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C a r i o l o g i a Conceitos e Terminologia Ana Maria Ramos – Odontologia UFPE 2021.2 Cariologia Objetivos: Conceituar cárie: Diferenciar cárie, fluorese e erosão dental; Conhecer as teorias etiológicas da cárie dentária; Reconhecer os fatores que interferem no desenvolvimento da lesão; Conhecer os estágios de desenvolvimento. Cárie é uma doença multifatorial infecciosa, transmissível e dieta dependente (rica em carboidrato simples), que altera a microbiota oral produzindo uma desmineralização das estruturas dentárias. A fluorese é uma deficiência que ocorre no esmalte dental causando alterações neste tecido que variam desde manchas claras, linhas brancas, até uma erosão dental, dependendo da gravidade com que o distúrbio atingiu o dente. Teorias da Etiologia da Cárie Dentária • Teorias Endógenas Afirma que a cárie seria causada por fatores internos ao hospedeiro Principais teorias endógenas: 1. Estase de Fluídos Nocivos (Hipócrates – 456 a.C.) Seria uma patologia do tipo humoral, ou seja, que estava relacionada a uma disfunção interna que levava ao acúmulo dos fluidos prejudiciais no interior dos dentes ao aparecimento da lesão. 2. Inflamatória Endógena (Gdeno -130ª.C. e Jourddn – 1734-1816) Também seria uma patologia do tipo humoral causava reações inflamatórias e levavam a formação de úlceras na boca, gengivite e cárie. 3. Enzimática das Fosfatases (Csemyel – 1951) Transtorno bioquímico: começa na polpa e se manifesta no esmalte e dentina. Ao afetar o metabolismo, a fosfatase da polpa estimula a formação de ácido fosfórico que dissolve tecidos calcificados. 4. Inflamação no Odontoblasto (Brown e coL – 1958) Transtornos metabólicos afetavam o odontoblasto, causando calcificação da dentina e posterior destruição do esmalte. • Teorias Exógenas Afirma que a cárie seria causada por fatores externos ao hospedeiro. Principais teorias exógenas: 1. Teoria Parasitária ou Séptica Microrganismos filamentosos extraídos de cavidades de cárie, os quais o pesquisador denominou de denticolae, causavam a decomposição do esmalte e da dentina. No entanto, o mecanismo pelo qual a decomposição ocorria não foi explicado. 2. Teoria Quimioparasitária: A produção de ácidos e digestão de proteínas pelos microrganismos bucais levaria a formação da cárie – Miller, concluiu que o C a r i o l o g i a Conceitos e Terminologia Ana Maria Ramos – Odontologia UFPE 2021.2 Cariologia processo era mediado por um MO bucal capaz de produzir ácido e digerir proteína. A cárie era um processo quimioparasitário que consistia em dois estágios: 1- descalcificação ou amolecimento dos tecidos duros; 2- dissolução dos resíduos moles. 3. Teoria Proteolítica Os MO proteolíticos atuando sobre a porção orgânica do esmalte chegariam até o limite amelodentinário (esmalte-dentina). A destruição do suporte físico do esmalte levaria a formação da cavidade de cárie. 4. Teoria Proteolítica-Quelante Essa teoria preconiza que MO atuando sobre a porção orgânica do dente formariam quelantes que levariam à dissolução da porção mineral. Perdas da matéria orgânica e inorgânica ocorreriam simultaneamente. 5. Teoria Acidogênica (MAIS ACEITA ATUALMENTE) Afirmava que MO atuando sobre carboidratos formariam ácidos que levariam à formação de cárie. OBS.: As teorias endógenas foram abandonadas, baseando-se na observação de que os dentes tratados endodonticamente eram igualmente aferrados pelas cáries. DIAGRAMA DE KEYES O primeiro modelo proposto por Keyes (1969) para explicar a doença cárie era um modelo de tríade (tríade de Keyes) em que a cárie seria o produto da interação entre os fatores determinante: suscetibilidade do hospedeiro, dieta cariogênica e MO. Newbrun (1978) acrescentou o tempo nessa interação como fator etiológico, contudo a doença cárie, parece ser mais complexa, de caráter comportamental e influenciada pelos fatores modificadores sociais e econômicos. FATORES ETIOLÓGICOS DO PROCESSO DA CÁRIE DENTÁRIA A cárie evolui inicialmente pela instalação da placa bacteriana, desenvolvendo-se como mancha branca opaca e rugosa até atingir o esmalte, dentina e polpa, que neste caso, após ou em conjunto à necrose pulpar, ocorre a contaminação bacteriana, desenvolvendo-se a patologia da gangrena pulpar, a qual pode originar a periodontite apical aguda (lesão endoperiodontal), abscessos e evoluir para granuloma e cisto periapical. É necessário obter um conhecimento profundo em relação aos fatores etiológicos no processo de cárie para que seja possível estabelecer estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento de maneira eficaz e eficiente. Os principais fatores são: C a r i o l o g i a Conceitos e Terminologia Ana Maria Ramos – Odontologia UFPE 2021.2 Cariologia 1- Suscetibilidade do Hospedeiro Esse fator pode ser determinado por fatores extrínsecos (relacionados à estrutura sociocultural na qual o indivíduo está inserido, diferenças culturais...) e intrínsecos (relacionados com o fluxo, composição e capacidade tampão da saliva, aspectos hereditários e imunológicos). Algumas condições dos elementos dentários os tornam mais suscetíveis à doença cárie, tais como: morfologia dental, que compreende anomalias na forma e posições dos dentes. 2- Microrganismo (MO) Algumas espécies de MO atuam na cavidade oral como Streptococcus mutans e Laactobacilos estando relacionadas a doença cárie. Entre as características das bactérias cariogênicas estão a capacidade de sobreviver em meio ácido, a adesão às estruturas dentárias e a capacidade de produzir ácidos a partir da formação de carboidratos, consequentemente ocasionando a desmineralização- remineralização da dissolução do fosfato de cálcio existente na estrutura do dente (desmineralização), porém inicialmente essa dissolução pode ser revertida por remineralização. 3- Dieta A dieta cariogênica é muito importante para o início e evolução da cárie dentária, visto que a microbiota já presente na cavidade oral necessita de estímulos (açúcar) para produzir ácido que desmineralizam o dente. Da mesma forma que existem alimentos que concorrem para o aparecimento da cárie, existem alimentos que impedem o início do processo carioso através de vários fatores químicos e físicos como a ação microbiana, consistência do alimento que estimula o aumento da secreção salivar, a presença de substâncias fosfatadas que impedem a queda do pH. Alimentos cariogênicos (hidratos de carbônio), Alimentos não cariogênicos ou menos cariogênicos (contém uma quantidade aceitável de açúcar na sua composição) e Alimentos anticariogênicos (a consistência do alimento que estimula a secreção salivar). 4- Tempo Os fatores anteriormente citados precisam de tempo para favorecer a desmineralização dos dentes e iniciar o processo da doença cárie. ESTÁGIOS DA DOENÇA CÁRIE A cárie possui várias fases, com diferentes características e estágios de comprometimento do dente: C a r i o l o g i a Conceitos e Terminologia Ana Maria Ramos – Odontologia UFPE 2021.2 Cariologia 1. Inicialmente, os ácidos provocam perda de mineral no esmalte dentário, gerando manchas brancas: o aspecto fica esbranquiçado, rugoso e opaco. A prevenção consiste em aplicação de flúor; caso contrário, pode causar a destruição do dente. Quando os ácidos atacam o mineral do dente, é necessário fazer obturação. 2. Início das cavidades: Também podem ocorrer diferentes tipos de lesões, tanto em superfícies lisas livres, a parte visível dos dentes da frente por exemplo, como nos sulcos e fissuras dos dentes, quesão de difícil higiene. Há lesões também entre os dentes, no local onde se passa o fio dental, área de difícil visualização e limpeza. 3. Cavidade no esmalte (primeira “barreira” rompida): Pode ocorrer cárie no esmalte do dente, que é constituído de cristais mineiras e é bastante duro. 4. Cavidade na dentina (segunda "barreira" rompida): Quando já houve perda do esmalte, ocorre a cárie de dentina, uma superfície com alta concentração de minerais. 5. Últimas barreiras (estágio avançado): Em estágios avançados, a cárie atinge o cemento e a raiz dos dentes, área de difícil acesso e com rápida progressão da doença. 6. Comprometimento do suporte do dente (osso alveolar e ligamento periodontal): A última fase é o amolecimento e a perda do dente. O biofilme dental é o fator biológico indispensável para a formação de lesão de cárie. As lesões de cárie só ocorrem em áreas nas quais o biofilme encontra-se estagnado, tendo como localização preferencial a margem gengival, as superfícies proximais logo abaixo do ponto de contato e o sistema de fóssula e fissuras das superfícies oclusais. Os sinais da doença cárie pode ser distribuídos como em uma escala que inicia com a perda mineral em nível ultraestrutural até a total destruição do dente.