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1 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 
 
Habilidades Cirúrgicas II | Aula 2 | UC 19 
INTRODUÇÃO 
• A queimadura é uma lesão tecidual decorrente de trauma térmico, elétrico, químico ou radioativo, que destrói parcialmente ou 
totalmente a pele e seus anexos. 
• O paciente queimado precisa de reanimação inicial adequada, porque diminui a mortalidade, o paciente não entra em choque. 
• Princípios de atendimento inicial: 
 Avaliar via aérea em busca de comprometimento por inalação. 
 Identificação de lesões associadas. 
 Manutenção da hemodinâmica. 
 Manter normotermia. 
• O principal fator de prognóstico é a % da superfície corpórea queimada. 
• A lesão inalatória aumenta em 7 vezes a mortalidade. 
MECANISMOS DE QUEIMADURA 
Calor 
• Causado por chamas, líquidos quentes, objetos sólidos quentes e por vapor. 
• A profundidade da lesão está relacionada à temperatura de contato, o tempo de contato e a espessura da 
pele. 
• A maioria das queimaduras térmicas se limitam a epiderme e derme, devido a pele não possuir boa 
condutividade. 
Eletricidade 
• A eletricidade é conduzida em calor, a medida que penetra na pele, devido a baixa condutância da pele. 
• A magnitude da lesão depende da trajetória da corrente, da resistência ao fluxo de corrente através dos 
tecidos e da força e duração do fluxo de corrente. 
• Devido as diferentes velocidades de perda de calor 
por parte dos tecidos superficiais e profundos, pode 
coexistir pele aparentemente normal com necrose 
muscular profunda. 
• As queimaduras elétricas são, frequentemente, mais 
graves do que aparentam. 
• É importante, ainda, avaliar o ponto de entrada e de 
saída para estimar o caminho da corrente elétrica, a 
gravidade da lesão e os possíveis órgão acometidos. 
• Esse tipo de paciente deve ser transferido para 
centro de tratamento de queimados. 
Radiação 
• A mais comum é a queimadura solar. 
• Fatores de risco: exposição solar, terapias 
com radiação, procedimentos diagnósticos, 
indivíduos que trabalham em indústrias nucleares. 
• As lesões vão ser determinadas pela dose 
de radiação, tempo de exposição e tipo de 
partícula que determina a profundidade da 
exposição. 
Queimaduras (ATLS) 
 
2 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
Fricção 
• Promove lesão por mecanismo combinado de ruptura 
mecânica dos tecidos e pelo calor gerado pela própria fricção. 
Química 
• A lesão é causada devido a reações cáusticas, incluindo 
alteração de pH, rompimento de membranas celulares e efeitos 
tóxicos pelos metabólicos liberados. 
• O contato com ácido causa necrose de coagulação enquanto 
um contato com substância alcalina causa necrose liquefativa. 
• Deve-se ter uma atenção especial em relação à absorção 
sistêmica de alguns produtos químicos que ameaçam a vida. 
• As queimaduras por álcalis são mais sérias do que por ácido, 
pois eles penetram mais profundamente. 
• Os danos locais podem incluir toda a espessura da pele e dos 
tecidos adjacentes. 
• O que determina a gravidade é a duração da exposição e a 
natureza do agente. 
• É necessário remover o produto químico com lavagem em 
água corrente por 20 a 30 minutos. 
• Agentes neutralizantes não apresentam vantagem em relação 
a água corrente, pois a reação com esses produtos, sozinha, produz 
calor e mais lesão. 
• Queimadura por álcalis em região ocular exigem irrigação contínua durante as primeiras 8h, podendo-se 
fixar uma cânula de pequeno calibre no sulco palpebral. 
CLASSIFICAÇÃO DE PROFUNDIDADE 
• A classificação das queimaduras leva em consideração a profundidade da lesão tecidual. 
• É importante essa determinação já que a profundidade da queimadura vai indicar, em grande parte, o potencial de 
cicatrização e a necessidade de intervenção cirúrgica. 
• O sistema de classificação tradicional utilizava a nomenclatura primeiro, segundo, terceiro e quarto graus. 
• As designações atuais refletem a necessidade de intervenção cirúrgica ou não, sendo classificadas em superficiais (1º grau), 
espessuras parciais superficial e profunda (2º grau) e espessura total (3º grau). 
• O termo quarto grau ainda é muito utilizado para descrever queimaduras mais graves, que se estendem até o tecido 
subcutâneo, envolvendo vasos, nervos, músculos, ossos e/ou articulações subjacentes. 
 
 
3 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
• As feridas, geralmente, não são uniformes em profundidade, apresentando uma mistura de componentes profundos 
e superficiais. 
• Existem regiões com uma pele mais fina, como as superfícies volares dos antebraços, parte medial da coxa, períneo 
e orelhas, que sustentam lesões de queimaduras mais profundas do que as sugeridas pela aparência inicial, não se devendo 
assumir queimaduras superficiais nessas áreas. 
• Não se deve assumir queimaduras superficiais em crianças menores de 5 anos e adultos maiores de 55. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUPERFICIAL 
ESPESSURA 
PARCIAL 
SUPERFICIAL 
• Envolvem apenas 1 camada da pele (epidérmicas). 
• COMO É O ASPECTO? Não causam flictenas, mas são dolorosas, secas, avermelhadas e 
empalidecem sob pressão. 
• Recuperação rápida. Em 2 a 3 dias a dor e o eritema reduzem e no 4º dia a epiderme cicatriza se 
separando do epitélio lesionado. 
• QUANTO TEMPO PARA CICATRIZAR? Cerca de 6 dias. 
• Comumente visto em queimaduras solares. 
• 
• Na espessura parcial superficial, a queimadura atinge a epiderme e derme papilar. 
• COMO É O ASPECTO? Há formação de bolhas, com base rósea, dentro de 24h, entre a derme e 
epiderme, com aspecto úmido, chamada de aparência “lacrimejante”. 
• São extremamente dolorosas, inclusive às correntes de ar, avermelhadas e empalidecem sob 
pressão. 
• Algumas lesões que, inicialmente, parecem ser apenas epidérmicas, podem ser determinadas 
como espessura parcial superficial 12 a 24h depois. 
• QUANTO TEMPO PARA RESOLVER? 7 a 21 dias, sendo as cicatrizes e comprometimento 
funcional incomuns, embora mais comumente ocorram alterações de pigmento. 
• Devido a presença de detritos necróticos e exsudatos fibrinosos, deve-se atentar para à 
colonização bacteriana, podendo levar a uma cicatrização retardada, e a necessidade de 
antibioticoterapia. 
Na primeira imagem, queimadura de segundo grau superficial com flictena não danificada. Na segunda, queimadura com 
mesma profundidade, porém após remoção das bolhas e limpeza do local. É possível ainda visualizar presença de 
folículos capilares intactos, mostrando que a parte mais profunda da derme é preservada e alta probabilidade de 
restauração sem intervenção cirúrgica. 
 
 
4 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESPESSURA 
PARCIAL 
PROFUNDA 
• As queimaduras estendem até a derme mais profunda e danificam os folículos capilares 
e tecido glandular. 
• COMO É O ASPECTO? Possui coloração avermelhada-brilhante ou amarelo-
esbranquiçada, não empalidece sob pressão, pode ser úmida, embora mais comumente seca, e 
possui aspecto ceroso. São dolorosas apenas sob pressão, quase sempre com flictenas 
(facilmente abertas) com base esbranquiçada. Não empalidecem com a pressão. 
• QUANTO TEMPO PARA RESOLVER? Se a infecção for evitada, as feridas podem cicatrizar 
espontaneamente, sem enxertia, em cerca de 2 a 9 semanas. 
• Causam cicatrizes hipertróficas. Caso haja envolvimento articular, espera-se uma 
disfunção da articulação, mesmo com fisioterapia agressiva. 
• Queimaduras de espessura parcial que não cicatrizam em duas semanas são, funcional 
e cosmeticamente, equivalentes a queimaduras de espessura total. 
ESPESSURA 
PARCIAL 
SUPERFICIAL 
• Se estende por toda a derme e, geralmente, danifica o tecido subcutâneo subjacente. 
• COMO ÉO ASPECTO? Tem uma aparência mais escura, podendo variar de branco ceroso, 
acinzentado a preto, possuindo um aspecto de couro. A pele fica seca e inelástica, e não empalidece sob 
pressão. Vesículas e bolhas não se desenvolvem e os pelos podem ser facilmente retirados dos folículos 
capilares. 
• Geralmente são anestésicas, devido a destruição da inervação. 
• A derme morta e desnaturada é designada como escara, sendo que essa se separa do tecido 
subjacente e revela um leito não curado de tecido de granulação. 
• Sem cirurgia, essas feridas cicatrizam por contratura, com epitelização em torno das bordas das 
feridas. Como a contratura é grave, a cura espontânea não é possível, precisando de intervenção cirúrgica. 
• Queimaduras claras em toda a espessura podem simular a pele normal, exceto que a pele não 
empalidece sob pressão. 
Paciente do sexo masculino com queimadura profunda de espessura parcial causada por líquido quente (Em A). Em B é possível 
ver a presença de enxerto cutâneo, intervenção mais comum para cobertura da área de queimadura. Em C e D a progressão do 
pós-operatório em uma semana e um mês, respectivamente. Por fim, em E, é possível ver o retorno da amplitude dos 
movimentos das mãos em um mês. 
 
5 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROFUNDIDADE PRINCIPAIS CAUSAS APARÊNCIA SENSAÇÃO 
TEMPO DE 
CURA 
Superficial – 1º Exposição UV Seca, avermelhada e empalidecem sob pressão Dolorosa 3 a 6 dias 
Espessura 
parcial 
superficial – 2º 
Água escaldante 
Flictenas com base rósea, úmidas, 
avermelhadas, lacrimejantes e empalidecem sob 
pressão 
Dolorosa à 
temperatura 
e ao ar 
7 a20 dias 
Espessura 
parcial profunda 
– 2º 
Chama 
Óleo/graxa quentes 
Pode apresentar flictenas com base 
esbranquiçada, seca ou úmida, com aspecto 
ceroso, avermelhada a esbranquiçada e não 
empalidecem sob pressão 
Dolorosa ou 
indolor, 
perceptível à 
pressão 
> 21 dias 
Espessura 
completa – 3º 
Chama 
Óleo/graxa quentes 
Química 
Elétrica 
Branca cerosa, cinzenta a carbonizada 
Seca e inelástica 
Não empalidecem sob pressão 
Indolor, 
perceptível 
apenas à 
pressão 
profunda 
Raros, a menos 
que tratados 
cirurgicamente 
Lesões mais 
profundas – 4º 
Chama Estende-se para a fáscia e/ou músculo 
Pressão 
profunda 
Nunca, a menos 
que seja 
tratado 
cirurgicamente 
Queimadura de espessura total (terceiro grau) causada 
por sólido aquecido. 
EXTENSÃO 
PARA 
TECIDOS 
PROFUNDOS 
• Representa a queimadura de 4º grau. 
• São lesões profundas e potencialmente fatais que se estendem através da pele até os tecidos 
moles subjacentes e podem envolver músculos e/ou ossos. 
• Necessitam imediatamente de uma conduta intervencionista. 
 
Queimadura profunda de espessura total de 4º grau. É possível verificar a presença de auto enxerto com 
pele parcial em rede e retalho muscular cobrindo a face anterior da articulação do joelho esquerdo. 
 
 
 
6 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
FISIOPATOLOGIA 
• A queimadura é uma lesão na pele e partes moles que possui repercussão sistêmica, gerando um resposta inflamatória que 
culmina em efeitos sistêmicos. 
 Alterações hemodinâmicas. 
 ↑ Permeabilidade capilar. 
 Imunossupressão. 
 Edema 
 Hipermetabolismo. 
 ↓ Fluxo sanguíneo renal. 
• A fisiopatologia da lesão por queimadura se dá pela destruição da integridade capilar e vascular, em razão de seus efeitos 
serem locais e sistêmicos. 
• O comprometimento do tecido vai depender da intensidade da exposição térmica, das características da área 
queimada e das reações locais e sistêmicas. 
• Assim, a queimadura irá comprometer a integridade funcional da pele, responsável pela homeostase 
hidroeletrolítica, controle da temperatura interna, flexibilidade e lubrificação da 0superfície corporal. Portando, a magnitude 
do comprometimento dessas funções depende da extensão e profundidade da queimadura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
• A ferida da queimadura a princípio é estéril, porém o tecido necrótico rapidamente se torna colonizado por bactérias endógenas 
e exógenas, produtoras de proteases, que levam à liquefação e separação da escara, dando lugar ao tecido de granulação 
responsável pela cicatrização da ferida, que se caracteriza por alta capacidade de retração e fibrose nas queimaduras de terceiro 
grau. 
• Nas queimaduras extensas, superiores a 40% da área corporal, o sistema imune é incapaz de delimitar a infecção, que, 
sistematizando-se, torna rara a sobrevida nesses casos. 
• Essa resposta sistêmica manifesta-se por febre, circulação sanguínea hiperdinâmica e ritmo metabólico acelerado, com 
aumento do catabolismo muscular, decorrente de alteração da função hipotalâmica (aumento da secreção de glucagon, cortisol 
e catecolaminas), da deficiência da barreira gastrointestinal (passagem de bactérias e seus subprodutos para a circulação 
sistêmica), da contaminação bacteriana da área queimada (liberação sistêmica de bactérias e subprodutos), da perda de calor 
(evaporação através da ferida levando à hipotermia) e da perda de fluidos (desequilíbrio hidroeletrolítico). 
• Outro ponto importante que precisamos ter em mente são as ZONAS DE LESÃO. Sendo a pele responsável por fornecer uma 
forte barreira à transferência de energia para os tecidos mais profundos, mesmo com a remoção do foco desencadeador da 
queimadura, a resposta dos tecidos locais mais profundos pode levar à lesão nas camadas mais profundas. 
• A área de lesão cutânea ou superficial é assim dividida em três zonas – zona de coagulação, zona de estase e zona de hiperemia. 
Injúria térmica Resposta local 
Necrose de coagulação tecidual 
Progressiva trombose dos vasos 
adjacentes 
12 a 48 h 
GRANDES QUEIMADURAS 
Reação sistêmica 
Liberação de mediadores 
pelo tecido lesado 
Extenso dano à 
integridade capilar 
Perda acelerada de 
fluidos 
Evaporação através da 
ferida 
Sequestração nos 
interstícios 
Agravada por subprodutos da colonização 
bacteriana 
 
7 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 ZONA DE COAGULAÇÃO: A área necrótica da queimadura 
onde as células foram destruídas. Esse tecido é danificado 
irreversivelmente no momento em que ocorre a lesão. 
 ZONA DE ESTASE: A área imediatamente adjacente à zona 
necrótica tem um grau de lesão moderado, com perfusão tissular 
reduzida. Dependendo das condições da ferida, pode sobreviver ou 
evoluir para necrose coagulativa. Tratamento direcionado para o 
controle da inflamação local, imediatamente após a queimadura, 
pode preservar essa zona. 
 ZONA DE HIPEREMIA: Caracterizada pela vasodilatação em 
razão da inflamação circunjacente à queimadura. Essa região 
contém o tecido claramente viável do qual se inicia o processo de 
cicatrização e, geralmente, não tem risco de necrose adicional. 
 
MECANISMO DE CURA 
Primeiro grau 
Simples resposta inflamatória. Reversão em até uma semana sem mudanças na coloração, espessura ou 
textura da pele a partir de multiplicação celular, com a descamação da subcamada acometida e normalmente 
não possuem repercussões sistêmicas. 
Segundo grau 
Podem ter cicatrização espontânea se não houver complicações de pele pelo processo conhecido como 
reepitelização e naquelas mais profundas pelo mecanismo de contração associado, a partir dos bordos da 
ferida, pela metaplasia de fibroblastos em miofibroblastos e a consequente retração das bordas. 
Terceiro grau 
Aquelas em que há lesão de todos os elementos da pele, incluindo epiderme, derme, tecido celular subcutâneo, 
com destruição de folículos pilosos, glândulas sudoríparas e sebáceas receptoras para a dor e da coagulação 
do plexo vascular, são incapazes de se regenerarem, pois os anexos dérmicos e sua reserva epitelial estão 
destruídos e, portanto, necessitamde algum tipo de cobertura cutânea, usualmente enxerto cutâneo de pele 
autólogo. 
CÁLCULO DA SUPERFÍCIE CORPORAL ATINGIDA 
• A estimativa do tamanho da queimadura é essencial para orientar o tratamento e determinar se é preciso transferir 
o paciente para um centro de queimados. 
• As queimaduras superficiais (de primeiro grau) não estão incluídas na avaliação percentual de queima de superfície 
corporal (SCQ). 
• Os locais das áreas queimadas de segundo e de terceiro grau são registrados em um diagrama de queima. 
• Presume-se que queimaduras com aparência compatível com segundo grau profunda ou terceiro grau sejam de 
terceiro grau até que seja possível uma diferenciação precisa. 
 
8 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
GRÁFICO DE LUND-BROWDER 
• É o método recomendado em crianças, porque considera a porcentagem relativa da área de superfície corporal afetada pelo 
crescimento. 
• As crianças têm cabeças proporcionalmente maiores e extremidades inferiores menores, portando a porcentagem de SCQ 
é estimada com mais precisão usando o gráfico. 
 
 
GRÁFICO DE LUND-BROWDER MODIFICADO PARA AVALIAR PORCENTAGEM DE 
QUEIMADURA TOTAL DA SUPERFÍCIE CORPORAL EM CRIANÇAS E ADULTOS 
ÁREA NASCIMENTO 
ATÉ 1ANO 
1 A 4 
ANOS 
5 A 9 
ANOS 
10 A 14 
ANOS 
ADULTO 
Cabeça 9,5 8,5 6,5 5,5 4,5 
Pescoço 11 11 11 11 11 
Tronco 13 13 13 13 13 
Braço 2 2 2 2 2 
Antebraço 1,5 1,5 1,5 1,5 1,5 
Mão 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 
Coxa 2,75 3,25 4 4,25 4,5 
Perna 2,5 2,5 2,5 3 3,25 
Pé 1,75 1,75 1,75 1,75 1,75 
Nádega 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 
Genitália 11 11 11 11 11 
REGRA DOS NOVE 
• Método mais expedito para estimar a SCQ em adultos. 
• Para crianças, há uma regra dos nove específica pela superfície corporal ser diferente dos adultos 
REGRA DOS NOVE 
Superfície Criança Adulto 
Cabeça 18% 9% 
Cada braço 9% 9% 
Cada perna 14% 18% 
Genitália 5% (nádegas) 1% 
Tronco anterior 13% 18% 
Tronco posterior 18% 18% 
 
9 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 
REGRA DOS NOVE 
MÉTODO DA PALMA DA MÃO 
• Muito utilizado para queimaduras pequenas ou irregulares. 
• É realizada por meio da medição utilizando a palma da mão do paciente. Excluindo-se os dedos, a palma da mão equivale a 
cerca de 0,5% da área total da superfície corporal do mesmo e toda a superfície palmar, incluindo os dedos, cerca de 1%, tanto em 
crianças quanto adultos. 
ATENDIMENTO INICIAL AO QUEIMADO 
• Se inicia com um primeiro atendimento, o qual será 
baseado na estabilização do paciente e na correção dos distúrbios 
hidroelétricos decorrentes das perdas volêmicas após a quebra da 
barreira da pele e exposição de capilares; até a correção das 
complicações geradas como infecções e contraturas. 
• Assim, será preciso uma equipe multidisciplinar, composta 
desde a equipe de pronto atendimento para a situação aguda, até 
uma equipe especializada composta por médicos dermatológicos, 
cirurgiões plásticos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionais e 
psicólogos. 
• A aplicação dos princípios básicos de reanimação inicial no 
trauma minimiza o desfecho de mortalidade. Tais princípios 
incluem a atenção quanto ao comprometimento da via aérea, 
como em inalação de fumaça, a fim de mantê-la sempre pérvia, 
verificando também a necessidade de ventilação. 
• Além disso, manutenção da normalidade hemodinâmica 
através de reanimação com infusão de volume. 
• O médico também deve estar atento para tratar possíveis 
complicações como rabdomiólise e arritmias cardíacas, vistas, por 
exemplo, em queimaduras elétricas. 
 Outro ponto importante é estar sempre atento no controle 
da temperatura e a remoção do paciente do ambiente causador da lesão, como por exemplo na insolação. 
CRITÉRIOS DE REFERENCIAÇÃO PARA CENTRO DE 
QUEIMADOS 
Acometimento de rosto, mãos, pés, genitália, períneo ou 
articulações principais 
Espessura parcial > 10% da SCQ 
Queimaduras de terceiro grau 
Queimaduras elétricas (incluindo danos causados por raios) 
Queimaduras químicas 
Lesão por inalação 
Distúrbios médicos preexistentes que podem complicar o 
tratamento 
Traumas ou fraturas associadas 
Crianças queimadas em hospital sem equipamento ou 
profissionais qualificados para aquele atendimento 
Pacientes que necessitarão de intervenção social, 
emocional ou de reabilitação especial 
CRITÉRIOS PARA INTERNAÇÃO NA UTI 
Pacientes queimados na fase aguda, com SCQ ≥ 20% em 
crianças 
Pacientes queimados na fase aguda, com SCQ ≥ 30% em 
maiores de 12 anos 
Pacientes com suspeita ou diagnóstico de inalação de 
fumaça 
 
10 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBS: paciente com lesão por inalação podem necessitar de broncoscopia, assim optar sempre por um tubo maior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTERRUPÇÃO 
DO PROCESSO 
DE LESÃO 
• Todos os acessórios e roupas do paciente devem ser removidos, exceto se houver aderência à pele. 
• Tecidos sintéticos queimam rapidamente em altas temperaturas e derretem, formando resíduos 
aquecidos que continuam lesando a vítima. 
• Roupas embebidas em substâncias químicas devem ser removidas cuidadosamente, assim como o 
próprio pó químico que, se presente, deve ser removido da ferida com escova. 
• Após a interrupção do processo de lesão, a superfície corporal acometida deve ser banhada 
copiosamente com água corrente e, após isso, cobrir o paciente com lençóis quentes e secos 
evitando hipotermia. 
• JAMAIS aplicar agentes neutralizantes, pois a reação é exotérmica e pode agravar a queimadura. 
 
VIAS AÉREAS 
• A via aérea superior corre um grande risco de obstrução pelo edema que as queimaduras podem 
causar. 
• Inicialmente, os sinais de obstrução são sutis, mas evoluem com grande agilidade levando o 
paciente a entrar em crise rapidamente, portanto, a avaliação precoce da necessidade de intubação 
orotraqueal é essencial. 
• Quanto mais grave a lesão, em relação a profundidade, extensão, queimaduras em região da 
face e pescoço, lesões inalatórias e queimaduras no interior da boca, maior o risco de obstrução. 
• Esses problemas são maiores quando se trata de crianças, pois possuem vias aéreas mais 
curtas. 
Os sinais sugestivos de lesão por inalação são: queimaduras faciais e/ou cervicais; chamuscamento dos cílios e das 
vibrissas nasais; depósitos de carbono na boca e/ou nariz e expectoração carbonácea; alterações inflamatórias agudas na 
orofaringe, incluindo eritema; rouquidão; história de confusão mental e/ou confinamento no local do incêndio; explosão com 
queimaduras da cabeça e do tronco; níveis sanguíneos de carboxihemoglobina > 10% se o doente foi envolvido em algum 
incêndio. Caso presença de algum dos sinais sugestivos de lesão por inalação há necessidade de intubação orotraqueal. 
Esperar por evidências radiológicas de lesão pulmonar ou por modificações na gasometria arterial, permite que o edema da 
via aérea chegue a ponto de impedir a intubação e tornar necessária a via aérea cirúrgica. 
VENTILAÇÃO 
• Deve-se ter a preocupação quanto a ventilação desses pacientes em situações de hipóxia, 
intoxicação por monóxido de carbono e por lesões inalatórias de fumaça. 
• Deve ser administrado oxigênio suplementar, podendo ser com ou sem intubação, dependendo 
se há ou não indicação para esse procedimento. 
• A suspeita de intoxicação por monóxido deve-se partir da história e pela medida direta desse 
gás no sangue (HbCO). Quando concentração inferior a 20% o paciente, geralmente, não apresenta 
manifestação clínica, devendo-se, portanto, valorizar a história do paciente. Níveis mais elevados de 
CO podem se manifestar por cefaleia, náuseas, confusão, coma e morte. 
• A utilização do oxigênio em alto fluxo, com máscara unidirecional, sem recirculação é 
mandatória nesses casos. 
• Por fim, pode-se realizara radiografia de tórax e gasometria arterial para a avaliação da 
condição pulmonar inicial desse doente. Em muitos casos essa avaliação será normal, mas o paciente 
pode evoluir com piora rapidamente. 
 
11 HABILIDADES CIRÚRGICAS II | P7 - UC 19 | MEDICINA UNIT AL 2022.1 - Mayra Alencar @maydicina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBS: o ECG deve ser monitorado para identificar distúrbios do ritmo cardíaco, uma vez que arritmias cardíacas podem ser o 
primeiro sinal de hipóxia e de anormalidade do equilíbrio acidobásico ou eletrolítico. 
CICATRIZAÇÃO 
• Pacientes que apresentem queimadura de primeiro grau irão apenas precisar de hidratação da pele, já que a lesão 
se restringe a epiderme, se caracterizando uma inflamação local. 
• No caso de pacientes com queimaduras de segundo grau superficial, onde existe um acometimento até a derme 
papilar, é preferível a realização de enxertos de pele parciais após o desbridamento de toda a região acometida, assim, o 
paciente irá apresentar uma menor contratura e alterações estéticas da região acometida. 
• Quando existe acometimento da derme total, chegando ao subcutâneo, o organismo não será mais capaz de realizar 
uma cicatrização eficiente, já que os anexos dérmicos e sua reserva epitelial estão destruídos. Nessas situações, é preferível 
a utilização de retalhos cutâneos para prevenir o surgimento de contraturas e deformidades na pele do paciente. 
OBTENÇÃO DE 
ACESSOS 
VENOSOS 
• A reposição volêmica será necessária para qualquer paciente com mais do que 20% da 
superfície corporal acometida. 
• Os acessos devem ser estabelecidos em veias periféricas com cateter de grosso calibre, no 
mínimo 16 G. Preferivelmente deve se realizar o acesso em região de pele intacta, porém caso não seja 
possível a queimadura não inviabiliza o processo. 
• Lembrar que sempre os MMSS são prioridade em relação aos MMII, devido à alta incidência de 
flebites e flebites sépticas nas veias safenas. 
• A infusão é realizada, de preferência com Ringer Lactato. 
CIRCULAÇÃO 
• Para a reanimação do paciente com fluidos, a monitorização do débito urinário será uma forma 
confiável de avaliação do volume sanguíneo circulante e acompanhar a necessidade de reposição. 
Assim, a sondagem vesical é um procedimento que deve ser feito em pacientes queimados. 
• Iniciar a reposição volêmica com solução isotônica aquecida, de preferência Ringer Lactato, 
segundo a fórmula de Parkland se dá da seguinte forma: 
Reposição volêmica em > 14 anos = 2mL x Kg x SCQ% 
Reposição volêmica em crianças = 3mL x Kg x SCQ% 
Reposição volêmica em queimaduras elétricas = 4mL x Kg x SCQ% 
• Assim, para fins de cálculo inicial, programa-se que metade desse volume de Ringer Lactato 
deve ser administrado nas primeiras 8h e o restante nas 16h seguintes, fechando a infusão em 24h. 
• Após essa quantidade alvo inicial, e independente do esquema de reposição administrado, um 
volume de líquido deve ser fornecida ao paciente para hidratá-lo, com base no débito urinário, segundo 
o cálculo: 
Hidratação = 0,5mL x Kg 
Hidratação em < 30kg = 1mL x Kg 
• Essa hidratação deve ser feita a cada hora. 
• Em presença de hematúria ou hemoglobinúria, deve-se estimular a diurese para grandes 
volumes (2 ml/kg/h em crianças e 70 ml/h em maiores de 12 anos). Outra ressalva é que em crianças 
< 30 kg, pode ser necessária a associação de glicose nos fluidos para evitar hipoglicemia. 
• É importante entender que uma reposição insuficiente resulta em hipoperfusão, podendo levar 
a lesão de órgão. Já uma reposição excessiva resulta em aumento do edema, que pode levar a 
complicações, como progressão da profundidade da queimadura ou síndrome compartimental em 
abdome e extremidades. 
• O objetivo da ressuscitação é manter o equilíbrio e, consequentemente, um perfusão adequada, 
conforme indicado pelo débito urinário. 
 
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COMPLICAÇÕES 
• A depender do tipo, do local e de como foi realizado o tratamento da queimadura do paciente, ele pode evoluir com 
algumas complicações como contraturas e infecções. 
• Assim, em regiões de grande mobilidade, como articulações e pescoço, é preciso ficar atento para o surgimento 
de contraturas, já que poderá impactar de maneira negativa na evolução do paciente. 
Para impedir seu surgimento, o cirurgião plástico pode fazer uso dos enxertos e retalhos para impedir a reepitalização 
desordenada nestas regiões. 
• Caso o paciente já se encontre com contraturas em seu atendimento, pode-se fazer uso de retalhos, como na 
Zetaplastia, para permitir uma maior mobilidade a região. 
 
• Por fim, para impedirmos o surgimento de infecções, é preciso ter em mente a sua fisiopatologia. Após a 
queimadura, a barreia de proteção que a pele confere é perdida, permitindo o extravasamento de nutrientes para o meio 
externo, criando um local propício para a colonização bacteriana e posterior surgimento de infecções. 
• Os organismos gram-positivos predominantes encontrados nas infecções por queimaduras permanecem sendo o 
Staphylococcus aureus, seguidos pelas espécies de Enterococcus, que são encontradas em números decrescentes. 
Patógenos gram-negativos dominam após o quinto dia de uma internação hospitalar tipicamente prolongada e emergiram 
como os agentes etiológicos mais comuns de infecção invasiva em virtude de seu grande repertório de fatores de virulência 
e características de resistência antimicrobiana. Pseudomonas aeruginosa continua sendo o microrganismo gram-negativo 
mais frequente isolado de feridas queimadas, seguido por Escherichia coli. 
• Dessa forma, quando recebemos esse paciente, ainda durante a realização de seu primeiro curativo, precisamos 
impedir que ocorra a infecção, já que após a adequada reposição volêmica 70% dos pacientes que morrem serão em 
decorrência de infecções. 
• O tratamento preventivo será realizado com sulfadiazina de prata tópica em 1% nas feridas. Caso venha a evoluir 
com uma infecção, faremos uso de uma antibioticoterapia inicialmente empírica, baseada nos principais patógenos 
encontrados no seu hospital, sendo guiada, posteriormente, pelo antibiograma da cultura realizada a partir das secreções 
coletadas. 
 
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