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Fratura de Tornozelo Introdução - As fraturas de tornozelo são a 4ª fratura mais comum no adulto, com a seguinte distribuição: • Fratura do maléolo lateral: Mais comum em homens jovens e mulheres idosas • Fratura do bitrimaleolar (lateral + medial + posterior): É mais comum em idosos de ambos os sexos e está ligada a osteoporose - As fraturas melaolares são lesões articulares e o objetivo do tratamento dessas fraturas é restaurar a anatomia normal da articulação e obter estabilidade suficiente para mobilidade precoce. - A tíbia e fíbula se unem ao nível do tornozelo formando um complexo tibiofibular inferior (sindesmose) composta pelos ligamentos tibiofibular anterior e posterior e lig interósse, além da membrana interóssea entre tíbia e fíbula - Domo articular: É a articulação da tíbia com o talus permitindo os movimentos de flexão e extensão. Esses ossos estão unidos lateralmente pelos lig talofibular anterior, posterior e o lig calcâneofibular e medialmente pelos lig deltoide superficial e profundo Mecanismo do Trauma - Trauma indireto —> É associado a um movimento de rotação, translação ou axial do pé - Trauma direto —> contusão - Tipicamente o trauma ocorre por um mecanismo torcional de baixa energia - Associado alesão: Pode ter lesão ligamentar, fratura, sub-luxação e luxação Classificação AO - A definição do padrão da lesão é a base para sua classificação, que é diretamente ligada a posição do pé e direção da força deformante: • Fratura do tipo A: • Ocorrem por um mecanismo de supinação e adução, causando o arrancamento do maléolo lateral e fratura do maléolo medial • Fratura do tipo B: • Ocorrem por um mecanismo de supinação e rotação externa do talus (pronação ou abdução), causando a fratura fíbula (arrancamento da sua porção medial) e fratura do maléolo posterior por compressão • Fratura do tipo C: • Ocorrem por um mecanismo de pronação e rotação externa do talus - Obs: • São necessárias 3 incidências de raio x para seu diagnóstico: AP + AP com 20º de rotação interna + Lateral Avaliação da Lesão - Raio X: • Serve para verificar se há encurtamento e rotação fibular • Ângulo talocrural: Até 83º é normal. Caso o ângulo seja maior indica lesão • Sinal da moeda: existência do espaço do tamanho de uma moeda entre o talus e a fíbula indicando lesão • Alinhamento da placa subcondral (shenton line do tornozelo): Se a linha estiver perfeita está normal • Alargamentos do espaço livre medial < 5mm indica normalidade, o talus está alinhado e estável • Inclinação talar < 2mm indica normalidade • Lesão da sindesmose: Para isso deve-se verificar se há sobreposição tibiofibular > 10 mm e se o espaço livre tibiofibular < 5 mm • Obs: Na duvida pode ser feito um raio x sob estresse - Tomografia computadorizada: • Verifica se há impactação, fragmentos posterior ou lesão de talus Tratamento - Tratamento Conservador: • Indicação: fraturas do tipo A e B (pouco ou sem desvio e sem envolvimento medial) • O tratamento conservador é realizado com gesso • Deve-se fazer o controle semanal por 3 semanas • Relação dor medial e incompetência do deltoide: • 25% de chance de lesão com dor medial e teste de stress + • 25% de chance de lesão sem dor medial e teste de stress + - Tratamento Cirúrgico: • Indicação: fraturas desviadas ou desniveladas • A decisão de operar é baseada no padrão da fratura, condições de tecidos moles, fatores do paciente (idade, DM e osteoporose), etc • Planejamento: Um planejamento detalhado é obrigatório antes de qualquer osteossintese intra-articular • A hora de fazer a cirurgia é ditada pelo estado de partes moles (Cirurgias precoces diminuem em 6x as chances de infecção) • O ideal é sempre operar precocemente, nas primeiras 12h (se não for possível deve- se fazer a imobilização externa com tala gessada ou fixador externo) • O tratamento cirúrgico fica mais fácil de ser realizado quando a pele está enrugada com casca de laranja • As vias de acesso variam conforme o local da lesão