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GRUPO I
Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.
	A	
Leia o poema seguinte.
 bicarbonato de soda1
 
5
10
15
20
25
Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E − xis − tir...
Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Deem-me de beber, que não tenho sede!
20/6/1930
Fernando Pessoa, Poesia de Álvaro de Campos (ed. Teresa Rita Lopes), Lisboa, Assírio & Alvim, 2013.
 1 Solução farmacológica usada para tratar a acidez do estômago.
1. Justifique a angústia e o desconsolo que se apossam do sujeito poético e comprove o contraste que se estabelece entre ele e os outros.
2. Indique as soluções apontadas pelo “eu” com vista a enfrentar a situação em que se encontra, confirmando a sua resposta com elementos textuais pertinentes.
3. Explique o verso final, identificando o recurso expressivo aí presente. 
B
Leia o excerto do poema “Num bairro moderno”.
Dez horas da manhã; os transparentes 
Matizam uma casa apalaçada; 
Pelos jardins estancam-se as nascentes, 
E fere a vista, com brancuras quentes, 
A larga rua macadamizada. 
5
10
15
20
25
 
[…]
E rota, pequenina, azafamada, 
Notei de costas uma rapariga, 
Que no xadrez marmóreo d’uma escada, 
Como um retalho da horta aglomerada 
Pousara, ajoelhando, a sua giga. 
E eu, apesar do sol, examinei-a. 
Pôs-se de pé, ressoam-lhe os tamancos; 
E abre-se-lhe o algodão azul da meia, 
Se ela se curva, esgadelhada, feia, 
E pendurando os seus bracinhos brancos. 
Do patamar responde-lhe um criado: 
“Se te convém, despacha; não converses. 
Eu não dou mais.” E muito descansado, 
Atira um cobre ignóbil, oxidado, 
Que vem bater nas faces d’uns alperces. 
[…]
Boiam aromas, fumos de cozinha; 
Com o cabaz às costas, e vergando, 
Sobem padeiros, claros de farinha; 
E às portas, uma ou outra campainha 
Toca, frenética, de vez em quando. 
Cesário Verde, Cânticos do Realismo. O livro de Cesário Verde (coord. Carlos Reis), Lisboa, INCM, 2015.
4. Situe a nível espacial e temporal, com exemplos textuais, os acontecimentos descritos.
5. Descreva, justificando, os tipos humanos destacados.
GRUPO II
Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.
Leia o texto.
Tragédia em Alcântara
 Junto das esplanadas lisboetas das Docas continua submerso o navio que há 130 anos naufragou no Tejo, arrastando 32 pessoas para a morte. 
5
10
15
20
25
30
35
 Nem sempre é durante a violência das tempestades ou no fervor das batalhas que os naufrágios sucedem. Por vezes, é nas águas de um porto de abrigo que se dá a tragédia.
 A prová-lo está o vapor francês Ville de Victoire, que na véspera de Natal de 1886 se afundou na doca de Alcântara, em Lisboa, devido à colisão com um couraçado inglês que lhe rasgou o casco. O rombo provocou o seu naufrágio em menos de dez minutos, arrastando para a morte passageiros e tripulantes. O drama que tanto impressionou Lisboa foi notícia até do outro lado do mundo, onde alguns jornais australianos relataram o naufrágio.
 O Ville de Victoire fora construído em 1883 em St. Nazaire. Tinha 95 metros de comprimento e deslocava cerca de 2500 toneladas. Era propriedade da companhia Chargeurs Réunis, de Paris, que se tornou conhecida pelas rotas de transporte de mercadorias e passageiros para a América do Sul.
 A 17 de dezembro levantou ferro do Havre, com destino a Santos, no Brasil, com uma carga composta essencialmente por barris de vinho de Bordéus e champanhe, manteiga, batatas e até um cavalo. Entre os passageiros, na sua maioria emigrantes, viajavam um médico e mecânicos franceses, negociantes brasileiros e alemães, além de agricultores e jornaleiros ingleses, suíços, italianos e belgas. Lisboa era uma escala habitual onde, além de passageiros portugueses, embarcou barris de vinho.
 Ancorado em Alcântara desde a manhã de 22 de dezembro, assiste no dia seguinte à chegada ao Tejo de uma esquadra inglesa que larga ferro a estibordo.
 É na madrugada de 24 de dezembro que se dá a tragédia. Pelas 5 horas, o couraçado inglês Sultan, um navio de cem metros e 9300 toneladas, é arrastado pela força da maré vazante do Tejo e colide com o Ville de Victoire, furando-lhe o casco abaixo da linha de flutuação com o seu esporão.
 As águas do Tejo encarregam-se de agravar o acidente e, continuando a arrastar o Sultan rio abaixo, fazem que o seu esporão termine de rasgar completamente o casco do Ville de Victoire. Assim que se apercebeu do sucedido, o comandante Joseph Simonet mandou tocar o sino a rebate e acionar a sirene do vapor, mas a dimensão do rombo não permitiu qualquer reação. O navio afundou-se em menos de dez minutos.
 Os poucos tripulantes que, despertos pelo choque de colisão, conseguiram abandonar os camarotes onde dormiam, salvaram-se como puderam, alguns deles recolhidos pelas fragatas do Tejo. Outros náufragos não resistiram e, esgotadas as forças, afogaram-se antes que alguém os socorresse. O comandante Simonet permaneceu na ponte até ao fim, pedindo socorro que “não recebeu de ninguém”. Seria recolhido por um escaler do vapor inglês Neo.
Paulo Costa, in Visão História, n.o 37, setembro de 2016, p. 90. 
1. De acordo com o autor do texto, os naufrágios 
(A) sucedem sempre que há grandes tempestades.
(B) ocorrem devido às más condições dos portos. 
(C) decorrem da fragilidade das embarcações. 
(D) podem ocorrer em locais supostamente seguros.
2. Com a referência à Austrália 
(A) evidencia-se a origem do vapor Ville de Victoire e dos seus tripulantes.
(B) comprova-se o eco mundial da tragédia em Alcântara.
(C) salienta-se o particular relevo dado pelos australianos à tragédia. 
(D) justifica-se a importância dada aos naufrágios no século XIX.
3. A tragédia de Alcântara teve maior dimensão porque
(A) ocorreu quando os tripulantes dormiam.
(B) sucedeu no Tejo, um espaço limitador. 
(C) a carga do vapor era excessiva.
(D) nenhum tripulante conseguiu escapar.
 Português 12.o ano – Teste de Avaliação 
Escola________________________________________________ Data ___/ ___/ 20__
Nome________________________________________________ N.o____ Turma_____
 Português 12.o ano – Teste de Avaliação 
 Português 12.o ano – Teste de Avaliação 
©Edições ASA | 2016, projeto Sentidos 12 − Ana Catarino, Ana Felicíssimo, Isabel Castiajo, Maria José Peixoto 1
©Edições ASA | 2016, projeto Sentidos 12 − Ana Catarino, Ana Felicíssimo, Isabel Castiajo, Maria José Peixoto 6
©Edições ASA | 2016, projeto Sentidos 12 − Ana Catarino, Ana Felicíssimo, Isabel Castiajo, Maria José Peixoto 7
4. A frase “O drama que tantoimpressionou Lisboa foi notícia até do outro lado do mundo” (ll. 8-9) integra
(A) 
(B) uma oração subordinada adverbial consecutiva.
(C) duas orações subordinadas adjetivas relativas.
(D) uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
(E) uma oração subordinada adjetiva relativa explicativa. 
5. O segmento sublinhado em “viajavam um médico e mecânicos franceses, negociantes brasileiros e alemães, além de agricultores e jornaleiros ingleses, suíços, italianos e belgas” (ll. 16-18) corresponde ao
6. 
(A) complemento direto.
(B) predicativo do sujeito.
(C) complemento oblíquo.
(D) sujeito.
7. O referente do pronome pessoal “lhe”, em “furando-lhe” (l. 24) é 
(A) “o Ville de Victoire”.
(B) “o couraçado inglês Sultan”.
(C) “um navio de cem metros e 9300 toneladas”.
(D) “força da maré vazante do Tejo”.
8. 
9. A locução “Assim que” (l. 28) tem valor
(A) consecutivo.
(B) concessivo.
(C) condicional.
(D) temporal.
10. Identifique a função sintática do constituinte sublinhado em “assiste no dia seguinte à chegada ao Tejo de uma esquadra inglesa que larga ferro a estibordo.” (ll. 20-21)
11. Classifique a oração “onde dormiam”. (l. 32)
12. Indique o tipo de modalidade presente na afirmação “O comandante Simonet permaneceu na ponte até ao fim”. (l. 34)
GRUPO III
Infelizmente, ao longo da história, são vários os episódios de acidentes dos diferentes meios de transporte (marítimos, terrestres ou aéreos). Contudo, graças à evolução da ciência e da tecnologia, nunca foi tão seguro viajar como na atualidade. 
Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresente uma reflexão sobre a evolução dos meios de transporte e o impacto dessa evolução no modo de viajar e na economia mundial.
Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos. Ilustre cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.
Observações: 
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2016/). 
2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas palavras –, há que atender ao seguinte: 
· um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;
· um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos. 
13. 
MATRIZ DO TESTE
	
 Domínios 
 e Conteúdos 
 
 
Tipologia de itens 
	GRUPOS
	
COTAÇÕES
	
	I 
	II
	III
	
	
	LEITURA 
e 
COMPREENSÃO
Item A
Heterónimos 
Álvaro de Campos
Item B
Cesário Verde 
(excerto de “Num bairro moderno”) 
	
LEITURA 
	
EXPRESSÃO ESCRITA
Texto argumentativo
	
	
	
	GRAMÁTICA 
Funções sintáticas
Valor lógico dos conectores
Orações subordinadas
Referentes
Modalidade
	
	
	Escolha múltipla
	
	1 a 7 (7 itens x 5 pontos) 
	
	35
	Resposta curta
	
	8, 9 e 10 (3 itens x 5 pontos) 
	
	15
	Resposta restrita
	Item A 
1 a 3 (3 itens x 20 pontos)
Item B 
4 e 5 (2 itens x 20 pontos)
	
	
	
100
	Resposta extensa 
	
	
	30 + 20 pontos
	50
	COTAÇÃO
	100
	50
	50
	200
Proposta de Cotação
GRUPO I
A
1. ……………………………………………….…………………….………………..	 20 pontos
Conteúdo (C) (12 pontos) 
Forma (E+CL) (Estrutura − 4 pontos + Correção linguística − 4 pontos)	
2. …………………………………………………………………..……................	 20 pontos
Conteúdo (C) (12 pontos) 
Forma (E+CL) (Estrutura − 4 pontos + Correção linguística − 4 pontos)	
3. ………………………………………………………………………………….……	 20 pontos
Conteúdo (C) (12 pontos) 
Forma (E+CL) (Estrutura − 4 pontos + Correção linguística − 4 pontos)	
	
B
4. ………………………………………………………………………………….......	20 pontos
Conteúdo (C) (12 pontos) 
Forma (E+CL) (Estrutura − 4 pontos + Correção linguística − 4 pontos)
5. ……………………………………………………………………………………..…	20 pontos
Conteúdo (C) (12 pontos) 
Forma (E+CL) (Estrutura − 4 pontos + Correção linguística − 4 pontos)	
						 		 100 pontos
GRUPO II
1 a 10 10 itens x 5 pontos cada
 			50 pontos
GRUPO III
Estruturação temática e discursiva (ETD) ……………………………………… 30 pontos
Correção linguística (CL) ………………………………………………………………. 20 pontos
 			 50 pontos
									
TOTAL									 200 pontos
Proposta de Correção
GRUPO I
A
1. O “eu” lírico sente-se dominado por uma terrível angústia que o corrói física e emocionalmente, “do estômago à alma”(v.2), fruto do vazio que sente apossar-se de si, em virtude da constatação das falsas amizades − “que amigos que tenho tido”, (v. 3) – e do deserto que afinal são as cidades que tem percorrido (v. 4), isto é, as suas vivências. Acrescem ainda a insatisfação, o desânimo e o abatimento que nascem “da epiderme da alma” (v. 7) e que lhe provocam um estado de abulia. Ao contrário, os outros parecem-lhe viver num estado de felicidade – “que verão agradável dos outros!” (v. 27) –, o que talvez explique o facto de não se aperceberem da sua dor e, portanto, não lhe prestarem a devida atenção. 
2. Como se verifica ao longo de todo o texto, o sujeito poético hesita entre diversas soluções: a primeira, é a renúncia de tudo – “Renego mais do que tudo.” (v. 11); a segunda, é a dúvida sobre se a melhor solução será uma qualquer terapia ou o suicídio – “Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?” (v. 15). A decisão final, porém, é a de “retomar” a sua existência, resolução que repete para si mesmo de modo a convencer-se da inevitabilidade e obrigatoriedade dessa solução, “E-xis-tir… / E − xis − tir...” (vv. 17-18).
3. O verso final encerra um paradoxo. Apesar de afirmar que não tem sede, o “eu” poético pede para lhe darem de beber. Atendendo ao título, “Bicarbonato de soda” (antiácido usado para tratar da acidez do estômago) será esta a bebida desejada considerando o seu efeito: regulando a acidez do estômago, o sujeito lírico poderá ver-se livre não só da náusea física como também da náusea da alma – “náusea do estômago à alma” (v. 2) –, que o agonia e lhe provoca o estado de angústia. 
B
4. Os acontecimentos decorrem num início da manhã, “Dez horas da manhã” (v. 1), numa rua burguesa, de um bairro moderno – “A larga rua macadamizada” (v.5), de onde sobressai uma casa “apalaçada”, com escadas de mármore, onde os vidros refletem as cores dos raios de sol. 
5. Os tipos humanos são vários, mas todos de uma classe operária desfavorecida. Destaca-se uma vendedeira, “rota, pequenina, azafamada” (v. 6), que procura vender os seus legumes. Esta rapariga tem um aspeto pobre e desleixado, a avaliar pelo modo como se veste – “ressoam-lhe os tamancos; / E abre-se-lhe o algodão azul da meia” (vv. 12-13) – e pela sua compleição física, destacando-se a magreza e a cor doentia – “esgadelhada, feia / […] bracinhos brancos” (vv. 14-15). O criado, ao contrário, ostenta desprezo, altivez e orgulho, avaliando pelo modo como trata a hortaliceira e como lhe entrega o pagamento – “despacha; não converses” (v. 17), “Atira um cobre ignóbil” (v. 19). Por último, são referenciados os padeiros, que sobressaem pelo esforço físico que têm de despender no exercício das suas tarefas – “Com o cabaz às costas, e vergando” (v. 22).
GRUPO II
1. – (D)
2. – (B)
3. – (A)
4. – (C)
5. – (D)
6. – (A)
7. – (D)
8. Complemento do nome. 
9. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
10. Modalidade epistémica com valor de certeza.
GRUPO III
Resposta de caráter pessoal, mas que deverá ser classificada de acordo com os critérios de correção dos exames nacionais. 
Propõe-se a planificação seguinte:
Introdução – Revolução ao nível dos transportes graças à evolução da tecnologia e da ciência: 
(segurança, rapidez e facilidade de deslocação)
 1º argumento – As dificuldades das viagens na época dos Descobrimentos por desconhecimento, escassez e insegurança dos meios de transporte.
 Exemplo – os sucessivosnaufrágios e ataques às embarcações. 
Desenvolvimento 
 2º argumento – A segurança, facilidade, diversidade e comodidade dos transportes na atualidade.
 Exemplo – a rapidez no acesso a qualquer país europeu/mundial e o conforto nas viagens longas.
Conclusão – A evolução da ciência e da tecnologia poderão levar o ser humano ainda mais longe.

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