261
5.1 Choque central directo 261
5.1.1 Modelização do choque central directo entre duas partículas materiais 262
5.1.2 Coeficiente de restituição 264
5.1.3 Choques perfeitamente elástico e perfeitamente plástico 266
5.1.4 Formulação do problema de choque central directo 267
5.2 Choque central oblíquo 268
5.2.1 Formulação do problema de choque central oblíquo 268
5.2.2 aplicação do modelo de choque central oblíquo 270
5.3 Choque excêntrico 272
5.3.1 Choque excêntrico de dois corpos livres 272
5.3.2 Choque excêntrico de dois corpos ligados ao exterior 275
6 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO 277
6.1 Variação da quantidade de movimento linear 277
6.2 Conservação da quantidade de movimento linear 278
6.3 Conservação da quantidade de movimento angular numa direcção 280
6.4 Choque central oblíquo 281
6.5 Choque excêntrico de um corpo livre 283
6.6 Choque excêntrico de um corpo com ligação ao exterior 287
7 PROBLEMAS PROPOSTOS 291
xii DINÂMICA DO PONTO MATERIAL E DO CORPO RIGÍDO
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
CINEMÁTICA das MASSAS
Jorge Humberto Oliveira Seabra
Carlos Alberto Magalhães Oliveira
José Fernando Dias Rodrigues
Pedro Manuel Leal Ribeiro
Pedro Manuel Ponces Camanho
Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – Secção de Mecânica Aplicada
6ª Edição - Fevereiro de 2004
ii CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
CINEMÁTICA DAS MASSAS iii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ÍNDICE:
1 INTRODUÇÃO 1
2 TORSOR DAS QUANTIDADES DE MOVIMENTO 3
2.1 Definições 3
2.1.1 Ponto Material 3
2.1.2 Sistema Discreto de Ponto Materiais 4
2.1.3 Sistema Material Contínuo(sólido rígido) 5
2.2 Vector Quantidade de Movimento 6
2.3 Vector Momento Cinético em O 7
2.3.1 Momento Cinético em G 8
2.3.2 Casos Particulares do Momento Cinético 9
2.4 Unidades da Quantidade de Movimento e do Momento Cinético
no Sistema Internacional 12
2.5 Quantidade de Movimento e Momento Cinético de
Mecanismos Compostos por Vários Corpos 12
3 TORSOR DAS QUANTIDADES DE ACELERAÇÃO 15
3.1 Definições 15
3.1.1 Ponto Material 15
3.1.2 Sistema Discreto de Ponto Materiais 16
3.1.3 Sistema Material Contínuo(sólido rígido) 17
3.2 Vector Quantidade de Aceleração 18
3.3 Vector Momento Dinâmico em O 19
3.3.1 Casos Particulares do Momento Dinâmico 22
3.4 Unidades da Quantidade de Aceleração e do Momento Dinâmico
no Sistema Internacional 23
3.5 Quantidade de Aceleração e Momento Dinâmico de
Mecanismos Compostos por Vários Corpos Rígidos 23
3.6 Componentes do Vector Dinâmico em G de um Sólido Rígido 24
4 ENERGIA CINÉTICA DE UM SISTEMA MATERIAL 27
4.1 Definições 27
4.1.1 Ponto Material 27
4.1.2 Sistema Discreto de Ponto Materiais 27
4.1.3 Sistema Material Contínuo (sólido rígido) 28
4.2 Energia Cinética de Um Corpo Rígido Animado de Movimento de Translação 29
4.3 Energia Cinética de Um Corpo Rígido Animado de Movimento de Rotação 29
4.4 Energia Cinética de Um Corpo Rígido em Movimento Polar 31
4.5 Decomposição de Movimentos 33
4.6 Energia Cinética de Um Sólido em Movimento Qualquer 33
4.7 Unidades da Energia Cinética no Sistema Internacional 36
iv CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5 CINEMÁTICA DAS MASSAS – RESUMO DAS EQUAÇÕES 37
6 APLICAÇÃO – O SISTEMA MANIVELA / BIELA / ÊMBOLO 39
6.1 Geometria do Sistema Manivela – Biela – Êmbolo 40
6.2 Velocidade e Aceleração Angulares dos Corpos 1, 2 e 3 40
6.3 Trajectória do Centro de Massa de Cada Corpo 42
6.4 Torsor da Quantidade de Movimento do Sistema 42
6.4.1 Torsor da Quantidade de Movimento do corpo 1 42
6.4.2 Torsor da Quantidade de Movimento do corpo 2 43
6.4.3 Torsor da Quantidade de Movimento do corpo 3 43
6.4.4 Torsor da Quantidade de Movimento do Sistema no Ponto O 44
6.5 Torsor da Quantidade de Aceleração do Sistema 47
6.5.1 Torsor da Quantidade de Aceleração do corpo 1 47
6.5.2 Torsor da Quantidade de Aceleração do corpo 2 47
6.5.3 Torsor da Quantidade de Aceleração do corpo 3 48
6.5.4 Torsor da Quantidade de Aceleração do sistema no ponto O 50
6.6 Energia Cinética 53
7 APLICAÇÃO – SISTEMA TRIDIMENSIONAL 55
8 PROBLEMAS PROPOSTOS 59
CINEMÁTICA DAS MASSAS 1
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
CINEMÁTICA DAS MASSAS
1 INTRODUÇÃO
Para o estudo da Dinâmica do Sólido, que constitui o objectivo final e fundamental
da disciplina de Mecânica, vai ser necessário estabelecer as relações que existem entre as
forças aplicadas aos sólidos e os movimentos que estes vão possuir. Nestas relações
intervêm, directa ou indirectamente, a massa, o modo como esta se distribui no espaço e
as distribuições espaciais de velocidades e acelerações dos sistemas materiais.
Caracterizar-se-ão, neste capítulo, os sistemas de vectores "Quantidade de
Movimento" e "Quantidade de Aceleração", em cuja definição intervém a massa e a
velocidade ou aceleração, respectivamente. Caracterizar-se-á ainda a "Energia Cinética"
dos sistemas materiais.
Trata-se de mais um capítulo (o último) introdutório ao estudo daDinâmica do Sólido
e o seu interesse é fulcral para o domínio das matérias que se lhe seguirão.
2 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
CINEMÁTICA DAS MASSAS 3
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2 TORSOR DAS QUANTIDADES DE MOVIMENTO
2.1 Definições
2.1.1 Ponto Material
Seja P um ponto material de massa m, que descreve uma trajectória curvilínea S. O
ponto P está animado de uma velocidade instantânea Pv na direcção τ
!
tangencial à
trajectória em P, como se mostra na figura 1.
Figura 1 - Quantidade de Movimento e Momento Cinético de um ponto material P.
Define-se "Quantidade de Movimento" de um ponto material, como um vector
proporcional à sua velocidade, sendo a massa m o factor de proporcionalidade,
Pvmq = .
Define-se "Momento Cinético" de um ponto material em relação a um dado pólo O,
como o momento em relação a esse pólo do vector Quantidade de Movimento, acima
definido,
O Ph OP q OP mv= × = ×
""! """! "! """! ""!
.
O Torsor da Quantidade de Movimento do ponto material P, reduzido no ponto O,
tem como Vector Principal a quantidade de movimento Pvmq = e como Vector Momento
o momento cinético Oh OP q= ×
""! """! "!
, isto é,
( )PQM Oq;hτ
"! ""!
.
O
X Y
Z
P(m)
S
Pvmq =
!
τ!
qOPhO
!
×=
Oh
4 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2.1.2 Sistema Discreto de Pontos Materiais
A figura 2 mostra um sistema discreto de pontos materiais, P1, P2, …, Pn, de massas
m1, m2, …, mn, respectivamente, e animados das velocidades instantâneas
n21 PPP v...,,v,v .
Figura 2 - Quantidade de movimento e momento cinético de um sistema discreto de
pontos materiais.
Pode associar-se a cada ponto material um vector quantidade de movimento, e um
vector momento cinético, definidos por
iPi
i vmq = e
iPii
i
O vmOPh ×= ,
respectivamente.
Obtém-se, assim, um sistema de vectores deslizantes, cujo Vector Principal se
designa Quantidade de Movimento (global) e cujo vector momento no pólo O se designa
Momento Cinético (global) nesse ponto O, definidos por:
n21i PnP2P1
i
Pi
i
i vm...vmvmvmqQ +++=== ∑∑
i 1 2 n
i
O O i i P 1 1 P 2 2 P n n P
i i
H h OP m v OP m v OP m v ... OP m v= = × = × + × + + ×∑ ∑
""!"""! """! """! """! """! """"! """! """"! """!
Este par de vectores caracteriza, como sabemos, o sistema de vectores deslizantes
acima referido, no sentido em que gera o mesmo campo de momentos que aquele. Este
par de vectores constitui o chamado Torsor das Quantidades de Movimento do sistema de
pontos materiais, reduzido no ponto O, e tem como Vector Principal a quantidade de
movimento ∑∑ ==
i
Pi
i
i
i
vmqQ e como Vector Momento o momento cinético
i
i
O O i i P
i i
H h OP m v= = ×∑ ∑
""!"""! """! """!
, isto é,
( )SistemaQM OQ ;Hτ
"! """!
.
iPi
i vmq =
Pi P2
Pn
P1
iPii
i
O vmOPh ×=
O
CINEMÁTICA DAS MASSAS 5
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Considerando a massa de cada ponto material constante no tempo ( ) 0m
dt
d
i = , a
expressão que define a quantidade de movimento pode ser desenvolvida do seguinte modo:
( ) ( )
==== ∑∑∑ ∑ i
i
i
i
ii
i i
iiii OPmdt
d
OPm
dt
d
OP
dt
d
mvmQ .
A Geometria das Massas mostra que i
i
i OPmM
1
OG ∑= , pelo que
( )i i G
i
d d
Q m OP M OG M v
dt dt
= = =
∑
"! """! """! ""!
2.1.3 Sistema Material Contínuo (sólido rígido)
Para uma distribuição contínua de massa ou corpo rígido, como a representada na
figura 3, é válido tudo o que foi dito para os sistemas discretos de pontos materiais.
Figura 3 - Quantidade de movimento e momento cinético de um sistema contínuo.
Os sistemas contínuos são constituídos por um número infinito de pontos materiais
discretos, de massa elementar dm (dm = ρρρρ dV), aos quais se associa uma quantidade de
movimento e um momento cinético elementares, definidos por
P Odq v dm e dh OP dq= = ×
""! ""! """!! !
.
Os vectores quantidade de movimento e momento cinético num ponto, terão
definição análoga, apenas substituindo o somatório por um integral estendido à massa total
do sistema material, isto é
(M)
P, dm
Z
Y X
O
dmvqd P=
dmvOPhd P
dm
O ×=
6 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
P
M M
Q dq v dm= =∫ ∫
! ""!!
O O
M M
H dh OP v dm= = ×∫ ∫
"""! ""! """! !
.
Este par de vectores constitui o chamado Torsor das Quantidades de Movimento do
corpo rígido, reduzido no ponto O, e tem como Vector Principal a quantidade de
movimento Q e como Vector Momento o momento cinético OH , isto é,
( )Corpo OQM Q ;Hτ
! """!
.
2.2 Vector Quantidade de Movimento - Q
O vector quantidade de movimento ∫=
M
P dmvQ pode ser desenvolvido usando a
expressão de Mozzi para as velocidades contemporâneas de um sólido, a qual estabelece
que P Gv v GPω= + ×
""! ""! "! """!
.
Substituindo na definição da quantidade de movimento obtém-se
( )P G GM M M MQ v dm v GP dm v dm GP dmω ω= + × = + ×∫ ∫ ∫ ∫
"! ""! ""! "! """! ""! "! """!
= ,
isto é
G GM MQ v dm GP dm M vω= + × =∫ ∫
"! ""! "! """! ""!
.
A Geometria das Massas mostra que
0GGMdmGPOGMdmOPeMdm
MMM
!
==⇒== ∫∫∫ .
Substituindo determina-se que
(1) GvMQ =
Conclusão:
Qualquer que seja o tipo de distribuição de massa (discreta ou contínua) teremos
sempre GvMQ = , isto é o vector Quantidade de Movimento é igual à massa do
sistema multiplicada pelo vector velocidade do respectivo centro de massa.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 7
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2.3 Vector Momento Cinético em O - OH
O vector momento cinético ∫ ×=
M
PO dmvOPH pode ser desenvolvido decompondo
o vector OP e usando a expressão de Mozzi para as velocidades contemporâneas de um
sólido, isto é
P GOP OG GP e v v GPω= + = + ×
"""! """! """! ""! ""! "! """!
.
Substituindo POP e v
"""! ""!
na definição do momento cinético obtém-se
( ) ( )O P GM
M
H OP v dm OG GP v GP dmω= × = + × + ×∫ ∫
"""! """! ""! """! """! ""! "! """!
e decompondo os vários termos
( ) ( )O G GM M M MH OG v dm OG GP dm GP v dm GP GP dmω ω= × + × × + × + × ×∫ ∫ ∫ ∫
"""! """! ""! """! """! """! ""! """! """!! !
isto é
( ) ( ) ( ) ( )O G GM M M MH OG v dm OG GP dm GP dm v GP GP dmω ω= × + × × + × + × ×∫ ∫ ∫ ∫"""! """! ""! """! """! """! ""! """! "! """!! .
Como referido anteriormente, a Geometria das Massas mostra que
0GGMdmGPOGMdmOPeMdm
MMM
!
==⇒== ∫∫∫ ,
logo
( )O G MH OG v M GP GP dmω= × + × ×∫
"""! """! ""! """! "! """!
.
Sabendo que
( ) [ ]IG GM GP GP dm Hω ω× × = =∫
"""! """! """!! !
o momento cinético no ponto O é definido por
O G GH H OG M v= + ×
"""! """! """! ""!
isto é
(2) O GH H OG Q= + ×
"""! """! """! "!
1º Teorema de Koenig
8 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Conclusão:
O momento cinético de um corpo rígido, num dado ponto O, pode ser obtido pela
soma das seguintes duas parcelas:
• A 1ª resulta da multiplicação da matriz de inércia do sistema, definida no seu
centro de massa [ ]GI , pelo vector velocidade angular ω ;
• A 2ª é o produto vectorial do vector de posição do centro de massa OG , pelo
vector quantidade de movimento do sistema GvM .
Este resultado já era esperado. Com efeito, conhecido o vector principal e o vector
momento em G de um sistema de vectores deslizantes, é possível calcular o vector
momento num outro ponto qualquer, utilizando a expressão fundamental dos campos de
momentos que acaba de ser rescrita (expressão (2)).
Esta equação traduz o conhecido 1º teorema de Koenig e é de uso muito frequente
no cálculode vectores momento cinético.
2.3.1 Momento Cinético em G - [ ]IG GH ω=
"""! !
Na definição do momento cinético no ponto, O GH H OG Q= + ×
"""! """! """! "!
, admitiu-se que
( ) [ ]IG GMGP GP dm Hω ω× × = =∫
"""! "! """! "! """!
o que se demonstra em seguida.
Definindo ω e GP como vectores genéricos
=
n
m
l
ω! e
=
z
y
x
GP
obtém-se que
x mz ny
GP m y nx z
n z y mx
ω
−
× = × = −
−
#"! """!
#
#
e
( )
2 2
2 2
2 2
y mxy nxz zx mz ny
GP GP y nx z mz nyz lxy mx
z y mx nx xz myz ny
ω
− − +− × × = × − = − − +
− − − +
# #
"""! "! """!
#
# #
CINEMÁTICA DAS MASSAS 9
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
isto é
( )
2 2 2 2
2 2 2 2
2 2 2 2
y mxy nxz z y z xy xz
GP GP mz nyz lxy mx xy x z yz m
nnx xz myz ny xz yz x y
ω
− − + + − − × × = − − + = − + − ×
− − + − − +
# # #"""! "! """!
#
Substituindo no integral e desenvolvendo, determina-se que
( )
2 2
2 2
M M 2 2
y z xy xz
GP GP dm xy x z yz m dm
nxz yz x y
ω
+ − − × × = − + − ×
− − +
∫ ∫
#"""! "! """!
,
logo
( )
( )
( )
( )
2 2
M M M
2 2
M M M M
2 2
M M M
y z dm xy dm xzdm
GP GP dm xy dm x z dm yzdm m
n
xzdm yzdm x y dm
ω
+ − −
× × = − + − ×
− − +
∫ ∫ ∫
∫ ∫ ∫ ∫
∫ ∫ ∫
#"""! "! """!
isto é
( ) [ ]
xx xy xz
xy yy yz G
M
xz yz zz
I P P
GP GP dm P I P m I
P P I n
ω ω
− −
× × = − − × =
− −
∫
#"""! "! """! !
, c.q.d.
2.3.2 Casos Particulares do Momento Cinético
a) Sólido em movimento de translação
Se o sólido está animado de movimento de translação então a sua velocidade angular
é nula 0
!! =ω , pelo que
[ ] [ ] QOGQOG0IQOGI GGO ×=×+=×+= ωH
isto é
QOGO ×=H .
No ponto G (G ≡≡≡≡ O)
0QGGG
!
=×=H .
10 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
b) Sólido em movimento qualquer
No caso de um sólido animado de um movimento qualquer, a definição geral do
momento cinético estabelece que O PMH OP v dm= ×∫
"""! """! ""!
.
Definindo a velocidade do ponto P em função da velocidade do ponto O,
P Ov v OPω= + ×
""! ""! """!!
e substituindo na definição, obtém-se que
( )O P OM MH OP v dm OP v OP dmω= × = × + ×∫ ∫
"""! """! ""! """! """!! !
,
logo
( ) ( )O OM MH OP OP dm OP dm vω= × × + ×∫ ∫"""! """! """! """! ""!! .
Sabendo que (ver 2.3.1)
( ) I OM
M
OP OP dm e OP dm MOGω ω × × = = ∫ ∫
"""! """! """! """!! !
logo
(3) IO O OH M OG vω = + ×
"""! """! ""!!
,
b1) Sólido em rotação em torno de um ponto fixo O
Sendo O um ponto fixo, então 0vO = , pelo que
I IO O O OH M OG v M OG 0ω ω = + × = + ×
"""! """! ""! """! "!! !
,
isto é
IO OH ω =
"""! !
.
A expressão (3), que permite obter o momento cinético utilizando a matriz de
inércia, pressupõe a rigidez do sistema material a que se refere. Só pode, portanto,
calcular-se o momento cinético a partir da matriz de inércia, desde que o ponto usado
para pólo pertença ao espaço físico rigidamente ligado ao sólido.
Caso isto não se verifique, o cálculo deverá fazer-se a partir da expressão (2) do 1º
Teorema de Koenig.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 11
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
b2) Momento Cinético no centro de massa "G"
Num ponto qualquer [ ]IO O OH MOG vω= + ×
"""! """! ""!!
, pelo que no centro de massa
I IG G G G GH M GG v M0 vω ω = + × = + ×
"""! """! ""! "! ""!! !
,
isto é
(4) IG GH ω =
"""! !
.
Recorrendo à definição do momento cinético O PMH OP v dm= ×∫
"""! """! ""!
, obter-se-ia que
G PMH GP v dm= ×∫
"""! """! ""!
.
Definindo a velocidade do ponto P em função da velocidade do ponto G,
P Gv v GPω= + ×
""! ""! "! """!
, e substituindo na definição do momento cinético no ponto G,
determina-se que
( )G G
M
H GP v GP dmω= × + ×∫
"""! """! ""! "! """!
( )G
M M
H GP dm v GP GP dmG ω
= × + × ×
∫ ∫
"""! """! ""! """! "! """!
.
Atendendo a que
( ) I GM
M
GP dm 0 e GP GP dmω ω = × × = ∫ ∫
"""! "! """! """!! !
determina-se que
[ ]GH IG ω=
"""! "!
12 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2.4 Unidades da Quantidade de Movimento e do Momento Cinético no Sistema
Internacional
A quantidade de movimento Pvmq = corresponde ao produto de uma massa por
uma velocidade instantânea, pelo que no Sistema Internacional as suas unidades são
kg m/s .
O momento cinético O Ph OP q OP mv= × = ×
""! """! "! """! ""!
corresponde ao momento da
quantidade de movimento, isto é, produto de uma distância por uma massa e por uma
velocidade instantânea, pelo que no Sistema Internacional as suas unidades são
kg m2/s .
2.5 Quantidade de Movimento e Momento Cinético de Mecanismos Compostos por
Vários Corpos Rígidos
A figura 4 mostra um mecanismo composto por 3 corpos rígidos.
Considera-se que o sistema de eixos S0 ≡≡≡≡ [O,X0,Y0,Z0] é fixo e os sistemas de eixos S1
≡≡≡≡ [G1,X1,Y1,Z1], S2 ≡≡≡≡ [G2,X2,Y2,Z2] e S3 ≡≡≡≡ [G3,X3,Y3,Z3] são móveis, estão rigidamente
ligados aos corpos 1, 2 e 3, têm origem nos respectivos centros de massa e são sistemas
de eixos principais centrais de inércia.
Figura 4 - Mecanismo composto por três corpos rígidos.
Z0
Y0
X0
O
Z2
Y2
X2
G2
Y3
Z3
X3 G3
Z1
Y1
X1
G1
A
B
CINEMÁTICA DAS MASSAS 13
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Para cada corpo rígido é possível definir o correspondente torsor das quantidades de
movimento, em relação a um determinado ponto e usando as coordenadas de um dos
sistemas eixos. Assim tomando como sistema de eixos de trabalho o sistema
S1 ≡≡≡≡ [G1,X1,Y1,Z1] poder-se-ia estabelecer que:
1
1 1
1 1 1
QM G
S S
Q ; Hτ
""! """!
,
2
1 1
2 2 2
QM G
S S
Q ; Hτ
"""! """"!
, e
3
1 1
3 3 3
QM G
S S
Q ; Hτ
"""! """"!
.
A determinação do momento cinético de cada corpo, no respectivo centro de massa,
é de simples obtenção se tal operação for realizada no sistema de eixos rigidamente ligado
ao corpo, já que se trata de um sistema de eixos principal central de inércia. Assim,
1 1
111
1 1
G G 10 SSS
H I ω =
"""! """!
,
22 2 2 2
222 1 21
2 2 2 2
SG G 20 G GSSS S SS
H I e H T Hω
= =
""""! """"! """"!""""!
,
33 3 3 3
333 1 31
3 3 3 3
SG G 30 G GSSS S SS
H I e H T Hω
= =
""""! """"! """"!""""!
.
Também é possível determinar o torsor da quantidade de movimento do mecanismo,
no seu todo, em relação a um determinado ponto. Por exemplo,
1 1
mecanismo
QM OS S
Q ; Hτ
"! """!
,
onde
1 1 1 1
1 2 3
S S S S
Q Q Q Q= + +
""! """! """!"!
, e
1 1 1 1
1 2 3
O O O OS S S S
H H H H= + +
"""! """! """!"""!
.
14 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Para obter os valores dos momentos cinéticos de cada corpo no ponto O, é necessário
efectuar uma mudança de pólo usando o 1º Teorema de Koenig, isto é,
11 1 1
1 1 1
O G1 1 SS S S
H H OG Q= + ×
"""! """! ""!""""!
,
11 1 1
2 2 2
O G2 2 SS S S
H H OG Q= + ×
"""! """"! """!""""!
,
11 1 1
3 3 3
O G3 3 SS S S
H H OG Q= + ×
"""! """"! """!""""!
.
pelo que
1 1 11 1 1 1 1 1 1
1 1 2 2 3 3
O G1 1 G2 2 G3 3S S SS S S S S S S
H H OG Q H OG Q H OG Q
= + × + + × + + ×
"""! """! ""! """"! """! """"! """!""""! """"! """"!
Este procedimento, aqui exemplificado para três corpos, pode, obviamente, ser
alargado a qualquer número de corposque constituam o mecanismo.
Verifica-se, então, que caso o sistema material seja constituído por uma associação
de corpos rígidos, poderá calcular-se o momento cinético de cada um deles no respectivo
centro de massa, transpô-lo para o mesmo pólo e fazer então o respectivo somatório, de
modo a determinar o momento cinético do sistema material.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 15
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3 TORSOR DAS QUANTIDADES DE ACELERAÇÃO
3.1 Definições
3.1.1 Ponto Material
Seja P um ponto material de massa m, que descreve uma trajectória curvilínea S. O
ponto P está animado de uma aceleração instantânea Pa , com componentes nas direcções
τ! tangencial e n
!
normal à trajectória em P, como se mostra na figura 5.
Figura 5 - Quantidade de aceleração e momento dinâmico de um ponto material P.
Define-se "Quantidade de Aceleração" de um ponto material P, como um vector
igual ao produto da massa do ponto pelo seu vector aceleração.
Pam
.
q = .
Define-se “Momento Dinâmico” de um ponto material em relação a um dado pólo
O, como o momento em relação a esse pólo do vector Quantidade de Aceleração,
O P
.
k OP q OP ma= × = ×
""! """! "! """! ""!
.
O Torsor da Quantidade de Aceleração do ponto Material P, reduzido no ponto O,
tem como Vector Principal a quantidade de aceleração Pam
.
q = e como Vector Momento
o momento dinâmico O P
.
k OP q OP ma= × = ×
""! """! "! """! ""!
,isto é,
.
P
QA O(q;k )τ
""!!
.
O
X Y
Z
P(m)
S
Pamq =$
!
τ
n
PO amOPk ×= ""!
na
""!
ta
= +
""! ""! ""!
P t na a a
16 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3.1.2 Sistema Discreto de Pontos Materiais
A figura 6 mostra um sistema discreto de pontos materiais, P1, P2, …, Pn, de massas
m1, m2, …, mn, respectivamente, e animados das acelerações instantâneas
Pn2P1P a...,,a,a .
Figura 6 - Quantidade de aceleração e momento dinâmico de um sistema de pontos
materiais.
Pode associar-se a cada ponto material um vector quantidade de aceleração e um
vector momento dinâmico, definidos por
iP
i am
.
q = e i iO i
.
k OP q= ×
""! ""!"""!
respectivamente.
O sistema de vectores deslizantes resultante tem por Vector Principal o vector
quantidade de aceleração (global) e por Vector Momento no pólo O o vector momento
dinâmico (global) nesse ponto, definidos por:
Pnn2P21P1
i
Pii
i
i am...amamam
.
q
.
Q +++=== ∑∑
!
i
O O i i Pi 1 1 P1 2 2 P2 n n Pn
i i
K k OP m a OP m a OP m a OP m a= = × = × + × + ⋅ ⋅ ⋅+ ×∑ ∑
""!"""! """! """! """! """! """"! """! """"! """!
.
Este par de vectores caracteriza o Torsor das Quantidades de Aceleração do sistema
de pontos materiais, reduzido no ponto O, definido por
.
Sistema
QA O(Q ;K )τ
! """!
.
Considerando a massa de cada ponto material constante no tempo ( ) 0m
dt
d
i = , a
expressão que define a quantidade de aceleração pode ser simplificada,
iPii am
.
q =
Pi P2
Pn
P1
iPii
i
O amOPk ×=
O
Pj
CINEMÁTICA DAS MASSAS 17
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( ) G
i
Pi
i i
PiPi aMQdt
d
vm
dt
d
v
dt
d
mamQ
iii
==
=== ∑∑ ∑
$!
( ) GG aMvMdt
d
Q
dt
d
Q ===$
!
Também a expressão que define o momento dinâmico pode ser analisada e
desenvolvida. Derivando a expressão do momento cinético
iO i i P
i
H OP m v= ×∑
"""! """! """!
em ordem
ao tempo, obtém-se
i i i
. . .
O i i P i i P i i P
i i i
d
H OP m v OP m v OP m v
dt
= × = × + ×
∑ ∑ ∑
"""! """! """! """! """! """! """!
No caso mais geral de o ponto O ser móvel, a derivada de OP em ordem ao tempo
será igual à diferença das velocidades de P e O. Assim,
( )i i i
.
O P O i P i i P
i i
H v v m v OP m a= − × + ×∑ ∑
"""! """! ""! """! """! ""!
i i i i
.
O P i P O i P i i P
i i i
H v m v v m v OP m a= × − × + ×∑ ∑ ∑
"""! """! """! ""! """! """! ""!
i i
.
O O i P i i P
i i
H 0 v m v OP m a
= − × + ×
∑ ∑
"""! "! ""! """! """! ""!
.
O O G OH v Mv K= − × +
"""! ""! ""! """!
Daqui resulta
.
O O O GK H v Mv= + ×
"""! """! ""! ""!
ou QvHK O
.
OO ×+=
3.1.3 Sistema Material Contínuo (sólido rígido)
Numa distribuição contínua de massa ou corpo rígido, como a representada na
figura 7, o torsor das quantidades de aceleração terá definição semelhante à da
distribuição discreta, apenas substituindo o somatório pelo integral estendido a toda a
massa M do corpo.
18 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 7 - Quantidade de aceleração e momento dinâmico de um sistema contínuo.
Com efeito os sistemas contínuos podem ser considerados como constituídos por um
número infinito de ponto materiais de massa elementar dm, aos quais se associam
quantidades de aceleração e momentos dinâmicos elementares, definidos por
qdxOPkdedmaqd OP
$!$! ==
Os vectores quantidade de movimento e momento cinético num dado ponto serão
então dados por
∫∫ ==
M
P
M
.
dmaqdQ $
!!
O O P
M M
K dk OP a dm= = ×∫ ∫
"""! ""! """! ""!
Este par de vectores constitui o chamado Torsor das Quantidades de Aceleração do
corpo rígido, reduzido no ponto O, e tem como Vector Principal a quantidade de
aceleração
.
Q e como Vector Momento o momento dinâmico OK , isto é,
O
.
Corpo
QA K;Q
!τ .
3.2 Vector Quantidade de Aceleração - Q$
!
A expressão do vector quantidade de aceleração P
M
Q a dm= ∫
i! ""!
pode ser
desenvolvida recorrendo à definição da quantidade de movimento, isto é,
(M)
P, dm
Z
YX
O
dma
.
qd P=
dmaOPkd PO ×=
CINEMÁTICA DAS MASSAS 19
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( ) ( ) ( )Q
dt
d
dmv
dt
d
dmv
dt
d
dmv
dt
d
dmaQ M P
M
PPM MP
!$! ===== ∫∫∫ ∫
( ) ( ) GG aMvMdt
d
Q
dt
d
Q ===
!$!
(5) =
i"! """!
GQ M a
Conclusão:
Qualquer que seja o tipo de distribuição de massa (discreta ou contínua) o vector
Quantidade de Aceleração é igual ao produto da massa do sistema multiplicada
pelo vector aceleração do respectivo centro de massa,
3.3 Vector Momento Dinâmico em O - OK
A partir da definição de momento dinâmico no ponto O, ∫=
M
PO dmaxOPK ,
decompondo o vector OP em
GPOGOP += ,
usando a expressão das acelerações contemporâneas de um sólido
( )GPGPaa
.
GP ××+×+= ωωω ,
e substituindo na definição, obtém-se
( ) ( )
.
O p GOP OG GP a GP GPω ω ω
= × = + × + × + × ×
∫ ∫
"""! """! ""! """! """! ""! "! """! "! "! """!
M MK a dm dm .
Desenvolvendo a expressão anterior
( )
( )
.
O GM M M
.
GM M M
OG a dm OG GP dm OG GP dm
GP a dm GP GP dm GP GP dm
ω ω ω
ω ω ω
= × + × × + × × × +
× + × × + × × ×
∫ ∫ ∫
∫ ∫ ∫
"""! """! ""! """! "! """! """! "! "! """!
"""! ""! """! "! """! """! "! "! """!
K
isto é,
20 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( ) ( )
( ) ( )
.
O G M M M
.
GM M M
OG a dm OG GP dm OG GP dm
GP dm a GP GP dm GP GP dm
ω ω ω
ω ω ω
= × + × × + × × × +
× + × × + × × ×
∫ ∫ ∫
∫ ∫ ∫
"""! """! ""! """! "! """! """! "! "! """!
"""! ""! """! "! """! """! "! "! """!
K
.
A Geometria das Massas mostra que
M M M
dm M e OP dm MOG GP dm MGG 0= = ⇒ = =∫ ∫ ∫
!"""! """! """! """!
.
Logo
[ ]
( )[ ]dmGPGPdmGPGPa0
0OG0OGMaOG
M
.
MG
.
GO
×××+
××+×
+×××+××+×=
∫∫ ωωω
ωωωK
,
( )[ ]dmGPGPdmGPGPMaOG M
.
MGO ×××+
××+×= ∫∫ ωωωK ,
( )[ ] dmGPGPGPaMOG M
.
GO ∫
××+
××+×= ωωωK ,
( )( )dmGPGP
dt
d
aMOG MGO ∫ ××+×= ωK .
Já foi demonstrado que ( ) [ ] ωω !G
M
IdmGPxxGP =∫ , pelo que
[ ]( )O G GdOG Ma Idt ω= × +
"""! """! ""! "!
K
( )O G GdOG Ma Hdt= × +
"""! """! ""!"""!
K
GGO aMOGK ×+=K
isto é
(6)
.
GO QOGK ×+=K 2º Teorema de Koenig.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 21
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Conclusão:
O momento dinâmico de um corpo rígido, num dado ponto O, pode ser obtido pela
soma das seguintes duas parcelas:
• A 1ª representa o momento dinâmico do sistema no centro de massa GK , e
corresponde à derivada em ordem ao tempo do momento cinético no mesmo
ponto;
• A 2ª é o produto vectorial do vector de posição do centro de massa OG , pelo
vector quantidade de aceleração do sistema GaM .
Este resultado já era esperado. Com efeito, conhecido o vector principal e o vector
momento em G de um sistema de vectores deslizantes, é possível calcular o vector
momento num outro ponto qualquer, utilizando a expressão fundamental dos campos de
momentos que acaba de ser rescrita (expressão (6)).
Esta equação traduz o 2º Teorema de Koenig e é muito utilizada no cálculo dos
momentos dinâmicos, sobretudo quando o ponto usado para pólo é um ponto móvel.
Em alternativa, o momento dinâmico do corpo no ponto O, OK
"""!
, pode ser obtido a
partir da derivada em ordem ao tempo do momento cinético OH
"""!
, isto é,
O P
M
H OP v dm= ×∫
"""! """! ""!
. . .
O P P P
M M M
d
H OP v dm OP v dm OP v dm
dt
= × = × + ×
∫ ∫ ∫
"""! """! ""! """! ""! """! ""!
Em geral o ponto O é um ponto móvel, pelo que a derivada em ordem ao tempo do
vector OP é dada pela diferença de velocidade dos pontos P e O. Com efeito,
( )
.
O P O P P
M M
H v v v dm OP a dm= − × + ×∫ ∫
"""! ""! ""! ""! """! ""!
.
O P P O P P
M M M
H v v dm v v dm OP a dm= × − × + ×∫ ∫ ∫
"""! ""! ""! ""! ""! """! ""!
.
O O P P
M M
H 0 v v dm OP a dm= − × + ×∫ ∫
"""! "! ""! ""! """! ""!
22 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
OGO
.
O KvMvH +×−= isto é
(7) GO
.
OO vMvHK ×+= ou
.
O O OK H v Q= + ×
"""! """! ""! "!
3.3.1 Casos Particulares do Momento Dinâmico
a) Ponto O fixo
Se o ponto O for fixo, então Ov 0=
""! "!
. Substituindo na expressão (7), obtém-se
.
O O GK H 0 Mv= + ×
"""! """! "! ""!
.
O OK H=
"""! """!
b) Ponto O coincidente com o centro de massa G
Se o ponto O coincide com o centro de massa G, então a expressão (7) toma a
forma
. .
O O O G G G G GK H v Mv K H v Mv= + × ⇔ = + ×
"""! """! ""! ""! """! """! ""! ""!
.
G GK H 0= +
"""! """! "!
(8)
.
G GK H=
"""! """!
c) Caso geral – ponto O qualquer
Em geral, porém, o vector momento dinâmico num ponto não coincide com a
derivada em ordem ao tempo do vector momento cinético nesse ponto, como mostra a
expressão (7).
CINEMÁTICA DAS MASSAS 23
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3.4 Unidades da Quantidade de Aceleração e Momento Dinâmico no Sistema
Internacional
A quantidade de aceleração
.
Pq ma=
"! ""!
corresponde ao produto de uma massa por
uma aceleração instantânea, o que no Sistema Internacional corresponde a unidades de
força (Newton), isto é
kg m/s2 = N .
O momento cinético
.
O Pk OP q OP ma= × = ×
""! """! "! """! ""!
corresponde ao momento da
quantidade de aceleração, isto é, o produto de uma distância por uma massa e por uma
aceleração instantânea, o que no Sistema Internacional corresponde a unidades de binário
força vezes distância (Newton x metro), isto é
kg m2/s2 = N m .
3.5 Quantidade de Aceleração e Momento Dinâmico de Mecanismos Compostos por
Vários Corpos Rígidos
Caso o sistema material seja constituído por uma associação de corpos rígidos,
pode-se usar um procedimento idêntico ao apresentado no parágrafo 2.5 para a quantidade
de movimento.
Assim, o torsor da quantidade de aceleração do mecanismo representado na figura 4,
reduzido no ponto O, é definido por
1
1
.
mecanismo
QA O S
S
Q ; Kτ
"! """!
,
onde
1 1 1 1
. . ..
1 2 3
S S S S
Q Q Q Q= + +
""! """! """!"!
, e
1 1 1 1
1 2 3
O O O OS S S S
K K K K= + +
"""! """! """!"""!
.
24 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Para obter os valores dos momentos dinâmicos de cada corpo no ponto O, é
necessário efectuar uma mudança de pólo usando o 2º Teorema de Koenig, isto é,
11 1
1
.
1 1 1
O G1 1 SS S
S
K K OG Q= + ×
"""! """! ""!""""!
,
11 1
1
.
2 2 2
O G2 2 SS S
S
K K OG Q= + ×
"""! """"! """!""""!
,
11 1
1
.
3 3 3
O G3 3 SS S
S
K K OG Q= + ×
"""! """"! """!""""!
.
pelo que
1 1 11 1 1 1
1 1 1
. . .
1 1 2 2 3 3
O G1 1 G2 2 G3 3S S SS S S S
S S S
K K OG Q K OG Q K OG Q
= + × + + × + + ×
"""! """! ""! """"! """! """"! """!""""! """"! """"!
,
isto é, poderá calcular-se o momento dinâmico de cada corpo no respectivo centro de
massa, transpô-lo para o mesmo pólo e fazer então o respectivo somatório, de modo a
obter o momento dinâmico global do mecanismo.
3.6 Componentes do Vector Momento Dinâmico em G, de um Sólido Rígido
O corpo rígido representado na figura 8, está associado a um sistema de eixos de
referência SG ≡≡≡≡ [G,XG,YG,ZG] rigidamente ligado ao corpo.
Figura 8 - Corpo rígido e sistema de eixos de referência.
Z0
Y0
X0
O
ZG
YG
XG
G
CINEMÁTICA DAS MASSAS 25
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
No caso mais geral, o momento cinético no centro de massa é dado por:
[ ] { }
I
I I
I
xx xy xz x
G G xy yy yz y
xz yz zz z
P P
H P P
P P
ω
ω ω
ω
− −
= = − −
− −
"""!
i
Como o referencial SG ≡≡≡≡ [G,XG,YG,ZG] está rigidamente ligado ao sólido, a matriz de
inércia é constante. Logo,
I I
. .
T
G G G GK H ω ω ω = = +
"""! """! "! "! "!
i i i (24)
As componentes serão
( ) ( ) − − + − − + − − + −
=
$ $ $
!
I ω P ω P ω ω P ω P ω I ω ω P ω I ω P ωxx x xy y xz z y xz x yz y zz z z xy x yy y xz z
K ...G
...
Este vector é aparentemente muito complicado, no entanto, numa grande parte dos
casos simplifica-se muitíssimo.
Por exemplo, analisando o caso de um movimento plano ( )x y 0ω ω⇒ = = de um
sólido simétrico em relação ao plano do movimento ( )xz yzP P 0⇒ = = , verifica-se que,
[ ] { }
I
I I
I
xx xy
G G xy yy
zz z
P 0 0
H P 0 0
0 0
ω
ω
−
= = −
"""!
i
I
G
zz z
0
H 0
ω
=
"""!
Com efeito, se o plano GXGYG é de simetria, tal implica que o eixo ZG seja principal
central de inércia e portanto que os produtos de inércia Pxz e Pyz sejam nulos.
O momento dinâmico no ponto G será então definido por
( )
I
.
G G G
zz z
0
d d
K H H 0
dt dt
ω
= = =
"""! """! """!
,
isto é,
26 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
I
I
.
G G
. z zz z
zz z
0 0 0
K H 0 0 0
ω ω
ω
= = + ×
"""! """!
I
.
G G
.
zz z
0
K H 0
ω
= =
"""! """!
Mesmo que o sólido não fosse simétrico em relação ao plano do movimento
( )xz yzP 0 e P 0⇒ ≠ ≠ , o vector era simples. Neste caso,
I
I
I I
xx xy xz xz
G xy yy yz yz
xz yz zz zz
P P o P
H P P o P
P P
ω
ω
ω ω
− − −
= − − = −
− −
!
i
I I
xz xz
G yz yz
zz zz
P o P
K P o P
ω ω
ω ω
ω ω ω
− −
= − + × −
$!
$
$
I
2
xz yz
2
G yz xz
zz
P P
K P P
ω ω
ω ω
ω
− +
= − −
$
!
$
$
.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 27
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4 ENERGIA CINÉTICA DE UM SISTEMA MATERIAL
4.1 Definições
4.1.1 Ponto MaterialSeja P um ponto material de massa m, que descreve uma trajectória curvilínea S. O
ponto P está animado de uma velocidade instantânea Pv na direcção τ
!
tangencial à
trajectória em P, como se mostra na figura 9.
Figura 9 - Energia cinética de um ponto material P.
A energia cinética é uma Grandeza Escalar, cuja definição matemática, no âmbito
do ponto material, é:
2 2
P P P P
1 1 1
T mv v m v mv
2 2 2
= = =
""! ""! ""!
i
A energia cinética, energia acumulada por um corpo em movimento, pode ser
encarada, como mais tarde se verá, como uma função potencial de que derivam as
chamadas "forças de inércia" associadas a esse corpo. Mais tarde, quando os conceitos de
trabalho e energia forem estudados, esta expressão será justificada.
4.1.2 Sistema Discreto de Pontos Materiais
No caso de o sistema material ser constituído por um conjunto de pontos materiais
discretos, como se mostra na figura 10, a energia cinética global será a soma das energias
de todos os seus pontos. Assim, obtém-se
O
X Y
Z
P(m)
S
Pv
""!
τ!
2 2
P P P P
1 1 1
T mv v m v mv
2 2 2
= = =
""! ""! ""!
i
28 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 10 - Energia cinética de um sistema de pontos materiais.
i i i i
n n n2 2
i P P i P i P
i i i
1 1 1
T m v v m v m v
2 2 2
= = =∑ ∑ ∑
"""! """! """!
i
4.1.2 Sistema Material Contínuo (sólido rígido)
Num sistema contínuo, como o representado na figura 11, consideram-se um
número infinito de pontos materiais.
Figura 11 - Energia cinética de um sistema contínuo.
A energia cinética de cada elemento de massa dm, associado ao ponto material P
do sólido é definida por
i i i i
2 2
P P P P
1 1 1
dT v v dm v dm v dm
2 2 2
= = =
"""! """! """!
i
e portanto a energia cinética global da massa será definida por
i i i i
2 2
P P P PM M M M
1 1 1
T dT v v dm v dm v dm
2 2 2
= = = =∫ ∫ ∫ ∫
"""! """! """!
i
iPv
"""!
Pi P2
Pn
P1 ( ) ( )i i i
n n 2
i P P i P
i 1 i 1
T m v v m v
= =
= =∑ ∑
"""! """!
i
(M)
P, dm
Z
Y X
O
Pv
""!
( ) 2P P P1 1dT v v dm v dm2 2= =
""! ""!
i
CINEMÁTICA DAS MASSAS 29
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4.2 Energia Cinética de Um Corpo Rígido Animado de Movimento de Translação
A energia cinética de um sólido rígido animado de movimento de translação, como
o representado na figura 12, é exactamente igual à energia que um ponto material
qualquer desse sólido teria, se nele estivesse concentrada toda a sua massa M. Assim,
( )i i i iP P P PM1 1T v v dm Mv v2 2= =∫
"""! """! """! """!
i i , isto é,
i i i i
2 2
P P P P
1 1 1
T Mv v M v Mv
2 2 2
= = =
"""! """! """!
i , logo
(9)
2
G
1
T Mv
2
=
Figura 12 - Energia cinética de um corpo animado de movimento de translação.
4.3 Energia Cinética de Um Corpo Rígido Animado de Movimento de Rotação
No caso de um corpo animado de movimento de rotação em torno, por exemplo, do
eixo OZ, como representado na figura 13, a expressão da energia cinética pode ser
deduzida directamente a partir da definição.
Figura 13 - Energia cinética de um sólido animado de movimento de rotação.
Z
Y
X
O
M
P (dm)
R
r
ω
"!
α
Pv
""!
M
vP
30 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A velocidade do ponto P pode ser obtida a partir da velocidade do ponto O, isto é,
P Ov v OP 0 OP OPω ω ω= + × = + × = ×
""! ""! "! """! "! "! """! "! """!
,
já que o ponto O tem velocidade nula porque pertence ao eixo de rotação.
Substituindo na definição da Energia Cinética
i iP PM
1
T v v dm
2
= ∫
"""! """!
i obtém-se que
( ) ( )M1T OP OP dm2 ω ω= × ×∫
"! """! "! """!
i .
Definindo os vectores
0
0ω
ω
=
"!
e
x
OP y
z
=
"""!
, e realizando as correspondentes
operações, determina-se que
( ) ( )M M
0 x 0 x
1 1
T OP OP dm 0 y 0 y dm
2 2
z z
ω ω
ω ω
= × × = × ×
∫ ∫
"! """! "! """!
i i
( ) ( )2 2M M
y y
1 1
T x x dm x y dm
2 2
0 0
ω ω
ω ω ω ω
− −
= =
∫ ∫i
( ) ( )2 2 2 2 2 2M M1 1T x y dm x y dm2 2ω ω= + = +∫ ∫ .
Mas a geometria das massas mostra que
( )2 2 zzM x y dm Ι+ =∫
onde Izz é o momento de inércia do sólido em relação ao eixo de rotação OZ. Logo,
2
zz
1
T
2
Ι ω=
Esta expressão é formalmente idêntica à correspondente ao movimento de
translação, sendo a massa substituída pelo momento de inércia em relação ao eixo de
rotação e a velocidade linear pelo vector velocidade angular.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 31
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4.4 Energia Cinética de Um Corpo Rígido em Movimento Polar
Trata-se de um movimento semelhante a uma rotação, cujo eixo, embora móvel,
passa constantemente por um ponto fixo, como se mostra na figura 14.
Figura 14 - Energia cinética de um sólido animado de movimento polar.
A energia cinética é obtida por uma expressão semelhante à do parágrafo anterior,
substituindo IZZ por I∆∆∆∆∆∆∆∆ , isto é,
21T
2 ∆∆
Ι ω=
A Geometria das Massas mostra que o momento de inércia em relação ao eixo ∆∆∆∆ é
definido por,
[ ]T Ou u∆∆Ι Ι=
! !
onde u
!
é o versor da direcção ∆∆∆∆ (e portanto versor de ω
"!
) e [ ]OΙ é matriz de inércia do
corpo em relação ao sistema de eixos OXYZ. Assim, sejam
x
y
z
ω
ω ω
ω
=
"!
e
l
u m
n
=
!
, então,
x
x x
y
y y
z zz
l
l l l
u m m m m
n n n
n
ω
ωω ω ω ω
ωω ω ω ω ω ω ωω
ω ω ω ωω
ω
= = = = = = ⇒ = ⇒ =
= =
"! !
.
Z
Y
X
O
M
P (dm)
∆
ω
"!
Pv
""!
32 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Retomando a expressão da energia cinética, 2
1
T
2 ∆∆
Ι ω= , e a definição do
momento de inércia em relação ao eixo ∆, ∆, ∆, ∆, [ ]T Ou u∆∆Ι Ι=
! !
, obtém-se que
[ ] ( )[ ] ( )T T2 2 O O1 1 1T u u u u2 2 2∆∆Ι ω ω Ι ω Ι ω= = =
! ! ! !
,
isto é
(9) [ ]T O1T 2 ω Ι ω=
"! "!
{ }
xx xy xz
2 2
xy yy yz
xz yz zz
P P l
1 1
T l m n P P m
2 2
P P n
∆∆
Ι
Ι ω ω Ι
Ι
= =
{ }
xx xy xz
2
xy yy yz
xz yz yy
l mP nP
1
T l m n lP m nP
2
lP mP n
Ι
ω Ι
Ι
+ +
= + +
+ +
(10) ( )2 2 2 2xx yy zz xy yz xz1T l m n 2lmP 2mnP 2nlP2 ω Ι Ι Ι= + + − − −
( )2 2 2x xx y yy z zz x y xy y z yz z x xz1T 2 P 2 P 2 P2 ω Ι ω Ι ω Ι ω ω ω ω ω ω= + + − − −
xzxzzyzyyxyx
2
zzz
2
yyy
2
xxx PPP2
1
2
1
2
1T ωωωωωωωωω −−−++= III
No caso particular dos eixos OXYZ serem eixos principais de inércia, o cálculo
simplificar-se-á ainda mais, resultando
( )2 2 21 1 2 2 3 31T 2 Ι ω Ι ω Ι ω= + +
A energia cinética é assim igual à soma das energias cinéticas correspondentes às
rotações "parciais" em torno dos eixos principais de inércia, no ponto fixo O do eixo de
rotação.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 33
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4.5 Decomposição de Movimentos
Numa qualquer decomposição de movimento, a energia cinética não é
necessariamente igual à soma das energias correspondentes aos movimentos parcelares.
Por exemplo, decompondo um movimento absoluto na soma de um movimento relativo
com um de transporte, obtém-se a seguinte expressão de cálculo da energia cinética:
( ) ( )P P r tr r trM M1 1T v v dm v v v v dm2 2= = + +∫ ∫
""! ""! ""! """! ""! """!
i i
r r tr tr r trM M M
1 1
T v v dm v v dm v v dm
2 2
= + +∫ ∫ ∫
""! ""! """! """! ""! """!
i i i
r tr r trMT T T v v dm= + + ∫
""! """!
i
Como se verifica, a não ser em casos particulares em queas velocidades relativa e
de transporte são ortogonais, a energia cinética global não é igual à soma das energias
correspondentes aos movimentos parcelares.
4.6 Energia Cinética de Um Sólido em Movimento Qualquer
Um movimento arbitrário de um corpo rígido pode sempre ser decomposto na soma
de um movimento de translação do centro de massa e de um movimento de rotação em
torno do mesmo centro de massa.
Assim, retomando a definição da energia cinética,
i iP PM
1
T v v dm
2
= ∫
"""! """!
i , e
decompondo a velocidade do ponto P em P Gv v GPω= + ×
""! ""! "! """!
, obtém-se,
( ) ( )G GM1T v GP v GP dm2 ω ω= + × + ×∫
""! "! """! ""! "! """!
i , isto é,
( ) ( ) ( )G G GM M M1 1T v v dm GP GP dm v GP dm2 2 ω ω ω= + × × + ×∫ ∫ ∫
""! ""! "! """! "! """! ""! "! """!
i i i .
Como Gv
""!
e ω
"!
são constantes em relação à massa e à integração, obtém-se
( ) ( ) ( ) ( )G G GM M M1 1T v v dm GP GP dm v GP dm2 2 ω ω ω= + × × + ×∫ ∫ ∫
""! ""! "! """! "! """! ""! "! """!
i i i .
34 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A Geometria das Massas mostra que
0GGMdmGPOGMdmOPeMdm
MMM
!
==⇒== ∫∫∫ , logo
( ) ( )G G M1 1T Mv v GP GP dm2 2 ω ω= + × ×∫
""! ""! "! """! "! """!
i i ,
Atendendo a que
( ) ( ) [ ]T GM GP GP dmω ω ω Ι ω× × =∫
"! """! "! """! "! "!
i
então,
(11) [ ]TG G G1 1T Mv v2 2 ω Ι ω= +
""! ""! "! "!
i
Conclusão:
A Energia Cinética de um corpo rígido pode ser obtida pela soma das seguintes duas
parcelas 1 2T T T= + :
• A 1ª representa a energia cinética correspondente à translação do centro de
massa como se nele estivesse concentrada toda a massa do corpo rígido
1 G G
1
T Mv v
2
=
""! ""!
i ;
• A 2ª representa a energia cinética correspondente à rotação em torno do centro
de massa do corpo rígido [ ]T2 G1T 2 ω Ι ω=
"! "!
.
Esta expressão traduz 3º Teorema de Koenig e permite decompor a energia cinética
de um sólido com movimento qualquer, em duas parcelas: a energia cinética de translação
e a energia cinética de rotação.
No desenvolvimento da expressão (11) considerou-se que
( ) ( ) [ ]T GM GP GP dmω ω ω Ι ω× × =∫
"! """! "! """! "! "!
i .
Com efeito, tomando
CINEMÁTICA DAS MASSAS 35
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
l
m
n
ω ω
=
"!
e
G
G
G
x
GP y
z
=
"""!
, e realizando o seu produto vectorial, tem-se que
ω ω ω
−
× = × = −
−
"! """! G G G
G G G
G G G
l x mz ny
GP m y n x l z
n z l y mx
.
O produto interno ( ) ( )GP GPω ω× ×"! """! "! """!i
( ) ( )ω ω ω
− −
× × = − −
− −
"! """! "! """!
i i
G G G G
2
G G G G
G G G G
mz ny m z ny
GP GP n x l z n x l z
l y mx l y m x
( ) ( )
( )
( )
( ) ( ) ( )
2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2
G G G G G G G G G G G G
2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2
G G G G G G G G G G G G
2 2 2 2 2 2 2 2 2 2
G G G G G G G G G G G
GP GP
m z n y 2mn z y n x l z 2nl x z l y m x 2lm x y
l y l z m x m z n x n y 2lm x y 2mn z y 2nl x z
l y z m x z n x y 2lm x y 2mn z y 2nl x z
ω ω
ω
ω
ω
× × =
+ − + + − + + − =
+ + + + + − − − =
+ + + + + − − −
"! """! "! """!
i
G
=
Substituindo o produto interno no integral ( ) ( )MInt GP GP dmω ω= × ×∫
"! """! "! """!
i , obtém-se
( ) ( ) ( )2 2 2 2 2 2 2 2 2 2G G G G G GM
G G G G G G
Int l y z m x z n x y
2mn z y 2nl x z 2lmx y dm
ω = + + + + +
− − −
∫
,
isto é,
( ) ( ) ( )2 2 2 2 2 2 2 2 2 2G G G G G GM M M
G G G G G GM M M
Int l y z dm m x z dm n x y dm
2lm x y dm 2mn y z dm 2nl z x dm
ω = + + + + +
− − −
∫ ∫ ∫
∫ ∫ ∫
36 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A Geometria das Massas mostra que
( )
( )
( )
G G G G
G G G G
G G G G
2 2
G G x x G G x yM M
2 2
G G y y G G y zM M
2 2
G G z z G G z xM M
y z dm x y dm P
x z dm y z dm P
x y dm z x dm P
Ι
Ι
Ι
+ = =
+ = =
+ = =
∫ ∫
∫ ∫
∫ ∫
e logo,
( )G G G G G G G G G G G G2 2 2 2x x y y z z x y y z z xInt l m n 2lmP 2mnP 2nlPω Ι Ι Ι= + + − − − .
Atendendo às expressões (9) e (10),
[ ] ( )T 2 2 2 2O xx yy zz xy yz xzl m n 2lmP 2mnP 2nlPω Ι ω ω Ι Ι Ι= + + − − −"! "!
então
( ) ( )MInt GP GP dmω ω= × ×∫
"! """! "! """!
i
( )G G G G G G G G G G G G2 2 2 2x x y y z z x y y z z xInt l m n 2lmP 2mnP 2nlPω Ι Ι Ι= + + − − −
( ) ( ) [ ]T GM GP GP dmω ω ω Ι ω× × =∫
"! """! "! """! "! "!
i c.q.d.
4.7 Unidades da Energia Cinética no Sistema Internacional
A energia cinética [ ]TG G G1 1T Mv v2 2 ω Ι ω= +
""! ""! "! "!
i corresponde ao produto de uma
massa pelo quadrado de uma velocidade instantânea, o que no Sistema Internacional
corresponde a unidades de energia (Joule), isto é
Kg (m/s)2 = J .
CINEMÁTICA DAS MASSAS 37
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5 CINEMÁTICA DAS MASSAS – RESUMO DAS EQUAÇÕES
Na tabela seguinte estão resumidas as principais equações usadas na teoria da
Cinemática das Massas para o torsor da Quantidade de Movimento, para o torsor da
Quantidade de Aceleração e para a Energia Cinética.
Cinemática das Massas Unidades Centro de Massa G Ponto O qualquer
Torsor da Quantidade de Movimento ( )QM GQ ;Hτ
"! """!
( )QM OQ ;Hτ
"! """!
Vector
Principal
Quantidade
de
Movimento
Kg m/s GvMQ = GvMQ =
Vector
Momento
Momento
Cinético
Kg m2/s [ ]IG GH ω=
"""! !
O GH H OG Q= + ×
"""! """! """! "!
ou
IO O OH M OG vω = + ×
"""! """! ""!!
Torsor da Quantidade de Aceleração QA GQ ;Kτ
i"! """!
QA OQ ;Kτ
i"! """!
Vector
Principal
Quantidade
de
Aceleração
Kg m/s2 = N GQ Ma=
i"! ""!
GQ Ma=
i"! ""!
Vector
Momento
Momento
Dinâmico
Kg m2/s2= Nm
.
G GK H=
"""! """!
.
GO QOGK ×+=K
ou
.
O O OK H v Q= + ×
"""! """! ""! "!
Energia
Cinética
Kg m2/s2 = J [ ]TG G G1 1T Mv v2 2 ω Ι ω= +
""! ""! "! "!
i
38 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
CINEMÁTICA DAS MASSAS 39
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6 APLICAÇÃO - Sistema Manivela / Biela / Êmbolo
O sistema biela, manivela, êmbolo é composto por três corpos, (ver figura 15):
Figura 15 - Sistema biela, manivela, êmbolo.
Parâmetro Unidade Corpo 1 Corpo 2 Corpo 3
comprimento m 035.0ROA == 090.0LAB == /
posição do
centro de massa m 015.0aOG1 == 045.0bAG2 == /
massa kg m1 = 1.00 m2 = 0.75 m3 = 0.50
momento de inércia Kg m2
1 1
1
z zI 1.225 E 3= − 2 2
2
z zI 6.075 E 3= − /
X
B
Y
O
G1
A
G2
1
2
3
ϕϕϕϕ
θθθθ
40 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Corpo 1 - a manivela, de massa m1 e comprimento R,
animada de movimento de rotação em torno
do ponto O fixo, com velocidade angular θ$ e
aceleração angular θ$$ constante;
Corpo 2 - a biela, de massa m2 e comprimento L,
articula no ponto A com a manivela e no
ponto B com o êmbolo;
Corpo 3 – o êmbolo, de massa m3, animado de
movimento de translação rectilínea segundo
a direcção OY.
Suponha conhecidas as matrizes de inércia dos
três corpos em relação a eixos principais centrais de
inércia. As características do sistema são apresentadas
na tabela da página anterior.
O movimento do sistema inicia-se na posição
θθθθ = 0, com velocidade angular nula, e aceleração
angular constante 20 srad472.10=θ$$ .
6.1 Geometria do Sistema Manivela – Biela – Êmbolo
A análise do triângulo OAB permite afirmar que Rcos Lsinθ ϕ= . Desenvolvendo
esta expressão obtém-se
(12)
R
sin cos
L
R
arc sin cos
L
ϕ θ
ϕ θ
=
=
.
6.2 Velocidades e Acelerações Angulares dos Corpos 1, 2 e 3
Admitindo queo corpo 1 parte do repouso com velocidade angular nula e
aceleração angular constante αααα0 rad/s2, determina-se que:
10 0
10 t
α θ α
ω θ θ
= =
= =
$$
$ $$
X
B
Y
O
G1
A
G2
1
2
3
ϕϕϕϕ
θθθθ
CINEMÁTICA DAS MASSAS 41
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A velocidade angular do corpo 2 pode ser obtida a partir da derivação em ordem ao
tempo da equação (1),
(13)
R
cos sin
L
R sin
L cos
ϕ ϕ θ θ
θϕ θ
ϕ
= −
= −
$$
$$
.
A aceleração angular do corpo 2 pode ser obtida a partir da derivação em ordem ao
tempo da equação (2)
( )θθθθϕϕϕϕ cosins
L
Rsincos 22 $$$$$$ +−=−
(14) ( )2 21 R sin cos sincos Lϕ θ θ θ θ ϕ ϕϕ
= − + +
$$ $$$ $ .
O corpo 3 tem movimento de translação rectilínea, pelo que as suas velocidade e
aceleração angulares são nulas.
A figura 16 mostra a variação de ϕϕϕ $$$ e, em função do ângulo de rotação θθθθ : O
valor de θ$ está também representado.
Velocidade e Aceleração Angulares do Corpo 2
-25
-20
-15
-10
-5
0
5
10
15
20
25
0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25 2.50 2.75 3.00 3.25
θθθθ (rad / 2 ππππ)
º, rad / s
-250
-200
-150
-100
-50
0
50
100
150
200
250
rad / s2
dq/dt f (º) df/dt d2f/dt2
Figura 16 – Velocidade e aceleração angulares do corpo 2.
42 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3 Trajectória do Centro de Massa de Cada Corpo
A posição do centro de massa de cada um dos
corpos que compõem o mecanismo é definida pelos
seguintes vectores:
1 s
a cos
OG a sin
0
θ
θ
=
""""!
,
2 s
Rcos b sin
OG R sin bcos
0 0
θ ϕ
θ ϕ
−
= +
""""!
,
3 s
0
OG R sin Lcos
0
θ ϕ
= +
""""!
A figura 17 mostra a trajectória do centro de
massa de cada corpo, dando uma ideia do movimento
do mecanismo.
Figura 17 – Trajectória do centro de massa de
cada corpo.
6.4 Torsor da Quantidade de Movimento do Sistema
6.4.1 Torsor da Quantidade de Movimento do Corpo 1
O torsor da quantidade de movimento da manivela é definido por ( )11 1 1QM GQ ;Hτ =
""! """!
.
A quantidade de movimento é igual a
1
1
1 G 1 1 1SS
a sin
Q m v m OG m a cos
0
θ θ
θ θ
−
= = =
i
$
""! """! """"! $ .
O momento cinético é igual a
1 1
1 1 1 1
1 11 1
1
x x
1 1 1
G G 10 y y
S1 11
z zz z S1
I 0 0 0 0
H I 0 I 0 0 0
I0 0 I
ω
θ θ
= = × =
"""! """!
$ $
.
Trajectórias
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.04 -0.03 -0.02 -0.01 0.00 0.01 0.02 0.03 0.04
OG1 OG2 OG3 OA BM
CINEMÁTICA DAS MASSAS 43
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 1, 1G1H , só tem
componentes segundo a direcção Z1, e atendendo a que os eixos Z e Z1 são paralelos entre
si, verifica-se que
1 1
1 1
G G
S S1
H H=
"""! """!
.
6.4.2 Torsor da Quantidade de Movimento do Corpo 2
O torsor da quantidade de movimento da biela é definido por
= 22G
22
QM H;Qτ .
A quantidade de movimento é igual a
2
2
2 G 2 2 2SS
R sin b cos
Q m v m OG m R cos b sin
0 0
θ θ ϕ ϕ
θ θ ϕ ϕ
•
− − = = = + −
$ $"""! """! """"! $ $ .
O momento cinético é igual a
2 2
2 2 2 2
2 22 2
2
x x
2 2 2
G G 20 y y
S2 22
z zz z S2
I 0 0 0 0
H I 0 I 0 0 0
I0 0 I
ω
ϕ ϕ
= = × =
""""! """"!
$ $
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 2, 2G2
H , só tem componentes
segundo a direcção Z2, e atendendo a que os eixos Z e Z2 são paralelos entre si, verifica-se
que
2 2
2 2
G G
S S2
H H=
""""! """"!
.
6.4.3 Torsor da Quantidade de Movimento do Corpo 3
O torsor da quantidade de movimento do êmbolo é dado por ( )33 3 3QM GQ ;Hτ =
"""! """"!
.
A quantidade de movimento é igual a
3
3
3 G 3 3 3
S
0
Q m v m OG m R cos L sin
0
θ θ ϕ ϕ
• = = = −
"""! """! """"! $ $ .
O momento cinético do corpo 3, definido no seu centro de massa, é nulo, já que o
corpo está animado de movimento de translação rectilínea,
3
3
G
S
H 0=
""""! "!
.
44 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A figura 18 mostra a variação da quantidade de movimento do corpo 1 durante o
período de tempo correspondente à primeira rotação completa do corpo 1. Pode-se
verificar que, tal como o vector velocidade, a quantidade de movimento é, em cada
instante, tangente à trajectória do movimento do centro de massa do corpo 1.
Note-se, ainda, que a intensidade da quantidade de movimento cresce ao longo do
tempo, já que a aceleração angular do corpo 1 é constante.
A figura 18 mostra, também, a variação da quantidade de movimento do corpo 2
durante o período de tempo correspondente à primeira rotação completa do corpo 1.
Pode-se verificar que, tal como o vector velocidade, a quantidade de movimento é, em
cada instante, tangente à trajectória do movimento do centro de massa do corpo 2.
Note-se, ainda, que a intensidade da quantidade de movimento cresce ao longo do
tempo, já que a aceleração angular do corpo 1 é constante.
Quantidade de Movimento do Corpo 1
-0.08
-0.06
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08
OG1 OG2 OG3 OA Q1 BM
Q 1
Quantidade de Movimento do Corpo 2
-0.08
-0.06
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
0.16
0.18
0.20
-0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08
OG1 OG2 OG3 OA Q2 BM
Q2
Figura 18 – Quantidades de movimento dos corpos 1 e 2.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 45
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A figura 19 mostra a variação da quantidade de movimento do corpo 3 durante o
período de tempo correspondente à primeira rotação completa do corpo 1. O vector
quantidade de movimento está representado segundo a direcção OX (e não OY como
acontece na realidade) de modo a poder ser representado.
Pode-se verificar que a velocidade do centro de massa do êmbolo, e
necessariamente, a quantidade de movimento, anulam-se nos pontos de inversão do
movimento do êmbolo. Note-se, ainda, que a intensidade da quantidade de movimento
cresce ao longo do tempo, já que a aceleração angular do corpo 1 é constante.
Quantidade de Movimento do Corpo 3
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08 0.10 0.12
OG1 OG2 OG3 OA Q3 BM
Q*2y
Figura 19 – Quantidade de movimento do corpo 3.
6.4.4 Torsor da Quantidade de Movimento do Sistema no Ponto O
O torsor da quantidade de movimento do sistema é definido por ( )QM OQ;Hτ =
"! """!
. A
quantidade de movimento do sistema é igual à soma das quantidades de movimento de
cada um dos seus corpos, 1 2 3
S
Q Q Q Q= + +
""! """! """!"!
, isto é,
46 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
1 2 3S
a sin R sin b cos 0
Q m a cos m R cos b sin m R cos L sin
0 0 0
θ θ θ θ ϕ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ θ θ ϕ ϕ
− − −
= + − + −
$ $ $
"! $ $ $$ $
A figura 20 mostra a variação das componentes segundo OX e OY da quantidade de
movimento dos 3 corpos assim como a variação do ângulo ϕϕϕϕ (f na figura). Analisando, por
exemplo, as componentes da quantidade de movimento do corpo 2, verifica-se que quando
Q2X é máximo, Q2Y é nulo, e vice-versa.
Quantidade de Movimento dos 3 Corpos
-0.6
-0.4
-0.2
0.0
0.2
0.4
0.6
0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25 2.50 2.75 3.00 3.25
θθθθ (rad / 2 ππππ)
kg m / s
-30.0
-20.0
-10.0
0.0
10.0
20.0
30.0
º
Q1x Q1y Q2x Q2y Q3f (º)
Figura 20 – Quantidade de movimento do sistema.
O momento cinético do sistema, definido no ponto O, é igual à soma dos momentos
cinéticos em O, de cada um dos seus corpos, 1 2 3O O O OS
H H H H= + +
"""! """! """!"""!
. O momento
cinético em O de cada um dos corpos é definida por:
( )
1
1 1 1 1
1 1 1
O G 1 1
S
1 1 2
z z z z 1
a sin0 acos 0
H H OG Q 0 a sin m a cos 0
0 0I I m a
θ θθ
θ θ θ
θ θ
− = + × = + × =
+
$
"""! """! ""!""""! $
$ $
;
CINEMÁTICA DAS MASSAS 47
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2
2 2
2 2 2
O G 2 2
S
2
z z
R sin b cos0 Rcos b sin
H H OG Q 0 Rsin bcos m R cos b sin
0 0I
θ θ ϕ ϕθ ϕ
θ ϕ θ θ ϕ ϕ
ϕ
− −− = + × = + + × −
$ $"""! """"! """!""""! $ $
$
,
( ) ( )2 2
2
O
S
2 2 2
z z 2 2 2
0
H 0
I m R m b m Rb cos sin sin cosϕ θ ϕ θ ϕ θ ϕ θ ϕ
=
+ + + + − +
"""!
$ $$ $ $
;
3
3 3 3
O G 3 3
S
00 0
H H OG Q 0 Rsin Lcos m R cos L sin 0
0 0 0
θ ϕ θ θ ϕ ϕ
= + × = + + × − =
"""! """"! """!""""! "!$ $ ;
Logo, o momento cinético em O do sistema biela manivela é definido por:
( ) ( ) ( )( )1 1 2 21 2 2 2 2O z z 1 2 z z 2 2SH I m a m R I m b m Rb cos sin sin cos kθ ϕ θ ϕ θ ϕ θ ϕ = + + + + + + − +
"""! !$ $$ $
6.5 Torsor da Quantidade de Aceleração
6.5.1 Torsor da Quantidade de Aceleração do Corpo 1
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 1 é definido por
1
1 1 1
QA GQ ;Kτ
•
=
""! """!
. A
quantidade de aceleração da manivela, corpo 1, é igual a,
1 1
2
1 2
1 G 1 G 1
S
a sin a cos
Q m a m v m a cos a sin
0
θ θ θ θ
θ θ θ θ
• •
− −
= = = −
$$ $
""! """! """! $$ $ .
O momento dinâmico da manivela é igual a
1 1
1 1
1 1
G G
S
1
z z
0
K H 0
I θ
• = =
"""! """!
$$
.
6.5.2 Torsor da Quantidade de Aceleração do Corpo 2
O torsor da quantidade de aceleração da biela é definido por
2
2 2 2
QA GQ ;Kτ
•
=
"""! """"!
.
A quantidade de aceleração da biela é igual a,
48 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2 2
2 2
2 2 2
2 G 2 G 2 2
S
R sin R cos b cos b sin
Q m a m v m R cos R sin m b sin b cos
0 0
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
• •
− − − +
= = = − + − −
$$ $ $$ $
"""! """! """! $$ $ $$ $ .
O momento dinâmico da biela é igual a
2 2
2 2
2 2
G G
S
2
z z
0
K H 0
I ϕ
• = =
""""! """"!
$$
.
O momento dinâmico da biela pode também ser definido no ponto B, articulação da
biela com o êmbolo. Aplicando o 2º Teorema de Koenig obtém-se o seguinte resultado,
•
×+= 22
2
G
S
2
B QBGKK 2
−−
+−
+
−
−−
×
−+
=
0
cosbsinb
sinbcosb
0
sinRcosR
cosRsinR
m
0
cosb
sinb
I
0
0
K 2
2
2
2
2
2
zz
S
2
B
22
ϕϕϕϕ
ϕϕϕϕ
θθθθ
θθθθ
ϕ
ϕ
ϕ
$$$
$$$
$$$
$$$
$$
( ) ( )2 2
2
B 2
S 2 22
z z
0 0 0
K 0 m 0 0
I bbR sin cos cos sin sin sin cos cosϕ ϕθ θ ϕ θ ϕ θ θ ϕ θ ϕ
= + + −− + − +
""!
$$ $$$ $$
( ) ( ) ( ){ }2 22 2 2 2B z z 2 2SK I m b m bR sin cos cos sin sin sin cos cos kϕ θ θ ϕ θ ϕ θ θ ϕ θ ϕ = − + − + − +
""! !$$ $$$
6.5.3 Torsor da Quantidade de Aceleração do Corpo 3
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 3 é definido por
3
3 3 3
QA GQ ;Kτ
•
=
"""! """"!
.
A quantidade de aceleração do êmbolo é igual a,
3 3
3 2 2
3 G 3 G 3 3
S
0 0
Q m a m v m R cos R sin m L sin L cos
0 0
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
• •
= = = − + − −
"""! """! """! $$ $ $$ $ .
O momento dinâmico da biela é igual a
3 3
3 3
G G
S
K H 0
•
= =
""""! """"! "!
.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 49
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A figura 21, mostra a variação da quantidade de aceleração da manivela durante
o período correspondente à primeira rotação completa do corpo 1. Verifica-se que a
quantidade de aceleração tem duas componentes segundo as direcções OX e OY, as
quais poderiam ser decompostas numa componente tangencial numa componente
normal à trajectória.
A figura 21, mostra, também, a variação da quantidade de aceleração da biela
durante o período correspondente à primeira rotação completa do corpo 1. Verifica-se que
a quantidade de aceleração tem duas componentes segundo as direcções OX e OY, as
quais poderiam ser decompostas numa componente tangencial e numa componente normal
à trajectória.
Quantidade de Aceleração do Corpo 1
-0.08
-0.06
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.12 -0.10 -0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06
OG1 OG2 OG3 OA Q*1 BM
Q*1x
Q*1y
Quantidade de Aceleração do Corpo 2
-0.06
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
0.16
0.18
-0.10 -0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06
OG1 OG2 OG3 OA Q*2 BM
Q*2x
Q*2y
Figura 21 – Quantidades de aceleração dos corpos 1e 2.
A figura 22 mostra a variação da quantidade de movimento do êmbolo durante o
período de tempo correspondente à primeira rotação completa do corpo 1. O vector
quantidade de aceleração está representado segundo a direcção OX (e não OY como
acontece na realidade) de modo a poder ser convenientemente visualizado.
50 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Quantidade de Aceleração do Corpo 3
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08 0.10 0.12
OG1 OG2 OG3 OA Q*3 BM
Q*2y
Figura 22 – Quantidade de aceleração do corpo 3.
6.5.4 Torsor da Quantidade de Aceleração do Sistema no Ponto O
O torsor da quantidade de aceleração do sistema mecânico é definido por
OQA Q ;Kτ
i"! """!
.
A quantidade de aceleração do sistema é igual à soma das quantidades de aceleração de
cada corpo, isto é, 1 2 3
S
Q Q Q Q
• • ••
= + +
""! """! """!"!
. Logo,
2 2 2
2 2 2
1 2
S
2
3
a sin a cos R sin R cos b cos b sin
Q m a cos a sin m R cos R sin b sin b cos
0 0 0
0
m R cos R sin
0
θ θ θ θ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ θ θ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ θ θ
•
− − − − − +
= − + − + − −
+ −
$$ $ $$ $ $$ $
"! $$ $ $$ $ $$ $
$$ $ 2
0
L sin L cos
0
ϕ ϕ ϕ ϕ
+ − −
$$ $
A figura 23 mostra a variação das componentes segundo OX e OY da quantidade
de aceleração de cada um dos corpos do sistema, em função da rotação da manivela.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 51
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Quantidade de Aceleração dos 3 Corpos
-15.0
-10.0
-5.0
0.0
5.0
10.0
15.0
0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25 2.50 2.75 3.00 3.25
θθθθ (rad / 2 ππππ)
N
kg m / s2
-30.0
-20.0
-10.0
0.0
10.0
20.0
30.0
º
Q*1x Q*1y Q*2x Q*2y Q*3 f (º)
Figura 23 – Quantidade de aceleração do sistema.
O momento dinâmico do sistema, definido no ponto O, é igual à soma dos
momentos dinâmicos em O, de cada um dos seus corpos, 1 2 3O O O OS
K K K K= + +
"""! """! """!"""!
.
O momento dinâmico em O de cada um dos corpos é definido por:
( )
+
=
−
−−
×
+
=×+=
•
θ
θθθθ
θθθθ
θ
θ
θ $$
$$$
$$$
$$ 21
1
zz
2
2
1
1
zz
1
1
1
G
S
1
O
amI
0
0
0
sinacosa
cosasina
m
0
sina
cosa
I
00
QOGKK
1111
1
2
2 2
2 2 2
O G 2
S
2 2
2 2
2
2
z z
K K OG Q
R sin R cos b cos b sin0 Rcos b sin
0 R sin bcos m R cos R sin b sin b cos
0 0 0I
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕθ ϕ
θ ϕ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ
•
= + × =
− − − +− = + + × − + − −
"""! """"! """!""""!
$$ $ $$ $
$$ $ $$ $
$$
( )( ) ( )( )
2 2
2 2 2 2
O z z 2 2
S
2 2
2 2
K I m R m b
m Rb cos sin sin cos m Rb sin sin cos cos k
ϕ θ ϕ
θ ϕ θ ϕ θ ϕ θ ϕ θ ϕ θ ϕ
= + + +
+ + − + + + − +
"""!
$$$$ $$
!$$ $$$ $
52 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3
3 3 3
O G 3
S
2 2
3
K K OG Q
0 00 0
0 Rsin Lcos m R cos R sin L sin L cos 0
0 0 0 0
θ ϕ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
•
= + × =
+ + × − + − − =
"""! """"! """!""""!
"!$$ $ $$ $
Logo, o momento dinâmico em O do sistema biela manivela é definido por
( ) ( )
( )( )
( )( )
1 1 2 2
1 2 2 2 2
O z z 1 2 z z 2S
2
2 2
2
K I m a m R I m b
m Rb cos sin sin cos
m Rb sin sin cos cos k
θ ϕ
θ ϕ θ ϕ θ ϕ
θ ϕ θ ϕ θ ϕ
= + + + + +
+ + − +
+ − − +
"""! $$ $$
$$ $$
!$ $
A figura 24 mostra a variação da quantidade de aceleração do sistema biela,
manivela, êmbolo, em função da rotação da manivela. Estão representadas as
componentes segundo OX e OY, assim como a sua soma vectorial. Está também
representado o momento dinâmico do sistema.
Quantidade de Aceleração e Momento Dinâmico do Sistema
-30.0
-20.0
-10.0
0.0
10.0
20.0
30.0
0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25 2.50 2.75 3.00 3.25
θθθθ (rad / 2 ππππ)
N
kg m / s2
-0.9
-0.6
-0.3
0.0
0.3
0.6
0.9
N m
Q*x Q*y Q* Ko
Figura 24 – Quantidade de aceleração e momento dinâmico do sistema.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 53
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.6 Energia Cinética
A energia cinética de um corpo sólido pode, no caso geral, ser decomposta em duas
componentes escalares: uma componente de translação, devida à velocidade de
translação do centro de massa, e uma de rotação, devida à velocidade de rotação em
torno do centro de massa, de acordo com o 3º Teorema de Koenig.
Usando este princípio podem-se determinar as energias cinéticas de cada um dos
corpos do sistema manivela – biela – êmbolo. A energia cinética total é igual à soma das
energias cinéticas de cada sólido.
[ ]
1s101s
1
G
1s
T
10sGsG1
1
111
I
2
1vvm
2
1T ωω ××+•=
{ }
+
−
•
−
=
θ
θθθ
θθ
θθ
θθ
$
$$
$
$
$
0
0
I00
0I0
00I
00
2
1
0
cosa
sina
0
cosa
sina
m
2
1T
1
zz
1
yy
1
xx
1
1
11
11
11
( ) 2211 zz21 zz2211 amI21I21am21T 1111 θθθ $$$ +=+=
[ ] 202GT20GG22 222 I21vvm21T ωω ××+•=
{ }
+
+
−
−−
•
−
−−
=
ϕ
ϕ
ϕϕθθ
ϕϕθθ
ϕϕθθ
ϕϕθθ
$
$
$$
$$
$$
$$
0
0
I00
0I0
00I
00
2
1
0
sinbcosR
cosbsinR
0
sinbcosR
cosbsinR
m
2
1T
2
zz
2
yy
2
xx
2
2
22
22
22
( )[ ] 22 zz222222 22I2
1sincoscossinbR2bRm
2
1T ϕϕθϕθϕθϕθ $$$$$ +−++=
[ ] 3033GT30GG33 I2
1vvm
2
1T
33
ωω ××+•=
{ }
3 3
3 3
3 3
3
x x
3 3
3 y y
3
z z
I 0 00 0 0
1 1
T m R cos L sin R cos L sin 0 0 0 0 I 0 0
2 2
0 0 00 0 I
θ θ ϕ ϕ θ θ ϕ ϕ
= − • − +
$ $$ $
54 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )ϕθϕθϕϕθθ sincosLR2sinLcosRm
2
1T 2222223
3 $$$$ −+=
A energia cinética total é igual à soma das energias cinéticas de cada um dos
sólidos do sistema, isto é, 321 TTTT ++=
( ) ( )[ ]
( )ϕθϕθϕϕθθ
ϕϕθϕθϕθϕθθ
sincosLR2sinLcosRm
2
1
I
2
1sincoscossinbR2bRm
2
1amI
2
1T
222222
3
22
zz
2222
2
22
1
1
zz 2211
$$$$
$$$$$$
−++
++−++++=
A figura 25 mostra a variação da energia cinética de cada um dos corpos do
sistema, e da energia cinética total, em função da rotação da manivela.
Energia Cinética dos Três Corpos
0.0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.00 0.25 0.50 0.75 1.00 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25 2.50 2.75 3.00 3.25
θ θ θ θ (rad / 2 ππππ)
Joule
T1 T2 T3 T
Figura 25 – Energia cinética do sistema.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 55
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
7 APLICAÇÃO - Sistema tridimensional (Corpo submetido a 2 rotações e uma
translação)
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um braço em forma de T, de massa m1, que roda em torno do eixo vertical Z0
com velocidade angular θ$ constante, accionado pelo Momento Motor Mm conhecido;
Corpo 2: um cursor de massa m2, que translada ao longo do braço OC, estando ligado ao
ponto O por uma mola de rigidez K;
Corpo 3: um braço de massa m3, articulado em C com o corpo 2, e que roda em torno do
eixo Y2 com velocidade angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ .
Suponha que todas as ligações são perfeitas. Quando o sistema está em repouso a
deformação da mola é nula e r(t) = 0.
Considere a massa e a inércia dos três corpos, admitindo conhecidas as suas
matrizes de inércia em relação a eixos principais centrais de inércia ( )3 3 3 33 3X X Z ZI I= .
Determinar o torsor das quantidades de aceleração do corpo 3 no seu centro de
massa e a energia cinética do corpo 3.
1
2
3
G
A
B
C
K
O
G3 M
ϕϕϕ $$$,,
Z1 Z2
Z3
Z0
X1 ≡ X2
X3
a r(t)
bCG3 =const., =θθ $
56 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O Torsor das quantidades de aceleração do corpo 3 no ponto G3, é definido por
( ) 33
3 3 3,QA GG Q Kτ
=
i""! """!
A Quantidade de Aceleração é definida por
3
1
1
3
3 G S
S
Q m a=
i""! """!
.
O vector posição do centro de massa do corpo 3, representado no sistema de eixos
S1 é igual a 1 1 13 3S S SOG OC CG= + ⇔
""""! """! """"! ( )
1
3 0 0
0 cos
S
a r t b sen
OG
b
ϕ
ϕ
+
= +
−
""""!
A velocidade do centro de massa do corpo 3, representada no sistema de eixos S1, é
igual a
3 3
1
3 3
10 3
0 1
G GS
OG OGv v OGS S ω= ⇔ = + ×
i i""""! """"!""! ""! """"!!
.
Atendendo à definição de ( )10
0
0 , .constω θ
θ
= =
"""! $
$
, obtém-se que
( ) ( ) ( )
( )
3
1
cos 0 cos
0 0 0
cos
G S
r t b a r t b sen r t b
v a r t b sen
b sen b b sen
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ θ
ϕ ϕ θ ϕ ϕ ϕ
+ + + +
= + × = + +
−
$ $ $ $""! $
$$ $
.
A aceleração do centro de massa do corpo 3, representada no sistema de eixos S1, é
igual a 3 3
3 3 3
1
10
0 1
G G
G G GS
v va a vS S ω= ⇔ = + ×
i i""! ""!"""! """! ""!!
,
( ) ( )
( )( )
( )
( )
( )
3
1
2
2
cos 0 cos
0
cos
G S
r t b sen r t b
a r t b sen a r t b sen
b senb sen
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ ϕ θ ϕ θ
θ ϕ ϕϕ ϕ ϕ ϕ
+ − + = + + × + +
+
$$ $$ $ $ $"""! $ $$ $
$ $$$ $
,
( ) ( ) ( )( )
( )( )
( )
3
1
2 2
2
cos
2
cos
G S
r t b sen a r t bsen
a r t b sen
b sen
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ θ
ϕ ϕ θ
ϕ ϕ ϕ ϕ
+ − − + +
= +
+
$$$ $$ $
"""! $$ $
$$ $
.
CINEMÁTICA DAS MASSAS 57
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Conclui-se, assim, que a quantidade de aceleração do corpo 3 é dado por
( ) ( ) ( )( )
( )( )
( )
3
1
1
2 2
3
3 3
2
cos
2
cos
G S
S
r t b sen a r t bsen
Q m a m r t b sen
b sen
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ θ
ϕ ϕ θ
ϕ ϕ ϕ ϕ
+ − − + +
= = +
+
i
$$$ $$ $
""! """! $$ $
$$ $
O Momento Dinâmico corpo 3, no seu centro de massa, é definido por:
3 3
11
3 3
G G
S
S
K H=
i"""! """"!
.
O momento cinético é, por sua vez, definido como
3 3 33 3
3
30G G SS S
H I ω = ×
""""! !
A matriz de inércia do corpo 3 é dada por
3
3 3
3
3
3
3 3
3
0 0
0 0
0 0
x
G yS
z
I
I I
I
=
.
O vector velocidade angular do corpo 3 expresso em S3 é definido por
33 3 3 3
30 32 21 10 30
0 0
0 0
0 0 cos cos
SS S S S
sen senθ ϕ θ ϕ
ω ω ω ω ϕ ω ϕ
θ ϕ θ ϕ
= + + = − + + ⇔ = −
$ $
"""! """! """! """! !$ $
$ $
.
Logo
3 3
3 3 3 333 3
3 3
3 3
3 3 3
30
3 3
0 0
0 0
0 0 cos cos
x x
G G y ySS S
z z
I sen I sen
H I I I
I I
θ ϕ θ ϕ
ω ϕ ϕ
θ ϕ θ ϕ
= × = × − = −
$ $
""""! ! $ $
$ $
.
O vector
3
3
G S
H
""""!
está expresso no sistema de eixos S3 pelo que deve ser convertido
para o sistema S1, usando a correspondente matriz de transformação. Assim,
[ ]
( )
( )
3 33
3 3 3 3
1 3
3 3 3
3 33
3 3
31
3 3 2 3 2
coscos 0
0 1 0
0 cos cos cos
x zx
G G y yS S
z x z
I I sensen I sen
H T H I I
sen I I sen I
θ ϕ ϕϕ ϕ θ ϕ
ϕ ϕ
ϕ ϕ θ ϕ ϕ ϕ θ
− − = × = × − = −
+
$$
""""! """"!
$ $
$ $
,
3 3
1
3
3
3
0
G yS
z
H I
I
ϕ
θ
= −
""""!
$
$
, já que 3 3
3 3
X ZI I= .
58 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O Momento Dinâmico corpo 3, no seu centro de massa, é então
3 3
1
1
3 3
G G
S
S
K H=
i"""! """"!
.
3 3
3 3 3 3 3
1 1
3
3 3
10
0 1 3
0 0 0
0
0
G G
G G G y yS S
z
H HK K H I IS S
I
ω ϕ ϕ
θ θ
= ⇔ = + × = − + × −
i i""""! """"!"""! """! """"!! $$ $
$ $
,
concluindo-se que o momento dinâmico do corpo 3 é definido por
3
3 3
1
3
3
0
y
G yS
I
K I
θ ϕ
ϕ
−
= −
$ $"""!
$$
A Energia Cinética do corpo 3 pode ser decomposta em duas componentes
escalares: uma componente de translação, devida à velocidade de translação do centro
de massa, e uma de rotação, devida à velocidade de rotação em torno do centro de
massa, de acordo com o 3º Teorema de Koenig. Usando este princípio podem-se
determinar a energia cinética do corpo 3 através da expressão
3 3 3
1 1 333
3 3
3 30 30
1 1
2 2
T
G G GS S SSS
T m v v Iω ω = + × ×
"""!""! ""! """!
i
( )
( )
( )
( )
{ }
3
3
3
3
3
3
3
3
cos cos
1
2
0 0
1 cos 0 0
2
0 0 cos
x
y
z
r t b r t b
T m a r t b sen a r t b sen
b sen b sen
I sen
sen I
I
ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ θ ϕ θ
ϕ ϕ ϕ ϕ
θ ϕ
θ ϕ ϕ θ ϕ ϕ
θ ϕ
+ +
= + + + +
+ − × × −
$ $ $ $
$ $i
$ $
$
$ $$ $
$
,
( ) ( ) ( ){ }
( )3 3 3
2 2 23 2
3
3 2 2 3 2 3 2 2
1 cos
2
1 cos
2 x y z
T m r t b a r t b sen b sen
I sen I I
ϕ ϕ ϕ θ ϕ ϕ
θ ϕ ϕ θ ϕ
= + + + + +
+ − +
$$ $ $
$ $$
,
( ){ } ( )3 323 2 2 2 2 3 2 3 231 cos 2 cos2 x yT m r b rb a r t b sen I Iϕ ϕ ϕ ϕ ϕ θ θ ϕ = + + + + + + − $ $$ $ $ $ $ .
CINEMÁTICA DAS MASSAS 59
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
8 PROBLEMAS PROPOSTOS
Problema CM1
O disco representado na figura rola sem escorregar sobre o plano horizontal estando
articulado em B com um rectângulo.
Considerando a massa e inércia de todos os corpos, determine:
a) O torsor das quantidades de movimento de cada um dos corpos que constituem o
mecanismo, no respectivo centro de massa.
b) O torsor das quantidades de movimento do mecanismo, no ponto de contacto do
disco com a superfície horizontal.
m1 = 25 kg; m2 = 30 kg; Cv
""!
= -1 i m/s; θθθθ = ππππ/2
r = 1.5 m; R = 2 m; # = 7 m; h = 2m.
r
R
####
h
θθθθ
ϕϕϕϕ
X1
Y1
X2
Y2
G2
A D
B
C
1
2
60 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM2
1
2 3
OG a ;
OB ;
A G G
=
=
≡ ≡
#
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1 - uma barra, articulada ao exterior no ponto 0, animada de velocidade angular
θ$ e aceleração angular θ$$ ;
Corpo 2 - um cursor, que se desloca ao longo do corpo 1, e está articulado com o corpo 3
no ponto A;
Corpo 3 - um outro cursor, articulado com o corpo 2 no ponto A, que desliza ao longo de
um guiamento exterior horizontal, e está ligado ao exterior por um conjunto
mola - amortecedor.
Todos os corpos têm um plano de simetria coincidente com o plano de movimento,
e são conhecidas as matrizes de inércia de cada corpo referidas a eixos principais centrais
de inércia. O movimento do sistema é conhecido. Determine:
a) O torsor das quantidades de aceleração no centro de massa de cada um dos corpos
que constituem o mecanismo.
b) O torsor das quantidades de aceleração do sistema global reduzido no ponto 0.
c) A energia cinética do mecanismo.
d) O valor da energia cinética quando θθθθ = ππππ/6.
A
x0
y0
x1
y2, y1
x2
G1
B
O
θθθθ
1
2
3
####
CINEMÁTICA DAS MASSAS 61
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM3
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
corpo 1 - uma manga que pode transladar ao longo do eixo Z1 com velocidade s$ e
aceleração s$$ , e rodar em torno do mesmo eixo com velocidade angular θθθθ$ e
aceleração angular θθθθ$$ ;
corpo 2 - um braço cilíndrico (de topos perpendiculares ao seu eixo de revolução)
rigidamente ligado ao corpo 1.
Desprezando a massa e a inércia do corpo 1, determine:
a) O torsor das quantidades de movimento do mecanismo no centro de massa do corpo
2.
b) O torsor das quantidades de aceleração do mecanismo no ponto 0.
Z0 ≡≡≡≡ Z1
1
ϕ = ϕ = ϕ = ϕ = constante ####
2Z2
Y2
Y1
G
O
s,s,s
i ii
, ,θ θ θ
i ii
62 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM4
A antena parabólica representada na figura é constituída por:
Corpo 1 - uma base circular que roda em torno do eixo vertical Z1 com velocidade
angular θθθθ$ constante;
Corpo 2 - uma casca semi-esférica que roda em torno do eixo y1 relativamente à base
com velocidade angular ϕϕϕϕ$ e aceleração angular ϕϕϕϕ$$ .
Desprezando a massa e a inércia do corpo 1, determine:
a) O torsor das quantidades de movimento do mecanismo no ponto O.
b) O torsor das quantidades de aceleração do mecanismo no ponto O.
c) A energia cinética do mecanismo.
z z z 2 3 z
1 X A
φφφφ
θθθθ
Y 2 Y 1
G
3 X
O
Y 3
R
0 z z 0 z z 1 1
φφφφ
CINEMÁTICA DAS MASSAS 63
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM5
O mecanismo representado na figura é
constituído por:
Corpo 1, um disco de massa m1 e de raio R, que roda
em torno do ponto O fixo, com velocidade angular θ$
e aceleração angular θ$$ , accionado pelo momento
motor Mm, e estando articulado com uma barra no
ponto A;
Corpo 2, uma barra de massa e inércia desprezáveis,
de comprimento L, articulada com um cursor no
ponto B;
Corpo 3, um cursor de massa m3, que desliza ao longo
de uma guia vertical, e está ligado ao exterior por
uma mola de rigidez k.
No instante inicial, o ponto A está na posição
mais baixa (θθθθ = 0) e a deformação da mola é nula.
Suponha conhecida a matriz de inércia do
corpo 1 em relação a eixos principais centrais de
inércia, e que todas as ligações são perfeitas.
Determine:
a) O Torsor das Quantidades de Velocidade de cada corpo no respectivo centro de
massa;
b) O Torsor das Quantidades de Aceleração de cada corpo no respectivo centro de
massa;
c) O Torsor das Quantidadesde Aceleração do mecanismo no ponto O;
d) A Energia Cinética do mecanismo.
LAB
rOA
=
=
k
Y
X
1
2
3
B
A
r
O
θθθθ
ϕϕϕϕ
Mm
64 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM6
O mecanismo representado na figura é
constituído por:
Corpo 1 - Um prato de massa m1, que
sob a acção do momento motor M1,
roda em torno do eixo Z0 com
velocidade angular θθθθ$ e aceleração
angular θθθθ$$ .
O corpo 1 está ligado ao exterior pelos
apoios A e B (o apoio A não absorve
esforços axiais).
Corpo 2 - Um braço em forma de T, de
massa m2, que sob a acção do
momento motor M2, roda em torno do
eixo Y1 com velocidade angular ϕϕϕϕ$ e
aceleração angular ϕϕϕϕ$$ .
O corpo 2 está ligado ao corpo1 pelos
a
poios C e D (o apoio C não absorve
esforços axiais).
Suponha conhecidas as matrizes de inércia dos corpos 1 e 2, em relação a eixos
principais centrais de inércia.
Determine:
a) O Torsor das Quantidades de Aceleração do corpo 1 no respectivo centro de massa;
b) O Torsor das Quantidades de Aceleração do corpo 2 no respectivo centro de massa;
c) O Torsor das Quantidades de Aceleração do mecanismo no ponto O;
d) A Energia Cinética do mecanismo.
O
C
D
d
R
d
X1
Y1≡≡≡≡Y2
X2
Z0≡≡≡≡Z1
a
a
b A
B
θθθ $$$,,
ϕϕϕ $$$ ,,
O
G1
M2
1
2
M1
X1
Z
G2
CINEMÁTICA DAS MASSAS 65
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM7
.bEB;ROE;2GBAG 22 ====
#
O mecanismo representado na figura é constituído por:
Corpo 1 – Um braço de suporte, com massa e inércia desprezáveis, que roda em torno do
eixo X1 com velocidade angular θ$ e aceleração angular θ$$ , accionado pelo
momento motor M1;
Corpo 2 – Um prisma quadrangular de massa m2 e comprimento ℓ, que pode rodar em
relação ao corpo 1 com velocidade angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ ,
accionado pelo momento motor M2;
Suponha conhecida a matriz de inércia do corpo 2 em relação a eixos principais
centrais de inércia. Todas as ligações são perfeitas e os apoios B e D não absorvem
esforços axiais.
Determine:
a) O Torsor das Quantidades de Aceleração do corpo 2 no respectivo centro de massa;
b) O Torsor das Quantidades de Aceleração do mecanismo no ponto O;
c) A Energia Cinética do mecanismo.
z0
O
y0
z1’≡≡≡≡ z2
y1≡≡≡≡y1’
B
ϕ
θθθθ
M2 A
C
D
z0
y0
z1
O
θθθθ
θθθθ
E
B
A
b
x1’
R
G2
ϕϕϕϕ
y1’
y2
x1’
x2
y1
y2
M2
x1≡≡≡≡ x0
G2
66 CINEMÁTICA DAS MASSAS
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp � DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema CM8
O mecanismo representado na figura é constituído por:
Corpo 1 – Um braço de massa m1, que roda em torno do ponto eixo Z com velocidade
angular θ$ e aceleração angular θ$$ , accionado pelo momento motor M1;
Corpo 2 – Um cursor e um veio, de massa e inércia desprezáveis, que transladam
relativamente ao corpo 1, e estão submetidos à acção de uma mola de rigidez
k;
Corpo 3 – Um disco de massa m3, que roda relativamente ao corpo 2 com velocidade
angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ , accionado pelo momento motor M2;
A mola não apresenta deformação quando r(t) = a. Suponha conhecidas as matrizes
de inércia dos corpos 1 e 3 em relação a eixos principais centrais de inércia. Todas as
ligações são perfeitas.
Determine:
a) O Torsor das Quantidades de Aceleração de cada corpo no respectivo centro de
massa;
b) O Torsor das Quantidades de Aceleração do mecanismo no ponto O;
c) A Energia Cinética do mecanismo.
x1
y1
O
r(t)
a
G1
G2
G3
b
x1
M1
θθθθ(t)
M2,ϕϕϕϕ(t)
1 3 2
DINÂMICA do PONTO MATERIAL
TEOREMAS VECTORIAIS
Jorge Humberto Oliveira Seabra
Carlos Alberto Magalhães Oliveira
José Fernando Dias Rodrigues
Pedro Manuel Leal Ribeiro
Pedro Manuel Ponces Camanho
Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – Secção de Mecânica Aplicada
6ª Edição - Fevereiro de 2004
ii DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais iii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ÍNDICE:
1 INTRODUÇÃO 67
2 O PROBLEMA GERAL DA DINÂMICA 68
3 MASSA E INÉRCIA 68
4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA DINÂMICA 69
5 EQUAÇÕES DO MOVIMENTO DE UM PONTO MATERIAL 72
6 TEOREMAS VECTORIAIS DA DINÂMICA DO PONTO MATERIAL 74
7 FORÇA E MOMENTO DE INÉRCIA 75
8 SISTEMA DE REFERÊNCIA INERCIAL 76
9 FORÇAS E MOMENTOS 77
9.1 Força Normal e Força Tangencial – Atrito de Coulomb 78
9.2 Força Tangencial – Atrito de Rolamento 79
9.3 Forças e Momentos Elásticos 79
9.4 Forças e Momentos Dissipativos 80
10 APLICAÇÕES 82
10.1 Movimento Rectilíneo 82
10.2 Movimento Circular 85
10.2.1 Solução analítica da equação de movimento 86
10.2.2 Aplicação numérica 88
10.3 Movimento Sobre Um Referencial Móvel 90
10.4 Pêndulo Cónico 92
11 EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA DINÂMICA EM REFERENCIAIS LIGADOS À TERRA 95
11.1 Forças Gravitacionais 95
11.2 Forças de Inércia 96
11.3 Conclusão 100
12 PROBLEMAS PROPOSTOS 101
iv DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI - FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 67
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL
TEOREMAS VECTORIAIS
1 INTRODUÇÃO
Na Dinâmica estudam-se as leis que regem o movimento, estabelecendo-se a
relação entre este e as forças que o provocam.
Quando, sobre um corpo, actua um sistema de forças não equilibrado, produz-se
sempre uma alteração no estado do movimento desse corpo. A experiência mostra que, na
alteração sofrida, influem não só as características do sistema de forças, como também a
natureza do próprio corpo. Assim, diferentes sistemas de forças actuando
independentemente sobre o mesmo corpo, produzirão diferentes alterações no movimento
deste; e o mesmo sistema de forças actuando sobre diferentes corpos, também produzirá
alterações de movimento diferentes.
As leis que exprimem as relações entre o sistema de forças que actua num ponto
material, as suas propriedades e a alteração de movimento que este sofre, foram
formuladas por Sir Isaac Newton (1642-1727) e designam-se por Leis de Movimento de
Newton.
Depois de Newton, a Mecânica sofreu grande evolução, graças a Euler (1707-1783),
D'Alembert (1717-1783), Lagrange (1730-1813), Hamilton (1805-1865), ...
As leis de Newton só se aplicam directamente ao movimento de um ponto material
sob a acção de uma força. Nas aplicações práticas de Engenharia estuda-se,
habitualmente, o movimento de um sistema de pontos materiais (rigidamente ligados ou
não), sob a acção de um sistema de forças qualquer, produzindo qualquer tipo de
movimento.
68 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2 O PROBLEMA GERAL DA DINÂMICA
Qualquer que seja o movimento, a questão que se põe é basicamente a mesma:
sobre um sistema material actua um sistema de forças que produz uma alteração no seu
movimento. Pretende-se deduzir, usando as leis de Newton, as equações que exprimem as
relações entre:
• Os sistema de forças, caracterizado pelo Torsor das Forças Exteriores reduzido
num dado pólo G, ( )Ext ExtFE GF Mτ !!!" !!!!!!", (ou simplesmente ( )FE GF Mτ !" !!!", );
• As características de inércia do sistema material definidas pelamassa M e pela
matriz de inércia, [ ]GΙ ;
• As alterações do movimento produzidas, caracterizadas pelos torsores das
velocidades e das acelerações contemporâneas de um sólido, ( )vc Gvτ ω
!" !!"
, e
ac Gaτ ω
i!" !!"
, .
Pretende-se, assim, determinar o tipo de movimento produzido por determinado
sistema de forças (problema directo); ou determinar que sistema de forças será capaz de
produzir um dado movimento (problema inverso).
Estas equações designam-se por equações de movimento.
Uma definição possível para a Dinâmica é pois:
“A relação entre as solicitações aplicadas a um dado sistema mecânico e as
alterações de movimento que produzem, tendo em conta a distribuição de
massa do sistema”.
3 MASSA E INÉRCIA
A propriedade que confere a um corpo a capacidade de resistir a qualquer
alteração do seu movimento, denomina-se inércia. Todos os corpos físicos são inertes,
mas a inércia é diferente de corpo para corpo.
As medidas quantitativas da inércia de um corpo são a massa (M) e a matriz de
inércia [ ]GΙ .
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 69
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
De um modo lato a massa M pode ser associada à inércia de translação do sistema
material e a matriz de inércia [ ]GΙ pode ser associada à inércia de rotação do sistema
material.
Na realidade, a experiência mostra que forças diferentes, actuando sobre um
mesmo corpo, produzem acelerações diferentes, mas proporcionais às forças que as
provocaram, isto é,
F F F
m
a a a
= = = =
!!" !!" !"
!!" !!" "1 2
1 2
...
Esta constante de proporcionalidade (constante no domínio da mecânica clássica,
não no da mecânica relativista) é a massa desse corpo.
No Sistema Internacional de Unidades, a unidade de massa exprime-se em
kilograma e define-se como sendo a massa de 5,0188 x 1025 átomos do isótopo 12 do
Carbono (o que é equivalente à massa de 10-3 m3 de água destilada a 4oC).
No Sistema Internacional de Unidades, a unidade dos momentos de inércia e dos
produtos de inércia exprime-se em kilograma vezes metro quadrado.
4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA DINÂMICA
A Dinâmica baseia-se nos seguintes quatro princípios:
Primeiro princípio de Newton (ou princípio de inércia)
"Se sobre um ponto material não actua qualquer força, o ponto continua em
repouso ou em movimento rectilíneo e uniforme",
ons teF mv c= ⇒ =
!" " " !!!!!!!!!!"
tan0 .
O primeiro princípio implica que um ponto material tem inércia, isto é, resiste a
que mude o seu movimento. Para que a velocidade varie, em direcção, sentido ou
intensidade, é necessário que sobre ele actue uma força.
70 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Segundo princípio de Newton
"Se sobre um ponto material actua uma força, o ponto adquire aceleração. A
direcção e sentido são os da própria força. A grandeza é directamente proporcional
a esta e inversamente proporcional à massa do ponto",
(1) F ma=
!" "
, isto é =
i!" !"
F q ;
O segundo princípio é quantitativo. Diz-nos qual deve ser a força capaz de produzir
dada aceleração. E afirma que o ponto, através da sua massa, influi na alteração do seu
próprio movimento.
Terceiro princípio de Newton (ou da acção e reacção)
"Entre dois quaisquer pontos materiais existem acções mútuas tais que a
acção de um sobre o outro é igual, colinear e oposta à deste sobre aquele",
= −
!!!" !!!"
F F12 21 ;
Os dois primeiros princípios dizem respeito a um único ponto material. O terceiro
refere-se a dois. É ele que permite passar da dinâmica do ponto para a dos sistemas
materiais.
Quarto princípio - princípio de Galileu
"O efeito de duas ou mais forças que actuam simultaneamente sobre o mesmo
ponto material é igual ao efeito que produziria a sua resultante".
Com o quarto princípio, é possível estudar a acção de sistemas de forças, em vez
de uma força isolada.
Repare-se, em boa verdade, dos três princípios de Newton apenas o segundo
deveria ser considerado, já que qualquer dos outros dois é corolário deste. Com efeito, se
nenhuma força actua num ponto material, de acordo com o segundo princípio será nula a
respectiva aceleração.
( ) onstdF ma mv mv Cdt= ⇒ = ⇔ = ⇒ =
!" " " " " " " !!!!!!"
.0 0 0
Mas isso equivale a dizer que a respectiva velocidade é constante, o que significa
que o ponto está em movimento uniforme (ou, em particular, em repouso). E isso é o
conteúdo do primeiro princípio.
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 71
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Quanto ao terceiro princípio, considere-se um sistema isolado constituído por
apenas dois pontos materiais e sobre o qual não actua qualquer força exterior, como se
mostra na figura 1.
Figura 1 – Sistema material isolado constituído por 2 pontos materiais e sobre o qual não
actua qualquer força exterior.
Se o sistema está isolado, e não estão aplicadas quaisquer forças exteriores, então
a respectiva "quantidade de aceleração" (soma dos produtos da massa pela aceleração de
cada ponto) será igual a zero. Isto é,
= + = +1 21 1 2 2F m a m a q q
i i!!" !!"!" !!" !!"
,
1 2
1 1 2 2 1 1 2 2F 0 m a m a 0 m a m a q q= ⇒ + = ⇔ = − ⇔ = −
i i!!" !!"!" !" !!" !!" !" !!" !!"
.
Verifica-se que qualquer alteração do movimento de um dos pontos materiais tem
de ser acompanhada de uma alteração do movimento do outro ponto, de modo a que a
quantidade de aceleração global permaneça nula. Logo,
Atendendo a que o vector 1 1 21m a F=
!!" !!!"
é igual à força que actua sobre o ponto 1 e o
vector 2 2 12m a F=
!!" !!!"
é igual à força que actua sobre o ponto 2, resulta, como consequência
que estas forças terão de ser iguais e opostas, o que também previa o terceiro princípio de
Newton, isto é
= − ⇔ = −1 1 2 2 21 12m a m a F F
!!" !!" !!!" !!!"
.
Também este princípio é corolário do segundo.
Pa
!!!"
1
Pa
!!!!"
,
1
Pa
!!!"
2
Pa
!!!!"
,
2
P1
P2
P1’
P2’
72 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
As consequências práticas deste princípio manifestam-se em vários acontecimentos
da vida corrente, como sejam:
• O recuo de uma arma de fogo quando dispara um projéctil;
• O movimento dos passageiros de um autocarro quando este acelera (arranca) ou
desacelera (trava).
5 EQUAÇÕES DO MOVIMENTO DE UM PONTO MATERIAL
As equações que regem o movimento de um ponto material de massa m são afinal
as que resultam da aplicação do segundo princípio de Newton:
=F ma
!" "
.
Isto é, o somatório vectorial das forças exteriores que actuam sobre o ponto
material é igual à variação da sua quantidade de aceleração,
(2) =F q
i!" !"
Esta equação, habitualmente designada Equação Fundamental da Dinâmica, dará
origem a 3 equações escalares, correspondentes à sua projecção em 3 direcções de um
sistema de referência. Assim, em eixos OX, OY e OZ, obtém-se:
= =
= ⇔ =
= =
x x x x
Y y Y y
Z z Z z
F q F m a
F q F m a
F q F m a
$
$
$
Definiu-se anteriormente o momento cinético de um ponto material P
relativamente a um pólo O, como sendo o momento em relação a esse pólo, do vector
quantidade de movimento de P (ver figura 3), O Ph OP mv= ×
!!" !!!" !!"
.
Figura 3 – Quantidade de movimento e momento cinético de um ponto material P.
O
q
!"
P
Oh
!!"
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 73
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Derivando este vector em ordem ao tempo, obtém-se o vector "Momento Dinâmico"
em O (se O for um ponto fixo):
( )O P P Pd h v mv OP madt = × + ×
!!" !!" !!" !!!" !!"
,
( )O P Od h OP ma kdt = × =
!!" !!!" !!" !!"
,
(3) O Pk OPma= ×
!!" !!!" !!"
.
Usando agora a expressão (1), Equação Fundamental da Dinâmica = PF ma
!" !!"
, e
multiplicando ambos os membros pelo vector OP
!!!"
, determina-se que
pOP F OP ma× = ×
!!!" !" !!!" !!"
Como se trata de um único ponto P, pode-se escrever que
O p OOP F M e OP ma k× = × =
!!!" !" !!!" !!!" !!" !!"
,
logo
(4) O OM k=
!!!" !!"
,
isto é, “a derivada em ordem ao tempo do momento cinético de um dado ponto
material P em relação a um ponto O fixo (o momento dinâmico), é igual ao momento
em relação a O da força aplicada ao ponto material”.
Esta equação também dará origem a 3 equações escalares, correspondentes à sua
projecção em 3 direcções de um sistema de referência. Assim, em eixos OX, OY e OZ,
obtém-se:
Ox Ox
Oy Oy
Oz Oz
M k
M k
M k
=
=
=
Esta expressão é consequência imediata da Equação Fundamental da Dinâmica. De
facto, no estudo da Dinâmica de um ponto material nada acrescenta de novo. Apenas
surge um método alternativo de estudar o "equilíbrio dinâmico" de um dado ponto P: em
vez de se usarem forças e quantidades de aceleração, podem-se usar, caso convenha,
momentos dessas forças e momentos dinâmicos, num dado pólo.
74 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6 TEOREMAS VECTORIAIS DA DINÂMICA DO PONTO MATERIAL
No capítulo sobre Cinemática das Massas foram introduzidos os conceitos de
quantidade de movimento e de momento cinético, respectivamente o vector principal e o
vector momento do designado torsor da quantidade de movimento, isto é,
( )QM O P O Pq;h , q mv h OP mvτ = = ×
!" !!" !" !!" !!" !!!" !!"
.
Foram também introduzidos os conceitos de quantidade de aceleração e de
momento dinâmico, respectivamente o vector principal e o vector momento do designado
torsor da quantidade de aceleração, isto é,
QA O P O Pq;k , q ma k OP maτ
= = ×
i i!" !!" !" !!" !!" !!!" !!"
.
A quando do estudo da Estática definiu-se o conceito de torsor das forças
exteriores, cujo vector principal é o somatório das forças exteriores ao ponto material, e
cujo vector momento é o somatório dos momentos dessas forças em relação a um dado
pólo O, isto é,
( )τ e eFE OF ;M!!" !!!"
A igualdade entre os torsores das forças exteriores e da quantidade de aceleração,
(9) ( )τ τ =
e e
FE O QA OF ;M q;k
i!!" !!!" !" !!"
,
isto é, a igualdade entre os vectores principais e os vectores momentos desses dois
torsores, define as seguintes 2 equações vectoriais
(10) eF q=
i!!" !"
e eO OM k=
!!!" !!"
,
que correspondem às equações vectoriais de equilíbrio dinâmico do ponto material (ver
equações 2 e 4).
Logo, “o equilíbrio dinâmico do ponto material corresponde à igualdade entre
o torsor das forças exteriores e o torsor da quantidade de aceleração”.
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 75
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
7 FORÇA E MOMENTO DE INÉRCIA
Se na equação (2) o vector "quantidade de aceleração" q ma=
i!" "
passar para o
primeiro membro obtém-se que
e eF q 0 F m a 0− = ⇔ − =
i!!" !!"" "!" "
.
Supondo que sobre o ponto material, para além das forças exteriores cuja
resultante é eF
!!"
, actua uma outra força fictícia
(5) jF q ma− = −
i!!" !" "
a equação (2) passará a traduzir o equilíbrio de um sistema de forças, no sentido "estático"
deste termo:
(6) e jF F 0+ =
!!" !!" "
Esta força fictícia jF
!!"
(5) é designada por força de inércia e a sua consideração
permite, como se vê, a abordagem dos problemas de Dinâmica do mesmo modo dos de
Estática. Supõe-se o ponto material em equilíbrio sob a acção de um sistema global de
forças, em que se consideram as forças reais e as forças de inércia.
Este modo de estudar os problemas de Dinâmica corresponde à aplicação do
chamado Princípio de D' Alembert (assim designado em homenagem ao matemático que o
formulou).
De modo análogo à definição de força de inércia, jF q ma= − = −
i!!" !" "
, também se
pode estabelecer um momento fictício designado por momento de inércia. Assim,
e e
O O O OM k M k 0= ⇔ − =
!!!" !!!"!!" !!" !"
,
e definindo o momento de inércia jOM
!!!!"
como sendo
(7) j OOM k= −
!!!" !!"
,
obtém-se que
(8) e jO OM M 0+ =
!!!" !!!" !"
.
Usando o conceito de força e momento de inércia, pode definir-se o torsor das
forças de inércia, isto é,
76 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )j jFJ QA OOF ;M q; kτ τ = − − −
i!!" !!!" !" !!"
8 SISTEMA DE REFERÊNCIA INERCIAL
A Equação Fundamental da Dinâmica (1), na realidade só será integralmente válida
quando observada em sistemas de referência não acelerados. Com efeito, a nossa
experiência leva-nos a concluir que, num referencial em movimento acelerado, mesmo
que nenhuma força "real" actue sobre um corpo, este sofre, em relação a esse referencial
móvel, alteração do seu estado de movimento.
Veja-se por exemplo, o caso de um automobilista que é projectado para a esquerda
quando efectua uma curva para a direita. Sofre a acção de "forças de inércia"
correspondentes a acelerações de transporte, pelo menos, pelo que apresentará
movimento relativo acelerado.
Um outro exemplo é o caso do passageiro de um autocarro, que de desloca no
sentido da traseira quando o autocarro arranca e para a frente quando o autocarro trava.
Finalmente, refira-se ainda o exemplo do carrossel em rotação, em que o
passageiro tem se agarrar a um apoio conveniente de modo a não ser expulso para o
exterior (por acção das forças de inércia – força centrifuga), como se mostra na figura 2.
Em todos estes casos as acções sofridas pelo passageiro têm a mesma direcção e
sentido contrário da aceleração do ponto pertencente ao sistema que o transporta e que
coincide com a posição que ocupa.
Figura 2 – Aceleração radial e força de inércia que actuam sobre o passageiro de um
carrossel.
P
O
ra
!!"
jF
!!"
ω
!"
2
r
j 2
r
r OP
a r
F ma mr
ω
ω
=
=
= =
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 77
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A partir da Equação Fundamental da Dinâmica F ma=
!" "
e sabendo que nenhuma
força exterior actua sobre o passageiro, obtém-se que
rel trp corF 0 ma 0 m a m a m a 0= ⇒ = ⇔ + + =
!!!!" !!!!" !!!!"" "" " !"
,
rel trp corm a m a m a= − −
!!!!" !!!!" !!!!"
,
rel jm a F=
!!!!" !!"
.
No caso de o referencial ser inercial (isto é, não acelerado), então serão
necessariamente nulas as componentes de aceleração de transporte e complementar, isto
é,
trp cora 0 e a 0= =
!!!!" !!!!"!" !"
, então
j relF m a 0= =
!!" !!!!" !"
Isso implica que, se nenhuma força "real" actuar sobre o corpo, também nenhuma
"força de inércia" actuará. A aceleração absoluta é sempre igual à aceleração relativa
(única directamente mensurável no referencial móvel). Deste modo, a Equação
Fundamental da Dinâmica terá, nesse referencial, o mesmo significado que teria num
referencial absoluto.
9 FORÇAS E MOMENTOS
As forças e momentos aplicados sobre um sistema mecânico podem ser de vários
tipos, aplicadas à distância ou de contacto e dependentes do tempo, ou da velocidade ou
da posição:
1. Forças e momentos aplicadas à distância:
Electromagnéticas;
Gravíticas.
2. Forças e momentos aplicadas por contacto:
Activas;
Reactivas ou de ligação.
78 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3. Forças e momentos dependentes:
Das coordenadas do ponto material – ( ) ( )x,y,z x,y,zF F e M M= =
!" !!!!!!!!" !" !!!!!!!!!"
;
Da velocidade do ponto material – ( ) ( )x,y,z x,y,zF F e M M= =$ $ $ $ $ $
!" !!!!!!!!" !" !!!!!!!!!";
Do tempo – ( ) ( )t tF F e M M= =
!" !!!" !" !!!!"
9.1 Força normal e força tangencial – Atrito de Coulomb
No caso de um ponto material P, de massa m, submetido a uma trajectória
curvilínea qualquer, como representado na Figura 4, é possível em cada ponto da
trajectória definir as forças de ligação nas direcções normal e tangencial à trajectória:
N N n=
!" "
e T Tt=
!" "
.
Figura 4 – Componentes da força de ligação nas direcções normal e tangencial à
trajectória.
Trata-se de um caso típico em que as forças são aplicadas pelo contacto entre o
ponto material e a trajectória.
Admitindo que o atrito entre o ponto material e a trajectória obedece à lei de
Coulomb e que o coeficiente de atrito µµµµ é conhecido, então
(11)
p
p
V
T T t N
V
µ= = −
!!"
!" "
!!"
X
Y
P (m)
N
!"
T
!"n
"
t
"
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 79
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
9.2 Força tangencial - atrito de rolamento
Um disco que rola sobre um plano, como representado na Figura 5, em condições
cinemáticas de rolamento sem escorregamento, sofre a reacção do plano N na direcção
normal ao plano e da reacção tangencial T que garante a existência de rolamento sem
escorregamento, isto é, N N n=
!" "
e T Tt=
!" "
.
Figura 5 – Componentes da força de ligação nas direcções normal e tangencial à
trajectória, num contacto com rolamento sem escorregamento.
Admitindo que o atrito entre o disco e o plano obedece à lei de Coulomb e que o
coeficiente de atrito µµµµ é conhecido, então a condição de não escorregamento estabelece
que
(12) T T t Ntµ= ≤ −
!" " "
9.3 Forças e momentos elásticos
A figura 6 mostra uma mola de rigidez linear K com um comprimento não
deformado 0% .
Aplicando à mola um deslocamento elástico ∆% = x, na sua própria direcção, esta
reage com uma força em sentido contrário ao deslocamento definida por,
mola KF F k i k x iΛ= = − = −
!!!!!!" !!!" " "
% .
Se a mola já estiver submetida a um deslocamento inicial 0∆% = x0, então a força
exercida pela mola será definida por,
X
Y
ωωωω
N
!"T
!"
A
80 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
(13) ( ) ( )mola linear K 0 0F F k i k x x i∆ ∆= = − + = − +
!!!!!!!!!!!!!" !!!" " "
% %
Figura 6 – Força de uma mola linear elástica.
No caso de se tratar de uma mola de torção, de rigidez torsional linear Kαααα, quando
sofre uma rotação elástica ∆α θ= , na direcção da própria mola, reage com um momento
em sentido contrário à rotação, definido por,
(14) ( ) ( )α α α∆α ∆α θ θ= = − + = − +
!!!!!!!!!!!!!!!!!!" !!!!" " "mola det orsçao K
0 0M M k k k k
9.4 Forças e momentos dissipativos:
A figura 7 mostra um dissipador viscoso com atrito cinemático C.
Figura 7 – Força de um dissipador viscoso.
ℓ0
ℓ1
ℓ0 ∆∆∆∆ℓ
F
X
X
K
K
ℓ0
ℓ1
ℓ0
X
X
K
K
C
X
x
i
F
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 81
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Quando o dissipador viscoso é accionado com uma velocidade linear x$ , na sua
própria direcção, reage com uma força em sentido contrário à velocidade definida por,
(15) dissipador C
dx
F F C i C x i
dt
= = − = −
i!!!!!!!!!!!!" !!!" " "
No caso de se tratar de um dissipador viscoso angular, com atrito cinemático Cαααα,
submetida a uma velocidade de torção elástica θ
i
, na sua própria direcção, reage com um
momento em sentido contrário à velocidade angular definida por,
(16) α α α
θ θ= = − = −
i!!!!"!!!!!!!!!!!" " "Cdissipador dM M C k C k
dt
82 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
10 APLICAÇÕES
10.1 Movimento rectilíneo
A figura 8 mostra um pequeno corpo, que materializa um ponto P, de massa m,
movendo-se sem atrito sobre um plano inclinado de um ângulo αααα, relativamente à direcção
horizontal.
Figura 8 - Ponto material deslizando sobre um plano inclinado.
Pretende-se determinar a equação do movimento e calcular em seguida a lei de
variação do parâmetro cinemático x com o tempo, bem como a força de contacto entre o
corpo e a rampa.
Isolando o corpo, é possível inventariar todas as forças nele aplicadas e a
respectiva quantidade de aceleração, como se mostra na figura 9.
Figura 9 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores e quantidade de aceleração.
G
αααα
ΚΚΚΚ
x
G
αααα
ΚΚΚΚ
x
m g
G
αααα
ΚΚΚΚ
x
m x..
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 83
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Tem de se considerar o peso próprio (mg), a força normal de contacto (N) e a força
da mola [k.(x + x0)]. Nesta força da mola, o parâmetro x0 é o valor do parâmetro x que
corresponde à deformação da mola quando o sistema está em repouso. Considera-se ainda
que a força dessa mola é directamente proporcional à deformação (o que pressupõe que se
trata de apenas pequenas deformações).
A quantidade de aceleração é igual a mx$$ , já que se trata de um sólido animado de
movimento de translação.
A equação fundamental da dinâmica eF q=
i!!" !"
, estabelece que,
molaF mg N q+ + =
i!!!!!!" " !" !"
, isto é
( )0K x x m g sin 0 m x
0 m gcos N 0
0 0 0 0
α
α
− +
+ + =
$$
,
dando origem às seguintes duas equações de projecção:
( )ok x x mg sin m x
N mgcos 0
α
α
− + + =
− =
$$
A segunda equação permite determinar imediatamente o valor da força N. A
primeira expressão representa a equação diferencial que traduz a variação de x com o
tempo:
o
N m gcos
m x k x m g sin k x
α
α
=
+ = − $$
Analisando as condições correspondentes à situação de repouso (e portanto de
equilíbrio estático), tem-se que para 0x,0x0t ==⇒= $$ , pelo que
om g sin k x 0α − = , e logo
k
singmxo
α=
Substituindo na equação diferencial de movimento obtém-se
(17)
=+
=
0xkxm
cosgmN
$$
α
84 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A resolução da equação diferencial de movimento conduz à seguinte lei de
movimento
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )φωω
φωω
φω
+−=
+−=
+=
tcosXtx
tsinXtx
tcosXtx
2$$
$
onde
m
K
X
Vtgarc
VXX
0
0
2
02
0
=
=
+=
ω
ω
φ
ω
onde ( ) ( ) ( )txetx,tx $$$ representam, respectivamente, o deslocamento, a velocidade e a
aceleração da massa em cada instante t, sendo X a amplitude do movimento, φφφφ o atraso
de fase, X0 o deslocamento inicial do corpo, V0 a velocidade inicial do corpo e ωωωω a
frequência angular natural do sistema (ver figura 10).
Plano Inclinado - M = 6kg, K = 5000N/m
-1.50
-1.00
-0.50
0.00
0.50
1.00
1.50
.00 .03 .06 .09 .12 .15 .18 .21 .24 .27 .30 .33 .36 .39 .42 .45 .48 .51 .54 .57 .60 .63 .66 .69 .72 .75 .78 .81 .84 .87 .90 .93 .96 .99
Tempo
x, dx/dt
-45.0
-30.0
-15.0
0.0
15.0
30.0
45.0
d2x/dt2
Deslocamento Velocidade Aceleração
Figura 10 - Deslocamento, velocidade e aceleração da massa para as seguintes condições:
M = 6 kg, k = 5000 N/m, X0 = 0.05 m e V0 = 0.1 m/s.
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 85
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
10.2 Movimento circular
A figura 11 mostra uma pequena corrediça que se move, com atrito de coeficiente
µµµµ, sobre uma guia circular de raio R, contida num plano vertical. Essa corrediça parte do
repouso, de uma posição definida por θθθθ0.
Figura 11 - Movimento circular de um ponto material.
Pretende-se calcular a força de contacto e a lei de variação do parâmetro θθθθ com o
tempo. Represente-se o diagrama de corpo livreda corrediça, inventariando as forças em
presença, bem como a quantidade de aceleração, como se mostra na Figura 12.
Figura 12 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores e quantidade de aceleração.
A equação fundamental da dinâmica
eF m a=
!!" "
, projectada nas direcções
tangencial e normal (radial) permite escrever a seguinte igualdade vectorial,
atrito
r tmg N F ma ma+ + = +
!!!!!!"" !" !!" !!"
,
isto é,
X
Y
θ
O
R
X
Y
θ
O
R
N
n
t
m
µN
X
Y
θ
O
R
t
n
m r θ2
m r θ
86 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
−
=
−
−
0
rm
rm
0
singmN
cosgmN
2θ
θ
θ
θµ
$
$$
,
de onde resultam duas equações escalares
=−
−=−
2RmsingmN
RmcosgmN
θθ
θθµ
$
$$
.
Da 2ª expressão retira-se a equação que define a força normal N,
( )θθ singRmN 2 += $ .
e substituindo N na 1ª expressão obtém-se a equação diferencial do movimento:
( ) θθθθµ $$$ RmcosgmsingmRm 2 −=−+
( ) ( )θµθθµθ sincosgmRm 2 −=+ $$$
(18) ( )θµθθµθ sincos
R
g2 −=+ $$$
10.2.1 Solução analítica da equação de movimento
Fazendo uma mudança de variável 2u θ$= , obtém-se que
θθ $$ d2du = ,
θ
θθ
θ
θθ
θ
θθθ
d
du
2
1
d
d
dt
d
d
d
dt
d =⇔=== $$$
$$$$$ .
Substituindo as expressões anteriores na equação diferencial obtém-se:
(19) ( )θµθµθ sincosR
g2u2
d
ud −=+
Começando pela equação (19) sem segundo membro,
0u2
d
ud =+ µ
θ .
Separando as variáveis θµ d2
u
ud −= e integrando, obter-se-á
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 87
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )0
o
2
u
uln θθµ −−=
(20)
( )02
0q euu
θθµ −−=
A este integral geral, deverá acrescentar-se um integral particular da equação
completa (19). Fazendo
(21) θθ sinBcosAup +=
e substituindo na equação (19), obtém-se a expressão
( )θµθθµθµθθ sincos
R
g2sinB2cosA2cosBsinA −=+++−
Para esta condição ser sempre verdadeira, os termos em cosθθθθ e sinθθθθ devem ser
independentes. Logo
( )
( )θθµθθ
θµθµθθ
cos
R
g2cosA2cosBcos
sin
R
g2sinB2sinAsin
=+→
−=+−→
=+
−=+−
R
g2BA2
R
g2B2A
µ
µµ
donde se conclui que A e B deverão ter os seguintes valores
(22)
+
−=
+
=
R
g2.
41
21B
R
g2.
41
3A
2
2
2
µ
µ
µ
µ
Finalmente, somando a solução particular (20) com a solução sem segundo membro
(21), obtém-se o integral da equação completa
pq uuu +=
(23)
( )0
2
2
0 2 2
3 g 1 2 g
u u e 2 cos 2 sin
R R1 4 1 4
µ θ θ µ µθ θ
µ µ
− − −= + + + +
88 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A determinação de uo depende das condições iniciais:
00t 00 ==⇒= θθθ $e ,
e logo,
(24)
2
0 0 02 2
g 1 2 g3
u 2 cos 2 sin
R R1 4 1 4
µµ θ θ
µ µ
−= − − + +
A solução final será portanto,
( )µ θ θµµθ θ θ
µ µ
µ µθ θ
µ µ
− − −= = − − + +
−+ + + +
$ 0
2
22
0 02 2
2
2 2
g 1 2 g3
u 2 cos 2 sin e
R R1 4 1 4
3 g 1 2 g
2 cos 2 sin
R R1 4 1 4
Finalmente a força N definida pela expressão
( )θθ singRmN 2 += $
transforma-se em
(25) ( )N m Ru g sinθ= +
Ficam também explicitamente conhecidos, em função de u, o valor da velocidade e
aceleração angulares:
(26) 2
1
u=θ$
(27) ( )θµθµθ sincos
R
gu −+−=$$
Para obter a lei de variação de θθθθ com o tempo, seria ainda necessário integrar a
equação diferencial (26).
10.2.2 Aplicação numérica
Retomemos o exemplo da figura 13,
considerando as seguintes condições: M = 6 kg;
R = 0.50 m; g = 9.8 m/s2; µ µ µ µ = 0.20; θ θ θ θ0 = 0º.
Figura 13 - Movimento circular de um ponto material.
X
Y
θθθθ
O
R
M
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 89
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Na figura 14 mostram-se, as velocidade e aceleração angulares, as quantidades de
aceleração tangencial e radial, a reacção normal e a força de atrito.
Velocidade e Aceleração Angulares
0.0
1.0
2.0
3.0
4.0
5.0
6.0
0 15 30 45 60 75 90 105 120 135
teta (º)
rad/s
-30.0
-20.0
-10.0
0.0
10.0
20.0
30.0
rad/s2
dq/dt d2q/dt2
Quantidade de Aceleração Radial e Tangencial
-60.0
-40.0
-20.0
0.0
20.0
40.0
60.0
80.0
0 15 30 45 60 75 90 105 120 135
teta (º)
Newton
M R q2 M R q
Reacção Normal e Força de Atrito
0
20
40
60
80
100
120
140
0 15 30 45 60 75 90 105 120 135
teta (º)
Newton
N m N
Figura 14 - Velocidade e aceleração angulares, quantidades de aceleração tangencial e
radial, reacção normal e a força de atrito.
90 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
10.3 Movimento sobre um referencial móvel
A figura 15 mostra o movimento de um ponto material P, de massa m, sobre um
referencial móvel.
• P
A
A
Corte A A
s
θ$
Figura 15 - Movimento de um ponto material sobre um referencial móvel.
O ponto P está materializado por uma corrediça que se move em translação
(parâmetro s) sobre uma guia horizontal, a qual se move por sua vez em torno de um eixo
vertical (parâmetro θθθθ).
Admitindo que há atrito no contacto lateral da corrediça com a guia (coeficiente de
atrito µµµµ), pretende-se determinar as forças de ligação que ocorrem e qual a lei s(t),
sabendo θθθθ(t).
A figura 16 mostra os diagramas de corpo livre do sistema, representando as forças
exteriores e a quantidade de aceleração projectadas nos planos OX1Z1 e OX1Y1.
Figura 16 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores e quantidade de aceleração.
Y1
P
O
Z0 ≡≡≡≡ Z1
X1
OP S=
V
H
m g
µµµµ H
S,S,S$ $$
, ,θ θ θ$ $$ X1
P
Y1
Z0 ≡≡≡≡ Z1
O
OP S=
S,S,S$ $$
, ,θ θ θ$ $$
mS$$
2mSθ$ $
2mSθ$
mSθ$$
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 91
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A Equação Fundamental da Dinâmica estabelece que
eF m a=
!!" "
(28)
1
e atrito
S
H
F mg V H F H
V mg
µ−
= + + + =
−
!!" !!!!!!"" ""
••
= OPmam
1S
"
=
0
0
s
OP
1S
=
+
=+==
••
0
s
s
0
0
s
x0
0
0
0
s
OPxS
OPvOP 10
1
P
S1
θ
θ
ω $
$
$
$
+
−
=
+
+=+==
•
••
0
s2s
ss
0
s
s
x0
0
0
ss
s
vxS
vaOP
2
P10
1
PP
S1
θθ
θ
θ
θ
θθω $$$$
$$$
$
$
$
$$$$
$$
(29)
+
−
==
••
0
s2s
ss
mOPmam
2
S1
θθ
θ
$$$$
$$$
"
Igualando as expressões (28) e (29), obtém-se as seguintes equações escalares:
( )2ssmH θµ $$$ −=−
(30) θθ $$$$ sm2smH +=
0V mg− =
A partir das expressões (30) é possível definir imediatamente as reacções vertical e
horizontal:
θθ $$$$ sm2smH +=
(31)
V mg=
92 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Substituindo o valor de H na 1ª expressão de (30), obtém-se a equação diferencial
de movimento do sistema:
( ) ( )2ssmsm2sm θθθµ $$$$$$$ −=+−
(32) ( ) 0ss2s 2 =−++ θθµθµ $$$$$$$
que admite como solução geral
t
0
222
ess
+−±−
=
θθµθµθµ $$$$$
.
Dado que s deverá "crescer" com o tempo t, deve-se optar pela raiz positiva, isto é
(33)
( ) t1
o
22
ess
−++−
=
θµµθθµ $$$$
A partir desta solução obtém-se, facilmente, a força H e a força de atrito
fatrito = µµµµ H.
10.4 Pêndulo cónico
Um pequeno corpo de massa m, move-se de tal forma que é constante a distância %%%%
que o separade um ponto O, fixo, como se mostra na figura 17. Os parâmetros
cinemáticos utilizados para caracterizar a sua posição em dado instante são θθθθ e ϕϕϕϕ.
•
z 1
z O
ϕ
Ρ
m
θ
x 1
%
Figura 17 - Pêndulo cónico.
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 93
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Pretende-se obter as equações de movimento desse corpo. A figura 18 mostra o
diagrama de corpo livre do pêndulo cónico, estando representadas as forças exteriores
aplicadas e a quantidade de aceleração da massa m.
Figura 18 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores e quantidade de aceleração.
A Equação Fundamental da Dinâmica estabelece que
eF m a=
!!" "
(34)
2
sin
0
cos
e
S
mg
F mg N
N mg
ϕ
ϕ
−
= + =
−
!!" ""
••
= OPmam
2S
"
−
=
%
0
0
OP
2S
2
P 20
2
S
0 sin 0
OPOP v OP 0 0 sinS
0 0cos
ϕθ ϕ
ω ϕ θ ϕ
θ ϕ
•• = = + × = + − × =
−
$ $%!!!"!!!" !!" !!!!" !!!" $$ %
$ %
P
A
Z0 ≡≡≡≡ Z1
AP = %O
Y0
X0 X1
X2
Z2
, ,θ θ θ$ $$
N
!"
Q
i!"
, ,ϕ ϕ ϕ$ $$
mg
"
94 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
=+==
•
••
P20
2
PP
S
vxS
vaOP
2
ω
2
2 2 2
sin cossin
sin cos sin sin 2 cos
0 0cos sin
ϕ ϕ ϕ θ ϕ ϕθ ϕ
θ ϕ θϕ ϕ ϕ θ ϕ θ ϕ θϕ ϕ
θ ϕ ϕ θ ϕ
−
= + + − × = +
+
$$$$ $ $$% % % %
$$ $ $ $$ $$ $ $% % % % %
$ $$% %
(35)
+
+
−
==
••
ϕθϕ
ϕϕθϕθ
ϕϕθϕ
222
2
S
sin
cos2sin
cossin
mOPmam
2 $%$%
$$%$$%
$%$$%
"
Igualando as expressões (42) e (43), obtém-se as seguintes equações escalares:
(36-a,b,c)
( )
( )
( )ϕθϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕϕθϕϕ
222
2
sinmcosgmN
cos2sinm0
cossinmsingm
$%$%
$$%$$%
$%$$%
+=−
+=
−=−
Da equação (36 - b) resulta
(37) 2 cot gθ θϕ ϕ= −$$ $ $
Da equação (36 - a) resulta
(38) 2
g
cos sinϕ θ ϕ ϕ = −
$$$
%
Da equação (36 - c) resulta
(39) ( )ϕϕθϕ cosgsinmN 222 ++= $%$%
As equações diferenciais (37) e (38), após integração considerando as
correspondentes condições iniciais ( 0 0t 0 , 0 , 0 eθ θ ϕ θ ϕ ϕ= ⇒ = = = =$ $ $ , por
exemplo), permitiriam obter as leis de variação de θθθθ, ϕϕϕϕ e N com o tempo.
Nota: Sugere-se a implementação em MatLab de um algoritmo de integração numérica
das equações diferenciais desenvolvidas neste capítulo.
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 95
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
11 EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA DINÂMICA EM REFERENCIAIS LIGADOS À TERRA
Um referencial ligado à Terra será necessariamente um referencial acelerado. De
facto, como consequência dos movimentos de rotação da Terra, translação desta em torno
do Sol, do movimento do próprio sistema solar relativamente ao centro da galáxia,
movimento desta no Universo..., são muitas as forças de inércia que actuam sobre um
qualquer corpo colocado na sua superfície.
Assim, para que o segundo princípio de Newton seja aplicável em referenciais
ligados à Terra, deverá ser formulado ao seguinte modo
(40) ctrr amamAFam
"""""
−−+=
Nesta expressão, além das forças "reais" directamente aplicadas F
"
e das forças
"reais" devidas à acção da gravidade A
"
, deverão acrescentar-se ainda as "forças de
inércia" devidas às componentes de aceleração de transporte e complementar
( )ctr ameam "" −− .
Analise-se, com algum pormenor, cada uma destas componentes.
11.1 Forças gravitacionais A
"
Atendendo a que estas forças variam na razão inversa do quadrado das distâncias,
só deveremos considerar, para um ponto colocado sobre a superfície da Terra, as forças
gravitacionais devidas à acção desta, da Lua e do Sol.
!!!! Atracção da Terra
(41) mg
R
mM
GA o2
T
T
T ==
Sendo AT a força de atracção da Terra sobre um corpo de massa m; MT a massa da
Terra; RT o respectivo raio; e G (=6.67 x 10-11 N m2 / kg2) a constante de gravitação
Universal. A aceleração da gravidade terrestre ao nível das águas do mar (distância RT do
centro da Terra) será assim
(42) 2
T
T
o
R
M
Gg =
96 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
! Atracção da Lua
Sendo a massa da Lua cerca de 80 vezes menor que MT e a distância média do
centro da Lua cerca de 60 raios terrestres, teremos
(43) mg
60x80
1m
L
M
GA o22
1
L
L ≅=
A aceleração da gravidade lunar será
(44) o
6
2
2
L
L g10x47.3
L
M
Gg −≅=
! Atracção do Sol
Sendo a massa do Sol cerca de 330 000 vezes a da Terra e a distância média do Sol
à Terra, cerca de 23 000 raios terrestres, a atracção do Sol sobre um corpo à superfície
da Terra corresponderá uma aceleração da gravidade solar
(45) o
4
2
s
s
s g10x2.6L
M
Gg −≅=
Comparando estes valores podemos concluir que, para fins práticos de Engenharia,
é lícito desprezar a acção dos campos gravitacionais criados pela Lua e pelo Sol. Restará,
portanto, como força de gravidade a considerar na expressão (36), apenas a devida à
Terra, ou seja
(46) ogmA
""
=
11.2 Forças de Inércia
! Força de inércia de transporte
Considerando apenas o movimento de rotação da Terra (admitindo portanto
desprezáveis as acelerações devidas aos restantes movimentos que esta possui), vejamos
qual deveria ser a força de inércia de transporte, num ponto à superfície da Terra, com a
latitude λλλλ ( ver figura 19).
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 97
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
N
C
S
m ω2 r cos 2 λ
m ω 2 r cos λ r cos λ
r
λ
ΡΡΡΡ
m ω 2 r sin λ cos λ
N
C
Ρ
S
Figura 19 - Vista lateral e de frente do meridiano do lugar que contém o ponto P.
Esta força de inércia, perpendicular ao eixo da Terra, decomposta nas direcções da
vertical do lugar e da tangente ao meridiano, dá origem às duas componentes
representadas na figura 19.
Como consequência da existência desta força de inércia de transporte verifica-se
que:
• O ponto material de massa m colocado em P é solicitado por uma força de
inércia que se opõe à de atracção gravítica. Tudo se passa então como se
aceleração de gravidade (38) viesse diminuída de uma parcela variável com a
latitude.
(47) λω 22o cosrgg −=
• O ponto é ainda solicitado por uma força de inércia horizontal, que tende a
"deslocá-lo" para o Equador (para Sul, no hemisfério Norte, conforme revê na
figura 19).
! Força de inércia complementar
Consideraremos, de novo, que o movimento de transporte se reduz ao de rotação
da Terra. Então, a força de inércia complementar (de Coriolis) será dada por
(48) rT
c
i vx2mF
""" ω−=
98 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Esta força depende do caso particular do movimento do ponto em relação à Terra.
Analisaremos apenas o efeito desta força no caso dos movimentos em "queda livre"
(segundo a vertical do lugar) e dos movimentos no plano horizontal.
Queda livre
Nestes movimentos, como se mostra na figura 20, o ponto material será sempre
deslocado para "ESTE", qualquer que seja a latitude (N ou S).
N
C
Ρ
S
N
C
S
λ
Ρ a c
rv
"
trω"
r
tr
i vxm2F
""" ω=
Figura 20 - Meridiano do lugar que contém o ponto P e força de inércia complementar
correspondente ao movimento de "queda livre".
Movimentos no plano horizontal
Considere-se um referencial PX1Y1Z1 tal que o plano OX1Z1 seja horizontal, sendo o
eixo Z1 tangente ao meridiano do lugar, como se mostra na figura 21.
O vector rotação da Terra terá, nesse referencial, apenas duas componentes,
respectivamente λωω sin.v = segundo a verticale λωω cosH = segundo a direcção
de Z1.
A força de inércia complementar pode então decompor-se em duas parcelas,
correspondentes a essas duas componentes de ωωωωT. Como se mostra na figura 22 , tem-se
(49)
c
i
c
i
r
V
r
xH
c
i Hy
FFvxm2vm2F
""""""" +=−−−−= ωω
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 99
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
λ
Ρ Ρ
x 1
y 1
z 1
λ
ω T
ω cos λ = ωH
ω v = ω sin λ
Figura 21 - Meridiano do lugar que contém o ponto P e componentes "verticais" e
"horizontais" do vector rotação da terra ωωωωT.
Verifica-se assim que surge uma força de inércia vertical (ascendente ou
descendente consoante a direcção da velocidade relativa); e uma força de inércia
horizontal que, no hemisfério Norte (λλλλ > 0) provocará um "desvio para a direita" do vector
velocidade relativa (ver figura 22), enquanto que no hemisfério Sul (λλλλ < 0) provocará
desvio em sentido oposto.
"
ω v
"
ω H
"
v r
z 1
x 1
− 2 m
"
ω v ∧
"
v r =
"
F i H
c
"
F iH
c = 2 m ω sin λ v r
Figura 22 - Plano horizontal do lugar que contém o ponto P e representação gráfica da
componente horizontal da força de inércia complementar
c
i H
F
"
.
Este desvio da trajectória nos movimentos horizontais permite justificar diversos
fenómenos, como o aparecimento de determinado movimento de rotação do ar em torno
dos núcleos de baixas pressões.
100 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Note-se que, dado o baixo valor da velocidade angular da Terra,
ωωωωT = 7,272 x 10-5 rad/s, a força de inércia complementar é, em geral, desprezável. Só
quando a velocidade relativa é muito elevada (caso dos problemas de balística, por
exemplo, com velocidades da ordem dos 100 m/s) é que não poderá deixar de se
contabilizar o seu efeito g
70
1as/m1000v cr ≅⇒= .
11.3 Conclusão
Da análise feita nos parágrafos 12.1 e 12.2 resulta que, nas aplicações correntes em
engenharia, a Equação Fundamental da Dinâmica tomará, sobre a Terra, a forma seguinte:
(50) amAF
"""
=+
Sendo:
F
"
→ Soma de todas as forças reais directamente aplicadas;
"
A → Força de atracção da Terra, que inclui a força de gravidade e uma
parcela da força de inércia de transporte, isto é, A = m g, com
λω 22o cosrgg −= , consoante a expressão (47);
"
a → Aceleração do ponto material, calculada relativamente à Terra.
As restantes forças de inércia, devidas ao facto de a Terra não ser um referencial
inercial, são em geral desprezadas, dada a sua ordem de grandeza muito inferior à das
restantes forças.
DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais 101
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
12 PROBLEMAS PROPOSTOS
Problema DPM1
O mecanismo representado na figura é constituído por:
corpo 1, um braço horizontal de comprimento 2r, de massa e inércia desprezáveis, que
roda em torno do eixo vertical Z0 ≡ Z1 com velocidade angular θ$ constante;
corpo 2, um cursor, de massa m e inércia desprezável, que pode deslizar ao longo do
corpo 1, estando ligado a uma das extremidades do corpo 1 por uma mola helicoidal (�0 =
r) de rigidez k.
Determine a equação diferencial de movimento do cursor e as equações diferenciais que
permitiriam determinar as forças de ligação entre o cursor e a guia. Suponha que
m
K2 <θ$ .
Z1≡Z0
Y1
θ$
X
r
r
1
2P
102 DINÂMICA DO PONTO MATERIAL - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema DPM2
O mecanismo representado na figura é constituído por:
corpo 1, um suporte ABCD, em forma de quadrilátero, de massa e inércia
desprezáveis, que roda em torno do eixo vertical Y0 ≡ Y1 com velocidade angular
constante θ$ �
corpo 2, um cursor, de massa m e inércia desprezável, que pode deslizar ao longo do
lado BC do corpo 1.
Supondo que a ligação entre os dois corpos é perfeita, determine a equação
diferencial de movimento do cursor e as equações diferenciais que permitiriam
determinar as forças de ligação entre o cursor e a guia.
y 1 = y 0
x2
y2
ϕ
x1
z2
z 1
θ = const.
s,s
A
D
C
B
aAB =
sBP =
Z1 // Z2
DINÂMICA do CORPO RÍGIDO
TEOREMAS VECTORIAIS
Jorge Humberto Oliveira Seabra
Carlos Alberto Magalhães Oliveira
José Fernando Dias Rodrigues
Pedro Manuel Leal Ribeiro
Pedro Manuel Ponces Camanho
Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – Secção de Mecânica Aplicada
6ª Edição - Fevereiro de 2004
ii DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais iii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ÍNDICE:
1 INTRODUÇÃO – MÉTODO DE ANÁLISE 103
2 TEOREMA DO MOVIMENTO DO CENTRO DE MASSA 105
3 TEOREMA DO MOVIMENTO EM TORNO DO CENTRO DE MASSA 106
4 PRINCÍPIO D’ALEMBERT – CONCEITO DE EQUILÍBRIO DINÂMICO 107
5 MOVIMENTO PLANO DE CORPOS RIGÍDOS SIMÉTRICOS 108
5.1 Equações do movimento para um corpo rígido em movimento plano 108
5.2 Análise de sistemas de corpos rígidos em movimento plano 110
5.3 Movimento plano vinculado 110
6 PROBLEMAS PLANOS RESOLVIDOS 111
6.1 Sólido animado de movimento de translação 111
6.2 Sólido animado de movimento de rotação 115
6.3 Sólido em movimento mais complexo 119
6.4 Mecanismo manivela, biela, êmbolo 124
6.5 Mecanismo de accionamento do limador 138
7 MECANISMO ESPACIAL 151
8 PROBLEMAS PROPOSTOS 163
iv DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 103
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO
TEOREMAS VECTORIAIS
1 INTRODUÇÃO – MÉTODO DE ANÁLISE
Consideremos cada sólido como um sistema formado por pontos materiais discretos,
cujas distâncias entre si permanecem constantes.
A cada ponto Pk de um tal sistema material podem-se associar dois vectores que, de
acordo com a 2ª lei de Newton, são iguais:
!!"
kF - Resultante das forças que actuam em kP (1)
!!"
k km a - Quantidade de aceleração de kP (2)
!!" !!"
k k kF = m a (3)
kF
!!"
é a resultante de todas as forças que actuam no ponto kP . Inclui, assim, forças
exteriores e interiores ao sistema material.
De acordo com (3), tem-se que
+ = + =ext int e ik k k k k kF F F F m a
!!!" !!!" !!" !!" !!"
(4)
Se esta igualdade se verifica para todos os pontos kP , poderemos dizer que o sistema
de forças exteriores mais o sistema de forças interiores iguala o sistema de vectores a que
chamamos quantidades de aceleração.
É condição necessária e suficiente para que dois sistemas de vectores sejam
equivalentes, que tenham elementos de redução no mesmo ponto iguais.
104 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A soma de dois sistemas de vectores é um sistema cujos elementos de redução no
mesmo ponto são iguais à soma de cada uma das parcelas.
Daqui resulta que, necessariamente,
+ =∑ ∑ ∑ext intk k k k
k k k
F F m a
!!!" !!!" !!"
(5)
+ = ×∑ ∑ ∑K Kext intO O K k k
k k k
M M OP m a
!!!!" !!!!" !!!" !!"
(6)
Como as forças interiores, de acordo com a 3ª lei de Newton, são iguais e opostas
duas a duas, o sistema de forças interiores é equivalente a zero, istoé,
int
k
k
F 0=∑
!!!" !"
e
K
int
O
k
M 0=∑
!!!!" !"
.
Como consequência das equações (5) e (6) obteremos as seguintes equações
vectoriais, válidas para um sistema de pontos materiais
ext ext e
k k k
k k
F F F m a= = =∑ ∑
!!!" !!!" !!" !!"
(7)
K
ext ext e
O O O K k k
k k
M M M OP m a= = = ×∑ ∑
!!!!" !!!!" !!" !!!" !!"
(8)
São as chamadas Equações do Movimento. Nelas não está, por ora, contida qualquer
restrição referente ao sistema material. De facto são válidas quer este seja ou não um
sistema rígido, um sistema formado por vários subsistemas rígidos considerados no seu
conjunto, ou pura e simplesmente um sistema de pontos materiais discretos cujas
distâncias entre si variam no tempo.
Os segundos membros das equações (7) e (8) representam, respectivamente, o Vector
Principal e o Vector Momento em O do sistema de vectores quantidade de aceleração.
Foi visto em capítulos anteriores, que, ao primeiro se chamou Quantidade de
Aceleração do sistema material, o qual é sempre definido por
=∑ k k G
k
m a Ma
!!" !!"
(9)
sendo Ga
"
a aceleração do centro de gravidade do sistema material e M a sua massa total.
Esta expressão é sempre válida, independentemente do sistema material ser rígido ou não.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 105
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O 2º membro de equação (8), é o Momento Dinâmico em O do sistema material cujo
cálculo foi desenvolvido no capítulo sobre Cinemática das Massas. Relembra-se, como
relação particularmente útil, que o momento dinâmico no ponto O pode sempre obter-se a
partir do momento dinâmico em G, usando a seguinte relação (3º teorema de Koenig):
× = = + ×∑ K k k O G G
k
OP m a k k OG Ma
!!!" !!" !!" !!" !!!" !!"
(10)
Substituindo as expressões (9) e (10) nas equações de movimento (7) e (8) obtém-se
ext
GF Ma=
!!!" !!" (11)
ext
O O G GM k k OG Ma= = + ×
!!!!" !!" !!" !!!" !!" (12)
2 TEOREMA DO MOVIMENTO DO CENTRO DE MASSA
Num qualquer sistema de pontos materiais, rigidamente ligados ou não, verifica-se,
de acordo com as relações (7), (9) e (11), que
ext
GF Ma=
!!!" !!"
(11)
Esta seria também a Equação do Movimento do centro de massa, se nele estivesse
concentrada toda a massa do sistema material e sobre ele actuasse uma força igual à soma
de todas as forças exteriores aplicadas ao referido sistema.
Esta constatação é conhecida por teorema do movimento do centro de massa, o qual
é habitualmente citado do seguinte modo:
"Em qualquer sistema material, rígido ou não, o centro de massa move-se como um
ponto isolado, de massa igual à massa total do sistema, e actuado por uma força
igual à soma vectorial de todas as forças exteriores aplicadas".
Verifica-se, a partir da relação (11) que, se um sistema de forças que actue num
sistema material tem vector principal não nulo (há desequilíbrio de forças), o centro da
massa adquire movimento acelerado.
106 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3 TEOREMA DO MOVIMENTO EM TORNO DO CENTRO DE MASSA
As expressão (8) e (10) também encerram um determinado significado físico que se
pretende explorar. Quando o pólo utilizado no cálculo dos momentos é o centro de massa,
tem-se:
ext
G GM K=
!!!!" !!"
(13)
Se o movimento real do sistema material for uma translação, então o seu momento
dinâmico em G é nulo. Neste caso a equação (13) traduz um equilíbrio de momento em
relação ao ponto G, das diversas forças aplicadas. Noutro qualquer ponto, porém, tal
situação não ocorreria, conforme mostram as relações (10) e (12).
Se o movimento real do sistema material for uma rotação em torno de um eixo que
contém G, o momento dinâmico em G não será nulo, mas sê-lo-á a quantidade de
aceleração ( )=Ga o
!!" "
. Estaríamos então num caso em que haveria equilíbrio de forças
exteriores (equação (11)) mas desequilíbrio de momentos (equação (13)).
Num caso mais geral, as equações (11) e (13) não terão segundos membros nulos,
podendo então interpretar-se o movimento do sistema material como sendo a soma de dois
movimentos:
uma translação com o centro de massa, provocada pelo desequilíbrio das forças
exteriores aplicadas, mais uma rotação em torno do centro de massa, provocada pelo
desequilíbrio de momentos das forças exteriores, em relação a esse ponto.
Note-se que a equação (8) é válida qualquer que seja o ponto O utilizado. Para
efeitos de cálculo não necessitamos de utilizar obrigatoriamente o ponto G.
O momento dinâmico OK
!!"
pode calcular-se por derivação em ordem ao tempo do
vector momento cinético OH
!!"
. Considere-se o caso mais geral de O ser um ponto móvel.
Então:
= ×∑O k k k
k
H OP m v
!!" !!!" !!"
(14)
( )= − × + ×∑ ∑
i!!" !!" !!" !!" !!!" !!"
O k O k k k k k
k k
H v v m v OP m a
(15)
= − × +
∑
i!!" !!" !!" !!"
O O k k O
k
H v m v K
(16)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 107
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
= − × +
i!!" !!" !!" !!"
O O G OH v Mv K (17)
A equação (8) tomará então a seguinte forma
ext
O O O O GM K H v Mv= = + ×
i!!!!" !!" !!" !!" !!"
(18)
Esta equação simplifica-se sempre que:
a) = ⇒ =
i"!!" !!" !!" !!!" !!"
0 //O O G O Ov ou v v M H (19)
b) ≡ ⇒ =
i!!!!" !!"
0 extG GG M H (20)
4 PRINCÍPIO D’ALEMBERT - CONCEITO DE EQUILÍBRIO DINÂMICO
D'Alembert introduziu o conceito de "força de inércia", quando reescreveu a equação
da 2ª lei de Newton sob a forma
0eF m a− =
!!" ""
(21)
Chamando força de inércia, =
!!!!!!" !!"
inércia jF F , ao vector ( )am
"
− , então a equação (21)
toma a forma de uma equação de equilíbrio de forças, na acepção em que esse conceito
apareceu na Estática. É nula a soma de todas as forças que actuam no ponto
+ =
!!" !!" "
0e jF F (22)
Este princípio de D'Alembert pode ser transposto para a dinâmica dos sistemas
materiais, não esquecendo que terão de considerar-se as "forças de inércia" e "os
momentos das forças de inércia", respectivamente iguais (mas de sinais contrários) aos
vectores quantidades de aceleração e momento dinâmico.
As equações fundamentais da dinâmica (11) e (12) tomarão assim a forma de
equações de "equilíbrio dinâmico":
ext ext
G GF Ma F Ma 0= ⇒ − =
!!!" !!!"!!" !!" !"
. (11)
ext ext
O O O OM K M K 0= ⇒ − =
!!!!" !!!!"!!" !!" !"
. (12)
Fazendo,
inércia
GF Ma= −
!!!!!!" !!"
,
inércia
O OM K= −
!!!!!!" !!"
, obtém-se
108 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
0ext inérciaF F+ =
!!!!!!"!!!!" "
(23)
0ext inérciaO OM M+ =
!!!!!!!"!!!!" "
(24)
A principal vantagem desta mudança resulta de ser facilitada a análise,
nomeadamente pelo uso de diagramas de corpo livre e pelo carácter intuitivo que muitos
problemas de estática possuem e que agora continua a ser visível.
5 MOVIMENTO PLANO DE CORPOS RÍGIDOS SIMÉTRICOS
Introduzimos aqui duas limitações aos sistemas materiais considerados:
a) Deslocam-se em movimento plano, isto é, cada ponto material permanece a
distância constante de um dado plano de referência fixo;
b) Os sistemas materiais são constituídos por corpos sólidos simétricos em relação
ao plano de referência, (o que implicará que possuam um eixo principal de
inércia baricêntrico perpendicular a esse plano).
5.1 Equações do movimento para um corpo rígido em movimento plano
Trata-se, afinal, de particularizar as equações gerais já apresentadas (11) e (12).
Assim, sendo (x, y) o plano do movimento, tem-se:
Torsor das velocidades comtemporâneas do sólido
( )
0
; 0 ;
0
Gx
VC G VC Gx
v
v vτ ω τ
ω
=
!" !!"
;
Torsor das acelerações comtemporâneas do sólido
0
; 0 ;
0
Gx
AC G CC Gx
a
a aτ ω τ
ω =
i
i
!" !!"
.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 109
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Torsor da Quantidade de Aceleração
;QA GQ Kτ
i!" !!"
0
Gx
Gx
a
Q m a
=
i!"
[ ]
0
0
xx XY XZ XZ
G G YX YY YZ YZ
ZX ZY ZZ ZZ
I P P P
H I P I P P
P P I I
ω
ω ω
ω ω
− − −
= × = − − × = −
− −
!!" !"
2
2
0
0
XZ XZ YZ
XZ
G G G YZ YZ YZ XZ
ZZ
ZZ ZZ
P P PP
K H H P P P P
II I
ω ω ωω
ω ω ω ω ω
ω ωω ω
− − + −
= + × = − + × − = − +
i i
i i i
i i
!!" !!" !" !!"
Retomando as equações de movimento (11) e (12),
ext
x Gx
ext ext
G y Gx
ext
z
F a
F Ma F m a
F 0
= ⇔ =
!!!!" !!"
2
ext XZ YZ
Gx
ext ext 2
G G Gy YZ XZ
ext
Gz
ZZ
P PM
M k M P P
M I
ω ω
ω ω
ω
− +
= ⇔ = − +
i
i
i
!!!!" !!"
determinam-se as seguintes 6 equações escalares:
ext
x GxF ma=
ext
y GyF ma= (25)
ext
zF 0=
ext 2
Gx XZ YZM P Pω ω= − +
i
ext 2
Gy YZ XZM P Pω ω= − +
i
(26)
ext
Gz ZZM I ω=
i
110 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Se o plano de movimento [OXY] for um plano de simetria do corpo, então o eixo OZ
é um eixo principal de inércia, pelo que PXZ e PYZ serão produtos de inércia nulos.
Deste modo as 6 equações escalares de equilíbrio dinâmico ficarão reduzidas a:
ext
x GxF ma= (27)
ext
y GyF ma= (28)
ext
Gz ZZM I ω=
i
(29)
5.2 Análise de sistemas de corpos rígidos em movimento plano
Esta análise pode ser feita por dois caminhos:
a) Considerando o sistema como um todo, traçando portanto um único diagrama de
corpo livre e não considerando as forças interiores de ligação entre os diversos
corpos;
b) Dividindo o sistema em vários subsistemas, de modo análogo ao que fora feito na
Estática, considerando as equações de movimento de cada um deles e resolvendo
em conjunto os sistemas de equações assim obtidas. Estão obviamente
consideradas, neste caso, as forças de ligação entre os corpos.
Este 2º caminho é o mais utilizado, até porque é o único possível quando o número de
incógnitas é superior a 3 (tal é o número de equações disponíveis numa análise de
equilíbrio plano).
5.3 Movimento plano vinculado
A maioria das aplicações em engenharia trata de corpos rígidos que se movem sob
determinados vínculos (rotação em torno de eixos fixos, rolamentos sem escorregamento,
guiamentos, ...).
Em todos estes casos existem relações definidas entre as componentes da aceleração
do centro de massa G e a aceleração angular α$$ .
A solução destes problemas exige uma análise cinemática prévia, após o que não
introduzem particulares problemas na sua solução.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 111
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6 PROBLEMAS PLANOS RESOLVIDOS
6.1 Sólido animado de movimento de translação
A figura 1 mostra uma placa animada de movimento de translação. Pretende
determinar-se as forças de ligação que ocorrem nos pontos A e B, em que o corpo de
massa M, indicado na figura, se articula com duas barras de massa desprezável, as quais o
obrigam a deslocar-se em translação sobre um plano vertical
(seja 00 =θ ).
G
B
A
•
%
O
θ
s
C
y
x
%
Figura 1 - Sólido animado de movimento de translação.
Desprezada a massa das barras AO e BC, as forças que actuam em A e B terão de ter
a direcção das próprias barras. A figura 2 mostra o diagrama de corpo livre do sistema,
estando representadas as forças exteriores e a quantidade de aceleração da placa.
Figura 2 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores e quantidade de aceleração.
As equações (11) e (12), estabelecem o equilíbrio dinâmico do corpo:
=
!!!!" !!"
ext
GF Ma =
!!!!" !!"
ext
G GM K
B•
•
•
θ$$%
Mg
2θ$%
AR
BR
A
112 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Determinem-se cada um dos componentes das equações anteriores.
θ
θ
+ −
= + + = −
!!!!" !!" !!" "
sin
cos
0
A B
ext
A B
S
R R mg
F R R M g mg
θ
θ
= −
$%
!!" $$%
2
0
G S
M a M
−
=
0
0OA
S
%
−=
−
+
=+==
••
0
0
0
0x0
0
0
0
0
OAxS
OAvOA A
S
θ
θ
ω $%
%
$
"
−=
−
+
−=+==
•
••
00
0
x0
0
0
0
vxS
vaOA
2
AAA
S
θ
θ
θ
θ
θω $$%
$%
$%
$
$$%"
O corpo está animado de um movimento de translação, designado por translação circular.
Logo,
−====
0
aaae0
2
GBAplaca θ
θ
ω $$%
$%""
A igualdade entre forças exteriores e quantidade de aceleração, conduz às
seguintes duas equações
θ θ
θ θ
+ − =
= ⇒
− = −
$%!!!!" !!"
$$%
2sin
cos
A B
ext
G
R R M g M
F Ma
M g M
(31)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 113
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Igualdade de momentos exteriores e dinâmicos:
θ θ
θ θ
−
= + = − +
!!!!" !!!" !!" !!!" !!" sin sin1 1
cos 0 cos 0
2 2
0 0 0 0
A B
ext
G A B
S
s R s R
M GAx R GB x R s x s x
( )θ
=
−
!!!!" 01
0
2
cos
ext
G
S
A B
M
s R R
•
= GG HK
[ ] 00.IH placaplacaGSG
"""" =→== ωω
0HK GSG
"
==
•
A igualdade entre momentos exteriores e momento dinâmico, conduz à seguinte
equação
θ θ= ⇒ − =
!!!!" !!"
cos cos 0
2 2
ext
G G A B
s s
M K R R (32)
Das expressões (31) e (32) retiram-se as seguintes igualdades:
θ θ
θ θ
$$
$2
A B
A B
g
= cos
l
R + R - M g sin = M l
R = R
(33 – a, b, c)
A equação diferencial de movimento (33–a) pode ser desenvolvida do seguinte modo:
θ
θ
θθθ
θ
θθθ cosg
d
d
dt
d
d
d
dt
d
%
$$$$$$ ====
fazendo a separação de variáveis, obtém-se
θθθθ dcosgd
%
$$ =
114 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Integrando a equação diferencial, determina-se que
.Constsing
2
1 2 += θθ
%
$
A determinação da constante de integração é obtida a partir das condições iniciais do
problema, ou seja
.Const0sing00,0,0t +=⇒===
%
$θθ
logo
0.Const =
pelo que
θθ sing22
%
$ = (34)
Substituindo a expressão anterior na equação (32 – b) e atendendo a (32 – c)
( )θ θA B
1
R = R = M2 g sin +Mg sin
2
isto é
θsingM
2
3RR BA == (35)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 115
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.2 Sólido animado de movimento de rotação
A figura 3 mostra uma placa de massa m, que roda em torno de um ponto fixo O,
efectuando um movimento de rotação no plano vertical (OXY). Pretende-se determinar as
forças de ligação que ocorrem no ponto O. Admite-se a existência de simetria material em
relação ao plano do movimento.
θ
y
G
S x
Figura 3 - Sólido animado de movimento de rotação.
A figura 4 mostra o diagrama de corpo livre da placa, onde estão representadas as
forças e momentos exteriores e a quantidade de aceleração e momento dinâmico.
Figura 4 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores e quantidade de aceleração.
As equações (11) e (12), estabelecem o equilíbrio dinâmico do corpo:
=
!!!!" !!"ext
GF Ma
=
!!!!" !!"
ext
O OM K
y
G
xmgROX
O
θ
sθ$$
ROY
2sθ$
116 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Determine-se cada uma das componentes das equações anteriores.
θ
θ
+
= + = −
!!!!" !!" " Oxext
O Oy
S
R mg sin
F R M g R mgcos
0
θ
θ
= −
$$
!!" $2
0
G S
s
M a M s
=
0
s
0
OG
S
=
−
+
=+==
••
0
0
s
0
s
0
x0
0
0
0
0
OGxS
OGvOG G
S
θ
θ
ω
$
$
"
−=
−
+
=+==
•
••
0
s
s
0
0
s
x0
0
0
0
s
vxS
vaOG 2GGG
S
θ
θθ
θ
θ
ω $
$$$
$
$$
"
A igualdade entre forças exteriores e quantidade de aceleração, conduz às
seguintes duas equações
θ θ
θ θ
+ =
= ⇒
− = −
$$
!!!!" !!"
$2
sin
cos
Ox
ext
G
Oy
R Mg M s
F Ma
R Mg M s
(36)
Igualdade de momentos exteriores e dinâmicos:
θ
θ
θ
= × = × − =
−
!!!!!" !!!" "ext
O
S
0 mg sin 0
M OG m g s m g sin 0
0 0 ms g sin
•
= GG HK
[ ]
−
=
−
==
θθ
ω
$$
"
zzzz
yy
xx
placaGSG
I
0
0
0
0
.
I00
0I0
00I
.IH
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 117
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
−
=
−
−
+
−
=+==
•
•
θθθθ
ω
$$$$$$
"
zzzzzz
G
G
GSG
I
0
0
I
0
0
x0
0
I
0
0
HxS
HHK
( )
2
O GS
2
zz zz
m s0 0 0
K K OG Q 0 s m s 0
o 0I I ms
θ
θ
θ θ
•
= + × = + × − =
− − +
$$
!!!" !!!" !!!" !" $
$$ $$
A igualdade entre momentos exteriores e momento dinâmico, conduz à seguinte
equação
( )θ θ= ⇒ − = − +
!!!!" !!" $$2sin
O
ext
O zzM K ms g I ms (37)
Das expressões (35) e (36) retiram-se as seguintes igualdades:
θθ sin
smI
gsm
2
zz +
=$$
θθ $$sMsingMROx =+
(38 – a, b, c)
2
Oy sMcosgMR θθ $−=−
A equação diferencial de movimento (38–a) pode ser desenvolvida do seguinte modo:
θ
θ
θθθ
θ
θθθ sin
smI
gsm
d
d
dt
d
d
d
dt
d
2
zz +
====
$$$$$$
fazendo a separação de variáveis, obtém-se
θθθθ dsin
smI
gsmd 2
zz +
=$$
Integrando a equação diferencial, determina-se que
.Constcos
smI
gsm
2
1
2
zz
2 +
+
−= θθ$
118 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A determinação da constante de integração é obtida a partir das condições iniciais do
problema, ou seja
.Const0cos
smI
gsm200,0,0t 2
zz
+
+
−=⇒=== θθ $
logo
2
zz smI
gsm2.Const
+
=
pelo que
( )θθ cos1
smI
gsm2 2
zz
2 −
+
=$ (39)
Substituindo a expressão anterior na equação (38-c) e substituindo a expressão
(38-a) em (38- b), obtém-se
θθ sin
smI
gsmsmsingmR 2
zz
Ox
+
=+
( )θθ cos1
smI
gsm2smcosgmR 2
zz
Oy −
+
−=− (40)
pelo que,
θ θ θ
−
2
Ox 2 2
zz zz
msg ms
R = mg sin +ms sin = mg sin -1+
I +ms I +ms
( )θ θ
2
Oy 2
zz
2ms mg
R = mg cos - 1-cos
I +ms
isto é
θsingm
smI
IR 2
zz
zz
Ox
+
−=
( )
−
+
−= θθ cos1
smI
sm2cosgmR 2
zz
2
Oy (41)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 119
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3 Sólido em movimento mais complexo
A figura 5 mostra uma placa de massa m, animada de um movimento plano
complexo. Pretende-se determinar as forças de ligação que actuam sobre a placa. As
ligações são consideradas perfeitas, pelo que as forças e momentos de atrito são nulos.
Desprezam-se as massas e inércias dos restantes corpos do mecanismo.
•
•
G
B
•
A
t/2
t/2
s
%
Ο θ
ϕ
X
Y
Figura 5 - Sólido animado de um movimento plano complexo.
Geometria do sistema.
A análise da figura 5 mostra que s. sin θθθθ + t sin ϕϕϕϕ = %%%% . Esta expressão e as suas
primeira e segunda derivadas em ordem ao tempo, permitem obter ϕ , ϕ$ e ϕ$$ em função
de θ , θ$ e θ$$ , que é o parâmetro cinemático escolhido:
( ) ( )
=−+−
=+
=+
0sincostsincoss
0costcoss
sintsins
22 ϕϕϕϕθθθθ
ϕϕθθ
ϕθ
$$$$$$
$$
%
o desenvolvimento das expressões anteriores permite estabelecer que
120 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )
+−=
−=
−=
θθθθϕϕ
ϕ
ϕ
θ
ϕ
θϕ
θϕ
sinscosssint
cost
1
cost
coss
t
sinssinar
22 $$$$$$
$$
%
(42)
As equações (11) e (12), estabelecem o Equilíbrio Dinâmico do corpo:
=
!!!!" !!"
ext
GF Ma
=
!!!!" !!"
ext
G GM K
Quantidade de aceleração.
Admitindo rigidez na ligação OB, tem-se que
10
sin0 cos
0 sin cos
0 0
B O
O
ss
v v x OB x s s
s
θ θθ
ω θ θ θ
θ
−
= + = =
$
!!" !!" !!!" !!!" $
$
2
10 10
2
2 2
sin cos0 cos cos
0 sin sin cos sin
0 0 0
B O
O
a a x OB xOB
s
s ss s
x s s s s
ω ω
θ θ θ θθ θ
θ θ θ θ θ θ θ
θ
•
= + − =
− −
− = −
!!" !!" !!!" !!!" !!!"
$$ $
$ $$ $
$$
No ponto G a velocidade e a aceleração são as seguintes:
20
sin sin
cos 2sin 0 2
cos 0 sin cos cos2 2
0 0 0
G B
O
v v x BG
s
t
sts
tts x s
ω
θ θ ϕ ϕϕθ θ
θ θ ϕ θ θ ϕ ϕ
ϕ
= + =
− + − − + = + +
−
!!" !!" !!!" !!!"
$ $
$
$ $ $
$
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 121
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
•
2
G B 20 20
O
2
2 2
2
a a xBG xBG
s
t tcos coss sin s cos 0 2 2
t ts cos s sin 0 x sin sin2 2
0 0 0
t
s sin s cos sin
2
ω ω
ϕ ϕθ θ θ θ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ
ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ
= + − =
− − − − = − + + − +
−
− − + +
=
!!" !!" !!!" !!!" !!!"
$$ $
$$ $ $
$$
$$ $ $$ $
( )
( )
o
o
2
G x
2 2
G y
t
cos
2 a
t t
s cos s sin cos sin a
2 2
00
ϕ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
− + − =
$$ $ $$ $
(43)
Momento dinâmico em G.
[ ] { }20
2 2 2
0 0 0 0
. 0 0 . 0 0
0 0
xx
G G yy
zz zz
I
H I I
s s s
I I
ω
ϕ ϕ
= = =
− −
!!"
$ $
{ }2 2 0
00 2
0
. 0 //G G
zz
H H OZ OZ
s s
I ϕ
= Τ = −
"!!"
$
0 0
0
0G G
zz
K H
s s
I ϕ
• = =
−
!!" !!"
$$
(44)
Forças exteriores
A figura 6 mostra o diagrama de corpo livre da placa, onde estão representadas as
forças exteriores aplicadas. Note-se que, na ausência de atrito, RAx = 0 .
θ
θ
−
= + + = − +
!!!!" !!" !!" "
0
cos
sin
0
B
ext
A B AY B
S
R
F R R mg R R mg
(45)
122 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
s
%
θ
ϕ
•
•
B
•
A
G
O
mg
X
Y
X2
Y2 RAy
RB
Figura 6 - Diagrama de corpo livre: forças exteriores aplicadas.
Momentos exteriores em G:
ϕ ϕ θ
ϕ ϕ θ
= × + × =
− −
× + − × − =
!!!!!" !!!" !!" !!!" !!"
0
ext
G A B
S
B
Ay B
M GA R GB R
t cos 0 t cos R cos
1 1
t sin R t sin R sin
2 2
0 0 0 0
ϕ ϕ θ ϕ θ
=
− − −
!!!!!"
0
ext
G
S
Ay B B
0
1
M 0
2
R tcos R tcos sin R t sin cos
(45)
Retomando as equações de Equilíbrio Dinâmico do corpo,
=
!!!!" !!"
ext
GF Ma e =
!!!!" !!"
ext
GGM K
pode-se escrever a equação de movimento do sistema e determinar as forças de ligação:
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ
θ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
=
− − + +
−
− + = − + −
!!!!" "
$$ $ $$ $
$$ $ $$ $
•
ext
0 O
2 2
B
2 2
AY B
F Q
s s
t t
s sin s cos sin cos
2 2R cos
t t
R R sin mg m s cos s sin cos sin
2 2
0 0
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 123
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ϕ ϕ θ ϕ θ Ι ϕ
= ⇒ =
− − − −
!!!!!" "
$$
ext
G G
0 0
Ay B B zz
0 0
1
M K 0 0
s s 2
R tcos R tcos sin R t sin cos
isto é,
( )
θ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ ϕ θ ϕ θ Ι ϕ
− = − − + +
− + = − + −
− − + = −
$$ $ $$ $
$$ $ $$ $
$$
2 2
B
2 2
AY B
Ay B zz
t t
R cos m s sin s cos sin cos
2 2
t t
R R sin mg m s cos s sin cos sin
2 2
R tcos R t cos sin sin cos 2
(46)
As expressões (46) representam um sistema de equações, cuja resolução permitirá
determinar as equações que definem RAy, RB e a equação de movimento do sistema
mecânico.
124 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.4 Mecanismo manivela – biela – êmbolo
O sistema biela, manivela, êmbolo, representado na figura 7, é composto por três
corpos:
Corpo 1 -
a manivela, de massa m1 e comprimento R,
animada de movimento de rotação em
torno do ponto O fixo, com velocidade
angular θ$ constante e submetida à acção
de um momento resistente MR;
Corpo 2 -
a biela, de massa m2 e comprimento L,
articula no ponto A com a manivela e no
ponto B com o êmbolo;
Corpo 3 –
o êmbolo, de massa m3, animado de
movimento de translação rectilínea
segundo a direcção OY, e submetida à
acção da força motora FM.
Suponha conhecidas as matrizes de
inércia dos três corpos em relação a eixos
principais centrais de inércia.
O movimento do sistema inicia-se na
posição θθθθ = 0, com velocidade angular
constante srad72.1040 =θ$ (1000 rpm).
As características do sistema são
apresentadas na tabela 1.
Figura 7 –
Geometria do sistema manivela, biela, êmbolo.
X
B
Y
O
G1
A
G2
1
2
3
ϕϕϕϕ
θθθθ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 125
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Parâmetro Unidade Corpo 1 Corpo 2 Corpo 3
comprimento m 035.0ROA == 090.0LAB == /
posição do
centro de massa m 015.0aOG1 == 045.0bAG2 == /
massa kg m1 = 1.00 m2 = 0.75 m3 = 0.50
momento de inércia Kg m2 3E225.1I1 zz 11 −= 3E075.6I
2
zz 22
−= /
Tabela 1 – Características geométricas e cinemáticas do sistema manivela, biela,
êmbolo.
a) Geometria do sistema manivela – biela - êmbolo
A análise do triângulo OAB permite afirmar que ϕθ sinLcosR = . Desenvolvendo
esta expressão obtém-se
=
=
θϕ
θϕ
cos
L
Rsinarc
cos
L
Rsin
(47)
b) Velocidade e aceleração angulares dos corpos 1, 2 e 3
O corpo 1 parte do repouso com velocidade angular constante ωωωω0 rad/s e aceleração
angular nula: 010 ωθω == $
A velocidade angular do corpo 2 pode ser obtida a partir da derivação em ordem ao
tempo da equação (47),
ϕ
θθϕ
θθϕϕ
cos
ins
L
R
ins
L
Rcos
$$
$$
−=
−=
(48)
126 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A aceleração angular do corpo 2 pode ser obtida a partir da derivação em ordem ao
tempo da equação (48),
θθϕϕϕϕ cos
L
Rsincos 22 $$$$ −=−
+−= ϕϕθθ
ϕ
ϕ sincos
L
R
cos
1 22 $$$$ (49)
O corpo 3 tem movimento de translação rectilínea, pelo que as suas velocidade e
aceleração angulares são nulas.
A figura 8 mostra a variação de ϕϕϕ $$$ e, em função do ângulo de rotação θθθθ: O valor
de θ$ está também representado.
Figura 8 – Variação de ϕϕϕ $$$ e, em função do ângulo de rotação θθθθ.
Velocidade e Aceleração Angulares do Corpo 2
-50
-40
-30
-20
-10
0
10
20
30
40
50
0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 1.10 1.20 1.30
teta (rad/2*pi)
º, rad/s
-5000
-4000
-3000
-2000
-1000
0
1000
2000
3000
4000
5000
rad/s2
f (º) df/dt d2f/dt2
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 127
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
c) Trajectória do centro de massa de cada corpo
A posição do centro de massa de cada
um dos corpos que compõem o mecanismo
é definida pelos seguintes vectores:
=
0
sina
cosa
OG s1 θ
θ
,
−
+
=
0
cosb
sinb
0
sinR
cosR
OG s2 ϕ
ϕ
θ
θ
,
+=
0
cosLsinR
0
OG s3 ϕθ .
A figura 9 representa a trajectória do
centro de massa de cada corpo, dando uma
ideia do movimento do mecanismo.
Figura 9 – Trajectória do centro de massa
de cada corpo.
Trajectórias
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.04 -0.03 -0.02 -0.01 0.00 0.01 0.02 0.03 0.04
OG1 OG2 OG3 OA BM
128 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
d) Equilíbrio dinâmico do corpo 1
Torsor das forças exteriores do corpo 1
O torsor das forças exteriores ao
corpo 1 é definido por
( )1G11FE 1M;F=τ .
A figura 10 mostra o sistema de forças
exteriores que actuam sobre o corpo 1, as
quais são definidas por:
−+
+
=
0
gmRR
RR
F 1AyOy
AXOX
S
1
Os momentos exteriores que actuam
sobre o corpo 1 são definidos por
RA1O1
S
1
G MRAGROGM 1 +×+×=
isto é
( )
( )
−
+
×
−
−
+
×
−
−
=
R
AY
AX
OY
OX
S
1
G
M
0
0
0
R
R
0
sinaR
cosaR
0
R
R
0
sina
cosa
M
1
θ
θ
θ
θ
Figura 10 – Diagrama de corpo livre do corpo 1
Forças e momentos exteriores.
O resultado dos momentos exteriores é
[
( ) ( ) ] kMRsinaRRcosaR
RsinaRcosaM
RAXAY
OXOY
S
1
G1
−−−−
++−=
θθ
θθ
X
B
Y
O
G1
A
G2
1
2
3
ϕϕϕϕ
θθθθ
ROX
RAX
ROY
RAY
m1g
MR
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 129
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 1
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 1 é definido por
•
= 1G
11
QA 1K;Qτ .
A quantidade de movimento é igual a
−
===
•
0
cosa
sina
mOGmvmQ 111SG1S
1
1
θθ
θθ
$
$
.
A quantidade de aceleração da manivela, corpo 1, é igual a,
−
−
===
••
0
sina
cosa
mvmamQ 2
2
1G1G1
S
1
11
θθ
θθ
$
$
O momento cinético é igual a
[ ]
1S
1
zz
1
zz
1
yy
1
xx
10
1
G
1S
1
G
1111
11
11
11
I
0
0
0
0
I00
0I0
00I
IH
=
==
θθ
ω
$$
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 1, 1G1H , só tem componentes
segundo a direcção Z1, e atendendo a que os eixos Z e Z1 são paralelos entre si, verifica-se
que
1S
1
G
S
1
G 11 HH = .
O momento dinâmico da manivela é igual a
0
I
0
0
HK
1
zz
1
G
S
1
G
11
11
"
$$
=
==
•
θ
,
já que a aceleração angular do corpo 1 é nula.
130 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 11 – Variação da quantidade
de aceleração da manivela
durante o período
correspondente à primeira
rotação completa do corpo 1.
Verifica-se que a quantidade de
aceleração tem duas componentes
segundo as direcções OX e OY, as
quais poderiam ser decompostasnuma componente tangencial numa
componente normal à trajectória.
O equilíbrio dinâmico do corpo
1 pode ser obtido igualando o torsor
das forças exteriores ao torsor da
quantidade de aceleração, isto é,
1
QA
1
FE ττ = .
Da igualdade entre os dois torsores resulta que 1G
1
G
11
11
KMeQF ==
•
. Logo
−
−
=
−+
+
0
sina
cosa
m
0
gmRR
RR
2
2
11AyOy
AXOX
θθ
θθ
$
$
, e
( ) ( )( ) 0kMRsinaRRcosaRRsinaRcosa RAXAYOXOY
"
=−−−−++− θθθθ
obtendo-se as seguintes três equações escalares:
( ) ( ) 0MRcosaRRsinaRRcosaRsina)3
sinamgmRR)2
cosamRR)1
RAYAXOYOX
2
11AyOy
2
1AXOX
=−−+−−−
−=−+
−=+
θθθθ
θθ
θθ
$
$
Quantidade de Aceleração do Corpo 1
-0.08
-0.06
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08
OG1 OG2 OG3 OA Q*1 BM
Q*1xQ*1y
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 131
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
e) Equilíbrio dinâmico do corpo 2
Torsor das forças exteriores do corpo 2
O torsor das forças exteriores ao
corpo 2 é definido por
( )22 2 2FE GF ;Mτ =
!!" !!!!"
.
A figura 12 mostra o sistema de forças
exteriores que actuam sobre o corpo 2, as
quais são definidas por.
AX BX
2
AY BY 2
S
R R
F R R m g
0
− +
= − + −
!!"
Os momentos exteriores que actuam
sobre o corpo 2 são definidos por,
B2A2
S
2
G RBGRAGM 2 ×+×= ,
isto é
( )
( )
×
−
−−
+
−
−
×
−=
0
R
R
0
cosbL
sinbL
0
R
R
0
cosb
sinb
M
BY
BX
AY
AX
S
2
G 2
ϕ
ϕ
ϕ
ϕ
.
O resultado dos momentos exteriores é
( ) ( )
2
2
G AY AX BY BX
S
M b sin R b cos R L b sin R L b cos R kϕ ϕ ϕ ϕ= − − − − − −
!!!!" "
X
B
Y
O
G1
A
G2
1
2
3
ϕϕϕϕ
θθθθ
RBX
-RAY
RBY
-RAX
m2g
Figura 12 – Diagrama de corpo livre do
corpo 2: Forças exteriores.
132 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 2
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 2 é definido por
•
= 2G
22
QA 2K;Qτ .
A quantidade de movimento da biela é igual a
−
−
+
−
===
•
0
sinb
cosb
0
cosR
sinR
mOGmvmQ 222SG2S
2
2
ϕϕ
ϕϕ
θθ
θθ
$
$
$
$
,
e a quantidade de aceleração é igual a,
−−
+−
+
−
−
===
••
0
cosbsinb
sinbcosb
m
0
sinR
cosR
mvmamQ 2
2
2
2
2
2G2G2
S
2
22
ϕϕϕϕ
ϕϕϕϕ
θθ
θθ
$$$
$$$
$
$
.
O momento cinético do corpo 2 é igual a
[ ]
2S
2
zz
2
zz
2
yy
2
xx
20
2
G
2S
2
G
2222
22
22
22
I
0
0
0
0
I00
0I0
00I
IH
=
==
ϕϕ
ω
$$
.
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 2, 2G 2H , só tem componentes
segundo a direcção Z2, e atendendo a que os eixos Z e Z2 são paralelos entre si, verifica-se
que
2S
2
G
S
2
G 22 HH = .
O momento dinâmico é igual a
==
•
ϕ$$2 zz
2
G
S
2
G
22
22
I
0
0
HK
A figura 13 mostra a variação da quantidade de aceleração do corpo 2 durante o
período de tempo correspondente à primeira rotação completa do corpo 1.
O equilíbrio dinâmico do corpo 2 pode ser obtido igualando o torsor das forças
exteriores ao torsor da quantidade de aceleração, isto é, 2QA
2
FE ττ = .
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 133
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 13 –
Variação da quantidade de aceleração
da biela durante o período
correspondente à primeira rotação
completa do corpo 1.
Da igualdade entre os dois torsores
resulta que
2
G
2
G
22
22
KMeQF ==
•
.
Logo,
−−
+−
+
−
−
=
−+−
+−
0
cosbsinb
sinbcosb
m
0
sinR
cosR
m
0
gmRR
RR
2
2
2
2
2
22BYAY
XAX
ϕϕϕϕ
ϕϕϕϕ
θθ
θθ
$$$
$$$
$
$B
e
( ) ( )
2 2
2
AY AX BY BX z zb sin R b cos R L b sin R L b cos R k I kϕ ϕ ϕ ϕ ϕ− − − − − − =
" "
$$
obtendo-se as seguintes três equações escalares:
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( ) ϕϕϕϕϕ
ϕϕϕϕθθ
ϕϕϕϕθθ
$$
$$$$
$$$$
2
zzBXBYAXAY
2
2
2
22BYAY
2
2
2
2XAX
22
IRcosbLRsinbLRcosbRsinb)6
cosbsinbmsinRmgmRR)5
sinbcosbmcosRmRR)4
=−−−−−−
−−+−=−+−
+−+−=+− B
Quantidade de Aceleração do Corpo 2
-0.10
-0.08
-0.06
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06
OG1 OG2 OG3 OA Q*2 BM
Q*2
134 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
f) Equilíbrio dinâmico do corpo 3
Torsor das forças exteriores do corpo 3
O torsor das forças exteriores ao
corpo 3 é definido por
( )3G33FE 3M;F=τ .
A figura 14 mostra o sistema de forças
exteriores que actuam sobre o corpo 3, as
quais são definidas por,
−++−
+−
=
0
gmFFR
NR
F 3MatBY
X
S
3
B
Os momentos exteriores que actuam
sobre o corpo 3 são nulos porque todos as
forças são concorrentes no ponto B, logo,
0M3G3 = .
Torsor da quantidade de aceleração do
corpo 3
O torsor da quantidade de aceleração
do corpo 3 é definido por
•
= 3G
33
QA 3K;Qτ .
A quantidade de movimento é igual a
−===
•
0
sinLcosR
0
mOGmvmQ 333G3
S
3
3
ϕϕθθ $$ .
X
B
Y
O
G1
A
G2
1
2
3
ϕϕϕϕ
θθθθ
-RBX N
-RBY
Fat
m3g
Fm
Figura 14 – Diagrama de corpo livre
do corpo 3: Forças exteriores.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 135
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A quantidade de aceleração do êmbolo é igual a,
−−+
−===
••
0
cosLsinL
0
m
0
sinR
0
mvmamQ 23
2
3G3G3
S
3
33
ϕϕϕϕθθ $$$$ .
O momento cinético do corpo 3, definido no seu centro de massa, é nulo, já que o
corpo está animado de movimento de translação rectilínea, 0H
S
3
G3 = .
O momento dinâmico da biela é igual a 0HK 3G
S
3
G 33 ==
•
.
A figura 15 mostra a variação da quantidade de aceleração do corpo 2 durante o
período de tempo correspondente à primeira rotação completa do corpo 1. O vector
quantidade de aceleração está representado segundo a direcção OX (e não OY como
acontece na realidade) de modo a poder ser visualizado.
Figura 15 - Variação da quantidade de aceleração do êmbolo durante o período
correspondente à primeira rotação completa do corpo 1.
Quantidade de Aceleração do Corpo 3
-0.04
-0.02
0.00
0.02
0.04
0.06
0.08
0.10
0.12
0.14
-0.14 -0.12 -0.10 -0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08
OG1 OG2 OG3 OA Q*3 BM
Q*3y
136 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O equilíbrio dinâmico do corpo 3 pode ser obtido igualando o torsor das forças
exteriores ao torsor da quantidade de aceleração, isto é, 3QA
3
FE ττ = .
Da igualdade entre os dois torsores resulta que 0KMeQF 3G
3
G
33
33
===
•
.
Logo,
−−+
−=
−++−
+−
0
cosLsinL
0
m
0
sinR
0
m
0
gmFFR
NR
2
3
2
33MatBY
X
ϕϕϕϕθθ $$$$
B
,
obtendo-se as seguintes duas equações escalares:
( ) ( )ϕϕϕϕθθ cosLsinLmsinRmgmFFR)8
0NR)7
2
3
2
33MatBY
BX
$$$$ −−+−=−++−
=+−
A força de atrito entre o êmbolo e o pistão Fat, é directamente proporcional à força
normal e ao coeficiente de atrito sendo definida pela seguinte expressão:
G3y
at
G3y
v (R cos L sin )
F N N
v R cos L sin
θ θ ϕ ϕµ µ
θ θ ϕ ϕ
−= − = −
−
$ $
$ $g) Determinação da equação de movimento e das forças de ligação
Sistema de equações de equilíbrio dinâmico
O sistema de equações de equilíbrio dinâmico do mecanismo manivela, biela, êmbolo
é formado por 8 expressões (ver página seguinte). A resolução do sistema de equações
permite determinar a equação de movimento, as forças de ligação
(ROX, ROY, N) ao exterior e as forças de ligação interiores entre os vários corpos (RAX, RAY,
RBX, RBY).
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 137
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )ϕϕϕϕθθ
ϕϕθθ
ϕϕθθµ
ϕϕϕϕϕ
ϕϕϕϕθθ
ϕϕϕϕθθ
θθθθ
θθ
θθ
cosLsinLmsinRm
gmF
sinLcosR
)sinLcosR(NR)8
0NR)7
IRcosbLRsinbLRcosbRsinb)6
cosbsinbmsinRmgmRR)5
sinbcosbmcosRmRR)4
0MRcosaRRsinaRRcosaRsina)3
sinamgmRR)2
cosamRR)1
2
3
2
3
3MBY
BX
2
zzBXBYAXAY
2
2
2
22BYAY
2
2
2
2XAX
RAYAXOYOX
2
11AyOy
2
1AXOX
22
$$$$
$$
$$
$$
$$$$
$$$$
$
$
−−+−
=−+
−
−−−
=+−
=−−−−−−
−−+−=−+−
+−+−=+−
=−−+−−−
−=−+
−=+
B
O sistema de equações pode ser representado na seguinte forma:
1 0 1 0 0 0 0 0 ROX Q*1X
0 1 0 1 0 0 0 0 ROY Q*1Y + m1g
a sinθθθθ -a cosθθθθ -(R-a) sinθθθθ (R-a) cosθθθθ 0 0 0 0 RAX MR
0 0 - 1 0 1 0 0 0 x RAY = Q*2x
0 0 0 -1 0 1 0 0 RBX Q*2y + m2g
0 0 -b cosθθθθ -b sinθθθθ -(L-b) cosθθθθ -(L-b) sinθθθθ 0 0 RBY KG2
0 0 0 0 -1 0 1 0 N 0
0 0 0 0 0 -1 -µ∗µ∗µ∗µ∗ 1 FM Q*3Y + m3g
(R cos L sin )
R cos L sin
θ θ ϕ ϕµ µ
θ θ ϕ ϕ
∗ −=
−
$ $
$ $
138 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.5 Mecanismo de accionamento do limador
O mecanismo de accionamento do limador representado na figura 16, é composto por
três corpos:
Corpo 1 - a manivela, de massa
m1 e comprimento 2r, animada de
movimento de rotação em torno do
ponto O fixo, com velocidade angular
θ$ e aceleração angular θ$$ , e
submetida à acção de um momento
motor Mm;
Corpo 2 - um cursor, de massa
m2, articulado no ponto B com a
manivela, e no interior do qual pode
deslizar o corpo 3;
Corpo 3 – um braço, de massa m3
e comprimento 2%%%%, animado de
movimento de rotação em torno do
ponto A, e submetido à acção da
força resistente FR.
Suponha conhecidas as
matrizes de inércia dos três corpos
em relação a eixos principais centrais de inércia.
1
2
3
Y
X
O
A
B
G3
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ a
C
Mm
FR
3 3
OB 2r
AG G C
AB s
=
= =
=
%
Figura 16 – Geometria do sistema de
accionamento do limador.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 139
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
a) Geometria do mecanismo de accionamento do limador
A análise do triângulo OAB permite afirmar que
aoscscosr2
sinsinsr2
=+
=
ϕθ
ϕθ
. (50)
Desenvolvendo estas expressões determina-se os valores de s e ϕϕϕϕ:
−=
=
=+
=
θ
ϕ
ϕθ
ϕ
θ
ϕ
ϕ
θθ
ϕ
θ
cosr2a
sin
oscinsr2
sin
insr2s
aosc
sin
insr2cosr2
sin
insr2s
−
=
=
−=
=
θ
θϕ
ϕ
θ
θ
θϕ
ϕ
θ
cosr2a
insr2tg
sin
insr2s
insr2
cosr2agcot
sin
insr2s
isto é,
−
=
=
θ
θϕ
ϕ
θ
cosr2a
insr2arctg
sin
insr2s
(51)
b) Variação de s e ϕϕϕϕ com o tempo
As velocidades angulares dos corpos 2 e 3 são iguais, e podem ser obtidas a partir da
derivação em ordem ao tempo das expressões (50)
2r cos s sin s cos 0
2r sin s cos s sin 0
θ θ ϕ ϕ ϕ
θ θ ϕ ϕ ϕ
− − =
− + − =
$ $ $
$ $ $
; (52)
140 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
multiplicando a primeira expressão da equação (52) por cosϕϕϕϕ e a segunda por senϕ ϕ ϕ ϕ ,
2
2
2r cos cos s sin cos s cos 0
2r sin sin s sin cos s sin 0
θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
− − =
− + − =
$ $ $
$ $ $
,
e somando-as, obtém-se que
( )2r cos cos sin sin sθ θ ϕ θ ϕ ϕ− =$ $
( )ϕ θ θ ϕ θ ϕ= −$$ 2r cos cos sin sin
s
. (53)
Multiplicando, agora, a primeira expressão da equação (52) por senϕϕϕϕ e a segunda por
-cosϕϕϕϕ,
2
2
2r cos sin s sin s sin cos 0
2r sin cos s cos s sin cos 0
θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
− − =
− + =
$ $ $
$ $ $
,
e somando-as, obtém-se a velocidade relativa do corpo 3 em relação a 2 (Vr3/2)
( )2r cos sin sin cos sθ θ ϕ θ ϕ+ =$ $
( )s 2r cos sin sin cosθ θ ϕ θ ϕ= +$$ . (54)
A aceleração angular dos corpos 2 e 3 pode ser obtida a partir da derivação em
ordem ao tempo da expressão (53)
( )
( )
s s 2r cos cos sin sin
2r sin cos cos sin cos sin sin cos
ϕ ϕ θ θ ϕ θ ϕ
θ θ θ ϕ θ θ ϕ ϕ θ ϕ ϕ θ ϕ
+ = − +
− − − −
$$$ $ $$
$ $ $ $ $
( ) ( )
( )
22r 2rcos cos sin sin sin cos cos sin
s s
2r s
cos sin sin cos
s s
ϕ θ θ ϕ θ ϕ θ θ ϕ θ ϕ
θ ϕ θ ϕ θ ϕ ϕ
= − + − − +
− − −
$$ $$$
$$ $ $
(55)
A aceleração relativa do corpo 3 em relação a 2 (ar3/2) é dada por
( ) ( )
( )
θ θ ϕ θ ϕ θ θ ϕ θ ϕ
θ ϕ θ ϕ θ ϕ
= + + − + +
−
$$ $$$
$ $
2s 2r cos sin sin cos 2r sin sin cos cos
2r cos cos sin sin
(56)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 141
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
c) Equilíbrio dinâmico do corpo 1
O equilíbrio dinâmico do corpo 1 pode ser obtido igualando o torsor das forças
exteriores ao torsor da quantidade de aceleração, isto é, 1QA
1
FE ττ = .
Torsor das forças exteriores do corpo
1
O torsor das forças exteriores
ao corpo 1 é definido por
( )1O11FE M;F=τ .
A figura 17 mostra o sistema de
forças exteriores que actuam sobre o
corpo 1, as quais são definidas por:
++
+
=
0
gmRR
RR
F 1ByOy
BXOX
S
1
Os momentos exteriores que
actuam sobre o corpo 1 são definidos
por
1
O 1 1 B m
S
M OG m g OB R M= × + × +
!!!" !!!!" !!!" !!" !!!""
isto é
1
O 1
S
BX
BY
m
r sin 0
M r cos m g
0 0
2 r sin R 0
2 r cos R 0
0 0 M
θ
θ
θ
θ
= × +
× +
−
!!!"
1
2
3
Y
XO
A
B
G3
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ a
C
Mm
FR
3 3AG G C
OB 2 r
= =
=
%
ROY
ROX
m1g
RBY
RBX
Figura 17 – Diagrama de corpo livre do
corpo 1: Forças e momentos
exteriores.
142 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O resultado dos momentos exteriores é
[ ]1O 1 BX BY m
S
M r sin m g 2 r cos R 2 r sin R M kθ θ θ= − + −
!!!" "
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 1
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 1 é definido por
•
= 1O
11
QA K;Qτ .
O vector de posição do centro de massa do corpo 1 é definido por
=
0
cosr
sinr
OG 1 θ
θ
.
A quantidade de movimento é igual a
−===
•
0
sinr
cosr
mOGmvmQ 111SG1S
1
1
θθ
θθ
$
$
.
A quantidade de aceleração da manivela, corpo 1, é igual a,
( )
( )
−−
−
===
••
0
cossinr
sincosr
mvmamQ 2
2
1G1G1
S
1
11
θθθθ
θθθθ
$$$
$$$
O momento cinético é igual a
[ ]
1S
1
zz
1
zz
1
yy
1
xx
10
1
G
1S
1
G
1111
11
11
11
I
0
0
0
0
I00
0I0
00I
IH
−
=
−
==
θθ
ω
$$
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 1, 1G1H , só tem componentes
segundo a direcção Z1, e atendendo a que os eixos Z e Z1 são paralelos entre si, verifica-se
que
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 143
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
1S
1
G
S
1
G 11 HH = .
O momento dinâmico do corpo 1 no centro de massa é igual a
−
==
•
θ$$1 zz
1
G
S
1
G
11
11
I
0
0
HK .
O momentodinâmico do corpo 1 no ponto O é igual a
( )
( )
−−
−
+
−
=+=
•
0
cossinr
sincosr
mx
0
cosr
sinr
I
0
0
QxOGKK 2
2
1
1
zz
1
1
1
G
S
1
O
11
1
θθθθ
θθθθ
θ
θ
θ
$$$
$$$
$$
( )
( ) krmI
rmI
0
0
K 21
1
zz
2
1
1
zz
S
1
O 11
11
"$$
$$
θ
θ
+−=
+−
=
Da igualdade entre os dois torsores resulta que = =
!!" !!" !!!" !!"•
1 1 1 1
O OF Q e M K . Logo
( )
( )
−−
−
=
++
+
0
cossinr
sincosr
m
0
gmRR
RR
2
2
11ByOy
BXOX
θθθθ
θθθθ
$$$
$$$
[ ] ( ) krmIkMRsinr2Rcosr2gmsinr 211 zzmBYBX1 11
"$$θθθθ +−=−+−
obtendo-se as seguintes três equações escalares:
( )
( )
[ ] ( )θθθθ
θθθθ
θθθθ
$$
$$$
$$$
2
1
1
zzmBYBX1
2
11ByOy
2
1BXOX
rmIMRsinr2Rcosr2gmsinr)3
cossinrmgmRR)2
sincosrmRR)1
11
+−=−+−
−−−=++
−−=+
144 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
d) Equilíbrio dinâmico do corpo 2
O equilíbrio dinâmico do corpo
2 pode ser obtido igualando o torsor
das forças exteriores ao torsor da
quantidade de aceleração, isto é,
2
QA
2
FE ττ = .
Torsor das forças exteriores do corpo
2
O torsor das forças exteriores
ao corpo 2 é definido por
( )2G22FE 2M;F=τ .
A figura 18 mostra o sistema de
forças e momentos exteriores que
actuam sobre o corpo 2, as quais são
definidas por.
BX at
2
BY at 2
S
R N cos F sin
F R N sin F cos m g
0
ϕ ϕ
ϕ ϕ
− + −
= − + + +
!!"
A força de atrito não é independente, dependendo da força normal, do coeficiente
de atrito e da velocidade relativa entre os corpos 2 e 3:
s
sNF
v
v
NF atrito
B
B
atrito
2
3
2
3
$
$
µµ −=⇔−=
Os momentos exteriores que actuam sobre o corpo 2 são definidos por,
kMM 32
S
2
G 2
"
−= ,
Figura 18 – Diagrama de corpo livre do
corpo 2: Forças e momentos
exteriores.
1
2
3
Y
X O
A
B
G3
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ a
C
Mm
3 3AG G C
OB 2r
= =
=
%
N
Fatrito
m2g
-RBY
-RBX
M32
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 145
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 2
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 2 é definido por
•
= 2B
22
QA K;Qτ .
O vector de posição do centro de massa do corpo 2 é definido por
=
0
cosr2
sinr2
OG 2 θ
θ
.
A quantidade de movimento é igual a
−===
•
0
sinr2
cosr2
mOGmvmQ 222SG2S
2
2
θθ
θθ
$
$
.
A quantidade de aceleração da manivela, corpo 2, é igual a,
( )
( )
−−
−
===
••
0
cossinr2
sincosr2
mvmamQ 2
2
2G2G2
S
2
22
θθθθ
θθθθ
$$$
$$$
O momento cinético é igual a
2 2
1 2 2 2
2
2 22 2
2
x x
2 2 2
G G 20 y y
S 22
z zz z S2
I 0 0 0 0
H I 0 I 0 0 0
I0 0 I
ω
ϕ ϕ
= = =
!!!" !!!!"
$ $
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 2, 2G 2H , só tem componentes
segundo a direcção Z2, e atendendo a que os eixos Z e Z2 são paralelos entre si, verifica-se
que
2S
2
G
S
2
G 22 HH = .
O momento dinâmico do corpo 2 no centro de massa é igual a
==
•
ϕ$$2 zz
2
G
S
2
G
22
22
I
0
0
HK .
146 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Da igualdade entre os dois torsores resulta que
2
G
2
G
22
22
KMeQF ==
•
.
Logo,
( )
( )
−−
−
=
+++−
−+−
0
cossinr2
sincosr2
m
0
gmcosFsinNR
sinFcosNR
2
2
22atBY
atBX
θθθθ
θθθθ
ϕϕ
ϕϕ
$$$
$$$
kIkM 2 zz32 22
"
$$
"
ϕ=−
obtendo-se as seguintes três equações escalares:
( )
( )
θ
θθθθϕϕ
θθθθϕϕ
$$
$$$
$$$
2
zz32
2
12atBY
2
1atBX
22
IM)6
cossinr2mgmcosFsinNR)5
sincosr2msinFcosNR)4
=−
−−−=+++−
−−=−+−
e) Equilíbrio dinâmico do corpo 3
O equilíbrio dinâmico do corpo 3 pode ser obtido igualando o torsor das forças
exteriores ao torsor da quantidade de aceleração, isto é, 3QA
3
FE ττ = .
Torsor das forças exteriores do corpo 3
O torsor das forças exteriores ao corpo 3 é definido por ( )3 3 3FE AF ;Mτ = !!" !!!" .
A figura 19 mostra o sistema de forças exteriores que actuam sobre o corpo 3, as
quais são definidas por,
+−−
−+−
=
0
gmcosFsinNR
FsinFcosNR
F 3atAY
RatAX
S
3 ϕϕ
ϕϕ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 147
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 19 – Diagrama de corpo livre do corpo 3: Forças e momentos exteriores.
Os momentos exteriores que actuam sobre o corpo 3 são definidos por
( )= × + × − + × +
!!!" !!!!" !!!" !" !!!" !!" !!!""3
3 3 23A R
S
M AG m g AB N AC F M
isto é
3
A 3
S
R
23
sin 0 s sin N cos
M cos m g s cos N sin
0 0 0 0
2 sin F 0
2 cos 0 0
0 0 M
ϕ ϕ ϕ
ϕ ϕ ϕ
ϕ
ϕ
−
= − × + − × − +
−
− × +
%!!!"
%
%
%
1
2
3
Y
XO
A
B
G3
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ a
C
Mm
3 3AG G C
OB 2 r
= =
=
%
-N
-Fatrito
m3g
RAY
RAX
M23
FR
148 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O resultado dos momentos exteriores é
[ ] kMFcos2NsgmsinM 23R3
S
3
A +−−= ϕϕ %%
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 3
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 3 é definido por 3 3 3QA AQ ;Kτ
•
=
!!!" !!!"
.
O vector de posição do centro de massa do corpo 3 é definido por
−=
0
cos
sin
AG 3 ϕ
ϕ
%
%
.
A quantidade de movimento é igual a
===
•
0
sin
cos
mAGmvmQ 333SG3S
3
3
ϕϕ
ϕϕ
$%
$%
.
A quantidade de aceleração da manivela, corpo 3, é igual a,
( )
( )
+
−
===
••
0
cossin
sincos
mvmamQ 2
2
3G3G3
S
3
33
ϕϕϕϕ
ϕϕϕϕ
$$$%
$$$%
O momento cinético no centro de massa é igual a
[ ]
3S
3
zz
3
zz
3
yy
3
xx
30
3
G
3S
3
G
3333
33
33
33
I
0
0
0
0
I00
0I0
00I
IH
=
==
ϕϕ
ω
$$
Atendendo a que o vector momento cinético do corpo 3, 3G 3H , só tem componentes
segundo a direcção Z3, e atendendo a que os eixos Z e Z3 são paralelos entre si, verifica-se
que
3S
3
G
S
3
G 33 HH = .
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 149
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O momento dinâmico do corpo 3 no centro de massa é igual a
==
•
ϕ$$3 zz
3
G
S
3
G
33
33
I
0
0
HK .
O momento dinâmico do corpo 3 no ponto A é igual a
( )
( )
ϕ ϕ ϕ ϕϕ
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ
− = + = + − +
$$ $%%!!" !!!" !!!"!!!!"
$$ $% %
$$
3
3 3
2
•
3 3 3 2
A G 3 3
S
3
z z
cos sin0 sin
K K AG x Q 0 cos xm sin cos
I 0 0
( )
( )ϕ
ϕ
= = +
+
!!" "
$$%
$$%
3 3
3 3
3 3 2
A z z 3
S
3 2
z z 3
0
K 0 I m k
I m
Da igualdade entre os dois torsores resulta que 3 3 3 3A AF Q e M K
•
= =
!!" !!!" !!!" !!!"
.
Logo,
( )
( )
+
−
=
+−−
−+−
0
cossin
sincos
m
0
gmcosFsinNR
FsinFcosNR
2
2
33atAY
RatAX
ϕϕϕϕ
ϕϕϕϕ
ϕϕ
ϕϕ
$$$%
$$$%
[ ] ( ) kmIkMFcos2Nsgmsin 233 zz23R3 33
"
$$%%% ϕϕϕ +=+−−
obtendo-se as seguintes três equações escalares:
( )
( )
[ ] ( )ϕϕϕ
ϕϕϕϕϕϕ
ϕϕϕϕϕϕ
$$%%%
$$$%
$$$%
2
3
3
zz23R3
2
33atAY
2
3RatAX
mIMFcos2Nsgmsin)9
cossinmgmcosFsinNR)8
sincosmFsinFcosNR)7
33
+=+−−
+=+−−
−=−+−
150 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas VectoriaisDisciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
f) Equação de movimento e forças e momentos de ligação
O sistema de equações de equilíbrio dinâmico do mecanismo inferior do limador é
formado por 9 expressões. A resolução do sistema de equações permite determinar a
equação de movimento, as forças de ligação (ROX, ROY, RAX, RAY) ao exterior e as forças e
momentos de ligação interiores entre os vários corpos (RBX, RBY, N, M23) e também
determinar a força de atrito.
( )
( )
[ ] ( )
( )
( )
1 1
2
OX BX 1
2
Oy By 1 1
1 2
1 BX BY m z z 1
2
BX at 1
2
BY at 2 1
1) R R m r cos sin
2) R R m g m r sin cos
3) r sin m g 2r cos R 2r sin R M I m r
4) R N cos F sin m 2r cos sin
5) R N sin F cos m g m 2r sin cos
6
θ θ θ θ
θ θ θ θ
θ θ θ θ
ϕ ϕ θ θ θ θ
ϕ ϕ θ θ θ θ
+ = − −
+ + = − − −
− + − = − +
− + − = − −
− + + + = − − −
$$ $
$$ $
$$
$$ $
$$ $
( )
( )
[ ] ( )
2 2
3 3
2
32 z z
2
AX at R 3
2
AY at 3 3
3 2
3 R 23 z z 3
) M I
7) R N cos F sin F m cos sin
8) R N sin F cos m g m sin cos
9) sin m g s N 2 cos F M I m
ϕ
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ
ϕ ϕ ϕ
− =
− + − = −
− − + = +
− − + = +
$$
$$ $%
$$ $%
$$% % %
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 151
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
7 MECANISMO ESPACIAL
O mecanismo tridimensional representado na figura 20 é constituído por:
Corpo 1 - um prato de massa m1 e raio R, roda em torno do eixo vertical Z0 com
velocidade angular θ$ e aceleração angular θ$$ , submetida à acção do momento
motor M1;
Corpo 2 - um braço em forma de T, de massa m2, que roda em torno do eixo horizontal
Y1 com velocidade angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ , submetido à acção do
momento motor M2.
O
C
D
d
R
d
G2 X1
Y1 ≡≡≡≡ Y2
X2
Z0 ≡≡≡≡ Z1
a
a
b A
B
θθθ $$$,,
ϕϕϕ $$$ ,,
%=2OG
O
G1
M2
1
2
M1
X1
Z2
Figura 20 –
Mecanismo espacial.
152 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O corpo 1 está ligado ao exterior através dos apoios A e B; o apoio A não absorve
esforços axiais. O corpo 2 está ligado ao corpo 1 através dos apoios C e D; o apoio C não
absorve esforços axiais.
Considere todas as ligações perfeitas, e suponha conhecidas as matrizes de inércia
dos dois corpos em relação a eixos principais centrais de inércia.
a) Equilíbrio dinâmico do corpo 1
O equilíbrio dinâmico do corpo 1 pode ser obtido igualando o torsor das forças
exteriores ao torsor da quantidade de aceleração, isto é, 1QA
1
FE ττ = .
Torsor das forças exteriores do corpo 1
O torsor das forças exteriores ao corpo 1 é definido por ( )1 1 1FE BF ; Mτ = !!" !!!" .
A figura 21 mostra o sistema de forças exteriores que actuam sobre o corpo 1, as
quais são definidas por:
−++
++
+++
=
gmRRR
RRR
RRRR
F
1DZCZBZ
DYBYAY
DXCXBXAX
S
1
1
Os momentos das forças exteriores que actuam sobre o corpo 1, em relação ao ponto B,
são definidos por
+
−
×
+
+
×
+
−+
×
+
+
×
=
+×+×+×+×=
11
Dz
DY
DX
Cz
CX
AY
AX
S
1
B
111DCA
S
1
B
M
0
0
gm
0
0
ab
0
0
R
R
R
a2b
d
0
R
0
R
a2b
d
0
0
R
R
b
0
0
M
MgmBGRBDRBCRBAM
1
1
"
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 153
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O resultado dos momentos exteriores é
( ) ( )
( ) ( )
( )
=
+−−
++++
+−−+−
=
1
BZ
1
BY
1
BX
1DXCX
DXCXAX
DYDZCZAY
S
1
B
M
M
M
MRRd
Ra2bRa2bRb
Ra2bRRdRb
M
1
Figura 21 – Diagrama de corpo livre do corpo 1: Forças exteriores e de ligação, e
momentos exteriores.
O
C
D
d
R
d
X1
Y1 ≡≡≡≡ Y2
Z0 ≡≡≡≡ Z1
a
b A B
O
G1
1
M1
X1RAX
RBX
RBZ
RAY
RBY
m1 g
RCX
RDX
RCZ
RDZ
RDY
Y1
Z1
, ,θ θ θ$ $$
Y1
A
O
Z0≡≡≡≡Z1
X1
M1
RDX
B
D
C
RDY
RDZ
RCZ
RAX
RBZ
RBX
RCX
RAY
RBY
G1 m1g
=
=
=
=
=
= %
OG a
G A a
AB b
OC d
OD d
OG
1
1
2
154 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 1
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 1 é definido por
•
= 1B
11
QA K;Qτ .
O vector de posição do centro de massa do corpo 1 é definido por
−
=
a
0
0
OG
1S
1 .
A quantidade de movimento é igual a
0OGxs
OGmOGmvmQ 110
1
1111SG1S
1
1
1
1
"
=
+===
•
•
ω .
A quantidade de aceleração da manivela, corpo 1, é igual a,
0Q
1S
1 "=
•
O momento cinético é igual a
[ ]
1S
1
zz
1
zz
1
yy
1
xx
10
1
G
1S
1
G
1111
11
11
11
I
0
0
0
0
I00
0I0
00I
IH
=
==
θθ
ω
$$
O momento dinâmico do corpo 1 no centro de massa é igual a
=+
==
•
θ
ω
θ $$$$ 1 zz
1
G10
1
zz
1
G
S
1
G
11
1
11
1
1
1
I
0
0
Hx
I
0
0
HK .
O momento dinâmico do corpo 1 no ponto O é igual a
( )
0x
ba
0
0
I
0
0
QxBGKK
1
zz
1
1
1
G
S
1
B
11
1
"
$$
+−
+
=+=
•
θ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 155
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
kI
I
0
0
K 1 zz
1
zz
S
1
B 11
11
"$$
$$
θ
θ
=
=
Da igualdade entre os dois torsores resulta que 1B
1
B
11 KMeQF ==
•
. Logo
=
−++
++
+++
0
0
0
gmRRR
RRR
RRRR
1DZCZBZ
DYBYAY
DXCXBXAX
( ) ( )
( ) ( )
( )
=
=
+−−
++++
+−−+−
θ$$1 zz
1
BZ
1
BY
1
BX
1DXCX
DXCXAX
DYDZCZAY
11
I
0
0
M
M
M
MRRd
Ra2bRa2bRb
Ra2bRRdRb
obtendo-se as seguintes seis equações escalares:
( ) ( )
( ) ( )
( ) θ$$1 zz1DXCX
DXCXAX
DYDZCZAY
1DZCZBZ
DYBYAY
DXCXBXAX
11
IMRRd)6
0Ra2bRa2bRb)5
0Ra2bRRdRb)4
0gmRRR)3
0RRR)2
0RRRR)1
=+−−
=++++
=+−−+−
=−++
=++
=+++
156 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
b) Equilíbrio dinâmico do corpo 2
O equilíbrio dinâmico do corpo 2 pode ser obtido igualando o torsor das forças
exteriores ao torsor da quantidade de aceleração, isto é, 2QA
2
FE ττ = .
Torsor das forças exteriores do corpo 2
O torsor das forças exteriores ao corpo 2 é definido por ( )2D22FE M;F=τ . A figura
22 mostra o sistema de forças e momentos exteriores que actuam sobre o corpo 2, as quais
são definidas por.
−−−
−
−−
=
gmRR
R
RR
F
2DZCZ
DY
DXCX
S
2
1
Os momentos das forças exteriores que actuam sobre o corpo 2, em relação ao ponto D,
são definidos por
( )
−
−−
=
−+
−
×
+
−
−
×
=
+×+−×=
CX
22
2CZ
S
2
D
2
2CZ
CX
S
2
D
222c
S
2
D
Rd2
Mgmcos
gmdRd2
M
0
M
0
gm
0
0
sin
d
cos
R
0
R
0
d2
0
M
MgmDGRDCM
1
1
1
ϕ
ϕ
ϕ
%
%
%
"
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 157
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Torsor da quantidade de aceleração do corpo 2
O torsor da quantidade de aceleração do corpo 2 é definidopor
•
= 2D
22
QA K;Qτ .
Figura 22 – Diagrama de corpo livre do corpo 2: Forças exteriores e de ligação, e momentos
exteriores.
O
X2
Z0 ≡≡≡≡ Z1
A
B
ϕϕϕ $$$ ,,
G1
M2
2
X1
Z2
C
D
d
R
d
X1
Y1 ≡≡≡≡ Y2
O
-RCX
-RDX
-RCZ
-RDZ
-RDY
Z1
G2
%=2OG
-m2g
=
=
=
=
=
= %
OG a
G A a
AB b
OC d
OD d
OG
1
1
2
Y1
A
O
Z0 ≡≡≡≡ Z1
X1
M2
-RDX
B
D
C
-RDY
-RDZ
-RCZ
-RCX
ϕ ϕ ϕ$ $$, ,
G1
m2g
G2
158 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O vector de posição do centro de massa do corpo 2 é definido por
=
ϕ
ϕ
sin
0
cos
OG
1S
2
%
%
.
A velocidade do ponto O é nula, porque o ponto é fixo (O ∈∈∈∈ Z0). Logo, a quantidade
de movimento é igual a
−
=
+
−
=
+===
•
•
ϕϕ
ϕθ
ϕϕ
ϕ
ϕ
θϕϕ
ϕϕ
ω
cos
cos
sin
m
sin
0
cos
x0
0
cos
0
sin
m
OGxs
OGmOGmvmQ
22
210
1
2222SG2S
2
1
2
1
$%
$%
$%
%
%
$$%
$%
A quantidade de aceleração do corpo 2, é igual a,
( )
( )
( )
( )
( )
( )
−
−
−+−
=
=
−
−
+
−
−
+−
=
−
+
−
−
+−
=
+===
•
•
••
ϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕθϕϕϕϕ
ϕϕθ
ϕθ
ϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕϕϕϕ
ϕϕ
ϕθ
ϕϕ
θϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕϕϕϕ
ω
sincos
sin2cos
coscossin
mQ
0
sin
cos
sincos
sincos
cossin
m
cos
cos
sin
x0
0
sincos
sincos
cossin
m
vxs
v
mvmamQ
2
22
2
S
2
2
2
2
2
2
2
2
G10
1
G
2G2SG2
S
2
1
2
2
2
1
2
1
$$$%
$$%$$%
$%$$$%
$$%
$%
$$$%
$$%$$%
$$$%
$%
$%
$%
$$$$%
$$%$$%
$$$%
O momento cinético no centro de massa do corpo 2 é igual a
2 2 2 2
2 2 2 2 2 2
2
2 2 2 2
2 2
x x x x
2 2 2 2
G G 20 y y y y
S
2 2
z z z z
S2
I 0 0 I sinsin
H I 0 I 0 I
cos0 0 I I cos
θ ϕθ ϕ
ω ϕ ϕ
θ ϕ θ ϕ
= = − = −
$$!!!!" !!!!"
$ $
$ $
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 159
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O momento cinético do corpo 2 está expresso em coordenadas do sistema de eixos
S2, sendo necessário exprimi-lo em coordenadas do sistema de eixos S1 como todos os
restantes vectores.,Assim,
( )
+
−
−
=
=
−
−
=
=
ϕθϕθ
ϕ
ϕϕθ
ϕθ
ϕ
ϕθ
ϕϕ
ϕϕ
22
z
22
x
2
y
2
z
2
x
S
2
G
2
zz
2
yy
2
xx
S
2
G12S
2
G
cosIsinI
I
cossinII
H
cosI
I
sinI
.
cos0sin
010
sin0cos
HTH
22
2
22
1
2
22
22
22
2
2
1
2
$$
$
$
$
$
$
.
O momento dinâmico do corpo 2 no centro de massa é igual a
( ) ( ) ( )
( )
−
−
+
−++
−
−−−+−
=
+==
•
•
0
cossinII
I
cossinI2cosIcossinI2sinI
I
sinIIcosIIcossinII
Hxs
H
HK
22
z
2
x
2
y
2
z
22
z
2
x
22
x
2
y
22
z
2
x
22
z
2
x
2
z
2
x
2
G10
1
2
G2
G
S
2
G
22
2
2222
2
222222
2
2
2
1
2
ϕϕθ
ϕθ
ϕϕϕθϕθϕϕϕθϕθ
ϕ
ϕϕθϕϕθϕϕθ
ω
$
$$
$$$$$$$$
$$
$$$$$$
.
Isto é
( ) ( ) ( )
( )
=
−++
−+−
−−−−+−
=
2
G
2
G
2
G
S
2
G
2
z
22
z
2
x
22
x
22
z
2
x
2
y
2
y
22
z
2
x
22
z
2
x
2
z
2
x
S
2
G
Z2
Y2
X2
1
2
2222
222
2222222
1
2
K
K
K
K
cossinI2cosIcossinI2sinI
cossinIII
IsinIIcosIIcossinII
K
ϕϕϕθϕθϕϕϕθϕθ
ϕϕθϕ
ϕθϕϕθϕϕθϕϕθ
$$$$$$$$
$$$
$$$$$$$$
160 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O momento dinâmico do corpo 2 no ponto D é igual a
( )
( )
−
−
−+−
+
=+=
•
ϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕθϕϕϕϕ
ϕ
ϕ
sincos
sin2cos
coscossin
mx
sin
d
cos
K
K
K
QxDGKK
2
22
2
2
G
2
G
2
G
2
2
2
G
S
2
D
Z2
Y2
X2
2
1 $$$%
$$%$$%
$%$$$%
%
%
=
2
D
2
D
2
D
S
2
D
Z
Y
X
1 K
K
K
K
Da igualdade entre os dois torsores resulta que 2D
2
D
22 KMeQF ==
•
.
Logo,
( )
( )
−
−
−+−
=
−−−
−
−−
ϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕθϕϕϕϕ
sincos
sin2cos
coscossin
m
gmRR
R
RR
2
22
2
2DZCZ
DY
DXCX
$$$%
$$%$$%
$%$$$%
=
−
−−
2
D
2
D
2
D
CX
22
2CZ
Z
Y
X
K
K
K
Rd2
Mgmcos
gmdRd2
ϕ%
obtendo-se as seguintes seis equações escalares:
( )[ ]
( )
( )
2
DCX
2
D22
2
D2CZ
2
22DZCZ
2DY
22
2DXCX
Z
Y
X
KRd2)12
KMgmcos)11
KgmdRd2)10
sincosmgmRR)9
sin2cosmR)8
coscossinmRR)7
=
=−
=−−
−=−−−
−=−
−+−=−−
ϕ
ϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕθϕϕϕϕ
%
$$$%
$$%$$%
$%$$$%
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 161
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
c) Equações de movimento e forças e de ligação
O sistema de equações de equilíbrio dinâmico do mecanismo espacial é formado por
12 expressões. A resolução do sistema de equações permite determinar as equações de
movimento dos sólidos 1 e 2, as forças de ligação ao exterior (RAX, RAY, RBX, RBY, RBZ) e as
forças de ligação interiores entre os corpos 1 e 2 (RCX, RCZ, RDX, RDY, RDZ).
( ) ( )
( ) ( )
( )
( )[ ]
( )
( )
2
DCX
2
D22
2
D2CZ
2
22DZCZ
2DY
22
2DXCX
1
zz1DXCX
DXCXAX
DYDZCZAY
1DZCZBZ
DYBYAY
DXCXBXAX
Z
Y
X
11
KRd2)12
KMgmcos)11
KgmdRd2)10
sincosmgmRR)9
sin2cosmR)8
coscossinmRR)7
IMRRd)6
0Ra2bRa2bRb)5
0Ra2bRRdRb)4
0gmRRR)3
0RRR)2
0RRRR)1
=
=−
=−−
−=−−−
−=−
−+−=−−
=+−−
=++++
=+−−+−
=−++
=++
=+++
ϕ
ϕϕϕϕ
ϕϕθϕθ
ϕθϕϕϕϕ
θ
%
$$$%
$$%$$%
$%$$$%
$$
162 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 163
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
8 PROBLEMAS PROPOSTOS
Problema TVD1
O mecanismo representado na figura
é constituído por:
Corpo 1, um disco de massa m1 e de raio R,
que roda em torno do ponto O fixo, com
velocidade angular θ$ e aceleração angular
θ$$ , accionado pelo momento motor Mm, e
estando articulado com uma barra no ponto
A;
Corpo 2, uma barra de massa e inércia
desprezáveis, de comprimento L, articulada
com um cursor no ponto B;
Corpo 3, um cursor de massa m3, que desliza
ao longo de uma guia vertical, e está ligado
ao exterior por uma mola de rigidez k.
No instante inicial, o ponto A está na
posição mais baixa (� = 0) e a deformação da
mola é nula.
Suponha conhecida a matriz de inércia do corpo 1 em relação a eixos principais
centrais de inércia, e que todas as ligações são perfeitas.
Aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica, determine:
a) As forças de ligação entre o disco e a barra;
b) As reacções no ponto O;
c) As forças de ligação entre o cursor e a guia vertical;
d) A equação diferencial de movimento do mecanismo;
e) O momento motor necessário para garantir a velocidade angular constante do disco.
LAB
rOA
=
=
k
Y
X
1
2
3 B
A
r
O
θ
ϕ
Mm
164 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD2
O mecanismo representado na figura é constituído por:
Corpo 1 – Um braço de massa m1, que roda em torno do ponto O fixo com velocidade
angular θ$ constante, accionado pelo momento motor Mm;
Corpo 2 – Um outro braçode massa m2, articulado no ponto A com o corpo 1 e que
desliza no interior do corpo 3, estando submetido à acção de uma mola de
rigidez k; considere que para � = 0 a deformação inicial da mola é nula;
Corpo 3 – Uma guia de massa m3, ligada ao exterior no ponto B por uma articulação fixa:
Suponha conhecidas as matrizes de inércia dos três corpos em relação a eixos
principais centrais de inércia.
Considere a existência de atrito entre os corpos 2 e 3, sendo � o correspondente
coeficiente de atrito. As restantes ligações são perfeitas.
Aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica, determine:
a) As forças de ligação ao exterior e entre os vários corpos;
b) A equação de movimento do sistema.
ϕ
C K
X
3
a
b
2
m M
1
θ
A
R
Y
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 165
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD3
.bEB;ROE;2GBAG 22 ====
%
O mecanismo representado na figura é constituído por:
Corpo 1 – Um braço de suporte, com massa e inércia desprezáveis, que roda em torno do
eixo X1 com velocidade angular θ$ e aceleração angular θ$$ , accionado pelo
momento motor M1;
Corpo 2 – Um prisma quadrangular de massa m2 e comprimento �, que pode rodar em
relação ao corpo 1 com velocidade angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ ,
accionado pelo momento motor M2;
Suponha conhecida a matriz de inércia do corpo 2 em relação a eixos principais
centrais de inércia.
Todas as ligações são perfeitas e os apoios B e D não absorvem esforços axiais.
Aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica, determine:
a) As forças de ligação nos apoios A e B;
b) O torsor das forças de ligação ao exterior no ponto O.
z0 O
y0
z1’≡ z2
y1≡y1’
B
ϕ
θ
M2 A
C
D
z0
y0
z1
O
θ
θ
E
B
G2
A
b
x1
R
G2
ϕ
y1
y2
x1
x2
y1
y2 M2
M1
x1≡ x0
166 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD4
O mecanismo representado na figura é constituído por:
Corpo 1 – Um braço de massa m1, que roda em torno do ponto eixo Z com velocidade
angular θ$ e aceleração angular θ$$ , accionado pelo momento motor M1;
Corpo 2 – Um cursor e um veio, de massa e inércia desprezáveis, que transladam
relativamente ao corpo 1, e estão submetidos à acção de uma mola de rigidez
k;
Corpo 3 – Um disco de massa m3, que roda relativamente ao corpo 2 com velocidade
angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ , accionado pelo momento motor M2;
A mola não apresenta deformação quando r(t) = a.
Suponha conhecidas as matrizes de inércia dos corpos 1 e 3 em relação a eixos
principais centrais de inércia. Todas as ligações são perfeitas.
Aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica, determine:
a) O torsor das forças de ligação do sistema ao exterior no ponto O;
b) O torsor das forças de ligação do corpo 3 ao corpo 2 no ponto G2.
z1
x1
y1
O
r(t)
a
G1
G2
G3
b
x1
M1, θ(t)
M2,ϕ(t)
1 3 2
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 167
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD5
( )1 3OG OA X t AG 2= = = %%
O mecanismo representado na figura é constituído por:
Corpo 1 - Um braço de massa m1, que roda em torno do eixo vertical Z0 ≡≡≡≡ Z1 com
velocidade angular constante θ$ , sob a acção do momento motor M1;
Corpo 2 - Um garfo de massa desprezável, que translada relativamente ao corpo 1 segundo
a direcção X1;
Corpo 3 - Um braço em forma de T, de massa m3, que roda em torno do eixo Y2 com
velocidade angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ , sob a acção do momento motor
M2.
Suponha conhecidas as matrizes de inércia dos corpos 1 e 3, em relação a eixos
principais centrais de inércia. Considere todas as ligações perfeitas.
Aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica, determine em S1:
a) Torsor das Quantidades de Aceleração do corpo 3 no ponto A;
b) Torsor das forças e momentos de ligação entre os corpos 2 e 3 no ponto A;
c) Torsor das Quantidades de Aceleração do mecanismo no ponto O;
d) Torsor das forças e momentos de ligação do sistema ao exterior, no ponto O.
1 2
3
G1 G2 G3
ZO
O A
Z2
X1 ≡≡≡≡ X2
Z3
Z1
X3
X(t)
K
M3
M1
XO
G1 G2
A K G3
X1
Y1 Y2 Y3
M1
O
θ(θ(θ(θ(t))))
ϕ(ϕ(ϕ(ϕ(t))))
θ(θ(θ(θ(t))))
168 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD6
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um prato de massa m1, que roda em torno do eixo vertical Z0 (braço OC fixo),
com velocidade angular θ$ e aceleração angular θ$$ , accionados pelo Momento
Motor M conhecido;
Corpo 2: um cursor de massa m2, que roda e translada ao longo do braço fixo OC, estando
ligado ao ponto C por uma mola de rigidez K;
Corpo 3: um braço de massa m3, articulado em A com o corpo 2 e sendo o ponto B
obrigado a transladar segundo a direcção OY1, e que roda em torno do eixo X1
com velocidade angular ϕ$ e aceleração angular ϕ$$ .
Suponha que todas as ligações são perfeitas. Quando ϕϕϕϕ = 0, a deformação da mola é nula.
Considere a massa e a inércia dos três corpos, admitindo conhecidas as suas matrizes de
inércia em relação a eixos principais centrais de inércia ( )III 3Z3y 33 == .
a) Determine o torsor das quantidades de aceleração de cada corpo no respectivo centro
de massa;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine o torsor das forças de ligação dos
corpos 2 e 3 ao corpo 1, usando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica;
c) Represente o Diagrama de Corpo Livre do corpo 3 e determine a lei de variação do
parâmetro � em ordem ao tempo, usando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica.
1
2
3
O
A
B
G3
X1
Y1
Z0 ≡ Z1
ϕ M
θ
k a2AB
aAG
GA
GO
3
2
1
=
=
≡
≡
C
Z2
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 169
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD7
O sistema mecânico
representado na figura é
constituído por:
Corpo 1: um braço de secção
recta quadrada e de massa m1, que
roda em torno do eixo vertical z0
com velocidade angular θ$ e
aceleração angular θ$$ ��accionado
pelo Momento Motor M1 conhecido;
Corpo 2: Um cursor de massa m2,
que translada ao longo do braço do corpo 1 com velocidade linear s$ e
aceleração linear s$$ , e está ligado ao ponto A por uma mola de rigidez K;
Corpo 3: um disco de massa m3 que roda em torno do eixo x3 com velocidade angular ϕ$
e aceleração angular ϕ$$ , accionado pelo momento Motor M3 conhecido;
Suponha que todas as ligações são perfeitas, e que o apoio C não absorve esforços
axiais. O comprimento não deformado da mola é a0 ====% .
Considere a massa e a inércia dos três corpos, admitindo conhecidas as matrizes de
inércia de cada corpo em relação a eixos principais centrais de inércia. Exprima todos os
vectores no sistema S
2 (G2x2y2z2).
a) Determine os torsores das Quantidades de Aceleração dos corpos 2 e 3 nos respectivos
centros de massa;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine o torsor das Forças de Ligação do
corpo 2 ao corpo 3 nos pontos B e C, usando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica;
c) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine o torsor das Forças de Ligação do
corpo 2 ao corpo 1 no ponto G2, usando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica.
O
M1
x1
x2
x3
z2
G3
G2
B
C
M3
10 zz ≡
θθθ $$$,, ϕϕϕ $$$,,
2
A
1
3
α=constante
s,s,s $$$
aOG1 = sOG2 = a2OA =
bGG 32 = cBG3 = cCG3 =
170 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD8
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um braço em forma de “T” de massa m1, que roda em torno do eixo horizontal
X0 com velocidadeangular constante θ$ , accionado pelo Momento Motor M1;
Corpo 2: um disco de massa m2, que roda em torno do eixo Y1 com velocidade angular ϕ$
e aceleração angular ϕ$$ , accionado pelo Momento Motor M2, e translada
segundo o mesmo eixo com velocidade e aceleração variáveis definidas pelo
parâmetro r(t).
A mola de rigidez K, não apresenta qualquer deformação quando r(t) = a. Suponha que
todas as ligações são perfeitas, e que o apoio B não absorve esforços axiais.
Considere a massa e a inércia dos dois corpos, admitindo conhecidas as matrizes de inércia
de ambos os corpos em relação a sistemas de eixos principais centrais de inércia.
Usando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica:
a) Determine o torsor da quantidade de aceleração de cada corpo no respectivo centro de
massa;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine o torsor das forças de ligação do
corpo 2 ao corpo 1, no ponto G2, e a aceleração de G2 relativamente a 1, )t(r$$ ;
c) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as reacções nos apoios A e B e o
momento motor M1.
xo,x1
zo
z1
yo
y1,y2
z2
x2
M1
M2
A
B
C
G1
G2
ϕ θ
1
2
)t(rCG
aCG
LAB
2
1
=
=
=
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 171
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD9
O sistema mecânico representado na
figura é constituído por:
Corpo 1: um cilindro de massa m1, que
roda em torno do eixo vertical Y0 ≡≡≡≡ Y1
com velocidade angular constante θ$ ,
accionado pelo Momento Motor M1
conhecido;
Corpo 2: um cilindro hidráulico de
massa m2, que roda em torno do eixo
Z2 (paralelo a Z1) com velocidade
angular constante ϕ$ , accionado pelo
Momento Motor M2 conhecido;
Corpo 3: um outro braço de massa m3,
que translada em relação ao corpo 2
segundo a direcção X2 com velocidade
constante s$ , accionado pela Força
Hidráulica F3 conhecida.
Considere a massa e a inércia de todos os corpos, admitindo conhecidas as suas
matrizes de inércia em relação a sistemas de eixos principais centrais de inércia.
Suponha que todas as ligações são perfeitas. Usando os Teoremas Vectoriais da
Dinâmica e representando todos os vectores no sistema S2 ≡≡≡≡ A, X2, Y2, Z2 :
a) Determine o torsor da quantidade de aceleração de cada corpo no respectivo centro de
massa;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine o torsor das forças de ligação do
corpo 2 ao corpo 1 no ponto A.
Z0
h
Z1
X1
X0
Z2
Y2
Y0≡Y1
h/2
M2
M1
G1
A
G3
G2
F3
θθθθ
ϕ
X2≡X3
B
O
%=
=
=
2
32
3
AG
sGG
tBG
172 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD10
O sistema mecânico representado
na figura é constituído por:
Corpo 1: um braço de massa m1,
que roda em torno do eixo
vertical Z0 com velocidade
angular constante θ$ , accionado
pelo Momento Motor M1
conhecido; Considere que o
Centro de Massa G1 coincide com
o ponto A;
Corpo 2: um disco de massa m2 e de raio R, que roda livremente em torno do eixo Y2,
com velocidade e aceleração variáveis definidas pelo parâmetro ( )tφ ;
Corpo 3: um cursor de massa m3 e de dimensões desprezáveis, que translada segundo o
eixo Z2 com velocidade e aceleração variáveis definidas pelo parâmetro r(t).
As duas molas, iguais e de rigidez K, apresentam o seu comprimento natural para
r(t)=R. As respectivas deformações iniciais, correspondem ao equilíbrio estático do corpo
3.
Considere a massa dos três corpos e a inércia dos corpos 1 e 2, admitindo
conhecidas as respectivas matrizes de inércia em relação a sistemas de eixos principais
centrais de inércia. Por motivos de simplificação, os momentos principais centrais de
inércia do corpo 2, para os eixos paralelos a X2 e Z2 consideram-se iguais, 2222 ZZXX II = .
Suponha que todas as ligações são perfeitas. Usando os Teoremas Vectoriais da
Dinâmica:
a) Determine o torsor da quantidade de aceleração de cada corpo no respectivo centro
de massa;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre do corpo 3 e determine o torsor das forças de
ligação do corpo 3 ao corpo 2, no ponto G3. Defina os vectores no sistema de eixos S2;
c) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as equações diferenciais dos três
movimentos definidos pelos parâmetros ( ) ( ) ( )trtt eφθ , .
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais 173
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TVD11
O sistema material representado na figura é constituído por dois corpos:
Corpo 1 - Um suporte, de massa e inércia desprezáveis, que roda em torno de um eixo
vertical Z0, com velocidade angular constante θ$ , mediante a acção de um
momento motor M1; o corpo 1 está ligado ao exterior através dos apoios A e B,
mas o apoio B não absorve esforços axiais.
Corpo 2 - Um anel de raio médio R e de secção recta circular de raio r, massa m,
animado de um movimento de rotação uniforme (ϕ$ = constante) relativamente
ao corpo 1, em torno do eixo Y1, mediante a acção de um momento motor M2.
Suponha conhecida a matriz de inércia do anel, em relação a eixos principais
centrais de inércia.
i. Considerando desprezável a espessura do suporte na secção que contém o ponto C,
determine em S2, aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica:
a) O Torsor das Quantidades de Aceleração do sistema no centro de massa do corpo 2;
b) Os Momentos Motor M1 e M2 ,necessários para garantir o movimento do sistema.
ii. Supondo que o anel sofre uma rotura, que para efeitos de simplificação se considera ter
ocorrido na secção que contém o ponto C, determine na secção D (secção oposta à de
rotura) e em S2, aplicando os Teoremas Vectoriais da Dinâmica:
c) A força de corte na direcção X2;
d) O momento flector na direcção Y2.
174 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Teoremas Vectoriais
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA do CORPO RÍGIDO
TRABALHO e ENERGIA
Jorge Humberto Oliveira Seabra
Carlos Alberto Magalhães Oliveira
José Fernando Dias Rodrigues
Pedro Manuel Leal Ribeiro
Pedro Manuel Ponces Camanho
Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – Secção de Mecânica Aplicada
6ª Edição - Fevereiro de 2004
ii DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia iii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ÍNDICE:
1 INTRODUÇÃO 175
2 CONCEITO DE TRABALHO 176
2.1 Trabalho de uma força 176
2.2 Trabalho de um sistema de forças concorrentes 177
2.3 Trabalho de um binário 178
2.4 Potência 179
2.5 Unidades de trabalho e potência 180
2.6 Trabalho de um sistema de forças aplicado a um sólido rígido 180
2.7 Trabalho das forças interiores num sistema material 182
2.8 Trabalho de forças conservativas 182
2.8.1 Exemplos de forças conservativas 184
2.8.2 Exemplos de forças não conservativas 187
3 TRABALHO E ENERGIA 189
3.1 Trabalho e energia cinética 189
3.2 Trabalho e energia mecânica total 192
3.2.1 Princípio da conservação da energia mecânica total 193
3.3 Trabalho e energia em deslocamentos finitos 193
4 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DO TEOREMA DO TRABALHO E ENERGIA 194
4.1 Corpo deslizando sobre um plano inclinado 194
4.2 Cursor deslizando sobre uma guia circular 197
5 TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS 200
5.1 Conceito de deslocamento virtual 201
5.2 Conceito de trabalho virtual 204
5.3 Teorema dos trabalhos virtuais 204
5.4 Aplicação do teorema dos trabalhos virtuais 206
6 EXEMPLOS DE APLICAÇÃODO TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS 207
6.1 Disco rolando sobre um plano inclinado 207
6.2 Mecanismo simples 212
6.2.1 Diagrama de corpo livre 213
6.2.2 Equação de movimento 214
6.2.3 Forças de ligação ao exterior no ponto O 218
6.2.4 Velocidade angular do disco 221
6.3 Sistema came - impulsor 224
6.3.1 Geometria e cinemática do sistema came - impulsor 225
6.3.2 Diagrama de corpo livre do sistema 228
iv DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3.3 Equação de movimento do sistema came - impulsor 228
6.3.4 Forças de ligação entre os corpos 1 e 2 no ponto I 234
6.3.5 Reacção no ponto O 239
7 PROBLEMAS PROPOSTOS 243
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 175
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO
TRABALHO E ENERGIA
1 INTRODUÇÃO
O movimento dos pontos materiais pode ser estudado por aplicação directa da
equação fundamental amF
!!
= . Conhecida a força F
!
, esta equação fornece o valor da
aceleração
!
a e, por posterior integração, é possível obter a velocidade e a posição em
qualquer instante.
Existem situações em que importa considerar os efeitos acumulados das forças em
desequilíbrio que actuam nos pontos materiais. Estas situações envolvem uma integração
em ordem ao tempo ou ao deslocamento.
O resultado destas integrações permite obter versões transformadas das equações
do movimento, cuja resolução não necessita de passar pelo cálculo explícito da
aceleração.
A integração em ordem ao deslocamento conduz ao aparecimento das equações do
trabalho e energia, que são objecto do presente capítulo.
176 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2 CONCEITO DE TRABALHO
2.1 Trabalho de uma força F
!
A figura 1 mostra um ponto material P, movendo-se sob a acção de uma força F
!
,
desde a posição P1 até à posição P2 infinitamente próxima.
O
P1
P2
!
F
αs
!
r
!
r + dr
→
dr
→
Figura 1 - Movimento de um ponto P sob a acção de dada força F
!
.
O vector de posição r
!
sofreu um acréscimo dr
!
, habitualmente designado vector
deslocamento elementar do ponto P.
Designa-se por trabalho elementar da força F
!
sobre o deslocamento dr ao valor
dW F dr=
! !
i (1)
Fazendo
x
y
z
F
F F
F
=
$!
e
dx
dr dy
dz
=
!
, então
x
y x x y y z z
z
F dx
dW F dr F dy F d F d F d
F dz
= = = + +
! !
i i . (2)
Por outro lado, atendendo a que
dr dsτ=
! !
(3)
onde τ
!
é o versor da direcção da tangente à trajectória S no ponto P, determina-se que
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 177
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
dW F ds F dsτ τ= =
! !! !
i i (4)
dW F cos dsα= (5)
O Trabalho Elementar dW é uma grandeza escalar numericamente igual ao produto
da intensidade da força pela projecção do deslocamento na direcção daquela, ou ao
produto do deslocamento pela projecção da força na sua direcção.
No entanto, tendo em conta a definição da velocidade instantânea em coordenadas
intrínsecas
ds
v
dt
τ=
! !
, (6)
logo
v dt dsτ=
! !
, (7)
e substituindo em (4)
dW F ds F v dtτ= =
! !! !
i i (8)
O trabalho da força F
!
num deslocamento finito obter-se-á por integração da
equação (1), isto é
∫ •= 2
1
r
r
2
1 drFW
!
!
!
(9)
Pode-se igualmente escrever a partir das equações (2) e (5),
2 2
1 1
s s2
t1 s sW F cos ds F dsα= =∫ ∫ (10)
( )22 x x y y z z1 1W F d F d F d= + +∫ (11)
2.2 Trabalho de um sistema de forças concorrentes
Se várias forças actuam num mesmo ponto P, o respectivo trabalho elementar é
igual à soma dos trabalhos elementares das várias forças, pelo que
1 n 1 ndW dW ... dW F dr ... F dr= + + = • + + •
! !$$! $$!
(12)
178 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )1 ndW F ... F dr= + +! ! $$!i (13)
dW F dr=
! $$!
i (14)
Verifica-se assim, que o trabalho de um sistema de forças aplicadas num mesmo
ponto, é igual ao trabalho da sua resultante.
2.3 Trabalho de um binário
A figura 2 mostra duas forças de igual intensidade mas de sentidos opostos, aplicadas
nos pontos A e B de um mesmo corpo rígido. Sejam Adr
$$!
e Bdr
$$!
os deslocamentos desses
dois pontos.
Porque pertencem ao mesmo corpo rígido, estes deslocamentos estão relacionados
do seguinte modo (equação de Mozzi)
O
!
F
b
AA'
B
B' −
!
F
!
r A
!
r B
Figura 2 - Movimento provocado pela acção de um binário.
B Av v ABω= + ×
$$! $$! $! $$$!
, isto é
B Adr dr d AB
dt dt dt
θ= + ×
$! $! ! $$$!
(15)
Da equação (15) resulta (multiplicando ambos os membros por dt):
B Adr dr d ABθ= + ×
$$! $$! ! $$$!
(16)
Calculando agora o trabalho do binário pela soma dos trabalhos das duas forças que
o constituem, obtém-se
A BdW F dr F dr= −
! !$$! $$!
i i (17)
dθ
$$!
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 179
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( )A A A AdW F dr F dr d AB F dr dr d ABθ θ= − + × = − − ×
! ! !$$! $$! ! $$$! $$! $$! ! $$$!
i i i (18)
( ) ( ) AdW F d AB AB F d M dθ θ θ= − × = × =! !! $$$! $$$! ! $$$! !i i i (19)
Porque o momento de um binário é o mesmo, qualquer que seja o ponto tomado
para pólo, a expressão (19) permite obter que
dW M dθ=
! !
i (20)
No entanto, tendo em conta a definição da velocidade angular instantânea
d
dt
ω θ=
$! !
, (21)
logo
dt dω θ=
$! !
, (22)
e substituindo em (20)
dW M d M dtθ ω= =
$! ! $! $!
i i (23)
2.4 Potência
Designa-se por potência o trabalho realizado por unidade de tempo. O seu cálculo é
feito utilizando uma expressão que resulta da derivação em ordem ao tempo da expressão
de cálculo do trabalho elementar.
Assim, a potência de uma força será dada pela derivada em ordem ao tempo da
expressão (8)
dW
P F v
dt
= =
! !
i (24)
e a potência de um binário será dada pela derivada em ordem ao tempo da expressão (23)
dW
P M
dt
ω= =
! !i (25)
180 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2.5 Unidades de trabalho e potência
O trabalho 2 221 1 1W F dr M dθ= =∫ ∫
! $$! $! !
i i
corresponde ao produto de uma força por um
deslocamento finito ou ao produto de um binário por uma rotação finita, pelo que no
Sistema Internacional as suas unidades são J (Joule),
J = N m = (kg m/s2) m = kg m2/s2.
A potência
dW
P F v M
dt
ω= = =
$! ! $! $!
i i
é igual à derivada do trabalho elementar em
ordem ao tempo o que corresponde ao produto de uma força por uma velocidade
instantânea ou ao produto de um binário por uma velocidade angular instantânea, pelo
que no Sistema Internacional as suas unidades são W (Watt),
W = N m/s = (kg m/s2) m/s = kg m2/s3.
2.6 Trabalho de um sistema de forças aplicado a um sólido rígido
A figura 3 mostra um sólido rígido submetido à acção de um sistema de forças.
P i
o
!
F i
Figura 3 - Sólido rígido sob a acção de sistema de forças.
O trabalho elementar desse sistema de forças será a soma dos trabalhos
elementares de cada uma delas, obtendo-se que
i i i
i i
dW dW F dr= =∑ ∑
$! $!
i . (26)
Porque se trata de um sólido rígido, é possível relacionar a velocidade de cada um
dos pontos de aplicação das forças com a de um determinado ponto O desse sólido.
Sabendo que,
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 181
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro2004
( )i Pi O i i O idr v v OP dr v OP dtdt ω ω= = + × ⇒ = + ×
$! $$$! $$! $! $$$! $! $$! $! $$$!
então, substituindo em (26) determina-se que
( )i O i
i
dW F v OP dtω= + ×∑
$! $$! $$$!!i (27)
( )i O i i
i i
dW F v F OP dtω
= + ×
∑ ∑
$! $$! $! $$$!!i i (28)
Obtém-se finalmente a seguinte expressão
( )i O i i
i i
dW F v OP F dtω = + ×
∑ ∑
$! $$! $$$! $! !i i (29)
O OdW F v M dtω = +
! $$! $$$! !i i (30)
A expressão dentro do parêntesis recto na equação (30) designa-se habitualmente
por momento relativo dos torsores das forças aplicadas ( )FE OF,Mτ
$! $$$!
e do gerador do
campo de velocidades contemporâneas ( )VC O,vτ ω
$! $$!
.
Este momento relativo dos dois torsores permite o cálculo da potência devida ao
referido sistema de forças, e consiste no produto escalar do vector principal de um dos
torsores pelo vector momento do outro torsor, e vice-versa ,isto é
( ) ( )FE O VC O O OF,M ,v F v Mτ τ ω ω = +
$! $$$! $! $$! $! $$! $$$! $!
% i i
Da análise da expressão (30) resulta imediatamente o seguinte:
1. Sistemas de forças equivalentes aplicados no mesmo sólido produzem o mesmo
trabalho elementar (têm os mesmos elementos da redução num dado ponto).
2. Um sistema de forças em equilíbrio produz, num sólido rígido, um trabalho
elementar nulo FE 0 F 0 e M 0 dW 0τ = ⇒ = = ⇒ =
$! $! $! $!
.
182 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2.7 Trabalho das forças interiores num sistema material
O sistema de forças interiores, representadas na figura 4, está em equilíbrio, pelo
que, se o sistema material for indeformável, o respectivo trabalho elementar será nulo.
Pi
Pj
!
F j i
!
F i j
x i j
Figura 4 - Num sólido indeformável, as forças interiores não podem realizar trabalho,
porque constituem um sistema de forças em equilíbrio.
No caso de um sistema material deformável, porém, tal já não se verifica.
Decompondo os deslocamentos dos diversos pontos em deslocamentos "relativos" mais
deslocamentos "de transporte", obtém-se
ab rel trdW dW dW= + (31)
A parcela correspondente aos deslocamentos de transporte, porque no seu cálculo
o sistema material é considerado rígido, será necessariamente nula. Mas havendo
deslocamentos relativos dos vários pontos, haverá trabalho realizado.
2.8 Trabalho de forças conservativas
Uma força F
!
diz-se conservativa quando existe uma função escalar U tal que
F gradiente U U= − = −∇
!
(32)
T
U U U
F , ,
x y z
∂ ∂ ∂= − − − ∂ ∂ ∂
$!
(33)
A função U = U(x,y,z) é designada função potencial de F
!
.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 183
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Se uma força F
!
for conservativa, o trabalho elementar realizado por essa força é
igual em grandeza, mas de sinal contrário, à variação elementar sofrida pela função
potencial, num dado deslocamento. Com efeito
U
x dx
U U UUdW F dr dy dx dy dzy x y z
dzU
z
−∂
∂
∂ ∂ ∂ −∂= = = − + + ∂ ∂ ∂ ∂
−∂ ∂
! $$!
i i
(34)
= −dW dU (35)
Da integração da equação (35) resulta imediatamente que o trabalho realizado num
dado deslocamento finito do ponto de aplicação de força F
!
é igual (e de sinal contrário) à
variação finita da respectiva função potencial,
( )∆= = − = − ⇒ = − −∫ ∫2 2 221 2 111 1W dW dU U W U U (36)
Neste cálculo apenas intervieram os valores inicial (1) e final (2) da função
potencial. Verifica-se portanto que o trabalho de uma força conservativa é
independente do caminho percorrido pelo seu ponto de aplicação, como se mostra na
figura 5.
1
2
U = U2
U = U1
Figura 5 - Superfícies equipotenciais contendo os pontos inicial e final de aplicação de
uma força conservativa.
Resulta ainda da expressão (36) que o trabalho realizado por uma força
conservativa num percurso fechado (regressando portanto ao ponto inicial) é
necessariamente nulo. Logo
( )= − − = = =∫ ! $$!i&21 2 1W U U 0 e W F dr 0
184 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A função potencial U é usualmente designada por Energia. Esta, por sua vez pode
ser entendida como uma capacidade de produzir trabalho, ou um “trabalho acumulado”.
Assim, sendo
( )2 22 1 2 11 1W U U U W U= − − ⇒ = − + , (37)
logo se o trabalho realizado for positivo a energia diminui,
2
2 11W 0 U U> ⇒ <
e se o trabalho realizado for negativo a energia aumenta;
2
2 11W 0 U U< ⇒ >
2.8.1 Exemplos de forças conservativas
a) Força constante
Se uma força
!
F é constante, então
( )dW F dr d F γ= • = •! !$$! ! (38)
( )dV dW d F γ= − = − •! ! (39)
A função potencial V resulta da integração da expressão (39).
Na figura 6 mostra-se o exemplo das forças de gravidade sobre a superfície
terrestre. Neste caso,
dW mg dr=
! !
i ,
( )2 2 221 2 11 1 1W dW m g dr m g dr mg r r= = = = −∫ ∫ ∫
! ! ! ! ! $! $!
i i i ,
( )
2 1
22
1 2 1 2 11
0
0 0
x x
W dW m g r r mg y y
−
= = − = −
∫
! $! $!
i i ,
( )221 2 11W dW m g y y m g h= = − − = −∫ ,
( )2 121 g g gW V V V m gh∆= − = − − = − ,
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 185
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 6 - Força de gravidade, exemplo de força conservativa, e potencial das forças
conservativas, 2 1g g gV V V m g h∆ = − = .
( )2 1 2g g g 1V V V W m g h∆ = − = − = (40)
onde gV∆ representa a variação do potencial das forças gravíticas (ou variação da
energia potencial gravítica).
b) Força central
No caso de uma força central, como a representada na figura 7, obtém-se
Figura 7 - Força central, exemplo de força conservativa.
1
2
O
rA
rB
P
F
αααα
dr
!
1
2
h2
h1
X
Y
αααα
O
F m g=
$! !
(constante)
τ
!
( )
2 1
2
1 g g gW V V V= −∆ = − −
( ) ( )
2 1 2 1g g g
V V V m g h h∆ = − = −
186 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )dW F dr F ds F ds cos F drτ α= = = =
! ! $! !
i i (41)
2
2 1 1dV dW V V V F dr∆= − ⇒ = − = −∫ (42)
No caso da força da gravidade (peso de um corpo), por exemplo, tem-se que:
2 1g g2
M m M m
F G V V G
rr
= ⇒ − = (43)
À superfície da terra a força da gravidade terrestre é F = mg, logo obtém-se que
2
T
G Mg
R
= , pelo que substituindo em (43) se determina que
2 1
2
g g T
m g
V V R
r
− = − (44)
c) Força elástica
Para o caso de uma força linear elástica, como representado na Figura 8, pode-se
escrever que F = - k x (x = deslocamento da mola).
F = - kx
0'
1'
2
e xk2
1V =
Figura 8 - Força linear elástica e potencial das forças elásticas,
( ) ( )2 1 2 2e e e 2 1kV V V x x2∆ = − = − .
Então,
dW F dr k x i dxi k x dx= = − = −
$! ! ! !
i i (45)
( )22 22 2 2 21 2 11 1 1
1 1
W dW k x dx k x k x x
2 2
= = − = − = − − ∫ ∫ (46)
( ) ( )2 12 2 21 e e e 2 11W V V V k x x2∆= − = − − = − − (47)
( ) ( )2 1 2 2 2e e e 1 2 11V V V W k x x2∆ = − = − = − (48)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 187
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
onde eV∆ representa a variação do potencial das forças elásticas (ou variação da
energia potencial elástica).
1 2
2
1 e e 2
1
se x 0 V 0 V k x
2
= ⇒ = ⇒ =
d) Força de inércia
Também as "forças de inércia" são forças conservativas.
De facto jF mx i= −
$$! !
(( ,
j jdW F dr mx i dx i mx dx= = − = −
$$! ! ! !
(( ((i i (49)
dx dx dx
x dx dx dx x dx
dt dx dt
= = =
( ((( ( (
(50)
jdW m x dx= − ( ( (51)
( )22 2j 2 j 2 2 21 2 11 1 1
1 1
W W dW m x dx m x m x x
2 2
= = = − = − = − − ∫ ∫ ( ( ( ( (
( ) ( ) ( )2 2j 2 j j j1 2 121 1 1W W V V V m x m x2 2∆
= = − = − − = − −
( ( (52)
Como se conclui das expressões anteriores, a habitualmente designada energia
cinética é afinal o potencial das forças de inércia, isto é
( ) ( )2 2j j2 1 2 1
1
V W m x x
2
∆ ∆Τ Τ Τ = = − = − = −
( ( (53)
2.8.2 Exemplo de força não conservativa – Força de atrito
Para se verificar que uma força de atrito é não conservativa basta calcular o
respectivo trabalho ao efectuar um percurso fechado. Analise-se o caso da figura 9.
Figura 9 - Força não conservativa - Força de atrito.
1 2
ℓ
X
188 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
De facto, no percurso 1 2 2 1 1 1− + − = −
$$$$! $$$$! $$$$!
, uma força conservativa não realiza
trabalho, enquanto que o trabalho realizado pela força de atrito não é nulo, isto é
[ ] [ ]2 1 2 11 2 11 1 2 at at at at1 21 2W W W F dx F dx F x F x= + = − + = − +∫ ∫
$$$! $! $$$! $!
i i (54)
( )1 2 11 1 2 at at atW W W F F 2F 0= + = − + − = − ≠' ' ' (55)
A força de atrito é portanto uma força não conservativa e o trabalho por si
realizado é negativo, já que implica sempre um dispêndio ou dissipação de energia.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 189
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3 TRABALHO E ENERGIA
Ao definir força conservativa, introduziu-se o conceito de uma função escalar U,
cujo gradiente permitia calcular o valor da força F
!
, e cuja variação era, a menos do
sinal, igual ao trabalho realizado por essa força, em qualquer deslocamento.
Esta função escalar é designada por potencial de
!
F , ou, mais habitualmente por
energia. Repare-se que, quando a força realiza um trabalho positivo, a energia "diminui"
de uma quantidade igual a esse trabalho. E quando realiza um trabalho negativo, a energia
"aumenta". Pode-se assim, em certa medida, considerar a energia como a capacidade de
produção de trabalho (devolução do "trabalho acumulado" sob a forma de energia
potencial).
3.1 Trabalho e energia cinética
Usando a equação fundamental da dinâmica amF
!!
= , é possível calcular o trabalho
elementar realizado pela força F
!
num deslocamento dr (ver figura 10).
dr
→
P
s
!
F
!
F t
!
τ
!
F n
!
n
Figura 10 - Trabalho elementar da forçaF
$!
, que actua num ponto P, quando sofre um
deslocamento elementar dr
!
.
Utilizando um sistema de coordenadas intrínsecas para representação da força F
!
,
do deslocamento dr
!
e da aceleração do ponto a
!
, pode-se escrever que:
190 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
nFFF nt
!!! += τ (56)
dr ds τ=
! !
(57)
2s
a s nτ
ρ
= +
(! !!(( (58)
Retomando a Equação Fundamental da Dinâmica, =
! !
F ma , e multiplicando
escalarmente por dr ds τ=
! !
ambos os membros, obtém-se
= =
! $$! ! $$!
i idW F dr ma dr ,
τ τ= =
! !! !i idW F ds ma ds . (59)
e atendendo às expressões (56) e (58),
( )τ τ τ τ
ρ
= + = +
(! !! ! ! !((i i
2
t n
s
dW F F n ds m s m n ds
tdW F ds ms ds= = (( (60)
Repare-se que o primeiro membro é o trabalho elementar da força F
!
e o segundo
membro uma variação elementar da energia cinética do ponto material. De facto,
atendendo a que
ds ds ds ds
s ds ds ds sds sds
dt ds dt ds
= = = =
( ( ((( ( ( ( (61)
a expressão (60) transforma-se em
dW m sds= ( ( (62)
21dW d ms
2
=
( (63)
dW dΤ= (T = Energia Cinética) (64)
A expressão (64) traduz o "Teorema da Energia Cinética", também designado por
Teorema da Força Viva:
"O trabalho elementar realizado por uma qualquer força que actua num ponto
material é igual à variação da energia cinética (ou semi força-viva) que produz".
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 191
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Este teorema, aqui enunciado para um ponto material, é aplicável a um sistema de
pontos materiais. Assim, no caso de um sistema discreto, tem-se
i i i i
i i
dW m s ds dT= =∑ ∑( ( (65)
No caso de um sistema contínuo a extrapolação ainda é válida. O cálculo de energia
cinética de um sólido rígido é obtido através da aplicação do 3º Teorema de Koenig
(Capítulo Cinemática das Massas), resultando:
[ ]1 1
2 2
T
G G GT Mv v ω ω= + × ×
$$$!$$! $$! $!
i I (66)
Para um sistema material constituído por vários (k) sólidos rígidos, teremos
G G G
k k k kT k k
k
1 1
dW dT d M v v
2 2
ω ω = = + × ×
∑
$$! $$! $$$$! $$$!
i I (67)
Como apresentado anteriormente, multiplicando escalarmente ambos os termos da
Equação Fundamental da Dinâmica ( =
! !
F ma ) pelo deslocamento elementar ( τ!ds ),
obtém-se a expressão (59)
τ τ= =
! !! !i idW F ds ma ds . (59)
Atendendo a que a Força de Inércia é definida por jF ma= −
$$! !
, verifica-se que
j jdW ma ds F ds dWτ τ= = − = −
$$!! ! !i i
isto é
j j jdW dV F ds dWτ= = − = −
$$! !i ,
onde jdW representa o trabalho elementar das forças de inércia e jdV representa o
Potencial das Forças de Inércia.
Atendendo ao teorema da Energia Cinética, dW dT= (equação 60) verifica-se que
j j jdW dT dV F ds dWτ= = = − = −
$$! !i , (68)
o que significa que a variação da Energia Cinética é igual à variação do Potencial das
Forças de Inércia e igual e de sinal contrário ao trabalho elementar das forças de inércia
(ver expressão 53).
192 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3.2 Trabalho e energia mecânica total
O teorema da energia cinética, relaciona o trabalho de todas as forças que actuam
num ponto (ou sistema) material com a variação da energia cinética que esse trabalho
produz. Podem separar-se, de todas as forças que actuam no ponto (ou sistema) material,
as de gravidade e as elásticas, obtendo-se
g edW dW dW dT+ + = (69)
As forças de gravidade e as forças elásticas são conservativas, pelo que se pode
afirmar que
g edW dV dV dT− − = (70)
Passando todas as variações de potencial para o 2º membro, a equação (70) tomará
a forma
dW dV dV dTg e= + + (71)
( )g edW d V V T= + + (72)
d W d Emt= (73)
A função potencial obtida pela soma das três funções potenciais (gravítica +
elástica + cinética) é designada por Energia Mecânica Total. A expressão (73) estabelece
uma relação entre o trabalho das restantes forças e a variação da energia mecânica total
que produzem.
Note-se que, as considerações feitas para as forças de gravidade e elásticas seriam
aplicáveis a todas as forças conservativas. Nos sistemas materiais correntes estas são as
funções potenciais mais relevantes. Daí que, por tradição, na energia mecânica total
apenas se considerem as três formas de energia (gravítica, elástica e cinética).
A equação (73) traduz o chamado Teorema do Trabalho e Energia, o qual não é
mais que uma transformação do teorema da energia cinética atrás introduzido (64), e
estabelece que:
O trabalho elementar realizado pelas forças exteriores, que não as gravíticas e
elásticas, é igual à variação elementar da energia mecânica total, isto é, igual
à variação das energias cinética, potencial elástica e potencial gravítica.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 193
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
3.2.1 Princípio da conservação da energia mecânica total
Como corolário do teorema do trabalho e energia surge a seguinte constatação:
"Se nenhuma força, para além das de gravidade e elásticas, actua sobre um sistema
material realizando trabalho, a energia mecânica total permanecerá constante".
mt mtdW 0 d E 0 E Const.= ⇒ = ⇒ = (74)
Este é o enunciado do princípio da conservação da energia mecânica total.
3.3 Trabalhoe energia em deslocamentos finitos
Até agora consideraram-se apenas deslocamentos infinitamente pequenos.
Pode-se entretanto extrapolar para deslocamentos finitos (entre as posições A e B,
ou entre as posições 1 e 2, ou ainda entre as posições inicial e final), por integração das
expressões anteriores. Assim, o teorema do trabalho e energia passará a ter a seguinte
forma
2 2 22
g e1 1 1 1W dV dV dT= + +∫ ∫ ∫ (75)
( ) ( ) ( )2 1 2 12 g g e e 2 11W V V V V T T= − + − + − (76)
( ) ( )2 2 1 12 g e 2 g e 11W V V T V V T= + + − + + (77)
12 tmtm
2
1 EEW −= (78)
De igual modo o princípio da conservação da energia mecânica total tornará a
forma
12 tmtm
2
1 EE0W =⇒= (79)
194 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DO TEOREMA DO TRABALHO E ENERGIA
4.1 Corpo deslizando sobre um plano inclinado
Um corpo de massa m, desliza sobre um plano inclinado em relação à direcção
horizontal, como se mostra na figura 11. O comprimento da rampa é '''' e a altura do ponto
A é h.
Figura 11 – Corpo deslizando sobre um plano inclinado.
Pretende-se determinar a equação de movimento do sistema e as forças de
contacto entre o corpo e o plano inclinado desprezando ou não o atrito entre o corpo e a
rampa.
A figura 12 mostra o diagrama de corpo livre de todas as solicitações que actuam
sobre o corpo.
Figura 12 – Diagrama de corpo livre do corpo, desprezando ou não o atrito.
Y
X
h
A ≡ 1
B ≡ 2 αααα
'=AB
x1
αααα
N
!
1ixm ((
gm
!
αααα
N
!
1ixm ((
gm
!
atritof
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 195
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Aplicando o Teorema da Energia Mecânica Total pode-se estabelecer que
dW dV dV dTg e= + +
e portanto
( ) ( )1eg2eg21 TVVTVVW 1122 ++−++= (77)
Desprezando o atrito entre o corpo e a rampa, o termo
0W 21 =
podendo-se escrever que
( ) ( )1eg2eg TVVTVV 1122 ++=++
Determine-se agora cada um dos termos da expressão anterior:
2g 2
V = mg h
.aplicadaselásticasforçashánão,0V
2e =
2
2 2
1
T = mv
2
1g 1
V mg h=
.aplicadaselásticasforçashánão,0V
1e =
.repousodopartecorpoo,0T1 =
Substituindo na expressão
( )22 2 1
1
m g h 0 mv m g h 0 0
2
+ + = + +
isto é
( ) 22 1 2
1
m g h h mv
2
− =−
( )22 2 1v 2 g h h= −
2v 2g h=
196 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Verifica-se, que na ausência de atrito, a energia potencial gravítica é totalmente
convertida em energia cinética.
Considerando agora a existência de atrito entre o corpo e a rampa, o termo W12 não
é nulo, sendo igual a
2
1
B B
atrito atrito
A A
W f dx f dx= = ⋅∫ ∫
$$$$$! $$!
i
O equilíbrio de esforços na direcção vertical (ver figura 12) permite escrever que
0cosgmN =− α
e supondo que o coeficiente de atrito entre o corpo e a rampa é constante, e igual a µ,
pode-se escrever
icosgmiNfatrito
!!
αµµ −=−=
Logo
αµαµ cosgm dxcosgm dxfW
B
A
B
A
atrito
2
1 '−=•−=•= ∫∫
Os restantes termos são exactamente os mesmos:
2g 2
V = mg h
.aplicadaselásticasforçashánão,0V
2e =
2
2 2
1
T = mv
2
1g 1
V mg h=
.aplicadaselásticasforçashánão,0V
1e =
.repousodopartecorpoo,0T1 =
Substituindo na expressão
( )00hgmvm
2
10hgmcosgm A
2
BB ++−
++=− αµ '
isto é
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 197
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )22 2 1
1
mv mg h h mg cos
2
µ α= − − − '
( )22 1 2v 2g h h 2 g cosµ α= − − '
( )2v 2g h cosµ α= − '
Verifica-se, que na presença de atrito, a energia potencial gravítica é apenas
parcialmente convertida em energia cinética, já que parte dessa energia é dissipada para
vencer o atrito entre o corpo e a rampa.
4.2 Cursor deslizando sobre uma guia circular
O cursor de massa m, representado na figura 13, desliza sem atrito sobre uma guia
circular posicionada na vertical, estando ligado ao exterior (ponto A) por uma mola de
rigidez k. Quando o cursor passa no ponto B a deformação da mola é nula.
Sabendo que o cursor passa no ponto D com uma velocidade vD (m/s), pretende-se
determinar:
a) A velocidade do cursor no ponto C;
b) A velocidade do cursor em C para nas seguintes condições: m = 1 kg,
g = 9.8 m/s, vD = 1.8 m/s, k = 250 N/m, R = 0.3 m e a = 0.125 m.
A figura 14 mostra o diagrama de corpo livre de todas as solicitações que actuam
sobre o cursor. Aplicando o Teorema da Energia Mecânica Total pode-se estabelecer que
dW dV dV dTg e= + +
e portanto
( ) ( )1eg2eg21 TVVTVVW 1122 ++−++= (77)
Como não há atrito entre o cursor e a guia, o termo W12 é nulo, podendo-se
escrever que no percurso DC (posição inicial, 1 - ponto D, posição final, 2 - ponto C)
( ) ( )1eg2eg TVVTVV 1122 ++=++
198 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 13 – Cursor deslizando sem atrito sobre uma guia circular.
Figura 14 – Diagrama de corpo livre do cursor.
Determine-se cada um dos termos da expressão anterior:
Cg hgmV 2 = Dg
hgmV
1
=
( )2Ce k2
1V
2
'∆=
( )
1
2
e D
1
V = k ∆l
2
2
C2 vm2
1T =
2
1 D
1
T mv
2
=
O
A B
C
D
Y
X
ramN −
!
tam
kF
gm
!
O
AB
C
D
v
a
k
Y
X
R
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 199
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Substituindo na expressão (64)
( ) ( )
++=
++ 2D
2
DD
2
C
2
CC vm2
1k
2
1hgmvm
2
1k
2
1hgm '' ∆∆
isto é
( ) ( ) ( )[ ] ( ) 0vvm
2
1k
2
1hhgm 2D
2
C
2
D
2
CDC =−+−+− '' ∆∆
( ) ( ) ( ) ( )[ ]2C2DCD2D2C m
khhg2vv '' ∆∆ −+−=−
( ) ( ) ( )[ ]2C2DCD2D2C m
khhg2vv '' ∆∆ −+−+=
( ) ( ) ( )[ ]2C2DCD2DC m
khhg2vv '' ∆∆ −+−+=
onde
( ) Rhh CD −=−
( ) ( ) ( ) ( ) ( )[ ] 22220D2D a4aRaRABAD =−−+=−=−= '''∆
( ) ( ) ( ) ( ) 2222220C2C LaRaRABAC =
−−+=−=−= '''∆
Logo
( )222DC La4m
kRg2vv −+−=
( ) ( ) ( ) 2
2
22
2
222
C 150.0125.03.0125.03.0aRaRL =
−−+=
−−+=='∆
( )222C 150.0125.041
2503.08.928.1v xxx −+−=
s/m713.2vC =
200 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5 TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS
A equação (64) dW dT= que relaciona o trabalho das forças aplicadas sobre cada
ponto material com a variação de energia cinética que proporciona pode ser reescrita na
forma
dW dT 0− = ,
o que atendendo à expressão (68) é equivalente a
r jdW dW 0+ = (80)
sendo dWr o trabalho elementar das forças reais aplicadas ao ponto e dWj o trabalho
elementar das forças de inércia. Isto, porque, de acordo com a expressão (53), a função
potencial de que derivam as forças de inércia é a energia cinética e em consequência, e
de acordo com a expressão (68), a variação infinitamente pequena dessa energia cinética
é igual e de sinal contrário ao trabalho elementar dessas forças de inércia.
A expressão (80) é válida para qualquer ponto material, isolado ou não. No caso de
este ponto pertencer a um dado sistema material, podem dividir-se as forças que actuam
nesse ponto em "exteriores" e "interiores" ao sistema material. Neste caso a expressão (80)
dará origem a esta outra
exteriores int eriores inerciadW dW dW 0+ + =
isto é
e i jdW dW dW 0+ + = (81)
Constata-se que, qualquer que tenha sido o deslocamento infinitesimal utilizado no
cálculo do trabalho de todas as forças aplicadas no ponto material, o trabalho elementar
total é nulo. De facto o sistema de forças aplicadas no ponto material, incluindo as forças
de inércia, é equivalente a zero. Em consequência,o trabalho elementar dessas forças
(igual ao trabalho da respectiva resultante, visto serem forças concorrentes) terá de ser
nulo, qualquer que seja o deslocamento.
A expressão (81) é válida para qualquer um dos pontos de um sistema material.
Considerando todos esses pontos, tem-se que
( )e i jk k k
k 1
dW dW dW 0
=
+ + =∑ (82)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 201
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
e i j
k k k
k 1 k 1 k 1
dW dW dW 0
= = =
+ + =
∑ ∑ ∑ (83)
e* i* j*dW dW dW 0+ + = (84)
Note-se que a expressão (84) é formalmente idêntica à (81) mas em cada parcela
aparece o trabalho elementar total de cada conjunto de forças (exteriores, interiores e de
inércia).
Importa agora pensar no seguinte pormenor. Para cada ponto material isolado, o
deslocamento infinitesimal considerado é perfeitamente arbitrário. Mas num sistema
material existem ligações entre os pontos que o integram, pelo que o deslocamento
considerado variará de ponto para ponto, de acordo com as relações cinemáticas bem
definidas.
CA
B
dx
A
B
B'
C
C'
dθ
A C
C''
B''a) b) c)
Figura 15 - Exemplos de deslocamentos (linear e angular) compatíveis com as ligações de
um sistema material.
Por exemplo, a figura 15-b) mostra que ao deslocamento dx do ponto C
corresponde um deslocamento diferente para outro qualquer ponto. O mesmo sucede
quando se admite uma rotação elementar dθ
$$!
para as barras AB e BC, como mostra a
figura 15-c): os deslocamentos lineares dos diversos pontos são diferentes entre si.
Apesar de ocorrerem deslocamentos elementares diferentes de ponto para ponto, a
expressão (81) (que é referente a cada um dos pontos isoladamente) é válida, o que
implica necessariamente a validade da expressão (84).
5.1 Conceito de deslocamento virtual
Diz-se que um sistema material sofre um deslocamento virtual, quando se afasta da
configuração actual para uma outra infinitamente próxima.
202 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Esta alteração de configuração ocorre respeitando as relações cinemáticas que as
ligações reais, ou hipotéticas, permitem.
Assim, um deslocamento virtual tem as seguintes características:
• Deslocamento infinitesimal;
• Real ou imaginário;
• Respeita ou não as ligações mecânicas do sistema.
A figura 15 mostra dois exemplos de deslocamento virtuais. Em 15-b) representa-se
um deslocamento compatível com as ligações realmente existentes. Em 15-c) mostra-se
um deslocamento virtual que só será possível se a ligação ao exterior em C, for substituída
por uma outra, hipotética ou imaginária, que permita o deslocamento vertical deste
ponto.
Admitindo que a configuração do sistema material é definida por n parâmetros
cinemáticos (n graus de liberdade), um deslocamento virtual ficará caracterizado por uma
qualquer combinação de variações desses parâmetros
A figura 16 mostra uma barra em movimento plano.
A = A'''
B'''
B
δ α
A
B
A''
B''
δx
A'
B'
A
B
δy
yA
A
B
α
xA
a) b) c) d)
Figura 16 - Deslocamentos virtuais correspondentes à variação isolada de um parâmetro
cinemático.
A posição da barra fica completamente definida por 3 parâmetros, por exemplo
XA, YA e αααα. Um deslocamento virtual poderia ser definido pela variação isolada de cada um
destes parâmetros:
Figura 16-b)
=
≠
=
0
0y
0x
A
A
αδ
δ
δ
Figura 16-c)
=
=
≠
0
0y
0x
A
A
αδ
δ
δ
Figura 16-d)
≠
=
=
0
0y
0x
A
A
αδ
δ
δ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 203
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Também poderia definir-se um deslocamento virtual por uma combinação de
variações destes parâmetros.
A figura 17 mostra um exemplo em que a mesma barra da figura 16 sofre uma
rotação virtual em torno de um ponto diferente de A, daí resultando uma variação
simultânea de XA, YA e αααα:
A
B
α
B
A
B'
A'
+C
δβ
δxA = f1 δβ( )
δyA = f2 δβ( )
Deslocamento virtual:
δxA = f1 δβ( )
δyA = f2 δβ( )
δα = δβ
Figura 17 - À rotação virtual δβδβδβδβ (em torno de C), correspondem as variações simultâneas
(dependentes) δαδαδαδα , δδδδXA e δδδδYA.
Poder-se-ia ainda considerar um deslocamento virtual que resultasse da variação
simultânea e independente de diversos parâmetros cinemáticos. No caso da figura 18, a
barra sofre uma translação δδδδX e uma rotação δαδαδαδα, independentes entre si:
A
B
α
B
A
B'
A'
B*
δ α
δx
Deslocamento virtual:
δxA = δx
δyA = 0
δα ≠ 0
a) b)
Figura 18 - Deslocamento virtual obtido por combinação de variações independentes de
diversos parâmetros cinemáticos.
204 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5.2 Conceito de trabalho virtual
Entende-se por trabalho virtual de uma força aplicada sobre um dado ponto
material, o trabalho realizado por essa força quando o ponto se move em consequência de
um deslocamento virtual do sistema a que esse ponto pertence. Assim, para uma força F
!
aplicada num dado ponto A, escreveríamos
δ δ=
! $$$!
iW F A (85)
sendo Aδ o deslocamento virtual do ponto A (deslocamento de A em consequência do
deslocamento virtual do sistema material).
5.3 Teorema dos trabalhos virtuais
Pode enunciar-se este teorema do seguinte modo:
"Num sistema material (em repouso ou em movimento), a soma dos trabalhos
de todas as forças que actuam sobre ele num determinado instante, é nula,
para qualquer deslocamento virtual desse sistema".
Incluem-se, obviamente, as forças exteriores, interiores e de inércia. A expressão
matemática deste teorema é
e i jW W W 0δ δ δ+ + = (86)
sendo eWδ ≡ Trabalho virtual de todas as forças exteriores aplicadas ao sistema
material;
iWδ ≡ Trabalho virtual de todas as forças interiores;
jWδ ≡ Trabalho virtual de todas as forças de inércia
(igual mas de sinal contrário à variação de energia cinética ocorrida
durante o deslocamento virtual).
A expressão (86) é equivalente à expressão (84). Com efeito, cada um dos pontos
que constituem o sistema material está sob a acção de um sistema de forças concorrentes
equivalente a zero (isto, se se incluírem as forças de inércia).
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 205
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Tal sistema de forças, estando em "equilíbrio", realizará trabalho nulo, qualquer
que seja o deslocamento a que seja submetido. Em particular realizará trabalho nulo, num
deslocamento virtual (real ou hipotético). E se é nulo o trabalho virtual correspondente às
forças que actuam em cada ponto material, há-de ser nulo o trabalho virtual total,
correspondente a todo o sistema material.
No caso particular de o sistema material ser rígido, ou um conjunto de sistemas
materiais rígidos com ligações perfeitas entre si, então o trabalho das forças interiores
será nulo e o teorema dos trabalhos virtuais reduz-se a
e jW W 0δ δ+ = (87)
Chama-se "ligação perfeita" aquela em que as forças de ligação não realizam
trabalho num qualquer deslocamento virtual. É o caso de um "escorregamento sem atrito",
um "rolamento puro", etc., como se mostra na figura 19.
No caso ainda mais restrito de um sistema material em repouso ou em translação
rectilínea e uniforme, então também as forças de inércia não realizam trabalho, pelo que
a expressão do teorema dos trabalhos virtuais passará a ser
eW 0δ = (88)
Esta é a forma que se utiliza na estática.
Como é evidente, estas duas expressões (87) e (88) são casos particulares do
Teorema dos Trabalhos Virtuais representado pela expressão (86).
δ ω = 0
δ α δx
δω = 0
δ ω = fa .δx
δx
δx
δ ω = M δ α
a) b) c) d)
Figura 19 - Exemplos de ligações "perfeitas" e "não perfeitas".
206 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5.4 Aplicação do teorema dos trabalhos virtuais
A circunstância da equação (86) ser válida em qualquer deslocamento virtual dá a
este teorema uma amplitude excepcional. De facto:
• Impondo um deslocamento virtual a dado sistema definido pela variação,
isolada ou conjunta, dos parâmetros cinemáticos "reais", permite obter as
equações diferenciais do movimento (tantas quantos os parâmetros cinemáticos
independentes que existam, também designados por graus de liberdade –
g.d.l.);
• Impondo um deslocamento virtual na direcção de uma força desconhecida,
obtém-se uma equação que, em muitas situações permite calcular de imediato
o valor desta força;
• Substituindo as ligações que existem na realidade pelas forças que estas
introduzem (o que mantém o "equilíbrio" do sistema material) e escolhendo
convenientemente os deslocamentos virtuais, calculam-se de modo expedito
essas forças de ligação.
A grande vantagem deste método reside no facto de não ser necessário, em geral,
resolver simultaneamente todas as equações que regem o movimento dos sistemas
materiais. Podem-se formular e resolver quase sempre as equações parcelares
estritamente necessárias para o problema.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 207
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DO TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS
6.1 Disco rolando sem escorregar sobre um plano inclinado
A figura 20 mostra um disco de raio R que rola sem escorregar sobre um plano
inclinado, sob a acção das forças de gravidade e da força elástica de uma mola linear, nas
condições da figura.
•
R
C
K
Aθ
xx
xx
x
Figura 20 - Disco que rola sem escorregar sobre um plano inclinado.
Sabendo que o disco parte do repouso, de uma posição em que a mola não está
deformada, pretende-se determinar:
a) A máxima deformação da mola;
b) A equação do movimento do disco;
Para resolver o problema, deve-se começar por representar o diagrama de corpo
livre do disco, colocando todas as forças, exteriores, interiores e de inércia, que nele
actuam, como se mostra na figura 21.
Quando o disco se move ao longo da rampa, as forças de ligação em A não realizam
trabalho. Com efeito, a força N é sempre perpendicular ao deslocamento e a força de
atrito está aplicada num ponto de velocidade nula, pelo que ambas não realizam
trabalho.
Trata-se de um movimento em que haverá Conservação da Energia Mecânica Total.
208 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Figura 21 - Diagrama de corpo livre do disco.
Análise cinemática
G Av v AGω= + ×
$$! $$! $! $$$!
,
0 0
0 0 0 0
0 0 0
G
R x
v R
α
α
= + × = =
−
((
$$! !
(
, pelo que
,x R x Rα α= =( ((( (( ,
,
dx d
R dx Rd
dt dt
α α= = .
0 0
0 0
G G
R x
a v
α
= = =
i (((($$! $$!
Torsor da quantidade de aceleração
0 0
0 0
G
mR mx
Q ma
α
= = =
i (((($! $$!
[ ]
0 0 0 0
0 0 0 0
0 0
XX
G G YY
ZZ ZZ
I
H I I
I I
ω
α α
= × = =
− −
$$$! $!
( (
X
Y
A
C
T
N
mg
FK
mx((zz
I α((
α(
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 209
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
0
0G G
ZZ
k H
I α
= =
−
i$$! $$$!
((
a) Para responder à alínea a) basta estabelecer o balanço energético entre a posição
inicial (velocidade e deformação da mola nulas) e a posição final (velocidade nula e
deformação da mola máxima). Tem-se que
( ) ( ) ( )2 1 2 1 2g g e e 2 1 1V V V V WΤ Τ− + − + − =
( ) )
g
e
21M g sin x k x 0 0 0
2
WV V
θ
∆∆ ∆ Τ∆
− + + − =*+++,+++- *+,+-*+,+-
donde se obtém
k
singM2x θ= ( x = deformação máxima da mola).
b) Para se obter a equação do movimento do disco deve-se impor um deslocamento
virtual real δδδδx do centro do disco, mantendo a condição de rolamento sem
escorregamento no ponto A, como se mostra na figura 22.
Figura 22 – Campo de deslocamentos virtuais (I).
Aplicando o Teorema dos Trabalhos Virtuais, obtém-se que
e i jW W W 0δ δ δ+ + =
e
KW mg x F x N A T Aδ δ δ δ δ= + + +
! $$! $$! $$! $! $$$! $! $$$!
i i i i
X
Y
A
C
δδδδx
δαδαδαδα
210 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
iW 0δ =
j
GW Q x Kδ δ δα= − −
i$! $$! $$$! $$!
i i
e i j
K GW W W mg x F x N x T x Q x K 0δ δ δ δ δ δ δ δ δα+ + = + + + − − =
i! $$! $$! $$! $! $$! $! $$! $! $$! $$$! $$!
i i i i i i
ZZ
mg sin x Kx x 0 0 T 0 mx x 0 0
mgcos 0 0 0 N 0 0 0 0 0 0 0 0
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 I
θ δ δ δ
θ
α δα
−
− + + + − − =
− −
((
i i i i i i
((
ZZmg sin x Kx x mx x I 0θ δ δ δ α δα− − − =(( ((
ZZmx x I Kx x mg sin xδ α δα δ θ δ+ + =(( ((
ZZ
x x
mx x I Kx x mg sin x
R R
δδ δ θ δ+ + =
((((
θ + + =
((ZZ
2
I
m x Kx mg sin
R
a qual representa a equação de movimento do sistema.
Para determinar a reacção do plano inclinado sobre o disco (
$!
N ) pode-se aplicar um
deslocamento virtual yδ
$$!
segundo a direcção da normal ao plano inclinado e impedindo a
rotação virtual do disco, como se mostra na figura 23, determinando-se o correspondente
Trabalho Virtual realizado pelas solicitações aplicadas ao sistema.
Figura 23 – Campo de deslocamentos virtuais (II).
X
Y
A
C
δδδδy
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 211
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Assim,
e i j
KW W W mg y F y N y T y Q y 0δ δ δ δ δ δ δ δ+ + = + + + − =
i! $$! $$! $$! $! $$! $! $$! $! $$!
i i i i i
mg sin 0 Kx 0 0 0 T 0 mx 0
mgcos y 0 y N y 0 y 0 y 0
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
θ
θ δ δ δ δ δ
−
− + + + − =
((
i i i i i
mgcos y N y 0θ δ δ− + =
θ=N mgcos
Para determinar a força de atrito no ponto de contacto A (T
$!
),pode-se aplicar um
deslocamento virtual xδ
$$!
segundo a direcção do plano inclinado e impedindo a rotação
virtual do disco, determinando-se o correspondente Trabalho Virtual realizado pelas
solicitações aplicadas ao sistema, como se mostra na figura 24.
Figura 24 – Campo de deslocamentos virtuais (III).
Assim,
e i j
KW W W mg x F x N x T x Q x 0δ δ δ δ δ δ δ δ+ + = + + + − =
i! $$! $$! $$! $! $$! $! $$! $! $$!
i i i i i ,
mg sin x Kx x 0 x T x mx x
mgcos 0 0 0 N 0 0 0 0 0 0
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
θ δ δ δ δ δ
θ
−
− + + + − =
((
i i i i i
,
mg sin x Kx x T x mx x 0θ δ δ δ δ+ − + − =(( ,
T mx Kx mg sinθ= + −(( .
X
Y
A
C
δδδδx
A’
C’
δδδδx
212 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.2 Mecanismo simples
O sistema mecânico representado na figura 25 é constituído por dois corpos:
Figura 25 - Mecanismo simplesCorpo1 - Um disco, de raio r e massa m1, que roda em torno do ponto O fixo, com
velocidade angular θ( e aceleração angular θ(( , accionado pelo momento motor
Mm cos ωωωωt; o disco está ligado à mola de rigidez k através de um cabo
inextensível que se enrola sobre o próprio disco;
Corpo 2 - Um braço, rigidamente ligado ao corpo 1, de comprimento 4r e de massa m2.
Na ausência de momento motor (Mm = 0) o mecanismo atinge o estado de equilíbrio
estático, quando o braço (corpo 2) se encontra na posição horizontal e a mola apresenta
uma deformação inicial ∆∆∆∆.
Considerando a massa e a inércia dos dois corpos, e recorrendo ao Teorema dos
Trabalhos Virtuais, pretende-se determinar:
a) A equação de movimento do sistema;
b) A força de ligação ao exterior no ponto O;
Usando o Teorema da Conservação da Energia Mecânica Total, determinar:
c) A velocidade angular do disco quando, na ausência de momento motor, o braço
é largado da posição vertical (θθθθ = -ππππ/2) e roda 90º no sentido contrário ao dos
ponteiros do relógio;
X0
X1
Y0
k
θ
Mm cos ωt
O A
G2
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 213
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.2.1 Diagrama de corpo livre
A figura 26-a mostra o diagrama de corpo livre do sistema, estando representadas
as forças e momentos exteriores que actuam sobre o mecanismo: os pesos dos dois corpos,
a força da mola, a força de ligação ao exterior no ponto O e o momento exterior aplicado,
respectivamente:
.ktcosMeR,F,gm,gm mOk21
!!!
ω
a) b)
Figura 26 - Diagrama de corpo livre do mecanismo: a) Forças e momentos exteriores; b)
Quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
A figura 26-b mostra o diagrama de corpo livre do sistema, estando representadas
as quantidades de aceleração e momentos dinâmicos dos vários corpos que compôem o
mecanismo: momento dinâmico do corpo 1 em G1 , quantidade de aceleração do corpo 2 e
o momento dinâmico do corpo 2 em G2, respectivamente:
.KeQ,K 22G
21
1G
•
X0
X1
Y0
k
θ
Mm cos ωt
O
A
m2 g
m1 g
Fk
ROX
ROY
X0
X1
Y0
k
θ O
KG1
KG2 •2Q
214 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.2.2 Equação de Movimento
Para se obter a equação de movimento deve ser imposto ao mecanismo um sistema
de deslocamentos virtuais reais, que traduzam o movimento real do mecanismo.
Considera-se uma rotação virtual real δθ em torno do ponto O, do qual resultam
deslocamentos dos pontos A e G2. O ponto O permanece fixo como se mostra na Figura 27.
A rotação virtual dos corpos 1 e 2 é igual.
Figura 27 - Campo de deslocamentos virtuais (I).
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao conjunto de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela seguinte expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + =
a qual é equivalente a escrever:
e
1 2 2 K m OW m g O m g G F A M cos tk R Oδ δ δ δ ω δθ δ= + + + +
!$$$! $$$$! $$! $$$! $$! $$! $$$!! !
i i i i i
iW 0δ =
j 1 2 2
G1 2 G2W K Q G Kδ δθ δ δθ= − − −
i$$$! $$$! $$$$!$$! $$$$! $$!
i i i
Note-se que o trabalho virtual das forças e momentos de inércia é igual e de sinal
contrário ao trabalho realizado pelas quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
X0
X1
Y0
k
θO
A�
δθ
X�1
A
δy
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 215
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A soma das três parcelas tem por resultado:
0KGQKOR
ktcosMAFGgmOgm
2
2G2
21
1GO
mK221
=•−•−•−•
+•+•+•+•
•
δθδδθδ
δθωδδδ
!!!
Tendo em atenção que para o sistema de deslocamentos e rotações virtuais imposto
ao mecanismo o ponto permanece fixo e logo 0O
!
=δ obtém-se
0KGQKktcosMAFGgm 22G2
21
1GmK22 =•−•−•−•+•+•
•
δθδδθδθωδδ
!!
a) Forças e momentos exteriores
Os vectores que representam as forças e momentos exteriores envolvidos na
expressão anterior devem agora ser determinados.
( ) ( ) ( )
=
−=
+−−=
+−=
−=
−=
tcosM
0
0
ktcosM
0
RK
0
0
RK
0
0
YK
0
0
F
0
F
0
gm
0
gm
m
m
kK
22
ω
ω
∆θ∆θ∆
!
!
b) Quantidades de aceleração e momentos dinâmicos
Os vectores que representam as quantidades de aceleração e momentos dinâmicos
envolvidos na expressão anterior devem agora ser determinados.
b.1 Momento dinâmico do corpo 1 no ponto G1
[ ]
1 1
1 1
1 0
1 1 1 1
1
x x
1 1 1
G1 G1 10 y y G1
S S
1 1
z z z z
I 0 0 0 0
H I x 0 I 0 x 0 0 H
0 0 I I
ω
θ θ
= = = =
$$$! $$$!$$$!
( (
216 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
0
1 1
1
G1
S
1
z z
0
K 0
I θ
=
$$$!
((
b.2 Quantidade de aceleração do corpo 2
−
−−
=
−
−−
=
−
=
=
•
0
sincos
cossin
R2mQ
0
sincos
cossin
R2a
0
cos
sin
R2v
0
sinR2
cosR2
OG
2
2
2
2
2
2
2G
2G
S
2
0
θθθθ
θθθθ
θθθθ
θθθθ
θθ
θθ
θ
θ
(((
(((
(((
(((
(
(
b.3 Momento dinâmico do corpo 2 no ponto G2
[ ]
=
=
=
==
θ
θθ
ω
((
((
2
zz
S
2
2G
S
2
2G
2
zz
2
zz
2
yy
2
xx
202G
S
2
2G
22
0
0
2222
22
22
1
I
0
0
K
H
I
0
0
0
0
x
I00
0I0
00I
xIH
c) Sistema de deslocamentos e rotações virtuais
=
δθ
δθ 0
0
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 217
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
−
=
+
=+=
0
cosR2
sinR2
0
sinR2
cosR2
x0
0
0
0
0
OGxOG 22 δθθ
δθθ
θ
θ
δθ
δθδδ
−=
−
+
=+=
0
R
0
0
0
R
x0
0
0
0
0
OAxOA δθ
δθ
δθδδ
Substituindo todas os vectores na equação de movimento
0KGQKktcosMAFGgm 22G2
21
1GmK22 =•−•−•−•+•+•
•
δθδδθδθωδδ
!!
obtém-se
( )
00
0
I
0
0
0
cosR2
sinR2
0
sincos
cossin
R2m
0
0
I
0
0
0
0
tcosM
0
0
*
0
R
0
0
RK
0
0
cosR2
sinR2
0
gm
0
2
zz
2
2
2
1
zzm
2
22
11
=
•
−
−
•
−
−−
−
−
•
−
•
+
−•
−+
−
•
−
δθθ
δθθ
δθθ
θθθθ
θθθθ
δθθδθω
δθ∆θδθθ
δθθ
((
(((
(((
((
isto é
( )
( ) 0IR2R2mI
tcosMRRKcosR2gm
2
zz2
1
zz
m2
2211
=−−−
+−−−
δθθδθθδθθ
δθωδθ∆θδθθ
((((((
Simplificando a expressão anterior determina-se que
( ) ( ) tcosMcosRgm2RRKRm4II m2222 zz1 zz 2211 ωθ∆θθ =+−+++ ((
Neste mecanismo as oscilações dos corpos em torno da posição de equilíbrio são de
muito pequena amplitude. Logo o valor do ângulo θθθθ é sempre muito pequeno. Nestas
condições tem-se que:
218 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
θθθθpequeno ⇔⇔⇔⇔ sin θθθθ ≈≈≈≈ θθθθ e cos θθθθ ≈≈≈≈ 1 .
Aplicando esta simplificação à expressão anterior obtém-se:
( ) ( ) tcosMRgm2RRKRm4II m2222 zz1 zz 2211 ω∆θθ =+−+++ ((
Analisando a posição de equilíbrio estático, isto é quando o sistema se encontra em
repouso, verifica-se que:
0,0,0tcosMm === θθω ((
e substituindo na expressão anterior determina-seque
0Rgm2RK 2 =+− ∆
isto é
K
gm2 2=∆
Deste modo a equação de movimento do mecanismo toma a seguinte forma final
( ) tcosMRKRm4II m2222 zz1 zz 2211 ωθθ =+++ ((
6.2.3 Forças de ligação ao exterior no ponto O
Para se obter as reacções no ponto O, determinam-se as componentes segundo OX
e OY separadamente.
No que diz respeito à componente ROX, pode-se impor a todos os pontos do
mecanismo um deslocamento virtual imaginário xδ , bloqueando o movimento real θθθθ do
mecanismo, 0
!
=δθ , como se mostra na figura 28.
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao sistema de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela seguinte expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + =
a qual é equivalente a escrever:
e
1 2 K m OW m g x m g x F x M cos tk R xδ δ δ δ ω δθ δ= + + + +
!$$! $$! $$! $$! $$! $$! $$!! !
i i i i i
iW 0δ =
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 219
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
j 1 2 2
G1 2 G2W K Q G Kδ δθ δ δθ= − − −
i$$$! $$$! $$$$!$$! $$$$! $$!
i i i
Figura 28 - Campo de deslocamentos virtuais (II).
A soma das três parcelas tem por resultado:
00KxQ0KxR
0ktcosMxFxgmxgm
2
2G
21
1GO
mK21
=•−•−•−•
+•+•+•+•
• !!
!!!!
δδ
ωδδδ
Tendo em atenção o sistema de deslocamentos e rotações virtuais imposto ao
mecanismo, obtém-se
( )
1 1
1 2
m
OX
OY
1
z z
0 x 0 x 0 x 0 0
m g 0 m g 0 K R 0 0 0
0 0 0 0 0 0 M cos t 0
R x 0 0
R 0 0 0
0 0 0I
δ δ δ
θ ∆
ω
δ
θ
− + − + − +
+ −
i i i i
i i
((
2 2
2
2
2
2
z z
sin cos x 0 0
m 2R cos sin 0 0 0 0
0 0 0I
θ θ θ θ δ
θ θ θ θ
θ
− − − − − =
(( (
(( ( i i
((
( ) 0xcossinR2mxR 22OX =−−− δθθθθδ (((
isto é
( )θθθθ cossinR2mR 22OX ((( +−=
X0
X1 Y0
k
O
O�
X�1
A
δx
220 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
No que diz respeito à componente ROY, podem-se impor a todos os pontos do
mecanismo um deslocamento virtual imaginário yδ , bloqueando o movimento real θθθθ do
mecanismo, 0
!
=δθ , como se mostra na figura 29.
Figura 29 - Campo de deslocamentos virtuais (III).
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao sistema de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + = , a qual é equivalente a escrever:
e
1 2 K m OW m g y m g y F y M cos tk R yδ δ δ δ ω δθ δ= + + + +
!$$! $$! $$! $$! $$! $$! $$!! !
i i i i i
iW 0δ =
j 1 2 2
G1 G2W K Q y Kδ δθ δ δθ= − − −
i$$$! $$$! $$$$!$$! $$! $$!
i i i
A soma das três parcelas tem por resultado:
00KyQ0KyR
0ktcosMyFygmygm
2
2G
21
1GO
mK21
=•−•−•−•
+•+•+•+•
• !!
!!!!
δδ
ωδδδ
Tendo em atenção o sistema de deslocamentos e rotações virtuais imposto ao
mecanismo, obtém-se
X0
X1
Y0
k
O
O�
X�1
A
δy
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 221
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )
1 1
1 2
m
OX
OY
1
z z
0 0 0 0 0 0 0 0
m g y m g y K R y 0 0
0 0 0 0 0 0 M cos t 0
R 0 0 0
R y 0 0
0 0 0I
δ δ θ ∆ δ
ω
δ
θ
− + − + − +
+ −
i i i i
i i
((
2 2
2
2
2
2
z z
sin cos 0 0 0
m 2R cos sin y 0 0 0
0 0 0I
θ θ θ θ
θ θ θ θ δ
θ
− − − − − =
(( (
(( ( i i
((
( ) 0ysincosR2myRy)R(kygmygm 22OY21 =−−+−+−− δθθθθδδ∆θδδ (((
isto é
( ) ( )gmm)R(ksincosR2mR 2122OY ++−−−= ∆θθθθθ (((
6.2.4 Velocidade angular do disco
A velocidade angular do disco, na ausência de momento motor, após o corpo 2 ter
rodado de um ângulo θθθθ = ππππ/2, partindo do repouso da posição θθθθ0000 = -ππππ/2, pode ser
determinada recorrendo ao Princípio da Conservação da Energia Mecânica Total:
2 1
mt mt n cons.E E W= −
Atendendo a que todas as forças e momentos aplicados ao mecanismo, na ausência
do Momento Motor são conservativas, a expressão anterior reduz-se a:
mt 2 mt1 2 g2 e2 1 g1 e1E E T V V T V V= ⇔ + + = + +
A energia cinética de um corpo é definida, em qualquer instante, pela expressão
[ ]ω ω= +
$$! $$! ! !1 1
.
2 2
T
G G GT Mv v I .
Logo a energia cinética total do mecanismo é dada pela soma das energias cinéticas
de cada corpo, isto é
corpo1 corpo2 1 2T T T T T= + = +
222 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
{ }
{ }
1 1
1 1
1 1
2 2
2 2
2 2
1
x x
1
1 y y
1
z z
2
x x
2
2 y y
2
z z
I 0 0 0
1 1
T m 0 0 0 0 0 I 0 0
2 2
0 0 I
2R sin 2R sin I 0 0 0
1 1
m 2R cos 2R cos 0 0 0 I 0 0
2 2
0 0 0 0 I
θ
θ
θ θ θ θ
θ θ θ θ θ
θ
= + × +
− −
+ + ×
! ! (i
(
( (
( ( (i
(
( ) 22 zz221 zz21 2211 IRm4I2
1TTT θ(++=+=
A energia potencial gravítica de um corpo é definida, em qualquer instante, pela
expressão hg YgmV = . Portanto, a energia potencial gravítica do mecanismo é dada por
corpo1 corpo 2 1 2 1 2
g g g g g 1 h 2 hV V V V V m gY m gY= + = + = +
A energia potencial elástica de uma mola é definida, em qualquer instante, pela
expressão ( )2e XK2
1V ∆= .
No instante inicial o sistema está em repouso 0=θ( , os corpos 1 e 2 estão na
posição vertical 1 2h hY 0 e Y 2R= = − e a deformação da mola é igual a
−− ∆π
2
R ,
logo:
1
g1 2
2
e1
T 0
V 2 m g R
1
V k R
2 2
π ∆
=
= −
= − −
No instante final o sistema está em movimento os corpos 1 e 2 estão na posição
horizontal 1 2h hY 0 e Y 0= = e a deformação da mola é igual a ( )∆ , logo:
( )
( )
1 1 2 2
1 2 2 2
2 z z 2 z z
g2
2
e2
1
T I 4m R I
2
V 0
1
V k
2
θ
∆
= + +
=
= −
(
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 223
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Substituindo todos os valores na expressão que estabelece a Conservação da
Energia Mecânica Total obtém-se
( ) ( )222 zz221 zz
2
2 k2
1IRm4I
2
1
2
Rk
2
1Rgm2
2211
∆θ∆π +++=
−−+− (
isto é
( )
( )
( )
( )2 zz221 zz
2
2
2
2
zz
2
2
1
zz
2
2
2
2
2211
2211
IRm4I
Rgm4
2
Rk
IRm4I
Rgm4
2
Rk
++
−
−
−−
=
++
−
−
−−
=
∆∆π
θ
∆∆π
θ
(
(
224 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3 Sistema came – impulsor
O sistema mecânico representado na figura 30 é constituído por:
Corpo 1: Um disco de massa m1,
que roda em torno do ponto O,
com velocidade angular θ(
constante, sob a acção do
Momento motor Mm;
Corpo 2: um rolete de massa m2,
que roda em torno do ponto
A ≡≡≡≡ G2, e rola sem escorregar
sobre o corpo 1 no ponto I;
Corpo 3: um impulsor de massa
m3, que translada segundo o eixo
OY, e está submetido à acção da
mola de rigidez K e de uma força
resistente FR.
Para θθθθ=-ππππ/2 a deformação
da mola é nula.
Admite-se que todas as
ligações são perfeitas e são
consideradas as massas e as
inércias dos três corpos.
Pretende-se determinar a
equação de movimento,as forças
de ligação entre os corpos 1 e 2,
e as reacções no apoio O.
Figura 30 – Sistema mecânico Came – Impulsor.
1
2
3
O
A
B
C
I
G1
b
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R
a
Mm
K
e
FR
γγγγ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 225
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3.1 Geometria e cinemática cinemática do sistema came impulsor
A análise do triângulo OG1A permite escrever as seguintes duas equações:
ecos (R r) sin
OA e sin (R r)cos
θ ϕ
θ ϕ
= +
= + +
(89, 90)
A expressão (89) permite determinar o ângulo ϕϕϕϕ em função de θθθθ, isto é,
ϕ θ = +
e
arc
r R
sin cos
( )
Derivando em ordem ao tempo a expressão (89) obtém-se
ϕ
θθϕϕϕθθ
cos
sin
)Rr(
ecos)Rr(sine ((((
+
−=⇔+=− (91)
Derivando em ordem ao tempo a expressão (918) determina-se que
( ) ϕϕθθθθϕϕ
ϕϕϕϕθθθθ
sin)Rr(cossinecos)Rr(
sin)Rr(cos)Rr(cosesine
22
22
((((((
((((((
++−−=+
+−+=−−
( ) ϕϕθθθθ
ϕ
ϕ tgcossin
cos)Rr(
e 22 (((((( +−
+
−=
As primeira e segunda derivadas em ordem ao tempo da expressão (90) permitem
determinar a velocidade e aceleração do ponto A, isto é,
( ) ( )ϕϕϕϕθθθθ
ϕϕθθ
cossin)rR(sincosea
sin)rR(cosev
22
A
A
((((((
((
++−−=
+−=
(92, 93)
O corpo 1 está submetido a um movimento de rotação em torno do ponto O,
representado pelo parâmetro cinemático θθθθ, e o corpo 2 rola sem escorregar sobre o corpo
1 no ponto I, sendo a sua rotação definida pelo parâmetro γγγγ.
A velocidade e aceleração angulares do corpo 2 podem ser determinadas
estabelecendo que
226 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
I1 I2
t t
I1 I2
n n
I1 I2
O 10 A 20
pq.ocorre rolamento semecorregamento;
pq.ocorre permanentemente contacto;
v v
v v
v v
v OI v AI
0 0 ecos R sin
0 0 e sin Rcos
0 0
ω ω
θ ϕ
θ ϕ
θ
=
= →
= →
+ × = + ×
−
+ × +
$$! $$$!
$$! $$$! $$! $$! $$$$! $$!
(
( )
( )
A
A
0 0 r sin
v 0 r cos
0 0
e sin R cos r cos
ecos R sin v r sin
0 0
ϕ
ϕ
γ
θ ϕ θ γ ϕ
θ ϕ θ γ ϕ
= + × −
−
− + −
− = −
(
( (
( (
isto é,
( )
( )θϕθϕγ
θϕθϕγ
((
((
sinRcosesinrv
cosRsinecosr
A −=−
+−=−
(94, 95)
Simplificando as expressões anteriores obtém-se
( )
( ) ϕγθϕθ
ϕθ
ϕ
θγ
sinrsinRcosev
cosRsine
cosr
A ((
(
(
+−=
+=
isto é,
( ) ϕ
ϕ
θθθϕθ
ϕ
θθγ
sin
r
R
cos
sin
r
ersinRcosev
r
R
cos
sin
r
e
A
++−=
+=
((
((
( )ϕθθθ
ϕ
θθγ
tgsincosev
r
R
cos
sin
r
e
A +=
+=
(
((
(96, 97)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 227
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
As expressões (92) e (97) deveriam ser iguais, o que pode ser obtido após adequada
transformação. Assim retomando a definição de ϕ( apresentada em (91)
ϕ
θθϕ
cos
sin
)Rr(
e ((
+
−=
e substituindo-a na expressão de VA apresentada em (92)
ϕϕθθ sin)rR(cosevA (( +−=
obtém-se
ϕ
ϕ
θθθθ sin
cos
sin
)Rr(
e)rR(cosevA
+
−+−= ((
o que simplificando permite obter
ϕ
ϕ
θθθθ sin
cos
sinecosevA
+= ((
isto é,
+=
ϕ
ϕθθθ
cos
sinsincosevA ( , c.q.d.
A aceleração angular do corpo 2 pode ser obtida derivando em ordem ao tempo a
expressão (94)
( )θϕθϕγ (( cosRsinecosr +−=−
isto é
( )
( ) ϕγγγθθθϕθθϕγ
γγθθθϕθθϕγϕγ
sinrsinRcosecosRsinecosr
sinRcosecosRsinesinrcosr
22
22
((((((((
((((((((
−+−+−=−
+−+−=+−
( )[ ]ϕγγγθθθϕθθ
ϕ
γ sinrsinRcosecosRsine
cosr
1 22 (((((((( +−++=
228 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3.2 Diagrama de corpo livre do sistema
A figura 31-a mostra o diagrama de corpo livre do sistema, estando representados
as forças e momentos exteriores que actuam sobre o mecanismo: os pesos dos três corpos,
a força da mola, as forças de ligação ao exterior nos pontos O, B e C e o momento exterior
aplicado e a força resistente, respectivamente:
.FeM,R,R,R,F,gm,gm,gm RmCBOK321
!!!
A figura 31-b mostra o diagrama de corpo livre do sistema onde são representadas
as quantidades de aceleração e os momentos dinâmicos no centro de massa dos 3 corpos
que constituem o mecanismo, respectivamente:
.am,K,am,K,am 3G3
2
2G2G2
1
1G1G1
6.3.3 Equação de movimento do sistema came-impulsor
Para se obter a equação de movimento deve ser imposto ao mecanismo um sistema
de deslocamentos virtuais reais, que traduza o movimento real do mecanismo.
No caso do sistema came impulsor é imposta uma rotação virtual real δθ em torno
do ponto O, do qual resulta um deslocamento dos pontos G1 e A. O ponto O permanece
fixo. A rotação virtual do corpo 2 é δγ .
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao conjunto de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela seguinte expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + = , isto é ( iW 0δ = , ligações perfeitas)
e
1 1 2 2 3 3 K 3 R 3 m
O B C
W m g G m g G m g G F G F G M k
R O R B R C
δ δ δ δ δ δ δθ
δ δ δ
= + + + + +
+ + +
!$$$$! $$$$! $$$$! $$! $$$$! $$! $$$$! $$!! ! !
i i i i i i
$$! $$$! $$! $$! $$! $$!
i i i
j 1 1 2 2 3
1 G1 2 G2 3W Q G K Q G K Q Gδ δ δθ δ δγ δ
• • •
= − − − − −
$$! $$$! $$$! $$$$! $$$!$$$$! $$! $$$$! $$! $$$$!
i i i i i
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 229
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Note-se que o trabalho virtual das forças e momentos de inércia é igual e de sinal
contrário ao trabalho realizado pelas quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
a) b)
Figura 31 - Diagrama de corpo livre do sistema came - impulsor:
a) Forças e momentos exteriores;
b) Quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
O
A
B
C
I
G1
b
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
R
a
KG1
m3 aG3
G3
m2 aG2
m1 aG1
KG2
O
A
B
C
I
G1
b
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R
a
Mm
FK
RB
RC
m3 g
m2 g
m1 g
ROX
ROY
G3
FR
X
230 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A soma das três parcelas tem por resultado:
1 1 2 2 3 3 3 3
1 1 2 2 3
1 1 2 2 3 0
K R m O B
C G G
m g G m g G m g G F G F G M k R O R B
R C Q G K Q G K Q G
δ δ δ δ δ δθ δ δ
δ δ δθ δ δγ δ
• • •
+ + + + + + + +
− − − − − =
!$$$! $$$$! $$$$! $$! $$$$! $$! $$$$! $$! $$! $$$! $$! $$!! ! !
i i i i i i i i
$$! $$$! $$$! $$$! $$!$$! $$! $$$! $$! $$$$! $$! $$$$!
i i i i i i
a) Forças e momentos exteriores
Os vectores que representam as forças e momentos exteriores envolvidos na expressão
anterior devem agora ser determinados.
1 1 2 2 3 3
0 0 0
; ;
0 0 0
m g m g m g m g m g m g= − = − = −
! ! !
( ) ( )
2
0
0 0
0 0
0
K kF F K y K OA OA πθ θ θ= =−
= − = − ∆ = − −
$$!
( ) ( )[ ] ( ) ( )( )[ ]
0 0
sin cos cos 1 sin 1 cos
0 0
KF K e R r e R r K e R rθ ϕ ϕ θ ϕ= − + + − − + + = − + − + −
$$!
0 0
; 0 ; ; 0 ; 0
0 0 0 0
OX BX CX
R R m O OY B C
m
R R R
F F M k R R R R
M
= − = = = =
!$! $$! $$! $$!
b) Quantidades de aceleração e momentos dinâmicos
Os vectores que representam as quantidades de aceleração e momentos dinâmicos
envolvidos na expressão anterior devem agora ser determinados.
b.1 Quantidade de aceleração do corpo 1
0
1 1
sincos
sin cos
00
GS
e
OG e v e
θ θθ
θ θ θ
−
= =
(
$$$$! $$$! (
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 231
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2 2
•
2 1 2
1 1
sin cos sin cos
cos sin cos sin
0 0
Ga e Q m e
θ θ θ θ θ θ θ θ
θ θ θ θ θ θ θ θ
− − − −
= − = −
(( ( (( (
$$!$$$! (( ( (( (
b.2 Momento dinâmico do corpo 1 no ponto G1
[ ]
=
=
=
==
θ
θθ
ω
((
((
1
zz
S
1
1G
S
1
1G
1
zz
1
zz
1
yy
1
xx
101G
S
1
1G
11
0
0
1111
11
11
1
I
0
0
K
H
I
0
0
0
0
x
I00
0I0
00I
xIH
b.3 Quantidade de aceleração do corpo 2
( ) ( )θ ϕ θ θ ϕ ϕ
= = + + = − +
$$$$! $$$! $$$! ( (GS SOG OA e R r v e R r0 02 2
00
sin cos cos sin
0 0
( ) ( )
( ) ( )
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
= − − + +
= − − + +
$$$! (( ( (( (
$$$!
(( ( (( (
Ga e R r
Q m e R r
2 2
2
•
2 2 2
2
0
cos sin ( ) sin cos
0
0
cos sin ( ) sin cos
0
b.4 Momento dinâmico do corpo 2 no ponto G2
[ ]
−
=
=
−
=
−
==
γ
γγ
ω
((
((
2
zz
S
2
2G
S
2
2G
2
zz
2
zz
2
yy
2
xx
202G
S
2
2G
22
0
0
2222
22
22
1
I
0
0
K
H
I
0
0
0
0
x
I00
0I0
00I
xIH
232 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
b.5 Quantidade de aceleração do corpo 3
A aceleração do ponto G3 é igual à aceleração do ponto G2. Logo
( ) ( )
++−−=
•
0
cossin)rR(sincose
0
mQ 223
3 ϕϕϕϕθθθθ ((((((
c) Campo de deslocamentos e rotações virtuais
1 1
0 0
0 0
0
0 0 cos sin
0 0 sin cos
0 0 0
O
G O OG
e e
e e
δ δθ
δθ
δ δ δθ
θ θδθ
θ θδθ
δθ
= =
= + ×
−
= + × =
$$$$! $$$!
$$$! $$! $$! $$$!
( )
( )
( )
2 3
0 0
0 0
sin
cos
0
cos sin
0
e
R r
G G B C OA
e tg
δγ
δγ θ δθ
ϕ
δ δ δ δ δ
δθ θ θ ϕ
= =
− −
+
= = = =
= +
$$$$!
$$$$! $$$$! $$! $$! $$$!
Figura 32 – Campo de deslocamentos virtuais (I).
O
G1
δδδδθθθθ
Y
X
G’1
δδδδy
A
A’
δδδδγγγγ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 233
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
d) Equação de movimento
A equação de movimento pode ser simplificada, atendendo a que
CBGG 32 δδδδ ===
e logo
( )
1 2 3
O 1 1 2 3 K R B C 2
1 2
m G1 G2
R O m g Q G m g m g F F R R Q Q G
M k K K 0
δ δ δ
δθ δγ
• • •
+ − + + + + + + − − +
+ − − =
$$! $$$! $$$!$$! $$$! $$$$! $$! $$! $$! $$! $$$$!! ! !
i i i
$$$! $$$$!! $$! $$!
i i
Substituindo todos os vectores na equação de movimento obtém-se
( ) ( )( )
θ θ θ θθ δθ θ δθ
θ δθ θ θ θ θ θ δθ
θ ϕ
− −− − + − − − +
+
+ − − − − + − + − −
(( (
(( (i i i
2
OX
2
OY 1 1
BX CX
2 3 R
sin cosR 0 0 e sin e sin
R 0 m g ecos m e cos sin ecos
0 0 0 0 0 0
R R
m g m g K e 1 sin R r 1 cos F
0
( )
( ) ( ) ( ) ( )
δθ θ θ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ δθ θ θ ϕ
δθθ γ
+ +
− + − − + + + +
−
− − −
i
(( ( (( ( i
i i
(( ((
1 1 2 2
2 2
2 3
1 2
m z z z z
0
e cos sin tg
0
0 0
m m e cos sin (R r) sin cos e cos sin tg
00
0 0 0 0
0 0 0 0
eM I I
R( )
θ δθ
ϕ
=
+
0
sin
r cos
Executando os produtos escalares obtém-se a seguinte expressão
( )( ) ( )
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( )1 1 2 2
2
1 1 2 3
2 2
2 3
1 2
cos 1 cos sin
cos sin ( ) sin cos cos sin
sin
0
cos
R
m z z z z
m ge m e m g m g Ke sen F e tg
m m e R r e tg
e
M I I
R r
θδθ θδθ θ δθ θ θ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ δθ θ θ ϕ
θθ δθ γ δθ
ϕ
− − − + + + + +
− + − − + + +
− − − = +
((
(( ( (( (
(( ((
234 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Simplificando a expressão anterior determina-se que
( ) ( )( )( ) ( )
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( )1 1 2 2
2
1 1
2 3
2 2
2 3
1 2
cos
1 sin 1 cos cos sin
cos sin ( ) sin cos cos sin
sin
0
cos
R
m z z z z
m ge m e
m g m g K e R r F e tg
m m e R r e tg
e
M I I
R r
θ θ
θ ϕ θ θ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ θ θ ϕ
θθ γ
ϕ
− − −
− + + + − + − + +
− + − − + + +
− − − = +
((
(( ( (( (
(( ((
Agrupando os termos obtém-se, finalmente, a equação de movimento do sistema
( )
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( )( )( ) ( )
1 1 2 2
1 2 2
1
2 2
2 3
2 3 1
sin
cos
cos sin ( ) sin cos cos sin
1 sin 1 cos cos sin cos
m z z z z
R
e
M I m e I
R r
m m e R r e tg
m g m g K e R r F e tg m ge
θθ θ γ
ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ θ θ ϕ
θ ϕ θ θ ϕ θ
= + − +
+
+ + − − + + +
+ + + + − + − + + +
(( (( ((
(( ( (( (
6.3.4 Forças de ligação entre os corpos 1 e 2 no ponto I
As forças de ligação entre os corpos 1 e 2 no ponto ΙΙΙΙ são constituídas por:
• uma componente N normal à tangente comum aos dois discos no ponto ΙΙΙΙ;
• uma componente T segundo a direcção da tangente comum aos dois discos no
ponto ΙΙΙΙ, responsável pela existência de rolamento sem escorregamento entre
os dois corpos.
De modo a ser possível determinar tais forças de ligação é necessário eliminar o
corpo 1 e substituir as suas acções sobre o corpo 2 pelas componentes N e T atrás
referidas, como se mostra na figura 33.
Nesta figura estão representadas todas as forças e momentos que actuam sobre o
“novo” sistema, quer sejam exteriores, interiores ou de inércia.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 235
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
a) b)
Figura 33 - Diagrama de corpo livre do rolete + impulsor:
a) Forças e momentos exteriores;
b) Quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
O
A
B
C
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
FK
RB
RC
m3 g
m2 g
G3
T
N
O
A
B
C
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R
m3 aG3
G3
m2 aG2
KG2
FR
236 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
a) Determinação da componente T
A determinação da componente T pode ser obtida aplicando ao sistema o seguinte
campo de deslocamentos virtuais (ver figura 34):
• Imobilizar os corpos 2 e 3 impedindo a sua translação nas direcções X e Y;
• Aplicar uma rotação virtual γδ em torno do ponto A ao corpo 2.
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao conjunto de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela seguinte expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + = , isto é ( iW 0δ = )
e
2 2 3 3 K 3 R 3 B CW m g G m g G F G F G R B R C
N I T I
δ δ δ δ δ δ δ
δ δ
= + + + + +
+ +
$$$$! $$$$! $$! $$$$! $$! $$$$! $$! $$! $$! $$!! !
i i i i i i
! !$$! $$!
i i
j 2 2 3
2 G2 3W Q G K Q Gδ δ δγ δ
• •
= − − −
$$$! $$$$! $$$!$$$$! $$! $$$$!
i i i
Note-se que o trabalho virtual das forças e momentos de inércia é igual e de sinal
contrário ao trabalho realizado pelas quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
A soma das três parcelas tem por resultado:
0GQKGQITIN
CRBRGFGFGgmGgm
3
32
2G2
2
CB3R3K3322
=•−•−•−•+•+
•+•+•+•+•+•
••
δδγδδδ
δδδδδδ
!!
!!
a.1 Campo de deslocamentos e rotações virtuais
−
−
=
−
−
+
=+=
====
−
=
0
sinr
cosr
0
cosr
sinr
x0
0
0
0
0
AIxAI
0
0
0
CBGG0
0
32
ϕδγ
ϕδγ
ϕ
ϕ
δγ
δγδδ
δδδδ
δγ
δγ
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 237
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Atendendo a que 0CBGG 32
!
==== δδδδ ,
a equação pode ser simplificada, obtendo-se
0KITIN 22G =•−•+• δγδδ
!
2 2
2
sin cos
cos sin
0 0
cos cos 0 0
sin sin 0 0 0
0 0 z z
N r
N r
T r
T r
I
ϕ δγ ϕ
ϕ δγ ϕ
ϕ δγ ϕ
ϕ δγ ϕ
γ δγ
− −
− +
− −
+ − − − =
− −
i
i i
((
2 2
2
sin cos cos sin
cos cos sin sin
0z z
N r N r
T r T r
I
ϕ δγ ϕ ϕ δγ ϕ
ϕ δγ ϕ ϕ δγ ϕ
γδγ
− +
+ + −
− =((
γ((2 zz 22IrT =
γ((
r
I
T
2
zz 22=
Figura 34 –
Campo de deslocamentos virtuais (II).
b) Determinação da componente N
A determinação da componente N pode ser obtida aplicando ao sistema o seguinte
campo de deslocamentos virtuais (ver figura 35):
• Imobilizar a rotação do corpo 2 em torno do ponto A;
• Aplicar um deslocamento virtual imaginário yδ aos corpos 2 e 3.
O
A
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
δγδγδγδγ
238 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O trabalho virtual realizado pelas forças e
momentos exteriores, pelas forças e momentos
interiores e pelas forças e momentos de inércia,
devido ao conjunto de deslocamentos e rotações
virtuais aplicado, é representado pela seguinte
expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + = , isto é ( iW 0δ = )
e
2 2 3 3 K 3
R 3 B C
W m g G m g G F G
F G R B R C N I T I
δ δ δ δ
δ δ δ δ δ
= + + +
+ + + + + +
$$$$! $$$$! $$! $$$$!! !
i i i
! !$$! $$$$! $$! $$! $$! $$! $$! $$!
i i i i i
j 2 2 3
2 G2 3W Q G K Q Gδ δ δγ δ
• •
= − − −
$$$! $$$$! $$$!$$$$! $$! $$$$!
i i i
A soma das três parcelas tem por resultado:
2 2 3 3 3 3
2
2
2 3
2 3 0
K R
B C
G
m g G m g G F G F G
R B R C N I T I Q G
K Q G
δ δ δ δ
δ δ δ δ δ
δγ δ
•
•
+ + + +
+ + + + − −
− − =
$$$$! $$$$! $$! $$$$! $$! $$$$!! !
i i i i
$$$!! !$$! $$! $$! $$! $$$$! $$$$! $$$$!
i i i i i
$$$! $$!$$! $$$$!
i i
b.1 Campo de deslocamentos e rotações
virtuais
2 3
0 0
0
0 0
G G B C I yδγ δ δ δ δ δ δ
= = = = = =
$$! $$$$! $$$$! $$! $$! $$!
Figura 35 –
Campo de deslocamentos virtuais (III).
Aplicando o campo de deslocamentos virtuais à equação dos Trabalhos Virtuais
determina-se que
O
A
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
δδδδy
A’
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 239
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
0yQQTNRRFFgmgm 32CBRK32 =•
−−+++++++
••
δ
!!!!
( ) ( )( )
( ) ( ) ( )
ϕ
θ ϕ δ ϕ δ
ϕ
ϕ δ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
+ −
− − − + − + − − +
−
+ − − + − − + +
i i
(( ( (( (i
BX CX
2 3 R
2 2
2 3
R R 0 N sin 0
m g m g K e 1 sin R r 1 cos F y N cos y
0 0 0 0
0T cos 0
T sin y m m e cos sin (R r) sin cos
0 0 0
δ
=
i
0
y 0
0
( ) ( )( )
( ) ( ) ( )
ϕ ϕ θ ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
− − − − + − + − − −
− + − − + + =
(( ( (( (
RN T m g m g K e R r F
m m e R r
2 3
2 2
2 3
cos sin 1 sin 1 cos
cos sin ( ) sin cos 0
( ) ( )( ){
( ) ( ) ( ) }
ϕ θ ϕ
ϕ
θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ ϕ
= + + + + − + − + +
+ + − − + +
(( ( (( (
RN T m g m g K e R r F
m m e R r
2 3
2 2
2 3
1
sin 1 sin 1 cos
cos
cos sin ( ) sin cos
6.3.5 Reacção no ponto O
A reacção no ponto O tem duas componentes ROX e ROY.
De modo a ser possível determinar tais componentes da reacção é necessário isolar
o corpo 1 e substituir as acções do corpo 2 sobre o corpo 1 pelas componentes N e T
calculadas no parágrafo anterior, como se mostra na figura 36.
Nesta figura estão representadas todas as forças e momentos que actuam sobre o “novo”
sistema, quer sejam exteriores, interiores ou de inércia.
a) Determinação da componente ROX
A determinação da componente ROX pode ser obtida aplicando à came o seguinte
campo de deslocamentos virtuais (ver figura 37):
• Imobilizar a rotação do corpo 1 em torno do ponto O;
• Aplicar um deslocamento virtual imaginário xδ ao corpo 1.
240 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
a) b)
Figura 36 - Diagrama de corpo livre da a came: a) Forças e momentos exteriores;
b) Quantidades de aceleração e momentos dinâmicos.
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao conjunto de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela seguinte expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + = , isto é ( iW 0δ = )
e
1 1 O mW m g G R O T I N I Mδ δ δ δ δ δθ= + − − +
$$$$! $$! $$$! $! $$! $! $$! $$$! $$!!
i i i i i
j 1 1
1 G1W Q G Kδ δ δθ
•
= − −
$$! $$$!$$$$! $$!
i i
A soma das três parcelas tem por resultado:
0KGQMINITORGgm 11G1
1
mO11 =•−•−•+•−•−•+•
•
δθδδθδδδδ
!
a.1 Campo de deslocamentos e rotações virtuais
===
=
0
0
x
IGO
0
0
0
1
δ
δδδδθ .
O
- N
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R
Mm
m1 g
ROX
ROY
- T
O
A
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R
KG1
m1 aG1
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 241
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Aplicando o campo de
deslocamentos virtuais à equação dos
Trabalhos Virtuais determina-se que
1
1 0Om g R T N Q xδ
•
+ − − − =
$$!$$! $! $! $$!!
i
OX
1 OY
2
2
1
R N sin T cos
m g R N cos T sin
0 0 0
sin cos x
m e cos sin 0 0
0 0
ϕ ϕ
ϕ ϕ
θ θ θ θ δ
θ θ θ θ
− + + − +
− − − − =
(( (
(( ( i
Figura 37 - Campo de deslocamentos virtuais (IV).
( ) 0cossinemcosTsinNR 21OX =++++ θθθθϕϕ (((
( )θθθθϕϕ cossinemcosTsinNR 21OX ((( +−−−=
b) Determinação da componente ROY
A determinação da componente ROY pode ser obtida aplicando à came o seguinte
campo de deslocamentos virtuais:
• Imobilizar a rotação do corpo 1 em torno do ponto O;
• Aplicar um deslocamento virtual imaginário yδ ao corpo 1.
O trabalho virtual realizado pelas forças e momentos exteriores, pelas forças e
momentos interiores e pelas forças e momentos de inércia, devido ao conjunto de
deslocamentos e rotações virtuais aplicado, é representado pela seguinte expressão:
e i jW W W 0δ δ δ+ + = , isto é ( iW 0δ = )
e
1 1 O mW m g G R O T I N I Mδ δ δ δ δ δθ= + − − +
$$$$! $$! $$$! $! $$! $! $$! $$$! $$!!
i i i i i
j 1 1
1 G1W Q G Kδ δ δθ
•
= − −
$$! $$$!$$$$! $$!
i i
O
A
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R
O’ δδδδx
242 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
A soma das três parcelas tem por resultado:
0KGQMINITORGgm 11G1
1
mO11 =•−•−•+•−•−•+•
•
δθδδθδδδδ
!
b.1 Campo de deslocamentos e rotações virtuais
1
0
0
0
0
0
O G I y
δθ
δ δ δ δ
=
= = =
$$!
$$$! $$$! $$!
Figura 38 –
Campo de deslocamentos virtuais (V).
Aplicando o campo de deslocamentos virtuais à equação dos Trabalhos Virtuais
determina-se que
0yQNTRgm 1O1 =•
−−−+
•
δ
!
0
0
y
0
0
sincos
cossin
em
0
y
0
0
sinT
cosT
0
y
0
0
cosN
sinN
0
y
0
0
Rgm
R
2
2
1
OY1
OX
=
•
−
−−
−
−
•
+
•
−+
•
+−
δθθθθ
θθθθ
δϕ
ϕ
δϕ
ϕ
δ
(((
(((
( ) 0sincosemsinTcosNgmR 211OY =−−+−− θθθθϕϕ (((
( )θθθθϕϕ sincosemsinTcosNgmR 211OY ((( −+−+=
O
A
I
G1
θθθθ
ϕϕϕϕ
Y
X
R O’
δδδδy
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 243
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
7 PROBLEMAS PROPOSTOS
Problema : TE1
A
B
K
F
D
l
1
θθθθ
E
l 2
A figura representa um mecanismo constituído por uma barra cuja extremidade
superior A se desloca numa guia horizontal e cujo ponto intermédio B é forçado a
deslocar-se na direcção vertical.
A extremidade inferior D está permanentemente submetida à acção de uma mola
de rigidez k constante.
Ao ponto B está ligado o êmbolo de um cilindro hidráulico, o qual aplica uma força
F, constante, durante o movimento de descida do êmbolo e uma força nula no seu
movimento em sentido inverso.
Considere apenas a massa da barra AD, suposta uniformemente distribuída ao longo
do seu comprimento. Suponha que todas as ligações são perfeitas.
Considere também a existência de uma deformação inicial da mola que estabelece
o equilíbrio do sistema em repouso.
Aplicando o Teorema do Trabalho e Energia, determine:
a) A constante elástica da mola, de modo que no final do percurso de descida a
velocidade angular da barra seja nula;
b) A velocidade angular da barra, quando esta atingir novamente a posição inicial,
definida por θθθθ = θθθθ0.
244 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE2
k
x
1
2
3
M m
R
θ
A
B r
β
C
y
O
O ≡≡≡≡ G1, B ≡≡≡≡ G3
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1 - Um disco de massa m1, que roda em torno do eixo Z0 com velocidade angular
θ( e aceleração angular θ(( , accionado pelo momento motor Mm constante.
Corpo 2 - Um braço de comprimento ' , de massa e inércia desprezáveis, articulado em A
com o corpo 1 e em B com o corpo 3.
Corpo 3 - Um disco de raio r e massa m3, que rola sem escorregar sobre o plano
horizontal, no ponto C, e está ligado ao exterior por uma mola de rigidez K;
considere que para θθθθ = 0 a deformação da mola é nula.
Suponha conhecidas as massas dos corpos 1 e 3, e as respectivas matrizes de inércia
em relação a eixos principais centrais de inércia.
a) Determine a equação de movimento do sistema, aplicando o Teorema dos Trabalhos
Virtuais;
b) Escreva as equações de trabalhos virtuais que permitem determinar as forças de
ligação ao exterior no ponto O, e determine o campo de deslocamentos virtuais
aplicado;
c) Escreva as equações de trabalhos virtuais que permitem determinar as forças de
ligação ao exterior no ponto C, e determine o campo de deslocamentos virtuais
aplicado;
d) Admitindo que o sistema parte do repouso, da posição θθθθ = 0, e aplicando o Teorema
do Trabalho e Energia, determine a velocidade angular do corpo1 quando θθθθ = ππππ/2.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 245
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TTV1
O sistema mecânico
representado na figura é
constituído por:
Corpo 1 - Um braço de massa m1, que roda em torno do ponto O fixo com velocidade
angular θ( e aceleração angular θ(( , accionado pelo momento motor Mm
conhecido. Suponha conhecida a matriz de inércia do corpo 1 em relação a
eixos principais centrais de inércia.
Corpo 2 - Uma corrediça, de massa m2, que translada horizontalmente sobre duas guias;
a corrediça está ligada ao corpo 1 no ponto A através de um pino e ao exterior
por duas molas iguais de rigidez K, estando submetida à acção da força
resistente Fr conhecida. Considere que para θ θ θ θ = 0 a deformação inicial das
molas ∆∆∆∆ é conhecida.
Considere a existência de atrito entre o pino e o rasgo do corpo 2, sendo � o
correspondente coeficiente de atrito. Considere as restantes ligações perfeitas.
Determine:
a) A equação de movimento do sistema, aplicando o Teorema dos Trabalhos Virtuais;
b) As forças de ligação ao exterior no ponto O, aplicando o Teorema dos Trabalhos
Virtuais;
c) A velocidade angular do corpo1 quando θθθθ = ππππ/2, admitindo que o sistema parte do
repouso, da posição θθθθ = 0, e aplicando o Teorema do Trabalho e Energia (considere
Mm e Fr constantes);
x
y
K
K
L
Mm
r
R
θ
H
B
C
G2
G1
2
1 Fr
A
O
246 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TTV2
d
G4
O
a
A
G
Mm
2
C
G1
b
E
D
c
3G
θθθθ
P
B FR
h2PG
hOG
2OC
OG
4
3
2
=
=
=
=
'
'
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1 - Uma barra de massa m1, que translada horizontalmente e sobre a qual actua
uma força resistente; a barra está ligada ao corpo 2 no ponto C através de
um pino deslizante;
Corpo 2 e 3 - Duas barras rigidamente ligadas entre si, respectivamente de massas m2 e
m3, que rodam em torno do ponto O fixo com velocidade angular θ( e
aceleração angular θ(( , sob a acção do momento motor Mm; a barra 3 está
ligada ao corpo 4 no ponto P através de um pino deslizante;
Corpo 4 - Uma barra de massa m4, que translada verticalmente.
Suponha conhecida a matriz de inércia de cada corpo em relação a eixos principais
centrais de inércia. Considere todas as ligações perfeitas.
Aplicando o Teorema dos Trabalhos Virtuais, determine:
a) A equação de movimento do sistema;
b) As forças de ligação ao exterior no ponto O;
c) As forças de ligação ao exterior nos apoios D e E;
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 247
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TTV3
O sistema mecânico (serrote mecânico) representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um disco, de raio R e massa m1, que roda em torno do ponto O fixo com
velocidade angular θ( e aceleração angular θ(( , submetido à acção do momento
motor constante M conhecido;
Corpo 2: uma barra AB, de comprimento 2a e massa m2, articulada em A com o corpo 1
e em B com o corpo 3;
Corpo 3: um cursor de massa m3, com movimento imposto pela guia horizontal, e
submetido à acção da força de corte constante FC conhecida.
Considere a massa e a inércia de todos os corpos, admitindo conhecidas as
matrizes de inércia de todos os corpos em relação a sistemas de eixos principais centrais
de inércia. Suponha que todas as ligações são perfeitas.
a) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine a equação de movimento do
sistema aplicando o Teoremas dos Trabalhos Virtuais;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as forças de ligação ao exterior
no ponto O aplicando o Teoremas dos Trabalhos Virtuais;
c) Determine a velocidade do ponto B quando θθθθ = ππππ/2, admitindo que o sistema parte
do repouso a partir da posição θθθθ = 0, aplicando o Teorema do Trabalho e Energia;
aAG
a2AB
rOA
GB
GO
2
3
1
=
=
=
≡
≡
r
θ
X
Y
h
M
O
A 12
3
B
ϕ M
FC
248 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE3
R
h0
A
P
B
Q I
3
R
1R
r
2
O sistema de elevação representado na figura é constituído por:
Corpo 1 um motor de massa e inércia desprezáveis, que desenvolve um binário motor
constante Mm; no motor está montada uma roda dentada com um raio primitivo
R1 que engrena com o corpo 2;
Corpo 2 uma roda dentada de raio primitivo R2, que engrena com o corpo 1, acoplada aum tambor de raio r, com massa m2 e raio de giração Rg, sobre o qual se enrola
um cabo inextensível que sustenta o corpo 3;
Corpo 3 uma roldana móvel, de massa e inércia desprezáveis, com raio R3, que sustenta
o corpo 4;
Corpo 4 uma massa m4, que se pretende movimentar na vertical.
Aplicando o Teorema do Trabalho e Energia, determine a velocidade do corpo 4,
quando este parte do repouso, após ter subido uma altura h0. Calcule a velocidade do
corpo 4 nas seguintes condições:
Mm = 75 Nm m2 = 20 kg Rg = 0.12 m m4 = 15 kg
R1 = 0.075 m R2 = 0.20 m r = 0.10 m R3 = 0.05 m h0 = 1.50 m
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 249
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE4
R
O
corpo 2
corpo 1
O sistema mecânico representado na figura é constituído por :
Corpo 1 - Um contrapeso de massa m1, que translada verticalmente com velocidade s( e
aceleração s(( por acção da gravidade, e está suspenso de um cabo inextensível
que contacta sem escorregar o corpo 2;
Corpo 2 - Uma roldana móvel de raio R e massa m2, que roda em torno de um eixo
horizontal com velocidade angular θ( e aceleração angular θ(( e pode
transladar na vertical.
Suponha conhecidas as matrizes de inércia de todos os corpos, em relação a eixos
principais centrais de inércia. Aplicando Teorema dos Trabalhos Virtuais, determine:
a) A equação diferencial do movimento do sistema, num qualquer instante do
movimento de descida do contrapeso;
b) A tensão em cada um dos tramos do cabo que contacta com o disco.
250 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE5
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um braço de massa m1, que oscila em torno do ponto O com velocidade angular
θ( e aceleração angular θ(( , sob a acção do momento motor MM;
Corpo 2: um cursor de massa m2, que pode deslizar na guia radial do corpo 1 e rodar em
relação ao corpo 3;
Corpo 3: outro cursor de massa m3, com movimento imposto pela guia horizontal, e
submetido à acção da mola de rigidez K;
Considere a massa e a inércia dos três corpos, e suponha que todas as ligações são
perfeitas, e que a deformação da mola é nula para θ θ θ θ = 0. Usando o Teoremas dos
Trabalhos Virtuais, determine:
a) A equação de movimento do sistema;
b) As reacções no ponto O;
O sistema está em repouso na posição vertical θ θ θ θ = 0, quando lhe é aplicado o
momento motor Mm constante. Usando o Teorema da Energia Mecânica Total, determine:
c) A velocidade do corpo 3 quando θ θ θ θ = 30º.
A
x0
y0
x1
y2, y1
x2
G1
B
O
θθθθ
1
2
3
''''
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 251
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE6
O sistema mecânico representado na figura é
constituído por:
Corpo 1: uma barra OA, de comprimento '''' e massa m1,
que roda em torno do ponto O fixo com velocidade
angular θ( e aceleração angular θ(( ; a mola de torção K
(Nm/rad) exerce sobre a barra OA um momento de
módulo k|θθθθ| (Nm).
Corpo 2: uma barra AB, de comprimento '''' e massa
m2, articulada em A com o corpo 1 e em B com o
corpo 3;
Corpo 3: um cursor de massa m3, com movimento
imposto pela guia vertical, e submetido à acção da força
motora constante FM;
Considere a massa e a inércia de todos os corpos, admitindo conhecidas as matrizes
de inércia de ambos os corpos em relação a sistemas de eixos principais centrais de
inércia.
Suponha que todas as ligações são perfeitas. O sistema inicia o movimento a partir
da posição θθθθ = 0, posição em que a mola de torção não apresenta qualquer deformação,
movendo-se o ponto A para a esquerda.
a) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine a equação de movimento do
sistema aplicando o Teoremas dos Trabalhos Virtuais;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as forças de ligação ao exterior
no ponto O aplicando o Teoremas dos Trabalhos Virtuais;
c) Determine o módulo da velocidade angular da barra OA em função de θθθθ, admitindo
que o sistema parte do repouso da posição θθθθ = 0, aplicando o Teoremas do
Trabalho e Energia.
O
A
B G3
FM
x
y
θ
k
G2
G1
252 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE7
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um disco de massa m1, que roda em torno do ponto O fixo com velocidade
angular θ( e aceleração angular θ(( ; accionado pelo Momento Motor M1
conhecido;
Corpo 2: uma barra AB, de comprimento 2b e massa m2, articulada em A com o corpo 1
e em B com o corpo 3;
Corpo 3: um cursor de massa m3, com movimento imposto pela guia vertical, e
submetido à acção da força de uma mola de rigidez K (N/m); quando θθθθ = 0 a
deformação da mola é nula.
Considere a massa e a inércia de todos os corpos, admitindo conhecidas as suas
matrizes de inércia em relação a sistemas de eixos principais centrais de inércia. Suponha
que todas as ligações são perfeitas.
a) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine a equação de movimento do
sistema aplicando o Teoremas dos Trabalhos Virtuais;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as forças de ligação ao exterior
no ponto 0 e na ligação entre o cursor e a guia vertical, aplicando o Teoremas dos
Trabalhos Virtuais;
c) Determine o módulo da velocidade angular da barra AB quando θθθθ = ππππ/2 , admitindo
que o sistema parte do repouso da posição θθθθ = 0º, aplicando o Teorema do
Trabalho e Energia.
O
A
B
M1
G2
ββββ
θθθθ
Y
1
2 3
K
L X
1
3
2 2
O G
B G
OA a
AG G B b
≡
≡
=
= =
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia 253
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE8
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: um disco de massa m e de raio R, que rola sem escorregar relativamente ao
exterior, accionado pelo momento motor Mm ;
Corpo 2: Um disco de massa m e de raio R, que rola sem escorregar relativamente ao
exterior e que está ligado ao corpo 3, no ponto D, por uma articulação ;
Corpo 3: Uma barra CD, de comprimento 2'''' e de massa M, articulada em C com o corpo
1 e em D com o corpo 2 ;
Considere a massa e a inércia de todos os corpos, admitindo conhecidas as matrizes
de inércia em relação a sistemas de eixos principais centrais de inércia.
Suponha que todas as ligações são perfeitas. O sistema inicia o movimento a partir
da posição θ θ θ θ = 0, posição em que a mola não apresenta qualquer deformação, movendo-se
o ponto A para a direita.
a) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine a equação de movimento do
sistema aplicando o Teorema dos Trabalhos Virtuais;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as forças de ligação entre o
corpo 1 e o corpo 3 aplicando o Teorema dos Trabalhos Virtuais;
c) Considerando o momento motor constante, determine a velocidade angular do
corpo 2, quando pela 1ª vez a barra, corpo 3, atingir a sua posição mais baixa,
aplicando o Teorema do Trabalho e Energia;
254 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Trabalho e Energia
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema TE9
O sistema mecânico representado na figura é constituído por:
Corpo 1: uma barra OA, de comprimento 2a e massa m1, que roda em torno do ponto O
fixo com velocidade angular θ( e aceleração angular θ(( , accionada pelo
momento motor constante M conhecido;
Corpo 2: uma barra BC, de comprimento 8a e massa m2, articulada em A com o corpo 1
e em B com o corpo 3;
Corpo 3: um cursor de massa m3, com movimento impostopela guia horizontal, e
submetido à acção da força da mola de rigidez K.
Considere a massa e a inércia de todos os corpos, admitindo conhecidas as
matrizes de inércia de todos os corpos em relação a sistemas de eixos principais
centrais de inércia.
Suponha que todas as ligações são perfeitas. O sistema inicia o movimento a partir
da posição θθθθ = 0, posição em que a mola não apresenta qualquer deformação.
a) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine a equação de movimento do
sistema aplicando o Teoremas dos Trabalhos Virtuais;
b) Represente o Diagrama de Corpo Livre e determine as forças de ligação na
articulação A (ligação entre os corpos 1 e 2) aplicando o Teoremas dos Trabalhos
Virtuais;
c) Admitindo que o sistema parte do repouso da posição θθθθ = 0, determine o módulo da
velocidade angular da barra OA quando 2
πθ = , aplicando o Teorema do Trabalho
e Energia;
B
A
k x
y
C
OG1=a
BG2=4a
G3=B
b
1
2
3
OA=2a
AB=3a
AC=5a
θθθ (((,, ϕϕϕ (((,,
M
DINÂMICA do CORPO RÍGIDO
IMPULSO e QUANTIDADE de MOVIMENTO
Jorge Humberto Oliveira Seabra
Carlos Alberto Magalhães Oliveira
José Fernando Dias Rodrigues
Pedro Manuel Leal Ribeiro
Pedro Manuel Ponces Camanho
Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – Secção de Mecânica Aplicada
6ª Edição - Fevereiro de 2004
ii DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento iii
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
ÍNDICE:
1 MOVIMENTO DE UM PONTO MATERIAL 255
1.1 Impulso linear 255
1.2 Impulso angular 256
2 MOVIMENTO DE UM SISTEMA DE PONTOS MATERIAIS 257
2.1 Impulso linear 257
2.2 Impulso angular 258
3 CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO 258
4 MOVIMENTO PROVOCADO POR UMA FORÇA IMPULSIVA 259
4.1 Aplicação do teorema do impulso e da quantidade de movimento 259
5 CHOQUE OU IMPACTO 261
5.1 Choque central directo 261
5.1.1 Modelização do choque central directo entre duas partículas materiais 262
5.1.2 Coeficiente de restituição 264
5.1.3 Choques perfeitamente elástico e perfeitamente plástico 266
5.1.4 Formulação do problema de choque central directo 267
5.2 Choque central oblíquo 268
5.2.1 Formulação do problema de choque central oblíquo 268
5.2.2 aplicação do modelo de choque central oblíquo 270
5.3 Choque excêntrico 272
5.3.1 Choque excêntrico de dois corpos livres 272
5.3.2 Choque excêntrico de dois corpos ligados ao exterior 275
6 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO 277
6.1 Variação da quantidade de movimento linear 277
6.2 Conservação da quantidade de movimento linear 278
6.3 Conservação da quantidade de movimento angular numa direcção 280
6.4 Choque central oblíquo 281
6.5 Choque excêntrico de um corpo livre 283
6.6 Choque excêntrico de um corpo com ligação ao exterior 287
7 PROBLEMAS PROPOSTOS 291
iv DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 255
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO
IMPULSO E QUANTIDADE DE MOVIMENTO
1 MOVIMENTO DE UM PONTO MATERIAL
1.1 Impulso linear
No capítulo anterior, fez-se uma aplicação directa da Equação Fundamental da
Dinâmica (2ª lei de Newton), na sua forma diferencial. Há situações, porém, que são mais
facilmente analisadas, utilizando a referida equação fundamental numa forma
previamente integrada em ordem ao tempo.
Efectuando tal integração, a Equação Fundamental toma a seguinte forma:
vdmdtF
dt
vdmFamF
!!!!!!
=⇒=⇔= (1)
∫ ∫=
t
t
v
vo o
vdmdtF
!
!
!!
(2)
( ) ( )0 0ot ttt F dt m v v m v v= − = −∫
"""! ""!""!! !
(3)
Da equação (3) resultam três equações escalares,
( )
( )
( )
o
o
o
t 0
x x xt
t 0
y y yt
t 0
z z zt
F dt m v v
F dt m v v
F dt m v v
= −
= −
= −
∫
∫
∫ (4)
256 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Designa-se por impulso linear de uma força F
!
, que actua durante o intervalo de
tempo [ ]t,to sobre determinado ponto material, à grandeza vectorial definida por
∫
t
to
dtF
!
.
Da equação (3) resulta que esse impulso linear é sempre igual à variação sofrida
nesse intervalo de tempo, pelo vector quantidade de movimento linear do ponto material
sobre o qual actua a força.
o
o
t
Im p q q q
t
∆
→
= − =
! ! !
(5)
1.2 Impulso angular
Calculando o momento em relação a determinado ponto fixo, da força que actua
num ponto material, obtém-se
O
d
M OP ma OP mv
dt
→ = × = ×
"""! """! ! !
(6)
=
"""! ""!
O O
d
M h
dt
(7)
Integrando em ordem ao tempo a equação (6), determina-se que
=∫ ∫
!
!
"""! ""!to
to
o o
t H
O Ot H
M dt d h (8)
= −∫
""! ""!"""!
o
t t t
O O Ot
M dt h h 0 (9)
Da equação (9) resultam três equações escalares,
= −
= −
= −
∫
∫
∫
o
o
o
t 0
Ox Ox Oxt
t 0
Oy Oy Oyt
t 0
Oy Oz Ozt
M dt h h
M dt h h
M dt h h (10)
Designa-se impulso angular de uma força, em relação a determinado ponto fixo,
durante um intervalo de tempo [ ]t,to , à grandeza vectorial definida por dtMtt Oo∫ .
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 257
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Da expressão (9) resulta que o impulso angular é sempre igual à variação sofrida
pelo vector momento cinético do ponto material em questão, calculado relativamente ao
mesmo ponto usado para pólo no cálculo do momento da força.
Designando o vector momento cinético por quantidade de movimento angular, é
possível enunciar o princípio (generalizado) do impulso e quantidade de movimento.
"O impulso, linear ou angular, de uma força (ou sistema de forças) que actua
durante determinado intervalo de tempo sobre um ponto material, é sempre
igual à variação da quantidade de movimento, linear ou angular, que produz".
Se sobre o ponto material em questão actuar um sistema de forças, o impulso desse
sistema será a soma dos impulsos das diversas forças que o constituem.
2 MOVIMENTO DE UM SISTEMA DE PONTOS MATERIAIS
A generalização para um sistema de pontos materiais (discreto ou contínuo), é
imediata.
2.1 Impulso linear
O Teorema do Movimento do Centro de Massa, estipula que
( )ext G GdF M a M vdtΣ = =
"""""! ""! ""!
(11)
Por integração em ordem ao tempo, resulta
G
00 G
t vext
Gt v
F dt M dvΣ =∫ ∫
""!
""!
"""""! ""!
(12)
( )0t ext 0 0G Gt F dt M v v Q Q QΣ ∆= − = − =∫
"""""! ""! """!""! "! """!
(13)
Num sistema de pontos materiais, o impulso linear das forças a ele aplicadas, é
igual à variação da quantidade de movimento linear que produz.
258 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
2.2 Impulso angular
Partindo agora da equação do Teorema do Momento Cinético, obtem-se, por
integração no tempo
ext
O O
d
M H
dt
Σ =
"""""! """!
(ponto O fixo) (14)
0 0
t text 0
O O O O Ot tM dt dH H H HΣ ∆= = − =∫ ∫
"""""! """! """!"""! """""!
(15)
Estabelece-se, assim, a igualdade entre o impulso angular das forças exteriores
aplicadas e a variação do momento cinético que produzem.
O princípio do impulso e quantidade de movimento, para um sistema de pontos
materiais qualquer, exprime a igualdade entre o impulso (linear ou angular) de todas as
forças exterioresaplicadas a esse sistema e a variação da quantidade de movimento
(linear ou angular) que produz.
3 CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO
Se nenhuma força actua, ou se é equivalente a zero, o sistema de forças que
actuam sobre um ponto ou sistema de pontos materiais, o impulso dessas forças será
necessariamente nulo. E, em consequência, será nula a variação da quantidade de
movimento,
Retomando as equações (13) e (15), obtém-se que
0
0
t text t
t F dt 0 Q 0 Q QΣ ∆= ⇒ = ⇔ =∫
""""!"""""! ""!"! """! "!
(16)
0
0
t text t
O O O Ot M dt 0 H 0 H HΣ ∆= ⇒ = ⇔ =∫
"""!"""""! """!"! """""! "!
(17)
É então possível enunciar o princípio da conservação da quantidade de movimento:
"Num ponto ou sistema material isolado ou submetido à acção de um sistema
de forças equivalente a zero, a quantidade de movimento (linear e angular)
permanece constante".
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 259
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
4 MOVIMENTO PROVOCADO POR UMA FORÇA IMPULSIVA
Há situações em que uma força muito grande pode actuar durante um pequeno
intervalo de tempo sobre um ponto material, produzindo variação considerável na
respectiva quantidade de movimento. Tal força, é habitualmente designada força
impulsiva.
Em presença de forças impulsivas, o efeito das restantes forças pode, em geral, ser
desprezado (caso do peso próprio, força exercida por uma mola, etc.).
4.1 Aplicação do teorema do impulso e da quantidade de movimento
A arma, representada na figura 1, tem uma massa de 1340 kg, está em repouso
sobre o solo e não possui mecanismo de absorção do choque.
Figura 1 – Disparo de um canhão.
Quando é disparada a arma pode recuar livremente na direcção horizontal,
lançando munições de 8 kg com uma velocidade inicial de 450 m/s e com uma inclinação
de 30º em relação à horizontal. Após o disparo a munição demora 5 ms para abandonar a
câmara de explosão. Determinar i) a velocidade de recuo da arma e ii) a resultante das
forças verticais exercidas pela arma sobre o solo.
Na figura 2 estão representadas as forças impulsivas que actuam sobre a arma e
sobre a munição e as correspondentes quantidades de movimento.
260 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Atendendo ao Princípio da Acção e Reacção a Força Impulsiva que actua sobre a
munição é igual e de sinal contrário à Força Impulsiva que actua sobre a arma, isto é,
= −
"! "!
F F
,
Figura 2 – Forças impulsivas e quantidades de movimento da arma e da munição.
Por outro lado o Teorema do Impulso e Quantidade de Movimento estabelece que
+ =∫
""! ""!"!t
B B B B
t
m v F dt m v
0
0 ,
mas =
""! !
Bv
0 0 , logo
= ⇒ = ⇒ =∫ ∫
""!"!t t
B B B B B BF dt m v F dt m v F t m v
0 0
(a força impulsiva e a velocidade têm a mesma direcção), pelo que
−
×= = = ×
×
B Bm vF N
t
3
3
8 450
720 10
5 10
Analisando o que acontece à arma e recorrendo novamente ao Teorema do Impulso
e Quantidade de Movimento pode-se escrever que
+ =∫
""! ""!"!t
A A A A
t
m v F dt m v
0
,0
mas =
""! !
Av
0 0 , logo
=∫
""!"!t
A AF dt m v
,
0
Como a força impulsiva é constante no intervalo de tempo considerado
= ⇒ =∫
""! ""!"! "!t
A A A AdtF m v F t m v
, ,
0
, isto é
""!
B Bm v
Y
X
30º
"!
F
""!
A Am v
Y
X
30º
"!
F
,
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 261
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
−
=
A A
,
cos 30º
sin 30º
0
m v
F t 0
0
= ⇒ =
,
,
A A A
A
F tcos 30º
F tcos 30º m v v
m
−× × × ×= =
3 3
A
720 10 5 10 cos 30º
v 2.327 m/s
1350
A resultante das forças verticais exercidas sobre o solo é definida por
= = × × = ×, 3 3R F sin30º 720 10 0.5 360 10 N
5 CHOQUE OU IMPACTO
Diz-se que há choque ou impacto entre dois corpos, quando, durante um intervalo
de tempo muito curto, eles contactam entre si, exercendo um sobre o outro forças
relativamente grandes.
5.1 Choque central directo
Diz-se que há choque directo entre dois corpos, quando eles se movem ao longo da
normal à superfície que vai ser tangente comum, durante o choque. Esta normal é
habitualmente designada linha de choque.
A figura 3 exemplifica o caso do choque central directo entre duas partículas.
Tangente comum
Linha de choque
G 1
G 2
!
v 2
!
v 1
G 1
G 2
!
v 1
'
!
v 2
'
a) Antes do choque b) Após o choque
Figura 3 - Choque central directo entre duas partículas.
262 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Se os centros de massa desses dois corpos estão situados sobre linha de choque,
este designa-se por choque central. Em contraposição ao choque directo, ocorre o choque
oblíquo, e todo o choque que não é central, diz-se excêntrico.
5.1.1 Modelização do choque central directo entre duas partículas materiais
O choque central directo, como se mostra na figura 4, pode ser dividido em três
fases: Antes do impacto, no instante de máxima deformação e após o impacto.
Figura 4 – Modelização do choque entre duas partículas materiais.
t0
1v
"""!
e t02v
"""!
são as velocidades imediatamente antes do choque, enquanto t11v
"""!
e
t1
2v
"""!
representam as velocidades dos corpos 1 e 2 imediatamente após o choque.
u
!
,representa a velocidade comum dos dois corpos no instante t*.
Antes do impacto ou choque a quantidade de movimento do sistema formado pelas
duas partículas materiais é definido por
t0 t0 t0
1 1 2 2Q m v m v= +
""""! """! """!
(18)
O choque entre as duas partículas tem uma duração designada por tempo de
colisão, definida por
[ ]0 1t t ,t∆ = (19)
sento *t ( *0 1t t t< < ), o instante em que a deformação das duas partículas é máxima e as
suas velocidades iguais a u
!
.
t0
1v
"""!
t02v
"""!
t1
1v
"""!
t12v
"""!
u
!
t<to, antes do choque
t>t1, após o choque
t=t*, instante de máxima
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 263
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Após o impacto e consequente (ou não) separação das duas partículas a quantidade
de movimento do sistema é definida por
t1 t1 t1
1 1 2 2Q m v m v= +
"""! """! """!
(20)
A análise do choque entre as duas partículas materiais é habitualmente baseada nas
seguintes hipóteses:
1º O sistema material formado pelas duas partículas materiais, sendo um sistema
isolado, manterá constante a sua quantidade de movimento (global),
t0 t1 t0 t0 t1 t1
1 1 2 2 1 1 2 2Q Q m v m v m v m v= ⇒ + = +
""""! """! """! """! """! """!
(21)
2º Durante o choque, cada um dos corpos sofre uma variação na sua quantidade
de movimento, devida à acção do outro corpo;
t0 t1 t0 t1
1 1 1 1 2 2 2 2m v m v m v m v≠ ≠
"""! """! """! """!
(22)
3º O tempo de colisão [ ]1o t,t , pode considerar-se dividido em duas partes:
a) Fase de deformação [ ]*t,to , durante a qual a força de contacto aumenta
desde zero até ao valor máximo;
b) Fase de restituição [ ]1t,*t , durante a qual a força de contacto diminui,
desde o valor máximo ocorrido no instante *t , até ao valor nulo que
ocorre no instante 1t em que os corpos se separam;
4º A força de contacto varia de forma diferente, durante estas duas fases, como
se mostra na figura 5. Há perdas de energia durante o choque, pelo que nem
toda a energia de deformação é restituída.
Figura 5 - Evolução da força de contacto
durante o choque.
A1 - Medida do impulso durante a fase
de deformação;
A2 - Medida do impulso durante a fase
de restituição;
A2 / A1 - Coeficiente de restituição.
t o t 1 t
*
A 1
A 2
F
t264 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5º Designa-se por coeficiente de restituição e o parâmetro adimensional definido
pelo cociente entre a medida do impulso recebido por cada um dos corpos
durante a fase de restituição e a medida do impulso durante a de deformação,
1
*
*
o
t
t
t
t
F dt
e
F dt
=
∫
∫
(23)
5.1.2 Coeficiente de restituição
Atendendo ao princípio do impulso e quantidade de movimento atrás introduzido,
pode-se dar um aspecto diferente à expressão de definição do coeficiente de restituição e.
A figura 6 exemplifica a variação da quantidade de movimento da partícula material 1
durante o período de colisão.
Figura 6 – Variação da quantidade de movimento durante o tempo de colisão.
Assim, durante o período de deformação, t0 < t < t*, a variação da quantidade de
movimento da partícula material 1 pode ser definida por
0
t*t0
1 1 21 1tm v F dt m u+ =∫
"""! """! !
. (24)
a) t0 < t < t*, período de deformação
t0
1 1m v
"""!
*
0
t
21t F dt∫
"""! 1m u
!
+ =
*
t
21t F dt∫
"""! t1
1 1m v
"""!
1m u
!
+ =
b) t*< t < t, período de restituição
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 265
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Durante o período de restituição, t* < t < t1, a variação da quantidade de
movimento da partícula material 1 pode ser definida por
1t t1
1 21 1 1t*m u F dt m v+ =∫
"""!! """!
. (25)
Podem-se definir expressões análogas para a partícula material 2, respectivamente
0
t*t0
2 2 12 2tm v F dt m u+ =∫
"""! """! !
(26)
1t t1
2 12 2 2t*m u F dt m v+ =∫
"""!! """!
(27)
Combinado as expressões (24) e (25) pode-se escrever que
0
t* t0
21 1 1 1t F dt m u m v= −∫
"""!"""! !
(28)
1t t1
21 1 1 1t* F dt m v m u= −∫
"""!"""! !
(29)
Dividindo a equação (29) pela equação (28), obtém-se para a partícula material 1
1
*
*
o
t t1
21 1 1 1t
t0t
1 1 121t
F dt m v m u
e
m u m vF dt
−
= =
−
∫
∫
"""!! !
"""!!!
(30)
Para a partícula material 2 obtém-se uma expressão idêntica
1
*
*
o
t t1
12 2 2 2t
t0t
2 2 212t
F dt m v m u
e
m u m vF dt
−
= =
−
∫
∫
"""!! !
"""!!!
(31)
Note-se que implicitamente se refere o choque de 2 duas partículas materiais
(corpos de dimensões desprezáveis) pelo que faz sentido falar de velocidade de cada um
deles (sem referir "campo de velocidades").
Das equações (30) e (31) resulta que
t1 t0
1 1
t1 t0
2 2
v u e u v
v u e u v
− = −
− = −
"""! """!! !
"""! """!! !
(32)
isto é,
266 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
t1 t0
1 1
t1 t0
2 2
v ev u(1 e)
v ev u(1 e)
+ = +
+ = +
"""! """! !
"""! """! !
(33)
A partir das duas expressões da equação (33) (subtraindo a primeira da segunda) é
possível escrever uma nova expressão para definir o coeficiente de restituição e:
t1 t1
2 1
t0 t0
1 2
v v
e
v v
−
=
−
"""! """!
"""! """! (34)
A expressão (34) define o Coeficiente de Restituição como o cociente entre a
medida da velocidade relativa de afastamento e a velocidade relativa de
aproximação dos dois corpos (de dimensões desprezáveis) que chocam.
Estas velocidades são consideradas nos instantes "imediatamente antes" e
"imediatamente após" o choque, respectivamente.
De modo a simplificar as expressões consideram-se as seguintes analogias:
t1 ' t0 t1 ' t0
1 1 1 1 2 2 2 2v v , v v , v v , v v= = = =
"""! ""! """! ""! """! ""! """! ""!
' '
2 1
1 2
v v
e
v v
−
=
−
""! ""!
""! ""!
5.1.3 Choques perfeitamente elástico e perfeitamente plástico
O coeficiente de restituição é característico da natureza dos materiais que
constituem os corpos e da forma destes. O seu valor varia desde zero (choque
perfeitamente inelástico, em que não há qualquer restituição da energia de deformação)
até 1 (choque perfeitamente elástico, em que há restituição total da energia de
deformação).
No caso do choque perfeitamente elástico o valor do coeficiente de restituição é
igual a 1. Logo, atendendo à expressão (34)
' '
2 1 1 2e 1 v v v v= ⇒ − = −
""! ""! ""! ""!
(35)
o que significa que a diferença de velocidades entre as partículas após o choque é igual à
diferença de velocidades entre as partículas antes do choque, 'v v∆ ∆=
"""! """"!
.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 267
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
No caso do choque perfeitamente plástico o valor do coeficiente de restituição é
igual a 0. Logo, atendendo à expressão (34)
' '
2 1e 0 v v 0= ⇒ − =
""! ""! "!
(36)
o que significa que a diferença de velocidades entre as partículas após o choque é nula,
isto é, ' ' '2 1v v v= =
""! ""! ""!
.
5.1.4 Formulação do problema de choque central directo
Retomando o problema do choque central directo, representado na figura 3,
constata-se que sobre o sistema material, constituído pelas duas partículas materiais, não
actua nenhuma força exterior. Logo, haverá conservação da respectiva quantidade de
movimento global.
Tangente comum
Linha de choque
G 1
G 2
!
v 2
!
v 1
G 1
G 2
!
v 1
'
!
v 2
'
a) Antes do choque b) Após o choque
Figura 3 - Choque central directo entre duas partículas materiais (bis).
Projectando a equação da conservação da quantidade de movimento global,
equação (21), na direcção da linha de choque, tem-se que
' '
1 1 2 2 1 1 2 2m v m v m v m v− = − + (37)
Rescrevendo a expressão (34) de definição do coeficiente de restituição, também
na direcção da linha de choque
' '
2 1
1 2
v v
e
v v
+=
+
(38)
268 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
As equações (37) e (38) permitem calcular as incógnitas do problema (as
velocidades '1v e
'
2v , imediatamente após o choque), conhecidas as velocidades antes do
choque e o coeficiente de restituição e. Este último é também determinável
experimentalmente, para cada geometria e conjunto de materiais em presença.
5.2 Choque central oblíquo
Neste tipo de choque, os centros de massa dos dois corpos estão na linha de
choque enquanto estes estão em contacto. Porém, antes e após o choque, deslocam-se
com trajectórias diferentes, não paralelas a essa linha, como se mostra na figura 7.
!
v 2
'
!
v 1
'
!
v 1
!
v 2
θ2θ1
G1
G2
θ1
'
θ2
'
ˆ t
ˆ n
Figura 7 - Choque central oblíquo entre duas partículas.
Note-se que, neste tipo de choque, a velocidade de cada corpo imediatamente
após o choque, é desconhecida em direcção e grandeza. Tem-se então 4 incógnitas, pelo
que é necessário obter 4 equações.
5.2.1 Formulação do problema de choque central oblíquo
1. Cada partícula material apenas recebe o impulso devido à força de contacto na
direcção da linha de choque. Logo, na direcção da tangente (t) ao choque o
impulso é nulo, pelo que a quantidade de movimento de cada partícula
material na direcção tangencial permanece constante, o que permite escrever:
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 269
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( ) ( )
' '
1 1 1 1 1 1t t t t
' '
2 2 2 2 2 2t t t t
m v m v v v
m v m v v v
= ⇒ =
= ⇒ =
isto é
' '
1 1 1 1 1 1m v cos m v cosθ θ= (39)
' '
2 2 2 2 2 2m v cos m v cosθ θ= (40)
2. O conjunto das duas partículas materiais não recebe qualquer impulso, pelo
que a quantidade de movimento global, na direcção da linha de choque,
mantêm-se constante, logo
( ) ( ) ( ) ( )' '1 1 2 2 1 1 2 2n n n nm v m v m v m v+ = +
isto é,
' ' ' '
1 1 1 2 2 2 1 1 1 2 2 2m v sin m v sin m v sin m vsinθ θ θ θ− = − + (41)
3. Cada um dos corpos recebe um impulso na direcção da linha de choque. A
alteração da quantidade de movimento é quantificável, a partir do
conhecimento do movimento antes do choque e do coeficiente de restituição,
( ) ( )
( ) ( )
' ' ' '
2 1 2 1n n
1 21 2 n n
v v v v
e
v vv v
− −
= =
−−
""! ""!
""! ""!
isto é
( )' ' ' '1 1 2 2 1 1 2 2v sin v sin e v sin v sinθ θ θ θ+ = + (42)
Conhecidos os valores de e e de 1 1 2 2v , ,v eθ θ , determinam-se as velocidades após
o choque e respectivas direcções
' ' ' '
1 1 2 2v , ,v eθ θ , usando as equações (39) a (42).
270 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
5.2.2 Aplicação do modelo de choque central oblíquo
O choque entre dois veículos ligeiros está esquematizado na figura 8.
Figura 8 – Choque central oblíquo entre dois veículos.
O veículo A circulava na direcção Sul-Norte quando ao passar num cruzamento foi
abalroado pelo veículo B que circulava na direcção Oeste-Este. Ambos os condutores
reclamam que circulavam com uma velocidade inferior ao limite de 55 km/h estabelecido
para aquelas vias naquele local.
O veículo A tem uma massa de 900 kg e o veículo B tem uma massa de 1600 kg.
Após o choque, os dois veículos permaneceram “colados” um ao outro e deslizaram juntos
segundo uma direcção que faz 40º com Este, para Norte, representada na figura 1.
Determinar i) qual dos veículos efectivamente circulava à velocidade limite de 55
km/h. ii) qual a velocidade do outro veículo.
Na figura 9 estão representadas as quantidades de movimento dos veículos A e B
antes e após o choque.
Figura 9 – Forças impulsivas e quantidades de movimento da arma e da munição.
A Am v
""!
Norte
Este
40ºB Bm v
""!
Sul
Oeste
( ) 'A Bm m v+
""!
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 271
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento aplicado ao sistema
permite estabelecer que
' ' '
A A B B A A B BQ Q m v m v m v m v= ⇒ + = +
"""! ""! ""! ""! ""! ""!
.
No entanto, após a colisão os dois veículos permaneceram “colados” tendo
deslizado juntos. Tal permite afirmar que
' ' '
A Bv v v= =
""! ""! ""!
, pelo que
( ) 'A A B B A Bm v m v m m v+ = +
""! ""! ""!
O facto das velocidades dos dois veículos, após a colisão, serem idênticas significa
que a diferença de velocidades entre os dois veículos após o choque é nula, que o
coeficiente de restituição é nulo e que o choque é perfeitamente plástico.
Isto é,
' '
A B
A B A B
v v 0
e 0
v v v v
−
= = =
− −
""! ""!
"!
""! ""! ""! ""!
Retomando a equação vectorial de conservação da quantidade de movimento do
sistema ( ) 'A A B B A Bm v m v m m v+ = +
""! ""! ""!
, determina-se que
( ) '
0 cos40º
0 sin40º
0 0 0
B
A A B A B
v
m v m m m v
+ = +
( )
( )
'
'
cos40º
sin40º
B B A B
A A A B
m v m m v
m v m m v
= +
= +
isto é
( )
( )
'
'
cos40º
sin40º
A B
B
B
A B
A
A
m m v
v
m
m m v
v
m
+
=
+ =
,
( )
( )
'
'
'
'
900 1600 cos40º
1.197
1600
900 1600 sin40º
1.786
900
B
A
v
v v
v
v v
+
= =
+
= =
,
272 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
pelo que,
'
'
1.786
1.49
1.197
A
B
vv
v v
= = ,
concluindo-se que a velocidade do veículo B é cerca de 50% superior à do veículo A.
Admitindo que a velocidade do veículo B era de 55 km/h, como reclama o seu
condutor, então a velocidade do veículo A seria igual a
1.49 1.49 55 82 /A Bv v km h= × = × = ,
5.3 Choque excêntrico
5.3.1 Choque excêntrico de dois corpos livres
No caso do choque excêntrico, as dimensões dos dois corpos não são desprezáveis e
a linha de choque não contém os centros de massa.
O campo de velocidades de cada um dos corpos sofre uma alteração durante o
choque, em consequência da acção da força de contacto. O impulso desta força provocará
uma variação do torsor das quantidades de movimento de cada um dos corpos.
Sejam A e B, respectivamente, os pontos de contacto dos corpos 1 e 2 durante o
choque, como se mostra na figura 10. No final do período de deformação (instante t* -
figura 10, as velocidades destes dois pontos podem ser diferentes, mas as suas
componentes na direcção da linha de choque serão necessariamente iguais.
!
ω 2
!
v G2
!
v G1
!
ω 1
G1
G2
ˆ n
ˆ t
A B
Figura 10 - Choque excêntrico entre dois corpos livres.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 273
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Analise-se o que se passa no corpo 1. Seja
!
F a força de contacto. Por integração
em ordem ao tempo, durante as fases de deformação e restituição, obtêm-se os seguintes
impulsos
∫=
→ *
o
t
t
o
*
dtF
t
tpIm
!
(43)
∫=
→
1
*
t
t*
1 dtF
t
t
pIm
!
(44)
O coeficiente de restituição, e, é, por definição, igual ao cociente entre as
intensidades dos impulsos de restituição e de deformação, isto é,
∫
∫
=
*
o
1
*
t
t
t
t
dtF
dtF
e !
!
(45)
Note-se que, multiplicando, à esquerda, qualquer destes dois vectores por AG1 , o
cociente das respectivas normas irá manter-se. Logo o coeficiente de restituição e
também pode ser definido pela expressão
∫
∫
=
*
o 1
1
* 1
t
t G
t
t G
dtM
dtM
e (46)
sendo FxGAM 1G
!→
= o momento em G da força de contacto F
!
.
De acordo com as expressões (3) e (9) é possível substituir em (45) e (46) os
impulsos (linear ou angular), pela variação de quantidade de movimento (linear ou
angular) que produzem, obtendo-se
( )
( )
1 1
1 1
t1 *
1 G G
* t0
1 G G
m v v
e
m v v
−
=
−
! !
! ! (47)
( )
( )
1 1 1
1 1 1
t1 * t1 *
G G G 10 10
* t0 * t0
G G G 10 10
H H
e
H H
ω ω
ω ω
− −
= =
− −
I
I
! ! ! !
! ! ! ! (48)
Das equações (47) e (48) resulta
274 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )
( )
( )
( )
1 1
1 1
t1 * t1 *
G G 10 10
* t0* t0
10 10G G
v v
v v
ω ω
ω ω
− −
=
−−
! ! ! !
! !! ! (49)
Multiplicando cada um dos vectores do segundo cociente da expressão (49) por
AG1 e adicionando ao correspondente vector do cociente do primeiro membro, obtém-se
o seguinte cociente equivalente angular:
( )
( )
1 1
1 1
t1 * t1 *
G G 10 1 10 1
* t0 * t0
G G 10 1 10 1
v v G A G A
v v G A G A
ω ω
ω ω
− + × − ×
− + × − ×
"""! """!! ! ! !
"""! """!! ! ! ! 50)
ou seja
t1 * ' *
A A A A
* t0 *
A A A A
v v v v
e
v v v v
− −
= =
− −
! ! ! !
! ! ! ! (51)
Procedendo de modo idêntico em relação ao corpo 2, obter-se-ia uma expressão
semelhante, relacionando o coeficiente de restituição com as velocidades do ponto B, isto
é:
' *
B B
*
B B
v v
e
v v
−
=
−
! !
! ! (52)
Se projectarmos os vectores contidos nas expressões (51) e (52) na direcção n
!
da
linha de choque, surgirá em ambas uma parcela que é comum. De facto, as velocidades
dos pontos A e B, no final da fase de deformação, têm componentes iguais segundo n
!
.
Pode-se então escrever
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( ) ( )
' * *
A A A An nn n
' * *
B B B Bn nn n
v v e v e v
v v e v e v
− = −
− = −
! ! ! !
! ! ! ! (53)
e eliminar, destas expressões, o valor comum ( ) ( )
n
*
Bn
*
A vv
!!
=
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( ) ( )
* '
A A An nn
* '
B B Bn nn
1 e v v e v
1 e v v e v
+ = +
+ = +
! ! !
! ! ! (54)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 275
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
obtendo-se
( ) ( )
() ( )
' '
B An n
A Bn n
v v
e
v v
−
=
−
! !
! ! (55)
Note-se como também neste caso o coeficiente de restituição pode obter-se pelo
cociente das medidas de velocidades relativas de afastamento e de aproximação dos dois
pontos de contacto.
Só que, agora, estão em causa as componentes das velocidades segundo a normal à
superfície de contacto n
!
.
5.3.2 Choque excêntrico de dois corpos ligados ao exterior
Caso os dois corpos que chocam tenham ligações ao exterior, poderão surgir, nessas
ligações, forças impulsivas que obviamente também condicionarão a alteração dos torsores
das quantidades de aceleração durante o choque.
A figura 11 mostra o choque entre dois corpos animados de movimento de rotação.
G1
G2
n̂
t̂
A BC
ω 20
ω 10
+
+
D •
xxxxx
•
xxxxx
Figura 11 - Choque de dois corpos em rotação.
Utilizando para polo do cálculo dos momentos exteriores aplicados a cada um dos
corpos, o respectivo ponto de ligação ao exterior, as forças de ligação produzirão aí
momento nulo. Neste caso a única força a considerar passará a ser a força de contacto F
!
.
276 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Os impulsos angulares das forças de deformação e o coeficiente de restituição e são
definidos por
∫
∫
→
→
=
0
*
1
*
t
t
t
t
dtFxCA
dtFxCA
e !
!
(56)
O princípio do impulso e quantidade de movimento, estabelece para o corpo 1 que
( )
( )
t1 *t1 * 10C 10C C
t0* t0 *
C C 10C 10
H H
e
H H
ω ω
ω ω
−−
= =
− −
I
I
"!! ! !
! ! "!! (57)
( )
( )
' *
10 10
*
1010
e
ω ω
ω ω
−
=
−
"! !
"!! (58)
Note-se que esta expressão, apesar de deduzida para o caso dos corpos 1 e 2
estarem ligados ao exterior e movendo-se em rotação, é em tudo análoga à já deduzida
para o caso de os corpos serem livres (expressão 49 - 2º membro).
Multiplicando agora os vectores contidos no numerador e no denominador, pelo
mesmo vector CA , obtém-se também uma expressão idêntica à (51), correspondente ao
caso dos corpos serem livres.
Tem-se pois, para este caso, o coeficiente de restituição definível a partir das
componentes segundo a linha de choque, das velocidades relativas de afastamento e
aproximação dos pontos de contacto A e B, imediatamente após e antes do choque
( ) ( )
( ) ( )
' '
B An n
A Bn n
v v
e
v v
−
=
−
! !
! ! (59)
Combinando a expressão anterior com uma das diversas expressões que resultam da
aplicação do princípio da conservação das quantidades de movimento, é possível
determinar os campos de velocidades dos dois sólidos, imediatamente após o choque.
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 277
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO
6.1 Variação da quantidade de movimento linear
Os corpos 1 e 2, representados na figura 12, movem-se ligados por um cabo
inextensível e sem massa, o qual é conduzido por roldanas de inércia desprezável.
Sabendo que, no instante inicial, o corpo 1 se move no sentido indicado, com
velocidade v, calcular o tempo ao fim do qual a sua velocidade se anula. Calcular também
o valor da força de tracção a que o cabo está submetido.
1
2 m
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX X
X
X
X
X
X
X
X
X
v
y
x
Figura 12 - Variação da quantidade de movimento linear do sistema.
Desprezando a inércia do cabo e das roldanas, os diagramas do corpo livre de cada
um dos corpos estão representados na figura 13:
Mg
v
F V
2
2 F
mg
Figura 13 - Diagramas de corpo livre de cada um dos corpos.
Durante o período de tempo t que se pretende analisar, os corpos estão sob a acção
de impulsos devidos às forças neles aplicadas, os quais são calculáveis em função das
alterações na quantidade de movimento que produzem.
Assim, para o corpo 1 determina-se que
278 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )t t' '1 1 1 10 0Fdt Mv Mv F dt M v v= − = −∫ ∫
""! ""! ""! ""!! !
( )'1 1
F 0 v
Ft M v v 0 t M 0 0
0 0 0
−
= − = −
""! ""!!
F t = M v (60)
e para o corpo 2,
( ) ( ) ( )t t' '2 2 2 20 0mg 2F dt mv mv mg 2F dt m v v+ = − + = −∫ ∫
""! ""! ""! ""!! !! !
( ) ( )'2 2
00 0
vmg 2F t m v v mg 2F t m 0 2
0 0 0
+ = − − + = −
""! ""!!!
(mg - 2F) t = m v/2 (61)
A partir das expressões (60) e (61) é possível determinar os valores de F e t,
obtendo-se
2
mM2
gmMFev
2
mM2
mg
1t
+
=
+=
6.2 Conservação da quantidade de movimento linear
Um pequeno objecto, de massa m, entra com velocidade v (inclinação θθθθ) num carro
transportador, inicialmente em repouso, como se mostra na figura 14.
Calcular a velocidade do carro (com o objecto nele incluído), desprezando
eventuais efeitos que o choque entre os dois corpos produziria.
Considerando o sistema constituído pelos dois corpos, verifica-se que sobre eles
apenas actua a força peso e as reacções nos apoios do carro, que a compensam. Será nula
a soma destas forças na direcção horizontal, pelo que, nessa direcção, haverá conservação
da quantidade de movimento.
(Note-se que, considerando o efeito do choque este problema não poderá ser
resolvido de forma tão simplista!).
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 279
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
M
m
vθθθθ
Figura 14 - Conservação da quantidade de movimento linear na direcção horizontal.
Obtém-se então
( ) ( )
( ) ( )
t ' ' '
X x x mx Mx mx Mx0
' '
mx Mx mx Mx
F dt Q Q Q Q Q Q
mv Mv mv Mv
= − = + − + =
= + − +
∫
Mas
( ) ( )t ' 'x mx Mx mx Mx0 F dt 0 mv Mv mv Mv 0= ⇒ + − + =∫ (62)
Sendo a velocidade inicial do carro transportador nula, então 0vMx = .
Após o choque os dois corpos deslocam-se em conjunto e solidários pelo que
' ' '
mx Mxv v v= =
Substituindo na expressão (62) obtém-se:
( )
( )
'
m
'
m
m M v mv
m
v v
m M
+ =
=
+
280 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.3 Conservação da quantidade de movimento angular numa direcção
A figura 15 mostra duas esferas, que podem deslizar sem atrito sobre uma guia
horizontal, animada de movimento de rotação em torno de um eixo vertical, com
velocidade angular ω . As duas esferas são consideradas como duas massas concentradas.
m m
ω
θ
R
r
Figura 15 - Conservação de movimento angular das duas esferas segundo eixo de rotação.
Inicialmente são mantidas na posição definida por r, por meio de um cabo. Este,
por hipótese, parte-se em dado instante, pelo que bruscamente as esferas se deslocam
para os extremos da guia (posição definida por R).
Calcular a velocidade angular de rotação da guia Ω , quando as esferas ocuparem
esta última posição.
Desprezar a inércia da guia horizontal e considerar as duas esferas como duas
massas concentradas.
Neste sistema material actuam as forças "peso" e as de ligação ao exterior, no
apoio. Nenhuma delas produzem momento em relação ao eixo de rotação, pelo que o
momento cinético, nessa direcção, vai permanecer constante.
Então,
o
t '
O O Ot
M dt H H= −∫
! !""!
mas
o
t '
O O Ot
M dt 0 H H= ⇒ =∫
! ! !""!
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 281
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
' ' ' ' '
O O 1 1 2 2 1 1 2 2H H OP mv OP mv OP mv OP mv= ⇔ × + × = × + ×
""! ""! """! ""! """! ""! """"! ""! """"! ""!
isto é
ωΩ
ωωΩΩ
ωωΩΩ
22
2222
rm2Rm2
rm
0
0
rm
0
0
Rm
0
0
Rm
0
0
0
r
0
mx
0
0
r
0
r
0
mx
0
0
r0
R
0
mx
0
0
R
0
R
0
mx
0
0
R
=
+
=
+
−
−
+
=
−
−
+
ωΩ 2
2
R
r=
6.4 Choque central oblíquo
Um aro, de massa m e momento de inércia relativamente ao eixo geométrico de
revolução, I, choca com um plano inclinado (fixo), nas condições da figura 16.
A
G
t̂
θθθθ
θθθθ '
n̂
ωωωω
'v
v
Figura 16 - Choque central oblíquo de um aro com um plano inclinado.
282 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Sendo Gv
""!
a velocidade do centro de massa G imediatamente antes do choque,
calcular a velocidade 'Gv
""!
do mesmo ponto, no instante imediatamente após, admitindo
que não existe atrito entre o aro e a o plano inclinado (µµµµ = 0) e o coeficiente de
restituição é e.
Considerar as hipóteses: a) ωωωω = 0; b) ωωωω = ωωωω .
Na hipótese de inexistência de atrito (µµµµ = 0), a força de atrito na direcção
tangencial é nula, pelo que não provocará momento em relação a G. Logo o impulso
angular é nulo, tanto no caso da alínea a) como da b).
Então, em ambos os casos
' ' '
G GH H ω ω ω ω= ⇒ = ⇒ =I I
"! "!
Não havendo força de atrito na direcção tangencial, então também não haverá
impulso linear na direcção da tangente, t
!
. Assim, e em ambos os casos,
m v cos θ = m v’ cos θ’
Na direcção da normal n
!
, surge uma força de contacto, cujo impulso provocará a
alteração na quantidade de movimento, isto é
' 'v sin
e
v sin
θ
θ
=
As equações anteriores permitem obter os seguintes resultados:
' '
' '
v cos v cos
ev sin v sin
θ θ
θ θ
=
=
Estas duas expressões podem ser trabalhadas de modo a determinar vt1 e θθθθt1.
( )
' ' '
' ' '
' ' '
' ' '
cos cos cosv v v v v vcos cos cos
cos e tg tg arctg e tge v sin v sin
cos
θ θ θ
θ θ θ
θ θ θ θ θθ θ
θ
= = =
= = =
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 283
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( ) ( )
2 22 ' 2 '
2 2' 2 2 2
22 2 ' 2 '
v cos v cos
v v e sin cos
e v sin v sin
θ θ
θ θ
θ θ
=
⇒ = +
=
' 2 2 2v v e sin cosθ θ= +
Em conclusão:
a) ( )' ' 2 2 2 '0 ; v v cos e sin ; arctg etgω θ θ θ θ= = + =
b) ( )' t1 2 2 2 '; v v cos e sin ; arctg etgω ω θ θ θ θ= = + =
Concretizando as expressões anteriores para os seguintes valores:
θθθθ = 60º, v = 1 m/s, e e = 0.5,
determina-se que,
θθθθ’ = 40.9º, v’ = 0.66 m/s.
6.5 Choque excêntrico de um corpo livre
Uma barra prismática move-se em translação rectilínea, nas condições indicadas na
figura 17. Em determinado instante, quando possui a velocidade v
!
, sofre um choque
excêntrico (coeficiente de restituição e), que vai alterar significativamente o seu
movimento.
G
d 2
A
vh/2
θ
t̂
n̂
Figura 17 - Choque excêntrico de uma barra com movimento de translação.
284 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Definir o campo das velocidades contemporâneas da barra, no instante
imediatamente após o choque.
As incógnitas do problema são:
v' = velocidade de G imediatamente após o choque:
θθθθ' = ângulo da velocidade 'v
!
com a direcção t̂ ;
ωωωω' = velocidade angular da barra após o choque.
Como o coeficiente de restituição e é conhecido, e atendendo à expressão (57) é
possível estabelecer que ( 0vv
n
B
n
'
B
!
=
=
)
( )
( )
( )ω+ •
= =
•
""! ""! """!!
""!""!
A Gn
GA n
v v x GA n
e
v nv
' ˆ' '
ˆ' (63)
θ
ω θ
ω
ωθ
θ ω
→
− + • = + − • =
= + − • =
""! !
G
h
v
dv x GA n v x
d vv
hv
' '
' ' '
'
' '
' '
' ' '
cos 0 2 0
ˆ' sin 0 12
0 00
coscos 02
sin 12
0 00
θ ω
θ ω
+ − •
d
hv
' '
' ' '
02
sin 12
00
ω θ ω
→ + • = −
""! !
G
hv x GA n v' ' ' 'ˆ' sin 2
θ
θ θ
• = − • = −
""!
G
v
v n v v
cos 0
ˆ sin 1 sin
0 0
Substituindo na expressão (63) obtém-se
θωθ sinve
2
hsinv ''' =− (64)
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 285
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Na direcção t̂ há conservação de quantidade de movimento (admitindo que se
despreza o atrito), pelo que se pode estabelecer que
θθ cosvcosv '' = (65)
Na barra prismática, durante o choque, actuam duas forças exteriores: o peso e a
reacção impulsiva F
!
. Considerando os momentos destas forças em relação ao ponto A,
verifica-se que a força peso produz momento, ao qual corresponderá durante o choque,
um impulso angular em A perfeitamente desprezável.
De facto o impulso angular será igual a
( ) 0tkcosdsinhgm
2
1
t
0
singm
cosgm
x
0
2d
2h
tgmxAGtMdtM pesoA
t
0
peso
A
≅
+−
=
−
===∫
∆θθ
∆θ
θ
∆∆
!
!
Durante o choque haverá, portanto, conservação da quantidade de movimento
angular em relação ao ponto A. O estabelecimento desta condição fornece a terceira
equação que permite resolver o problema.
Então
vmxAGHvmxAGHHH G
''
GA
'
A
!!!!!! →→
+=+⇔=
−
+
=
+
0
sinv
cosv
mx
0
2
d
2
h
0
0
0
0
sinv
cosv
mx
0
2
d
2
h
0
0
''
''
'
ZG
θ
θ
θ
θ
ωI
θθθθω cosvm
2
dsinvm
2
hcosvm
2
dsinvm
2
h ''''' −−=−+I (66)
O sistema de equações representativo deste problema é:
I
θ ω θ
θ θ
ω θ θ θ θ
− =
=
+ − = − −
h
v ev
v v
h d h d
mv m v mv mv
' ' '
' '
' ' ' ' '
sin sin
2
cos cos
sin cos sin cos
2 2 2 2
286 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Trabalhando as três equações anteriores, obtém-se
( )
( ) ( ) 0cosvcosvm
2
dsinvsinvm
2
h
0cosvcosv
2
hsinve1sinvsinv
'''''
''
'''
=−−++
=−
++=+
θθθθω
θθ
ωθθθ
I
(67, 68, 69)
Introduzindo as expressões (67) e (68) em (69) determina-se o seguinte valor para ωωωω'.
( )
( ) θω
ωθω
sinvm
2
he1'
4
hmI
0
2
hsinve1m
2
hI
2
'
''
+−=
+
=
+++
( ) ( )
+
++−
=
4
hmI
e1sinvm
2
he1
'
2
θ
ω
Conhecido ωωωω’, as expressões (64) e (65) formam um sistema de duas equações em
v' e θθθθ'. Assim
'''
2
hsinvesinv ωθθ +=
θθ cosvcosv '' =
cuja solução analítica é
( )2
2
'' cosv
2
hsinvev θωθ +
+=
+
=
θ
ωθ
θ
cosv
2
hsinve
arctg
'
'
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 287
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
6.6 Choque excêntrico de um corpo com ligação ao exterior
A figura 14 mostra o caso de uma barra prismática que roda em torno do ponto O.
No caso da figura 18-a), no ponto O há uma ligação rígida ao exterior. No caso da figura
18-b) há uma ligação elástica.
G
c
A+
a
b
A
O
A
G
A+
Figura 18-a)
Choque excêntrico de uma barra com uma
ligação rígida ao exterior no ponto O.
Figura 18-b)
Choque excêntrico de uma barra com uma
ligação elástica ao exterior no ponto O.
Admitindo que se conhece o valor da velocidade angular da barra (ωωωω), no instante
imediatamenteanterior ao choque com o ponto A, calcular, em ambos os casos, o valor da
velocidade angular ωωωω', correspondente ao instante imediatamente posterior ao choque.
Suponha conhecida a massa m, o momento de inércia em relação ao eixo de
rotação que passa por G , I�G , e o valor do coeficiente de restituição e.
O caso da alínea a) é de resolução simples. De facto, o movimento de barra é
alterado pelo aparecimento de duas forças impulsivas, uma no ponto de choque A e outra
no ponto de ligação ao exterior O. Em todo o caso, antes e depois do choque, o
movimento é de rotação em torno de um eixo que passa por O.
A definição do coeficiente de restituição permite obter o valor de ωωωω' (velocidade
angular da barra imediatamente após o choque), o único parâmetro necessário para
caracterizar o movimento. Então,
288 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
( )
( )
+−
−
=
−
+
−
+=+=
0
ba
c
0
c
ba
x0
0
0OAxvv OA ω
ω
ω
ω
isto é
( ) ( )
( )
( )
( ) ωωω
ω
ω
ω
e'
ba
ba
v
v
e
bav
bav
'
A
'
A
'
n
'
A
nA
=⇒
+
+=
=
+=
+−=
O caso da alínea b) é um pouco mais trabalhoso. Com efeito, o torsor das
quantidades de movimento vai apenas ser alterado pelo aparecimento, durante o choque,
de uma força impulsiva em A, como se mostra o diagrama de corpo livre da barra
representado na figura 19.
•O
A
m
!
v '
IG ω
'
ˆ n
ˆ t
!
F dt
0
t
∫
Figura 19 - Diagrama de corpo livre da barra.
Realmente, durante o tempo extremamente curto corresponde ao choque, o apoio
O não chega a mover-se, pelo que não aparecerá aí qualquer força elástica impulsiva. A
reacção em O é apenas igual à que correspondia ao instante antes do choque e função da
deformação a que as molas aí colocadas então teriam.
São agora incógnitas a velocidade
'
Gv do centro de massa G e a velocidade angular
ωωωω'. Podem-se escrever as seguintes equações:
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 289
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Coeficiente de restituição:
n̂OAx
n̂GAx'v
v
v
e
'
G
n
A
n
'
A
•
•
+
=
=
→
→
ω
ω
! (70)
Conservação da quantidade de movimento na direcção tangencial:
t̂OGxmt̂vm 'G •
=•
→
ω! (71)
Conservação do momento cinético no ponto A:
+=+⇔
⇔=⇒≅
→→→
∫
OGxmxAGvmxAG'
HH0dtM
G
'
GG
A
'
A
t
o A
ωωω !!II (72)
A equação (71) permite estabelecer que
( )
( )'G
0 a b 1 0 1
ˆ ˆm v t m OG t m 0 0 0 m a b 0 0
0 0 0 0
ω ω
ω
→
+
= × = × = + =
−
""! !i i i i
isto é 'Gv só tem componente horizontal (direcção n
!
).
O desenvolvimento da expressão (70) permite determinar que:
( )
( )
'
G
'
G
ˆ ˆe OA n v ' GA n
00 a b 0 0 b 0
e 0 c 1 v 0 c 1
0 0 0 ' 0 0
c 0
e a b 1
0 0
ω ω
ω ω
ω
ω
→ → × = + × ⇔
+
× − = + × − ⇔
−
−
− +
""! ""!! i i
i i
i 'G
c ' 0
v b ' 1
0 0
ω
ω
= + ⇔
i
( )ωω bae'bv'G +=+ (73)
290 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
O desenvolvimento da expressão (72) permite determinar que:
+=+
→→→
OGxmxAGvmxAG' G
'
GG ωωω
!!II
−
−
+
−
=
+
−
+
+ 0
am
0
x
0
c
b
0
0
0
vm
0
x
0
c
b
0
0
G
'
G
'
G
ω
ωω II
bamvbm G
'
G
'
G ωωω +−=− II (74)
A expressão (73) permite obter que
( ) 'bbaev'G ωω −+=
e substituindo na equação (74) obtém-se
( )[ ] ωωωωω bam'bbaebm G'G +−=−+− II
ωωωωωω bambmbembaem G
'22'
G +−=+−− II
ωωωωωω 2G
'2'
G bembaembambm +++−=+ II
( )
ωω 2
G
2
G'
bm
bembae1m
+
+++−
=
I
I
Substituindo o valor de ωωωω’ na equação (73), determina-se
( ) ( ) ω
+
−+−
++= b
bm
bembae1m
baev 2
G
2
G'
G
I
I
DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento 291
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
7 PROBLEMAS PROPOSTOS
Problema IQM1
O sistema de representado na figura é constituído por:
Corpo 1 - uma barra de comprimento %%%% e massa m, a qual pode rodar em torno do ponto
O com velocidade angular θ& ;
Corpo 2 - um barra de comprimento %%%% e massa m, a qual pode rodar em torno do ponto A
com velocidade angular ϕ& .
Aplicando o Teorema do Impulso e Quantidade de Movimento, determine as
velocidades angulares instantâneas das barras 1 e 2 quando, a partir do repouso, for
aplicada uma força impulsiva horizontal F no ponto B.
Determine o valor dessas velocidades angulares instantâneas nas seguintes
condições:
m = 4 kg %%%% = 1.2 m Ns14dtF
1
0
t
t
=∫ .
X
Y
O
1
2
G1
G2
θ
ϕ
∫
1
0
t
t
dtF
A
B
292 DINÂMICA DO CORPO RÍGIDO - Impulso e Quantidade de Movimento
Disciplina de MECÂNICA III - SMAp – DEMEGI – FEUP 6ª Edição - Fevereiro 2004
Problema IQM2
O sistema de representado na figura é constituído por:
Corpo A - um cursor de massa mA, obrigado a deslizar sem atrito sobre uma guia
horizontal;
Corpo 2 - um projéctil massa mB, animado de uma velocidade vB , o qual atinge a cursor.
Aplicando o Teorema do Impulso e Quantidade de Movimento, determine os
vectores velocidade do cursor e do projéctil, após o impacto, se o Coeficiente de
Restituição do sistema cursor/projéctil for e.
a) Determine os valores dessas velocidades nas seguintes condições:
mA = 5 kg mB = 2.5 kg vA = 10 m/s e = 0.75.
b) Represente a variação de intensidade e direcção do projéctil após impacto em
função do Coeficiente de Restituição.
A
B
30º
10 m/s