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1 
 
MICOSES SUPERFICIAIS 
 
Dermatofitoses: também chamadas tinhas (ou tineas no latim), são manifestações na pele e em seus anexos 
causadas por dermatófitos – fungos do gênero Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton; que podem ser 
exclusivos da espécie humana (antropofílicos), ou advindos de animais domésticos ou silvestres (zoofílicos) ou 
do solo (geofílicos). As lesões decorrem da presença do próprio fungo ou em virtude da reação de 
hipersensibilidade especifica ao agente causal ou a seus produtos. Com a progressão da infecção, desenvolve-
se a imunidade celular evidenciada pela relação ao antígeno tricofitina e pelo eventual aparecimento das 
desmatofítides – reações cutâneas de hipersensibilidade ao dermatófito. 
 
Etiologia dos fungos causadores: 
 Geofílicos: M. gypseum 
 Zoofílicos: M. canis, T. mentagrophytes, T. verrucosum. 
 Antropofílicos: T. rubrum, T. tonsurans, T. violaceum, T. schoenleinii, E. flocosum, T. megninii, T. 
concentricum. 
 
Manifestações clinicas 
Pode acometer, com características especificas, varias áreas do corpo: 
• Tínea capitis: adquirida pelo contato com indivíduos infectados, 
animais portadores (cães e gatos), ou com a própria terra. O quadro 
é de evolução crônica, e divide-se em tinha tonsurante 
(microspórica e tricofítica), que forma placas de tonsura no couro 
cabeludo, caracterizadas por cotos pilosos e descamação, em placa 
única, ou múltiplas. 
 
Diangósticos diferenciais: alopecia areata, tricotilomania, dermatite 
seborreica, psoríase. 
 
 
Eventualmente pode ocorrer uma reação inflamatória aguda intensa na área de 
infecção, formando placa elevada, geralmente única, bem delimitada, dolorosa, 
com pústulas e microabscessos que drenam pus à expressão, que caracterizam 
o chamado quérion (Kerion Celsi). Este é causado, habitualmente por 
dermatófitos zoo ou geofílicos. 
 
 
 
 
2 
 
A tinha favosa, causada pelo Truchophyton schönleinii, é caracterizada 
por lesões crateriformes em torno do óstio folicular (escútula fávica), um 
sinal característico do favo clássico. Pode produzir quadro de alopecia 
cicatricial definitiva. 
 
Podehaver outras formas, como o favo pitireoide, em que predomina o 
elemento descamativo; ou o favo impetigoide, supurativo-crostoso. 
 
Rara no nosso meio, pode ocorrer sob formas de microendemias em 
zonas ruais ou pequenas comunidades no interior. Geralmente adquirido 
na infância, tende a persistir se não tratado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tinea corporis, ou tinha da pele glabra, é mais comum em crianças, quando 
causada por fungos zoofílicos. As lesões podem ser únicas e múltiplas, em 
forma de placas anulares, eritematosas, descamativas, mostrando atividade 
periférica, onde podem ser encontradas vesículas, vesicopústulas, ou 
crosticulas, em crescimento centrifugo. E, quando múltiplas, podem 
coalescer, em aspecto circinado. Os agentes mais frequentes em nosso meio 
são o Trichophyton rubrum, 
Microsporus canis e Trichophyton 
mentagrophytes. 
 
Diagnósticos diferenciais: eczema 
numular, psoríase anular, granuloma 
anular. 
 
 
 
 
 
3 
 
Tinea manum – descamação fina, sem 
eritema, e pode ser acompanhada de 
alterações especificas nas unhas. É 
bem menos frequente que a tinea 
pedis, e podem ocorrer os dois 
quadros associados – geralmente 1 
mão e 2 pés (mão não dominante). 
Assim como na tinha do pé, e na tinha 
crural, os agentes mais frequentes 
são os Trichophyton rubrum, 
Trichophyton mentagrophytes e 
Epidermophyton floccosum. 
 
Diagnósticos diferenciais: dermatite de contato e psoríase. 
 
Tinea pedis – muito comum, com diversas formas clinicas. Pode ser intertriginosa interdigital, descamativa em 
mocassim, ou vesicopustulosa plantar. Pode provocar o surgimento de vesículas nas mãos, como fenômeno de 
hipersensibilidade aos fungos (mícides, ou desmatofítides). 
 
Diagnósticos diferenciais: dermatite de contato, psoríase, dermatite atópica. 
 
 
 
Tínea cruris – placas eritematosas, descamativas, com bordas bem definidas, papulosas, mostrando atividade 
periférica em crescimento centrifugo, onde podem ser encontradas vesículas, vesicopústulas ou crosticulos na 
periferia. É mais comum em homens que em mulheres. 
 
Diagnósticos diferenciais: dermatite de contato, psoríase invertida, pênfigo benigno familiar, eritrasma. 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na imagem 1, uma Tinea cruris por dermatófito. Na imagem 2, um eritrasma por Corynecbacterium 
minutissimum. 
 
Tinea faciei: caracteriza-se por lesões superficiais, semelhantes à tinta 
do corpo, ou por infecções mais profundas por participação direta dos 
folículos, como a tinha granulomatosa pode originar granulomas 
(trocofíticos). 
 
Diagnostico diferencial: dermatite de contato, sicose bacteriana, outros 
granulomas da face. 
 
 
 
Tinha da barba (Tinea barbae) – quadro não muito comum, pode apresentar-se sob aspectos clínicos distintos: 
• Tipo inflamatório: lesos inflamatórias, exsudativas e supurativas, lembrando o quérion. 
• Tipo herpes circinado: lesões anulares, eritêmato-pápulo-vesicoescamosas nas bordas, com tendência 
à cura da parte central. 
• Tipo sicosiforme: apresenta pústulas foliculares às quais se associa, posteriormente, a formação de 
crostas. 
 
 
 
 
 
5 
 
Tinea unguium – aumento da espessra com hiperqueratose subungueal. As unhas tornam-se quebradiças, 
podendo aparecer sulcos e depressões consequentes à inflamação das pregas periungueais. É comum em idosos 
com predomínio do sexo masculino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O acometimento da unha pelo dermatofito pode ser, incialmente, subungueal distal e/ou lateral, subungueal 
proximal e superficial. Todas as formas podem evoluir para o comprometimento total da lamina ungueal. Nos 
casos de imunossupressão, as unhas tendem ao acometimento total. 
 
 
6 
 
 
 
O padrão ouro do diagnostico da tinha ungueal é o exame micológico direto positivo para hifas. Esse exame 
pode ser complementado por cultura para fungo para identificação de gênero e espécie. 
 
Onicomicose na maioria dos casos é causada por dermatofitos e mais raramente por Candida e por fungos não 
dermatofitos. Os dermatófitos causais de maior prevalência na tinha ungueal são os dos gêneros Trichophyton 
(T. rubrum e T. mentagrophytes) e Epidermophyton (E. floccosum), raramente Microsporum. 
 
As onicomicoses por outros fungos filamentosos não dermatófitos são mais incomuns: por fungos dos gêneros 
Scopulariopsis, Hendersonula, Aspergillus, Penicilium, Fusarium, Acremonium e outros. 
 
Exames diagnósticos: 
• Micológico direto: exame microscópico após clarificação pela potassa; 
• Cultura para fungos em meio de Sabouraud Dextrose Agar com Cloranfenicol; 
• Exame pela luz de Wood pode demonstrar fluorescência esverdeada para os dermatofitos do gênero 
Microsporum, enquanto os do gênero Trichophyyon não fluorescem, exceto o T. schöleinii, que tem 
fluorescência verde-palha. 
 
A diagnose diferencial deve ser feita com afecções que atingem as unhas como psoríase e liquen plano ou com 
onicopatias congênitas e traumáticas. 
 
 
 
 
7 
 
Tratamento das dermatofitoses 
Drogas tópicas 
 Grupo 1: mais efetivas e com melhor tolerância. São os derivados imidazólicos, como o isoconazol, 
tioconazol, econazol, bifonazol, e outros com alta eficácia e excelente tolerância. 
 Grupo 2: também efetivos são o ciclopirox olamina, terbinafina e amorolfina. Essas drogas, em creme, 
solução ou spray a 1% são usadas uma ou duas vezes por dia, de 6 a 8 semanas. 
 Outros tópicos atualmente pouco usados: ácido salicílico, ácido benzoico, iodo, derivados mercuriais, 
violeta de genciana. São menos ativos e mais irritantes. 
 
Drogas sistêmicas 
A griseofulvina, antibiótico extraído do Penicillium griseofulvum, foi a primeira droga efetiva no tto das 
dermatofitoses. Atualmente, seu emprego restringe-se à tinha microspórica do couro cabeludo. São usados os 
derivados imidazólicos: o itraconazol, o fluconazol; ou um derivado da alilamina, a terbinafina. 
 
Devem ser solicitados exames decontrole de função renal, hepática, e hemograma a cada 2 meses de 
tratamento. Cuidar de interações medicamentosas. 
 
A seguir estão descritas as indicações de tto tópico e/ou sistêmico nas dermatofitoses de acordo com a região 
afetada. 
 
 Tinha de couro cabeludo: necessita de tto sistêmico além do tópico. Pode ser indicada a griseofulvina 
(15 a 20 mg/kg/dia após as refeições, por 6 a 12 semanas). A terbinafina, em crianças, a dosagem é de 3 
a 6 mg/kg/dia (62,5 mg/dia, crianças com 10 a 20 kg; 125 mg/dia, 20 a 40 kg; 250 mg/dia acima de 40 kg) 
por 4 a 8 semanas. Fluconazol 5 mg/kg/dia por 4 semanas. 
o A administração de fluconazol esta aprovada para crianças com mais de 6 meses de idade. Como 
terapia complementar, utilizar antifúngicos tópicos. 
 Tinha da barba: o tto sistêmico é indicado Itraconazol 100 mg/dia, Terbinafina 250 mg/dia, ou Fluconazol 
150 mg por semana, por 2 a 4 semanas. Como terapia complementar, usar antifúngicos tópicos. 
 Tinha do corpo: em forma localizada, somente tto tópico por 2 a 4 semanas. Quando disseminada, 
associar tto sistêmico, como na tinha da barba. 
 Tinha do pé e da mão: nas formas não inflamatórias, usar antifúngicos tópicos por 6 a 8 semanas. Na 
tinha do pé, pode haver infecção secundaria, que se for identificada, deve-se administrar inicialmente 
antibiótico sistêmico (tetraciclina ou macrolideo) e posteriormente se necessário associar terapia 
sistêmica antifúngica. 
 Tinha crural ou inguinal: tto tópico por 6 a 8 semanas. Em forma extensa ou inflamatória associar tto 
sistêmico. As tinhas inguinal e do pé, particularmente por Trichophytum rubrum, com frequência 
 
8 
 
recidivam. É preciso esclarecer sobre a necessidade de secar bem essas regiões após os banhos e usar, 
profilaticamente cremes ou pós-antifúngicos. 
 Tinha ungueal: terapia deve ser sistêmica e tópica, eventualmente somente a tópica (quando o 
comprometimento for lateral distal, ou em casos de contra-indicaçao de tto sistêmico). 
o Ttos sistêmicos da Tinea unguium: 
▪ Itraconazol: mais indicado em pulsoterapia 200 mg, 2x/dia (após café da manha e jantar) 
por uma semana. Interromper por 3 semanas e repetir de 4 a 6 ciclos. 
▪ Terbinafina: é efetiva, 250 mg/dia, por 3 a 4 meses. Há também a alternativa com 
pulsoterapia, 250 mg, 2x/dia, por uma semana. Suspender 3 semanas e repetir de 4 a 6 
ciclos. 
▪ Fluconazol: 150 mg/semana por 4 a 6 meses. É também efetivo 
 
Em idosos ou doentes hipertensos, cardíacos, hepáticos, renais e outras doenças gerais, não é aconselhável a 
terapia sistêmica, pelos efeitos colaterais e pelas possíveis interações medicamentosas, neste caso indicar ttos 
tópicos. 
 
Terapia tópica da tinea unguium: usar tópicos que apresentam maior concentração da droga e possibilitam a 
penetração na lamina ungueal. A amoltrofina a 5% ou ciclopirox olamina a 8% em esmalte, usados uma ou duas 
vezes por semana, além de complementarem a terapia sistêmica, possibilitam a cura da tinha ungueal com uso 
tópico prolongado. 
 
A evulsao química com ureia a 40% pode ajudar em casos de unhas muito espessas. A evulsão cirúrgica não é 
indicada. 
 
PTIRÍASE VERSICOLOR 
 
Micose superficial crônica, de distribuição universal, causada pela 
levedura Malassezia furfur, caracterizada or maculas com cores 
variáveis do acastanhado, ou levemente róseas (por isso “versicolor”) 
localizadas especialmente em tronco, pescoço e raiz dos membros, 
que apresentam fina descamação furfurácea ao estiramento (sinal de 
Zileri). 
 
Os adultos jovens são acometidos com maior frequência. A infecção 
é assintomática, de contagiosidade baixa, e frequentemente 
recidivante. Imunidade celular competente é importante para a 
resistência da infecção. 
 
 
9 
 
Tratamento 
 Primeira linha – tópicos 
o Antifúngicos tópicos – os mesmos descritos para o tto dos dermatófitos. 
o Xampus à base de sulfato de selênio, cetoconazol ou outros antifúngicos. 
o Hipossulfato de sódio (20 a 40%) ou sulfeto de selênio em loções. 
o Sabonetes com enxofre e ácido salicílico. 
 Segunda linha – ttos sistêmicos 
o Itraconazol 100 mg após o café e 100 após o jantar/dia por 5 dias. 
o Fluconazol 150 mg/semana, 4 semanas, ou 450 mg dose única, que pode ser repetida após 3 
semanas. 
o Cetoconazol 200 mg/dia por 10 dias. A tolerância é satisfatória. 
 
Hipocromias podem permanecer por alguns meses após o tto – o Sinal 
de Zileri positivo confirma se a lesão permanece ativa. Se negativo, 
sugere hipocromia residual. Na imagem ao lado, hipocromia na p. alba. 
 
Diagnósticos diferenciais principais da p. versicolor são: hipocromia 
residual, ptiriase alba e hanseníase. 
 
A diagnose da atividade da ptiriase versicolor pode ser confirmada pelo 
exame de Luz de Wood que revela a fluorescência róseo-dourada. 
 
O exame micológico direto de escamas de lesão após clarificação pela potassa a 10% permite o encontro de 
esporos e pseudo-hifas. 
 
FOLICULITE PITIROSPÓRICA 
 
Ocorre em virtude da colonização de M. furfur no folículo pilossebáceo, 
formando pápulas eritematosas ou pústulas, discretamente 
pruriginosas, na região dorsal, de característica monomórfica 
predominante. Pode haver dilatação do infundíbulo e formação de 
rolhas córneas. 
 
A diagnose se dá pelo exame direto micológico. A terapia é com xampu 
de cetoconazol ou de ciclopirox olamina e ácido salicílico e loção ou 
sabonete de enxofre e ácido salicílico. Em formas resistentes e 
inflamatórias, administrar itraconazol VO. 
 
 
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TINHA NEGRA (TINEA NEGRA) 
 
Dermatomicose rara,encontrada em áreas tropicais ou semitropicais, 
causada pelo fungo demáceo Phaeoannellomyces werneckii , caracteriza-
se por manchas castanho-escuras ou pretas nas regiões palmoplantares, 
ou nas bordas dos dedos. Pode ser confundida com lesão melanocítica. 
 
A diagnose pode ser confirmada pelo exame direto, que revela hifas 
escuras septadas. A infecção regride com antifúngicos tópicos. 
 
 
 
 
 
 
PIEDRA PRETA 
 
Infecção do pelo caracterizada por nódulos pretos que envolvem e são 
aderentes à haste dos cabelos e, eventualmente, barba ou bigode. É causada 
por um fungo filamentoso preto, denominado Piedraia hortae. É encontrada 
em áreas tropicais e, no Brasil, na Amazônia. 
 
O tratamento consiste em uso de antifúngicos tópicos. O corte dos cabelos 
pode ajudar no controle mais rápido da afecção. 
 
 
 
 
 
 
 
PIEDRA BRANCA 
 
Quadro clínico saprofitário produzido pelo fungo leveduriforme, Trichosporon beigelii (T. cutaneum). 
Caracteriza-se por concreções brancas, acometendo as hastes pilosas de pelos pubianos, genitais, axilares e, 
eventualmente, barba, bigode e couro cabeludo, localizadas principalmente na porção distal da hast, facilmente 
removíveis mecanicamente. 
 
11 
 
Confirma-se a diagnose no exame direto em KOH (hidróxido de potássio) pelo 
encontro de massas de blastose/ ou artroconídios do T. beigelii envolvendo o 
pelo. 
 
No Brasil, é frequente na Amazônia. Para o tratamento, recomendam-se o corte 
dos pelos comprometidos e o uso de antimicóticos tópicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Candidose , candidíase ou monilíase: designa infecção cutânea, cutâneo-sistêmica ou sistêmica, por leveduras 
do gênero Candida, cuja representante mais frequente é a C. albicans. 
 
Tem ocorrência universal, é saprófita, tornando-se eventualmente patogênica, habita a superfície da pele, da 
mucosa oral, do intestino e da mucosa vaginal. As condições que facilitam a infecção pela Candida são: menor 
grau de defesa imunológica, como no bebê e no idoso; na diabetes ;doenças gerais como malignidades, Aids; 
durante uso de anticoncepcionais , ou terapia com antibióticos, corticoides e citostáticos; condições ambientais 
como umidade e maceração cutânea, como na dermatite das fraldas, intertrigos dos obesos e ocupacionais; 
irritação mecânica na mucosa bucal por próteses; diminuição da função neutrofílica ou endocrinopatias. 
 
A infecção, na maioria das vezes, localiza-se somente na pele ou em mucosas (candidose mucocutânea). 
Excepcionalmente, em imunodepressões,pode ocorrer fungemia. 
 
CANDIDOSE ORAL 
 
É comum nos lactentes, após a segunda semana de vida, quando a flora 
microbiológica da boca por provável contaminação durante a passagem pelo 
canal vaginal. Pode ocorrer em idosos em uso de próteses, e especialmente 
em imunodeprimidos, como da Aids, ou como contaminação secundária em 
lesões da mucosa bucal, como no pênfigo vulgar. 
 
Caracteriza-se por placas cremosas esbranquiçadas, circulares ou ovais, 
isoladas ou confluentes, que podem comprometer toda a cavidade oral, e em 
 
12 
 
casos graves, atingem a faringe, a laringe, o esôfago, a traqueia e os 
brônquios, podendo causar dificuldade respiratória. 
 
A queilite angular (perleche) , com fissuras nos cantos dos lábios, 
pode ser provocada por cândida, entretanto, na maioria dos casos, 
é contaminação secundária de uma irritação primária causada pela 
saliva nas dobras cutâneas. 
 
 
 
Tratamento 
A primeira condição é a eliminação dos fatores predisponentes. A droga eletiva 
é a nistatina em suspensão oral, 3 a 4 vezes por dia, após limpeza, podendo a 
suspensão ser ingerida. 
 
O clotrimazol em solução é também efetivo. Na afecção em lactentes, 
desinfecção das mamadeiras e chupetas é imprescindível. No adulto, em casos 
extensos, associar a medicação sistêmica, referida adiante. 
 
 
 
 
Candidose vulvovaginal: caracteriza-se pela leucorreia e pelas placas esbranquiçadas cremosas na vulva e na 
mucosa vaginal. É infecção frequente pelos seguintes fatores predisponentes: gravidez; uso de 
anticoncepcionais; diabetes; antibioticoterapia prolongada; irritação mecânica ou química da mucosa vaginal, 
que facilitam o desenvolvimento da levedura, que é oriunda do intestino. 
 
Candidose balanoprepucial: Caracteriza-se por lesões eritematosas ou eritematoerosivas na glande, recobertas 
ou não por induto esbranquiçado. No prepúcio, há eritema e edema. Subjetivamente, ardor e prurido. As 
condições predisponentes são idade avançada, obesidade, diabetes, fimose, higiene inadequada. Pode ocorrer 
por transmissão sexual, de parceira com candidose vulvovaginal. 
 
Diagnósticos diferenciais: outras causas da leucorreia, como gonococos, tricomonas, micoplasma e clamídias. 
Pode ser confirmado por exame micológico. O tratamento é com nistatina em creme vaginal, anfotericina B em 
creme vaginal, isoconazol ou outro imidazólico em creme ou óvulos vaginais. Em formas extensas, associar 
medicação sistêmica. 
 
 
 
13 
 
Candidose intertriginosa: ocorre nas dobras axilares, inguinais e submamárias, 
caracterizando-se por lesões eritematosas, úmidas, secretantes, que podem 
erosar a epiderme. Com frequência, há lesões- -satélite que se iniciam como 
vesículas ou pústulas. Subjetivamente, há prurido de intensidade variável que 
pode ser acompanhado de ardor. As causas predisponentes são obesidade, 
diabetes, umidade e higiene inadequada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dermatite das fraldas: A retenção da urina e das fezes pelas fraldas 
provoca maceração da pele, constituindo excelente campo para o 
desenvolvimento de leveduras 
 
 
 
 
 
 
 
Paroníquia e onicomicose: na paroníquia, há eritema e edema na dobra 
em torno da matriz da unha de dedo da mão, com descolamento da 
cutìcula em prega proximal da unha. O processo inflamatório, atingindo 
a matriz, provoca distrofia ungueal. Eventualmente participam do 
processo, além da C. albicans, outros fungos e bactérias, como 
estafilococos, estreptococos, Pseudomonas aeruginosa, e Proteus 
mirabilis. A paroníquia é, fundamentalmente, afecção ocupacional, 
causada pelo contato continuado com água, sabão e detergentes. Pode 
ocorrer em virtude de imunossupressão, diabetes, ou outras doenças 
sistêmicas. 
 
 
14 
 
A presença de coloração verde-escura indica infecção associada por 
Pseudomonas. O exame micológico pode mostrar cândida ou outros fungos. 
 
Pode haver infecções bacterianas associadas. 
 
Tratamento a primeira medida é evitar o contato com água, sabão e 
detergentes. Administrar creme imidazólico para a infecção com levedura, 
eventualmente associado a creme antibacteriano e, eventualmente, 
antifúngico ou antibacteriano por via sistêmica. 
 
 
Antifúngicos na candidose 
Várias medicações podem ser empregadas nas diferentes manifestações clínicas da candidíase. Nas candidíases 
superficiais, devem ser afastados os fatores que favorecem a patogenicidade da levedura e utilizados fármacos, 
geralmente de uso tópico, que quase sempre levam a bons resultados. 
 
Tópicos 
 Nistatina: indicada na candidose oral, esofagiana e intestinal, não é absorvida, sendo eliminada 
inalterada, é usada em solução com 100 mil unidades por mL, na dose de 1 a 2 mL, de 3 a 4 vezes ao dia 
 
Imidazólicos 
 Clotrimazol, isoconazol e tioconazol são encontrados em solução, creme e creme vaginal para aplicações 
na pele e nas mucosas. 
 
Existem na atualidade agentes orais muito bem absorvidos e que são empregados nas candidíases oral e vaginal. 
 
Nos processos sistêmicos, utiliza-se a medicação oral ou parenteral. Nas formas extensas, a terapêutica 
sistêmica é indicada: cetoconazol: 200 mg/ dia, itraconazol: 100 a 200 mg/dia ou fluconazol: 150 a 300 
mg/semana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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