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CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO CRANIOFACIAL 
 Crescimento 
É o aspecto quantitativo do desenvolvimento biológico. Enfatiza mudanças dimensionais normais durante o 
desenvolvimento (aumento de tamanho) 
 Desenvolvimento 
Abrange os eventos sequenciais normais entre a fertilização e a morte 
Desenvolvimento = crescimento + diferenciação + deslocamento 
 Diferenciação 
É a mudança de células ou tecidos generalizados para gêneros mais especializados durante o desenvolvimento 
 Maturação 
Expressa as mudanças qualitativas que ocorrem com o amadurecimento ou com a idade (não há aumento de tamanho) 
 
VARIÁVEIS QUE PODEM AFETAR O CRESCIMENTO 
Hereditariedade 
Padrão facial: BRAQUIFACIAL – MESOFACIAL – DOLICOFACIAL 
Raça 
XANTODERMA (perfil côncavo) – LEUCODERMA (perfil reto) – MELANODERMA (perfil convexo) 
Nutrição 
Quantidade e qualidade dos alimentos influenciam (deficiências nutricionais podem resultar no nanismo) 
Enfermidade 
Endocrinopatias: tireoide (agenesia), paratireoide e hipofise (gigantismo/nanismo) 
Distúrbios embrionários: fissura lábio-palatal, uso de drogas pelas gestante, etc 
Distúrbios respiratórios 
Clima 
Não existem evidencias cientificas suficientes de que o clima influencia o processo de crescimento 
Exercício físico 
O exercício não aumenta o tamanho da estrutura (crescimento ósseo) 
 
 
Quando há formação (APOSIÇÃO) de osso de um lado, no lado oposto há REABSORÇÃO 
Onde tem TENSÃO (acima do fisiológico), tenho estímulo de formação de osso (APOSIÇÃO) 
Se faço PRESSÃO (comprimo), estimulo a REABSORÇÃO de osso 
 
 
TEORIAS E HIPÓTESES SOBRE O CRESCIMENTO CRANIOFACIAL 
1. Hipotese de Hunter (1771) – aposição e reabsorção 
“A reabsorção da superfície anterior do ramo mandibular cria espaços para irrupção dos molares inferiores “ 
 Aposição > reabsorção 
Humphry (1871) – confirmou a hipótese de Hunter, comprovando reabsorção de osso na região anterior do ramo e 
 aposição de osso na parte posterior do ramo 
 
2. Conceito genético – Brodie (1941) 
“O padrão facial sob rígido controle genético” 
Obs: errou em falar que é um rígido controle, porque fatores externos podem influenciar o crescimento 
 
3. Hipotese de Sicher (1947) – sutural 
“As suturas são responsáveis pela maioria do crescimento (é nelas que está o controle genético)” 
 
4. Hipotese de Scott (1948) – septo nasal 
“O desenvolvimento do septo nasal é o principal responsável pelo crescimento facial” 
Segundo ele, o controle genético do crescimento da face estaria no septo 
 
5. Hipótese de Moss (1960) – matriz funcional 
“O crescimento ósseo guarda relação com o crescimento e desenvolvimento dos tecidos e órgãos à ele relacionados” 
Segundo ele, o código genético estaria não no osso, mas nos tecidos moles que o envolvem (matriz funcional) 
É o crescimento da matriz funcional que fornece a força primaria do crescimento; os ossos respondem secundariamente 
 
OSTEOGÊNESE 
 Formação óssea intramembranosa (ocorre em áreas de tensão fisiológica) 
 Formação óssea endocondral (ocorre em áreas de pressão fisiológica) 
MECANISMOS DE CRESCIMENTO 
O crescimento ósseo ocorre por um mecanismo de aposição (osteoblastos) e reabsorção (osteoclastos) a partir dos 
campos de crescimento compreendidos pelos tecidos moles que revestem o osso. Ocorrem 3 processos distintos: 
 Remodelação 
Necessária para manter o contorno ósseo 
Envolve aposição e reabsorção, ocorrendo em todas as superfícies internas e externas, até a morte 
Padrão de crescimento cefalo-caudal (o que está em cima cresce primeiro do que o que está em baixo) 
 Deslizamento 
Movimento de crescimento em direção à superfície de aposição 
 Deslocamento 
Movimento de todo o osso, resultante da pressão ou tensão de diferentes ossos, tecidos moles circunvizinhos 
ou aparelhos ortopédicos (é o que a gente enxerga) 
 
O crescimento termina primeiro no crânio, a seguir na largura da face, logo na profundidade e finalmente na altura 
A oclusão depende do modelo de erupção dos dentes e principalmente do padrão de crescimento dos ossos 
CRESCIMENTO DAS ESTRUTURAS CRANIOFACIAIS 
 ABOBADA CRANIANA 
Crescimento do cérebro → tensão nas estruturas → deposição óssea 
Remodelação = aposição na superfície externa e absorção na superfície externa 
Ossificação: intramembranosa 
 BASE DO CÉREBRO 
Crescimento principalmente no sentido AP (tem efeito direto na posição da mandíbula e região média da face) 
Ossificação: endocondral 
Região mais estável do esqueleto craniofacial 
 MAXILA (complexo nasomaxilar) 
Funções: mastigação, fala, expressões faciais, etc (qualquer problema nestes influencia o crescimento da maxila) 
Ossificação: intramembranosa e endocondral 
Cresce predominantemente para cima e para trás e desloca para baixo e para frente 
Areas de aposição: tuber, processo alveolar, espinha nasal anterior, superfície bucal do palato e suturas 
Areas de reabsorção: porção nasal do processo palatino, superfície vestibular da maxila e região do seio maxilar 
 Aposição na região posterior (tuber): erupção dos dentes posteriores 
 Aumento do processo alveolar: irrupção dos dentes 
 Deslocamento dos ossos da base do crânio: deslocamento da maxila (estão intimamente ligados) 
O tamanho e o padrão de crescimento: é programação genética (habitos bucais deletérios podem alterá-los) 
Matrizes funcionais da maxila: olhos, ar que penetra na cavidade nasal, tecido de revestimento do seio maxilar e língua 
 MANDÍBULA 
Funções: mastigação, manutenção das vias aéreas, fala, expressão facial 
Ossificação: endocondral (côndilos e sínfise mentoniana) e intramembranosa (demais regiões) 
Cresce predominante mente para cima e para trás, deslocando para frente e para baixo 
Áreas de aposição: côndilo, borda posterior do ramo ascendente, processo alveolar, borda inferior do corpo, chanfradura 
sigmoide, processo coronoide e mento 
Áreas de reabsorção: borda anterior do ramo ascendete e região supramentoniana 
 Região do côndilo: existe pressão e tensão; não é o principal centro de crescimento da mandíbula 
 Ramo: aposição na porção posterior, reabsorção na porção anterior e remodelação sofre influencia do masseter 
 Corpo: aposição nas porções lateral, inferior e mento e reabsorção na porção anterior (supramentoniana) 
 Processo alveolar: aposição diretamente relacionada à presença e erupção dentaria 
Ao final do primeiro ano de vida, ocorre o fechamento da sínfise mandibular 
Padrão de crescimento: programação genética, podendo ser alterado por fatores extrínsecos 
Causas de apinhamento tardio: CANINO A CANINO = reabsorção óssea l MENTO = aposição 
 
 
Alterações nas funções de fonação, mastigação, deglutição e respiração podem alterar o crescimento facial, porque são 
matrizes funcionais → evidenciando a importância do tratamento multidisciplinar (ortodontia, fonoaudiologia, 
otorrinolaringologista, etc) 
BIOGÊNESE DA OCLUSÃO NA DENTIÇÃO DECÍDUA 
 Período pré-dental (roletes gengivais) 
 Período da dentição decídua 
 Período da dentição mista 
 Período da dentição permanente 
 
1. PERIODO PRÉ DENTAL 
Porção óssea constituída de pequenos compartimentos que abrigam os germes dos dentes decíduos, sem apresentar 
tecido ósseo, recobrindo a superfície oclusal (não tem processo alveolar) 
DENTE NATAL: A CRIANÇA NASCE COM ELE ERUPCIONADO 
DENTE NEONATAL: NASCE NOS PRIMEIROS 30 DIAS 
ERUPÇÃO PRECOCE: 
Características 
 Arco superior de forma arredondada e palato pouco profundo 
 Arco inferior em forma de U 
 Região anterior saliente e proeminente 
 Região posterior mais achatada 
Espaço mesial anterior 
Os roletes gengivais contactam-se na região posterior, apresentando um espaço na região anterior (facilita amamentação) 
Postura neonatal da língua 
Na posição de repouso da mandíbula, os roletes gengivais ficam separados e a língua sobressai sobre os lábios (transitório) 
Retrognatismo fisiológico 
Visto lateralmente, os roletes gengivais exibem posição distal do roleteinferior em relação ao superior (facilita lactação) 
A lactação atua nos primeiros 6 meses como uma potente “matriz funcional”, estimulando o desenvolvimento da 
mandíbula até o estabelecimento de uma relação normal entre maxila e mandíbula no sentido antero-posterior 
 
2. PERÍODO DA DENTIÇÃO DECÍDUA 
 Primeira fase 
Erupção dos incisivos 
Sobremordida (overbite) profunda e possibilidade de grandes excursões mandibulares 
Não há sentido de oclusão 
 Segunda fase 
Erupção dos primeiros molares decíduos 
Primeiro sentido de dimensão vertical (levante da mordida) 
Modificação do overbite 
Definição da atm 
Primeiro sentido da oclusão através das cúspides dos molares 
 Terceira fase 
Erupção dos caninos decíduos 
Estabelece guia canina 
Os caninos na posição correta irão estabelecer e manter os ESPAÇOS PRIMATAS 
 Quarta fase 
Erupção dos segundos molares decíduos 
A relação distal desses dentes determina a posição dos primeiros molares permanentes 
Características da dentição decídua: 
 Ausencia de inclinação axial (implantação vertical sobre o osso alveolar) 
 Ausência de curva de Wilson 
 Ausência da curva de Spee 
 Presença de espaços primatas 
 Tipos de arco (segundo Baume) 
Arco tipo I: há presença espaços primatas e diastemas generalizados (melhor para o desenvolvimento da oclusão) 
Arco tipo II: pode haver presença ou ausência dos espaços primatas, porem não há presença de diastemas 
 generalizados (desfavorável para o desenvolvimento da oclusão) 
 Relação distal dos segundos molares decíduos 
Plano terminal reto (pode ser que va ter mal oclusão classe I ou II) 
Degrau mesial (tendencia a desenvolver uma guia de molar classe I ou III) 
Degrau distal (provável classe II) – pode ser um problema 
Se assemelham a diastemas 
Fazem parte do processo de oclusão 
 (dão espaço para o permanente) 
SUPERIORES: Entre incisivo lateral e canino 
INFERIORES: Entre canino e primeiro molar 
MAIS BONITO E PIOR 
MAIS FEIO E MELHOR 
3. PERÍODO DA DENTIÇÃO MISTA 
Inicia-se com a erupção do primeiro dente permanente e termina com a esfoliação do último dente decíduo 
Primeiro molar inferior: 1º dente permanente 
Dentes adicionais 
São aqueles que erupcionam sem a presença do antecessor decíduo (MOLARES) 
Dentes sucessores 
São aqueles que erupcionam com a presença do antecessor decíduo (TODOS OS OUTROS) 
 
ESTÁGIOS DE NOLLA 
A perda do dente decíduo antes do permanente estar no estagio 6 de Nola, atrasa sua erupção. 
A perde do dente decíduo depois do permanente estar no estagio 6 de Nola, acelera sua erupção 
Estagio 6: coroa completa (inicia movimento eruptivo) 
 Movimento eruptivo ≠ Erupção 
Trajeto que o dente faz até erupcionar (canino demora muito – quase 6 anos) 
Estágio 8: pronto para erupção (ultrapassa crista óssea – ápice ainda aberto) 
 
Retenção prolongada do dente decíduo 
Quando ele não esfolia e o permanente está pronto para sair – pode ter dente “encavalado” 
RELAÇÃO DISTAL DOS SEGUNDOS MOLARES DECÍDUOS GUIA A ERUPÇÃO DOS PRIMEIROS MOLARES PERMANENTES 
 
 Idade dental de 6 anos 
Erupção dos 1º molares permanentes 
2º levante da oclusão (segundo aumento da DVO) 
 Idade dental de 7 anos 
Erupção dos incisivos centrais inferiores e superiores 
Inicio da erupção dos incisivos laterais inferiores 
 Idade dental de 8 anos 
Erupção dos incisivos laterais superiores 
Todos os dentes permanentes apresentam suas coroas calcificadas, exceto os terceiros molares 
Fase do patinho feio 
Espaço entre os incisivos superiores 
 Inclinação axial dos incisivos laterais para distal 
 Ausência dos caninos permanentes no arco 
 Autocorreção com a erupção dos caninos (+12 anos) – processo fisiológico normal 
 Sobremordida profunda 
Culpa da guia de erupção do canino (em S) que tangencia as raízes dos incisivos laterais superiores 
(sem necessidade de intervenção ortodôntica) 
Guia ectópico de erupção do canino: extrair o canino decíduo 
 Idade dental de 9 anos 
Os incisivos e os primeiros molares permanentes estão em oclusão 
LEE WAY SPACE (espaço livre de Nance) 
Diferença entre a soma do diâmetro mesio-distal das coroas dos caninos e molares decíduos e a soma do diâmetro 
mesiodistal das coroas dos caninos permanentes e pré-molares (arco inferior é maior) 
 Idade dental de 10 e 11 anos 
Erupção dos caninos e 1º pré-molares inferiores e dos 1º pré-molares superiores 
 Idade dental de 12 anos 
Erupção dos 2º pré-molares e caninos superiores 
Fase inicial do processo eruptivo dos 2º molares permanentes 
 
ESTABELECIMENTO DA CHAVE DE OCLUSÃO 
Será influenciado: 
▪ Aproveitamento do LeeWay Space 
▪ Migração mesial do 1º molar permanente 
▪ Crescimento anterior da mandíbula