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na infância Dor abdominal aguda Layane Silva A dor abdominal pode ser classificada em 3 grupos: - Dor visceral: receptores viscerais podem ser estimulados por isquemia, distensão, congestão, inflamação e tensão nas fibras nervosas viscerais, e estão localizados na superfície serosa, no mesentério, dentro das fibras musculares e na mucosa dos órgãos ocos. Geralmente é mal localizada e percebida na linha média ou periumbilical, pois as fibras nervosas não são mielinizadas e adentram a medula espinal bilateralmente e em múltiplos níveis. - Dor parietal (somática): tem receptores na parede do peritônio, músculos e pele, é decorrente de estímulo doloroso no peritônio parietal e pode ser secundária à isquemia, inflamação ou distensão. O estímulo doloroso peritoneal é transmitido pelas fibras aferentes mielinizadas ao gânglio dorsal, do mesmo lado da espinha dorsal ou no dermátomo da dor - assim, a dor é em pontada, intensa, localizada e pode ser agravada com movimento ou tosse. - Dor referida: a sensação de dor ocorre em uma área distante ao órgão afetado, porém no mesmo dermátomo. fisiologia abordagem diagnóstica nas adolescentes, a história ginecológica deve ser abordada na anamnese destacando: fase do ciclo menstrual, atividade sexual, antecedente de DIP e uso de métodos contraceptivos, para afastar gravidez ectópica. na puberdade, a dor aguda pode ser dismenorreia com localização em baixo-ventre e em cólicas. a dor unilateral no meio do ciclo menstrual, no período ovulatório, com ou sem pequeno sangramento vaginal pode ser Mittelschmerz. Inicialmente, a faixa etária do paciente pode auxiliar no estabelecimento do diagnóstico que varia com a idade. Causas mais frequentes: doenças respiratórias, infecção urinária e hepatite A. 9,2% das crianças necessitaram de hospitalização e 44% tiveram diagnóstico de apendicite. 10% de abdome agudo de causas traumáticas e não traumáticas. as causas de abdome agudo não traumático mais comuns em menores de 1 ano são: hérnia inguinal encarcerada e intussuscepção. em crianças de 4-17 anos, a principal causa é a constipação intestinal. A dor abdominal aguda é uma queixa frequente em crianças, tem início súbito, características variadas quanto à localização, intensidade e sintomas associados, geralmente é causada por afecções benignas e autolimitadas, mas podem necessitar de tratamento clínico específico ou intervenção cirúrgica. EPIDEMIOLOGIA: em sua maioria está relacionada a doenças respiratórias, gastroenterite aguda e constipação intestinal - e apendicite aguda (patologia cirúrgica mais frequente em crianças com > 1 ano de idade). A dor abdominal pode ser decorrente de vários diagnósticos na infância, incluindo patologias clínicas (intra e extra- abdominais) e cirúrgicas - além de causas gastrointestinais ou outras causas. etiologia Sinais de peritonite: rigidez da parede abdominal, movimentos de defesa involuntários causados pela dor, hiperestesia cutânea, descompressão brusca do abdome dolorosa e ausência dos ruídos hidroaéreos. Apendicite aguda: a dor se inicia de forma súbita na região epigástrica ou periumbilical, seguida de vômitos e febre, na sequência a dor vai para a fossa ilíaca direita e está associada a náuseas, vômitos, febre e parada de eliminação de gases. Sinal de Blumberg: descompressão brusca dolorosa no terço inferior da linha entre crista ilíaca anterossuperior direita e umbigo. Sinal de Rovising: dor na fossa ilíaca direita após compressão do quadrante inferior esquerdo em decorrência da distensão da coluna gasosa. A palpação deve se iniciar nas áreas menos dolorosas e lentamente se dirigir à área de maior sensibilidade, para avaliar sinais de defesa, rigidez e distensão da parede abdominal, além da presença de massas e visceromegalias. exame do abdome avalia-se a presença de posição antálgica e se há acúmulo de fezes com distensão de alça na região do ceco, que podem indicar apendicite aguda; Hemograma completo: valores hematimétricos auxiliam na suspeita de quadros hemorrágicos; Coagulograma: sempre deve ser solicitado mediante a necessidade de preparo para intervenção cirúrgica; Radiografia simples de abdome: deve ser realizado em posição ortostática e em decúbito dorsal e lateral com raios horizontais para obter informações a respeito da distribuição gasosa, presença de níveis líquidos em casos de obstrução ou ar na cavidade em casos de perfuração de alça. Ultrassonografia de abdome total: avalia presença de rutura de cisto ovárico, abscessos e coleções intra-abdominais, sinais de DIP e apendicite; exames complementares Layane Silva Tomografia computadorizada (TC) de abdome: necessária em raros casos para afastar enfermidades cirúrgicas, quando outros exames de imagem foram inconclusivos com quadro de dor intensa. nos quadros com peritonite, o paciente tende a ficar imóvel, pois a movimentação provoca piora da dor. a dor visceral provoca inquietude e o paciente muda de posição frequentemente, contorcendo-se de dor. Anamnese: padrão da dor, fatores desencadeantes, progressão, localização, intensidade, fatores de melhora e piora, e sintomas associados. Exame físico: estado geral, dados vitais (temperatura, pulso, PA, frequência respiratória e cardíaca). Sinais precoces de enfermidade abdominal grave: alteração dos sinais vitais, fácies de dor associada a palidez, sudorese, prostração, hipotermia, náuseas e vômitos. Atitude da criança em relação à dor: Passo I: afastar emergências cirúrgicas; Obstrução intestinal aguda alta: não há febre, dor visceral em surtos (cólicas) e vômitos biliosos. Obstrução intestinal distal ou colônica: náuseas constantes, vômitos aparecem mais tardiamente e suas características podem evoluir de conteúdo gástrico para bilioso e podem se tornar fecaloides. Obstrução cólica: alças do colo estão distendidas. Sinais obstrutivos estão presentes em patologias como: volvo, hérnia encarcerada, intussuscepção, bridas, doença de Crohn, impactação fecal e íleo paralítico. Em causas obstrutivas, há peristaltismo visível, ausência de ruídos hidroaéreos ou ruídos com timbre metálico, e pode- se usufruir de exames de imagem como: - Radiografia simples de abdome: evidencia alças de intestino delgado dilatadas com níveis líquidos e diminuição ou ausência de gás no colo. - Ultrassonografia do abdome: pode evidenciar sinais sugestivos de obstrução intestinal com dilatação de alça. Passo II: descartar causas obstrutivas; Radiografia: vários níveis hidroaéreos, sem evolução radiológica de piora do quadro. TC: distensão gasosa e líquida de alças de intestino delgado e colo. Diagnóstico diferencial: íleo paralítico, secundário a hipocalemia, uremia, medicamentos, intoxicação por chumbo, pós-operatório, pós-choque e gastroenterite viral. Pacientes tem distensão abdominal, dor abdominal leve, náuseas, aumento da eliminação de gases e fezes, e vômitos. Quaisquer síndromes virais com sintomas variados como febre, náuseas, vômitos, diarreia, inapetência, cefaleia, tosse, Passo III: avaliar possibilidade de afecções infecciosas; Enterocolite bacteriana: início súbito de febre alta e dor abdominal difusa seguida de diarreia de pequeno volume, mas com presença de sangue e muco. Intoxicação alimentar: dor difusa, vômitos frequentes, diarreia aquosa e profusa associada a Clostridium perfringens ou Staphylococcus aureus. Pneumonia, pleurite ou pneumotórax: dispneia, tosse e ausculta pulmonar alterada. ITU ou pielonefrite: dor nos flancos, disúria, nictúria e urgência miccional em raros casos. Púrpura de Henoch-Schönlein: dor abdominal difusa, vômitos com hematoquezia, lesões cutâneas, dor articular, hematúria e proteinúria. rinorreia e dor de garganta podem estar associadas a cólicas e dor abdominal difusa, autolimitada, que pode se intensificar durante ou logo após a alimentação, e referida em região epigástrica ou periumbilical. Ao exame, o abdome está flácido ou normotenso, com ruídos hidroaéreos aumentados, pouco doloroso à palpação, mas sem sinais localizatórios ou de peritonite (gastroenteriteviral). - Diagnóstico diferencial: enterocolite bacteriana, intoxicação alimentar, infecção aguda por Helicobacter pylori, pneumonia aguda, pielonefrite, cetoacidose diabética, púrpura de Henoch-Schönlein, síndrome hemolítico-urêmica e angioedema. Em função da grande variedade de diagnósticos diferenciais, é essencial identificar sintomas específicos associados ao quadro da dor que auxiliarão na determinação da etiologia. - Exames complementares: hemograma completo (avaliação infecciosa), sumário de urina (litíase, púrpura ou infecção), eletrólitos e gasometria se dor intensa (estabilização do paciente), radiografia simples de tórax (quadros pulmonares e pleurite diafragmática), ultrassonografia (adenite mesentérica secundária à gastroenterite viral ou bacteriana). Hepatite aguda: febre, anorexia, fadiga, prostração, náuseas e vômitos associados à hepatomegalia. Colelitíase, colangite e pancreatite: dor em cólica com piora no período pós-prandial. Colecistite: dor que irradia para região subescapular direita, febre baixa, icterícia, sinal de Murphy (dor à inspiração profunda ou tosse na palpação da linha hemiclavicular direita abaixo do último arco costal). Pancreatite aguda: dor em abdome superior, epigástrica ou em faixa, com irradiação para o dorso, acompanhada de vômitos e sensibilidade epigástrica. Clinicamente, deve haver 2 desses critérios: dor abdominal típica, amilase e/ ou lipase aumentadas por > 3 vezes, e achados de imagem compatíveis à USG ou TC. As principais causas são: litíase ou lama biliar, sepse, trauma e medicamentos. Caso a dor seja referida na região epigástrica ou em hipocôndrio direito, deve-se descartar doenças hepatobiliares e pancreatite aguda, questionando a presença de acolia, colúria, história de icterícia e antecedentes pessoal e familiar de doenças hepáticas. - Exames complementares: amilase, lipase, transaminase glutâmico-oxalacética (TGO), transaminase glutâmico- pirúvica (TGP), gama-glutamiltransferase (gama-GT), fosfatase alcalina, bilirrubinas, USG (avalia fígado, vias biliares e pâncreas), colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) ou colangiorressonância (coledocolitíase). Passo IV: investigar doenças hepatobiliares; Doenças funcionais podem ter episódio de dor mais intensa Passo V: identificar possíveis doenças funcionais. Layane Silva Constipação intestinal: início súbito após gastroenterite viral, pelas alterações de motilidade e dieta obstipante, ou como consequência de fissura anal, que, ao provocar dor às evacuações, resultam em comportamento de retenção fecal (constipação). Há um quadro de dor na fossa ilíaca direita ou suprapúbica, diminuição da frequência evacuatória, sensação de urgência para evacuar, tenesmo ou dor retal - pode haver fecaloma. Aerofagia e excesso de gases intestinais provocados pela intolerância a carboidratos: distensão das alças intestinais e dor. como: constipação intestinal, aerofagia e a dor abdominal funcional, em geral, há episódios anteriores de dor em menor intensidade. Na possibilidade de doença funcional, deve-se garantir que o exame físico da criança está normal, sem sinais de alarme, orientar a retorno à emergência caso haja piora da dor ou mudança do quadro clínico, e indicar um especialista. Deve ser avaliado caso a caso de acordo com a etiologia da dor abdominal aguda e o seguimento clínico é essencial para evitar complicações, assim, deve-se fazer uma avaliação cuidadosa e buscar por sinais e sintomas do paciente para prevenir a morbimortalidade desses pacientes. tratamento