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Teorias da Pena e Execução Penal

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Teorias da Pena e Execução Penal 
 
As Penas no Código Penal 
o As penas principais são: 
Pena Privativa de Liberdade: art. 33 ao 42 do CP. 
Pena de Multa: art. 49 e seguintes do CP. 
 
o As penas acessórias estão previstas no art. 91 e 92 do CP e também em legislações especiais. 
 
o As penas substitutivas estão previstas no art. 43 do CP e são chamadas Penas Restritivas de 
Direitos. 
 
Das Penas Privativas de Liberdade 
o A privação da liberdade é uma forma de pena adotada pelo Código Penal que consiste na constrição 
do direito de ir e vir, recolhendo o condenado em estabelecimento prisional com a finalidade de, 
futuramente, reinseri-lo na sociedade, bem como prevenir a reincidência. 
Os tipos de pena privativa de liberdade previstos na legislação penal são: reclusão (crimes graves), 
detenção (crimes menos graves) e prisão simples (contravenções penais). 
O Código Penal também prevê os regimes de cumprimento, definidos como fechado (presídio de 
segurança máxima), semiaberto (colônia agrícola, industrial ou 
equivalente) e aberto (casa de albergado ou similar). 
 
Regras do regime fechado – art. 34 do CP 
Regras do regime semiaberto – art. 35 do CP 
Regras do regime aberto – art. 36 do CP 
 
A pena de reclusão é aplicada a condenações mais severas, o 
regime de cumprimento pode ser fechado, semiaberto ou aberto, e normalmente é cumprida em 
estabelecimentos de segurança máxima ou media. 
A detenção é aplicada para condenações mais leves e não admite que o inicio do cumprimento seja 
no regime fechado. Em regra, a detenção é cumprida no regime semiaberto, em estabelecimentos 
menos rigorosos como colônias agrícolas, industriais ou similares, ou no regime aberto, nas casas de 
albergado ou estabelecimento adequados. 
A prisão simples é prevista na lei de contravenções penais como pena para condutas descritas como 
contravenções, que são infrações penais de menor lesividade. O cumprimento ocorre sem rigor 
penitenciário em estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime aberto ou 
semiaberto. Somente são admitidos os regimes aberto e semiaberto, para a prisão simples. 
 
❖ Direitos dos presos: 
Estão previstos no art. 38 do CP e art. 40 e 41 da LEP. 
Súmula Vinculante 11 do STF – Limitação ao uso de algema: 
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à 
integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a 
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da 
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da 
responsabilidade civil do Estado. 
Proibição de algemas durante o trabalho de parto: 
§ único do art. 292 do CPP. 
Privação de liberdade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais 
Resolução Conjunta nº 01, de 15 de abril de 2014 editada pelo Conselho Nacional de Política 
Criminal e Penitenciária e pelo CNCD/LGBT. 
 
❖ Trabalho do preso: 
Está previsto no art. 39 do CP. 
Negativa do trabalho e falta grave: (art. 51, III c/c o art.39, V, ambos da LEP). 
Política Nacional de Trabalho no Sistema Prisional: o Decreto 9.450/2018 instituiu a política 
nacional de trabalho no âmbito do sistema prisional, voltada à ampliação e qualificação da oferta de 
vagas de trabalho, ao empreendedorismo e à formação profissional das pessoas presas e egressas 
do sistema prisional. 
 
❖ Remissão da pena do preso: 
Remição: abatimento de parte da pena privativa de liberdade pelo trabalho ou pelo estudo. 
Remição pelo trabalho: um dia de pena para cada três dias de trabalho (art. 126, § 1º, II da LEP). 
Remição pelo estudo: um dia de pena para cada doze horas de frequência escolar, dividas em no 
mínimo três dias, em atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou 
superior, ou ainda de requalificação profissional (art. 126, § 1º, I, da LEP). O limite máximo para o 
estudo do preso é de quatro horas diárias. 
O tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um terço) no caso de 
conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que 
certificada pelo órgão competente do sistema de educação (art. 126, § 5º, da LEP). 
A remição também é cabível para presos provisórios (art. 126, § 7 º da LEP). 
Regime aberto, livramento condicional e remição. 
Cumulatividade da remição pelo trabalho e pelo estudo – art. 126, §3º da LEP. 
Remição por leitura: Segundo a norma, o preso deve ter o prazo de 22 a 30 dias para a leitura de 
uma obra, apresentando ao final do período uma resenha a respeito do assunto, que deverá ser 
avaliada pela comissão organizadora do projeto. Cada obra lida possibilita a remição de quatro dias 
de pena, com o limite de doze obras por ano, ou seja, no máximo 48 dias de remição por leitura a 
cada doze meses. 
 
❖ Falta Grave e perda dos dias remidos: 
Art. 127 da LEP – “em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo 
remido, observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração 
disciplinar”. 
Para estabelecer o quantum correto, o magistrado deve se basear, em decisão fundamentada, nos 
vetores elencados pelo art. 57, caput, da LEP (Perda de eficácia da Súmula Vinculante 9 do STF). 
Atenção: a perda dos dias remidos pode incidir sobre os dias de trabalho anteriores à falta grave, se 
ainda não forem declarados pelo juízo de execução no cálculo da remição. Nunca poderá recair, 
contudo, sobre dias de labor posteriores à infração disciplinar. 
 
 
 
 
Da Pena de Multa 
 
o A pena de multa está prevista nos arts. 49 e seguintes do Código Penal. 
Trata-se de um valor pago ao Fundo Penitenciário, sendo definido na sentença condenatória, mas 
calculado na execução penal. 
Adota-se no Brasil o critério do dia-multa, de modo que a fixação da multa não ocorre pura e 
simplesmente em virtude da discricionariedade do Juiz, mas sim por um método. 
Conceito: Multa é a espécie de sanção penal, de cunho patrimonial, consistente no pagamento de 
determinado valor em dinheiro em favor do Fundo Penitenciário. Como se trata de pena, deve 
respeitar os princípios da reserva legal e da anterioridade. 
Fundo Penitenciário: O Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) tem como objetivo proporcionar 
recursos e meios para financiar e apoiar as atividades e os programas de modernização e 
aprimoramento do sistema penitenciário nacional. 
Critério adotado: Dia-multa. 
Aplicação da pena de multa: segue sistema bifásico 
1ª fase) o juiz estabelece o número de dias-multa, que deve variar entre o mínimo de dez e o 
máximo de trezentos e sessenta dias. Utiliza-se os critérios do art. 59 do Código Penal, bem como 
eventuais atenuantes e agravantes e causas de diminuição e aumento de pena; 
2ª fase) já definido o número de dias-multa, cabe agora ao magistrado a fixação do valor de cada 
dia-multa, que não pode ser inferior a um trigésimo do maior salário-mínimo mensal vigente à 
época dos fatos, nem superior a cinco vezes esse salário. Leva-se em conta a situação econômica 
do réu, nos termos do art. 60, caput, do Código Penal. 
Individualização da pena de multa 
Valor ineficaz da pena de multa – possibilidade de aumentar o seu valor até o triplo (art. 60, §1º) 
Atenção: Lei de Drogas e sistema dias-multa (art. 29 da Lei 11343/06). 
Conversão da Multa e revogação: 
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da 
execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da 
Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. 
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
Suspensão da execução da multa 
Art. 52 - É suspensa a execução da pena de multa, se sobrevém ao condenado doença mental. 
 
Das Penas Acessórias(Efeitos da Condenação) 
 
o Ao condenar alguém pela prática de um delito, o Estado-Juiz impõe-lhe a sanção penal que a lei 
prevê. Todavia essa sanção, que pode ser pena de reclusão, restritiva de direitos, detenção e ou 
multa, não é a única consequência da condenação penal. A condenação penal tem outros efeitos, 
tanto de natureza penal (efeitos secundários) como de natureza extrapenal (efeitos civis, 
administrativos, etc.). 
 
 
 
 
 
 
Das Penas Restritivas de Direito 
 
o A pena restritiva de direitos é uma das 3 espécies de penas estabelecidas pelo Código Penal, 
conforme texto do seu artigo 32, a serem aplicadas ao condenado. 
Também são chamadas de penas “alternativas”, pois são uma alternativa à prisão, ao invés de 
ficarem encarcerados, os condenados sofrerão limitações em alguns direitos, como forma de cumprir 
a pena. 
O artigo 43 do mencionado diploma legal descreve as possibilidades de penas restritivas como: 
prestação pecuniária, perda de bens e valores, limitação de fim de semana, prestação de serviços à 
comunidade, e interdição de direitos. 
Procedimento de substituição – art. 44, §2º do CP – 1) na condenação igual ou inferior a um ano, 
a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; 2) se superior a um 
ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direito e multa ou 
por duas penas restritivas de direitos. 
Requisitos objetivos: 
a) natureza do crime – em se tratando de crime doloso deve ser cometido sem violência ou grave 
ameaça. Na hipótese de crimes culposos, entende-se ser possível a substituição em todos eles, ainda 
que resulte na produção de violência contra a pessoa, tal como o homicídio culposo, tanto do art. 
121, §3º quanto no Código de Trânsito Brasileiro (art. 302); 
b) quantidade da pena aplicada – pena efetivamente aplicada na situação concreta. Nos crimes 
dolosos, desde que não tenham sido cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, o limite é 
de quatro anos. 
No caso de concurso formal ou de crime continuado, leva-se em conta o total da pena imposta. No 
tocante ao concurso material, o magistrado fixa na sentença a pena de cada crime, separadamente. 
Em seguida, análise também isoladamente, em relação a cada delito, o cabimento da substituição da 
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. 
Requisitos subjetivos – 
a) não ser reincidente em crime doloso: Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a 
substituição desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e 
a reincidência não se tenha operada em virtude da prática do mesmo crime (art. 44, §3º do CP); 
b) princípio da suficiência – a pena precisa ser adequada e suficiente para atingir as suas finalidades 
(art. 44, III, do CP). 
Violência doméstica ou familiar contra a mulher e pena restritiva de direitos – art. 17 da Lei 
11.340/06 – “É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de 
penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que 
implique o pagamento isolado de multa”. 
Regras de substituição – art. 44, §2º do CP. 
Reconversão obrigatória da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade – art. 44, §4º 
do CP. 
Reconversão facultativa da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade – art. 44, §5º do 
CP. 
 
 
 
 
 
 
Regressão de Regime 
 
Regressão: é a transferência do condenado para regime prisional mais severo do que aquele em que 
se encontra. As hipóteses em que se autoriza a regressão constam do art. 118, I e II, e §1º da Lei 
de Execução Penal (Lei 7210/84). 
Regressão cautelar: apesar da omissão legislativa sobre o assunto, considera-se possível a regressão 
cautelar, isto é, a suspensão judicial do regime semiaberto ou aberto até que, em obediência ao art. 
118, §2º da LEP, o condenado seja ouvido e possa defender-se acerca do descumprimento das 
condições do regime. 
O art. 51 e 52 da Lei de Execução Penal tratam do cometimento de falta grave pelo indivíduo. 
Sendo que o art. 52 traz sobre o RRD (Regime Disciplinar Diferenciado), que é uma forma especial 
de cumprimento da pena no regime fechado, com as características e regras previstas nesse artigo. 
 
 
 
 
Execução Provisória 
 
Execução provisória: é o cumprimento da pena antes do trânsito em julgado da condenação. Não há 
pena definitiva. Na história do Direito Penal brasileiro sempre foram diferenciadas duas situações: (a) 
execução provisória do réu preso; (b) execução provisória do réu solto. 
a) Execução provisória de réu preso: Se o acusado foi condenado, em 1ª instância ou pelo Tribunal 
– em grau de recurso ou por se tratar de crime da sua competência originária -, e encontra-se 
preso preventivamente, admite-se a execução provisória da pena. Este instituto permite ao réu 
pleitear a progressão de regime e outros benefícios antes do trânsito em julgado. A execução 
provisória tem como pressuposto inafastável o trânsito em julgado para a acusação em relação à 
pena aplicada. 
Competência para a execução provisória: o juízo da execução é competente para a execução 
provisória, como se extrai dos arts. 2º e seu parágrafo único, 65 e 66 da LEP. Assim, após a 
condenação, e desde que presente o trânsito em julgado para a condenação, ou se a pena tiver sido 
fixada no máximo legal, o juiz da ação penal expede guia de recolhimento provisório, encaminhando-
a à Vara das Execuções Penais. 
Súmula 716 do STF: “admite-se a progressão de regime de cumprimento de pena ou a aplicação 
imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença 
condenatória”. 
Art. 8º da Resolução 113/2010 CNJ: “tratando-se de réu preso por sentença condenatória 
recorrível, será expedida guia de recolhimento provisório da pena privativa de liberdade, ainda que 
pendente recurso sem efeito suspensivo, devendo, nesse caso, o juízo da execução definir o 
agendamento dos benefícios cabíveis”; 
(b) Execução provisória de réu solto: a execução provisória (ou antecipada) da pena imposta ao réu 
solto tradicionalmente foi admitida no direito brasileiro, inclusive após a vigência da Constituição 
Federal de 1988. Esse entendimento foi alterado no dia 05/02/2009, com o julgamento proferido 
pelo STF no HC 84.078/MG, relatado pelo então Ministro Eros Grau. No dia 17/02/2016, o 
Plenário do STF, nos autos do HC 126.292/SP, relatado pelo Ministro Teori Zavascki, optou por 
reestabelecer a antiga jurisprudência. 
Atual entendimento do STF quanto à execução provisória de réu solto: Julgamento da ADC 43/DF, 
ADC 44/DF e ADC 54/DF, de Relatoria do Ministro Marco Aurélio, em 07/11/2019. De acordo 
com o preceito constitucional (art. 5º, LVII, da CF), ninguém será considerado culpado antes do 
trânsito em julgado da sentença penal condenatória. A CF consagrou a excepcionalidade da custódia 
no sistema penal brasileiro, sobretudo no tocante à supressão da liberdade anterior ao trânsito em 
julgado da sentença condenatória. Voltou ao entendimento demarcado no ano de 2009. 
 
 
Livramento Condicional 
O livramento condicional introduz mudanças na execução da pena, consistentes na transição da 
execução institucionalizada para a execução em liberdade da pena privativa de liberdade aplicada. 
Requisitos gerais objetivos – art. 83 do Código Penal – a) exige condenação de pena igual ou 
superior a dois anos (não importa se reclusão, detenção ou prisão simples); b) sendo infrações 
diversas devem-se somar as penas (art. 84 do CP); c) reparação do dano causado, salvo a 
impossibilidade de o condenado fazê-lo; d) não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses 
(art. 83, III, b) 
Atenção: a falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional (Súmula 
441 do STJ). 
 
Requisitos gerais subjetivos – é vedado aos reincidentes específicos (art. 83, V do CP e art.44, § 
único da Lei 11.343/06); bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover 
a própria subsistência mediante trabalho honesto. 
 
Classes de livramento condicional 
a) Livramento condicional especial – obtido após o cumprimento de mais de um terço da pena; 
b) Livramento condicional ordinário – após a execução de mais da metade da pena aplicada; 
c) Livramento condicional extraordinário – concedido após o implemento de dois terços da pena 
imposta 
Condições do livramento condicional – art. 85 do Código Penal e art. 132 da LEP. 
Revogação obrigatória do livramento condicional – o livramento condicional será revogado se o 
liberado vier a ser condenado à privação de liberdade, em sentença definitiva: a) por crime cometido 
durante a vigência do livramento; ou b) por crime anterior, observado, nesse caso, o art. 84 do 
Código Penal (Art. 86, I e II do CP). 
Atenção: a revogação não ocorrerá se a condenação irrecorrível impuser outra espécie de pena 
(restritiva de direitos ou multa) ou tiver por objeto uma contravenção penal. 
Ver arts. 141 e 142 da LEP. 
Revogação facultativa do livramento condicional – o livramento condicional poderá ser revogado se 
o liberado deixar de cumprir qualquer das condições impostas na sentença ou for irrecorrivelmente 
condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade (art. 87 do CP). 
Atenção – art. 143 da LEP –o livramento só será revogado após prévia audiência com o beneficiário, 
assegurando-lhe o direito de fazer prova destinada a justificar a transgressão. 
Extinção da pena - se até o término do período de prova o livramento não é revogado, considera-se 
extinta a pena privativa de liberdade (art. 90 do CP; art. 146 da LEP). 
Súmula 441 do STJ - O cometimento de falta grave, por falta de previsão legal, não interrompe o 
prazo para aquisição do benefício do livramento condicional. 
Atenção: vedação livramento condicional – art. 112, VI, “a” e VIII da LEP 
Lei 12.850/13 – art.2º, §9. 
 
 
 
Medida de Segurança 
Arts. 96 ao art. 99 do Código Penal 
Fundamento: periculosidade 
Periculosidade (medida de segurança) x Culpabilidade (pena) 
Espécies: Detentiva (cumprida em HCTP) e Restritiva (tratamento ambulatorial) 
Individualização da Medida de Segurança – art. 97 do CP – ambulatorial (detenção) ou em Hospital 
de Tratamento de Custódia (reclusão). 
Súmula 525 do STF: "A medida de segurança não será aplicada em segunda instância, quando só o 
réu tenha recorrido." 
Prazo: § 1º do art. 97 do CP e art. 175 e 176 da LEP 
Perícia médica: Exame de cessação da periculosidade: §2º do art. 97 do CP 
Desinternação ou liberação condicional: §3º do art. 97 do CP. 
Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável: art. 98 do CP. 
Direitos do internado: art. 99 do CP 
 
 
 
Sursis da Pena 
Artigos 77 a 82 do Código Penal; 
Requisitos objetivos: 
a) Condenação a PPL não superior a 2 (dois) anos; 
b) Impossibilidade da substituição da PPL por PRD. 
Requisitos subjetivos: 
a) Não ser reincidente em crime doloso (exceto se a condenação anterior for exclusivamente à pena 
de multa, art. 77, § 1º, do CP e Súmula 499 do STF); 
b) Circunstancia judiciais favoráveis (culpabilidade, antecedentes, condutas sociais e personalidade 
do agente, assim como o motivo e as circunstâncias do crime autorizarem a concessão do sursis). – 
Art. 59 CP 
Espécies de suspensão condicional da pena: 
a) Sursis simples ou comum (art. 77 do CP): aplicável aos condenados, não reincidentes, a PPL 
não superior a 2 (dois) anos. Será cabível quando o condenado não houver reparado o dano, 
salvo se tiver comprovado a impossibilidade de fazê-lo e/ou as circunstâncias judiciais 
previstas no art. 59 do CP não lhe forem completamente favoráveis. É a regra. O período de 
prova, que será explicado mais a frente será de 2 (dois) a 4(quatro) anos; 
b) Sursis especial (art. 78, § 2º do CP): aplicável aos condenados, não reincidentes, a Pena 
Privativa de Liberdade não superior a 2 (dois) anos, desde que as circunstancias judiciais do 
art. 59 do CP lhe sejam completamente favoráveis, bem como se houver reparado o dano, 
salvo impossibilidade justificada. Seus requisitos são mais rígidos do que para o sursis simples, 
mas as condições são mais brandas. O período de provas será de 2 (dois) anos a 4 (quatro) 
anos; 
c) Sursis etário (art. 77, § 2º do CP): aplicáveis aos condenados com mais de 70 (setenta) 
anos de idade na data da sentença, cuja PPL imposta não seja superior a 4 (quatro) anos. 
Contudo o período de provas será de 4 (quatro) a 6 (seis) anos; 
d) Sursis humanitário (art. 77, § 2º do CP): aplicável ao condenado a Pena Privativa de 
Liberdade não superior a 4 (quatro) anos, desde que o estado de saúde justifique suspensão 
da pena (pacientes terminais). O período de provas será de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. 
 
 
 
Condições para a suspensão condicional da pena 
Para o sursis simples, impõem-se as seguintes condições: 
a) Prestação de serviço a comunidade e limitação de fim de semana (primeiro ano de período de 
prova – art. 78, § 1º, do CP). 
Para o sursis especial, impõem-se as seguintes condições, cumulativamente: 
a) Proibição de freqüentar determinados lugares 
b) Proibição de se ausentar da comarca sem a autorização do juiz; e 
c) Comparecimento pessoal mensalmente para justificar as atividades exercidas. 
Essas são as chamadas condições legais, ou seja, imposta pela lei. Há, ainda, as condições judiciais, 
nos termos do art. 79 do CP, que poderão ser impostas pelo juiz, além daquelas que a lei 
determinar. 
Por fim, há condições legais indiretas, que são aquelas causas ensejadoras da revogação do sursis 
(art. 81 do CP). 
Período de provas 
É o lapso temporal dentro do qual o condenado beneficiado pelo sursis deverá cumprir as 
obrigações impostas, bem como demonstra bom comportamento. É também denominado de 
período depurador. 
Como já foi explicado o período de provas será de 2 (dois) a 4 (quatro) anos nos sursis simples e 
especial, e de 4 (quatro) a 6 (seis) anos nos sursis etário e humanitário. 
Poderá ser obrigatória (art. 81, I a III, do CP) ou facultativa (art. 81, § 1º, do CP). 
Será obrigatória a revogação do sursis se: 
O beneficiário vier a ser condenado irrecorrivelmente por crime doloso; 
Não reparar o dano, salvo motivo justificado; 
Descumprir as condições do sursis simples. 
Será facultativa a revogação do sursis se: 
O beneficiário vier a ser condenado irrecorrivelmente por contravenção ou crime culposo, salvo se 
imposta pena de multa; 
Descumprir as condições do sursis especial; 
Prorrogação do período de prova: Conforme reza o art. 81, § 2º do CP, se o beneficiário estiver 
sendo processado por outro crime ou contravenção, considerar-se-á prorrogado o prazo da 
suspensão até o julgamento definitivo. 
Ainda, o § 3º do precitado dispositivo legal aduz que, quando facultativa a revogação, o juiz pode, 
em vez de decretá-la, prorrogar o período de provas até o máximo, se este não foi o fixado. 
Extinção da punibilidade: Com a expiração do prazo (período de provas) sem que tenha havido 
revogação, considerar-se-á extinta a pena privativa de liberdade suspensa (art. 82 do CP). 
 
 
Extinção de Punibilidade 
Anistia, graça e indulto: 
a) Anistia – ato de benevolência do Poder Legislativo, que impede a aplicação da pena a 
determinada infração (art. 48 da Constituição Federal). A anistia não é direcionada à pessoa, 
mas sim ao fato, geralmente considerada um crime político. 
b) Graça – configura-se como espécie de perdão ofertado pelo Presidente da República, 
beneficiando um condenado por infração comum, extinguindo sua punibilidade. O 
procedimento para a concessão da graça está prevista na Lei de Execução Penal (arts. 
188/192 da Lei 7.210/84). A denominação utilizada nessa legislação é indulto individual, 
não obstante o Código Penal mantenha o termo graça, bem como a ConstituiçãoFederal, 
restringindo-a para determinados crimes (art. 5, XLIII da CF). 
Atenção: os efeitos do crime permanecem – não voltando o sujeito à condição de primário (os 
efeitos não são sobre o crime, mas sim sobre a pena). 
c) Indulto – Trata-se de instituto semelhante à graça, porém distinto porque é direcionado a um 
grupo de condenados (art. 193 da Lei de Execução Penal). A graça é individual, ao passo que 
o indulto é coletivo. Também é concedido pelo Presidente da República (art. 84, XII da CF). 
Saída temporária (art. 122 da LEP) x indulto 
 
Prescrição, Decadência e Perempção 
 
a) Prescrição: é a perda da pretensão punitiva ou executória em face do decurso do tempo. 
b) Decadência: é a perda do direito de ação em face do decurso do tempo. Ver art. 103 do 
Código Penal. – seis meses 
c) Perempção: é sanção processual ao querelante inerte ou negligente. Ver. Art. 60 do Código 
de Processo Penal. 
 
Prescrição 
Conceito: trata-se da perda da pretensão punitiva estatal pelo decurso do tempo. 
Atenção – Prescrição x Decadência – a decadência apenas ocorre nos contextos de crimes de ação 
penal pública condicionada a representação e de ação penal privada. A decadência sobrevém no 
direito de representação ou de queixa, isto é, antes do início da ação penal. 
Crimes imprescritíveis – art. 5º, XLII e XLIV da Constituição Federal. 
Espécies de prescrição: A prescrição pode ocorrer antes ou depois de uma sentença definitiva. O 
marco referencial que diferencia as espécies de prescrição é o trânsito em julgado da sentença. 
Assim, a prescrição pode retirar do Estado o poder de aplicar uma pena ou, ainda, o poder de 
executar a pena concreta. 
Quando alguém pratica uma conduta criminosa, correm para o Estado dois prazos fundamentais: 
1) o primeiro é o prazo para condenar o sujeito (PRETENSÃO PUNITIVA); 2) o segundo é para 
executar a pena (PRETENSÃO EXECUTÓRIA), caso haja condenação. 
Prescrição da Pretensão Punitiva: O poder de punir surge ao Estado quando alguém prática um fato 
criminoso. A apuração da responsabilidade em tempo razoável é obrigação do Estado, que poderá 
ser “punido” pela incidência da prescrição caso haja sua negligencia. 
Entre a prática do crime e o trânsito em julgado da decisão, o lapso temporal é regulado pelo art. 
109 do Código Penal, que institui o prazo prescricional de acordo com a pena máxima cominada 
no tipo. Trata-se da pena em abstrato que poderá ser imposta ao suposto autor do crime. 
Prescrição da Pretensão Executória: Transitado em julgado a sentença condenatória, surge para o 
Estado o poder de efetivar a pena concreta. Tem início o processo de execução. 
Existindo uma decisão condenatória definitiva, não há de se falar em prescrição da pretensão 
punitiva, pois o Estado já cumpriu o prazo legal para constituir o juízo de culpa. 
 
PRETENSÃO PUNITIVA X PRETENSÃO ACUSATÓRIA 
 
Contagem do Prazo Prescricional: Cada espécie de prescrição (punitiva e executória) possui regras 
próprias para a contagem do prazo. 
 
Tabela para o Art. 109 do CP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Contagem dos prazos para prescrição da pretensão punitiva 
Regula-se pelo máximo da pena cominado em abstrato – Vide art. 109 do Código Penal. 
Aplicam-se às penas restritivas de direitos os mesmos prazos estabelecidos para as penas privativas 
de liberdade (art. 109, §único do CP). 
Quanto à pena de multa, se cominada isoladamente, a prescrição ocorre em 2 anos; se aplicada 
alternativa ou cumulativamente com a pena privativa de liberdade, a prescrição se dá no prazo 
estabelecido para esta (art. 114, I e II do CP). 
Atenção: circunstâncias modificadoras da pena. 
Contagem do prazo para prescrição da pretensão executória 
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena 
aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o 
condenado é reincidente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 1ºA prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou 
depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, 
ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 
2010). 
 
Termo inicial da contagem prescricional: No caso de prescrição da pretensão executória, o termo 
inicial começa a correr do dia em que transitar em julgado a sentença condenatória para a acusação, 
ou do dia em que transitar em julgado a sentença que revoga a suspensão condicional da pena ou o 
livramento condicional, ou, ainda, do dia em que interrompe a execução, salvo se o tempo de 
interrupção deva ser computado na pena. 
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional: Art. 113 - 
No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, a prescrição é 
regulada pelo tempo que resta da pena. 
 
A interrupção da contagem do prazo prescricional: As causas interruptivas de prescrição penal 
constituem circunstâncias previstas em lei que provocam o reinício da contagem do prazo 
prescricional, isto é, ao incidir uma causa interruptiva, o tempo já percorrido do lapso prescricional é 
desconsiderado, reiniciando-se novamente. 
Estas circunstâncias estão previstas no art. 117 do Código Penal. 
 
Causas impeditivas da prescrição: art. 116 do Código Penal 
 
 
Prescrição intercorrente ou superveniente: Essa modalidade de prescrição punitiva se verifica entra a 
publicação da sentença condenatória e o trânsito em julgado da acusação, ou após o não provimento 
do recurso (art. 110, §1º do CP). Leva-se em conta a pena concreta imposta pelo sentenciante. 
Com a publicação da sentença, interrompe-se o prazo prescricional (art. 117, IV do CP), ou seja, 
começa novamente, e é aberto prazo para as partes apresentarem recurso. 
Após o prazo, está precluso o direito de recorrer. 
 
Prescrição retroativa: Além da prescrição superveniente, a pena em concreto também poderá incidir 
na prescrição retroativa. Apesar de similares, não se deve confundi-las. 
Na prescrição retroativa, quando temos a pena máxima em concreto e o novo prazo prescricional, 
devemos voltar o olho para o passado, isto é, contar o tempo pretérito entre os marcos interruptivos 
da prescrição e verificar se entre um e outro se esgotou o decurso temporal. 
 
Redução dos prazos de prescrição: Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição 
quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da 
sentença, maior de 70 (setenta) anos. 
 
 
Individualização da Pena Criminal 
Qualificadora: altera as penas mínima e máxima do tipo, além de trazer novas elementares para o 
tipo, caracterizado por ser um tipo derivado autônomo ou independente. Ex. art. 155, §4º e art. 
121, §2º, ambos do CP. Sua análise, como veremos, será na primeira fase da dosimetria da pena. 
Agravantes: são aquelas circunstâncias que devem ser levadas em consideração na segunda fase da 
dosimetria da pena, após a fixação da pena base e da consideração das atenuantes. Estão 
estabelecidas nos artigos 61 e 62 do Código Penal, podendo citar como exemplo mais comum a 
reincidência, que está no artigo 61, inciso I. 
Majorante: Já a causa de aumento, por sua vez, também é conhecida como majorante e nada mais é 
do que uma hipótese em que a pena será aumentada, aplicando-se uma fração à sanção 
estabelecida no tipo penal, sendo analisada na 3ª fase da dosimetria da pena. 
Ao contrário do que visto na parte voltada para as qualificadoras, as causas de aumento, ou 
majorantes, não estabelecem novos elementos no tipo penal, apenas trazem algumas circunstâncias 
que implicam no aumento da pena. Ex. art. 157, §2º do CP. É levada em consideração na terceira 
fase da dosimetria da pena. 
Algumas qualificadoras e causas de aumento se confundem com algumas agravantes. 
Nesse caso,havendo previsão tanto no tipo penal (como qualificadora ou causa de aumento) quanto 
nas agravantes, as qualificadoras e causas de aumento serão preponderantes às agravantes. 
Art. 61 do Código Penal. 
Não é possível aplicar uma qualificadora ou causa de aumento e ao mesmo tempo a agravante 
correspondente, sob pena de caracterizar bis in idem, como no caso do homicídio qualificado por 
motivo fútil (artigo 121, §2º, II) e a agravante do artigo 61, I, ‘a’ também relativa ao motivo fútil. 
Privilegiado 
Atenuante: é considerada na 2ª fase da dosimetria da pena, tomando como parâmetro a pena base 
fixada na primeira fase. Arts. 65 e 66 do Código Penal. Ver Súmula 231 do STJ. 
Minorante: são avaliadas na 3ª fase, tendo por base a pena intermediária, após a análise das 
atenuantes e agravantes. 
 
 
 
Dosimetria da Pena 
São as fases da individualização da pena: 
1º) Fase da PENA BASE: Definição da PENA INICIAL (Qualificadoras/Privilégios) + Circunstâncias 
Judiciais (art. 59 do CP). 
2º) Fase da PENA PROVISÓRIA: PENA BASE + Análise de Atenuantes + Agravantes. 
3º) Fase da PENA DEFINITIVA: PENA PROVISÓRIA + Causas de Aumento de Pena + Diminuição da 
Pena. 
 
 
Concurso/ Conflito Aparente de Normas 
Único fato: há somente uma infração penal. 
Pluralidade de normas: duas ou mais normas, aparentemente, identificam o mesmo fato. 
Aparente aplicação de todas as normas à espécie: a incidência de todas as normas é apenas 
aparente 
Efetiva aplicação de apenas uma delas: somente uma norma é aplicável, por isso o conflito é 
aparente. 
Aparente – é possível resolver através da interpretação da lei penal 
A solução do conflito aparente de normas mantém a coerência do sistema e evita o bis in idem 
(Conflito aparente de normas) x (concurso de crimes) 
(Único fato) x (uma ou mais condutas que resultam em dois ou mais crimes). 
Princípios para solucionar o conflito aparente de normas: 
1) Princípio da Especialidade: 
Lei especial prevalece sobre a lei geral; 
Relação de gênero x espécie; 
Não necessariamente a lei especial será mais grave; 
Avaliação em abstrato 
Este princípio sustenta que a norma penal especial é aquela que, referindo-se ao mesmo fato 
criminoso, contém todos os elementos típicos da norma penal geral e, ao menos, um 
elemento a mais, de natureza objetiva ou subjetiva, denominada especializante ou específico. 
Exemplos: 
Homicídio culposo de trânsito (art. 302 da Lei 9503/1997) e homicídio culposo (art. 121, 
§3º do CP); 
Tráfico de drogas (art. 33 da Lei 11.343/06) e contrabando (art. 334-A do CP). 
Homicídio simples (art. 121 do CP) e infanticídio (art. 123 do CP) 
Posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art. 12 da Lei 10.826/03) e porte ilegal 
de arma de fogo de uso permitido (art. 14 da Lei 10.826/03). 
2) Princípio da subsidiariedade: 
A relação de subsidiariedade entre tipos legais de crimes pode ocorrer em dois casos: quando 
distintos os graus de ofensa previstos em diversas normas penais incriminadoras, porém 
referidos ao mesmo bem jurídico; e quando a norma penal primária contém outros bens 
jurídicos atingidos além do previsto na norma penal subsidiária. 
Deve-se verificar o grau de violação cometido pelo agente contra o bem jurídico tutelado 
pela norma; 
Uma norma é subsidiária em relação à outra 
Exemplos 
Ex: art. 132 do CP e art. 129 do CP 
Ex: art. 311 do CTB e art. 302 do CTB 
 
3) Princípio da Consunção: 
Relação entre crime meio e crime fim. 
Exemplos: 
Art. 157 do CP (pode ser entendido como resultado do crime de furto, art. 155 do CP, com 
o delito de ameaça, art. 147 do CP). 
Art. 155 e art. 150, ambos do CP.Arts. 
14 e 15 da Lei 10.826/03 e art. 121 do CP 
 
 
 
Explicação de Conflito Aparente de Normas detalhadamente: 
Para uma única conduta do agente, duas ou mais leis penais se mostram aparentemente aplicáveis. 
Se diz “aparentemente”, pois uma vez que este conflito é, de fato, apenas aparente. Isso acontece 
porque ao aplicarmos os princípios de interpretação corretamente, somente restará uma lei possível 
para aplicação ao caso concreto. 
Os requisitos para identificarmos um conflito aparente de normas são: 
1) Unidade do Fato: é quando se tem um único crime sendo cometido e apenas uma norma 
deve ser aplicada a ele. Esse requisito serve para diferenciar um conflito aparente de normas 
de um concurso de crumes (no qual temos dois ou mais crimes sendo praticados, de forma 
que será necessária a aplicação de duas ou mais normas). 
2) Pluralidade de leis aplicáveis ao caso concreto: duas ou mais normas, aparentemente, 
identificam o mesmo fato. 
3) Vigência Simultânea das leis possivelmente aplicáveis: ??? 
A estruturação de critérios existentes para sanar um conflito aparente de normas se justifica para 
que seja evitado o bis in idem, ou seja, a dupla punição pelo mesmo fato. Outra justificativa é a 
manutenção da unidade e coerência do ordenamento jurídico vigente. Os critérios existentes para a 
solução destes conflitos são os seguintes: 
1) Princípio da Especialidade: a lei especial prevalece sobre a lei geral, fazendo com que esta 
não se aplique ao caso concreto, sem, contudo, revogá-la. Entende-se por “lei especial” 
aquela que tem os elementos da lei geral adicionada de elementos especializantes, tornando 
o crime restrito/específico. Um exemplo é o crime de infanticídio, ele é um “homicídio” 
praticado contra o próprio filho durante o parto ou logo após, estando sob efeito do estado 
puerperal, praticado pela mãe. Então, trata-se de um tipo específico de homicídio. 
2) Princípio da Subsidiariedade: aqui, temos a prevalência da lei primária sobre a lei subsidiária. 
Entende-se por lei primária aquela n qual está previsto o crime mais grave. Essa subsidiariedade 
pode ser expressa (claramente escrita no texto de lei) ou tácita (é extraída pela análise do 
caso concreto). 
3) Princípio da Consumação/Absorção: neste caso, a lei consuntiva, ou seja, aquela que prevê o 
fato como um todo, de maneira mais ampla, prevalece sobre a lei consumida, aquela no qual o 
fato é previsto apenas em uma parte, de maneira mais restrita. Este critério é aplicado 
comumente nos casos de crime progressivo, que é caracterizado nos casos em que é necessária 
a realização de um crime menos grave para a consumação do crime mais grave. Ex: para matar 
alguém (homicídio), é necessário ferir esta pessoa (lesão corporal). 
 
 
 
 
Concurso de Crimes 
O concurso de crimes é definido pela prática de uma ou mais conduta penais, ambas cometidas 
pela MESMA pessoa em uma mesma oportunidade ou em ocasiões diversas. 
O concurso de crimes se divide em: 
Concurso material (art. 69 do CP): Ocorre o concurso material de crimes quando o agente, no 
mesmo contexto criminoso, pratica dois ou mais crimes idênticos ou não, havendo uma progressão 
criminosa. Aqui as penas são aplicadas cumulativamente. 
Concurso formal (art. 70 do CP): Quando o agente, ao praticar apenas UMA conduta, acaba 
cometendo dois ou mais crimes. Nesse caso, é aplicada a mais grave das penas cabíveis ou, se 
iguais, somente uma delas. 
Crime continuado (art. 71 do CP): quando o agente, ao praticar mais de uma ação ou omissão, 
comete dois ou mais crimes da mesma espécie, e por suas condições – seja de tempo, lugar, 
maneira de execução – devem os subsequentes serem tidos como continuação do primeiro. 
É aplicada a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em 
qualquer caso, de um sexto a dois terços. 
 
 
Neste caso, o crime de homicídio prevalece sobre o crime de lesão corporal. Também pode 
aplicar-se esse critério nos casos de progressão criminosa, ou seja, quando, durante a realização 
de um crime menos grave, altera-se o dolo, passando-se a realizar um crime mais grave. 
Aproveitando o exemplo anterior, se um agente decide agredir um outro indivíduo, e, durante a 
agressão, decide matá-lo, ele responderá por homicídio doloso, umavez que o crime de lesão 
corporal será absorvido. 
4) Princípio da Alternatividade: este critério, segundo a doutrina majoritária, não é aplicável ao direito 
brasileiro, por não tratar de um conflito entre normas, uma vez que o conflito ocorre dentro de 
uma norma. O exemplo é um indivíduo que tem em depósito, expõe à venda e vende drogas. 
Mesmo tendo vários núcleos (verbos), o tipo penal trata do único crime de tráfico de drogas, 
que deverá ser aplicado ao agente. 
5) 
 
 
 
1. Concurso material: duas ou mais condutas + dois ou mais resultados + as penas são 
cumuladas (somadas). 
2. Concurso formal próprio: uma conduta + dois ou mais resultados + exasperação da pena (a 
pena é aumentada de 1/6 até a metade). 
2.1. Concurso formal impróprio: uma conduta + dois ou mais resultados + designíos autônomos 
+ as penas são cumuladas (somadas) 
3. Crime continuado genérico: duas ou mais condutas + dois ou mais resultados + continuidade 
+ exasperação da pena (a pena é aumentada de 1/6 até 2/3). 
3.1. Crime continuado específico: duas ou mais condutas + dois ou mais resultados + 
continuidade + violência ou grave ameaça +exasperação das penas (a pena é aumentada de 
1/6 até o triplo). 
A prescrição nos casos dos crimes de concurso material, formal e crime continuado devem 
obedecer ao texto do art. 119 do Código Penal que diz “no caso de concurso de crimes, a extinção 
da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente”. 
 
 
Concurso de Pessoas 
Nem sempre o crime é praticado por uma única pessoa. Ocorre concurso de pessoas quando mais 
de um agente concorre para a prática do crime. Há pluralidade de sujeitos e unidade de infração 
penal. 
Existe uma divisão de tarefas entre aqueles que praticam o crime, o que significa que cada conduta 
praticada pode ser diferente uma da outra. 
Requisitos: o requisito objetivo implica a coincidência do tipo penal que se pretende praticar 
(identidade típica). Nosso Código adotou a teoria monista do concurso de pessoas, de acordo com 
a qual todos os concorrentes respondem pelo mesmo tipo penal. 
Excepcionalmente, os agentes podem responder por tipos distintos pela prática do mesmo fato, 
desde que haja previsão legal. Trata-se da teoria dualista. 
O requisito subjetivo é o acordo de vontades (prévio ajuste entre as partes). Só há concurso de 
pessoas quando os envolvidos querem ou aceitam concorrer para o fato. 
Autoria colateral: ocorre quando há pluralidade de agentes que concorrem para o crime, mas sem 
vínculo subjetivo entre elas. 
Conceito extensivo de autor: para os causalistas, é autor todo aquele que concorre, de alguma 
forma, para o resultado. 
Conceito restritivo de autor: reconhecem duas categorias: autor e partícipe. Ou seja, nem todos 
que colaboram para o resultado são autores. Cada qual possui um grau de importância na execução 
dos atos para o cometimento do crime e, assim, o tratamento deve ser diverso. O importante é 
compreender o caráter acessório da participação. 
A participação é conduta acessória ou dependente de outra, da autoria; o injusto de participação 
fica sempre condicionado à existência do injusto da conduta principal, conforme disposição do art. 
31 do Código Penal. 
Atenção: não há participação sem autoria. 
Modalidades de participação: 
Auxílio: é a forma de atuação material do partícipe. 
Induzimento: ocorre quando o autor não tem ideia de praticar o crime e o partícipe faz nascer a 
ideia em sua cabeça. 
Instigação: é a fomentação de uma ideia que já existe na cabeça do autor, que se sente motivado a 
praticar o crime. 
Concurso de pessoas em crimes próprios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Classificação dos Tipos Penais 
 
CRIMES PRÓPRIOS E COMUNS: 
Esta classificação leva em consideração o sujeito ativo do delito. 
São crimes comuns aqueles que podem ser cometidos por qualquer pessoa. Ex.: homicídio, roubo, 
furto, falsificação, etc. 
Os crimes próprios são aqueles que exigem sujeito ativo especial ou qualificado, ou seja, 
determinados crimes só podem ser cometidos por determinadas pessoas. Ex.: mulher no 
autoaborto, mãe no infanticídio (qualidades de fato – natureza humana ou inserção social da 
pessoa) testemunha no crime de falso testemunho (qualidade de direito – referem-se à lei). 
 
QUANTO AO SUJEITO ATIVO 
Crimes próprios podem ser puros ou impuros. 
Puros: estão relacionados ao fato de que se o sujeito ativo indicado no tipo penal, deixam de ser 
crime, caso a conduta não se concretize por ato de outra pessoa. Ex.: advocacia administrativa – 
321, CP. 
Impuros: estão relacionados ao fato de que se o delito não for cometido pelo agente indicado no 
tipo penal, transformam-se em condutas delituosas diversas ex.: infanticídio – homicídio. 
Crimes de mão própria: somente o sujeito ativo qualificado pode cometer o crime direta e 
pessoalmente. Ex.: testemunha no falso testemunho. 
 
QUANTO AO MOMENTO CONSUMATIVO 
Crimes instantâneos: a consumação se dá com uma única conduta, não produzindo um resultado 
prolongado no tempo. Mesmo que as ações se prolonguem no tempo, o resultado é instantâneo. 
Ex.: homicídio, furto, roubo, etc. 
Crimes permanentes: são os que se consumam com uma única conduta, embora a situação 
antijurídica gerada se prolongue no tempo até quando queira o agente. 
Ex.: sequestro e cárcere privado, extorsão mediante sequestro, porte ilegal de arma, entorpecentes, 
etc. 
Crimes instantâneos de efeitos permanentes (crimes de estado): são crimes instantâneos com a 
aparência de permanentes em virtude do método de execução ex.: bigamia, injúria, matrimônios 
ilegais, ameaça, etc. 
 
 
QUANTO AO MODO DE EXECUÇÃO 
Comissivos: são cometidos por intermédio de uma ação, uma conduta positiva ex.: estupro. 
Omissivos próprios: são cometidos por uma abstenção, um deixar de fazer. Ex.: omissão de socorro. 
Comissivos por omissão ou omissivos impróprios: é o que exige do sujeito uma concreta atuação 
para impedir o resultado que ele devia (e podia) evitar. Exemplo: guia de cego que no exercício de 
sua profissão se descuida e não evita a morte da vítima que está diante de uma situação de perigo. 
O agente responde pelo crime omissivo impróprio porque não evitou o resultado que devia e podia 
ter evitado. Figura do garante – art. 13, §2º, CP. 
 
QUANTO À NECESSIDADE DE OCORRÊNCIA DE RESULTADO 
1) Delito de resultado: o tipo legal prevê um resultado típico, natural ou material vinculado à 
conduta pelo nexo causal. Ex.: homicídio, lesão corporal, etc.. 
2) Delito de mera atividade ou conduta: o comportamento exaure o conteúdo do tipo legal, isto é, 
a sua simples realização consuma o delito. Ex.: injúria, ameaça, violação de domicílio, corrupção 
ativa (333, CP). 
3) Delito de resultado cortado ou formais: são crimes delitos de atividade que comportariam a 
ocorrência de um resultado naturalístico, embora não exista esse exigência. Ex.: prevaricação. 
 
 
 
QUANTO ÀS ESPECIES DE RESULTADO PRODUZIDO 
1) Crime de dano: são os que se consumam com a efetiva lesão ao bem jurídico tutelado. É lesão 
ou prejuízo efetivo e perceptível pelos sentidos humanos. 
2) Crime de perigo: se contentam para a consumação com a mera probabilidade de que haja um 
dano. 
Crime de perigo concreto: a probabilidade de ocorrência de um dato que necessita ser 
devidamente provada pelo órgão acusador. (disparo de arma de fogo). 
Crime de perigo abstrato: a probabilidade de dano presumida pela lei, que independe de prova no 
caso concreto. (ex.: tráfico de drogas e porte de entorpecentes). 
 
QUANTO AO NÚMERO DE AGENTES 
1) Crime unissubjetivo: que podem ser praticados por uma só pessoa. Ex.: aborto, extorsão, etc. 
2) Crime plurissubjetivo: que somente podem ser cometidos por mais de uma pessoa ex.: rixa, 
associação criminosa, bigamia, etc. 
Crime plurissubjetivo ou convergentes, delitos de encontro, crimes de concurso necessário, delitos 
coletivos, crimes multitudinário e crimes de autoriamúltipla. 
 
QUANTO À FORMAÇÃO DOS TIPOS PENAIS 
Crimes simples: constituídos por uma conduta típica única. Ex.: lesão corporal. 
Crimes complexos: formados pela junção de tipos penais. Ex.: crime de roubo. 
 
 
CRIME PROGRESSIVO/PROGRESSÃO CRIMISONA E CRIME HABITUAL 
Crime progressivo: a intenção do agente é voltada para determinado resultado que, passa pelo 
cometimento de outros crimes, como “caminho” para o crime-fim. Ex.: homicídio (passa pela 
lesão). 
Progressão criminosa: a intenção do agente é a ofensa a determinado bem jurídico, mas, 
deliberadamente progride para outro crime. 
Crime habitual: pressupõe prática reiterada e contínua de várias ações, traduzindo um estilo de 
vida indesejado pela lei penal. 
Requisitos: a) reiteração de vários fatos; b) identidade ou homogeneidade de tais fatos; c) nexo de 
habitualidade entre os fatos. 
 
QUANTO AO NÚMERO DE ATOS PARA A CONFIGURAÇÃO DO CRIME 
1) Crimes unissubsistentes: para o cometimento do crime admitem um único ato. Ex.: injúria 
verbal. 
2) Crimes plurissubsistentes: exigem para o cometimento do crime vários atos. Ex.: homicídio, 
roubo, furto, estupro e etc. 
 
 
QUANTO AO MODO DE EXECUÇÃO PREVISTO 
 
Crime de forma livre: são os crimes que podem ser praticados por qualquer forma ou modo pelo 
agente. Ex.: homicídio, roubo, etc. 
Crime de forma vinculada: tratam dos crimes que somente podem ser cometidos pela forma 
eleita pelo legislador. Ex.: art. 130, CP. 
 
QUANTO AO SUJEITO PASSIVO 
Crimes vagos – multivitimários ou de vítimas difusas 
Crimes vagos são os que não possuem sujeito passivo determinado, sendo este a coletividade, 
sem personalidade jurídica. Ex.: crimes contra o respeito à memória dos mortos. 
 
CRIMES REMETIDOS E CRIMES CONDICIONADOS 
Crimes remetidos: Quanto à forma de construção do tipo penal, o legislador remete o intérprete a 
outros tipos penais expressamente. Ex.: uso de documento falso (art. 304, CP). 
Crimes condicionados: Quanto ao elemento constitutivo da consumação, são condicionados os 
delitos que dependem do advento de uma condição qualquer, prevista no tipo ou não. Ex.: crime 
falimentar. 
 
CRIME DE ATENTADO OU DE ARREPENDIMENTO 
Crimes de atentado: são crimes aos quais o legislador previu no tipo penal a forma tentada 
equiparada à consumada, por isso denominam-se crimes de atentado. 
Ex.: art. 352, CP “Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou indivíduo submetido a medida de 
segurança detentiva, usando violência contra a pessoa.” 
 
CRIMES MILITARES PRÓPRIOS E IMPRÓPRIOS 
Militares próprios: cometidos somente por militares, submetidos ao Código Penal Militar; 
Militares impróprios: podem ser cometidos por militares e por civis, submetem-se ao Código Penal. 
 
CRIMES COMUNS E CRIMES POLÍTICOS 
Por exclusão conceitua-se crimes políticos aqueles que sejam previstos na Lei de Segurança 
Nacional (Lei 7.170/1983) e que atentam contra o Estado Democrático de Direito. 
Os crimes políticos são de competência da Justiça Federal