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GUIA DE E-COMMERCE ABRADi UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Edição 2022 G U IA D E E- C O M M ER C E A B R A D i U M N O VO G U IA P A R A U M N O VO M O M EN TO Edição 2022 Realização Produção e organização Apoio Patrocinadores AB_Guia_eCommerce22_Capa.pdf 1 09/03/22 18:25 5 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 4 Palavra do Presidente O E-commerce está na história da ABRADi desde sempre, seja por meio dos profissionais que integraram e integram a entidade, dos materiais já produzidos, das parcerias com players especializados e de todo o aculturamento promovido há anos pela associação neste tema. Social Commerce, Live Commerce, Jornada do Consumidor e Cultura Omnichannel estão entre os novos conceitos do velho e bom e-commerce. Esse amadurecimento tem como foco comum o olhar centrado no consumidor, durante toda a sua jornada, enquanto a marca anunciante, precisa demonstrar capacidade de inovação e dar celeridade ao atendimento. Para apresentar esse cenário, acelerado também pelo período da pandemia, encorajamos nossos associados a ler o novo Guia de E-commerce da ABRADi que chega nesse momento de transformação para ser referência e para auxiliar desde o pequeno até ao grande agente digital que atua com e-commerce. O Guia é tão completo que transcende os formatos tradicionais de e-books, tendo também um site complementar e interativo possibilitando a navegação por capítulos e buscas específicas. O material conta com mais de 40 autores especialistas que abordaram o e-commerce de A a Z, os quais somos gratos. Agradecemos também, o Comitê de E-commerce da ABRADi que, após um ano de trabalho árduo, tornou esse produto disponível a todo mercado digital brasileiro. Aproveitem o conteúdo! *Pesquisa Censo Agências 2022 Carolina Morales Presidente da ABRADi 7 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 6 Um grande momento para o E-Commerce! O lançamento do Guia de E-Commerce ABRADi coincide com um dos períodos mais importantes para o comércio eletrônico que, sem dúvidas, é hoje o eixo do processo de transformação digital da sociedade. O ecossistema dessa área aumentou de forma significativa nos últimos anos, o que era esperado, uma vez que as soluções tecnológicas e os serviços multiplicaram-se para atender um consumidor cada dia mais exigente e mais conectado. É fato, também, que os profissionais brasileiros estão na vanguarda do e-commerce mundial. Os desafios impostos pelo Brasil, como a complexidade logística e tributária, aliada a uma economia informal em transformação, foram capazes de criar profissionais e empresas que se destacam mundialmente. Os avanços devem continuar acelerados nos próximos anos, vide as discussões sobre as possiblidades para o setor no metaverso. A expansão do e-commerce em todo o mundo aumenta a pressão sobre as empresas, até porque estamos bem distantes daquele cenário no qual cobrava-se das operações a criação de uma “lojinha virtual”. O jogo mudou. Estamos definitivamente na era da omnicanalidade e, mais do que oferecer diferentes canais, o desafio é integrar as operações, de forma a acompanhar a jornada de compra não linear do consumidor. Esse ambiente mais complexo tem exigido bastante dos gestores, obrigados a todo o momento a rever suas estratégias para oferecer a melhor experiência possível ao cliente. O Guia foi desenvolvido com o objetivo de clarear o processo e mostrar a importância de todas as etapas do e-commerce brasileiro. Produzimos um conteúdo de altíssimo nível para analisar as diferentes frentes do e-commerce e detalhar as iniciativas mais adequadas para quem deseja alcançar o “estado da arte” no comércio eletrônico. 9 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 8 O resultado só foi possível porque conseguimos reunir profissionais que estão na linha de frente do e-commerce no Brasil. Como se pode imaginar, não foi fácil orquestrar a contribuição de um grupo tão qualificado. Mas o esforço valeu a pena. Cada um dos capítulos produzidos a partir da colaboração desses profissionais traz conteúdos orientados para ajudar a planejar e executar as melhores estratégias para os negócios online. Cumprimos, assim, com o objetivo do trabalho associativo: atuar em prol do desenvolvimento do mercado como um todo e do protagonismo do profissional digital na evolução da sociedade. No meu caso, foi um privilégio liderar o Comitê de E-commerce da ABRADi e trabalhar na organização do Guia, além de contribuir com a elaboração do conteúdo. A troca de informações e o compartilhamento de conhecimento é algo que nos faz crescer pessoal e profissionalmente. Não poderia deixar de agradecer ao apoio do time da ABRADi e, em especial, aos nossos mais de 40 autores que aceitaram o convite para contribuir com o conteúdo em 15 capítulos. Preciso registrar também a importância da participação do Hygor Roque que, além de contribuir com o seu conhecimento sobre a área, topou o desafio e ajudou a mobilizar os colaboradores. Gostaria ainda de aproveitar a ocasião para homenagear o Roberto Calderon e o Thiago Sarraf que me antecederam na liderança do Comitê de E-Commerce e que foram responsáveis pelas outras edições do Guia de e-Commerce ABRADi. Neste momento, no qual temos certeza de que o e-commerce ainda vai crescer muito, precisamos investir na capacitação técnica do setor. É a partir daí que veremos este segmento contribuindo cada vez mais para o desenvolvimento da nossa economia. Boa leitura e, claro, aprendizados! Gustavo ChapChap Líder do Comitê de e-Commerce da ABRADi 11 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 10 Reconhecimento A ABRADi está lançando a terceira edição do Guia de E-commerce, sendo a primeira em 2018 e é uma honra fazer parte de todo esse processo e colaborar com um documento tão importante para a ABRADi e para o mercado. O Guia de E-commerce nasceu na ABRADi-SP, sempre liderado pelo Comitê de E-commerce. Sabemos que este assunto é um viés que está em alta, e temos cada vez mais empresas participando do ecossistema, como: agências, meios de pagamento, ferramentas de avaliação, sistemas de gestão, ferramentas de recuperação de boleto, ferramentas de mídia etc, muitos deles associados ou parceiros da ABRADi. O papel da ABRADi como associação é auxiliar para que essa comunidade tenha cada dia mais uma maior expressão política, social, econômica e ambiental. Deixo aqui um muito obrigado a cada associado por se envolver, participar deste projeto, é por esta e outras uniões e cooperações que conseguimos alcançar nossos objetivos comuns. A todos aos autores, grandes profissionais do mercado e destaques do e-commerce brasileiro, que dedicaram seu tempo por participar de algo que irá gerar grandes frutos, servindo como base para muitas empresas. Aos apoiadores, em especial ao Digitalks, E-commerce Brasil que sempre estiveram lado a lado conosco. E a toda equipe da ABRADi Regional São Paulo, responsável pela organização do evento de lançamento. A troca de informações, conhecimento e experiências, abrem novos caminhos, amplia horizontes e contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional de todos os envolvidos no processo. Rodrigo de Oliveira Neves Presidente da ABRADi Regional São Paulo 13 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 12 Sobre os Autores Gustavo Chapchap – JET Hygor Roque – StarEcom Aline Ferreira – FICO André Santos – Mercado Livre Angelo Vicente – Selia Full Commerce Bruna Rodrigues – Conversion Bruno Kerber – Lexos Caio Comerlato – Tiny ERP Cleber Piçarro – Nerus S/A Diego Ivo – Conversion Edilene Loiola – Soulog Edmee Moreira – Semantix Brasil Elisangela Peña Munhoz – ComSchool Elvis Gomes – Painel10 Eduardo Oliveira – F1 Commerce Fabiane Nitsche – Morais Andrade Advogados Fabio Fialho – Infracommerce Felipe Beraldo – Ciclo – Inteligência em E-commerce Felipe Macedo – Corebiz Fernando Mansano – ComEcomm Gustavo de Paula – ClearSale Helenice Moura – A Liga Digital Igor Simas – Agência f.up Karina Portugal – Feedzai Leandro Gorzoni – Yooper Digital Marketing Luiz Tardelli – GETBOTS Lygia Maria Moreno Molina Henrique – Morais Andrade Advogados Marcelo Chiavassa de Mello Paula Lima – Morais Andrade Advogados Marcelo Roque – Preço Certo Mariana Castriota – Magazine Luiza Mateus Toledo – MT Soluções Maurici Junior – ComSchool Raphael Ferrari – Sanders Digital Renan Mota – Corebiz Rodolfo Helmbrecht – ANYMARKET Rodrigo Amaral – JET Rodrigo Augusto – SERI.E DESIGN Rodrigo Maruxo – Maruxo Consultoria & Treinamento Samuel Gonsales – E-commerce Brasil Tatiane Souza – Mercado Pago Vitor Morais de Andrade – Morais Andrade Advogados 1 MODELOSDE NEGÓCIOS Os diferenciais de cada modelo 1. B2C 2. B2B 3. D2C 4. B2B2C 5. C2C 6. Social Commerce 6. Live Commerce Dica do especialista 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 16 17 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Modelos de Negócios Ao decidir estruturar um e-commerce, a empresa pode optar por diversos modelos de negócios: B2B, B2C, B2B2C, D2C, C2C e marketplace. Qual deles é o mais promissor? Todos estão amadurecendo e serão excelentes opções para os estrategistas encaixarem em seus projetos futuros. É importante ressaltar que não tem um melhor ou pior. Cada um é útil, conforme a necessidade estratégica de cada empresa e o quanto ela se habilita para usufruir de cada um com máxima performance. A recomendação, então, é sempre avaliar, dentro das estratégias comerciais e das experiências que deseja levar a seus clientes, quais são os mais promissores para seu negócio. Para tomar a decisão, tenha em mente que o ponto de partida de qualquer modelagem de negócio é o cliente. É preciso entender qual a dor que nos dispomos a sanar na vida do nosso público e, a partir daí, identificar como podemos entregar essa solução para ele. Um grande erro que cometem os estrategistas é tentar impor um modelo ao cliente, sem considerá-lo na decisão, gerando riscos que poderiam ser facilmente evitados. A ideia é sempre pensar nele e no que ele verá valor, construindo assim uma proposta de valor sólida, sustentada por um modelo aderente ao que ele realmente precisa. Isso bem compreendido, aí ajustamos nosso negócio para ser sustentável neste modelo e o revisitamos continuamente, identificando o quanto as necessidades do cliente seguem sendo bem atendidas, fazendo melhorias e ajustes de rota que garantam a longevidade em nosso negócio. 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 18 19 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Os diferenciais de cada modelo de negócios 1. B2C Modelo mais conhecido e popular no Brasil, mas também em todo mundo, o Business to Consumer (B2C), ou Empresa para Consumidor, é quando uma operação devidamente estabelecida realiza transações comerciais de produtos e serviços para o consumidor final via internet, sem qualquer intermediário. Quando você (pessoa física) entra em uma loja virtual e realiza uma compra de um telefone celular, uma roupa, um alimento, ou algum outro produto, você está utilizando o modelo de negócio B2C. Apesar de popular, ainda temos muito espaço para o crescimento das empresas já estabelecidas nesta modalidade, mas também da entrada de novas empresas e o fortalecimento de regiões do país que podem ser mais protagonistas nas vendas e não apenas no consumo online. 2. B2B Business to Business (B2B), ou Empresa para Empresa. Esse modelo já tem empresas que se destacam pois investiram nisso há alguns anos. No entanto, o amadurecimento do B2B precisou passar por uma mudança de cultura das organizações. E, neste caso, foi importante o processo de digitalização dos negócios, além INDÚSTRIA IMPORTADOR DISTRIBUIDOR ATACADISTA VAREJISTA 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 20 21 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO das próprias pessoas envolvidas nessas relações comerciais, como vendedores e compradores, que passaram a conviver mais com o uso da tecnologia nas suas vidas profissionais e pessoais, o que os tornou mais receptivos à adoção de novas plataformas de compra e venda pela internet. Hoje este modelo tem recebido uma grande atenção e temos visto o surgimento de diversos tipos de negócios e plataformas de nichos utilizando B2B. E não apenas como mais uma startup. Muitas operações estão passando pelo desenvolvimento do MVP (Produto Mínimo Viável), testando, colhendo feedbacks e ajustando. Com certeza será um dos modelos mais promissores e com grande movimentação financeira. 3. D2C Essa sigla, como todas as demais, vem do inglês e significa Direct to Consumer (Direto ao Consumidor). É utilizada pela indústria que vende produtos direto para o consumidor final. Normalmente a indústria está habituada a fazer o Business to Business e a sua revenda, outra empresa, responde pelo Business to Consumer, viabilizando o contato com o consumidor final. A opção da indústria pelo D2C é baseada em diversos motivos, como a necessidade de ter mais informações de consumidores finais por meio do seu próprio canal de B2C. Outro fator importante é a possibilidade de eliminar intermediários e de habilitar todo seu mix de produtos para o mercado, visto que raramente uma revenda compra um bom mix da mesma indústria. INDÚSTRIA IMPORTADOR DISTRIBUIDOR ATACADISTA VAREJISTA CONSUMIDOR 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 22 23 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Tornar os produtos mais conhecidos, proporcionar uma experiência de compras com mais valor agregado e criar um parâmetro de preço ao consumidor final e para suas revendas são outras razões que podem levar a indústria para o D2C. O fato é que muitas tomaram gosto por essa modalidade, seja qual for o objetivo delas, e algumas não pretendem fazer isso. Neste caso, a decisão pode ser tomada para não fragilizar a relação com os clientes B2B, por questões logísticas ou pelo modelo de negócio delas. 4. B2B2C Aqui a sigla ficou maior, mas é simples de compreender. Business to Business to Consumer (B2B2C) ou Empresa para Empresa para o Consumidor, trata-se de uma relação comercial na qual empresas se unem visando a venda para o consumidor final. Neste caso, o pedido entra via os canais da indústria, mas ela repassa este lead para um distribuidor ou para um varejista. São essas empresas que farão a entrega final para o consumidor do produto. Esse modelo tem-se mostrado bastante adequado, principalmente, para produtos que requerem algum tipo de serviço. Por exemplo, fabricantes de aquecedor de gás ou de equipamentos para piscina. Nessas situações, é complicado para a indústria fazer a venda direta, uma vez que precisaria ter toda uma estrutura para fornecer o serviço necessário para a instalação. Ocorre que, no dia a dia, muitos consumidores podem chegar diretamente na indústria e se ela não contar com o B2C, corre o risco de perder aquela venda. INDÚSTRIA DISTRIBUIDOR VAREJISTA CONSUMIDOR 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 24 25 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO No modelo B2B2C, essa questão fica resolvida e oferece muitas vantagens tanto para a indústria como para o distribuidor e/ou varejista. Para a indústria, significa que ela consegue fechar a venda com o lead que a procurou, justamente em função da força da sua marca. E, ao fazer esse direcionamento da venda, ela amplia a sua capacidade de atendimento do mercado. Ou seja, consegue usar a força dessa rede de distribuição para aumentar a sua capilaridade. Os “parceiros”, no caso, têm uma venda garantida, praticamente sem precisar investir no CAC - Custo de Aquisição de Cliente. O desafio neste tipo de e-commerce é fazer uma gestão de estoque integrada. A indústria, para repassar o pedido, precisa ter a garantia de que aquela empresa tem o produto para a entrega. 5. C2C O Consumer to Consumer (C2C) é quando um consumidor vende para outro consumidor final e normalmente está relacionado à venda de produtos usados ou nunca utilizados mas que o proprietário deseja vender, o popular “desapegar”. É importante observar que qualquer relação comercial de produtos novos precisa ter um documento fiscal, por isso, é importante guardar a nota fiscal daquele telefone celular ou notebook que você utiliza hoje e amanhã poderá querer vender. Com isso, não corre o risco de cair numa fiscalização e ter o produto apreendido por suspeita de origem ilícita da mercadoria. Outro ponto importante é que nesse tipo de relação comercial não é previsto um ágio ou lucro, pois neste caso teria que ter os recolhimentos tributários relacionados, conforme a legislação preconiza. O C2C está em evidência e com um grande potencial de crescimento porque tem relação com consumo e produção responsável e consciente, que é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de uma coleção de 17 metas globais, estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 26 27 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Você ajuda alguém a comprar algo que ainda está em bom estado para uso/consumo, pagando menos do que um item novo e causa menor impacto no planeta. Além disso, gera uma grana extra para a pessoa que vendeu, ajudando a desembolsar menos recursos para uma outra aquisição, e uma economia para quem comprou. 6. Social Commerce O Social Commerce é o uso das redes sociais para a realização de uma transação comercial nesse ambiente. Nos últimos anos experimentamos inúmeros modelos que não decolaram, mas por ter um enorme potencial, ninguém desistiu, muito pelo contrário, cada vez mais empresas têm investido cifras gigantescas para acertar um modelo que caia no gosto dos consumidores. Não dá para negar o poder das redes sociais e o impacto delas nas nossas vidas. E, com o advento da pandemia do COVID-19, essas redes foram bastante procuradas pelas empresas, principalmente por aquelas que não possuíam um canal próprio de vendas online ou que não eram tão bem posicionadas no digital. Assim, o que era algo promissor virou essencial para as empresas participarem da jornada dos seus clientes até o produto. A proposta é utilizar as redes sociais para impactá-los em diferentes momentos, desde um post, um comentário, uma avaliação ou até mesmo uma compra efetivada no próprio ambiente dessas plataformas sociais, como WhatsApp, Instagram, Facebook e Pinterest. Vale lembrar que muitas vezes o cliente não precisa concluir a compra ali na plataforma social. O principal é imaginar o funil de compras e participar da jornada desse cliente até a conclusão do pedido. Hoje, indubitavelmente, temos o WhatsApp como o grande protagonista e alavancador de transações comerciais no ambiente social, pela ampla rede de usuários, simplicidade de uso e forma direta de se relacionar. Além disso, houve o surgimento de diversas plataformas que facilitaram, ajudaram a organizar e a escalar a forma de as empresas se comunicarem com seus clientes e de venderem 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 28 29 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO por meio desse canal. Facebook e Instagram também são fortes nesse ambiente e estão investindo pesado para participar de forma ativa da jornada de compra de seus usuários e, assim, alavancar muito mais transações comerciais diretamente em suas plataformas. Esses são exemplos dos principais protagonistas do social commerce, mas a todo momento surgem novas redes sociais ou outras que já existiam passam a se destacar, então, o importante é estar atento e de mente aberta para conhecer mais desses ambientes e oportunidades. 7. Live Commerce O precursor dessa modalidade, ou pelo menos que revolucionou a forma de fazer e trouxe grande notoriedade de visibilidade e de vendas, foi o Alibaba, da China. A operação fez grandes produções artísticas e verdadeiros shows que, além de trazer uma enorme audiência, geraram bilhões de dólares de faturamento ao vivo. No Brasil, grandes varejistas online utilizaram esse modelo, principalmente na Black Friday. O Live Commerce, também conhecido como Live Stream Shopping ou Shopstreaming, trata-se de uma transmissão de vídeo ao vivo por meio das redes sociais ou plataformas especializadas. O modelo acabou viabilizando a junção entre o melhor das tradicionais lives das redes sociais e as programações de TVs com foco em apresentações de produtos e vendas, caso de Shoptime e Polishop. Em muitos casos, envolve também a pegada de influenciadores digitais ou mesmo de grandes artistas. Essa modalidade é muito importante e deve ser explorada pelas empresas, uma vez que, quando bem-feitas, engaja muito o público, trazendo grande interação entre apresentadores e seguidores, ajustando expectativa e realidade em tempo real, para assim atingir os objetivos de vendas. “Mas então não tenho como fazer, pois não tenho condições de contratar um artista famoso ou um influenciador digital”. Temos ouvido muito isso, mas não é bem por aí a história, porque essa é uma modalidade totalmente democrática. O empreendedor ou um colaborador que se dispõe a fazer o papel de apresentador acaba se transformando num 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 30 31 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO influenciador, afinal, nós não acabamos fazendo isso num atendimento a um cliente para vender na loja física? Pois é isso que precisamos pensar em fazer, só que de forma online, com alguns ingredientes extras e muita criatividade. O resultado pode ser ainda melhor se a empresa fizer, por exemplo, parcerias com outras operações; realizar sorteios de produtos e serviços ao longo da transmissão para manter a audiência sempre ativa, atenta e vibrante; e ter grandes promoções ou lançamentos exclusivos para quem estiver na transmissão. Mas se quiser causar uma expectativa ainda maior (e tiver alguma verba para isso), traga uma celebridade, um influenciador digital ou mesmo um pequeno influenciador da sua região que possa ajudar a trazer uma audiência qualificada e ajudar a manter os espectadores durante o máximo de tempo possível na transmissão, além de colaborar para convencer os clientes a comprarem. E o cenário? Pode ser um estúdio, uma praia, uma megaprodução ou mesmo na sua empresa, mostrando o ambiente real do seu negócio. Aliás, foi este último ambiente que possibilitou a popularização da live commerce. Mas, atenção, porque seus produtos, tráfegos de pessoas, qualidade da produção (ambiente/cenário, câmeras, áudio, iluminação etc.), apresentadores e influenciadores devem ser bem planejados e condizentes com a empresa e o público-alvo. Ou seja, não tem desculpa para não fazer. Precisa começar e ir melhorando cada vez mais e conforme a realidade de recursos humanos e financeiros de cada empresa. 1. M O D EL O S D E N EG Ó C IO 32 33 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO da organização. Além da questão cultural, para reduzir conflitos é essencial desenhar benefícios tangíveis para cada time que atuará agora pensando omni, gerando valor real para as equipes. Por exemplo: um time de loja física que ganha comissão sobre vendas vai se sentir naturalmente motivado a apresentar outros canais de vendas, como o e-commerce, quando entender que isso também gera impacto em sua remuneração ou em alguma outra forma de reconhecimento da empresa sobre o seu trabalho. É preciso, assim, pensar em incentivos tangíveis para que cada um veja valor e flua junto com o processo de transformação cultural. Responsáveis pelo conteúdo: Rodrigo Maruxo Como as marcas conseguem trabalhar diversos modelos de negócio na omnicanalidade? Essencialmente, tudo é integração. É preciso ter claro cada macroprocesso dos modelos escolhidos e prever a integração sistêmica e operacional entre os canais, garantindo que as pessoas que fazem tudo acontecer tenham claro o caminho a percorrer e tenham as ferramentas preparadas para apoiar o desenvolvimento do seu trabalho. Como as marcas podem reduzir o conflito entre canais? Pensar omni envolve, acima de tudo, uma transformação da cultura empresarial. E cultura é o jeito como as pessoas agem dentro da empresa que, talvez, não estejam adequadas ao pensamento de total integração entre os canais. Pensar omni envolve abrir horizontes e amplificar a visão do todo. Muitas vezes, ela está limitada ao canal no qual a pessoa atua dentro Dica do Especialista Fernando Mansano Rodrigo Maruxo abradinacional abradi_nacional 2 PLANEJAMENTO 1. Gestão Formação dos times Consultorias e agências Comunicação 2. Planejamento Financeiro Precificação Tributação Custos da compra/confecção Custos da mercadoria Capital de giro Margem de contribuição Faturamento Dica do especialista 2. P LA N EJ A M EN TO 36 37 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Planejamento Num ambiente dinâmico como o do e-commerce, é praticamente impossível ter um negócio de sucesso sem cuidar de forma adequada do planejamento estratégico. Como veremos neste capítulo, no entanto, o planejamento precisa contemplar as diversas frentes da operação. Para facilitar, dividimos o conteúdo em três eixos centrais: 1. Gestão. 2. Comunicação e 3. Financeiro. 1. Gestão O primeiro aspecto a ser considerado é a contratação de um gestor para o e-commerce. E, neste caso, é importante mapear habilidades que vão muito além da parte técnica. Um bom gestor de e-commerce tem acima de tudo a habilidade de se reinventar e de manter-se antenado às mudanças. Em um mercado em constante evolução, esse profissional precisa ter um perfil híbrido, dominar as principais ferramentas, mas entender que tão rápido quanto surgem as novas ondas da internet, elas passam e a estratégia deve sobreviver. A única habilidade inegociável na contratação de um bom gestor de e-commerce é a gestão de pessoas. Grande parte do conhecimento necessário para impulsionar uma operação está compartimentada entre diferentes áreas que vão de negócios à performance, passando por programação e estoque. Entender de pessoas e ter a capacidade de extrair o melhor do time é o principal desafio de um gestor de e-commerce. Com um olho em pessoas e o outro em dados, o desempenho de um bom gestor de e-commerce está diretamente relacionado à forma como ele controla os dados de sua operação. Transformar dados em informação para tomada de decisão em tempo real é a chave. Respostas à perguntas-chave do negócio devem estar na 2. P LA N EJ A M EN TO 38 39 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO ponta da língua deste gestor: • qual é o SLA de expedição? • qual o CAC - custo de aquisição de clientes? • qual é o LTV - life time value? Na parte técnica, é prioritário dominar gestão de tráfego orgânico, tráfego pago e inbound marketing. São grandes diferenciais que impactam diretamente nos resultados de vendas e na lucratividade de uma operação de e-commerce. Formação dos times A estrutura é pequena porque vende pouco, ou vende pouco porque a estrutura é pequena? Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares. O time ideal varia de acordo com a estratégia de ramp-up, quando a expectativa de crescimento é agressiva e o custo de oportunidade alto. A operação de e-commerce deve ter um time robusto que contemple as áreas de tecnologia, mídia de performance, BI, SAC, SEO e gestão de marketplaces. De forma detalhada uma operação robusta necessita de pelo menos 1 pessoa ocupando as funções abaixo: • Profissional de tecnologia: olha para a estabilidade da plataforma, realiza testes de UX e otimiza a experiência de navegação e compra do usuário. • Profissional de mídia performance: acompanha o funil de vendas, realiza testes A/B, faz micro segmentações de audiência, cria e otimiza estratégias de mídia retargeting, cookie pool e carrinho abandonado. • Profissional de BI: monitora os principais indicadores da operação, gera insights e realiza análises complexas que determinam estratégias de precificação e promoção. • Profissional de SAC: não atua somente no atendimento a clientes, mas monitora SLA de entrega e, de forma proativa, evita potenciais crises ao posicionar o consumidor sobre eventuais imprevistos de faturamento, expedição e logística. • Profissional de SEO: um bom profissional de SEO ajuda a diminuir a dependência de mídia paga em médio e longo 2. P LA N EJ A M EN TO 40 41 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO prazo e cria estratégias que possibilitam abrir novos canais de aquisição de clientes. Uma vez que os custos com mídia paga sobem todos os meses, e sofrem hiperinflação nas datas mais importantes para o e-commerce, ter um profissional de SEO é vital para equilibrar o custo de aquisição de clientes. • Profissional de gestão de marketplaces: atento às datas especiais criadas pelos marketplaces, esse profissional monitora as oportunidades e cria campanhas específicas com estratégias de divulgação segmentadas de acordo com o perfil de público de cada marketplace. Consultorias e agências O papel da consultoria é reduzir o custo de aprendizado. Geralmente os consultores têm muita bagagem em diferentes perfis de operação e sabem os desafios de colocar em prática projetos complexos. Assim, uma boa consultoria acelera os processos de transformação digital em negócios tradicionais, como varejo offline, indústria ou serviço. Ela também auxilia na capacitação dos executivos e reduz os riscos nas tomadas de decisão. Em uma era na qual a experiência do cliente está no centro do negócio e a inovação pautada por grandes players como Amazon, Amaro e Farfetch é commodity, não existe espaço para erros. Nesta mesma linha, é importante que o e-commerce seja assessorado por uma boa agência de marketing desde o momento 0, pois ela será o principal motor do crescimento do negócio, junto com a estrutura e a infraestrutura. O sucesso de uma operação de e-commerce nasce no DRE, demonstrativo de resultados e passa pela criação de uma máquina de vendas eficaz criada, otimizada e impulsionada pela agência de marketing. 1. Comunicação Planejamento é sempre o primeiro e mais importante passo em qualquer estratégia de comunicação. Neste sentido, alguns critérios devem ser observados com atenção. Objetivo É preciso ter bem claro qual o objetivo da comunicação: 2. P LA N EJ A M EN TO 42 43 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO vender mais, gerar mais leads, aumentar engajamento? Independentemente do objetivo, é necessário ter bem claro onde a loja quer chegar. A dica aqui é traçar objetivos de forma eficaz para que o processo não se perca pelo caminho. Uma forma interessante é desenhar o que é conhecido como meta SMART, uma sigla para objetivos que sejam Specific (Específico); Measurable (Mensurável); Attainable (Atingível); Relevant (Relevante) e Time based (temporal). Persona Diferentemente da publicidade tradicional, na qual as marcas falam com público-alvo, no marketing digital é necessário estabelecer personas, que nada mais são do que a definição do consumidor ideal. Nesse processo, o nível de detalhamento sobre um possível comprador é muito maior, o que permite criar desdobramentos de comunicação, como tom de voz, frequência de publicação de conteúdo e melhores canais para divulgação, além de melhores dias e horários. Métricas e monitoramento Mesmo antes de subir a primeira campanha, é importante definir quais as métricas que deverão ser acompanhadas. As métricas são os indicadores de performance de todas as ações de marketing digital. De nada adianta gerar um volume alto de cliques em um anúncio se não for possível analisar essa informação de maneira criteriosa. Da mesma forma, saber quais páginas que foram mais visitadas não vai levar o lojista a lugar nenhum se os dados não forem usados de maneira estratégica. A definição das métricas está diretamente ligada aos objetivos da comunicação. Dentre vários indicadores, há os que se destacam, independentemente do tipo de objetivo. Alguns deles são: CAC (Custo de aquisição de clientes), ROAS (Return On Ads Spent, ou retorno sobre investimento em anúncios) e CLV (Customer Lifetime Value, ou tempo de permanência do cliente na empresa). Equipe Quando o assunto é gestão de marketing para e-commerce, é importante entender que, independentemente do formato de trabalho, seja interno ou externo, é necessário ter 2. P LA N EJ A M EN TO 44 45 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO profissionais especializados no assunto. Lojas virtuais que fazem uso de mão de obra não qualificada quase sempre acabam obtendo resultados muito ruins. Existem dois possíveis cenários para uma loja virtual: equipe própria ou agência. Para montar uma equipe própria, é necessário pensar em uma estrutura em posições bem definidas. Um modelo simples prevê 5 colaboradores: • Uma pessoa na função de gerente para a equipe; • Uma pessoa de Mídia (responsável pelas campanhas de gestão de tráfego com foco em performance); • Um Social Media (responsável pela gestão de comunidades e criação de conteúdos nas redes sociais); • Um Redator (focado na produção de textos para inbound e suporte de conteúdo para a equipe) e • Uma pessoa Especialista em SEO (orientada para geração de tráfego orgânico). Outra forma de fazer a gestão das campanhas é contratando uma empresa especializada. Há diversas agências de marketing digital focadas em performance, com times multidisciplinares e especialistas em cada assunto. Utilizar os serviços de uma agência pode fazer sentido para o lojista que não consegue contratar mão de obra qualificada ou ainda quer ter a liberdade para mudar de estratégia, trocando de equipe ou de prestador de serviço mais rapidamente. Canais de aquisição Uma das questões centrais do planejamento são as ações relacionadas aos canais de comunicação que serão empregados pelo e-commerce. A tomada de decisão, neste caso, dependerá de alguns fatores. O primeiro passo é avaliar se já existe algum volume de buscas pela marca, se já existem palavras ranqueadas no Google de forma orgânica. De forma geral, contudo, campanhas de mídia bem executadas no Google e no Facebook podem ser um ótimo começo. 2. P LA N EJ A M EN TO 46 47 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Vamos entender melhor a força desses canais: Google Ads. Apresenta uma das melhores relações entre resultados e investimento. Isso porque o usuário que busca algum produto no Google já está “decidido” a comprar. A intenção de compra é alta e a chance de conversão é muito maior. É mais fácil converter uma pessoa que está procurando por algo do que uma que ainda não estava pensando sobre o assunto/produto. Fica a dica: campanhas de Google Shopping tendem a ter um resultado muito positivo para clientes de e-commerce. Mas atenção, porque se você vende uma mercadoria de alto valor agregado (produtos de luxo, roupas de grife, jóias etc.) talvez essa não seja a melhor estratégia, uma vez que não temos como diferenciar a pessoa que está buscando no Google. Vamos a um exemplo: se você vende uma camisa branca de marca, com um ticket de R$ 1.000, fazer anúncio no Google Shopping pode não ser muito efetivo, uma vez que as pessoas podem estar procurando por camisetas brancas de R$ 50,00. Face Ads. Ótima estratégia para atingir pessoas que ainda não estão buscando os produtos, ou seja, que podem ser impactadas por algo que elas ainda não têm o desejo, mas que, de acordo com suas preferências e comportamentos prévios, podem vir a comprar o seu produto. Nesse caso, é extremamente importante conseguir acionar o desejo das pessoas pelo seu produto. Reside neste aspecto a importância de ter um bom criativo, pois a forma de abordar o cliente neste momento pode fazer toda a diferença. Campanhas de marca x campanhas de conversão Ao elaborar o planejamento, uma das questões que precisam ser consideradas é como equilibrar o investimento na marca e nas campanhas de conversão, focando em performance. Antes de começar a falar sobre esse tema, no entanto, é importante deixar um ponto claro: fazer campanhas para empresas que possuem poder de marca é muito mais fácil do que fazer para empresas que não têm. 2. P LA N EJ A M EN TO 48 49 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Portanto, a dica, como já citamos, é começar entendendo se existe um volume de busca interessante pela sua marca. Ferramentas gratuitas do Google podem ajudar nessa tarefa. Se você está lançando uma marca nova (uma de roupas, por exemplo), o desafio vai ser um pouco maior, uma vez que as pessoas ainda não conhecem os valores da sua marca e também não sabem os benefícios que podem ter em comprar seus produtos. Nesse caso, o primeiro objetivo é fazer com que as pessoas passem a conhecer esses valores e benefícios. Para isso, é interessante gastar um pouco mais de tempo e de investimento em campanhas expondo esses valores para depois colher os frutos da reputação que você construiu. Importante ressaltar que, na internet, não precisamos fazer esse tipo de campanha para milhões de pessoas. Podemos definir quem são as pessoas que possivelmente teriam interesse pela marca e “atacá-las” de forma muito assertiva. Como você deve ter deduzido, não existe uma fórmula de bolo para equilibrar os investimentos em marca e em performance. Mas saiba que sempre será importante investir em marca, porque isso ajuda a potencializar todo o seu funil de vendas. E, se você ainda é um “desconhecido”, com certeza seu esforço deverá ser um pouco maior do que o de uma marca já estabelecida. Indicadores Quem almeja ter um negócio de sucesso não pode abrir mão do monitoramento. Fizemos referência a eles no início do texto, mas vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto. Existem vários indicadores importantes, mas, em linhas gerais, existem três perguntas que precisamos responder para saber se estamos tendo êxito ou não na nossa estratégia de vendas online. São elas: 1. Existem pessoas suficientes dentro da minha loja? Somente para responder a essa pergunta podemos elencar vários KPIs, mas todos eles estão de alguma forma ligados 2. P LA N EJ A M EN TO 50 51 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO ao KPI principal, que é tráfego. Vale neste caso retomar um conceito básico do varejo e que também se aplica ao e-commerce: loja vazia não vende. Então, avaliar e mensurar todos os KPIs relacionados ao tráfego é muito importante. Nesse cenário, temos alguns indicadores importantes, como: • Sessões; • Sessões por canal e por mídia (Google, Facebook, direto, e-mail marketing); • Cliques em campanhas; • Custo por clique; • Palavras-chaves ranqueadas organicamente; • Posicionamento médio das palavras-chaves. 2. As pessoas que entram na minha loja estão comprando? Entendido se existe tráfego dentro da loja, agora é preciso avaliar se o tráfego é qualificado, ou seja, se as pessoas que entram na loja estão comprando. Muitos outros fatores e KPIs podem ajudar neste momento, porém, o mais importante é a taxa de conversão de visitantes para compradores. O cálculo é simples: a cada 100 visitantes, quantos se tornam clientes e compram na loja? Vale ressaltar, para referência, que as taxas de conversão no mercado brasileiro variam entre 1 e 2%. Ou seja, a cada 100 pessoas que entram na loja, somente uma ou duas vão comprar algo. Por isso é tão importante investir numa estratégia de aquisição de tráfego. Note que, se temos um cenário de taxa de conversão de 1% e a receita mensal do e-commerce é de 50k, se aumentar a taxa de conversão para 2%, automaticamente vamos elevar a receita para 100k – isso sem investimentos adicionais de custos de mídia para aquisição de tráfego. Importante: na maioria dos casos em que apresentamos uma taxa de conversão baixa, os motivos estão relacionados a 2. P LA N EJ A M EN TO 52 53 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO preços e mix de produtos. Não se esqueça de que ainda estamos falando de vender algo para alguém e, nesse cenário, precisamos ter bons produtos e bons preços. Alguns KPIs importantes para se avaliar nesse estágio são: • Taxa de conversão; • Funil de conversão (Home > Categoria > Produto > Checkout > Compra finalizada); • Bounce Rate (taxa de rejeição); • Tempo médio no site; • Páginas por visita. 3. As compras têm me gerado um bom volume de receita? As estratégias de tráfego e conversão estão adequadas, mas preciso rentabilizar mais os usuários. Para esse desafio, é preciso avaliar o Ticket Médio do e-commerce, ou seja, quanto as pessoas gastam em média em cada compra. É essencial entender quais são os produtos vendidos e avaliar como podemos vender produtos mais rentáveis. Outro aspecto importante é a avaliação do destino das campanhas. Estamos levando as pessoas para os produtos que gostaríamos de vender? Nesse estágio, alguns KPIs importantes: • Ticket Médio; • Taxa de conversão por produto e por categoria; • Bounce por produto. Para que não ignore esses pontos no seu planejamento, vamos a um resumo rápido: [visitas ao site] x [taxa de conversão] x [ticket médio] = Faturamento do e-commerce. Essa é uma forma de simplificar um pouco o entendimento de como devemos atuar em cada uma das iniciativas. Claro que existem diversas formas de executar as estratégias, mas com essa visão temos um bom caminho para iniciar. 2. P LA N EJ A M EN TO 54 55 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 2. Planejamento financeiro Precificação Num mercado competitivo como o do e-commerce, saber precificar produtos e serviços pode fazer a diferença para o sucesso ou o fracasso de qualquer das empresas, independentemente do ramo de atuação e do porte da operação. Para encontrar o “preço certo”, basicamente é preciso olhar para 4 fatores: 1. Margem de contribuição A margem de contribuição é o resultado da diferença entre a receita obtida na venda de um ou mais produtos e os seus respectivos custos e despesas variáveis. Ou seja, é o lucro do produto. A sua fórmula geral é: Margem de Contribuição = Preço de Venda – Custos Variáveis A seguir, iremos explicar todos os custos variáveis que podem entrar nessa conta. Tributação Cada regime tributário possui as suas peculiaridades, então, atenção para essas informações: • MEI: Não possui tributação, o custo pago é um valor mensal que entrará nos custos fixos da empresa. • Simples: Apenas uma alíquota que reúne todos os impostos a serem cobrados naquele mês, diferente do lucro real e presumido. • Lucro Real: Os impostos são calculados com base no lucro que a empresa obteve naquele mês e, na precificação, cada imposto deve ser levado em conta. • Lucro Presumido: Os impostos são calculados com base na estimativa de lucro que a empresa acredita que terá naquele mês e, assim como no lucro real, cada imposto deve ser levado em conta na precificação. 2. P LA N EJ A M EN TO 56 57 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Custos da compra/confecção É preciso apurar todos os valores que você paga para deixar o produto pronto para a venda, como: • Preço unitário da mercadoria; • Frete da compra; • Impostos pagos na compra; • Custos de brinde; • Embalagem; Custos da mercadoria É preciso apurar todos os valores que você paga quando realiza a venda do produto, como: • Comissão do marketplace; • Comissão de vendedores; • Taxas do cartão, adiantamento de recebíveis, royalties etc.; Cada canal de venda possui uma taxa, logo, o preço de venda precisa considerar todos esses custos. Após reunir todos esses atributos é preciso considerar a estratégia da empresa na hora de formar o preço de venda. Visualize o seu portfólio de produtos e perceba que há aqueles itens que são vendidos apenas para trazer clientes. Neste caso, a competitividade e o giro do produto são altos. E existem também produtos mais exclusivos, que são vendidos esporadicamente. A margem de contribuição da venda possui comportamento diferente para cada tipo de produto. Nos produtos que são utilizados apenas para fazer volume e trazer clientes provavelmente a margem deles será mais apertada, enquanto nos produtos com maior grau de diferenciação é possível ter margens mais altas em comparação à média da empresa. Ao fazer esse estudo você terá todas as ferramentas para precificar um produto e basta utilizar a fórmula abaixo para encontrar o preço de venda: 2. P LA N EJ A M EN TO 58 59 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Preço de venda = Custo do Produto / (1 – Taxas da venda – % Margem) Onde: • % Margem é a margem de contribuição; • Taxas de venda se referem aos impostos, taxas e comissões; Exemplo: • Custo do produto (preço de compra + frete da compra + impostos) = R$ 20 • Impostos = 12% Simples Nacional • Comissão do marketplace = 14% • Margem desejada = 20% Preço de venda = Custo do Produto / (1 – Taxas da venda – % Margem) Preço de venda = 20 / (1 – 0,12 - 0,14 - 0,20) Preço de venda = R$ 37,00 Além disso, você deve ter reparado que não mencionamos os custos fixos. Se esse questionamento passou pela sua cabeça, nós respondemos essa dúvida orientando que os custos fixos jamais devem entrar na precificação. Veja: Vamos ratear R$ 2,00 no preço de venda no exemplo anterior; Preço de venda = Custo do Produto + 2 / (1 – Taxas da venda – % Margem) Preço de venda = 22 / (1 – 0,12 - 0,14 - 0,20) Preço de venda = R$ 40,75 Repare: Ao adicionar R$2,00 no preço de venda para pagar os custos fixos, o preço de venda aumentou em R$3,75. Logo ao ratear os custos fixos, você vai encarecer o produto desnecessariamente e correrá o risco de perder competitividade. 2. P LA N EJ A M EN TO 60 61 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Para pagar os custos fixos, nós recomendamos que apure o seu ponto de equilíbrio operacional - que é o indicador que vai lhe dizer a receita mínima para pagar todos os gastos da empresa. Apure a sua margem de contribuição e, assim, você entenderá o quanto terá para contribuir no pagamento dos custos fixos. Indicadores financeiros Para que uma empresa possua uma operação saudável, é preciso equilibrar 3 indicadores: Capital de giro É o indicador que mede a quantidade de capital necessária para manter todos os processos em dia. No varejo, a forma como uma empresa compra e vende produtos influencia diretamente esse indicador, causando a sensação de falta de caixa na empresa ou o inverso, muito dinheiro em conta. Chamamos esses dois cenários de tomada e geração de caixa, respectivamente. Onde: Cenário de tomada de caixa A tomada de caixa ocorre quando temos um lojista que necessariamente precisará, primeiro, desembolsar dinheiro para efetuar a compra, lidar com o estoque e só depois irá obter o retorno financeiro com a venda do produto. Esse cenário nos dá a impressão de que quanto maior é o faturamento, menos dinheiro fica em caixa. Cenário de geração de caixa A tomada de caixa ocorre quando temos um lojista que recebe o dinheiro das vendas antes de pagar ao fornecedor do produto. Esse cenário nos dá a impressão de que quanto maior é o faturamento, mais lucrativa é a operação. Porém, grande parte desse dinheiro é capital de giro e deverá ser utilizado para honrar com os compromissos financeiros logo mais. 2. P LA N EJ A M EN TO 62 63 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Margem de contribuição A margem de contribuição é o indicador que mede o quanto de lucro um produto e a empresa são capazes de gerar para contribuir no pagamento dos custos fixos. Analisar esse indicador nos ajudará a entender se as vendas são lucrativas e se conseguiremos pagar todas as contas no mês. Podemos calcular a margem de contribuição da seguinte forma: Margem de Contribuição Total = ((Faturamento Bruto – Deduções, Custos e despesas variáveis)*100) / Faturamento Bruto Exemplo: • Faturamento = R$ 50.000 • Deduções (devoluções, impostos etc.) = R$ 2.000 • Custos variáveis = R$ 25.000 Margem de Contribuição Total = ((50000 – 27000)*100) / 50000 = 46% Com esse indicador, nós entendemos que para cada R$1,00 faturado, a empresa gerou R$0,46 de lucro para contribuir no pagamento dos custos fixos. Faturamento O faturamento é um indicador extremamente conhecido e é por meio dele que podemos garantir que haja geração de receita. A sua fórmula é a seguinte: Faturamento = Somatório de (Preço de venda unitário * Quantidade vendida) Exemplo: • Preço do produto A = R$ 10,00 • Quantidade vendida do produto A = 1000 unidades • Preço do produto B = R$50,00 • Quantidade vendida do produto A = 100 unidades Faturamento = (10*1000)+(50*100) = R$15.000 2. P LA N EJ A M EN TO 64 65 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Ou seja, essa empresa faturou R$ 15.000 nas vendas desses dois produtos. Garantindo que a empresa continue vendendo, de forma lucrativa e gerando caixa, nós teremos uma operação saudável. Raphael Ferrari Como montar um DRE de uma operação de e-commerce? Se tem uma coisa que não pode ser subestimada em uma operação de e-commerce é o acompanhamento constante da evolução do negócio. E isso não é uma tarefa fácil, uma vez que uma série de métricas devem ser observadas no detalhe para que se possa tomar decisões importantes no decorrer do processo. Entender a saúde da sua empresa é essencial para o negócio, mas por mais incrível que isso possa parecer ainda existem muitos empreendedores que negligenciam este acompanhamento mais aprofundado e tocam o negócio meio que no “feeling”, seja por falta de conhecimento ou por falta de tempo. Como todos sabem, existem obrigações em nossa legislação brasileira que obrigam o empreendedor a cumprir uma série Dica do Especialista 2. P LA N EJ A M EN TO 66 67 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO de exigências para se manter de acordo com a lei. Porém, também existem obrigações que podem ser mais úteis para o seu dia a dia do que você pode imaginar, é o caso do DRE. Para que serve um DRE O DRE (Demonstrativo dos resultados do exercício) é uma ferramenta contábil de demonstração de resultados utilizada para a prestação de contas exigido pela legislação. Apesar de ser uma obrigação contábil que o seu contador deve enviar anualmente de acordo com a lei n° 11.638/07, ela é uma ótima ferramenta de análise para seu e-commerce. O que estamos dizendo é que a estrutura do DRE também pode ser uma poderosa ferramenta para projetar o investimento e o possível retorno da sua operação. Em se tratando de um e-commerce, ter previsibilidade em seus investimentos pode fazer uma grande diferença no seu modelo de negócio. Utilizando a estrutura base do seu DRE para projetar e comparar com o resultado atual será possível verificar o quanto suas métricas estão descoladas de uma meta pré-estabelecida, seja vendas, investimento, ticket médio ou qualquer outra na qual você identifique ser importante ser analisada. Veja abaixo a base para o modelo de criação de um DRE. Como elaborar um DRE Elaborar um DRE básico não é um trabalho complexo, tudo vai depender dos KPI’s que você pretende analisar, cada negócio pode adotar um modelo diferente. Porém é de extrema importância ficar atento aos dados que serão imputados, para que não haja equívocos nos números finais. Para elaborar o seu DRE, siga a seguinte estrutura: Primeiro: (+) Receita Bruta de Vendas - valor faturado dentro de um coorte de tempo analisado; Segundo: (-) Deduções da Receita Bruta - dedução de todos os abatimentos, impostos diretos (analisar enquadramento tributário), devoluções de pedidos ou descontos dentro do coorte de tempo analisado; Terceiro: (=) Receita Operacional Líquida - resultados das 2. P LA N EJ A M EN TO 68 69 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO vendas menos as deduções de receita bruta; Quarto: (-) Custo de Vendas - custo das mercadorias vendidas (CMV), custo dos produtos vendidos (CPV) ou custo dos serviços prestados (CSP); Quinto: (=) Valor Operacional Bruto - todo o valor após as deduções do custo das vendas; Sexto: (-) Despesas Operacionais - todas as despesas administrativas que envolvem a operação (folha de pagamento, aluguéis, ferramentas etc.) e de vendas (frete, plataformas, hospedagens, marketing etc.); Sétimo: (-) Despesas Financeiras - despesas com variações de câmbio, IOF e juros, taxas etc.; Oitavo: (+/-) Outras Receitas e Despesas - serviços secundários, locações de materiais, vendas de bens, depreciação etc.; Nono: (=) Resultado Operacional Antes dos Impostos - valor a ser deduzido antes da dedução dos impostos sobre o lucro; Décimo: (-) Provisão dos impostos gerados - valor provisionados dos impostos gerados sobre o lucro gerado (analisar alíquotas e o modelo tributável - no simples a cobrança é feita por uma guia única, atenção ao segundo item desta lista para não bi tributar); Décimo primeiro: (=) Resultado Líquido do Exercício - lucro ou prejuízo deixado pela operação do e-commerce, é aqui que você terá condições de observar a saúde da empresa. O modelo apresentado acima é apenas uma base de como você poderá estruturar o seu DRE, mas você pode adaptar ao seu modelo de negócio, aumentando ou diminuindo os tópicos que serão inseridos. Tudo vai depender do que faz sentido para o seu negócio, além dos enquadramentos e modelos tributáveis que quer analisar. 2. P LA N EJ A M EN TO 70 71 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Abaixo, segue um modelo real de um DRE: Outro exemplo: O que deve ser analisado? A principal função do DRE é verificar se a empresa está deixando lucro ou prejuízo. Essa é a primeira coisa que deve ser analisada. Afinal, a saúde da sua empresa é determinante para as tomadas de decisões futuras. Outro ponto importante é analisar a margem que tem em cada segmento de produtos e quanto isso lhe deixa do final das contas. Se você tem uma margem bruta alta, mas um lucro pequeno, algo no meio do caminho não está certo. Talvez tenha precificado errado ou está com os custos operacionais muito altos. Com o DRE você terá condições de analisar isso mais detalhadamente. Verifique também os principais custos que possui em sua operação. Colocando isso tudo na ponta do lápis será possível encontrar despesas que podem ser cortadas ou enxugadas. Dependendo do mix de produtos que o seu e-commerce possuir, poderá encontrar categorias de produtos com melhor e pior performance. O cuidado que você precisa tomar, caso decida por eliminar algum grupo de produto, é observar na camada do marketing o volume de tráfego e oportunidades de venda geradas por eles. Esse tipo de visão vai além de uma visão contábil. 2. P LA N EJ A M EN TO 72 73 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Se você tem uma operação recente, com toda certeza vai buscar por dois objetivos: breakeven e payback do seu investimento. O breakeven é o ponto no qual a receita gerada consegue “pagar as contas” do negócio. É basicamente o ponto de equilíbrio que, enquanto você não alcançar, a operação vai acumular apenas prejuízo. Já o payback é o momento em que o dinheiro investido no negócio volta para você. No seu plano é muito importante considerar todo o investimento que fez para tirar sua loja do papel e acompanhar em que momento esse dinheiro volta. Falaremos mais disso mais adiante. Como prever o tempo de maturação e retorno sobre o investimento? Se você já tem um e-commerce e não fez uma projeção de retorno dos investimentos, com certeza está pilotando um carro sem ter um mapa na mão e sem saber o caminho certo. Essa analogia é perfeita, porque ter um e-commerce é uma jornada de longo prazo e para ir longe é preciso ter uma rota e um plano, caso contrário, nunca vai saber quanto falta ou mesmo se já chegou ao seu destino. O tempo que a sua operação de e-commerce vai levar para começar a dar lucro e fechar a conta vai depender de alguns fatores como: • Volume de tráfego qualificado que consegue trazer (estratégias focadas em atração e performance); • Tempo de construção da confiança da marca (estratégias focadas em reconhecimento e alcance de marca); • Demanda que você consegue atender (capilaridade e profundidade do seu portfólio de produtos); • Quantidade de pessoas que consegue converter (taxa de conversão, que depende de uma série de variáveis); • Margem de lucro que sua operação consegue deixar (quanto de receita sua operação de e-commerce está deixando no final do mês); • Quanto você consegue otimizar sua operação ao longo do tempo (quais KPIs você consegue melhorar ao longo do tempo, como: taxa de conversão, despesas, tempo e custo de 2. P LA N EJ A M EN TO 74 75 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO frete, resultados de marketing, perda de produtos, reversa, custo com taxas bancárias, plataformas etc.). Projeção de Investimento vs Receita Com os fatores acima bem definidos, é preciso agora entender qual vai ser o investimento necessário para atingir a meta de vendas. Uma das perguntas frequentes é: “quanto eu preciso investir para fazer meu e-commerce vender?” Infelizmente, não existe uma resposta definida para isso de bate e pronto, mas é possível montar um plano. Existem duas maneiras de encontrar a resposta para essa pergunta: 1. Definimos uma meta e projetamos o investimento necessário para chegar nela. 2. Definimos o budget de marketing e projetamos a partir dele o potencial de retorno. A definição de qual vai ser a base da projeção (meta ou budget) vai depender justamente do resultado final. Muitas vezes o empreendedor crava uma meta que para ser alcançada será necessário ter um budget maior do que o disponível. Para fins explicativos, vamos assumir que o nosso plano vai ser estruturado com base em uma meta de receita, no caso R$ 100.000,00 e, com isto, vamos conseguir entender o quanto precisamos investir e onde para alcançá-la. Em se tratando de um e-commerce, é importante, antes de sair planejando, levar em conta a chamada taxa de aprovação de marketing. Basicamente, trata-se da diferença entre os pedidos que são captados e aparecem nas ferramentas de marketing como Google Analytics, Google Ads e Facebook Ads em comparação com os pedidos que foram realmente faturados e entregues. Levar em consideração essa diferença é importante porque nem todos os pedidos gerados são efetivamente pagos ou concluídos. Boletos podem não serem pagos, pedidos podem ser cancelados, cliente pode solicitar uma reversa, podem existir fraudes e por aí vai. 2. P LA N EJ A M EN TO 76 77 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Isso quer dizer que se você focar na meta de vendas e atingi- la apenas olhando a camada de marketing, no final o resultado em caixa não terá sido batido. Imagine que, dentro de um mês, foram captados 588 pedidos, mas na plataforma de e-commerce apenas 500 foram efetivamente entregues: 500 / 588 * 100 = 85% (taxa de aprovação de 85%). Perceba que, na conta utilizada acima, tem uma diferença de 15%, logo, se a sua equipe de marketing gerar R$ 100 mil em vendas, no final, terá entrado no caixa apenas R$ 85 mil. Com isto posto, fica fácil de entender que a meta de marketing precisa ser definida com base na taxa de aprovação. A partir da meta de faturamento você agora pode chegar na meta captada e desmembrar para o volume de sessões necessárias para o seu e-commerce vender o que precisa. Veja a pirâmide abaixo: Observe que, no exemplo da pirâmide, a meta é faturar R$ 100 mil. Mas, levando em conta a taxa de aprovação de 85%, preciso estabelecer uma meta de marketing de R$ 117.647,06. (100.000 / 85 * 100 = meta com valor que deve ser faturado). Quando falamos em projeções, algumas métricas terão de ser encontradas ou estimadas para que possamos chegar em um número que faça sentido. Quando já existem dados históricos 2. P LA N EJ A M EN TO 78 79 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO é mais fácil, quando não, é preciso estimar. Por enquanto, as métricas que você precisará encontrar para fazer os cálculos acima são: ticket médio e taxa de conversão. Caso você não tenha dados históricos para definir o ticket médio, encontre o preço médio dos seus principais produtos e estime uma quantidade média de itens que os seus clientes teriam por compra, por exemplo: você vende roupa e o preço médio dos seus produtos é de R$ 60, na média as pessoas compram dois itens, podemos assumir que o ticket médio será de R$ 120. Claro que ao longo do tempo isso pode ir sendo ajustado na projeção, a partir da verificação dos dados reais. Já a taxa de conversão, caso também não tenha dados históricos, você pode utilizar a média Brasil como base (1% ou 1,5%). Atenção: leve em conta o seu cenário atual, ou seja, jogue lá para baixo nos primeiros meses. Agora que temos nossa meta de captação estabelecida e o volume de tráfego que precisamos para fazer com que isso aconteça, podemos iniciar nossa projeção financeira, tendo como base a mesma estrutura do DRE apresentado acima, mas adicionando o plano de captação de tráfego e as estimativas necessárias. O objetivo é entender qual será o investimento necessário durante determinado período até alcançar o breakeven da operação e o payback. Distribuição da verba no canal de mídia Não vamos entrar no detalhe da distribuição da verba em diferentes canais de mídia (Google Ads, Facebook Ads ou outros), vamos olhar apenas os números globais. A principal métrica que você precisará encontrar para projetar o volume de sessões gerado a partir do canal de mídia é o CPC Médio (custo por clique médio). Para encontrá-lo você pode acessar sua conta do Google Ads, ir em configurações, acessar o “planejador de palavras chave”. Em seguida, escolha 2. P LA N EJ A M EN TO 80 81 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO a opção “ver volume de pesquisa e previsões”. Com essa ferramenta você terá informações como volume estimado de pesquisa, projeção de impressões de acordo com o investimento, CTR (taxa de cliques), total de cliques e o CPC médio. Obs.: o CEPC pode variar de acordo com o leilão do Google e o tipo de campanha utilizada, então, é importante ponderar algumas divergências, por exemplo, o CPC em uma campanha de shopping pode ser mais barato do que o CPC em uma campanha de keywords tradicional. Com o CPC em mãos, o que você precisa fazer agora é dividi- lo pela receita investida (CPC/receita). Dessa forma você chegará no número estimado de cliques ou visitas. Imagine que você fará um investimento de R$ 5 mil e o seu CPC é de 0,30 centavos (5.000 / 0,30 = 16.667). O resultado 16.667 será o número estimado de visitas. (Dica: você pode considerar uma perda entre o número de cliques e de visitas entre 5% e 10%, então, se quiser trabalhar em um cenário um pouco mais pessimista, subtraia essa diferença da conta. Exemplo: 16.667 - 5% = 15.833) Sessões geradas a partir do canal de mídia: Ponto de equilíbrio e payback da operação ao longo dos meses: 2. P LA N EJ A M EN TO 82 83 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Canais de distribuição de tráfego Você deve ter percebido que o canal de mídia não é o único que vai gerar sessões e vendas certo? Não é sustentável esperar que apenas o canal de mídia paga traga vendas para o seu e-commerce. É importante planejar e estruturar todos os canais possíveis como orgânico, direto, e-mail, social, referência etc. Cada um desses canais geram um volume de tráfego e apresentam um volume de receita que deve ser observado e analisado. Justamente por isso esses canais também devem ser inseridos na projeção. Observe o print acima do Google Analytics de uma loja virtual. Todos os canais apresentam um volume de sessões, taxa de conversão e receita distintas. É justamente isso que precisamos simular em nossas projeções. Você se lembra da pirâmide apresentada um pouco acima? O “pulo do gato” vai ser distribuir esse volume de sessões que encontramos a partir da receita que queremos captar nos canais que você vai trabalhar em suas ações, como no exemplo abaixo: Com esses números em mãos será possível analisar o que precisará ser feito para chegar até a meta prevista. Se 2. P LA N EJ A M EN TO 84 85 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO identificamos lá na pirâmide que precisamos de 60 mil acessos, com uma taxa de conversão entre 0,95% ou 1%, será possível visualizar o que precisaremos alavancar. Na planilha acima temos um total de 18 mil sessões, sendo que 16 mil vêm de mídia paga, com um investimento de R$ 5 mil. Sabendo que o canal orgânico não é possível alavancar em curto prazo, que o direto tem impacto a partir das campanhas e que sua base de e-mail ainda pode ser pequena, sobra apenas o canal de mídia para alavancar. Com isso, R$ 5 mil de investimento não será o suficiente neste momento para bater a meta de faturamento de R$ 100 mil. Estruturando os dados Depois de definidos os canais, os investimentos e a taxa de conversão por canal você conseguirá estimar o volume de pedidos que possivelmente terá no decorrer dos meses. Para encontrar a receita, basta multiplicar o número de pedidos estimado pelo ticket médio definido inicialmente: • Sessões / taxa de conversão = total de pedidos • Total de pedidos * ticket médio = receita bruta Depois, basta adicionar todas as despesas já mostradas no DRE que criamos: • Impostos; • Despesas operacionais; • Despesas de venda; • Despesas financeiras. Dessa maneira você terá uma visão mensal de médio e longo prazo de como a sua operação de e-commerce deverá girar neste período: Análise: Realizado vs Projetado Plano montado e projeto rodando, é de extrema importância o acompanhamento detalhado da evolução dos resultados. 2. P LA N EJ A M EN TO 86 87 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO É relevante pontuar que o objetivo da projeção não é “acertar na mosca” e sim traçar um plano que vai ajudá-lo a atingir suas metas dentro do cenário mais realista possível. Então, no mês a mês, é importante verificar o deslocamento da meta para cima ou para baixo e ajustar a rota durante o processo, caso necessário. Unir os números realizados a partir do seu DRE com o projetado vai fazer com que você tenha uma visão geral de onde o seu e-commerce precisa de mais atenção. Verifique o descolamento da receita, mas também compare as outras métricas para ver onde está o gargalo ou onde poderá potencializar os resultados. Por exemplo, se você projetou um ticket médio de R$ 200, mas está realizando R$ 170, é fundamental trabalhar esse ponto, a partir de ações como cadastro de kits, ações de cross-sell e de up-sell, iniciativas para agregar serviços, e por aí vai. Outro ponto importante é entender que o documento de projeção não é uma verdade absoluta e imutável. Não deve ser feito uma vez e deixado para lá. Pelo contrário, conforme é realizado, novos dados vão surgindo e devem ser considerados. No caso de um e-commerce novo, no qual muitas métricas foram deduzidas ou pesquisadas com base no mercado, é super importante ir atualizando conforme seu Analytics for sendo preenchido. As principais métricas que você deve analisar e verificar o realizado x projetado são: 2. P LA N EJ A M EN TO 88 89 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Receita (geral e por canal); • Ticket médio; • Taxa de conversão (geral e por canal); • Taxa de aprovação; • Investimentos; • CPC (ou outra métrica de compra de mídia que esteja utilizando); • Despesas; • Impostos; • Estoque disponível. A partir dessas métricas você pode ir atualizando os resultados da sua projeção e ter uma visão do cenário atual juntamente com o de longo prazo, para que possa tomar decisões que farão o seu e-commerce crescer. Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Raphael Ferrari Maurici Junior Marcelo Roque Helenice Moura Felipe Macedo 3 BACKOFFICE Vantagens do software de gestão Integração do software de gestão com a plataforma de e-commerce Indicadores que devem ser acompanhados no backoffice Etapas mais importantes na implantação do software Operações de menor porte: funções essenciais do software de gestão ERP & omnicalidade Dica do Especialista 3. B A C K O FF IC E 92 93 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Backoffice Impossível dissociar o sucesso (ou o fracasso) de um e-commerce do backoffice. Afinal, ele é fundamental para que o e-commerce consiga operar com eficiência. Uma das principais dúvidas refere-se à escolha do software de gestão. Essa decisão depende do porte da empresa e da vertical de negócio, que muitas vezes definem as necessidades específicas. No caso do e-commerce, um bom ponto de partida é ter clareza sobre o que é essencial na operação da sua empresa. O objetivo principal é comparar as demandas da sua operação com as funcionalidades oferecidas pelo software. Identificar oportunidades de melhorias ou gargalos também ajuda na escolha do melhor software para gerir seu negócio. Vamos ser francos, nenhum sistema de gestão será perfeito, o melhor é identificar aquele que se aproxima ao máximo das suas necessidades, conhecendo seus pontos fortes e fracos. Alguns processos para levar em conta na hora de escolher o software de gestão para e-commerce: • Vendas simultâneas em múltiplos canais digitais, como marketplaces, loja virtual, redes sociais etc.; • Vendas realizadas de forma presencial, como em loja física, call center, time comercial ou representantes; • Gestão do catálogo de produtos, com gerenciamento de novos itens, cadastro de fotos, categorias, descrições e fichas técnicas; • Gerenciamento de preços e estoque e sua correta sincronização com os canais de vendas; • Gestão de compras com fornecedores para reabastecimento e manutenção do giro de estoque; • Controles financeiros, como contas a pagar e receber, fluxo de caixa e DRE; Outra questão relevante está na usabilidade desse software. É importante que você e seus funcionários possam realizar as tarefas de forma simples e confortável. Tempo 3. B A C K O FF IC E 94 95 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO de implementação, custo e esforço envolvido devem ser pesados na hora da decisão. O sistema de gestão ERP (enterprise resource planning) demanda um tempo inicial de entendimento, mas que ao longo da jornada empresarial se torna essencial para a sobrevivência e a qualidade na operação do negócio. Aprofunde nos processos essenciais para sua empresa, o importante é que ele ajude a melhorar sua rotina e aumente sua produtividade. Vantagens do software de gestão Para quem ainda tem dúvidas, listamos abaixo as vantagens que um software traz para os negócios: Centralização das informações Otimização dos dados, informações e processos unificando diversas tarefas em uma única plataforma. Melhorar capacidade de análise Informações disponíveis para tomar decisões assertivas através de registros claros e organizados por relatórios e gráficos. Aumento da produtividade Processos mais ágeis e informações em tempo real que economizam tempo e mão de obra. Padronização dos processos Torna as operações mais visíveis proporcionando maior clareza e automatização em tarefas repetitivas. Controle de custos Redução de custos de compra e venda, através de controles financeiros para precificação correta e boas negociações. Monitoramento de estoque Melhor controle de estoque disponível com os canais de venda sincronizados ao sistema. Integrações Disponibilidade de integrações entre sistemas (marketplaces, gateways de pagamento, soluções logísticas 3. B A C K O FF IC E 96 97 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO e lojas virtuais, por exemplo) para um fluxo completo e adequado dos dados. Sistema de gestão em nuvem Sistema acessível em qualquer lugar e qualquer dispositivo, disponível 24h. Evolução de funcionalidades Sistemas online normalmente contam com atualizações, incrementando funcionalidades e melhorando processos existentes. Começar organizado É comum deixar para contratar um software de gestão quando os processos não conseguem mais ser geridos manualmente. Essa abordagem pode ser um problema, pois quando chega esse momento, poderá ser mais complicada a implantação. A dica é organizar e informatizar os processos desde cedo, para quando chegar o momento de acelerar, o processo ocorra naturalmente. Independentemente do tipo de operação que realiza, controlar custos, atingir boa produtividade, ser competitivo, ter previsibilidade, gerenciar os produtos ou serviços, serão sempre tópicos de alta prioridade para qualquer empresa. Integração do software de gestão com a plataforma de e-commerce Uma boa integração entre a loja virtual e o sistema de gestão é essencial para o sucesso da operação de venda online. Diversas informações devem ser atualizadas em tempo real em múltiplos locais de venda, tornando a integração uma parte vital dos negócios no e-commerce. Veja alguns processos, altamente relevantes, que são integrados entre uma plataforma de e-commerce e um sistema de gestão: • Envio e recepção de produtos; • Atualização de estoque; • Recepção de pedidos e atualização das informações de venda; • Envio dos códigos de rastreio; • Atualização de preços de venda ou promocionais; 3. B A C K O FF IC E 98 99 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Envio dos dados de faturamento da NF-e Cada um desses pontos de integração traduzem os processos realizados de forma simplificada entre os dois sistemas. Por meio deles, grande parte do trabalho manual que deveria ser realizado para manter ambos os sistemas atualizados são reduzidos ou até eliminados. Indicadores que devem ser acompanhados no backoffice O backoffice olha desde os cadastros mais simples (produtos, clientes, fornecedores), passando por compras, estoques, formação do preço de venda, gestão de custos, vendas (independentemente da origem da venda), faturamento, financeiro, fiscal, contábil e muitas outras funcionalidades fundamentais para o dia a dia das empresas, inclusive integrações com plataformas de e-commerce, com sistema PDV, com marketplaces, com sistemas de transporte/frete e muitos mais. É fundamental que se observe ao menos um indicador de cada um desses módulos, por exemplo: Indicador de eficiência do cadastro de produtos que pode ajudar a ter apenas um cadastro que atende múltiplos canais de venda e também compras e gestão de estoques; Indicador de clientes: melhores pagantes, maiores compradores por volume de compra ou por volume financeiro, lifetime value de cada cliente; Indicador de fornecedores: mais efetivos, que cumprem ou não os prazos de entregas das compras, os mais importantes para o negócio (em volume de transações ou financeiramente); Indicador de compras: produtos mais comprados, leadtimes de compras, prazos de pagamento das compras; Indicador de estoques: estoque mínimo, estoque máximo, giro de estoques, ponto de reposição de estoque, curva ABC, índice de armazenagem de produtos ou categorias de produtos; Indicador de preço: produtos mais rentáveis, produtos com 3. B A C K O FF IC E 100 101 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO menores margens de lucro, variação de preços de produtos, elasticidade de preços de produtos; Indicador de vendas: melhor canal de venda em volume de transações e volume financeiro, ranking de vendas por região; Indicador de faturamento: faturamento mensal, faturamento por metro quadrado, faturamento por categoria; Indicador financeiro: fluxo financeiro, conciliação de cartões, metas financeiras, conciliação de fretes. Etapas mais importantes na implantação do software Podemos dividir esse processo em quatro etapas prioritárias: A) Seleção do Sistema Nessa etapa, o ideal é criar uma RFI - Request for Information para obter as principais informações do fornecedor e sistema que ele pretende ofertar para a empresa. Na sequência recomendamos a criação de uma RFP - Request for Proposal, um documento mais completo, utilizado no processo de seleção dos fornecedores tendo como principal objetivo entender a aderência das funcionalidades do sistema ERP de cada fornecedor às necessidades de negócio. Ao final da análise de aderência geralmente a empresa consegue uma visão 360 graus dos processos que precisam ser melhorados, dos processos que são atendidos nativamente e dos processos que precisarão ser customizados no ERP que está sendo analisado. B) Contratação do Sistema Analisar as propostas comerciais das empresas que foram selecionadas na primeira fase. A proposta comercial de um sistema ERP, normalmente, será composta de: • Informações relativas a valores para a aquisição das licenças de uso; • Valores dos serviços de implementação, eventuais customizações e gestão do projeto; 3. B A C K O FF IC E 102 103 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Valores relativos à manutenção mensal; • Possíveis formas de pagamento; • Condições comerciais; • Detalhamento do escopo do projeto – o que será entregue, processos que serão atendidos, requisitos técnicos de eventuais customizações, detalhes sobre os treinamentos, prazo estimado para a conclusão do projeto. Nas contratações do tipo SaaS – Software as a Service, as propostas comerciais levam em consideração a comercialização do software com o pagamento de assinatura mensal. Neste caso, ainda é preciso conferir: • Informações relativas aos valores mensais das licenças de uso; • Valores dos serviços de implementação, eventuais customizações e gestão do projeto; Para efetivar a contratação, as empresas devem levar em conta: • As propostas comerciais; • As análises oriundas do processo de seleção – RFI, RPF, RFQ, análise de aderência e análise das demonstrações; C) Implantação do Sistema Tendo escolhido o fornecedor mais aderente às necessidades de negócio e concluídas as etapas de formalização contratual, as empresas contratantes, no geral, querem iniciar a implantação do sistema ERP rapidamente. Nesse momento é preciso ter claro que, por tratar-se de um projeto, a implantação do sistema deve ser feita com base em: • Um bom planejamento; • Com definições claras do escopo; • Com um cronograma acordado entre as partes; • Com definição de papéis e responsabilidades; • Com Milestones (marcos) muito bem definidos; • Um bom plano de comunicação; • Com conhecimento dos riscos iniciais do projeto; • Com conhecimento das expectativas iniciais das partes interessadas (Stakeholders) no projeto; • Com definições claras dos requisitos de qualidade para as entregas; • Com o envolvimento dos responsáveis, tanto da empresa contratante como do fornecedor. 3. B A C K O FF IC E 104 105 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO D) Manutenção do Sistema Logo após o Go Live, quando os usuários vencem os primeiros medos e dúvidas sobre a utilização do sistema ERP, é o momento de iniciar os processos de melhoria, habilitar novas funcionalidades, utilizar os processos de extensibilidade para afinar ainda mais as funcionalidades ao negócio e às mudanças pelas quais o negócio está passando. Em geral, as empresas que acertam na adoção de um sistema ERP ficam décadas utilizando o mesmo software. Nesse sentido, realizar uma boa manutenção do sistema ERP é outro processo crucial para o negócio. Pontos importantes que precisam de acompanhamento: • Suporte aos processos de negócios e suas mudanças; • Suporte funcional; • Suporte à operação da infraestrutura; • Suporte às melhorias de processos e de sistema; • Atualizações periódicas do sistema e suas melhorias e/ou impactos; • Ambiente para testes e homologação de novas versões; • Custos reais de manutenção do sistema; Ganhos produtivos obtidos com um software de gestão É comum ouvirmos esta questão: quais serão os ganhos produtivos obtidos com um software de gestão. A resposta pode parecer complexa, porém é uma das mais simples. Você obterá todos os ganhos possíveis. Pense assim: quando você não utiliza um software de gestão, por regra geral, você tem apenas um semi controle do seu negócio. Você acredita que tem o seu negócio sob controle, quando, na verdade, está totalmente às cegas, afinal, ninguém tem todas as informações do negócio. Você que está nos lendo neste momento saberia responder 5 destas perguntas? • Quantos itens em estoque você possui neste momento da sua Curva A? • Qual é o giro médio dos seus produtos da Curva A? • Quanto em estoque financeiramente você possui neste momento? • Quais são os seus top 10 clientes? • Qual a cidade que mais compra online do seu negócio? • Qual o custo médio com frete que você possui mensalmente? • Como está o seu fluxo de caixa para os próximos 6 meses? 3. B A C K O FF IC E 106 107 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Quanto você gastou com Salários nos últimos 12 meses? Está vendo como um sistema de gestão pode lhe ajudar? Essas perguntas todas seriam respondidas com 3 ou 4 cliques no seu celular ou PC. Então, pense que o sistema de gestão deve ser sempre o cérebro da sua operação, seja ela de serviços, de produtos ou mista. Operações de menor porte: funções essenciais do software de gestão Existem mais de 500 plataformas diferentes de e-commerce e, na mesma proporção, encontramos no mercado um número até maior de softwares de gestão. O que devemos fazer, pensando numa operação de menor porte, é sempre seguir os princípios básicos listados abaixo: • Software em nuvem: é de suma importância que você possa consultar os seus dados em qualquer lugar sem depender de um determinado dispositivo ou então estar em uma rede específica, apenas acesso à internet basta. • Gestão de cadastro de Clientes e Fornecedores. Essa gestão é essencial para entender melhor o relacionamento deles com o seu negócio. • Gestão de estoque é fundamental para que você possa escalar o seu negócio. Se for possível trabalhar com múltiplos estoques, melhor ainda, pois por exemplo pode separar o estoque de perda/defeito/devolução. • Emissão de Pedido, pois esse controle ajudará muito a ganhar agilidade no seu negócio. • Emissão de Nota fiscal é fundamental para que você possa estar de acordo com o fisco e não ter problemas. Um plus é quando a nota fica atrelada ao número de pedido. • Emissão de Etiqueta de Transporte. Por meio desse recurso você ganhará agilidade na operação do seu dia a dia. • Controle de contas a Pagar e a Receber é fundamental para que você possa entender como está a saúde financeira do seu negócio. 3. B A C K O FF IC E 108 109 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Conciliação Bancária, uma vez que, sem ela, as suas contas a pagar e a receber nunca ficarão em dia. ERP & omnicalidade Para finalizar este capítulo, é importante tratarmos da omnicanalidade. A boa notícia é que o mercado já dispõe de sistemas ERP idealizados para a Omniera e as empresas agora podem iniciar a mudança de seu ERP tradicional ou legado para essas soluções mais completas e abrangentes, que se predispõem a planejar e gerir o máximo de canais de venda possíveis, dando aos executivos uma visão mais realista da organização e facilitando o dia-a-dia das equipes de TI que lidam com um número menor de integrações. Mas, embora esses sistemas ERP já estejam disponíveis no mercado, há a necessidade de que as empresas também assumam o papel de conhecer detalhadamente seus processos de negócio e otimizá-los ao máximo, de forma a tornarem-se mais eficientes, diminuir os custos operacionais e gerar mais inovações aos seus clientes. Uma boa prática é desenhar seus processos por meio de ferramentas BPM – Business Process Management, que permitem conhecer as regras de negócio, identificar pontos de melhoria (gargalos) e otimizar os processos de forma consistente. Há opções de sistemas ERP no mercado que permitem utilizar o BPM para orquestrar as regras de negócio diretamente no ERP, assim, todas as regras estratégicas, táticas e operacionais são devidamente validadas e como são nativas do ERP evitam muitas integrações indesejadas. A empresa passa a ter a garantia de que as regras de negócio são executadas fielmente, tornando os processos mais fluidos, ágeis e consistentes. Na imagem abaixo demonstramos, de dentro para fora, que os Sistemas de Gestão são fundamentais para as Operações, para o Planejamento & Gestão e para gerenciar os mais diversos canais de negócios que uma empresa possa ter como, por exemplo: • Lojas físicas – atacado e varejo; • Franquias; 3. B A C K O FF IC E 110 111 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Televendas; • Redes de consultoras ou vendas por catálogo; • E-commerce; • Agendamento online de serviços; • PDV Mobile; • Social Commerce; • Mobile Commerce; • Marketplaces; Para que um único sistema ERP idealizado para Omniera seja suficiente para planejar e gerir uma organização, há diversas funcionalidades que esse sistema ERP precisa ter, dentre elas destacam-se: • Possibilidade de integrar com as mais diversas tecnologias, como por exemplo, plataformas de e-commerce, gateways de pagamento, sistemas antifraude, transportadoras, gateways de fretes, sistemas de atendimento a clientes (SAC), WMS de terceiros, tecnologias Mobile, dentre muitas outras tecnologias necessárias para que uma empresa atue na Omniera; • A forma como o produto é cadastrado – o cadastro do produto precisa atender às necessidades das lojas físicas, da loja online e de gestão; • Passando pela gestão de estoques – estoques individuais, estoques centralizados, estoques em poder de terceiros e estoques compartilhados entre canais: lojas físicas e loja online; • Planejamentos de compras; • Formação de preço de venda levando em consideração as particularidades de custos e despesas inerentes a cada canal de negócio; • Questões fiscais distintas para cada canal; Sa m ue l G on sa le s 3. B A C K O FF IC E 112 113 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Gestão das vendas de cada canal; • Gestão da logística reversa; • Gestão de entregas no mesmo dia e entregas expressas; • Lidar com a personalização de produtos; • Personalizar relatórios e análise do negócio (BI); • Permitir criar funcionalidades específicas do negócio; • Gerenciar gôndola infinita; • Lidar com as complexidades do O2O – Online to Offline; • Estar na nuvem. Essas são as principais competências que um ERP idealizado para a Omniera precisa ter. Mateus Toledo Quais são os principais pontos de atenção na hora de manter minha loja virtual e minha loja física integradas? Na minha visão, são sempre 3 pontos, que parecem ser simples, mas são sempre o principal ponto de sucesso ou falha de uma operação de multicanalidade. São eles: Cadastro de produtos: se a sua empresa não possuir um cadastro único e enriquecido, com fotos e detalhes todos bem preenchidos dentro do seu sistema de gestão, quando esse cadastro for exportado para o seu e-commerce ficará pobre, além de retrabalho que a sua equipe terá para completar dentro do e-commerce, informações importantes poderão ser perdidas. Por isso, invista tempo nesses cadastros. Estoque dessincronizado: este é um dos pontos mais críticos e comuns de as pessoas pensarem, mas acabam não dando a devida atenção em como resolvê-los de fato. É importante Dica do Especialista 3. B A C K O FF IC E 114 115 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO que todas as entradas e saídas de estoque sejam lançadas no seu ERP e não apenas as vendas confirmadas, por exemplo, compras na loja com boleto. Atendimento: este é o único ponto que não está de fato dependente do sistema de gestão, mas que nele podemos tirar informações relevantes. Por exemplo, um cliente entra na minha loja física e diz que já comprou comigo online, logo consigo puxar no sistema por alguma das chaves que tenho do cliente o que ele comprou, quando, cor, modelo etc. para poder oferecer algo complementar ou então entender o gosto daquele cliente. Ou ainda consigo saber em quantas parcelas ele comprou, quantas ele já quitou para saber se ofereço algo mais caro ou mais barato. Esta é, sem dúvida, uma excelente ferramenta para poder entender melhor a vida do cliente com a minha marca. É possível usar um software de gestão mais básico como hub de integração com um ERP mais complexo? Sem dúvida, desde que o ERP ofereça essa funcionalidade por meio de APIS e de demais tipos de integração. Pensando em desempenho, um ERP voltado para e-commerce pode muito bem ajudar um ERP mais robusto e maior no processamento de dados e integrações facilitadas. Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Caio Comerlato Samuel Gonsales Mateus Toledo 4 PLATAFORMAS DE E-COMMERCE Plataformas de e-Commerce Recursos e Funcionalidades Plataforma de e-commerce B2B Dica do Especialista 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 118 119 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Plataformas de e-commerce O primeiro aspecto a ser considerado na escolha da plataforma de e-commerce é que cada empresa deve analisar suas necessidades específicas. Ou seja, é preciso analisar quais recursos são relevantes para o negócio e quais permitirão que a empresa esteja preparada para escalar a operação e, claro, oferecer a melhor experiência de compra para o usuário. Portanto, podemos afirmar, com certeza, que não existe “plataforma de e-commerce ideal” para qualquer negócio. O que deve ser analisado é o momento da empresa, o planejamento do negócio e, claro, as suas necessidades. De qualquer, vale enfatizar, a escolha da plataforma adequada para a empresa envolve diversos fatores. Vamos começar pela questão dos modelos e, para esclarecer as diferenças entre eles, vejamos as características dos 3 mais usados hoje no mercado brasileiro: 1. SaaS Nesse caso, a contratação funciona como um aluguel. A vantagem é que a loja virtual tem à disposição um sistema que está sempre atualizado. Além disso, o gestor não precisa se preocupar com a infraestrutura tecnológica, incluindo hospedagem e servidores. Isso tudo fica por conta do fornecedor. 2. Open Source Nesse sistema se encaixam as chamadas lojas virtuais de código aberto. Elas são desenvolvidas por comunidades de 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 120 121 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO programadores e estão liberadas para download. Atenção: isso não significa que não tenha custos, uma vez que é preciso investir na implementação e na manutenção, o que exige serviços especializados. Outro ponto que merece cuidado é a questão da segurança. Como o código-fonte é aberto, os “ataques” virtuais são mais frequentes. 3. On-Premises Em termos de funcionalidades, não há muita diferença em relação aos demais modelos. Dependendo do sistema escolhido, é possível ter uma plataforma robusta. Mas é importante analisar o custo. Em vez de pagar uma taxa mensal, o e-commerce adquire o sistema. No dia a dia, então, é preciso atenção com a estrutura que será dedicada ao projeto, por causa da necessidade de atualização e de a própria equipe ter que responder pela manutenção. Recursos e Funcionalidades Para atender às atuais exigências em relação ao e-commerce, é prioritário dispor de recursos que melhorem a experiência do cliente na hora da compra e, ao mesmo tempo, facilitem o processo de gestão da loja. Felizmente, graças aos avanços tecnológicos, as provedoras de soluções para e-commerce desenvolveram nos últimos anos excelentes recursos para viabilizar operações cada vez mais robustas. Entre as funcionalidades mais importantes, podemos destacar: Omnicanalidade Com a mudança de comportamento do consumidor, ter uma plataforma omnichannel amplia as chances de conversão. Afinal, a partir daí, quem escolhe como e onde a compra será feita é o cliente, que deve ter como optar pelo site, mobile, redes sociais, marketplace, WhatsApp ou televendas. Da parte da loja, é importante que ela tenha como oferecer a melhor experiência, independentemente do canal de compra. Para isso, um dos aspectos que devem ser observados é o emprego do Multi CD. Neste caso, a gestão de estoque é feita 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 122 123 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO de forma integrada, uma vez que o sistema consegue avaliar a presença do produto nos vários centros de distribuição (CDs). Ter uma operação baseada no conceito da omnicanalidade tornou-se prioritário, por causa da integração do físico e do digital, mas o sistema de vendas adotado, assim como o de gestão, deve acompanhar essa evolução. Na prática, isso significa que a loja terá como diversificar suas opções de entrega do produto, oferecendo a opção de retirada num ponto mais próximo da residência do cliente ou uma entrega mais rápida, justamente pelo emprego de diferentes pontos de distribuição. Integração O ecossistema do e-commerce envolve diversos tipos de operações para que tudo funcione com o máximo de eficiência. Por isso, é fundamental que a plataforma de e-commerce esteja preparada para fazer as integrações necessárias com os sistemas de terceiros. Tenha em mente que os recursos de integração de uma plataforma de e-commerce permitem que você personalize o site de acordo com o que você precisa e beneficia a experiência geral. É preciso levar em consideração o alcance e a profundidade de sua loja online atualmente, bem como quais são seus objetivos de curto e longo prazo. Existem vários recursos para ser integrado com a sua plataforma de e-commerce, abaixo segue uma lista de integrações essenciais: Opções de pagamento: para reiterar, você precisa de uma plataforma que tenha as integrações para aceitar um diversificado número de opções de pagamento. Marketing: inclui recursos para campanhas de e-mail, redes sociais, remarketing, personalização, automação e assim por diante. Lealdade: se planeja competir em seu nicho, precisa ter algum tipo de programa de fidelidade em vigor. Isso dá às pessoas um bom motivo para voltar ao seu site. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 124 125 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Pode incluir opções para um sistema baseado em pontos, recompensas de compra recorrentes ou qualquer outra coisa que ajude a ganhar clientes fiéis. Funil de vendas: o funil de vendas refere-se às etapas que as pessoas realizam no caminho para uma compra. No mundo do comércio eletrônico, isso envolve integração para fazer vendas cruzadas, vendas casadas, otimização de conversão e muito mais. Um dos itens de botão de acesso nesta lista de integrações são os chatbots. Gerenciamento de avaliações: ter uma boa integração de gerenciamento de análise de clientes é uma das armas mais poderosas em sua loja de comércio eletrônico. De uma perspectiva de SEO, o sistema de gerenciamento de avaliações que você íntegra deve ser um parceiro verificado do Google Review. Promoção e Divulgação Além da integração nativa com ferramentas do Google e do Facebook, certifique-se de que a plataforma conta com os recursos necessários para facilitar a realização de promoções. Ter como criar cupons de desconto e organizar o envio de campanhas de e-mail marketing podem ser um diferencial para a loja, assim como o fato de adotar em sua estrutura práticas de otimização. Otimização Focando especificamente no SEO, vale lembrar que estamos falando de tudo o que é necessário para garantir que seu site seja visível para mecanismos de pesquisa como o Google. Mais de 90% das experiências online começam com um mecanismo de pesquisa. A forma como sua loja online é otimizada para pesquisa tem um impacto direto em como as pessoas descobrem seu site e encontram o que procuram. Agora, o SEO para uma plataforma de e-commerce requer uma grande diligência por parte do proprietário do site, independentemente da plataforma. Isso envolve pesquisa persistente de palavras-chave, atenção ao link building, criação de conteúdo novo e otimizado para palavras-chave, páginas de produtos amigáveis para SEO, tags de títulos, tags de imagens e assim por diante. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 126 127 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Fatores importantes a serem considerados ao procurar uma plataforma amigável para SEO incluem: • Adicionar um blog à sua plataforma de e-commerce; • Usar seu próprio nome de domínio; • Permitir que os clientes deixem comentários; • Links de navegação; • Títulos de página; • URLs amigáveis; • URLs canônicos; • Meta descrições; • Tags ALT da imagem; • Títulos H1; • Sitemap XML; • Velocidade da Plataforma. Otimização para celular Uma plataforma compatível com dispositivos móveis é obrigatória. Criar uma experiência compatível com dispositivos móveis para seus clientes aumentará as vendas e, potencialmente, suas classificações. Checkout Quanto mais amigável for o processo de compra da sua loja, mais chances de o cliente concluir o pedido. Entre as funcionalidades consideradas mais importantes, podemos citar o login social e os recursos que tornam a jornada de compra mais rápida e intuitiva. Hub nativo Os marketplaces têm hoje um importante papel no crescimento do e-commerce no Brasil. Na prática, isso significa que a sua loja precisa ser integrada a esses sistemas, ou seja, deve estar presente nessas plataformas de vendas. Contudo, para não dificultar a gestão da operação, o ideal é que você consiga fazer o gerenciamento das vendas de forma integrada, controlando o que acontece na loja e no marketplace num único lugar. É importante lembrar que a atualização precisa ser contínua, pois a todo o momento surgem novos marketplaces. Então, a plataforma deve estar preparada para acompanhar essa evolução do mercado. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 128 129 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Gestão Além das facilidades básicas para a categorização do catálogo de compras, a gestão da operação torna-se mais eficiente se contar com ferramentas específicas para analisar a jornada de compra do cliente. Para isso, a plataforma deve disponibilizar diversos tipos de relatórios, independentemente do canal empregado para a compra. Assim, é possível avaliar o desempenho das vendas via web, mobile, redes sociais e marketplaces, tudo integrado com as lojas físicas (se for o caso). Suporte adequado Um dos fatores que influenciam o sucesso da loja é a estabilidade. Por isso, ao analisar as alternativas, é imprescindível considerar uma plataforma de e-commerce que tenha elevado SLA (Service Level Agreement). As plataformas no modelo SaaS geralmente apresentam bons resultados nessa frente, até porque cabe ao desenvolvedor a responsabilidade de manter o sistema funcionando. Para isso, dispõe de uma equipe especializada para essa função. Dica: sempre procure fornecedores que forneçam suporte de 24 horas e podem ser contatados por meio de diferentes canais, incluindo e-mail, chat na web e por telefone. Segurança Segurança é um fator chave para o e-commerce e, por isso, talvez uma das questões mais importantes a se considerar. Ao analisar as alternativas no mercado, avalie com cuidado a questão das certificações internacionais, como SSL. Quando um comprador vê o cadeado verde na URL do navegador, ele sabe que o site é seguro. Isso vai garantir uma operação mais tranquila no dia a dia, uma vez que a loja não corre riscos desnecessários. Ainda na questão da segurança, o fato de as plataformas SaaS serem atualizadas constantemente ajuda bastante. Eventuais bugs, brechas e outros tipos de falhas são monitorados constantemente e, claro, corrigidos. Escalabilidade Conforme sua empresa cresce, sua plataforma de e-commerce crescerá com você? Sua plataforma de 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 130 131 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO e-commerce é o centro de seus negócios. Uma plataforma de difícil escalabilidade pode dificultar o crescimento do seu negócio. Ter uma plataforma que viabilize o ganho de escala também é bastante útil para os períodos sazonais de maior demanda. No final de ano e em datas comemorativas (Dia das Crianças, Dias das Mães, Black Friday etc.) as lojas geralmente precisam de mais recursos para atender a um número maior de clientes. E nada pior do que uma loja instável, justamente nos momentos em que pode aumentar as vendas. Customização Outro aspecto que deve ser analisado é a necessidade de customização. É importante que a loja mantenha no ambiente online, se for o caso, os seus diferenciais em termos de layout e mesmo de identidade visual. É preciso redobrar a atenção, então, com o nível de flexibilidade oferecido pelo desenvolvedor. O ideal é que o e-commerce possa escolher as opções que são mais adequadas ao seu negócio. Pode parecer óbvio, mas muitos sistemas são bastante “engessados”, demandando altos investimentos no processo de customização. Usabilidade A usabilidade das plataformas de e-commerce deve ser analisada sob a perspectiva dos clientes e da equipe de gestão. Para o primeiro caso, é imprescindível garantir que o consumidor tenha a melhor experiência, independentemente do dispositivo empregado na hora da compra. Dica importante: dê preferências às plataformas first mobile, uma vez que as compras via aparelho celular têm superado as realizadas pelo desktop. Operações de vendas mais simplificadas são uma das características das plataformas preparadas para o ambiente mobile e, geralmente, isso também facilita a compra em outros dispositivos. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 132 133 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Quanto à usabilidade sob a perspectiva da equipe de gestão, a prioridade é dispor de um sistema que tenha um painel intuitivo. Ou seja, os profissionais não devem enfrentar dificuldades para lidar com o sistema no dia a dia. Em última análise, a experiência do usuário final (UX) é a parte mais importante do quebra-cabeça na criação de uma loja virtual. Se o processo de checkout for complicado, a navegação for inadequada, as informações do produto difíceis de encontrar e assim por diante, as pessoas não terão problemas para encontrar o botão X. Dito isso, uma boa experiência do usuário deve ser sua principal preocupação ao pesquisar plataformas de e-commerce. Experiência e conhecimento do fornecedor Por fim, mas não menos importante, antes da tomada de decisão é prioritário avaliar se o fornecedor realmente possui a experiência e as habilidades técnicas definidas para atender às necessidades e complexidades de seus requisitos. Além disso, verifique se eles têm o conhecimento e a experiência de trabalhar com seu segmento. Plataforma de e-commerce B2B Quando falamos de solução para autoatendimento B2B, as premissas acabam tendo pormenores muito do negócio e da operação de cada empresa. Diferentemente da maioria das operações “C“, sejam elas B2C ou D2C, os atores envolvidos no processo e as políticas comerciais acabam sendo determinantes não só para a escolha da plataforma como também para a modelagem do negócio a ser desenvolvido. Partindo desse ponto, existem questionamentos muito importantes a serem respondidos, como: Haverá envolvimento do time comercial? No B2B, a maioria dos processos de vendas são por meio do time comercial, sejam internos ou representantes, que são responsáveis pela geração de pedidos e, mais do que isso, pela relação da empresa com a sua base de clientes. Logo, estar atento para como esse processo irá se realizar determinará um conjunto diferente de informações e ferramentas para dar ainda mais força a essa relação, se envolvida no processo de e-commerce B2B. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 134 135 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Como serão as políticas comerciais e de crédito? Por mais que pareça “chover no molhado” pensar em políticas com múltiplas listas de preços, sendo essas por cliente, cluster de clientes, região etc., bem como a forma de apropriação dela na relação comercial é parte importantíssima do processo. Isso evitará surpresas em caso de elaboração de políticas que eventualmente o parceiro escolhido não esteja apto a resolver. Ainda nas políticas comerciais, temos a questão de liberação de crédito e formas de pagamento, restrições de pedido mínimo e eventual fluxo de aprovação desses pedidos mediante alçada de compra do usuário do cliente. É comum que essas questões sigam um modelo não linear e definido quase que caso a caso, cliente a cliente. Então, é importante que isso faça parte, caso seja necessário, do checklist de seleção de parceiro para o projeto. E quanto a estoque e logística? O uso de múltiplos Centros de Distribuição (CD) é um ponto que merece muita atenção, não apenas pelo fato de termos mais de um ponto de armazenagem e expedição, mas sim, a priorização de consumo de material de acordo com cada tipo de cliente, região ou ainda por cliente. Atente-se ainda se algum comprador pode ou não comprar mercadorias de determinados CD´s, sejam por restrições logísticas e/ou contratuais ou vantagem tributária. Além dos CD´s, precisamos pensar nas regras de transporte. O ponto de atenção neste momento não é quanto ao parceiro, modais ou tabelas de fretes a serem utilizadas na plataforma, mas um convite a pensar nas modalidades de entrega e suas respectivas regras. Quando será usado o CIF (Cost, Insurance and Freight) ou FOB (Free On Board)? Essa definição deve ser tomada pensando, além das regras para utilização de cada um deles, no impacto nos valores dos pedidos em função da matriz e das regras tributárias, o que pode, se estudado de forma precisa, trazer ganhos financeiros ou vantagens competitivas para a operação. Quais serão os tipos de pedidos? Saber se a operação deverá suportar vendas para revendedores, para consumo (ativo-imobilizado), remessa de conta e ordem (operação triangular), bonificação e demais tipos de operação e vendas utilizados por sua empresa que 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 136 137 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO devam ser suportadas online será um norteador importante desse processo. Esse estudo, junto com a análise tributária que andam intimamente ligadas, merecem uma “super atenção”. Avaliar os tipos de vendas que sua solução de autoatendimento irá oferecer ao comprador pode definir e/ou mudar todo o jogo, além de ter um impacto grande no processo de seleção de seu parceiro de plataforma. Operação tributária? Como bem sabemos, o modelo tributário em nosso país passa longe de ser um negócio simples e tratando-se de uma operação B2B, diferentes tipos de pedidos, múltiplos NCM de produtos, de origem fiscais diferente, considerando múltiplos pontos de expedição e múltiplos destinos, impõem cenários ao menos desafiadores para uma operação online de autoatendimento. Logo, mapear os tributos a serem calculados em tempo de pedido (ICMS, IPI, ST, PIS, COFINS, (FCP) Fundo de Combate à Pobreza etc.) bem como benefícios e descontos fiscais torna-se uma tarefa fundamental a quem deseja que o cliente possa se auto atender por meio de uma solução de comércio eletrônico. Quais são os principais indicadores para um eCommerce B2B? Na operação de e-commerce B2B, entendidas as diferenças que o modelo de negócio impõe e os objetivos esperados com tal operação, os indicadores também precisam ser ajustados. Na operação de varejo indicadores como CAC (custo de aquisição de cliente) e ROAS (Return on Advertising Spend) são fundamentais para a operação. Contudo, no B2B, indicadores como de taxa de adesão da solução (que indica o percentual da base que fez autoatendimento) ou ainda, número de cliente inativos que foram ativados pela plataforma podem fornecer dados importantíssimos para avaliação da estratégia do canal. Outro ponto importante são os indicadores operacionais, considerando que a operação atue com um modelo de aprovação de cadastro e de liberação de crédito para a operação do B2B. Neste caso, um indicador importante seria o tempo de aprovação de cadastro ou análise de crédito. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 138 139 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Se for estratégico para o negócio, o engajamento do time comercial junto à plataforma talvez seja um gatilho para monitorar a relação de clientes da carteira que compraram online, ou ainda, captação de novos clientes na área de atendimento de tal executivo. A definição de indicador sempre deve trazer para a gestão “um resumo” da operação. Assim, se faz necessário revisitar e adequar de forma recorrente os indicadores, sejam eles para monitoramento do andamento (indicadores operacionais) ou para medir a efetividade de alguma estratégia (indicadores de desempenho). Modelo B2B2C Outro tema de muita relevância quando olhamos operações B2B, sejam indústrias, distribuidores ou importadores, são os modelos de B2B2C (Business to Business to Consumer). De forma simplificada, seria a digitalização da cadeia ou canais de vendas, auxiliando e trazendo vantagens para todos os envolvidos, porém com alta complexidade tecnológica e por vezes de operação. Em linhas gerais, são formas nas quais os revendedores utilizam do estoque do fornecedor para suas operações, sem a necessidade de movimentar e manter estoque, sendo esse movimento realizado sob demanda. Os modelos mais comuns são: Dropshippping ou Fullfilment. Sob o ponto de vista de operação (não avaliados sob o prisma fiscal/tributário) esses são modelos nos quais o revendedor trabalha com o estoque do fornecedor. Assim, quando a venda é realizada, esse pedido é repassado ao fornecedor (seja indústria, distribuidor ou importador), que faz o despacho direto ao cliente que fez a compra da mercadoria. Crossdocking. Neste caso, também se opera com o estoque do fornecedor, porém quando um pedido entra esse é repassado ao fornecedor que, por sua vez, envia para o revendedor responsável pelo despacho ao cliente comprador, sem nenhum tipo de contato do fornecedor com o cliente. 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 140 141 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Quando falamos de B2B2C, têm ganhado relevância modelos em que a indústria gera a demanda e direciona para o revendedor parceiro para o atendimento da demanda gerada por eles. Isso acontece mediante acordos e contratos de região e disponibilidade de curva de produtos, ou ainda, a partir da conexão entre revendedores e parceiros em um guarda- chuva da indústria, como um marketplace. Ambos os modelos oferecem vantagens operacionais e, mais do que isso, ampliam a oferta, sem a necessidade de imobilização em estoque. Todavia, para que se tenha eficiência e escalabilidade, processos robustos precisam ser alinhados e soluções avançadas de integrações entram em cena para suportar e auditar todo o fluxo de dados e mercadorias envolvidos. Para a indústria, mais que vantagem operacional, ampliam- se as possibilidades de contato direto com seu consumidor, além de uma forma e contato mais tangível do trade, preservando toda a rede de parceiros e apoiando e dando ferramentas ainda mais poderosas a todos os canais. Elvis Gomes Quais as vantagens do modelo SaaS? As plataformas de e-commerce como SaaS geralmente são construídas em uma única base de código. Todos os que utilizam uma plataforma de e-commerce SaaS experimentam a mesma tecnologia por uma taxa fixa mensal que cobre o uso, manutenção, segurança e atualizações do servidor. A grande vantagem do modelo SaaS é que você não precisa manter o provedor de hospedagem baseado em nuvem ou um servidor físico. E, ao contrário das soluções hospedadas na nuvem, que você ainda precisa passar pelo desenvolvimento inicial e customização como faria com as plataformas tradicionais e de código aberto, então você precisa recorrer a um programador ou equipe de desenvolvedores para realizar este trabalho. Por isso, com o modelo SaaS você não precisa se preocupar Dica do Especialista 4. P LA TA FO R M A S D E E- C O M M ER C E 142 143 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO com a manutenção do software, porque o provedor de SaaS o mantém para você. Qual a relevância do suporte da plataforma no sucesso da operação da loja? Com o grande crescimento dos usuários que compram pela internet, cresceu o número de lojas virtuais e recursos disponíveis para funcionar durante toda esta operação. A plataforma de e-commerce deve acompanhar este crescimento principalmente com o seu suporte, pois o cliente do outro lado está processando inúmeros pedidos e precisa de uma resposta rápida e ágil caso aconteça qualquer tipo de falhas e erros. O suporte é o grande diferencial na escolha de uma plataforma de e-commerce, verifique se a equipe de suporte está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, por e-mail, chat, ticket e telefone. Geralmente respondendo dentro de 1-2 horas. A plataforma de e-commerce deve ter um sistema de tíquetes projetado para capturar e gerenciar todas as solicitações de suporte. O cliente pode enviar seus tíquetes por e-mail ou fazendo login no sistema de tíquetes. Uma vez conectado, pode priorizar seus tíquetes e se comunicar diretamente com a pessoa apropriada. Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Eduardo Oliveira Gustavo Chapchap Elvis Gomes 5 MARKETPLACES Marketplaces Como ser um bom seller Sistemas para gestão de vendas no marketplaces Como se diferenciar em um mercado mais competitivo Dica do Especialista 5. M A R K ET P LA C ES 146 147 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Marketplaces Os marketplaces são um modelo de negócio consolidado no Brasil e representam a maior parte das vendas dos e-commerces no Brasil. Hoje são mais de 100 marketplaces disponíveis no país e temos varejistas e indústrias que possuem mais de 60% de suas vendas concentradas nesses canais de vendas. O Brasil dispõe de grandes players nessa área, como o Mercado Livre, nos quais é possível obter grande visibilidade e manter lojas oficiais dentro da plataforma. Com essa estratégia, as indústrias, por exemplo, conseguem aproveitar as vantagens do marketplace, sem deixar de trabalhar a sua marca. Para os varejistas, é um excelente canal para testar seus produtos que têm melhor performance no canal e, depois, começar a expandir para os outros TOP5 em GMV, que são B2W, Magalu, Via Varejo e Amazon. O segredo é ter foco e estabilizar a estratégia antes de aplicar a operação para iniciar novos canais ou definir estratégias de marketing no seu e-commerce próprio. Modelo tradicional A. Lojas disponibilizam o produto no Marketplace. B. Consumidores acessam o Marketplace e compram C. O Marketplace faz o processo de pagamento e informa o lojista. D. O vendedor envia o produto ao comprador. * No modelo fulfillment o marketplace envia o produto ao consumidor 5. M A R K ET P LA C ES 148 149 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Para começar a vender num marketplace, é preciso: • ter uma empresa ativa e regularizada; • emitir Nota Fiscal Eletrônica, que é obrigatória em alguns deles. Portanto, as empresas precisarão de um certificado digital ou, se forem MEIs, fazer isso pelos sites das secretarias de fazenda dos estados em que estão localizados. • ter conta corrente no CNPJ cadastrado para o repasse acontecer; • ter produtos legalizados e com estoque; • cumprir as exigências particulares de cada uma das plataformas. Como ser um bom seller Cumprida a parte burocrática, é importante adotar algumas medidas que permitam a empresa ser um bom seller e, a partir daí, se destacar da alta concorrência que existe nesse modelo. Tenha em mente que um bom seller precisa atender aos mesmos componentes de uma boa loja física, a começar pela exposição e qualidade da informação do produto, que permitirão ao consumidor ter tranquilidade e confiança na compra. Isso significa que fotos boas e fidedignas, bem como um conteúdo com todas as eventuais dúvidas que o cliente possa ter, são essenciais nessa etapa. Atentar-se ao que é importante na tomada de decisão garantirá uma conversão melhor dos produtos. Se a linha trabalhada for de alta competitividade, é primordial acompanhar o preço dos concorrentes e posicionar a loja de forma adequada. Já se for um produto mais exclusivo, busque torná-lo aspiracional e tenha um bom incentivo no frete. Hoje, muitos marketplaces possuem campanhas de frete grátis, para quem utiliza seus serviços (fulfillment, coletas etc.). Ao fazer isso, a empresa melhora o seu last mile, já que o volume de pedidos que elas possuem tornam o preço e o prazos melhores. 5. M A R K ET P LA C ES 150 151 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Conseguir cumprir os SLAs de atendimento e de postagem será importante para a reputação que, por sua vez, influenciará diretamente na forma como os produtos serão ranqueados no marketplace. Lembre-se: criar uma experiência encantadora de compra também é uma forma de se diferenciar. Que tal enviar o produto bem embalado e com um cartão em agradecimento pelo pedido? Tenha em mente que surpreender o cliente é uma forma de aumentar as possibilidades de recompra. Para finalizar, em ambientes altamente concorridos, use as ferramentas de ads dos marketplaces, uma vez que elas são essenciais para colocar os seus produtos em evidência. Muito difundidas fora do Brasil, as campanhas de performance estão ganhando cada vez mais espaço por aqui, e podem ajudar a posicionar aquelas apostas que os vendedores conhecem como ninguém e sabem como vendê-las. Sistemas para gestão de vendas no marketplaces Atualmente o ecossistema de marketplaces vem crescendo a cada ano e hoje existem dezenas de soluções que podem ajudar as lojas a escalarem suas vendas e ter performance dentro desses canais. Três pilares são essenciais para ter boa performance nos marketplaces: Boa reputação. Para isso, é de extrema importância ter uma operação 100% integrada, seja com sua plataforma, ERP ou até mesmo o fulfillment que muitas empresas vêm aderindo. Hoje as plataformas de integração fazem esse papel, integrando o fluxo de pedidos, a publicação de produtos, o estoque e o preço. Em relação à gestão de estoque integrada, observa que isso pode ser feito desde múltiplos CDs, com a definição de estoque mínimo para evitar furos, até priorização de estoque por canal de venda. 5. M A R K ET P LA C ES 152 153 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Quanto ao preço, as plataformas de integração auxiliam na criação de campanhas, definição de precificação estratégica por canal de venda e até mesmo fazendo campanhas pré- agendadas durante a semana. Performance. O ideal, neste caso, é usar as ferramentas de lógica e de precificação que podem se integrar com a plataforma de vendas em marketplaces. Isso ajuda a empresa a ter uma melhor performance e conseguir desfoque dentro do BUYBOX (ou catálogo, como o Mercado Livre chama esse recurso). Frete, preço, tempo de entrega e qualidade sempre são os principais fatores. Pós-venda. Afinal, depois das vendas precisamos garantir o resultado da operação. Para isso existem ferramentas de gestão de SAC em marketplaces e também ferramentas de conciliação financeira. Esse tipo de solução ajuda bastante, até porque cada marketplace possui uma regra e fluxo de pagamento diferentes. Como se diferenciar em um mercado mais competitivo Além de ter os parceiros e as ferramentas corretas, o ideal é escolher o sortimento de produtos em canais específicos e fazer apostas. Afinal, os marketplaces buscam sellers que tenham preço, mas também sortimentos que não possuem. Analise também a possibilidade de apostar nos marketplaces de nicho como Netshoes, Centauro, Cobasi, Mobly, Madeira Madeira, Kabum, RiHappy, entre outros que estão se destacando no Brasil. 5. M A R K ET P LA C ES 154 155 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Bruno Kerber Como manter minha operação de loja própria, loja física e marketplace integradas? Quais são os pontos importantes dessa integração? O mais importante de uma operação de vendas multicanal é ter processos bem definidos que orientam a empresa nesse ambiente complexo, principalmente quando falamos em controle de estoque. Imagine uma empresa sem um controle de estoque eficiente. Sua operação se tornará um grande caos, gerando prejuízos não só para o negócio, mas também para sua própria marca. Desenhando e entendendo os processos, junto de uma boa plataforma de gestão como Hubs e ERP’s, o seller consegue escalar sua operação de forma eficaz. Que tipo de automação posso fazer na gestão da minha loja para ter uma maior eficiência operacional? Para as operações digitais, as principais seriam as automações de cadastro de produtos/anúncios, automação no processo de expedição dos pedidos e o SAC. Todos são os órgãos vitais de uma operação online. Exemplos de automações importantes para cada um: • Cadastro: gestão de multi-anúncio, evitando retrabalho em sua criação e cadastro dos produtos em diversos canais de venda; • Expedição: emissão de NFe/etiqueta automáticas e fluxo de etapas de pedidos com data limite de postagem; • SAC: CRM para gestão de incidentes, principalmente para tratar devoluções e reclamações. Com o aumento dos pedidos, é natural que haja também um aumento de problemas em algumas vendas, o que precisa ser controlado para evitar penalização nos canais de vendas e também analisar pontos a serem melhorados no processo de vendas (sem contar que o CRM também ajuda no processo de pós vendas). Dica do Especialista 5. M A R K ET P LA C ES 156 157 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Quais os principais pontos de atenção, para manter uma boa gestão operacional, mesmo vendendo em diversos marketplaces? Principalmente controle de estoque, precificação e expedição. Sem isso, é muito difícil ter sucesso numa operação digital, ainda mais quando se trabalha com diversos marketplaces. Um ponto de atenção, muito mencionado, é a precificação. Cada marketplace possui sua regra de comissão, repasse, frete e cancelamento. Vender nos marketplaces é relativamente fácil, o difícil é trabalhar de uma maneira eficiente e gerar lucro dentro da sua operação. Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Bruno Kerber Rodolfo Helmbrecht Mariana Castriota 6 REDES SOCIAIS E MENSAGERIA Redes sociais e mensageria Disponibilidade, Protagonismo e Conveniência O papel da automatização Venda ativa e não passiva Dica do Especialista 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 160 161 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Redes sociais e Mensageria Devido à quantidade de pessoas presentes nas redes sociais e nos serviços de mensageria, é difícil ignorar a sua importância para qualquer negócio. E, certamente, essa relevância torna-se maior para quem faz transações no ambiente online. Se ainda tem dúvidas sobre isso, veja esses dados: • 150 milhões de pessoas são usuárias ativas de redes sociais no Brasil, o que representa 70.3% do total da população. • O Facebook é a mais utilizada pela população mundial: com mais de 2,7 bilhões de contas ativas – sendo 130 milhões delas brasileiras.1 • O WhatsApp, o app de mensageria mais popular do Brasil, está instalado em 98% dos smartphones nacionais - e 95% dos seus usuários abrem o app todo dia ou quase todo dia). O risco de desinstalação segue baixo: apenas 1% dos seus usuários declaram abri-lo nunca ou quase nunca (era 0% seis meses atrás).2 As estatísticas confirmam a alta audiência dos canais, mas como as lojas virtuais devem inserir essas plataformas em suas estratégias? A resposta é simples: as redes sociais e os serviços de mensageria devem ser usados para fortalecer o relacionamento entre a marca e o consumidor. A preocupação, nesse caso, é que elas sejam vistas como um meio e não um fim. Ou seja, é prioritário trabalhar o engajamento, porque é a partir daí que a marca consegue deixar a briga apenas por preço. Para isso, a regra básica é ter bons conteúdos porque isso vai fazer com que a marca entregue mais do que a oferta de um produto, e sim estilo de vida, propósito, desejo aspiracional. Assim, ao manter o relacionamento, é possível até diminuir a necessidade de explicação sobre o produto. Isso acontece porque a compra passa a ser baseada na confiança, porque o 1. Os dados são do Digital 21, relatório produzido pela We Are Social e Hootsuite. 2. Pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box – fevereiro de 2021 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 162 163 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO cliente tem uma relação com aquela marca. Na evolução das estratégias nas redes sociais e dos serviços de mensageria, o principal é entender a jornada do cliente e fazer a abordagem mais adequada em cada momento. E, nesse caso, diferentemente do que se imagina, esses canais servem para vários estágios do pré ao pós-venda. As redes sociais e os apps de mensagens também cumprem outro importante papel: ajudam as empresas a conhecer melhor o cliente e a entender suas demandas. E isso é fundamental para que a loja virtual consiga manter sua perenidade, preparar-se para as novas exigências do público. Pensando na aplicação no dia a dia do e-commerce, outra frente que tem reforçado a importância das redes sociais é a consolidação do conceito de omnicanalidade. Parte-se nesse caso da premissa de que a conveniência do cliente deve estar em primeiro lugar, ou seja, ele escolhe onde e como vai se relacionar com a marca. A relação de confiança que é estabelecida entre as marcas e os consumidores no uso desses canais é um fator preponderante, uma vez que este é um atributo importante para o e-commerce, até porque o lucro advém da recompra. Refletindo sobre o papel dos serviços de mensageria, há outras questões que devem ser consideradas, como o fato de que os apps ajudam as marcas a se relacionarem com os clientes naquele período de espera do produto, minimizando o gap que existe entre a compra e o uso do produto. Para que todo esse potencial seja explorado, contudo, é essencial ter ferramentas específicas para organizar os dados. Ao reunir as informações da forma correta, o e-commerce consegue fazer abordagens mais assertivas, direcionadas às necessidades específicas daquele grupo de clientes. Por exemplo, no checkout do e-commerce, o cliente fornece sua data de aniversário. Por que não usar essa informação para iniciar uma conversa? 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 164 165 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO No emprego das redes sociais e dos serviços de mensageria, o trabalho não deve ser apenas “reativo”, é importante monitorar o que está sendo dito sobre a empresa, o setor e os próprios concorrentes Redes sociais e serviços de mensageria podem (e devem) ser usados pelo e-commerce para consolidar suas estratégias no ambiente digital. Contudo, é essencial respeitar as especificidades de cada plataforma e, principalmente, atentar para o comportamento do consumidor. Quanto mais conhecimento sobre a sua jornada de compra, melhor, porque a empresa pode acionar a ferramenta mais apropriada para cada estágio. Disponibilidade, Protagonismo e Conveniência As ferramentas de mensageria atualmente são fundamentais para atender aos novos padrões de comportamento das pessoas durante a etapa de consumo. O papel do varejo nesta nova relação deve ser: Disponibilidade, Protagonismo e Conveniência. Disponibilidade O mundo está 5G, entende-se por fluxo de informações e ofertas acelerado. Se antes o consumidor aguardava o retorno de um atendimento de vendas, hoje já não aguarda mais. Ele busca outros canais e até outros varejistas para ser atendido no tempo que deseja. Protagonismo Tornar o consumidor protagonista na relação com a sua marca é fundamental. O novo consumidor gosta de ser surpreendido. Imagine que no dia do seu aniversário, você recebe uma mensagem no celular e ela não traz mais um cupom de desconto, mas sim uma demonstração de carinho assinada pela marca. Além de surpreender, surge outro tipo de conexão nesta relação. Conveniência As horas que um dia foram dedicadas consumindo conteúdo de um site se tornaram minutos na tela do celular. A mensageria traz conveniência ao consumidor. Em poucas mensagens é possível comprar um produto ou serviço, 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 166 167 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO receber atendimento, resolver um problema, participar de ações de marketing e entretenimento - são inúmeras as possibilidades. O papel da automatização Para quem está iniciando os projetos, o ideal é começar por funções consultivas. Tarefas comuns, como consultar status de pedido, informações sobre preços, prazos e outros dados, podem e devem ser tarefas automatizadas. Além de gerar performance de negócios, melhora a experiência da sua audiência e consumidores, afinal eles terão informações de maneira prática e rápida. Se você tiver dificuldades em encontrar esta solução, faça um exercício utilizando uma ferramenta chamada Blueprint UX. O exercício ajudará a encontrar respostas que talvez você já possua, mas não estejam evidentes ainda. Durante a etapa de planejamento de uma solução de chatbot, onde temos chat ( janela de conversa) e bot (aplicação automatizada por jornada ou uma inteligência artificial) é necessário entender a jornada do consumidor para prever quais saídas você dará dentro da solução. Cerca de 80% dos atendimentos realizados entre consumidores e marcas poderiam ser automatizados. Geralmente são perguntas e casos de soluções frequentes. Entretanto, ainda existe uma parcela de consumidores que não gosta de ser atendida por um robô, e tem preferência em ser atendida por uma pessoa. Além de casos complexos que exigem análises humanas para solucionar um atendimento. Ao formular essas soluções geralmente as empresas usam metodologias de Design de Serviço que permitem mapear os pontos de contato e prever os pontos de equilíbrio no atendimento. Durante esse processo, é possível encontrar fatores que respondem às perguntas da jornada do consumidor de maneira específica. Lembrem-se: um bom chatbot não é aquele que atende apenas aos requisitos técnicos. Um bom chatbot é aquele 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 168 169 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO que atende às necessidades das pessoas onde quer que elas estejam. Venda ativa e não passiva Refletindo sobre o emprego dessas ferramentas para aumentar a conversão, o principal é ter estratégias para ampliar os momentos de compra. E, para isso, nada melhor do que investir na personalização dos conteúdos. Essa é a premissa para ter uma régua de relacionamento que gere resultados efetivos. Recomendação básica: crie diferentes fluxos de mensagens, de acordo com o perfil do cliente e/ou o estágio da jornada de compra. O mais importante, então, é determinar os objetivos pretendidos com aquela “ação”. No caso do e-commerce, funciona bem direcionar mensagens específicas para clientes inativos, indecisos, que abandonaram o carrinho de compras, que visitaram recentemente a loja etc. Ao elaborar as mensagens para cada fluxo, é possível partir de conteúdos relacionados aos seguintes pontos: Confirmação de compra Simples de serem desenvolvidas, essas mensagens devem ser enviadas após o cadastro da loja e/ou primeira compra. É importante ter mensagens específicas para cada situação. Se a pessoa fez o cadastro, agradeça o contato e aproveite para apresentar os diferenciais da marca, como ela pode atender ao cliente etc. Para quem fez a compra, além das boas-vindas, é recomendado enviar informações básicas sobre o andamento da entrega, deixando o cliente mais confortável. As pessoas se sentem cada vez mais à vontade na compra online, mas um certo grau de insegurança é natural. Em ambas as situações, é importante aproveitar esse primeiro contato para aproximar-se do cliente e mostrar a importância dele para a loja. Lembre-se de que hoje as vendas devem se basear em relacionamento, portanto, cada contato é relevante. 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 170 171 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Ofertas especiais No dia a dia, vemos que muitas empresas deixam de trabalhar a base de clientes, optando por investir mais em estratégias de aquisição do que de fidelização. Trata-se de um erro grave para a evolução do negócio, até porque o cliente “fiel” geralmente tem um ticket médio maior, uma vez que confia naquela marca. Uma das formas de ativar a base e continuar interagindo com ela é desenvolver fluxos de mensagens específicos para determinadas datas. Fique atento: datas comemorativas são uma excelente oportunidade para o envio de lembretes de compra. Além de manter a sua marca na mente do público, essa estratégia apresenta bons resultados em razão da relevância das compras por impulso. Para ter um fluxo bem-feito sobre esse conteúdo, o ideal é ir além das datas mais conhecidas. Vale buscar, por exemplo, aquelas que fazem referência direta ao seu negócio. Ainda nessa linha das ofertas especiais, não deixe de usar também dos bons e velhos truques promocionais: compre 1, leve 2; descontos em combos de produtos e oferta de produtos similares. As empresas têm como fazer um monitoramento detalhado sobre o perfil do cliente e, a partir daí, fazer entregas relevantes, adequadas às suas necessidades. Com o emprego do e-mail ou de mensagens via WhatsApp, hoje é bem simples organizar um fluxo de mensagens específico para esse tipo de ativação. O principal é abrir mão daquelas ofertas genéricas, que ignoram o tipo de relacionamento que o cliente tem com a loja. Abandono de carrinho Abandono do carrinho, infelizmente, é algo comum no e-commerce. As taxas são altas no e-commerce brasileiro e, por isso, vale a pena desenvolver estratégias adequadas para isso. O fluxo de mensagens para essa ocasião deve começar, claro, tentando reverter a compra. Para isso, funciona enviar um “lembrete”, avisando ao cliente que a sua compra continue disponível. 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 172 173 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Caso não obtenha retorno, vale a pena ter uma abordagem mais incisiva. Entram aqui os cupons de desconto e oferta de frete grátis ou de algum tipo de brinde. Se mesmo assim a compra não for efetivada, é prioritário que este cliente seja convidado a responder uma pesquisa rápida de avaliação. Entender as razões do abandono de carrinho é uma ação prioritária. Afinal, mesmo que aquela pessoa não efetue a compra, as questões apresentadas podem ser usadas para evitar que isso ocorra com outros compradores. E, dependendo do resultado, vale a pena programar mais algumas mensagens para este grupo de clientes. Por exemplo, para oferecer um produto similar, por um custo mais baixo. Enfim, com base nas informações obtidas é possível trabalhar em várias linhas criativas. Pesquisa de avaliação A realização de pesquisas de satisfação ou de avaliação deve ser vista como prioritária, então, é preciso ter um fluxo de mensagens específico para este fim. Ou seja, esse tipo de convite deve ser recorrente por parte da loja. Elas são válidas para vários momentos da jornada de compra, então, é importante estudar como será o envio, pensando em cada ocasião. Essa é uma oportunidade, também, para pedir avaliações públicas para o cliente sobre o atendimento e mesmo produtos. Dificilmente hoje alguém faz uma compra sem pedir opiniões de terceiros, então, essa é uma iniciativa que pode fazer a diferença nos resultados do e-commerce. Como você viu, é possível trabalhar, ao mesmo tempo, com diversos fluxos de mensagens. Para que isso dê certo, contudo, é prioritário ter um bom planejamento. Essa é a melhor forma de abordar o cliente da forma mais eficiente, uma vez que ele receberá a informação certa, pelo melhor canal e no momento adequado. 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 174 175 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Gustavo Chapchap Qual a importância do atendimento humanizado no processo de vendas? O comércio via mensageria transforma o vendedor em um agente de marketing. Isso acontece porque essa modalidade traz para o consumidor a conveniência da venda não- presencial e o benefício de ter a assessoria de um vendedor no processo de compra. E tem mais: esse tipo de comunicação cria uma relação de confiança. Esses pontos resultam em um diferencial importante. A comunicação personalizada, identificada, proposta por alguém que está na lista de contatos e possui noção das demandas do consumidor, tem efeitos importantes no relacionamento porque aproxima, humaniza e automatiza o processo de vendas. Como utilizar as plataformas de mensageria para vender de maneira eficiente? Com o uso do WhatsApp, é possível fazer com que o vendedor da loja física envolva-se com o e-commerce, sendo devidamente recompensado por isso. Para quem trabalha com franquias ou revenda, o uso dos apps também oferece benefícios relevantes para todas as frentes. A loja e/ou o revendedor podem criar catálogos de produtos específicos para as necessidades da sua operação, mas a empresa tem como acompanhar todo o processo, dando suporte para melhorar a conversão. Do ponto de vista do consumidor, quem criar uma estratégia para atingir o público via esse tipo de plataforma, com certeza sai na frente. Em um momento de concorrência acirrada, isso pode ser um ponto determinante para o sucesso. O uso dos aplicativos de mensagens resolve o problema do cliente que está em busca de conveniência. Melhor ainda quando isso pode ser feito com a ajuda do vendedor. Dica do Especialista 6. R ED ES S O C IA IS E M EN SA G ER IA 176 177 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Em um momento de mudança, como o que estamos vivendo, a principal missão de qualquer empresa que queira se destacar é justamente encontrar soluções que facilitem a vida do cliente. O que você está fazendo para se comunicar, se aproximar e vender via aplicativos de mensagens? Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Luiz Tardelli Gustavo Chachap 7 IMPLANTAÇÃO O que o cliente necessita mapear antes da implantação Como contratar agência: atividades que vão além de layout e programação Custo médio de implantação e prazo Customização e criação de funcionalidades específicas dentro das plataformas Critérios de avaliação de uma agência de implantação Diferenças da implantação de projetos B2C e B2B Projetos especiais de implantação no canal de venda O e-commerce como core da operação Dica do Especialista 7. IM P LA N TA ÇÃ O 180 181 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Implantação Depois de ter escolhido a plataforma de e-commerce, podemos dizer que a decisão mais difícil será: como contratar agência digital de implantação? O processo de escolha se torna árduo por existir muitas ofertas de serviços, de locais com diferentes métodos e preços. Alguns lojistas acreditam que o processo de implantação está 100% ligado com a criação do layout e programação. Porém, trata-se de algo muito maior e que vale a pena entender exatamente o que está sendo executado, só assim é possível contratar a agência digital ideal. O que percebemos no dia a dia é que os lojistas normalmente associam a implantação de uma loja majoritariamente ao que está “na ponta do iceberg”. E, por isso, é comum que o lojista não tenha planejado de forma adequada todos os impactos da implantação de uma loja do zero, sendo os principais deles relacionados a tecnologia e logística. Como veremos neste capítulo, implantar uma loja online é muito mais do que ter um canal de compras para o seu cliente. Por isso, antes de pensar em implantar uma loja online o lojista precisa pensar em como implantar um negócio completo online, talvez mudando completamente sua visão de marketing, tecnologia, experiência do cliente, atendimento, logística, financeiro etc. O que o cliente necessita mapear antes da implantação Antes de tudo é colocar o consumidor no centro, com isso em mente fica mais fácil mapear todos os pontos importantes. É essencial fazer perguntas como se estivesse direcionando-as ao cliente: Quais os principais produtos que você quer comprar na minha loja? Qual o tempo máximo aceitável para ter os produtos na sua casa? Tem interesse em retirar em um ponto físico? Gostaria de ter conteúdos exclusivos relacionados ao produto? Onde você procuraria pelos produtos? 7. IM P LA N TA ÇÃ O 182 183 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Qual valor agregado do produto na web (precificação vs concorrência) Com essa forma de pensar você consegue definir melhor o caminho para catálogo, logística, experiência, marketing digital etc. E claro, não esquecendo que para tudo isso é necessário ter um back-office e tecnologias alinhadas à possibilidade de escala do negócio. Então, não se esqueça de pensar qual seria a melhor experiência para o seu cliente levando em conta todo o core de um e-commerce: plataforma, back-office, marketing digital, conteúdo, logística, financeiro, atendimento, pricing, antifraude e parcerias. Como contratar agência: atividades que vão além de layout e programação Vamos listar aqui algumas atividades que podem ser executadas ou não pela sua agência de implantação e que não precisam estar associadas com layout e programação: Em primeiro lugar, a arquitetura (do ponto de vista das integrações) para projetos em que há comunicação com outros sistemas e, depois, um treinamento da plataforma para as atividades básicas, são as tarefas mais comuns. Há ainda outras atividades que podem ser desempenhadas pela agência digital, são elas: • Suporte a configurações de logística, pagamento e antifraude; • Estudo de encontrabilidade (qual a melhor forma de encontrar o produto por filtros, categoria, departamento etc.); • Configurações de tagging (analytics, mídia e monitoramento, entre outros); • Estudo de grade e campos de cadastro de produto; • Suporte ao cadastro; • Orientação de lançamento (promoções); • Orientação para textos estáticos e legais; • Orientação para fotos; • Orientação para contratação de fornecedores (pagamento, antifraude, transportadoras, recomendação e produtos, recuperação de compras, chats e mais); • Parametrização da plataforma; • Orientação para melhores práticas de cadastro para SEO; 7. IM P LA N TA ÇÃ O 184 185 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Suporte a homologação com terceiros (homologação Cielo, por exemplo); • Gestão de cronograma; • Gestão de terceiros envolvidos no projeto (integração, por exemplo). 1. Escopo e especificação Antes de decidir como contratar a agência digital de implementação para seu e-commerce, é preciso entender que o primeiro foco do escopo são os chamados “objetivos do negócio”. Ou seja, saber exatamente quais são as intenções e objetivos gerais do negócio em relação ao novo canal de venda. Caso seja um projeto de migração de plataforma, apurar quais foram os pontos críticos que fizeram com que essa decisão fosse tomada e o quanto isso impactará na estratégia geral. Alinhamento Tecnológico x Objetivos do Negócio Uma vez definido quais são os Objetivos do Negócio, deve- se descrever quais são as opções técnicas para alcançá-los, pensando em alternativas de customização da plataforma e funcionalidades essenciais para potencialização dos resultados. Alinhamento de necessidades Especiais A última etapa do escopo é saber o que deve ser desenvolvido por não ser entregue de maneira nativa na plataforma. Isso exige um desenvolvimento mais complexo e, em alguns casos, até customizações de hack-end. Tudo isso fará com que os esforços na etapa de desenvolvimento sejam maiores. 2. Experiência do Usuário (UX) Depois do documento de escopo aprovado, iremos para o wireframe. É aqui que são previstas as aplicações de funcionalidades, diagramação das páginas e disposição dos elementos para uma melhor visualização das funcionalidades previstas em escopo. Para que, ao final, o e-commerce consiga oferecer uma experiência de usuário satisfatória ou, melhor ainda, engajadora. Existem também agências que trabalham com templates/ temas já pré-formatados nos quais não há possibilidade de 7. IM P LA N TA ÇÃ O 186 187 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO customização. Portanto, fique atento a qual serviço você está contratando nesse momento. 3. Design Aprovado o wireframe (desenho ou esqueleto do e-commerce) na etapa de UX, começará o trabalho de criação e design. Essa etapa tem como objetivo principal entregar os conceitos criativos e o alinhamento com a identidade visual da empresa. É uma etapa essencial, pois será quando o lojista terá a visão real de como será a sua loja no final. Algumas agências entregam o layout navegável. Em outras palavras, mesmo sem entrar na “etapa de programação”, será possível navegar dentro do design do layout e ter uma visão muito mais clara da experiência de compra. Um outro ponto importante são os dispositivos que a sua loja virtual irá suportar. É importante avaliar na proposta que você recebeu o que está contemplado. 4. Implantação Uma vez aprovado o layout, entramos na etapa de desenvolvimento e implantação. É aqui que os desenvolvedores certificados na plataforma irão desenvolver e integrar o que foi previsto nas etapas anteriores de UX e Design. Na fase de desenvolvimento, o lojista começará a validar todas as atividades no ambiente final da plataforma. 5. Homologação Uma vez implantado, a agência terá que fazer a homologação total da sua loja: prevendo compras com todos os métodos de pagamento, adicionando produtos ao carrinho, validando página de produto, meios de busca, enfim, validando o máximo possível de comportamentos futuros do cliente. Nesta etapa, são levantados alguns pontos críticos e ajustes que voltarão ao time de desenvolvimento para que sejam corrigidos e finalizados para a última etapa do projeto 6. Go Live Pronto, a última etapa do projeto é a virada da loja ou o “Go Live”. A agência digital de implementação cuidará dos apontamentos e validação dos certificados. Loja no ar! 7. IM P LA N TA ÇÃ O 188 189 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 7. Suporte e Estabilização Após o “Go Live”, existe um período de estabilização e suporte. Treino é treino, jogo é jogo e, sem dúvida, com uma quantidade maior de clientes navegando e comprando, surgirão novas correções a serem feitas. Esse período deve ser combinado com a sua agência na etapa de negociação e contratação do serviço. Custo médio de implantação e prazo Para avaliarmos melhor como funcionam as questões custo e prazo, podemos dividir o projeto de implantação de uma loja virtual em 3 principais tipos, são eles: • Tema ou Template padrão; • Tema ou Template Personalizado; • Layout Personalizado. Tema ou Template padrão O tema ou template são layouts já prontos, que são facilmente instalados em sua plataforma de lojas virtuais. Nesse caso, são muito utilizados por plataformas que atendem micro e pequenas empresas. Os temas e template possuem uma menor possibilidade de personalização, ao mesmo tempo que possuem o menor custo de implantação e o menor prazo de entrega. Nesse caso os valores podem partir de R$ 399 reais. Tema ou Template Personalizado O tema ou template personalizado utiliza a base de um tema, sua estrutura e diagramação, mas disponibilizam uma maior customização e personalização, como alteração de cores, fontes, mudança de posição de alguns elementos visuais. Nesse caso, ele tem um investimento superior ao tema e um prazo um pouco maior de implantação em relação ao tema padrão. Os temas e templates personalizados podem ter um investimento a partir de R$ 2.000,00, em média. 7. IM P LA N TA ÇÃ O 190 191 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Layout Personalizado Os layouts personalizados são desenvolvidos do zero, entendendo a necessidade de cada marca. Por conta da sua característica, tendem a possuir um investimento maior do que todos os modelos anteriores, além do prazo também se estender mais, por possuir uma maior quantidade de etapas de construção. As plataformas que atendem médias e grandes empresas possuem em sua maioria apenas este último modelo. Assim, nenhuma loja fica igual a outra, abrindo a possibilidade de agências especializadas construírem projetos únicos para cada marca. Os layouts personalizados possuem um investimento a partir de R$ 15.000 e um prazo médio de 2 meses para a implantação. Customização e criação de funcionalidades específicas dentro das plataformas Como é fácil deduzir pelo que tratamos no último tópico, o mercado hoje oferece diversas opções de plataformas, para todos os segmentos, escopos e bolsos. Porém, é necessário um amplo conhecimento e experiência para escolher a plataforma que atenda às necessidades e escopo do projeto. • De modo geral, a maioria das plataformas atende as necessidades básicas. Pode parecer simples, é possível executar uma implantação apenas com conhecimentos de web designer, mas assim como outras atividades, tudo tem uma especialização e é essencial ser homologado nas plataformas de atuação para usufruir ao máximo os recursos disponíveis. • Não basta somente saber codificar. Um e-commerce de sucesso exige muito além de um layout. Por exemplo, são poucos os e-commerces que têm uma estrutura correta de SEO. Por mais que a maioria das tecnologias disponibiliza recursos de SEO em seus back-end, a maioria das agências 7. IM P LA N TA ÇÃ O 192 193 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO e profissionais não aplicam, por falta de domínio sobre o assunto, gerando problemas de indexação no Google e gastos excessivos em campanhas pagas, que poderiam ser otimizadas se o conteúdo fosse indexado na primeira página de resultado do Google, que ainda é o principal site de busca do mercado. Critérios de avaliação de uma agência de implantação 1. Prazo de implantação O prazo de implantação médio é importantíssimo. Na etapa de negociação, é preciso ter clareza de todas as atividades que serão executadas, quais são de responsabilidade do lojista e quais são de responsabilidade da agência de implantação. É necessário ainda somar o cronograma total de prazos do projeto. Também é preciso entender quais são os pontos críticos desse cronograma e quais são os maiores causadores de atraso em cada projeto de implantação. Isso servirá para alinhar as expectativas e prazos de entrega. 2. Escopo e cronograma O que está previsto nesse projeto e o que não está previsto? Principalmente as atividades listadas neste capítulo que falam do que não está relacionado com a criação e programação. 3. Cases É fundamental analisar os cases da agência digital, a complexidade das lojas implantadas e qual o prazo médio de entrega. A complexidade dará uma visão de qual a capacidade técnica da agência de implantação e o prazo médio dos projetos darão a segurança e a expectativa correta em relação ao lançamento do seu próprio e-commerce. 4. Experiência com a plataforma de e-commerce A experiência na plataforma é essencial, porque podem surgir necessidades técnicas que precisam ser resolvidas e, caso a agência de implantação escolhida não seja experiente tecnicamente, o e-commerce esbarrará em respostas como “isso não dá pra fazer na plataforma”. Dica para o momento da contratação da agência: saiba qual a quantidade de desenvolvedores especialistas na plataforma de e-commerce que faz parte do time e o que eles já fizeram 7. IM P LA N TA ÇÃ O 194 195 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO de complexo em relação à customização na plataforma. 5. Custo do projeto e custos adicionais Por fim, é relevante compreender os custos do projeto, mas também saber comparar as propostas das agências de implantação. Hoje, os preços são bem diferentes. Então, você terá que entender exatamente o que cada orçamento prevê. Um dos pontos chave é descobrir o que não está incluso e o que de alguma forma irá gerar custos adicionais. Algumas agências trabalham com custo extra por funcionalidade, outras trabalham com escopo aberto, contemplando tudo aquilo que for nativo na plataforma. O lojista precisa ter clareza do que está comprando para não ter surpresas e custos extras no meio do projeto. Diferenças da implantação de projetos B2C e B2B Para um B2C comum, normalmente a implantação é mais simples que num B2B, porque neste caso as preocupações de catálogo, grupo de clientes, pricing e financeiro são mais complicadas. No B2B o catálogo tende a ter variações mais complexas, como caixas, engradados ou produtos exclusivos para atacado, por exemplo. No caso da precificação, é comum haver variação regional, por representante, por quantidade etc., sem contar as variações de impostos para cada categoria de produto. A experiência também precisa ser muito mais customizada que um B2C comum, afinal, ela deve ser pensada para compras em escala e com features bem específicas para cada tipo de negócio. Projetos especiais de implantação no canal de venda Quanto mais aberto for o escopo, que é o caso de projetos especiais, mais atenção deve ser conferida à adoção de metodologias ágeis em toda implementação. Planejamento é importante, mas é impossível prever todos 7. IM P LA N TA ÇÃ O 196 197 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO os pontos. Seguindo algum método ágil você vai sempre conseguir lidar com os problemas do projeto da forma mais eficiente e rápida possível. Outra dica seria dividir esse projeto em fases, dessa forma focando sempre do mais importante ao menos importante para o negócio, mas ainda sim entregando valor para o cliente final de forma rápida, sem a necessidade de esperar todo o projeto ser finalizado. O e-commerce como core da operação Ainda na fase de implantação, é importante pensar em como a tecnologia pode ser usada para potencializar os resultados dos canais de venda tradicionais. No passado, acreditava-se que o e-commerce era apenas um canal de vendas a parte, quase sem interação com os outros canais de venda. Na verdade, o e-commerce precisa ser visto como core de toda operação de venda e relacionamento com o cliente. Os vendedores precisam estar na mesma plataforma, ou poder fazer vendas via WhatsApp, por exemplo. A logística precisa estar integrada à cadeia de lojas para entregar em uma hora para um raio próximo. A loja física precisa ter produtos do e-commerce à venda, ou até de um parceiro via marketplace. O televendas precisa enxergar o carrinho abandonado no e-commerce e vice-versa. O aplicativo precisa enxergar a localização da loja física para disparar um push ao estar por perto e assim por diante. Todas as possibilidades que hoje são comuns no mundo do e-commerce podem e devem ser adaptadas para os canais tradicionais. Não se esqueça de pensar qual seria a melhor experiência para o seu cliente levando em conta todo o core de um e-commerce 7. IM P LA N TA ÇÃ O 198 199 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Rodrigo Augusto Quais são as características comuns entre os clientes com melhor performance no projeto de implantação de um e-Commerce? Performance tem diversos elementos, técnicas e ações envolvidas, não é simplesmente trazer tráfego para loja, não adianta uma loja com acesso, sem ter um conteúdo relevante, sem estar otimizado para navegação em diversos dispositivos, sem ter uma ótima experiência de navegação, certamente não terá conversão. Clientes conscientes de que é preciso investir em performance, em SEO, em evolução do layout é a principal característica identificada em lojas com maior performance. O varejo online já compartilha estratégias e ações semelhantes, se o mínimo e o comum não forem bem feitos, por uma agência ou profissional qualificado, dificilmente será possível inovar para se destacar. Iniciar e/ou manter uma operação online com boas práticas é essencial para criar os KPI’s do seu negócio e assim entender e planejar para alcançar as metas e o sucesso. Como cliente, quais pontos eu preciso acompanhar no processo de implantação com minha agência? Um dos principais pontos que tenho observado é referente ao quanto a agência ou profissional domina a plataforma de atuação, pois, tem uma grande diferença em ter conhecimentos de marketing digital e ser especialista em marketing digital em e-commerce. Existem diversos fatores que quando não recebem a atenção de um especialista, geram prejuízos irreversíveis. Um checklist bem feito geralmente passa de 300 itens. Como cliente, as atenções devem iniciar desde o fechamento comercial, mas alguns pontos se destacam entre os muitos a serem validados: Há quanto tempo a agência está no mercado? Dica do Especialista 7. IM P LA N TA ÇÃ O 200 201 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Qual o tamanho da estrutura? Quais certificações possui? Quantos projetos já foram implantados? Quais são os cases de referência? O escopo apresentado atende minhas necessidades? O preview apresentado é funcional? O layout atende o escopo? O layout representa a minha marca/empresa? O layout desperta o desejo de consumo? A versão mobile condiz com o comportamento atual dos usuários nos dispositivos disponíveis? Existem diversos pontos de atenção e variam de acordo com o escopo do projeto. Mesmo tendo um gestor de projetos atuando, não deixe de fazer algumas simulações de compra e assim entender como o seu cliente vai se comportar dentro do seu site e interagir com seus produtos ou serviços. Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Hygor Roque Rodrigo Augusto Renan Mota 8 EVOLUÇÃO (ON GOING) Sortimento dos produtos Profundidade do produto Gestão do e-commerce Implantação de novas funcionalidades Parceiros ideias para a manutenção do e-commerce 1. Conhecimento da Plataforma 2. Estrutura de Atendimento 3. SLA bem definido 4. Proatividade Dicas do especialista 8. E VO LU ÇÃ O (O N G O IN G ) 204 205 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Evolução (On Going) Implantado o e-commerce, é importante considerar o que precisa ser feito para tornar o negócio rentável. Para se organizar neste sentido, o primeiro passo é considerar que existe um tripé quase infalível no e-commerce: sortimento de produto, profundidade de estoque e gestão do e-commerce. Todas essas dessas frentes são tão relevantes que fica impossível colocar alguma delas em grau de importância, uma vez que é impossível dissociá-las. Vamos entender melhor: 1. Sortimento dos produtos Entender qual o seu posicionamento de mercado e tirar vantagem dos produtos que está oferecendo ao seu cliente é o primeiro passo para fazer o e-commerce decolar. Não menos importante é necessário entender onde está o seu cliente, qual o comportamento de compra e atingir uma meta junto com o seu fornecedor para poder oferecer a esse cliente o que ele deseja – e, às vezes, antecipar esse desejo! No dia a dia, muitos clientes aumentam ou diminuem suas vendas sensivelmente por falha na escolha do tipo de produto a ser vendido para o seu público-alvo. Em moda isso é muito mais sensível, e cada coleção precisa ser muito bem pensada. Dá muito trabalho e, claro, há chance de o erro poder ser a chave do sucesso ou do fracasso. 2. Profundidade do produto Pois bem, você conseguiu trazer o seu cliente para a loja, fez um excelente trabalho para conseguir encontrar o produto que ele queria, porém a calça que ele gostou só tem o número menor – ou maior. 8. E VO LU ÇÃ O (O N G O IN G ) 206 207 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO E bate a frustração. No ambiente online, isso significa que você provavelmente não terá mais esse consumidor de volta. Por isso, tão importante quanto oferecer opções a esse cliente, é saber se elas estarão disponíveis no momento da compra. Prever a disponibilidade do produto é entender a fundo o comportamento do seu cliente e do mercado. A vantagem que o mundo online ainda tem em relação à loja física é a possibilidade de entender cada métrica de consumo com base nos dados fornecidos pela plataforma, nos dados analíticos e no que se consegue com a gestão do e-commerce. 3. Gestão do e-commerce Ter um e-commerce dá muito trabalho. Muito mesmo. Porque a concorrência é maior, as informações mudam toda hora e a linha entre você ter algum sucesso e muito fracasso é tênue. O dono da loja virtual precisa entender como funciona a dinâmica do seu varejo digital. É fundamental conhecer os detalhes de funcionamento técnico do fornecedor de plataforma e-commerce; do suporte dessa plataforma; da integração do ERP; da agência parceira e da equipe de marketing e de performance; da empresa de pagamentos e antifraude; da gestão de frete que também está envolvida nesse processo; e das integrações necessárias para a gestão, seja via redes sociais ou de mecanismos de buscas e de performance. A responsabilidade da gestão do e-commerce é sempre do dono da loja online. Os parceiros envolvidos são sempre ferramentas e agem seguindo a lógica de mercado ou conforme a necessidade interna para atender vários clientes. Por isso, é necessário sempre assumir o controle de toda situação e avaliar qual o momento da sua empresa e se os fornecedores estão adequados a esse momento. Importante ressaltar que o conhecimento precisa ser reciclado continuamente. Os fornecedores surgem 8. E VO LU ÇÃ O (O N G O IN G ) 208 209 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO aos montes, as novidades são constantes e as regras estabelecidas principalmente por empresas de tecnologia de performance e de redes sociais se alteram constantemente. O bom gestor é aquele que tem os números de taxa de conversão, de quantidade de clientes, de pedidos realizados, de faturamento, de taxa de abandono de carrinho, de valores pagos a todos os fornecedores, de melhores momentos para uma campanha, de resultados dessas campanhas etc. Como qualquer negócio, o varejo digital é repleto de riscos e de muitas oportunidades. A responsabilidade do sucesso, ou fracasso, sempre vai ser sua – não terceirize essa responsabilidade. Esse tripé é importante – não é garantia de sucesso – mas é com certeza um bom caminho para ter um e-commerce que funcione, gere bons resultados e que seja duradouro. Implantação de novas funcionalidades Trabalhar de forma segura e planejada faz parte das melhores práticas de desenvolvimento de qualquer negócio. No caso do e-commerce, as principais plataformas do mercado possuem ambientes de Homologação e de Produção. O ambiente de homologação serve para que a agência faça todos os testes necessários em novas funcionalidades, ajustes e implementações sem comprometer o funcionamento da loja. Com os testes realizados, é feita uma atualização da versão da loja, fazendo com que os ajustes fiquem disponíveis no ambiente de produção, isto é, na loja publicada. Na hora de definir quais funcionalidades devem ser incluídas, depois de a loja estar no ar, o principal é pensar na aderência. Entender o negócio e como melhorar a experiência do usuário no e-commerce é algo que todos perseguem diariamente. Para quem não sabe por onde começar, uma dica: tente responder a estas perguntas: Quais novas funcionalidades trarão uma experiência melhor para os clientes da minha loja? 8. E VO LU ÇÃ O (O N G O IN G ) 210 211 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Quais delas aumentarão o meu volume de vendas / ticket médio? Essas ações otimizarão a performance da loja ou podem causar algum tipo de lentidão? Parceiros ideias para a manutenção do e-commerce A escolha da agência de e-commerce é um passo importante para o funcionamento e o crescimento da loja. Para acertar, é preciso levar em conta alguns critérios, como: 1. Conhecimento da Plataforma Busque agências certificadas pela sua plataforma de e-commerce. É a garantia de que os profissionais dominam a ferramenta e que utilizarão as melhores práticas de desenvolvimento em sua loja. 2. Estrutura de Atendimento Com a loja no ar, muitas demandas tornam-se urgentes. Nesses casos, é fundamental que a agência tenha uma estrutura de atendimento ágil e acessível, pronta para solucionar eventuais problemas e solicitações do dia-a-dia. 3. SLA bem definido Busque por uma agência que estabeleça de forma clara as entregas e o tempo de resposta de suas solicitações. É muito importante que demandas urgentes, que impactam no resultado da operação, sejam atendidas prontamente. 4. Proatividade É muito importante que a agência esteja engajada com os seus objetivos de negócio. Analisar e sugerir melhorias, estudar o comportamento do consumidor e trabalhar de forma ativa na melhoria da experiência na loja são alguns pontos que devem ser observados. Como qualquer negócio, o varejo digital é repleto de riscos e de muitas oportunidades. 8. E VO LU ÇÃ O (O N G O IN G ) 212 213 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Renan Mota Como dimensionar o esforço necessário para o on going? É difícil que apenas uma pessoa consiga fazer esse dimensionamento. Então, o ideal é que mais de uma pessoa faça a avaliação de forma separada para que, na média, fique mais assertivo o esforço necessário. Existe um baralho de scrum que ajuda muito nesse dimensionamento. É altamente recomendado para times ágeis. Mas vale ressaltar que o mais importante é não travar o time, dimensionar o esforço dessa forma vale a pena para features mais complexas. Para tarefas simples do dia a dia, o tempo gasto de esforço para dimensionar pode ser valioso para a execução das tarefas. Quais KPI´s devem ser analisados para determinar mudanças? Todos KPI’s importam e podem influenciar alguma mudança. Contudo, é importante priorizar quais KPI’s são mais importantes. Diria que devemos focar nos indicadores de vendas: taxa de conversão, taxa de abandono em fases críticas do funil, estoque de produtos, proporção de formas de pagamento, de escolha de frete etc. Seguindo disso, é importante avaliar os KPIs de pós-captação, como SLA de atendimento, pagamento de boleto, tempo de entrega etc. E, por fim, todos os outros indicadores-chave que impactam na experiência como um todo: bounce rate das páginas, encontrabilidade de busca etc. Quais são os profissionais que devem estar envolvidos em um processo de evolução da loja? Importante sempre ter uma política de “always better” em toda empresa, dessa forma todo mundo pode ter uma contribuição ao backlog, desde o picker até o CEO da empresa. Mas para execução das melhorias em si é importante ter sempre profissionais focados em análise de dados, experiência do usuário, tecnologia, quality assurance e obviamente de negócio. Dica do Especialista 8. E VO LU ÇÃ O (O N G O IN G ) 214 215 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Igor Simas Rodrigo Amaral Renan Mota 9 PERFORMANCE Performance Mídia paga e marcas em estágio inicial Performance e Fidelização Critérios para a escolha de influenciadores Dicas do especialista 9. P ER FO R M A N C E 218 219 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Performance A performance do e-commerce está associada, diretamente, à otimização dos resultados na aquisição de clientes e aos esforços relacionados à fidelização da base. Neste contexto, a escolha do canal de aquisição ideal para o tipo de produto e serviço é fundamental. Para que isso seja feito da melhor forma possível, o primeiro passo é entender que existem mídias reativas e proativas. Ou seja, existem canais nos quais o cliente pró ativamente procura pelo produto ou serviço necessário (é o caso de Google Ads e Bing, por exemplo) e canais nos quais os lojistas vão ao encontro dos consumidores oferecendo para eles seus respectivos produtos e/ou serviços (é o que acontece, por exemplo, com os anúncios no Instagram). Uma vez que entendemos o racional acima, precisamos cruzar essa informação com o nosso segmento e o perfil de consumo do produto em questão. Para isso, tenha sempre em mente estas duas perguntas: Ele é um produto de necessidade ou um produto recorrente? É para um público específico ou qualquer perfil de consumidor pode ter interesse pela compra? A partir dessas respostas é que começamos a entender como devemos atuar. Um varejista de Ar Condicionado, Notebook ou Móveis, por exemplo, teria muito mais probabilidade de rentabilizar suas ações por meio de canais reativos, como o Google Ads. Afinal, nesses casos, a venda é motivada pela necessidade do cliente que precisa comprar aquele produto específico. Para varejistas de Moda e de Acessórios, a tendência é que haja uma maior rentabilidade por meio de canais proativos, como Social Ads. Isso porque a marca consegue gerar, a 9. P ER FO R M A N C E 220 221 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO partir do emprego de filtros específicos, o desejo de consumo daquele produto, promovendo uma compra por impulso ou uma compra “menos necessária”. Vale lembrar que o resultado de suas campanhas é diretamente ligado não somente ao canal de divulgação, mas sim à estratégia adotada, incluindo a segmentação. Para isso, é essencial conhecer ao máximo o consumidor, sabendo quais são seus interesses e necessidades, qual seu perfil de busca e de consumo e qual seu perfil demográfico. Essas informações, apesar de complexas, podem ser inicialmente extraídas por meio de seu Google Analytics, na guia “Público Alvo”. A escolha do canal de aquisição ideal para o tipo de produto e serviço é fundamental Mídia paga e marcas em estágio inicial Gerar resultado para uma marca nova, nem sempre é uma tarefa fácil. Por isso, muitas vezes será preciso se preparar para um payback longo e apostar em estratégias de LTV focando em recompras. Seguem algumas dicas para acelerar seu payback e tentar encontrar a rentabilidade de seu e-commerce já nos primeiros meses: • Entenda se você quer ganhar 10% de R$ 10.000 ou se quer 5% de R$ 20.000,00. Por mais que ambos resultados sejam os mesmos, a estratégia em mídia paga para chegar nesse resultado é completamente diferente. Como diz aquele ditado “se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve”. Tenha em mente onde quer chegar com sua mídia paga e qual sua meta para isso. Com a meta em mãos ficará mais fácil calcular o volume de investimento necessário para chegar lá e avaliar a viabilidade da meta. (para uma operação inicial, recomenda-se rever a meta e expectativa a cada 2 meses) 9. P ER FO R M A N C E 222 223 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Tenha em mente seu ROI break even, ou seja, qual o ROI mínimo que suas campanhas precisam entregar para que você pague a operação, desconsiderando qualquer lucro e evitando prejuízos operacionais também. • Entenda que muitos varejistas ganham mais vendendo menos. Aqui existe uma relação enorme de ROI x Volume. É comum em operações digitais que, ao se escalar volume, o ROI acabe caindo. Ou seja, em algum momento você precisará decidir se buscará mais vendas, ou optará por menos vendas, mas com uma margem melhor. Todas essas respostas impactam diretamente no seu resultado e na performance de suas campanhas. • Comece pequeno, mas não pequeno demais a ponto de enviesar os resultados. Os testes são parte fundamental do sucesso de uma campanha para uma marca nova e, infelizmente, como qualquer teste, isso significa que uma parte da verba será alocada em canais e estratégias que nem sempre vão retornar o que você espera. Porém, ainda assim, são importantíssimas para avaliar onde você pode conseguir mais sucesso nos meses seguintes. Alguns KPI`s importantes para você avaliar em suas campanhas: Acessos: (é importante ter um bom volume de acessos antes de cogitar pausar uma campanha mesmo que ela ainda não tenha gerado vendas); Taxa de Rejeição: (às vezes você não converte por algum problema no site e não por questões de segmentação); Taxa de conversão: (importante para encontrar problemas como frete alto ou desistência por falta de um meio de pagamento específico); Receita gerada: (para conseguir calcular o ROI de cada estratégia). Performance e Fidelização Um fator importante que todo lojista precisa considerar é a fidelização da sua base de clientes já conquistada. Se tratando de um e-commerce, as lojas têm os clientes já adquiridos que 9. P ER FO R M A N C E 224 225 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO entraram na base por comprarem algum produto e temos os visitantes que não converteram na primeira compra. Uma estratégia eficiente de retenção e fidelização é saber separar esses dois perfis inicialmente, pois estão em fases diferentes da jornada de compra, porém o relacionamento precisa ser aplicado em ambos. Leads captados que ainda não compraram podem se engajar por meio de conteúdo útil, como ofertas exclusivas para estimular compras. Para os clientes adquiridos você pode utilizar a análise RFM para medir os seguintes itens: • Recência (o quão recente o cliente fez uma compra?); • Frequência (com que frequência eles compram?); • Valor monetário (quanto eles gastam?). A partir daí, é possível direcionar campanhas de conteúdo e de ofertas de produtos de forma personalizada para a base de clientes, aumentando a eficiência das campanhas e as taxas de conversão. O mercado dispõe de excelentes ferramentas para apoiar esse tipo de trabalho. Contudo, mais importante que as ferramentas, o ideal é que a empresa entenda a estratégia de CRM (Gestão e Relacionamento com o Cliente), pois assim consegue optar pela ferramenta ideal para o negócio. Vale lembrar que modelos de negócio B2B (mesmo utilizando o e-commerce como canal de venda) tendem a ser mais personalizados e envolvem um nível de relacionamento maior, portanto, ferramentas que automatizam as ações encaixam muito bem. Quando observamos o modelo de negócio B2C, o volume de pessoas é maior, assim como a profundidade. Devido à quantidade de produtos em um e-commerce, o ideal é que tenhamos foco em ferramentas especializadas para e-commerces B2C e que nos ajudem nesta etapa. O papel dos influenciadores Devido à importância do marketing de influência para o e-commerce, é importante considerar nas campanhas de aquisição o papel exercido pelos influenciadores. 9. P ER FO R M A N C E 226 227 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Os influenciadores digitais conquistaram um papel importante dentro das estratégias de comunicação das marcas e o sucesso deles é baseado em dois aspectos fundamentais: audiência e autoridade. Em outras palavras, estamos falando de pessoas que têm milhares de seguidores e, por alguma razão, conseguiram construir uma boa reputação. Diante da relevância que têm para determinados targets, é importante saber como usá-los a favor do seu negócio. A primeira regra é simples: as ações com os influencers não devem ser tratadas de forma isolada, precisam ser incluídas no planejamento estratégico do e-commerce. Assim, antes de começar o planejamento, é importante responder essa questão: as estratégias com influenciadores digitais fazem sentido para a sua marca? Lembre-se de que nem todas as estratégias funcionam para todos os setores. A partir das experiências do mercado de e-commerce, o que podemos dizer é que as ações nessa frente têm sido bem-sucedidas principalmente para alguns segmentos, como os de moda, beleza, pet. e entretenimento, para citar os mais relevantes. Pertinência é uma palavra-chave para orientar as iniciativas das lojas virtuais nessa frente. Ou seja, antes de qualquer coisa é imprescindível analisar se a imagem daquele influenciador é apropriada para a sua marca. Outro ponto fundamental é a análise do público-alvo. Mais do que quantidade, é crucial avaliar se os seguidores daquela pessoa correspondem ao perfil de público que você espera receber na sua loja. Critérios para a escolha de influenciadores Com o sucesso dos influencers, hoje não faltam pessoas que se apresentam como tal. Cuidado: certifique-se de que o perfil escolhido se encaixe nessa definição. Primeiro, é importante analisar sua lista de seguidores. Nesse caso, claro que pesa o número de seguidores, mas é 9. P ER FO R M A N C E 228 229 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO preciso analisar também a questão do engajamento obtido pelos posts. É a partir dessa métrica que vamos conseguir avaliar até que ponto aquela pessoa mantém uma rede ativa, que realmente se importa com a sua “conversa”. Isso nos leva a outra questão que precisa ser observada: a segmentação. É muito difícil encontrar quem fale bem com diversos públicos. O mais comum é que o influenciador seja uma autoridade em determinado nicho de mercado. A base das estratégias do marketing de influência é justamente usar o aval de um terceiro para agregar novos públicos ou mesmo valores para a sua marca. Nesse sentido, não tem lógica investir em alguém que não tenha a representatividade necessária para turbinar os objetivos do seu e-commerce. Esse segmento se expandiu tanto que hoje existem diferentes tipos de influenciadores. Vamos ver suas características: Celebridade: Geralmente são pessoas que têm forte presença na mídia televisiva e, como tal, reúnem números estratosféricos de seguidores. Destacam-se, portanto, em razão do alcance. Além da aderência à marca, é importante analisar o fato custo. Como desfrutam de um bom espaço, costumam cobrar caro para inserir conteúdos de marcas em suas mensagens. Autoridade: Nesse caso, muitas vezes também se trata de uma celebridade, mas o que destaca o seu trabalho é a reputação. Até para mantê-la, as “negociações” costumam ser mais complicadas. A recomendação é criar iniciativas que sensibilizem a pessoa, a ponto de ela querer associar sua imagem à marca. Mais do que um negócio, o que vale aqui é o seu poder de convencimento. Marca pessoal: Os influencers que se destacam por ter a marca pessoal forte também são mais difíceis de negociar. Compreensível, uma vez que dependem da imagem que construíram para manter a audiência. São particularmente importantes para os setores de moda e de beleza, até porque sua opinião costuma ser bastante valorizada. 9. P ER FO R M A N C E 230 231 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Analista: Multiplicaram-se nos últimos anos os influenciadores que fazem análises de setores específicos. A linguagem adotada por ele precisa ser respeitada, então, para que a ação dê certo, o anunciante deve contar com a participação na elaboração das mensagens. Ativista: Têm uma atuação mais polêmica, porque defendem causas específicas, mas geralmente mantêm um público bastante engajado. Nesse caso, o principal é ter uma marca alinhada com as causas defendidas. Além de analisar a adequação do emprego desse tipo de estratégia no negócio, é crucial, quando se pensa em performance, fazer o monitoramento dos resultados. Para não errar, comece determinando os objetivos pretendidos. Aumentar as vendas do e-commerce é uma meta relevante, porém nem sempre isso é possível no início da estratégia. O marketing de influência, que pode ser trabalhado com os influenciadores, tem um papel importante para aumentar o reconhecimento da marca, torná-la referência. Para que isso aconteça, o primeiro passo é estreitar os laços com o público de interesse da empresa. E esse é justamente o papel do influencer: ao citar a sua marca ele pode ajudar bastante nessa aproximação. O boca a boca sempre teve relevância na comunicação das empresas. O que há de novo nas plataformas digitais é o poder de alcance das recomendações, que é muito maior, daí a importância da estratégia. As redes sociais estão presentes na vida do consumidor e faz todo o sentido que os e-commerces consigam explorar melhor as oportunidades nessa área. Toda e qualquer possibilidade de criar relacionamentos mais amigáveis deve ser usada não apenas para vendas, mas para conhecer melhor o público. 9. P ER FO R M A N C E 232 233 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Felipe Beraldo Como construir estratégias efetivas que tragam vendas a partir da minha base atual de clientes? A própria mensuração, por meio da análise RFM, ajuda muito nesta questão, pois é possível agrupar os clientes de forma adequada para trabalharmos campanhas específicas. Também é interessante que a empresa utilize a sua base já conquistada para campanhas de mídias específicas. As próprias plataformas, como Facebook e Google, nos permitem subir listas para essas campanhas. E tendo em mãos essas listas organizadas e analisadas o processo torna- se ainda mais efetivo. Quais são os indicadores que preciso acompanhar para saber se os meus clientes são fiéis à minha marca? O principal indicador é o LTV (lifetime value), valioso para entendermos se o nosso negócio de fato possui recorrência e gera lucro no final das contas. O ideal é que você mensure a quantidade de vezes que o mesmo cliente compra em seu e-commerce e multiplique pelo ticket médio que ele costuma gastar. Caso esse valor seja maior que o CAC (custo de aquisição de cliente), você está no caminho ideal. Se estiver menor e a loja registra pouca recompra, é interessante analisar o modelo de negócio, mix de produtos e estratégias de marketing. Lembre-se de que baixa recorrência representa um grande risco, pois todo o pilar de vendas da empresa está atrelado à aquisição de um novo cliente. Outro aspecto que pode ser utilizado para mensurar a fidelidade do cliente é o NPS (net promoter score). Com base nele você entenderá o quanto a sua base de clientes está satisfeita com os seus produtos e serviços. Se a nota for baixa, é sinal de que você precisará melhorar a sua operação. Se for alta estará no caminho certo e certamente os clientes se tornarão poderão se transformar em promotores da marca, divulgando e indicando a empresa para novos consumidores. Dica do Especialista 9. P ER FO R M A N C E 234 235 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Responsáveis pelo conteúdo: Leandro Gorzoni Gustavo Chapchap Felipe Beraldo abradinacional abradi_nacional 10 SEO – SEARCH ENGINE OPTIMIZATION O que é SEO? Por que fazer SEO? Intenção de busca e comportamento do usuário SEO On-Page SEO Técnico Arquitetura da Informação Link building, ou Data-Driven PR Mensuração de Resultados SERP Control Ferramentas Conclusão 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 238 239 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO SEO – Search Engine Optimization (Otimização de Sites para Mecanismos de Busca) A busca orgânica é um dos principais canais de tráfego para e-commerces e sites transacionais no mundo inteiro, respondendo por 34,6% das vendas, segundo estudo da Conversion, e por 27,2% do tráfego, de acordo com outro estudo, o da SimilarWeb. A influência dos buscadores na compra e na venda de produtos online começa muito antes do checkout: 34% dos consumidores iniciam suas jornadas de consumo através de pesquisas em mecanismos de busca como Google, Yahoo e Bing (Breezy Hill Marketing). No Brasil, o cenário também é muito positivo. Segundo dados da Pesquisa Consumidor Digital 2020, da Conversion, 93% dos brasileiros conectados já realizaram compras pela internet. Dessa parcela, 91% o fazem porque acreditam que os preços nas lojas virtuais são menores que em lojas físicas, 28% compram online mais de uma vez por mês e 74% já realizaram compras a partir de dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Sendo assim, é fácil compreender por que o SEO pode ser um grande impulsionador para o seu negócio. Neste capítulo, falaremos com mais detalhes sobre o que é Search Engine Optimization, como este importante canal de tráfego pode alavancar as suas vendas e que pontos devem ser abordados na hora de construir uma estratégia de SEO realmente eficiente para o seu e-commerce. O que é SEO? SEO, ou Search Engine Optimization (Otimização de Sites para Mecanismos de Busca, em bom e velho português), é o nome que damos ao conjunto de estratégias e técnicas voltadas ao melhor posicionamento de sites em páginas de resultados de mecanismos de busca, ou SERPs. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 240 241 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Existem hoje, na internet, algumas dezenas de buscadores, entre eles Bing, Yahoo, DuckDuckGo, Baidu e, é claro, o gigante Google, responsável por nada menos que 93,9% de todo o tráfego de pesquisa mobile global somente em 2020. (Net Market Share) É natural, portanto, que a maior parte das estratégias de otimização de sites seja baseada na experiência do que costuma gerar melhor posicionamento pelo Google. Em 2020, o buscador lançou o Search Quality Evaluator Guidelines, documento de boas práticas que contém, ao longo de seu extenso conteúdo, todas as orientações e critérios esperados pelo próprio Google para avaliar a qualidade de uma página da web. (Você pode acessar sua versão traduzida para o português aqui) Há alguns anos, no entanto, o que chamamos de SEO era muito diferente da prática que conhecemos hoje. No início, otimizar um site era tão somente uma disciplina técnica. Implementar uma estratégia de SEO significava executar uma série de melhorias tecnicamente eficientes e essas otimizações, por finalidade, estavam exclusivamente voltadas à leitura que o robô fazia de uma página, ou seja, eram em grande parte invisíveis ao usuário final. Algum tempo depois, o conteúdo entrou em cena e os sites ganharam mais dinamismo ao passo em que o foco, lentamente, voltava-se ao usuário e à maneira com que ele se relacionaria com aquelas páginas. Hoje, além do conteúdo, SEO é, sobretudo, experiência do usuário, ou UX. O Google Page Experience, uma das mais importantes atualizações de algoritmo que chegaram em 2021, veio para dar a cartada final no que diz respeito ao modo como o maior buscador do mundo deseja que sua SERP seja vista: com sites que, acima de tudo, prezam por uma boa experiência de navegação enquanto correspondem, com a maior precisão possível, à intenção de busca de seus visitantes. Diante de todas as transformações que ocorreram com o http://www.conversion.com.br/wp-content/uploads/2020/05/diretrizes-do-avaliador-de-qualidade-de-pesquisa.pdf 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 242 243 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO SEO ao longo de sua história, podemos concluir que a atual é a maior delas e, hoje, otimizar o seu site é, antes de qualquer outra coisa, preparar o seu negócio para uma experiência completa e omnichannel — mas, sobre isso, falaremos mais adiante. Por que fazer SEO? SEO é o principal canal de vendas para e-commerces, segundo levantamento da Custora, e já era responsável por cerca de 26% das conversões online em todo o mundo na metade de 2020. Isso significa que os resultados orgânicos possuem uma taxa de confiabilidade mais alta que os resultados pagos. Embora os links patrocinados tenham grande relevância quando falamos em tráfego ou captação de leads, de acordo com dados da agência italiana IM Forza, de 70% a 80% dos usuários tendem a ignorá-los quando fazem uma pesquisa. No Brasil, a confiança em resultados orgânicos é 77% maior do que aquela depositada em resultados patrocinados. (Conversion) Isso acontece porque há, na cabeça dos consumidores, uma percepção de que os resultados orgânicos estão ali por alguma espécie de merecimento, enquanto os anúncios só são expostos porque compraram aquele espaço. Essa percepção, contudo, é que torna simples usuários em potenciais clientes em apenas um clique. Sendo assim, SEO é um canal de tráfego extremamente qualificado, e é isso o que comprovam os números. Apesar disso, somente ser indexado pelo Google não é o bastante. Para tirar o máximo proveito desse riquíssimo canal, é preciso brigar pelas primeiras posições. Um misto entre a busca por mais agilidade e a ascensão das pesquisas feitas em dispositivos móveis culminou em um acúmulo de taxa de cliques (CTR) no TOP 3 resultados e, como mostra estudo do Hubspot, 75% de todas as buscas não avançam nem mesmo até a segunda página. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 244 245 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Agora que você já sabe qual a importância do SEO e qual o seu potencial para o seu negócio, entraremos nos tópicos relacionados às melhores formas de fazer SEO para e-commerce, quais os pilares fundamentais de uma estratégia de otimização voltada à geração de receita e como mensurar os resultados obtidos. Para isso, elencamos os principais aspectos de um site a serem trabalhados e quais ações devem ser tomadas para suas melhorias. Intenção de busca e comportamento do usuário Os primeiros passos para destravar o potencial de vendas de um site devem ser caminhados fora dele. Em outras palavras, é preciso compreender, antes de “botar a mão na massa”, qual o contexto desse instrumento de vendas e de que maneira ele está posicionado neste contexto, tanto para o seu público-alvo quanto para o seu nicho de mercado. Para isso, devemos começar todo esse processo com a análise de uma extensa e efetiva lista de palavras-chave. Pesquisa de palavras-chave A pesquisa de palavras-chave é um poderoso instrumento para a tomada de decisões porque amplia nossos conhecimentos sobre a intenção e o comportamento do nosso usuário. Isso acontece porque as buscas que fazemos no Google expõem microdesejos que, muitas vezes, nós mesmos não nos damos conta. Essas manifestações de interesse e a conduta geral de um consumidor digital em seu mecanismo de busca favorito podem formar, muitas vezes, o mapa que precisamos para traçar uma rota precisa rumo aos objetivos de um negócio. Ao saber, por exemplo, que o seu usuário está mais propenso a buscar informações técnicas sobre o seu produto antes de comprá-lo, por que não oferecer a ele um conteúdo de altíssima qualidade, respondendo a todas as suas principais dúvidas? 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 246 247 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Ou, ao compreender que as compras pelo seu produto são feitas, quase sempre, uma única vez dentro de um longo período de tempo, por que não ofertar diferentes experiências para fidelizá-lo e, assim, aumentar as chances de vender a ele outras categorias de produto? Atender às necessidades e exigências do seu consumidor é o melhor caminho para atraí-lo, aumentar o seu CTR na SERP e, posteriormente, retê-lo em seu site, aumentando seus scores na métrica que chamamos de Dwell Time, ou taxa de retenção. Na última parte deste conteúdo, listaremos as melhores ferramentas para SEO do mercado atual, muito úteis no desenvolvimento da sua pesquisa de palavras-chave. E-A-T Expertise, autoridade e confiabilidade: são estes os três fatores que formam a base do conceito E-A-T, uma importantíssima meta a ser alcançada se você deseja convencer o Google de que o seu site deve estar bem posicionado. Esses três pilares estão intimamente relacionados à percepção que um cliente precisa ter de uma marca para que ela seja a sua escolhida na hora de realizar uma compra. Grosso modo, é autoevidente por que uma loja que demonstra ser especialista em algo, que possui autoridade sobre isso e, em última instância, é confiável ao seu público se destacará de seus concorrentes. A seguir, explicamos um pouco melhor a que se referem cada um destes pilares e como eles se traduzem na prática. Expertise Ser um expert em algo significa possuir um conhecimento tão grande sobre isso que o seu nome torna-se uma referência no assunto. Quando falamos em termos comerciais, ser uma referência em algum assunto é crucial para o sucesso de um negócio. Pense, por exemplo, em lojas do setor de construção civil. Quando lembramos de lojas de material de construção, quase sempre a Leroy Merlin está entre elas, porque seu 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 248 249 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO posicionamento de mercado a coloca em um patamar de expert em materiais de construção. Em termos de conteúdo, imagine, por exemplo, em um site cujo nicho seja o de receitas e cozinha. Ao publicar artigos de marketing por diferentes autores anônimos, pode até ser que haja um grande número de acessos a esses conteúdos, mas imagine em que patamar estaria um blog de marketing digital feito por referências no assunto. Ao tratar de expertise em e-commerce, falamos sobre o objetivo de tornar o seu produto sinônimo de sua categoria, como o extraordinário caso das lâminas de barbear que, até hoje, são conhecidas somente por “giletes” — palavra inexistente na língua portuguesa até o surgimento da marca homônima. Um e-commerce conseguirá isso sendo líder de um nicho que seja pequeno o suficiente para segmentar, mas grande o suficiente para atingir os objetivos de negócio. Desse modo, a empresa conseguirá ofertar um bom sortimento de produtos naquela categoria. Seus textos informativos, seu posicionamento e sua comunicação devem transmitir a ideia de que não há, em nenhuma outra loja, tamanho conhecimento sobre o mercado do seu produto. Ao se posicionar positivamente como um especialista em seu nicho, a reputação do seu negócio tende a melhorar cada vez mais, facilitando a conquista do nosso próximo tópico. Autoridade (Authority) Não basta ser bom em algo, é preciso que as pessoas lhe percebam como bom em algo. Em SEO, a autoridade de um site é um dos mais importantes fatores de ranqueamento e um aspecto ao qual o Google dá imensa importância. Esse termo pode se referir, no entanto, a aspectos técnicos, como autoridade de domínio, ou a aspectos externos ao site, mas intimamente associados ao negócio, como autoridade de marca. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 250 251 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Ambas as definições são muito próximas e, na era do SEO Experience, se associam profundamente. Para construir uma boa autoridade de domínio, os backlinks (ou domínios de referência) continuam sendo um dos coeficientes de maior peso. A maneira de conquistá-los, porém, mudou muito nos últimos anos, mas falaremos disso mais adiante. De todo modo, construir a autoridade do seu e-commerce exige a melhoria, em conjunto, tanto da autoridade do site quanto da autoridade da sua marca. Alguns aspectos podem ser trabalhados para que haja reconhecimento social e técnico. São eles: • Aparições frequentes e positivas na imprensa; • Consumidores famosos ou influenciadores; • Reconhecimento público do seu produto; • Inovação; • Receber premiações em sua categoria, ou na categoria de e-commerce, etc. Confiabilidade (Trustworthiness) Enquanto construir autoridade gira em torno de aspectos externos do seu site, transmitir confiabilidade ao seu usuário diz respeito aos aspectos internos dele. Quando o comércio eletrônico se popularizou no Brasil, naturalmente houve muitos questionamentos sobre fraudes e de que modo as compras pela internet poderiam se tornar mais seguras. Graças ao avanço do setor e da tecnologia, já é possível oferecer uma grande rede de proteção de dados que torna as compras virtuais quase tão seguras quanto as compras físicas. Nunca antes, porém, houve tantas maneiras diferentes de oferecer proteções como temos hoje. Entre os mais difundidos fatores internos de confiança estão: • Protocolo SSL (HTTPS); • Depoimentos de clientes; • Diversidade nas formas de pagamento e utilização de 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 252 253 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO plataformas de purchase online de grande credibilidade, como PayPal, PagSeguro e outros; • Conteúdo com fontes e autores originais e especializados; • Design profissional; • Páginas “Quem somos” e “Contato” com informações sobre história, tempo no mercado e endereço da empresa; • Exposição do quadro de clientes e equipe, quando possível; • Selos de segurança e/ou “Loja Segura”, “Site Blindado” etc. Lembre-se, inclusive, que navegadores como o Chrome avisam seus usuários quando um site não é seguro, fazendo com que visitantes qualificados abandonem suas navegações antes mesmo de acessar suas páginas de produto. Mobile-First Index e UX Em março de 2021, o Google colocou em execução o Full Mobile-First Index, uma atualização de algoritmo a partir da qual todos os sites que não tiverem versões mobile serão totalmente excluídos da SERP. Nos termos colocados acima, pode parecer uma decisão um tanto radical por parte do buscador, mas a verdade é que o Google já vinha testando a mudança desde 2016, quando a expressão mobile-first começou a ganhar alguma notoriedade dentro da comunidade de SEO. Desde então, o Google investiu em ações como a publicação de documentos de boas práticas de otimização mobile e a notificação, via Search Console, de sites que estavam tendo problemas com o googlebot mobile. Em 2019, a indexação de todos os sites passaria a ser feita com base em sua versão móvel, e não mais na versão desktop. A última fase deste longo período de pequenas implementações, lançada em 2021, tinha como prazo 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 254 255 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO setembro de 2020, mas foi adiada por conta da pandemia do COVID-19. O ponto é que, mais cedo ou mais tarde, a mudança chegaria e, agora, e o caminho é um só: ou seu site se adapta a ela ou perderá um dos maiores painéis de visibilidade do mundo: a SERP do Google. Para começar a trabalhar este fator de ranqueamento, porém, é preciso antecipar alguns problemas. Quando falamos em versão mobile, podemos estar nos referindo a um subdomínio, os famosos m., ou à simples versão responsiva de um site, que não representa nenhuma alteração na sua URL. As versões m. tornaram-se muito populares no início da avanço da navegação por celulares, mas podem já não ser a melhor opção para sites transacionais. Além de ter que “administrar” dois sites, estas versões podem confundir o usuário se este, por exemplo, ao buscar pelo site desktop, encontrar, na SERP, sua versão mobile e vice-e-versa. Este tipo de intercorrência não é uma regra, mas tem origem em um bug que o Google já admitiu no passado. Ainda assim, o melhor é evitá-la e, para isso, é importante que, dependendo da origem do acesso do seu visitante, haja um redirecionamento imediato de uma versão para a outra. Segundo números da Pesquisa Consumidor Digital 2020, da Conversion, 74% dos consumidores brasileiros já realizaram compras por celular ou tablet, portanto a mudança de algoritmo não é o único motivo pelo qual o seu site deve ter uma boa navegação mobile. Para identificar problemas e o que pode ser melhorado na sua experiência móvel, vamos analisar três aspectos-chave das suas páginas: indexação, conteúdo e velocidade de carregamento. Indexação Antes de qualquer outra coisa, é preciso saber se o seu site está sendo bem indexado pelo Google ou se há algum 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 256 257 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO problema de relacionamento com o googlebot mobile. Você pode fazer esta avaliação através do recurso Inspeção de URL, no Search Console. Além das informações de indexação, é possível saber se as suas páginas são compatíveis com navegação móvel. A ferramenta Facilidade de uso em dispositivos móveis oferece um relatório completo de erros que devem ser corrigidos e a opção de validação destas correções. Se você não tem acesso ao Search Console, pode fazer uma auditoria rápida pela própria SERP, pesquisando por [mobile friendly]. É importante salientar, também, que otimizar somente as páginas de entrada mais acessadas do seu site, como páginas de produtos ou categorias, não é uma boa estratégia. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 258 259 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Seu site terá sua experiência móvel avaliada como um todo e, nesse caso, as páginas não otimizadas podem prejudicar os bons resultados daquelas que possuem um bom SEO. Conteúdo A premissa mais básica quando falamos sobre o mindset mobile-first é que “tudo o que você quer que seja indexado deve estar no mobile” (John Mueller, Evangelista de Busca do Google). Isso significa, em termos de conteúdo, que tudo o que for necessário para que seja possível oferecer ao seu usuário mais informação, mais navegabilidade e uma experiência mais agradável, deve ser replicado de sua versão original. Links internos, textos de apoio, mídias, menus, footer… enfim, tudo o que traz mais valor à jornada de compra do seu e-commerce. O SEO para imagens também é muito importante neste caso porque imagens grandes e incompatíveis com a velocidade da internet móvel brasileira são um dos maiores obstáculos desse tipo de navegação. Dentro de uma página de produto, por exemplo, uma única imagem que demore a ser carregada pode fazer o seu negócio perder uma venda. Segundo uma pesquisa do próprio Google, quando o carregamento de uma página sobe de 1 para 3 segundos, a taxa de rejeição mobile pode crescer até 32%! Para evitar o aumento do seu bounce rate, procure utilizar imagens adaptadas ao tamanho das telas cujos arquivos estejam sempre comprimidos. Atentando, é claro, para que não se perca qualidade neste processo. O recurso lazy loading é uma poderosa carta na manga porque através dele é possível “adiar” o carregamento de certas imagens até que o usuário role a página até elas. http:///www.conversion.com.br/blog/lazy-loading/ 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 260 261 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Velocidade de carregamento & Core Web Vitals Falaremos agora sobre Page Speed. E, ao trazer esse assunto, é impossível não falarmos também dos Core Web Vitals, as novas métricas criadas pelo Google para avaliar a experiência do usuário de páginas da web e que chegam junto com o Page Experience, em maio de 2021. Os CWVs surgiram para elevar o padrão de qualidade das páginas e de como seus visitantes se relacionam com seus elementos mais fundamentais, como velocidade, interatividade e estabilidade visual. Chamadas de Largest Contentful Paint, First Input Delay e Cumulative Layout Shift, essas métricas estão intimamente relacionadas à navegação mobile de um site, uma vez que a falha em qualquer um desses aspectos impactará diretamente no aproveitamento desse acesso, especialmente quando falamos de e-commerces. O bom desempenho da sua estratégia, portanto, depende em primeiríssimo do lugar de o seu público-alvo encontrar e acessar o seu site sem impedimentos técnicos. Para analisar a velocidade de carregamento do seu site, sua pontuação nos Core Web Vitals e ter acesso a um relatório de erros a serem corrigidos, utilize a ferramenta gratuita PageSpeed Insights. http://pagespeed.web.dev/?utm_source=psi&utm_medium=redirect 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 262 263 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO SEO On-Page Entendemos como SEO On-Page todas as ações que podem ser tomadas dentro de uma página para que ela fique melhor posicionada na SERP. Ao falar-se tanto sobre experiência e navegabilidade, alguns aspectos mais rudimentares do SEO podem ficar encobertos por tanta inovação, mas uma boa estratégia depende sempre do equilíbrio saudável entre o novo e o clássico. O SEO Técnico não deve ser esquecido e é muito importante porque se trata de um conjunto de intervenções sobre as quais temos total controle, isto é, não dependem de nenhum fator externo para serem melhoradas. Entre as principais melhorias On-Page que devem estar presentes no seu checklist para e-commerces, estão: Title De acordo com um levantamento do DataBox, 36% dos profissionais de SEO julgam que o elemento mais importante para a otimização de um site é a tag título. Se você chegou até aqui, creio que saiba exatamente como uma SERP é apresentada ao usuário, mas vamos reforçar esta imagem: Perceba que, entre outros elementos, o que possui mais destaque é o título da página. Esse pequeno espaço, que deve ter cerca de 55 caracteres, é, nesse contexto, a sua maior chance de chamar a atenção de um usuário em meio aos outros nove sites presentes nesta página de resultados. Para que ele seja efetivo, busque atrair seu público-alvo ao utilizar palavras que toquem diretamente em suas dores e/ ou necessidades. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 264 265 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Um bom título pode favorecer imensamente o CTR da sua página e, por consequência, seu tráfego orgânico. Meta descrição Na imagem publicada na página 261, é possível identificar, abaixo do título, uma pequena descrição que chamamos de meta descrição – ou, em inglês, meta description. Essa descrição, que tem como objetivo fornecer ao usuário na SERP informações sobre o que trata aquele site e, ainda, complementar o que foi informado no título, também é um instrumento de grande influência na performance de um resultado na busca orgânica. Como se sabe, a meta description não é em si um fator de ranqueamento, mas sua customização pode atrair maior quantidade e qualidade de cliques. Tanto o título quanto a meta descrição devem ser desenvolvidos estrategicamente, com inteligência e, acima de tudo, visando uma comunicação fluida e efetiva com o seu público-alvo. Heading tags A hierarquização do seu conteúdo é um aspecto on-page de grande serventia porque é ela que, quando bem executada, auxilia o robô do Google a compreender quais informações são mais ou menos relevantes dentro do seu contexto. A tags H1, H2, H3 e H4 – podendo continuar até mesmo até H6, e assim por diante… – diferem os blocos textuais (ou com outros formatos de mídia) em nível de importância. As informações mais importantes devem vir no topo do conteúdo, enquanto suas explicações mais detalhadas podem estar mais abaixo. A esta disposição de ideias damos o nome de triângulo invertido, mas isso é assunto para outro tópico. As tags acompanham essas categorias do menor para o maior número. O cabeçalho H1, que geralmente diz respeito ao título do conteúdo, é a mais importante, enquanto a H2, mais abaixo, inicia os subtítulos e a H3, sempre dentro de algum 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 266 267 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO H2, destrincha ainda mais a informação primeira, e assim sucessivamente. Essas tags, que também são visualmente perceptíveis pelo usuário através do tamanho de suas fontes, também ajudam o visitante a encontrar a informação que ele deseja dentro, por exemplo, de um conteúdo épico. Imagine que você deseja saber qual é o melhor tipo de [tênis para corrida] e, ao pesquisar por essa palavra-chave, se depara com um extenso conteúdo sobre os mais variados tipos de tênis e as especificações de cada um. Dentro desse conteúdo, um dos tópicos H2 fala justamente sobre tênis para corrida e, depois de uma rápida leitura dinâmica, você foi capaz de encontrá-lo com facilidade, não sendo necessário percorrer todo o texto. Isso agiliza pesquisa, aumenta a satisfação do usuário e corresponde à sua intenção de busca. URL amigável Veja, abaixo, a imagem desse resultado orgânico: Enquanto o título é a informação mais proeminente e a meta descrição o complementa, a primeira informação é a URL da página. E ela não indica somente qual é o seu endereço eletrônico, mas expõe uma trajetória que começa na home e, nesse caso, vai até “urls”: 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 268 269 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO A URL na prática é esta: https://www.trocafone.com/ celulares/iphone A maneira como essa URL é apresentada ajuda os crawlers a compreenderem melhor a hierarquia do site. Em conjunto, é claro, com outros fatores. Para compreender melhor como o Google utiliza as URLs, acesse o SEO Starter Guide neste link. Além do algoritmo, o usuário também é beneficiado desta otimização, que chamamos de URL amigável, porque ela o ajuda a compreender melhor a arquitetura deste site. A URL amigável, ou friendly, nada mais é que uma URL compreensível a quem a vê, com separações, atributos e palavras facilmente acessíveis. Veja, por exemplo, a diferença entre as duas seguintes URLs: • seuecommerce.com.br/?dg=235&p=65# • seuecommerce.com.br/categoria/nome-do-produto/ A segunda, evidentemente, é muito mais clara acerca de seu propósito e, sem precisar acessá-la, um usuário já é capaz de compreender qual é o seu destino. As URLs de um e-commerce devem se relacionar com sua organização arquitetônica e com sua navegação, seguindo um direcionamento lógico. Além disso, cada vez mais, as URLs pode também ser curtas, as menores possíveis. Por isso é uma ótima ideia usar apenas as seguintes estruturas quando sua plataforma permitir: • seuecommerce.com.br/nome-da-categoria/ • seuecommerce.com.br/nome-do-produto/ SEO Técnico O SEO Técnico, assim como o SEO On-Page, também faz parte do grupo de atividades que devem ser implementadas dentro do seu site e independem de elementos externos. http://developers.google.com/search/docs/beginner/seo-starter-guide?hl=en&visit_id=637508898158953099-2491226543&rd=1#understand-how-search-engines-use-urls 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 270 271 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO SEO Técnico é tudo aquilo que se refere aos aspectos relativos ao desenvolvimento de um site e influenciam, de modo significativo, a maneira como os algoritmos enxergam as suas páginas. Para compreender melhor, podemos partir do princípio de que a relevância de um site se divide em dois níveis: o nível humano e o nível técnico. Apesar de serem complementares, esses dois níveis se desenvolvem desde critérios diferentes e se comunicam, cada um com seus próprios avaliadores, em idiomas distintos. O nível humano diz respeito a como o seu usuário percebe o seu site, ou seja, à sua experiência de navegação e possui uma atuação mais frequente em sua interface. O nível técnico, em contrapartida, diz respeito a como o algoritmo enxerga suas páginas, tais como elas são construídas. E, para que ele possa ter uma visão positiva delas, é necessário aprimorar uma série de elementos técnicos e estruturais dentro de todo o site. Entre alguns desses elementos, estão: Sitemap.xml O arquivo sitemap.xml é o mapa do seu site visível aos mecanismos de busca. Ele ajuda, entre outras coisas, os robôs a visitarem as páginas do seu site com mais facilidade, seguindo um trajeto lógico entre elas e, é claro, comunica para eles quais são todas as páginas existentes naquele domínio. Isso torna a avaliação e a indexação mais rápida, além de auxiliar a otimização mobile, uma vez que todas as páginas móveis também devem estar contempladas neste sitemap. xml – caso o site possua uma versão mobile m.. Robots.txt O arquivo Robot.txt é um pequeno documento, alocado na raiz de um site, que indica aos crawlers quais páginas ele deve e não deve indexar. Ele possui especial importância para sites transacionais porque indica, por exemplo, que o Google não deve exibir em 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 272 273 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO suas SERPs, como páginas como checkout, carrinho, área logada do cliente etc. Esses comandos são dados ao algoritmo por meio do que chamamos de Protocolo de Exclusão, que se comunica diretamente com as ações de rastreio dos robôs. Para impedir que uma página do seu site seja indexada pelo Google, basta utilizar o atributo Disallow. Veja, abaixo, um exemplo bastante simples de um robots.txt: User-agent: * Disallow: /my-account/ Disallow: /login Disallow: /cart/ No arquivo acima, estamos indicando, a partir do atributo user-agent, com qual robô estamos nos falando. Esses robôs podem ser o googlebot, o bingbot, entre outros. Ao preencher esse campo com *, estamos falando com todos os crawlers. Abaixo, o atributo Disallow está indicando que as páginas de minha conta, login e carrinho não devem ser exibidas nas páginas de resultado desses buscadores. Para testar o robots.txt do seu site, basta acessar a ferramenta de teste do GSC aqui. Core Web Vitals As métricas dos CWVs, citadas alguns tópicos acima, também se enquadram na categoria SEO Técnico, uma vez que dependem de uma série de implementações estruturais para que possam alcançar suas melhores avaliações. De modo geral, para conquistar uma boa nota, os valores devem chegar a: • LCP: 2,5 segundos; • FID: abaixo de 100ms; • CLS: até 0,1. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 274 275 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Arquitetura da Informação Até agora, falamos muito sobre tudo que um site deve oferecer para o seu usuário em termos de suprir suas necessidades de busca, ou seja, entregar a ele exatamente o que ele deseja encontrar. Mas, afinal, como organizar todas essas frentes? Tão importante quanto possuir um e-commerce repleto de possibilidades é ter todas essas possibilidades ordenadas. Isso evita que sua loja virtual se torne um caos. Ou seja, você oferece todas as informações que precisa, mas nenhuma delas podem ser encontradas. Para estruturar tudo isso, falaremos agora sobre a arquitetura da informação, ou árvore do site. A arquitetura da informação é, grosso modo, um organograma no qual todos os setores e categorias do seu e-commerce ocuparão lugares predeterminados, como nas prateleiras de uma biblioteca. Vamos a um exemplo. Uma estrutura tradicional de e-commerce, hoje, pode ser: __ Home ___ Departamento ____ Categoria _____ Produto Na prática, imagine que estamos falando sobre uma uma loja revendedora de produtos Nike. Neste caso, as nomenclaturas de cada sessão ficariam da seguinte maneira: __ Home ___ Masculino ____ Tênis Nike _____ Modelo Air É de extrema importância que essa organização seja feita da melhor maneira possível porque, em nível algorítmico, ela funcionará como uma linkagem interna. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 276 277 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Será a partir dela, ou melhor, da sua home, que os spiders do Google compreenderão de que modo todas essas páginas se interconectam e quais são os seus contextos. Também por isso é necessário nomeá-las da maneira correta e, como explicamos no início deste conteúdo, a sua pesquisa de palavras-chave será fundamental para a tomada dessas decisões. Para elucidar melhor a questão, imagine que você é dono de um e-commerce que vende máquinas de lavar roupa. Enquanto a indústria chama esse eletrodoméstico de lavadora de roupas, todos os seus consumidores utilizam a expressão máquina de lavar para se referir a ele. Tendo em vista que o volume de busca do termo mais popular é muito maior que o volume de busca do termo técnico, a melhor opção, na hora de nomear a sua categoria, seria utilizar a palavra-chave [máquina de lavar]. Após a escolha desta keyword principal, outras podem (e devem!) ser trabalhadas ao longo do conteúdo, mas de maneira secundária. Conteúdo Em seu documento Search Quality Evaluator Guidelines, o Google explicita, de maneira sucinta, que o propósito de uma página de compras de e-commerce é “to sell or give information about the product.*” A princípio, essa pode ser uma frase simples. Mas, quando vista de perto, pode ser repleta de significado. Quando o Google afirma que fornecer informações deve ser um dos objetivos das suas páginas, ele não quer dizer que isso deve ser feito de maneira simbólica, mas da maneira mais prática e incisiva possível. O site deve possuir páginas e mais páginas de conteúdo sobre os seus produtos, suas aplicações, suas fichas técnicas, seus usos e responder a toda e qualquer dúvida do seu público-alvo. *Vender ou fornecer informações sobre o produto. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 278 279 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Existem alguns tipos de conteúdos mais utilitários para sites transacionais, e abaixo detalhamos um pouco mais sobre eles. Textos de apoio Muitas vezes localizados nas laterais ou no final das páginas, esses textos estão ali para complementar as informações individuais de cada produto e/ou categoria. Um texto de apoio serve para que o usuário possa fazer a melhor escolha baseada nas informações que ele possui sobre o item que deseja comprar. Eles também servem, é claro, para contextualizar o campo semântico do seu site em nível algorítmico, auxiliando o entendimento do robô sobre ele. Por fim, esse texto deve despertar o interesse do usuário, trazendo informações úteis e curiosidades sobre o tópico daquela vitrine ou categoria em questão. Conteúdo de informação Esses são os conteúdos mais robustos sobre seu produto ou sobre o seu nicho. A Growth Supplements, um dos maiores players do setor de suplementos alimentares do Brasil, tem como seu grande diferencial a produção desses conteúdos. Na imagem abaixo, veja a extensão de suas informações sobre carboidratos (página de categoria). 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 280 281 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Os conteúdos de informação podem ou não ser conteúdos épicos – aqueles do tipo “guia definitivo”. Outro formato de conteúdo muito interessante é o vídeo, principalmente para o nicho de moda. O e-commerce da Hering, por exemplo, disponibiliza vídeos de modelos utilizando algumas de suas peças. Isso oferece ao consumidor uma dimensão bem mais real sobre a roupa, seu caimento, tamanho etc, além de permitir que ele se identifique com mais proximidade com a pessoa que a veste no vídeo. Os vídeos, inclusive, nos lembram que as imagens dos produtos também fazem parte do conjunto de informações que você deve fornecer ao seu público. A Pesquisa Consumidor Digital 2020, da Conversion, revela que, para 53,7% dos consumidores brasileiros, produzir conteúdo de qualidade é o segundo maior fator de influência para que eles gostem de uma marca. Se você pretende atrair o seu consumidor e criar desejo, invista em imagens bonitas, claras, de qualidade e que encham os seus olhos. Descrição Quando entramos em uma loja física para fazer uma compra contamos com a ajuda de um vendedor para nos auxiliar. No caso das compras online, perdemos esse suporte e, em seu lugar, entram as descrições dos produtos: conteúdos cujo objetivo é descrever, o mais especificamente possível, como aquele produto de fato é. Características como peso, dimensões, material, aspectos 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 282 283 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO técnicos, voltagem e outros aspectos devem ser informados ao consumidor com precisão cirúrgica. Dentro de conteúdo também podemos incluir uma visão mais ampla de toda a comunicação da sua marca, como redes sociais, newsletters, linguagem de suporte e, quando houver, o próprio posicionamento da sua loja física. Construir uma estratégia de comunicação que conecte as duas experiências de compra da sua marca, tanto a física quanto a digital, é o que chamamos de omnichannel. Dar ao seu cliente a ideia de que não existe uma ruptura entre o que ele está acostumado a encontrar na sua loja física e o que ele poderá ter acesso no seu e-commerce é importantíssimo para sua fidelização. É preciso hoje, mais do que nunca, oferecer confiança, e as marcas e experiências omnichannel com certeza estarão a frente nessa corrida. Reviews de usuários As avaliações de outros usuários e as indicações de amigos são, segundo números da Pesquisa Consumidor Digital 2020, os dois mais influentes critérios de escolha na hora de optar pelo e-commerce de uma marca. Estes números são extremamente expressivos e demonstram com clareza o quanto a prova social é um agente impulsionador de vendas. Sendo assim, é absolutamente inadmissível que um e-commerce não conte com uma sessão de reviews. Para que essas avaliações sejam positivas, porém, é preciso que o seu cliente se sinta satisfeito e será a partir dessa satisfação que você o convencerá a dar a sua opinião. Estimule, sem ser incômodo, que seus clientes registrem o que acharam do seu produto ou da sua loja e exponha esses depoimentos em um lugar de destaque. Quanto mais avaliações um produto tem, mais ele dará ao seu potencial consumidor a percepção de que ele é um bom produto. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 284 285 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Mas, além de ser um gatilho mental, essas opiniões possuem, ainda, um valor semântico para SEO e são aquilo que chamamos de User Generated Content – ou Conteúdo Criado pelo Usuário. Esses conteúdos, gerados espontaneamente, ainda contribuem para aumentar a confiança da sua loja, uma vez que seus usuários são pessoas. E, como sabemos, pessoas se identificam com pessoas. Link building, ou Data-Driven PR O link building sempre foi um fator de ranqueamento de peso. Na Conversion, estima-se que cerca de 30% do sucesso de uma estratégia de SEO seja responsabilidade dos ótimos backlinks (não de todos, claro). Mas quanto maior a responsabilidade de uma técnica, maior a dificuldade em executá-la plenamente, e o link building está aí para atestar isso. Por ser um dos elementos mais estritamente observados pelo algoritmo do Google, fazer link building foi tornando-se, ao longo dos anos, gradativamente mais complexo e suas exigências passaram a exigir e abranger equipes cada vez mais multidisciplinares. No início, fazer links se resumia à distribuição precária de conteúdos em diretórios de artigos e fóruns de razoável visibilidade na internet da época. Este, que foi o primeiro e o mais rudimentar modo de fazer link building, abriu caminho para o que veio em seguida: o Guest Post. A estratégia de guest blogging também consistia em distribuição de conteúdo, mas desta vez envolvia artigos 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 286 287 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO relevantes e exclusivos que pudessem, com o apoio de alguma negociação, convencer editores e blogueiros a publicá-los em seus sites em troca de um link dofollow. Como tudo que é bom dura pouco, essa prática foi saturada e tornou-se uma metralhadora de spams. Em uma evolução óbvia, as assessorias de imprensa entraram em cena. Desenvolveu-se, então, o chamado Link Building 4.0: a produção e o fornecimento de notícias em modelo escalável com objetivo de adquirir links. Ainda que hoje a assessoria de imprensa mantenha sua força, os portais noticiosos e os jornais ficaram mais exigentes, o que levou o trabalho de link building a um próximo nível: o Data- Driven PR, ou Assessoria de Imprensa Orientada a Dados. Trata-se de um trabalho importante porque os links externos são o fator mais correlacionado ao bom ranqueamento no Google e, apesar do que podem dizer as más línguas, sua importância não diminuiu. Se você tem um e-commerce, aproveitar ao máximo todas as suas possibilidades de link building é o que fará com que a sua marca alcance mais reputação e autoridade na internet, o que com certeza terá grande impacto em seu posicionamento e, por consequência, em suas vendas. Se você é um revendedor de outras marcas, ainda pode por em prática a seguinte dica: faça uma busca no Google por [nome da marca + intitle:onde comprar]. Esses resultados retornarão todas as páginas de “Onde Comprar” dos sites oficiais das marcas que você revende. Essa é uma ótima oportunidade para entrar em contato com essas marcas e solicitar a sua inclusão nesta lista de parceiros. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 288 289 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Quantidade de links é fator secundário Links são muito importantes dentro de uma estratégia de SEO, porém, mais importante que os próprios links, é a qualidade dessas menções. John Mueller chegou a afirmar que o número de backlinks de um site não é importante se estes backlinks não forem relevantes. Por isso, os KPIs a serem avaliados continuam os mesmos: busque links de sites com boa autoridade, seja uma fonte confiável, busque veículos de grande tráfego e, acima de tudo, produza links bem contextualizados e relacionados ao seu negócio. Mensuração de Resultados Após tanto trabalho, tanto planejamento e tanta execução, chegou a hora de mensurar os seus resultados! Quando falamos de tecnologia, algumas implementações trazem resultados mais imediatos que outras e, se tratando de SEO, essas avaliações devem ser feitas com grande frequência. De acordo com uma análise dos dados da ferramenta SERP Volatility, que avalia a flutuação dos resultados no Google Brasil, no mínimo 52% das URLs trocam de posicionamento na SERP todos os dias. E você deve estar atento. Para e-commerces, algumas métricas são prioritárias nessas avaliações, e elas são: • Posição das palavras-chave; • Tráfego estimado (em ferramentas como SEMRush); • Tráfego; • Tempo médio na página; • Páginas/sessão; • Duração da sessão; • Usuários novos x recorrentes (procure ter o máximo de usuários recorrentes) • Taxa de Conversão; • Receita; • Faturamento; • CAC; • Lifetime Value; • Receita assistida. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 290 291 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO SERP Control Estamos finalmente chegando ao final desse guia e, para encerrar nossa lista com chave de ouro, vamos falar sobre uma estratégia que não necessariamente melhora o SEO de um site, mas que está mais para uma boa consequência de um SEO eficiente: a SERP Control. SERP Control, ou controle de SERP, é o que acontece quando, para uma mesma palavra-chave, a sua marca está presente tanto nos resultados orgânicos quanto nos links patrocinados. O objetivo de dominar uma página de resultados, no entanto, não deve ser aumento de receita ou de conversões, mas sim um trabalho de branding (que, naturalmente, irá reverter-se em vendas no futuro). Essa estratégia é especialmente benéfica para empresas que estão construindo a sua marca de modo estratégico e precisam se destacar no imaginário de seu público-alvo. Com o recente ganho de espaço do Google Shopping e as diferentes disposições das SERP Features, colocar em prática a sua estratégia de SERP Control está cada vez mais custoso, mas estar presente em dois ou mais elementos já pode ser o suficiente para posicioná-lo como uma autoridade. Veja abaixo, por exemplo, quantas vezes a Apple aparece somente na primeira dobra desses resultados de pesquisa. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 292 293 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO A boa implementação dessa estratégia também pode aumentar as buscas institucionais de um e-commerce, ou seja, as pesquisas feitas pela sua marca. Essas pesquisas, por sua vez, são um indicativo muito positivo de que o seu site está correspondendo à intenção de busca do seu usuário. Ferramentas Como prometido em outros momentos desse conteúdo, listamos abaixo as mais populares e eficientes ferramentas de SEO do mercado. Essas são as ferramentas mais utilizadas e recomendadas. Elas servem a diferentes propósitos e momentos da construção e implementação de uma estratégia de SEO e esperamos que você possa extrair o máximo de suas utilizações. Gratuitas: • Google Search Console • Google Data Studio • Google Tag Manager • Google PageSpeed Insights • Google Analytics • Lighthouse • Mobile-Friendly test • Bing Webmaster Tools (BWT) • GT Metrix • WebPageTest.org • Screaming Frog • SimilarWeb • Google SERP Simulator (Mangools) • Microsoft Clarity • iLoveIMG.com Pagas: • SEMRush • Ahrefs • KeywordTool.io • Moz 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 294 295 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • SimilarWeb Pro • Hotjar Plugins para Chrome: • Google SERP Counter • SimilarWeb • SEO Quake • MozBar • Word Counter Plus • WebVitals • SERP Preview Tool Conclusão Compreender de que forma os usuários de um mecanismo de busca se comportam, expõem seus desejos, se relacionam e se beneficiam dos resultados é o que torna o SEO um trabalho tão humano. Ao voltar-se, primeiramente, ao usuário, o profissional de SEO tem a chance de expandir as suas possibilidades no que diz respeito à otimização da experiência de navegação de um site e, desse modo, influenciar todos os aspectos de um negócio, não apenas o digital. Com a formação de equipes cada vez mais multidisciplinares, o SEO passa, agora, por uma transformação sem precedentes. Apesar disso, diferentes frentes, diferentes mindsets e diferentes mercados se encontram em um único objetivo: tornar as páginas de resultados cada vez melhores, mais informativas e mais democráticas. 10 . S EO - S EA R C H E N G IN E O P TI M IZ A TI O N 296 297 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Responsáveis pelo conteúdo: Diego Ivo Bruna Rodrigues 11 MEIOS DE PAGAMENTO E ANÁLISE DE RISCO Meios de pagamento Principais personagens dos pagamentos no e-Commerce Novos meios de pagamentos para o e-Commerce Pix versus boleto Análise de risco Processo de análise de pagamentos Dica do Especialista 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 300 301 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Meios de Pagamento e Análise de Risco Meios de pagamento Os pagamentos no e-commerce são fundamentais para a operacionalização de vendas online com segurança tanto para quem vende quanto para quem compra. O primeiro aspecto a ser observado, em relação aos meios de pagamento, é que a venda não presencial requer o apoio de várias tecnologias integradas para poder capturar, processar e, assim, recusar ou aprovar as transações. Para e-commerces ou outras experiências não presenciais, como vendas em redes sociais ou por televendas, é necessário integrar um meio de pagamento que contemple soluções completas e, com isso, ajude a tornar a experiência de compra fluida ao comprador e com a retaguarda do processamento também simplificada ao vendedor. Neste sentido, ter um meio de pagamento que disponibilize tecnologia de ponta é um dos critérios fundamentais na escolha de um parceiro para apoiar essa frente do negócio online. Uma API simples, dev-friendly e completa, além de uma estrutura robusta contendo todas as soluções necessárias para o bom funcionamento de uma loja virtual, são o primeiro passo para se ter um e-commerce de sucesso. Um parceiro que forneça os mais diversos métodos de pagamento, tudo em única integração, como cartão de crédito, boleto bancário, PIX, cartão de débito, carteira digital, análise de risco etc., é importante para a redução do tempo investido na integração. Além disso, neste caso destaca-se a facilidade no controle da operação no dia-a- dia em um único lugar. O ideal é que essas soluções favoreçam o aumento da conversão, oferecendo uma boa experiência durante o 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 302 303 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO processo de compra e a flexibilidade necessária para customizações da loja. Quando falamos de pagamento em um ambiente não presencial um ponto muito sensível é a segurança das informações que estão sendo processadas. Por isso, a recomendação é escolher players que possuam a certificação de segurança PCI compliance, seguindo os rigorosos padrões da indústria de pagamentos e garantindo a segurança dos dados dos compradores. Num cenário ideal, a recomendação é ter um meio de pagamento que tenha foco em potencializar a conversão. Ou seja, que seja deve ser: • assertivo no processo de autorização do pagamento; • transparente no retorno sobre o motivo de negar uma transação; • possuir tecnologias internas para maximizar as vendas, como por exemplo a retentativa automática inteligente; • ter mesa de análise manual para transações que são geridas pelo antifraude e que apresentam um alto potencial de risco. Por fim, escolha um meio de pagamento que forneça um bom atendimento. Todas as etapas descritas anteriormente são sensíveis e impactam diretamente no processo de venda, dessa forma, é fundamental ter um parceiro que apoie a empresa durante a integração, dando todo o apoio técnico necessário para que esse processo ocorra da melhor forma possível, bem como tenha uma equipe bem qualificada para dar um atendimento consultivo sobre quais são os produtos e funcionalidades que ajudam o e-commerce a vender mais e especialistas em análise de conversão. Principais personagens dos pagamentos no e-Commerce Para processar pagamentos online, há um grupo de fornecedores fundamentais para fazer com que a “magia” aconteça e o consumidor não seja impactado em sua jornada de compra. Esse processo engloba no mínimo alguns nomes desconhecidos do grande público varejista e é importante poder citá-los e quais funções exercem nesse fluxo. São eles: 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 304 305 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Gateway de pagamento: plataforma que possibilita a comunicação entre a loja online, o cliente – e seus dados para realizar o pagamento – e o banco ou instituição financeira. Adquirentes: empresas que fazem a conexão entre os dados cadastrados pelo cliente final no ato de compra + a bandeira do cartão + o banco. Aqui o objetivo é realizar as transações dos cartões de crédito ou débito. Subadquirentes: também conhecido como PSP (payment service provider), fazem a comunicação entre todas as partes envolvidas em uma transação e ainda contam com ferramentas como os sistemas antifraude, que ajudam a garantir a segurança dos valores transacionados. Bandeira: é através da bandeira do cartão de crédito que possibilita a comunicação com a maquininha de cartão ou com a administradora ou banco emissor. A principal função aqui é determinar as regras de utilização do cartão e em quais canais e pontos de venda ele será aceito para compras. Compras no exterior, por exemplo, acontecem por conta das bandeiras que equalizam as transações conforme moeda e país em questão. Banco emissor: o banco ou instituição financeira que emite o cartão de crédito ou de débito Novos meios de pagamentos para o e-Commerce Os novos meios de pagamento acompanham as necessidades do consumidor e as tendências para o futuro. Cada vez mais, o consumidor busca algo que seja fluido, imediato e prático, e tudo isso se reflete nos diferenciais que os novos meios de pagamento buscam oferecer ao consumidor. Ter uma fluidez no processo de compra se tornou uma obrigatoriedade atualmente. Fazer com que o comprador pague de uma forma simples, contínua, sem fricção e com retorno imediato são opções que vêm ganhando o olhar do consumidor e do lojista, pois cada vez mais é necessário ofertar uma experiência que facilite a conversão da venda. 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 306 307 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO E, com isso, vemos a crescente utilização da funcionalidade da “compra com um clique” em transações de cartão de crédito e a ascensão das carteiras digitais e do PIX, que fornecem uma confirmação instantânea da compra e da liquidação financeira. Por fim, quando falamos principalmente de carteiras digitais e PIX, vemos que são meios de pagamento em crescimento e aceitação devido a sua praticidade e inclusão financeira. Com isso, novos usuários que possivelmente não comprariam em um e-commerce são atraídos para consumirem nas lojas virtuais, gerando um aumento das vendas. Pix versus boleto O PIX foi lançado para ser um meio de pagamento complementar e inclusivo, sendo uma opção inovadora à disposição dos usuários. Ele vem ganhando bastante mercado apesar de ainda ser pouco representativo no P2B (person to business), mas está em ascensão, principalmente devido ao fato da liquidação ser instantânea, com um custo reduzido e da disponibilidade ser 24x7. Cada vez mais vemos o Banco Central desenvolvendo novas funcionalidades e recentemente tivemos o lançamento do Pix Cobrança, que permite o agendamento de um pagamento e a adição de inúmeras informações como inclusão de juros, descontos e multas. Quando comparamos esses diferenciais com o boleto bancário, que possui um tempo de compensação maior, funcionamento apenas em dias da semana e um custo razoavelmente maior do que o PIX, vemos a explicação da grande e rápida aceitação dos usuários e dos lojistas pelo PIX. Apesar de ainda haver uma grande parcela da população que prefere realizar um pagamento com o boleto devido ao hábito, a segurança que o meio de pagamento oferece e também pela possibilidade do pagamento ser realizado por terceiros, nos próximos anos devemos ver um grande crescimento do PIX como escolha principal ao invés do boleto, porém uma parcela pequena da população deverá manter sua escolha no boleto. 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 308 309 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Sob o ponto de vista dos lojistas, vale o registro de que de todos os boletos emitidos por compradores, menos de 50% é efetivamente pago. Ou seja, em muitos casos a venda não é concretizada, o que prejudica o fluxo da loja, que é obrigada a fazer a retenção do produto em estoque por pelo menos 3 dias, prazo para a compensação do boleto. Outra questão importante é o custo da operação. No Mercado Pago, por exemplo, as taxas de pagamento são a partir de 3,99%, para todos os meios de pagamento, em linha com a média do mercado. Com o Pix, esse valor cai para 0,99%. Análise de risco O Brasil é um país arriscado, considerado um dos maiores do mundo em tentativas de fraude. Hoje, a cada R$ 100 em compras, cerca de R$ 2,78 são tentativas de fraude. Analisando os números no ano, são cerca de 3,5MM de pedidos que são tentativas de fraude que resultam em um valor de R$ 3,6Bi em tentativas de fraude (dados retirados do Mapa da Fraude da ClearSale 2020). Como diz quem atua no setor, os fraudadores brasileiros são criativos e profissionais, sempre estão em busca de novas formas de fraudar e até de automatizar a fraude. Mas, apesar do desafio, o Brasil conta com ferramentas especializadas na prevenção à fraude, ajudando o lojista a minimizar o risco. Em comparação com os mercados europeus, os e-commerces do mercado brasileiro estão relatando taxas de fraude e chargebacks mais elevados. O Brasil tem várias opções de pagamento de bens e serviços: cartões de débito e crédito (mais comumente locais e raramente também habilitados internacionalmente), boleto bancário, cartões-presente e transferências bancárias (DOC, TED), agora sendo gradualmente substituídos por Pix. Portanto, é importante ter uma solução sofisticada de prevenção de fraude que seja independentemente do instrumento de pagamento. Uma solução de fraude só pode funcionar com qualquer sistema de pagamento se for capaz de extrair informações suficientes para se tornar independente dos dados relacionados ao pagamento. 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 310 311 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Estamos relatando diferentes tipos de fraude no Brasil: fraude ausente de cartão ou fraude de pagamento, fraude efetiva, auto fraude, fraude amigável, teste de cartão em geral, fraude de controle de conta, fraude de vale-presente e pedido de estorno. Na escolha da ferramenta de análise de risco, existem três indicadores que devem ser verificados: taxa de aprovação, taxa de chargeback (fraude) e em quanto tempo seus pedidos estão sendo analisados. Esses 3 pilares precisam estar em equilíbrio para ter um e-commerce saudável e o antifraude está ligado diretamente para a performance desses indicadores. Com esses números em mãos, conseguimos avaliar quais são os critérios para a escolha da ferramenta de antifraude, que são: Tamanho da base: o quanto a ferramenta conhece os dados do CPF que está realizando a compra. Essas informações são importantes para a prevenção da fraude e também para a aprovação de pedidos legítimos. Tecnologia: se a ferramenta utiliza de tecnologia para identificar o comportamento do usuário, por exemplo: Fingerprint e Velocity. Com essas ferramentas é possível barrar ataques de fraudadores dentro do seu e-commerce. Análise Humana: a Análise Humana faz toda a diferença nos indicadores do seu e-commerce, com ela é possível prevenir ainda mais a fraude, além de validar compradores verdadeiros, aumentando sua taxa de aprovação. Qual a importância da análise manual? A Análise Humana ou Manual é a combinação entre a tecnologia de ponta e uma análise humana especializada, que é capaz de identificar, por exemplo, no momento da ligação, se aquela pessoa condiz com o sexo ou idade do comprador, analisando sua voz, ou até mesmo identificar um fraudador se passando pela vítima, para tentar enganar o analista. Só com um especialista, por meio da sua experiência e feeling, é possível combater a fraude dessa maneira. Além da importância na prevenção a fraude, um analista, consegue validar a compra e garantir a aprovação dos 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 312 313 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO bons compradores com segurança, aumentando a taxa de aprovação do e-commerce. Processo de análise de pagamentos A análise do pagamento é feita com base em um tipo diferente de dados: Dados recolhidos pelo perfil de usuário, que reúne mais de 5.500 atributos para cada um que tenta comprar algo no site de e-commerce (os dados sobre o comportamento do usuário no site). As informações são enviadas em “real time”, expondo os detalhes de nível mais baixo em relação ao dispositivo de cada usuário, características de rede e comportamento associado a velocidade que usa o teclado, velocidade do mouse e acelerômetro. Os dados são fornecidos pelo e-commerce por meio de uma API flexível que é capaz de receber produtos personalizados, dados de integração de clientes. Os dados fornecidos por terceiros de APIs adicionais para obter enriquecimento de dados adicional. O mecanismo de decisão é resultado de uma solução híbrida que permite que modelos de Machine Learning sejam combinados com lógica mais estática. A modelagem de Machine Learning permite o aprimoramento constante de algoritmos e adapta continuamente a lógica de decisão às necessidades e ao tráfego dos clientes, o que permite obter as informações sobre cada risco de pagamento e detectar comportamentos fraudulentos. Uma parte importante do valor das empresas que atuam no setor é o relacionamento direto entre o cientista de dados e o cliente. Um cientista de dados dedicado à conta acompanha diariamente os KPIs do cliente diretamente à lógica do mecanismo de decisão de uma compra em segundos, proporcionando ao cliente final uma experiência excelente na hora da compra. 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 314 315 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Tatiane Souza Mesmo com a preferência por pagamentos parcelados, o brasileiro adere muito ao pagamento à vista com desconto. Qual estratégia você sugere para o varejista? Temos que ter em mente o tipo de consumidor que o negócio tem como persona para poder direcionar a melhor estratégia de mix de pagamentos para cada loja. Mas é importante também entender que o e-commerce tem recebido consumidores mais diversos nesse processo de digitalização que o mundo todo vem passando. Até o começo de 2020, pensávamos em como otimizar a jornada do comprador para realizar pagamentos no cartão de crédito na loja online, evitar longos formulários e focar na conversão no momento do fechamento do pedido. No pós-pandemia, contudo, temos que dar um passo atrás para mapearmos com cuidado também mais de 5 milhões de compradores recém-chegados no digital e que sequer possuem algum nível de bancarização (conta em banco, cartão de crédito, saldo em conta) ou são parte do grupo de quem não se sentia seguro em comprar online até então. Porém, com o agravamento da pandemia, viram na compra digital a única forma de consumo. Em todos esses públicos e com os impactos que a economia vem sofrendo, o parcelamento volta a ser a forma viável de compradores seguirem consumindo. Isso é um alerta para muitos lojistas que, em alguns casos, ficam na dúvida em oferecer mais opções de parcelamento em suas lojas online ou restringi-las. Para que o lojista possa explorar mais oportunidades de venda à vista, ele precisa ter em mente: esse desconto que estou proporcionando ao comprador, para que pague via boleto bancário, poderia ser diluído em outras formas de pagamento que também tenham liberação imediata. Dica do Especialista 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 316 317 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Outros métodos podem ser também oferecidos ao comprador para que ele tenha um leque de opções para efetivar a compra e evitar sua saída da loja online. O próprio Pix pode ajudar a gerar caixa rapidamente num custo menor, então, é uma excelente alternativa. Neste caso, a transação ocorre em até 10 segundos, evitando o desinteresse do comprador no ato do pagamento. Outra solução interessante é o pagamento via boleto parcelado, que é a digitalização daquela experiência bem brasileira: carnê em loja física. Consumidores diversos estão ingressando na compra online agora, então, faz sentido sim ofertar o máximo de opções para que ele efetive a compra e o lojista invista em sua geração de tráfego qualificada e deixe com o meio de pagamento a inovação de novos métodos. Pode falar um pouco sobre formas de integração dos pagamentos entre e-Commerce e os pontos físicos? Hoje as empresas encontram diversas opções para as compras não presenciais. Já para lojas físicas, as soluções POS e QR Code possuem fluxos diferentes para aprovação e reprovação de transações, uma vez que o comprador está diante do dispositivo de pagamento. Com diversas tecnologias também aplicadas ao ponto de venda, as soluções são cada vez mais ágeis e simplificadas, podendo ser realizadas por leitura da tarjeta ou chip e também por aproximação. Para leitura via ‘maquininha’, há várias soluções que integram ao PDV e que podem ser utilizadas de acordo com o bolso do lojista, desde modelos com conexão bluetooth ao celular, com plano de internet embutido e com ou sem impressão de comprovante, lembrando que o lojista tem modelos com opção de compra ou locação. Quando falamos de QR Code, estamos citando a experiência de mais de dois anos do Mercado Pago oferecendo este tipo de forma de compra em várias grandes redes do país, potencializando que compradores não necessitem fazer uso de dinheiro em espécie para pagar transações à vista no mundo físico. 11 . M EI O S D E PA G A M EN TO E A N Á LI S E D E R IS C O 318 319 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Além da própria experiência de compra fazendo uso de um smartphone, o comprador ainda pode fazer uso da carteira digital e assim, usufruir de outros benefícios como rendimento em conta, transferências, Pix, pagamentos de contas e muito mais. 3 pilares para um e-commerce saudável: taxa de aprovação, taxa de chargeback e em quanto tempo seus pedidos estão sendo analisados. Responsáveis pelo conteúdo: Aline Ferreira Gustavo de Paula Karina Portugal Tatiane Souza abradinacional abradi_nacional 12 INTEGRAÇÕES Integrações A importância das integrações O papel das integrações no varejo O papel das integrações na indústria Dica do especialista 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 322 323 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Integrações O ecossistema do e-commerce é enorme e envolve a participação de empresas de diversos segmentos de atuação. Nesse sentido, podemos dizer que integrar sistemas dentro da empresa é valioso para qualquer área, porém, no e-commerce, isso é altamente necessário. Por exemplo, o ERP (Enterprise Resource Planning) e a plataforma de e-commerce são sistemas distintos, mas que compartilham dados. Os fluxos mais comuns dessa integração são: produto, preço, estoque, pedido, cliente e status do pedido. Além do ERP, em operações mais complexas de e-commerce se faz necessário a integração do sistema de vendas com outros softwares, como os das plataformas de marketing, sistemas de service desk, hubs de marketplace, CRM e PDV, dentre outros. Portanto, garantir a unicidade desses sistemas é um fator crítico de sucesso para uma operação e-commerce. E essa necessidade tornou-se ainda mais importante diante da relevância conquistada pela omnicanalidade. A estratégia omnichannel depende da conexão entre os canais de vendas da empresa, o que torna a integração entre os sistemas imprescindível. Nesse tipo de operação, os PDV`s e qualquer outro sistema de venda da empresa devem estar interligados para que seja possível que o consumidor possa ter uma experiência única de compra. O maior desafio, neste caso, é que normalmente os sistemas PDV`s são sistemas legados sem API`s ou formas simples de integração. Reside neste aspecto a importância de se contar com uma empresa especialista em integrações. Assim, além de facilitar o processo, a empresa também consegue garantir a atualização, que é importantíssima para assegurar a qualidade da operação. A boa notícia é que temos no mercado sistemas focados em resolver esse tipo de problema. Estamos nos referindo às plataformas iPaaS (Integration Platform as a Service) ou plataforma de integração de sistemas como serviço. 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 324 325 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO É uma solução em nuvem, na qual os usuários podem desenvolver fluxos de integração que conectam aplicações em cloud, SaaS ou on-premise. Em seguida, faz o deploy sem precisar instalar localmente ou gerenciar hardware ou software. Dessa forma, fica muito mais fácil manter todas as integrações funcionando e atualizadas. A importância das integrações Os modelos de negócio estão em franca transformação, mas é importante destacar o principal fator que disparou a mudança dos modelos em si: o comportamento do consumidor. No passado, essa questão estava muito ligada à faixa etária. Assim, enquanto as pessoas mais novas, abaixo de 30 anos, já faziam parte de uma geração que vivia o digital como algo natural, as com mais idade ainda tinham uma cultura mais ligada ao físico. O efeito disso, em especial no Brasil, é que o “Índice geral” de digitalização do varejo até 2019 estava na faixa de 5%. A pandemia acelerou uma mudança que levaria anos para acontecer. Os consumidores com mais idade se viram forçados a experimentar uma nova experiência e aprenderam muito nesse período. E esse aprendizado não vai ser perdido. Pelo contrário, vai acelerar. Os números prévios indicam um crescimento do digital em mais de 100%. O Brasil é 10% digital em termos de varejo. Ou seja, 10% de tudo que se vende no varejo é via e-commerces e marketplaces. O aumento da digitalização do varejo esconde um número importante. Apesar de 10% de tudo que foi vendido em 2020 ter sido no mundo digital (e-commerce e marketplace), o percentual de consumidores que fez alguma compra no smartphone ou computador em 2020 é muito maior. Estimativas do setor apontam para mais de 70% de penetração do e-commerce/marketplace. O consumidor agora é “figital” (parte físico e parte digital). E nada fará isso recuar. Consumidores mais do que nunca irão consultar na loja e comprar on-line (showrooming) e também ver online e comprar na loja (webrooming). Sem limites, esse processo vai acontecer de acordo com o item a ser comprado, com a rotina diária ou simplesmente pela 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 326 327 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO preferência. O que isso vai causar nas franquias e nas lojas físicas? A necessidade de entender e atender melhor esses consumidores. O relacionamento com os consumidores será mais do que nunca um dos maiores desafios para os varejistas físico-digitais. Conhecer o consumidor é o diferencial do varejista físico. Ele sabe o que comprar, como expor, com qual preço, como demonstrar, como financiar etc. Em um interessante e antigo artigo (1917, isso mesmo mais de 100 anos atrás), L.D.H. Weld1 explica com muita clareza todos esses serviços que o varejista presta tanto à indústria quanto aos consumidores. Contudo, a gestão de relacionamentos sempre foi deixada como algo “mágico” ou secreto na cabeça dos varejistas. Eles sabiam isso tudo, mas não contavam para ninguém. Esse era seu diferencial competitivo. Com o advento da internet e das plataformas digitais, muitos desses serviços começaram a ser separados e resolvidos por empresas à parte. Uma faz o marketing, outra a armazenagem, outra analisa crédito, outra dá crédito, mas a mágica do relacionamento com consumidor continua vivo: entender e adaptar os modelos para atender a demanda. É necessário, contudo, tornar esse relacionamento um pouco mais estruturado e processual. Sistemas de análise de demanda, processos e ferramentas para fidelização do cliente e o atendimento do consumidor em si continuarão sendo um fator importante de sucesso. Franquias e redes de lojas vão precisar investir para entender e personalizar cada vez mais o atendimento da demanda do consumidor. O físico e o digital vão precisar conviver e o relacionamento com este consumidor, independentemente de onde vem, precisa ser registrado, analisado e aplicado com frequência. Neste contexto, a sobrevivência das lojas físicas estará relacionada com conveniência e experiência. As redes de loja vão precisar cada vez mais prever de forma mais precisa a demanda para atender aos consumidores e cada vez oferecer experiências físicas e digitais integradas. As lojas se tornarão cada vez locais nos quais os consumidores vão experimentar novos produtos ou coletar produtos que compraram on-line. É essa integração que fará a diferença nos próximos anos. 1. –Weld, L. D. (1917). Marketing functions and mercantile organization. The American Economic Review, 7 (2), 306-318. 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 328 329 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO A experiência física não se limita ao recebimento de mercadorias, mas envolve toda a jornada de compra: recebimento, compra de produto reservado ou mesmo troca e devolução. As lojas, juntamente com o e-commerce, podem oferecer uma experiência nova e prazerosa para o consumidor físico-digital (figital). O papel das integrações no varejo Neste cenário, o principal papel das integrações entre o físico e digital é unificar a experiência do consumidor. O consumidor moderno não separa mais a experiência da marca por canal. Ele é um consumidor de uma rede, franquia ou marca, independentemente dele estar na loja física ou digital. Os consumidores já fazem isso, mas as lojas ainda resistem um pouco. Consumidores vão à loja física para experimentar e compram no digital. Consumidores vão no site e depois querem pegar o produto na loja mais perto da casa. Consumidores querem comprar o produto que viram on-line na loja mais próxima. Infelizmente, a experiência hoje ainda não é satisfatória na maioria das vezes. Rotinas como pontos “pickup in store” (comprar on-line e receber na loja), “ship-from-store” (compre online a loja mais próxima enviará para os consumidores) ou um simples “locker” (armário automatizado onde uma compra feita em uma loja pode ser retirada na outra) já são realidade. Os clientes já utilizam este tipo de processo, então, cada vez mais, será essencial tanto para o e-commerce quanto para as lojas físicas adotarem essas estratégias. Além de melhorar a experiência do consumidor, esse tipo de abordagem diminui o custo da logística, reduz as fraudes e aumenta o fluxo na loja física. Numa interessante pesquisa sobre a adoção do pickup-in- store (compre online e retire na loja), realizada em 2014 no EUA, David R. Bell e outros pesquisadores2 evidenciaram que essa estratégia aumenta as vendas nas lojas físicas. Isso mesmo. O simples fato de o consumidor saber que um determinado produto está disponível numa determinada loja por um preço aceitável justifica que ele se desloque para um 2. Herhausen, D., Binder, J., Schoegel, M., & Herrmann, A. (2015). Integrating bricks with clicks: retailer-level and channel-level outcomes of online–offline channel integration. Journal of retailing, 91(2), 309-325. 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 330 331 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO ponto próximo para comprar o que precisa. Outras pesquisas apontam que essas estratégias de integração aumentam a percepção de segurança do consumidor a ponto de aumentar também a percepção de valor, permitindo que haja um prêmio em termos de preço nestes produtos3. Logo, integrar é chave para as redes físicas e digitais. O papel das integrações na indústria A indústria continuará a depender do varejo físico e dos tradicionais canais de distribuição. Contudo, a indústria já começou a entrar no B2C (ou D2C - Direct to Consumer) e continuará a investir para desenvolver um novo canal para seus produtos. Basta entrar no Google e procurar um produto qualquer e você já encontrará diversas indústrias (em especial de bens para consumo) vendendo seus produtos diretamente via e-commerce e marketplace. Por que isso tem sentido? Vamos citar 4 motivos: mix de produtos da indústria, regiões mal atendidas, margem e informações do consumidor. As indústrias produzem uma variedade de produtos e apenas uma parcela pequena (entre 20% e 30%) tem um giro (vendas / estoque) que justifique a venda desses produtos através de redes varejistas. Produtos considerados de cauda longa (como uma geladeira de R$ 10.000 ou uma TV de R$ 20.000) ficam encalhados na fábrica pois não é fácil encontrar consumidores para eles e, portanto, isso diminui o interesse por parte dos intermediários. Oferecer esses produtos por meio de um canal de digital chega a ser óbvio. As plataformas servem para isso, unir o consumidor ao produtor/ vendedor. Se imaginarmos que uma indústria que tem condições de oferecer um mix de 1.000 produtos, ela terá 700 para colocar em canais digitais alternativos. O outro ponto é competência ou capacidade de venda regional. Numa determinada região, em especial num país continental como o nosso, uma determinada indústria pode não ter representantes ou uma boa rede de distribuidores com capacidade de vender seus produtos. Indo para um canal digital, terá muito mais chance de vender para este 3. Bell, D. R., Gallino, S., & Moreno, A. (2014). How to win in an omnichannel world. MIT Sloan Management Review, 56(1), 45. 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 332 333 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO consumidor regional distante. Ou seja, um defeito do canal de vendas pode ser corrigido pelo digital. Outra solução mais ou menos óbvia. A indústria é carente de informações sobre seus consumidores finais. As informações sobre a venda e o cliente final ficam no meio do caminho. As plataformas digitais podem oferecer isso a elas como o próprio D2C explica (Direct-to-Consumer). Indo direto ao consumidor, além das vendas, que podem ser relevantes, as indústrias passam a saber quem são seus consumidores, que produto cada um compra, quanto estão pagando pelo produto e o que cada um pensa (fazendo contato com eles é claro). Indústrias de consumo, em especial, já investem em programas de pesquisa e mesmo em plataformas para coletar essas informações. Vender direto, além de trazer receita e potencialmente reduzir custos, pode lhe trazer informações preciosas. Além de tudo que já foi citado, a indústria tem margem para ir ao consumidor final. Estimamos que um markup médio (preço final que o varejo pratica para vender um produto ao consumidor final) seja da ordem de 100% a 150%, dependendo da categoria. Ou seja, um produto que tem preço de custo da ordem de R$ 100 será vendido no varejo por R$ 250, aproximadamente. Abrir mão de 15% a 20% disso para um marketplace ou mesmo investir em uma plataforma própria de e-commerce é economicamente viável para esse cenário. Por último, mas não menos importante, uma grande quantidade de plataformas e prestadores de serviço têm se esforçado para desenvolver soluções de fulfilment para a indústria. Marketplaces como Mercado Livre, B2W e Amazon já se posicionaram nesta modalidade e investem pesado para isso continuar a crescer. Essa solução é muito adequada para as indústrias. Ao selecionarem produtos adequados e colocarem nos armazéns logísticos desses marketplaces, as indústrias ganham um forte aliado para facilitar muito o atendimento e as vendas para o varejo. Armazenagem, venda, faturamento, entrega, reversa, tudo integrado, se torna num fator muito importante para incentivar as indústrias a entrarem no D2C (B2C). 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 334 335 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Edmee Moreira As conexões entre sistemas estão sendo executadas por hubs. Qual a vantagem de um hub frente uma conexão direta? As conexões com marketplaces via hubs ou via plataformas mais elaboradas como OMS Omnichannel são uma necessidade, tanto por questões logísticas quanto por questões tecnológicas e de serviço. A questão logística é simples. De acordo com dados “desatualizados” de 2017 (as coisas mudam muito rápido), o Mercado Livre tinha 10.000.000 de vendedores. Isso mesmo. Se ao invés de usar cerca de 10 ou 12 hubs homologados o Mercado Livre liberasse qualquer um para se conectar às suas APIs, o problema a ser gerenciado seria muito maior (milhões de vezes maior). Logo, os hubs são uma necessidade da plataforma em primeiro lugar. Por outro lado, em termos de atendimento, são uma solução para os vendedores. Como as tecnologias estão em constante evolução, toda vez que um vendedor tenta se conectar diretamente com um marketplace ele traz uma responsabilidade (e custo) para dentro de casa que será difícil de ser administrado. Os hubs (e plataformas OMS Omnichannel) trazem para si a responsabilidade de acompanhar as mudanças tecnológicas e blindar os sellers dessa preocupação. Logo, os hubs prestam um serviço essencial para manter esse ecossistema em equilíbrio. Importante ressaltar que hubs não podem ser avaliados separado do processo de negócio. Os hubs nasceram para permitir que um pequeno seller pudesse vender o mesmo produto em diversos marketplaces simultaneamente, economizando tempo e dinheiro. Com o tempo foram reconhecidos como uma boa solução multiplataforma por empresas de médio porte. À medida que foram ganhando espaço, algumas limitações foram identificadas. A principal é que a conexão multiplataforma é essencial, Dica do Especialista 12 . I N TE G R A Ç Õ ES 336 337 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO mas não suficiente para entregar um processo de negócio completo. À medida que o volume de vendas aumenta, os sellers precisam adotar soluções de processos de negócio compatíveis com a venda digital. Processos como faturamento fracionado/lote, pick-and- packing, conciliação com marketplaces, fulfillment etc. são essenciais para suportar a operação de vendas online. Essas soluções são encontradas normalmente em backoffices especializados (ou ERPs de e-commerce) que usam os hubs como uma peça adicional importante. Plataformas de Integração OMS/Omnichannel adotam hubs de terceiros ou mesmo próprios para garantir um processo de negócio mais integrado e seguro. De qualquer forma, hubs e plataformas OMS são essenciais para uma integração de qualidade com os principais marketplaces, em especial para empresas que começam a vender mais de cem ou mais pedidos por dia. Responsáveis pelo conteúdo: abradinacional abradi_nacional Cleber Piçarro Edmee Moreira 13 LOGÍSTICA Logística Logística própria versus fulfillment Dica do especialista 13 . L O G ÍS TI CA 340 341 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Logística A logística representa um grande desafio para os empreendedores no Brasil, em especial quando relacionada ao custo do frete. Uma das formas encontradas para otimizar esses custos é a manutenção de Centros de Distribuição (CD) próprios ou alugados, localizados em regiões estratégicas, que podem minimizar de forma significativa o custo da cadeia logística. Potencializar a logística é tornar disponíveis produtos e serviços nos locais nos quais são necessários, no momento em que são demandados e com o menor custo operacional. Listamos abaixo 3 critérios para escolha do local adequado para um centro de distribuição para fazer com que o transporte e a logística se tornem um diferencial competitivo da sua empresa 1. Áreas geográficas Primeiro: identificar as áreas geográficas que serão atendidas e a abrangência ou a cobertura que cada Centro de Distribuição será responsável. Segundo: quais regiões sua empresa pretende atuar? Será um município, um estado, todo território nacional ou ainda outros países? Além do custo com fretes, é importante ficar atento e observar as questões tributárias e de legislação municipais e estaduais. 2. Impostos Cada estado e município tem uma política de tributos específica. Assim, considere, por exemplo, que o ICMS pode interferir diretamente no valor do seu produto. Dependendo do volume de um negócio, um estado pode oferecer isenções tributárias que podem reduzir consideravelmente os gastos. Esse é um fator decisivo para a escolha de onde irá instalar seu próximo Centro de Distribuição. 3. Custos Fixos e Variáveis Independentemente de montar ou utilizar um centro de distribuição, é importante avaliar quais serão os custos 13 . L O G ÍS TI CA 342 343 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO fixos e variáveis – nos quais pode ser incluído o valor dos CDs. A locação da estrutura física, em muitos casos, é mais vantajosa que a construção de um imóvel próprio. Portanto, avalie o que lhe trará maior ganho a médio e a longo prazos. Potencializar a logística é tornar disponíveis produtos e serviços onde são necessários Logística própria versus fulfillment A vantagem de uma logística própria é ter o total controle do estoque na palma de suas mãos. Ou seja, é possível ver o estoque sempre, saber que tudo está ali e que nenhum item saiu do seu controle. Outro benefício importante é ter como customizar as embalagens e todos seus processos. A desvantagem é que, cada vez que a empresa eleva o número de pedidos, precisa aumentar o custo fixo, com a contratação de mais colaboradores e, muitas vezes, até aumento do espaço físico. E isso faz com o que o custo por pedido aumente, além do fato de a empresa deixar de se dedicar apenas ao seu core business, que é a venda. Neste sentido, o emprego de uma logística terceirizada faz com que os processos ganhem agilidade e uma vida independente do seller. Afinal, o pagamento será pelo número de pedidos processados ou pelo faturamento. Assim, o seller não perde tempo com a parte operacional, uma vez que o parceiro será responsável em atender à demanda. Se o fulfillment estiver em uma região estratégica, o seller ainda ganha benefícios em relação ao frete e, em muitos casos, ao pagamento de impostos. O que pode ser vista como desvantagem é a parte de 13 . L O G ÍS TI CA 344 345 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO customização, porque o fullfilment é em escala e, muitas vezes, um processo muito detalhado. O parceiro contratado poderá não executar da mesma maneira que o lojista faria de forma interna. André Santos Num país de dimensões como o Brasil, com gargalos de infraestrutura multimodal e uma cadeia de tributos complexa, quais soluções logísticas devem ser consideradas como viabilidade econômica para que o setor digital possa crescer organicamente? O cross docking é uma alternativa importante. O formato tem permitido que empresas como Mercado Livre expandam muito a sua operação em todo o Brasil. Outra questão relevante para ampliar a logística são as agências de envio, por meio de parcerias com operações como a Kangu. A startup tem nos dado uma capacidade de penetração enorme. Além disso, no nosso caso, atuamos com vários centros de distribuição em outras regiões, como o Nordeste, por meio de Regime Especial, o que facilita a entrada de vendedores na Dica do Especialista 13 . L O G ÍS TI CA 346 347 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO malha logística. Isso tem ajudado não só a democratização de e-commerce na região, mas a pulverização em todo o Brasil de oportunidades para os empreendedores online. Como tratar a logística do canal próprio e do marketplace? Devem ter fluxos diferentes? Logística é um tema que não pode ser negligenciado jamais. Os fluxos são os mesmos, o cliente deve ser o centro da experiência. Olhando para a jornada do consumidor, pensamos as mesmas estratégias: fidelização, independentemente do canal. O flywheel, que pensa o trabalho de marketing e de vendas como uma engrenagem circular, traz muito valor para a experiência. Cliente no centro de tudo! Com uma oferta grande de transportadoras, como manter uma operação centralizada e aproveitar o melhor de cada uma das opções? É importante centralizar e criar programas de excelência com foco na cultura da empresa. Assim, é possível elevar o nível da experiência, além de reforçar o propósito de entregar valor aos usuários. Edilene Loiola abradinacional abradi_nacional Responsáveis pelo conteúdo: André Santos 14 ASSUNTOS JURÍDICOS Assuntos legais – Legislação consumerista A informação adequada e clara Cumprimento da oferta Garantia de adequação Proteção contra os riscos Atendimento Entrega Arrependimento Fiscalização e penalidades Lei Geral de Proteção de Dados no cenário de comércio eletrônico Glossário 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 350 351 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Assuntos Jurídicos Assuntos legais – Legislação consumerista Conhecer as regras que valem para a relação consumerista é importante para os fornecedores por, pelo menos, duas razões: em primeiro lugar, porque diminui os riscos de uma perda financeira com uma eventual condenação judicial ou, então, pela imposição de uma multa por um dos órgãos de defesa do consumidor e, em segundo lugar, porque os consumidores estão cada vez mais conscientes de seus direitos e as marcas que respeitam as regras são mais bem vistas, o que aumenta a fidelização e o índice de recomendação. No Brasil, a principal lei consumerista é o Código de Proteção e Defesa do Consumidor ou, simplesmente, CDC (Lei nº 8.078/90). Além desta regra, temos alguns decretos, leis e portarias que precisam ser considerados porque regulamentam questões ou aspectos específicos. Nesse rol de regras, nós precisamos destacar o Decreto nº 7.962/13, que ficou conhecido como o decreto do comércio eletrônico, porque regulamenta as regras consumeristas para as contratações feitas no e-commerce. Para a aplicação deste decreto nós precisamos considerar tanto os sites (ou sítios eletrônicos) que são usados para oferecer um produto ou um serviço e, também, aqueles que são usados para a conclusão de uma compra. Além disso, o comércio por aplicativo deve respeitar estas regras. Inicialmente, vale esclarecer que a relação consumerista é aquela comercialização de um produto ou de um serviço que acontece entre alguém da cadeia produtiva (que chamamos de fornecedor) e algum usuário final (ou consumidor). Tanto para consumidores quanto para fornecedores o ponto de partida é conhecer os direitos básicos dos consumidores e isto está no artigo 6º da Lei nº 8.078/90. 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 352 353 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO A informação adequada e clara O aspecto central da relação consumerista é a informação. O CDC garante ao consumidor o direito à informação adequada e clara sobre os produtos e serviços que são oferecidos no mercado de consumo, bem como, que lhe seja ensinado como usar de maneira apropriada aquilo que está sendo vendido a ele. No ambiente virtual isso não é diferente. O decreto do comércio eletrônico detalhou esse direito, estabelecendo que a clareza de informações deve ser garantida ao consumidor que usa o comércio eletrônico em três aspectos, pelo menos: o que está sendo vendido, quem está vendendo e como está sendo vendido, ou seja, quais as condições para aquela oferta. É com base nessa premissa inclusive que a Lei nº 10.962/04, que trata a respeito da oferta e das formas que deve ser feita a afixação de preços de produtos e serviços para o consumidor, estabelece que, nos casos de comércio eletrônico, a divulgação do preço deve ser feita de forma ostensiva junto à imagem do produto ou, em se tratando de serviço, junto à descrição, de forma legível. Portanto, em poucas palavras, quando um fornecedor decide usar o comércio eletrônico para oferecer ou para vender produtos e serviços é crucial que se apresente, que apresente o que está vendendo e as condições desta venda. Ainda sobre informações e sobre a preocupação que seja garantida a clareza, o decreto do comércio eletrônico exige que qualquer restrição que seja imposta à utilização da oferta deve ser comunicada de forma destacada, de forma a não deixar dúvidas. Considerando as compras coletivas que são feitas ou por sites ou por aplicativos, o decreto exige que os dois sejam apresentados com clareza, tanto o site (ou aplicativo) de ofertas quanto o estabelecimento comercial que irá entregar o produto ou prestar o serviço. Aliás, nessa modalidade de compra, se existir um limite mínimo de vendas para efetivar a oferta ou, ainda, se houver um limite de prazo máximo para que o consumidor possa desfrutar da oferta, é necessário que essas informações 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 354 355 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO sejam prestadas com bastante clareza. A comercialização que é feita pelo comércio eletrônico nada mais é que um contrato, portanto, ele precisa ser apresentado para o consumidor. O decreto exige que o fornecedor apresente um sumário deste contrato antes da contratação e, após a finalização da compra, é necessário disponibilizar o contrato em um meio que permita a conservação e a reprodução. Cumprimento da oferta Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. A oferta de um produto ou de um serviço no mercado de consumo deve ser feita de forma específica, como prevê o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. E uma das obrigações do fornecedor é cumprir a oferta que foi realizada, exatamente, nas condições que foi feita, porque ela se torna obrigatória entre as partes. Aliás, quanto a isso, o decreto do comércio eletrônico é expresso ao determinar que: Art. 6º As contratações no comércio eletrônico deverão observar o cumprimento das condições da oferta, com a entrega dos produtos e serviços contratados, observados prazos, quantidade, qualidade e adequação. Garantia de adequação Segundo a lei consumerista, todo produto e todo serviço colocado no mercado de consumo possui garantia de adequação, ou seja, uma proteção contra problemas ou imperfeições. Como isto está previsto na Lei nº 8.078/90, chamamos de “garantia legal” e não é necessário fornecer qualquer tipo de certificado de garantia. Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 356 357 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. E, se o produto ou o serviço apresentar algum vício de inadequação, o fornecedor precisa arrumar ou consertar em um prazo máximo de 30 dias. Entretanto, se o vício não for sanado em 30 dias, o consumidor poderá escolher uma entre três opções: (a) pedir a devolução do produto com o consequente reembolso da quantia paga, ou (b) a troca por um produto/ serviço novo igual ao que apresentou vício ou, finalmente, (c) o abatimento no preço do valor já pago se optar pela troca por outro produto/serviço. Essa garantia legal de adequação é de 30 (trinta) dias para bens não duráveis e 90 (noventa) dias para bens duráveis. E, durante esse período, o consumidor pode reclamar em qualquer fornecedor que tenha participado da cadeia produtiva, uma vez que a responsabilidade de todos é solidária. Em algumas situações, o fornecedor pode dar uma garantia maior, por meio de um contrato, que tem condições particulares, esta é a “garantia contratual” e precisa ser formalizada por meio de um certificado de garantia. Uma terceira situação é o seguro garantia que costuma ser chamado de “seguro garantia estendida” e é formalizada por meio de uma apólice. Alguns vícios são ocultos, porque não são de fácil constatação, geralmente, o consumidor precisa começar a usar o produto para, depois, verificar alguma inadequação, nessas situações, o prazo de garantia começa a contar a partir do momento que é constatado o problema. Se o vício implicar em uma repercussão externa, ou seja, em danos para o consumidor, é direito deste reclamar o ressarcimento. E, em algumas situações, o comerciante pode ser responsabilizado. Isto está lá no CDC, art. 13, vale a pena conhecer essas situações. 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 358 359 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. Proteção contra os riscos Retomando o tema informação, outro dado muito relevante é o que toca ao risco que o produto ou o serviço pode causar à saúde ou à segurança do consumidor. Estamos falando de características essenciais e precisam ser informadas com muita clareza. Essa obrigação do fornecedor é para garantir outro direito básico do consumidor que é ter sua vida, sua saúde e sua segurança preservados. Aliás, sobre segurança, no comércio eletrônico, o consumidor precisa fornecer dados pessoais e dados bancários durante a contratação, assim, os fornecedores devem usar mecanismos de segurança que sejam eficientes para pagamento, bem como para o tratamento de dados que o consumidor forneça. Atendimento E o atendimento no comércio eletrônico, como fica? O Decreto nº 7.962/13 também tratou o tema atendimento no comércio eletrônico estabelecendo algumas obrigações para os fornecedores para garantir o direito básico do consumidor de prevenir e reparar eventuais danos que possa sofrer. A primeira obrigação do fornecedor é disponibilizar de um canal de atendimento, por meio eletrônico, para que o consumidor possa resolver os problemas enfrentados, bem como ter melhores informações ou, ainda, cancelar uma compra. O fornecedor no comércio eletrônico precisa dar atenção para essas demandas que o consumidor registrar nesse 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 360 361 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO canal, porque elas precisam ser respondidas em um prazo máximo de cinco dias. Outro cuidado que o fornecedor precisa ter no comércio eletrônico é sobre o mecanismo para a realização da venda. Isto porque, durante a contratação, o consumidor precisa ser informado caso haja algum erro no preenchimento dos dados, para que ele possa corrigir e garantir que a venda seja finalizada com sucesso. E, quando for encerrada a compra, é necessário informar o consumidor que deu certo, confirmando, assim, que recebeu a aceitação da oferta. Entrega Outro tema que interessa ao comércio eletrônico é a entrega. Sobre esse tema, um ponto importante que está previsto no CDC é a entrega de produto sem solicitação prévia pelo consumidor, porque é considerada uma prática abusiva. Veja bem, a situação é enviar o produto sem o pedido anterior do cliente, em outras palavras, mesmo que seja enviado e, depois, o consumidor aceite e aproveite o produto, ainda assim, não houve pedido prévio. Já sobre as situações de compra feita pelo comércio eletrônico e a entrega, embora não haja qualquer previsão expressa a respeito disso nem no CDC nem no decreto nº 7.962/13, a maioria dos Estados membros já publicaram as suas regras que tratam a respeito disso e essas leis estabelecem que as entregas ocorrerão em turnos (matutino, vespertino e noturno). Cada lei foi elaborada de maneira diferente e vale a pena conhecê-las. Arrependimento O Código de Proteção e Defesa do consumidor já previa a possibilidade do consumidor desistir de uma compra quando feita fora do estabelecimento comercial, é o que conhecemos como direito de arrependimento e que pode ser exercido em até 7 (sete) dias a contar da data da assinatura do contrato 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 362 363 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO ou, então, da data da entrega do produto. Vale mencionar que em algumas situações, para que o consumidor possa desistir da compra, também será necessário cumprir algumas regras específicas, como por exemplo, no caso de compra de passagens áreas que devem ser observadas, igualmente, as regras da Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC). Em 2013, o decreto do comércio eletrônico regulamentou este direito, estabelecendo que o pedido de desistência deve ser formalizado pela mesma ferramenta que o consumidor usou para contratar o serviço ou comprar o produto, mas o fornecedor pode disponibilizar outros canais para isso, de forma complementar. O arrependimento implica na desistência dos contratos acessórios, de tal sorte que se houve a cobrança de um frete ou, então, há algum seguro atrelado, por exemplo, esses contratos acessórios serão rescindidos necessariamente. Ao receber o pedido de desistência, o fornecedor deverá enviar algum tipo de confirmação ao consumidor, além de avisar a administradora de cartão de crédito ou a instituição financeira, a depender da forma usada pelo consumidor para realizar o pagamento, de forma que ou o débito seja estornado ou seja feito o crédito do valor pago. Fiscalização e penalidades A competência para fiscalizar o cumprimento das regras consumeristas é compartilhada entre municípios, os Estados membros e, também o governo Federal, de tal sorte que cada ente constitui seus órgãos próprios para atuar ativamente por meio de ações de fiscalização, bem como, para receber denúncias dos consumidores que se sentiram lesados por alguma prática comercial, são os conhecidos como órgãos de defesa do consumidor. No âmbito dos municípios e dos Estados membros, lembramos que o PROCON (municipal ou estadual) recebe as reclamações e, também, realiza fiscalização própria. Já no âmbito federal, nós temos a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (SENACON), vinculada ao Ministério da Justiça. Caso seja identificado algum descumprimento seja do próprio 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 364 365 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Código de Proteção e Defesa do Consumidor, seja do decreto do comércio eletrônico ou de qualquer outras regra consumeristas, as punições possíveis de serem aplicadas estão previstas no art. 56 do CDC e incluem desde a aplicação de alguma multa, como também, a suspensão temporária de atividade ou, ainda, interdição, total ou parcial, de estabelecimento. Por fim, vale mencionar que o CDC tem algumas previsões de infrações penais, ou seja, são práticas que são consideradas como crimes na relação consumerista, como por exemplo, fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços, que está previsto no art. 66 da Lei nº 8.078/90 (CDC) e, para essas situações são previstas penas restritivas de liberdade, como detenção e multa. Para os casos de infrações penais, o consumidor conta com delegacias especializadas em crimes contra a relação de consumo. Autora: Elisângela Penã Munhoz Lei Geral de Proteção de Dados no cenário de comércio eletrônico O Tema da Privacidade e da Proteção de Dados Pessoais ganha cada vez mais importância, não só no Brasil como em todo o mundo. Nestes últimos anos, diversos foram os países que regularam a temática, com especial destaque para a União Europeia (“GDPR” - General Data Protection Regulation), muito embora as primeiras legislações sobre o tema datem dos anos 80), muitos estados e cidades norte-americanos (Califórnia e NY como exemplos), China (Código Civil de 2020) e Brasil (Lei nº 13.709/2018 – “LGPD”). A quarta revolução tecnológica, marcada pela intersecção entre o mundo real e o mundo virtual e que tem como ponto fulcral a consolidação da internet como principal e mais 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 366 367 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO importante meio de comunicação do século XXI, é propícia ao surgimento das grandes corporações que tratam dados pessoais ao redor do globo terrestre. Controlar dados pessoais permite que se conheça os pontos mais íntimos de cada um de nós, propiciando a criação de conteúdos personalizados e, por isso, com maior potencial de ser consumido. Em outros dizeres, os dados pessoais1 na sociedade contemporânea, cada vez mais estão presentes e se tornam parte do cotidiano. Podem ser utilizados das mais diversas formas, como para o direcionamento de propagandas e anúncios voltados a um público-alvo, cujo perfil é traçado através dos conteúdos acessados na internet, por exemplo. Na era da sociedade digital, os exemplos são inesgotáveis, uma vez que ao realizar atividades básicas e corriqueiras, estamos fornecendo, por vezes até inconscientemente, inúmeras informações pessoais. O grande imbróglio deste cenário ocorre na utilização desenfreada desses dados pessoais - muitas vezes sem que haja transparência com seus titulares - em detrimento de direitos como: autodeterminação informativa, direito à privacidade, dentre outros direitos da personalidade. Diante de todos esses perigos, surge a necessidade de controle de toda a atividade de tratamento de dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração. Essa corrida frenética pelos dados pessoais impôs a necessidade de que fossem criadas regras jurídicas para a atividade de tratamento de dados pessoais pelas empresas. Com a promulgação da Lei Geral de Proteção de Dados, essa discussão foi fomentada em solo brasileiro e ganhou novos contornos, sendo que uma das principais diretrizes dessa legislação é a governança dos dados pessoais pautada na transparência, bem como o seu caráter principiológico. 1. Para mais informações sobre Leis, os Decretos e os demais Normativos Federais que existem sobre proteção de dados pessoais recomenda-se https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ legislacao-federal. Acessado em 04.08.2021. http://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/legislacao-federal http://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/legislacao-federal 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 368 369 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Assim, a LGPD não deve ser vista como óbice ao mercado e novos negócios, mas como ponto de equilíbrio entre a livre iniciativa, livre concorrência e a tutela da pessoa humana, visando sempre resguardar os direitos dos titulares. A LGPD tem como finalidade estabelecer as diretrizes para o tratamento de dados pessoais, em ambiente físico ou digital, mantendo à salvaguarda o direito fundamental à privacidade, sempre que houver uma atividade que envolva o fluxo de dados dos titulares. Ela é aplicável à toda operação de tratamento de dados pessoais exercida por pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, sempre que: A pessoa física/jurídica realiza operação de tratamento de dados no Brasil; ou A pessoa física/jurídica ofereça bens ou serviços no território nacional; ou Os dados pessoais tenham sido coletados no Brasil. É importante destacar que a LGPD não se aplica ao tratamento de dados: Realizado por pessoa natural, para fins exclusivamente particulares e não econômicos (ex. agenda de contatos do telefone); Realizado por pessoa natural ou jurídica para fins exclusivamente jornalísticos e/ou artísticos (ex. dados coletados para uma matéria de jornal ou recorte de imagens para fins artísticos); Realizado por pessoa natural ou jurídica para fins exclusivamente acadêmicos (ainda que neste caso se apliquem os artigos 7 e 11 da LGPD, sobre base legal para operação de tratamento); Realizado por pessoa natural ou jurídica exclusivamente para segurança pública, defesa nacional, segurança do Estado ou atividades de investigação e repressão de infrações penais; 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 370 371 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO cujos dados advierem de outro país, que tenha grau de proteção de dados pessoais adequado, e não sejam objeto de comunicação, uso compartilhado com agentes de tratamento brasileiros ou objeto de transferência internacional de dados a outro país, diverso do de proveniência. Os dados pessoais são subdivididos, basicamente, em três categorias pela LGPD: (i) Dado Pessoal: informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável. Com isso, dados de PJ, como CNPJ e endereço comercial, não são considerados dados pessoais; (ii) Dado Pessoal Sensível:2 dados como a origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico; (iii) Dado de Crianças e Adolescentes :: o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que é criança a pessoa natural de até 12 anos incompletos, ao passo que o adolescente tem idade entre 12 e 18 anos incompletos; A legislação conceitua os diferentes tipos de agentes de tratamento, enquadramento este que nem sempre é uma tarefa simples, em razão do alto grau de dinamicidade das operações que envolvem o fluxo de dados pessoais. Os agentes de tratamento são divididos em controladores e operadores, sendo aqueles os responsáveis por determinar as finalidades, os meios de tratamento dos dados pessoais, quais dados serão coletados e o enquadramento das bases legais de tratamento, enfim, responsáveis por decidir sobre o tratamento de dados, em suas características essenciais. Além disso, cabe aos controladores garantir os direitos dos titulares. O operador3, por sua vez, realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador, não possuindo poder mandatório em relação aos tópicos de competência 2. Para maiores informações sobre o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescente recomenda-se o Código da Criança, desenvolvido pelo Information Commissioner’s Office, órgão independente do Reino Unido criado para defender o direito de acesso à informação. Disponível em https://ico.org.uk/your-data-matters/the- children-s-code-what-is-it/. Acessado em 04.08.2021. 3. Para mais informações sobre o conceito de controlador e operador, recomenda-se o Guia Orientativo para Definição dos Agentes de Tratamento de Dados Pessoais e do Encarregado, desenvolvida pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados sobre o tema. Disponível em https://www.gov.br/governodigital/pt-br/ seguranca-e-protecao-de-dados/outros-documentos-externos/anpd_guia_agentes_de_tratamento.pdf. Acessado em 30.07.2021. http://ico.org.uk/your-data-matters/the-children-s-code-what-is-it/ http://ico.org.uk/your-data-matters/the-children-s-code-what-is-it/ http://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/outros-documentos-externos/anpd_guia_agentes_de_tratamento.pdf http://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/outros-documentos-externos/anpd_guia_agentes_de_tratamento.pdf 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 372 373 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO exclusiva do controlador, devendo se ater às ordens lícitas do controlador de dados. Essa distinção é essencial para a apuração de responsabilidades, principalmente, nas hipóteses de indenização. Em regra, a responsabilidade é sempre e tão somente do Controlador de dados pessoais. O Operador responderá, solidariamente com o Controlador, apenas quando descumprir a LGPD, ou quando tiver descumprido ordens lícitas do Controlador a respeito do tratamento de dados pessoais – art.39 e 42, da LGPD. Além do mais, a exata compreensão da função de Controlador e Operador é imprescindível para o registro das operações de tratamento de dados pessoais realizados (art.37, da LGPD), bem como em caso de necessidade de emissão de Relatório de Impacto de Proteção de Dados Pessoais (art.38, da LGPD), documento que a ANPD poderá solicitar ao Controlador. Para o tratamento de dados pessoais ser lícito, deve estar fundado em uma das bases legais: * Referente à categoria de dados pessoais de um modo geral (art.7º, da LGPD), quais sejam: (i) consentimento; (ii) cumprimento de obrigação legal ou regulatória; (iii) pela administração pública para políticas públicas; (iv) para a realização de estudos por órgãos de pesquisa; (v) execução de contrato ou procedimentos preliminares; (vi) para proteção à vida ou incolumidade física do titular; (vii) para exercício regular de direitos, inclusive em processos judiciais, administrativos ou arbitrais; (viii) para tutela da saúde; (ix) quando necessário ao legítimo interesse do controlador ou de terceiro; (x) para a proteção ao crédito. * Referente à categoria de dados sensíveis (art.11, da LGPD), quais sejam: (i) consentimento; (ii) cumprimento de obrigação legal ou regulatória; (iii) pela administração pública para políticas públicas; (iv) para a realização de estudos por órgãos de pesquisa; (v) para exercício regular de direitos, inclusive em processos judiciais, administrativos ou arbitrais; (vi) proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; (vii) tutela da saúde; (viii) garantia de prevenção à fraude e à segurança do titular, nos processos de identificação e autenticação de cadastro em sistemas eletrônicos. * Referente à categoria de dados de criança (Art.14, da LGPD), quais sejam: (i) consentimento de ao menos um dos 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 374 375 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO pais ou representante legal; (ii) tratamento necessário para contactar os pais e/ou representante legal; (iii) tratamento necessário para a proteção da criança. Em relação aos dados de adolescente, enquadram-se nas duas primeiras hipóteses de base legal a depender do tipo do dado, devendo ser considerado que o tratamento deva ser realizado no melhor interesse do menor. De todas as formas, o tratamento deve estar condicionado a uma finalidade legítima e específica, sob pena de não poder subsistir. No mais, não é possível coletar dados diante de uma mera expectativa de futura utilização. Como se verifica acima, convém destacar que o consentimento é apenas uma das muitas bases legais previstas na LGPD, não sendo a mais importante e tampouco a única. Fica o alerta de que o consentimento nem sempre é a base legal mais adequada para o tratamento a ser realizado. Se o consentimento se mostrar como a base mais adequada a fundamentar determinado tratamento, este deverá ser coletado de forma clara e inequívoca sem qualquer tipo de vício, propiciando ao titular uma escolha livre e positiva, além de informada, com linguagem ade fácil compreensão, de modo que o titular tenha ciência de como e para qual finalidade suas informações pessoais serão tratadas. Deste modo, para que o consentimento seja considerado válido, o titular deverá: • receber informações claras, compreensíveis, exatas sobre as questões importantes relacionadas ao tratamento de dados, como para qual finalidade os dados são coletados e serão usados, por quanto tempo serão mantidos, com quem será compartilhada, entre outras; • receber informações de forma visível e acessível, não sendo suficiente que a informação esteja disponível em qualquer lugar. Ex: informações importantes acessíveis após 05 ou 06 páginas de textos não são consideradas acessíveis; • consentir, de forma inequívoca, sobre o tratamento de dados pessoais a ser realizado. Nesta linha, não é recomendável, quando a base legal escolhida pelo Controlador for o consentimento, que as 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 376 377 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO caixas de seleção “concordo” e afins estejam previamente selecionadas, na medida em que isso pode ser visto como prática irregular, que não observa ao requisito “inequívoco” (que não deixe dúvidas). O recomendável é deixar as caixas de diálogo em branco, permitindo ao titular optar por qual irá selecionar. É importante ressaltar que além do enquadramento do tratamento em uma das bases legais, é imprescindível que durante o tratamento sejam observados a boa-fé e os princípios norteadores deste regramento, quais sejam: Finalidade: realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível com essas finalidades; Adequação: compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do tratamento; Necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados; Livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais; Qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância e atualização dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento da finalidade de seu tratamento; Transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e facilmente acessíveis sobre a realização do tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados os segredos comercial e industrial; Segurança: utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão; Prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 378 379 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO de danos em virtude do tratamento de dados pessoais; Não discriminação: impossibilidade de realização do tratamento para fins discriminatórios ilícitos ou abusivos; Responsabilização e prestação de contas: demonstração, pelo agente, da adoção de medidas eficazes e capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas de proteção de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas. Um dos grandes desafios trazidos pela LGPD diz respeito à necessidade de se garantir os direitos dos titulares por parte do Controlador de dados pessoais. A lei garante aos titulares os seguintes direitos: • Confirmar a existência de um tratamento; • Solicitar o acesso, retificação, eliminação e portabilidade de dados pessoais, bem como o bloqueio ou anonimização dos dados; • Obter informação sobre os dados que a instituição tem sobre o titular; • Revogar o consentimento a qualquer tempo; • Opor-se ao processamento de dados para fins de marketing. • Solicitar a revisão ao tratamento automatizado; Para a garantia destes direitos, o Controlador deve criar um canal oficial para receber os pedidos escritos por parte dos titulares (ex. e-mail, telefone, WhatsApp, dentre outros) e disponibilizá-lo em seu sítio eletrônico em local de fácil acesso, junto do nome do Encarregado de Dados Pessoais (também chamado de “DPO”), profissional que será responsável por lidar diretamente com a Autoridade de Proteção de Dados e com os titulares, quando estes exercerem algum dos seus direitos. Frise-se que o canal para solicitações dos titulares de dados deve ser claro, transparente e possibilitar mecanismos de fácil acesso, não podendo o agente de tratamento criar óbices para que tais direitos sejam exercidos. Considerando este panorama geral, verifica-se que a nova legislação irá impactar os mais diferentes níveis de mercado e nichos econômicos. Os efeitos trazidos são principalmente de cunho econômico, social e político, em que se busca trazer 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 380 381 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO mecanismos de equilíbrio para as relações comerciais em um cenário digital. Convém ressaltar que a LGPD impactará especialmente as empresas de comércio eletrônico, onde há um grande fluxo de dados pessoais, utilizados para a concretização do negócio propriamente dito, como por exemplo, para viabilizar a entrega de produtos adquiridos online ou para possibilitar a prospecção de novos consumidores e de campanhas publicitárias voltadas a um público-alvo. O primeiro passo de qualquer processo de adequação à LGPD é elaborar o inventário de dados pessoais (data mapping), relatório no qual a empresa irá listar e identificar todos os fluxos de dados pessoais, desde a entrada na empresa até a sua completa eliminação. O trabalho, que exige tempo e esforço de cada área da empresa, é o ponto de partida para qualquer trabalho de adequação e deve ser sempre mantido atualizado, à medida em que os órgãos de controle podem solicitá-lo a qualquer momento. A partir do data mapping, deve ser elaborado o Relatório de Registro das Atividades de Tratamento (conhecido no GDPR, como RoPA – Record of Processing Activities), nos termos do artigo 37 da LGPD. Faz-se importante constar no inventário as seguintes informações4: • Nome e contato do responsável do tratamento; • Finalidade do tratamento; • Categorias dos titulares de dados e dos dados pessoais; • Categoria de enquadramento dos destinatários dos dados; • Se houver transferência internacional, a identificação do país terceiro ou organização internacional; • Os eventuais prazos de retenção para as diferentes categorias de dados; • Descrição geral das medidas técnicas e organizativas de segurança da informação. O terceiro passo é iniciar as adequações (Fase de Implementação). Cada área tem as suas particularidades e pontos de atenção. 4. Art.30, do GDPR, disponível em https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=celex%3A32016R0679, consultado em 02 de agosto de 2021. 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 382 383 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO De maneira geral, o tratamento de dados pessoais dos funcionários e colaboradores, desde que para o estrito cumprimento dos seus deveres profissionais, deve ter como base legal a execução de contrato e não o consentimento. Qualquer outra finalidade, deve ser precedida da indicação de outra base legal cabível, que pode vir a ser o consentimento ou o legítimo interesse, por exemplo. É muito importante que as empresas tenham cuidado para não exigirem dados pessoais em excesso de seus colaboradores. É importante olhar com atenção o formulário de ingresso. Coletar dados em excesso acaba por violar a LGPD. Outro ponto que merece destaque no setor de Recursos Humanos (Departamento Pessoal) é ter regras bem definidas para recebimento de currículos (preferencialmente canais oficiais para essa finalidade), inclusive tempo definido para descarte. Todo ciclo de dados pessoais tem início, meio e fim. É importante estabelecer o momento em que estes currículos deverão ser eliminados pela empresa. Para o comércio eletrônico, é notória a importância do acesso e uso de dados pessoais, que cada vez mais se alastra e se torna essencial para este nicho de mercado. A criação e comercialização de perfis detalhados de pessoas para oferta de serviço e/ou mercadoria, constitui um grande diferencial concorrencial, já que torna as propagandas de marketing mais canalizadas e assertivas. Alguns pontos necessitam de atenção por parte das empresas de comércio eletrônico: Criar o Aviso de Privacidade5 contendo um resumo sobre como a empresa trata os dados pessoais dos titulares. O Aviso deve contemplar todo o ciclo de vida do dado, desde a coleta até a eliminação. É importante, ainda, que ela seja redigida de maneira clara e transparente, preferencialmente com linguagem leiga. Deste modo, todo o processo de tratamento do dado ocorre de modo transparente e com a ciência do titular. 5. Para mais informações sobre como elaborar uma Política de Privacidade, ver o Guia de Elaboração de Termo de Uso e Política de Privacidade desenvolvido pela Secretaria de Governo Digital. Disponível em https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_tupp.pdf. Acessado em 30.07.2021. Consultar também a Ferramenta para Elaboração de Termo de Uso e Política de Privacidade da Secretaria de Governo Digital. Disponível em https://pesquisa.sisp.gov.br/index.php/759958?lang=pt-BR. Acessado em 30.07.2021. http://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_tupp.pdf http://pesquisa.sisp.gov.br/index.php/759958?lang=pt-BR 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 384 385 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO No mais, o Aviso de Privacidade, além de ser um documento jurídico de grande importância, reflete comprometimento, credibilidade e transparência para os usuários e para as autoridades fiscalizadoras e deve estar no sítio eletrônico da empresa em local de fácil acesso e visualização; A política de cookies é outro documento importante, que pode fazer parte do Aviso de Privacidade ou ser um segundo documento à parte. A ferramenta de gestão de cookies é uma ótima iniciativa, principalmente se os cookies não essenciais para o funcionamento do sítio eletrônico estiverem desabilitados por padrão. De qualquer forma, é importante que o titular possa acessar as configurações dos cookies sempre que julgar necessário. Não é recomendável a adoção da solução “ao navegar neste site, você concorda com nossa política de privacidade”, na medida em que esse tipo de consentimento (forçado e imposto) não é válido à luz da LGPD. Vale dizer, ainda, que o consentimento não é sempre necessário, na medida em que outras bases legais podem ser validade utilizadas, inclusive o legítimo interesse, desde que realizado o teste de ponderação e proporcionalidade6; Os dados pessoais coletados devem ser aqueles estritamente necessários para o desenvolvimento da atividade e devem estar em conformidade com a finalidade informada ao titular do dado pessoal na política de privacidade; É fundamental que o sítio de comércio eletrônico indique de maneira clara o canal oficial para que os titulares possam exercer seus direitos, bem como o nome e contato do Encarregado de Proteção de Dados Pessoais (DPO). A LGPD criou padrões mínimos para que as Boas Práticas7 estejam de acordo com o nível de proteção de dados instituído por esta norma (art.50), são estes: a) adoção pelo controlador de processos e políticas internas como forma de demonstrar o comprometimento e assegurar 6. Para mais informações sobre como elaborar o Relatório de Impacto e o Relatório de Legítimo Interesse, ver Guia e Template de Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais elaborado pela Secretaria de Governo Digital. Disponível em https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ guias/guia_template_ripd.docx. Acessado em 30.07.2021. 7. Para mais informações sobre boas práticas, ver Guia de Boas Práticas desenvolvido pela Secretaria de Governo Digital. Disponível em https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ guias/guia_lgpd.pdf. Acessado em 30.07.2021. https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_template_ripd.docx https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_template_ripd.docx https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_lgpd.pdf https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_lgpd.pdf 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 386 387 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO o cumprimento e implementação da LGPD; b) aplicação dos processos e políticas a todos os fluxos de dados pessoais que estejam sob o controle do agente de tratamento; nenhum fluxo de dados pessoais poderá ficar de fora; c) a adequação deve se dar de acordo com a natureza e sensibilidade dos dados pessoais: considerar estrutura, escala e volume das operações de dados pessoais; d) estabeleça políticas e salvaguardas adequadas com base em processo de avaliação sistemática de impactos e riscos à privacidade8; e) tenha a intenção de criar uma relação de confiança com o titular, calcada na transparência e em mecanismos de interação com este; f) esteja integrado a sua estrutura geral de governança e estabeleça e aplique mecanismos de supervisão internos e externos; g) conte com planos de resposta a incidentes e remediação9; e h) seja atualizado constantemente com base em informações obtidas a partir de monitoramento contínuo e avaliações periódicas. Por fim, vale pontuar que a fiscalização e regulação da LGPD ficarão a cargo da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que dentre suas funções prevê: (i) zelar pela salvaguarda dos dados pessoais; (ii) elaborar diretrizes para a Política Nacional de Proteção de Dados e da Privacidade; (iii) promover na população o conhecimento das normas e das políticas públicas sobre proteção de dados pessoais e das medidas de segurança; e (iv) aplicação de penalidades em caso de descumprimento da legislação. 8. Para mais informações sobre avaliação de riscos, ver o Guia de Avaliação de Riscos de Segurança e Privacidade desenvolvido pela Secretaria de Governo Digital. Disponível em https://www.gov.br/governodigital/ pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_avaliacao_riscos.pdf. Acessado em 30.07.2021. 9. Para mais informações, ver a Comunicação de Incidentes de Segurança elaborada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD). Disponível em https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/ incidente-de-seguranca. Acessado em 30.07.2021. https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_avaliacao_riscos.pdf https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_avaliacao_riscos.pdf https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/incidente-de-seguranca https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/incidente-de-seguranca 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 388 389 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO As penalidades previstas na legislação são bem rigorosas, especialmente para os reincidentes e preveem desde o pagamento de multas até a comunicação pública sobre descumprimento da LGPD e de eventuais vazamentos de dados. Desde 1º de agosto de 2021, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados poderá aplicar as penalidades e sanções. As penalidades previstas na LGPD consistem em: • Advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas; • Multa de até 2% do faturamento da empresa, limitada a R$ 50 milhões por infração; • Multa diária, limitada ao teto de R$ 50 milhões; • Publicização da infração após devidamente apurada e confirmada a sua ocorrência; • Bloqueio dos dados pessoais a que se refere a infração até a sua regularização; • Eliminação dos dados pessoais a que se refere a infração; • Suspensão parcial do funcionamento do banco de dados a que se refere a infração pelo período máximo de 6 meses, prorrogável por mais 6 meses, até a regularização da atividade de tratamento; • Suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais a que se refere a infração pelo período máximo de 6 meses, prorrogável por igual período; • Proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas ao tratamento de dados. É possível concluir que a LGPD disciplina a governança de dados de forma mais rigorosa, tendo como diretriz a ideia de que todo tratamento deve ser feito pautado nos requisitos legais e de modo transparente, levando em consideração aspectos ligados à dignidade da pessoa humana e autodeterminação informativa dos indivíduos, prestigiando assim o dever de informação e transparência com o titular sobre os dados utilizados, objetivos e finalidade desse tratamento. Principais passos Segue abaixo um breve resumo dos principais passos para um bom processo de adequação à LGPD: 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 390 391 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO • Realização de um inventário de dados pessoais e do Relatório de Registro das Atividades de Tratamento - identificação e mapeamento de todos os fluxos de dados; • Elaboração de um Relatório de Impacto de Proteção de Dados, sempre que houver risco às liberdades civis e aos direitos fundamentais (Relatório conhecido internacionalmente como DPIA – Data Protection Impact Assessment10); • Criação de Política de Privacidade (documento interno da empresa) e Aviso de Privacidade e Cookies que deve ser disponibilizada no sítio eletrônico; • Adoção de medidas técnicas aptas a proteger os dados ao longo de todo o tratamento de acessos não autorizados, situações acidentais ou ilícitas (art.6º e 46, LGPD); • Implementação de procedimento de ação em caso de violação de dados; • Classificar e capitular as operações de tratamento de dados pessoais de acordo com a sua base legal e finalidade (art.7º, LGPD); • Manter registros capazes de comprovar que as operações de tratamento de dados pessoais estão de acordo com a LGPD (art.6º, LGPD); • Não realizar tratamento com fins discriminatórios ilícitos ou abusivos (art.6º LGP); • Nomeação de um encarregado de dados pessoais (art. 41, LGPD); • Garantir os direitos dos titulares de dados pessoais (art. 18, LGPD); • Escolher parceiros que possuam nível adequado de proteção de dados; • Possuir base legal para comunicação com o usuário por e-mail, SMS e WhatsApp. É essencial disponibilizar possibilidade de cancelamento destes meios de comunicação (opt-out); • Revisão dos contratos e demais atos jurídicos com aditivos sobre privacidade e proteção de dados pessoais; • Conscientização e capacitação dos colaboradores. Por fim, é imprescindível ressaltar que cada empresa possui peculiaridades internas e ramos de atuação distintos, os quais devem ser estritamente observados no processo de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados. Assim, o checklist citado acima tem caráter meramente exemplificativo, com o objetivo de fornecer uma síntese dos 10. Para mais informações sobre o Data Protection Impact Assessment, recomenda-se o guia de DPIA desenvolvido pelo Information Commissioner’s Office. Disponível em https://ico.org.uk/for-organisations/ guide-to-data-protection/guide-to-the-general-data-protection-regulation-gdpr/accountability-and- governance/data-protection-impact-assessments/. Acessado em 04.08.21. https://ico.org.uk/for-organisations/guide-to-data-protection/guide-to-the-general-data-protection-regulation-gdpr/accountability-and-governance/data-protection-impact-assessments/ https://ico.org.uk/for-organisations/guide-to-data-protection/guide-to-the-general-data-protection-regulation-gdpr/accountability-and-governance/data-protection-impact-assessments/ https://ico.org.uk/for-organisations/guide-to-data-protection/guide-to-the-general-data-protection-regulation-gdpr/accountability-and-governance/data-protection-impact-assessments/ 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 392 393 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO principais processos de adequação, sendo indispensável que cada organização compreenda e avalie seu nível de maturidade com a legislação de proteção de dados, atentando-se aos requisitos para o processamento, ramo de atuação, direitos dos titulares de dados e diretrizes gerais11. Glossário Banco de dados: conjunto estruturado de dados pessoais, estabelecido em um ou em vários locais, em suporte eletrônico ou físico. Controlador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, responsável pelas decisões relacionadas ao tratamento dos dados pessoais. Dado Anonimizado: dado relativo ao titular que não possa ser identificado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento. Dado Pessoal: informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável. Dado Pessoal Sensível: dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural. Encarregado: pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Operador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados em nome do controlador. Titular: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais. Tratamento de dados: é toda e qualquer ação realizada com os dados pessoais de um titular, desde a coleta e armazenamento até o compartilhamento e uso. 11. Para mais informações sobre a autoavaliação do nível de conformidade, recomenda-se o Data protection self assessment, desenvolvido pelo Information Commissioner’s Office. Disponível em https://ico.org.uk/for- organisations/sme-web-hub/checklists/data-protection-self-assessment/ . ou o Diagnóstico de maturidade de segurança para adequação a Lei Geral de Proteção de Dados, desenvolvido pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Disponível em https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de- dados/diagnostico-seguranca-lgpd. Acessado em 04.08.2021. https://ico.org.uk/for-organisations/sme-web-hub/checklists/data-protection-self-assessment/ https://ico.org.uk/for-organisations/sme-web-hub/checklists/data-protection-self-assessment/ https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/diagnostico-seguranca-lgpd https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/diagnostico-seguranca-lgpd 14 . A S S U N TO S J U R ÍD IC O S 394 395 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Lei Geral de Proteção de Dados no cenário de comércio eletrônico Responsáveis pelo conteúdo: Assuntos legais – Legislação consumerista abradinacional abradi_nacional Vitor Morais de Andrade Elisangela Peña Munhoz Lygia Maria Moreno Molina Henrique Marcelo Chiavassa de Mello Paula Lima Fabiane Nitsche 15 FULL COMMERCE Full Commerce Modelos Fiscais para o Full Commerce Vantagens do Full Commerce Dica do especialista 15 . F U LL C O M M ER C E 398 399 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Full Commerce O modelo de full commerce ou full service é uma forma de terceirização total ou parcial das competências necessárias para o e-commerce. Existem vários modelos de negócios que possuem aderência com a contratação de um full service. Abaixo, alguns perfis de operação com maior enquadramento: 1) Empresas que desejam entrar no setor do e-commerce e não têm o conhecimento ou o investimento disponível para iniciar uma operação digital. Muitas vezes, o volume de investimento para contratação de uma plataforma, que envolve sistema ERP, empresa de logística, software de atendimento ao cliente e conhecimento de tecnologia, acabam inviabilizando a entrada das organizações no online, com possibilidades de escalar devido ao alto investimento inicial. 2) Indústrias e/ou distribuidores que têm vários canais de venda e ou distribuição e não têm interesse em criar um conflito na cadeia, concorrendo diretamente com seu distribuidor. 3) Empresas que já possuem um e-commerce operando e que desejam contratar um serviço modularizado. O full service pode fazer todas as etapas que envolvem implantação da loja online (marketing digital, gestão de cadastros e de pedidos, armazenagem e distribuição, transportes, atendimento ao cliente e serviços financeiros) ou a empresa pode contratar somente o módulo que deseja como uma solução para o seu negócio. Modelos Fiscais para o Full Commerce Existem 3 modalidades de negócio no âmbito fiscal: Modelo de compra e venda Nesse modelo, as empresas vendem seus produtos para o full service que, por sua vez, faz a revenda ao cliente final. Esse modelo é muito adotado por indústrias. Nessa modalidade, 15 . F U LL C O M M ER C E 400 401 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO a indústria é a dona desse canal de vendas e utiliza um full service como um prestador de serviço para fazer uma venda para o cliente final. O formato dessa prestação muitas vezes envolve um custo fixo (set up da loja, operação dos pedidos e entrega) adicionado a um custo variável sobre as vendas. Os clientes que adotam esse modelo geralmente demandam uma prestação de contas através de DRE’s e controles gerenciais rigorosos para atender às demandas de auditorias internas. Modelo de abertura de filial Essa é, normalmente, uma solução mais barata do ponto de vista tributário e operacional, pois a empresa assume a responsabilidade pela contabilidade e pela conciliação de recebíveis, e não gera bi tributação na cadeia, como no modelo de compra e venda. O full service fatura e operacionaliza tudo em nome da empresa. Para isso, a empresa abre uma filial no centro de distribuição de um full service, que se responsabiliza pela operacionalização da emissão da NF e pelo pagamento de Guia GNRE. Nesse caso, o full service gerencia todas as movimentações de entrada (recebimento) e saída (vendas) de estoque, além de fazer inventário pelo menos uma vez ao ano para fins de gestão e de auditoria dos fechamentos contábeis. Armazém Geral É um estabelecimento que normalmente é uma empresa privada, mas que possui permissão especial do poder público. Utilizado por terceiros para guardar e conservar produtos e mercadorias, sua finalidade é receber, armazenar, reembalar, etiquetar, conferir, faturar e expedir. Essa modalidade funciona muitas vezes para indústrias que têm interesse em deixar seus produtos em centros de distribuição mais próximos do consumidor final. Vantagens do Full Commerce Seguem algumas vantagens e motivos para se contratar um full commerce ou full service: Velocidade de implantação As empresas de full service trabalham com várias plataformas e implantam lojas virtuais em diversos setores de negócios 15 . F U LL C O M M ER C E 402 403 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO (bebidas, alimentos, moda, bens de consumo duráveis, cosméticos, eletroeletrônicos etc.). Por essa razão, esses provedores possuem todo ecossistema de soluções conectados aos serviços que comercializam por meio de um full service. Como exemplo, os projetos em sua maioria demandam adquirentes, hub de marketplace, agência digital, cotação de frete e atendimento. Todas essas soluções já integradas e disponíveis agilizam o processo de implantação do canal digital de vendas. Estratégia de posicionamento Uma empresa de full service consegue propor desde a seleção da plataforma correta para o negócio até a implantação da estratégia comercial. Muitas plataformas já têm funcionalidades embarcadas que podem ajudar na estratégia de posicionamento, como soluções B2C (venda para o cliente final), B2B (venda para empresas), clube de assinaturas (modelo de recorrência), drop shipping (venda direto da indústria para o cliente final), marketplace in (torna a plataforma um marketplace), marketplace out (usar um hub ou integrar em vários marketplaces), serviços de compre e retire, entre outros serviços omnichannel. Know-how compartilhado O full service oferece especialistas por áreas de negócio com custo compartilhado, o que pode aumentar a rentabilidade do negócio. Além disso, possui um time com profissionais e especialistas em várias competências necessárias para o negócio digital. Assim, em vez de a empresa contratar pessoas e montar um time que demanda uma alta carga de impostos de folha e tributos, o full service presta um serviço usando toda sua estrutura de pessoas para atender às necessidades do cliente. A vantagem é que o time todo trabalha de forma unificada, conseguindo identificar problemas com mais agilidade e propor soluções para ajudar na venda de produtos e serviços. É mais viável economicamente e pode ser também mais estratégico. Marketing digital integrado A aquisição do cliente vem a partir dos canais de mídia, e o marketing participa tanto da implantação do e-commerce, com as especialidades de usabilidade, layout e interfaces de navegação, como na escala das vendas por meio da aquisição de tráfego de várias origens (Google, Facebook, Instagram, Tiktok, Afiliados, e-mail etc.). Essa integração auxilia na tomada de decisão sobre performance e garante uma maior 15 . F U LL C O M M ER C E 404 405 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO velocidade nas execuções. Previsibilidade de custos Apurar o resultado de um e-commerce no final do mês nem sempre é uma tarefa fácil, em função das inúmeras parcerias e ferramentas necessárias para o bom funcionamento do site. Ao adotar o full service, ele será uma das únicas linhas de despesa do DRE, pois ele absorve e gerencia todos esses serviços. A remuneração de um full service escala a medida em que as vendas aumentam, reduzindo assim os custos fixos. É possível desenhar junto ao full service uma operação que seja compatível para cada empresa. Abrangência de atuação Um full service possui parceria com inúmeras transportadoras, de forma a conseguir transportar todo tipo de produto a um custo baixo e prazos agressivos. Além disso, já possui sistemas de monitoramento (TMS) que garantem rastreabilidade em todas as etapas da cadeia de transporte. Como o custo de transporte acaba sendo um dos grandes vilões do resultado operacional, essa vertical é uma das mais aplicadas, seja no modelo full ou modularizado do serviço. Existem operações de full service que já estão estabelecidas em outros países e ainda podem oferecer oportunidades de internacionalização. Poder de barganha As empresas de full service normalmente trabalham com contratos guarda-chuva. Todas as plataformas e serviços são contratados de forma global, a fim de se obter os menores custos possíveis, o que torna a cobrança aos clientes muito mais acessível. Esse benefício pode ser percebido na parte de pagamentos, taxas de adquirência, antifraude, antecipação, bem como nas negociações com transportadoras e plataformas. Atendimento ao cliente Um full service conta com equipes e sistemas especializados para atendimento de pré e pós vendas aos clientes em todos os níveis. As empresas mais reconhecidas já entregam essas soluções embarcadas na maioria dos projetos, o que pode ser um grande diferencial para um atendimento 24/7 via telefone, e-mail, chat, bot e/ou WhatsApp. 15 . F U LL C O M M ER C E 406 407 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Fabio Fialho O modelo de Full Commerce é um meio de entrada no e-commerce ou pode ser considerada uma estratégia permanente? Full commerce é uma estratégia permanente, principalmente quando falamos de direct to consumer, que foge do modelo de negócio das indústrias que estão moldadas para vender em larga escala, volumes fechados para grandes clientes. O full commerce vem somar justamente em pontos nos quais a indústria não está preparada. Faz a indústria virar varejo. Outro ponto importante é que no modelo full commerce repassa-se a eficiência operacional e o ganho de escala aos clientes, gerando um custo menor do que a operação interna. É possível ter um modelo híbrido, com a empresa tendo parte dos serviços internalizados? Na verdade, os modelos são complementares. Os clientes cuidam da parte estratégica, focado na marca e nos preços por canal, e a empresa responsável pelo full service faz a operacionalização, além de trazer inovação e velocidade para o negócio. abradinacional abradi_nacional Dica do Especialista 15 . F U LL C O M M ER C E 408 409 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Responsáveis pelo conteúdo: Angelo Vicente Fabio Fialho 411 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 410 Diretoria ABRADi Diretoria Abradi 2020/2022 ABRADi Nacional Presidente - Carolina Morales - iComunicação Vice-Presidente - Marcelo Sousa - Marketdata Vice-Presidente - Daltro Martins - Sales Impact CFO - Marcos Moraes - RPMA Comunicação Vice-Presidente - Paulo Henrique Ferreira - Clickweb Demais Diretores Diretor de Relações Institucionais - Fábio Trindade - Digital Business Diretor de Eventos - Flávio Horta - Digitalks Diretor de Martech - Carlos Paulo Jr - UM_Digital Diretor de Sustentabilidade - Bernardo Castello Branco - Casulo Apresentações Diretora de Comunicação - Claudia Boaventura - BCOMB Corpo Executivo Diretor Executivo - Paulo Centenaro Coordenadora Executiva - Isabella Melão Estagiária - Suellen Luna Diretorias Regionais Distrito Federal Presidente – Adriana Moya – Digital Group Diretor de Responsabilidade Social – Renato de Salles Oliveira – FSB Comunicação Diretora de Eventos – Jussara Oliveira – Monumenta Diretor de Educação – Felipe Pimentel – BrMais Comunicação Diretor de Negócios – Luiz Paulo Garcia Parente Filho – Moringa Digital Goiás Presidente – Rafaela Brugger Bastos – Brugger Mídias Sociais Diretora de Negócios e Eventos – Ane Kely Bueno de Oliveira – Stylus Propaganda Diretor de Responsabilidade Social – Daniel de Aguiar Borges – Cerrado Propaganda Mato Grosso do Sul Presidente – Kenneth Corrêa – 80 20 Marketing Diretor de Educação – Silvio Marães – Resultado Comunicação e Marketing Diretora de Eventos – Giovana Simioli – Srta Simioli Minas Gerais Presidente – Alberto Goulart – PlanoCOM Diretor de Responsabilidade Social – Luis Gustavo Brazil – Brazil e Lima Advogados Diretor de Educação – Thiago Muniz – Hawk Marketing Diretor de Negócios – Eduardo Veloso – Why Digital Diretor de Eventos – Rafael Rangel – Agência R8 413 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 412 Norte Presidente – Durango Martins Duarte – IMARKETING Diretor – Breno Maciel Diretora – Helida Tavares Monteiro Diretor – Odmir Neto – KTW Publicidade Diretor – Tulio Mene – Mene & Portella Publicidade Paraíba Presidente – Alek Maracaja – Ativaweb Diretor – Bruno de Melo Araujo – ORTY / Estratégia Digital Diretor – Expedito de Carvalho Junior – Antares Publicidade Diretor – Luiz Carlos Lucas Salles – Alfa9 Diretor – Luiz Henrique Brito de Souza – BeHOH Diretor – Ruy Barbosa Dantas Paraná Presidente – Ney Queiroz – Green Digital School Diretor – Claudio Stringari – Central Press Diretor – Oscar Ferreira – 4One Rio de Janeiro Presidente – Fábio Medeiros – UM_digital Diretor de Responsabilidade Social – Carlos Paulo Jr. – Multicom Propaganda e Marketing Diretor de Eventos – Marcelo Velloso – Oslo Digital Rio Grande do Norte Presidente – Daniele Gomes Barone – ILTDA Marketing Digital Diretor – Bruno Cesário de Oliveira – PlanoB Marketing Diretor – Dynara Medeiros – Ponto Criativo Diretor – Júlio Valério de Mendonça – JVM Comunicação Diretor – Raphael Guedes de Farias – Velty Tecnologia Rio Grande do Sul Presidente Moyses Costa – Ondaweb Tatiane Mizetti – Reverso Comunicação Diretor de Negócios – Cláudio de Carvalho – Carvalho & Anschau Diretor – Fernando Lopes Maia – Eau Rouge Diretor de Educação – Sebastião Ribeiro – Cartola Agência de Conteúdo Santa Catarina Presidente – Daniel Kroin – DIWE Diretora de Negócios – Karine Sabino – Adove Diretora de Eventos – Claudia Boaventura – BCOMB Digital Diretora de Responsabilidade Social – Tânia Vicente – iW2 Digital São Paulo Presidente – Rodrigo de Oliveira Neves – VitaminaWeb Diretor de Negócios – Daltro Martins – Sales Impact Diretora de Sustentabilidade –Henriane Morelli – HRI Digital Diretor de Marketing e Eventos – Vinicius Melo – D2B Agency Diretor de Educação – Luiz Tibiriçá – Kronedesign 415 GUIA DE E-COMMERCE ABRADi | UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO 414 Agentes Digitais Conheça os associados da ABRADi através do site da associação na área “Agentes Digitais.” Acesse: https://abradi.com.br/agentes-digitais/ Colaboradores Layout e Diagramação: Saatis Digital https://abradi.com.br/agentes-digitais/ GUIA DE E-COMMERCE ABRADi UM NOVO GUIA PARA UM NOVO MOMENTO Edição 2022 G U IA D E E- C O M M ER C E A B R A D i U M N O VO G U IA P A R A U M N O VO M O M EN TO Edição 2022 Realização Produção e organização Apoio Patrocinadores AB_Guia_eCommerce22_Capa.pdf 1 09/03/22 18:25