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DESCRIÇÃO Evolução histórica da Ginástica Geral e Artística no Brasil e no mundo, suas estruturas organizacionais e as modalidades que as integram. PROPÓSITO Conhecer a estrutura da Ginástica Geral e da Ginástica Artística prepara o profissional para trabalhar com essas modalidades, junto a diversos tipos de público, seja na escola ou fora dela. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar os métodos ginásticos com origem e desenvolvimento no continente europeu e a Ginástica para Todos MÓDULO 2 Reconhecer o processo de desenvolvimento da Ginástica Artística e da Ginástica para Todos no Brasil MÓDULO 3 Reconhecer a estrutura organizacional e as modalidades contemporâneas da ginástica INTRODUÇÃO A evolução histórica da ginástica confunde-se com a própria evolução da humanidade. Os movimentos ginásticos, antes realizados em festividades, jogos e rituais religiosos, passaram a integrar o treinamento militar na formação de corpos saudáveis para a guerra. No continente europeu, houve diversas tentativas de sistematização dos movimentos ginásticos numa intenção de treinar tropas para a guerra, assim como de consolidar os ideais higienistas vigentes na época. Em consequência, surgiram diversos métodos no continente, com maior destaque para os métodos sueco, alemão e francês, que serão explorados no Módulo 1. No Módulo 2, serão descritos aspectos históricos do desenvolvimento das modalidades da Ginástica Geral e Ginástica Artística no Brasil, passando por todo o processo de institucionalização da ginástica brasileira, desde a chegada de imigrantes alemães na região Sul do país. Por fim, no Módulo 3, serão apresentadas as modalidades de ginástica da contemporaneidade que integram o quadro da Federação Internacional de Ginástica: a Ginástica Artística, Ginástica Rítmica, Ginástica de Trampolim, Ginástica Acrobática, Ginástica Aeróbica e o Parkour. MÓDULO 1 Identificar os métodos ginásticos com origem e desenvolvimento no continente europeu e a Ginástica para Todos A GINÁSTICA DA ANTIGUIDADE AO RENASCENTISMO Etimologicamente, a palavra ginástica é de origem grega, significando “a arte de exercitar o corpo nu” (PETIOT, 1982, p. 218). Desde a Antiguidade, praticam-se tarefas acrobáticas e funambulescas, que evoluíram no decorrer dos tempos. Um exemplo característico dessas atividades é a ginástica de solo, inicialmente, praticada em danças sacras por antigos povos e que pouco a pouco foi se distinguindo, até se transformar em atividade isolada. A partir de então, passou a ser praticada por saltimbancos no Egito, na Grécia e na Roma Antiga para, gradativamente, difundir-se por toda a Europa e, provavelmente, também pela Ásia. A GINÁSTICA, ASSIM, TEM ORIGENS NA ANTIGUIDADE. HÁ ESCRITOS DANDO CONTA DE MOVIMENTOS GINÁSTICOS SENDO REALIZADOS JÁ POR VOLTA DE 2600 A.C., ESPECIALMENTE, EM CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS, COMO PARTE DE FESTIVIDADES, JOGOS E RITUAIS RELIGIOSOS. Contudo, pode-se dizer que foi na Grécia que a ginástica ganhou destaque, a partir de valores como a busca de equilíbrio entre corpo e mente e ideais estéticos e harmoniosos de beleza humana. Para os gregos, a ginástica significava atividades físicas em geral, tais como corridas, lançamentos, saltos, lutas etc. Já a civilização romana retomou a discussão da ginástica como elemento da formação dos jovens, mas com foco na preparação militar. Na Antiguidade Clássica (civilizações grega e romana), a ginástica assume as características de teoria e prática. Aristóteles (384-322 a.C.) já fazia menção a uma ciência ginástica, considerando-a dedicada a estudar quais tipos de movimentos corporais seriam benéficos, dependendo da constituição dos indivíduos. Platão (427-347 a.C.) também escreveu em sua obra A República o que se considera uma das primeiras teorias da ginástica. Embora não refletisse a prática da época, o pensamento de Platão teve influência importante na forma pela qual diversos autores conceberam os movimentos ginásticos posteriormente. Em síntese, na Grécia Antiga, reconheciam-se dois tipos de ginástica: a) Orquéstrica, com o objetivo de atingir o bom estado físico e desenvolver a agilidade e a beleza das formas dos movimentos corporais. b) Paléstrica, relacionada com tudo que depende da luta e da aquisição de boa saúde. Na Antiguidade Romana, são também encontradas contribuições para o que se poderia chamar de “teoria da ginástica”. Os movimentos corporais sistematizados e construídos eram entendidos como meio para provocar efeitos específicos no corpo humano. Além do uso da ginástica no treinamento dos gestos para uso na oratória, os romanos alcançaram notáveis desempenhos na ginástica em duas esferas: TREINAMENTO MILITAR TREINAMENTO ATLÉTICO Outra grande contribuição da Civilização Clássica para o campo da ginástica deu-se no que se entende atualmente como ginástica médica ou terapêutica. Essa vertente baseia-se sobretudo no pensamento de Cláudio Galeno (129-199). Em seu entender, haveria ainda uma espécie de predisposição dos indivíduos às doenças, em função de sua constituição, temperamento e comportamento. Assim, era defendida a realização de movimentos corporais como estratégia para prevenir e, em alguns casos, tratar afecções de saúde. Durante a Idade Média, a rejeição do culto à beleza física e o ascetismo religioso resultou na perda da importância da prática dos movimentos ginásticos. Isso seria retomado com o advento do Renascentismo, em virtude da revalorização e retomada das referências filosóficas e culturais da Antiguidade Clássica. No século XVI, a valorização da ginástica pode ser encontrada na obra de muitos pensadores, contribuindo para a sua reafirmação nos âmbitos pedagógico, terapêutico, militar e estético. Dentre estes, pode-se destacar os franceses François Rabelais (1493-1533), Michel de Montaigne (1533-1592) e Francis Bacon (1561- 1626), além do italiano Jeronimus Mercurialis (1530-1606), autor da obra Da Arte Ginástica, publicada em Veneza no ano 1569. Mercurialis vinculava a verdadeira ginástica à terapêutica, advogando que a preservação da saúde resultaria de bons cuidados com corpo, notadamente a realização de trabalhos físicos moderados. Aliás, a partir da obra de Mercurialis, o termo ginástica passaria a se estender à totalidade das atividades físicas sistematizadas e, por consequência, “à teoria dos efeitos de todos os exercícios e sua execução” (BEYER, 1992, p. 263), abrangendo desde exercícios militares até práticas esportivas. O MOVIMENTO GINÁSTICO EUROPEU Ao longo do século XIX, em diversos países, a ginástica passou por um processo de sistematização que ficou conhecido como Movimento Ginástico Europeu. Esses movimentos resultaram de necessidades do Estado em preservar a saúde das populações como força de trabalho e reserva militar, sob a égide das ideias sanitaristas. O Movimento Ginástico Europeu contribuiu para reformular a sociedade europeia, difundindo preceitos higienistas, nacionalistas, pedagógicos e morais por meio da prática da ginástica. Apesar de os métodos resultantes desse processo compartilharem características básicas, revestiram-se de características específicas, de acordo com os interesses e realidades dos países em que se desenvolveram. Isso ocorreu de forma bastante dinâmica e trouxe uma rica diversidade de práticas e conceitos, o que resultou não apenas na estruturação e na sistematização da ginástica no século XIX, mas também nas origens da ginástica atual. Os movimentos ginásticos, de modo geral, coadunavam-se com a onda nacionalista daquele período e com as ideias sanitaristas que predominavam em saúde pública. Via de regra, as propostas pretendiam romper os vínculos da ginástica com práticas corporais populares, além de disciplinar a população moral e fisicamente. Costuma-se classificar os métodos ginásticos a partir das regiões em que tiveram origem. Modernamente, consideram-se como básicas três doutrinas de ginástica: a sueca, a alemã e a francesa. Esses métodos foram os precursoresdas modalidades atuais da ginástica. Método Sueco e Método Dinamarquês Sob a influência de Pehr Henrik Ling (1776-1839), a Suécia deu os primeiros passos na direção de uma doutrina própria de ginástica. O propósito era combater vícios sociais (como o alcoolismo) e contribuir com o desenvolvimento de cidadãos saudáveis e úteis à pátria (trabalhadores e soldados). O Movimento Sueco, portanto, tinha uma ênfase pedagógica e social. Na doutrina sueca, o termo “ginástica” designava, inicialmente, os exercícios de formação corporal para a educação e a manutenção da saúde. Imagem: Gardon / Wikimedia Commons / Domínio Público Pehr Henrik Ling (1776-1839). Dentre os fundamentos da ginástica sueca, destacam-se: A importância de se calcar nas necessidades e características de funcionamento do organismo humano. O desenvolvimento harmônico do corpo atuando sobre suas partes. GINÁSTICA PEDAGÓGICA GINÁSTICA MÉDICA GINÁSTICA MILITAR GINÁSTICA ESTÉTICA GINÁSTICA PEDAGÓGICA Destinava-se a todas as pessoas, visando prevenir doenças, vícios e defeitos posturais, além de contribuir para o desenvolvimento normal dos indivíduos. GINÁSTICA MÉDICA Era estreitamente ligada à pedagógica, com propósito específico de evitar e/ou tratar vícios e defeitos posturais. GINÁSTICA MILITAR Tinha características similares às anteriores, acrescidas de exercícios de preparação para a guerra. GINÁSTICA ESTÉTICA Valia-se da dança e de movimentos suaves para proporcionar beleza e graça ao corpo. A integração de processos educativos, científicos e estéticos, reconhecendo-se quatro categorias principais de intervenção, as ginásticas: pedagógica, médica, militar e estética. As sessões de treinamento incluíam exercícios sem aparelhos, de fácil execução e revestidos de compromisso estético, além de saltos no cavalo, cambalhotas, jogos ginásticos, patinação e esgrima. Além disso, adotava-se uma rígida organização sequencial, além de combinar-se as atividades a cantos alegres para motivação dos praticantes. Foto: Okänd / Wikimedia Commons / Domínio Público Espaço para ginástica no Instituto Central de Ginástica de Estocolmo (1900). RESUMINDO Em suma, o Método Sueco: Tem por base um sistema rígido para o desenvolvimento harmônico do corpo. Busca atingir todos os públicos. Aplica exercícios analíticos simétricos de fácil execução e dificuldade progressiva. Não faz uso de aparelhos. Combina os exercícios a comandos pela voz ou música. O sucesso da doutrina sueca fez com que o método se estendesse a outros países escandinavos, como Dinamarca, Noruega e Finlândia. Em particular, na Dinamarca, o Método Sueco passou por transformações e passou a ser chamado de Ginástica Racional, devido à sua sistematização com base na ciência e em objetivos perfeitamente definidos em categorias. No entanto, foi considerado por Niels Bukh (1880-1950) excessivamente rígido em relação aos exercícios realizados, por demais fundamentados em posições predefinidas. Desenvolveu-se, com isso, a Ginástica Básica Dinamarquesa ou Método Dinamarquês, em muito similar ao Método Sueco no que tange aos propósitos e princípios, porém assemelhando-se mais a uma Ginástica de Movimento do que a uma Ginástica de Posições. Da mesma forma que o Método Sueco, permeava na Escola Dinamarquesa o desejo de desenvolver moral e fisicamente a população, principalmente, com propósitos militares. Foto: Carl Slej/ Wikimedia Commons / Domínio Público Bukh criou uma expressiva escola de treinamento físico, na qual os ginastas executavam movimentos graciosos, rápidos e ritmados. Os exercícios eram subdivididos em categorias, conforme o objetivo de desenvolver a força muscular, a flexibilidade ou a destreza (velocidade, habilidade e coragem) de forma geral. Além disso, os movimentos eram executados como em nenhuma outra escola ginástica, em coreografias que se aproximam das modernas modalidades de Ginástica Acrobática e dança moderna. Interessantemente, a Dinamarca foi o primeiro país a implantar a ginástica como atividade escolar obrigatória. Desse modo, o Método Dinamarquês tem como característica: Movimentos suaves, contínuos e harmônicos. Exercícios com e sem aparelhos, com exercícios geradores de força muscular, flexibilidade e destreza. Forte motivação política. Outro método que decorreu das propostas de Pehr Henrik Ling foi a Ginástica de Calistenia, do grego kallistenés (kallós: belo; sthenos: força). Não se trata exatamente de um sistema de ginástica, mas sim de sequências de exercícios ginásticos analíticos ou localizados (separação por partes) com fins corretivos, fisiológicos e pedagógicos, que podem fazer parte de qualquer sistema ginástico. Caracteriza-se por número elevado de repetições com contração máxima. Os exercícios completamente analíticos isolam as partes do corpo, prevenindo acidentes ou lesões. Foto: Shutterstock.com Flexão: exemplo de exercício de calistenia. Com o tempo, a calistenia incorporou características motivacionais ausentes da ginástica sueca ou dinamarquesa, como a motivação através da música e a variação de exercícios, que permanece até os dias atuais. A calistenia teve grande impacto no Brasil, sobretudo por influência da Associação Cristã dos Moços (ACM), que a introduziu no país em fins do século XIX. javascript:void(0) ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DOS MOÇOS (ACM) As ACMs são ramificações da Young Men’s Christian Association (YMCA), fundada em 1844. A YMCA tinha por objetivo oferecer trabalho e ser uma opção às ruas para os jovens. A prática de esportes e ginástica era amplamente incentivada nessas instituições. Foto: Shutterstock.com Ginástica de Calistenia. Método Alemão Uma região onde os movimentos nacionalistas assumiram especial expressão foi a atual Alemanha (então Prússia), uma vez que, no século XIX, o país ainda não tinha sido unificado e vivia em estado de beligerância com seus vizinhos. O desenvolvimento da ginástica, portanto, coadunava-se com esse ambiente, tendo como principal objetivo preparar os cidadãos para a defesa da pátria. O Método Alemão apoiou-se sobretudo nos trabalhos de Johann Christoph Friedrich Guts-Muths (1759-1839), Adolph Spiess (1810-1858) e Friedrich Ludwig Jahn (1778- 1852). Imagem: Autor desconhecido / Wikimedia Commons / Domínio Público / Autor desconhecido: A presente imagem é regida pelos termos do art. 45, inciso II, da Lei nº 9.610/1998. Fica reservado ao autor eventual direito de se manifestar sobre a autoria. Guts-Muths (1759-1839). Guts-Muths foi considerado o precursor da ginástica pedagógica, a qual deveria ser organizada pelo Estado e praticada todos os dias por todos os cidadãos. No manual Gymnastik für die Jugend (1793), o pensador propunha exercícios físicos sistematizados que, ao serem praticados em contato com os elementos naturais, recuperariam a população de uma degenerescência física e moral advinda da vida nas cidades. Imagem: Leonard, Fred Eugene / Wikimedia Commons Adolph Spiess (1810-1858). Spiess estendeu essa preocupação à formação mais geral das crianças e dos jovens, advogando que a ginástica deveria ser inserida nas escolas e alcançar o mesmo patamar de importância que as demais disciplinas. Imagem: Lithograph Georg Ludwig Engelbach/ Wikimedia Commons / Domínio Público Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852). Jahn foi um pedagogo e ativista político, sendo considerado o principal responsável pela disseminação do Método Alemão entre os indivíduos. Imprimiu à ginástica um caráter militarista e extremamente patriótico. Jahn, considerado o “pai da Ginástica”, tendo atuado como professor polivalente em Berlim, no Instituto Plamann e adotando o nome de Friedrich em suas publicações, estudou Teologia, História e Linguística, além de trabalhar em várias obras, dentre elas Costumes Alemães e A Arte da Ginástica, nas quais se posicionou em relação à Ginástica Patriótica, ressaltando a importância da resistência corporal. Com o objetivo de preparar os jovens para aguerra, particularmente ancorado no desejo de expulsar as tropas invasoras de Napoleão e promover a unificação do império germânico, Jahn concebeu um sistema de exercícios que se valia dos elementos naturais da floresta de Hasenheide (campo dos coelhos), nos arredores de Berlim, além de aparelhos específicos para a sua prática. Eram criados percursos com vários obstáculos que deviam ser vencidos com habilidades específicas e força corporal. O nacionalismo extremo de Jahn fez com que cunhassem o termo Turnen (arte da destreza, ou dar meia volta, torcer, mexer, comandar, manobrar ou um grande desejo de movimento), em substituição à palavra de origem grega Gymnastik. Posteriormente, as atividades ficam conhecidas como Turnen ou, ainda, Vaterlandisch Turnen (Ginástica Patriótica). Os exercícios tinham objetivos que transcendiam a forma física, revestindo igualmente de caráter moral: alcançar autoconfiança, autodisciplina, independência, lealdade e obediência. Essas eram as metas a serem atingidas. Imagem: Mirt Alexander / Shutterstock.com Ilustração de um selo alemão em homenagem aos 200 anos da ginástica local de Friedrich Ludwig Jahn. As atividades do Turnen foram sendo sistematizadas aos poucos, até que, em 1811, foi criado o primeiro ginásio ao ar livre (Turnplatz). Como no inverno, a permanência em ambientes abertos não era possível, estabeleceu-se no mesmo parque um espaço fechado, criando-se com isso os primeiros aparelhos de ginástica. Apesar do caráter nacionalista, como método ginástico, o Turnen de Jahn enfatizava que se deveria fugir da rigidez escolar, e que as atividades não deveriam reproduzir as características de treinamentos militares. Antes, defendia-se que consistisse em ferramenta popular de educação, atribuindo importância à formação corporal em contraposição à espiritualização exclusiva. Os exercícios aplicados foram descritos em um de seus livros, Die Deutsche Turnkunst (1816), destacando-se o seguinte: Caminhar, correr, saltar ou pular (pular corda, saltos em altura, profundidade, distância e com vara). Balançar (salto sobre o cavalo, balanço de pernas e exercícios de montar e desmontar sobre o cavalo). Equilibrar-se, exercícios em barra fixa (balanço e sustentação) e barras paralelas (flexionar/estender os braços e movimentos de balanço). Escalar, arremessar, puxar e empurrar, levantar e transportar, alongar-se, lutar, exercícios acrobáticos com e sem aparelhos. A unificação da Alemanha e a defesa contra os ataques de Napoleão, que derrotara a Prússia em Yena (1806), incentivaram e aumentaram os seguidores de Jahn. A ampliação do movimento Turnen fez com que adultos e jovens passassem a procurar a Hasenheide, sendo os alunos divididos em grupos segundo idade, categoria e capacidade. A participação de Jahn na preparação e execução da luta nacional de libertação contra o domínio napoleônico (1813-1815) foi decisiva. Estudantes universitários e ginastas em geral atenderam ao apelo nacionalista do Turnen e alistaram-se como voluntários na defesa do país. Porém, as grandes expectativas do povo alemão em relação à unificação do país no Congresso de Viena, depois da vitória sobre Napoleão, acabaram não se concretizando. Isso deu ensejo, principalmente entre os estudantes, a um movimento de oposição visando à construção da unidade alemã. A Ginástica, então, começava a inserir-se no cenário político-cultural daquele país. Se durante a guerra o Turnplatz foi destruído por vândalos e a quantidade de ginastas reduziu-se, em 1814 iniciou-se um processo de reconstrução e, em 1817, o campo ampliado podia acomodar de 1.400 a 1.600 ginastas. SAIBA MAIS Um Festival de Ginástica (Deutsches Turnfest) foi criado em comemoração à vitória na batalha de Leipzig (1814), realizado em 18 de outubro. Esses festivais eram orientados para a confraternização e a ludicidade, atraindo milhares de pessoas, passando a ser reproduzidos também em outros países. O sucesso de Jahn e seus seguidores praticantes do Turnen, que não apoiavam o regime vigente, fez com que, por motivos políticos, sua prática fosse proibida pelo governo prussiano. Ninguém mais poderia utilizar o campo e, por ordens superiores, deveriam encerrar-se todas as atividades de ginástica. Proibidas as atividades ao ar livre, os praticantes continuaram a exercê-las em locais fechados, reestruturando os aparelhos para locais tão pequenos quanto porões. Jahn foi perseguido por seus discursos em 1817, condenando a presença francesa na Prússia, sendo aprisionado entre 1819 e 1825 e então recluso à prisão domiciliar. Ele foi liberado em 1825, mas não podia ter contato com estudantes. Em 1842, foi totalmente redimido como cidadão e condecorado como herói. O imperador Frederico Guilherme IV aprovou proposta de ministros, no sentido de que os exercícios corporais fossem reconhecidos como parte indispensável da educação dos jovens e adotados no programa de educação popular. O sistema ginástico de Jahn passou a ser obrigatório em todas as escolas alemãs. Aceita-se, atualmente, que o Método Alemão lançou as bases do que se conhece pela modalidade competitiva atual da Ginástica Artística, tendo igualmente constituído a base para a estruturação da Ginástica Moderna, atual Ginástica Rítmica. VOCÊ SABIA A proibição do Turnen durou 22 anos (1820 a 1842) sendo chamada de “bloqueio ginástico”. Como consequência desse bloqueio, vários seguidores de Jahn partiram para o exílio, difundindo o Turnen por todo o mundo. Destaca-se entre eles Ernst Wilhelm Bernhard Eiselen (1792-1846), que teve atuação fundamental para salvar a Ginástica como método sistematizado durante essa época crítica. Em 1825, Eiselen abriu um salão de esgrima e em 1828 um salão para ginástica, ele também foi responsável por estimular a ginástica para moças. O crescente movimento ginástico na Europa promoveu a criação de várias federações nacionais, sendo a primeira delas a Sociedade Federal de Ginástica da Suíça, fundada em 1832, seguida pelas federações nacionais da Alemanha (1860), da Bélgica (1865), da Polônia (1867), da Holanda (1868) e da França (1876). Em 1881, foi fundada a Federação Europeia de Ginástica que, em 1921, transformou-se na Federação Internacional de Ginástica (FIG), órgão que rege a modalidade até hoje. RESUMINDO Em suma, o Método Alemão: Método Francês O Método Francês teve como base as ideias de Jahn e Guts-Muths, apresentando-se como instrumento de formação moral e patriótico. Contudo, tinha também preocupação com o desenvolvimento da sociedade em geral. Apesar de reconhecer o caráter utilitário da ginástica e a necessidade de uma base científica, buscava-se o desenvolvimento de forma mais geral, através de movimentos naturais que contribuíssem com o incremento da força física, destreza, agilidade e resistência. Os principais pensadores da escola francesa de ginástica foram Francisco de Amoros e Ondeaño (1770-1848), George Demeny (1850-1917) e, principalmente, George Hébert (1875-1957). Amoros apoiava-se nas ideias médicas vigentes, negando intervenções empíricas e defendendo uma ginástica de caráter unicamente utilitário. O médico francês Fernand Lagrange (1846-1909), por exemplo, declarava que a higiene nos exercícios não residia em esforço extenuante, mas, ao contrário, era trabalho contínuo e calculado. A prática dos exercícios, portanto, estaria atrelada à especificidade de seus objetivos. Por isso, os métodos ginásticos deveriam revestir-se de racionalidade. Nesse contexto, a Ginástica seria uma cultura que incorporaria exercícios higiênicos definidos de maneira racional e científica. Essa Ginástica Tinha como objetivo desenvolver um “espírito nacionalista” na população, buscando a defesa da pátria. Propunha exercícios analíticos com base científica. Revestia-se de caráter altamente higienista. Foi precursor da Ginástica Artística atual. científica compatível com os objetivos higienistas organizava-se principalmente dentro de instituiçõesmilitares, mas, aos poucos, sedimentaram uma forte tradição que se estenderia à Educação Física nas escolas. Imagem: Autor desconhecido / Wikimedia Commons / Domínio Público / Autor desconhecido: A presente imagem é regida pelos termos do art. 45, inciso II, da Lei nº 9.610/1998. Fica reservado ao autor eventual direito de se manifestar sobre a autoria. Francisco de Amoros e Ondeaño (1770-1848). Já no início do século XX, propôs-se a sistematização de um Método Francês de Ginástica, para ser implantado em todas as escolas do país. Para essa tarefa, foram convidados nomes importantes da ginástica francesa, como George Demeny e George Hébert. A característica principal do método era a incorporação de princípios de outros métodos ginásticos, em ecletismo que absorveria ideias do Método Sueco e Método Alemão. Destacavam-se, nesse contexto, a teoria ginástica de Demeny (economia das energias) e o método natural de Hébert. Por influência de Georges Demeny, o Método Francês ganha contornos de cientificidade. Demeny foi um biólogo e pedagogo, praticante assíduo de ginástica, que se destacou por realizar análises de movimentos valendo-se de uma câmera cronofotográfica. Além de ter fundado a Sociedade de Ginástica Racional, trabalhou na Station Physiologique e na Escola de Ginástica Joinville-Le-Pont. A principal contribuição de Demeny foi organizar um método que se baseava na economia de esforços. Imagem: Georges Demeny / Wikimedia Commons / Domínio Público Análise de movimento de esgrima. Os exercícios deveriam ser prescritos a partir de orientações para que evitassem a fadiga física e mental, controlando-se a duração das atividades, temperatura ambiente, vestimenta adequada etc. Em publicação direcionada aos instrutores de ginástica – Guide du Maitre: chargé de l’enseignement des exercices physiques dans les écoles –, Demeny enfatizava que os exercícios ginásticos, esportes e jogos ao ar livres poderiam tornar-se um perigo, caso não fossem cercados de cuidados com regras da higiene observadas antes, durante e após as aulas. Imagem: Atelier Nadar / Wikimedia Commons / Domínio Público George Demeny (1850-1917). O Método Francês viria a consolidar-se definitivamente a partir da contribuição de Georges Hébert, para as quais o trabalho de Demeny revela-se fundamental. Hébert foi oficial da marinha francesa e teve contato com populações coloniais nas Américas, especialmente, da Martinica francesa. Em uma de suas viagens, ao presenciar a erupção do vulcão Monte Pelée em 1902, convenceu-se que faltava à juventude francesa formação para fazer frente a situações de grande demanda física, como catástrofes naturais ou guerra. Em suas observações, anotava que, ao realizar suas atividades cotidianas na natureza, o homem “selvagem” manifestava com plenitude suas habilidades físicas, lacuna que se fazia evidente ao homem “citadino”. Com base em pensadores como Jean-Jacques Rousseau, particularmente, a noção de “homem selvagem” que também inspirara pensadores como Guts-Muths ou Jahn, Hébert ressaltava o contato com a natureza como forma de desenvolver a aptidão, a resistência e a utilidade das ações. Em 1905, sumarizou essas ideias no manual de instruções intitulado L’Éducation physique : Projet Manuel de Gymnastique, particularmente, inspirado nas obras de Georges Demeny. Imagem: Agence Rol / Wikimedia Commons / Domínio Público Georges Hébert. Seu método racional de ginástica, contudo, tomaria forma definitiva na obra Guide pratique d’éducation physique, com primeira edição publicada em 1909 e revisada em 1916. À semelhança de outros movimentos ginásticos, Hébert deixava claro suas preocupações com a formação moral da juventude, defendendo princípios como força, destreza, altruísmo, caráter e sangue frio. O Método Natural de Hébert era composto de exercícios em 10 grupos de atividades: caminhada, corrida, quadrupedismo, saltar, trepar, equilibrismo, lançar, levantar-se, defesa e natação. Explorava-se, ainda, as possibilidades de exercícios com ou sem o uso de aparelhos, além de exercícios respiratórios, jogos, esportes e trabalhos manuais. RESUMINDO Em suma, o Método Francês: Tem como principal vertente a ginástica natural, com movimentos mais sintéticos que analíticos. Foto: Jubé, 2020, p.6. Método Natural de Hébert: escalada em um pórtico (esquerda) e mergulho de grande altura (direita). Método Inglês Não se pode dizer que existe um Método Inglês de Ginástica. Na verdade, a Escola Inglesa baseia-se nos jogos e esportes, de maneira que se considera ter nascido o esporte moderno na Inglaterra (séc. XIX), institucionalizando-se com regras precisas e formas definidas. A GINÁSTICA ERA POUCO DIFUNDIDA E CONSIDERAVA-SE O ESPORTE COMO O GRANDE MEIO PARA PROMOVER A EDUCAÇÃO, POR MEIO DAS SUAS CARACTERÍSTICAS: ORGANIZAÇÃO, REGRAS, TÉCNICAS E PADRÕES DE CONDUTA (TUBINO, 1999). No desenvolvimento dessa concepção, teve papel relevante Thomas Arnold (1795-1842), educador e historiador que, influenciado pela teoria da evolução das espécies de Charles Contrapõe-se a estereótipos do treinamento militar e propõe atividades em contato com a natureza. Leva em conta princípios científicos com a análise dos movimentos, além de incorporar preceitos e princípios pedagógicos e morais. Darwin (1809-1882), emprestou ao esporte três características principais: é um jogo, é uma competição e é uma formação. Arnold acreditava que o corpo era um meio para a moralidade, definindo o esporte como uma forma para fomentar princípios morais através de atividades corporais, impondo padrões aceitáveis de conduta ao desejo de dominação que, inevitavelmente, manifestava-se durante os jogos desportivos. Imagem: Goodman / Wikimedia Commons / Domínio Público Thomas Arnold (1795-1842). Quando dirigia o Colégio Rugby entre 1828 e 1842, Thomas Arnold incorporou as atividades físicas praticadas pela burguesia e aristocracia inglesas ao processo educativo, deixando que os alunos dirigissem os jogos e criassem regras e códigos próprios. Com isso, estimulava atitudes cavalheirescas na disputa desportiva, respeitando as regras, os códigos, os adversários e os árbitros. O esporte, portanto, revestia-se de características educacionais e socializantes, como cooperação, perseverança, tomada de iniciativa e respeito às regras, consideradas desejáveis para a vida em sociedade. Tais regras foram, paulatinamente, difundidas para outros educandários e à formação educacional na Inglaterra de forma geral, bem como a outros desportos competitivos que tiveram origem naquele país: atletismo, futebol, rúgbi, tênis, boxe, natação ou patinação desportiva. RESUMINDO Assim, o Método Inglês: CONSEQUÊNCIAS DO MOVIMENTO GINÁSTICO EUROPEU As propostas do Movimento Ginástico Europeu introduziram modificações que se estenderam ao longo de todo o século XX. Contrapunham-se, por exemplo, em diversos países adeptos dos métodos ginásticos analítico ou sintético, o primeiro mais próximo do Método Sueco e o segundo das propostas de Hébert. Após o advento do Método Francês, o termo ginástica é banido dos textos oficiais e perde terreno diante de novas denominações (educação física e cultura física). Nasce a ginástica feminina, por volta de 1900, com rápido desenvolvimento demarcado pela criação da Fémina-Sport (1911) e União Francesa de Ginástica Feminina (1912). Dedica-se exclusivamente à elaboração de jogos e práticas atléticas. Promove a educação por meio do respeito às regras e aos padrões de conduta desejáveis na prática dos jogos desportivos. Deu ensejo às manifestações desportivas atuais. Imagem: Agence de presse Mondial Photo-Presse / Wikimedia Commons / Domínio Público Mulheres jogando basquete em Paris (1933). A partir de 1900, várias ramificações desses métodos ginásticos se desenvolveram. A ginástica funcional, parte da ginástica terapêutica, originou-se no trabalho de Ling e foi introduzida por Bess M. Mensendieck (1864-1957),como uma ajuda à emancipação da mulher. VOCÊ SABIA O ramo médico da ginástica funcional seguiu seu desenvolvimento dando origem à fisioterapia. A ginástica expressiva, com origem em François Delsarte (1811-1871), teve seu escopo expandido por Genevieve Stebbins (1857-1934) no sistema de ginástica harmônica, combinando a harmonia da dança com as sobrecargas dos aparelhos e dos movimentos ginásticos. Foto: Shutterstock.com Com base no trabalho de Delsarte, Rudolf Bode (1881-1970) e Heinrich Medau (1890-1974) desenvolvem concepções próprias de ginástica expressiva, com movimentos gerais desenvolvidos com alternância rítmica e ligados harmonicamente. As propostas de Bode fazem com que seja considerado o criador da Ginástica Moderna, posteriormente, denominada Ginástica Rítmica. Isadora Duncan (1877-1927) introduz formas artísticas de expressão corporal e motora a partir da dança, dando origem à dança moderna. Em termos pedagógicos, após resistência inicial, o conteúdo teórico e prático da ginástica passou a ser aceito nas instituições de formação de professores, tendo sido absorvido pelo movimento ginástico alemão e ampliando consideravelmente a participação da mulher nos clubes de ginástica. A ginástica voluntária (nascida na Suécia), destinada a lutar contra os malefícios da vida sedentária e urbana, se consolida, inspirando movimentos subsequentes como a Ginástica Geral ou Ginástica para Todos. Guts-Muths e Jahn trabalhavam por uma ginástica das massas, não inserida no contexto escolar. Desse movimento originou-se a Educação Rítmica pregada por Jacques-Dalcroze, incorporada posteriormente por Delsarte, Bode ou Medau na estruturação do que tornou conhecido como Ginástica Moderna, atual Ginástica Rítmica. Esse movimento integrava dança, ritmo e exercícios sistematizados com alguns aparelhos, na criação de sequências gímnicas. O Método Natural Austríaco foi muito influenciado pelas ideias de Guts-Muths, tendo como precursores os educadores Karl Gaulhofer (1885-1941) e Margarete Streicher (1891-1985). Nos anos 1920, após o desmembramento do Império Austro-Húngaro provocado pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), iniciou-se reforma com vistas a regenerar física e moralmente a juventude por meio dos exercícios físicos. À semelhança do Método Alemão, o Método Austríaco propunha exercícios com fins higiênicos, mas evita a predominância de exercícios vigorosos e, por vezes, violentos. Ao combinar noções advindas das ciências médicas e pedagógicas, propunha atividades que fossem atrativas para as crianças, de forma a incentivar uma consciência higiênica e o desejo de manter hábitos de cuidado com o corpo e a saúde com atividades formativas e acrobacias (elementos gímnicos), jogos agonísticos coletivos, exercícios de compensação e postura (influência sueca) e exercícios estéticos (tradição do Turnen). Em suma, o Método Austríaco baseia-se em premissas simples e objetivas, valorizando condutas próximas à natureza, valendo-se de exercícios utilitários com abordagem lúdica. O MOVIMENTO DA GINÁSTICA PARA TODOS (GINÁSTICA GERAL) Com o passar do tempo, a sistematização gradativa das expressões corporais levou a uma estilização progressiva desses movimentos, com perspectivas de uniformização das diversas manifestações. Essas variações levaram à diferenciação das modalidades ginásticas, que se organizaram em sistemas próprios e internacionalizaram com a criação da Federação Internacional de Ginástica. No entanto, reconhece-se que a Ginástica para Todos constitui a base para as outras modalidades, combinando e reinventando-as de forma não competitiva. Na origem da Ginástica para Todos (antiga Ginástica Geral), destacam-se os Deutsche Turnfests (Festivais Alemães de Ginástica), eventos que marcaram o início da difusão da Ginástica na Europa. Imagem: Bundesarchiv, Bild 102-06313/ Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0 Deutsche Turnfests em 1928. No entanto, o desenvolvimento do movimento de Ginástica para Todos, relaciona-se estreitamente como a trajetória da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Após a estruturação das Escolas Sueca e Alemã de ginástica, a partir dos trabalhos de Pehr Henrik Ling e Friedrich Ludwig Jahn, surgiram associações nacionais para o controle dos treinamentos e competições. Inspirado nesse crescimento, o belga Nicolas Cupérus idealizou e fundou a Federação Europeia de Ginástica (FEG), em 23 de julho de 1881, atual FIG, que unia todas estas novas associações. A FIG é a mais antiga dentre todas as associações esportivas internacionais, assumindo a atual denominação após a filiação dos EUA, em 1921. Enquanto esteve à frente da FIG, Cupérus demonstrava mais interesse pelos festivais de ginástica do que pelas competições. De fato, assumia que sua ideia de união e fraternidade entre os povos não incluía a competição, assim, o então vice-presidente da FIG, o holandês J. J. F. Sommer, idealizou a Gymnaestrada como um evento calcado nesses princípios, expandindo a prática dos diferentes métodos ginásticos. Nicolas Cupérus não chegaria a ver a proposta colocada em prática, pois faleceu em 1928 após 43 anos no exercício do cargo. Apenas em 1949, quando da realização da II Lingíada na Suécia, deu-se um passo definitivo para a realização do evento concebido por Sommer, com a discussão de uma proposta concreta de realização da Gymnaestrada (atualmente, “World Gymnaestrada”). Em 1953, teve lugar o I Festival Internacional de Ginástica (Roterdã, Holanda), popularizando-se definitivamente a denominação “Gymnaestrada”. Devido ao sucesso do festival, representantes de vários países começaram a pressionar a FIG no sentido de que se olhasse com mais dedicação para a prática da ginástica fora do âmbito competitivo. Assim, em 1979, formou-se uma Comissão de Trabalho de Ginástica Geral e, em 1984, oficializou-se o que foi então denominado Comitê Técnico de Ginástica Geral da FIG. O atual Comitê de Ginástica para Todos tem a finalidade de organizar eventos não competitivos de ginástica e fomentar a prática de Ginástica para Todos em todos os continentes. Isso é realizado especialmente pela organização quadrienal da Gymnaestrada Mundial, o evento oficial mais tradicional da FIG, reunindo cerca de 50 nações e mais de 25.000 ginastas. O evento reúne apresentações de “ginástica de demonstração”, cujo principal objetivo reside na interação social e compartilhamento do aprendizado e evolução gímnica. As apresentações têm foco na ginástica e no lazer, incluindo atividades com e sem aparelhos, danças e jogos desenvolvidos com base em movimentos ginásticos. Foto: Kelorer / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 Apresentação de grande grupo na Gymnaestrada. A ludicidade e a expressão criativa são pontos fundamentais da Ginástica para Todos. Não há regras rígidas preestabelecidas, favorecendo ampla participação e criatividade. Essa é a principal diferença das modalidades competitivas, que se caracterizam por seletividade, regras rígidas, especialização, comparação formal e classificação por pontos, visando sobretudo a superação dos adversários. No Brasil, existem vários grupos de Ginástica para Todos que se apresentam regularmente nas Gymnaestradas, apesar de sua prática ser pouco difundida. Em suma, a Ginástica para Todos diferencia-se das manifestações de ginástica competitiva pelas seguintes características: Desse modo, a Confederação Brasileira de Ginástica define como principais objetivos da Ginástica para Todos os seguintes tópicos (FERNANDES & EHRENBERG, 2012): OS MÉTODOS SUECO, ALEMÃO, FRANCÊS E INGLÊS. Estímulo à criatividade e à diversidade cultural (músicas, temas, movimentos etc.). Número indefinido de participantes. Liberdade de vestuário e materiais (convencionais ou não). Favorecimento da inclusão e prazer da prática. Não há competição entre os grupos. Oportunizar a participação do maior número de pessoas em lazer ativo com base nas atividades gímnicas. Integrar várias possibilidades demanifestações corporais às atividades gímnicas. Oferecer possibilidades de autossuperação individual e coletiva, sem a interferência de parâmetros comparativos com os outros. Oportunizar o intercâmbio sociocultural entre os participantes. Manter e desenvolver o bem-estar dos praticantes. Valorizar o trabalho coletivo, bem como a contribuição individual ao seu sucesso. A mestre Patrícia Arruda de Albuquerque Farinatti fala sobre o processo de desenvolvimento e as características individuais dos métodos ginásticos. VEM QUE EU TE EXPLICO! O Movimento Ginástico Europeu O Movimento Ginástico Europeu O Movimento da Ginástica para Todos (Ginástica Geral) O Movimento da Ginástica para Todos (Ginástica Geral) Principais objetivos da Ginástica para Todos Principais objetivos da Ginástica para Todos VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O MOVIMENTO GINÁSTICO EUROPEU NASCEU DE UM AMBIENTE EM QUE PREDOMINAVAM: A) Nacionalismo, militarismo e higienismo. B) Esteticismo, salutarismo e moralismo. C) Fascismo, nacionalismo e comunismo. D) Arrivismo, socialismo e pedagogicismo. E) Naturalismo, darwinismo e militarismo. 2. SÃO CARACTERÍSTICAS DA GINÁSTICA PARA TODOS: A) Atividades ao ar livre, com tônica fortemente comparativa entre os praticantes. B) Críticas à ginástica competitiva, por violar os preceitos da fraternidade entre os povos. C) Pequenos incrementos no tempo livre ocupado com atividades físicas que já acarretam impacto favorável nas taxas de morbimortalidade populacional. D) A contraposição entre as Lingíadas suecas e as Gymnaestradas gregas. E) Estímulo à criatividade e à diversidade cultural com uma abordagem eminentemente inclusiva. GABARITO 1. O Movimento Ginástico Europeu nasceu de um ambiente em que predominavam: A alternativa "A " está correta. O Movimento Ginástico Europeu decorreu da necessidade de uma população saudável para o trabalho e para a força militar. Em todo o continente europeu, os métodos de ginástica foram elaborados a partir das ideias sanitaristas vigentes na época. De certa forma, isso contribuiu para a difusão de preceitos higienistas, nacionalistas, pedagógicos e morais por meio da prática da Ginástica. 2. São características da Ginástica para Todos: A alternativa "E " está correta. A Ginástica para Todos fomenta a participação de maior número de pessoas em lazer ativo com base em movimentos ginásticos, sem parâmetros competitivos e oportunizando intercâmbio sociocultural entre os participantes. MÓDULO 2 Reconhecer o processo de desenvolvimento da Ginástica Artística e da Ginástica para Todos no Brasil GINÁSTICA ARTÍSTICA Descrevemos o processo de desenvolvimento da ginástica na Alemanha, esclarecendo que, por motivos políticos, sua prática foi proibida em toda a região depois das guerras napoleônicas, período que ficou conhecido como Bloqueio Ginástico (1820-1842). Essa medida forçou muitos jovens a deixarem o país, ajudando a expandir a modalidade no mundo inteiro. A Ginástica Artística teve início no Brasil com a colonização alemã na região Sul em 1824, instalando-se na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, difundindo-se a seguir pelos estados de SC, PR, SP, RJ e ES. A partir daí, a modalidade passou a ser sistematizada no país, seguindo os preceitos do Turnen. Desse modo, o Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado a iniciar oficialmente a prática da Ginástica Artística no Brasil. Durante muitos anos, a ginástica foi praticada apenas por alemães e seus descendentes. Em 1895, foi fundada a Liga de Ginástica do Rio Grande do Sul, primeira entidade desportiva com âmbito estadual instituída no Brasil. O primeiro torneio foi realizado em 1896, com domínio dos colonos alemães (15 das 24 medalhas). A predominância de praticantes alemães, aliás, é uma das razões que dificultam estabelecer um histórico preciso do desenvolvimento da modalidade nesse período inicial. A documentação existente foi escrita em alemão, com atas manuscritas e frequentemente usando caracteres góticos. Além disso, boa parte dessa documentação foi destruída por ocasião dos lamentáveis acontecimentos de agosto de 1942, quando o Brasil aderiu ao lado dos aliados na Segunda Guerra Mundial, ensejando manifestações de preconceito e de violência contra imigrantes alemães, italianos e japoneses. De maneira similar ao ocorrido na Europa, no Brasil, foram criadas diversas associações e federações regionais de Ginástica. Em 1942, a Federação Atlética Riograndense criou seu Departamento de Ginástica, que, 20 anos depois, deu origem à Federação Riograndense de Ginástica. Nesse mesmo ano, foi realizado o 1º Campeonato Estadual de Ginástica oficial naquele estado. Competições oficiais passaram a ser organizadas também em São Paulo, Rio de Janeiro e outras Unidades da Federação. Em 1948, fundou-se a Federação Paulista de Ginástica e Halterofilismo, que, em 1956, desmembrou-se em entidades específicas, dando origem à Federação Paulista de Ginástica. Em 1950, foi fundada no Rio de Janeiro a Federação Metropolitana de Ginástica, embrião da atual Federação de Ginástica do Estado do Rio de Janeiro. Em 1951, essas federações filiaram-se à Confederação Brasileira de Desportos e à FIG, completando-se o processo de institucionalização nacional e internacional da Ginástica brasileira. Nesse mesmo ano, na cidade de São Paulo, organizou-se o I Campeonato Brasileiro de Ginástica, com a participação das seleções de Ginástica Artística (então denominada Ginástica Olímpica) masculina dos estados de RS, SP e RJ. A primeira participação feminina ocorreu em 1952, no II Campeonato Brasileiro em Porto Alegre (RS). Também em 1951, deu-se a primeira participação internacional do Brasil em competições, nos Jogos Desportivos Pan-Americanos de Buenos Aires, Argentina. Em 1954, a Ginástica Artística brasileira participou do Campeonato Mundial em Roma e, em 1978, disputou pela primeira vez com equipe completa feminina o Campeonato Mundial da França. Com o desmembramento da Confederação Brasileira de Desportos em confederações especializadas por desporto, criou-se em 1978 a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que passou a ser a entidade representante do Brasil junto à FIG. Em 1980, nos Jogos Olímpicos de Moscou, o Brasil foi pela primeira vez representado pelos ginastas João Luiz Ribeiro e Claudia Magalhães. Daí para frente, o país passou a participar sistematicamente dos campeonatos oficiais promovidos pela FIG. A história da Ginástica Artística no Brasil pode ser dividida em três períodos (PÚBLIO, 2006): HEROICO ESTRUTURAÇÃO AFIRMAÇÃO O período heroico compreenderia a chegada dos imigrantes alemães em 1824, com o início da disseminação da modalidade no país, até 1950, quando se propôs a realização da primeira competição em nível nacional. Alguns fatos foram marcantes nesse período, vejamos: Em 1851, foi fundada a Deutsche Turnverein zu Joinville, hoje, Sociedade Ginástica de Joinville (SC), reconhecida como a mais antiga Sociedade de Ginástica da América do Sul. Em 1867, foi fundada a Deutscher Turnverein em Porto Alegre (RS), hoje, Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA), primeira sociedade de ginástica criada no estado considerado o berço da Ginástica Artística brasileira. Em 1895, foi fundada a Liga de Ginástica do Rio Grande do Sul, primeira entidade desportiva com âmbito estadual, que proveu modelo para a criação de entidades esportivas semelhantes em outras Unidades de Federação. Em 1896, foi realizado o 1º Torneio de Ginástica no Brasil, na cidade de Hamburgo Velho (RS). Em 1910, foi realizado no Rio de Janeiro o campeonato de Ginástica Artística entre os Clubes Ginástico Paulista de São Paulo e Ginástico Desportivo do Rio de Janeiro, repetido ao longo de 25 anos e servindo de base para outros campeonatos entre clubes. Em 1950, foi realizado em São Paulo um torneio nacional reunindo equipes da SOGIPA (RS), Clubes Ginástico Paulista de São Paulo e Ginástico Desportivodo Rio de Janeiro, quando se propôs a organização de campeonatos nacionais periódicos. A partir desse momento, Públio (2006) considera ter início o período de estruturação, entre 1951 e 1978, marcado pela institucionalização na Ginástica Artística no Brasil, com filiação à FIG e criação da Confederação Brasileira de Ginástica. Enfim, no período da afirmação, de 1979 até os dias hoje, os ginastas brasileiros começam a ter reconhecimento internacional, com participação regular nos principais eventos mundiais. Além disso, resultados expressivos começam a ser obtidos nos principais campeonatos da FIG, a partir do final dos anos 1990. Foto: BW Press / Shutterstock.com javascript:void(0) Nos últimos anos, a Ginástica Artística brasileira atingiu um nível técnico que a credencia a disputar competições em igualdade de condições com países em que a modalidade é mais tradicional, com destaque às participações em campeonatos mundiais, Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos. O desafio, contudo, continua na maior disseminação da prática da atividade, de maneira que haja renovação de valores que possam manter o desempenho de alto nível que suas equipes alcançaram. GINÁSTICA PARA TODOS (ANTIGA GINÁSTICA GERAL) A exemplo de outros países, a prática da Ginástica no Brasil incorporou, ao longo dos anos, aspectos dos Métodos Sueco, Alemão e Francês. Essas influências atenderam às exigências dos treinamentos militares, mas aos poucos se espraiaram ao esforço nacional de formação das crianças e jovens, sendo então inseridos no currículo nacional de ensino. VOCÊ SABIA Em 1838, introduzia-se pela primeira vez a prática da Ginástica em um educandário público, o atual Colégio Pedro II do Rio de Janeiro (antigo Ginásio Nacional). Alguns anos mais tarde, em 1851, essa modalidade era incluída por lei nos currículos das escolas primárias do Rio de Janeiro. Em 1870, o Governo Imperial manda imprimir e distribuir nas escolas o Novo Guia para o Ensino da Ginástica nas Escolas Públicas da Prússia. Em nível nacional, essa tendência se consolida em 1882, quando Ruy Barbosa emite o Parecer sobre a Reforma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da Instrução Pública, sugerindo a inclusão da Ginástica nos cursos normais e escolas primárias do Brasil. Foto: Shutterstock.com A partir desse estágio até os anos 1930, a Ginástica, principalmente, influenciada pelo Método Alemão, prevaleceu como atividade na Educação Física Escolar. A partir de 1930, oficializou-se o Método Francês no sistema escolar brasileiro, adotando-se o Método Natural de Hébert como referência. Fora do âmbito educacional, destaca-se a adoção, em 1893, da Ginástica Calistênica como atividade formal pela Associação Cristã de Moços (ACM), que também implantaria no Brasil atividades desportivas como o voleibol ou basquetebol. A prática da Ginástica, então, começava a influenciar toda a sociedade. Um reflexo desse período foi a criação pelo professor Oswaldo Diniz Magalhães de uma metodologia própria de ginástica, divulgada por mais de 40 anos no programa de rádio A Hora da Ginástica. O programa tinha repercussão nacional e foi decisivo na popularização da modalidade no país. A Ginástica prevaleceu como base dos programas de Educação Física Escolar até os anos 1950. No campo da Ginástica Geral, pode-se pensar que sua origem no país se associa com eventos e festivais que reuniam grande número de ginastas, fossem eles militares ou estudantes, que se apresentavam em locais públicos. A beleza dos espetáculos baseados em coreografias sincronizadas agradou aos assistentes, popularizando a modalidade na primeira metade do século XX. Em 1953, chega ao Brasil a professora Ilona Peuker, logo após a realização da “1ª Gymnaestrada”. Para Santos (2006), a chegada da professora Peuker é considerada um dos marcos mais importantes para a evolução da Ginástica Geral no Brasil. Com sua radicação no país, a modalidade começa a assumir contornos definitivos, com referenciais diversos daqueles até então vigentes. Especializada em Ginástica Moderna, Ilona Peuker era formada em Dança e Ginástica Rítmica-Artística na Escola de Valerie Dienes na Hungria (1936), tendo angariado grande experiência no ambiente da Ginástica na Europa, inclusive dirigido a União Austríaca de Ginástica e Esportes. Ao ministrar vários cursos pelo país, contribuiu decisivamente para difundir a modalidade. Ilona Peuker percebeu o enorme potencial da cultura brasileira para desenvolver um trabalho voltado para a Ginástica Geral com base nos preceitos da Ginástica Moderna, até então somente feminina. O início de suas atividades como professora e técnica se deu entre os anos de 1953 e 1955, quando ministrou aulas extracurriculares na Faculdade de Educação Física e Desportos da então Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), convidada pelo diretor da Faculdade, professor Alberto Latorre de Faria. Dentre as alunas que frequentaram suas aulas, selecionou e convidou algumas para treinamento no Instituto Bennett. Assim, fundou em 1956, no Rio de Janeiro, o Grupo Unido de Ginastas (GUG), adaptando em seu trabalho os conceitos da Ginástica Moderna à realidade e cultura locais, lançando as bases do desenvolvimento da Ginástica Geral no Brasil. Foto: FORTEPAN / Romák Éva / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 2ª Gymnaestrad - Zagreb, Iugoslávia. Em 1957, 13 ginastas do Grupo Unido de Ginastas (GUG) representaram o país pela primeira vez na “2ª Gymnaestrada” (Zagreb, Iugoslávia). A criatividade das formas elaboradas por Ilona Peuker atraiu a atenção, valendo ao seu grupo convites para vários eventos internacionais. Em 1975, na “6ª Gymnaestrada” (Berlim, Alemanha), o Brasil fez-se representar por quatro grupos diferentes, totalizando 65 ginastas. Pela primeira vez, um deles não era do Rio de Janeiro, fugindo da influência da Ginástica Moderna – um Grupo Folclórico da Paraíba buscava outras expressões, como a dança folclórica. Em âmbito nacional, o primeiro evento formal de Ginástica Geral ocorreu em 1960 com o I Festival Nacional de Ginástica, organizado pela Federação Paulista de Ginástica até 1966, com a participação dos principais grupos do país. O SUCESSO DO TRABALHO DE ILONA PEUKER FOMENTOU O SURGIMENTO DE NOVOS GRUPOS, MUITOS ORIENTADOS PELAS DISCÍPULAS FORMADAS NO GUG, COM CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS E INOVADORAS. EM CONSEQUÊNCIA, NOVOS FESTIVAIS FORAM SENDO ORGANIZADOS, ESTIMULANDO O DESENVOLVIMENTO DA GINÁSTICA GERAL NO PAÍS. A quantidade cada vez maior de apresentações (em escolas, clubes etc.) fez com que os interessados na modalidade organizassem, em 1981, o “1º FEGIN na Escola Técnica Federal de Ouro Preto (MG), evento em que se selecionavam, pela primeira vez, os grupos que representariam o país em uma Gymnaestrada. Esse evento tornou-se referencial para os futuros festivais da modalidade no país. Em 1984, criou-se o Comitê Técnico de Ginástica Geral da FIG, assim, iniciou-se um processo mais intenso de divulgação da Ginástica Geral nas diversas federações internacionais filiadas à FIG, inclusive na CBG. A Ginástica Geral foi introduzida oficialmente na CBG em 1986, recebendo grande impulso a partir de 1991, refletido na expressiva participação nas Gymnaestradas Mundiais subsequentes. Em 1988, organizou-se o 1º Curso Internacional de Ginástica Geral no Brasil, evento promovido e ministrado pela FIG em Rio Claro, São Paulo. Em 1992, o Comitê Técnico da modalidade na CBG propôs a criação da Gymnaestrada brasileira, fato que se concretizou com a realização da primeira edição deste evento em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, com a denominação de Gymbrasil. O evento consolidou-se e é realizado anualmente. Em 1991, na Gymnaestrada de Amsterdã, Holanda, o perfil da participação brasileira em Gymnaestradas mundiais teve modificações relevantes, decorrentes do investimento na difusão da modalidade no país. Com 114 integrantes distribuídos em nove grupos, cinco de São Paulo, doisdo Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e um de Pernambuco, oriundos de colégios, clubes e universidades, as apresentações fundamentaram-se em diversas manifestações gímnicas, como tumbling, Ginástica Rítmica, Ginástica Aeróbica e Ginástica Acrobática, além de outras formas de práticas corporais como a dança. Nesse evento, a delegação brasileira participou pela primeira vez de uma “Noite Nacional”, na “Noite Luso- brasileira”, e o Grupo Ginástico Unicamp, Campinas, São Paulo, foi convidado a participar das apresentações do “FIG Gala”. A MAIOR DELEGAÇÃO BRASILEIRA ENVIADA A UMA GYMNAESTRADA OCORREU EM 1995, EM BERLIM, ALEMANHA (SANTOS, 2006). Foram 23 grupos com um total de 662 integrantes; dez de São Paulo, quatro do Rio de Janeiro, quatro de Sergipe, três de Minas Gerais, um do Mato Grosso e um de Pernambuco. Os elementos gímnicos incluíram fundamentos da Ginástica Rítmica, Ginástica Acrobática, Ginástica Aeróbica, trampolim e dança. Além do Grupo Ginástico Unicamp, outros grupos – Colégio Juvenal de Campos, Nova Friburgo Country Clube, Clube Campineiro de Regatas e Natação e Sociedade Hípica de Campinas – foram convidados a participar do “FIG Gala” numa única coreografia. Também foi nesta 10ª Gymnaestrada que teve lugar a primeira Noite Brasileira e a primeira participação do Brasil no “FIG Fórum”. ATENÇÃO Hoje, denominada Ginástica Para Todos, a Ginástica Geral consiste na modalidade que talvez reúna o maior número de praticantes no país, com grupos cujos trabalhos têm qualidade internacional, sendo ainda a modalidade que tem a maior representatividade internacional em número de ginastas envolvidos. Por exemplo, na 16ª World Gymnaestrada, última edição do evento em 2019 (Dornbirn, Áustria), o Brasil fez-se presente com uma delegação de 603 integrantes, representando oito estados (CBG, 2019). Houve representação em praticamente todas as esferas do evento: momento científico, apresentações pelas cidades, apresentações nos Halls oficiais, Noite da União Pan-Americana e workshops. Foi a segunda maior delegação da América e a 10ª no geral. As apresentações foram variadas na temática e forma, incluindo coreografias com base na ginástica rítmica, acrobática, aeróbica, trampolim e dança. Foram 24 grupos representando os estados do Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo. A GINÁSTICA NO BRASIL E O MOVIMENTO GINÁSTICA PARA TODOS A mestre Patrícia Arruda de Albuquerque Farinatti fala sobre o movimento Ginástica para Todos e a evolução da ginástica no Brasil. VEM QUE EU TE EXPLICO! Ginástica Artística Ginástica Artística Período heroico, de estruturação e afirmação Período heroico, de estruturação e afirmação Ginástica na escola Ginástica na escola VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. ENCONTRA-SE NA ORIGEM DA PRÁTICA DA GINÁSTICA ARTÍSTICA NO BRASIL: A) A chegada de grupos ciganos, com forte tradição circense/acrobática, no começo do séc. XX. B) A migração alemã durante o bloqueio ginástico entre os anos 1820 e 1840. C) A migração italiana, durante a Primeira Guerra Mundial, particularmente na região Sul do país. D) A migração de praticantes russos, fugindo do movimento Bolchevique de 1917. E) O desejo do Governo Imperial em introduzir novos métodos de treinamento nos quartéis. 2. EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DA GINÁSTICA PARA TODOS NO BRASIL, ASSINALE A OPÇÃO CORRETA: A) Deu-se de forma independente do movimento da Ginástica Geral no seio da FIG. B) Foi influenciado pelos princípios da Ginástica Moderna, difundidos no país por Ilona Peuker. C) Teve como base a Ginástica Geral argentina, implantada no país por Enrique Rapesta. D) Iniciou-se a partir de grupos folclóricos nordestinos, que associaram o Método Sueco à dança. E) Trata-se da modalidade da Ginástica com os melhores resultados competitivos internacionais, em virtude do grande número de praticantes. GABARITO 1. Encontra-se na origem da prática da Ginástica Artística no Brasil: A alternativa "B " está correta. A Ginástica Artística teve início no Brasil com a colonização alemã na região Sul em 1824, primeiramente, no RS e, depois, difundindo-se para: SC, PR, SP, RJ e ES. Pode-se afirmar que o RS foi o primeiro estado a iniciar oficialmente a prática da Ginástica Artística no país. 2. Em relação ao desenvolvimento da Ginástica para Todos no Brasil, assinale a opção correta: A alternativa "B " está correta. Ilona Peuker percebeu o potencial da cultura brasileira para desenvolver um trabalho voltado para a Ginástica Geral com base nos preceitos da Ginástica Moderna. Fundou o Grupo Unido de Ginastas (GUG), adaptando em seu trabalho os conceitos da Ginástica Moderna à realidade e cultura locais, lançando as bases do desenvolvimento da Ginástica para Todos no Brasil. MÓDULO 3 Reconhecer a estrutura organizacional e as modalidades contemporâneas da ginástica ENTIDADES REPRESENTATIVAS DA GINÁSTICA – FIG E CBG O crescente movimento ginástico na Europa promoveu a criação de várias federações nacionais, sendo a primeira delas a Sociedade Federal de Ginástica, da Suíça, fundada em 1832, seguida pelas federações nacionais da Alemanha (1860), da Bélgica (1865), da Polônia (1867), da Holanda (1868) e da França (1873). Na Bélgica, em 1881 teve lugar o Festival Federal de Ginástica, com participação de todas as federações existentes, fundando-se o Comitê Permanente das Federações Europeias de Ginástica, embrião da Federação Europeia de Ginástica (FEG), encabeçada por Nicolas Cupérus e com participação da Bélgica, França e Holanda. 1896 A ginástica entrou no cronograma dos primeiros Jogos Olímpicos da nova era. 1903 Sete anos mais tarde, por incentivo da Federação Francesa de Ginástica, a FEG organizou seu primeiro Campeonato Mundial, de prática exclusivamente masculina. Foi graças a essa iniciativa que a primeira modalidade, a Ginástica Artística, tornou-se competitiva, surgida em torneios internacionais. 1928 As mulheres tiveram suas primeiras participações olímpicas. 1934 As mulheres tiveram as primeiras disputas em Campeonatos Mundiais. Em 1921, a FEG tornou-se a Federação Internacional de Ginástica, quando os primeiros 16 países não europeus foram admitidos na entidade, sendo os EUA o primeiro país a integrar a nova Federação. A FEG é considerada a organização internacional mais antiga responsável pela estruturação da ginástica. VOCÊ SABIA Nicolas Cupérus continuou na presidência da FIG até 1924, consolidando-a como entidade representativa da ginástica e suas modalidades em âmbito mundial – a FIG é reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional como a maior autoridade internacional sobre a Ginástica. A FIG regulamenta e supervisiona as atividades de oito modalidades de Ginástica: Ginástica para Todos, Ginástica Artística Feminina, Ginástica Artística Masculina, Ginástica Rítmica, Trampolim (incluindo minitrampolim duplo e tumbling), Ginástica Aeróbica, Ginástica Acrobática e Parkour. Conta com 148 federações nacionais e continentais afiliadas, com sede em Lausanne, Suíça. Aceita-se apenas uma federação por país, que deve ser também reconhecida por sua autoridade nacional máxima; no Brasil, o Comitê Olímpico Brasileiro. COMO FILIADAS DIRETAS E RESPONSÁVEIS PELAS FEDERAÇÕES NACIONAIS, ESTÃO A UNIÃO EUROPEIA, A UNIÃO PAN-AMERICANA, A UNIÃO ASIÁTICA E A UNIÃO AFRICANA DE GINÁSTICA. A FIG tem como principal atribuição a organização e a realização dos Campeonatos Mundiais de Ginástica e da Copa do Mundo de Ginástica Artística, assim como regulamentar as competições oficiais e a Gymnaestrada, estabelecendo normas e compondo os calendários dos eventos internacionais, sejam eles competitivos ou não. A FIG tem estrutura hierárquica e não autônoma, ou seja, seus segmentos trabalham em conjunto. Administrativamente, é regida por um Congresso, um Conselho, um Comitê Executivo e uma Comissão Presidencial. Tais autoridades estão submetidas diretamente ao comando do presidenteda entidade. Existem ainda sete comitês técnicos, que administram suas respectivas modalidades, e o Secretário Geral, eleito pelo Comitê Executivo. Foto: Shutterstock.com No Brasil, a Ginástica organizou-se da seguinte forma: Com a chegada dos imigrantes alemães durante o Bloqueio Ginástico. Formação de associações e federações locais e criação de torneios e campeonatos por elas organizados. Criação de federações em estados de maior repercussão, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Filiação dessas federações à Confederação Brasileira de Desportos (CBD), em 1951, entidade máxima do desporto nacional à época. Filiação da CBD à FIG. Com a extinção da CBD, no final da década de 1970, foi criada a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), representando a ginástica brasileira junto à FIG. A CBG integra as mesmas modalidades ginásticas regidas pela FIG. Atualmente, tem sede em Aracajú, Sergipe. As Federações Estaduais filiadas são 24, localizadas em 23 Unidades da Federação e Distrito Federal. A CBG é responsável pela organização de todas as competições oficiais em território brasileiro, oferecendo suporte a atletas, técnicos e árbitros em competições internacionais. Tem ainda a atribuição de distribuir às Federações Estaduais e fazer aplicar os códigos de pontuação de cada modalidade. Sua estrutura conta com as seguintes unidades administrativas: PRESIDÊNCIA E VICE-PRESIDÊNCIA DIRETORIA CONSELHO FISCAL COMITÊS TÉCNICOS ESPECÍFICOS A entidade também convoca e organiza as seleções de acordo com a modalidade competitiva e com os regulamentos internacionais. As seleções permanentes são: GINÁSTICA ARTÍSTICA Masculina e feminina (11 atletas cada). GINÁSTICA RÍTMICA Seleção individual (7 atletas) e conjunto (6 atletas). TRAMPOLIM ACROBÁTICO Masculina e feminina (3 atletas cada). AS MODALIDADES DA GINÁSTICA As disciplinas competitivas supervisionadas pela FIG vêm aumentando ao longo do tempo, adaptando-se às demandas do desporto. Atualmente, elas compreendem oito modalidades, considerando a ginástica artística feminina e masculina enquanto modalidades distintas, como descritas a seguir. GINÁSTICA PARA TODOS Conforme já discutido, as origens e o desenvolvimento da Ginástica para Todos são estreitamente ligados à história da própria FIG. É a única forma não competitiva de Ginástica inserida na entidade que organiza festivais periódicos da modalidade – a cada quatro anos, as Gymnaestradas Mundiais (World Gymnaestradas). Em termos históricos e culturais, a Ginástica para Todos encontra-se na raiz de todas as atividades da FIG, tendo consistido na modalidade preferida de seu primeiro presidente, o belga Nicolas Cupérus. Logo, compreende-se que sua prática seja um ponto de junção de todas as demais modalidades, bem como de outras possibilidades de expressão corporal, resultando em sequências ricas e criativas, por vezes, envolvendo dezenas de praticantes. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) As propostas são livres, apesar de sempre baseadas em elementos gímnicos, dando margem à expressão de aspectos multiculturais. Gymnaestrada 2011, performance. O ASPECTO MAIS IMPORTANTE DA GINÁSTICA PARA TODOS É A REALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS GÍMNICOS COM PRAZER E ORIGINALIDADE. SAIBA MAIS No Brasil, acontecem festivais periódicos de Ginástica para Todos, denominados GymBrasil. Atualmente, sua frequência é bienal. GINÁSTICA ARTÍSTICA (FEMININA E MASCULINA) A Ginástica Artística foi a primeira ramificação competitiva da modalidade. Originou-se de uma combinação de exercícios sistemáticos, criados para diferenciar suas técnicas daquelas dos movimentos artísticos (como dança ou expressão corporal) e das práticas militares, mais centradas na força. VOCÊ SABIA A Ginástica Artística foi a primeira modalidade inserida nos Jogos Olímpicos Modernos, logo em sua primeira edição em 1896 – por essa razão, foi conhecida por muitos anos como Ginástica Olímpica. A Ginástica Artística é dividida em vertentes feminina e masculina, que competem separadamente com exercícios e códigos de pontuação específicos. Nas competições, a pontuação total é obtida a partir de: Notas de partida Determinadas pelo grau de dificuldade a que o atleta se propõe. & Execução Determinadas pela qualidade técnica da realização dos movimentos propostos. Em geral, nas fases classificatórias das competições internacionais, os primeiros 24 colocados avançam para as finais “individuais gerais”, enquanto as oito primeiras nações avançam para a final por equipes (coletiva), e os oito mais bem colocados em cada prova avançam para as finais “individuais por aparelho”. Foto: Shutterstock.com Na modalidade feminina, a ordem olímpica inclui quatro provas em aparelhos diferentes, em geral, sob a forma de circuito: salto, barras assimétricas, trave de equilíbrio e solo. Foto: Shutterstock.com Na modalidade masculina, as provas são cumpridas na seguinte ordem: solo, cavalo com alças, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa. javascript:void(0) javascript:void(0) GINÁSTICA RÍTMICA As origens da Ginástica Rítmica advêm dos preceitos da Ginástica Moderna, desenvolvida na primeira metade do século XX sob influência dos movimentos ginásticos que tiveram lugar na Europa Central ao longo do século XIX, sobretudo o Método Alemão. Abraçava-se a sistematização proposta por Guts-Muths e Jahn, mas criticava- se o excessivo rigor das sessões de treinamento, especialmente na ginástica feminina. SAIBA MAIS A partir de influências da Pedagogia e da Psicologia, passou-se a incluir nas rotinas elementos de música, expressão artística e dança, perseguindo-se uma combinação de educação corporal e musical. A disseminação da prática da Ginástica Moderna deu-se em especial na antiga União Soviética (URSS), onde passara a ser ensinada como manifestação da Ginástica Artística, mas com um sistema organizado usando aparelhos e competições próprios. Aliás, a herança de musicalidade na Ginástica Artística feminina data desse período. Em 1948, a URSS organizou a primeira competição da modalidade, levando naturalmente à fundação de uma Liga Internacional de Ginástica Moderna, em 1951, assumindo como primeiro presidente Henrich Medau, professor e músico alemão, considerado um dos seus precursores. No âmbito internacional, a modalidade teve várias denominações: Ginástica Moderna (1963), Ginástica Rítmica Moderna (1972), Ginástica Rítmica Desportiva (1975) e, enfim, Ginástica Rítmica (1998). Foto: Shutterstock.com Ginástica Rítmica. A Ginástica Rítmica desenvolveu-se da seguinte forma: 1948 Nos Jogos Olímpicos de 1948, as provas de Ginástica Artística incluíam duas competições rítmicas por equipe, uma delas com aparelho e a outra com mãos livres. 1952 Na edição seguinte dos Jogos, em 1952, em Helsinque, a Ginástica Moderna foi incluída como esporte de demonstração. 1962 Dez anos depois, o 41º Congresso da Federação Internacional de Ginástica (Praga, antiga Tchecoslováquia) reconheceu a Ginástica Moderna como modalidade independente. 1963 Em 1963, ocorreu o I Campeonato Mundial (Budapeste, Hungria). 1980 Em 1980, o Comitê Olímpico Internacional definiu que, a partir dos Jogos Olímpicos de 1984, a modalidade integraria o programa dos esportes olímpicos. Para Alonso e Crause (2006), dois eventos foram marcantes para o início da prática da Ginástica Rítmica nos anos 1950 no Brasil. Entre 1953 e 1954, a professora austríaca Margareth Fröhlich ministrou aulas de Ginástica Feminina Moderna no III Curso de Aperfeiçoamento Técnico e Pedagógico, promovido pelo Estado de São Paulo. Também em 1953, chega ao Brasil a professora húngara Ilona Peuker, cujos cursos e apresentações de seu grupo (o Grupo Unido de Ginastas — GUG) contribuíram decisivamente para difundir a Ginástica Moderna no país, modalidade que ofereceu as bases para a atual Ginástica Rítmica. A GINÁSTICA RÍTMICA É UMA MODALIDADE EXCLUSIVAMENTE FEMININA. SEUSEXERCÍCIOS SÃO TODOS TRABALHADOS NO SOLO E REALIZADOS COM APOIO DE MÚSICA INSTRUMENTAL E CINCO DIFERENTES APARELHOS – ARCO, MAÇAS, CORDA, BOLA E FITA. HÁ DOIS TIPOS DE PROVAS: INDIVIDUAL E CONJUNTO. NAS PROVAS DE CONJUNTO, COMPOSIÇÕES SÃO EXECUTADAS POR CINCO GINASTAS. AS ROTINAS ENVOLVEM MOVIMENTOS ASSOCIADOS À DANÇA COM NÍVEIS DE DIFICULDADE VARIADOS, ESTREITAMENTE RELACIONADOS À MANIPULAÇÃO DOS APARELHOS. SÃO AINDA PERMITIDOS ELEMENTOS PRÉ- ACROBÁTICOS, COMO ROLAMENTOS OU ESPACATES. AS COMPETIÇÕES, GERALMENTE, INCLUEM DUAS FASES QUALIFICATÓRIAS, POR EQUIPES E INDIVIDUAL GERAL, QUE PRECEDEM FASES FINAIS RESPECTIVAS. Na classificação individual, leva-se em conta o desempenho em quatro aparelhos predefinidos pela FIG ou Comitê Olímpico Internacional (COI). Enquanto, na prova coletiva, são utilizados dois aparelhos diferentes distribuídos para as cinco ginastas. GINÁSTICA AERÓBICA DESPORTIVA A FIG define a Ginástica Aeróbica Desportiva como a habilidade de executar continuamente padrões de movimentos complexos e de alta intensidade ao ritmo de uma música. O treinamento aeróbico por meio de exercícios ginásticos teve grande difusão durante os anos 1980, derivando em modalidades como a dança aeróbica, base da atual Ginástica Aeróbica Desportiva. Com o tempo, rotinas desse tipo de exercícios tornaram-se também uma modalidade competitiva, a qual foi incorporada à FIG em 1995, passando a entidade a regulamentar e organizar campeonatos específicos. Na primeira edição do Campeonato Mundial da modalidade, 34 nações participaram da disputa. Ginástica Aeróbica Desportiva. Os elementos executados pelos ginastas requerem níveis elevados de força, agilidade, flexibilidade e coordenação, mas movimentos acrobáticos tipicamente realizados nas rotinas de Ginástica Artística não são realizados. As rotinas devem demonstrar a capacidade de execução de movimentos contínuos com alta demanda cardiorrespiratória, de flexibilidade e força, incluindo sete passos básicos: marcha, corrida (Jogging), chute baixo, chute alto, polichinelo, elevações de joelho, lunge (Afundo). JOGGING Corrida de baixa intensidade. AFUNDO javascript:void(0) javascript:void(0) Exercício localizado para membros inferiores. ATENÇÃO As competições são divididas em provas individuais (femininas e masculinas) e coletivas (pares mistos, trios e sextetos). Apesar de haver campeonatos internacionais regulares, a modalidade ainda não faz parte do calendário olímpico. GINÁSTICA DE TRAMPOLIM A Ginástica de Trampolim tem origem circense e lúdica, tendo sido utilizada em treinamento militar de paraquedistas. Foi aprimorada e institucionalizada como modalidade esportiva nos anos 1930-1940 pelo ginasta George Nissen (1914-2010). O primeiro campeonato ocorreu em 1948, nos EUA, e a modalidade foi inclusa nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México (1955). O aumento de países interessados levou à criação da Federação Internacional de Trampolim em 1964, que passou a organizar e regular as competições internacionais. Em 1988, essa entidade foi reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Em 1999, entrou na FIG como modalidade ginástica competitiva, tornando-se enfim desporto olímpico nos Jogos de Sidney (2000). Foto: Bauken77 / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 Ginástica de Trampolim. Nas competições, mortais e piruetas são executados a cerca de oito metros de altura e requerem precisão técnica e controle preciso do corpo. As competições são individuais ou sincronizadas, masculinas ou femininas. São quatro as provas da modalidade: TRAMPOLIM INDIVIDUAL TRAMPOLIM SINCRONIZADO DUPLO MINITRAMPOLIM TUMBLING DESSAS, APENAS AS DUAS PRIMEIRAS FAZEM PARTE DO PROGRAMA OLÍMPICO. No trampolim individual, os ginastas executam séries com 10 elementos técnicos aéreos, enquanto no trampolim sincronizado, dois ginastas do mesmo sexo executam séries em sincronia, valendo-se de dois trampolins do mesmo tipo utilizado nas provas individuais. A prova de duplo-minitrampolim consiste na combinação da corrida do tumbling com os saltos verticais do trampolim. O ginasta executa uma corrida preparatória no solo para a impulsão na primeira parte do aparelho. Em seguida, é realizada uma acrobacia aérea, para então se impulsionar na segunda parte do aparelho e executar um segundo elemento acrobático, sem interrupção. Finalizando num colchão de aterrissagem. No tumbling, as séries são compostas por oito exercícios acrobáticos realizados ininterruptamente em linha reta, sobre uma pista elástica de 25m. O sistema de pontuação segue modelo parecido com o aplicado à Ginástica Artística, com notas máximas sendo definidas para cada acrobacia, perdendo-se pontos em função de falhas ou imperfeições técnicas em sua realização. GINÁSTICA ACROBÁTICA À semelhança da Ginástica de Trampolim, a Ginástica Acrobática tem origens circenses, tendo-se sistematizado como modalidade competitiva apenas no século XX. As rotinas consistem em exercícios praticados com parceiros e sem aparelhos, cujo objetivo fundamental é controlar os movimentos de equilíbrio executados em pares ou em grupos, valendo-se de variações de posições em solo ou no ar. As sequências são executadas com música em um tablado de 12 x 12m, requerendo expressão e movimentos do corpo ritmicamente sincronizados. Foto: Trampoline club du Dauphiné / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 Ginástica Acrobática. As competições incluem cinco divisões: Duplas femininas Masculinas ou mistas Trio feminino Quarteto masculino. ATENÇÃO Cabe notar que a Ginástica Acrobática ainda não faz parte dos desportos apresentados nos Jogos Olímpicos. PARKOUR O Parkour é um tipo de atividade física desenvolvido nos anos 1980, na França. Em sua origem há elementos do Método Natural de Hébert, o qual propunha, entre as suas atividades, percurso concebido para treinamento militar, denominado parcours militaire. Disso, aliás, deriva o nome da modalidade. Com base nas características do parcours militaire, o francês David Belle estruturou uma série de movimentos com a proposta de usar os elementos do meio ambiente como obstáculos a serem ultrapassados. Seu pai foi treinado nas Forças Armadas, tendo servido na Guerra da Indochina e depois atuado como bombeiro. Nessas corporações, obteve recordes em saltos, arremessos com vara e subida em corda, fatos que influenciaram na concepção de Parkour desenvolvida por David Belle. O PRATICANTE DO PARKOUR É CHAMADO DE TRACEUR (EM TRADUÇÃO LIVRE, TRAÇADOR DE ROTA), DE ONDE A DENOMINAÇÃO INGLESA TRACER, USUALMENTE, APLICADA. EM LINHAS GERAIS, O OBJETIVO É SUPERAR OBSTÁCULOS FÍSICOS OU IMAGINÁRIOS DA FORMA MAIS RÁPIDA E EFICIENTE POSSÍVEL. A MODALIDADE PODE SER PRATICADA TANTO INDIVIDUALMENTE QUANTO EM GRUPO. NO ENTANTO, TRATA-SE AINDA DE UMA PRÁTICA POUCO EXPLORADA EM TERMOS DE FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E PRODUÇÃO CIENTÍFICA, O QUE TORNA DIFÍCIL SUA CATEGORIZAÇÃO. POR OUTRO LADO, SUA CONCEPÇÃO DE BASE É MUITO SIMPLES: TRAÇA-SE E EXECUTA-SE UMA TRAJETÓRIA RÁPIDA E EFICAZ PARA IR DE UM PONTO A OUTRO. Foto: Rave NIK / Shutterstock.com O Parkour. Via de regra, são utilizadas corridas, variações de movimentos quadrupedais, rolamentos, escaladas, equilíbrios e saltos, dentre outras formas de movimento. Movimentos acrobáticos não precisam ser necessariamente realizados, mas podem ser aplicados quando aceleram para a superação do obstáculo, ou mesmo por motivos estéticos. Esse é particularmente o caso do Free Running, vertente mais artística do Parkour desenvolvida por Sébastien Foucan. A disseminação do Parkour foi rápida, principalmente, com apoio das redes sociais e internet. Isso não passou despercebido à FIG, que reconheceu a modalidade em 2017, com objetivo de alcançar públicos mais jovens. Assim, em 2018, durante congresso realizado em Baku, Azerbaijão, a entidade aprovou a inclusão do Parkour como uma de suas modalidades. Naquela oportunidade, agendou-se para abril de 2020, em Hiroshima, Japão, o I CampeonatoMundial do desporto, o qual teve de ser adiado em virtude da pandemia da covid-19. O Parkour, apesar de reconhecido como modalidade ginástica pela FIG, ainda não faz parte do programa olímpico. A GINÁSTICA CONTEMPORÂNEA A mestre Patrícia Arruda de Albuquerque Farinatti fala sobre a estrutura organizacional da ginástica brasileira e mundial, e apresenta as modalidades de ginástica da contemporaneidade. VEM QUE EU TE EXPLICO! Jogos olímpicos e campeonatos mundiais Jogos olímpicos e campeonatos mundiais As modalidades de ginástica regulamentadas pela FIG As modalidades de ginástica regulamentadas pela FIG A ordem olímpica A ordem olímpica VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. EM RELAÇÃO ÀS ENTIDADES REPRESENTATIVAS DA GINÁSTICA, É CORRETO AFIRMAR QUE: A) A CBG subordina-se ao COB em questões do Movimento Olímpico, mas não à FIG. B) O COB é subordinado à FIG. C) A CBG subordina-se à FIG, que responde ao COI no tocante às questões do Movimento Olímpico. D) O Comitê Executivo da FIG é subordinado ao seu Comitê Técnico. E) A CBG subordina-se à FIG em questões do Movimento Olímpico, mas não ao COB. 2. DENTRE AS MODALIDADES DE GINÁSTICA RECONHECIDAS PELA FIG, SÃO DESPORTOS OLÍMPICOS: A) Ginástica Artística, Ginástica Acrobática e Ginástica Rítmica. B) Ginástica Artística, Ginástica Rítmica e Ginástica de Trampolim. C) Ginástica Artística, Ginástica de Trampolim e Ginástica Aeróbica Desportiva. D) Ginástica Artística, Ginástica Rítmica e Parkour. E) Ginástica para Todos, Ginástica Artística, Ginástica Rítmica. GABARITO 1. Em relação às entidades representativas da Ginástica, é correto afirmar que: A alternativa "C " está correta. A FIG é a entidade representativa máxima da Ginástica, enquanto o COI é a autoridade Olímpica máxima. 2. Dentre as modalidades de Ginástica reconhecidas pela FIG, são desportos olímpicos: A alternativa "B " está correta. A Ginástica Artística esteve presente desde os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896 (Atenas), a Ginástica Rítmica foi incluída em 1984 (Los Angeles) e a Ginástica de Trampolim em 2000 (Sidney). CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS AO LONGO DESTE CONTEÚDO, PUDEMOS COMPREENDER COMO SE DEU O PROCESSO HISTÓRICO DA GINÁSTICA DURANTE OS ANOS, DESDE AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE SISTEMATIZAÇÃO NO CONTINENTE EUROPEU ATÉ AS MODALIDADES DA CONTEMPORANEIDADE. VIMOS QUE A GINÁSTICA BRASILEIRA SE DESENVOLVEU A PARTIR DA CHEGADA DE IMIGRANTES ALEMÃES NA REGIÃO SUL. EM SEGUIDA, VIMOS QUE O PROCESSO DE CONSOLIDAÇÃO DA GINÁSTICA, NO BRASIL, EM PARTE, CONFUNDE-SE COM O DE OUTRAS MODALIDADES ESPORTIVAS, COM A CRIAÇÃO DE FEDERAÇÕES LOCAIS, OS PRIMEIROS CAMPEONATOS ORGANIZADOS, ATÉ A FILIAÇÃO JUNTO À JÁ EXTINTA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE DESPORTOS, PARA A SUA ESTRUTURAÇÃO EM ÂMBITO NACIONAL E PARTICIPAÇÃO INTERNACIONAL. POR FIM, FORAM APRESENTADAS AS MODALIDADES DA CONTEMPORANEIDADE, DESDE AQUELA DE CARÁTER LÚDICO E NÃO COMPETITIVO, O MOVIMENTO GINÁSTICA PARA TODOS, ATÉ AS MODALIDADES DE COMPETIÇÃO QUE INTEGRAM O QUADRO DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE GINÁSTICA, DENTRE ELAS PARKOUR, A MAIS NOVA INTEGRANTE. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ALONSO, H.; CRAUSE, I. Ginástica Rítmica (GR). In: COSTA, L. P. (Org.). Atlas do Esporte no Brasil. Brasília: CONFEF, 2006. p. 226. BEYER, E. Dictionary of Sport Science (German, English, French). Schorndorf: Karl Hofmann, 1992. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GINÁSTICA. Brasil encerra participação na edição 2019 do Gymnaestrada como uma das potências da modalidade. Publicado em: 17 de jul. 2019. Consultado na internetm em: 19 ago. 2021. FERNANDES, R. C.; EHRENBERG, M. C. A Ginástica para Todos na sua relação com as atividades físicas orientadas para o lazer. FDeportes.com. Revista Digital, v. 15, n. 166, p. 1, 2012. JUBÉ, C. N. Método Natural de Georges Hébert: princípios e primeiras influências (1905- 1914). Rev. Bras. Med. Esp, v. 42, 2019. PETIOT, G. Le Robert des Sports. Dictionaire de La Langue des Sports. Paris: Le Robert, 1982. PÚBLIO, N. S. Ginástica Artística. In: COSTA, L. P. (Org.). Atlas do Esporte no Brasil. Brasília: CONFEF, 2006. p. 224-225. SANTOS, J. C. E. Ginástica Geral. In: COSTA, L. P. (Org.). Atlas do Esporte no Brasil. Brasília: CONFEF, 2006. p. 222-223. SANTOS, J. C. E. et al. Ginástica — Federação Internacional de Ginástica (FIG), Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). In: COSTA, L. P. (Org.). Atlas do Esporte no Brasil. Brasília: CONFEF, 2006. p. 220-221. SANTOS, J. E. C.; ALBUQUERQUE FILHO, J. A. Manual de Ginástica Olímpica. Rio de Janeiro: Sprint, 1986. TUBINO, M. G. O que é esporte. São Paulo: Brasiliense, 1999. EXPLORE+ Para saber mais sobre os assuntos aqui explorados, assista aos seguintes vídeos disponíveis no YouTube: Origem da Educação Física Moderna Modalidades de Ginástica Aparelhos da Ginástica Rítmica CONTEUDISTA Patrícia Arruda de Albuquerque Farinatti DESCRIÇÃO As dimensões sociais e educacionais da ginástica geral e artística e sua aplicabilidade na execução das aulas. PROPÓSITO Conhecer as dimensões sociais e educacionais da ginástica geral e artística é fundamental para o planejamento das aulas, nas quais você deve ter em mente que os conteúdos, além da prática da ginástica em si, devam criar situações e reflexões sobre educação, aprendizado e comportamento. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar a contribuição social da ginástica geral e artística MÓDULO 2 Reconhecer a importância da ginástica artística nas escolas INTRODUÇÃO Neste material didático, vamos discutir os aspectos sociais que são atribuídos nas aulas de Ginástica Artística e o direito à participação de todos, sem características de exclusão, buscando um engajamento dos praticantes, a partir de um maior entendimento do que é o movimento ginástico. Além disso, veremos as aplicações da ginástica artística na escola, tomando como ponto de apoio a Base Nacional Comum Curricular - BNCC. Dessa maneira, este conteúdo tem a relevância baseada no desenvolvimento de valores morais associados à prática esportiva em geral e da ginástica geral e artística em específico, que são: a disciplina, a solidariedade, o respeito, a tolerância, a liberdade, os princípios éticos, a fraternidade, a preocupação com o meio ambiente, em busca da autonomia individual e da integração social, em uma perspectiva de desenvolvimento de cultura de paz. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA GINÁSTICA GERAL E ARTÍSTICA MÓDULO 1 Identificar a contribuição social da ginástica geral e artística Para compreendermos melhor as contribuições sociais da ginástica geral e artística, devemos primeiramente refletir sobre as dimensões sociais dos esportes de forma geral. A participação na prática esportiva é um direito de todos os cidadãos e se compreende pelas DIMENSÕES SOCIAIS DO ESPORTE, que se dividem da seguinte forma: o esporte educação; o esporte participação (ou popular) e o esporte performance (ou de alto rendimento) (TUBINO, 2001). A ginástica artística, assim como outros esportes, também se apresenta nessas dimensões. Agora, vamos analisar cada uma delas. ESPORTE EDUCAÇÃO Desde os primórdios da humanidade, o ser humano sente a necessidade de praticar atividades físicas, primeiramente para sobreviver às dificuldades impostas pelas condições territoriais e da vida cotidiana, por exemplo, para manter-se vivo e conseguir alimento e, posteriormente, para o prazer ou até mesmo para celebrar as conquistas por meio das danças. Com o decorrer dos tempos e a grande evolução da humanidade, a Educação Física iniciou sua caminhada rumo à sua legitimação perante a sociedade, e a prática regular de atividade física passou a ser cada vez mais valorizada. Grande parte dessa evolução ocorreu a partir da inserção da Educação Física nas atividades ministradas nas instituições escolares. A Educação Física no ensino fundamental deve possibilitar que os alunos tenham a oportunidade de desenvolver as habilidades corporais, participando de atividades culturais, como jogos, lutas, diferentestipos de ginástica, dos mais diversos esportes e das danças, contribuindo para a sua formação integral ao buscar desenvolver sua autonomia, cooperação, participação social, valores e princípios democráticos. Dessa forma, não é possível pensar em formação integral sem pensar na importância da Educação Física. A aplicação dos mais variados esportes na escola deve basear-se nos princípios básicos educacionais, com o intuito da formação integral do indivíduo, respeitando a individualidade, incluindo todos os alunos, sem discriminação por quaisquer motivos, promovendo ações e situações para que eles possam refletir sobre valores, soluções de problemas e respeito ao próximo em uma perspectiva inclusiva. A Educação Física como atividade curricular na atual formação do professor deve oferecer às crianças elementos por meio dos quais elas possam seguir o processo normal de maturação. A relação entre a Educação Física e a educação é evidenciada em diversas fases da história da humanidade. Percebe-se isso pela preocupação de diversos filósofos, pensadores e educadores em valorizar a Educação Física no contexto geral da educação. A Educação Física há de ser entendida como uma prática educacional que supera os aspectos anatômicos, biológicos e biomecânicos e deve ser inserida em um projeto pedagógico global, conjugada à formação intelectual, social, moral, cívica e religiosa dos educandos, visando cultivar e não cultuar as energias físicas, contribuindo para a formação integral das crianças, pré-adolescentes e adultos, variando os conteúdos e métodos segundo as fases de desenvolvimento e dos interesses dos indivíduos. De um modo geral, a Educação Física deve, dependendo das necessidades e características da clientela ou beneficiários envolvidos, valorizar o aspecto lúdico das atividades motoras, inclusive na utilização do esporte em suas diversas manifestações. O esporte educação compreende a prática exercida no contexto escolar, juntamente à proposta pedagógica que deve constar no projeto político-pedagógico da escola e suas diretrizes educacionais. Essa prática visa a educação da criança por meio do esporte, inserindo-as em um ambiente onde as regras devem ser cumpridas, onde são adotadas diferentes metodologias de ensino do esporte e estas são associadas aos princípios básicos da educação. Trazem ao âmbito escolar, assim, o conceito de valores, como a ética, a diversão, a socialização e a ludicidade, proporcionando aos discentes a inclusão de todos nas atividades, com participação sem discriminação física ou social. EXEMPLO O desenvolvimento psicomotor por meio da prática regular de atividades físicas é uma das propostas do trabalho dos professores de Educação Física na escola, o que se associa com a importante função de integração social e contribui para uma maior autonomia ao aluno, auxiliando-o em sua formação geral enquanto cidadão. É possível perceber mudanças comportamentais relacionadas à utilização de novas tecnologias e jogos eletrônicos, que estão associados à contemporaneidade em uma trajetória sem retorno. Dessa forma, torna-se cada vez mais evidente a falta de atividade física regular e, consequentemente, de estímulos psicomotores, o que contribui negativamente para o desenvolvimento motor das crianças e a criação dos hábitos para a prática regular de atividade física na fase adulta e na terceira idade. RESUMINDO Assim, o papel do professor de Educação Física na escola torna-se fundamental para o bom desenvolvimento de seus alunos, uma vez que, hoje, muitas crianças só têm a oportunidade de serem estimuladas e vivenciarem experiências motoras nas aulas de Educação Física escolar. Essas aulas muitas vezes têm uma carga horária semanal muito abaixo da recomendada para o desenvolvimento harmônico e saudável de crianças e adolescentes. Segundo Pellegrini (2005), o desenvolvimento motor consiste em uma série de mudanças que ocorrem ao longo do ciclo da vida em termos do deslocamento de partes do corpo ou de todo o corpo no espaço. O movimento é o elemento central na comunicação e interação com as outras pessoas e com o meio ambiente à nossa volta; é central também na aquisição do conhecimento sobre nós mesmos e da natureza ou do ambiente que nos cerca. Apesar de os movimentos estarem presentes em todas as nossas ações, eles não se repetem, variando em função da nossa disposição física e mental daquele momento. A aquisição de habilidades motoras que ocorre ao longo dos anos é fruto não só das disposições do indivíduo para a ação, mas principalmente do contexto físico e sociocultural no qual os indivíduos estão inseridos. ATENÇÃO O desenvolvimento na primeira fase escolar da criança é de extrema importância para as fases posteriores de suas atividades físicas. A fase mais importante do desenvolvimento motor é a fase de bebê e a infância, que é denominada fase das habilidades fundamentais, e é quando os profissionais de Educação Física têm maior chance de trabalhar com as crianças. Uma criança com grande experiência em movimentos básicos e fundamentais, como correr, saltar e arremessar terá facilidade no desenvolvimento de movimentos combinados, específicos dos desportos. A inclusão do esporte nas aulas de Educação Física pode ajudar o aluno na medida em que não há necessidade de competição, recompensa ou mesmo ter um produto em vista. Eles também podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades e capacidades, sendo assim um canal de exteriorização de emoções e podendo significar um ganho e enriquecimento da própria vida, dessa forma facilitando o aprendizado. A postura do profissional deve ser sempre positiva, identificando as capacidades de cada um, incentivando e elogiando as habilidades dos alunos, em vez de acentuar suas limitações. O esporte educação aumentou sua abrangência, visto que há uma identificação de um esporte social como um fator decisivo nos acontecimentos esportivos. EXEMPLO Para uma criança tímida, a exposição perante os outros alunos e as correções públicas podem ser prejudiciais para seu aprendizado e sua personalidade. A ansiedade e o constrangimento criados pela situação são variáveis, pois interferem no desempenho da habilidade. É necessário criar alternativas distintas para elevar o nível de motivação, visto que esta consiste em um gatilho para o aprendizado. Existe a necessidade de um resgate aos valores relacionados ao comportamento humano durante a prática desportiva educacional, que levem o aluno a realizar uma autocrítica da sua participação e desempenho nas atividades e analisem as reações geradas por elas. O ato de compreender os diversos tipos de atitudes que favoreçam o coletivo, respeitando os participantes e suas complexidades, deve ser valorizado no esporte educação. INICIAÇÃO DESPORTIVA Quando se fala em crianças e esportes, muitos questionamentos são realizados e muitas respostas são difundidas a fim de explicar quais são os principais fatores a serem levados em consideração. Será que deve ser realizado um início rápido na modalidade? De que forma iniciar uma modalidade esportiva? Sem dúvida, é notório que o esporte tem atraído cada dia mais as crianças, e isso tem sido muito crescente, pois quando bem orientado, muitos fatores serão agregados, como: a socialização, afetividade, repertório motor e cognitivo (NUNOMURA, 2005). A prática esportiva como educação social é indispensável no desenvolvimento da personalidade, nos processos de emancipação da criança e na formação da cidadania (PONIM, 2020). Em geral, o esporte educação se faz pela compreensão por parte dos docentes à aplicação aos discentes, em uma integração entre a prática efetiva do esporte, o comprometimento de ensino de valores éticos e morais, a aplicabilidade dos questionamentos e resoluções de problemas que decorrem no dia a dia e o comportamento dos alunos durante as aulas. ESPORTE PARTICIPAÇÃO “Hoje eu vou jogar uma pelada”. Essa é uma frase típica das pessoasque praticam o futebol como manutenção da saúde ou apenas como uma forma de lazer. A referência ao futebol é evidente, pois é um dos esportes que fazem parte da cultura desportiva do brasileiro e no qual há grande sucesso desportivo. SAIBA MAIS O esporte participativo ou participação é o que se pratica nas horas livres, sem compromisso, somente pelo simples prazer de participar, diferentemente do competitivo, em que o praticante deve pensar em resultados, ou seja, na vitória. É uma prática que promove a satisfação de quem realiza, não havendo obrigações estabelecidas como no alto rendimento. A participação é considerada um aspecto essencial de qualquer processo de democratização, salientada por esse tipo de esporte; é uma das dimensões sociais do esporte que promove o prazer de todos os participantes de forma lúdica e descompromissada. Apesar de haver relação entre o esporte educacional e o esporte participação, afinal uma criança que praticou determinado esporte na escola em geral tem mais vontade de participar desse esporte por livre escolha, deve-se ressaltar que cada um tem objetivos e propostas próprias. Nesse mesmo viés, em centros de iniciação esportiva, em projetos comunitários, em clubes, dentre outras possibilidades, com as aulas devendo acontecer numa frequência mínima de três sessões semanais (TUBINO, 2001). O esporte é para todos, tem significado social, desenvolve a consciência comunitária, é uma atividade de prazer e equilíbrio. O processo de democratização do esporte deve assegurar a igualdade de acesso à prática de todas as pessoas. Nesse contexto, a ação do Estado deve utilizar o esporte como meio de bem-estar social, promovendo programas relacionados à saúde, à terceira idade e a crianças em situação de carência e abandono. Para ser considerada uma instituição social, essa ação deve organizar e representar uma atividade, promovendo valores para a identificação social. No esporte participação, o prazer, o lúdico e o bem-estar social do participante estão mais presentes e têm relação direta com o lazer e o tempo livre, sem obrigações, com diversão e empolgação. Há relação entre as pessoas participantes e prazer a todos que dele fazem parte (PONIM, 2020). O esporte participação também tem caráter de manutenção da saúde. Os praticantes têm a afinidade com o esporte e buscam a melhoria da qualidade de vida por meio dele. GINÁSTICA ARTÍSTICA PARTICIPAÇÃO A ginástica artística participação é a prática da modalidade como Educação Física permanente, sem limitações quanto à habilidade ou à faixa etária, realizada como lazer, que pode ser sintetizada em vivências realizadas pelo prazer da prática, sem a preocupação de buscar a execução de tarefas complexas. São muitas vezes desenvolvidas em grupos, por meio de atividades livres, oportunizando uma prática com preceitos de manutenção da saúde, sendo ainda um significativo meio de participação social e uma atividade intimamente relacionada à ginástica para todos - GPT. SAIBA MAIS A atualmente denominada “ginástica para todos” – antiga ginástica geral –, além de inspirar o desenvolvimento da entidade, fornece à Federação Internacional de Ginástica - FIG três valores devidamente divididos e definidos, que servem de base para reger as demais disciplinas: informação, formação e prática. Além disso, sua evolução, seus objetivos e suas conquistas passaram a ser vistas nas realizações da Gymnaestrada, o evento mais importante que representa essa modalidade. 16º World Gymnaestrada (2019). Grupo Inec (Brasil) Dornbirn - Áustria. Você sabe o que é a Gymnaestrada Mundial? A Gymnaestrada é o maior evento de ginástica não competitiva do mundo. O nome é um termo criado a partir de duas origens: gymna remete à ginástica, e strada alude a caminho, o que resulta no significado: caminho da ginástica, ideia que simboliza um dos conceitos fundamentais da Gymnaestrada e da ginástica geral. Seu surgimento deu-se em decorrência do desejo do presidente da entidade (FIG) em ver apresentações focadas apenas nos benefícios das modalidades, e sua primeira edição foi em 1953. 16º World Gymnaestrada (2019). Grupo Inec (Brasil) Dornbirn - Áustria. Esse é o festival internacional mais importante da ginástica geral, bem como o evento oficial da Federação Internacional de Ginástica - FIG para essa modalidade. Nele, vários países encontram-se a cada quatro anos para realizar apresentações, trocar informações sobre os trabalhos desenvolvidos em seus países e discutir a modalidade não competitiva como importante elemento para o aprimoramento humano. O objetivo da Gymnaestrada é a união entre os povos. Não consiste na competição ou qualquer outro tipo de disputa. Os atletas que fazem parte do evento têm o objetivo de apenas representar os seus países, pelo prazer de praticar o desporto e de mostrar a sua originalidade, bem como os benefícios da prática constante, que aparecem física e mentalmente na vida do indivíduo. Os vencedores da Gymnaestrada são os participantes! Essa manifestação é importante de ser trabalhada na escola, pois contribui para o desenvolvimento integral dos alunos, considerando seus aspectos físico, cognitivo, social e psicológico. Seus benefícios são muitos, e a sua beleza tem o poder de encantar pais e toda a comunidade escolar, portanto, pode ser utilizada no esporte educacional e no esporte participação. Ela possui metas, como a promoção da integração entre alunos e comunidade e o papel de estimular a prática da ginástica artística, sendo uma atividade física feita com prazer, criatividade e liberdade de expressão. A ginástica para todos é uma prática democrática, pois todos podem participar, todos têm acesso. Os participantes não necessitam de condições técnicas específicas para desenvolver essa prática, mas ela tem o poder de desenvolver a condição física e a interação social, proporcionando o lazer saudável, favorecendo a coletividade e respeitando as individualidades. Entretanto, nota-se uma falta de conhecimento e informações por parte dos próprios profissionais de Educação Física no que concerne às atividades que são praticadas dentro desse contexto. Muitas vezes, os profissionais planejam, ensaiam e treinam com os alunos as atividades dessa modalidade, promovem apresentações em público, porém nem imaginam que fazem parte do movimento da ginástica para todos (RAMOS, 2007). EXEMPLO As manifestações de ginástica para todos mais trabalhadas nas escolas em ordem sequencial são: danças, expressões corporais, encenações teatrais, ginástica de grande área e pirâmides. Segundo Oliveira (2007), a ginástica para todos, fundamentada nos elementos gímnicos das ginásticas, engloba diversas manifestações culturais, como danças, expressões folclóricas e jogos, apresentados livremente, com criatividade e associado ao lazer, sempre fundamentadas em atividades ginásticas. Objetiva promover o lazer saudável, proporcionando bem-estar físico, psíquico e social aos praticantes, favorecendo a performance coletiva, respeitando as individualidades, em busca da autossuperação pessoal, sem qualquer tipo de limitação para a sua prática, seja quanto às possibilidades de execução, gênero, idade, utilização de elementos materiais, musicais e coreográficos. Há a preocupação de apresentar, nesse contexto, aspectos da cultura nacional. A ginástica para todos também promove a saúde e o condicionamento físico, com o intuito de transformar os participantes em sujeitos fisicamente ativos, levando-os a vivenciar as expressões do movimento com absoluto prazer. É também uma atividade corporal considerada uma mistura de elementos das outras modalidades de ginástica, pois se apropria de alguns de seus movimentos e utiliza diversos materiais para caracterizá-la, como bolas, fitas, solo, plinto, traves, acrobacias, música, entre outros (RAMOS, 2007). ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO O alto rendimento desportivo refere-se ao esporte propriamente dito, com sua aplicação plena,regras e campeonatos oficiais, regidos por órgãos próprios como as federações e as confederações. Praticado por atletas que têm a mais alta performance e que se submetem a treinamentos exaustivos durante boa parte da vida. O esporte competitivo tem ênfase no êxito e no rendimento, como as competições entre clubes e seleções, excluindo os menos habilidosos devido à sua seletividade (MAIA, 2010). Essa exclusão acontece por diferentes motivos, e um deles é quando a escola participa de campeonatos extraescolares, por exemplo, fazendo uma seleção para a disputa de um torneio. A etapa do alto nível ou alto rendimento é o objetivo de muitos atletas dentro do complexo processo de formação esportiva. Considerando a característica altamente seletiva do esporte moderno, no alto nível destacam-se somente os atletas que apresentam, por exemplo, certas qualidades como as físicas e psicológicas que, associadas ao treinamento altamente sistematizado, poderão proporcionar o sucesso em determinada modalidade (FILHO, 2006). Tubino (2001, p. 34) afirma que “o esporte de rendimento é uma dimensão que propicia os espetáculos esportivos, onde uma série de possibilidades sociais positivas e negativas podem acontecer”. Segundo esse autor, o esporte de alta performance é uma prática que dá ênfase aos mais capacitados, ou seja, aos talentos esportivos. Além desse efeito negativo, por excluir os menos habilidosos, no esporte moderno há outros como: O preconceito contra as mulheres na prática esportiva. O uso de substâncias proibidas como os anabolizantes para ganho de força. Corrupção de dirigentes. Agressividade durante a prática esportiva. O início prematuro de crianças e adolescentes no esporte competitivo. SAIBA MAIS Você se lembra do episódio da Olimpíada Rio 2016, quando o nadador americano Ryan Lochte disse ter sido assaltado por homens armados ao sair de uma festa e, na realidade, havia depredado o banheiro de um posto de gasolina juntamente com mais quatro nadadores? O caso também o levou à perda de patrocínios, devido a sua má conduta, e isso gera reações negativas em relação à percepção das pessoas com o esporte Por outro lado, o esporte de rendimento não apresenta somente traços negativos. Ele também tem diversos pontos positivos, como: “é um fator de geração de turismo; ao ser conhecido como atividade cultural, será sempre um meio de progresso nacional e de intercâmbios internacionais; e exerce grande influência no esporte popular” (TUBINO, 2001, p. 41). O esporte de alto rendimento, ou esporte para a performance, é importante pelos efeitos que exerce sobre a sociedade e tem tendência de ser praticado por talentos esportivos, o que o impede de ser uma manifestação democrática. A crítica combate o capitalismo presente nele, que o vincula a negócios financeiros, com efeitos sociais negativos, em que os campeões são usados como instrumentos de reprodução da marca patrocinadora, que reflete o sistema capitalista (PONIM, 2020). O esporte é um fenômeno humano e social, ocorrido desde quando passou a abranger manifestações como educação, participação e performance, precisando ser visto como um campo sociocultural, proporcionando oportunidades para a convivência humana. Esse fenômeno social precisa ser estudado nos seus alcances sociais, o que é missão dos cientistas do esporte, avançando no conhecimento da utilização das práticas esportivas, na consolidação de estilos de vida, buscando superações e qualidade de vida (PONIM, 2020). GINÁSTICA ARTÍSTICA DE ALTO RENDIMENTO Ainda no esporte de alto rendimento, mais especificamente a ginástica artística, tem-se como principal objetivo o resultado, a competição de alto nível. Dela só participam os praticantes previamente selecionados, considerando aspectos biotipológicos, psicológicos e as qualidades físicas inatas, sendo, portanto, uma atividade elitizada, podendo ser definido como a elite um grupo seleto de indivíduos que apresentam o perfil para seu desempenho. O processo de formação de atletas na ginástica artística está fortemente ligado às sequências exaustivas de treinamentos, envolvendo altos volumes e intensidades. Os treinamentos intensivos ocorrem desde muito cedo na vida dos atletas, podendo comprometer sua saúde e o seu desenvolvimento, sem que o seu potencial para o alto rendimento na modalidade esteja totalmente desenvolvido. Isso ocorre devido ao processo de formação esportiva ser longo, então o imediatismo pelos resultados ou a supressão de qualquer uma de suas fases poderá ter consequências em médio ou longo prazo. As crianças e os jovens são os que mais sofrem as possíveis consequências deletérias de uma especialização precoce e talvez tenham que encerrar suas carreiras muito cedo (NUNOMURA, 2010). São vários anos de preparação aos quais os atletas são submetidos até chegar ao alto rendimento esportivo na ginástica artística, e poucos conseguem chegar ao pódio. Assim, são anos de treinamento intensivo iniciados bem cedo (três a quatro anos de idade) para atingir o pico de performance por volta dos 15 anos. EXEMPLO A preparação na ginástica artística pode ocorrer mais cedo do que imaginamos, se lembrarmos que, no campeonato mundial que antecede os Jogos Olímpicos, as ginastas devem ter entre 14 e 15 anos e, na Olimpíada propriamente dita, elas podem estar na transição de 15 para 16 anos de idade (FILHO, 2006). Com as exigências do alto rendimento na ginástica artística, aqueles com menores alavancas, do ponto de vista biomecânico, levam vantagem, principalmente em acrobacias de extrema complexidade. Portanto, em se tratando do alto nível na ginástica artística, são esses os atletas que ganham destaque e visibilidade na mídia, ou seja, com proporções corporais menores, maior força relativa e domínio corporal. Al-Mashhadi (2019), em seu estudo, observou que, quanto maior o desejo social, melhor o desempenho das habilidades da ginástica artística e o oposto das manifestações psicológicas físicas. Isso incentiva ginastas que lideram as habilidades a serem modelos de desempenho e, assim, melhorar o nível de desenvolvimento das competências. COMENTÁRIO Os atletas, por inúmeras vezes, se deparam com situações que os fazem vivenciar um lado sórdido do alto rendimento, como o caso das ginastas americanas abusadas pelo médico da delegação. Em outro caso, Simone Biles, ginasta americana, nas Olimpíadas de 2021, após a prova de salto, nas classificatórias, desistiu de competir, alegando problemas psicológicos relacionados a esse caso. Ela afirmou que tinha que lidar com seus próprios demônios. Simone Biles, nos Jogos Olímpicos de Tóquio (2021). Em campeonatos de alto nível, uma queda pode significar a perda de uma classificação importante, incentivando a ginasta a treinar cada vez mais para evitar os erros. A profissionalização ocorrida nas modalidades esportivas olímpicas faz com que os atletas se dediquem exclusivamente ao esporte, e as exigências nos treinamentos e nas competições sejam diretamente proporcionais ao nível dos atletas. A ginástica artística feminina tem acompanhado as mudanças no cenário esportivo mundial: competições com premiação em dinheiro, como as Copas do Mundo e as Olimpíadas, e a valorização dos especialistas por aparelho, o que possibilita o aumento expressivo dos anos de carreira das ginastas. Além de interferir na longevidade da carreira, o surgimento de especialistas indica a necessidade de repensar os protótipos esperados para as ginastas, uma vez que especialistas apresentam características morfológicas específicas. O controle emocional, a perseverança, a autoconfiança, a potência, a agilidade, entre outras qualidades também são importantes para o sucesso na ginástica artística de alto nível (FILHO, 2006). A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA GINÁSTICA GERAL E ARTÍSTICA A especialista Patrícia Arruda reflete sobre a ginástica artística no esporte educação, no esporte participação e no esporte de alto rendimento.VEM QUE EU TE EXPLICO! O ESPORTE EDUCAÇÃO ESPORTE PARTICIPAÇÃO GINÁSTICA ARTÍSTICA PARTICIPAÇÃO A GINÁSTICA ARTÍSTICA DE ALTO RENDIMENTO VERIFICANDO O APRENDIZADO GINÁSTICA ARTÍSTICA NA ESCOLA MÓDULO 2 Reconhecer a importância da ginástica artística nas escolas Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, quando se referem à Educação Física, dividem os conteúdos que serão abordados no ensino fundamental em três blocos: o primeiro bloco versa sobre o conhecimento sobre o corpo; o segundo sobre esportes, jogos, lutas e ginásticas; e o terceiro bloco é sobre as atividades rítmicas e expressivas (BRASIL, 1998). Nos Parâmetros Curriculares Nacionais, é informado que se deve trabalhar a ginástica geral ou ginástica para todos - GPT dentre as atividades de Educação Física nas escolas. Informações claras acerca do que foi feito e o que se tem desenvolvido nas escolas são de extrema importância para o diagnóstico da real situação e nível de conhecimentos específicos por parte dos professores. Essas informações podem contribuir para subsidiar estudos e planejamentos por parte das instituições de ensino superior, assim como, para os programas de pós-graduação, para projetos que deem novos direcionamentos e demonstrem a necessidade de investimentos, inclusive nas grades curriculares, de forma a trazer os conhecimentos necessários aos futuros profissionais de Educação Física, para que possam desempenhar com competência essa importante modalidade, que tem a forte característica de promover a socialização entre os alunos, professores e comunidade (PEDROSO, 2012). A Base Nacional Comum Curricular - BNCC, na unidade temática Ginástica, propõe significados e formas de organização muito diferentes dessa prática corporal e adota a seguinte classificação: GINÁSTICA GERAL É também conhecida como ginástica para todos, básica ou expressiva. Trata-se de uma prática corporal não competitiva, que envolve possibilidades de expressão corporal, acrobáticas, de interações sociais e de compartilhamento de aprendizagem. Pode ser constituída de exercícios no solo, no ar (saltos), em aparelhos (trapézio, corda, fita elástica), de maneira individual ou coletiva e combina um conjunto variado de movimentos corporais como piruetas, rolamentos, paradas de mão, pontes, pirâmides humanas etc. Também fazem parte da ginástica geral os jogos de malabar ou malabarismo. GINÁSTICA DE CONDICIONAMENTO FÍSICO Caracteriza-se pelos exercícios físicos voltados para a melhora do condicionamento físico, da condição física e modificação da composição corporal. Também são características dessa modalidade as sessões planejadas de séries e as repetições de exercícios com intensidade e frequência definidas. Podem ser direcionadas para grupos específicos da população como mulheres, idosos ou gestantes em turmas de ensino voltadas para jovens e adultos - EJA. Além disso, podem ter destinação específica, como a ginástica laboral. GINÁSTICA DE CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL Caracteriza-se por movimentos lentos e suaves para a melhora da condição postural e/ou a conscientização de exercícios respiratórios, com o objetivo de melhorar a percepção do próprio corpo. Alguns exemplos são: Biodança Bioenergética Eutonia Antiginástica Método Feldenkrais Ioga Tai chi chuan Ginástica chinesa BIODANÇA Prática criada na década de 1960 com a finalidade de usar a música e a dança para criar vivências. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) BIOENERGÉTICA Técnica que usa exercícios físicos específicos e a respiração, com foco no corpo, na mente e na energia que flui entre eles, uma vez que considera que a mente e o corpo funcionam como uma unidade única. EUTONIA Uma abordagem de educação somática, em que a pessoa acessa a sabedoria que é própria do corpo. Por meio da atenção às sensações, promove a ampliação da percepção e da consciência corporal, propiciando a flexibilização do tônus, contribuindo para o cuidado das dores e do estresse, além de uma melhor adaptabilidade do corpo para as diversas ações no cotidiano e nas atividades artísticas e esportivas. Fonte: Associação Brasileira de Eutonia. ANTIGINÁSTICA É uma prática corporal que busca o autoconhecimento do corpo e o entendimento de que várias partes diferentes se conectam. MÉTODO FELDENKRAIS É um processo de aprendizagem somática que se transmite em sessões de grupo chamadas ATM (consciência pelo movimento, da sigla em inglês awareness through movement), ou em sessões individuais chamadas IF. IOGA É uma prática que tem como objetivo trabalhar o corpo e a mente de forma interligada. TAI CHI CHUAN Arte marcial chinesa reconhecida também como uma forma de meditação em movimento. GINÁSTICA CHINESA Técnica baseada em movimentos e séries de exercícios que previnem dores e restauram o movimento natural. GINÁSTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL A Base Nacional Comum Curricular – BNCC, no que se refere à Educação Física, na unidade temática Ginástica, propõe as seguintes habilidades para o ensino fundamental: GINÁSTICA NO 1º E 2º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Objeto do conhecimento: ginástica geral Habilidades: Experimentar, fruir e identificar diferentes elementos básicos da ginástica (equilíbrios, saltos, giros, rotações, acrobacias, com e sem materiais) e da ginástica geral, de forma individual e em pequenos grupos, adotando procedimentos de segurança. Planejar e utilizar estratégias para a execução de diferentes elementos básicos da ginástica e da ginástica geral. Participar da ginástica geral, identificando as potencialidades e os limites do corpo e respeitando as diferenças individuais e de desempenho corporal. GINÁSTICA DO 3º AO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Objeto do conhecimento: ginástica geral Habilidades: Experimentar e fruir, de forma coletiva, combinações de diferentes elementos da ginástica geral (equilíbrios, saltos, giros, rotações, acrobacias, com e sem materiais), propondo coreografias com diferentes temas do cotidiano. Planejar e utilizar estratégias para resolver desafios na execução de elementos básicos de apresentações coletivas de ginástica geral, reconhecendo as potencialidades e os limites do corpo e adotando procedimentos de segurança. GINÁSTICA NO 6º E 7º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Objeto de ensino: ginástica de condicionamento físico Habilidades: Experimentar e fruir exercícios físicos que solicitem diferentes capacidades físicas, identificando seus tipos (força, velocidade, resistência, flexibilidade) e as sensações corporais provocadas pela sua prática. Construir, coletivamente, procedimentos e normas de convívio que viabilizem a participação de todos na prática de exercícios físicos, com o objetivo de promover a saúde. Diferenciar exercício físico de atividade física e propor alternativas para a prática de exercícios físicos dentro e fora do ambiente escolar. GINÁSTICA NO 8º E 9º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Objetos de ensino: ginástica de condicionamento físico e de conscientização corporal. Habilidades: Experimentar e fruir um ou mais programas de exercícios físicos, identificando as exigências corporais desses diferentes programas e reconhecendo a importância de uma prática individualizada, adequada às características e necessidades de cada sujeito. Discutir as transformações históricas dos padrões de desempenho, saúde e beleza, considerando a forma como são apresentados nos diferentes meios (científico, midiático etc.). Problematizar a prática excessiva de exercícios físicos e o uso de medicamentos para a ampliação do rendimento ou potencialização das transformações corporais. Experimentar e fruir um ou mais tipos de ginástica de conscientização corporal, identificando as exigências corporais dos mesmos. Identificar as diferenças e semelhanças entre a ginástica de conscientização corporal e as de condicionamento físico e discutir como a prática de cada uma dessas manifestaçõespode contribuir para a melhoria das condições de vida, saúde, bem-estar e cuidado consigo mesmo. GINÁSTICA ARTÍSTICA EDUCAÇÃO Segundo a BNCC (BRASIL, 2017, p. 217), a ginástica geral, também conhecida como ginástica para todos, reúne as práticas corporais que têm como elemento organizador a exploração das possibilidades acrobáticas e expressivas do corpo, a interação social, o compartilhamento do aprendizado e a não competitividade. EXEMPLO Podem ser constituídas de exercícios no solo, no ar (saltos), em aparelhos (trapézio, corda, fita elástica), de maneira individual ou coletiva, e combinam um conjunto bem variado de piruetas rolamentos, paradas de mão, pontes, pirâmides humanas etc. Integram também essa prática os denominados jogos de malabar ou malabarismo. A ginástica artística educação tem suas atividades voltadas principalmente para a formação básica do indivíduo, com ênfase nas questões propostas por uma educação holística, baseada no desenvolvimento de valores morais, da disciplina, da solidariedade, do respeito, da tolerância, da liberdade, dos princípios éticos, da fraternidade, da preocupação com o meio ambiente, em busca da autonomia e da integração social, numa perspectiva de desenvolvimento de cultura de paz. Neste contexto, a ginástica artística deve ser oferecida a todos os alunos em idade escolar, tanto no ensino fundamental quanto no Médio, sendo desenvolvida principalmente na Educação Física curricular. Dentre a multiplicidade de modalidades de ginástica, a ginástica artística desenvolve diversas habilidades motoras e valências físicas. Ela tem também tem uma ampla significância por contribuir para o desenvolvimento cognitivo, dada a compreensão de movimentos complexos, coreografias etc.; afetivo, na relação entre professores, técnicos, alunos e até mesmo atletas de outras agremiações; e social, no momento em que propicia atividades em grupo e equipes (ANDRADE, 2016). A ginástica artística é uma atividade corporal que contribui para o desenvolvimento das crianças e que serve como base para a prática de outras atividades e esportes, além de trazer benefícios como coordenação, confiança, disciplina, organização e criatividade. O professor de Educação Física escolar atuará como um mediador, fazendo com que o aluno explore movimentos específicos e os aparelhos peculiares da ginástica artística (quando houver essa possibilidade) para adquirir uma melhoria no seu desenvolvimento psicomotor, vivenciando movimentos pouco realizados no dia a dia. O ensino da ginástica artística, em seus fundamentos, deverá ser adequado à realidade da escola, suas limitações, como área física e de materiais, mas sempre com o intuito de contribuir com a formação do aluno e a valorização do crescimento comportamental do ser humano. ENTENDA A APLICAÇÃO E A IMPORTÂNCIA DA GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR A entrada da ginástica no ambiente escolar foi a partir de uma concepção militarista e higienista. No entanto, aprender ginástica geral na escola significa estudar, vivenciar, conhecer, compreender, perceber, confrontar, interpretar, problematizar, compartilhar, aprender as inúmeras interpretações da ginástica para, com base nesse aprendizado, buscar novos significados e criar possibilidades de expressões gímnicas (LUIZ; ARANA, 2014). A ginástica artística com finalidade de atividade física, por meio dos movimentos naturais e espontâneos, faz com que os alunos desenvolvam com maior amplitude e dinamismo suas ações motoras: saltos, giros no eixo longitudinal e transversal, deslocamento, equilíbrio, passagem pelo apoio e apoio e suspensão invertidos, balanço em apoio e suspensão. Esses movimentos, quando coordenados e enriquecidos progressivamente, transformam-se em elementos acrobáticos (ANDRADE, 2016). A ginástica artística visa o desenvolvimento de habilidades motoras por meio de movimentos ginásticos complexos. Apesar disso, não há pré-requisitos para iniciar na modalidade e, geralmente, a prática ocorre concomitantemente com outras atividades. No ambiente escolar, a preocupação do profissional de Educação Física está no processo de aprendizagem, e não no desempenho. Nesse sentido, o ensino é direcionado com ênfase no aspecto lúdico e formativo. Esse tipo de atividade física, pensado e estruturado como ferramenta educativa, faz com que as crianças percebam e tenham consciência das suas próprias possibilidades motoras e aptidões, percebendo o quanto são capazes de evoluir (SAWASATO, 2006). A ginástica artística escolar tem a finalidade de não enfatizar a performance e os gestos técnicos, e sim utilizar o conteúdo como ferramenta para alcançar um objetivo maior, como, por exemplo, a melhora no desenvolvimento motor e a educação por intermédio do esporte. Em coreografias de ginástica para todos, realizadas na escola, devem ser trabalhados elementos em que todos consigam participar, privilegiando a inclusão. A ginástica artística é uma modalidade esportiva fundamental para o pleno desenvolvimento das crianças. Seus gestos motores são extremamente complexos e, além disso, desenvolver os conteúdos dessa modalidade na escola proporciona o aprimoramento de capacidades físicas fundamentais como força, flexibilidade e velocidade. Nesse sentido, o fator fundamental recairá sempre sobre o conhecimento e o procedimento pedagógico adotado pelo professor. A ginástica artística pode ser vivenciada na escola, tanto no horário da aula quanto nas atividades do contraturno, no clube ou nas associações esportivas, sempre em grupo. É nesse ambiente humano particular que a criança desenvolve a sua personalidade cognitiva, afetiva e motora. Algumas atividades que trabalham esses aspectos são: experimentar dimensões, criar, recriar, descobrir atividades, procurar soluções, ajudar os colegas, tomar decisões, distribuir tarefas. A ginástica artística é um potente objeto de aprendizagem no ensino fundamental, dada a vasta diversificação de seu repertório motor, que tem relação direta com os movimentos fundamentais a serem desenvolvidos pelos alunos do ensino fundamental – anos iniciais. ATENÇÃO Na escola, a ginástica artística não deve ser vista como um esporte de alto rendimento, mas sim como uma atividade física de base, educativa e formativa, que faz parte da diversidade da cultura corporal inserida no currículo da Educação Física. É uma modalidade esportiva fundamental para o desenvolvimento das crianças, tendo seus gestos motores uma progressão pedagógica desde os mais simples até os extremamente complexos, oportunizando a seus alunos uma experimentação diferenciada daquela a que estão habituados nas aulas de Educação Física, permitindo uma possibilidade de ampliação do repertório motor e a diversificação das aulas por parte do professor (ANDRADE, 2016). Contudo, a ginástica artística, por apresentar características próprias, aumenta os estímulos motores e se caracteriza por ser uma atividade extremamente desafiadora. Sendo assim, a ginástica constitui-se como uma atividade adequada desde a educação infantil até o ensino médio. A IMPORTÂNCIA DA GINÁSTICA ARTÍSTICA NAS ESCOLAS A especialista Patrícia Arruda destaca a ginástica artística como opção de atividade a ser ministrada na Educação Física escolar. VEM QUE EU TE EXPLICO! GINÁSTICA ARTÍSTICA NA ESCOLA GINÁSTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL GINÁSTICA ARTÍSTICA EDUCAÇÃO VERIFICANDO O APRENDIZADO CONSIDERAÇÕES FINAIS Em dimensões sociais dos esportes e da ginástica artística, percebemos o quanto a condução das aulas e o direcionamento do profissional de Educação Física é importante para o crescimento e desenvolvimento de alunos e atletas. Ficou clara a diferenciação das vertentes de trabalho relacionadas a um mesmo esporte, porém o mais importante é o desenvolvimento holístico do ser humano, por meio da educação e do esporte. O principal objetivo das dimensões sociais é fazer com que o profissional seja capaz de identificar a linha de trabalho que gostaria de seguire suas implicações, percebendo que as atitudes e posições tomadas afetam social e psicologicamente crianças, adolescentes e adultos. CONCLUSÃO PODCAST Agora, a especialista Patrícia Arruda finaliza falando sobre as dimensões socioeducacionais da ginástica geral e artística. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS AL-MASHHADI, R. A. A. Social desire and physical psychological manifestations and their relationship to the performance of artistic gymnastics skills. J. Phys. Educ. v. 30, e3038, 2019. ANDRADE, T. et al. Ligações entre o ensino de ginástica artística escolar e o desenvolvimento motor de crianças: um estudo de revisão. Revista Práxis, v. 8, n. 16, 2016. BRASIL. Secretaria de educação fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília, DF: MEC, 1998. FILHO, R. A. F. et al. Ginástica artística e estatura: mitos e verdades na sociedade brasileira. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. 5(2):21-31. 2006. LAGRANGE, G. Manual da psicomotricidade de Lisboa. Lisboa Editora, 1997. LEGUET, J. As ações motoras em ginástica esportiva. Barueri, SP: Manole, 1987. LOPES, P. et al. Motivação e ginástica artística na escola: a perspectiva do professor. Rev. Bras. C. e Mov; 24(1): 69-79, 2016. LUIZ, J. M. M; ARANA, G. D. Educação Física escolar e o ensino da ginástica. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 19, n. 196, set. 2014. MAIA, M. Dimensões sociais do esporte: perspectivas trabalhadas nas escolas da cidade de Pau dos Ferros, RN. EFDeportes, Revista Digital. Buenos Aires. Ano 15, n. 144. Maio. 2010. NUNOMURA, M. et al. Iniciação esportiva e infância: um olhar sobre a ginástica artística. Rev. Bras. Cienc. Esporte, v. 26, n. 3, p. 159-176, maio. 2005. NUNOMURA, M. et al. Ginástica artística e especialização precoce: cedo demais para especializar, tarde demais para ser campeão. Rev. Bras. Educação Física Esporte, v. 24, n. 3, p. 305, jun./set. 2010. OLIVEIRA, N. R. C. Ginástica para todos: perspectivas no contexto do lazer. Rev. Mackenzie de Educação Física e Esporte, v. 6, n. 1, p. 27-35, 2007. PEDROSO, A et al. Ginástica Para Todos: uma prática presente nas escolas de Lavras, MG. EFDesportes.com, Revista Digital, n. 174, 2012. PELLEGRINI, A. M., et al. Desenvolvendo a coordenação motora no ensino fundamental. São Paulo, SP: UNESP, 2005. PONIM, F. Ginástica: estudo e ensino 3. Série Corpo e Movimento. Curitiba: Intersaberes, 2020. RAMOS, E. S. H. A importância da ginástica geral na escola e seus benefícios para crianças e adolescentes. Jaguariúna, 2007. Monografia (Educação Física). Faculdade de Educação Física, Faculdade de Jaguariúna, 2007. TUBINO, M. Dimensões sociais do esporte. Cortez, 2001. EXPLORE+ Para saber mais sobre os assuntos explorados neste conteúdo: Pesquise o documentário At the heart of gold e entenda o que alguns atletas sofrem no esporte de alto rendimento. Assista a vídeos sobre a Gymnaestrada Mundial, disponíveis no YouTube. Pesquise no site da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) sobre ginástica para todos suas diretrizes e a importância perante a abordagem social do esporte. Leia o artigo A prática da ginástica artística: perfil, influências e preferências, de Cleusa Medina Alves et al. (2009). CONTEUDISTA Alessandra Cury de Carvalho DESCRIÇÃO Os regulamentos e regras da Ginástica Artística e da Ginástica Geral e sua aplicação nos diferentes modelos de eventos e competições. PROPÓSITO O conhecimento sobre a organização e estrutura dos eventos ginásticos, bem como sobre seus regulamentos e regras, é fundamental para os profissionais de Educação Física que desejam atuar e preparar adequadamente seus alunos. OBJETIVOS MÓDULO 1 Reconhecer os regulamentos e as regras da Ginástica Artística e sua aplicação nos diferentes modelos de competição MÓDULO 2 Reconhecer o regulamento da Ginástica Para Todos e sua aplicação nos diferentes modelos de evento da modalidade INTRODUÇÃO Culturalmente, o Brasil é conhecido como o país do futebol. Essa paixão nacional encontra explicação não só na habilidade dos jogadores brasileiros, reconhecida internacionalmente, mas na facilidade de acesso à prática e de entendimento das regras, e nas possibilidades de ascensão social. Ao contrário do futebol, até por volta da década de 2000, a Ginástica Artística era praticamente desconhecida pela maioria dos brasileiros. Além do mais, o acesso a sua prática em níveis competitivos ainda hoje é complicado, pois os locais de oferta estão muito concentrados nos grandes centros urbanos. Esse distanciamento da modalidade torna sua compreensão difícil para um público leigo. Isso, somado à própria característica da ginástica de ser uma modalidade que une arte e esporte, faz com que a avaliação pelos árbitros seja bastante complexa e, consequentemente, faz com que o entendimento das regras esteja condicionado a muito tempo de estudo e experiência na área. Assim, neste conteúdo, vamos estudar de forma resumida os regulamentos e as regras oficiais da Ginástica Artística, todavia sem deixar de apontar os caminhos para os que desejarem se aprofundar no tema. AVISO: orientações sobre unidades de medida. ORIENTAÇÕES SOBRE UNIDADES DE MEDIDA Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o padrão internacional de separação dos números e das unidades. A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA GINÁSTICA NO CENÁRIO BRASILEIRO Antes de entendermos os regulamentos e as regras oficiais da ginástica artística, é preciso conhecermos as instituições que elaboram esses documentos, como elas estão organizadas hierarquicamente no Brasil e como MÓDULO 1 Reconhecer os regulamentos e as regras da Ginástica Artística e sua aplicação nos diferentes modelos de competição javascript:void(0) se relacionam com as instituições internacionais. A Lei nº 9.615/1998, ou Lei Pelé, define como deve ser instituído o Sistema Nacional do Desporto, no entanto, aqui, vamos tratar especificamente das entidades que normatizam as competições oficiais de ginástica artística: FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE GINÁSTICA (FIG) Entidade Internacional de Administração da Ginástica. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GINÁSTICA (CBG) Entidade Nacional de Administração da Ginástica. FEDERAÇÕES ESTADUAIS Entidades Estaduais de Administração da Ginástica. ATENÇÃO Note que o nome “Confederação” é utilizado apenas no Brasil. Internacionalmente, a Confederação recebe o nome de Federação Nacional (FN). A FIG é a entidade que representa e organiza as oito modalidades de ginástica em nível mundial. É de onde emanam as regras oficiais utilizadas nas competições ou em outros eventos gímnicos. A FIG está subordinada diretamente ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Para participar dos eventos da FIG, os países devem possuir uma Federação Nacional (Confederação) legalmente constituída e regularmente filiada à FIG. Atualmente, as oito modalidades de ginástica administradas pela FIG são: GINÁSTICA ARTÍSTICA MASCULINA (GAM) GINÁSTICA ARTÍSTICA FEMININA (GAF) GINÁSTICA RÍTMICA (GR) GINÁSTICA DE TRAMPOLIM (GTR) GINÁSTICA AERÓBICA (GAE) GINÁSTICA ACROBÁTICA (GAC) PARKOUR (PRK) GINÁSTICA PARA TODOS (GPT) A CBG é a entidade máxima que representa as modalidades de ginástica no território nacional; uma associação de caráter desportivo sem fins lucrativos ou econômicos, constituída pelas Entidades Estaduais de Administração da Ginástica (Federações) filiadas, e tem como fim desenvolver a prática da ginástica em todo território nacional, regendo-se pelo seu estatuto (CBG, 2021). Atualmente, a CBG possui 24 Federações filiadas, que podem ser encontradas em seu site. O número de filiados pode variar dependendo da intenção dos estados brasileiros em manter ou não sua filiaçãoe essa variação, ainda que dificilmente ocorra, pode acontecer a qualquer momento. As Federações Estaduais são as entidades máximas que representam as modalidades de Ginástica em nível estadual; são as Entidades Estaduais de Administração da Ginástica. São associações de caráter desportivo sem fins lucrativos ou econômicos, constituídas pelas Entidades Estaduais de prática desportiva, que tem como fim desenvolver e fomentar a Ginástica no estado de sua jurisdição, regendo-se pelo seu estatuto. REGULAMENTOS E REGRAS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA MASCULINA E FEMININA A FIG elabora os regulamentos e as regras da GAM e GAF que serão utilizados nas competições oficiais da entidade, e todos são disponibilizados no sítio eletrônico da FIG. COMENTÁRIO Para este módulo, utilizaremos os documentos mais atuais, no entanto, qualquer documento pode ser atualizado anualmente nas assembleias da FIG, bem como podem ser expedidos boletins com mudanças ou esclarecimentos de regras específicas durante o ano. BOLETINS Os boletins são disponibilizados no sítio eletrônico da FIG e enviados às Federações Nacionais afiliadas. ATENÇÃO É importante salientar que os regulamentos e as regras elaborados pela FIG tem o propósito de serem utilizados em competições e eventos promovidos ou sancionados pela FIG e podem servir como referência para eventos promovidos por outras entidades. As regras dos campeonatos aqui apresentadas são para categoria adulta. Existem regras para as competições por grupo de idades, no entanto são voltadas para o alto rendimento, assim, os organizadores de eventos escolares ou de esporte participação devem adaptar as regras para atender aos propósitos desses eventos. javascript:void(0) É muito comum as pessoas confundirem regulamentos com o que conhecemos como regras, entenda a diferença entre eles: Regulamento É o documento onde são encontradas as normas de cada competição. Os regulamentos são subdivididos e são utilizados para cada uma das oito modalidades de Ginástica. Regra É o que define como determinado esporte, nesse caso, a GA, deve ser praticado em todo o mundo e como a performance dos atletas será avaliada. SAIBA MAIS Na FIG os regulamentos são divididos em: Regulamento Geral (RG) Regulamento Técnico (RT) Regulamento Específico (RE) Eles são utilizados para cada uma das oito modalidades de Ginástica. Os regulamentos e regras da FIG são aplicadas nas seguintes competições: CAMPEONATOS MUNDIAIS - COMPETIÇÃO OFICIAL DA FIG; CAMPEONATOS MUNDIAIS JUVENIL; COPAS DO MUNDO (INDIVIDUAL GERAL E POR APARELHOS); COPAS DO MUNDO DESAFIOS; CAMPEONATOS CONTINENTAIS; WORLD GYMNAESTRADA; WORLD GYM FOR LIFE CHALLENGE; JOGOS MULTIESPORTIVOS. A participação nos Jogos Olímpicos é condicionada à classificação. Os critérios de classificação para GA estão descritos no Apêndice A (ART) do RT da FIG 2022. FORMATO DAS COMPETIÇÕES DE GA O Campeonato Mundial é a competição oficial da FIG. O programa de competições para os Campeonatos Mundiais categoria adulta de 2022, 2023 e dos Jogos Olímpicos de 2024 para Ginástica Artística Masculina e Feminina é o seguinte (RT da FIG 2022): CLASSIFICATÓRIA PARA GINASTAS E EQUIPES; FINAL POR EQUIPE; FINAL INDIVIDUAL GERAL; FINAL POR APARELHOS. Em princípio, a duração do evento é de oito a nove dias. O layout geral do programa de competições é elaborado e decidido pelo Secretário-Geral em conjunto com o Comitê Local Organizador (CLO) e os Comitês Técnicos (CT). A responsabilidade pelos cronogramas detalhados de competição e treinamento é dos Presidentes do CT. ATENÇÃO O Comitê Técnico da FIG pode alterar o formato oficial de competições para os demais eventos. Segue abaixo um modelo de layout de competição padrão (RT da FIG 2022): DIA 1 Treinamento feminino (Subdivisão 1 e 2) DIA 2 Treinamento de pódio masculino (Subdivisão 1 a 6) e treinamento de pódio feminino (Subdivisão 1 e 2) DIA 3 Treino de pódio feminino (Subdivisão 3 a 10) DIA 4 Masculino - Treinamento de Pódio (Subdivisão 1 a 6) e Classificatória Feminina (Subdivisão 1 e 2) DIA 5 Classificatória Feminina (Subdivisão 3 a 10) DIA 6 Classificatória Masculina (Subdivisão 1 a 6) DIA 7 Final por Equipe Feminina e Cerimônia de Premiação DIA 8 Final por Equipe Masculina e Cerimônia de Premiação DIA 9 Individual Geral Feminino e cerimônia de premiação DIA 10 Individual Geral Masculino e Cerimônia de Premiação DIA 11 Finais por aparelho masculino e feminino (5 aparelhos) e cerimônias de premiação DIA 12 Finais por aparelho masculino e feminino (5 aparelhos) e cerimônias de premiação CLASSIFICATÓRIA É o primeiro dia de competição. Nele, os atletas têm a chance de avançar para as finais ou encerrar sua participação. Homens Para os homens, a competição consiste em exercícios (séries) livres nos seis aparelhos. Mulheres Para as mulheres, a competição consiste em exercícios (séries) livres nos quatro aparelhos. Os resultados obtidos na Classificatória determinarão: CLASSIFICAÇÃO PARA TODAS AS FINAIS As oito melhores equipes passam para a Final por Equipes. Os vinte e quatro melhores ginastas do masculino e do feminino passam para a Final do Individual Geral. Os oito melhores ginastas em cada aparelho passam para a Final por Aparelho no respectivo aparelho. RESULTADO DAS EQUIPES O resultado das equipes colocadas em 9º lugar ou abaixo. RESULTADO DAS GINASTAS O resultado das ginastas generalistas colocadas em 25º lugar ou abaixo. RESULTADO POR APARELHOS O resultado por aparelhos dos ginastas colocados em 9º lugar ou abaixo. CLASSIFICAÇÃO PARA A FINAL POR EQUIPE Podem participar até um máximo de 24 equipes masculinas e 24 equipes femininas. SAIBA MAIS Uma equipe completa pode ter de três a cinco ginastas e uma ginasta reserva de uma mesma FN. Quatro ginastas da equipe podem competir em cada aparelho, e as três pontuações mais altas serão levadas em consideração para obter a pontuação total da equipe. Para a classificação para Final Individual Geral e por Equipe, apenas o primeiro salto contará. FINAL POR EQUIPES Os resultados da Final por Equipe determinam o Campeão Mundial por Equipe. As oito equipes que obtiveram as maiores pontuações totais na classificatória participam dessa competição em uma subdivisão composta por seis aparelhos para homens e quatro para mulheres. Na Final por Equipe, o número de ginastas da equipe permanece de no máximo cinco ginastas e no mínimo três. Apenas três ginastas (escolha do técnico), no entanto, podem competir em cada aparelho. As notas dos três ginastas serão somadas para a pontuação final da equipe. Os resultados da Classificatória não são transportados para a Final por Equipe e começam do zero. Em caso de empate em qualquer lugar, serão aplicadas as regras de desempate específicas de cada competição. FINAL INDIVIDUAL GERAL Os resultados da Final Individual Geral determinam o ginasta campeão geral. Apenas os ginastas que competiram em todos os aparelhos são elegíveis para participar da Final Individual Geral. Isso inclui a participação em todos os seis aparelhos para homens e todos os quatro aparelhos para mulheres. A competição consiste em seis exercícios para homens e quatro exercícios para mulheres. Os vinte e quatro ginastas que obtiveram a maior pontuação na classificatória participam desta competição, com no máximo dois ginastas por FN. Os resultados da Classificatória não são transportados para a Final Individual Geral e começam do zero. Em caso de empate em qualquer lugar, aplicam-se as regras de desempate. FINAIS POR APARELHOS Os resultados das Finais por Aparelhos determinam o campeão mundial em cada aparelho. Os oito ginastas com um máximo de dois ginastas por FN que obtiveram as maiores pontuações totais na Classificatória em cada prova participam dessa etapa e realizam um exercício no respectivo aparelho em que foi classificado. No caso da prova de salto, o ginasta deve realizar dois saltos. Osresultados da Classificatória não são transportados para as Finais por Aparelhos e começam do zero. Em caso de empate em qualquer lugar, serão aplicadas as regras de desempate (FIG-RT 2022-2024). NORMAS DOS APARELHOS PARA AS COMPETIÇÕES DE GAM E GAF Todos os aparelhos de competição devem cumprir os requisitos do manual das "Normas dos aparelhos FIG" e todas as disposições contidas no RT e no Código de Pontuação (CP). Todo equipamento deve ter sido testado com sucesso por um dos institutos de teste oficiais da FIG e estar em conformidade com as Normas de Aparelhos da FIG. O fabricante deve possuir um Certificado FIG para cada equipamento pelo menos um ano antes da competição, não podendo expirar antes do término do evento. Para os Jogos Olímpicos, o fabricante deve possuir um certificado FIG para cada equipamento pelo menos dois anos antes da competição, não podendo expirar antes do término do evento. O organizador deve selecionar e anunciar a marca de equipamento escolhida pelo menos um ano antes da competição e informar o Secretário Geral da FIG desta decisão. O prazo para informar a marca do equipamento muda de acordo com o tipo de competição, veja: Campeonatos Mundiais Para Campeonatos Mundiais, essas informações devem ser fornecidas um ano antes das competições. Outras competições Para todas as outras competições, essa informação deve ser fornecida no momento da confirmação do evento. Para todas as competições sancionadas em que participam FN afiliadas à FIG, incluindo Jogos Olímpicos e Jogos Olímpicos da Juventude, todos os aparelhos devem ter o certificado FIG válido para garantir a conformidade com as normas estabelecidas em relação aos vários aparelhos. Os organizadores e o fabricante dos aparelhos são responsáveis pela aplicação dessa regra. É importante consultar também as Normas de Aparelhos FIG (FIG-RT 2022-2024). IDADE DOS PARTICIPANTES Para todas as competições oficiais adulta sancionadas pela FIG e para os Jogos Olímpicos, os participantes devem, no ano de competição, ter a seguinte idade mínima (FIG-RT 2022-2024): Ginástica Artística Masculina 18 anos Ginástica Artística Feminina 16 anos ATENÇÃO As FNs devem declarar se seus ginastas de 18 anos competirão como juvenis ou adultos antes de sua primeira competição no ano em questão. ASSISTÊNCIA DE TREINADORES As disposições detalhadas relativas às limitações na assistência de treinadores durante a realização de um exercício são estabelecidas no CP. Em nenhum caso, um técnico, chefe de equipe ou outra pessoa oficial pode se comunicar verbalmente ou por meio de sinais com um ginasta ou uma equipe durante a execução dos exercícios. Veja quantas pessoas podem auxiliar os competidores de acordo com o número de competidores: Equipe Cada equipe na Classificatória e Final por Equipe pode ser acompanhada na área de competição por no máximo dois treinadores. Ginastas individuais As ginastas individuais podem ser auxiliadas por um técnico na área de competição de acordo com o disposto nas Regras de Credenciamento para Classificatória. Para a Final Individual Geral e Finais por Aparelhos, apenas um treinador por ginasta é permitido, mas treinadores pessoais podem estar presentes, sujeitos às disposições feitas nas Regras de Credenciamento (FIG- RT 2022-2024). Veja quantas pessoas podem auxiliar os competidores de acordo com o gênero dos competidores: Ginástica Artística Masculina Para a prevenção de acidentes e o apoio moral do ginasta, um treinador está autorizado a ficar próximo ao ginasta nos seguintes aparelhos: barra e argolas. Qualquer auxílio, contribuindo para a execução bem-sucedida de um exercício, resultará em uma dedução da nota. Ginástica Artística Feminina O treinador masculino ou feminino pode estar no pódio. Durante a competição, apenas para retirar o trampolim nas paralelas assimétricas e na trave, mas não deve obstruir a visão dos árbitros. Entretanto, é permitido ficar um treinador durante a execução dos exercícios nas paralelas assimétricas conforme definido no CP; para proteger a ginasta em caso de queda (FIG-RT 2022-2024). ORDEM OLÍMPICA É a sequência das provas com base numa ordem preestabelecida, para que todas as equipes ou ginastas individuais participem na competição. Damos o nome de ordem olímpica à ordem oficial das provas da GAM e da GAF que ocorre dentro da subdivisão: ORDEM OLÍMPICA OFICIAL PARA HOMENS ORDEM OLÍMPICA OFICIAL PARA MULHERES Solo Cavalo Argola Salto Paralela Barra Salto Paralela Trave Solo Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Ordem olímpica. Elaborado por Andréa João. Em uma competição padrão, cada subdivisão compreende seis rodízios para os homens e quatro rodízios para as mulheres. Em cada rodízio, os ginastas ou as equipes participam de uma prova seguindo a ordem olímpica. Para melhor demonstrar como a ordem olímpica é utilizada na competição, imagine que uma equipe masculina começa na prova de solo, no primeiro rodízio. No segundo rodízio, ela passará para a prova de cavalo; no terceiro rodízio, seguirá para a prova de argolas, e assim por diante, até passar pelas seis provas masculinas e finalizará os seis rodízios dessa subdivisão na prova de barra. Veja no exemplo a seguir a programação original da GAM com os rodízios seguidos pelos países nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2021. Neste quadro, a equipe masculina do Brasil aparece na segunda divisão, e a primeira prova de competição foi a prova do cavalo com alças: O mesmo acontece com as provas femininas. Se uma determinada equipe iniciar na paralela, a prova seguinte será trave, em seguida irá para o solo e finalizará o quarto rodízio de aparelhos no salto. VOCÊ SABIA Dizemos que uma equipe ou ginasta iniciou a competição na ordem olímpica quando a equipe masculina inicia no solo e a feminina inicia no salto. NOÇÕES BÁSICAS DA ARBITRAGEM EM GA ARBITRAGEM DA GA A compreensão do CP para um iniciante não é tarefa fácil, demanda conhecimento prévio e experiência na ginástica. A formação dos árbitros se dá por meio dos cursos oficiais promovidos pela FIG ou suas filiadas, e os que forem aprovados nos exames teórico-práticos recebem um brevet de árbitro respectivo ao nível do curso que ele participou, que pode ser: Internacional ou intercontinental Para os cursos da FIG. Nacional Para os cursos promovidos pela CBG. Estadual Para cursos realizados pelas Federações Estaduais. O brevet de árbitro tem validade por quatro anos. O brevet de árbitro internacional pode ser de categoria 1, 2, 3 ou 4, dependendo dos resultados no curso, do tempo e da experiência do árbitro, sendo a categoria 1 para os mais qualificados e assim por diante. Para um melhor entendimento, segue o exemplo das competições internacionais e as respectivas categorias de árbitros que podem atuar nesses eventos: GRUPO DE COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS (2022-2024) Categoria 1 Categoria 2 Categoria 3 Categoria 4 Jogos Olímpicos Jogos Olímpicos da Juventude Campeonatos Mundiais Juvenis Todos os outros campeonatos regionais Os Jogos Mundiais Desafios das Copas do Mundo Todos os outros jogos Campeonatos mundiais Campeonatos Continentais Juvenis Competições Mundiais por Grupo de Idades Para disciplinas olímpicas* Jogos da Amizade Jogos do Mediterrâneo Competições Continentais por Grupos de Idades Campeonatos Continentais Jogos Universitários- em conjunto com a Federação Internacional de Esportes Universitários Todos os outros torneios e competições internacionais aprovados pela FIG Jogos Continentais Campeonatos da Orla do Pacífico Competições da Copa do Jogos Continentais Juvenis / Festivais Mundo Para disciplinas não olímpicas Para disciplinas não olímpicas Campeonatos Continentais Campeonatos Continentais Juvenis Jogos Continentais Competições da Copa do Mundo Quadro: Competições internacionais e as respectivas categorias de árbitros. Extraído de: FIG-GENERAL JUDGES'RULE_WITH CHANGES, 2022. ATENÇÃO Todos os árbitros devem renovar seu brevet ao final de cada ciclo olímpico, passando novamente pelo curso. COMPOSIÇÃO DAS BANCAS DE ARBITRAGEM No quadro a seguir, vemos como deve ser formada a banca de arbitragem para cada prova — aparelho da GAM e GAF nos dois grupos de competições principais. Qualquer competição pode usar a composição padrão da banca de arbitragem do grupo 1 de competições, Jogos Olímpicos. Para os demais grupos de competições, existem composições com número mínimo de árbitros que devem ser seguidos, podendo ser utilizada uma composição de um grupo de competições superior. PAINEL DE ÁRBITROS PARA GINÁSTICA ARTÍSTICA MASCULINA E FEMININA Jogos Olímpicos (JO) Jogos Olímpicos da Juventude (JOJ) Jogos Mundiais (JM)) Campeonatos Mundiais (CM) Campeonatos Continentais Sr. Jogos Continentais Competições da Copa do Mundo 7 Árbitros de Execução (média das 3 notas intermediárias) 2 Árbitros de Dificuldade 1 Apparatus Supervisor (Supervisor do aparelho) -------------------------------- GAM: 1 Presidente 1 membro GAF:1 Presidente 2 membros Copa do Mundo classificatória para Copa do Mundo e Jogos Olímpicos 7 Árbitros de Execução (média das 3 notas intermediárias) 2 Árbitros de Dificuldade 1 Apparatus Supervisor (Supervisor do aparelho) ------------------------------------------------- GAM e GAF: 1 Presidente e 1 membro GAF CM: 1 Presidente e 2 membros GAM / GAF Jogos Olímpicos e classificatória das Copa do Mundo: 1 presidente Todos os outros 5 Árbitros de Execução (média das 3 notas intermediárias) 2 Árbitros de Dificuldade 1 Apparatus Supervisor (Supervisor do aparelho) ------------------------------------------------- Men Artistic Gymnastic / Women Artistic Gymnastic: 1 Presidente Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro extraído de FIG-GENERAL JUDGES' RULE_WITH CHANGES 2022. Nota: Os Júris Superiores (SJ) mostrados em azul. CÓDIGO DE PONTUAÇÃO (CP) Certamente, você já ouviu a frase “todo brasileiro entende de futebol”, ou “A regra é clara”, bordão de um famoso árbitro de futebol. Sem dúvida, essa familiaridade e “clareza” com as regras do futebol não acontecem com a GA. As regras específicas da GA estão descritas no Código de Pontuação (CP) e publicizadas no sítio eletrônico em inglês, francês, espanhol e russo. As traduções são possíveis com o consentimento da FIG, que requer seus direitos autorais. Em caso de conflitos, o texto em inglês deve ser utilizado. Os CP são elaborados pelos Comitês Técnicos da FIG e contêm: Avaliação dos exercícios (séries). Combinação e conteúdo dos exercícios. Deduções para falhas de execução; medidas disciplinares para violações por parte dos treinadores e ginastas; detalhes da organização. Controle da competição. O CP deve ser lido em conjunto com o RT, e em caso de conflito de interpretação os princípios do RT devem prevalecer (FIG-RT 2022). VOCÊ SABIA O primeiro CP, contendo apenas doze páginas, foi editado pela FIG em 1949 (PUBLIO, 1998) e vem sendo atualizado ao longo dos anos. Isso se dá devido à evolução constante da modalidade. Como na maioria dos esportes, a GA é uma modalidade em que os atletas estão constantemente tentando exercícios cada vez mais difíceis e as regras devem acompanhar esse desenvolvimento. Em princípio, o CP é atualizado estruturalmente de quatro em quatro anos após os Jogos Olímpicos de verão, mas pequenas atualizações são feitas durante o ciclo olímpico e divulgadas por meio dos boletins da FIG no seu sítio eletrônico, como também enviadas a todas as entidades filiadas. A FIG dispõe de um CP para a GAM e um CP diferente para GAF. Embora os nomes das modalidades sejam iguais, as regras possuem um padrão geral igual para os dois gêneros, mas se diferenciam em aspectos específicos de cada um. COMENTÁRIO A seguir, vamos abordar as regras comuns aos dois gêneros e identificar no texto quando houver diferenças entre GAM e GAF. REGRA GERAL As regras que regem a avaliação dos exercícios e a determinação da pontuação final é idêntica para todas as sessões de competição, (Classificatória, Final por Equipe, Final Individual Geral, Finais por Aparelho) exceto para o salto, em que existem regras especiais na Classificatória e nas Finais por Aparelho. DETERMINAÇÃO DAS NOTAS Na Ginástica, a performance dos atletas não pode ser medida em metros ou segundos. A avaliação consiste na aplicação das regras descritas no CP, o que torna essa tarefa, bem como seu entendimento, bastante complexa. COMENTÁRIO Vamos abordar o assunto para a compreensão do processo como um todo, sem a finalidade de capacitá-lo a realizar a arbitragem de uma prova. Caso haja o interesse em aprofundar no assunto, um estudo completo e minucioso do Código de Pontuação, bem como a prática da sua aplicação, devem ser feitos. Na determinação da nota em um aparelho, exceto para a prova de salto, os aparelhos da GAM e da GAF seguem o mesmo procedimento de avaliação. A pontuação final em cada aparelho será estabelecida utilizando duas notas separadas: Nota de Dificuldade ou Nota-D Representa o conteúdo de um exercício. Nota de Execução ou Nota-E Representa a execução de um exercício. A Nota Final (NF) de um exercício (série) em cada aparelho será estabelecida pela soma da Nota-D com a Nota- E no respectivo aparelho. Todos os elementos que os ginastas realizam numa competição devem estar catalogados no CP com seu respectivo valor, desenho, símbolo (representação gráfica do elemento), grupo e número. SAIBA MAIS Para apresentar um elemento novo, o ginasta deve informar com antecedência o CT da competição e este irá lhe atribuir um valor, informando-o em seguida aos árbitros. Cada elemento tem um grau de dificuldade, sendo representado no CP por letras que vão do mais fácil para o mais difícil. A seguir, vemos cada letra com seu respectivo valor. Dificuldade A B C D E F G H I J Valor 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 Quadro: Grau de dificuldade no CP. Elaborado por Andréa João. COMENTÁRIO Na GAM o valor de dificuldade vai somente até a letra “I”. CÁLCULO DA NOTA-D PARA A GAM O árbitro calcula a nota baseada em três elementos, veja: 1 - O árbitro irá somar o valor de dificuldade de dez elementos, sendo os nove de maior dificuldade da série (no máximo cinco elementos do mesmo Grupo de Elementos) mais o valor da saída . 2 - Cada prova, exceto a de salto, possui quatro requerimentos. Para cada requerimento cumprido, o ginasta recebe + 0,50 na Nota-D. SAÍDA É o último exercício que o ginasta realiza para deixar o aparelho e retornar ao chão. Observação Requerimento para saída: Se o ginasta faz uma saída de valor C, ele recebe + 0,3 na Nota-D (cumpriu parcialmente o requerimento). Se o ginasta faz uma saída de valor D ou maior, ele recebe + 0,50 na Nota-D (cumpriu integralmente o requerimento). 3 - Pontos por Conexão – Ao ligar elementos de dificuldade, o ginasta poderá receber pontos de acordo com o valor das dificuldades e com base em regras específicas para os diferentes aparelhos. Agora, vamos fazer uma simulação de cálculo da Nota-D: O ginasta executou na sua série os seguintes elementos e atendeu aos requisitos dos grupos: Três elementos de valor A = 0,3 Dois elementos de valor B = 0,4 Dois elementos de valor C = 0,6 javascript:void(0) Um elemento de valor E = 0,5 Um elemento de valor H = 0,8 Saída de valor D = 0,4 TOTAL = 3,0 pontos Requerimentos: Cumpriu três requerimentos (3 x 0,5) e fez uma saída C (+ 0,3) = 1,8 pontos Não realizou ligação de elementos de dificuldade = 0,0 pontos Nota-D = 3,0 + 1,8 = 4,8 pontos CÁLCULO DA NOTA-E PARA GAM A apresentação do exercício consiste apenas nos fatores que constituem a essência de uma performance de Ginástica Contemporânea e a ausência deles resulta em deduções pelo E-júri. Esses fatores são: técnica, composição (expectativas gerais para a construção do exercício), estética e execução.A Pontuação da Nota-E começará a partir de 10 pontos de onde os árbitros vão aplicar deduções em décimos de ponto para as falhas de execução. ATENÇÃO A falha mais grave da ginástica é a queda; nesse caso, o ginasta perde 1,0 na sua nota de execução. CÁLCULO DA NOTA-D E E PARA A GAF Esse cálculo segue o mesmo princípio da GAM com as seguintes diferenças: Os árbitros vão considerar as oito maiores dificuldades que a ginasta apresenta na série, inclusive a saída. Para a Nota-E, além das falhas por execução, podem também existir penalidades por apresentação artística. As tabelas com todas as falhas gerais e os descontos por apresentação artística estão no CP. Vamos simular a Nota Final de uma prova da GAF: Elementos de dificuldade (3 C, 3 D, 2 E) + 3.10 Cumpriu os quatro requisitos de composição (4 x 0,5) + 2.00 P. Pontos por conexão + 0.60 P. Nota-D 5.70 P. Nota-E * 10.00 P. Falhas de execução - 0.70 P. Falta de apresentação artística - 0.30 P. Total de deduções - 1.00 P. Nota-E = 9.00 P. Nota Final = 5,7 + 9,00 = 14.70 P. *Nota-E: As deduções por execução & apresentação artística são somadas e depois subtraídas de 10,00 P (FIG-CP, 2022-2024). Mas você deve estar se perguntando: por que estudar o CP é tão complexo? Veja alguns fatores que dificultam o entendimento das regras: A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ESPORTIVA E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES QUE PROMOVEM OS EVENTOS GINÁSTICOS MUITAS VEZES ADAPTAM AS REGRAS OFICIAIS DA FIG PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES DOS SEUS EVENTOS. A FALTA DE FAMILIARIDADE COM OS REGULAMENTOS. OS IDIOMAS OFICIAIS. A FREQUÊNCIA DE ATUALIZAÇÃO DAS REGRAS. OS CURSOS DE FORMAÇÃO DE ÁRBITROS SÃO APENAS PARA TIRAR DÚVIDAS, EXISTINDO POUCA OFERTA DE CURSOS PREPARATÓRIOS. A ATUAÇÃO NA ARBITRAGEM DOS EVENTOS - ÁRBITROS INEXPERIENTES QUASE NÃO SÃO CONVOCADOS, GERANDO UM CICLO DIFÍCIL DE SER QUEBRADO. A QUESTÃO É: SE O ÁRBITRO NÃO TEM EXPERIÊNCIA, ELE NÃO JULGA; E SE NÃO JULGA, NÃO ADQUIRE A EXPERIÊNCIA NECESSÁRIA. PARA ARBITRAR, É NECESSÁRIO CONHECER A TÉCNICA CORRETA DE TODOS OS ELEMENTOS DO CP. RELEMBRANDO As provas na Ginástica Artística são seis para o masculino (solo, cavalo com alças, argolas, salto, paralelas simétricas e barra) e quatro para o naipe feminino (salto, paralelas assimétricas, trave e solo) e são realizadas nos aparelhos. ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS APARELHOS DA GAM E DA GAF CAVALO COM ALÇAS Esta prova é realizada no aparelho cavalo com alças somente para os homens. Origem O cavalo é o aparelho mais antigo da Ginástica. Sua origem se deu em Roma por volta dos anos 375 d.C. e era usado para exercícios de cavalaria. Os soldados romanos utilizavam o cavalo de madeira para aprimorar sua arte de cavalgar utilizando os braços, como também para montar e desmontar sem sobrecarregar os animais vivos, além da vantagem de estar numa base estável. VOCÊ SABIA Em 1811, Friedrich Ludwig Jahn, considerado o pai da ginástica e criador dos aparelhos, também utilizava o cavalo para saltos. Na tradução de Charles Beck de A Treatise on Gymnasticks, escrito por Jahn em 1812, o cavalo é assim descrito: A TRASEIRA (GARUPA) SE ELEVA EM DIREÇÃO AO RABO UMA POLEGADA, O PESCOÇO EM DIREÇÃO À CABEÇA TANTO QUANTO OS ARÇÕES, DUAS E QUATRO POLEGADAS. O CAVALO ERA RECOBERTO DE CURVIN, A CRINA ERA COSTURADA. PUBLIO, 1998 O modelo para esse cavalo foi o animal vivo. Na Roma Antiga, era usado para cavalaria e começava a ser usado para Ginástica. Atualmente, ele é chamado de cavalo com alças. Com a evolução, o aparelho foi diminuindo, a sela deu origem às alças, facilitando a empunhadura, e a FIG padronizou as medidas. MEDIDAS OFICIAIS Altura – 1,15m do chão Comprimento – 1,60m Largura – 35cm na parte superior Distância entre as alças – 40 – 45cm SALTO A prova de salto é realizada sobre a mesa de salto, tanto pelos homens quanto pelas mulheres. Origem Assim como o cavalo com alças, o salto também se originou do animal vivo; nesse caso, o objetivo era saltar sobre ele. SAIBA MAIS Originalmente, saltava-se sobre a largura usando os arções como apoio das mãos. Posteriormente, os homens saltavam sobre o comprimento (longitudinalmente) e as mulheres, sobre sua largura (transversalmente), logicamente, sem os arções. O salto mudou muito com os anos. Saltava-se sobre cavalos com pescoço quatro polegadas mais alto que seu corpo (PUBLIO, 1998). Em 2001, o cavalo de saltos, deu origem à mesa de saltos que é usada atualmente. A plataforma da mesa tem uma grande superfície quadrada com uma frente arredondada, que permite entradas mais seguras e diminui a probabilidade de acidentes. Esse novo aparelho permite que os atletas ultrapassem os limites da dificuldade. Para essa prova, também é utilizado um trampolim de impulsão, que, atualmente, possui molas, e colchões para aterrissagem. MEDIDAS OFICIAIS Altura da mesa - GAM 1,35m e GAF 1,25m Largura da mesa - 95cm na parte superior Comprimento - 1,20m PARALELAS SIMÉTRICAS Esta prova é realizada nas paralelas simétricas para os homens. Origem As paralelas simétricas foram idealizadas por Friedrich Ludwig Jahn, para fortalecer os membros superiores e auxiliar nos volteios do cavalo. Em seu livro A Treatise on Gymnasticks, são descritas assim: AS BARRAS PARALELAS CONSISTEM EM DUAS BARRAS DE MADEIRA HORIZONTAIS E PARALELAS, CADA UMA COM 8 PÉS DE COMPRIMENTO SOBRE DOIS POSTES. PUBLIO, 1998 MEDIDAS OFICIAIS Paralelas simétricas (GAM): Altura - 2,00m do chão Distância entre as barras - 42 - 52cm Comprimento das barras - 3,50m PARALELAS ASSIMÉTRICAS Esta prova feminina é realizada nas paralelas assimétricas (barras paralelas com alturas diferentes). As mulheres começaram a participar da prova masculina de paralelas simétricas dos homens e passaram a fazer parte dos Jogos Olímpicos em 1936. Origem É o mais recente dos aparelhos nas competições de Ginástica. A primeira vez que se ouviu falar delas foi antes dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. Havia muitas "poses" e movimentos estáticos (paradas). As barras eram simples como a paralela masculina, adaptando-se um acoplamento mais longo no poste para que uma barra ficasse mais alta que a outra (PUBLIO, 1998). Sem dúvida, esta é a prova que mais evoluiu na Ginástica. Atualmente, é comum ver as mulheres executando elementos que antes eram utilizados apenas na barra masculina. Isso foi possível, pois a distância entre as barras aumentou tanto que as ginastas menores conseguem passar com o corpo na posição estendida entre elas. MEDIDAS OFICIAIS Paralelas assimétricas (GAF): Altura das barras - superior 2,50m e inferior 1,70m do chão Distância entre as barras - 1,30m - 1,80m Largura das barras: 2,40m BARRA A prova é realizada somente por homens no aparelho barra. Origem O nome do aparelho vem da palavra alemã reck cujo significado é “barra horizontal para pendurar roupas”. Desde sempre, era comum que crianças subissem em árvores e se balançassem em galhos. Por isso, algumas pessoas a chamavam de "galho horizontal de carvalho". Na metade do século XIX, a barra de madeira foi substituída pela barra de aço (PUBLIO, 1998). Considerada a prova mais espetacular da ginástica e por isso é a última a ser realizada na competição final por aparelhos, consiste em voos com largadas e retomadas espetaculares. MEDIDAS OFICIAIS Altura - 2,80m Largura da barra - 2,40m Diâmetro - 2,8cm ARGOLAS Prova somente realizada por homens no aparelho argolas. Origem Romische Ringe ou aros romanos é o nome que se utilizava para o aparelho argolas. Diferentemente dos dias de hoje, o balanço era uma característica marcante dessa prova até o início dos anos 1950. Houve evolução no formato dos aros, e os ginastas podiam escolher entre realizar suas séries nas argolas redondas ou triangulares. A maioria preferia as argolas redondas, forma adotada atualmente. Eram confeccionadas de ferro e cobertas com couro, mas com o passar dos anos, a fibra de vidro e a madeira foram adotados na construção dos aros. (PUBLIO, 1998).O pórtico das argolas é fixo, mas os aros são móveis e ficam suspensos por cabos de aço. Balançar as argolas não é mais permitido nas competições, e o ginasta perde pontos se fazê-lo. A prova se tornou uma sequência de exercícios de força estática onde o atleta deve manter as posições por no mínimo dois segundos intercalados com exercícios de impulso. MEDIDAS OFICIAIS Altura total do pórtico - 5,80m Altura da parte inferior do aro até o chão - 2,80m Distância entre as argolas - 50cm Diâmetro do aro - 18cm Diâmetro da empunhadura - 2,8cm SOLO Origem Em 1930, no Campeonato de Luxemburgo, a Ginástica de Solo fez parte, pela primeira vez, do programa de competições (só no masculino). Desenvolveu-se a partir de exercícios livres com ou sem aparelhos. É o resultado de exercícios calistênicos com a dança. Em 1930, em algumas competições americanas, havia dois eventos: um padrão (exercícios calistênicos) e outro chamado dança. Gradualmente, tornaram-se um só e quando as mulheres acrescentaram música começou a ser apreciado pelo público. Finalmente, tornou-se um evento individual nos Jogos Olímpicos, tendo sido incluído em 1932, em Los Angeles, para os homens; e em 1952, em Helsinque, para as mulheres (PUBLIO, 1998). As séries masculinas começaram a explorar exercícios acrobáticos e de flexibilidade, enquanto o acompanhamento musical foi adotado para o solo feminino. Essa música, originalmente tocada por piano, agora pode ser orquestrada e pode ter uso de voz, mas não da letra da música. MEDIDAS OFICIAIS Tablado de 12m x 12m TRAVE Prova exclusivamente feminina executada sobre o aparelho trave. Origem Mesmo antes de oficializar a Ginástica, as pessoas já andavam naturalmente por superfícies estreitas, muros, trilhos, entre outros. NO PLAYGROUND DE JAHN, ELA ERA CHAMADA: (1) BARRA APOIADA DE MADEIRA MACIA, TÃO LONGA QUANTO POSSÍVEL, MAS NÃO MAIS LARGA QUE OITO POLEGADAS, APOIADA NO CHÃO; (2) BARRA SUSPENSA DE PINHO SEM NÓS, O QUANTO MAIS LONGO MELHOR, NÃO SENDO BOM TER MENOS QUE 40 PÉS DE COMPRIMENTO E 10 POLEGADAS DE LARGURA APOIADA NO LADO MAIS LARGO E ALGUMA DISTÂNCIA DO MAIS ESTREITO ENTRE DOIS PARES DE POSTES FORTES. PODE SER FIXADA EM ALTURAS DIFERENTES. PUBLIO, 1998 Apesar de ser uma prova feminina para competições, a trave é um excelente aparelho para desenvolver o equilíbrio e pode ser utilizada nas aulas de iniciação para ambos os sexos. MEDIDAS OFICIAIS Altura - 1,25m do chão Largura - 10cm Comprimento - 5m REGULAMENTOS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA Neste vídeo, serão apresentados os regulamentos e as regras da Ginástica Artística. VEM QUE EU TE EXPLICO! Formato das competições de GA Arbitragem da GA Determinação das notas Origem e evolução dos aparelhos da GAM e GAF VERIFICANDO O APRENDIZADO ORIGEM E EVOLUÇÃO DA GINÁSTICA PARA TODOS Inicialmente chamada de Ginástica Geral (GG), a Ginástica para Todos (GPT) surgiu na FIG devido ao interesse do seu então presidente Nicolas J. Cupérus de proporcionar aos filiados uma atividade mais voltada para os benefícios da modalidade do que com fins competitivos. 1953 O primeiro festival de Ginástica Geral aconteceu na cidade de Roterdã, Holanda. Idealizado pelo holandês Johan Heirinch François Sommer, o festival levou o nome de Gymnaestrada, e atualmente é considerado o maior festival de GPT do mundo. No mesmo ano, A GG chegou ao Brasil por meio de sua precursora a profa. Ilona Peuker. Após dirigir uma equipe da Áustria, onde residia na época, na 1ª Gymnaestrada, ela desembarcou no Brasil em setembro de 1953 e veio a residir no Rio de Janeiro. 1964 A GG expandiu no Brasil carregada de ideias da profa. Ilona, que inovou na forma de utilização da ginástica moderna, incorporando elementos da cultura nacional, além da adaptação de aparelhos com utilização de cascas de coco, pandeiros, agogôs, entre outros que tradicionalmente não se usavam na Ginástica. A profa. Ilona consolidou seu projeto com a criação do Grupo Unido de Ginastas (GUG), fundado em 1964. A Ginástica para Todos (GPT) abrange os conteúdos de todas as modalidades de Ginástica da FIG e oferece uma grande variedade de atividades para todos os gêneros, faixas etárias, habilidades e experiência cultural, sem qualquer tipo de discriminação. As atividades de GPT tem como fundamento os 4Fs: Fun, Fitness, Fundamentals e Friendship que, traduzindo para o português, quer dizer: diversão, condicionamento físico, fundamentos e amizade. A modalidade pode englobar: Ginástica com ou sem aparelhos. MÓDULO 2 Reconhecer o regulamento da Ginástica Para Todos e sua aplicação nos diferentes modelos de evento da modalidade Folclore e dança. Itens que são de particular interesse em um contexto nacional e cultural. PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS DA FIG NA CONDUÇÃO DA GPT VISÃO Reunir nações a partir de um mundo de movimento e atividade física, contribuindo para a saúde global, boa forma e amizade. MISSÃO Para melhorar a consciência global, a qualidade e a difusão da Ginástica para Todos por meio da liderança, do compartilhamento de ideias, da colaboração e do fornecimento de conselhos, informações, serviços e recursos especificamente, o Comitê de Ginástica para Todos da FIG (GfA C.) esforça-se para aumentar significativamente a qualidade e o número de: Federações Nacionais que oferecem ginástica para todos. Pessoas de todas as idades, habilidades e culturas participando da Ginástica para Todos. Federações Nacionais que participam de eventos de Ginástica para Todos reconhecidos pela FIG. O QUE A FIG ESPERA ALCANÇAR COM OS EVENTOS DE GINÁSTICA PARA TODOS? Aumentar o desenvolvimento de todos os participantes. Oferecer ampla escolha de movimentos, incluindo tradições nacionais. Incentivar o trabalho em equipe, o jogo limpo e a solidariedade, e não desempenhos individuais ou competições. Recompensar a participação, bem como a excelência. Incentivar a participação vitalícia na ginástica, aumentando a longevidade no esporte. Não exigir, ou incentivar, a identificação, seleção ou especialização precoce de ginastas. Ser um catalisador para a colaboração e união de pessoas e nações. Atualmente, na FIG, a Ginástica para Todos pode ser manifestada tanto por meio de demonstração como a “Gymnaestrada Mundial”, ou de eventos de equipes competitivas como o atual “World Gym for Life Challenge” (FIG GYMNASTICS FOR ALL MANUAL, 2022). COMENTÁRIO Agora, vamos falar dos regulamentos específicos para participação nas Gymanestradas Mundiais e no World Gym for Life Chalenge (Mundial de Ginástica para todos). Para isso, vamos utilizar como base o Manual de Ginástica para Todos da FIG 2022 e ressaltar mais os aspectos logísticos e organizacionais, do que os aspectos técnicos, uma vez que este é demasiado abrangente. Note que uma vez aprovado na assembleia anual da FIG, os documentos são revisados e podem sofrer alguma modificação ao longo do ano. Essas informações são lançadas por meio de boletins, que são disponibilizados no sítio eletrônico da FIG, bem como enviados a todas as Federações Nacionais, que por sua vez, se encarregam de distribuir para as Federações Estaduais. REGULAMENTO DA GYMNAESTRADA MUNDIAL A Gymnaestrada Mundial é o maior evento não competitivo de Ginástica para Todos da FIG. Esse festival é realizado a cada quatro anos e vem atraindo um número cada vez maior de participantes. A filosofia da GPT, conforme o nome diz, é de que a participação na Gymnaestrada seja para todos. A FIG não permite qualquer discriminação por raça, cor, gênero, orientação sexual, idioma, religião, opinião política ou outra, de origem nacional ou social, propriedade, nascimento, deficiência, atributos físicos, capacidade atlética ou outro status. A organização do evento é delegada a uma Federação afiliada à FIG, em colaboração com uma cidade, pois realmente o evento se espalha pelos quatro cantos da sede local. A Federação afiliada que receber a incumbência de realizar a Gymnaestrada terá um trabalho de pelo menos cinco anos e atuará estabelecendosua própria estrutura de organização, incluindo um Comitê Organizador Local (LOC). O Manual de Ginástica para Todos da FIG contém o regulamento da Gymnaestrada Mundial e descreve as atribuições tanto para a organização deste evento quanto para os participantes e pode ser utilizado para Gymnaestrada Nacional e/ou continental. Muitos países o utilizam com finalidades de preparar os grupos para participar das Gymnaestradas. COMO ORGANIZAR OU PARTICIPAR DE UM EVENTO TÃO GRANDIOSO? O ginasta de GPT, quando opta por fazer parte de um grupo e incorporar o projeto de se preparar para o evento, sem dúvida não está em busca de aprimorar sua performance individual, mas de fazer parte de uma grande festa mundial, onde o prazer está inserido desde os contatos com seu grupo para treinos, até a confraternização com povos de outras nacionalidades. Desde sua criação e até os dias atuais, a Gymnaestrada possui objetivos democráticos e inclusivos, tais como: PROMOVER O VALOR E A DIVERSIDADE DA GINÁSTICA. ESTIMULAR O CRESCIMENTO DA GINÁSTICA PARA TODOS EM TODO O MUNDO. INCENTIVAR A PRÁTICA DA GPT PELAS FEDERAÇÕES AFILIADAS À FIG. INSPIRAR AS PESSOAS PARA O PRAZER EM PRATICAR EXERCÍCIOS E ENCORAJANDO ATIVIDADES PESSOAIS. DEMONSTRAR AS POSSIBILIDADES ILIMITADAS DE DIFERENTES IDEIAS DE GINÁSTICA PARA TODOS. APRESENTAR AS DESCOBERTAS E OS DESENVOLVIMENTOS MAIS RECENTES. REUNIR GINASTAS DE TODO O MUNDO COMO UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A AMIZADE ENTRE AS NAÇÕES. APRESENTAR A DIVERSIDADE DA GINÁSTICA A UM PÚBLICO MAIS AMPLO. OFERECER UM EVENTO INTERESSANTE E EMOCIONANTE NA GINÁSTICA PARA OS PARTICIPANTES E O PÚBLICO. Devido à magnitude desse evento, a logística para sua organização passa pela leitura e pelo cumprimento de várias normas, que podem ser encontradas nos seguintes documentos (FIG GYMNASTICS FOR ALL MANUAL, 2022): Estatutos da FIG. Manual de Ginástica para Todos / Regulamento da Gymnaestrada Mundial. O contrato que será assinado entre a Federação anfitriã filiada à FIG e a FIG. Regras de mídia FIG. Regras de Publicidade e Publicidade FIG. Organização Médica das Competições e Eventos Oficiais da FIG (apenas a seção relacionada para a ginástica para todos). Código de ética FIG. Regras de credenciamento FIG. Obrigações da emissora anfitriã FIG (HB) (apenas a seção relativa à ginástica para todos). Diretrizes para Chefe de Delegação (HoD) da Ginástica para Todos. Regras antidopagem da FIG. PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO DO EVENTO O convite para sediar a Gymnaestrada é feito a todas as Federações Nacionais filiadas à FIG seis anos antes do evento. A disputa pela sede se dá com apresentação da proposta e de todos os serviços ou benefícios extras que a Federação afiliada da FIG licitante promete no momento de sua licitação ou durante a visita de inspeção, os quais serão adicionados ao contrato que será assinado pelo anfitrião afiliado e pela FIG. Com isso, o contrato é assinado pelo presidente e pelo secretário-geral de ambas as organizações. A partir da concordância em realizar o evento, dois integrantes do Comitê de GPT da FIG visitarão as Federações licitantes para inspeção e análise das melhores propostas. A sede da Gymnaestrada é confirmada com cinco anos de antecedência para que tanto os organizadores quanto os participantes possam se preparar. Assim como os Jogos Olímpicos, a World Gymnaestrada será realizada a cada quatro anos, no ano ímpar entre o Gym For Life Challenge, e terá a duração de sete dias, incluindo as cerimônias de abertura e encerramento. ATENÇÃO A World Gymnaestrada não deve ser realizada em conjunto com nenhuma outra competição de Ginástica ou evento cultural, como por exemplo, festival nacional de ginástica, exibições etc. e deve ser não competitivo. Para facilitar a comunicação, o idioma oficial da World Gymnaestrada é o inglês, mas pelo menos dois idiomas devem ser usados onde o inglês será um deles. Caso o país organizador assim deseje um terceiro idioma pode ser utilizado. ESCOPO E PROGRAMA DA GYMNAESTRADA MUNDIAL A World Gymnaestrada caracteriza-se como um grandioso evento que tem duração de sete dias, incluídas as cerimônias de abertura e encerramento e sua programação. SAIBA MAIS O evento inclui apresentações coreográficas em grupos contendo elementos de todas as modalidades de Ginástica, sem o intuito competitivo. O programa do evento é composto por vários momentos (shows) e deve incluir o seguinte: CERIMÔNIA DE ABERTURA A cerimônia acontece no primeiro dia da Gymnaestrada Mundial e marca o início de uma festiva e alegre semana; conta com a presença de todos os participantes de todas as Federações filiadas à FIG. Geralmente, o público presente é muito grande, e as autoridades da FIG e locais estão presentes para dar as boas-vindas a todos. Nesse dia, além de um show programado pelos organizadores envolvendo formas criativas de fazer a ginástica, ocorre o desfile das delegações, onde os países carregam suas bandeiras. Essa cerimônia é feita geralmente em estádios abertos com capacidade para no mínimo 25 mil espectadores. Observando a questão sociocultural, a cerimônia expande-se para além dos muros do estádio, uma vez que envolve os deslocamentos de milhares de atletas pela cidade e que certamente se encontrarão em lojas e restaurantes. É indescritível a experiência de fazer parte da cerimônia de abertura, seja como participante ou audiência. APRESENTAÇÕES DE GRUPO A capacidade de unir os elementos de todas as modalidades de Ginástica presentes ou não na FIG, qualquer aparelho utilizado nas ginásticas de competição ou qualquer outro criado para esse fim, dança, folclore, componentes da cultura nacional, música, figurinos e muita expressão são os ingredientes para uma coreografia de GPT. As apresentações coreográficas em grupo são projetadas para mostrar a diversidade da ginástica para todos e deve entreter tanto os performers quanto os espectadores. Os grupos devem ser compostos por pelo menos dez atletas ativos, sem um número máximo definido e as performances são apresentadas três vezes em ambientes fechados com um máximo de 10 ou 15 minutos de duração. APRESENTAÇÕES DE GRANDES GRUPOS São considerados grandes grupos aqueles que compreendem mais de 200 participantes ativos. Cada grande grupo poderá se apresentar três vezes e cada performance deve ter no máximo 15 minutos. Mas como juntar tantas pessoas no mesmo grupo? Essas práticas são comuns na Europa, onde a Ginástica tem bastante tradição. Nesse contexto, uma estratégia aceita pela FIG é a junção de dois ou mais grupos para formar um grande grupo. Como você deve imaginar as apresentações são espetaculares e os coreógrafos podem optar por unir pessoas da mesma faixa etária. Geralmente as apresentações dos idosos arrancam muitos aplausos das arquibancadas. APRESENTAÇÕES NACIONAIS Conhecidas no meio da Ginástica como Noite Nacional, esta é uma oportunidade para os países participantes mostrarem seu trabalho e deixarem sua marca registrada na Gymnaestrada. A Federação afiliada à FIG pode se inscrever para encenar uma Apresentação Nacional, no entanto, deve receber aprovação do Comitê Técnico de GPT. Sendo aprovada, a Federação afiliada à FIG pode apresentar um espetáculo de GPT que acontece à noite, durante a semana da Gymnaestrada. Essas Noites Nacionais são projetadas para dar às Federações afiliadas à FIG uma maior visibilidade, podendo ser mesclada com folclore e características da cultura nacional. Duas ou mais Federações afiliadas à FIG podem se unir para apresentar um único Nacional, que deve ter no máximo uma hora e meia de duração. No caso de mais de uma Federação afiliada à FIG participando de uma única Apresentação Nacional, uma deve ser nomeada como a Federação principal responsável pelo desempenho e assinar o acordo com a FIG que deve incluir (FIG GYMNASTICS FOR ALL MANUAL, 2022): PREÇOS DOS INGRESSOS E RECEITA DAS VENDAS DE INGRESSOS. INGRESSOS GRATUITOS, INCLUINDO ALOCAÇÃO DE ASSENTOS VIP. LOCALIZAÇÃO, INCLUINDOEQUIPAMENTOS (APARELHOS E TÉCNICOS). PROPAGANDA E PROMOÇÃO. CRONOGRAMA DE ENSAIO E PERFORMANCE. FIG GALA Outro grande sucesso da programação nas Gymnaestradas é o tradicional FIG Gala. Este é um evento em que a FIG apresenta a diversidade da Ginástica para Todos dentro da sua concepção. Podem participar grupos selecionados de diferentes Federações afiliadas à FIG, sendo que o tempo é de no máximo uma hora e meia de espetáculo. Sem dúvida, o FIG Gala é o ponto alto da Gymnaestrada e uma experiência única para quem faz parte desse show. CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO Acontece na tarde do último dia da Gymnaestrada Mundial e marca a despedida de uma semana de festa, ginástica e congraçamento. A cerimônia conta com a presença de todos os participantes de todas as Federações afiliadas à FIG. Difícil não sentir saudades e despertar o desejo de participar novamente. EVENTOS PARALELOS E ATIVIDADES DE LAZER Um grande diferencial das Gymnaestradas são os multieeventos paralelos e atividades de lazer que acontecem concomitantemente por toda a cidade. Alguns exemplos dessas atividades muito ricas no contexto social e cultural são (FIG GYMNASTICS FOR ALL MANUAL, 2022): FESTIVAIS POR TODA A CIDADE PALCOS DE EVENTOS MONTADOS NAS RUAS, PRAÇAS E EM AMBIENTES FECHADOS. CONCERTOS. EXPOSIÇÕES. VISITAS E PASSEIOS TURÍSTICOS (ANTES, DURANTE OU DEPOIS DO EVENTO). Essas atividades podem ser coordenadas diretamente pelo LOC ou atribuídas a um parceiro oficial. REGULAMENTO DO WORLD GYM FOR LIFE CHALLENGE (WGFLC) É o maior jogo de conteste (competição) do mundo onde participam grupos de GPT. A participação é aberta a todos que queiram participar independente de raça, gênero, orientação sexual, idioma, religião, opinião política, nacionalidade, idade, deficiência, atributos físicos, habilidade atlética entre outros. Embora a conotação de disputa entre os grupos possa destoar dos objetivos da GPT, os objetivos que sustentam a criação do evento convergem para o mesmo fim. Podemos citar, entre eles, a possibilidade de fornecer um segundo evento chancelado pela FIG para grupos de ginástica em um concurso e ter seu desempenho avaliado por meio da criação um evento na Ginástica emocionante para os participantes e o público, além de oferecer workshops interessantes para capacitar ginastas e treinadores. Além do mais, um evento dessa natureza pode atingir outras metas, tais como: PROMOVER O VALOR E A DIVERSIDADE DA GINÁSTICA. ESTIMULAR O CRESCIMENTO DA GINÁSTICA PARA TODOS EM TODO O MUNDO. DEMONSTRAR AS POSSIBILIDADES ILIMITADAS DE DIFERENTES IDEIAS DE GINÁSTICA PARA TODOS. APRESENTAR AS DESCOBERTAS E OS DESENVOLVIMENTOS MAIS RECENTES. REUNIR GINASTAS DE TODO O MUNDO COMO UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A AMIZADE ENTRE AS NAÇÕES. APRESENTAR A DIVERSIDADE DA GINÁSTICA A UM PÚBLICO MAIS AMPLO. O país que desejar sediar o WGFLC deve estar filiado à FIG. As responsabilidades dos organizadores bem como do Comitê de Ginástica para Todos da FIG estão apresentadas em detalhes no Manual de GPT da FIG. Ao aceitar sediar o evento, o país deve ter cuidado para não agendar outros eventos simultaneamente, já que o World Gym for Life deve ser o único evento cultural sendo promovido naquela data. Devido ao tamanho deste evento, a sede é definida com cinco anos de antecedência, e se repetirá a cada quatro anos, no ano ímpar entre as Gymnaestradas Mundiais. Por ser um evento que reúne muitos países e para cumprir toda sua extensa programação, o evento dura no mínimo cinco dias já incluídas as Cerimônias de abertura e encerramento. SAIBA MAIS A FIG adota o Inglês como idioma oficial para o WGFLC, porém deve ser usado pelo menos mais um idioma diferente. ESCOPO E PROGRAMA DO WORLD GYM FOR LIFE CHALLENGE Podemos considerar que este tipo de evento engloba diversas atividades além do conteste propriamente dito, o que lhe atribui uma característica única comparado às outras competições da FIG. A programação completa inclui as cerimônias de abertura e encerramento, o conteste, o WGFLC Gala, workshops e shows. A cerimônia de abertura acontece no primeiro dia e marca o início do evento com participação de todos os países. Sua duração não pode exceder a uma hora e meia e segue o mesmo protocolo, se assemelhando à abertura de grandes eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos. CONTESTE Para participar do conteste, os grupos podem ter ginastas de qualquer idade. A apresentação consiste na realização de uma coreografia que não pode exceder a cinco minutos, e podem ser utilizados conteúdos de qualquer modalidade de ginástica, com ou sem aparelhos e acompanhado de música. Os grupos que optarem por utilizar aparelhos grandes (que necessitam de montagem na hora) receberão um tempo extra para preparação do local. O número de participantes não pode ser inferior a dois e não há limite máximo de participantes no grupo. Os participantes não poderão se apresentar em mais de um grupo, e estes só poderão se apresentar apenas uma vez. CATEGORIAS DE PARTICIPAÇÃO Existem quatro categorias que são divididas por tipo de performance e tamanho dos grupos. Os grupos podem escolher participar de apenas uma das categorias abaixo (FIG GYMNASTICS FOR ALL MANUAL, 2022): 1a: Ginástica e dança, pequeno grupo (20 ou menos ginastas). 1b: Ginástica e dança, grupo grande (21 ou mais ginastas). 2a: Ginástica em ou com aparelhos grandes, pequeno grupo (20 ou menos ginastas). 2b: Ginástica em ou com aparelhos grandes, grupo grande (21 ou mais ginasta). Para que cada categoria aconteça, deve ter mais de quatro grupos inscritos. AVALIAÇÃO Como se dá a avalição das apresentações dos grupos? Os seguintes critérios de avaliação dos grupos serão adotados e cada um valendo 5 pontos. Cada grupo poderá somar no máximo 20 pontos. Valor de entretenimento. Inovação, originalidade e variedade. Técnica, qualidade e segurança. Impressão geral. A avaliação será realizada por um painel de 4 especialistas (2 painéis no total). Após cada apresentação, os avaliadores atribuem 4 notas (máximo 5 pontos por critério) que somam um total máximo de 20 pontos. Todas as pontuações são dadas de forma independente. Todas as pontuações são contadas (máximo 4 x 20 pontos). RESULTADO Um ranking será estabelecido para determinar a premiação de ouro, prata e bronze. Será premiado com o ouro o grupo com maior pontuação na categoria. A prata e o bronze serão divididos igualmente entre os demais grupos. Os grupos premiados com o ouro ganham também o direito de participar do World Gym for Life Gala. Todos os ginastas participantes receberão medalhas de ouro, prata ou bronze de acordo com a pontuação obtida (FIG GYMNASTICS FOR ALL MANUAL, 2022). REGULAMENTOS DA GINÁSTICA PARA TODOS Neste vídeo, serão apresentados os regulamentos e as regras da Ginástica Para Todos. VEM QUE EU TE EXPLICO! Regulamento da Gymnaestrada Mundial Escopo e programa da Gymnaestrada Mundial Regulamento do World Gym for Life Challenge (WGFLC) Escopo e programa do World Gym for Life Challenge VERIFICANDO O APRENDIZADO CONSIDERAÇÕES FINAIS A Federação Internacional de Ginástica (FIG) é a entidade máxima que administra oito modalidades de ginástica no mundo e é responsável pela elaboração de regulamentos e regras que normatizam a participação nos eventos promovidos ou sancionados por ela. Algumas normas são comuns a todas as modalidades, e outras são específicas. Neste conteúdo, foram apresentados de forma introdutória os regulamentos e as regras para a Ginásticas Artística masculina, feminina e Ginástica Para Todos. Cabe ressaltar que esses documentos são constantemente atualizados, e a última versão está disponível no sítio eletrônico da FIG. Outro aspecto que merece ser destacado é que as regras são elaboradas para atender ao alto rendimento, ou seja, competições internacionais adulta/juvenil, e não se aplicam a categorias de base. Existem regras adaptadas para competições para grupos de idade da FIG. Para iniciantes e escolares, devem ser criadasregras que atendam ao nível dos participantes e aos objetivos da avaliação. PODCAST Neste bate-papo, a especialista Patrícia Arruda de Albuquerque Farinatti demonstrará as diferenças entre os regulamentos da Ginástica Artística e da Ginástica Para Todos. AVALIAÇÃO DO TEMA: CONCLUSÃO REFERÊNCIAS ONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GINÁSTICA. Estatuto 2021. Publicado em: 2021. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. INTERNATIONAL GYMNASTICS FEDERATION. FIG. Apparatus Norms. Publicado em: 2021. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. INTERNATIONAL GYMNASTICS FEDERATION. FIG. General Judges' Rules. 15th Cycle. Version 4.0 Publilcado em: 2021. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. INTERNATIONAL GYMNASTICS FEDERATION. FIG. Gymnastics For All Manual. Publicado em: 2020. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. INTERNATIONAL GYMNASTICS FEDERATION. FIG. Men Code of Points - 2022-2024. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. INTERNATIONAL GYMNASTICS FEDERATION. FIG. Technical Regulations 2022. Version 1.0. Publicado em: 2021. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. INTERNATIONAL GYMNASTICS FEDERATION. FIG. Women Code of Points - 2022-2024. Consultado na internet em: 07 dez. 2021. PUBLIO, N. S. Evolução histórica da Ginástica Olímpica. São Paulo, SP: Phorte, 1998. EXPLORE+ Para saber mais sobre o assunto, visite o site da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Aprofunde seus conhecimentos consultando os seguintes livros: Fundamentos da Ginástica Artística e de Trampolins, de Fernando Augusto Brochado e Monica Maria Viviani Brochado (2019). Modalidades esportivas de ginástica, de Luis Henrique Telles da Rosa e Ana Paula Maurilia dos Santos (2018). Ensinando Ginástica para crianças, de Peter H. Werner, Lori H. Williams e Tina J. Hall (2015). CONTEUDISTA Andréa João DESCRIÇÃO Aspectos gerais referentes à segurança na Ginástica Artística (GA) e sua relação com o ensino e a prática da modalidade. PROPÓSITO O conhecimento sobre os aspectos que envolvem a segurança na GA é essencial para os profissionais de Educação Física escolherem as estratégias mais adequadas, tanto para prevenção de acidentes quanto para preservação de integridade física e mental dos praticantes. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar as estratégias e técnicas para prevenir acidentes na Ginástica Artística MÓDULO 2 Reconhecer as lesões mais comuns na Ginástica Artística e as formas de prevenção MÓDULO 3 Reconhecer as posições corporais básicas da Ginástica Artística e sua aplicação no processo de ensino e aprendizagem INTRODUÇÃO Ao assistir a uma competição de Ginástica Artística (GA) de alto rendimento, tal como Jogos Olímpicos ou Campeonato Mundial, é muito comum as pessoas acharem que esta é uma modalidade perigosa, isto é, que existe grande possibilidade de acidentes e que a GA expõe os praticantes e atletas ao risco de lesões. ALTO RENDIMENTO O termo alto nível ou alto rendimento refere-se ao alto nível de performance esportiva. Como no Brasil não existe uma classificação, consideramos alto nível a performance exigida para competições estaduais ou de maior abrangência. Assim o mais alto nível de competições seriam os Jogos Olímpicos e as que adotam as regras da Federação Internacional de Ginástica – FIG. Este pensamento pode estar relacionado à natureza daquele esporte, que inclui, entre outros fatores, os impactos produzidos no corpo durante os impulsos e aterrissagens, as posições pelas quais o corpo passa durante a realização de diversos movimentos, no ar, de cabeça para baixo etc., e a execução de exercícios complexos nos diferentes aparelhos masculinos ou femininos. No entanto, se pensarmos em nossas atividades da vida diária, veremos que elas também estão associadas a certo grau de risco de acidentes e lesões: atravessar uma rua, subir uma escada ou sofrer um pequeno e inesperado acidente, como torcer o pé ao pisar em uma calçada desnivelada. Desta forma, tanto na ginástica quanto em atividades da vida diária, devemos procurar analisar os riscos que nos rodeiam e tomar precauções e medidas para minimizar nossa exposição a eles. Assim, neste conteúdo, vamos apresentar os aspectos gerais relacionados à segurança nas aulas de Ginástica Artística (GA), e quais métodos ou procedimentos podemos adotar para javascript:void(0) tentar evitar ou minimizar os riscos de acidentes e lesões, tanto no ensino quanto na prática desta modalidade. Por fim, vamos também reconhecer as posições básicas corporais e sua importância para o ensino progressivo e seguro dos fundamentos acrobáticos e coreográficos da Ginástica Artística. PREVENÇÃO DE ACIDENTES Neste módulo, vamos estudar as principais estratégias e técnicas utilizadas para prevenir acidentes na Ginástica Artística (GA). Em qualquer nível de participação na GA, seja educacional, recreativo ou competitivo, a segurança está entre os fatores mais importantes a serem considerados. A segurança deve ser tratada de forma bastante ampla e interdisciplinar, pois tem conexão direta com outros aspectos da GA. Todo professor deve estar consciente da importância da segurança no ambiente em que se dá o processo de ensino e aprendizagem da ginástica, seja na escola, no ginásio esportivo, no clube, na academia etc. Afinal, o que é segurança na GA? É o gerenciamento do risco de acidentes no ambiente ginástico ou espaço gímnico, ou seja, no ambiente em que se dá a aprendizagem da ginástica propriamente dito. MÓDULO 1 Identificar as estratégias e técnicas para prevenir acidentes na Ginástica Artística Considerando a relevância do tema, a Federação Americana de Ginástica sugere as seguintes estratégias para prevenir acidentes e diminuir o índice de lesões na GA (USGF, 2016): NORMAS DE SEGURANÇA E CONDUTA. INSPEÇÃO CONSTANTE DO LOCAL DAS AULAS. PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS AULAS. CAPACITAÇÃO DO PROFESSOR. INSTRUÇÕES ADEQUADAS AOS PRATICANTES. UTILIZAÇÃO DAS PROGRESSÕES PEDAGÓGICAS. AJUDA MANUAL. UTILIZAÇÃO CORRETA DOS EQUIPAMENTOS E SUA MANUTENÇÃO. SEGURO E LEGISLAÇÃO. Agora, vamos abordar conceitualmente cada uma delas e sua aplicação para as aulas de ginástica artística: NORMAS DE SEGURANÇA E CONDUTA Comportar-se de forma disciplinada nas aulas de ginástica artística é um fator de grande relevância, que interfere na segurança dos próprios alunos, e estes devem ter essa consciência desde o primeiro dia de aula. É importante lembrar que a disciplina pode estar presente nas aulas sem que as aulas percam seu caráter lúdico. Combinados com a ludicidade, aspectos úteis ficam mais agradáveis, tornando mais fácil a aderência à modalidade. No primeiro dia de aula, o professor deve apresentar aos alunos uma lista com as normas de segurança e conduta que devem ser seguidas por todos. Nela estão elencados os cuidados com as instalações, o uso dos equipamentos, a vestimenta correta e o comportamento esperado do aluno. Constantemente, o professor deverá relembrar os alunos sobre todas as regras, de forma verbal, escrita ou com uso de imagens. Demonstrações também podem ser usadas quando se tratar de alguma técnica de aterrissagem, por exemplo. Uma comunicação de forma clara e simples por parte do professor e uma escuta atenta por parte dos alunos ajudarão na compreensão das instruções. É muito importante também ouvir os alunos quanto a suas dúvidas e incertezas, tornando a comunicação multidirecional no processo de ensino e aprendizagem. O aluno deverá conhecer a importância de reportar ao professor qualquer questão que possa interferir no seu rendimento na aula, como doenças, cansaço, inquietações, dores de cabeça etc. Professores, alunos e responsáveis devem conhecer os diferentes aspectos envolvidos em sua participação nas aulas. As informações transmitidas aos alunos, relacionadas a suas responsabilidades, auxiliam na conscientização para participar das aulas. Em geral, crianças são muito ansiosas e querem fazer os exercícios mais difíceis,desafiar-se ou, apenas, mostrar suas capacidades. Aí entra o professor, que deve orientar seus alunos quanto a suas potencialidades e limites evitando que o aluno faça exercícios além de seu nível de aptidão, a fim de impedir lesões, frustrações e medo. Por outro lado, não desafiar o aprendiz pode tornar a atividade monótona e diminuir o interesse na participação. O ideal é que a atividade proposta esteja ligeiramente acima das possibilidades do aluno, tornando a prática desafiadora, mas, ao mesmo tempo, segura. Para isso, o professor deve estar constantemente buscando aprofundar-se nos conhecimentos e atualizar-se de maneira contínua. A proteção do aluno deve ser garantida pelo professor, pelo próprio aluno e pelos pais ou responsáveis, uma vez que esses podem incentivar ou cobrar do aluno que ele acelere seu processo de aprendizagem, desrespeitando o ritmo natural de desenvolvimento da criança. Para ajudar os responsáveis neste processo, o professor pode promover palestras educativas com os responsáveis e os alunos, para explicar sobre o papel e a importância de cada um em uma aprendizagem o mais segura possível. ATENÇÃO Não deve ser permitida a utilização de equipamentos ou do espaço gímnico sem a presença de um professor. Muitos casos de acidentes já foram relatados depois de alunos entrarem em sala antes do professor ou ficarem sem ele na sala após terminar a aula. Ambientes com equipamentos de ginástica devem estar trancados, e a permanência no local deve estar condicionada à presença do professor responsável. javascript:void(0) EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA São aparelhos em que se realizam as provas da GA. Existem também equipamentos auxiliares para a aprendizagem. VESTIMENTA SUGERIDA PARA TREINOS/AULAS Para muitos, pode parecer um capricho, mas a vestimenta adequada do professor e do aluno pode auxiliar na prevenção de acidentes e lesões, assim como na evolução do aluno. Para as competições de Ginástica Artística (GA), a vestimenta para ginastas está descrita nos regulamentos específicos. No entanto, para treinos e aulas, a vestimenta poderá ser adaptada. GINASTAS Aqui nos referimos ao praticante da GA independentemente de seu nível, desde a prática escolar ou recreativa até os níveis competitivos. javascript:void(0) VESTIMENTA PARA O PROFESSOR É aconselhável usar roupas esportivas, com camisas preferencialmente justas ao corpo, evitar o uso de boné, bijuterias e relógio, cuidar para que os óculos estejam bem fixados (se for o caso), e tomar cuidado com unhas grandes e pontiagudas. Para prevenir lesões nos alunos, é importante que calças não tenham enfeites, tais como zíper ou outros adornos, e a boca seja justa para facilitar a locomoção durante os auxílios. Os sapatos adequados são os fechados de sola baixa e antiderrapantes, ou tênis. Muitos ginásios, por questões de higiene, só permitem a entrada de usuários descalços. Professores que, porventura, tenham cabelos longos, é sugerido prendê-los e tirá-los da frente do rosto. VESTIMENTA PARA OS ALUNOS É adequado camisa que permita movimentos, blusa e/ou top confortável, de preferência ajustados ao corpo, ou collant para as meninas e leotard para os meninos. Bermuda ou calça de tecido que permitam movimentar-se. ATENÇÃO Não é aconselhável fazer aula sem camisa. Evitar roupas que tenham capuz, bolsos, zíper, ou que sejam muito largas. As unhas devem estar preferencialmente bem aparadas, os cabelos totalmente presos. Pede-se evitar o uso de boné, presilhas duras, pontiagudas ou que possam causar ferimento. Para prender os cabelos, o preferível é utilizar elásticos, silicones ou “xuxinhas”. Caso o aluno necessite usar óculos de grau durante a aula, estes devem estar bem fixados; Não é permitido usar relógio e bijuterias. É aconselhável o uso de brincos pequenos, que não sejam pendurados. Geralmente, o aluno participa da aula de pés descalços. Sapatilha de ballet não serve para a Ginástica Artística, existem sapatilhas próprias para a modalidade. É importante o professor usar o bom senso para avaliar se seu aluno está adequadamente trajado para a aula. INSPEÇÃO CONSTANTE DO LOCAL DAS AULAS A segurança deve estar em primeiro lugar, e todos os professores que dividem o espaço de aula são responsáveis por manter o ambiente de trabalho seguro, unindo esforços e solucionando qualquer problema que possa ser identificado. Assim, a prevenção torna-se importante aliado nesse processo. Ao chegar no local da aula, faça uma inspeção completa do espaço, do estado de manutenção em que se encontram os equipamentos, bem como da sua posição em relação a outros equipamentos ou paredes, ajudando a minimizar os riscos de acidentes. PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS AULAS Um bom planejamento das atividades refletirá no progresso e na segurança dos alunos. É importante que toda a equipe de professores (quando for o caso) participe do planejamento, que deve ser pensado de forma anualizada, passando pelos semestres, bimestres, até chegar aos menores níveis em que se determinam as atividades semanais e de cada aula. É importante ressaltar que o planejamento não deve ser estático e deverá ser revisado periodicamente de acordo com as necessidades dos alunos. CAPACITAÇÃO DO PROFESSOR, GINASTAS E RESPONSÁVEIS O processo de educação continuada para professores é um importante meio para auxiliar na tarefa de prevenir acidentes e lesões na ginástica. O professor deve participar de cursos de extensão, pós-graduações, congressos e toda forma de aquisição de conhecimentos para atualizar-se, aperfeiçoar seus planos de aula e experimentar novas metodologias. Assim ele será capaz de capacitar seus alunos e os responsáveis com informações atuais e pertinentes sobre a segurança na Ginástica Artística. INSTRUÇÕES ADEQUADAS AOS PRATICANTES Para que o professor possa instruir corretamente seus alunos quanto aos conteúdos da ginástica, respeitando sua individualidade, é necessário um bom conhecimento dos fundamentos e das suas progressões pedagógicas, da técnica, da execução, das formas de aterrissagem e das ajudas manuais para realização dos exercícios ginásticos. Ainda devemos considerar a preparação correta dos alunos para as aulas, isto é, o estado de prontidão para fazer as atividades específicas da ginástica. Aqui, podemos citar um bom aquecimento prévio e o estado de condicionamento físico e mental em que o aluno se encontra. A aptidão física apropriada é um dos pontos mais importantes para se prevenir lesões. O professor deve conhecer as demandas físicas de cada atividade, para assim adequá-la ao nível de desenvolvimento motor e faixa etária da turma. Até mesmo os fundamentos mais básicos da ginástica exigem um nível de condicionamento físico como pré-requisito para sua realização. Os alunos que estão mais aptos fisicamente estão menos sujeitos aos riscos de se lesionar. UTILIZAÇÃO DAS PROGRESSÕES PEDAGÓGICAS Para tornar o processo de ensino e aprendizagem o mais seguro possível, é necessário conhecer as metodologias de ensino. A metodologia de ensino mais usada na Ginástica Artística (GA) é o método progressivo, que consiste no domínio de alguns pré-requisitos ou elementos prévios antes de passar para aprendizagem de elementos de maior complexidade. Existe um grande número de elementos básicos e ações motoras que o aluno deve aprender antes da execução de exercícios mais difíceis, avançando em uma progressão pedagógica. Evoluir muito rapidamente de um elemento a outro ou pular etapas da aprendizagem anteriores pode trazer consequências nocivas ao aluno em curto, médio e longo prazos (TUROFF, 1991), e, muitas vezes, a dificuldade do aluno em aprender elementos difíceis está relacionada à negligência de algumas etapas prévias. A velocidade, bem como a necessidade de executar mais ou menos elementos prévios, é individual; e é importante que o professor identifique as necessidades de cada aluno. AJUDA OU AUXÍLIO Consiste no auxílio manual dado ao executantepelo professor ou um companheiro, para garantir a integridade física, ou auxiliar na realização de uma tarefa ainda não dominada. Sem dúvida, a ajuda é uma estratégia muito utilizada quando falamos em segurança na GA. A ajuda tem as seguintes funções: Manipular o aluno, auxiliando-o durante um exercício para proporcionar a sensação de realização desse exercício. Prevenir lesões, no caso de o exercício ainda não estar completamente assimilado. Fornecer apoio psicológico, quando o ajudante apenas se coloca ao lado do executante para aumentar sua autoconfiança (TUROFF, 1991). Existem diferentes tipos de ajuda para um mesmo elemento da ginástica. Não existe uma regra, pois o que vai determinar se a ajuda foi ou não eficiente é o grau de proteção oferecido ao aluno, ou o quanto e como essa ajuda contribuiu para a realização da tarefa. ELEMENTO É um componente da atividade ginástica, dos seus fundamentos, desde uma ação motora simples até um elemento específico da modalidade. Algumas vezes, utilizam-se os termos movimento ou exercício com o mesmo sentido. A habilidade de fornecer ajuda ao executante é desenvolvida com a prática. Um elemento deve ser treinado, repetido, várias vezes pelo professor com diferentes corpos (idade, peso, altura, sexo), e diferentes níveis de elementos. Aconselha-se iniciar essa prática com pessoas mais leves e com exercícios básicos e, conforme for adquirindo confiança, ir avançando para exercícios mais difíceis. Quando um professor não tem total confiança para proteger o aluno, ele pode iniciar sua prática em dupla com outro professor mais experiente, até que esteja totalmente preparado para fornecer a ajuda sozinho. Aprender as formas de ajuda, praticá-las e estar bem condicionado fisicamente é fundamental, não só pelo benefício prestado ao aluno, mas também para a proteção do próprio professor. Eventualmente, pode acontecer de um professor se acidentar tentando proteger o aluno durante um exercício. javascript:void(0) Cabe ressaltar que a ajuda deve ser fornecida tão somente até o exercício ser aprendido. A partir daí, o aluno deve executá-lo livremente, ou corre-se o risco de ele criar uma dependência do professor. A comunicação entre o executante e o professor é fundamental para uma ajuda eficiente. Caso contrário, a manipulação pode acabar por prejudicar a performance. Sinais, orientações verbais, gestos ou toques no corpo do aluno podem ajudar a sincronizar o ritmo da ajuda entre o executante e o ajudante. O professor pode falar, por exemplo: um, dois, três e vai! Ou seja, quando ele disser “vai”, o aluno executa o elemento. CINTO DE SEGURANÇA Um recurso muito usado na GA que substitui a ajuda do professor diretamente ao aluno é o cinto de segurança, composto por cabos de aço presos ao teto, cordas, roldanas e o cinto, que é colocado na cintura no executante. Este aparelho serve para manter o aluno por mais tempo no ar antes da aterrissagem, evitando quedas perigosas e melhorando a noção espacial. O cinto é mais usado para aprendizagem de destrezas mais complexas, porém também tem utilidade para acelerar a aprendizagem de exercícios mais simples. Sua confecção é simples, mas sua utilização demanda muito tempo de aula, já que é utilizado com um aluno de cada vez. FOSSO Nos ginásios mais sofisticados, este é um equipamento quase obrigatório. É como se fosse uma piscina, porém o fosso é preenchido com inúmeros blocos de espuma em vez de água. Existem também os fossos que são preenchidos com colchões. Seu tamanho, sua profundidade e localização dependem da organização dos aparelhos no espaço gímnico. A finalidade do fosso é prevenir lesões durante a aprendizagem dos exercícios, diminuir o impacto nas aterrissagens, permitindo que o ginasta possa repetir mais vezes os exercícios sem sobrecarregar tanto o corpo e oferecer segurança psicológica para que ele possa arriscar movimentos novos, já que o risco de se machucar praticamente inexiste. UTILIZAÇÃO CORRETA DOS EQUIPAMENTOS E SUA MANUTENÇÃO Os equipamentos utilizados na GA podem ser “oficiais”, que são homologados pela Federação Internacional de Ginástica (FIG), ou “não oficiais”, nos quais se incluem os fabricados por empresas que não têm o selo da FIG, os artesanais e os manufaturados. Os equipamentos oficiais vêm com seus manuais contendo as formas adequadas de utilização e manutenção, além da garantia de fábrica, logo o professor deverá seguir à risca as orientações da empresa fabricante em suas aulas. Por outro lado, devido ao alto custo e a dificuldades de aquisição dos equipamentos oficiais, pois devem ser importados, o que mais encontramos nos espaços gímnicos do Brasil são equipamentos “não oficiais” e “auxiliares” da aprendizagem. Não existe problema na utilização desses equipamentos, mas a atenção deve ser redobrada, pois na falta de instrumentos normativos que possam garantir a boa e adequada utilização desses equipamentos, a responsabilidade recai sobre os ombros do professor e da instituição que oferece a prática da ginástica. Para minimizar os riscos, é aconselhável adquirir equipamentos “não oficiais” de fabricantes confiáveis, além do conhecimento e da experiência do professor, que são determinantes. Alguns cuidados que aumentam a segurança são: Sempre inspecionar os equipamentos antes de utilizá-los. Posicioná-los no local adequado para a atividade a ser realizada na respectiva aula. Evitar utilizar equipamentos que foram construídos para uma determinada finalidade em qualquer outra diferente daquela. Estar atento às indicações de peso, altura e idade do aluno. Tanto os equipamentos oficiais quanto os não oficiais podem ser fixos ou móveis. Na categoria de equipamentos fixos, encontramos aqueles que são presos ao solo ou parede, ou aqueles que se mantêm sempre no mesmo lugar, por questões de peso e dificuldade de montagem. Todavia, a maioria dos ambientes para prática da GA são utilizados, também, por outras modalidades esportivas ou atividades distintas, logo existe a necessidade de montar e desmontar equipamentos cotidianamente. Para estes locais, a questão mais importante é que todos os equipamentos estejam com colchões de proteção. Os colchões de proteção podem ser de diferentes tipos, tamanhos, formatos, cores, densidades, tecidos, mas o principal é que cada um cumpra a função para a qual foi selecionado. Por exemplo, os colchões mais macios são utilizados para absorver impacto nas aterrissagens, aprendizagem de novos fundamentos, mas podem ser perigosos para aterrissagens com rotação no eixo longitudinal (BESSI, 2016). Outro equipamento que merece destaque no que tange à segurança é o trampolim acrobático, mais conhecido como cama elástica. Indubitavelmente, é o equipamento mais atrativo e prazeroso e se impõe em qualquer espaço de prática da ginástica. Quem não fica eufórico ao ver o popular “pula, pula” e quer subir para experimentá-lo? Então, sem fugir à regra, a utilização desse aparelho só deverá ser permitida sob orientação do professor. Se for possível desarmar o trampolim após seu uso, é o ideal, mas, na impossibilidade, deve-se cobri-lo com algo que impeça sua utilização fora da aula ou sem supervisão, já que este é considerado o equipamento que oferece maior risco de acidentes. SEGURO E LEGISLAÇÃO Neste módulo, não vamos aprofundar nos aspectos jurídicos e legais envolvidos no tema da segurança na GA, mas salientar que uma instituição que promove a ginástica não pode, de forma alguma, negligenciá-los. A contratação de seguro saúde para os participantes também pode ser uma ótima opção para resguardar a instituição e os profissionais de possíveis danos financeiros provenientes de acidentes. O exame médico e liberação do aluno para a prática de atividades físicas são obrigatórios e devem ser solicitados no ato da matrícula, conforme previsto em lei. ESTRATÉGIAS PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA GINÁSTICA ARTÍSTICA A especialista Patrícia Arruda apresentará as estratégiase as técnicas para prevenção de acidentes na ginástica artística. VEM QUE EU TE EXPLICO! Normas de segurança e conduta Ajuda e auxílio Utilização correta dos equipamentos e sua manutenção VERIFICANDO O APRENDIZADO EPIDEMIOLOGIA DAS LESÕES NA GINÁSTICA ARTÍSTICA (GA) Neste módulo, vamos analisar as lesões mais comuns na GA e como preveni-las. A GA é um dos esportes mais antigos e populares do programa olímpico. Caracteriza-se pela realização de movimentos complexos, com apoio ou no ar, e que são executados em diferentes aparelhos. APOIO MÓDULO 2 Reconhecer as lesões mais comuns na Ginástica Artística e as formas de prevenção javascript:void(0) Refere-se a uma situação na qual o aluno se encontra apoiado sobre alguma parte ou em partes do corpo no chão ou em aparelhos da Ginástica Artística. Por exemplo: apoio de mãos, apoio de pés, apoio do quadril. Existem várias formas de participar das aulas de GA: em participação competitiva, educacional, recreativa etc. Embora a competitiva, ou seja, a atuação em competições de alto nível, possa parecer a que mais expõe o praticante ao maior risco de lesões, todas as formas de participação são consideradas por vários autores como bastante seguras. Todavia não se pode eliminar o risco de lesões em nenhuma das formas de participação. ATENÇÃO O risco de lesões parece estar muito mais associado à falta de conhecimento dos professores para ensinar a GA do que à natureza da atividade. Podemos considerar que as lesões fazem parte da essência do esporte e que, muitas vezes, são inevitáveis. Por isso, devemos conhecê- las, para que possamos minimizar os fatores de risco e, por fim, preveni-las. Geralmente, as pessoas envolvidas na GA, sejam professores, ginastas, pais, médicos etc. se veem envolvidos com as seguintes questões: Qual o risco de lesão e como esse risco pode variar de acordo com o tipo físico e nível do ginasta? Quando e onde as lesões mais comuns ocorrem? Qual é a consequência de uma lesão? Quais são os fatores envolvidos no aumento do índice de lesões? Buscar as respostas para essas questões é o objetivo principal dos estudos de epidemiologia das lesões na GA. A epidemiologia é o estudo da distribuição e dos determinantes da variação das taxas de doenças, lesões e outros estados de saúde em populações humanas para identificar e implementar medidas de prevenção de seu desenvolvimento e de sua propagação. Quando nos referimos a quem é afetado pelas lesões, quando e onde elas ocorrem e o que causa as lesões, estamos nos referindo à epidemiologia descritiva, que é a área onde se encontra o maior número de estudos científicos relacionados à lesão na GA (CAINE; RUSSEL & LIM, 2013). Analisar as lesões na GA tem como objetivo, além da prevenção, adequar as normas e os regulamentos das competições, melhorar os equipamentos e materiais, avaliar e criar técnicas para execução dos movimentos, aperfeiçoar o planejamento de treino e a preparação dos praticantes (SANDS; CAINE; BORMS, 2003). PRINCIPAIS CAUSAS DE LESÃO NA GINÁSTICA ARTÍSTICA IMPACTO COMO FATOR DE RISCO PARA AS LESÕES Um fator determinante das lesões que ocorrem na ginástica são os impactos aos quais o ginasta é submetido durante o treinamento, a aula ou em uma competição. Dentro deste fator, devemos analisar o número de impactos a que o praticante é submetido e qual é a intensidade desses impactos. Apenas para ilustrar, após realizar um duplo mortal para trás, são registradas forças de reação verticais que atingem níveis entre 8,8 e 14,4 vezes o peso corporal do atleta. Imagine a intensidade deste impacto no corpo do ginasta durante a aterrissagem. Através do monitoramento das cargas, como a quantidade de saltos e a intensidade destes, é possível adequar a carga de treinamento e evitar lesões. O feedback do atleta ou do praticante é sempre muito importante, e a execução de movimentos complexos deve ser realizada em estados sem fadiga excessiva ou após períodos adequados de repouso, para que o risco de lesão seja reduzido. EVOLUÇÃO DA GINÁSTICA COMO FATOR DE RISCO PARA LESÕES Outro fator a se levar em consideração é a evolução da GA nos seguintes aspectos que têm influenciado negativamente o aparecimento de um maior número de lesões: Aumento na frequência, duração e intensidade dos treinamentos. Aumento do número de horas de treinamento semanal dos ginastas (30 a 40 horas ou mais, durante cinco a seis dias da semana por 12 meses ao ano). Maior grau de dificuldade dos elementos a serem realizados no alto nível, e isso afeta as categorias inferiores. Considerando os fatores descritos acima, podemos concluir que o monitoramento das cargas de treino é fundamental para a prevenção de lesões para ginastas de alto nível. Seguindo essa lógica, nos níveis escolares e recreativos, a ginástica se apresenta como atividade bastante segura, pois não são afetadas pelas causas aqui apresentadas. LESÕES MAIS COMUNS NA GINÁSTICA ARTÍSTICA Aqui, não temos a pretensão de esgotar o assunto, mas levar o conhecimento de algumas das lesões encontradas com maior frequência na GA: LESÕES NO TRONCO ESPONDILÓLISE Fratura da parte posterior de uma vértebra da coluna, que pode ser assintomática e evoluir para espondilolistese. Geralmente ocorre nas regiões cervical e lombar, mas também pode aparecer na torácica. ESPONDILOLISTESE Devido a uma espondilólise, pode ocorrer o escorregamento de uma das vértebras sobre outra, que recebe o nome de espondilolistese. LESÕES DO MEMBRO SUPERIOR OSTEOCONDRITE DISSECANTE DO COTOVELO É uma doença em que os fragmentos do osso ou da cartilagem do cotovelo se soltam e flutuam pela articulação. É muito comum em atletas de ginástica, devido aos apoios e impactos sobre as mãos. LESÕES NO MANGUITO ROTADOR Os músculos do manguito rotador são muito importantes para a estabilidade do ombro. Tendinites e ruptura do tendão são as causas mais frequentes de dor nessa região, normalmente, provocadas por sobrecarga repetitiva ou traumática. LESÕES DOS MEMBROS INFERIORES DOENÇA DE SEVER É uma inflamação da placa de crescimento do osso calcâneo (calcanhar) e aparece em crianças em fase de crescimento, geralmente como consequência de muitos saltos com aterrissagem repetitiva. DOENÇA DE OSGOOD-SCHLATTER Inflamação na placa de crescimento abaixo do joelho (tuberosidade da tíbia) que causa dor, e acomete crianças em fase de crescimento. Normalmente, inicia-se de forma gradual, e alivia no repouso. Nos episódios de dor, deve-se evitar principalmente corridas e saltos. RUPTURA DO TENDÃO CALCÂNEO Em geral, a ruptura do tendão calcâneo (tendão de Aquiles) ocorre nos impulsos ou nas aterrissagens da GA, e a causa pode ser uma falha no mecanismo de proteção neuromuscular, fadiga etc. LOCALIZAÇÃO DAS LESÕES NA GA A identificação das lesões está relacionada à sua localização anatômica, ou à região do corpo que sofreu a lesão, por exemplo: parte superior do corpo, ou partes específicas dele, exemplo: dedos, tornozelo etc. As extremidades inferiores são locais onde a maioria das lesões acontece, devido à quantidade de aterrissagens contidas em aulas ou treinos. A segunda região onde frequentemente acontecem lesões são as extremidades superiores seguidas por coluna e tronco. Um olhar mais específico para essas regiões destaca os joelhos como a articulação que mais sofre lesões, seguida de tornozelos, e depois, da coluna lombar (CAINE, RUSSEL & LIM, 2013). QUANDO OCORREM AS LESÕES NA GINÁSTICA As lesões podem ocorrer de duas formas: gradual ou repentina. LESÃO GRADUAL Essa forma de lesão está relacionada ao efeito cumulativo do estresse excessivo e repetitivo das estruturas anatômicas. Pode traumatizar músculos, tendões, cartilagem, ligamentos, bolsas, fáscia muscular e osso em qualquer combinação. O risco de lesão por excesso de uso – overuse em tradução livre, depende de combinações complexas entre fatores intrínsecos e extrínsecos, que abordaremos mais adiante. Ogrande problema da lesão gradual é que, na GA, os praticantes começam muito cedo, e os mais talentosos são direcionados para o treinamento. Nesse caso específico, o treinador deve dosar muito bem as cargas de treino para não danificar as placas de crescimento presentes nas epífises ósseas. Já nos níveis educacionais e escolares, é muito mais difícil ocorrer esse tipo de lesão, já que o estudante pratica este tipo de atividade física por poucas horas, o número de repetições é baixo e os elementos são muito básicos, gerando poucos impactos no corpo. LESÃO REPENTINA Essa forma de lesão, também chamada de lesão aguda, é o resultado de um trauma único (lesão traumática), como uma queda, uma batida, um choque contra o aparelho etc. Exemplos comuns são fraturas de punho, as entorses de tornozelo ou o deslocamento de ombro (luxações) (CAINE; RUSSEL & LIM, 2013). CONSEQUÊNCIAS DE LESÕES TEMPO DE RECUPERAÇÃO (FORA DAS AULAS OU TREINOS) É difícil obter dados relativos à quantidade de horas que um ginasta demora para retornar aos treinos, então podemos mencionar alguns exemplos de efeitos psicológicos negativos gerados pelo afastamento das atividades físicas: AUMENTO DA ANSIEDADE FALTA DE MOTIVAÇÃO MEDO TRISTEZA Por esse motivo, o treinador deve manter o ginasta lesionado sempre perto dos companheiros e, se possível, no local de treino o maior tempo possível, além de adaptar atividades para as necessidades do atleta. Portanto, um professor que tem um aluno lesionado deve criar outras formas de participação na aula, com objetivos de manter a motivação e o prazer do aluno. ATENÇÃO É muito importante respeitar os tempos de recuperação de uma lesão. O retorno prematuro às atividades pode resultar numa recuperação parcial que causará frequentes recaídas e pode levar a novas lesões da região "mal" recuperada. Lesões reincidentes podem levar a lesões mais graves. Estudos demonstraram que 41% das lesões que ocorreram na GA necessitam de menos de 8 dias de recuperação (lesões leves); 33% das lesões requerem entre 8 e 21 dias (lesões graves) e, em 26% dos casos, os atletas precisam de mais de 21 dias para se recuperarem (lesões muito graves) (CAINE; RUSSEL, 2013). ABANDONO DA ATIVIDADE Vários estudos demonstraram que a lesão é uma das causas mais significativas para o abandono da ginástica. As lesões a seguir foram as que mais contribuíram para que os ginastas tivessem que se retirar da ginástica (DIXON; FRICKER, 1993): LESÃO CRÔNICA DO MANGUITO ROTADOR (OMBRO) FRATURAS POR ESTRESSE DO OSSO NAVICULAR (TORNOZELOS) RUPTURA DE LIGAMENTOS DO TORNOZELO OU RUPTURA DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR DO JOELHO LESÕES DE MENISCO OSTEOCONDRITE DO COTOVELO FATORES DE RISCO DE LESÕES FATORES INTRÍNSECOS Os fatores intrínsecos são os que estão relacionados às características físicas, motoras e psicológicas do ginasta. Veja abaixo as características físicas que aumentam o risco de lesões: ESTATURA ELEVADA PESO CORPORAL ELEVADO AMADURECIMENTO PRECOCE ALTO PERCENTUAL DE GORDURA ATENÇÃO VELOCIDADE DE CRESCIMENTO: Observe os períodos de alta velocidade de crescimento, pois é o período no qual os ginastas estão mais suscetíveis ao risco de lesões. Veja abaixo as características motoras que aumentam o risco de lesões: Um ginasta que não está apto fisicamente tem mais chances de se lesionar. As seguintes qualidades físicas são fundamentais para uma boa preparação e prevenção de lesões: VELOCIDADE EQUILÍBRIO RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA FLEXIBILIDADE FORÇA MUSCULAR As principais características psicológicas que podem aumentar a risco de lesões dos ginastas são o medo, o estresse e a falta de atenção. Portanto, é papel do treinador, junto ao psicólogo (quando for o caso), trabalhar essas características nos atletas e praticantes. As situações de estresse podem levar a falhas de concentração e, com isso, ao aumento de risco de lesão durante o treino/aula ou até em competições. Vimos, em 2021, a ginasta americana Simone Biles, campeã olímpica no Rio de Janeiro em 2016 e favorita nos Jogos Olímpicos de Tóquio no Japão, ser retirada da competição. A alegação da equipe técnica foi a de que a ginasta estava sob forte pressão emocional e o nível de estresse poderia trazer um risco de acidente e lesões. Assim resolveram poupá-la, abrindo mão da chance de medalhas. Como vimos anteriormente, a segurança do ginasta deve vir em primeiro lugar, e nenhuma decisão, nesse sentido, deve ser contestada. FATORES EXTRÍNSECOS Fatores extrínsecos são os que independem da individualidade biológica do ginasta. Aqui, demonstramos alguns fatores extrínsecos que contribuem para o aumento do índice de lesões. ANOS DE TREINAMENTO O aumento dos anos de treinamento está relacionado ao aparecimento de lesões devido ao aumento da sobrecarga no corpo do ginasta. Quanto mais cedo o ginasta ingressa no treinamento de alto nível, maior é o número de lesões e patologias associadas. Quanto maior o grau de dificuldade dos exercícios, maior será o risco de lesões. Como os exercícios são progressivos em complexidade, quanto maior o tempo de prática, maior a probabilidade de lesão. VARIÁVEIS DO TREINAMENTO As situações de maior risco são aquelas em que o elemento é feito pelas primeiras tentativas sem ajuda. Uma estratégia seria alcançar a automação adequada do gesto técnico antes de solicitar ao ginasta sua realização sem ajuda; nos elementos coreográficos, normalmente não ocorrem lesões. Nos elementos com saltos, em geral, ocorrem muitas lesões. ELEMENTOS COREOGRÁFICOS São componentes da ginástica que podem ser saltos, giros ou passos de dança. ATENÇÃO As maiores lesões acontecem na saída do aparelho. MOMENTOS DA AULA OU DA TEMPORADA Nos primeiros momentos das sessões de treinamento, ocorre o maior número de lesões. Há algumas possíveis explicações para tal fato: javascript:void(0) AQUECIMENTO INADEQUADO. EXECUÇÃO DE ELEMENTOS DE ALTO GRAU DE DIFICULDADE MUITO NO INÍCIO DA SESSÃO. PERÍODOS PRÉ-COMPETITIVOS AUMENTAM O RISCO DE LESÕES DEVIDO AO ESTRESSE FÍSICO E MENTAL. EQUIPAMENTOS A falta de equipamentos apropriados pode ser um fator de risco para o aparecimento de lesões, embora ter um equipamento adequado motiva o treinador a tentar elementos mais difíceis, que, por sua vez, colocam o ginasta em mais situações de risco de lesão. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES NA PREVENÇÃO DE LESÕES SELECIONAR CORRETAMENTE OS CONTEÚDOS A SEREM ENSINADOS Um bom conhecimento dos fundamentos básicos da ginástica inclui o reconhecimento do fundamento e sua estrutura básica; os pré-requisitos e possíveis evoluções; algumas variações da execução; as demandas físicas e psicológicas; os aspectos anatômicos; biomecânicos e fisiológicos; os erros comuns e possíveis correções. Tendo se apropriado dessas informações, o professor vai selecionar quais fundamentos são adequados para cada faixa etária de acordo com o nível de prontidão do aluno para executá- los. Você está preparado para ensinar os fundamentos da GA? Algumas perguntas que você pode fazer para si mesmo podem determinar se você já está pronto para ensinar: Outros pontos importantes: CONHECER AS POTENCIALIDADES, A EXPERIÊNCIA E AS LIMITAÇÕES DOS ALUNOS. CONHECER A FAIXA ETÁRIA, O NÍVEL DE DESENVOLVIMENTOS FÍSICO, MENTAL E SOCIAL. USAR AS PROGRESSÕES CORRETAS PARA EVOLUIR DOS NÍVEIS BÁSICOS AO AVANÇADO, SEM QUEIMAR ETAPAS, PASSANDO DOS MAIS SIMPLES AOS MAIS COMPLEXOS. VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA SOCORRER SEU ALUNO EM CASO DE LESÃO? Apenas o conhecimento das lesões mais comuns da GA e as formas de preveni-las não é o suficiente para garantir um espaço de aula/treino seguro. A instituição deve ter normas e procedimentos próprios para que o professor possa agir em caso de acidentes com lesão. A melhor forma é criar protocolos de “como” e para “quem” será feito o pedido de socorro urgente, ter acesso fácil a telefones, avisar os responsáveis etc. Outras questõesenvolvem a capacitação do professor para fornecer o socorro ao aluno, como saber avaliar a gravidade da lesão e quais procedimentos devem ser tomados em situações específicas conforme previsto em lei. É imperativo que o professor conheça a legislação vigente e atue em conformidade com ela, a fim de estar apto a oferecer os melhores procedimentos de socorro ao aluno. PREVENÇÃO DE LESÕES NA GINÁSTICA ARTÍSTICA A especialista Patrícia Arruda apresentará estratégias e técnicas para prevenção de lesões na Ginástica Artística. VEM QUE EU TE EXPLICO! Principais causas de lesão na GA As lesões mais comuns na Ginástica Artística Quando ocorrem as lesões na Ginástica Artística Fatores de risco de lesões VERIFICANDO O APRENDIZADO POSIÇÕES CORPORAIS BÁSICAS DOS EXERCÍCIOS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA (GA) Agora, você vai reconhecer as posições corporais básicas da GA e suas aplicações no método progressivo de aprendizagem, objetivando proporcionar uma aprendizagem segura e livre de lesão. As posições básicas são padrões básicos de movimento adotados pelo corpo durante os exercícios acrobáticos ou coreográficos em apoio, na suspensão ou no ar, em qualquer aparelho da Ginástica Artística. MÓDULO 3 Reconhecer as posições corporais básicas da Ginástica Artística e sua aplicação no processo de ensino e aprendizagem javascript:void(0) SUSPENSÃO Situação que o aluno se encontra suspenso ou pendurado em algum aparelho específico da Ginástica Artística, como nas argolas ou na barra. Vamos conhecer as posições corporais básicas e suas variações: POSIÇÃO ESTICADA OU ESTENDIDA E SUAS VARIAÇÕES Nessa posição, o corpo está totalmente reto, músculos abdominais, glúteos e coxas contraídos, pés em flexão plantar. Os braços podem estar ao longo do corpo, cruzados, acima da cabeça nas acrobacias ou em posição livre para elementos coreográficos. Exemplos de elementos da GA na posição esticada: SALTO VERTICAL MORTAL ESTICADO REVERSÃO PARA FRENTE NA PROVA DE SALTO PARADA DE MÃOS As posições arredondada e arqueada são consideradas variações da posição esticada, pois nenhum elemento da GA é classificado nessas posições. No entanto, a aprendizagem delas é fundamental, porque são ações motoras presentes na maioria dos elementos no solo ou nos demais aparelhos. POSIÇÃO ARREDONDADA Partindo da posição esticada, o ginasta flexiona anteriormente toda a coluna, adotando uma posição curvada anteriormente. javascript:void(0) Importante: Nesta posição, não ocorre a flexão de quadril. POSIÇÃO ARQUEADA É o oposto da posição arredondada. O ginasta faz uma extensão de toda a coluna, adotando a posição curvada (arqueada). POSIÇÃO GRUPADA Posição com o quadril e os joelhos flexionados em ângulo próximo a 90 graus ou menor. Os braços podem estar segurando as pernas abaixo dos joelhos ou na parte posterior da coxa, em elementos acrobáticos. Podemos ver, em algumas acrobacias, o ginasta executar a posição grupada sem segurar as pernas. Nos elementos de dança, a posição dos braços é livre. Encontramos a posição grupada nos seguintes elementos: javascript:void(0) SALTO GRUPADO MORTAL GRUPADO ROLAMENTOS PARA FRENTE OU PARA TRÁS GRUPADOS POSIÇÃO CARPADA Posição com o quadril flexionado e os joelhos estendidos. Nas acrobacias, geralmente, o ginasta segura atrás da coxa, mas também podemos ver a posição carpada sem o uso das mãos. Encontramos a posição carpada nos seguintes elementos: SALTO CARPADO MORTAL CARPADO ROLAMENTOS PARA FRENTE OU PARA TRÁS CARPADO Certamente, você já ouviu falar no “duplo twist carpado”. Esse elemento de altíssimo grau de dificuldade foi criado pelo técnico Oleg Ostapenko e executado pela primeira vez com êxito em competições internacionais da Federação Internacional de Ginástica (FIG) pela ginasta brasileira Daiane dos Santos. Por ter sido a primeira ginasta no mundo a apresentar esse elemento, ele foi batizado no código de pontuação com o sobrenome da ginasta, ou seja, “dos Santos”. Apenas para elucidar, vamos à descrição do duplo twist carpado: consiste na realização de um salto com meio giro no eixo longitudinal seguido de duplo mortal para frente na posição carpada e aterrissagem de pé. Pronto, agora você já entendeu o que é o “dos Santos”. Outros ginastas brasileiros também realizaram elementos pela primeira vez e que foram batizados com seus sobrenomes, como Diego Hypolito, Sergio Sasaki, Arthur Zanetti, Lorrane Oliveira etc. COMO ENSINAR AS POSIÇÕES CORPORAIS BÁSICAS? No processo de aprendizagem, devemos progredir partindo do ensino das posições corporais básicas, fortalecendo a criação de hábitos posturais específicos da modalidade. Inicialmente, elas devem ser executadas de forma estática, valorizando uma boa execução. A partir do momento que o ginasta for capaz de manter essas posições de forma isométrica, ele poderá executá-las de forma dinâmica, primeiro, lentamente e, depois, de forma mais rápida. O professor pode ensinar as posições corporais básicas paralelamente, não havendo ordem de prioridade. Geralmente, inicia-se o ensino no solo, com o aluno deitado. As posições grupada e carpada podem ser ensinadas também com o aluno sentado. A partir daí pode-se utilizar os equipamentos para a realização das posições na suspensão ou apoio. Cabe observar que as posições arqueada e arredondada demandam um certo grau de força, e o professor pode ter que simplificá-las para que o aluno iniciante adote a postura correta. Dependendo da situação, a posição do corpo pode determinar o nível de dificuldade do exercício, pois altera biomecanicamente o mesmo. Por exemplo: SALTO VERTICAL Realizar esse salto na posição esticada é mais fácil do que fazê-lo na posição grupada. MORTAL Realizar esse salto na posição esticada tem um grau de dificuldade maior do que na posição grupada. Em uma competição, os ginastas que realizam exercícios com grau de dificuldade maior recebem mais pontos. POSIÇÕES DAS PERNAS Não menos importante do que o ensino das posições corporais básicas na iniciação da GA é o conhecimento e o ensino das posições das pernas, também muito encontradas em elementos acrobáticos e coreográficos: POSIÇÃO AFASTADA OU ESPACATE Constitui-se pelo afastamento das pernas no sentido lateral ou anteroposterior. Se o afastamento lateral atingir 180 graus, chamamos de espacate lateral ou espacate anteroposterior (afastamento de uma perna para frente e da outra perna para trás). Execução do espacate: Trata-se de uma posição que pode ser realizada, tanto no solo como em saltos aéreos. Apesar de os espacates serem introduzidos nas aulas iniciais, estas são posições que demandam flexibilidade na articulação do quadril. Para desenvolver um espacate, dependendo javascript:void(0) javascript:void(0) da constituição do aluno, pode-se demorar muito tempo, então é aconselhável o afastamento das pernas até o limite da dor, para evitar possíveis lesões. O afastamento pode ir aumentando progressivamente quando houver uma adaptação biológica do aluno. São utilizados vários métodos de treinamento para melhorar a flexibilidade, através de exercícios de alongamento realizados pelo aluno na GA. O professor deve ter esse conhecimento, bem como realizar um aquecimento específico para a articulação do quadril. As sessões de flexibilidade devem acontecer em todas as aulas ou treinos de ginastas, que visam ou não ao alto nível. A preparação dessa capacidade física é essencial para a execução dos movimentos mais complexos e é importante para prevenir de lesões. IMPORTANTE Não é a realização do alongamento antes das atividades que previne lesões, mas o desenvolvimento e a manutenção de bons níveis de flexibilidade por parte do aluno ou do atleta. Assim como as posições corporais básicas, vários elementos da ginástica podem ser realizados com espacates. Por exemplo, uma parada de mãos com espacate ou um salto com espacate. Por essa razão, o professor deve estar atento a erros que são muito comuns nesteelemento e corrigi-los. Erros comuns: Joelhos flexionados; Quadril desalinhado; Não executar a flexão plantar dos pés; Tronco inclinado para frente; Postura relaxada de braços e mãos; Ombros desalinhados. POSIÇÃO ALONGÊ A posição alongê não é um elemento. Trata-se de uma posição em pé, que ginastas executam para iniciar ou finalizar um elemento. O início correto e uma boa aterrissagem no alongê ajudam no controle e na consciência corporal, fundamentais na prevenção de lesões. Execução do alongê O executante iniciará a posição em pé com os calcanhares unidos e os pés rotacionados para fora. Posteriormente, afastará um pouco as pernas no sentido anteroposterior, mantendo os pés na mesma posição. O executante irá flexionar ligeiramente o joelho da perna que foi à frente e manter a outra perna estendida, o peso do corpo deverá estar distribuído nas duas pernas, porém com uma carga um pouco maior na perna da frente. O quadril deverá estar alinhado para frente, o tronco ereto e os braços podem estar paralelos, à frente do corpo, ao lado ou acima da cabeça. O alongê é muito utilizado na aterrissagem de acrobacias, principalmente na trave e no solo. VOCÊ SABIA Dois fundamentos básicos bastante conhecidos que podem iniciar e/ou finalizar o alongê são a “parada de mãos” e a “estrela”. POSIÇÃO DAS MÃOS Na Ginástica Artística, muitos elementos são realizados com apoio de uma ou duas mãos no solo ou nos aparelhos. Por se tratar de uma posição incomum no dia a dia, muita atenção deve ser dada ao posicionamento correto no apoio das mãos, a fim de evitar prejuízos à saúde do aluno. Para que a aprendizagem atenda ao aspecto progressivo, o aluno deve se apoiar sobre as mãos primeiramente no solo e depois nos aparelhos. Forma correta de apoio das mãos no solo: MÃOS COM AS PALMAS TOTALMENTE APOIADAS, PARALELAS, COM DEDOS BEM ESTENDIDOS. MÁXIMO DE SEPARAÇÃO DAS MÃOS NA LARGURA DOS OMBROS. NOS APOIOS EM ALTA VELOCIDADE, AS MÃOS PODEM SER GIRADAS INTERNAMENTE, MAS NÃO MAIS DO QUE 15°. PESO UNIFORMEMENTE DISTRIBUÍDO. POSIÇÃO DOS PÉS Existem muitas posições dos pés, porém as básicas utilizadas na iniciação são: pés paralelos e juntos ou levemente separados. Nessa posição, o peso é distribuído uniformemente para uma boa estabilidade, e quando o equilíbrio é necessário. Nas aterrissagens, o peso se desloca ligeiramente para a frente dos pés. POSIÇÕES CORPORAIS BÁSICAS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA A especialista Patrícia Arruda apresentará as posições corporais básicas da Ginástica Artística e suas aplicações no processo de ensino e aprendizagem. VEM QUE EU TE EXPLICO! Posição esticada ou estendida e suas variações, posição arredondada e posição arqueada Posição grupada e posição carpada Posição das pernas, execução do espacate, posição do alongê, posição das mãos, posição dos pés VERIFICANDO O APRENDIZADO CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS A segurança é um dos temas mais importantes quando falamos em ensino e aprendizagem da Ginástica Artística (GA) e de qualquer esporte ou exercício físico. Os professores ou treinadores que vão atuar em qualquer espaço gímnico devem estar comprometidos com a aplicação de todas as estratégias possíveis, a fim de minimizar os riscos de acidente. O conhecimento trazido aqui sobre as possibilidades de prevenir acidentes e evitar lesões na GA não esgota o assunto que, por si só, é dinâmico e está sujeito a ocorrências imprevisíveis. No entanto, foram abordados os aspectos gerais referentes ao tema, o que pode contribuir para nortear as ações de quem se propõe a ensinar ou a praticar a GA. Complementando o aspecto da segurança, foram apresentadas as posições corporais básicas da GA, além de outras posições de pernas, mãos e pés, enfatizando que o ensino da base não pode ser negligenciado em função das expectativas dos alunos de aprender exercícios mais difíceis. PODCAST Agora, a especialista Patrícia Arruda finaliza falando sobre os principais aspectos de segurança e das posições básicas da Ginástica Artística. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS BESSI, F. El mundo de la gimnasia artística en teoria y práctica. Buenos Aires: Dunken, 2016. CAINE, D.; RUSSEL, K.; e LIM, L. Handbook of Sports Medicine and Science, Gymnastics. UK, Wiley-Blacwell. 2013. CAMPBELL, R. Injury epidemiology and risk factors in competitive artistic gymnasts: a systematic review. Journal Sports Medicine, 2019. DIXON, M.; FRICKER, P. Injuries to Elite Gymnastics Over 10 Years. Medicine Science Sports Exercise, 1993. PANZER, V. P; WOOD, G. A.; BRATES E Col. Lower extremity loads in landings of elite gymnasts. Biomechanics XI. Amsterdam: Free University Press, 1988. SANDS, W.; CAINE, D.; BORMS, J: Scientific aspects of women's gymnastics. Medicine and Sport Science. Karger, Basel, 2003. TUROFF, F. Artistic gymnastics: A Comprehensive Guide to Performing and Teaching Skills for Beginners and Advanced Beginners. United States: Wm. C. Brown Publishers, 1991. UNITED STATES GYMNASTICS FEDERATION. Gymnastics risk management. USGF, 2016. EXPLORE+ Para saber mais sobre o assunto: Visite o site da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Consulte os livros: BROCHADO, F. A.; BROCHADO; M. M. V. Fundamentos da Ginástica Artística e de Trampolins. São Paulo: Guanabara Koogan, 2019. ROSA, L. H. T. da.; SANTOS, A. P. M. dos. Modalidades esportivas de ginástica. Porto Alegre: SAGAH, 2018. WERNER, P. H.; WILLIAMS, L. H.; HALL, T. J. Ensinando Ginástica para Crianças. Barueri, SP: Manole, 2015. CONTEUDISTA Andréa João