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Evolução das Técnicas de Preparo do Canal Radicular • A terapia endodôntica deve ser considerada igual ao tratamento de uma ferida aberta em qualquer outra parte do corpo humano. Deve ser feita com métodos cirúrgicos adequados, uma familiaridade com a anatomia do canal radicular, conhecimento da reação tecidual e com técnica cuidadosa. • Grove CJ, JADA, August 1930 • A Endodontia é uma área psicomotora E só ensina quem faz e só aprende quem pratica • .......este novo profissional pense, planeje, e principalmente não tente tratar todos os casos de mesma maneira e desta forma deverá saber extrair os benefícios oriundos de novas tecnologias. Assim sendo um determinado caso devera ser planejando, dentro é claro das limitações existentes, pois com os conhecimentos atuais da ciência não conseguimos atingir todas as soluções, pois pouco ainda sabemos....... Conceitos a compreender: ➔ Limar: usar movimentos firmes para dentro e para fora (penetração e retirada no interior do canal), durante o preparo do canal radicular. Movimento de Limagem (raspagem): entra sem tocar e sai raspando. “O movimento de limagem não deve ser empregado no preparo apical do canal”; pode ocasionar o transporte apical interno ou Zip e deformação da porção curva; Lopes & Siqueira, 2010 ➔ Alargar ou Dilatar: aplicar aos instrumentos movimentos de rotação, no sentido horário, durante o preparo do canal radicular. Para que ocorra o alargamento é necessário que o instrumento trabalhe justo. Sem forçar quando tranca para não quebrar a lima. ➔ Limar e Dilatar: consiste em um movimento que introduz a lima no canal radicular com rotação e sua remoção sem rotação. A. Introdução B. Retirada: tração Lateral contra as paredes “Vaivém” 360º A. Introdução B. Rotação ½, ¼ de volta C. Retirada: tração Lateral contra as paredes 2 1. Avanço 2. Tração com pressão lateral 1 2 ➔ Recapitulação: • É o restabelecimento da posição de uma lima anteriormente utilizada em um local determinado. • É o emprego, em todo o comprimento de trabalho de um instrumento de menor diâmetro do que o diâmetro já instrumentado do canal radícula. Finalidade de manter a anatomia original e remover as sujidades que a lima calibrosa deixou. Exemplo: CRT 19 mm/IAI LK 10 • LK 10 19mm • LK 15 19mm • LK 10 19mm • LK 20 21mm • LK 10 19mm • LK 25 19mm • LK 10 19mm ➔ Forças Balanceadas: aplicar às limas movimentos de rotação tanto no sentido horário como no sentido anti-horário. Rotação de 1/2 de volta no sentido horário e 1/2 volta no sentido anti-horário. →Roane et al. (1985) • Os movimentos realizados no sentido horário são os responsáveis pelo posicionamento das limas nos condutos e os movimentos no sentido anti-horário são os responsáveis pela ação de corte das limas. Usado para o movimento reciprocante. • É um movimento de alargamento parcial alternado; • Também conhecido como movimento oscilatório. • O movimento sem a volta completa diminui risco de fraturas. 1. Avanço 2. Giro a direita 3. Giro a esquerda 4. Retrocesso de 1 a 2mm 5. Avanço • Principal indicação é o preparo apical em canais retos ou curvos • Evita- se o pré- curvamento dos instrumentos (motivo pelo qual na região curva do canal não utilizamos além da LK 25 ou 30 de aço inoxidável ) Quando o instrumento não tocar nas paredes, faz ISI e troca para lima mais calibrosa. ➔ Zona Crítica Apical: • Compreende os 4 milímetros finais da raiz, ou seja, a área apical. • Contém íntima relação os tecidos e os elementos estruturais do periápice: o canal radicular apical, o forame apical e as foraminas. • Menor diâmetro e tem curvatura • Pode conter microrganismos, que estão presentes nos canalículos dentinários, nas paredes dos forames, nos canais laterais e acessórios e nos tecidos periapicais. Ocorre a maioria dos problemas clínicos: • sobre-instrumentação e sobre-obturação, • sub-instrumentação e sub-obturação, • perfuração • desvio • transporte do canal radicular formando o "Zip” ➔ Patência Foraminal: • É a manutenção do forame apical desobstruído durante a instrumentação do canal radicular; • É realizado com instrumentos de pequeno calibre • “A Biologia requer a eliminação dos produtos de degradação de proteínas, bactérias, e toxinas de bactérias que emanam canais necróticos e gangrenosa”. Schilder. • No estudo individual de cada dente grande variabilidade nas mensurações da extensão do cemento entre o lado esquerdo e direito. • Estudos pesquisam se é necessário alargar a região apical e se deve fazer a limpeza da região (facilita o reparo do coto pulpar). • Limpeza do forame apical = Desbridamento • Iremos usar um instrumento de menor diâmetro 1 mm além do canal desobstruindo o forame. • “a localização clínica do limite cdc é utopia” • Há a discussão se deve fazer patência em Biopulpectomia • O diâmetro do limite cdc ficou correspondente a lima #35 a #30. ➔ Limite apical de instrumentação • Ponto de referência oclusal • Distância da Ponta do Instrumento do final radiográfico • Halo de dentina recobrindo a ponta do instrumento Técnicas de Preparo do Canal radicular Técnica Tradicional/Convencional/ Clássica • Todos os instrumentos são utilizados durante a instrumentação no mesmo CRT previamente determinado, após a exploração do canal radicular. • Alargava no sentido ápice em sentido a coroa, uso da limagem. • Canais amplos e Retos. • Abertura coronária→Odontometria→Preparo químico mecânico: aumento do diâmetro do canal radicular de acordo com o aumento do diâmetro do instrumento • O que acontece se instrumentarmos com a Técnica Convencional canais curvos com menor diâmetro na região apical? • Ao chegar na lima K 35 mesmo curva (não tem flexibilidade) irá danificar a zona crítica apical, criando dor e insucesso (perda da forma original). • Pode ocorre também a perfuração apical, pois com a lima menos flexível não se adapta ao canal. • Formação de degrau. Princípios para a instrumentação dos canais radiculares: Grossman (1956): • Os instrumentos mais finos devem preceder os mais calibrosos; • Os canais radiculares devem ser sempre dilatados ao máximo; a dilatação mínima, para qualquer tipo de canal, deve corresponder ao instrumento # 30. • Em canais atrésicos, recomenda o uso alternado de limas e alargadores, iniciando sempre pelos alargadores. • A instrumentação biomecânica é o método mais eficaz de limpeza, retificação e alisamento das superfícies dos canais radiculares. O QUE VAI ACONTECER SE INSTRUMENTARMOS COM A TÉCNICA TRADICIONAL CANAIS CURVOS COM MENOR DIÂMETRO NA REGIÃO APICAL? Instrumentos de maior diâmetro no terço cervical iriam realizar uma trepanação apical. Técnicas Escalonadas/ Step-Preparation. • Clem (1969) introduziu o escalonamento na fase do preparo biomecânico dos • canais radiculares, indicando uma técnica denominada de Step-Preparation. • Instrumentos de maior calibre de aço inoxidável lnão apresentam flexibilidade para transpor curvaturas portanto, somente devem ser utilizados nas regiões média e cervical do canal radicular. (porção reta do canal radicular) • Sentido ápice a coroa com instrumentos de menor calibre no ápice e maior calibre na coroa. Várias modificações e nomes: • 1972:Step Preparation (Franklin Weine) • 1974: Cleaning and Shaping (Herbert Schilder) • 1974: Telescope Preparation (Howard Martin) • 1976: Step back filing (Richard Walton) • 1982: Técnica telescópica Modificada (De Deus) • 1986: Técnica Escalonada com recuo anatômico (Lopes e Costa) Técnica telescópica Princípios: • Dilatação básica até o limite apical com uma lima inicial que se ajuste ao diâmetro anatômico da região apical, mais 3 ou 4 instrumentos de diâmetros ascendentes. • Recapitular com a últimalima que trabalhou em todo comprimento de trabalho. Instrumento memória(DA) • Escalonar (Step-back), com recuo programado de 1 milímetro em cada lima posterior, com o objetivo de preparar os terços médio e cervical do canal radicular Técnica Escalonada Clássica com Recuo Progressivo Programado: preparo do ápice a coroa, fazia a abertura coronária e começa a neutralização/exploração do canal até o CAD – 2 mm→ odontometria→ vai até a lima 25 nesse comprimento da odontometria→ depois vai diminuindo 1 mm, com recuos programados a partir da lima 30, diminui mais 1 mm na 40 e assim vai. Sempre recapitulando com a lima instrumento memória 25/30 (depende de qual iria ou não ter entrada livre) com o comprimento da odontometria. Exemplo: • LK 15, LK 20, LK 25 em 21mm • LK 30 em 20mm • LK 25 em 21mm • LK 35 em 19 mm • LK 25 em 21mm • LK 40 em 18mm • LK 25 em 21mm ➔ Instrumento Memória: último instrumento utilizado em todo CRT, que deve retornar ao canal sempre no CRT, após o uso de cada instrumento de maior diâmetro • A seleção do Instrumento Memória ocorre no momento em que o instrumento seguinte da série usada não penetrar em toda extensão do CRT. • Vai uniformizando a canal e deixando sem degraus. Mantém a forma original do canal. • Os recuos são programados após a seleção do instrumento memória. Podem ser de 1,0mm, 1,5mm.... Estes são sempre fixos até o término do escalonamento em direção cervical. No exemplo acima os recuos foram programados em 1,0mm. Técnica com anatomia do canal radicular Os recuos são programados em função da anatomia do canal radicular Cada dente tinha uma programação de recuo diferente de acordo com a curvatura. Poderia ser 1 mm, 1,5mm ou 2 mm. Exemplo: “Cleaning and Shaping”. Schilder (1974) Objetivos biológicos na limpeza e na modelagem: ▪ O preparo biomecânico deverá ficar confinado no interior do canal radicular; ▪ Não forçar o material necrótico além do forame durante a instrumentação; ▪ Remoção de todo “debris” tecidual do sistema de canais radiculares; ▪ Completa limpeza e modelagem em uma única sessão; ▪ Criação de espaço suficiente durante a modelagem para a colocação da medicação intra-canal. ABOU- RASS e colab. (1980) →Zona de Risco- parede do canal radicular voltada para a zona interadicular; de menor espessura dentinária. →Zona de Segurança- parede do canal radicular de maior espessura dentinária oposta a região de furca. Instrumentação Anticurvatura: Instrumentação voltada para a parede correspondente a “Zona de Segurança”; com a finalidade de previnir o desgaste excessivo da parede do canal radicular voltada p a região de furca. (“rasgo”) Técnica Coroa Ápice Técnica da Universidade de Oregon- Marshall &Pappin (1980): giro de 360° até encontrar a resistência, gira em sentido contrário, sem estar no comprimento total de trabalho, ISI e aumenta o comprimento de trabalho em sentido ao ápice com limas menos calibrosas. Até chegar na lima de patência. a) acesso coronário, que consiste na limpeza da câmara pulpar; b) Acesso radicular, correspondente ao preparo dos terços cervical e médio por meios de limas, que abrem espaço para o uso de brocas GG c) c) preparo do batente apical, efetuado a partir do comprimento de trabalho Porquê do preparo coroa ápice: →Deposição dentinárias: “formações contínuas e progressivas de dentina de origem fisiológica ou patológica a partir da polpa alojada no assoalho da câmara pulpar criavam interferências que diminuíam o diâmetro do canal radicular, principalmente no terço cervical”. →Extrusão de material além forame: O autor através de um experimento simples, que constou em injetar tinta nanquim no interior do canal radicular e após introduzir um a lima tipo K até a região apical observou q a tinta ficava aderida na porção cervical do instrumento. Após o preparo do terço cervical e médio com brocas de Gates- glidden repetiu o experimento e a tinta ficou aderida na porção apical da Lima. Comprovou o autor que o preparo do terço cervical e médio promove a determinação do Instrumento apical inicial de forma mais fidedigna. ➔ Distribuição de microrganismos • STABHOLZ, ROTSTEIN E TORABINEJAD,1995: mostraram que a detecção da constrição apical pela sensibilidade tátil do operador foi possível em 75% dos casos em que os canais radiculares receberam prévio alargamento cervical. Outras vantagens do preparo do terço cervical e médio: • Possibilita maior fluxo de solução irrigadora • Facilita a obturação radicular • Facilita o preparo do canal para retentores protéticos • Causa menor extrusão apical. • Facilita o preparo do terço apical Outra técnicas: Weine (1982): A cada lima ou GG utilizada no Preparo Cervical e médio deve ser intercalada com o retorno do instrumento que atingiu o CRT.-RECAPITULAÇÃO Técnicas Híbridas:Somando as vantagens de uma e outra técnica, surgem inúmeras técnicas de preparo químico- mecânico. Goerig et al. (1982)- Exemplo de técnica Híbrida Clem (1969) + Pappin (1978) = Step-Down + Step- Back • Preparo do terço cervical e médio • Preparo apical com a técnica Step- Back • As técnicas de preparo que iniciavam escalonando no sentido ápice coroa (STEP DOWN) e realizavam o preparo apical escalonando no sentido coroa ápice (STEP BACK) são chamadas de técnicas híbridas Considerações finais: • surgem incontáveis técnicas de instrumentação dos canais radiculares porém atualmente todas obedecem princípios anatômicos e biológicos do canal radicular; • instrumentos com nova liga (niti) e novos design tendam dirimir a complexidade anatômica do canal radicular. • todos os sistemas rotatórios requerem o preparo do terço cervical e médio e a exploração prévia do canal radicular. • ainda as técnicas existentes encontram dificuldades diante da complexidade anatômica e microbiota do canal infectado. • o conhecimento baseado em referencias sólidas não tem função se não soubermos interpretá- lo e utilizá- lo na prática diária Princípios atuais Vantagens do Alargamento Cervical prévio ao preparo apical a) Elimina as interferências dentinárias encontradas nos terços coronários do canal, facilitando a instrumentação do terço apical; b) Permite um acesso mais retilíneo ao terço apical; c) “Debris”são removidos antes de ser instrumentada a região apical reduzindo o número de agentes contaminantes que podem extruir pelo forame,; d)O alargamento durante o acesso radicular permite uma maior penetração da solução irrigante; e) Estabilidade do comprimento de trabalhou “O instrumento Memória das técnicas escalonadas só vai ser equivalente ao diâmetro anatômico ou instrumento apical inicial IAI após o preparo do terço cervical e médio” AINDA AS TÉCNICAS EXISTENTES ENCONTRAM DIFICULDADES DIANTE DA COMPLEXIDADE ANATÔMICA E MICROBIOTA DO CANAL INFECTADO Quando era feito o preparo do terço cervical e médio anterior ao apical o diâmetro vai de 25-35 de diâmetro anatômico; sem alargamento primário do terço C e M o diâmetro ia de 15 a 20.