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Audiência Trabalhista 
Generalidades
 Em linguagem simples, podemos dizer que a audiência é o lugar e o momento em que os juízes ouvem as partes. Também significa sessão marcada ou determinada pelo juiz, à qual as partes deverão comparecer. Na audiência, são produzidos diversos atos processuais. Na Justiça do Trabalho, as audiências (ou sessões) são públicas e realizadas na sede do Juízo (ou Tribunal). Todavia, em casos especiais, poderá ser designado outro local para a realização das audiências, mediante edital afixado na sede do Juízo do Tribunal, com a antecedência mínima de 24 horas. A Constituição Federal (art. 93, IX) determina que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, sendo certo que, no processo do trabalho, é na audiência que se concentra a quase totalidade dos atos processuais. Somente em casos excepcionais, e desde que haja previsão legal, poderá o juiz, se o interesse público o exigir, limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e aos seus advogados (CF, art. 93, IX, parte final). O funcionamento das audiências ocorre em dias úteis, previamente fixados, entre 8 e 18 horas, não podendo ultrapassar cinco horas seguidas, salvo quando houver matéria urgente. A lei, no entanto, admite que, havendo necessidade imperiosa, poderão ser convocadas audiências extraordinárias, desde que seja afixado edital na sede do Juízo do Tribunal, com a antecedência mínima de 24 horas. A ampliação da competência da Justiça do Trabalho promovida pela EC n. 45/2004 em nada alterou o procedimento das audiências trabalhistas, mesmo nas ações oriundas de relações de trabalho diversas da relação de emprego. É o que se infere do art. 1o da Instrução Normativa TST n. 27/2005.
2. presença do Juiz E Servidores Nas audiências 
Segundo o disposto no art. 814 da CLT, às audiências deverão estar presentes, comparecendo com a necessária antecedência, os escrivães ou os chefes de Secretaria (atualmente, Diretores de Secretaria). Esta norma tem por destinatários os servidores encarregados da parte burocrática da audiência.
À hora marcada, o juiz presidente declarará aberta a audiência, sendo feita pelo Diretor de Secretaria ou escrivão a chamada (ou pregão) das partes, testemunhas e demais pessoas que devem comparecer. Se, todavia, até 15 minutos após a hora marcada, o juiz ou presidente não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências. É o que diz o parágrafo único do art. 815 da CLT, cujo destinatário é o juiz. Vale dizer, o atraso tolerável sem justificativa por apenas 15 minutos é apenas para o magistrado. As partes e seus representantes, inclusive os advogados, não têm qualquer tolerância quanto a atrasos, como se verá mais adiante.
3. Poder de policia 
O juiz poode se valer do art. 818 da CLT. É o chamado poder de policia processual para manutenção de ordem e decoro em audiência nos juízos e tribunais. Admite-se aplicação subsidiária do art. 369 CPC. 
Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe: I – manter a ordem e o decoro na audiência; II – ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente; III – requisitar, quando necessário, força policial; IV – tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo; V – registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência.
Registro das audiências 
Determina o art. 817 da CLT que o “registro das audiências será feito em livro próprio, constando de cada registro os processos apreciados e a respectiva solução, bem como as ocorrências eventuais”. Os livros próprios de registro continuam existindo. Os termos de audiência, no entanto, não são mais manuscritos ou datilografados, mas digitados por meio eletrônico. É facultado a qualquer interessado requerer certidão dos atos realizados na audiência.
 Geralmente, as Varas fornecem cópias das atas de audiências na própria sessão. O direito de obtenção de certidões não é absoluto, porquanto o requerente deverá demonstrar interesse jurídico.
4. Audiência de Conciliação, Instrução E Julgamento
Os arts. 843 a 852 da CLT e 2o, 3o e 4o da Lei n. 5.584/70 tratam da “Audiência de Julgamento”, no procedimento ordinário e sumário. No procedimento sumaríssimo, a audiência é regulada nos arts. 852-C e seguintes da CLT.
O art. 849 da CLT prescreve que a audiência de julgamento deverá ser contínua, admitindo, no entanto, que, por motivo de força maior, poderá o juiz determinar a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação. O costume processual, portanto, acabou fracionando a audiência de julgamento em três: “audiência de conciliação”, “audiência de instrução” e “audiência de julgamento”. Cumpre advertir, entretanto, que nem todos os juízes fracionam as audiências, o que recomenda aos advogados e às partes redobrado cuidado, a fim de evitar surpresas de última hora. O ideal é que as partes e seus advogados comportem-se como se a audiência fosse sempre una, pois o juiz é que, com base no art. 765 da CLT, tem a faculdade de fracionar ou não a audiência. A “audiência de conciliação”, também chamada de “audiência inaugural”, é destinada apenas à tentativa de conciliação. É o que diz o art. 846, §§ 1o e 2o, da CLT, in verbis:
Art. 846. Aberta a audiência, o Juiz ou presidente proporá a conciliação. 
§ 1o Se houver acordo lavrar-se-á termo, assinado pelo presidente e pelos litigantes, consignando-se o prazo e demais condições para seu cumprimento.
**§ 2o Entre as condições a que se refere o parágrafo anterior, poderá ser estabelecida a de ficar a parte que não cumprir o acordo obrigada a satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma indenização convencionada, sem prejuízo do cumprimento do acordo.
Vale ressaltar que, no caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, somente atacável, em tese, por ação rescisória (TST, Súmula 259), salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. É o que dispõe o parágrafo único do art. 831 da CLT, com nova redação dada pela Lei n. 10.035/2000. 
Não havendo acordo, isto é, frustrada a primeira proposta de conciliação, o reclamado terá vinte minutos para apresentar a sua defesa, após a leitura da petição inicial, quando esta não for dispensada por ambas as partes (CLT, art. 847). Na prática, porém, a peça de defesa do reclamado é escrita e entregue ao juiz que, incontinenti, entrega-a ao reclamante (ou seu representante), não havendo leitura alguma das peças processuais. Segundo o art. 848 da CLT, terminada a defesa, inicia-se a instrução do processo, podendo o juiz, de ofício, interrogar as partes. Na prática, o juiz designa nova “audiência de instrução”, também chamada de “audiência em prosseguimento”, que é destinada à produção das provas. Finda a “audiência de instrução”, as partes poderão apresentar razões finais orais por dez minutos cada uma. 
**Em seguida, o juiz deve renovar a proposta de conciliação e, não se realizando esta, proferirá a sentença. Na prática, porém, o juiz não profere a sentença neste momento, uma vez que, geralmente, designa nova audiência – esta, sim, de julgamento – cujo objetivo se restringe à publicação da sentença, dela ficando cientes as partes.
Os trâmites de instrução e julgamento da reclamação serão resumidos em ata, na qual constará, na íntegra, a decisão. A ata de julgamento, devidamente assinada pelo juiz, será juntada ao processo no prazo improrrogável de 48 horas, contado da audiência de julgamento (CLT, art. 851, § 2o). Caso não observado esse prazo, o TST firmou jurisprudência no sentido de que o prazo para recursos será contado da data em que a parte receber a intimação da sentença (Súmula 30). 
No procedimento sumaríssimo (CLT, art. 852-C), o processo deverá ser instruído e julgado em audiência única, sendo decididos, de plano, todos os incidentes e exceções que possam interferir no prosseguimentoda audiência e dos processos. As demais questões serão decididas na sentença. Todas as provas serão produzidas na audiência, ainda que não requeridas pelas partes. O número de testemunhas é reduzido a duas para cada parte. A interrupção da audiência terá a duração máxima de trinta dias.
Comparecimento das partes
 O art. 843 da CLT exige que “na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes, salvo nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo sindicato de sua categoria”.
 No processo do trabalho, portanto, é obrigatória a presença das partes em todas as audiências no primeiro grau de jurisdição, isto é, nas Varas do Trabalho. No caso de ausência das partes, haverá consequências processuais (art. 844 e seus parágrafos da CLT), como veremos adiante.
Comparecimento do empregador ou do preposto
 Reafirmamos que as partes têm o dever de comparecer pessoalmente à audiência. O § 1o do art. 843 da CLT, no entanto, faculta ao empregador fazer-se substituir (rectius, representar) pelo gerente ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato e cujas declarações obrigarão o preponente. 
A jurisprudência do TST (SBDI-1/OJ n. 99) previa que o preposto deveria ser necessariamente empregado do reclamado, salvo se este fosse empregador doméstico. O art. 54 da Lei Complementar n. 132/2006 também facultou ao “empregador de microempresa ou de empresa de pequeno porte fazer-se substituir ou representar perante a Justiça do Trabalho por terceiros que conheçam dos fatos, ainda que não possuam vínculo trabalhista ou societário”. Com isso, o TST passou a ampliar a possibilidade de representação patronal por preposto não empregado também para o micro ou pequeno empresário, como se depreende da Súmula 377 do TST:
PREPOSTO. EXIGÊNCIA DA CONDIÇÃO DE EMPREGADO. Exceto quanto à reclamação de empregado doméstico, ou contra micro ou pequeno empresário, o preposto deve ser necessariamente empregado do reclamado. Inteligência do art. 843, § 1o, da CLT e do art. 54 da Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006.
Advertimos que a Súmula 377 do TST está superada pelo § 3o do art. 843 da CLT, já que o preposto a que se refere o § 1o do mesmo artigo não precisa ser empregado da parte reclamada.
Comparecimento do preposto/advogado
 Alguns julgados admitem que o advogado empregado atue, simultaneamente, como preposto do réu, o que não nos parece válido, uma vez que o causídico, na relação jurídica estabelecida com o cliente, está obrigado a manter o sigilo profissional, o que torna incompatível o exercício concomitante das duas funções. 
No TST, porém, há divergência turmária, mas a SBDI-1, contudo, vem admitindo a atuação simultânea, no mesmo processo, do advogado empregado como preposto do empregador. Por força do § 3o do art. 843 da CLT (incluído pela Lei n. 13.467/2017), o preposto não precisa mais ser empregado da parte reclamada. 
Entretanto, o art. 23 do Código de Ética e Disciplina dos Advogados dispõe, in verbis: “É defeso ao advogado funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente”. Vale dizer, viola o Código de Ética o advogado – empregado ou autônomo – que atuar simultaneamente, no mesmo processo, como advogado e preposto do empregador ou cliente. E a razão reside no fato de que o advogado tem o dever de guardar sigilo profissional, o que poderia, no caso concreto, colidir com o princípio da busca da verdade real e sérios embaraços para a aplicação da confissão. Importante lembrar que de acordo com o § 5o do art. 844 da CLT (incluído pela Lei n. 13.467/2017): “Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados”. Não obstante, o art. 12, § 3o, da IN/TST n. 41/2018, dispõe que: “Nos termos do art. 843, § 3o, e do art. 844, § 5o, da CLT, não se admite a cumulação das condições de advogado e preposto”. > Advogado é um preposto é outro.

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