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Tumores uroteliais UROTÉLIO: é o epitélio que reveste a pelve renal, os ureteres, a bexiga e os 2/3 proximais da uretra. É também chamado de epitélio de células transicio- nais (transição entre o epitélio cilíndrico simples do sistema tubular renal e o epitélio estratificado do terço distal da uretra). • Forma uma barreira entre a urina, que é tóxica, e a parede do TU. • Pode se contrair e expandir, acompanhando a função fisiológica normal da bexiga. O principal tumor das vias urinárias é o carci- noma de células transicionais. • 90% desses tumores se origina na bexiga. • 8% na pelve renal. • 2% no ureter. • < 1% na uretra. Câncer de bexiga EPIDEMIOLOGIA No Brasil, é o 7º câncer em homem e o 14º em mulheres. Mundialmente, é o 9º mais frequente. • Acomete mais homens que mulheres (3-4x). • Mais comum acima dos 40 anos: o pico de inci- dência se dá entre 60-70 anos de idade. • Acomete mais a raça branca. Fatores de risco para câncer de bexiga Tabagismo: aumenta em 4x o risco. A mulher fu- mante parece ser mais suscetível. Ex-tabagista continua tendo risco maior que indivíduo que nunca fumou. Sexo masculino. Raça branca. Abuso de derivados da fenacetina (paracetamol) História familiar e mutações genéticas: HRAS, Rb1, PTEN/MMAC, NAT2, GSTM1. Exposição ocupacional ao petróleo, indústria têx- til, metais, borracha, couro e tintas. Qt prévia com ciclofosfamida ou ifosfamida. Inflamação/infecção crônica: cistite crônica, cálculo vesical, cateter vesical de permanência, Schistosoma haematobium*. Baixa ingesta de líquido. Irradiação pélvica. Uso prolongado de pioglitazona e suplementos vegetais à base de ácido aristolóquico. Abuso de cafeína: não confirmado. Dieta rica em carne e gordura *O Schistosoma haematobium leva a carcinoma epider- moide. É mais comum na África. PATOLOGIA 92% é carcinoma de células de transição. 6% é carcinoma epidermoide (escamoso). 1% é adenocarcinoma. 1% é não epitelial (tumores do tipo pequenas células, associados a síndromes paraneoplásicas). O CCT acomete mais homens que mulheres. O CE acomete mais mulheres. Formas de apresentação O carcinoma de células transicionais é dividido em invasivo da camada muscular própria e não mús- culo invasivo. A maioria dos cânceres de bexiga se apresenta como tumores superficiais. 20% é mús- culo-invasivo e 5% tem doença metastática na apre- sentação. TUMOR SUPERFICIAL (não músculo invasivo): • Tumor papilar (carcinoma papilífero): tumor ve- getante, polipoide, de base estreita. Principal tipo de tumor superficial. • Tumor plano (carcinoma in situ): é uma lesão plana intraepitelial. Aparece como uma área hi- peremiada, elevada ou não. TUMOR MÚSCULO INVASIVO ➜ tumor séssil (car- cinoma sólido): lesão plana, única, de base larga. É mais agressivo, tem invasão muscular. Tumor papilífero Tumor séssil Maria Eduarda Vascularização: ramos da ilíaca interna Maria Eduarda Quando suspeitar? Homem > 40 anos com hematúria macroscópica indolor. Maria Eduarda Andreatta 3 TIPOS Lesão proliferativa de baixo grau, que se desenvolve em tumor não musculo invasivo = 80% dos tumores de bexiga. Tumor musculo invasivo = maior propensão a metastatizar. Carcinoma de célula in situ. Maria Eduarda Muito recidivante, geralmente lesões múltiplas O carcinoma papilífero pode ser classificado em neoplasia urotelial papilar de baixo potencial ma- ligno (antigo carcinoma grau I), carcinoma urotelial papilar de baixo grau (grau II) e carcinoma urotelial de alto grau (grau III). • O carcinoma papilífero superficial é a forma mais comum de CCT, tem pequeno potencial invasivo e muito potencial de recidiva após a ressecção. Neoplasia urotelial papilar de baixo potencial ma- ligno: é mais frequente em homens e tem recorrên- cia de 20-40%. A progressão (invasão da lâmina pró- pria) é de apenas 8%. Carcinoma urotelial papilar de baixo grau: apre- senta maior recorrência e tem taxa de progressão maior. Carcinoma urotelial papilar de alto grau: recidiva de até 76,5% e progride em 40% dos casos. É mais raro e, por isso, quando se encontra uma neoplasia invasiva, é mais provável que seja um tumor de cres- cimento séssil ou plano (in situ que evoluiu). GRAU HISTOLÓGICO Grau 1: bem diferenciado. Grau 2: moderadamente diferenciado. Grau 3: pouco diferenciado (pior prognóstico). É de alto grau. • 2/3 dos tumores de grau 3 tendem a progredir. Os carcinomas de células transicionais se disse- minam por contiguidade e pelas vias linfática ou he- matogênica. As metástases são mais para o fígado, pulmão e ossos. O prognóstico depende do grau de diferencia- ção, número e tamanho das lesões, macroscopia do tumor, presença de áreas com carcinoma in situ, ploidias, entre outros fatores. QUADRO CLÍNICO Os tumores de bexiga quase sempre se manifes- tam com hematúria macroscópica indolor (> 80%). Hematúria microscópica é incomum. Podem estar presentes sintomas irritativos ve- sicais em 25% dos casos: disúria, polaciúria e urgên- cia urinária. Os sintomas metastáticos ocorrem em 4% dos casos: dor óssea, edema MMII. Os sintomas irritativos são mais relacionados a tumores músculo invasivos, mas podem ocorrer também no carcinoma in situ. EXAME FÍSICO Geralmente inexpressivo. Massa palpável (raro). Palpação bimanual: toque retal no homem e vaginal bidigital na mulher. História natural e estadiamento O carcinoma papilar superficial, a forma mais comum, tem pequeno potencial invasivo, mas reci- diva bastante após ressecção. Os tumores invasivos infiltram a camada mus- cular da bexiga, a gordura perivesical e depois as es- truturas vizinhas. As principais metástases são para fígado, pulmão e ossos. Tis: carcinoma in situ. Ta: tumor papilífero confinado ao epitélio. T1: tumor invade a lâmina própria. T2: invade a muscular própria. T3: atinge a gordura perivesical. T4: invade órgãos e estruturas adjacentes. DIAGNÓSTICO Todo paciente com mais de 40 anos de idade que apresenta hematúria macroscópica persistente deve ser investigado para CA de bexiga. Atualmente, o método de escolha é a TC de vias urinárias com contraste, mas pode ser feito também USG. Para di- agnóstico, é necessário realizar uma cistoscopia com biópsia. USG: não consegue ver tumores pequenos (precisa de contraste). Urografia excretora: bom para Tis. TC contrastada: bom para Tis e estadiamento. RNM: principalmente para estadiamento. Exame com contraste mostrando falha de enchi- mento é sugestivo. Baixo grau Maria Eduarda TC de vias urinárias + cistoscopia com biópsia O tumor de bexiga muitas vezes é multicêntrico, aparece em vários locais da bexiga. Urografia excretora mostra falha de enchimento da bexiga. Não é muito utilizada hoje, mais para Tis. TC mostrando massa sólida TC com lesão que não capta contraste por inteiro Diagnóstico definitivo: CISTOSCOPIA com biópsia. É realizada já durante a RTU. Tumor de bom prognóstico = tem mais vegetação. Cysview: se acumula nas células malignas. Na cistos- copia com luz azul, conseguimos ver manchas ver- melhas brilhantes, locais de tumores. CITOLOGIA URINÁRIA: auxilia no controle dos tu- mores, porque eles possuem características esfoli- ativas. Deve ser feita de rotina. • No CIS pode ser positivo alguns anos antes de sua identificação. Na presença de citologia positiva e cistoscopia negativa, pode ser um tumor de pelve renal ou ureter. • Importante no seguimento pós RTU. • Não é utilizado para diagnóstico. • Falso-positivo nas cistites, cálculos de bexiga, sondagem. • Tem maior sensibilidade para tumores de alto grau e carcinoma in situ. Citologia positiva e cistoscopia normal = procurar tumor no TUS com contraste. Marcadores tumorais: FISH, NMP-22, Urine cyto- logy, BTA. TRATAMENTO Depende de: estadiamento, grau histológico e pre- sença de carcinomain situ. TUMORES SUPERFICIAIS (Ta, Tis e T1): a base da terapia é a ressecção transuretral via cistoscopia. • Pode ser complementada com Qt intravesical. • BCG para Ta múltiplos ou recorrentes, T1 e car- cinoma in situ. TUMORES LOCALMENTE INVASIVOS (T2, T3): cis- tectomia radical. Pode ser feita Qt neoadjuvante ou adjuvante (M-VAC). TUMOR METASTÁTICO (T4, N1-3 e M1): Qt sistê- mica isolada (mais utilizado é o esquema GC – gen- citabina e cisplatina). Cistectomia radical: no homem, retirada da bexiga, próstata, vesículas seminais, vasos deferentes e ure- tra proximal. A impotência sexual é quase universal, a não ser que se preserve o nervo pudendo. Na mu- lher, bexiga, uretra, útero, trompas, ovários e parede vaginal anterior. DERIVAÇÃO URINÁRIA APÓS A CISTECTOMIA • Ureterostomia cutânea: quase não usa. • Ureteroileostomia cutânea (cirurgia de Bricker). • Uretero-sigmoidostomia: pouco usada. • Neobexiga ortotópica: isolamento da alça de íleo. • Reservatório externo continente: com catete- rismo intermitente. TUMORES DA PELVE RENAL • 5% dos tumores do urotélio. • 4,5 a 9% das neoplasias renais. • 1% dos tumores urogenitais. • Mais comum em homens de 60-70 anos. • O principal é o carcinoma de células transicionais (95% dos casos). Os fatores de risco são os mesmos do câncer de bexiga, já que o epitélio é o mesmo. Existe grande associação de câncer de pelve renal e de ureter com a nefropatia dos Balcãs, uma nefrite intersticial crô- nica. • 90% CCT. • 9% CE. • 1% adenocarcinoma. Clínica Hematúria macroscópica indolor (90%). Dor lombar por obstrução (tanto se pelve ou ureter). Massa abdominal. Sintomas irritativos: no carcinoma in situ na bexiga ou tumores vesicais concomitantes (lembrar sempre da concordância multicêntrica). Diagnóstico Sempre precisa de exame contrastado. Urografia excretora. Ureteropielografia retrógada: não se faz mais. Ureteroscopia flexível. Se o tumor é pequeno, já dá para fazer ablação com laser. TC contrastada: capta contraste com falha de en- chimento (cálculo urinário não faz falha, capta por inteiro) Citologia urinária: assim como no câncer de bexiga, auxilia no seguimento. Tratamento Nefroureterectomia + ressecção da bexiga perime- atal (é o clássico) ou ureteropieloscopia flexível e ablação transureteral a laser. Metástase: M-VAC. Ureteroileostomia. Ureterostomia. Neobexiga. Uretero-sigmoidostomia. Maria Eduarda Andreatta Nefroureterectomia radical. Tumores uroteliais Câncer de bexiga