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IBADEP - Profetas Maiores

Unidade sobre os Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel). Lição 1 apresenta Isaías: biografia, período e tradições sobre sua morte, datação aproximada, papel messiânico e análise da estrutura do livro (capítulos 1–66, divisão em 1–39 e 40–66 e blocos temáticos).

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PROFETAS 
MAIORES
Introdução
São dezessete os livros proféticos da
Bíblia, dos quais, cinco são considerados
Profetas Maiores e doze Menores. Essa
designação de Maiores e Menores não é em
razão da importância pessoal do profeta,
mas ao tamanho do livro e à extensão do
ministério exercido. Nessa unidade
estaremos estudando os cinco livros dos
Profetas Maiores: Isaías, As Jeremias,
Lamentação de Jeremias Ezequiel e Daniel.
LIÇÃO 1
O LIVRO 
DE 
ISAÍAS
Quem foi Isaías?
Chamado profeta messiânico porque
viveu completamente imbuído da idéia de
que seu povo seria uma nação messiânica
para o mundo, isto é, nação mediante a
qual um dia grande e prodigiosa bênção
desceria de Deus para todas as nações. O
Novo Testamento diz que Isaías “viu a
glória de Cristo e dÊle falou”, Jo 12.41. Foi
profeta do Reino do sul, Judá, ao tempo em
que o reino do Norte, Israel, fora destruído
1. Israel no deserto
2. Israel no período da 
conquista.
3. Israel no período dos 
juízes.
4. Israel no Reino Unido.
5. Israel no reino 
dividido
6. Israel no Cativeiro
7. Israel no período pós 
cativeiro.
8. Israel no Egito
pelos assírios. Isaías viveu nos reinados
de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Sua
vocação se deu no ano em que Uzias
morreu; porém algumas de suas visões
podem ter ocorrido mais cedo, Is 6.1.
Segundo a tradição judaica, foi morto por
Manassés. Podemos conjeturar que a data
de seu ministério ativo enquadra-se mais
ou menos em 740-687 a.C., abrangendo
assim um período de 50 anos ou mais.
Reza uma tradição rabínica que Amós,
pai de Isaías (não Amós, o profeta), foi
irmão do rei Amazias. Neste caso, Isaías foi
primo em 1º grau do rei Uzias e neto do rei
Joás, sendo pois de sangue real, e membro
da corte. O seu nome significa “O Senhor
salva. Ele escreveu outros livros que não
chegaram até nós: Uma biografia de Uzias,
II Cr 26.22; um livro dos reis de Israel e de
Judá, II Cr 32.32. Foi historiador e vidente. É
citado no Novo Testamento mais do que
outro profeta. Ele era um conselheiro da
corte. Era casado e tinha dois filhos, cujos
nomes representavam mensagens
simbólicas à nação. Uma tradição
talmúdica, aceita como autêntica por
muitos dos primitivos pais da Igreja,
declara que ele resistiu aos decretos
idolátricos de Manassés, pelo que foi
preso, imprensado entre duas pranchas de
madeira e “serrado ao meio”, sofrendo
assim morte penosíssima e horrível.
Pensa-se que a isto se refere Hb 11.37.
Curiosidade!
O livro do Profeta Isaías tem sido
chamado “A Bíblia dentro da Bíblia”, devido
a sua semelhança entre o seu conteúdo e
o do restante da Bíblia.
ISAÍAS BÍBLIA
66 Capítulos 66 Livros
1ª Parte: 39 capítulos 39 livros do Velho Test.
2ª Parte: 27 últimos capítulos 27 livros Novo Test.
A primeira parte de Isaías de ênfase à Lei, ao
julgamento e ao Messias prometido. A segunda parte da
ênfase à graça, redenção e ao Messias presente.
Interessante que a segunda parte do livro do profeta de
Isaías inicia com a profecia de João Batista, Is 40.3 e
encerra com a promessa de um novo céu e de uma nova
terra, Is 66, e exatamente no centro da segunda parte do
livro está o capítulo 53, que detalha a profecia da morte
e ressurreição de Cristo.
Como já observamos, o livro pode ser
dividido em duas partes principais, a primeira
compreende os primeiros 39 capítulos, e a
segunda, os 27 últimos capítulos.
A primeira contém quatro blocos de
profecias.
1- Nos capítulos 1-12, Isaías adverte e
denuncia Judá pela sua idolatria,
imoralidade e injustiças sociais durante um
período de prosperidade enganadora.
Entrelaçadas com a mensagem da
condenação vindoura há importantes
profecias messiânicas, Is 2.4; 7.14; 9.6,7; 11.1-
9, e o testemunho do profeta a respeito da
própria purificação e de seu encargo para o
ministério profético, Is 6.
2 – Nos capítulos 13-23, Isaías condena as
nações contemporâneas por causa de
seus pecados.
3 – Os capítulos 24-35 contém um amplo
leque de promessas proféticas de
salvação e juízo futuros.
4 – Os capítulos 36-39 registram a história
seletiva do rei Ezequias, que forma um
paralelo com II Rs 18.13-20.21.
A segunda seção compreende os capítulos
40 -66.
Esta segunda seção do livro de
Isaías traz algumas das profecias mais
profundas da Bíblia a respeito da
grandeza de Deus e da vastidão de seu
plano de redenção. Esta seção profética
aponta tanto para os seus dias, Is 38.5,
como para alguns séculos depois, e
finalmente, para alguns milênios depois,
pois õ verdadeiro autor é aquele que
anuncia o fim desde o princípio, Is 46.10.
UM 
LIVRO 
OU 
DOIS
Certo erudito evangélico lamenta
que o profeta Isaías, não somente foi
fisicamente serrado ao meio pelo rei
ímpio Manassés, mas que infelizmente
continua sendo serrado em dois,
teoricamente, pelos maus eruditos de
nossos dias. Isto refere-se, obviamente,
ao conceito popular de que a segunda
metade do livro de Isaías, dos capítulos
40 a 66, deveria ser denominada
“Deutero-Isaías” por ter sido
escrito por um autor desconhecido que
viveu 200 anos após Isaías. Embora
durante 16 séculos não houve dúvida
alguma em relação à unidade total do livro,
em 1775, Johann C. Doerdelein, escritor
alemão, achou que o livro de Isaías teria
dois autores, sendo a metade final escrita
por um profeta desconhecido. A razão
básica de sua dúvida em relação a autoria
exclusiva de Isaías, foi o grande número de
detalhes proféticos referentes ao cativeiro
da Babilônia encontrados na segunda
metade do livro. A vitória dos medos sobre
a Babilônia e até o nome do rei vitorioso,
Ciro, citado na profecia mais de cem anos
antes do seu nascimento, assustou o
ilustre erudito alemão, que não levou em
consideração o caráter de Deus como o
grande “Eu Sou”, que conhece o passado,
presente e futuro com absoluta perfeição.
Além disso, o Novo Testamento, atribui a 1ª
e a 2ª parte do livro ao profeta Isaías.
PROPÓSITO
1º) Confrontar a própria nação e outras
nações contemporâneas, com a
Palavra do Senhor, mostrando-lhes
seus pecados e o conseqüente castigo
divino.
2º) Profetizar esperança à geração
futura de exilados judaicos, que seria
restaurada do cativeiro, e à qual Deus
redimiria como luz aos gentios.
3º) Mostrar que Deus enviaria o Messias
davídico, cuja salvação abrangeria todas
as nações da terra, suscitando esperança
no povo de Deus, tanto do Antigo como do
Novo Concerto.
CARACTERÍSTICAS ESPECIAS
1. Em sua maior parte, estão escritas em
forma poética, e é insuperável como jóia
literária na beleza, poder e versatilidade.
2. É chamado “o profeta evangélico”,
porque dentre todos os livros do antigo
testamento, suas profecias contém
declarações mais plenas e claras sobre
Jesus Cristo.
3. Sua visão da cruz, Is 53 é a profecia mais
detalhada sobre a morte expiatória de
Jesus.
4. É o mais teológico e extenso de todos os
livros proféticos do Antigo Testamento. O
período de tempo ali tratado remonta à
criação dos céus e da terra, Is 42.5; 45.18, e
olha para o futuro, aos novos céus e nova
terra, Is 65.17; 66.22.
5. Contém mais revelação a respeito da
natureza, majestade e santidade de Deus
do que qualquer outro livro profético do
Antigo Testamento. O Deus de Isaías é
Santo e Todo-Poderoso, aquele que julgará
o pecado e a iniqüidade dos seres
humanos e nações. Sua expressão
predileta para Deus é “O Santo de Israel”
6. Isaías, cujo nome significa “O Senhor
Salva”, é o profeta da salvação. Ele
emprega a palavra “salvação” quase três
vezes mais do que todos os demais livros
proféticos do Antigo Testamento. Isaías
revela que o propósito divino da salvação
será somente realizado em conexão com o
Messias.
7. Isaías faz freqüentes referências aos
eventos redentores da história de Israel: O
êxodo, Is 4.5,6; 11.15; 31.5; 43.16,17; a
destruição de Sodoma e Gomorra, Is 1.9; a
vitóriade Gideão contra os midianitas, Is
9.4; 10.26; 28.21. Além disso, faz alusões ao
cântico profético de Moisés em Dt 32, Is
1.2; 30.17; 43.11,13.
8. Isaías é juntamente com Deuteronômio
e os Salmos, um dos livros do Antigo
Testamento mais citados e aludidos no
Novo.
O LIVRO DE ISAÍAS ANTE O NOVO TESTAMENTO
1 - Profetiza a respeito de João Batista, Is
40.3-5; Mt 3.1-3.
2 - Profetiza a respeito da vida e ministério
de Jesus com inúmeros detalhes.
AS PROFECIAS DE ISAÍAS
Suas profecias apontam para três
direções: Israel, às demais nações e ao
Messias.
1 - Sobre Israel: O profeta denuncia os seus
pecados e revela as conseqüências de sua
desobediência com o desfecho do
cativeiro babilônico, revelando, entretanto,
que um remanescente será salvo, e o reino
do Messias será estabelecido.
2 – Sobre as Nações: Contra Babilônia,
Assíria, Filistia, Moabe, Síria, Egito, Dumá,
Arábia e Tiro, as quais foram cumpridas na
sua maioria.
3 – Sobre o Messias: Minuciosos detalhes
foram vaticinados sobre o nascimento,
vida, ministério e sofrimento de Cristo.
PROFECIAS MESSIÂNICAS
Embora o profeta dirigisse a sua
mensagem aos seus contemporâneos, a
palavra profética tinha aplicação imediata
e remota, leia Is 7.14-16. Em razão da
impiedade e apostasia da liderança, a
profecia condenando suas atitudes,
apontava para um descendente de Davi, Is
9.1-7.
SIÃO INVIOLÁVEL
Os líderes mundanos, por não
confiarem em Deus, faziam alianças com
as nações ímpias, Is 28.14,15, mas o profeta
os advertia falando que deviam confiar em
Deus, que havia assentado a pedra angular
em Sião, Is 28.16, que na verdade
redundava numa referência direta ao
Senhor Jesus, leia Mt 21.42; At 4.11; Rm 9.33;
I Pe 2.6.
AS NAÇÕES
As nações inimigas que em seus dias
oprimiam a Israel, na ótica profética são
vistas unidas no propósito de buscar ao
Senhor, Is 2.2; 11.10, convertidas ao Senhor,
Is 19.21-24. Como muitas destas nações
sequer existem, significa que elas
representam as nações do mundo que
serão regidas pelo cetro do rei eterno
no Milênio.
O 
CUMPRIMENTO 
DAS 
PROFECIAS
Muitas das suas profecias
receberam um cumprimento
incompleto durante a sua vida. Por
exemplo: A destruição do exército
assírio, Is 37.36,37. O profeta podia até
pensar que todas as suas profecias se
cumpririam em seus próprios dias,
mas Deus revelou seu propósito e
ocultou-lhe a ocasião e a maneira
como realizaria a sua vontade.
O SERVO DO SENHOR
A expressão “Servo do Senhor” nos
capítulos 40-66, é uma referência
direta ao Senhor Jesus. O próprio
Senhor referendou esta palavra
profética, Mc 10.45.
O MÉTODO
Isaías era um erudito, residia na
capital, tinha penetração palaciana.
Mas Deus o usou de vários métodos:
1 – Tinha uma família profética, Is 8.18;
sua esposa era profetiza, Is 8.3, os
nomes dos seus dois filhos eram
proféticos, Is 7.3; 8.3.
2 – Tinha um grupo de fiéis discípulos, Is
8.16; 29.11.
3 – Usava também o método moderno
conhecido como “outdoor”, Is 8.1; 30.8.
4 – Demonstrava a palavra profética por
representação, andando descalço e nu,
Is 20.2,3.
Atuou com versatilidade, como um
reformador social e religioso, pregava
justiça e piedade, e como estadista
precavido, não se restringia aos limites de
sua nação e nem ao tempo de sua geração.
A TEOLOGIA
Na sua chamada, a revelação da glória
do Senhor, e os atributos de majestade e
santidade, causaram uma profunda
impressão em seu espírito. E isso
redundou numa estreita comunhão com
Jeová, de maneira que ele não somente
pregava uma confiança no Senhor, mas a
convicção com que falava sobre Deus e a
sua vontade, era tão grande, que ousava
dar como sinal de cumprimento de suas
pregações, algo que somente uma ação
direta do Todo-Poderoso podia realizar,
leia Is 38.7,8. Por isso, podia exortar que
o segredo não era alianças com os
infiéis, Is 31.1, mas a confiança no
Senhor, Is 30.15.
O LIVRO DA CONSOLAÇÃO
Capítulos 40-66
Embora o tema desenvolvido nessa
parte do livro seja o “Servo do Senhor”,
às vezes é Israel que é referido como
tal, Is 41.8-16; Is 42.18; 43.8; 44.1; 48.6.
Em Is 49.1-2, o Servo está identificado
com Israel, e ao mesmo tempo, distinto
dele.
LIÇÃO 2
O LIVRO DE 
JEREMIAS
Introdução
O ministério profético de Jeremias foi
o esforço finaL de Deus para salvar
Jerusalém. Jeremias viveu uns cem anos
depois de Isaías. Nos dias de Isaías
Jerusalém escapou da Assíria, mas nos
dias de Jeremias, não escapou de
Babilônia. Jeremias foi chamado para o
ofício profético em 627 a.C. Jerusalém foi
parcialmente destruída em 605 a.C.; outra
vez devastada em 597 a.C.; finalmente
incendiada e assolada em 587. Jeremias
assistiu às agruras desses terríveis
quarenta anos, “o fim da monarquia”, “a
agonia de morte da nação”; vulto patético
e solitário, último mensageiro de Deus à
Cidade Santa, que se apegara desesperada
e fanaticamente aos ídolos; bradava
incessantemente que se, se
arrependessem, Deus os salvaria da
Babilônia. De modo que, assim como a
Assíria servira de cena de fundo ao
ministério de Isaías, assim também a
Babilônia serviu ao ministério de Jeremias.
SITUAÇÃO INTERNA
O reino do norte havia caído, assim
como grande parte de Judá. Haviam sofrido
reveses sobre reveses, até que Jerusalém
fora deixada só. Continuaram não prestando
atenção aos avisos incessantes dos
profetas, obstinando-se cada vez mais na
idolatria e perversidade. A hora da
condenação estava prestes a soar.
SITUAÇÃO INTERNACIONAL
Continuava a porfia, partida de três
lados, pela supremacia mundial: A Assíria,
a Babilônia e o Egito. Por 300 anos a
Assíria, no vale do Norte do Eufrates,
capital Nínive, havia dominado o mundo,
mas agora ia se enfraquecendo. Babilônia,
no vale do Sul do Eufrates, tornava-se
poderosa. O Egito, no Vale do Nilo, que 1.000
anos antes fora uma potência mundial e
decaíra, outra vez enchia-se de ambição.
Babilônia venceu, lá pelo meado do
ministério de Jeremias. Quebrou a força da
Assíria, 609 a.C., e 4 anos depois esmagou
o Egito na batalha de Carquemis em 605
a.C. e por 70 anos regeu o mundo, os
mesmos 70 anos do cativeiro dos judeus.
MENSAGEM DE JEREMIAS
Desde o começo, 20 anos antes do
desfecho da porfia, Jeremias veio
insistindo que Babilônia seria a
vencedora. Em todas as suas queixas,
contínuas e amargas, contra a impiedade
de Judá, as seguintes idéias sempre
aparecem:
1 – Judá vai ser destruído pela Babilônia.
2 – Se Judá deixar sua impiedade, de algum
modo Deus o livrará de ser destruído às
mãos de Babilônia.
3 – Mais adiante, quando já não parece
haver qualquer esperança de Judá
arrepender-se, Jeremias trouxe a
mensagem de uma última oportunidade:
Se, apenas como expediente político, ele
se submeter à Babilônia, será poupado.
4 – Judá, destruído, será restabelecido e
ainda dominará o mundo.
5 – Babilônia destruidora de Judá, será ela
mesma destruída, para nunca mais se
reerguer.
A OUSADIA DE JEREMIAS
Jeremias, sem cessar, advertia
Jerusalém para que se rendesse ao rei da
Babilônia, tanto assim que seus inimigos o
acusaram de traição. Nabucodonozor
recompensou-o por essa advertência ao
povo, não só lhe poupando a vida, mas lhe
oferecendo uma honraria qualquer que ele
quisesse aceitar, até mesmo uma dignidade
na corte Babilônica, Jr 39.12. Todavia,
Jeremias bradava, alto e de contínuo, que o
rei de Babilônia estava cometendo um crime
hediondo na destruição do povo do Senhor, e
por essa causa, no devido tempo, esse país
seria assolado e para sempre, leia Jr 50 e 51.
REIS DE JUDÁ CONTEMPORÂNEOS
Manassés – 687-642 a.C. 55 anos, inclusive
dez anos de co-regência. Muito perverso, II Cr
33. Reinava quando Jeremias nasceu.
Amom – 642-640 a.C. 2 anos. O longo e mau
governo do seu pai Manassés selara a
condenação de Judá.
Josias – 640-609 a.C. 31 anos. Bom rei.
Grande reforma. Jeremias começou seu
ministério no 13º ano de Josias. A reforma foi
só exterior. No íntimo o povo continuouidólatra.
Jeoacaz – 609 a.C. 3 meses. Foi levado para o
Egito.
Jeoaquim – 609-597 a.C. 11 anos.
Francamente favorável à idolatria, desafiou
atrevidamente a Jeová, e era inimigo
rancoroso de Jeremias.
Joaquim – 597 a.C. 3 meses. Foi levado para
Babilônia.
Zedequias – 597-587 a.C. 11 anos. De certo
modo amigo de Jeremias, mas foi rei fraco,
instrumento nas mãos de autoridades
ímpias.
PROFETAS CONTEMPORÂNEOS
Jeremias sobressaiu na brilhante
constelação de profetas agrupados à volta
do evento da destruição de Jerusalém.
Ezequiel, seu colega de sacerdócio,
mais moço do que ele, pregava na
Babilônia, no meio dos cativos, a mesma
mensagem que ele, Jeremias, pregava em
Jerusalém
Daniel, de sangue real, influente no
paço de Nabucodonozor.
Habacuque e Sofonias, que ajudavam
Jeremias em Jerusalém.
Naum, que ao mesmo tempo predizia a
queda de Nínive.
Obadias, que simultaneamente
predizia a ´ruína de Edom.
CRONOLOGIA DO LIVRO DE JEREMIAS
Algumas de suas mensagens têm
data, outras não. As datas indicadas são as
seguintes: NO reinado de Josias, Jr 1.2;3.6.
No reinado de Jeoaquim, Jr 22.18;25.1;26.1;
35.1;45.2. No reinado de Zedequias, Jr 21.1;
24.1,8;27.3,12; 28.1;29.3;32.1;34.2;37.1;38.5;
39.1; 49.34;51.59. No Egito, Jr 43.7,8; 44.1. Por
aí se vê que o livro não é arranjado em
ordem cronológica. Algumas mensagens
posteriores vêm no princípio do livro, e
algumas do princípio vêm depois. Tais
mensagens foram proferidas oral e talvez
repetidamente, durante anos,
possivelmente, antes que Jeremias as
escrevesse. A redação de um tal livro foi
tarefa longa e afanosa. Pergaminhos de
escrever, feitos de peles de carneiro ou de
cabra, eram escassos e caros. Deles faziam-
se longos rolos, tendo como eixo uma vara.
Isto pode explicar, em parte, a falta de ordem
no livro de Jeremias. Após redigir um
incidente ou discurso, alguma outra locução,
proferida anos antes, seria lembrada e ele
passaria a escrevê-la, em alguns casos sem
datá-la, enchendo assim o pergaminho, à
proporção que o desenrolava.
CAPÍTULO 1 – A CHAMADA DE JEREMIAS
Foi chamado para uma tarefa difícil e
ingrata. Como Moisés, Ex 3.11; 4.10, foi com
relutância que aceitou a responsabilidade. A
chamada soou-lhe aos ouvidos quando ele
era ainda “criança”, provavelmente aos 20
anos. “Anatote” era o lugar de sua residência,
ficava uns 4 kms a N.E. de Jerusalém. Hoje,
chama-se “Anata”. A “panela ao fogo”, no
verso 13, significava o exército babilônico. O
discurso inicial refere-se a destruição de
Jerusalém pela Babilônia, Jr 1.14
CAPÍTULO 2 – A APOSTASIA DE ISRAEL
Numa repreensão patética e
apaixonada de sua idolatria
desavergonhada, Israel é comparado a
uma esposa que abandona seu esposo, em
troca de associações promíscuas com
outros homens, fazendo-se assim
prostituta pública.
CAPÍTULO 3 – JUDÁ É PIOR DO QUE ISRAEL
No capítulo 2, “Israel” significa a nação
toda; neste, significa o reino do Norte, que
300 anos antes havia-se apartado de Judá, e
100 anos antes havia sido levado cativo
pelos assírios. Judá, fechando os olhos à
significação da queda de Israel, não só não
se arrependia como, sob o longo e ímpio
reinado de Manassés, se afundava mais e
mais nos abismos da depravação. É predita a
reunificação de Judá e Israel, Jr 3.17,18;
50.4,5; Os 1.11.
CAPÍTULO 4 – A DESOLAÇÃO DE JUDÁ QUE SE 
APROSIMA
Este capítulo descreve o avanço dos
exércitos devastadores babilônicos, que
destruíram Jerusalém em 605-587 a.C. Em
parte pode também referir-se à invasão dos
citas, que precedeu de pouco à dos
babilônicos. No mesmo ano da chamada de
Jeremias, enxames enormes de bárbaros
vindos do Norte aterrorizavam as nações do
S.O. da Ásia. Deram um golpe terrível no
combatente poder assírio.
CAPÍTULO 5 – A DEPRAVAÇÃO TOTAL DE JUDÁ
Não havia nenhum justo sequer, Jr 5.1,
generalizada e promíscua a satisfação
sexual, até entre as pessoas casadas,
como a de animais, Jr 5.7,8; zombavam dos
avisos do profeta quanto ao castigo
iminente, Jr 5.12; inteiramente dados à
fraude, à opressão, a furtos, Jr 5.26-28;
todos satisfeitos com a corrupção do
governo, leia Jr 5.30,31. Quanto aos falsos
profetas, abordaremos no capítulo 23.
CAPÍTULO 6 – A DESTRUIÇÃO VINDA DO NORTE
Descrição profética, vívida, da
destruição de Jerusalém às mãos dos
invasores babilônicos, duros e cruéis, leia
Jr 6.22-26, o que mais tarde sucedeu, nos
próprios dias de Jeremias. Repetidamente,
ano após ano, como neste capítulo, nos
versículos 16-19, adverte-os com
insistência patética que no arrependimento
estaria sua última oportunidade possível de
escaparem à ruína.
CAPÍTULO 7 – O ARREPENDIMENTO, SUA ÚNICA 
ESPERANÇA.
É este um dos apelos de Jeremias, de
dilacerar corações, no sentido de que se
arrependam, baseado na promessa divina
admirável, de que, se apenas o povo der
ouvidos ao seu Deus, Jerusalém jamais
cairia, Jr 7.5-7. Com todas as suas práticas
abomináveis, Jr 7.9,31, e embora
houvessem levantado ídolos no Templo, Jr
7.30, mantinham uma consideração
supersticiosa para com este e o culto lá
celebrado, parecendo julgar que,
acontecesse o que acontecesse, Deus não
permitiria que Jerusalém fosse destruída,
visto que o templo lá estava, Jr 7.4,10.
Lembra-lhes Jeremias o exemplo de Siló, Jr
7.12-14. Jesus citou as palavras de Jeremias
aplicando-as ao templo de seus dias, Jr
7.11; Mt 21.13. a “Rainha do céu”, no verso 18
é Astarote, a principal divindade feminina
dos cananeus, cujo culto se acompanhava
das mais degradantes imoralidades.
“Hinom” era o vale do lado sul de
Jerusalém, onde crianças eram queimadas
em sacrifício a Moloque, veio depois a
serusado como sinônimo de inferno,
“Geena”
CAPÍTULO 8 – PASSOU A SEGA
Perfeitamente cônscio da futilidade
dos seus apelos e repreensões, Jeremias
fala da assolação iminente de Judá como
se já houvera sido consumada, Jr 8.20.
Falsos profetas, Jr 8.10,11, a insistência
deles sobre a segurança de Jerusalém
constituía um dos mais difíceis problemas
de Jeremias.
CAPÍTULO 9 – O PROFETA DE CORAÇÃO 
DESPEDAÇADO
Jeremias, homem de dores, no meio de
um povo entregue a tudo quanto era vil, Jr
8.6; 9.2-9, chorando dia e noite quando
pensava na tremenda retribuição que
estava prestes a vir, andava pelo meio
deles pedindo, argumentando,
persuadindo, convidando, implorando que
abandonassem a impiedade. Mas, em vão.
CAPÍTULO 10 – O SENHOR, O VERDADEIRO 
DEUS
Parece que a ameaça da invasão
babilônica incitava o povo de Judá à
grande atividade na manufatura de ídolos,
como se estes os pudessem salvar. Deu
isto ocasião a Jerusalém de lembrar-lhes
que, o que faziam não somente era inútil,
como até agravava mais o pecado já em si
horroroso, que cometiam contra Deus.
CAPÍTULO 11 – A ALIANÇA VIOLADA
Este capítulo parece pertencer ao
período de reação que se seguiu à grande
reforma de Josias, como se narra em II Rs
23, quando o povo restaurava seus ídolos,
renunciando à aliança que havia pouco
tinha feito.
CAPÍTULO 12 – A QUEIXA DE JEREMIAS
Contrastando seus sofrimentos com a
aparente prosperidade daqueles contra
quem pregava, e que ridicularizavam suas
ameaças, Jr 12.4, queixa-se Jeremias da
maneira de Deus agir. A resposta de Deus
implica em maiores tribulações que lhe
estão reservadas, inclusive entre os seus
próprios familiares, Jr 12.5,6. A prosperidade
da nação terá um fim, Jr 12.7-14. Mas no
futuro haverá restauração, Jr 12.15-17.
CAPÍTULO 13 – O CINTO ESTRAGADO
Jeremias fez considerável uso de
símbolos em sua pregação. É provável que
o cinto fosse ricamente adornado,
chamava a atenção, quando ele andava
pelas ruas de Jerusalém. Agora,
apodrecido, roto e sujo, servia para atrair
as atenções por sua feiúra. Aglomerando-
se o povo curioso ao redor dele, dava-lhe
isto oportunidade de explicar que do
mesmo modo Judá, com quem Deus se
havia cingido para andar entre os povos,
antes belo e glorioso, deteriorar-se-ia e
seria lançado fora.
CAPÍTULO 14, 15– A INTERCESSÃO DE 
JEREMIAS
Uma seca prolongada havia privado a
terra de alimento. Embora o povo o
odiasse, dele mofando e procurasse várias
vezes matá-lo, o coração de Jeremias
confrangia-se ao vê-los sofrer. A
intercessão que fez diante de Deus em
favor desse povo, aproximou-se tanto do
espírito de Cristo que não se tem outro
exemplo igual no Antigo Testamento. O que
se chama “Gruta de Jeremias”, um dos
lugares retirados a que ele, segundo se diz,
se recolhia para chorar, ficava no sopé do
próprio outeirinho em que 600 anos mais
tarde foi erigida a cruz de Cristo.
CAPÍTULO 16 – JEREMIAS É PROIBIDO DE 
CASAR-SE
A vida doméstica dos profetas, em
alguns casos, usava-se como reforço do
significado da pregação deles. Isaías e
Oséias foram casados, e deram aos filhos
nomes representativos das principais
idéias pelas quais se batiam. Jeremias
recebeu ordem de ficar solteiro, Jr 16.1
como uma espécie de pano de fundo
simbólico para as suas persistentes
predições de matança iminente: Que
aproveita criar família, só para ser
assassinada na horrível carnificina prestes
a desencadear-se sobre os habitantes de
Judá? Note-se outra vez a promessa de
futura restauração, Jr 16.14,15.
CAPÍTULO 17 – INDELÉVEL O PECADO DE JUDÁ
Sua derrocada é inevitável. Todavia,
proclama-se outra vez a promessa de que,
se voltarem para o Senhor, Jerusalém
permanecerá para sempre, Jr 17.24,25
CAPÍTULO 18 – O VASO DO OLEIRO
Uma ilustração muito adequada do
poder que Deus tem de alterar os destinos
de um povo. Jeremias usou-a como base de
outro apelo à nação perversa, para que
emendasse sua conduta. Mas foi debalde.
CAPÍTULO 19 – A BOTIJA
Pode ter sido de fabricação esmerada.
Foi quebrada de propósito, na presença
dos chefes de Jerusalém como um meio
impressionante de tornar a anunciar a
ruína que pendia sobre a orgulhosa
cidade. Alguns outros símbolos,
empregados por Jeremias a fim de chamar
a atenção para a sua pregação, foram: O
cinto, Jr 13; a abstinência do casamento, Jr
16; o vaso do oleiro, Jr 18; brochas e canzis,
Jr 27; a compra de um campo, Jr 32.
CAPÍTULO 20 – JEREMIAS É PRESO
Jeremias saiu direto do encontro com
os chefes no Vale de Hinom, para o Templo,
e começou a proclamar ali a mesma
mensagem ao povo. Por isso Passur, um
dos principais funcionários do Templo, o
prendeu no tronco, Jr 20.2, que era uma
peça de madeira onde se prendiam os pés,
o pescoço e as mãos, de modo a manter o
corpo numa posição forçada e dolorosa.
Isso provocou da parte de Jeremias outra
reclamação violenta contra Deus, Jr 20.7,8.
CAPÍTULO 21 – COMEÇA O ASSÉDIO
Embora este capítulo figure na parte
anterior do livro, pertence aos últimos dias
da vida de Jeremias. O rei Zedequias,
apavorado com a aproximação do exército
babilônico, apela a Jeremias para que
interceda junto a Deus. O profeta
aconselha-o a que entregue a cidade aos
babilônios, a fim de salvar a vida do povo.
CAPÍTULO 22 – AVISO AO REI JEOAQUIM
Este capítulo pertence ao reinado de
Jeoaquim, rei duro, perverso e cruel.
“Salum”, referido no verso 11, foi Jeoacaz,
que foi levado para o Egito e lá faleceu, II
Rs 23.31-34. A morte miserável de
Jeoaquim, leia Jr 22.18,19, é indicada em II
Rs 24.6; II Cr 36.6. Conias (Jeconias,
Joaquim) segundo Jr 22.30; “não teve
filhos”, porém, ele os teve sim, I Cr 3.17; Mt
1.12, dos quais procedeu Cristo, porém ele
e seu tio Zedequias foram os últimos reis
terrestres a sentarem-se no trono de Davi.
Marcaram o fim do reino temporal de Judá.
Significa que não filhos sucessores no
trono.
CAPÍTULO 23 – FALSOS PROFETAS
Grave acusação contra os chefes do
povo de Deus. A denúncia mordaz que
Jeremias apresenta contra os reis
davídicos fornece o fundo de cena para
uma visão prévia do Messias davídico
vindouro, Jr 23.5-8. Quanto aos falsos
profetas, eram eles o maior obstáculo à
aceitação das prédicas de Jeremias;
homens que se arvoravam em profetas de
Deus, pregavam seus próprios
sentimentos e serviam aos seus próprios
fins. Bradavam: “Jeremias mente”. Somos
profetas de Deus, e Deus nos tem dito que
Jerusalém está segura.
CAPÍTULO 24 – OS DOIS CESTOS DE FIGOS
Os figos bons representavam o melhor
do povo, que fora levado à Babilônia no
cativeiro de Joaquim em 597 a.C., e antes,
inclusive Ezequiel e Daniel. Os figos ruins,
aqueles que ficaram em Jerusalém,
intentavam com a ajuda do Egito resistir à
Babilônia, II Rs 24.10-20.
CAPÍTULO 25 – PREDITOS OS SETENTA ANOS DE 
CATIVEIRO
Foi isso na primeira parte do reinado de
Jeoaquim, Jr 25.1, cerca do ano 606 a.C.,
quando todo o mundo conhecido começava a
ser pisado pela Babilônia, Jr 25.15-38. O fato
notável é que se prediz a duração exata do
domínio babilônico, Jr 25.11-14; 29.10; II Cr
36.21; Ed 1.1; Dn 9.2; Zc 7.5. É uma profecia
surpreendente. A não ser pela revelação
direta de Deus, não havia a mínima
possibilidade de Jeremias conhecer isso.
CAPÍTULO 26 – JEREMIAS É JULGADO PERANTE 
OS PRÍNCIPES
Seus acusadores foram os sacerdotes
e os falsos profetas. Jeremias porém,
contava com amigos, entre os príncipes,
especialmente um de nome Aicão, que o
livrou da morte. No entanto, um dos
profetas seus colegas, chamado Urias, não
teve a mesma sorte, leia Jr 26.20-24
CAPÍTULOS 27,28 – BROCHAS E CANZIS
Jeremias pôs ao pescoço uma canga
(canzil), igual à dos bois, e andou pela
cidade, dizendo: do mesmo modo a
Babilônia porá uma canga no pescoço
deste povo. Um dos falsos profetas,
Hananias, desaforadamente, quebrou a
canga, Jr 28.10; e, como castigo, morreu
dentro de dois meses, Jr 28.1,27.
CAPÍTULO 29 – A CARTA AOS EXILADOS
Escrita depois que o rei Joaquim e o
melhor do povo tinham sido levados a
Babilônia, aconselhando-os a ser cativos
pacíficos e obedientes, e prometendo-lhes
que voltariam à pátria depois de setenta
anos, Jr 29.10. Mas até na Babilônia os
falsos profetas, inimigos de Jeremias, não
deixaram de lhe dar combate, Jr 29.21-32.
CAPÍTULOS 30,31 – CÂNTICO DE 
RESTAURAÇÃO
Cântico para Israel e Judá, com
vislumbres messiânicos, registrado por
escrito por ordem específica de Deus, Jr
30.2, de modo a poder ser guardado para
ser comparado com os eventos dos
séculos posteriores. A nova aliança, Jr
31.31-34. O antigo Testamento é a história
das relações de Deus com a nação de
judaica, na base da aliança feita no Monte
Sinai. Temos aqui uma predição definida
de que a aliança mosaica seria
ultrapassada e completada por outra. A
substituição da aliança mosaica pela
aliança cristã é a principal tese da Epístola
aos Hebreus.
CAPÍTULO 32 – A COMPRA DE UM CAMPO
Foi isso um ano antes da queda de
Jerusalém. O incêndio da cidade e a
assolação de Judá estavam quase às portas.
No meio do horror e do desespero daquela
hora, Jeremias recebeu ordem de Deus para
comprar um campo, em cerimônia pública, e
entregar a escritura para ser guardada em
segurança, a fim de, por essa forma, dar
ênfase à sua predição de que os cativos
regressariam, e a terra seria de novo lavrada.
CAPÍTULO 33 – O RENOVO
Dos vinte reis davídicos, que reinaram
em Judá durante os 400 anos entre Davi e o
cativeiro, a maior parte foram homens
muito maus. Somente poucos foram
dignos do nome de Davi. Nos capítulos 22 e
23, Jeremias faz acusações graves a essa
linhagem de reis, aos quais Deus dera a
promessa de um TRONO ETERNO. Aqui, no
capítulo 33, ele repete, explicando mais
amplamente, a profecia sobre um grande
rei, chamado “O RENOVO”, em quem a
promessa seria cumprida.
CAPÍTULO 34 – ZEDEQUIAS PROCLAMA 
LIBERDADE
Durante o assédio Zedequias
proclamou liberdade a todos os escravos,
evidentemente para ganhar o favor de
Deus, porém não tornou efetiva a
proclamação.
CAPÍTULO 35 – O EXEMPLO DOS RECABITAS
Os recabitas eram uma tribo que vinha
dos tempos de Moisés, I Cr 2.55; Nm 10.29-
32; Jz 1.16; II Rs 10.15,23, os quais, através
dos séculos observavam estritamente
uma vida simples e ascética. A obediência
desse povo foi contrastadacom a
desobediência de Judá.
CAPÍTULO 36 – O REI QUEIMA O LIVRO DE 
JEREMIAS
Jeremias por esse tempo, já fazia 23
anos que vinha profetizando, desde o 13º
ano de Josias ao 4º de Jeoaquim. Agora
recebe ordem de colecionar essas
profecias num livro, de modo a poderem
ser lidas ao povo, porquanto nesse tempo
o próprio Jeremias não gozava de
liberdade para falar-lhe, Jr 36.5. Levou um
ano ou mais escrevendo o livro, Jr 36.1,9.
sua leitura acusou profunda impressão em
alguns dos príncipes, porém o rei,
descarada e desafiadoramente, queimou o
livro. Jeremias teve de escrever tudo outra
vez.
CAPÍTULOS 37,38 – A PRISÃO DE JEREMIAS
Durante o cerco, quando os babilônios
se retiraram temporariamente por causa
da aproximação do exército egípcio,
Jeremias, provavelmente devido à
escassez de alimento em Jerusalém,
tentou deixar a cidade e ir para sua
residência em Anatote. Isto pareceu a seus
inimigos uma tentativa de se juntar aos
babilônicos, visto que aconselhara
insistentemente a rendição ao rei de
Babilônia. De sorte que, suspeitando-o de
ser traidor, a agir no interesse dos
babilônicos, foi preso. Zedequias revelou-
se favorável a Jeremias, mas era um rei
fraco.
CAPÍTULO 39 – JERUSALÉM É INCENDIADA
O fato vem narrado também no
capítulo 52 e em II Rs 25 e II Cr 36.
Nabucodonozor, sabendo da advertência
que de longa data Jeremias viera fazendo a
Jerusalém, para que se lhe submetesse,
agora se dispões a conferir ao profeta
qualquer honraria que ele queira aceitar,
até mesmo um lugar digno na corte
babilônica, Jr 39 11-14; 40.1-6.
CAPÍTULOS 40,41 – GEDALIAS É NOMEADO 
GOVERNADOR
Gedalias, a quem Nabucodonozor
nomeou governador de todos quantos
ficaram em Judá, era filho de Aicão,
poderoso amigo de Jeremias, Jr 40.5; 26.24.
Mas no espaço de 3 meses foi
assassinado, Jr 39.2; 41.1
CAPÍTULOS 42,43 – A PARTIDA PARA O EGITO
O remanescente do povo, temeroso de
um castigo de Nabuciodozor pelo
assassínio de Gedalias, fugiu para o Egito,
embora explicitamente avisado por Deus
de que isto significaria sua extinção.
Levaram Jeremias consigo.
Outrossim, sabe-se dos anais de
Nabucodonozor de que ele de fato invadiu
o Egito no seu 37º ano, isto é, em 568 a.C., 18
anos depois que Jeremias profetizou que
isto aconteceria, leia Jr 43.10. Três das
inscrições de Nabucodonozor foram
descobertas perto de Tafnes, identificado
mais tarde, à uns 16 kms a Oeste do Canal de
Suez.
CAPÍTULO 44 – O ÚLTIMO APELO DE JEREMIAS
Este último esforço para induzi-los a
abandonar sua idolatria e práticas
idolátricas falhou. Eram insolentes. A “rainha
dos céus”, Jr 44.17 era Astorete, de cujo culto
faziam parte atos imorais, com o
assentimento dos maridos, Jr 44.15,19.
O lugar e a maneira da morte de
Jeremias ninguém sabe. Diz uma tradição
que foi morto apedrejado pelos judeus no
Egito. Reza outra tradição que
Nabucodonozor o levou do Egito, com
Baruque, à Babilônia, onde faleceu.
CAPÍTULO 45 – BARUQUE É ADVERTIDO
Baruque, amanuense de Jeremias, era
irmão de Seraías, camareiro-mor do rei, Jr
51.59. Era homem proeminente e de altas
ambições, Jr 45.5. Agora no Egito, registra o
aviso de Deus, dado 18 anos antes, e a
promessa de que sobreviveria à invasão. Foi
reconhecido como de grande influência
junto a Jeremias, Jr 43.3
CAPÍTULO 46 – O EGITO
Descrição da derrota do exército
egípcio em Carquemis, em 605 a.C., no
período médio da vida de Jeremias, Jr 46.1-
12; e uma profecia posterior de que
Nabucodonozor invadiria o Egito, Jr 46.13-26,
que é um desenvolvimento de Jr 43.8-13.
Mais de 100 anos antes, Isaías profetizara
as invasões do Egito pelos assírios, Is 18-
20. Ezequiel teve também algo a dizer
sobre o Egito, Ez 19-32.
CAPÍTULO 47 – OS FILISTEUS
Esta profecia da assolação da Filístia
pela Babilônia foi cumprida quando
Nabucodonozor capturou Judá. Outros
profetas que se ocuparam dos filisteus
foram: Is 14.28-32; Am 1.6-8; Ez 25.15-17; Sf
2.4-7; Zc 9.1-7.
CAPÍTULO 48 – MOABE
É um quadro da assolação que pende
sobre Moabe. Este ajudou Nabucodonozor
contra Judá, porém mais adiante foi
devastado por ele em 582 a.C. Durante
séculos o país de Moabe tem permanecido
desolado e escassamente habitado,
testemunhando as ruínas das suas muitas
cidades à densidade demográfica de
outrora. Sua restauração, Jr 47, e a de
Amom, Jr 49.6, podem ter sido cumpridas
na sua absorção pela raça árabe em geral,
alguns de cujos representantes estavam
presentes no Pentecostes, quando as
bênçãos do evangelho foram primeiro
proclamadas ao mundo, At 2.11. Ou pode
significar que esse país ainda será
próspero. Outras profecias sobre Moabe
são: Is 15,16; Ez 25.8-11; Am 2.1-3; Sf 2.8-11.
CAPÍTULO 49 – AMOM, EDOM, SÍRIA, HAZOR, 
ELÃO
Predição de que Nabucodonozor
conquistaria estas nações, o que
aconteceu em 599 a.C. sobre Amom, leia Ez
25.1-11. sobre Edom, leia Obadias. Elão foi
conquistado por Nabucodonozor em 586
a.C.
CPÍTULOS 50, 51 – PREDIÇÃO DA QUEDA DE 
BABILÔNIA
A queda e assolação perpétua da
Babilônia são aqui preditas em
homenagem condizente com a magnitude
do tema, Jr 51.37-43, como Isaías fizera
antes, Is 13.17-22. Os medos, liderando
grande companhia de nações, são
nomeados como sendo os conquistadores,
Jr 50.9; 51.11, 27,28. Estes dois capítulos,
que anunciam a condenação da Babilônia,
foram copiados num livro separado que se
enviou a esse país por uma delegação
encabeçada pelo rei Zedequias, sete anos
antes que Nabucodonozor queimasse
Jerusalém, Jr 51.59-64. Daniel estivera em
Babilônia uns 15 anos, e já havia predito a
Nabucodonozor a queda do seu reino, Dn 2.
O livro era para ser lido publicamente e
depois, em cerimônia solene, submerso no
Eufrates com estas palavras, “Assim
afundará a Babilônia e não se levantará”.
CAPÍTULO 52 – UMA REPETIÇÃO DA 
NARRATIVA DA DERROTA DE JUDÁ.
LIÇÃO 3
O LIVRO DE 
LAMENTAÇÕES
AUTOR: Jeremias
DATA: Aproximadamente 586/585 a.C.
TEMA: Tristeza Presente e Esperança Futura
PALAVRAS-CHAVE: Dificuldades, Angústia, 
Pecado e Oração.
VERSÍCULO CHAVE: Lamentações 1.1
O jugo de ferro de que falara Jeremias, Jr 
28.14, estava agora sobre Judá.
Introdução
O Livro de Lamentações é o cântico
fúnebre sobre a desolação de Jerusalém. A
dor de Jeremias à vista da cidade pela qual
ele tudo fizera para a salvar, não que não
cresse que ela ainda se ergueria de suas
ruínas. Os capítulos 31 e 32 faz-nos lembrar o
lamento de Jesus sobre a mesma Jerusalém,
Mt 23.37,38; Lc 19.41-44. Jerusalém reergueu-
se, sim, e deu seu nome à capital de um
Mundo Remido de Glória Eterna, Hb 12.22; Ap
21.2.
APÊNDICE A JEREMIAS
O último capítulo de Jeremias, sobre o
incêndio de Jerusalém e o começo do
exílio babilônico, deve ser lido como
introdução a este livro. A Septuaginta
apresenta este prefácio: “E aconteceu que,
depois de Israel ter sido levado em
cativeiro e Jerusalém ter ficado devastada,
Jeremias sentou-se a chorar e proferiu
esta lamentação sobre ela, dizendo:”
Todavia, no Antigo Testamento
Hebraico este livro não segue o de
Jeremias, como é o caso em nossa Bíblia,
porém figura no grupo denominado
“Hagiógrafos” ou “Escritos”, que é
composto dos seguintes livros: Cantares,
Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester.
Estes figuravam em rolos separados,
porque eram lidos em festas diferentes.
Estas lamentações, até hoje, pelo mundo
inteiro, onde quer que haja judeus, são
lidas nas sinagogas, no dia 9 do 4º mês, Jr
52.6, em memória da destruição de
Jerusalém.
A GRUTA DE JEREMIAS
É o nome do lugar, um pouco fora do
muro setentrional de Jerusalém, onde,
segundo reza a tradição, Jeremias chorou
lágrimas amargas, e compôs esta
pesarosa elegia. (composição musical
sobre tema triste ou lutuoso) Essa gruta
fica sob o outeirinho que hoje se chama
“Gólgota”, a mesma colina onde foi
levantada a cruz de Jesus. Assim, o profeta
sofredor chorou onde mais tarde o
Salvador padecendo morreu.
UM ACRÓSTICO ALFABÉTICO
O livro consisteem cinco poemas,
quatro dos quais são acrósticos, isto é,
cada verso começa com uma letra do
alfabeto hebraico, na mesma ordem
alfabética. Era esta uma forma favorita de
poesia hebraica, usada para ajudar a
memória. Os nomes das letras do alfabeto
hebraico são: “Aleph, Beth, Gimel, Daleth,
Hê, Vav, Zayin, Heth, Teth, Yodh, Kaph,
Lamedh, Mem, Num, Sâmekh, Ayin, Pê,
Tsadhe, Qoph, Resh, Sin, Tav”. Em cada um
dos capítulos 1,2 e 4 há 22 versos, um para
cada letra. No capítulo 3 há 3 versos para
cada letra, perfazendo 66 ao todo. O
capítulo 5 tem 22 versos, porém não em
ordem alfabética.
O LIVRO RETRATAVA A SITUAÇÃO DO MOMENTO
O livro deve ter sido composto nos 3
meses entre o incêndio de Jerusalém e a
partida do remanescente para o Egito, Jr
39.2; 41.1,18; 43.7, tempo em que a sede do
governo esteve em Mispá, Jr 40.8, cerca de
9 km a N.O. de Jerusalém. Provavelmente
foi feita uma porção de cópias; algumas
levadas para o Egito, outras enviadas à
Babilônia, para que os cativos as
decorassem e cantassem.
CINCO ASPECTOS PRINCIPAIS CARACTERIZAM 
ESTE LIVRO.
1. Embora cânticos de lamento individual
ou comunitário ocorram nos Salmos e
livros proféticos, somente este livro da
Bíblia está composto exclusivamente de
poemas cheios de pesar.
2. Sua estrutura literária é inteiramente
poética, sendo que quatro das cinco
lamentações são acrósticas. Em
consonância com a estrutura poética do
livro, o quinto poema tem também vinte e
dois versículos.
3. Enquanto II Rs 25 e Jeremias 52
descrevem o evento histórico da
destruição de Jerusalém, somente este
livro retrata vividamente as emoções e
sentimentos daqueles que realmente
experimentaram a catástrofe.
4. No centro do livro há uma das mais
enérgicas declarações em toda a Bíblia
quanto a fidelidade e a salvação de Deus,
Lm 3.21-26. Embora Lamentações comecem
com um lamento, Lm 1.1,2, termina, de modo
apropriado, com uma nota de
arrependimento e esperança de
restauração, Lm 5.16-22.
5. Não há citações deste livro no Novo
Testamento; somente umas poucas
possíveis alusões, conforme inferimos dos
seguintes textos: Lm 1.15 com Ap 14.19; Lm
2.1 com Mt 5.35; Lm 3.30 com Mt 5.39; Lm
3.45 com I Co 4.13.
LAMENTO PELA AFLIÇÃO DE JERUSALÉM
1 - O lamento do autor, Lm 1.1-11
Jerusalém já fora rainha; agora era
escrava. Os estrangeiros haviam-lhe
roubado a riqueza, profanado o templo e
levado seu povo para o exílio. Abandonada
por seus aliados e não mais visitada por
peregrinos religiosos, era como uma viúva
inconsolável, chorando amargamente sua
perda. Por causa de seu pecado, Jerusalém
fora humilhada, como uma mulher
desonrada publicamente por algum
pecado sexual. Devido a sua melancolia
permanente, muitos anos depois, uma
moeda romana, que comemorava a
destruição dessa mesma cidade por Tiro
no ano 70 d.C., representa-a como mulher
assentada debaixo de uma palmeira e traz
a inscrição “Judaea capta”
2 - O lamento da cidade personificada, Lm
1.12-22
Jerusalém, personificada como
mulher, lamenta que o Senhor tivesse
derramado sua ira sobre ela. A cidade
reconhecia que seus pecados lhe haviam
causado a queda e que o Senhor havia
provocado sua derrota militar. Ela lamenta
que não tivesse quem a consolasse, pois
seus aliados haviam se voltado contra ela
e contra seu povo, e seguido para o exílio.
Desesperada, ela confessa seu pecado e
pedia ao Senhor que atentasse para sua
angústia. Vítima de humilhação e abuso
dos inimigos, rogava a Deus que se
vingasse deles.
LAMENTO PELO JULGAMENTO IRADO DO 
SENHOR, Lm 2.1-22
1 - A ira do Senhor em ação, Lm 2.1-10.
O Senhor atacou Jerusalém como se
fosse seu inimigo. Em vez de proteger a
cidade com sua destra poderosa, ele
voltou seu poder contra ela e sobre ela
derramou seu julgamento irado, como se
fosse fogo. Embora antes residisse na
cidade, ele abandonara seu templo e
permitira que os estrangeiros o
profanassem. Os muros da cidade foram
destruídos e os líderes escravizados,
deixando o restante da população
(representada aqui por velhos e virgens)
em profundo luto por causa de sua queda.
2 - O lamento do autor e seu chamado à
oração, Lm 2.11-19
O autor lamenta a triste condição das
criancinhas, que morriam de fome nos
braços das suas mães. Dirigindo-se à
cidade personificada, ele lamenta o
grande sofrimento da cidade e traz-lhe à
lembrança que as palavras dos seus falsos
profetas provaram-se inúteis. Por seu
decreto soberano, o Senhor havia
permitido que os inimigos de Jerusalém a
humilhassem. Concluindo, ele insta a que
o povo clame pela misericórdia de Deus.
3 - A Senhora Jerusalém lamenta a própria
destruição, Lm 2.20-22
Respondendo à exortação do autor, a
Jerusalém personificada roga ao Senhor que
atente para seu destino. As mulheres foram
forçadas a comer os próprios filhos para
sobreviver, os líderes religiosos tinham sido
mortos no templo do Senhor e as ruas
estavam repletas de cadáveres dos
habitantes da cidade. O Senhor havia
convidado os inimigos dela para atacá-la, e
ninguém escapara.
CONFIANÇA EM MEIO À DESGRAÇA, Lm 3.1-66
1 - Choro pelo sofrimento, Lm 3.1-20.
Falando como representante do povo
sofredor, o autor lamentava o tratamento
hostil dispensado por Deus à nação. Essa
hostilidade e seus efeitos comparam-se a
diversas experiências desagradáveis e
ameaçadoras, incluindo enfermidade
física, injúria e prisão numa cela escura. O
autor comparou a aflição de Judá com uma
viagem por um caminho tortuoso repleto
de obstáculos, com a mordida de
predadores ferozes, com o coração
traspassado por uma flecha, com o fato de
ser forçado a engolir comida amarga e ter
o rosto esfregado contra o chão.
Confiança na Fidelidade Divina, Lm 3.21-42
Apesar de sofrer o desfavor divino, o
autor mantinha a esperança. O amor, a
compaixão e a fidelidade de Deus haviam
poupado a nação da ruína total. O Senhor
por fim livraria aqueles que confiassem
nele, mesmo que precisassem suportar
sua disciplina por certo tempo. O Senhor é
soberano e decreta tanto a calamidade
como a bênção. O amor instou seus
compatriotas a reconhecerem seus
pecados e a se colocarem diante do
Senhor com espírito arrependido.
2 - Uma Oração por Vingança, Lm 3.43-66
Após descrever mais uma vez os
efeitos horríveis do julgamento do Senhor,
o autor orou pedindo vingança divina
contra os inimigos que tinham prazer em
ver a aflição do povo. Quando Judá fora
abandonada por Deus, esses inimigos
haviam insultado o povo de Deus e
cometido abusos contra ele. Confessando
que Deus havia interferido em seu favor no
passado, o autor pede que o Senhor
retribua a esses inimigos as suas
perversões e crueldades.
LAMENTO PELA QUEDA DE JERUSALÉM, 
Lm 4.1-22
1 - A Glória de Jerusalém Reduzida a cinzas,
Lm 4.1-20
A descrição da queda de Jerusalém
continua, com ênfase no contraste entre
sua condição anterior e sua presente
humilhação. Os filhos da cidade, antes
considerados preciosos como ouro, eram
agora tratados como simples potes de
barro. Quando choravam de fome e sede,
ninguém se compadecia deles. Os
príncipes, antes robustos, definhavam por
falta de comida. Mães famintas, antes
cheias de compaixão, chegavam a comer
os próprios filhos. Por causa de sua morte
lenta e dolorosa, o destino de Jerusalém
era ainda pior que o de Sodoma, que fora
destruída num instante. Muitos pensavam
que a cidade jamais cairia. Mas o Senhor
permitira que seus inimigos a invadissem
por causa dos pecados de seus líderes
religiosos injustos e corruptos. Enquanto
esperava em vão pelo socorro egípcio, os
inimigos do povo o dispersavam e até
prenderam seu rei.
2 - A Retribuição sobre Edom, Lm 4.21-22
Tendo descrito a conquista da cidade
pela nação, o autor pronunciou um alerta
para Edom, uma das nações que
participaram da queda de Jerusalém e se
beneficiaram com isso. Um dia, a situação
seria invertida. O tempo de dificuldades e
o exílio de Jerusalém terminaria, mas
Edom sofreriahumilhação nas mãos do
Senhor.
ORAÇÃO PELA RESTAURAÇÃO, Lm 5.1-22.
1 - Lamento pelas condições de Opressão,
Lm 5.1-18
Depois de pedir ao Senhor que
atentasse para a desgraça de seu povo, o
autor descreveu seu destino com detalhes
para instigar uma resposta misericordiosa
de Deus. Os estrangeiros agora
controlavam a terra prometida, enquanto o
povo de Deus estava empobrecido e
desolado à semelhança de órfãos e viúvas.
O povo fora privado do que necessitava
para viver e sofria atrocidades e opressão
terríveis. Seu pecado havia transformado a
alegria em dor e reduzira Jerusalém a um
monte de ruínas.
2 - Um Último Pedido, Lm 5.19-22
Numa última demonstração de
energia, o autor louva a Deus como o Rei
Eterno, pergunta por quanto tempo o povo
teria de sofrer rejeição e ora para que
Deus restaure e renove o relacionamento
com seu povo.
LIÇÃO 4
O LIVRO DE 
EZEQUIEL
Introdução
O contexto histórico do livro de Ezequiel é
a Babilônia durante os primeiros anos de
exílio babilônico (593-571 a.C.).
Nabucodonozor levou cativos os judeus de
Jerusalém para Babilônia em três etapas:
1. Em 605 a.C., jovens judeus escolhidos
foram deportados para Babilônia, entre
eles Daniel e seus três amigos.
2. Em 597 a.C., 10.000 cativos foram levados
à Babilônia, estando Ezequiel entre eles.
3. Em 586 a.C., as forças de Nabucodonozor
destruíram totalmente a cidade e o templo,
e a maioria dos sobreviventes foram
transportados para Babilônia. O ministério
profético de Ezequiel ocorreu durante a
hora mais tenebrosa da história do Antigo
Testamento: Os sete anos que precederam
a destruição em 586 a.C. (593 -586 a.C.), e
os quinze anos seguintes (586-571 a.C.). O
livro provavelmente completou-se cerca
de 570 a.C. Ezequiel, cujo nome significa
“Deus fortalece”, era de família sacerdotal,
Ez 1.3. Ele passou os primeiros 25 anos de
sua vida em Jerusalém, naturalmente se
preparando para o ofício sacerdotal no
templo, quando foi levado cativo para
Babilônia em 597 a.C. Cerca de cinco anos
mais tarde, Ez 1.2,3, Ezequiel recebeu sua
chamada profética da parte de Deus, e a
partir daí ministrou fielmente durante pelo
menos vinte e dois anos.
EZEQUIEL E DANIEL
Daniel fazia 9 anos que estava na
Babilônia, quando Ezequiel chegou, e já
havia alcançado grande fama, Ez 14.14-20.
Daniel no Palácio e Ezequiel no campo.
EZEQUIEL E JEREMIAS
Ambos eram sacerdotes, sendo
Jeremias mais velho. Ezequiel pode ter
sido seu discípulo. Ezequiel pregava entre
os exilados o mesmo que Jeremias
anunciava em Jerusalém: O castigo de Judá
EZEQUIEL E JOÃO
Algumas das visões de Ezequiel
parecem estender-se ao livro de
Apocalipse: Os querubins, Ez 1, Ap 4; Gogue
e Magogue, Ez 38, Ap 20; a ordem de comer
o livro, Ez 3, Ap 10; a Nova Jerusalém, Ez 40-
48, Ap 21; o rio de água da Vida, Ez 47, Ap 22.
„Saberão Que Eu Sou o Senhor‟
É uma nota predominante no livro,
aparece 62 vezes, em 27 dos 48 capítulos. A
missão de Ezequiel parece ter sido
explicar e justificar a ação divina em
causar ou permitir o cativeiro de Israel,
que foi devido às indizíveis abominações
de que esse povo se fez culpado; as
mesmas abominações que levaram outros
povos a serem riscados do mapa. Quanto,
porém, a Israel foi uma punição. Por esse
castigo chegaria a saber que o Senhor é
Deus. O que aconteceu de fato. O cativeiro
babilônico curou-os da idolatria. Até
àquele tempo queriam ser idólatras,
custasse o que custasse. Daquela época
até hoje, os judeus podem ter sido
culpados de outros pecados, menos do
pecado de idolatria.
A CRONOLOGIA DO LIVRO DE EZEQUIEL
O pivô central do livro é a destruição
de Jerusalém, ocorrida em 587 a.C. Suas
profecias começaram 6 anos antes disso,
e continuaram por 16 anos depois,
abrangendo em período de 22 anos. Até à
queda de Jerusalém, Ezequiel de um ou
outro modo, e sem cessar, predizia a
certeza do fato, Ez 1-24. Depois, suas
profecias trataram de derrocada das
nações pagãs vizinhas, Ez 25-32, e do
restabelecimento e futuro glorioso de
Israel, Ez 33-48.
suas visões, com pequenas exceções,
apresentam-se em seqüência cronológica.
Contam-se os anos a partir do cativeiro de
Joaquim, que se deus em 597 a.C. Pensa-se
que o 30º ano de Ez 1.1, equivalente ao 5º
anos do cativeiro de Joaquim, Ez 1.2, foi o
30º ano da vida de Ezequiel (idade em que
os levitas começavam a ministrar, Nm 4.3;
Jesus e João Batista começaram seus
ministérios aos 30 anos). Ou pode ter sido
o 30º ano do calendário babilônico,
contando-se da independência da
Babilônia de sob o poder da Assíria,
conquistada por Nabopolassar em 626 a.C.
ESBOÇO DO LIVRO
TÓPICO TEMA CAPÍTULO
I O Julgamento de 
Judá
Ez 1.1 a 
24.27
II O Julgamento das 
nações vizinhas
Ez 25.1 a 
32.32
III A Restauração de 
Israel
Ez 33.1 a 
48.35
O JULGAMENTO DE JUDÁ PECADOR, Ez 1.1-24.27.
O Chamado de Ezequiel, Ez 1.1-3.27
O Que Ezequiel Viu?
O profeta viu uma nuvem de
tempestade vindo do norte. Em meio à
tempestade, apareceram quatro criaturas
voando de um lado para o outro dentro
daquela luz resplandecente. Cada uma
combinava características humanas e
animais, pois cada uma tinha quatro rostos;
de homem, de boi, de leão e de águia.
O aspecto das criaturas era como carvão
em brasa, à semelhança de tochas, e,
ziguezagueavam à semelhança de
relâmpagos. Acompanhando cada criatura
em todos os seus movimentos havia uma
grande roda cujo centro era cheio de
olhos. Uma plataforma brilhante estendia
as asas acima das criaturas, fazendo um
barulho ensurdecedor ao se mover. Acima
da plataforma havia um trono feito de
pedras preciosas. Uma figura humana,
chamejante como fogo e cercada de
esplendor radiante, sentava-se no trono.
Percebendo que via uma representação da
glória de Deus, Ezequiel caiu com o rosto
em terra
EXPLICAÇÃO DA VISÃO
Inicialmente a visão parece algo
confuso e misterioso, mas a sua
importante mensagem será esclarecida à
medida em que a estudarmos em
profundidade. Para entendermos a visão, é
necessário compreendermos o
significado das palavras “semelhança” ou
“parecido com”, que são usadas 15 vezes
neste capítulo. A visão é na verdade uma
representação simbólica do mundo
espiritual invisível. De maneira que o
significado não se restringe aos objetos
visíveis; mas no significado espiritual que
eles representam. Por exemplo, a nuvem
tempestuosa representa a vinda do
julgamento divino sobre Jerusalém. Note
que assim como a nuvem veio do Norte, o
exército de Babilônia igualmente
procedeu do Norte.
Deus, pessoalmente, estava
entronizado no centro, diretamente acima
da nuvem de juízo. Ele é aqui retratado num
trono com rodas, cercado de servos que o
atendiam no que desejasse. O símbolo do
trono com rodas serve para demonstrar a
universalidade de Deus. Sua presença e
seu poder não estavam limitados ao
templo em Jerusalém. Ezequiel usou a
visão do trono divino para assegurar aos
judeus cativos, que Deus permaneceria
com eles até mesmo no cativeiro, e que
estava sempre no controle soberano de
todos os eventos que acontecessem em
suas vidas.
O vasto espaço azul entre Deus e suas
criaturas, representa a santidade de Deus.
Sua presença como a de um fogo ardente
representa sua justiça, enquanto que o
arco representa sua misericórdia e
fidelidade para com aqueles que o amam.
As rodas gigantescas simbolizam as
atributos da onisciência de Deus (os olhos
nos aros das rodas) e sua onipresença
(rodas dentro das rodas). Nenhuma pessoa
ou lugar está escondido da vista de Deus, ou
pode escapar da sua presença.
Os quatro seres junto ao trono possuem
uma aparência radiante porque refletem a
glória daquele a quem eles servem.
Eles são identificados com os querubins
que ornamentavam o tabernáculo, dos
quais é feita referência no livro de
Apocalipse, Ez 10.15,20; Ap 4.6-8. Suas
características de inteligência, atitudes
de servo, poder e natureza celestial são
representadas nas faces: Do homem, doboi, do leão e da águia. Esses seres que
tinham mãos para servir e asas para
mobilidade, moviam-se no impulso das
ordens de Deus.
A aparência de fogo resplandecente sobre
a nuvem, e os relâmpagos que dela saíam,
falam do julgamento divino prestes a cair.
O propósito desta visão foi o de
ensinar Ezequiel a importante verdade de
que o julgamento divino sobre Israel era
iminente e inevitável, mas Deus, que
estava sentado sobre o trono, acima de
tudo, estava no soberano controle de cada
detalhe de cada evento que ocorreu na
vida dos judeus. Deus é um Deus universal
que nunca abandona o seu povo, nem se
esquece de suas promessas para com
eles. Deus exerce o soberano controle
sobre todos os eventos de nossa vida; em
qualquer situação, devemos lembrar, que
acima de tudo, Deus continua no seu alto e
sublime trono. Aleluia!
A MISSÃO DE EZEQUIEL, Ez 2.1-3.27
O Senhor levantou Ezequiel e o
convocou como mensageiro para o Israel
rebelde. Ele encorajou o profeta para que
não temesse, mesmo diante de
hostilidades ou perigos intensos. Ezequiel
devia proclamar a palavra do Senhor,
quaisquer que fossem as reações. Para
simbolizar sua convocação, o Senhor
instruiu Ezequiel a comer um rolo que
continha palavras de lamentação e
julgamento. Ele prometeu dar a Ezequiel a
determinação, a perseverança e a firmeza
de que ele precisaria para enfrentar seus
ouvintes obstinados.
Depois desse encontro com o Senhor,
o Espírito divino conduziu Ezequiel à
comunidade exilada em Tel-Abibe na
Babilônia, onde se assentou em silêncio
perplexo por uma semana. O Senhor então
o convocou para servir como sentinela
responsável por alertar seus ouvintes
quanto ao julgamento divino iminente.
Ezequiel devia avisar tanto os perversos
como os justos que fossem tentados a
recuar.
Caso o profeta falhasse na tarefa, o
sangue deles recairia sobre a sua cabeça,
Ez 3.18-21.
Assim que a sua missão foi anunciada,
impuseram-se pesadas restrições a ela.
Ezequiel não teria a liberdade de
proclamar mensagens de alerta como e
quando quisesse. O Senhor o instruiu a
entrar em sua casa, onde permaneceria
confinado e impossibilitado de falar. Ele
poderia sair ou falar apenas quando o
Senhor o orientasse especificamente
nesse sentido. Essas restrições seriam
uma lição concreta para o povo de Deus,
com o intuito de ensinar que a rebeldia
tornava cada vez mais difícil Deus
comunicar-se com o povo, Ez 3.24-27.
LIÇÕES CONCRETAS DE JULGAMENTO, 
Ez 4.1-5.17.
A dramatização do cerco de Jerusalém, Ez
4.1-17
O Senhor instruiu Ezequiel para que
desenhasse Jerusalém numa placa de
argila (ou talvez um tijolo) e representasse
em miniatura um cerco completo à cidade,
com rampas de cerco, acampamentos
inimigos e aríetes (antiga máquina de
guerra). O profeta também devia colocar
uma panela de ferro entre si e a cidade.
Este ato talvez ilustrasse a natureza
inviolável do cerco ou representasse a
barreira entre Deus e seu povo pecador.
O Senhor também instruiu o profeta a
levar simbolicamente o pecado (ou talvez
punição) de Israel. Ele devia deitar-se
sobre o lado esquerdo por 390 dias,
correspondentes aos anos do pecado (ou
punição?) do reino do Norte. Ezequiel 4.9-17
descreve o profeta realizando várias
atividades, e isso indica que às vezes ele
se levantava, saindo daquela posição
simbólica). Não se sabe ao certo se aquilo
simbolizava épocas de pecados no
passado ou de punições futuras.
O significado dos números 390 e 40
também é incerto.
Por ordens do Senhor, Ezequiel fez
pães com vários grãos e os guardou num
jarro. Durante o período de 390 dias, Ez 4.5,
9-12, ele devia comer uma porção diária de
228 gramas de pão, complementada por
meio litro de água. Essa dieta restrita
simbolizaria o racionamento de comida
que seria necessário durante o cerco
iminente de Jerusalém.
O Senhor também disse a Ezequiel que
assasse o pão sobre fogo obtido pela
queima de excremento humano. Ainda que
a lei do Antigo testamento não o proibia
especificamente, Dt 23.12-14 dá a entender
que isso era considerado impuro. O ato de
Ezequiel prenunciava o destino dos
exilados, forçados a ingerir alimentos em
terra estrangeira impura. Quando Ezequiel
objetou que sempre se mantivera
cerimonialmente puro, o Senhor permitiu
que ele empregasse esterco de vaca como
combustível.
O CABELO DE EZEQUIEL, Ez 5.1-17
O Senhor também disse a Ezequiel que
raspasse todo o cabelo da cabeça e os
pelos da face e dividisse os fios em três
partes iguais. Ele devia queimar um terço,
cortar o outro terço com a espada e lançar
o terço restante ao vento. Esses atos
simbolizavam a destruição iminente de
Jerusalém e o exílio dos seus habitantes.
Ao mesmo tempo, Ezequiel devia preservar
alguns fios de cabelo nas orlas da própria
roupa, simbolizando o remanescente que
sobreviveria ao julgamento. Entretanto,
para mostrar a severidade e a extensão do
julgamento divino, ele devia jogar alguns
desses fios no fogo.
O pecado de Jerusalém seria a causa
de sua queda. Apesar de sua condição
privilegiada, o povo de Deus havia se
rebelado contra os mandamentos do
Senhor e profanado o templo com ídolos. O
julgamento divino seria tão severo, que o
povo faminto chegaria a comer os
membros da própria família. Dois terços da
população da cidade pereceriam pela
fome e pela espada, enquanto outro terço
seguiria para o exílio. As nações vizinhas
tratariam Jerusalém como objeto de
zombaria.
PROFECIAS DE JULGAMENTO IMINENTE, 
Ez 6.1-7.27
O Julgamento dos Lugares Altos, Ez 6.1-14
Em toda a terra, o povo havia erigido
altares para cultuar deuses pagãos. O
Senhor estava para destruir esses altares
e encher os santuários pagãos com
cadáveres e ossos daqueles que ali
cultuavam. De norte a sul, a terra seria
devastada. Entretanto, o Senhor
preservaria um remanescente e o
espalharia entre as nações. Esses
sobreviventes um dia reconheceriam a
soberania do Senhor e confessariam o seu
próprio pecado de idolatria.
O DIA DO SENHOR, Ez 7.1-27
Chegara o dia do julgamento de Judá.
Não haveria atraso, pois os atos
sangrentos arrogantes e violentos da
nação exigiam punição. O Senhor daria
paga aos pecados de seu povo e não teria
misericórdia para com ele. Seu julgamento
seria completo e inevitável. A praga e a
fome matariam os que estivessem dentro
de Jerusalém, enquanto espadas inimigas
assassinariam os que vivessem nos campos
ao redor. Aterrorizados, os poucos
sobreviventes fugiriam para as montanhas e
lamentariam o seu próprio destino.
Descartariam a prata e o ouro, tendo
consciência de que isso não os salvaria. O
inimigo saquearia suas riquezas e profanaria
o templo. Nem mesmo os líderes religiosos e
civis da nação, incluindo o próprio rei,
seriam capazes de evitar esse dia de
julgamento.
A GLÓRIA DE DEUS AFASTA-SE DO TEMPLO 
CORROMPIDO, Ez 8.1-11.25.
A Idolatria no Templo, Ez 8.1-18.
Enquanto estava assentado em sua casa
com alguns anciãos exilados de Judá,
Ezequiel teve uma experiência
surpreendente. Transportado numa visão ao
templo de Jerusalém, ele viu um ídolo junto à
porta setentrional do pátio interno. Também
estava presente a glória do Senhor, que ele
presenciara duas vezes antes.
Entrando no pátio por um buraco no
muro, Ezequiel viu setenta anciãos da terra
oferecendo incenso às imagens de
animais impuros desenhados nos muros.
Cada um daqueles anciãos também
cultuava um ídolo particular em segredo,
pensando que seus atos ficavam ocultos
ao Senhor. Voltando á porta norte, Ezequiel
viu mulheres chorando por Tamuz, deus
mesopotâmico da fertilidade que se
supunha ter sido confinado no submundo.
Voltando para o pátio interno, ele observou
vinte e cinco homens cultuando o sol bem
na entrada do templo. Tal flagrante
desrespeito pelo Senhor exigia punição.
A GLÓRIA DO SENHOR SE VAI, Ez 9.1-11.25
Os capítulos 9 a 11 descrevem o
afastamento paulatino da glória de Deus
do templo corrompido. O Senhor convocouseis executores e um escriba. O Senhor
instruiu o escriba a colocar uma marca na
fronte de cada pessoa fiel na cidade. Ele
então encarregou os executores de matar
impiedosamente todos os que não
portassem essa marca, a começar pelos
limites do templo. Quando Ezequiel
expressou sua preocupação de que toda a
nação fosse exterminada, o Senhor
lembrou a ele que o julgamento era bem
merecido. A terra estava cheia de sangue e
injustiça, e o povo havia perdido a fé no
Senhor.
Quando o escriba retornou de sua
tarefa de marcar os justos, o Senhor lhe
disse que juntasse brasas dentre as rodas
de seu carro flamejante e as espalhasse
sobre a cidade num ato de julgamento
purificador. Mais uma vez, o veículo que
leva o trono do Senhor é descrito em
detalhes, Ez 10.9-14, e as criaturas do
capítulo 1 agora são chamadas
especificamente de querubins. Na visão
anterior, uma roda seguia cada querubim
em seus movimentos. A glória do Senhor,
que antes deixara o trono acima dos
querubins e se movia para a entrada do
templo, agora voltava a subir no carro dos
querubins. Os querubins se elevaram e
pararam sobre a porta oriental do templo.
Na porta abaixo, havia vinte e cinco
homens, incluindo Jaazanias e Pelatias,
dois líderes do povo que davam maus
conselhos aos habitantes da cidade e lhes
garantiam que não sofreriam nenhum
dano, Ez 11.1,2. Eles se comparavam à carne
numa panela que permanecia intocada
pelas chamas embaixo dela. O Senhor
disse a Ezequiel que profetizasse contra
eles. O Senhor traria contra eles a espada
e os conduziria para fora da cidade, para o
exílio.
Enquanto Ezequiel proclamava a
mensagem, Pelatias morreu. De novo,
Ezequiel expressou a preocupação de que
o remanescente do povo fosse destruído,
Ez 11.13; 9.8.
O Senhor garantiu a seu profeta que ele
não abandonara de todo ao seu povo. Ele
estava preservando um remanescente
entre os exilados e um dia o levaria de
volta à terra. Essa comunidade restaurada
rejeitaria os deuses-ídolos e cultuaria o
Senhor com verdadeira devoção.
Depois dessa palavra de garantia, o
carro que levava a glória do Senhor
elevou-se da cidade e parou no Monte das
Oliveiras, a leste da cidade, Ez 11.23.
O Senhor abandonara sua morada
escolhida, deixando-a desprotegida e
vulnerável à invasão. Nesse momento,
terminou a visão de Ezequiel, e ele a
relatou a seus companheiros exilados.
LIÇÕES CONCRETAS DO EXÍLIO, Ez 12.1-28
Ezequiel prepara sua bagagem, Ez 12.1-16.
O Senhor instruiu Ezequiel a juntar
seus pertences e depois, na presença de
seus companheiros exilados, cavar um
buraco na parede da própria casa à noite e
fingir estar fugindo. Ele devia carregar
seus pertences sobre os ombros e cobrir a
face. Ao fazê-lo, estaria encenando o
destino de Zedequias, rei de Judá. Poucos
anos mais tarde, quando a conquista
babilônica de Jerusalém tornou-se
inevitável, Zedequias arrumaria seus
objetos pessoais e fugiria da cidade à
noite. Os babilônicos o capturariam,
vazariam seus olhos e o levariam para o
exílio.
EZEQUIEL TREME ENQUANTO COME, Ez 12.17-20.
A seguir, o Senhor instruiu Ezequiel a
tremer violentamente enquanto comia e
bebia. Fazendo isso, estava representando
o destino dos habitantes de Judá e
Jerusalém. Quando os babilônicos
devastassem a cidade, a ansiedade e o
desespero os dominaria de tal maneira,
que não seriam capazes nem de saborear
uma refeição.
CORRIGIDAS AS PERCEPÇÕES ENGANOSAS DAS 
PROFECIAS, Ez 12.21-28
Os israelitas tinham um ditado:
“Prolongue-se o tempo, e não se cumpra a
profecia”, Ez 12.22. O provérbio parece
refletir seu ceticismo a respeito das
mensagens dos profetas do Senhor. O
Senhor anunciou que o ditado devia ser
trocado por: “Os dias estão próximos e o
cumprimento de toda profecia”, Ez 12.23,
pois ele estava para cumprir seus decretos.
Alguns também pressupunham
erroneamente que a mensagem profética
de Ezequiel pertencia a um futuro distante,
sendo-lhes, portanto, impertinente. O
Senhor anunciou que suas profecias
seriam cumpridas de imediato.
A DENÚNCIA DA FALSA PROFECIA, Ez 13.1-23
Havia em Israel muitos falsos profetas
que alegavam ser porta-vozes do Senhor e
garantiam às pessoas que tudo terminaria
bem. Eles eram como os que se põem a
caiar um muro frágil para esconder seus
defeitos. O Senhor exterminaria da
comunidade da aliança esses impostores.
Seu julgamento chegaria como uma chuva
torrencial, um vento violento e um granizo
destrutivo que arremessariam ao chão os
muros caiados.
O Senhor também denunciou as falsas
profetisas que desviavam o povo com
mensagens mentirosas obtidas por
adivinhação. (Alguns interpretam a cevada
e o pão de Ez 13.19, como o pagamento
delas, mas é mais provável que os
elementos mencionados fossem usados
como parte de seus rituais). Suas
atividades tinham o efeito de debilitar os
retos, e esses adivinhos na realidade
incentivavam os perversos a continuar em
seus maus caminhos. O Senhor os exporia
como fraudes e livraria seu povo da
influência negativa deles.
A DENÚNCIA CONTRA OS LÍDERES IDÓLATRAS, Ez 
14.1-11.
O Senhor denunciou por idolatria vários
dos anciãos que viviam no exílio. Mesmo que
buscassem um oráculo divino pronunciado
por Ezequiel, abrigavam no coração um
espírito idólatra. O Senhor responderia
diretamente a tais indivíduos, eliminando-os
da comunidade de aliança. Qualquer profeta
que ousasse apresentar um oráculo a tais
hipócritas seria punido com severidade.
A DESTRUIÇÃO CERTA DE JERUSALÉM, 
Ez 14.12-23
A presença de um remanescente justo
em Jerusalém não impediria a destruição
da cidade. Os indivíduos podiam ser
livrados, mas a ruína da cidade era certa.
Para dar ênfase a esse ponto, o Senhor
declarou que mesmo que Noé, Daniel e Jó,
três indivíduos aclamados pela retidão,
residissem na cidade, ela não seria
poupada. Esses homens escapariam, mas
não conseguiriam salvar ninguém, nem
mesmo os próprios filhos. (A presença de
Daniel nesse trio é problemática. A forma
hebraica do nome é escrita de maneira
distinta da que aparece no livro de Daniel.
Além disso, Daniel era contemporâneo de
Ezequiel, enquanto Noé e Jó eram
personagens da antigüidade. Alguns
entendem que se tem em vista Daniel, um
governante justo que aparece num conto
cananeu datado do segundo milênio a.C.
Nesse caso, todos os três exemplos
seriam de não israelitas que viveram
muito antes da época de Ezequiel. Outros,
porém, fazem objeção a essa identificação,
alegando que o Antigo Testamento não
menciona essa figura lendária em nenhum
outro trecho e que o Senhor não
empregaria um adorador de deuses
cananeus como modelo de retidão.)
Homens e animais seriam destruídos
pelo julgamento divino, o que viria em
forma de espada, fome, animais selvagens
e praga. Além de preservar todos os
indivíduos justos deixados na cidade, o
Senhor também permitiria que uns poucos
perversos sobrevivessem e se juntassem
aos exilados na Babilônia. Quando Ezequiel
testemunhasse o grau do pecado deles,
então saberia por experiência própria que
o julgamento divino da cidade fora
necessário e perfeitamente justo.
ILUSTRAÇÕES DO PECADO E DO JULGAMENTO 
DE ISRAEL, Ez 15.1-17.24
Jerusalém, a Videira Inútil, Ez 15.1-8.
O Senhor extraiu uma lição da videira
silvestre, inútil para fins de construção.
Como de costume, ela é usada como
combustível. Uma vez queimada, seu
estado carbonizado torna-a ainda mais
imprestável. Também se pode deixá-la no
fogo até ser consumida por completo.
Jerusalém era comparável a tal videira. O
Senhor já a havia sujeitado a seu
julgamento de fogo. Como a videira
carbonizada, ela não seria totalmente
consumida.
Jerusalém, a Esposa Infiel, Ez 16.1-63.
O Senhor valeu-se de uma alegoria
para ilustrar a ingratidão e a infidelidade
dos cidadãos de Jerusalém. Em sua origem,
Jerusalém era uma cidade cananéia,
habitada por amorreus e hititas. Ela era
como um bebê não desejado, jogado num
campo e deixado à morte por abandono.Contudo, o Senhor preservou a vida da
criança. Mais tarde, depois que cresceu,
transformando-se numa jovem bela e
madura, o Senhor firmou uma aliança de
casamento com ela. Ele a vestiu com belas
roupas, deu-lhe alimento e a transformou
numa rainha. A fama dela correu as
nações. Embriagada com sua riqueza e
posição, Jerusalém voltou-se para outros
deuses e nações.
Construiu santuários pagãos, sacrificou
seus próprios filhos aos ídolos e firmou
alianças com as nações vizinhas. Ela se
tornou pior que uma prostituta. Em vez de
receber pagamento dos amantes, ela pagava
a eles.
O Senhor a puniria com severidade pela
ingratidão e pela infidelidade. Ele a exporia
publicamente e a executaria. As próprias
nações com as quais ela havia firmado
aliança voltar-se-iam contra ela e a
destruiriam.
Desenvolvendo ainda mais a alegoria,
o Senhor destacou que Jerusalém não era
diferente de sua mãe e irmãs, infiéis a
seus maridos e filhos. Como os cananeus
que residiam na cidade em dias antigos, os
habitantes de Jerusalém sacrificavam os
filhos e as filhas a deuses pagãos.
Jerusalém, a exemplo dos povos de
Samaria e de Sodoma, vistos aqui como
suas irmãs, negligenciava a justiça e fazia
coisas abomináveis aos olhos de Deus.
Os pecados de Jerusalém chegavam a
exceder os de Samaria e Sodoma.
Ainda que fosse humilhada por causa
de seus pecados, o Senhor um dia
restauraria a cidade. O Senhor renovaria
sua aliança com ela e faria expiação de
seus pecados.
Uma Parábola Sobre Duas águias, Ez 17.1-24.
O Senhor usou outra parábola a fim de
ilustrar verdades acerca de Jerusalém.
Uma águia vigorosa chegou ao Líbano,
quebrou o topo de um cedro, transportou-o
para uma cidade de mercadores e ali o
plantou. Essa águia também levou algumas
sementes da terra de Israel e as plantou
num solo fértil, onde cresceram, formando
uma videira com ramos cheios de folhas.
Mas quando se aproximou outra águia
vigorosa, as raízes e os ramos da videira
cresceram em direção a ela. O Senhor
anunciou então que a videira seria
destruída pelo vento oriental.
De acordo com a interpretação da
parábola, conforme Ez 17.11-18, a primeira
águia representa Nabucodonozor, que
levou para Babilônia o rei de Jerusalém e
alguns nobres. Faz-se referência à
deportação de Joaquim e de outros em 597
a.C., leia II Rs 24.8-16. O plantio da vinha
representa a preservação de um
remanescente em Judá, encabeçado por
Zedequias, a quem Nabucodonozor
nomeou seu rei vassalo.
A segunda águia simboliza o Egito, de
quem Judá buscou auxílio quando decidiu
rebelar-se contra os babilônicos. A
destruição da videira indica o fim de Judá,
que os babilônicos puniriam com
severidade por causa da rebelião.
Entretanto, o futuro não era
inteiramente sombrio. O Senhor quebraria
um ramo do topo de um cedro e o plantaria
num monte alto, onde cresceria até se
transformar numa árvore grande e frutífera.
Já que o ramo de cedro antes simbolizava o
rei exilado, compare Ez 17.3,4 com 17.12; é
provável que o ramo aqui mencionado
refira-se ao futuro rei a quem o Senhor
estabeleceria em Jerusalém .
A RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL, Ez 18.1-32.
O povo de Deus citava um provérbio
que dava a entender que estava sofrendo
injustamente pelos pecados de gerações
anteriores. O Senhor corrigiu-lhe o
pensamento falho.
Deus sempre preserva os justos e se opõe
aos perversos, sem levar em conta a
condição moral de seus ancestrais.
Para ilustrar seu pensamento, o
Senhor descreveu um homem reto
imaginário que repudia a idolatria, o
adultério e a injustiça. Tal homem pode ter
a certeza da proteção divina. Contudo, se
ele tiver um filho idólatra, adúltero e
injusto, esse filho mau será destruído,
apesar da justiça do pai.
Na seqüência, se esse homem perverso
tiver um filho justo, esse filho não será
considerado responsável pelos atos
malignos do pai. Antes, como seu avô, sua
vida será preservada pelo Senhor. Cada um
é julgado com base em seus feitos, não
nos atos dos pais.
A lição para os israelitas era óbvia. Se
estavam sofrendo julgamento divino, isso
significava necessariamente que eles, a
exemplo dos pais, eram maus.
Em vez de reclamar de que Deus era
injusto, precisavam arrepender-se e
deixar seus caminhos perversos, pois
Deus desejava que vivessem e não
morressem.
UM LAMENTO PELOS PRÍNCIPES DE ISRAEL, 
Ez 19.1-14.
O profeta ofereceu pelos príncipes de
Israel um lamento que, à semelhança das
mensagens anteriores, contém alguns
elementos de parábola.
A mãe dos príncipes (provavelmente a
nação de Judá ou a cidade de Jerusalém, Ez
19.10-14, é comparada a uma leoa que criou
vários filhotes. Um deles cresceu e se
tornou um leão forte que estraçalhava
pessoas, mas por fim foi capturado e
levado ao Egito. A referência é ao injusto
Jeoacaz, levado cativo pelos egípcios em
609 a.C., II Rs 23.31-34. Outro filhote
cresceu forte e levou terror à terra; mas
caiu numa armadilha, foi colocado numa
gaiola e levado para Babilônia. Aqui se faz
referência ou a Joaquim ou a Zedequias,
ambos levados ao exílio, II Rs 24.8-25.7.
Mudando de figura, o Senhor compara a
mãe dos príncipes a uma videira frutífera,
que ele destrói em sua fúria e replanta
num deserto. Tem-se em vista a queda e o
exílio da nação ou da cidade de Jerusalém.
A REBELDIA DO PASSADO E DO PRESENTE DE 
ISRAEL, Ez 20.1-44
Quando alguns anciãos no exílio
chegaram para questionar o Senhor, este
se recusou a responder-lhes. Em lugar
disso, Deus disse a Ezequias que
repassasse a história rebelde da nação.
Desde de bem cedo, quando o Senhor
confrontou-se com seu povo no Egito, eles
resistiram à sua vontade, apegando-se aos
ídolos. Depois que Deus os livrou da
servidão e lhes deu a lei, eles se
rebelaram no deserto. Apesar de o Senhor
ter proibido aquela geração de entrar na
terra prometida, ele preservou seus filhos
e os advertiu a não seguir nos passos dos
pais. Entretanto, os filhos, ainda no
deserto, pecaram contra o Senhor. Quando
finalmente Deus os estabeleceu na terra,
eles adoraram deuses cananeus em
santuários pagãos. Os idólatras do tempo
de Ezequiel não eram diferentes. Por
conseguinte, o Senhor os purificaria por
meio do julgamento e exílio. Depois de
retirar os adoradores de ídolos, ele
restauraria a nação na terra. O povo então
repudiaria o comportamento anterior e
adoraria o Senhor em pureza.
O FOGO E A ESPADA DO SENHOR, 
Ez 20.45-21.32
O julgamento recairia sobre Judá
como um incêndio devorador na floresta.
Ao levar os babilônicos em direção à terra,
o Senhor brandiria sua espada afiada e
polida. Brilhando como um relâmpago,
essa espada levaria destruição por toda a
terra. Em seu caminho para a Palestina,
Nabucodonozor chegaria a uma
encruzilhada no caminho, onde uma via
levava a Jerusalém e a outra a Rabá,
proeminente cidade amonita. Para
determinar sua seqüência de ações, ele
usaria vários métodos de adivinhação,
inclusive tirando flechas marcadas da
aljava, consultando seus ídolos e
examinando fígados. O Senhor faria com
que todos os indicadores apontassem
para Jerusalém. Nabucodonozor sitiaria e
conquistaria a cidade e levaria seu povo
ao exílio. Enquanto isso, os amonitas, ainda
que arrogantes e hostis, não deveriam
pensar que seriam poupados. A espada de
julgamento do Senhor também recairia
sobre eles, conforme 25.1-7.
JERUSALÉM, UMA CIDADE SANGÜINÁRIA, 
Ez 22.1-31
A corrupção dentro de Jerusalém
tornara seu julgamento inevitável. Aqui se
mencionam alguns pecados específicos,
inclusive a idolatria, o abuso de poder, a
falta de respeito para com os pais, a
negligência para com viúvas e órfãos, a
profanação do sábado, o incesto, o
suborno e a usura. A violência tomava
conta da cidade. Em todo o capítulo há
referência ao derramamento de sangue
inocente, Ez 22.3,4,6,9,12,13,27. Os príncipes
e oficiais civis assumiam a liderança
nesse sentido, oprimindo os pobres e
indefesos. Até os líderes religiosos eram
corruptos. Ossacerdotes não instruíam o
povo na lei e não faziam distinção entre o
sagrado e o profano. Os falsos profetas
proclamavam mentiras em nome do
Senhor. Quando o Senhor procurou um
homem que intercedesse pela nação, não
encontrou ninguém. Por conseguinte, ele
purificaria a cidade por meio do
julgamento e dispersaria o povo entre as
nações.
ALEGORIA DAS DUAS IRMÃS, Ez 23.1-49
Para ilustrar a infidelidade da nação, o
Senhor usou uma alegoria em que
comparava Samaria e Jerusalém a duas
irmãs promíscuas chamadas Oolá e Oolibá.
(Oolá significa “sua tenda” e Oolibá, “minha
tenda está nela”. Talvez o segundo nome
reflita o fato de que Deus habitava no
templo em Jerusalém). As irmãs haviam
sido prostitutas desde a mocidade no
Egito. Ainda que pertencessem ao Senhor
(não é claro se como esposas ou filhas),
elas cortejavam o favor de nações
estrangeiras.
Oolá (Samaria) buscou aliança com os
assírios. Ela é retratada desejosa de
soldados assírios, prostituindo-se entre
seus oficiais. Por ironia, seus amantes a
mataram e levaram seus filhos embora.
Oolibá (Jerusalém) testemunhou o
destino da irmã, mas não conseguiu
aprender com o exemplo dela. Ela também
desejou os assírios e depois voltou a
atenção para os babilônios e para outros
povos. Empregam-se linguagem viva e
imagens duras para retratar sua ninfomania
(exagero do apetite sexual na mulher). O
Senhor avisou que seus amantes voltar-se-
iam contra ela. Os babilônicos chegariam
contra a terra com todo o poderio militar e
destruiriam cruelmente a população. Oolibá
seria publicamente humilhada e sofreria o
mesmo destino da irmã Oolá.
A PARÁBOLA DA PANELA, Ez 24.1-14
No mesmo dia em que os babilônicos
iniciaram o cerco de Jerusalém (15 de
janeiro de 588 a.C.), o Senhor deu a
Ezequiel uma parábola que ilustrava a
queda da cidade. Jerusalém era como uma
panela cheia de crostas (o derramamento
de sangue e a idolatria, Ez 24.6-8,13. Os
habitantes da cidade eram como carne e
ossos cozidos na panela. O fogo que
queimava sob a panela (o cerco
babilônico) cozinharia por completo a
carne e queimaria os ossos, e ambos
seriam por fim retirados pedaço por
pedaço (um retrato do exílio). A panela
vazia seria então deixada no fogo até que
se queimassem suas impurezas.
A MORTE DA ESPOSA DE EZEQUIEL, Ez 24.15-27
O Senhor anunciou a Ezequiel que sua
esposa amada teria morte súbita. Mas,
como uma lição concreta para Israel, o
Senhor ordenou que o profeta não
externasse luto por sua morte, conforme o
costume. Em vez disso, poderia apenas
gemer para si mesmo. Quando sua esposa
morreu logo depois, Ezequiel obedeceu às
instruções do Senhor. Ao observar seu
silêncio, as pessoas perguntaram-lhe o
significado daquilo, Ezequiel explicou que
elas não deviam chorar a queda da amada
cidade e de seu templo, assim como ele se
recusava a lamentar a morte da esposa.
Quando por fim a cidade caísse, um
fugitivo traria notícias a Ezequiel. Naquele
momento o Senhor poria fim à mudez do
profeta, conforme Ez 3.26,27; 33.21,22. Ele
então falaria abertamente aos
sobreviventes da catástrofe, advertindo-os
e incentivando-os.
O JULGAMENTO CONTRA AS NAÇÕES VIZINHAS, 
Ez 25.1 – 32.32
No capítulo 25 temos a profecia contra
Amom, Moabe, Edom e Filístia. Estas quatro
nações eram as vizinhas mais próximas de
Judá, que se regozijaram com a destruição
de Judá pela Babilônia. Ezequiel prediz aqui
para elas a mesma sorte, como Jeremias
também fizera, Jr 27.1-7. Nabucodonozor
submeteu aos filisteus, quando capturou
Judá, e quatro anos depois invadiu Amom,
Moabe e Edom.
O Julgamento de Tiro, Ez 26.1-28.19
Estas visões sobre Tiro foram dadas a
Ezequiel no mesmo ano da queda de
Jerusalém, isto é, o 11º ano, Ez 26.1.
O capítulo 26 fala do assédio por
Nabucodonozor e da assolação
permanente de Tiro. Logo no ano seguinte,
587 a.C., Nabucodonozor sitiou Tiro, e levou
13 anos para conquistar essa cidade, de
587 a 574 a.C.
Tiro – Cidade situada a 96 km ao N.O. de
Nazaré, era uma cidade dupla, parte numa
ilha e parte no continente, numa planície
fértil e bem irrigada, ao sopé ocidental da
cordilheira do Líbano, 8 km ao Sul da foz do
Rio Leontes. Foi a grande potência
marítima do mundo antigo, e estava no
fastígio de sua glória, que durou do 12º ao
6º século a.C., possuindo colônias nas
costas N. e O. da África, na Espanha e
Bretanha. Dominava o comércio do
Mediterrâneo, passando pelo seu pôrto as
mercadorias de todas as nações. Era
cidade famosa por seu esplendor e riqueza
fabulosa. Subjugada por Nabucodonozor,
deixou de ser potência livre. Foi adiante
submetida pelos persas, e outra vez por
Alexandre, o Grande, em 332 a.C., que a
capturou construindo um molhe de um
quilômetro de largura, do continente à ilha.
Nunca mais recuperou sua glória antiga;
durante séculos tem sido uma “penha
descalvada”, onde os pescadores
estendem suas redes para as enxugar, Ez
26.4,5,14, cumprimento impressionante da
profecia de Ezequiel, de nunca mais
subsistiria, Ez 26.14,21; 27.36; 28.19.
No capítulo 27, Tiro, senhora do
Mediterrâneo, é retratada sob a figura de
majestoso navio, de beleza incomparável,
carregado das mercadorias e tesouros das
nações, prestes a se submergir, leia Ez
27.26-28.
No capítulo 28 1-19, a profecia aborda
sobre a derrocada do orgulhoso rei de Tiro,
o qual, no trono de sua ilha inacessível e
inexpugnável, zombava de qualquer
ameaça à sua segurança.
O JULGAMENTO DE SIDOM, Ez 28.20-26
Sidom, outra cidade de destaque,
também sofreria o julgamento divino. A
exemplo de Tiro, ela havia tratado o povo
de Deus com hostilidade. O Senhor
destruiria os sidônios com praga e espada.
O Senhor um dia restabeleceria seu povo
em sua terra, onde este viveria em paz,
livre das ameaças dos vizinhos hostis
como Sidom, Tiro, Filístia, Edom, Moabe e
Amom.
A PERSPECTIVA ESPIRITUAL
O Diabo usara Tiro, assim como
Babilônia, para propagar seus falsos
ensinos ao mundo inteiro. Os navios de
Tiro viajavam por todos os cantos do
mundo antigo, propagando a perversa
religião de Tiro. Até Israel também foi
afetado. O reino do Norte chegou a ser
dominado por Jezabel, que era filha de um
sacerdote de Tiro. Note que à medida que
Ezequiel descreve a atitude de orgulho e
rebelião peculiares desta cidade, ele tem
em vista também a verdadeira fonte de
poder que domina a cidade e seus líderes.
Os primeiros quatro versículos do capítulo
28 referem-se ao “príncipe de Tiro”, que
fora um verdadeiro monarca do povo. Ele
orgulhou-se a ponto de pensar que era
igual à Deus. Ezequiel revela o poder que
motivava este príncipe: O poder de
Satanás, o qual é mencionado aqui como
“O rei de Tiro”.
Ezequiel não se refere aqui a um rei
terrestre, porque a descrição dada é a de
um ser sobrenatural, declarado como
sendo o sinete de perfeição, cheio de
sabedoria e beleza. Ele habita no Éden.
(Não se deve confundir aqui com o Éden de
Adão e Eva), o “Jardim de Deus”; que é
também chamado “a montanha do Senhor”,
onde as ruas são pavimentadas de pedras,
Ez 28.14. A descrição mais notável deste
ser, prende-se ao seu nome; ele é
chamado “O Querubim da guarda, ungido”.
Sendo que os querubins são os anjos mais
chegados ao trono de Deus, este ser, por
algum tempo, deveria ter tido uma posição
muito elevada na hierarquia celestial.
Certo dia Deus permitiu que a
fidelidade deste querubim fosse provada,
mas devido ao seu orgulho, ele falhou. A
iniqüidade foi achada nele. Em resumo, ele
foi expulso da sua posição, Ez 28.16,17. a
descrição de Ezequiel sobre o
relacionamento entre este ser
sobrenatural e o “príncipe de Tiro”
antecipa o futuro relacionamento entre
Satanás e o Anticristo. Através da história,
Satanás tem delegado seu poder e
autoridade à monarcas perversos com a
intenção de contrariar os planos de Deus.
Esta longa lista de monarcas ou
!príncipes”, chegarão a um final com o
tirano dos tiranos, o Anticristo.
O JULGAMENTO DO EGITO, Ez 29.1-32.32Quando Nabucodonozor suspendeu
seu cerco de 13 anos contra Tiro, Ezequiel
recebeu outra mensagem a respeito do
Egito. Devido o longo cerco de Tiro, não
houve paga para o seu exército, Ez 29.18,
então o Senhor lhe daria o Egito como
recompensa para o seu exército, Ez 29.19-
21.
A NOTÍCIA DA QUEDA DE JERUSALÉM, Ez 33
Após receber a notícia, Ezequiel
declarou que os poucos ímpios deixados
em Judá seriam exterminados, Ez 33.23-29.
Este capítulo termina fazendo uma
abordagem da popularidade do profeta,
embora estivessem empolgados com os
seus discursos, continuavam
impenitentes. E o desejo de Deus era que
deixasse seus maus caminhos e vivessem.
ACUSAÇÃO CONTRA OS PASTORES DE ISRAEL, 
Ez 34.
A responsabilidade pelo cativeiro de
Israel é aqui diretamente sobre os reis e
sacerdotes gananciosos e cruéis, que
haviam explorado e desencaminhado o
povo. Servindo isto de fundo de cenário,
Ezequiel tem uma visão do futuro pastor do
povo de Deus, na pessoa do Messias
vindouro, a brotar de Davi, Ez 34.15,23,24,
sob o qual nunca mais o povo sofrerá, e
haverá “chuvas de bênçãos”, Ez 34.26.
A CONDENAÇÃO DE EDOM, Ez 35
Tendo sido levados os habitantes de
Judá e Israel, Edom pensou que chegara a
oportunidade de se apossar dessas terras,
Ez 35.10; 36.2,5. Mas cerca de três anos
depois, Edom teve a mesma sorte.
A TERRA DE ISRAEL SERÁ REABITADA, Ez 36
Desolada agora, tornar-se-á um dia
qual jardim do Éden, Ez 36.35; povoada de
um Judá e um Israel arrependidos, Ez
36.10,31. Isto acontecerá, não por amor a
eles, mas para a glória do Nome de Deus, Ez
36. 22,32.
ISRAEL REVIVE, Ez 37.1-14
A visão dos ossos secos retrata de
maneira viva a restauração miraculosa de
Israel. Nela, o profeta viu um vale cheio de
ossos secos e soltos, representando o
povo disperso de Israel. Entretanto, de
repente os ossos começaram a se juntar, e
apareceram tendões e carne sobre eles. O
sopro da vida entrou nos corpos e uma
multidão de seres vivos pôs-se de pé no
vale.
Assim também, o Senhor faria reviver
miraculosamente a nação de Israel. Ele a
livraria do túmulo do exílio, colocaria seu
Espírito em seu meio e a estabeleceria
mais uma vez na terra prometida.
ISRAEL E JUDÁ SÃO REUNIFICADOS, Ez 37.15-28
O dia da restauração também seria um
dia de reunificação para Israel e Judá. Para
ilustrar isso, o Senhor mandou que
Ezequiel tomasse duas varas, uma
representando o reino do Norte e a outra, o
reino do Sul, e as segurasse juntas, como
se fossem uma. Do mesmo modo, o Senhor
devolveria os exilados de Israel e de Judá à
terra e voltaria a formar com eles um reino.
Ele levantaria um novo rei davídico ideal
para liderá-los, estabeleceria com eles
uma nova aliança e mais uma vez habitaria
em seu reino.
GOGUE E MAGOGUE, Ez 38.1-39.29
Esses capítulos descrevem uma
invasão de Israel por nações distantes
lideradas por “Gogue, da terra de Magogue,
príncipe de Meseque e Tubal”. As tentativas
de identificar Gogue com uma figura
histórica não convencem. Magogue, Tubal e
Meseque são mencionados em Gênesis 10.2
e I Crônicas 1.5 como filhos de Jafé. Nos dias
de Ezequiel, os descendentes deles
habitavam o que é hoje a Turquia oriental.
De acordo com Ez 38.5,6, entre os
aliados de Gogue estavam a Pérsia, Cuxe
(atual Etiópia), Pute (atual Líbia), Gômer
(outro filho de Jafé, cujos descendentes
residiam no extremo norte de Israel), e Bete
Togarma (de acordo com Gn 10.3, Togarma
era filho de Gômer)
Ezequiel previa um tempo em que os
exércitos dessas nações atacariam o Israel
confiante. O Senhor interviria com poder e
livraria miraculosamente seu povo.
Um terremoto violento abalaria a terra, e
os exércitos inimigos, em pânico, voltar-
se-iam uns contra os outros. O Senhor faria
chover granizo e enxofre sobre eles. A
matança seria comparável a um grande
sacrifício. Aves e animais selvagens
devorariam a carne e o sangue dos
guerreiros inimigos. Mesmo com essa
assistência do reino animal, o povo de
Israel levaria sete meses para dar fim a
todos os cadáveres.
As armas dos inimigos forneceriam ao
povo de Deus um suprimento de
combustível que duraria sete anos.
Uma vez que essa profecia não
corresponde a nenhum fato histórico
conhecido, é melhor compreendê-lo como
algo que ainda aguarda cumprimento.
Gogue e suas hordas simbolizam a
oposição ao reino de Deus que ocorrerá no
final dos tempos e será esmagada com
violência, conforme Ap 20.8,9.
A RESTAURAÇÃO DA PUREZA DO CULTO, 
Ez 40-48
Nessa divisão do livro, o Senhor deu a
Ezequiel uma visão de Israel restaurado,
onde trata largamente de pormenores do
Templo. Não se cumpriu esta visão quando
os exilados voltaram de Babilônia. Muito
evidentemente prediz a era messiânica.
Alguns interpretam-na literalmente, como
significando que as doze tribos um dia
tornarão a habitar aquela terra, e serão
distribuídas exatamente como ai está
indicado; que o Templo será literalmente
reedificado com todos os particulares aí
especificados, e que haverá literalmente
sacrifícios de animais. Chamam-no
“Templo do Milênio”. Outros interpretam-
na figuradamente, considerando-a
previsão metafórica da era cristã toda, sob
a descrição simbólica de uma nação
revivificada, restaurada e glorificada.
Este templo da visão de Ezequiel, com
seus pátios, toda a disposição de suas
partes e utensílios, apesar de conter muitas
variações, obedece mais ou menos ao plano
geral do Templo de Salomão. Deus habitaria
neste Templo “para sempre”, Ez 43.7. Tal
modo de falar certamente não visa a um
Templo no sentido literal, material. Deve ser
uma representação figurada de alguma
coisa; porque Jesus em Jo 4.21-24 ab-rogou
o culto no Templo, e no céu não haverá
Templo, Ap 21.22.
“Ofertas e Sacrifícios”, Ez 45.9-46.24 – Não se
atina por que deva haver sacrifícios sob o
reinado do “Príncipe”. A Epístola aos Hebreus
declara explicitamente que tais sacrifícios
foram cumpridos e abolidos na morte de
Cristo, uma vez para sempre. Os que julgam
que esse Templo é literalmente um “Templo
do Milênio”, acham que tais sacrifícios de
animais serão oferecidos pela nação judaica
ainda não convertida, ou que os sacrifícios
serão comemorativos da morte de Cristo.
A Torrente de Águas Vivificantes, Ez 47.1-12
– Esta é uma das mais sublimes passagens
de Ezequiel. Joel e Zacarias também
falaram dessa torrente, Joel 3.18; Zc 14.8.
Parece ser uma figura do “Rio de Água
Viva”, do céu, Ap 22.1,2. Qualquer que seja o
modo, específico ou literal, de entender
essa água, certamente, sem forçar em
nada o seu sentido, pode de modo geral
ser considerada como bela figura das
influências benignas de Cristo, a
procederem de Jerusalém e a se
espalharem numa torrente cada vez mais
larga e mais profunda pelo mundo a fora,
abençoando as nações com as suas
qualidades vivificantes, até à eternidade
celestial.
Introdução
Quando ainda jovem, Daniel foi levado
para Babilônia, onde viveu durante todo o
período do cativeiro, desempenhando por
vezes elevada função nos Impérios
Babilônico e Medo-Persa.
A CIDADE DE BABILÔNIA
É a cidade que serviu de cenário ao
ministério de Daniel, era a cidade
maravilhosa do mundo antigo. Situada no
berço da raça humana, próxima da região
do Jardim do Éden, edificada à volta do
Torre de Babel, primeira sede imperial,
residência favorita dos reis babilônicos,
assírios e persas, mesmo Alexandre, o
Grande; cidade que dominou durante toda
a era pré-cristã, Babilônia foi levada ao
apogeu do poder e da glória nos dias de
Daniel por Nabucodonozor, seu amigo, o
qual durante seu reinado de cerca de 45
anos, nunca se cansou de edificar e
embelezar seus palácios e templos.
Dizem os historiadores antigos que seu
muro media 96 km de extensão, 24 km de
cada lado da cidade, por 90 m de altura e
25 de espessura, medindo seus alicerces
12 m de profundidade, para que os
inimigos não cavassem túneis por baixo
deles; construído de tijolos de 30 cm
quadrados, 8 a 10 cmde espessura; havia
400 m de espaço livre entre a cidade e o
muro, por todo o seu circuito; o muro era
protegido por valas (canais) largas e
profundas, cheias d‟água; havia 250 torres
no muro, salas de guarda para soldados;
100 portões de cobre. O rio Eufrates dividia
a cidade em duas partes quase iguais,
ambas as margens protegidas por muro de
alvenaria em toda a sua extensão, com 25
portas ligando ruas a barcos de
passageiros; uma ponte sobre pilastras de
pedra, de 800 m de comprimento, 10 de
largura, com passagens levadiças que à
noite eram removidas.
Sob o rio passava um túnel de 5 m de
largura, 4 de altura. Escavações de anos
recentes têm confirmado, em grande
medida, as descrições aparentemente
fabulosas desses historiadores antigos.
Os seus Jardins suspensos eram uma
das Sete Maravilhas do mundo antigo,
construídos por Nabucodonozor para a sua
rainha meda, linda filha de Ciaxares, o qual
ajudara ao pai na conquista de Nínive;
sobre várias fileiras de arcos, sobrepostos
uns aos outros, cada um sustentando
sólida plataforma; 132 m2; no alto, havia
terraços e cumeeiras cobertas de flores,
arbustos e árvores, jardins sobre o teto;
regados de um reservatório na parte
superior, para onde subia a água do rio,
propelida por bombas hidráulicas.
Embaixo, nas arcadas, havia apartamentos
luxuosos, área de prazeres do palácio.
Foram construídos quando Daniel era
governador chefe dos sábios de Babilônia.
Koldewey descobriu arcadas no ângulo N.E.
do palácio, que lhe pareceram ser os
Jardins Suspensos.
A PROFECIA DE SUA DESTRUIÇÃO
Babilônia, a jóia dos reinos, glória e
orgulho dos caldeus, tornar-se-á um
deserto, terra seca, totalmente desolada.
Nunca mais será habitada, ninguém
morará nela de geração em geração.
Porém nela as feras do campo repousarão,
e as suas casas se encherão de corujas; os
chacais uivarão nos seus palácios de
prazer. Babilônia se tornará em montões
de ruínas. Dormirão sono eterno e não
acordarão, Is 13.17-22; Jr 51.37-43.
Ela continuou sendo cidade
importante durante o período persa.
Alexandre, o Grande, ter-lhe-ia restaurado
a glória, não fosse a morte ter vindo anular
seus planos. Depois dele, começou a
decadência. No tempo de Cristo, sua
supremacia política e comercial
desaparecera, e no primeiro século d.C.
sua maior parte estava em ruínas. Seus
tijolos foram empregados na construção
de Bagdá e no reparo de canais. Por
séculos tem sido um amontoado de
cômodos desolados, lugar de feras do
deserto; notável cumprimento da profecia;
ainda está hoje desabitada, existindo
apenas uma pequena vila.
O IMPÉRIO BABILÔNICO
Nos dias de Daniel, a cidade de
Babilônia não somente era a principal
cidade do mundo pré-cristão, como
dominava o mais poderoso império que
até então existira. Esse império durou 70
anos. Daniel esteve lá desde da sua
elevação até a sua queda. Os reis sob os
quais Daniel viveu foram: Nabopolassar,
626-605 a.C.; Nabucodonozor, 605-562 a.C.
Evil-Merodaque, 562-560 a.C.; Neriglissar,
560-556 a.C.; Labasi-Marduque, 556 a.C.
Nabonido, 556-539 a.C.; seu filho Belsazar
regeu o império com ele durante os
últimos anos de seu reinado. Portanto,
Daniel atravessou os reinados dos reis
babilônicos, assistiu a queda do império, e
passou ao império Persa, atravessou o
reinado de Dario, o Medo, indo até ao
terceiro ano de Ciro, o Persa, Dn 10.1.
O LIVRO DAS PROFECIAS DE DANIEL
O próprio livro informa que Daniel foi
seu autor, Dn 7.1,28; 8.2; 9.2; 10.1,2; 12.4,5.
Sua autenticidade foi sancionada por
Cristo, Mt 24.15. Assim é que foi
reconhecido por Jesus e primitivos
cristãos. Porfírio, um infiel do 3º século
d.C., propôs a teoria de que o livro teria
sido uma falsificação, do período da
revolta dos Macabeus entre 168-164 a.C.
Entretanto, o ponto de vista tradicional, de
que o livro é um documento histórico
verídico, que data da época de Daniel
mesmo, persistiu unanimemente entre os
eruditos cristãos e judeus, até o
aparecimento da crítica moderna. Hoje os
críticos, em nome da “erudição moderna”,
revivem a teoria de Porfírio, e dão como
fato consumado que o livro foi escrito por
autor desconhecido, o qual, vivendo 400
anos depois de Daniel, assumiu o nome
deste e impingiu à sua geração seu livro
espúrio como obra autêntica de um herói
morto já fazia muito tempo. Se o livro não é
exatamente o que pretende ser, como
admitir que Deus possa ter parte nessa
impostura? Não tem a mínima honestidade
o escritor que publica suas próprias idéias
sob o nome de heróis que viveram já há
muito tempo. Suspeitamos que o
verdadeiro ponto crucial do esforço em
desacreditar o livro de Daniel é a
indisposição do orgulho intelectual de
aceitar os estupendos milagres e
admiráveis profecias registradas nele.
A língua do livro é aramaica ou
caldaica de 2.4 a 7.28; era essa a língua do
comércio e da diplomacia da época. O
restante está escrito em hebraico. Era o que
se podia esperar de um livro escrito para
judeus que viviam no meio dos babilônicos,
o qual continha cópias de documentos
babilônicos oficiais na própria língua em
que foram escritos originalmente.
CAPÍTULO 1 – QUEM FOI DANIEL?
Daniel estava no primeiro grupo de
cativos levados de Jerusalém para a
Babilônia em 605 a.C. Pertencia à nobreza,
era de descendência real, Dn 1.3. diz o
historiador Flávio Josefo que ele e seus
três amigos eram parentes do rei
Zedequias. Isto lhes facilitaria o acesso ao
palácio de Babilônia. Jovens de boa
aparência, talentosos, estavam sob o
cuidado especial de Deus, e por ele foram
preparados para dar testemunho do seu
nome na corte pagã que naquela época
governava o mundo. As „finas iguarias do
rei‟, referidas no verso 8, as quais
recusaram comer, eram provavelmente
alimentos que antes haviam sido
oferecidos em sacrifício aos ídolos
babilônicos. A rápida ascensão de Daniel a
uma posição de fama mundial está
indicada em Ez 14.14,20;28.3; passagens
estas escritas só 15 anos mais tarde,
quando ele era ainda muito moço. Que
homem notável! De todo inabalável em
suas próprias convicções religiosas, e ,
todavia, tão leal ao seu rei idólatra que
este lhe confiou os negócios do seu
império.
CAPÍTULO 2 – O SONHO DA IMAGEM
Foi isto no 2º ano do reinado de
Nabucodonozor, quando reinava sozinho.
Daniel era ainda um simples rapaz, fazendo
só 3 anos que estava na Babilônia. Os
quatro impérios mundiais, aqui preditos,
geralmente se compreende que eram o
Babilônico, o Persa, o Grego e o Romano. Da
época de Daniel à vinda de Cristo, o mundo
foi governado por estes quatro impérios,
exatamente como ele predisse. Nos dias
do Império Romano, Cristo apareceu e
estabeleceu um reino que, começando
como grão de mostarda e passando por
muitas vicissitudes, hoje oferece
evidência de que se tornará um reino
universal e eterno e que desabrochará em
plena glória quando o Senhor voltar. A
“pedra cortada do monte sem auxílio de
mãos, que feriu a estátua e se fez um
grande monte, enchendo toda a terra”, Dn
2.35,45, é uma referência ao reinado de
Cristo, que de alguma forma nasceu,
quando estava em vigência o quarto
grande império mundial. Esta profecia dos
quatros reinos é ainda desenvolvida no
cap. 7, o dos quatro animais no cap. 8, do
carneiro e do bode, no cap. 9, das 70
semanas; e no cap. 11, dos conflitos entre
os reis do Norte e os do Sul.
CAPÍTULO 3 – A FORNALHA DE FOGO
Segundo a Septuaginta, este incidente
ocorreu no 18º ano do reinado de
Nabucodonozor, quando já fazia uns 20
anos que Daniel e seus três amigos
estavam em Babilônia. Foi no mesmo ano
que Nabucodonozor queimou Jerusalém
em 587 a.C.
Assim como Deus revelara a Daniel o
sonho de Nabucodonozor e sua
interpretação, anos antes, assim agora
põe no coração destes três homens a
firme determinação de serem fiéis; e então
entra com eles no fogo, não somente para
honrar sua fé, como para demonstrar aos
dignitários do imenso império, ali
reunidos, o poder doDeus de Jerusalém
sobre os deuses de Babilônia, de que se
vangloriavam.
Assim, pela segunda vez, Deus se
manifestou no palácio do poderoso império,
e pela segunda vez o poderoso
Nabucodonozor curvou-se diante do Senhor,
a quem proclamou como verdadeiro Deus
até às mais distantes paragens do seu
império. Consta que Óppert, fez escavações
nas ruínas de Babilônia em 1854, e achou o
pedestal de uma colossal estátua que pode
ter sido resto da gigante imagem de ouro de
Nabucodonozor, Dn 3.1.
CAPÍTULO 4 – A LOUCURA DE 
NABUCODONOZOR E SEU RESTABELECIMENTO.
É a história de outro sonho de
Nabucodonozor, interpretado por Daniel e
que se realizou. Nabucodonozor foi
acometido de uma doença mental, que o
levou a julgar-se animal e a proceder
como tal, vagueando entre os animais do
parque do palácio. Pela terceira vez
curvou-se perante Deus, cujo poder ele
proclamou a todo o mundo.
“Sete tempos”, Dn 4.32; a palavra quer dizer
“estações”. Acham alguns que significam
anos; outros, meses. Rendal Harris diz que
na Babilônia “só se contavam duas
estações, verão e inverno”, de modo que
seriam 3 anos e meio.
Numa das inscrições de
Nabucodonozor, que relata a história de
suas construções e realizações, ocorre o
seguinte, conforme Sir Henry Rawlinson,
citado no Manual Bíblico:
“Durante quatro anos a residência
de meu reino não me deleitou o
coração. Em nenhuma de minhas
possessões erigi qualquer
edifício importante com o meu
poder. Nada construí em
Babilônia para mim mesmo nem
em honra do meu nome. No culto
do meu deus Merodaque não
cantei seus louvores, nem provi
de sacrifício o seu altar, nem
limpei os canais”.
Alguns pensam que aí está, possivelmente
uma referência do período da sua loucura,
embora os reis antigos, ao mandarem fazer
suas inscrições, evitassem registros desta
natureza. Consta também, que entre os
caldeus corria a tradição de que
Nabucodonozor subiu ao teto do palácio e
gritou em alta voz: “Babilônicos, um persa
virá escravizar-vos. Um medo se associará
a eles”. Tudo deixa crer que fez isso por ter
assimilado as profecias de Daniel.
CAPÍTULO 5 – A FESTA DE BELSAZAR
Foi na noite da queda de 
Babilônia. Fazia 70 anos que 
Daniel estava em Babilônia, e já 
era de avançada idade.
NOTA ARQUEOLÓGICA: Até 1853 d.C. não se
achara nenhuma referência a Belsazar nos
arquivos babilônicos; e Nabonido, 556-539
a.C., era conhecido como o último rei da
cidade. Para os críticos era uma evidência
de não ser histórico o livro de Daniel.
Mas em 1853, descobriu-se uma
inscrição na pedra angular de um templo
construído por Nabonido a um deus em Ur,
a qual dizia:
“Não peque eu, Nabonido, rei da 
Babilônia, contra ti. Perdure 
reverência por ti no coração de 
Belsazar, meu primogênito, filho 
favorito”.
Sabe-se de outras inscrições que
Nabonido grande parte do tempo esteve
aposentado, longe de Babilônia, e que
Belsazar dirigia o exército e o governo,
regente com seu pai, e que foi ele quem se
rendeu a Ciro. Temos aí explicado como
Daniel podia ser “o terceiro no reino”, Dn
5.16,19. A expressão “teu pai
Nabucodonozor”, no versículo 11, significa,
não o pai físico, porém o predecessor real
no trono.
NOTA ARQUEOLÓGICA: A queda de Babilônia
é narrada por Xenofonte, Heródoto e
Beroso, do seguinte modo: “Ciro
desviou o Eufrates para o novo
canal e, guiado por dois
desertores, marchou pelo leito
seco da cidade a dentro, enquanto
os babilônicos farreavam numa
festa a seus deuses” Inscrições
encontradas em anos recentes, declaram
que o exército persa, sob o comando de
Gobrias, tomou
Babilônia sem luta, e que ele matou o filho
do rei; e que Ciro entrou mais tarde. Dario,
o Medo, que se apoderou do reino, Dn 5.31,
e reinou em Babilônia até que Ciro
assumisse o lugar, Dn 6.28; 9.1, e sob cujo
reinado Daniel foi lançado à cova dos
leões. Quer fosse um dos seus generais, ou
Dario, seu sogro, tivesse no comando do
exército conquistador a honra era de Ciro,
que na ocasião, se ocupava com as suas
guerras no Norte e no Oeste; e, até a
chegada pessoal de Ciro, Dario reinou em
Babilônia provavelmente por dois anos,
entre 539-537 a.C. Interessante que até
Ciro assumir o poder, a ordem era “medos
e persas”, Dn 5.28; 6.8, depois, falava-se
“persas e medos”, Et 1.14,18,19.
RUÍNAS DA 
CIDADE DE 
BABILÔNIA
CAPÍTULO 6 – DANIEL NA COVA DOS LEÕES
Daniel fora alto funcionário do Império
Babilônico durante todos os 70 anos da
ascendência deste, e agora, já muito velho,
provavelmente de mais de 90 anos, é
imediatamente encarregado por Dario,
conquistador de Babilônia, do governo da
cidade. Isto provavelmente porque Daniel
predissera a vitória dos medos, Dn 5.2. Foi
muita consideração à sua sabedoria,
integridade e probidade.
Todavia, era inflexível na devoção ao seu
Deus, Dn 6.10. Que fé! Que coragem! E que
velho valoroso!
MILAGRES ESTUPENDOS
Coisas maravilhosas se dizem neste
livro. Aos que acham difícil crer nelas,
dizemos: Lembremo-nos de que durante
mil anos Deus viera adestrando a nação
judaica com o propósito de, por meio dela,
estabelecer num mundo de nações
idólatras a idéia de que o Senhor é Deus.
Agora, a nação de Jeová tinha sido
destruída por um povo que adorava ídolos.
Para todas as nações do mundo era isto
clara evidência de que os deuses de
Babilônia eram mais poderosos do que o
Deus dos judeus. O momento era crítico, na
luta de Deus contra a idolatria. Se houve
tempo em que Deus precisava fazer algo
para mostrar quem é Deus, foi durante o
cativeiro babilônico. De fato, seria
estranhável se nada fora do comum
acontecesse. Alguma coisa haveria de
faltar na história bíblica, se estes milagres
estupendos não fossem operados. Se
parece difícil crer neles, mais difícil será
crer no resto da história sem eles. Pelo
menos os judeus, que desde o princípio,
geração após geração, estiveram caindo
sempre na idolatria, agora, por fim, no
cativeiro babilônico, convenceram-se de
que o seu Deus era o verdadeiro Deus; e
desde então nunca mais resvalaram para o
culto dos ídolos. Não há dúvida de estes
milagres desempenharam sua parte nesta
convicção. Tais milagres exerceram
poderosa influência tanto em
Nabucodonozor como em Dario, Dn 3.29;
6.26.
CAPÍTULO 7 – OS QUATRO ANIMAIS
É continuação da profecia do capítulo
2, a qual fora proferida 60 anos antes.
“Temos dois aspectos de um grandioso
plano da história”; quatro impérios
Pode se ver
aqui um exemplar
de “harpa” como a
mencionada em
Daniel 3.5, pintada
nesse vaso ático
datado do século
IV a.C.
mundiais e depois o reino de Deus. No
capítulo 2, esses impérios são
representados por uma imagem com
cabeça de ouro, peito de prata, quadris de
bronze, pernas de ferro e pés de parte de
barro e parte de ferro, que se esmiuçaram
ao impacto de uma pedra cortada do
monte. No presente capítulo esses
mesmos quatro impérios são
representados por uma leão, um urso, um
leopardo e um animal terrível.
Comumente se entendem por estes
quatro impérios mundiais a Babilônia, a
Pérsia, a Grécia e Roma. Esta visão abrangia
o período desde Daniel até os dias de Cristo.
Outrossim, a visão dos animais tem relação
com a besta do Apocalipse 13.
CAPÍTULO 8 – O CARNEIRO E O BODE
Este capítulo contém outras predições
acerca do segundo e terceiro impérios
mundiais dos quais se fala nos capítulos 2
e 7, isto é, os impérios Persa e Grego.
O império Persa, representado em Dn 7.5
por um urso devorador, é aqui apresentado
como um carneiro de dois chifres, Dn 8.3,4,
sendo uma coalisão de medos e persas. O
império Grego, retratado em Dn 7.6 como
um leopardo de quatro cabeças, é aqui
pintado como um bode veloz, arremetendo
furiosamente do Oeste, tendo um grande
chifre, o qual, quebrando-se, foi
substituído por quatro chifres. O grande
chifre foi Alexandre, o Grande, que abateu
Na antiguidade,
o carneiro
simbolizava o
império persa. Ao
lado, uma cabeça
de carneiro de
ouro datada do
períodopersa.
o império Persa em 331 a.C. Esta profecia
foi escrita em 539 a.C., mais de 200 anos
antes de cumprir-se. É uma predição muito
notável do choque entre dois impérios
mundiais, e suas conseqüências, nenhum
dos quais existia ainda ao tempo em que
se predisse esta luta. Os quatro chifres, Dn
8.8,21-22, e ás quatro cabeças de Dn 7.6,
foram os quatro reinos em que se dividiu o
império de Alexandre. O pequeno chifre de
Dn 8.9, que saiu dos quatro, geralmente se
concorda que significava Antíoco Epifânio,
175-163 a.C., do ramo siro do império Grego,
o qual fez um grande esforço por extinguir a
religião judaica. Outrossim, a frase repetida
“tempo do fim”, nos versículos 17,19, pode
significar que, de par com a perspectiva
próxima de Antíoco, podia estar no fundo
distante da visão o esboço sinistro de um
destruidor muito mais terrível, Dn 8.26, a
perturbar os últimos dias da história, do
qual Antíoco foi um precursor simbólico.
O profeta Daniel,
entendeu pelo
estudo das profecias
de Jeremias que o
número de anos de
que falou o Senhor
em que haviam de
acabar as assolações de Jerusalém era de
setenta anos, então se dirigiu ao Senhor Deus,
para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e
pano de saco e cinza, Dn 9.2,3.
CAPÍTULO 9 – AS SETENTA SEMANAS
Enquanto orava, o anjo Gabriel veio e disse-lhe:
“Agora saí para fazer-te entender o 
sentido”, e disse ainda: “Setenta semanas 
estão determinadas sobre o teu povo e 
sobre a tua santa cidade, para extinguir a 
transgressão e dar fim aos pecados, e 
expiar a iniqüidade, e trazer a justiça 
eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir 
o Santo dos santos”, 
Daniel 9.24
No original diz: “Setenta setes”. Significa
que são semanas de anos, ou seja, setenta
vezes sete anos, que equivalem a um período de
490 anos.
Esse período, segundo o verso 25, teve início
quando saiu a ordem para restaurar e edificar
Jerusalém, evento ocorrido no ano 445 a.C.. Diz a
profecia que até o Messias, o príncipe, iriam
sete semanas e sessenta e duas semanas, ou
seja, sessenta e nove semanas. Depois, o
Messias seria tirado, o que se deu com a
crucificação de Cristo. E como Deus não conta o
tempo de rejeição ou ignorância, At 17.30, assim
sendo, a contagem do tempo foi interrompida,
restando, então, a septuagésima semana,
porque com a morte de Jesus, foi aberto um
parêntese profético, que também é chamado
“A Era da Igreja”. Porém, com o arrebatamento
da Igreja, iniciará a septuagésima semana,
pois o verso 26 diz que o povo do príncipe que
há de vir destruirá a cidade e o santuário, o
que ocorreu no ano 70 d.C., com a invasão dos
romanos sob o comando de Tito. Concluindo, o
verso 27 diz que “ Ele firmará um concerto com
muitos por uma semana”, que naturalmente
refere-se aos sete anos da Grande Tribulação.
Observe a ilustração a seguir:
AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL, DN 9.24-27
ORDEM PARA A 
RECONSTRUÇÃO 
DE JERUSALÉM
ATÉ
O MESSIAS 
O PRÍNCIPE
7 SEMANAS E 62 SEMANAS
69 X 7 X 360 = 173.880 DIAS
14/03/445 a.C. + 173.880 DIAS
Ne 2.1-8
20º ANO DE 
ARTAXERXES 
1º NISAN
445 .C. 
ENTRADA 
TRIUNFANTE 
Zc 9.9
06/04/32 d.C
445 a.C. a 32 d.C. = 476
(1 a.C. à 1 d.C. = 1 ano)
476 x 365 = 173.740 DIAS
ANOS BISSEXTOS = 116 DIAS
14/3 À 06/4 = 24 DIAS
TOTAL...................... 173.880 DIAS
O Messias tirado após 
o cumprimento das 
69 semanas
PARÊNTESIS PROFÉTICO
ERA DA IGREJA
Acontecimentos durante o 
intervalo:
1. Os romanos destroem
Jerusalém e o Templo
2. Os judeus são dispersos
3. Jerusalém pisada pelos
gentios
4. Aparece a Igreja
5. Pregação do Evangelho
6. Apostasia do
Cristianismo
7. Os judeus voltam à terra
na descrença
8. O Senhor vem buscar a sua 
Igreja, I Ts 4.13-17
O PRÍNCIPE 
QUE HÁ DE VIR
Ap 6.2
O MESSIAS 
VOLTA COM 
PODER
Ap 19.11
ÚLTIMA SEMANA
70ª SEMANA DE DANIEL
1260 DIAS 42 MESES
Ap 11.2,3
Para:
Extinguir a transgressão
Dar fim aos pecados
Expiar a iniqüidade
Trazer a justiça eterna
Selar a visão e a profecia
Ungir o santo dos santos
A última semana de Dn 9, 
corresponde ao trecho do 
Apocalipse 6.1 a 19.21, do 
aparecimento do anticristo até a 
batalha do Amargedom
CAPÍTULO 10 – ANJOS DAS NAÇÕES
Esta visão, capítulos 10,11,12, foi dada
dois anos depois que os judeus voltaram à
Palestina em 536 a.C. Deus levantou o véu
e mostrou a Daniel algumas realidades do
mundo invisível, os conflitos entre
inteligências super-humanas, boas e más,
num esforço por controlar os movimentos
das nações, algumas das quais
procurando proteger o povo de Deus.
Miguel era o anjo guardião de Israel,
Dn 10.13,21. Outro anjo, anônimo, falou com
Daniel. A Grécia tinha seu anjo, Dn 10.20; e
igualmente a Pérsia, Dn 10.13,20. Parece
que Deus mostrara a Daniel alguns de seus
agentes secretos em operação para levar
a efeito a volta de Israel. Em Ap 12.7-9,
Miguel e seus anjos entram em guerra com
Satanás e os seus. Em Ef 6.12 as potestades
do mundo invisível são os principais
inimigos contra quem os cristãos têm de
lutar.
Houve muita atividade de anjos por
ocasião do nascimento, ministério, morte
e ressurreição de Cristo.
CAPÍTULO 11 – REIS DO NORTE E REIS DO SUL
Os capítulos 2,7,8,11 contêm predições
acerca de quatro impérios e dos eventos
de Daniel a Cristo, e parecem ter
referências a potências mundiais e a de
eventos posteriores, desde a época de
cristo até o fim. Estas predições são
progressivas na sua explicação dos
respectivos detalhes. No capítulo 2 há uma
declaração geral de que, dos dias de
Daniel aos do Messias, haveria quatro
impérios mundiais. No capítulo 7 são
dados pormenores do quarto império. No
capítulo 8 temos detalhes do segundo e do
terceiro impérios. No capítulo 11 há mais
detalhes do terceiro império. O terceiro
império foi o Grego, fundado por Alexandre,
o Grande em 331 a.C. Na sua morte, foi
dividido entre os seus generais como
segue: Grécia, Ásia Menor, Síria e Egito. Neste
capítulo os reis da Síria são chamados “Reis
do Norte”. Os reis do Egito chamam-se “Reis
do Sul”. As predições de Daniel acerca dos
movimentos desses reis foram proferidas
200 anos antes que existisse o império grego
e perto de 400 anos antes que tais reis
existissem. A descrição minuciosa que faz
dos seus movimentos é um paralelo
muitíssimo extraordinário entre a predição e
a história subseqüente. O capítulo 11 é uma
história do período inter-bíblico.
Vai aqui uma síntese dos eventos
correspondentes aos versos em que foram
preditos.
“Três reis na Pérsia”, Dn 11.2: Ciro,
Cambises, Dario Hystaspes. O quarto,
Xerxes, o mais rico e mais poderoso rei
persa, invadiu a Grécia, mas foi derrotado
em Salamina em 480 a.C.
“O rei poderoso”, Dn 11.3: Alexandre, o
Grande. Seu reino foi dividido em quatro,
Dn 11.4: Grécia, Ásia, Síria e Egito.
“O rei do Sul”, Dn 11.5: Ptolomeu I do Egito. “Um
de seus príncipes” Seleuco Nicator, a
princípio oficial de Ptolomeu I, veio a ser rei
da Síria, o mais poderoso dos sucessores de
Alexandre.
“A filha do rei”, Dn 11.6: Berenice, filha de
Ptolomeu II, foi dada em casamento a Antíoco
II e foi assassinada.
“Um renovo da linhagem dela”, Dn 11.7:
Ptolomeu III, irmão de Berenice, em
represália, invadiu a Síria e obteve grande
vitória, Dn 11.8.
“Dois filhos”, Dn 11.10: Seleuco III e Antíoco
III (o Grande), Dn 11.11,12: Ptolomeu IV
derrotou Antíoco III com grande perda na
batalha de Ráfia, perto da fronteira do
Egito, 217 a.C., Dn 11.13: Antíoco III, depois de
19 anos voltou com grande exército contra
op Egito; Dn 11.14: Judeus ajudaram Antíoco;
Dn 11.15: ele derrotou as forças do Egito; Dn
11.16: Antíoco conquistou a Palestina; Dn
11.17: Antíoco deu sua filha Cleópatra, em
traçoeira aliança de casamento a
Ptolomeu V, esperando por meio dela
dominar o Egito. Ela, porém, aliou-se ao
marido. Antíoco então invadiu a Ásia Menor
e a Grécia, e foi derrotado pelo exército
romano em Magnésia em 190 a.C. Voltou à
pátria e foi morto.“Um homem vil”, Dn 11.21-35: Antíoco
Epifânio; Dn 11.21: Não sendo herdeiro legal,
subiu ao trono por traição, Dn 11.22-25: Fêz-
se senhor do Egito, em parte pelas armas,
em parte pela astúcia e por fraude;
Dn 11.26: Ptolomeu VI, filho de Cleópatra,
sobrinho de Antíoco, foi derrotado pela
traição de seus próprios súditos; Dn 11.27:
Sob o disfarce de amizade, Antíoco e
Ptolomeu rivalizavam um com o outro em
traição; Dn 11.28: Regressando do Egito,
Antíoco atacou Jerusalém, matou 80.000,
capturou 40.000 e vendeu outros tantos
judeus como escravos; Dn 11.29: Antíoco
outra vez invadiu o Egito. Mas a esquadra
romana compeliu-o a retirar-se, Dn 11.30.
Dn 11.31: Desabafou sua ira em Jerusalém e,
furioso, profanou o Templo. Dn 11.32: Foi
auxiliado por judeus apóstatas. Dn 11.32-
35: Proezas dos irmãos macabeus.
Quantos aos versículos 36-45, há
divergências de opiniões. Pensam alguns
que se referem a Antíoco Epifânio; outros, à
posse da Terra Santa pelos maometanos;
outros, ao Anticristo; outros ainda pensam
que se referem a todos os três acima.
CAPÍTULO 12 – O TEMPO DO FIM
Daniel encerra a síntese que faz das
épocas e dos acontecimentos da história
universal, com um movimento rápido para
o tempo do fim, Dn 12.4,9,13, quando haverá
angústia como nunca houve, Dn 12.1,
seguida da ressurreição dos mortos e da
glória eterna dos santos, Dn 12.2,3. Muitos
correrão de uma parte para a outra, e a
ciência se multiplicará, Dn 12.4, será esta
uma característica do tempo do fim.
Também isto se aplica à geração de
hoje, como a nenhuma outra: Trens,
automóveis, navios, aviões, livros, jornais e
rádio e televisão, internet, meios de
transporte e de disseminação do saber,
numa escala nunca dantes sonhada em
qualquer período da história passada.

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