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Fraturas dos membros superiores FRATURAS DA ESCÁPULA Fraturas raras (1% de todas) Deve ser de alta energia Via de regra o tratamento é conservador se for extra articular: imobilização e repouso. Cirúrgico fratura articular com desvio e ombro flutuante Lesões associadas (politrauma) levar em consideração a cinemática do trauma (energia), suspeitar sempre de fratura de gradil torácico com traumatismo pulmonar (1 costela / a partir de 3 costelas é tórax instável) FRATURAS DA CLAVÍCULA Fraturas muito comuns, normalmente com tratamento conservador As fraturas de clavícula acontecem muitas vezes com traumatismos banais, de baixa energia (queda da própria altura, acidentes com esportes, queda de bicicleta), sem estar geralmente associada com politraumas; Fratura da clavícula em RN no parto natural A evolução do tratamento conservador (imobilização tipo 8) geralmente é benigna, com formação abundamente de calo ósseo/consolidação, sem muitas repercussões funcionais. Fraturas da extremidade distal da clavícula se comportam como uma luxação da articulação acrômio-clavicular e nesses casos, se o desvio for grau III para cima, precisa de abordagem cirúrgica. OBS: Todas as fraturas expostas de clavículas obrigatoriamente devem receber abordagem cirúrgica!!! LUXAÇÃO ACROMIO-CLAVICULAR: Luxação entre o acrômio e clavícula Classificação de Rockwood (indica o tratamento) Tipo I estiramento do ligamento acromioclavicular e coracoclavicular (trapezoide e conoide) Tipo II ruptura parcial dos ligamentos; subluxação. Rompe os ligamentos acromioclaviculares, enquanto os coracoclaviculares não rompem Tipo III ruptura total dos ligamentos (acromioclaviculares e coracoclaviculares) Tipo IV luxação posterior (em relação a articulação acromioclavicular) da clavícula Tipo V quando a clavícula luxa mais de 100% (medição no RX; >1,5cm) Tipo VI luxação inferior (em relação a articulação acromioclavicular) da clavícula Sinal da tecla: aperta a clavícula de cima para baixo, e após o final da compressão ela sobe novamente Tratamento - Conservador: Tipo I e II o III? - Cirúrgico o III? o IV, V e VI - Tipo III: calo sem repercussão (conservador) ou cicatriz (cirurgia) LUXAÇÃO GLENOUMERAL Luxação de ombro propriamente dita Muito frequentes Pode ser de baixa energia, indiretas Articulação glenoumeral é muito rasa a cavidade glenoidal engloba 30% da cabeça do úmero Estabilidade glenoumeral é principalmente feita por partes moles (músculos, ligamentos e tendões do SIRS) Labrum glenoidal estrutura fibrocartilaginosa (espessamento da capsula) que aumenta o tamanho da cavidade, mas é sujeito a traumatismos e rupturas Maioria das luxações são anteriores a cabeça do úmero sai pra frente e pra baixo da cavidade glenoidal Muita atenção para luxações posteriores raras e difíceis de diagnosticas radiologicamente (diagnóstico feito por anamnese) CAUSAS: Choque elétrico o Convulsão Sinal de Dragona (ombreira) Para identificar luxação posterior: RX de incidência axilar dificuldade do paciente de conseguir abduzir o braço para utilizar essa incidência. Utilizar TC quando o RX estiver difícil. - TÉCNICAS DE REDUÇÃO (SEM ANESTESIA): Radiografar primeiro (principalmente ambiente hospitalar) pelo risco de fratura associada Manobra hipocrática: 1 Pé na axila e puxa o braço longitudinalmente (eixo do corpo) Pode fazer lesão de plexo braquial, especialmente do nervo axilar Pode causar fratura Pouco utilizada Manobra de Milch: 2 Faz movimentos contrários a luxação Tracionar o membro, rotacionar ele internamente e aduzir Difícil ser realizado em primoluxação Dolorosa Manobra de Stimson: 3 Utiliza um peso de 4-7kg Demora de 20 a 30 minutos Tração contra tração: 4 (mais comum) Variante do método hipocrático Axilo-torácico Necessita de forças semelhantes Variante de Milch Aduz e depois faz a rotação interna Paciente anestesiado Não necessita de assistente, o ortopedista faz sozinho 1 2 3 4 5 FRATURA DO ÚMERO PROXIMAL Classificação quanto à região anatômica acometida e número de partes Quando diz que quebrou o ombro, normalmente está se referindo ao úmero proximal Jovens → fraturas que demandam alta energia Idosos → osteoporose (baixa energia ou até sem traumatismos, com fraturas patológicas) Regiões que podem ser acometidas: Cabeça do úmero - Linha tracejada entre cabeça e pequena tuberosidade = colo anatômico Grande tuberosidade - Sulco bicipital = onde passa o tendão do cabelo longo do bíceps, entre pequena e grande tuberosidade Pequena tuberosidade - Transição entre a metáfise e a diáfise = colo cirúrgico De acordo com a fratura da região anatômica, faz a classificação: Em uma fratura do colo anatômico, separa a cabeça do resto do úmero = 2 partes Em uma fratura do colo cirúrgico, separa a diáfise do úmero de toda a extremidade proximal, também sendo uma fratura de 2 partes Quando tem uma fratura que ocorre mais de 2 fragmentos, chama-se de fratura em 3 ou 4 partes, cujos fragmentos são: - Grande tuberosidade - Pequena tuberosidade - Cabeça do úmero - Diáfise do úmero Classificação de partes foi descrita por Nier e vai direcionar o tratamento - TRATAMENTO: Conservador → fraturas de baixa energia, com pouco desvio. Desvio significativo → cirúrgico. Desvio significativo entre os fragmentos, não importando o número de fragmentos Tratamento cirúrgico: Osteossíntese → realizado em paciente jovem (quanto à idade, demanda física, condição de saúde, presença de comorbidade). Tentar colocar os ossos na posição anatômica original e fazer a fixação com placa e parafuso. Em idosos é difícil dar certo, podendo ter necrose da cabeça do úmero, pseudoartrose ou má fixação devido à osteoporose Artroplastia → remove a superfície articular e colocar uma prótese no lugar. Quando substitui uma das superfícies articulares (cabeça do úmero ou glenoide), é chamado de artroplastia parcial ou hemiartroplastia. Quando se substitui ambas, chama-se de artroplastia total. Em pacientes idosos, pode-se fazer ela de forma parcial, considerando-se a baixa expectativa de vida pela frente. Nos jovens, quando se opta por essa forma de tratamento (não é comum), a artroplastia total é preferível, já que com o passar o tempo a prótese pode desgastar/lesionar a outra superfície articular (no caso a glenoide) FRATURAS DA DIÁFISE DO ÚMERO 3 a 5% das fraturas Alta energia → notadas pela presença de vários fragmentos. Nas crianças e em idosos, as fraturas do úmero podem ser ocasionadas por traumatismos de mais baixa energia. Crianças: plasticidade maior (deposição mineral menor), idosos: patologias (osteoporose), com maior suscetibilidade a fraturas Via de regra CIRÚRGICO: - Conservador → crianças (toleram um desvio maior) e em pacientes magros. - Pacientes mais fortes, adultos de alta demanda, atletas, obesos → a chance de o tratamento conservador ser eficaz é pequena Lesões associadas → nervo radial. Ele é íntimo ao úmero, passa cerca de 3mm de distância, podendo sofrer um estiramento e levar a sua parali sia. Importante saber a clínica da paralisa do nervo radial → paciente com a mão caída, fratura de úmero, não consegue erguer a mão e estender os dedos Nervo radial: Região autônoma (sensibilidade) → tabaqueira anatômica, localizada no punho, em cima do escafoide, entre o abdutor e o extensor do polegar. A sensibilidade dessa região é toda promovida pelo nervo radial. Motricidade → inerva os músculos que fazem a extensão do punho e dos dedos. Traço tranverso = traumatismo direto • Traço oblíquo = traumatismo indireto (torção)- TRATAMENTO CONSERVADOR: Fraturas em crianças → raramente precisa de cirurgia (apenas em fratura exposta ou com muito desvio) – Pouco ou sem desvio Pacientes magros → evoluem bem na imobilização. A imobilização indicada nesses casos é na maioria das vezes mais prolongada, então se o paciente for mais obeso ou muito forte, a imobilização não chega a compressão e estabilização necessária, tendo uma chance de consolidar menor. 3 de 7 Imobilização tipo pinça de confeiteiro = imobilização utilizada no SUS. - TRATAMENTO CIRÚRGICO Fraturas expostas Associadas à lesão do nervo radial Grande desvio Pacientes obesos O tratamento cirúrgico é variável, cujo princípio é promover o alinhamento (não necessariamente boca a boca, já que é uma fratura extra-articular) e também uma pode-se fazer fixação relativa. Também existe a possibilidade de colocar uma haste endosteal e fazer a fixação com parafusos FRATURAS DO ÚMERO DISTAL (SUPRA-CONDILEANAS) FRATURAS GRAVES → região de fragilidade maior, superfície articular significativa e grande amplitude de movimento = potencialmente causadora de sequelas. São decorrentes de impacto por alta energia Onde tem côndilo, podem ocorrer fraturas condileanas Acomete a região do úmero que vai articular com o cotovelo, uma região de superfície articular ampla Via de regra cirúrgico (maioria dos casos) Ver se tem acometimento articular para usar o princípio das fraturas extra articulares e intra-articulares Lesões associadas → Nervo radial, ulnar ou mediano. Sempre testar os 3 nervos para ver se não tem comprometimento: Nervo radial tabaqueira anatômica (sensitivo) e extensão dos punhos e dedos (motor) Nervo ulnar polpa digital do 5º dedo (região autônoma sensitiva) e abdução e adução dos dedos (motricidade) Nervo mediano polpa digital do 3º dedo (região autônoma sensitiva) e oponência do polegar e dos dedos (motricidade) Supra-condileanas em crianças: Muito comum e são fraturas graves GARTLAND I não há desvio. Tratamento conservador (gesso) GARTILAND II galho verde, sai do lugar, mas a cortical posterior mantém contato. Faz redução e fixa com pino (fio de Kichner) ou gesso GARTLAND III fraturou e não mantem contato, desvio maior. Faz redução para por no lugar e a fixação com o fio de Kichner (pino). É uma urgência ortopédica, porque esse grande desvio pode lesar a artéria braquial e ocorrer síndrome compartimental. Idealmente tratar em 12h, só aguardar o jejum. Da I para a III, maior a gravidade da fratura e pior prognóstico LUXAÇÃO DE COTOVELO É quando a tróclea sai do lugar em relação ao olecrano (cavidade na ulna). Úmero se conecta com a ulna pela tróclea em contato com o olecrano e com o rádio pelo capítulo; Manobra: Decúbito ventral, uma mão no úmero distal e a outra no punho, fazer uma tração axial, com o polegar traciona a ulna, puxa para baixo e encaixa (faz o movimento contrário da articulação para colocar no local); Clinicamente é fácil diagnosticar, mas o raio X prévio é importante para descartar presença de fratura associada. PRONAÇÃO DOLOROSA: Muito presente nas provas e na clínica; Só acontece em crianças de até 4 anos de idade; Diagnóstico clínico; Em crianças a cabeça do rádio não é ossificada ainda. O ligamento anular, que conecta a ulna à cabeça do rádio é um ligamento que, nas crianças, tem maior predisposição à luxação porque a cabeça do rádio ainda não está ossificada. A cabeça do rádio luxa em relação ao ligamento, mas ele permanece no lugar. O mecanismo clássico é erguendo/rodando a crianças pelo braço. O diagnóstico é CLÍNICO: Criança de até 4 anos com esse mecanismo de trauma. A criança chega com o braço esticado, pronado e com muita dor, com dificuldade à movimentação. Não precisa fazer Raio X! O tratamento é a redução Uma mão na região da cabeça do rádio com os dedos fazendo pressão nela e a outra mão vai fazer a supinação do antebraço e fletir. FRATURA DA CABEÇA DO RADIO A cabeça do rádio é no cotovelo, não é no punho, e faz o movimento de prono-supinção rodando na ulna; A fratura pode ser extra ou intra-articular com ou sem desvio; As fraturas com desvio precisam de correção cirúrgica, mesmo se for extra articular. As sem desvio, independente se extra ou intra-articular, o tratamento é conservador com imobilização por 3 a 4 semanas para consolidação: tala, tipoia, etc. OBS: Casos mais graves com muitos fragmentos pequenos, pode-se fazer a ressecção da cabeça do rádio, colocando prótese ou não. FRATURA DO OLÉCRANO TEM QUE OPERAR, INDEPENDENTE DE TUDO!!! Precisa operar todos, porque no olecrano se insere o tríceps braquial, que faz a extensão do antebraço. Tratamento: Banda de tensão (fios: feito no SUS) ou placa e parsfusos moldados de baixo perfil: ambiente privado. NO dia seguinte à cirurgia, no caso da placa e parafuso, já pode começar a fazer movimentação. FRATURAS-LUXAÇÃO DOS OSSOS DO ANTEBRAÇO: GALEAZZI: Fraturas que ocorrem na diáfise do rádio, com luxação da articulação radio-ulnar distal, saindo do lugar o processo estiloide da ulna (fratura do terço médio do rádio) MONTEGGIA: Acontece a fratura da ulna no terço médio/distal (próximo ao olecrano) e a luxação da cabeça do rádio na articulação radio-ulnar proximal. cai na provaaa! FRATURAS DOS OSSOS DO ANTEBRAÇO: Fratura de ambos os ossos do antebraço, diferente das fraturas-luxação. Em adultos especialmente devemos considerar o antebraço inteiro como uma articulação , devido ao movimento de prono-supinação essas fraturas, então, são consideradas intra-articular, devendo, por conseguinte, fazer uma redução mais anatômica possível, com fixação rígida com placa e parafuso. Em crianças, o tratamento é eminentemente conservador, exceto em ocasiões específicas. FRATURAS DE RÁDIO-DISTAL: Classificação semelhante às fraturas da cabeça do rádio (extra ou intra com ou sem desvio); COLLES: Fratura que ocorre geralmente devido à queda da própria altura com punho estendido para apoio. Fratura extra-articular com desvio DORSAL (dorso do garfo), com o fragmento distal (como sempre) desviado para dorsal. SMITH: Fratura extra-articular com desvio ventral/volar/anterior; BARTON: Fratura intra-articular podendo desviar para dorsal (Barton dorsal) ou ventral (Barton volar). Tratamento: Redução com fixação. A técnica de fixação vai depender da experiencia do profissional e da disponibilidade. FRATURAS LUXAÇÃO DO CARPO: Qualquer osso do carpo pode fraturar, mas a mais comum é a fratura do osso ESCAFOIDE Carpo luxa em relação ao osso semilunar, osso que articula o carpo com o antebraço. O carpo pode luxar tanto para ventral quanto para dorsal. Mas pode acontecer do semilunar sair do lugar e o carpo permanecer. Fratura chamada trans-escafo perilunar do carpo; O raio X é difícil de ser documentado pela própria anatomia. Na dúvida, imobiliza, medica e encaminha, pois, o raio X é duvidoso para os não especialistas. FRATURA DOS METACARPOS: Base 1º Metacarpo e extra-articular proximal: Fratura de BENETT; Base 1º Metacarpo proximal e intra-articular: Fratura de ROLANDO; Em outros locais: Fratura da cabeça/Diáfise do 1º metacarpo. BOXER: Fratura do COLO do 5º metacarpo, extra-articular. FRATURAS DE FALANGES: O nome varia de acordo com a falange acometida e qual o quirodáctilo. Importante lembrar que o polegar tem só duas falanges e os demais três falanges (proximal, média e distal); “Fratura da diáfise falange proximal do 2º quirodáctilo”; Operar: Intra-articular ou extra com muito desvio. Observar desvio: quando os dedos não estiverem “apontando” pro escafoide quando fechar a mão. Fraturas da falange distal pode tratar conservador geralmente.