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ANATOMIA INTERNA DO SISTEMA DE CANAIS RADICULARES Prof°. Leonardo Pimentel Fiori CAVIDADE PULPAR Espaço que abriga a polpa dentária, estando normalmente situada na porção central dos dentes. CAVIDADE PULPAR • A porção coronária da cavidade pulpar é facilmente identificada nos dentes com duas ou mais raízes, mas em quase todos os dentes unirradiculares, seu limite com a porção radicular não é nítido, uma vez que há continuidade natural entre eles. CÂMARA PULPAR • A câmara pulpar é uma cavidade única, geralmente volumosa, que aloja a polpa coronária e ocupa internamente o centro da coroa, assemelhando-se, em forma, à superfície externa do dente. CANAL RADICULAR • O sistema de canais radiculares (SCR) é a parte da cavidade pulpar que se estende por toda a porção radicular dos dentes, acompanhando sua forma externa. • O canal principal geralmente tem forma cônica e se afunila a partir de sua abertura progressivamente em direção ao forame apical. ISTMOS • Área estreita, em forma de fita, que conecta dois ou mais canais radiculares. • Os istmos podem apresentar diferentes configurações e sua prevalência depende do grupo dentário, do nível da raiz e da idade do paciente. CANAIS EM “C” • A configuração do canal tem a forma da letra “C”, observado em corte no sentido transversal da raiz. • Variação mais comum em raízes fusionadas principalmente em 1°s pré- molares e molares inferiores. CANAL RADICULAR APICAL • Compreende a porção apical do canal principal, o forame apical e suas ramificações. • Região com variabilidade e imprevisibilidade anatômica. ÂNGULO DE CURVATURA INCLINAÇÃO DOS DENTES NOS ARCOS • É um deslocamento do eixo longitudinal da raiz em relação ao eixo da coroa. INCLINAÇÃO DOS DENTES NOS ARCOS • É um deslocamento do eixo longitudinal da raiz em relação ao eixo da coroa. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR INCISIVO CENTRAL SUPERIOR • Normalmente apresenta raiz única com canal reto e amplo. • O tratamento endodôntico geralmente não apresenta dificuldades, a não ser em casos de rizogênese incompleta, atresiamento por calcificação ou traumatismo. • Câmara pulpar estreita no sentido vestíbulo palatino, risco potencial de perfuração na face vestibular. • Saída do forame apical localiza-se de 0,5 a 1 mm do ápice anatômico. • Ombro palatino precisa ser removido durante o preparo do terço cervical, permitindo acesso direto ao canal radicular. • Raiz pode apresentar curvatura abrupta para a vestibular. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR INCISIVO CENTRAL SUPERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR INCISIVO LATERAL SUPERIOR • Geralmente é menor que o incisivo central, raiz única e canal amplo. • Raiz ligeiramente cônica e a porção apical tende a apresentar curvatura no sentido distopalatino. • Essa curvatura, por ser abrupta pode levar à formação de degrau ou perfuração durante os procedimentos de preparo químico- mecânico. • Ombro palatino precisa ser removido permitindo acesso direto ao canal radicular. • Ápice radicular localiza-se próximo à tábua óssea vestibular, podendo estar em proximidade com a cavidade nasal. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR INCISIVO LATERAL SUPERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR INCISIVOS INFERIORES • São os menores dentes permanentes e geralmente apresentam raiz única. • Pode haver um canal único estendendo-se da câmara pulpar até o ápice. • Frequentemente, dois canais (vestibular e lingual) se originam da câmara pulpar e se unem no terço apical. • A presença de dois canais é mais frequente no IL. • Necessidade de remoção do ombro lingual em caso de dois canais. • Maior prevalência de curvatura na porção apical da raiz é no sentido disto lingual. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR INCISIVOS INFERIORES MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR CANINOS SUPERIORES • É o maior dente permanente e normalmente apresenta raiz única com um canal. • O canal normalmente é reto e relativamente longo. • Na maioria das vezes uso de instrumentos acima de 25mm para seu preparo. • Morfologia raramente varia e a presença de canais acessórios é menos comum do que nos IS. • Necessidade de remoção do ombro palatino para permitir acesso direto ao canal. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR CANINOS INFERIORES • Normalmente, apresenta raiz única com um canal. • Pode apresentar duas raízes (vestibular e lingual) e dois canais. • Em caso de dois canais, é necessária a remoção do ombro lingual durante o preparo cervical. • É menor que o CS em todas as dimensões. • Curvatura apical frequentemente no sentido vestibular ou lingual. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR CANINOS MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR 1° PRÉ-MOLAR SUPERIOR • Normalmente apresenta duas raízes (vestibular e palatina) e dois canais com forames independentes, normalmente localizados próximo ao ápice anatômico. • Variações incluem a presença de raízes fusionadas com canais separados, com interconexões (istmos) ou saída foraminal única • Quando um dos orifícios for encontrado, a linha de desenvolvimento presente no assoalho da câmara pulpar (e de coloração mais escura) serve como referência para a localização do(s) outro(s) orifício(s) MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR 1° PRÉ-MOLAR SUPERIOR • Quando as raízes se encontram fusionadas, os dois canais podem continuar independentes ou se unir no terço médio ou apical • A prevalência de pré-molares superiores com três raízes (duas raízes vestibulares e uma palatina) tem sido relatada em 6% dos casos estudados. MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR 1° PRÉ-MOLAR SUPERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR 2° PRÉ-MOLAR SUPERIOR • Em geral, morfologicamente é similar ao primeiro pré-molar superior. • Em sua configuração típica, apresenta uma raiz com um único canal de seção transversal ovalada e maior diâmetro na direção vestibulopalatina • Raramente pode apresentar dois ou três canais separados e com origem em um único orifício ou dois canais conectados por istmos MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR 2° PRÉ-MOLAR SUPERIOR • Na presença de dois canais que se confluem na porção apical, o canal palatino é o que normalmente apresenta acesso direto ao ápice • A presença de curvatura apical é comum • Canais acessórios podem estar presentes, mas sua prevalência é menor que nos incisivos MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR 2° PRÉ-MOLAR SUPERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR PRÉ-MOLARES INFERIORES • Apresenta normalmente raiz única com um canal de seção transversal mais ampla na direção vestibulolingual • O sistema de canais radiculares pode apresentar diferentes configurações, incluindo a presença de múltiplos canais. • Nesse caso, os canais normalmente se dividem nos terços médio ou apical, sendo que o canal lingual, quando presente, tende a divergir do canal principal em um ângulo agudo • Um segundo canal pode ser identificado em cerca de 30% destes dentes MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR PRÉ-MOLARES INFERIORES MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR SEGUNDO MOLAR SUPERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR PRIMEIRO MOLAR INFERIOR MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR SEGUNDO MOLAR INFERIOR CIRURGIA DE ACESSO EM DENTES ANTERIORES Prof°. Leonardo Pimentel Fiori CIRURGIA DE ACESSO “Preparo de uma cavidade na coroa do dente para se ter acesso à cavidade pulpar.” Terminologias: Acesso coronário Abertura coronária Preparo coronário Preparo intracoronário Cirurgia de acesso Cavidade de acesso CIRURGIA DE ACESSO Tempo operatório que engloba desde o acesso à câmara pulpar, seu preparo, até a obtenção da configuração final da cavidade pulpar, sua limpeza, antissepsia e localização dos orifícios de entrada dos canais radiculares. CIRURGIA DE ACESSO • Segundo Walton e Torabinejad, os erros de diagnóstico e plano de tratamento são as principais causas de falhas no tratamento endodôntico, seguidas imediatamentepela falta de conhecimento da anatomia da cavidade pulpar. CONSIDERAÇÕES GERAIS • Observar princípios básicos ➢Exame clínico ➢Radiografia periapical ➢Verificar inclinação do dente no arco ➢Remover toda a dentina cariada e restaurações que possam impedir o acesso ➢Alisar as superfícies pontiagudas dos dentes, que possam interferir na colocação do lençol de borracha e facilitar a realização do isolamento absoluto. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA DE ACESSO • Tamanho e forma ➢Projeção mecânica da anatomia interna da câmara pulpar sobre a superfície do dente PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA DE ACESSO • Acesso direto ➢Toda abertura deve ser feita de tal maneira que permita o acesso mais direto possível ao canal radicular PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA DE ACESSO • Remoção do teto coronário ➢Todas as saliências da parede incisal da câmara pulpar deverão ser eliminadas, para prevenir a retenção de tecidos contaminados e consequentemente o escurecimento do dente ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Definir o ponto de eleição ➢Centro da face palatina, um pouco acima do cíngulo em direção incisal • Escolha da broca ➢A escolha da broca (esférica diamantada) para iniciar a abertura deve ser feita em função do terço médio, a qual deverá ser ligeiramente menor que o mesmo. ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Zona de abordagem ➢Iniciar a perfuração do esmalte fazendo a broca incidir perpendicularmente à face lingual ou palatina ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Direção de trepanação ➢Após ultrapassar o esmalte, continuar perfurando a dentina, mais paralelamente ao longo eixo do dente (em direção radicular). ➢Em casos que a câmara pulpar for mais volumosa pode ocorrer a impressão de “cair no vazio”. ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Forma de contorno ➢Utilizando uma broca tronco cônica com ponta inativa remover cuidadosamente todo o teto da câmara pulpar com movimentos de dentro para fora. ➢Regularizar as paredes, deixando-as retas e sem retenções. ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Desgaste compensatório ➢Ainda com a broca tronco cônica de ponta inativa eliminar a projeção de dentina (desgaste compensatório). ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Forma de conveniência ➢Após a remoção de qualquer interferência na abertura coronária será obtida a forma de conveniência. ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES • Forma de conveniência nos caninos: • O acesso cirúrgico nos caninos é semelhante aos incisivos, porém devido às suas características anatômicas a forma de conveniência será elíptica. ETAPAS OPERATÓRIAS DENTES ANTERIORES ERROS MAIS COMUNS DURANTE A CIRURGIA DE ACESSO ➢Área de eleição do acesso tomada erroneamente ➢Perfuração vestibular ou cervical ➢Formação de degrau ou perfuração de uma face proximal ➢Acesso cirúrgico insuficiente ou inadequado. ERRO NA DIREÇÃO DE TREPANAÇÃO ISOLAMENTO ABSOLUTO APÓS CIRURGIA DE ACESSO ARRUMAR A CASA ARRUMAR A CASA CIRURGIA DE ACESSO EM DENTES POSTERIORES Prof. Leonardo Pimentel Fiori PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA DE ACESSO • Assoalho da câmara pulpar: ➢ Em dentes bi ou tri radiculares o assoalho nunca deverá ser deformado durante o acesso, a fim de não criar dificuldades para a localização e acesso aos canais radiculares, além de evitar perfurações. ETAPAS OPERATÓRIAS PRÉ-MOLARES • Definir o ponto de eleição ➢Centro da face oclusal ETAPAS OPERATÓRIAS PRÉ-MOLARES • Zona de abordagem ➢Com a ponta diamantada esférica perpendicular à face oclusal, iniciar a abertura, até atingir a dentina. ETAPAS OPERATÓRIAS PRÉ-MOLARES • Direção de trepanação ➢Continuar perfurando a dentina, a posição da broca deve ser paralela ao longo eixo do dente em direção radicular até atingir a câmara pulpar. ETAPAS OPERATÓRIAS PRÉ-MOLARES • Forma de contorno ➢É obtida com a remoção do teto da câmara pulpar. ➢Introduzir a broca com ponta inativa cuidadosamente na câmara pulpar e realizar movimentos de dentro para fora no sentido de vestibular a palatino, removendo todo o teto. ➢Preservar as fossetas proximais. ETAPAS OPERATÓRIAS PRÉ-MOLARES • Forma de conveniência ➢Com a broca de ponta inativa, alisar as paredes removendo qualquer resto de dentina ou esmalte que venha a dificultar o livre acesso aos canais. ➢A forma final para os pré molares é elíptica. ETAPAS OPERATÓRIAS PRÉ-MOLARES INFERIORES • O acesso nos pré-molares inferiores é semelhante ao dos pré-molares superiores, porém deve se ter um cuidado especial, pois a câmara pulpar dos inferiores possui um projeção mais para a face vestibular. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES SUPERIORES • Ponto de eleição ➢Face oclusal: fosseta central mesial ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES SUPERIORES • Zona de abordagem ➢Com uma broca esférica diamantada iniciar a abertura até ultrapassar o esmalte. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES SUPERIORES • Direção de trepanação ➢Com a broca esférica ligeiramente inclinada para a palatina, fazer a penetração na dentina, até atingir o canal palatino. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES SUPERIORES • Forma de contorno ➢Ainda com a broca diamantada esférica proceder a remoção do teto da câmara pulpar em direção à cúspide mésio-vestibular, onde está localizado o canal MV. ➢Com uma broca com ponta inativa, proceder a remoção do teto no sentido distal, para encontrar o canal DV. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES SUPERIORES • Forma de conveniência ➢O desgaste compensatório deve ser realizado com broca com ponta inativa, removendo qualquer interferência ou projeções de dentina. ➢O forma final é triangular. Os canais MV e DV formam a base e o P, o vértice. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES INFERIORES • Ponto de eleição ➢Na intersecção dos sulcos MD e VL. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES INFERIORES • Zona de abordagem ➢Com uma broca esférica diamantada perpendicular à face oclusal, iniciar a penetração no esmalte. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES INFERIORES • Direção de trepanação • Após ultrapassar o esmalte inclinar ligeiramente a broca em direção à distal, até atingir o canal D. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES INFERIORES • Forma de contorno ➢Proceder a remoção do teto da cavidade, a partir do canal distal, em direção à cúspide MV. ➢Depois, direcionar para a lingual, onde estará localizado o canal ML. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES INFERIORES • Forma de conveniência ➢Com a sonda exploradora modificada, localizar a entrada dos canais. ➢Com a broca de ponta inativa (endo Z ou 3082) remover qualquer interferência de dentina. ETAPAS OPERATÓRIAS MOLARES INFERIORES • Forma de conveniência ➢A forma final nos molares inferiores será triangular ou trapezoidal. REFERÊNCIAS • Pereira, LOPES, H. Endodontia - Biologia e Técnica. Grupo GEN, 2020. • Estrela, Carlos. Endodontia Laboratorial e Clínica. Grupo A, 2013. • Filho, Francisco José de S. Endodontia Passo a Passo. Grupo A, 2015. • Prado, Maíra Do, e Nedi Soledade Rocha Endodontia - Princípios para Prática Clínica. MedBook Editora, 2017. OBRIGADO!