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Autora: Profa. Sueli Aparecida Martins Barberio 
Colaboradores: Profa. Silmara Maria Machado
 Prof. Nonato Assis de Miranda
Metodologia e Prática 
do Ensino de História 
e Geografia
Professora conteudista: Sueli Aparecida Martins Barberio
Sueli Aparecida Martins Barberio
Nascida em Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, possui em sua formação o Magistério e a graduação em 
Comunicação Social com especialização em Relações Públicas, Jornalismo, Publicidade e Propaganda pela UNAERP 
– Universidade de Ribeirão Preto/ São Paulo. Também é graduada em Pedagogia pela FAFIL – Faculdade de Filosofia 
Ciências e Letras Dr. Carlos Queirós de Santa Cruz do Rio Pardo e possui especialização em Educação a Distância pela 
UNIP – Universidade Paulista, em São Paulo.
Possui experiência profissional como diretora de comunicação no jornal A Folha e na Rádio Difusora de Santa Cruz 
do Rio Pardo; professora, coordenadora pedagógica, diretora de escola e analista educacional no SESI – Serviço Social 
da Indústria/São Paulo; professora no Magistério na rede estadual de ensino/São Paulo; professora no Ensino Superior 
na Instituição de Ensino Moura Lacerda em Ribeirão Preto/São Paulo; supervisora de ensino na Secretaria Municipal de 
Educação em Santa Cruz do Rio Pardo/São Paulo; presidente do Conselho Municipal de Educação em Jardinópolis/São 
Paulo; Atualmente, atua como professora na UNIP – Universidade Paulista em São Paulo. 
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
B234m Barberio, Sueli Aparecida Martins.
Metodologia e prática do ensino de história e geografia / Sueli 
Aparecida Martins Barberio. - São Paulo: Editora Sol, 2020.
108 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Metodologia. 2. Educação. 3. História. 4. Geografia. I. Título.
CDU 372.891
U508.86 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Virgínia Bilatto
 Cristina Zordan
Sumário
Metodologia e Prática do Ensino de História e Geografia
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8
Unidade I
1 FORMANDO O ALUNO CIDADÃO .............................................................................................................. 11
1.1 A construção da identidade ............................................................................................................. 11
1.2 A relação do homem com a terra .................................................................................................. 12
1.3 A relação de trabalho e de poder ................................................................................................... 13
1.4 A relação com a diversidade cultural ........................................................................................... 13
2 ENSINANDO HISTÓRIA ................................................................................................................................. 14
2.1 Por que ensinar História .................................................................................................................... 15
2.2 Particularidades da História ............................................................................................................. 15
2.3 A História da História e suas diferentes visões ....................................................................... 16
2.3.1 Linha do tempo da História no contexto educacional brasileiro ........................................ 19
2.4 Objetivos gerais no ensino de História ........................................................................................ 20
2.5 Os conteúdos e sua importância no ensino de História ....................................................... 20
3 O SABER HISTÓRICO NA SALA DE AULA ................................................................................................ 22
3.1 Habilidades e competências no ensino de História .............................................................. 22
3.2 Sugestão de atividades para o Ensino Fundamental ............................................................. 23
4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO EM HISTÓRIA ...................................................................................... 44
4.1 Os quatro pilares da educação mundial .................................................................................... 46
4.2 O planejamento no ensino de História ........................................................................................ 47
4.3 Avaliação do ensino de História ..................................................................................................... 49
Unidade II
5 GEOGRAFIA E O ESPAÇO VIVIDO ............................................................................................................... 56
5.1 O indivíduo como parte integrante da construção do lugar em que vive ................... 56
5.2 As relações do homem com a natureza e com o espaço ..................................................... 57
5.3 Cartografia na escola .......................................................................................................................... 59
6 ENSINANDO GEOGRAFIA ............................................................................................................................. 60
6.1 Por que ensinar Geografia ................................................................................................................ 61
6.2 Particularidades da Geografia ......................................................................................................... 62
6.3 A Geografia e suas diferentes visões ............................................................................................ 63
6.3.1 Linha do tempo da Geografia no contexto educacional brasileiro .................................... 65
6.4 Objetivos gerais do ensino de Geografia .................................................................................... 66
6.5 Os conteúdos no ensino de Geografia ......................................................................................... 66
7 OS SABERES DE GEOGRAFIA NA SALA DE AULA ................................................................................ 72
7.1 Sugestão de atividades ...................................................................................................................... 74
8 AVALIAÇÃO DO ENSINO DE GEOGRAFIA ............................................................................................... 92
7
APRESENTAÇÃO
A disciplina de Metodologia e Prática do Ensino de História e Geografia tem como objetivos gerais o 
desenvolvimento das competências básicas de:
• adquirir a capacidade de articularo ensino e a pesquisa na produção do conhecimento e na 
prática educativa;
• ter compromisso com uma ética de atuação profissional e com a organização da vida em sociedade;
• dominar princípios técnicos e metodológicos das diferentes áreas de conhecimento que se 
constituam objetos de sua prática pedagógica;
• compreender o processo de construção do conhecimento nas pessoas inseridas em seu contexto 
social e cultural;
• compreender a avaliação como um processo e não como um momento previsto em calendário; 
• considerando as especificidades de cada área do conhecimento, espera-se, ainda, que os alunos 
desenvolvam as seguintes habilidades:
— capacidade de elaborar, executar e avaliar planos de ação pedagógica que explicitem o processo 
de planejamento desenvolvido em cada área do conhecimento, em especial da História e da 
Geografia;
— saber incorporar, às ações pedagógicas, a diversidade cultural, étnica, sexual e religiosa de 
nosso povo, abordagens, procedimentos e instrumentos para aplicação em práticas educativas;
— aptidão para articular resultados de investigação científica com a prática escolar, visando ao 
seu ressignificado;
— competência para desenvolver metodologias e materiais pedagógicos adequados às diferentes 
práticas educativas.
Para atender a esses objetivos, o texto foi estruturado em duas unidades.
A primeira unidade refere-se ao componente curricular de História e aborda os conteúdos conceituais, 
procedimentais e atitudinais a serem desenvolvidos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Tomando-se 
como referência os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental de História e Geografia 
e os textos de diversos autores, o trabalho está organizado em quatro títulos: Formando o aluno 
cidadão; Ensinando História; O saber histórico em sala de aula; e Planejamento e avaliação em 
História.
A segunda unidade refere-se ao componente curricular de Geografia e aborda os conteúdos 
conceituais, procedimentais e atitudinais a serem desenvolvidos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 
Tomando-se como referência os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental de História 
e Geografia e os textos de diversos autores, o trabalho está organizado em quatro títulos: Geografia e 
Highlight
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o espaço vivido; Ensinando Geografia; Os saberes de Geografia em sala de aula; e Avaliação do 
ensino de Geografia.
Para concluir, apresentamos uma síntese da Didática de História e de Geografia, como orientação ao 
futuro professor pedagogo.
INTRODUÇÃO
Reflitamos um pouco sobre o ensino da História.
O que é História? Como ensinar o aluno a pensar historicamente? Como selecionar os conteúdos 
para o ensino de História? Como permitir ao aluno uma reflexão sobre sua historicidade como agente 
histórico dentro das condições em que vive e como produtor de seu próprio conhecimento? Como 
captar os interesses da história vivida pelo aluno e relacioná-la no tempo e no espaço?
Todas essas questões fundamentais para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem 
de História nos anos iniciais de escolarização preocupam a todos nós, educadores. 
Comecemos então nosso diálogo, refletindo sobre o que é História.
A História é fruto da produção cultural do homem na sua interação com o meio físico, social e 
político. Essa interação da pessoa humana no seu mundo implica uma concepção política e consciente 
diante das transformações pelas quais passaram as sociedades humanas, pois a transformação e a 
permanência constituem a essência da História. Nada permanece igual e é através do tempo que a 
mudança é percebida, ditada pela relação de força, de poder ou de domínio que direciona os conflitos 
das sociedades. 
Nesta perspectiva, para que a escola forme pessoas atuantes e participantes da sociedade, é 
fundamental que os alunos conheçam e entendam os processos de produção do conhecimento histórico 
como prática social, que deve estar vinculado à vivência do aluno. 
Desta forma, estudar História não exige o conhecimento da humanidade em todos os tempos, mas 
a capacidade de reflexão sobre qualquer momento da História a partir do cotidiano do aluno e suas 
relações com as questões sociais.
Mas como motivar a curiosidade do aluno instigando-o a sentir-se parte fundamental da História? 
A relacionar o ontem ao agora? A incendiar o desejo da descoberta, a busca da resposta e a sua vontade 
de transformação?
Mantendo esse mesmo viés, pensemos agora sobre o ensino da Geografia. Cabe à Geografia 
levar a compreender o espaço produzido pela sociedade na qual vivemos hoje, suas desigualdades e 
contradições, as relações de produção que nela se desenvolvem e a apropriação que esta sociedade 
faz da natureza. É nestes termos que a Geografia hoje se coloca e que seu ensino adquire menção 
fundamental no currículo, ao buscar desenvolver nos alunos uma postura crítica diante da realidade. 
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Essa parte é da interatividade 1
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O ensino de Geografia deve estar comprometido com o homem e com a sociedade, pois assim poderá 
contribuir para a sua transformação.
O caminho mais significativo para explicar a produção do espaço em todas as suas dimensões foi 
o processo de industrialização e, por essa razão, é tomado como fio condutor dos temas sugeridos 
no Ensino Fundamental, tendo sempre como pano de fundo a relação sociedade/natureza, mediada 
pelo processo de trabalho. Nesse sentido, o ensino de Geografia enfatiza a produção do espaço nas 
circunstâncias do mundo atual, considerando as múltiplas experiências dessa construção. 
Dessa concepção emerge a necessidade de se entender o aqui e o agora, o imediato e o vivenciado, 
ponto de partida e de referência para a compreensão da realidade. Entender o aqui e o agora significa 
entendê-los simultaneamente com o Brasil e com o mundo. Por isso a compreensão da realidade requer 
um processo de ir e vir no espaço, do próximo ao distante e vice-versa, num processo contínuo em que 
ambos se expliquem. Assim, não é possível abordar a realidade delimitando-a em círculos concêntricos, 
pois o particular e o geral se juntam constantemente.
A escola deve propor um ensino de Geografia centrado, não exclusivamente nas diferentes relações 
entre a cidade e o campo, mas também em suas dimensões sociais, culturais e ambientais, considerando 
o papel do trabalho, da tecnologia, da informação, da comunicação e do transporte. O ensino deve 
ser organizado partindo da realidade próxima dos alunos, para que possam observar, comparar e 
compreender as relações de interdependência e de determinação que existem entre o mundo urbano, 
rural e outros espaços estudados, explorando formas de registros próprias desta área de conhecimento, 
como a cartografia.
10
Unidade I
11
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Unidade I
HISTÓRIA
1 FORMANDO O ALUNO CIDADÃO
Na sociedade contemporânea, frente às modificações desencadeadas pelo avanço tecnológico, pela 
globalização e pelas questões sociais decorrentes, faz-se necessária uma nova forma de organização 
curricular nas escolas, objetivando formar seres humanos capazes de exercerem sua plena cidadania. 
Neste contexto, o ensino de História deve comprometer-se com a construção de uma proposta 
que reflita sobre a vivência cotidiana das pessoas e busque capacitá-las para a solução de problemas 
inerentes à sua prática social, tornando significativa a aprendizagem dos conteúdos.
Tomando como referencial o aluno como sujeito concreto e cidadão, os conteúdos significativos 
assumem um lugar próprio no currículo, pois propõem a diversidade como um espaço de multiculturalismo, 
estabelecendo relações entre a cultura local e o âmbito pluralista e de transformação. Desta forma, a 
escola constitui-se como um espaço de convivência por meio da ação participativa e de respeito à 
diversidade cultural, articulando os conteúdos que possibilitem o desenvolvimento da aprendizagem nas 
diversas etapas de formação do educando.
Nos PCN, encontramos que o ensino de História possuiobjetivos específicos e aponta como um dos 
mais importantes aquele que se refere à construção da identidade. Para tanto, é fundamental que o 
professor trabalhe com as noções históricas, vinculando a identidade do aluno às identidades sociais e 
coletivas, destacando as que se compõem como nacionais, identificadas com a Constituição e a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação.
Nesta perspectiva, para que os alunos desenvolvam a habilidade de estabelecer relações do 
conhecimento e adquiram competência para discussões e transformações de situações sociais 
vivenciadas, torna-se necessário o desenvolvimento de temas significativos como: a construção da 
identidade, a relação do homem com a terra, a relação de trabalho e de poder e a relação com a 
diversidade cultural.
1.1 A construção da identidade
O ensino de História deve partir da construção da identidade do sujeito como membro de uma 
família e suas diferentes histórias, expandindo para as problemáticas locais nas quais as escolas e os 
alunos estão inseridos, de forma a propiciar a articulação dessa realidade próxima às questões regionais, 
nacionais e mundiais. 
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Unidade I
A história familiar é construída evocando lembranças passadas, comemorações e tradições culturais. 
Nas tradições e costumes familiares, os alunos vão adquirindo consciência de quem são, a que grupo 
pertencem, que costumes os diferenciam e quais os tornam semelhantes.
O estudo da história da família só tem significado quando é possível situá-la no conjunto de outras 
famílias, próximas ou distantes. Nesta relação de próximo e passado, a natureza das relações sociais vão 
sendo entendidas e assimiladas. A noção de passado é formada gradativamente por meio das vivências 
das crianças, dos familiares e do grupo. 
O estudo da sua própria história, de seu grupo e de seu local tem a finalidade de ampliar a capacidade 
de observação do mundo vivido e compreender de forma mais clara e significativa as relações sociais, 
econômicas e culturais de seu tempo. Desta forma, a criança passa a fazer uso da pesquisa, da entrevista 
e do relato oral e a incorporá-los como metodologia do conhecimento histórico.
A diversidade passa a ser vivenciada pelo espaço fornecido pela escola, pois ultrapassa as relações de 
âmbito familiar, promovendo a interação com outros elementos do grupo.
As relações de tempo e espaço, semelhança e diferença, mudança e permanência devem ser bem 
desenvolvidas junto aos alunos para que haja a compreensão da História como um processo dinâmico. 
O educando constrói essas noções a partir da realidade cotidiana, observando a vida em sua casa, 
seu bairro e sua escola, e progressivamente, vai diversificando para os contextos sociais mais amplos, 
percebendo assim a historicidade de sua vida pessoal e coletiva.
 Lembrete
Para que haja a compreensão da História como um processo dinâmico, 
o educando constrói as noções de relações de tempo e espaço, semelhança 
e diferença, mudança e permanência a partir da realidade cotidiana, 
observando a vida em sua casa, seu bairro e sua escola.
1.2 A relação do homem com a terra
O uso que o homem faz da terra, a sua apropriação, os movimentos pela sua posse, o modo de 
trabalho e conflitos registrados pela História propiciam discussões que envolvem aspectos ligados à 
cidadania.
A discussão sobre a trajetória dos povos e das sociedades, articulada ao estudo de como se efetuou 
o domínio da terra, exerce um importante papel para a dignificação das inter-relações entre as pessoas, 
numa abordagem voltada para questões sociais que tenham como referencial possibilidades para 
transformações da realidade.
Outro campo de estudo e análise é a ocupação do espaço da terra pelo homem, diante de sua 
ação devastadora e predatória, causando problemas de desequilíbrio populacional, inclusive quanto à 
Highlight
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
ocupação de terras indígenas, bem como problemas de urbanização relacionados à moradia e marcados 
pelo comprometimento da ecologia ambiental.
Esse conteúdo significativo tem como finalidade estudar, pesquisar e refletir diante da problematização 
produzida pela ocupação do homem e pelo uso da terra em seus diversos enfoques político, econômico 
e cultural.
1.3 A relação de trabalho e de poder
A relação de trabalho e de poder em seus aspectos políticos, sociais e culturais, pontua uma 
perspectiva de abordagem das atividades humanas em diversas culturas e momentos, propiciando 
amplas alternativas de pesquisa e análise do cotidiano do sujeito e suas relações de trabalho.
As várias dimensões da vida relacionam-se com o trabalho, iniciando com a necessidade de 
sobrevivência, destacando-se também pelas culturas e representações sociopolíticas, atingindo os 
limites de relações de poder. Portanto, a História do trabalho torna-se significativa para compreender as 
relações de produção vinculadas em diferentes períodos e que caracterizam mudanças econômicas em 
diversas organizações políticas.
A produção humana pontua um significado especial nas várias gerações de trabalhadores e nas 
contradições sociais, permeando diversas relações nos contextos de exploração, conflito, poder e 
resistência.
Nesta perspectiva, a reflexão e a problematização sobre o trabalho possibilitam a criação do diálogo 
com a realidade social na busca da ação para a transformação.
1.4 A relação com a diversidade cultural
A pesquisa é de fundamental importância diante da diversidade cultural e das diversas formas de 
interpretação da vivência pelo aluno em seu grupo local. Ianni (1983, p.121) enfatiza esta questão:
A sociedade em seu conjunto deve transformar-se em uma gigantesca 
escola [...] O importante é que os homens vão adquirindo cada dia mais 
consciência da necessidade de sua incorporação à sociedade e, ao mesmo 
tempo, de sua importância como motores da mesma [...].
O momento de globalização que vivenciamos neste século XXI nos deslumbra com um processo de 
constantes mudanças que exige transformação de concepções a respeito dos elementos que compõem 
essa sociedade. 
Entretanto, não podemos deixar de lado as questões locais e regionais e a participação social do 
homem como cidadão que busca desenvolver melhores condições de vida e trabalho, que reclama a 
proteção e a preservação do meio ambiente, superando fronteiras e atingindo o caráter universal na 
defesa dos direitos humanos. 
Highlight
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Unidade I
A diversidade, as diferenças, os antagonismos de classes e etnias, religiões e culturas, modos de vida 
e trabalho, modificam-se e reafirmam-se pelos reflexos e tendências impostos pela multiculturalidade, 
que promove a sua transformação para que surjam outras formas culturais.
Neste contexto é que o processo de globalização mundial provoca transformações marcantes pelos 
grupos sociais locais. 
2 ENSINANDO HISTÓRIA 
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), o ensino e a aprendizagem de História 
envolvem uma distinção básica entre o saber histórico e o saber histórico escolar.
Considera-se saber histórico o conhecimento produzido no campo das pesquisas dos historiadores 
e especialistas; e saber histórico escolar, o conhecimento produzido no espaço escolar por meio da 
articulação das informações veiculadas pela população e por meios de comunicação com as representações 
sociais constituídas pela vivência dos alunos e professores. Esta relação compreende, de modo geral, três 
conceitos fundamentais: o de fato histórico, o de sujeito histórico e o de tempo histórico.
Os fatos históricos estão relacionados aos eventos políticos, às festas cívicas e às ações de heróis 
nacionais. Podem ser entendidos como ações humanas significativas, realizadas pelos homens e pelas 
coletividades, que envolvem diferentes níveis da vida em sociedade, como rituais religiosos, formas de 
desenho, criações artísticas, comportamentos das pessoas, técnicas de produção, atos políticos. 
Os sujeitos históricos são os agentes de ação social quese tornam significativos para estudos 
históricos, sendo eles indivíduos, grupos ou classes sociais.
O tempo histórico, considerado em toda sua complexidade, pode ser entendido como tempo 
cronológico (calendários e datas), tempo biológico (crescimento, envelhecimento), tempo psicológico 
interno (ideia de sucessão, de mudança), tempo cronológico e astronômico, construído pelos povos 
conforme suas culturas (sucessão de dias e noites, de meses e séculos).
Desta forma, os conceitos de fato histórico, sujeito histórico e tempo histórico refletem distintas 
concepções de História e de como ela é estruturada e constituída. Orientam na definição dos fatos que 
serão investigados, dos sujeitos ativos e das noções de tempo histórico que serão trabalhadas.
 Lembrete
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), considera-se 
saber histórico escolar o conhecimento produzido no espaço escolar por 
meio da articulação das informações veiculadas pela população e por meios 
de comunicação, com as representações sociais constituídas pela vivência 
dos alunos e professores. 
Highlight
importante
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
2.1 Por que ensinar História
Durante toda a História da espécie, a biologia e a cultura trabalharam juntas para que a vida humana 
se mostrasse solidária e unida, mas o agito do viver moderno alterou essa tentativa. Superar essa 
alteração é um dos objetivos do ensino de História. 
Não é difícil compreender por que esse trabalho é hoje mais essencial do que há trinta ou quarenta 
anos. A segunda metade do século XX foi pródiga em terríveis abalos sociais que fortaleceram o 
individualismo e reconfiguraram o modo como vivemos. O campo, com suas relações sempre próximas, 
foi trocado pelo anonimato das cidades onde vigora o “cada um por si”. As mulheres saíram de casa para 
o trabalho e a natureza da vizinhança solidária quase desapareceu. Desmanchou-se uma ligação quase 
compulsória com a religião, que conferia ao sacerdote o posto do conselheiro sempre acessível. A rua, 
antigo ponto de construção de brincadeiras e amizades, depressa se transformou em cenário de medo 
e perigo. As famílias se encolheram e, em lugar de reuniões ruidosas, onde sempre se aprendia a prática 
da solidariedade, têm-se agora pequenos núcleos de pai, mãe e filho sempre apressados, cada vez mais 
distantes. Agora quase não existe a “família” nuclear, substituída por uma família de quase estranhos. 
A vida profissional tornou-se bem mais competitiva, os encontros são marcados pela ansiedade, e 
as amizades, interesseiras. O celular e o computador também contribuíram para isso, pois se ampliaram 
os contatos, reduziram sua intensidade e sua qualidade. As redes sociais, que geravam conselhos e 
experiências, amparo e solidariedade, se desfizeram, restando para a escola e para os educadores vencer 
essa desconexão que a cada dia mais nos isola e nos faz esquecer de que é essencial ensinar a conviver 
e a compartilhar. O bom ensino de História não é a única saída, mas é uma saída.
A qualidade no ensino de História não consiste apenas em situar acontecimentos históricos e localizá-
los em uma multiplicidade de tempos, mas compreender que as histórias pessoais são partes integrantes 
de histórias coletivas e que conhecer modos de vida de diferentes grupos em diversos tempos e espaços, 
e reconhecer semelhanças e diferenças é a melhor maneira de respeitá-los. É importante que se ensine 
História para que os alunos possam questionar a realidade, identificando seus problemas e descobrindo 
formas político-institucionais que possam ajudar a resolvê-los. Aprender História é importante para 
que se valorize o patrimônio sociocultural e o direito de cidadania como condição de fortalecimento da 
liberdade de expressão e da democracia, único sistema capaz de manter o respeito às diferenças e a luta 
contra as desigualdades.
2.2 Particularidades da História
Existe concordância entre os historiadores quanto à época do começo das noções históricas: desde 
o início dos tempos, quando os primatas descobriram os ciclos da Lua, do dia e da noite, os fenômenos 
físicos, as alterações da natureza. Também quanto à sua formação como disciplina escolar: no século 
XIX, incluída na Filosofia, como disciplina de Filosofia da História, da qual se desliga no início do século 
XX, para se tornar ciência, com seus próprios métodos de investigação, a exemplo das demais disciplinas, 
as denominadas ciências humanas.
 
16
Unidade I
O aluno pode e deve organizar o próprio conhecimento, por meio de estudos e experiências, 
individuais ou grupais, deve ser instigado a pesquisar, encontrar informações, depoimentos, gravuras, 
músicas, charges e documentos. O papel do professor, portanto, consiste em mediar esse processo de 
construção do conhecimento de História do aluno.
Várias pesquisas apontam para a ênfase ainda dada em ensinar nas aulas de História os nomes de 
“heróis”, datas comemorativas e fatos históricos, muitas vezes de forma descontextualizada, como se 
fossem produtos de ações individualizadas. O ensino de História fundamentado na ênfase de “heróis” e 
datas comemorativas não é atual. Essa metodologia surgiu desde a Proclamação da República, quando 
da necessidade de construção de uma identidade para o nosso povo, e foi idealizada sob a ótica dos 
governantes e da classe dominante. Esse ensino tem se mostrado ineficiente, pois seus conhecimentos 
não têm significado para os nossos alunos com realidades, valores, pensamentos e histórias de vidas 
diferentes, ou seja, não têm atingido o objetivo de promover o desenvolvimento crítico e a participação 
social nos alunos.
Segundo Nemi e Martins (1996, p. 20), “as circunstâncias históricas são apresentadas como se fossem 
obras de algumas pessoas e não como ação de construção e desconstrução coletivas”.
O ensino de História não tem dado ênfase ao ser humano ou aos povos como agentes do processo 
histórico; além disso, apresenta os fatos como se não existissem conflitos e contradições.
Os autores Nemi e Martins (1996, p. 24) sugerem que as aulas de História devem possibilitar a 
interpretação das diferentes visões que se têm do Brasil para que o aluno faça a sua própria leitura. É 
necessário, portanto, que o aluno compreenda o momento histórico em que vive, e, para atingir esse 
objetivo, é importante disponibilizar situações em que o aluno possa analisar e interpretar os processos 
de transformação das relações entre os homens e destes com a natureza.
Bittencourt (2009, p. 84) explica que antes da influência dos pressupostos da Psicologia cognitiva, 
a História era ensinada por métodos de memorização. Ela também aborda (à página 99) a preocupação 
atual de muitas propostas para um ensino de História significativo para as novas gerações, “público 
escolar” com ritmos diversos de aprendizagem, com ações de intenso consumismo e expectativas 
utilitárias acentuadas. Contudo, Bittencourt (2004, p. 113) reconhece a necessidade de se trabalhar 
com festas comemorativas no ensino de História do Brasil, ressaltando que foram introduzidos outros 
representantes da sociedade brasileira que devem ser festejados, sobretudo em suas respectivas datas, 
como o Dia do Índio (a ser comemorado todo dia 19 de abril) e o Dia da Consciência Negra (a ser 
comemorado todo dia 20 de novembro). Índios e negros reconhecidos, hoje, como constituintes de 
nossa etnia brasileira.
2.3 A História da História e suas diferentes visões 
A História tradicional, fortemente influenciada pelo positivismo, destaca-se pela busca de fatos 
passados, isolados, situados no tempo linear, contínuo e sem rupturas. Seu historiador era um estudioso 
imparcial, neutro, que desvinculava os acontecimentos do contexto, a fim de preservar o caráter preciso 
e rigoroso, objetivo da ciência da época. Sua tarefa era recolher os dados colhidos dos documentos 
17
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
escritos reconhecidos como tal, proceder a uma análise minuciosa, livrede interpretações, para chegar 
a uma verdade universal.
A História se caracterizava, então, como relato de fatos isolados, grandes acontecimentos, grandes 
heróis, grandes dinastias com seus grandes impérios e altas personalidades. Tudo era muito regular, não 
sobrando espaço para conflitos e participação popular, parecendo que nada ocorria fora do que era 
definido pela sociedade dominante no poder. Era essa a História que a sociedade brasileira aceitou, e a 
escola desenvolveu por várias décadas.
Outra História, produzindo uma renovação historiográfica, em contraposição ao positivismo, foi 
iniciada no final do século XIX e metade do século XX, influenciada pelas ideias de Karl Marx que, 
checando os idealismos e as estruturas liberais da época, acabou por abalar as convicções estabelecidas 
na sociedade para as classes sociais e para o povo.
Segundo Marx, há muitos conflitos gerados pelas forças produtivas (os patrões e donos das indústrias) 
e as relações de produção (os empregados e sua força de trabalho) do mundo capitalista e da sociedade 
industrializada. O antagonismo gerado pelos conflitos e/ou oposições entre patrões e empregados 
(termos dialéticos complementares) gera a “luta de classes” que, por sua vez, provoca transformações 
sociais, modificando as relações do trabalho. O resultado é uma nova sociedade baseada no socialismo.
Consequentemente, cada pessoa passa a ser sujeito e objeto da História e os fatos históricos 
deixam de ser vistos isoladamente e passam a representar, de forma mais concreta, o coletivo e o 
social, abrangendo os acontecimentos políticos, econômicos, sociais, antropológicos etc., que agora são 
interpretados do ponto de vista da economia, numa temporalidade em que presente e passado se unem 
para se tornarem um todo. Com a produção de novos desafios e maneiras novas de explicar o mundo, 
gera-se um novo paradigma a influenciar a sociedade, as relações, as nossas vidas, a educação etc. A 
historiografia registra a constituição da História crítica.
Sob esse olhar, as pessoas e todos os eventos situados no tempo e no espaço passam a ser vistos 
de modo contextualizado e não isoladamente, como até então. Tudo e todos passam a ser vistos como 
“fazedores” da História ao mesmo tempo em que se tornam seus objetos de estudo. Nesse contexto 
total da sociedade, o fato histórico chega à sua essência (o pensamento concreto), isto é, pode ser visto 
e explicado empiricamente.
A renovação da historiografia chega ao Brasil somente no final dos anos de 1960 e na década de 
1970, com o desenvolvimento dos cursos de pós-graduação. Somente aí, os trabalhos acadêmicos, em 
suas teses e dissertações, passaram a criticar a produção do conhecimento histórico, fundamentado 
no positivismo, substituindo seus pressupostos pelas ideias marxistas. Somente mais tarde essa 
transformação passaria a orientar os livros didáticos.
As transformações ocorridas no campo dos estudos aos poucos acabam por interferir no inconsciente 
coletivo, que também passa a ver tudo com outros olhos. No entanto, a quebra de paradigmas, se rápida 
para alguns com mais acesso às informações e com maior acessibilidade cultural, é lenta para a maioria 
de menor cultura que vive, portanto, um processo mais lento de transformações.
18
Unidade I
Diante disso, podemos fazer a seguinte ponderação: encaramos os desafios do mundo com 
“teorias” construídas, enquanto vivemos e pensamos num processo contínuo que tem início desde o 
nascimento.
Este é o início da nossa história vivida, constituída de imagens e argumentos tão fortes e significativos 
de nossa bagagem cultural mesmo antes de irmos à escola. Estas concepções que marcam a nossa 
existência são as âncoras para as informações históricas que serão desenvolvidas nos anos iniciais do 
Ensino Fundamental, por isso dizemos que a História pode contribuir para a compreensão das vivências 
culturais do passado que até hoje nos influenciam.
Os autores César Coll e Ana Teberosky (2008, p. 7) argumentam que a História nos torna possível a 
análise das ações humanas significativas, ocorridas no tempo e no espaço. Acrescida da contribuição 
das ciências, podemos conhecer como essas ações ocorreram, por que ocorreram e ainda entendermos 
as relações de poder presentes nos acontecimentos históricos.
As possibilidades de uma análise cada vez mais precisa, apesar da distância entre os fatos, foram 
sensivelmente ampliadas com outras fontes de conhecimento, além dos documentos antigos escritos. 
Hoje, além desses documentos, dos sítios arqueológicos, a História também nos chega pelas 
fotografias, jornais, revistas, depoimentos e testemunhos orais. Mesmo que estes testemunhos possam 
vir impregnados de percepções subjetivas, os pesquisadores atuais avaliam como significativa a força 
dessas percepções para explicar antagonismos ou posições arraigadas que provocam na História 
continuidades, descontinuidades e rupturas nos modos de relacionamento entre as pessoas e entre as 
pessoas e os produtos culturais: economia, política, educação, cultura, valores, trabalho, afetividade, 
definidos hoje como conteúdos da nossa sobrevivência.
Para continuar a História da História e compreender a disciplina como relação entre as ações das 
pessoas e o espaço imediato e distante, devemos notar que, enquanto o Brasil vivia a Ditadura Militar, 
outros países vizinhos e também da Europa estavam sendo controlados por regimes fortes e autoritários. 
Parecia que o vento do autoritarismo soprava sobre as milhares de cabeças que habitavam os países em 
questão. Porém, isto é uma explicação que se aproxima do senso comum..
Do ponto de vista científico, havia razões políticas fundadas na soberania nacional, que atravessava 
um período marcado por instabilidades locais e receios internacionais pela invasão de ideologias 
indesejadas.
A proposta atual para as aulas de História para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental 
propõe a compreensão da realidade e o levantamento de possibilidades de mudanças a serem realizadas 
pelo homem com o objetivo de ampliar suas experiências coletivas. Aqui, deverá entrar a ética das 
relações, buscando a compreensão solidária e conciliadora dos diferentes pontos de vista.
A reinterpretação do passado contribui para que o aluno compreenda a origem social e histórica 
dos conflitos de seu país e do mundo em que vive, devendo partir do seu espaço vivido, acumulado 
conforme seu desenvolvimento e recursos mentais.
19
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Fotos de familiares e relatos de pessoas do bairro também podem ser utilizados para enriquecer as 
aulas de História, com o objetivo de trazer mais informações aos alunos sobre sua própria vida. Isto 
também desperta o interesse em conhecer os grupos com os quais convive em sua comunidade e o 
desejo de atuar junto.
2.3.1 Linha do tempo da História no contexto educacional brasileiro
1549 - Os jesuítas chegam ao Brasil e fundam as primeiras escolas elementares brasileiras. Os textos 
históricos bíblicos eram usados apenas com o intuito de ensinar a ler e escrever. 
1837 - O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, inclui a disciplina como obrigatória. Nesse ano também 
é fundado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que defende uma visão nacionalista. 
1870 - Com a diminuição da influência política da Igreja sobre as questões de Estado, os temas que 
têm como base as ideias bíblicas são abolidos do currículo. 
1920 - Escolas abertas por operários anarquistas tentam implantar a ótica das lutas sociais para 
entender a História. Mas elas são reprimidas e fechadas durante o governo de Arthur Bernardes, alguns 
anos depois. 
1934 - É criado o primeiro curso superior de História, na USP. A academia nasce com uma visão 
tradicionalista, reforçando a sucessão de fatos como a linha mestra. 
1957 - Delgado Carvalho publica a obra Introdução Metodológica aos Estudos Sociais, que serve de 
base para o processo de esvaziamento da História como disciplina autônoma. 
1971- A História e a Geografia deixam de existir separadamente. No lugar delas é criada a disciplina 
de Estudos Sociais e, ao mesmo tempo, a licenciatura na área. 
1976 - O Ministério da Educação determina que, para dar aulas de Estudos Sociais, os professores 
precisam ser formados na área, fechando-se assim as portas para os graduados em História. 
1986 - A Secretaria de Educação do Município de São Paulo propõe o ensino por eixos temáticos. A 
proposta não é efetivada, mas vira uma referência na elaboração dos PCN, anos depois. 
1997 - Abolição de Estudos Sociais dos currículos escolares. História e Geografia voltam a aparecer 
separadamente. Especialistas começam a pensar novamente sobre as atuais especificidades de cada 
uma das disciplinas.
1998 - Com a publicação dos PCN, são definidos os objetivos da área. Entre eles está o de formar 
indivíduos de modo que eles se sintam parte da construção do processo histórico. 
2003 - O Conselho Nacional da Educação determina que a História e a cultura afro-brasileira sejam 
abordadas em todas as escolas, o que mostra uma iniciativa oficial para desvincular o ensino da visão 
eurocêntrica.
Highlight
20
Unidade I
2.4 Objetivos gerais no ensino de História
Não se ensina História no Ensino Fundamental apenas por ser uma disciplina do currículo escolar e 
também não se ensina História porque professores dessa disciplina só podem ensinar História. Em outras 
palavras, o ensino da História no Ensino Fundamental se fundamenta em objetivos claros que, se não 
concretizados, abrem insuperável lacuna na formação dos estudantes.
É por esse motivo que esses objetivos devem, não apenas ser bem conhecidos pelos professores, mas 
devem, sobretudo, constituir sua meta. Os objetivos devem estar presentes em todas as atividades e 
justificar toda a avaliação de aprendizagem essencial ao ensino.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais determinam como objetivos gerais do ensino de História no 
Ensino Fundamental que os alunos sejam capazes de:
• identificar o próprio grupo de convívio e as relações que estabelecem com outros tempos e 
espaços;
• localizar acontecimentos no tempo: presente e passado;
• conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos sociais em diversos tempos e espaços;
• reconhecer mudanças e permanências nas vivências humanas;
• questionar sua realidade, identificando alguns de seus problemas e refletindo sobre algumas de 
suas possíveis soluções;
• utilizar métodos de pesquisa e de produção de textos de conteúdo histórico, aprendendo a ler 
diferentes registros;
• valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a diversidade;
• reconhecer algumas relações sociais, econômicas, políticas e culturais;
• identificar as ascendências e descendências das pessoas;
• identificar as relações de poder;
• utilizar diferentes fontes de informação para leituras críticas;
• valorizar as ações coletivas.
2.5 Os conteúdos e sua importância no ensino de História
Um substantivo é “significativo” quando conduz pensamentos e se apresenta em nossas intenções, 
mesmo que nos esqueçamos de pronunciá-lo. Em educação, o substantivo mais frequente é conteúdo. 
Conteúdo na escola é o meio para que o aluno desenvolva sua capacidade, exercite sua competência e 
coloque em prática as habilidades que aprendeu. 
21
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
É também pela expressão dos conteúdos que se manifestam as diferentes inteligências dos alunos, 
colaboradores e professores e, sem conteúdo, a escola não pode construir bens culturais, sociais e 
econômicos para que possamos evoluir e usufruir. 
Para que a aprendizagem dos alunos de História seja significativa, os conteúdos devem ser analisados e 
apresentados de modo a estruturarem uma rede de significações. Conteúdo, portanto, não é informação 
que se acumula, mas ferramenta com a qual se aprende a aprender e, por saber aprender, conseguir 
se transformar. Portanto, o substantivo conteúdo possui vários sentidos e é importante diferenciá-
lo. Os conteúdos podem ser classificados em três grupos: conteúdos conceituais, procedimentais e 
atitudinais.
Os conteúdos conceituais envolvem a abordagem de conceitos, fatos, teorias, hipóteses e princípios 
e se referem à construção ativa e dinâmica das capacidades intelectuais para que os alunos possam 
operar símbolos, signos, ideias, imagens que representam a realidade. Experimente pensar qualquer coisa 
e estará buscando conteúdo. Sem conteúdos conceituais não existe pensamento e as ideias morrem, 
não existe meio de buscar lembranças na memória, visto que qualquer lembrança é sempre conteúdo 
conceitual. 
A maneira como os livros apresentam os títulos e os conteúdos podem ser muito diversificados. 
Temas como “As relações sociais e a natureza”, “As relações do trabalho”, “História das representações 
e das relações de poder” e “Cidadania e cultura no mundo contemporâneo” representam conteúdos 
conceituais e também os “eixos” temáticos, isto é, são os polos centrais em torno dos quais diversos 
capítulos precisam se alinhar.
Dessa forma, temas como “Os primeiros agrupamentos humanos no território brasileiro”, “Natureza 
e povos indígenas” e muitos outros surgem como aspectos particulares de um todo geral que são os 
eixos temáticos e devem caracterizar a ação pedagógica do professor.
Esses eixos aparecem como verdadeiros nós de uma rede e, portanto, integram a História com outras 
disciplinas curriculares. 
Contudo, a imprescindível necessidade de conteúdos conceituais não apaga a importância dos 
conteúdos procedimentais. 
Em História, os conteúdos procedimentais correspondem aos modos de buscar e aplicar, organizar 
e comunicar os conteúdos conceituais. Os primeiros não se isolam dos segundos e de nada adianta um 
saber se o conhecimento o isola de sua ação. Assim, a observação, a experimentação, a comparação, 
a elaboração de hipóteses, o debate oral, o estabelecimento de relações entre fatos ou fenômenos e 
ideias, a leitura, a produção e a interpretação de textos são “ferramentas” que solidificam a verdadeira 
aprendizagem. Também a elaboração e roteiros, a pesquisa bibliográfica ou de campo, as mensagens 
ilustradas pelo desenho, fotos, gráficos e tabelas, o confronto entre suposições e a proposição de solução 
para os desafios caracterizam a diversidade de competências ou procedimentos que dão sentido e corpo 
aos conceitos apreendidos. 
22
Unidade I
A realização de um procedimento adequado garante a interpretação da aprendizagem de um 
conteúdo conceitual. O uso de conteúdos procedimentais é fundamental em todo processo de ensino, 
pois permite incluir conhecimentos (conteúdos conceituais) e vivenciar esse saber, comparando-o, 
analisando-o, descrevendo-o e, assim, explorando múltiplas habilidades. 
Os conteúdos atitudinais referem-se às normas, valores e virtudes que são atitudes que devem 
apresentar- se e permear todo conhecimento escolar. A não compreensão de atitudes, valores e normas 
como conteúdos escolares pode levar os alunos a atitudes pouco aceitáveis.
Dessa forma, concluímos que os conteúdos conceituais são necessários para poder concretizar 
conteúdos procedimentais e estes dois grupos de conteúdos são imprescindíveis para poder materializar 
atitudes de forma eficaz. 
 Saiba mais
Você já leu algo de César Coll? Ele propôs um agrupamento de 
“novos conteúdos” conceituais, procedimentais e atitudinais, e que 
correspondem às seguintes questões: o que devemos saber, como devemos 
fazer e como devemos ser.
Leia sobre esse assunto no livro:
COLL, C. et al. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática, 2006.
3 O SABER HISTÓRICO NA SALA DE AULA
Para o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas aos temas significativos no 
ensino de História: construção da identidade, relação do homem com a terra, relação de trabalho e de 
poder e relação com a diversidade cultural, apresentamos sugestões de atividades de acordo com os 
objetivos específicos para cada ano de escolaridade e a fundamentaçãoteórica dos conteúdos.
Para começar, vamos esclarecer o que são habilidades e competências.
3.1 Habilidades e competências no ensino de História 
Você sabe o que é “formiga”? Se sua resposta é afirmativa e você pode garantir que a pergunta se 
refere a um inseto conhecido por quase todos, você mostrou competência para compreender palavras 
em sua língua. O uso dessa competência linguística, entretanto, exigiu várias habilidades, como 
compreender, comparar, interpretar, responder verbalmente, responder por escrito etc.
Dessa forma, competência é uma habilidade de ordem geral, enquanto habilidade é uma competência 
de ordem particular, específica (MACEDO, 1999). Competência, portanto, é a capacidade de mobilizarmos 
nossos “equipamentos” mentais para encontrar saídas quando estas parecem ausentes. É a maneira como 
23
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
articulamos nossas habilidades para alcançar um objetivo, para superar um desafio, vencer um obstáculo. 
Dessa maneira, ajudar os alunos em História a conquistar competências e usar habilidades não é nada 
diferente de ajudar alunos em outra disciplina. As competências e habilidades que se requerem para ler 
um texto não são as mesmas necessárias para se fazer um cálculo, mas não importa se esse texto é de 
Ciências ou de Literatura, de aventuras ou de História. É sempre importante que os professores ajudem 
seus alunos em diferentes competências, graduando seu padrão de dificuldade conforme a idade e ano 
de escolaridade em que o aluno se encontra. 
Por isso, nas aulas de História, tome como referência o quadro a seguir: 
Quadro 1
Competências básicas aos alunos dos anos 
iniciais do Ensino Fundamental
Ferramentas e meios para levar os alunos ao 
domínio dessas competências
Dominar linguagens, portanto, saber ler, 
compreender e interpretar textos, fotos, mapas, 
diagramas, gráficos, charges etc.
Explorar leituras e desenvolver todos os passos 
da compreensão histórica significativa na 
interpretação de um texto.
Compreender e interpretar fenômenos e, 
assim, mostrar-se capaz de interligar as disciplinas 
escolares entre si e de conectar o conteúdo 
aprendido com a realidade.
Perceber a distinção entre fatos históricos, 
informações de crenças e preconceitos, 
interligando o fato histórico com fenômenos de 
outras disciplinas; conectar o aprendido com a 
realidade atual, o passado e as perspectivas de 
futuro.
Solucionar problemas, identificando informações 
corretas sobre o fenômeno histórico estudado 
para interpretar o fato e tomar decisão pertinente.
Perceber nos textos as informações corretas, 
separando teorias de hipóteses buscando 
identificar problemas, relacionar culturas e 
épocas, refletindo sobre as perspectivas de 
solução. 
Construir argumentação e, portanto, assumir 
pontos de vista, defendendo-os com argumentos 
sólidos e embasados, pautados nos conhecimentos 
adquiridos. 
Saber argumentar é encontrar pensamentos e 
raciocínios para se chegar a uma conclusão e, dessa 
forma, perceber as múltiplas interpretações possíveis 
em qualquer informação de natureza histórica.
Raciocinar sobre os fatos apreendidos e elaborar 
propostas para resolver uma situação. 
Atribuir significação ao que aprendeu, 
mostrando-se capaz de formular propostas para 
resolver a situação do presente, com base em 
alternativas encontradas no passado.
Essas competências, conforme o nível de conhecimento do aluno, envolvem a aprendizagem e a 
utilização de múltiplas habilidades como, por exemplo, descrever, reconhecer, analisar, comparar, 
relacionar, classificar, deduzir, interpretar, propor soluções, avaliar, compreender e muitas outras.
3.2 Sugestão de atividades para o Ensino Fundamental
Primeiro ano
Ao término do primeiro ano letivo, os alunos deverão ter alcançado os seguintes objetivos específicos:
• conhecer a história individual, registrando e comparando com os fatos contados por outros 
alunos;
Highlight
24
Unidade I
• pesquisar e comparar as relações entre as histórias das pessoas e das famílias, usando fontes orais, 
escritas e de imagem;
• conhecer e relacionar as normas e regras de convívio nos grupos dos quais fazem parte, como na 
família, na escola, no bairro etc.;
• identificar as formas de convívio social, hábitos e costumes, festejos e comemorações, antigas ou 
atuais; 
• conhecer e valorizar o patrimônio cultural assegurando sua preservação;
• relacionar lugares e tempos vividos no cotidiano com rotina, medições e marcadores de tempo 
cronológico.
Atividade 1 – A criança cresce e aprende
Desenvolvimento
O professor solicita que os alunos levem à escola materiais como: fotos em diferentes fases de 
crescimento e em diversas ocasiões sociais (batizado, aniversário, reuniões com a família); fotos dos 
familiares mais próximos: pai, mãe, irmãos, avós, identificados com o nome; peças de roupas ou 
brinquedos que já não usam mais, com informações como: de quem ganhou, quando, em que momento 
foram mais usados.
Com esses materiais, realizar ações como:
• observar as suas fotos e a dos colegas e apontar as mudanças ocorridas com o tempo;
• relatar também outras mudanças, além da aparência;
• registrar a altura e o peso e, após alguns meses, repetir esse procedimento;
• comparar a altura e o peso dos alunos: quem é o mais alto, quem é o mais baixo, quem pesa mais, 
quem pesa menos, quem tem a mesma altura ou o mesmo peso;
• registrar o que observou com a roupa ou o brinquedo que não usa mais;
• relatar sobre a história do seu nome: quem escolheu e porque; como recebeu o sobrenome;
• localizar no calendário o mês e o dia do seu aniversário e também de alguns colegas;
• analisar e descobrir quem é o mais velho, o mais novo, quem faz aniversário na mesma data, quem 
faz aniversário em um determinado mês.
Ao finalizar a atividade, o professor questiona:
• seu corpo, seu modo de ser e de agir mudam com o tempo?
• o que você descobriu sobre a história do seu nome?
25
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Fundamentação 
Esta atividade aborda a percepção de mudanças e permanências na vida do aluno. Os conteúdos 
trabalhados voltam-se para o aluno como indivíduo que possui um passado e que continuamente cresce 
e aprende coisas novas.
Num primeiro momento, é trabalhada a questão do crescimento físico e as mudanças psicológicas que 
ocorrem nessa fase e que o aluno observa em si mesmo e nos outros, como também as transformações 
que ocorrem nos adultos, que passam a envelhecer.
Num segundo momento, é trabalhada a história do nome do aluno. Todos nós temos nome e 
sobrenome, que muitas vezes são determinados antes do nosso nascimento por nossos pais, avós ou 
responsáveis. As motivações da escolha do nome, o significado dele, as origens étnicas e históricas do 
sobrenome, nos remetem a um passado anterior ao nosso nascimento. A descoberta desses aspectos é 
fascinante para os alunos e torna-se um ponto de partida para o aprofundamento da compreensão de 
si mesmos, como sujeitos que se constituem ao longo do tempo.
Ao trabalhar esse conteúdo, o professor estará:
• estimulando o aluno a conhecer a história individual, registrando-a e comparando-a com os fatos 
narrados pelos outros alunos;
• mediando seu aprimoramento da capacidade de relacionar lugares e tempos vividos no cotidiano 
com rotina, medições e tempo cronológico;
• possibilitando a percepção de que o aluno se constitui como um sujeito histórico, inserido 
num determinado tempo e numa determinada organização social, mas com ligações com seus 
ancestrais. 
Roda de conversa
Apresentar fotos de uma mesma pessoa em diferentes momentos da vida: infância, juventude, vida 
adulta e iniciar a conversa a partir da comparação entre essas fotografias. Estimulá-los a falarem sobre 
o que sabem e pensam a respeito do processo de crescimento e de contínua aprendizagem. O objetivo 
da roda de conversa é o de investigar o que os alunos já dominam do conteúdo, de modo que o 
professor possa acompanhar aaprendizagem e avaliar adequadamente o que aprenderam para preparar 
as atividades subsequentes. 
26
Unidade I
 Saiba mais
Filmes
A ERA do gelo III. Dir. Carlos Saldanha; Mike Thurmeier. EUA, 2009. 94 
minutos.
PROCURANDO Nemo. Dir. Andrew Stanton; Lee Unkrich. Australia, EUA, 
2003. 100 minutos. 
Nesses filmes, encontramos situações interessantes e divertidas sobre a 
relação de pais e filhos e a escolha de nomes.
Atividade 2 – A História da família
Desenvolvimento
O professor exibe o filme “Tainá, uma aventura na Amazônia” e, após, direciona os alunos para as 
seguintes ações:
• comparar as diferenças existentes entre a família do filme e as que conhece;
• observar e descrever as diferenças entre o ambiente em que Tainá vive e o seu;
• desenhar a família e explicar para os colegas quem são as pessoas;
• escrever o nome dos familiares: avós maternos, paternos, da mãe, do pai, dos irmãos;
• organizar um roteiro de perguntas para entrevistar as pessoas da família: em que cidade nasceu? 
Como era essa cidade? Do que brincava quando era criança? Quais as brincadeiras preferidas? O 
que gostava de comer? O que fazia aos domingos? Como eram as festas de que participava? Que 
tipos de roupa usava? Quais eram os costumes da família?
• organizar uma lista com: brincadeiras preferidas dos familiares, comidas preferidas, roupas que 
usavam;
• organizar uma exposição com: fotos antigas de familiares, roupa antiga usada por uma pessoa da 
família, um brinquedo da infância, acessórios (chapéus, calçados, colares, brincos etc.);
• observar fotos da mesma família em momentos diferentes e assinalar as mudanças que ocorreram 
com o tempo;
• organizar uma tabela comparando as famílias de alguns alunos da turma com os seguintes itens: 
nome do aluno, número de irmãos, profissão do pai, profissão da mãe, total de pessoas na família.
27
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Fundamentação
Esta atividade aborda as mudanças que ocorrem na família dentro do espaço doméstico. Levando-se 
em conta as estruturas familiares diferentes, o professor trabalha a noção de diversidade social. O foco 
desta atividade são as abordagens das inúmeras composições familiares conhecidas pelos alunos, desde 
o modelo tradicional até outras realidades como: mães e pais solteiros, crianças que vivem com os avós, 
filhos adotivos, enteados etc.
Num primeiro momento, o aluno deve ampliar sua noção de família, entendendo-a como um grupo 
de pessoas dentro do qual alguns de seus membros se encontram na dependência de outros, aos quais 
se ligam por laço consanguíneo ou por adoção.
Nesse sentido, cabe ao aluno pesquisar e comparar as relações entre as histórias das pessoas e das 
famílias, usando fontes orais, escritas e imagens.
Em seguida, o aluno deve aprofundar a compreensão acerca de sua própria estrutura familiar. É 
importante que estude a estrutura de sua família após ter observado outras, de modo a superar possíveis 
situações de preconceito em relação àquelas que sejam divergentes do padrão tradicional, como são 
os casos de famílias monoparentais ou com dependentes por adoção, por exemplo. Na compreensão 
de sua própria unidade familiar, devemos esperar que o aluno seja capaz de identificar semelhanças e 
diferenças, além de poder comparar sua estrutura familiar com as de outros alunos da mesma idade. 
Numa etapa seguinte, o aluno desenvolve e amplia sua compreensão no que diz respeito às mudanças 
e permanências na composição e dinâmica. Essas mudanças podem incluir as de ordem biológica, como 
o crescimento ou o envelhecimento dos membros de uma família, a sucessão de gerações, mudanças de 
residência ou modificação de hábitos e costumes. 
Assim, o aluno será capaz de identificar diferentes tipos de alterações que ocorrem em sua própria 
família e, ao mesmo tempo, observar também as permanências que lhe consentem compreender melhor 
sua identidade pessoal e do grupo familiar. Como a percepção e a avaliação das mudanças que ocorrem 
no interior da própria família envolvem uma compreensão da passagem do tempo e das vivências 
pessoais, enfatizamos aqui o desenvolvimento da capacidade de relacionar lugares e tempos vividos no 
cotidiano com rotina, medições e marcadores de tempo cronológico para aprender noções de tempo 
vivido.
Roda de conversa
Como a família representa a principal via de acesso ao mundo nos primeiros anos de vida da maioria 
das pessoas, as crianças muitas vezes acabam percebendo a estrutura de seu grupo familiar como 
algo natural e, portanto, imutável. Ao trabalharmos com as capacidades de pesquisa e comparação 
da história das famílias e de aprendizagem de noções de tempo vivido, visamos à ampliação dessa 
compreensão inicial, problematizando o senso comum e historicizando a noção de família como algo 
que se transforma e se constitui no tempo, com todo cuidado para não ferir o conceito familiar do 
aluno.
28
Unidade I
O ponto de partida para a roda de conversa é a apresentação do vídeo Tainá, uma aventura 
na Amazônia. A personagem Tainá é órfã e vive com o avô. Ao longo da apresentação do vídeo, o 
professor destaca a diversidade social que existe, além das famílias ali representadas, que servem 
de ponto de partida para que os próprios alunos levantem exemplos de diversos tipos de família, 
colocando assim em evidência que o modelo tradicional é apenas um dentre inúmeras possibilidades 
de estrutura familiar. 
Após esse debate inicial, os alunos fazem uma reflexão sobre os desdobramentos temporais da 
estrutura familiar, como por exemplo, se conhecem situações em que a família aumentou com o 
nascimento de um bebê e o que pensam sobre essa experiência.
Em seguida, converse sobre outras possibilidades de modificações na família com o passar do tempo, 
como o crescimento das crianças, o envelhecimento dos adultos. Estimule-os ainda a imaginar como 
era a vida em família décadas atrás. Explique que elas eram mais numerosas, as possibilidades de estudo 
e trabalho fora do lar eram mais escassas para as mulheres, o que implicava uma dinâmica familiar 
diferente das famílias em geral em relação às da atualidade.
 Saiba mais
Leitura
ALBERGARIA, L. Álbum de família. São Paulo: SM, 2007.
O bisavô e a bisavó da personagem Manuela contam que as mulheres 
usavam chapéu quando saíam para passear e as pessoas do interior tinham 
o hábito de sentar na varanda e ficar contando e ouvindo histórias até bem 
tarde.
SHELDON, A. Agora sou o irmão mais velho. Tradução de Vinícius 
Figueira. São Paulo: ARTMED, 2009.
Neste livro você vai descobrir fatos interessantes da vida do menino 
Pedro quando nasce sua irmãzinha. No começo parece difícil, mas com o 
tempo ele percebe a importância de uma família maior e de ser o irmão 
mais velho.
Atividade 3 – Eu e a escola
Desenvolvimento
O professor apresenta uma história em quadrinhos sobre uma situação em sala de aula e, após, faz 
os seguintes questionamentos:
29
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
• Na sala de aula onde você estuda existem regras?
• Para cada lugar e para cada situação existem regras?
• Solicite que os alunos em grupo troquem ideias sobre:
— O que podemos e o que não podemos fazer na sala de aula?
— O que podemos e o que não podemos fazer na escola?
— O que posso e o que não posso fazer em casa?
Em seguida, o professor direciona ações como:
• registrar as regras que devemos seguir em casa, na sala de aula e na escola para ter um bom 
convívio com as pessoas;
• identificar outros diferentes ambientes que frequenta, como a igreja, o supermercado, o clube, a 
praia, a rua, a padaria, as lojas, e registrar as regras que devem ser seguidas nesses locais;
• organizar um painel ilustrado com as regras que devem ser obedecidas em diferentes locais;
• observar fotos antigas de escola, de alunos em sala de aula e comparar as semelhanças e diferenças, 
como as crianças se vestiam, como se vestem hoje, e registrar;
• fazer uma entrevista com uma pessoa da família sobre a escola emque estudava utilizando 
questionamentos como: que tipos de tarefas realizava na escola; como se vestia para ir à escola; 
como era o recreio; do que brincava; que festividades eram realizadas; como era o lanche; como 
era o professor; como era a roupa do professor;
• organizar as respostas das entrevistas, relacionar as semelhantes e as diferentes;
• organizar um texto coletivo relatando o que mudou da escola antiga para a escola atual;
• pesquisar sobre a História da escola em que você estuda, por meio da coleta de fotografias, 
convites de formatura, trabalhos de ex-alunos, festividades, entrevistas com ex-alunos e ex-
funcionários;
• montar uma exposição sobre a história da escola utilizando o material coletado.
Fundamentação
Nesta atividade, o estudo partirá do espaço da sala de aula, representado pelo ambiente físico 
(carteiras, quadro, janelas etc.) e social (a relação entre colegas e entre o professor e alunos), estendendo-
se para outros espaços do ambiente escolar, como o pátio, a quadra, os banheiros, os corredores, a 
cantina, entre outros. 
Nesse sentido, espera-se que o aluno desenvolva a capacidade de conhecer os diferentes espaços 
pelos quais circula, em particular a sala de aula e a escola. Analisado o espaço, ele deverá perceber as 
mudanças temporais em sua relação pessoal e social com o ambiente escolar: a cada ano ele avança 
uma série, pode haver mudança de sala de aula, novos professores, novos colegas.
30
Unidade I
Em primeiro lugar, o aluno deve desenvolver sua capacidade de se expressar em relação à escola em 
que estuda, reconhecendo-a e se deslocando em diferentes espaços. 
É importante que o aluno compreenda o sentido da educação escolar, saiba reconhecer o que 
pertence ou não a esse ambiente e desenvolva mais familiaridade com esse meio com o apoio do 
professor e dos colegas. 
Em segundo lugar, devemos ter em vista que a realidade do espaço escolar no Brasil é bastante 
heterogênea. Há escolas públicas e particulares, escolas laicas e confessionais, escolas da zona urbana 
e da zona rural, escolas de diferentes regiões. As diferenças se entrelaçam com fatores culturais, que 
ora são causas e ora são efeitos dessas mesmas diferenças. O importante é ajudá-los a perceber que a 
realidade escolar é ampla e diversificada, e que todos nós somos sujeitos na construção e melhoria desse 
espaço.
Em terceiro lugar, é preciso levar em consideração que a escola é uma realidade dinâmica, está em 
contínua transformação ao longo do tempo. Uma mesma escola pode sofrer mudanças na sua estrutura 
física (salas de aula, carteiras, biblioteca, quadras etc.), no quadro de pessoal (professores, funcionários, 
direção etc.) ou nas concepções pedagógicas adotadas (pedagogia tradicional, tecnicista, construtivista 
etc.). Diferentes escolas, no presente, podem ter aspectos que as definam como mais avançadas, outras 
como mais conservadoras, apegadas a práticas pedagógicas do passado.
A educação se transforma continuamente, uma vez que se articula com uma realidade social que 
não para de mudar. Não se pode esperar de um aluno, entre cinco e sete anos de idade, uma capacidade 
de abstração que dê conta de um entendimento global dessas mudanças, mas a percepção delas em 
aspectos da realidade escolar se constitui em um primeiro passo para uma compreensão da escola numa 
perspectiva histórica. Essa percepção é fundamental para que o aluno possa desenvolver a capacidade 
de conhecer e relacionar as normas e regras de convívio na sala de aula, na escola e em outros locais. 
Roda de conversa
O ponto de partida para a roda de conversa é uma história em quadrinhos que apresente uma 
situação de normas na sala de aula. Explorar com os alunos os elementos que caracterizam esse espaço 
específico, bem como as atitudes dos personagens. Perguntar aos alunos quais mudanças observaram 
em si mesmos, tanto em conhecimentos quanto em hábitos, habilidades e valores, desde o início do ano 
até o presente. Questione o que os alunos pensam sobre a escola e o propósito de estudarem nela.
Faça uma brincadeira com os alunos: recite “Na minha escola tem...”. O aluno seguinte deverá recitar 
a mesma frase e acrescentar um objeto ou uma pessoa. Por exemplo: “Na minha escola tem carteira 
e professor”. A cada vez o número de objetos e/ou pessoas aumenta e o aluno deve recitar todos na 
sequência correta ou sai da brincadeira. Ganha o jogo o último que conseguir recitar todos os objetos e/
ou pessoas sem alterar a sequência correta.
Para finalizar, apresente ao grupo os seguintes questionamentos:
31
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
• Quais regras e normas devem ser seguidas nos diferentes lugares?
• Qual a importância das normas e regras para vivermos em grupo?
• Como a escola também mudou ao longo do tempo?
 Saiba mais
Leitura
ROSAS, A. Bibi vai para a escola. São Paulo: Scipione, 2005.
Conheça a história de Bibi que, no primeiro dia de aula, descobriu como 
o ambiente escolar pode ser agradável e divertido.
ROCHA, R. A escola do Marcelo. 2. ed. São Paulo: Salamandra, 2012.
O livro mostra como as atividades escolares nos incentivam a elaborar 
nossas próprias ideias e desenvolver o raciocínio e a criatividade.
Atividade 4 – Eu e a comunidade
Desenvolvimento
O professor faz a leitura do texto abaixo: 
“A rua é como um rio. Por ela a vida passa, pulsa, explode em movimento. A rua leva as 
pessoas como um rio leva seus peixes. Elas vão e vêm para o trabalho, compras, encontros, 
e voltam para suas casas.
Pelas ruas tudo passa em enxurrada. Barulhos, cores, movimento. Mas rua não é casa. 
Rua é lugar de passagem. Rua é rio aberto.
Todo homem, mulher, criança, adolescente, precisa de uma casa para morar com as 
pessoas que ama. Um lugar onde possam guardar as pequenas e grandes tristezas, as 
alegrias, as esperanças e onde, no final do dia, possam dormir e sonhar ao abrigo.”
Fonte: MURRAY, 1991, p. 15.
Em seguida, os alunos realizam ações como: 
• observar imagens diversas de pessoas e assinalar aquelas que não deveriam estar na rua;
32
Unidade I
• registrar o que é ou não é adequado fazer na rua;
• observar fotos (antigas e novas) da rua onde está localizada a escola e registrar: como era essa rua 
antes da escola ser construída; o que mudou ao redor da escola; o que foi preservado; 
• pesquisar sobre a data da fundação da escola e o nome do primeiro diretor;
• pesquisar sobre a origem do nome da escola e investigar quem foi e o que fez a pessoa 
homenageada;
• coletar e registrar informações sobre o bairro onde mora: nome, a origem do nome, tempo que 
mora no bairro, principal mudança observada nesse tempo;
• entrevistar antigos moradores da cidade: como era a cidade, as construções que ainda permanecem, 
o valor histórico dessas construções, como, onde e de que brincavam as crianças; principais 
comemorações ou festividades;
• comparar os dados coletados anteriormente com a cidade que você conhece hoje.
Fundamentação
Nesta atividade, trabalha-se a percepção da rua, do bairro e da cidade como espaços onde se 
estendem as relações sociais vivenciadas em casa e na escola e onde se verificam diferentes modos de 
vida (hábitos e costumes, moradia, vestuário e utensílios, festas e tradições religiosas etc.).
Além da família e da escola, os alunos se relacionam com vizinhos, amigos, prestadores de serviços 
etc. Essa comunidade pode englobar todo o planeta, uma vez que os atuais meios de comunicação nos 
permitem ter acesso imediato a notícias e contatos pessoais. No entanto, se nos limitarmos ao espaço 
próximo do aluno, podemos considerar a rua e o bairro como o meio social com o qual o aluno e seus 
familiares interagem regularmente. O professor deve conscientizar o aluno sobre os prós e contras 
encontrados nas ruas, como espaço de socialização, bem como local de marginalidade, e estimular 
o aluno a buscar sua autonomia intelectual e emocional com equilíbrio. Nesse sentido, a atividade 
trabalha questões como as referências espaciais e históricasda rua e do bairro, mas alerta também para 
o descaso com crianças de rua e menores abandonados.
A palavra “cidade” remonta à antiguidade clássica e, embora a noção antiga (entendida como o 
conjunto de pessoas) seja diferente da moderna (enfatiza as construções) é importante trabalhá-
la, pois desenvolve o conceito de cidadania. Os grandes centros urbanos tiveram grande impulso 
nos séculos XVIII e XIX na Europa e no início do século XX no Brasil, em virtude do crescimento 
acelerado da indústria. Atualmente a atividade industrial continua sendo importante, mas o setor 
de serviços cresceu consideravelmente, ampliando o número de mão de obra. Se por um lado 
a cidade tem seus atrativos, por outro tem também seus problemas como poluição, violência, 
trânsito etc.
No entanto, o que registra a História do povo é o patrimônio cultural presente nas cidades.
33
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Roda de conversa
O ponto de partida para a roda de conversa é a leitura do texto de Roseana Murray, que servirá 
como elemento motivador para as discussões sobre o que é a rua, quais suas características, limites e 
possibilidades. É necessário que o professor atue como mediador para que os alunos sejam capazes de 
compreender o limite entre a liberdade da rua e os riscos que ela oferece.
Explorar com os alunos o registro das pesquisas realizadas sobre o bairro, a cidade e as 
transformações que podem ocorrer com o passar do tempo. Refletir sobre os documentos históricos 
como possibilidade de se preservar a História e a memória de um povo e dos acontecimentos de 
uma época. 
 Saiba mais
Leitura
ROCHA, R. O bairro do Marcelo. São Paulo: Salamandra, 2012.
Este livro apresenta a vida do personagem Marcelo, sua família, seus 
amigos, colegas da escola e toda a turma da rua.
LLEWELLYN, C.; GORDON, M. Tome cuidado na rua. São Paulo: SCIPIONE, 
2007.
Este livro traz exemplos de regras simples que podem evitar acidentes 
muito graves.
Atividade 5 – Festas e comemorações
Desenvolvimento
O professor faz a leitura do texto a seguir:
“Nas casas coletivas, os telhados das cozinhas ficavam coloridos pelas bacias de 
tomates que as italianas punham para secar ao sol e depois amassavam para o molho da 
macarronada dos domingos. Nesse dia, recebiam parentes, tocavam bandolim e acordeão, 
dançavam músicas alegres, cantavam, bebiam vinho e falavam com estardalhaço, todos 
ao mesmo tempo. [...] Eu era feliz ali, tinha amigos e liberdade. [...] Atravessávamos ruas 
de terra, avenidas movimentadas e terrenos baldios cheios de pássaros. [...] Naquela época 
o rio Tietê não era poluído como hoje. [...] Voltávamos para casa com peixinhos prateados, 
minúsculos, brilhantes, que ficavam escondidos das mães em vasilhas com água no quintal, 
34
Unidade I
alimentados com farelo de pão enquanto sobrevivessem. [...] Voltei algumas vezes ao Brás 
para visitar os amigos, meus avós, meus tios e primos que continuaram lá por mais alguns 
anos. Mas já não era a mesma coisa.”
Fonte: DADAM, 2004. Disponível em: <http://siaibib01.univali.br/pdf/James%20Dadam.pdf>.
Acesso em: 18 out. 2012.
Após a leitura do texto, o professor propõe ações como:
• conversar com os colegas sobre as mudanças que aconteceram nessa comunidade com o passar 
do tempo;
• registrar os hábitos e costumes das pessoas dessa comunidade;
• registrar o que acontecia aos domingos nessa comunidade;
• falar sobre o que você e sua família costumam fazer aos domingos;
• observar imagens antigas e novas do rio Tietê e comparar o que mudou no comportamento das 
pessoas em relação ao rio;
• pesquisar no bairro e na cidade as festividades que existem;
• falar sobre alguma comemoração festiva que sua família participa;
• pesquisar junto aos seus avós sobre as comemorações que participavam; coletar fotos, objetos, 
trajes usados por eles e fazer um mural;
• pesquisar sobre as festas típicas da sua região e comentar com seus colegas;
• pesquisar e registrar sobre as comemorações festejadas na sua escola e compará-las com as festas 
atuais.
Fundamentação
No estudo da relação com a comunidade, esta atividade trabalha as questões de pluralidade 
cultural. E trabalhar tais questões na escola significa caminhar para um reconhecimento e para 
uma valorização das diferenças culturais, especialmente das minorias étnicas e sociais. Nesse 
sentido, a escola assume um papel fundamental, enfatizando o respeito às diferenças culturais, 
sem abrir mão do aprendizado de informações, valores e atitudes que definem a identidade 
nacional brasileira.
O aluno estudará alguns aspectos dos costumes regionais em situações de festas e tradições, 
partindo do pressuposto de que conhecer o outro, com seus hábitos, crenças, gostos e valores, 
é o primeiro passo para a valorização e respeito mútuos. A partir desse trabalho, o aluno será 
capaz de identificar as formas de convívio social, hábitos, festejos e comemorações, antigos ou 
atuais. A compreensão dessas informações, articulada às vivências do cotidiano, contribuirá para 
35
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
que o aluno seja capaz de conhecer, valorizar e preservar o patrimônio material existente na rua 
(bancos de praça, parques, brinquedos em praças públicas, telefone público, quiosques, painéis 
informativos, pontos de ônibus etc.) e o patrimônio cultural de sua comunidade, assegurando sua 
preservação (tradições, modo de fazer, costumes etc.).
Roda de conversa
O ponto de partida para a roda de conversa é a leitura do texto de Dráuzio Varella, pois se refere aos 
costumes do povo de uma região, ao rio Tietê quando passa pela cidade de São Paulo e a relação das 
pessoas com o meio ambiente. Enfatiza também as tradições, os hábitos e costumes do cotidiano das 
pessoas em outros tempos e outros locais.
O professor solicita que o aluno exponha oralmente sobre as festividades que costuma participar, 
quais são as características em relação aos trajes, às comidas servidas, o ritual e quais as suas 
preferências. 
Refletir como as festividades são realizadas por diferentes etnias, evidenciando as que estão presentes 
na sala conforme as origens e tradições dos alunos. 
O professor deve ampliar a conversa deixando que os alunos falem o que sabem a respeito das 
origens dos familiares, pois nosso país é formado por povos com diferentes etnias, e essa diversidade 
cultural oferece contribuições em todas as áreas. 
 Saiba mais
Leitura
SANTA ROSA, N. S. Usos e costumes. São Paulo: Moderna, 2001.
O livro relata como os nossos usos e costumes foram criados e 
desenvolvidos a partir dos costumes dos indígenas, dos portugueses, dos 
africanos e de todos os imigrantes que vieram para o Brasil.
Site
<http://meninomaluqinho.educacional.com.br/PaginaExtra/default.
asp?id=1188>.
De forma breve o Menino Maluquinho, personagem criado pelo 
cartunista Ziraldo, mostra como é a festa junina.
36
Unidade I
Segundo ano
Ao término do segundo ano letivo, os alunos deverão ter alcançado os seguintes objetivos específicos:
• reconhecer processos de transformação e permanência na própria família e no grupo social em 
que vive;
• observar, conhecer e registrar a História do bairro usando as diferentes fontes históricas (escritas, 
orais, fotos, pinturas, desenhos, músicas etc.);
• conhecer os diferentes meios de transporte à disposição do homem, o trânsito, percebendo suas 
transformações ao longo do tempo, bem como seu impacto na vida cotidiana;
• conhecer os meios de comunicação à disposição do homem, percebendo suas transformações ao 
longo do tempo, bem como seu impacto na vida cotidiana;
• Identificar hábitos da comunidade e de outras localidades e culturas (sociedade indígena, 
afro-brasileira etc.) em diferentes ocasiões cotidianas e festivas;
• conhecer e respeitar as leis e normas da sociedade (Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei dos 
Direitos Humanos, Estatuto do Idoso etc.).
Atividade 1 – Eu e os meios de comunicação
Desenvolvimento
• pesquisar sobre a origem dotelefone e escrever um texto falando sobre seu inventor e da vinda 
dos primeiros aparelhos ao Brasil;
• reunir-se com os colegas e conversar sobre os meios de comunicação que eram utilizados antes 
do telefone;
• relacionar os meios de comunicação que conhecem;
• pesquisar e relacionar os jornais que circulam na cidade;
• pesquisar e registrar sobre o impacto dos meios de comunicação ao meio ambiente;
• debater sobre o uso do telefone celular: para que serve, em que situações deve ou não ser usado;
• refletir sobre a televisão: falar sobre os programas aos que mais gosta de assistir e por que alguns 
deles não são recomendados para crianças. Fazer uma lista desses programas;
• pesquisar junto aos familiares sobre os programas de televisão a que eles assistiam quando eram 
crianças. Fazer uma lista com os nomes desses programas;
• comparar os programas assistidos pelos familiares com os que você assiste. 
37
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Fundamentação
Esta atividade trabalha os objetivos específicos, a partir do tema das inovações tecnológicas 
e seu impacto para a vida cotidiana, especificamente na área de comunicações, que sofreu 
transformações consideráveis. Os objetos que, décadas atrás, pareciam sair de um filme de ficção 
científica, como o telefone celular e o computador pessoal, nos dias de hoje, fazem parte do dia 
a dia de um contingente cada vez maior da população. As atividades sobre esse tema enfatizam a 
diversidade, o uso dos meios de comunicação e o modo como eles se transformam no decorrer do 
tempo. Assim, espera-se que o aluno seja capaz de conhecer os meios de comunicação à disposição 
do homem, percebendo suas transformações ao longo do tempo, bem como seu impacto no dia 
a dia.
Outro aspecto importante a ser trabalhado nessa atividade são as implicações morais do uso dos 
meios de comunicação, especialmente no modo como crianças e adolescentes lidam com essa questão. 
Existem restrições legais de idade para a utilização de determinados tipos de programação no cinema 
e na televisão. Mesmo quando o meio de comunicação não sofre restrições legais, seu uso pode sofrer 
constrangimentos morais. O telefone celular, por exemplo, exige bom senso, pois nem todo local e/ou 
horário é adequado para seu uso.
Roda de conversa
O ponto de partida para a roda de conversa é a apresentação de figuras com diferentes tipos de 
aparelhos telefônicos. O professor questiona: se os alunos já viram aparelhos como esses; se é possível 
fazer ligações com eles; com quem normalmente o aluno fala ao telefone; quando e por que usamos 
o telefone. Depois dessa conversa, estimular o aluno a perceber como o telefone modificou-se em 
relação ao tamanho, demonstrando assim como os meios de comunicação foram alterados pelo avanço 
tecnológico produzido pelo conhecimento.
Em seguida, os alunos devem ampliar o quadro de referências, situando o telefone no conjunto 
dos meios de comunicação disponíveis aos seres humanos em diferentes épocas da História. Nesse 
sentido, os estudantes deverão ser capazes de identificar itens do dia a dia, como jornais, revistas, 
rádio, televisão, internet, como tantos outros exemplos de meios de comunicação disponíveis em 
nossa sociedade, bem como identificar as transformações que ocorreram ao longo da História 
humana. 
Deve-se instigar os alunos para que sejam capazes de avaliar aspectos relacionados aos possíveis 
danos que os meios de comunicação podem trazer ao ambiente e as formas de evitá-los. Promover a 
interação dos alunos com seus familiares para estabelecer comparação com os meios de comunicação 
usados por eles e os atuais.
38
Unidade I
 Saiba mais
Leitura
CAVALCANTI, E. Comunicação. Rio de Janeiro: ZIT, 2008.
Nesta obra, o leitor faz uma viagem no tempo e conhece toda a evolução 
do telefone, desde sua criação até os mais modernos aparelhos de celular.
Pesquisa
<http://www.canalkids.com.br/tecnologia.htm>.
Esse site tem artigos variados, muitos deles sobre meios de transportes 
e de comunicação.
Atividade 2 – Infância e memória
Desenvolvimento
• o professor solicita que os alunos perguntem a seus familiares se possuem objetos antigos que 
guardam como lembrança do passado e que levem para a escola;
• o aluno conversa com o professor e com os colegas sobre as lembranças que o objeto traz e 
registra a história de um deles;
• o aluno leva seu brinquedo preferido para a sala de aula e conta ao professor e aos colegas de 
quem ganhou esse brinquedo, em que situação e porque é o brinquedo preferido. Em seguida, 
registra essas informações;
• pesquisar com seus pais e familiares quais brinquedos eles utilizavam quando eram crianças, a 
partir do seguinte roteiro: tipo de brinquedo, de quem era, para que tipo de brincadeira servia, se 
ainda é usado atualmente. 
Fundamentação
No estudo da História é essencial a utilização das chamadas fontes históricas, isto é, vestígios que 
subsistem no presente, mas que em função de terem sido produzidos ou utilizados por pessoas em 
outras épocas, apontam para uma realidade passada. As fontes históricas podem ser dos mais variados 
tipos: documentos oficiais, restos arqueológicos, correspondências, textos literários, objetos antigos etc.
A proposta desta atividade é a de que os alunos sejam capazes de produzir representações do 
passado e comparar aspectos sociais de outras épocas com os do presente, utilizando o brinquedo ou 
objeto como fonte de acesso ao conhecimento histórico. Devemos ter em vista que a compreensão do 
39
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
que seja a infância e dos elementos que compõem o universo infantil se modificou grandemente ao 
longo dos tempos. O modo como uma criança do século passado vivia e percebia o mundo e a si mesma, 
certamente, seria muito estranha para uma criança da mesma idade, nos dias de hoje. Não há dúvida 
de que a produção e utilização do brinquedo, que envolve modos de fazer e costumes, e que em muitos 
casos fazem parte do acervo de museus e se consolidam em tradições, nos remetem a uma memória 
histórica. Desse modo, o trabalho em sala de aula deve contribuir para que os alunos sejam capazes de 
conhecer, valorizar e preservar o patrimônio cultural em que está inserido assegurando sua preservação 
(museus, tradições, modo de fazer, costumes etc.).
Roda de conversa
A sugestão para a roda de conversa desta atividade é iniciar com a apresentação de um brinquedo 
ou objeto antigo, pois podem evocar lembranças carregadas de conteúdo emocional. Os brinquedos ou 
objetos antigos deverão ser explorados de modo que se evidencie seu significado simbólico no passado 
e no presente: o que no passado era um brinquedo transforma-se, no presente, em índice que remete 
o sujeito a um passado constituído não só por um contexto social, mas também por vivências que 
envolveram sentimentos como alegria, tristeza, ansiedade etc., e que são experienciadas pelos sujeitos 
no presente. 
Para finalizar, o professor questiona:
• O que você descobriu sobre as lembranças que pessoas adultas guardam de seus objetos de 
infância?
• Como você consegue identificar alguns brinquedos do passado?
• Que critérios você utilizou para estimar a idade de objetos como brinquedos antigos?
 Saiba mais
Leitura
NEVES, A. Brinquedos. São Paulo: Mundo Mirim, 2009.
Que alegria! Depois de muita diversão, os brinquedos ficam gastos e as 
crianças se cansam deles... Será que o destino dos bonecos é ficar em um 
canto da sala? Ir para o lixo? Ou há uma saída melhor para eles?
Pesquisa
<http://criancas.uol.com.br/especiais/ult2631u3.jhtm>.
Nesse endereço eletrônico você poderá conhecer quando, onde e como 
foram inventados alguns dos brinquedos mais populares de hoje.
40
Unidade I
Filme
TOY STORY. Dir. John Lasseter, EUA, 1995. 81 minutos.
Neste filme, os brinquedos ganham vida e aprendem que, mesmo com o 
passar do tempo, sempre haverá crianças para brincarem com eles.
Atividade 3 – A herança indígena e africana
DesenvolvimentoLeitura do texto seguinte:
Tu Tu Tu Tu Tu Tupi
“Todo mundo tem um pouco de índio dentro de si, dentro de si
Todo mundo fala língua de índio Tupi Guarani Tupi Guarani
E o velho cacique já dizia tem coisas que a gente sabe e não sabe que sabia
E ô e ô
O índio andou pelo Brasil deu nome para tudo que ele viu
Se o índio deu nome, tá dado!
Se o índio falou, tá falado!
Se o índio chacoalhou, ta chacoalhado!
E ô e ô
Chacoalha o chocalho, chacoalha o chocalho
Vamos chacoalhar, vamos chacoalhar
Chacoalha o chocalho, chacoalha o chocalho
Que índio vai falar:
Jabuticaba, caju, maracujá, pipoca, mandioca, abacaxi
É tudo tupi, tupi guarani
Tamanduá, urubu, jaburu, jararaca, jiboia, tatu, tu, tu, tu
É tudo tupi, tupi guarani
Arara, tucano, araponga, piranha, perereca, sagui, jabuti, jacaré
Jacaré, jacaré quem sabe o que é que é?
- ... aquele que olha de lado... é ou não é?
Se o índio falou, ta falado
Se o índio chacoalhou, ta chacoalhado
E ô e ô
Maranhão, Maceió, Macapá, Marajó
Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí
Jundiaí, Morumbi, Curitiba, Parati
É tudo tupi
Butantã, Tremembé, Tatuapé, Tatuapé, Tatuapé
Quem sabe o que é que é?
41
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
-... caminho do Tatu...
Tu, Tu, Tu, Tu
Todo mundo tem...”
Fonte: ZISKIND, 1997.
• identificar na letra dessa música, as palavras de origem indígena;
• relacionar as palavras indígenas do texto que representam: nomes de animais, nomes de lugares, 
nomes de comidas;
• pesquisar e registrar outras palavras indígenas que representam nomes de animais, de lugares e 
de comidas;
• pesquisar sobre um personagem ou lenda do folclore brasileiro que tem origem indígena, como o 
Curupira, o Saci Pererê, o Lobisomem, a Iara etc., registrar o que descobriu e ler em voz alta para 
os colegas;
• pesquisar sobre outras manifestações culturais (danças, lutas, músicas etc.) de origem indígena ou 
africana e socializar com os colegas o que você descobriu.
Fundamentação
Nesta atividade, propõe-se uma avaliação da herança cultural indígena e africana, com a identificação 
de influências dessas etnias no modo de falar, comer, dançar, nas crenças religiosas etc. Partindo do 
pressuposto de que o conhecimento é mais do que isso, o reconhecimento das contribuições das culturas 
indígenas e africanas para a formação cultural da sociedade brasileira é condição indispensável para 
superação de preconceitos e respeito à diversidade.
Roda de conversa
O ponto de partida para a roda de conversa é questionar os alunos sobre hábitos e costumes que 
são comuns entre eles, como: sambar, descansar na rede, comer mandioca, biju, berinjela, jiló etc. e se 
conhecem as origens desses costumes.
Esclarecer sobre a riqueza cultural que herdamos dos povos indígenas e africanos do passado e que 
fazem parte do cotidiano de muitos brasileiros, na música, na dança, na alimentação, nas crenças, e que 
hoje são patrimônios históricos nacionais.
 Saiba mais
Leitura
LODY, R. Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do 
homem. Rio de Janeiro: Pallas, 2011. 
42
Unidade I
Apresenta uma amostra da sabedoria que o Brasil recebeu da África. 
Fala da criação do mundo e de alguns deuses africanos.
Pesquisa
<http://www.museudoindio.org.br>.
Site do Museu do Índio, entidade ligada à FUNAI (Fundação Nacional do 
Índio) do governo federal. Possui todo tipo de informação sobre os povos e 
a questão indígena no Brasil, além de auxiliar na pesquisa escolar.
Outros temas como: Transformações, Meios de Transporte etc., podem ser trabalhados no segundo 
ano com a finalidade da aprendizagem dos conteúdos em conformidade com os objetivos propostos.
Terceiro ano
Ao término do terceiro ano letivo, os alunos deverão ter aprofundado os objetivos alcançados nos 
anos anteriores, além de novos objetivos específicos como:
• observar, compreender e identificar a desigualdade social presente em diferentes modos de vida 
em nosso país (construção de moradias, formas de lazer, organização de bairros etc.);
• identificar a diversidade da população do bairro, os moradores antigos, as diferentes procedências 
das famílias e as relações de diferença e de identidade;
• organizar e apresentar cronologicamente a História do bairro por meio de diferentes textos (oral, 
imagem, escrito etc.);
• entender seu local de vida como produto das diversas relações (diferentes formas de produção, 
relações de trabalho, identidade, lugar em que vivem etc.).
 Saiba mais
Pesquisa
<http://www.memorialdoimigrante.org.br>.
Você encontrará nesse site as histórias de vários imigrantes, bem como 
uma exposição de vários objetos que retratam a vida das pessoas.
Filme
A GRANDE CIDADE. Dir. Carlos Diegues, Brasil, 1966.
Movidos por sonhos e esperanças, nordestinos chegam à cidade grande 
para reconstruir suas vidas. Sensível crônica da migração urbana no Brasil.
43
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Sugestão de atividades
• muitas maneiras de viver: a proposta desta atividade é mostrar ao aluno diversas realidades sociais 
brasileiras pela observação da representação de seu cotidiano, como: local de moradia, acesso à 
escola, tipo de alimentação, lazer, convivência e respeito a diversas etnias;
• imigrantes: no meu bairro há gente do mundo todo: esta atividade aborda o tema da imigração 
no Brasil e a importância da composição de uma diversidade;
• migrações internas: nessa atividade é importante que os alunos conheçam aspectos dessa 
realidade histórica, principalmente no que concerne às motivações que levam as pessoas a migrar, 
como efetivamente se operam as migrações e as mudanças ocasionadas na vida das pessoas e nas 
sociedades receptoras;
• industrialização: grandes cidades, muito trabalho: esta atividade fala sobre as modificações 
ocorridas nas cidades logo após o grande afluxo de imigrantes e o início do processo de 
industrialização;
• costumes e tradições: o encaminhamento didático dessa atividade procura mostrar aos alunos as 
diferenças entre costumes e tradições e colocar aspectos sobre a importância da manutenção e 
de que maneira essa permanência de costumes e tradições ocorre. 
 Saiba mais
Leitura
SOUZA, M. M. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006.
Retrata as marcas de um legado cultural africano, as diversas sociedades 
locais, a História e a cultura antes e depois da escravidão.
GIUCCI, G. Vida cultural do automóvel. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 2004.
Relata a história do automóvel vista sob o impacto da indústria 
automobilística e as relações entre o homem e a máquina.
HOBSBAWM, E. J.; TANGER, T. A invenção das tradições. Tradução de 
Celina Cardim Cavalcante. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
Mostra como a tradição é uma construção, algo criado, inventado.
44
Unidade I
Quarto e quinto anos
Ao término do quarto e do quinto anos letivos, os alunos deverão ter aprofundados os conteúdos 
estudados nos anos anteriores, como também alcançar novos objetivos específicos como:
• conhecer e comparar a atuação das diversas atividades econômicas coloniais que auxiliaram a 
expansão do território brasileiro, como: missões jesuíticas, bandeirantes, pecuária, tropeiros etc.;
• conhecer e comparar os ciclos da cana e do ouro na História colonial com outros ciclos que 
aconteceram em regiões e períodos distintos;
• reconhecer a diversidade étnica e cultural do povo brasileiro, especialmente as matrizes indígena, 
africana e europeia;
• conhecer as leis e normas da sociedade: Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente, 
Estatuto do Idoso, entre outros, para o exercício da cidadania;
• pesquisar, organizar e registrar observações, informações, experimentações por meio de tabelas, 
gráficos, esquemas, relatórios, ilustrações, maquetes etc.
Para a realização de atividades, consulte as sugestões de leitura a seguir: 
 Saiba mais
Leitura
SCHWARTZ, H. Fim de século. São Paulo: Cultura, 1995.
Aborda as viradas de séculos com suas típicas mudanças de valores e 
comportamentos.
RIBEIRO,D. O povo brasileiro. São Paulo: Cia das Letras, 1995.
Aborda a formação étnica e cultural do povo brasileiro.
FREYRE, G. Casa grande e senzala. 50. ed. São Paulo: Global, 2005.
Fala sobre a vida familiar, os costumes e as relações étnicas na formação 
do povo brasileiro no Período Colonial.
4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO EM HISTÓRIA
Não é fácil acreditar em “consensos” para a educação mundial. Cada país apresenta problemas 
específicos e singularidades que não se transferem a outros e, por essas razões, nem sempre o que possui 
sentido e valor para alguns se aplica aos outros.
45
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Mas a diversidade e as particularidades de cada país rapidamente estão se modificando com o processo 
de globalização e a enorme facilidade que se abriu para que todos pudessem saber tudo de todos. Ao 
lado dessa maior visibilidade e capacidade de comparação internacional, também o imenso volume de 
informações que hoje se divulga, principalmente pelos meios eletrônicos, trouxe a necessidade de algum 
consenso e a busca de caminhos comuns. Afinal, já não existe mais apenas o “cidadão nacional”, e as 
escolas de qualquer parte do mundo precisam se mostrar adequadas para alunos que aprendem aqui e 
necessitam usar seus saberes em outras terras. 
Os frutos dessa globalização, associados à verdadeira “selva” de informações a selecionar para um 
ensino eficiente, levou a UNESCO a organizar em 1990, em Jomtien, na Tailândia, uma conferência 
mundial de educação. Após cuidadosos e profícuos debates e análises, se elegeram quatro pontos que 
devem representar o consenso de uma educação de qualidade e que, portanto, foram estabelecidos para 
que políticas nacionais de educação se integrassem através de um mesmo olhar, caminhassem em busca 
de uma mesma direção.
Esses quatro “pilares” da educação mundial foram amplamente divulgados, mas em nosso país ainda 
sobrevivem mais como intenções do que como meta definida que devemos buscar. O que se pretende 
nas aulas de História, é que essas ideias norteiem todos os conteúdos conceituais e procedimentais 
trabalhados.
 Saiba mais
Filme
INVENÇÃO do contemporâneo (Coleção). São Paulo: CPFL / TV Cultura, 
2007.
Reflete sobre o tempo atual, a aceleração da sociedade.
A MISSÃO. Dir. Roland Joffé. Inglaterra, 1986. 125 minutos.
Aborda as diferentes culturas e trabalho no mundo.
Pesquisa
<http://www.tiradentes.net/historia2.htm>.
Site com informações sobre o ciclo do ouro no Brasil.
46
Unidade I
4.1 Os quatro pilares da educação mundial 
Os quatro pilares da educação mundial não foram pensados para uma disciplina específica, mas 
seus conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais necessitam ser refletidos e desenvolvidos por 
meio das disciplinas curriculares. Por essa razão, a História não pode ficar de fora e os professores, 
nos planejamentos dos cursos e no planejamento de aulas, sejam quais forem os temas apresentados, 
precisam sempre ensinar a conhecer, a fazer, a compartilhar e a ser. 
Ensinar a conhecer: o ensino não pode ter como eixo central apenas os conteúdos conceituais ou 
os assuntos que se ensina, mas a propriedade de se fazer desse assunto uma oportunidade para que o 
aluno dele se utilize para aprender outras coisas. É por essa razão que toda aprendizagem significativa 
necessita sempre interligar natureza e humanidade, análise e síntese, conhecimento e aplicação, o ontem 
e o hoje. Ensinar a conhecer vai além de ensinar “isto” ou “aquilo”, é permitir aos alunos a descoberta 
de que, mais importante do que aquilo que aprendem, são os processos e procedimentos de “como” e 
“por que” aprendem.
Ensinar a fazer: aprender bem refere-se ao saber o que fazer com o que se aprendeu. Como 
aplicar os saberes na rua que se caminha, nas relações que se descobre, no mundo que se olha. É por 
essa razão que, em História, não existe e não pode existir um capítulo especial para competências 
(saber fazer) e habilidades (fazer bem), mas essas ações se constroem em cada assunto que se 
aprende.
Ensinar a compartilhar: o homem é, por essência, uma criatura social e o ensino de História bem o 
destaca, percebendo as relações e diferenças existentes entre a história de um indivíduo ou grupo, com 
a de outros, construindo assim o conhecimento histórico de forma dialógica e compartilhada.
Somos o que somos e alcançamos o que foi possível por vivermos em grupo e por descobrirmos 
que, sem o compartilhar não existe a família, não existe a comunidade, é impossível a nação, não 
há justificativas para o trabalho e para a busca da felicidade. É impossível felicidade pessoal sem 
o outro, não se cultua um país sem relações interpessoais, é inviável a História do indivíduo em 
lugar de uma História que interliga pessoas e estuda a sociedade. Ensinar a compartilhar é bem 
mais que revelar que sempre existem “outros” em cada um de nós, é ensinar como essa união 
pode ser construída, analisar fracassos e sucessos nessas tentativas, fazendo com que o aluno 
perceba que trabalhar em grupo não é apenas estratégia de um projeto escolar, mas caminho na 
construção de uma felicidade coletiva.
Ensinar a ser: esse quarto pilar da educação mundial integra e completa os outros três. O aluno 
necessita aprender a ser com a ajuda do professor para descobrir sua individualidade. Conhecendo bem 
a si mesmo, descobre-se transformador do outro e, ao mesmo tempo, sendo transformado por ele. A 
História, que bem ensina novas maneiras de se olhar o tempo e o lugar, constitui instrumento essencial 
para essa revelação. O professor de verdade ajuda o aluno a conhecer, a saber fazer, por bem fazer, 
melhor compartilhar e, ao ser, se autoconhecendo, privilegiar pessoas e ajudar a mudar o mundo em 
que vive e no qual aprende a conviver.
47
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
4.2 O planejamento no ensino de História
O planejamento está presente em quase todas as nossas ações, pois ele norteia a realização das 
atividades. Portanto, o mesmo é essencial em diferentes setores da vida social, tornando-se imprescindível 
também na atividade docente. 
O planejamento de aula é de fundamental importância para que se atinja êxito no processo de 
ensino-aprendizagem. A sua ausência pode ter como consequência, aulas monótonas e desorganizadas, 
desencadeando o desinteresse dos alunos pelo conteúdo e tornando as aulas desestimulantes.
De acordo com Libâneo (1994) “o planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto 
a previsão das atividades didáticas em termos de organização e coordenação em face dos objetivos 
propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino”.
É impossível improvisar uma boa aula e, ao entrar em sala, todo professor precisa estar ciente do 
tema que vai apresentar e por que vai apresentá-lo. Qualquer tema de qualquer disciplina é sempre 
parte de um todo que necessita ligar-se ao que foi mostrado antes e aos assuntos que virão depois. 
Ao planejar uma aula, entenda-a como um degrau situado no meio de uma escada: seu apoio 
necessário é o degrau anterior e seu objetivo será sempre o degrau seguinte. 
É por essa razão que todo bom trabalho docente está claramente delineado em planejamento global 
e em um planejamento mais simples para cada uma das aulas a ser ministrada. Esse planejamento 
deve ser a meta essencial do professor em relação ao conteúdo que ensina e, por essa razão, deve ser 
conhecido pelos alunos e, na medida em que houver interesse, também por seus pais e pela comunidade.
Para isso, além do planejamento de aula e planejamentos setoriais, nenhuma escola cumpre com 
eficiência seu papel sem um planejamento global que envolva a comunidade escolar e que, comandado 
pela direção do estabelecimento, necessita ir aos poucos se transformando no espírito da escola, nos 
fundamentos que marcam sua singularidade. 
Nesse planejamento é essencial que os temas que serão trabalhados estejam claramente definidos 
em sua distribuição mensal e semanal e que essa distribuiçãopossa sempre levar em conta quais outros 
temas em outras disciplinas o aluno está aprendendo. O planejamento não pode ser singela relação 
de assuntos que devem ser apresentados a uma turma, mas uma hierarquização de objetivos a atingir 
por meio da execução de um plano de atividades. Em vez de um programa para cada disciplina em 
particular, deve prevalecer organizado um planejamento global da escola, em que cada componente 
curricular encontre e cumpra seus objetivos.
Constituem outros elementos do planejamento geral:
• determinação das metas ou objetivos que deverão ser atingidos dentro de determinado espaço de 
tempo;
48
Unidade I
• determinação dos conteúdos conceituais, a linha temática que levará os alunos a atingirem essas 
metas;
• determinação das condições materiais mínimas exigidas;
• determinação das unidades de trabalho e de suas formas de realização (aulas, práticas educativas, 
atividades extracurriculares etc.);
• determinação da correlação do trabalho da equipe de professores que atuam com a mesma turma 
de alunos;
• estratégias de envolvimento das famílias e dos colaboradores da comunidade escolar.
Não se pode imaginar aula com qualidade quando o professor se fecha em seus conteúdos, esquecendo 
a importância da interdisciplinaridade. A separação dos saberes escolares em diferentes disciplinas 
constitui apenas um recurso para que o aluno perceba etapas em seu processo de aprendizagem. É por 
essa razão que o planejamento pedagógico é trabalho comum da equipe docente e que todos os saberes 
necessitam interligar-se.
A existência de um planejamento de curso elaborado coletivamente não exclui a importância do 
planejamento de aula, em que se destacam os temas trabalhados, suas interligações com os outros 
temas, tanto os já trabalhados quanto os que em breve se trabalhará.
O plano de aula deve se enriquecer com outros detalhes que envolvem as estratégias de ensino e 
os recursos necessários que serão utilizados. No ensino de História, é importante verificar se os alunos:
• foram capazes de dominar linguagens e, dessa forma, puderam entender o que foi dito e o que 
se sugeriu para ler, e que sentem segurança para interpretar ilustrações, gráficos, desenhos, 
diagramas etc.;
• são capazes de compreender e interpretar fenômenos e assim interligar as disciplinas escolares e 
associar o conteúdo trabalhado com a realidade do mundo que os cerca;
• foram estimulados a solucionar problemas, dominando informações corretas sobre os fatos para 
tomar decisões acertadas diante de desafios. O conceito de problema que se utiliza se afasta 
do problema matemático, desafio com solução possível a ser alcançada pelo uso de regras. O 
“problema” em História é desafio, incitação à busca, estímulo à reflexão e à pesquisa. Quando não 
se sabe algo, é hábito criar hipóteses para sua resposta e o problema é a aferição da verdade dessa 
hipótese; 
• sabem construir argumentações e, dessa forma, são capazes de defender pontos de vista baseados 
nas informações e conhecimentos adquiridos. O aluno argumenta bem quando sabe explicar o 
que pensa e qual a relação entre seus pensamentos e os fatos que aprendeu;
• são capazes de formular propostas para resolver os desafios e os problemas sugeridos.
49
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
O bom professor torna-se ainda melhor quando ministra uma boa aula, e nenhuma aula alcança a 
excelência sem um cuidadoso planejamento.
4.3 Avaliação do ensino de História
A avaliação como parte do processo educativo compreende tanto a ação pedagógica como o 
desenvolvimento das habilidades, competências e conhecimentos construídos pelos alunos.
No processo de ensino e aprendizagem o ato de avaliar deve transformar-se num momento 
privilegiado de diálogo entre alunos e professores, em que a ênfase maior será no caminho percorrido, 
e não exclusivamente na meta a ser atingida, meta esta entendida como norteadora do trabalho do 
professor, e não como critério decisório de aprovação ou reprovação.
O ato de avaliar é a ferramenta que proporciona aos alunos demonstrar o que aprenderam, o que 
sabem e as relações que estabelecem entre o conhecimento adquirido e o seu próprio.
Segundo Méndez (2002, p. 114):
[...] avaliamos para conhecer. Com tal fim, precisamos coletar uma informação 
valiosa, argumentada e fundamentada, na qual os sujeitos que são fontes 
dos dados analisados conheçam, por sua vez, o seu conteúdo e os usos que 
serão feitos dela. Será uma informação valiosa se aquele conhecimento 
provier de bases sólidas; a partir daí, tomaremos decisões fundamentadas. 
Para isso é imprescindível assumir como valor moral o dever de informar 
aos alunos tudo o que lhes corresponde, que lhes afete e que lhes interesse 
para poderem melhorar e assegurar seu progresso contínuo na apropriação 
do saber.
Mas ninguém gosta de ser avaliado. Diante da avaliação, costumamos ter muitas reações físicas e 
fisiológicas. Contudo, ninguém abre mão dela. Haveria uma forma de ela se apresentar e ser realizada 
sem tanto desgaste?
Nemi, Martins e Escanhuela (2010, p. 103) nos falam de avaliação sem angústia. Para tanto, algumas 
recomendações:
• a avaliação deve representar um estímulo à aprendizagem;
• deve ser diagnóstica e contribuir para o conhecimento do professor sobre a situação de 
aprendizagem do aluno;
• os dados colhidos devem conduzir ao replanejamento;
• objetivos e conteúdos devem ser compatíveis a fim der dar maior coerência à avaliação;
• o instrumento de avaliação deve atingir o que é importante a ser aprendido;
50
Unidade I
• durante a avaliação, o professor deve ajudar o aluno a dar boas respostas ao que foi solicitado;
• todas as solicitações deverão ser devidamente contextualizadas, evitando-se a fragmentação do 
conhecimento.
Numa abordagem interdisciplinar, o que foi sugerido por Zabala (1998) também poderá contribuir 
para o levantamento de critérios de avaliação, levando em conta os registros dos professores sobre a 
participação, o envolvimento, as interações dos alunos durante o processo de desenvolvimento das 
atividades planejadas.
Um sistema de avaliação é o conjunto de princípios, hipóteses, procedimentos e instrumentos 
que o professor faz funcionar e que, atuando entre si de forma ordenada, contribui para coletar 
e sistematizar informações necessárias para avaliar a aprendizagem dos alunos. Avaliar o 
desempenho de um aluno é tão importante como ensinar, pois sem a avaliação torna-se difícil 
compreender o processo de aprendizagem e os efeitos positivos da prática docente. Disso decorre 
que um aluno mal avaliado não permite ao professor aferir a qualidade de seu trabalho e de seu 
desempenho e nem mesmo sugerir eventuais mudanças de rumo no processo de ensino.
Um aluno é avaliado por suas provas, mas também o é por observações do professor que o acompanha 
dentro e fora da sala de aula, por entrevistas, trabalhos e outros recursos. Com esses elementos de 
observação, o professor acompanha o desempenho do aluno e identifica o nível de conhecimento e de 
progresso quanto ao alcance dos objetivos do ensino de História. 
Em síntese, a avaliação apresenta algumas características como:
• é formativa, traz benefício ao aluno, situando seu progresso e seus limites e destaca os pontos em 
que precisa de maior empenho e dedicação;
• é global, oferece informações não apenas sobre os avanços numéricos conquistados pelo 
aluno, mas também sobre seus interesses e suas motivações, sobre suas necessidades e 
habilidades; 
• é contínua, baseia-se, sobretudo, na observação do desempenho cotidiano do aluno; 
• é diversificada, utiliza diferentes fontes de informação e assim considera o desempenho nas 
provas e em aula, em trabalhos individuais e em grupo, como também no empenho em apresentar 
tarefas de desafios propostos;
• é integradora, considera a diversidade cultural e linguística do aluno e o seu processo de integração 
na escola;
• é apaziguadora, e dessa forma o aluno a percebe como instrumento normal doacompanhamento 
de seu progresso, não causando tensões e ansiedades;
• é explícita, informa aos pais não apenas resultados, mas etapas de conquistas e progressos.
51
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
A avaliação em História não se isola dos sistemas de avaliação empregados na escola; ela emerge de 
um planejamento pedagógico com objetivos gerais e específicos e, portanto, ser um bom avaliador em 
História significa também ser parte integrante de uma equipe docente.
 Saiba mais
A escola precisa ter claros, em sua proposta pedagógica, os objetivos 
que quer desenvolver com seus alunos por meio do processo de ensino-
aprendizagem.
Leia sobre esse assunto no capítulo 5 – Planejamento e Avaliação em 
História do livro: 
NEMI, A.; MARTINS, J. C.; ESCANHUELA, D. L. Ensino de História e 
experiências. São Paulo: FTD, 2010.
 Resumo
Para finalizar, apresentamos uma síntese da Didática de História como 
orientação ao futuro professor/pedagogo.
Não está errado quem afirma que “a didática é uma técnica de 
dirigir e orientar a aprendizagem”1. Diante desse conceito, pensamos 
que o uso racional da didática para o ensino e para a produção de uma 
aprendizagem significativa de alunos do Ensino Fundamental deve propor 
o desenvolvimento de oito habilidades que devem ser marcantes no 
professor para serem claramente percebidas, compreendidas e utilizadas 
por seus alunos.
Considerando que uma “habilidade” envolve aptidão e capacidade 
para “fazer”, é essencial que seu desenvolvimento se concretize nos alunos 
quando a compreendem, mas também quando se mostram capazes de 
aplicá-la. Essas habilidades, portanto, são:
• investigar: o professor precisa sempre investigar o que é de domínio 
do aluno e quais são suas hipóteses explicativas para os temas 
estudados. Ao aluno não basta guardar fatos e compreender sua 
relação com o mundo em que vive, mas também a exploração de 
seus pensamentos e discussões sobre as hipóteses trazidas à escola e 
a transformação dessas com os conhecimentos adquiridos; 
1 Dicionário Houaiss.
52
Unidade I
• diagnosticar: é importante que os professores realizem “diagnósticos” 
sobre como os seus alunos estão compreendendo os conteúdos 
conceituais e identifiquem quais procedimentos e quais atitudes 
favorecem a associação dos temas à dimensão histórica. Para que esses 
diagnósticos frutifiquem, podem propor questionamentos, orientar 
pesquisas, comparar versões históricas, analisar documentos, sugerir 
resumos, realizar visitas e, sobretudo, apresentar desafios que ajudem 
os alunos a conquistarem argumentos lúdicos e diferenciados;
• relacionar: não existe um bom ensino de História quando os 
estudantes perdem a oportunidade de transformar suas reflexões 
sobre as vivências sociais no tempo e de relacioná-las com 
acontecimentos que envolvem seu cotidiano e entre acontecimentos 
ao longo de processos contínuos e descontínuos. Pesquisar é ação 
crucial na aprendizagem histórica, mas é importante que o professor 
considere que essa é uma atividade que nenhum aluno nasce sabendo. 
Aprender a pesquisar significa tornar-se hábil em um “método” e, 
após apresentar os resultados dessa pesquisa, poder refletir sobre 
a pesquisa e outros estudos históricos, assumindo atitudes éticas e 
criteriosas de respeito e de comprometimento com a realidade social;
• questionar: um bom aluno de História é sempre um aluno 
questionador. A compreensão da realidade atual em uma perspectiva 
histórica que envolve sempre atividades nas quais se possa questionar 
o presente, identificar questões relativas às organizações sociais e 
suas relações entre o presente e o passado, percebendo semelhanças 
e diferenças, permanências e transformações. Uma imprescindível 
ação questionadora de todo estudante de História é percebê-la na 
dimensão particular de sua vida, na presença de seus hábitos, na sua 
participação protagonística nos filmes a que assiste e nas leituras 
que realiza;
• identificar: quando se perceber que os alunos já dominam noções 
de tempo, cabe ao professor identificar esses conhecimentos e 
desenvolver trabalhos e estudos mais aprofundados sobre padrões de 
medidas de tempo e histórias. Aos alunos é essencial que conquistem, 
de forma autônoma, a capacidade de situar personagens e fatos 
nas devidas épocas e, dessa maneira, aprenderem a discerni-los por 
critérios de simultaneidade, anterioridade e posterioridade;
• valorizar: como não se pode ignorar que todo aluno recebe atualmente 
um volume imenso de informações, a partir das quais elabora 
pensamentos sobre as relações entre o presente e o passado, cabe 
ao professor valorizar essas reflexões, provocá-las com persistência 
e, sobretudo, considerar a necessidade de estarem sempre em 
53
METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
movimento, em processo de transformação. É por esse motivo que as 
interpretações dos alunos acerca das relações interpessoais, sociais, 
econômicas e políticas devem sempre ser mais críticas e estar cada vez 
mais permeadas pela compreensão da diversidade, das contradições 
e das diferentes interpretações; 
• organizar: poucos alunos costumam trazer em sua bagagem 
procedimental o hábito de organizar as informações que acolhem 
sobre o mundo ou os conteúdos conceituais das diferentes disciplinas 
que aprendem. Por isso, é essencial que o professor ensine os alunos 
a organizar informações internas e externas referentes às pesquisas 
feitas, textos estudados, sínteses elaboradas ou conclusões aferidas 
de debates com colegas e a intermediação do professor. É justamente 
da capacidade em organizar essas informações e de confrontá-las 
com outras que se desenvolve a progressiva conquista da autonomia 
intelectual do aluno de História; 
• diferenciar: quando os alunos já estão prontos para uma autonomia 
de pensamentos, é importante que consigam diferenciar as relações 
sociais e políticas a partir de diferentes perspectivas históricas. 
Assim, identificam possíveis semelhanças e discordâncias, constroem 
opiniões e se mostram atentos para diferenciar, nas propagandas, nas 
notícias, nas práticas políticas e nos discursos, as atitudes coerentes e 
as contraditórias, as demagógicas ou autênticas.
Em todos os anos de escolaridade em que a História é ensinada, cabe ao 
professor destacar informações e referências sobre padrões de medidas de 
tempo, que se apresentem estruturantes para que os alunos localizem fatos 
e personagens nas respectivas épocas e sejam autônomos para discerni-
los por critérios de anterioridade, de posterioridade e de simultaneidade. 
Incentivar também, a construção de relações entre fatos, ajudando os 
alunos a caracterizarem contextos históricos, identificando os ritmos e os 
indícios de suas permanências e de suas transformações no tempo. 
 Exercícios
Questão 1. (Enade, 2008). A racionalidade científica, forma dominante de pensar e de agir na 
Modernidade, transformou o homem e sua ação em objetos de investigação. Passaram a ser tratados 
da mesma forma que as “coisas” e os fenômenos da natureza, como “objetos” fixos, imutáveis. O 
historicismo veio a se opor a essa perspectiva positivista, chamando a atenção para a dimensão histórica 
da existência, do mundo e da sociedade. As vertentes da pesquisa em educação que acompanharam essa 
discussão incorporaram idéias do historicismo e trouxeram para a prática da investigação o pressuposto 
de que:
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Unidade I
A) A pesquisa educacional supõe a existência de métodos previamente definidos.
B) A objetividade e a universalidade do conhecimento são garantidas pelos métodos de pesquisa.
C) A metodologia da pesquisa determina a produção dos conhecimentos histórico-educacionais.
D) O conhecimento da realidade só é possível por meio do controle do fenômeno educacional.
E) O conhecimento educacional depende da compreensão dos processos sócio-históricos.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: a atual concepção de pesquisa educacionalse pauta na pluralidade de métodos, em 
uma postura aberta, consciente da riqueza e da complexidade do seu campo de pesquisa e na busca da 
variedade e da articulação de instrumentos mais adequados ao trabalho de desvendamento das práticas 
educacionais.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: a concepção historicista na qual se baseia a pesquisa em educação na atualidade não 
compreende a realidade como a concepção cientificista-positivista, como algo estanque e linear, que 
pode ser aprendido com objetividade e universalidade absolutas.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: na concepção historicista, são os contextos histórico-educacionais que determinam a 
metodologia da pesquisa. Vale lembrar que a determinação, nessa perspectiva, é múltipla e complexa, 
pois tenta apreender toda a riqueza e a complexidade das ideias e das práticas educacionais e sociais de 
um determinado período.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: a ideia de controle dos fenômenos faz parte do universo do cientificismo, da razão 
cartesiana que acreditava no poder da ciência de explicar para prever e controlar. A concepção 
historicista de pesquisa em educação entende que o universo das ações humanas é muito mais complexo 
e imponderável, sendo pautado numa multideterminação de fatores e agentes.
E) Alternativa correta.
Justificativa: a alternativa ressalta a importância da tentativa de compreensão dos processos sócio-
históricos na busca do conhecimento educacional. A ideia de processo é fundamental na concepção 
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
historicista, pois ela indica a dimensão da complexidade e da riqueza dos fenômenos humanos e sociais 
nos quais estão inseridas as práticas educacionais, que são resultado das contradições, impasses, rupturas 
e intersecções entre diferentes tempos e espaços.
Questão 2. (Enade, 2008). O ano de 2008 foi repleto de atividades e comemorações na Escola 
Machado de Assis, devido ao centenário de morte do grande escritor brasileiro. O resultado desse processo 
necessitava ser sistematizado e socializado. Para isso, considerou-se a possibilidade de desenvolver as 
seguintes atividades:
I – Organizar reuniões com docentes das escolas vizinhas para que os mesmos procedimentos fossem 
adotados pelas demais.
II – Publicar as produções de alunos e professores, visando à valorização e difusão do conhecimento.
III – Convidar um especialista no tema para ratificar a qualidade das produções dos alunos e legitimar 
os conhecimentos construídos.
IV – Realizar um período de culminância das atividades, com exposições, apresentações artísticas e 
demonstrações para a comunidade.
A(s) atividade(s) coerente(s) como uma concepção da escola como produtora de conhecimento e de 
vivências democráticas é(são) apenas aquela(s) vista(s) na(s):
A) Afirmativa I.
B) Afirmativa II.
C) Afirmativas II e III.
D) Afirmativas II e IV.
E) Afirmativas III e IV.
Resolução desta questão na plataforma.

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