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Os quatro pilares da Educação Aprender a conhecer Em meio a um contexto histórico e social de constantes incertezas e mudanças, é necessário aprender novamente, de um outro jeito, e lidar com o novo. E isso nem sempre é tarefa fácil: muitas vezes surge o ímpeto de desistir antes mesmo de tentar. Julgamos que não vale a pena gastar tempo aprendendo algo novo, algo que não sabemos ao certo se fará diferença no futuro. Mas vale! Aprender a aprender é uma habilidade importante para todas as pessoas: é a capacidade de descobrir quais movimentos são necessários para que as transformações desejadas aconteçam. Ao propor as recomendações para a Educação do século XXI, Delors (2012) enaltece que a educação permanente ao longo da vida é a chave para o século XXI, e reforça que isso requer uma sociedade educativa, na qual haja abertura e oportunidades de aprendizagem para todos em todos os lugares e em cada etapa da vida. Dentre os objetivos dessa educação, que considera o papel crucial dos meios sociais e culturais, está a possibilidade de “dar respostas à sede de conhecimento, de beleza ou de superação de si mesmo; ou, ainda, de aprimorar e ampliar as formações estritamente associadas às exigências da vida profissional, incluindo as formações práticas” (DELORS, 2012, p. 32). Nessa perspectiva, um dos maiores desafios das instituições de Educação Infantil é estimular o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem capazes de estimular capacidades e habilidades que instrumentalizem a criança desde os primeiros meses de vida para aprender a conhecer (FRIEDMANN, 2011). Apesar da aparente complexidade desta tarefa, os profissionais da educação não precisam aprender a revolucionar o mundo, mas a saber aprender, o que envolve o exercício da atenção, da memória, do pensamento crítico e de uma postura de curiosidade diante dos desafios encontrados durante toda sua trajetória. Antunes (2008) afirma que todas as crianças podem ter as diversas habilidades desenvolvidas. Para isso, é necessário que, a partir dos recursos disponíveis, sejam utilizados esquemas de aprendizagem eficientes e significativos, e que os agentes estimuladores (educadores, famílias e comunidade) estejam instrumentalizados para que as necessidades infantis individuais sejam observadas e acolhidas nos projetos de estimulação. Desse modo, o autor propõe uma “caixa de ferramentas do educador estimulador”, composta principalmente pelo que compreendemos como alguns dos alicerces do aprender a aprender: · Mente aberta: humildade para perceber-se em constante formação; · Sensibilidade e prazer em se relacionar com o outro e ser uma ponte entre o que a criança já sabe e os novos conhecimentos; · Curiosidade, entusiasmo e ousadia: não há limites para o aprender, sempre é momento de estudar; · Senso crítico: aceitar suas limitações, rever procedimentos e reinventar-se com base nas novas descobertas; · Organização: registrar em diários de campo as descobertas do cotidiano (o melhor cenário de pesquisa); · Serenidade perante as limitações materiais e contextuais.