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Sífilis

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Haiza Vasconcelos 
 
IST-Infecções Sexualmente Transmissíveis 
 
 Síndromes clínicas de natureza 
infectocontagiosa, transmitidas, 
principalmente, durante a atividade 
sexual sem uso de preservativo. 
 Grave problema de saúde pública, 
devido ao seu grande poder de 
disseminação, adoecimento, podendo 
evoluir para forma grave e até ser 
fatal. 
 Aspectos comportamentais limitam a 
eficácia das medidas de prevenção 
como a vulnerabilidade de populações 
mais suscetíveis e os impactos 
gerados pela doença. 
 A nomenclatura passou a ser usada 
IST, no lugar de DST devido a 
possibilidade de que uma pessoa 
tenha e transmita uma infecção, 
mesmo sem sinais e sintomas de 
adoecimento. 
 As IST são causadas por mais de 30 
agentes etiológicos, ocasionalmente 
podem ser transmitidas, também, por 
via sanguínea e da mãe para a criança 
durante a gestação, e durante o parto. 
 Essas infecções podem se apresentar 
sob a forma de úlceras genitais, 
corrimento uretral, corrimento vaginal 
e doença inflamatória pélvica (DIP). 
 Algumas IST facilitam a transmissão 
do HIV, podendo estar associadas ao 
sentimento de culpa, estigmatização, 
discriminação e violência. 
 Certas enfermidades podem ser 
transmitidas durante a atividade 
sexual, mas que não são consideradas 
IST, como infecções causadas por 
agentes endógeno: fungos (Candida 
Albicans), bactérias (Gardnerella 
vaginallis) e protozoários intestinais 
(Entamoeba histolytica), de 
transmissão orofecal e o vírus da 
hepatite A, pode ser transmitido por 
via anal-oral durante a atividade 
sexual. 
 O profissional de saúde deve discernir 
as diferentes formas de transmissão 
se sexual exclusiva, ou as transmitidas 
durante a atividade sexual, de forma 
eventual. 
 Todos os patógenos podem causar 
vários tipos de danos aos infectados e 
podem evoluir para infertilidade, 
doença neoplásica e até óbito. 
 A grande maioria da IST podem ser 
tratadas e curadas. 
 As IST podem ocorrer de forma 
isolada ou por infecções múltiplas. Ex.: 
a sífilis pode acompanhar a gonorreia 
e o herpes pode ser reativado durante 
um episódio de gonorreia. 
 
Principais mecanismos de 
transmissão 
 
 Através das superfícies corporais, 
como pele e mucosas, os 
microrganismos podem se fixar ou 
penetrar e se estabelecer dentro do 
corpo. As moléculas específicas dos 
microrganismos se ligam às moléculas 
receptoras das células humanas na 
superfície corpórea e nos tecidos. Tais 
receptores determinam o tropismo do 
patógeno e o padrão distinto da 
infecção. O microrganismo pode se 
multiplicar na sua superfície ou entrar 
na célula e a infectar. 
 Pequenos ferimentos e/ou abrasões 
são suficientes para permitir a 
penetração de microrganismos 
virulentos.
 
Haiza Vasconcelos 
 
 
Agentes etiológicos e mecanismos de transmissão 
 
 
 
 
 
 
 
 
Haiza Vasconcelos 
 
Sífilis 
 
 
 Apresenta um conjunto de sinais e 
sintomas capaz de confundir e dificultar 
um diagnóstico, por apresentar 
sintomatologias semelhantes, mas 
etiologias diferentes e foi assim intitulada 
como a “grande imitadora”. 
 Apresenta fases distintas de evolução: 
primária, secundária, latente, terciária e 
congênita. Com acometimento de 
diferentes órgãos, e em diferentes graus 
de gravidade, podendo variar de forma 
silenciosa ou oligossintomática, com 
sintomatologia clássica, até formas mais 
graves que levam a óbito. 
 Por simular outras patologias, o 
diagnóstico da sífilis pode ser 
postergado, implicando em um retardo da 
definição terapêutica. Por exemplo, 
alterações de comportamento e déficit 
cognitivo em um idoso, pode estar 
relacionado ao envelhecimento, mas 
pode ser um acometimento do sistema 
nervoso central pelo T. pallidum. A 
sorologia para sífilis deverá fazer parte 
da investigação diagnóstica de pacientes 
com alterações neurológicas, lembrando 
que muitos casos de indivíduos não 
tratados podem desenvolver neurossífilis. 
 A sífilis pode mimetizar casos de reações 
medicamentosas, psoríase, linfoma, 
artrites inflamatórias e síndrome 
nefrótica. 
 
 
Aspectos etiopatológicos da sífilis 
 
 O T pallidum é um bacilo delgado, 
flexível em forma de espiral e 
extremamente sensível à temperatura 
e à umidade. 
 Possui uma camada de 
peptidioglicano em sua membrana 
citoplasmática que lhe confere 
estabilidade estrutural e favorece sua 
locompção. 
 Não pode ser visualizado em 
coloração de Gram, mas pode ser 
visualizadoà microscopia em campo 
escuro, expondo uma mobilidade 
característica que facilita o diagnóstico 
a partir de lesões infecciosas iniciais. 
 O homem é o seu único hospedeiro 
natural. 
 A suscetibilidade para a sífilis é 
universal. 
 Os treponemas penetram na pele e 
nas mucosas, especialmente após o 
contato sexual, através de 
microperfurações na pele ou na 
mucosa intacta. A partir daí, produzem 
lipoproteínas que ativam o sistema 
imune e causam lesão tecidual, sendo 
uma pápula que evolui para ulceração 
indolor, determinando a lesão clássica 
da sífilis primária, o cancro. Essa 
lesão surge após 10 a 90 dias da 
inoculação e se resolve, 
espontaneamente em 1 a 8 semanas, 
devido à fagocitose dos treponemas 
pelos macrófagos. A histopatologia 
dessas lesões revela endarterites e 
periarterites, característica das lesões 
sifilíticas em todos os estágios. Em 
todas as fases da doença, há 
multiplicação localizada dos 
treponemas e destruição tecidual, eles 
também se disseminam para os 
linfonodos regionais, para a corrente 
sanguínea e atingem múltiplos tecidos 
e órgãos do ser humano. 
Haiza Vasconcelos 
 
 
 
 
 A segunda fase da infecção, sífilis 
secundária, inicia-se cerca de 6 a 10 
semanas (até 6 meses) após o 
desaparecimento do cancro. A 
espiroquetemia está nos seus maiores 
níveis nessa fase, os doentes 
apresentam sintomatologia geral, 
como febre, mal-estar, mialgias, 
artralgias, perda de peso, 
linfadenomegalia generalizada, quebra 
de pelos e cabelos e lesões 
cutaneomucosas altamente 
contagiantes. As lesões desaparecem, 
espontaneamente, após semanas ou 
meses e em 25% dos enfermos 
podem ocorrer recaídas. 
 
 
 
 A resolução das manifestações 
clínicas da fase secundária na sífilis 
não tratada marca o início da fase de 
latência. A sífilis latente associa-se a 
uma relativa imunidade à recorrência 
de doença ativa e a uma maior 
resistência à reinfecção por outros 
treponemas homólogos. Nessa fase 
não há tradução clínica e apenas a 
sorologia é positiva. Está subdividida 
em 2 fases: latente presente (até 1 
ano de evolução) e tardia (mais de 1 
ano de evolução). 
 A sífilis terciária desenvolve-se em 
cerca de 15 a 25% dos doentes com 
sífilis latente não tratada, após 1 a 40 
anos da infecção inicial. Obeserva-se 
um número menor de treponemas nas 
lesões e uma reação de 
hipersensibilidade do tipo tardia. Os 
microrganismos invadem os sistemas 
nervoso central e cardiovascular, a 
pele, os olhos, e outros órgãos 
internos, produzindo lesões devido às 
suas propriedades inflamatórias e 
invasivas. Verifica-se a formação de 
gomas sifilíticas (tumorações com 
tendência a liquefação) na pele, 
mucosas, ossos ou qualquer tecido. 
 
 
 
 A sífilis congênita ocorre quando a 
mãe adquire a infecção durante a 
gestação, ou teve tratamento 
inadequado antes da concepção do 
feto. Raramente, ocorre transmissão 
de espiroquetas que invadem o tecido 
placentário por via hematogênica e 
comprometem a vida do feto. A 
Haiza Vasconcelos 
 
transmissão pode ocorrer em qualquer 
fase gestacional, mas normalmente 
ocorre no primeiro trimestre, 
considerando-se que é quando o fluxo 
placentário está mais ativo. A 
contaminação do feto pela 
transmissão vertical tem mais 
probabilidade de ocorrer na sífilis 
primária, pois há um maior número de 
T. pallidum no sangue. A possibilidade