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Anatomia e Biomecânica do Pé 
Anatomia do Pé 
- O pé lembra uma abóboda e é formado por 26 ossos + 2 sesamóides (embaixo da 
cabeça do primeiro metatarso), articulações e músculos intrínsecos e extrínsecos
- As articulações do pé podem ser dividas conforme a função:
• Articulações de movimento —> tornozelo e dedos
• Articulações de apoio e amortecimento —> tarso e metatarso
- Divisões do pé:
• Retro-pé (tarso e calcâneo)
• Médio-pé (navicular, cuboide e cuneiformes) 
• Ante-pé (metatarsos e falanges)
- Articulações com epônimos:
• Articulação de Chopart (entre retro e médio)
• Articulação de Lisfranc (entre médio e ante)
- Obs: Tornozelo faz parte do pé na biomecânica! 
Musculatura do Pé 
- A musculatura pode ser:
• Intrínseca (origem e inserção no pé)
• Extrínseca (músculos que tem origem na perna e se inserem no pé) 
- Músculos laterais:
• Fibulares (curto, longo e terceiro) 
• Extensor longo comum dos dedos.
- Músculos posteriores (vista medial):
• Tibial posterior
• Tibial anterior 
• Extensor longo comum dos dedos 
• Extensor longo do hálux
- Musculatura plantar:
• 4 camadas:
1. Primeira camada: abdutor do hálux, flexor curto dos dedos, abdutor do dedo 
mínimo.
2. Segunda camada: quadrado plantar, lumbricais.
3. Terceira camada: flexor curto do hálux, adutor do hálux, flexor curto do dedo 
mínimo.
4. Quarta camada: interósseos plantares e dorsais
- Funções dos músculos do pé:
• Conservação da forma
• Ação propulsora 
• Função anti-gravitacional
Arquitetura da Abóboda Plantar 
- Formado por:
• 5 arcos longitudinais —> côncavos (cada arco corresponde 
a um metatarso)
• Quanto mais medial, mais côncavo o arco é 
• Arco longitudinal mais importante = Arco longitudinal 
mediano (ALM)
• Arcos transversais —> convexos
• Arco transversal mais importante = Arco transverso anterior
- A manutenção da abóboda plantar depende da:
• Forma dos ossos
• Elasticidade dos ligamentos 
• Equilíbrio dado pelos músculos 
- Alterações na abóboda plantar:
• Aumento da altura da abóboda (ALM) – pé cavo (pé “alto”)
• Diminuição da altura da abóboda (ALM) – pé plano (pé “chato”)
Tipos de Ante-pé 
- Depende do comprimento dos dedos e do comprimento dos metatarsos 
- Podem ser:
• Fórmula digital (conforme o comprimento do 1º dedo)
• Fórmula metatarsal (conforme o comprimento do 1º metatarso):
- Existem 3 formas metatarsais em relação ao comprimento do 1º metatarso:
• Index plus minus (primeiro metatarso do mesmo comprimento do segundo)
• Index minus (primeiro metatarso menor que o segundo. Mais comum)
• Index plus (primeiro metatarso maior que o segundo) 
- Existem 3 formas digitais em relação ao primeiro dedo:
• Pé romano (primeiro dedo igual ao segundo)
• Pé grego (primeiro dedo menor do que o segundo, menos frequente)
• Pé egípcio (primeiro dedo maior do que o segundo. Apresenta maior chance de 
fazer joanete/hálux valgo)
Biomecânica 
- Distribuição do peso:
• Em repouso ou na posição ereta o peso vai 50% para cada pé
- Distribuição do peso dentro do pé:
• 80%: do peso para o calcâneo (retro-pé)
• 20%: do peso vai para o ante-pé (carga se distribui nas cabeças dos metatarsos - o 
1º metatarso recebe o dobro ou mais carga do que os outros)
- Essa distribuição varia de acordo com o sapato (salto):
• Salto mais alto —> pressão maior para o ante-pé.
- A pressão sobre cada pé varia de acordo com a posição do pé e com o balanceio da 
marcha.
- Os dedos são importantes na adaptação ao solo irregular, marcha, corrida, salto.
- Repouso absoluto não existe no pé em bipedestação pois o pé está em contínuo 
movimento para equilíbrio e oscilação (balanço). Ocorre a contração de músculos para 
que mantenha o equilíbrio 
Marcha 
- Marcha normal exige um pé com ampla mobilidade, indolor, força normal e até os 
dedos tem funções.
- Tempos da marcha: 
• 1º apoio bilateral (os dois pés no solo)
• 1º apoio unilateral (pé esquerdo no solo)
• 2º apoio bilateral 
• 2º apoio unilateral (pé direito no solo) 
- Sequência da pisada: choque do calcanhar —> apoio total —> apoio ante-pé —> 
despregue.
Pé Plano (Pé chato) 
- É o mais frequente motivo de consulta ao ortopedista do pé
- A principal queixa é deformidade (e não dor)
- Fisiopatologia: 
• Ocorre queda do arco longitudinal mediano (ALM)
• Diminui a curvatura da abóboda plantar 
• Geralmente está associada a valgo do retro-pé
- Etiologia: 
• Óssea (lesões mais graves)
• Alterações músculo-ligamentares (benignos, mais frequentes)
• Patologias neuro-musculares.
Pé Flácido Infantil 
- É o pé plano valgo flexível. 
- Ao exame físico: 
• Redutível, flexível, avaliar a gravidade do valgismo do calcâneo.
• Benigno, muitas vezes fisiológico (pois a criança apresenta musculatura não 
madura)
• Manobras para diferenciar do pé plano patológico: 
• Ficar na ponta dos pés 
• Fazer extensão do 1º dedo (Jack test) — deve formar o arco
- Exploração complementar: 
• Raio X (afastar causas ósseas)
• Podoscopio
• Fotopodograma (impressão plantar)
- Tratamento: 
• Não é sinônimo de incompetência do pé/patologia
• Até 2 a 3 anos de idade não se deve tratar (é considerado fisiológico)
• De 3 a 9 anos, em crianças com hiperfrouxidão e joelho valgo associado, deve-se 
recomendar a realização de exercícios e indicar uso de palmilhas.
• Após os 10 anos, pode ser feita cirurgia por dor (raro)
Pé Plano de Etiologia Óssea 
- Astralgo vertical (talus vertical): 
• É um defeito congênito
• O pé fica em “mata-borrão” (planta muito 
convexa)
• Não é frequente
• A conduta é cirúrgica
- Fusão tarseana (barra óssea entre ossos do pé): 
• É o pé não flexível, plano por coalisão tarsal
• Quando doloroso, a conduta é cirúrgica.
- Pé plano valgo: 
• Possui sinais clínicos de “too many fingers” (impressão de ter mais dedos 
lateralmente na visão posterior pelo calcâneo estar em valgo)
• Aplanamento do arco longitudinal 
• Pronação do retro-pé
Pé Cavo 
- É o aumento anormal da abóboda plantar (aumento do ALM)
- É comum a queixa de dificuldade na compra e uso de calçados (sapatos não entram) e 
há a presença de calos).
- Etiologia: 
• Neurológica
• Congênita
• Alteração de partes moles (cicatriz retrátil plantar, queimadura em região plantar faz 
com que a curvatura fique aumentada)
- Tratamento: 
• Depende da etiologia
• Em geral não é cirúrgico, sendo cirúrgico apenas quando doloroso (muitos calos na 
região plantar, abaixo das cabeças dos metatarsos) e quando houver transtornos 
funcionais
• Em geral recomenda-se uso de palmilhas.
Pé Equino-varo (Pé torto congênito) 
- É uma deformidade que causa a inversão do pé ao nascer 
(planta do pé virada para dentro)
- Posição do pé —> Equino-varo-aduto-supinado 
- Frequentemente está associado a outras malformações 
congênitas (ex: displasia de quadril)
- 50% das vezes é bilateral 
- Tratamento: 
• Método de Ponseti: 
• É a manipulação do pé (massagem) por 7 dias após o nascimento
• Após essa semana iniciar com sucessivas trocas de gesso de 4/4 dias
• Após o gesso pode ainda ser necessária alguma cirurgia reparativa.
Telalgia 
- É a dor na região posterior do calcâneo 
- Etiologia:
• óssea (esporões)
• Partes moles (bursites e tendinites) 
• Problemas reumatológicos (processo inflamatório)
- Esporão do calcâneo (mais frequente): 
• Telalgia mais frequente 
• Ocorre devido ao crescimento anormal de uma 
espícula óssea do calcâneo causando fasceite 
plantar e depois sua calcificação
• O pé fica com sua fáscia plantar encurtada
• Possui microtraumas repetidos devido ao excesso de 
peso
• Tratamento: Usar calçados específicos, perder peso, 
a longamentos, evi tar t raumas, palmi lhas e 
calcanheiras.
- Tendinite, Tendonose e Ruptura do tendão de aquiles: 
• Mais comum aos 40-50 anos
• A ruptura normalmente ocorre em traumas de baixa energia 
• Os pacientes apresentam a manobra de Thompson +
- Doença de Server: 
• Ocorre uma inflamação na apófise posteriordo 
calcâneo
• Comum dos 10-15 anos
• O raio x apresenta esclerose e fragmentação 
• Orientar os pais a diminuir as atividades físicas das 
crianças.
Metatarsalgias 
- Causa dor na parte anterior do pé 
- Epidemiologia: Geralmente ocorre em mulheres devido ao uso de salto alto
- Etiologia: 
• Biomecânica (pé equino, insuficiência ou sobrecarga do 1ª raio, fratura por stress,)
• Enfermidades do ante pé (osteocondrites da cabeça dos metatarsos e neuroma de 
morton)
• Enfermidades generalizadas
- Fraturas de stress (Enfermidade de Deutschlander): 
• É uma fratura espontânea sem desvio 
• Comum de ocorrer no colo do 2º metatarseano
• Etiologia: Microtraumas de repetição 
• Clínica: Dor aguda no pé durante a atividade físicas seguido de edema no antepé
• Raio x: Pode ser normal ou aparecer formação de calo ósseo
• Tratamento: Imobilização e repouso relativo
- Enfermidade de Kohler 2: 
• É uma osteonecrose da cabeça do 2º metatarso
• Clínica: Dor, edema no dorso do pé, rigidez e joanete
• Tratamento: palmilha e artroplastia
Neuroma de Morton 
- Frequente causa de metatarsalgia 
- Há espessamento dos tecidos ao redor do nervo intermetatarseano, causando sua 
compressão e gerando um neuroma
- Mais comum no 3º espaço metatarseano 
- Epidemiologia: Mais comum em mulheres e no 3º EIM
- Clínica: 
• Dor em queimação no EIM com irradiação para os dedos
• O paciente relata sentir que algo se move na face plantar
• Os sintomas pioram com o uso de salto alto e melhoram ao ficar descalço e 
massagear o pé
- Tratamento: 
• Evitar usar salto alto
• AINEs
• Infiltração de EIM 
• Pode ser necessário cirurgia para ressecção do neuroma.
Patologias dos Dedos 
- Malformações:
• Polidactilia: alteração quantitativa no nº dos dedos 
• Sindactilia: anormalidade embriológica que resulta na visível união entre dois ou 
mais dedos
- Deformidades: 
• Halux valgus (joanete) 
• Halux rígidus
• Dedo em garra 
• 5º dedo supa aduto
- Hálux valgo/Joanete: 
• É o desvio do halux em valgo (> 8º para fora) e do 1º 
metatarso em varo (>15º para dentro)
• Essa patologia forma uma deformidade óssea que 
causa desequilíbrio muscular
• Etiologias: 
• Fatores intrínsecos (forma digital e forma metatarsal)
• Fatores extrínsecos (calcado) 
• Congênito (raro)
• Patologia associada: Deformidade do 2º dedo (geralmente ele está cavalgando o 
halux)
• Diagnóstico: Clinico e radiológico (usa-se o raio x para medir os ângulos)
• Classificação: Discreto, moderado e grave
• Tratamento: Nunca deve ser feito por motivos estéticos. Algumas opções clínicas 
são uso de calçados/órteses e também pode ser feita a cirurgia corretiva com 
osteotomia
- Halux rigidus: 
• É a artrose da articulação MTTF do hálux
• Clínica: Dor na MTTF, diminuição da dorsi-flexão, 
“dorsal bunion”, marcha em rotação interna e 
calosidade na IF
• Tratamento: Normalmente cirúrgico quando há 
rigidez e dor.
- Dedo em martelo: 
• Hiperextensão da MTTF e flexão da IFP
- Dedo em garra: 
• Flexão das interfalangiana proximal e distal
- Sobreposição do 2º dedo ao halux: 
• Pode ser leve, moderado ou grave
• O tratamento ocorre por plastia de partes moles.
- Joanete de Sastre ou do alfaiate/sapateiro/costureiro: 
• É um exagero de varismo do quinto pododáctilo e 
aparecimento de uma proeminência no contorno lateral 
do pé
Patologias das Unhas 
- Unha encravada: 
• É a infecção periungueal, normalmente ocorre de 
um lado só do halux, associada a pús e granuloma
• Tratamento: profilaxia (cortar a unha certo - 
quadrada) e cirúrgico através da cantoplastia.
Pé Diabético 
- Clínica: Alterações importantes, deformidades destrutivas pela alteração sensitiva, 
neurites e má circulação.
- As lesões podem ser cutâneas, ósseas ou infecções.
- Conforme o tipo de lesão e seu grau há um tipo de tratamento
Pé Reumatóide 
- Etiologia: Artrite reumatoide
- Clínica: Ocorre uma deformidade progressiva pela tendinite sinovite e artrite crônica
- Tratamento: Tratar clinicamente a doença reumatológica e ortopédico com órteses e 
cirurgias em tendões e ossos.
Pé na Artrite da Gota Úrica 
- É uma doença metabólica por aumento da acido úrico que produz artrites pela 
deposição de cristais de urato nas articulações.
- Essa deposição é mais comum no ante-pé e em homens
- Etiologia: Possui relação com o fator hereditário, alcoolismo e nefropatias
- Clinica da crise aguda (podagra): Dor, calor, rubor, tumoração. Parece infecção mas 
sem febre.
- Clinica da crise crônica: Tofos subcutâneos, burcites, 
artropatias destrutivas

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