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Curso Técnico em
Recursos Humanos
Práticas de Qualidade e
Competitividade
Elber Ferreira Cabral
Curso Técnico em
Recursos Humanos
Práticas de Qualidade e
Competitividade
Elber Ferreira Cabral
Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa
Educação a Distância
Recife
1.ed. | abril 2022
Catalogação e Normalização
Hugo Cavalcanti (Crb-4 2129)
Diagramação
Jailson Miranda
Coordenação Executiva
George Bento Catunda
Renata Marques de Otero
Manoel Vanderley dos Santos Neto
Coordenação Geral
Maria de Araújo Medeiros Souza
Maria de Lourdes Cordeiro Marques
Secretaria Executiva de
Educação Integral e Profissional
Escola Técnica Estadual
Professor Antônio Carlos Gomes da Costa
Gerência de Educação a distância
Professor Autor
Elber Ferreira Cabral
Revisão
Elber Ferreira Cabral
Coordenação de Curso
Daniela Glaete Soares Lins
Coordenação Design Educacional
Deisiane Gomes Bazante
Design Educacional
Ana Cristina do Amaral e Silva Jaeger
Helisangela Maria Andrade Ferreira
Izabela Pereira Cavalcanti
Jailson Miranda
Roberto de Freitas Morais Sobrinho
Descrição de imagens
Helisangela Maria Andrade Ferreira
Sumário
Introdução .................................................................................................................................... 5
1.Competência 01 | Entender os métodos de gerenciamento da melhoria e mudança. ................. 7
1.1.Qualidade .................................................................................................................................................. 8
1.2 Motivação e Mudança ............................................................................................................................. 11
1.3.ISO, o que é isso? .................................................................................................................................... 16
1.4. ISO 9001:2015 - Gestão da Mudança. .................................................................................................... 21
2.Competência 02 | Compreender o ciclo PDCA e ferramentas básicas para o gerenciamento da
melhoria contínua (Kaizen). ......................................................................................................... 23
2.1.Uma breve história da Qualidade e sua evolução. .................................................................................. 23
2.2. Gurus da Qualidade ................................................................................................................................ 29
2.3.Ferramentas da Qualidade. ..................................................................................................................... 32
2.3.1.Fluxograma ........................................................................................................................................... 33
2.3.2 Diagramas de causa-efeito ................................................................................................................... 34
2.3.3 Folhas de Verificação ............................................................................................................................ 35
2.3.4.Diagrama de Pareto ............................................................................................................................. 35
2.3.5 Histograma ........................................................................................................................................... 36
2.3.6.Diagrama de Dispersão ........................................................................................................................ 36
2.3.7 Cartas de Controle ................................................................................................................................ 37
2.4 PDCA. ....................................................................................................................................................... 38
3.Competência 03 | Entender o sistema de medição de desempenho - BSC. ................................ 41
3.1 Sistemas de Medição de Desempenho ................................................................................................... 43
3.1.1. Tipos de Sistemas de Medição de Desempenho. ................................................................................ 43
3.2. ISO 9001:2015 - Monitoramento, medição, análise e avaliação. ........................................................... 46
3.3.Indicadores .............................................................................................................................................. 47
3.4.Perspectivas do BSC - Balanced Scorecard. ............................................................................................. 50
4.Competência 04 | Compreender o desdobramento da função qualidade - QFD ........................ 55
4.1 QFD - Conceito. ...................................................................................................................................... 58
4.2.QFD - As 4 Atividades básicas. ................................................................................................................. 60
4.3 Casa da Qualidade. .................................................................................................................................. 61
4.4 Benefícios do uso do QFD. ...................................................................................................................... 64
Conclusão .................................................................................................................................... 66
Referências ................................................................................................................................. 67
Minicurrículo do Professor .......................................................................................................... 69
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Introdução
Olá, Estudante! Espero que, com você, esteja tudo bem.
Começo essa apresentação já dando uma boa notícia: Este e-Book será seu amigo e
continuará sendo mesmo após o término desta disciplina, pois ele mostrará a você o mundo da
QUALIDADE, onde você se colocará no lugar tanto do cliente, quanto do dono da empresa. Ora, quem
não quer um produto ou uma prestação de serviço com qualidade? E aqui, você verá além de todo
referencial teórico, exemplos bem práticos, com casos empresariais de sucesso e de fracasso. Desta
forma, espero que você carregue na cabeça e sobretudo no coração um trabalho que foi feito com
muito zelo pela sua formação, e que o levará a enxergar o termo qualidade com outros olhos. A
disciplina chama-se PRÁTICAS DE QUALIDADE E COMPETITIVIDADE, e faz parte do Módulo de
Desenvolvimento Profissional do Curso Técnico em Recursos Humanos da querida Escola Técnica
Estadual ETEPAC.
Como futuro profissional de Recursos Humanos, você perceberá que todo o assunto que
será estudado pode ajudá-lo a levar as práticas de melhoria contínua e de qualidade para o
departamento de RH, e para todos os demais departamentos, envolvendo os funcionários das mais
diversas qualificações.
O e-Book é formado por quatro Competências, onde a Primeira você estudará o conceito
básico do termo Qualidade e sua responsabilidade em tornar as organizações mais competitivas no
mercado mundial. Verá ainda a relação entre a motivação e a mudança no mundo das pessoas e das
empresas. E ainda aprenderá sobre a ISO, famosa certificadora associada à qualidade, que ainda
orienta sobre os processos de mudança e de melhoria.
Na Segunda Competência, você verá uma breve história da Qualidade no mundo, além de
conheceros autores, também conhecidos por gurus, que contribuíram para sua evolução com
diversas ferramentas. Uma delas, o PDCA, tão importante, simples, e eficaz, que ecoou pelo tempo e
até os dias de hoje é bastante utilizada pelas empresas nas suas buscas por melhoria contínua.
Na Terceira Competência, você entenderá o sistema de medição de desempenho - BSC,
e é onde você vai se defrontar com os tipos de sistemas de medição, os famosos Indicadores, além
de perceber a importância da necessidade de acompanhamento dos processos empresariais de forma
integrada.
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Finalizando, apresentarei na Quarta Competência o QFD, onde você conhecerá uma
ferramenta importantíssima, pois consegue traduzir os anseios do cliente e ajuda as empresas a
produzir os produtos ou serviços da forma que o cliente espera.
Desejo a você um excelente aprendizado!
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1.Competência 01 | Entender os métodos de gerenciamento da melhoria
e mudança.
Olá, Estudante!
Espero que, com você, esteja tudo bem.
Certa vez, um casal de idosos dirigiu-se ao gerente do hotel e resolveu elogiá-lo pelos
serviços que o casal estava usufruindo por uns 10 anos (O casal de idosos aposentou-se no mesmo
ano, e, a partir daí, passou a frequentar esse hotel durante todo esse tempo). O velhinho, de mãos
dadas com sua amada esposa, aproximou-se do gerente, tomou fôlego, e, olhando-o nos olhos, falou
em tom claro e cordial:
一 Parabéns! Você sabia que o hotel não MUDOU NADA em todo o tempo que
frequentamos?
E o gerente do hotel, com um sorriso acanhado e amigável, agradeceu com um aceno de
cabeça. Depois olhou para os dois, e falou:
一 Já vocês dois… Bem, vocês MUDARAM MUITO ao longo desses 10 anos e 3 meses!
O casal recebeu a resposta com cara de espanto, cuja expressão logo transformou-se num
sorriso envergonhado, pois eles entenderam que o hotel se esforçou bastante em manter a
QUALIDADE na prestação dos serviços. O hotel sempre procurou estar um passo à frente e, sempre
que o grau de exigência aumentava, mudanças nos processos ocorriam para melhorar o nível de
prestação de serviços, de forma a continuar atendendo às necessidades e superando as expectativas.
Agora que você já ouviu o Podcast, veja o seguinte diálogo:
E por falar em qualidade, dê uma pequena pausa na leitura e vá ao Podcast.
Lá, você vai escutar seu professor falar de várias coisas legais e abordar os
tópicos mais importantes desta competência. Aguardo você lá!
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Figura 1 - Diálogo sobre QUALIDADE
Fonte: O Professor Autor
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma sequência de um diálogo no formato de charge entre uma menina e
um menino distribuída em 8 quadros. Os 4 quadros da menina ficam à esquerda com fundo azul e os 4 quadros do
menino ficam à direita com fundo também azul. A caricatura da menina veste uma camisa vermelha e ela é sem cor,
com cabelo liso preto e a caricatura do menino veste uma camisa verde e ele é sem cor e sem cabelo.
E aí, ESTUDANTE? Qual celular possui QUALIDADE 100%? Ora, você pode responder uma
coisa, e o seu colega pode dar outra resposta. Pois é, o olhar do cliente é o responsável por desenhar
o formato e o tamanho daquilo que vai oferecer a satisfação e a qualidade que ele tanto busca.
1.1.Qualidade
As duas estorinhas acima levam você a entender um problema que vem de mãos dadas
com a qualidade: Como um conceito único pode agradar a “gregos e troianos” e ainda se manter vivo
mesmo com tantas mudanças ao longo do tempo? Ou seja, como opiniões diferentes podem usufruir
constantemente da palavra QUALIDADE?
9
O termo qualidade possui uma característica intangível, ou seja, um conceito abstrato
que não se pode tocar ou pegar e, devido à sua subjetividade, torna-se difícil sua definição.
De acordo com Garvin (2002, p. 48), é possível classificar cinco abordagens diferentes
para a qualidade:
• Transcendental – A qualidade é absoluta e universalmente reconhecível.
• Baseada no produto – A qualidade é uma variável precisa e mensurável, oriunda dos
atributos do produto. Melhor qualidade só com maior custo.
• Baseada no usuário – A qualidade é uma variável subjetiva. Produtos de melhor
qualidade atendem melhor os desejos dos consumidores.
• Baseada na produção – A qualidade é uma variável precisa e mensurável, oriunda do
grau de conformidade do planejado com o executado.
• Baseada no valor – Abordagem de difícil aplicação, pois mistura dois conceitos
distintos: excelência e valor, destacando qualidade X preço.
Perceba então que o autor Garvin confirma a subjetividade da qualidade através dos 5
diferentes pontos de vista que ele categorizou. No entanto, para ajudar neste problema, o mesmo
autor (2002, p. 59-60) separou a qualidade em 8 DIMENSÕES (que podem ser também chamados de
ATRIBUTOS), ajudando desta forma um conceito tão subjetivo a entrar num mundo mais concreto.
Veja:
• Desempenho: Refere-se às características operacionais básicas do produto.
• Características: São as funções secundárias do produto, que suplementam seu
funcionamento básico.
• Confiabilidade: Reflete a probabilidade de mau funcionamento de um produto em
um determinado período.
• Conformidade: Refere-se ao grau em que o projeto e as características operacionais
de um produto estão de acordo com padrões preestabelecidos.
• Durabilidade: Refere-se à vida útil de um produto, considerando suas dimensões
econômicas e técnicas.
• Atendimento: Refere-se à rapidez, cortesia, facilidade de reparo ou substituição.
• Estética: Refere-se ao julgamento pessoal e ao reflexo das preferências individuais
(Aparência do produto).
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• Qualidade percebida: Refere-se à opinião subjetiva do usuário acerca do produto.
Veja alguns conceitos da qualidade na visão de alguns autores:
De acordo com o autor Ferreira (1994, p.591), “Qualidade é a propriedade, atributo ou
condição das coisas ou pessoas capaz de distingui-las das outras e lhes determinar a natureza; numa
escala de valores, qualidade é a propriedade que permite avaliar e, consequentemente, aprovar,
aceitar ou recusar qualquer coisa”.
Já para Feigenbaum (1993) "Qualidade não tem o significado popular de melhor, no
sentido absoluto. Ela significa melhor para certos requisitos do cliente, como o uso e o preço”. Ou
seja, a qualidade seria aquilo que proporciona desempenho a um custo aceitável.
Novamente, Feigenbaum (1994), apud Pinheiro et al (2002), “Qualidade é o fator que
proporciona o retorno do cliente pela segunda, terceira e décima quinta vez”.
Para Lobos (1991), “Qualidade é tudo que alguém faz ao longo de um processo para que
o cliente, seja de fora ou de dentro da organização, obtenha exatamente o que desejava, tanto em
termos de características ou de custo e atendimento”.
Segundo Campos (1992, p.2), “Um produto ou serviço de qualidade é aquele que atende
perfeitamente, de forma confiável, de forma acessível, de forma segura e no tempo certo às
necessidades do cliente”.
E para Hill (1995), “A qualidade é uma abordagem geral de gestão estruturada por certos
princípios básicos e um conjunto de práticas e técnicas estatísticas para implementá-los”.
Cada um que fale uma coisa, né?! Botando a contribuição dos diversos autores num liquidificador,
pode-se chegar ao seguinte conceito:
Veja finalmente a contribuição do autor Chiavenato, que oferece uma abordagem mais
ampla sobre a qualidade:
Qualidade é o conjunto de atributos que permite o produto ou serviço
satisfazer as necessidades e superar as expectativas do cliente.
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“A qualidade não se faz somente com tecnologia. Ela se faz com pessoas,
sobretudo com pessoas capacitadas, treinadas, lideradas, motivadas e
plenamente conscientes de suas responsabilidades. Qualidade se faz com a
participação e o empowerment das pessoas. Nesse sentido, a qualidadeé,
sobretudo, um estado de espírito que reina dentro da organização. Ela exige o
comprometimento das pessoas com a excelência.” Chiavenato
A COMPETITIVIDADE faz parte de todas as empresas nos diversos segmentos de atuação.
E cada empresa que faça seu dever de casa e enxergue na QUALIDADE um forte fator de diferenciação
num mercado tão global, onde um produto está à disposição do cliente a partir de um simples click
num aplicativo ou num portal de uma empresa, cujos produtos ou serviços terão sua origem nos cinco
continentes do querido planeta Terra. Desta forma, a empresa que entende ser a qualidade a mais
importante ferramenta competitiva e a busca em todas as suas ações, seu cliente a verá diferente e
melhor que a concorrência.
1.2 Motivação e Mudança
O que você viu até agora sobre o termo qualidade foi apenas um despertar de um tema
amplo e que vinha sendo praticado há muito tempo de forma “amadora”, ou seja, não havia a
industrialização com produção em massa, e a qualidade ficava nas mãos e sob o olhar dos artesãos.
Com o advento da produção em série (ou em massa) no início do Século XX, a qualidade passou a
receber um novo enfoque, como uma atividade externa à produção, com um olhar gerencial, e que
sucedeu inúmeros estudos, com a contribuição de diversas abordagens sobre a qualidade de vários
autores, cujos resultados são implementados no meio empresarial até os dias de hoje. Na próxima
Competência, você estudará a evolução da qualidade, bem como seus autores.
Você sabia? EMPOWERMENT vem do verbo inglês “empower”, que significa
dar poder ou autoridade a alguém para fazer algo. Os colaboradores da
organização recebem o poder de agir através da delegação.
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Agora, deixa eu lhe fazer uma pergunta: Que tal uma ótima rotina na sua vida? Melhor,
ótimas ROTINAS? Uma pela manhã, uma pela tarde, uma pela noite, uma durante a semana e outra
durante o final de semana. Legal? Ah, já sei. Peraí, deixa eu melhorar a coisa: Quando tiver que tirar
férias, mantenha a rotina nos sábados e domingos e, durante a semana, substitua a rotina do trabalho
e da escola por outra rotina bem legal. Que tal Netflix pela manhã, pela tarde e pela noite durante 30
dias, com pausa durante as refeições?
Vixe!!!...A intenção não é fazer você ter ódio da rotina, pois por trás de todas as coisas,
há o que se garimpar e extrair de bom, até mesmo em coisas horríveis que só proporcionam tristeza,
pelo menos um aprendizado pode ser conquistado. A rotina é um exemplo. Não ter uma rotina pode
ser muito prejudicial, pois a falta de organização de uma rotina pode atrapalhar muito no
desempenho das tarefas da casa, no seu trabalho e na sua vida. Uma criança, por exemplo, precisa
de uma rotina com horários para dormir, acordar, comer, brincar, para que se sinta segura no
processo de aprendizagem e na sua vida de uma forma geral. Então existe uma rotina boa e uma
rotina ruim, certo? Exato! Pois bem, toda rotina ruim deve ser descartada, pois o ser humano
necessita de oxigenação, de novos hábitos, hábitos saudáveis, de desafios e, sobretudo, de
MUDANÇAS.
Figura 2 - MUDANÇA
Fonte: https://www.cvv.org.br/blog/o-que-representa-mudanca-para-voce/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, dois aquários lado a lado com o mesmo formato redondo, mesma
quantidade de água e mesmo tamanho, apoiados sobre uma superfície azul, e com pano de fundo também azul. O
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aquário da esquerda possui 6 peixes na água e 1 peixe fora, saltando por uma mudança para o aquário da direita, que
está sem peixes.
A mudança está de mãos dadas com a insatisfação das pessoas. Instintivamente, o ser
humano busca sempre estar num estado de equilíbrio interno. A paz acaba quando surge uma
necessidade qualquer, que gera um estado de tensão. A motivação de cada indivíduo é o início da
busca pelo retorno daquele equilíbrio.
Existem pessoas que dizem que a motivação vem de fatores externos, onde basta
providenciar ambiente motivacional para que qualquer pessoa sinta-se motivada. No entanto, os
estudiosos da motivação, em sua maioria, acreditam que a motivação é uma característica intrínseca,
ou seja, ela ocorre por fatores internos, pela vontade pessoal de cada indivíduo. Veja o que fala
CHIAVENATO:
“Os motivos ou necessidades são pessoais e individuais, pois são determinadas
pelos fatores que formam a personalidade, pelos traços biológicos e psicológicos
e pelas características adquiridas através da experiência pessoal e aprendizagem
de cada pessoa”. (CHIAVENATO 1997, p. 167)
Existem diversos teóricos da motivação, como Vroom, Adams, Skinner, Herzberg,
McGregor, Maslow, dentre outros. Para fins didáticos, falarei para você apenas sobre Maslow e sua
hierarquia das necessidades, ou simplesmente Pirâmide de Maslow.
Figura 3 - PIRÂMIDE DE MASLOW
Fonte: https://www.edm2.com.br/blog/piramide-de-maslow-o-que-e/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma pirâmide separada em 5 níveis de cores diferentes e, ao seu lado
direito, os títulos de cada nível com a sua respectiva explicação.
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A teoria de Maslow fala que, à medida em que os seres humanos vão atendendo às suas
necessidades mais básicas, vão subindo na hierarquia de necessidades, adquirindo outras cada vez
mais complexas.
Quadro 1 - teoria de Maslow
Fonte: o autor
• Na base da pirâmide estão situadas as necessidades fisiológicas, que, caso não
estejam atendidas, nenhuma outra mais pode ser. Referem-se às necessidades
básicas como comer, dormir e beber água, necessidade de horários flexíveis de
trabalho, conforto físico, intervalos de trabalho, etc.
Necessidades fisiológicas
• Trata-se da necessidade de sentir que a própria vida está protegida contra a
violência. Que se tem onde morar, que a pessoa não será demitida do seu emprego,
boa remuneração, condições seguras de trabalho, etc.
Necessidades de Segurança
• O ser humano é, na sua essência, um ser social. As necessidades sociais dizem
respeito à sensação de integração e pertencimento a grupos e à aceitação por parte
das pessoas que fazem parte dos ciclos de relacionamento, ou seja, conquista de
amizades e manutenção de boas relações. Ter chefes gentis pode ser outro exemplo,
etc.
Necessidades Sociais
• Em geral é a necessidade de sentir-se digno, respeitado por si e pelos outros, com
prestígio e reconhecimento, responsabilidade pelos resultados, promoções, poder,
orgulho etc. Incluem-se aqui as necessidades de auto-estima.
Necessidades de Estima
• No topo da pirâmide, encontra-se a necessidade da auto-realização. Trata-se de
independência, autonomia, expressão da criatividade, exercício dos talentos e dons,
autoconhecimento, desafios no trabalho, necessidade de influenciar nas decisões,
etc. Ou seja, tudo que diz respeito à realização das potencialidades humanas, tanto
na vida pessoal, quanto na profissional.
Necessidades de Auto-Realização
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É claro que uma teoria que foi formulada na década de 50 do século passado está
propensa a receber críticas como: As pessoas não são iguais, desta forma um aspecto que se mostra
como uma necessidade para uma pessoa, pode não ser para outra; Que Maslow teria idealizado a
escala das necessidades de forma muita rígida, etc. No entanto, apesar das críticas, a pirâmide de
Maslow continua atual e ajudando as empresas na política de ações motivacionais voltadas para seus
trabalhadores.
Voltando a falar de MUDANÇA, geralmente as pessoas temem novas políticas
empresariais, ou qualquer comunicado que venha vestido com uma estampa que lembra mudança.
As pessoas não só temem, mas sobretudo resistem à mudança quando consideram que suas
consequências são negativas, ou seja, elas acreditam que a mudança trará prejuízos a elas. Veja
abaixo a ilustração desse medo e dessa resistência, onde as raízes prendem os pés de uma mulher,
que se recusa a participarda mudança:
Figura 4 - MUDANÇA X RAÍZES
Fonte:https://www.chabad.org/theJewishWoman/article_cdo/aid/3261356/jewish/Im-Scared-of-Change.htm
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma mulher de braços cruzados. No chão, um recorte do solo mostrando
raízes que representam a extensão dos pés da mulher.
Veja agora um vídeo de apenas 3 minutinhos e bem legal sobre a Teoria
Motivacional de Maslow:
https://www.youtube.com/watch?v=EIU3GHDmGqA
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O setor de RH alinhado com a diretoria devem proporcionar total clareza do que é preciso
mudar, assim, o que seria uma das maiores barreiras para qualquer mudança nos processos, será um
passo grande para tornar os colaboradores envolvidos em um grande time engajado e motivado, cuja
contribuição de todos permitirá o atingimento dos resultados organizacionais esperados.
Se as raízes da zona de conforto o impede de participar de qualquer mudança e se a sua
motivação por mudanças faz as empresas buscarem novos produtos, novos serviços, produtos
melhores e serviços melhores, então POR QUÊ VOCÊ TEM MEDO DA MUDANÇA?
1.3.ISO, o que é isso?
Quando se fala em qualidade, logo vem à mente a expressão ISO: Essa empresa possui
ISO 9001, aquela empresa possui ISO 14001, daí você já enxerga com bons olhos os produtos ou
serviços que são ofertados por essas empresas. Você tem a certeza de que seus produtos ou serviços
são bons, aliás, ótimos! Ou pelo menos você acredita que terá uma boa experiência como cliente
dessas empresas.
MAS, diferentemente do que se acredita, a ISO apenas propõe que os processos de
produção industrial ou de prestação de serviços sigam critérios rigorosamente estabelecidos por
escrito e passíveis de auditoria por terceiros a qualquer momento. Ou seja, até um produto que não
lhe agrade pode receber a certificação ISO, desde que as etapas do processo de produção sejam
registradas por escrito e estabeleçam as providências a serem tomadas nos casos de não
conformidade.
De acordo com o que você acabou de aprender, veja então o que é FAKE NEWS (notícia
falsa) e o que é VERDADE:
Você lembra do casal de idosos do início do e-Book? Eles não gostavam de
rotina, eles gostavam de estar em equilíbrio interno e, quando a insatisfação
aparecia, a motivação os levava a clamar por mudanças, por qualidade, por
satisfação atendida.
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☑ FAKE NEWS
☐ VERDADE
☐FAKE NEWS
☑VERDADE
Você já percebeu que toda ideia ou solução surge a partir de uma necessidade ou
problema?! A história da ISO tem início na Segunda Guerra Mundial, quando países aliados não
podiam compartilhar munições, devido a diferenças de unidades de medida em geral. Assim, a
solução dos militares foi a criação de normas para um desenvolvimento uniforme dessas munições,
surgindo daí diversas normas com o objetivo de criar padronizações (TAJRA, 2008).
Em Londres, no ano de 1946, 65 delegações vindas de 25 países encontraram-se para
discutir o futuro da padronização internacional. Em 1947, surge em Genebra, na Suíça, a International
Organization for Standardization (ISO), cuja tradução para o português é Organização de
Padronização Internacional ou Organização de Normalização Internacional. A expressão ISO se origina
do grego, e tem o significado de igualdade.
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Agora que você assistiu à videoaula, a ISO é um organismo internacional não
governamental, formado por organismos de normalização de diversos países, cuja missão é promover
o desenvolvimento da normalização e de atividades relacionadas com o propósito de facilitar a troca
internacional de bens e serviços e o desenvolvimento da cooperação nas esferas intelectual,
científica, tecnológica e econômica. Ela ajuda os gestores a garantir a qualidade dos processos e a
agilidade na produção, promovendo assim a satisfação dos clientes.
Com a globalização dos mercados, é cada vez mais necessária uma forma de padronizar
processos internos às empresas, de forma a garantir a qualidade dos produtos e serviços
transacionados. A certificação é uma forma de dar uma garantia de padronização do bem ou serviço
que se pretende adquirir ou contratar. É cada vez mais difícil atuar no mercado internacional e
globalizado sem certificados que atestem essa padronização e a qualidade do que é feito.
Consequentemente, a atividade de normalização, de certificação, tem se tornado cada vez mais
presente nos mercados.
Alguns objetivos da normalização:
• Proporcionar economia na produção de produtos e procedimentos;
• Proporcionar meios mais eficientes de troca de informações entre os envolvidos;
• Proteger o consumidor;
• Eliminar barreiras técnicas e comerciais.
Atualmente, a família ISO certifica produtos e serviços em mais de um milhão de
organizações localizadas em 165 países. Essa normalização é realizada a partir de um grupo de normas
Antes de você continuar no estudo da ISO, dê uma paradinha e assista à
videoaula. Ela está bem legal. Lá, eu falo dos tópicos desta competência e
apresento exemplos bem práticos.
NORMALIZAÇÃO é o processo de formulação e aplicação de regras para a
solução ou prevenção de problemas, com a cooperação de todos os
interessados, e, em particular, para a promoção da economia global.
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técnicas que oferecem, entre outros, um modelo padronizado para o Sistema de Gestão da
Qualidade.
Figura 5 - LOGOMARCA DA ISO
Fonte: https://faq-iso9001.portaliso.com/quem-faz-as-normas-iso/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, a sigla da ISO na cor branca, na frente de um globo na cor azul e, à direita,
a tradução da sigla na cor azul.
Por mais que NÃO seja obrigatória a certificação da ISO, há motivações internas e
externas para sua obtenção. As internas estão relacionadas com o objetivo de alcançar a melhoria da
organização, enquanto as externas estão relacionadas ao marketing, pressões do cliente e aumento
do marketshare (SAMPAIO;SARAIVA; RODRIGUES, 2009).
Benefícios da implantação da ISO:
• Equipe motivada e alinhada;
Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) é um conjunto de elementos
interligados que são integrados nas empresas para atender à política da
qualidade e aos objetivos da empresa, com foco no cliente e na melhoria
contínua dos processos.
Você sabia? A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) representa a
ISO no Brasil.
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• A satisfação do seu cliente, consequência de a empresa passar a enxergá-lo como
foco principal do negócio;
• Aumento da imagem e reputação da empresa no mercado;
• Conquista de novos negócios;
• Economia nos processos e redução de desperdícios, cujos recursos poderão ser
investidos no desenvolvimento da empresa;
• Maior organização interna;
• Melhor desempenho do negócio;
• Melhor desempenho comercial;
• Melhor controle do negócio pela direção e pelos acionistas.
Todos esses benefícios proporcionam às empresas o Diferencial Competitivo.
Principais Normas da ISO:
• ISO 9001 - Sistema de Gestão da Qualidade;
• ISO 14001 - Sistema de Gestão Ambiental;
• ISO 45001 - Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional;
• ISO 27001 - Segurança da Informação; E tantas outras…
A família de normas ISO 9000 foi publicada pela primeira vez em 1987 com uma
perspectiva de grande contribuição na evolução da garantia e da gestão da qualidade nas empresas.
Foi submetida a quatro revisões desde então, 1994, 2000, 2008 e em 2015, para refletir avanços na
tecnologia e aplicação da gestão da qualidade.
“Diferencial Competitivo ou Vantagem Competitiva é o ato de desenvolver um
conjunto de diferenças significativas para distinguir a oferta da empresa da
oferta da concorrência”. Philip Kotler.
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Figura 6 - HISTÓRICO DA SÉRIE ISO
Fonte: https://tuliomartins.com.br/o-que-e-iso/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma seta azul clara ascendente representando as mudançasna série ISO.
A ISO 9000 constitui basicamente uma metodologia que propõe um modelo de
implementação de sistemas da qualidade, aplicável a qualquer tipo de empresa, em qualquer parte
do mundo. Tem como enfoque a garantia da qualidade e forma um conjunto consistente e uniforme
de procedimentos, elementos e requisitos para a garantia da qualidade.
1.4. ISO 9001:2015 - Gestão da Mudança.
Como você viu anteriormente, mudanças causam medo e resistência nas pessoas. Como
uma mudança sempre envolve riscos, ela é temida até pelas empresas. A última reforma ocorrida na
ISO, em 2015, estabeleceu a necessidade de planejar as mudanças, pois quando realizadas, os efeitos
negativos são diminuídos e os positivos são aumentados.
Desta forma, esta Norma (ISO 9001:2015 - Cláusula 6.3) diz que, ao planejar as mudanças,
a organização deve considerar:
Veja agora um vídeo de apenas 3 minutinhos e bem legal sobre a ISO:
https://www.youtube.com/watch?v=NU62hmb29go
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• O propósito das mudanças e suas consequências: A mudança é realmente
importante e como ela afetará a empresa? Será lançado um novo produto ou serviço?
Será adquirido um novo recurso para aumentar a produtividade da equipe? Mudar
sem planejamento pode impactar negativamente o Sistema de Gestão da Qualidade
(SGQ).
• A integridade do SGQ: No SGQ existem regras, padrões e princípios definidos que
precisam ser seguidos. Sua integridade deve ser considerada, pois mudanças podem
afetar vários aspectos de toda estrutura construída nesse Sistema, como instruções
de trabalho, prazos, indicadores, objetivos da qualidade, regras de retenção ou
divulgação de informações, etc.
• A disponibilidade de recursos: Sempre é necessário o uso de recursos para que as
mudanças aconteçam. Ao planejar uma mudança, deve-se verificar se existe a
disponibilidade dos recursos necessários para que sua implementação tenha sucesso,
como dinheiro, equipamentos, e pessoas.
• A alocação ou realocação de responsabilidades e autoridades: Determinar a
responsabilidade e autoridade de quem irá conduzir uma mudança no SGQ é um
aspecto importantíssimo, pois esse profissional deverá saber lidar com a possível
resistência das pessoas.
Mudança por mudança e/ou por simples modismo é muito arriscado. Quer ver uma coisa?
A Reengenharia foi um modelo empresarial de mudança radical nos processos, ocorrido na década
de 1990, e largamente implantado pelas empresas naquele momento. Veja o resultado:
Champy (1997, apud HSM MANAGEMENT p.23) atesta que “60% a 70% dos processos
de reengenharia falharam”.
Viu só? Você está gostando? Sim, né? Que bom! E agora, contenha sua ansiedade, pois a
próxima competência será empolgante e você aprenderá diversas ferramentas que auxiliam as
empresas a buscarem e manterem a qualidade em todos os processos de forma a permitir a melhoria
contínua como uma prática rotineira, onde gestores, empregados, fornecedores e, principalmente,
clientes são beneficiados e os resultados alcançados.
Até lá!
23
2.Competência 02 | Compreender o ciclo PDCA e ferramentas básicas para
o gerenciamento da melhoria contínua (Kaizen).
Olá, Estudante!
Espero que, com você, esteja tudo bem.
Na competência passada, você navegou no gigante mar chamado QUALIDADE, e
testemunhou a sua importância na vida das empresas, e na vida de cada pessoa que,
incansavelmente, busca por melhores produtos e serviços de excelência. Viu também que a
responsável por essa busca é a motivação individual, que possui grande intimidade com o processo
da mudança. Além disso, você aprendeu sobre a ISO, e já consegue identificar que muito do que se
fala por aí deve ser considerado “Fake News”, bem como sabe das verdades que envolvem esse termo
e, sobretudo, a sua importância na melhoria dos processos, que permite às empresas não só
reduzirem seus custos, mas principalmente promoverem a satisfação dos clientes.
Agora que você já ouviu o Podcast, nesta competência você verá a evolução histórica do
termo Qualidade, assim como seus autores responsáveis pela disseminação e aperfeiçoamento de
sua prática no mundo empresarial. Você conhecerá ainda algumas ferramentas utilizadas não apenas
para o controle da qualidade, mas sobretudo para a ampliação desse termo no sentido da busca pela
melhoria contínua nos processos das organizações.
2.1.Uma breve história da Qualidade e sua evolução.
Há registros da qualidade nos processos de produção desde a antiguidade. Oliveira (2006)
cita que o Código de Hamurabi da civilização babilônica, por volta de 1.770 a.C., estabelecia penas
severas para construtores que erguessem uma casa que desabasse matando os moradores.
Antes de eu falar o que abordarei nesta competência, dê uma pausa e vá
direto ao Podcast. Você já sabe que não pode perder, né? Encontro você lá.
24
Quer ver mais? Inspetores fenícios eliminavam quaisquer violações reincidentes de
padrão de qualidade amputando a mão do fabricante de um produto defeituoso. O povo fenício é
aquele que você estudou em história, que deixou como legado a criação do alfabeto, e que teve seu
auge por volta do período de 1.200 a.C. a 800 a.C.
O conceito de qualidade vem mudando e influenciando o estilo de gestão, as pessoas
(sejam os consumidores ou aquelas envolvidas na produção de bens ou serviços nas empresas), os
processos de produção, os produtos ou serviços, os resultados organizacionais e o meio ambiente.
Figura 7 - SAPATEIRO MEDIEVAL
Fonte: https://pt.dreamstime.com/pintura-mural-velha-na-fachada-da-casa-mostra-um-sapateiro-medieval-no-
trabalho-centro-cidade-de-zurique-su%C3%AD%C3%A7a-image137395132
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem antiga com dois sapateiros do período medieval.
Acima, você pode ver uma imagem antiga representando o ofício de sapateiro na época
medieval. Esse ofício, dentre tantos outros, dá ao seu profissional o nome de ARTESÃO. Segundo Lobo
(2002), nos séculos XVIII e XIX a qualidade era controlada pelos artesãos, que acompanhavam desde
a concepção do produto até sua venda, incluindo as atividades de detecção e correção de erros. Nessa
época, esses profissionais tinham seu conhecimento individual associado à qualidade, facilitado pela
relação que mantinham com o cliente e com a produção. Os artesãos participavam totalmente do
controle dos processos da linha de produção. Atendiam seus clientes, tentavam compreendê-los,
produziam sob medida e ofereciam satisfação aos seus clientes.
Os produtos deixaram de ser produzidos pelos artesãos e passaram a ser produzidos nas
indústrias em quantidades extraordinariamente maiores com o advento da Revolução Industrial, que
25
foi um processo que consistiu numa série de mudanças na maneira de produzir e gerou modificações
profundas na área social e, principalmente, na área econômica. O início desse processo deu-se com
a descoberta da máquina a vapor, cuja data foi em meados de 1760, e proporcionou a substituição
do trabalho manual do ser humano pelo surgimento das máquinas capazes de realizar o trabalho com
mais precisão e em bem menos tempo.
A ordem produtiva com foco na customização e não na padronização perdurou até o final
do século XIX, época em que a montadora de automóveis Panhard e Levassor (P&L) ainda montava
seus veículos, atendendo as necessidades de cada um de seus clientes endinheirados. (CARVALHO;
PALADINI, 2005, p.3).
Esse estilo de produção baseado na customização deu lugar ao modo de produção com
foco na padronização dos produtos e em larga escala, ou seja, em grandes quantidades.
A partir da Revolução Industrial, a QUALIDADE tem a sua evolução dividida em quatro
Eras, a saber:
• Era da Inspeção – Qualidade com foco no produto;
• Era do Controle Estatístico da Qualidade – Qualidade com foco no processo;
• Era da Garantia da Qualidade – Qualidade com foco nosistema;
• Era da Gestão da Qualidade Total ("Total Quality Management - TQM") – Qualidade
com foco no negócio.
Era da Inspeção (Foco no Produto)
A Era da Inspeção prevaleceu por muitos anos, durante os quais a Qualidade era obtida
através de inspeção, controle e separação dos produtos bons dos defeituosos. Aos inspetores, cabia
a tarefa de identificação e quantificação das peças defeituosas. Estas eram removidas e trocadas sem
Você já ouviu falar em CUSTOMIZAÇÃO? É a personalização ou adaptação de
algo de acordo com as especificações, preferências ou características de uma
pessoa. Exemplificando, se você for a uma festa e encontrar uma pessoa
vestindo uma roupa igual a sua, é chato ou não é?! Não seria legal uma roupa
feita apenas para você?!! No caso da customização de um sapato ou de um
automóvel, nada mais é senão a adequação dos produtos de acordo com as
necessidades do cliente.
26
que se fizesse uma avaliação das causas reais do problema para prevenir sua repetição. O objetivo
principal era obter qualidade igual e uniforme em todos os produtos. Ênfase à conformidade e foco
no produto.
Surgiu no início do século XX a Administração Científica, modelo de administração
desenvolvido por Frederick Winslow TAYLOR, onde o trabalho era realizado em frações menores,
cujas atividades eram repetidas diversas vezes ao longo da jornada de trabalho. Os trabalhadores não
mais planejavam ou criavam tal como faziam os artesãos, pois só produziam e eram inspecionados.
Apesar das críticas ao modelo de Taylor, mencionadas no vídeo a seguir, ele obteve
resultados surpreendentes no que diz respeito ao aumento de produtividade e passou a ser o
referencial de produção para muitas empresas da época.
Era do Controle Estatístico da Qualidade (Foco no Processo)
Com o crescimento da produção, o modelo baseado na inspeção 100% torna-se caro e
ineficaz. Em 16 de maio de 1924, Walter A. Shewhart, matemático americano, aplicando
conhecimentos estatísticos, desenvolve poderosa técnica com a finalidade de solucionar problemas
de controle da qualidade de uma empresa chamada Bell Telephone Laboratories: o Gráfico de
Controle de Processo. Em 1931, ele escreveu "Economic Control of Quality of Manufactured Product",
que forneceu um método preciso e mensurável para definição do controle do processo,
estabelecendo princípios para monitorar e avaliar a produção.
Da inspeção, evolui-se para o controle da qualidade, que além da atividade de
inspecionar, passa a incluir em suas atividades os conceitos estatísticos, tais como cartas de controle,
diagrama de Pareto, amostragens estatísticas, uso de fluxogramas, análises de tendências entre
outros. O grande ganho da fase de controle da qualidade são as tratativas de erros com ferramentas
estatísticas. E essas ferramentas você verá já já, ainda nesta competência.
Era da Garantia da Qualidade (Foco no Sistema)
Veja um breve vídeo sobre Taylor:
https://www.youtube.com/watch?v=KvTuXd82SuA
27
Com o fim da 2ª Grande Guerra Mundial em 1945, a qualidade ficou adormecida, pois a
escassez de produtos gerada pelos efeitos da guerra impactou negativamente a famosa lei da oferta
e da procura, onde a oferta das indústrias e empresas foi bem menor do que a procura dos clientes.
Este cenário clamava por mudanças e necessitava de um desenvolvimento tecnológico e industrial. A
qualidade voltou a ser protagonista no mundo empresarial e, países lutavam para se reerguer,
especialmente o Japão, que foi um dos mais destroçados nessa guerra. Por volta de 1950, o Japão
convidou especialistas da qualidade, dentre eles, W. Edwards Deming e Joseph Juran.
Nesta Era da Garantia da Qualidade, destaco quatro movimentos, a saber:
• Quantificação dos custos da Qualidade;
• Controle Total da Qualidade;
• Técnicas da Confiabilidade; e
• Programa Zero Defeitos.
Quantificação dos custos da Qualidade: Os custos da Qualidade foram abordados pela
primeira vez por Juran na primeira edição do livro Quality Control Handbook, em 1951, que buscava
sinalizar aos gerentes o impacto das ações de qualidade sobre os custos das empresas. Juran dizia
que os custos podem ser divididos em evitáveis e inevitáveis. Os custos evitáveis são classificados
como os defeitos e falhas de produtos, retrabalho, reparo, reclamações e demais prejuízos
decorrentes. Enquanto os inevitáveis estão associados a prevenção, através da inspeção,
amostragem, classificação e demais providências ao alcance da qualidade. Ele demonstrou que ações
de Qualidade voltadas para a prevenção provocavam a redução dos custos totais.
Controle Total da Qualidade: TQC (Total Quality Control) Armand Feigenbaum é o
primeiro especialista que aborda a Qualidade com uma visão sistêmica, ou seja, a qualidade de
produtos e serviços não deve ser feita de forma isolada, pois é "um trabalho de todos”.
Técnicas da Confiabilidade: As técnicas da confiabilidade visavam garantir um
desempenho aceitável do produto ao longo do tempo, proporcionando desta forma a prevenção da
ocorrência de defeitos e a manutenção da qualidade durante todo o processo produtivo. Estas
técnicas foram primeiramente utilizadas pelas indústrias aérea, eletrônica e militar.
28
Programa Zero Defeitos: O programa Zero Defeitos originou-se no ano de 1961 na
construção dos mísseis Pershing nos E.U.A., inspirado fundamentalmente nos trabalhos de Philip
Crosby, cuja filosofia básica consistia em fazer o trabalho certo já na primeira vez.
Era da Gestão da Qualidade Total - "Total Quality Management - TQM" (Foco no negócio)
A Era da Gestão da Qualidade Total é uma evolução natural das três Eras que a
antecederam. Ela engloba a Garantia da Qualidade, o Controle Estatístico da Qualidade e a Inspeção.
A Gestão da Qualidade Total envolve a aplicação progressiva da Qualidade em todos os aspectos do
negócio. O foco é no negócio, e o alvo a ser atingido é a satisfação do cliente. Neste sentido, a gestão
da Qualidade é aplicada em tudo o que se faz na empresa e em todos os seus níveis e áreas, incluindo
vendas, finanças, compras e outras atividades não ligadas necessariamente à produção. Nesta Era, a
alta direção reconhece o impacto da Qualidade no sucesso da empresa, passando a merecer a sua
atenção rotineira e integrando-se na gestão estratégica do negócio. A percepção das empresas como
um sistema aberto impulsionou a necessidade da visão estratégica da Qualidade no TQM.
Veja agora um Quadro contendo as 4 Eras da Qualidade e suas principais características.
Você se lembra? Lá atrás, você viu que Taylor considerava a empresa como um
sistema fechado, sem atentar para a concorrência, o cliente e o fornecedor. E
mesmo assim ele conseguiu aumentar a produtividade. Imagina só os
resultados se ele tivesse visto a empresa como um sistema aberto!!!
29
Figura 8 - ERAS DA QUALIDADE
Fonte: (CARVALHO, 2005, p. 7 - 8)
Audiodescrição da Figura: No centro da tela, um Quadro contendo as 4 Eras da Qualidade na coluna da esquerda e, à
direita, 6 colunas contendo as características de cada Era.
2.2. Gurus da Qualidade
Apresentarei agora os principais autores que mais contribuíram para o desenvolvimento
da qualidade nos processos produtivos do mundo inteiro. Se eles vivessem nos dias de hoje,
30
certamente eu pediria para você segui-los nas redes sociais. Eles também eram tratados como gurus
da qualidade. Conheça-os:
W. Edwards Deming
Pai do controle da qualidade no Japão.
Aperfeiçoou e aplicou o ciclo PDCA no
Japão;
Figura 9 - W. Edwards Deming
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: Foto colorida, homem branco,
cabelo branco, usando óculos e terno.
Figura 10 - Joseph M. Juran
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: Foto preto e branco, homem
branco, cabelo branco,usando óculos e terno.
Joseph M. Juran
Propôs a trilogia da qualidade: Planejamento,
Controle e Melhoria. Foi o primeiro a tratar
sobre os custos da qualidade;
Walter A. Shewhart
Pai do controle estatístico da qualidade, cujo
nome era Controle Estatístico de Processo
(CEP). Criou também o ciclo PDCA;
Figura 11 - Walter A. Shewhart
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: Foto tom esverdeado, homem
branco, cabelo preto , usando óculos e terno.
31
Figura 12 - Armand Feigenbaum
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: imagem preto e branco,
homem branco, cabelo preto usando terno.
Armand Feigenbaum
Pai do Controle Total da Qualidade (TQC);
Philip B. Crosby
Pai do programa Zero Defeito (fazer certo na
primeira vez);
Figura 13 - Philip B. Crosby
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: imagem colorida, homem
cabelo branco, usa bigode, paletó bege, gravata preta.
Figura 14 - Kaoru Ishikawa
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: imagem colorida,homem de
cabelo grisalho, usa óculos e terno.
Kaoru Ishikawa
Pai dos círculos de controle de qualidade
(CCQs), do diagrama de causa-efeito, também
conhecido por espinha de peixe, sendo este
diagrama uma das ferramentas básicas da
qualidade que ele criou ;
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Genichi Taguchi
Visava a qualidade do produto através do DoE
(Design of Experiment), onde a qualidade
deveria ser inserida no produto desde o início,
e não através das inspeções. Ele focava
também na função perda da qualidade, onde
ele media as perdas em função dos desvios da
qualidade.
Figura 15 - Genichi Taguchi
Fonte: https://images.app.goo.gl/KZCDFttCdXnN4fY27
Audiodescrição da Figura: imagem colorida, homem de
cabelo preto, usa óculos e terno.
2.3.Ferramentas da Qualidade.
A qualidade está ligada à produtividade, à melhoria de resultados e ao aumento de lucros,
através da redução de custo e do desperdício. Você percebeu como a evolução da Qualidade,
estudada há pouco, remete-nos à necessidade do aumento cada vez maior da participação de todos
os empregados de uma empresa? A responsabilidade deixou de ser apenas do presidente, do diretor,
ou de um departamento específico. Ela deve ser entendida com a concepção de pensamento e
atitude a serem praticados em todos os processos organizacionais.
É importante que os executivos, gestores e líderes das organizações utilizem técnicas e
ferramentas da qualidade para auxiliá-los na incansável busca da melhoria contínua nos processos e,
consequentemente, na oferta dos produtos no momento e na maneira que os clientes esperam.
Ferramentas da qualidade são técnicas que se podem utilizar com a finalidade de definir,
medir, analisar e propor soluções, que, a partir da década de 1950, o guru japonês da qualidade Kaoru
Ishikawa, propôs o uso das 7 ferramentas básicas da qualidade para o melhor desempenho dos
processos empresariais. Conheça-as:
33
2.3.1.Fluxograma
É uma representação gráfica, através de símbolos padronizados, do passo a passo de um
processo e suas relações. É feita a representação do caminho real e do ideal para um produto ou
serviço com o objetivo de reconhecer os desvios e providenciar as correções.
Veja uma imagem contendo os símbolos mencionados:
Figura 16 - SÍMBOLOS USADOS NA ELABORAÇÃO DE UM FLUXOGRAMA
Fonte: Gestão da Qualidade / Simone Silva Machado, 2012.
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem contendo oito símbolos de formas diferentes, na mesma cor,
e com seus respectivos nomes.
Agora, veja um exemplo de fluxograma:
34
Figura 17 - EXEMPLO DE UM FLUXOGRAMA - Produção de açúcar e etanol
Fonte: Gestão da Qualidade / Simone Silva Machado, 2012.
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem de um fluxograma com dois processos de produção, sendo o
do açúcar na cor laranja, e o do etanol na cor verde. E a etapa inicial do tratamento da cana-de-açúcar na cor roxa.
2.3.2 Diagramas de causa-efeito
Conhecido também como espinha de peixe ou Diagrama de Ishikawa, ele é usado quando
se deseja identificar, explorar e ressaltar as causas possíveis de um problema, representando a
relação entre o efeito (resultado) e suas possíveis causas. Ishikawa separou as causas (falhas) em 6
categorias, sendo a mão-de-obra, o método, as máquinas, o meio ambiente, os materiais e medidas.
Figura 18 - DIAGRAMA DE ISHIKAWA
Fonte: SIMONE SILVA MACHADO. Gestão da Qualidade, 2012.
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem em formato de espinha de peixe, sendo a cabeça, o efeito, e
as espinhas, as causas.
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2.3.3 Folhas de Verificação
A folha de verificação é uma ferramenta utilizada para observar e medir a frequência com
que determinados eventos ocorrem, e num dado tempo.
Figura 19 - EXEMPLO DE FOLHA DE VERIFICAÇÃO PARA ERROS DE DIGITAÇÃO
Fonte: FAESARELLA; SACOMANO; CARPINETTI. Gestão da Qualidade: Conceitos e Ferramentas, 2006.
Audiodescrição da figura: No centro da tela, um Quadro contendo do lado esquerdo 6 tipos de erros de digitação, e à
direita, a quantidade de cada erro em 3 momentos diferentes. E o total na última linha e na última coluna.
2.3.4.Diagrama de Pareto
Esse diagrama baseia-se na ideia de focar em apenas 20% das causas, desde que elas
sejam as mais representativas (as mais graves), pois elas implicam em 80% dos problemas. Desta
forma, o Diagrama de Pareto auxilia no direcionamento da atenção e esforços para os problemas
mais importantes. Daí você pode me perguntar: Não seria correto resolver todos os problemas, ao
invés de apenas 20%? Ora, solucionar todos os problemas é muito caro e trabalhoso, e, além de
demandar dinheiro e mão-de-obra, o fator tempo também indicará o caminho da escolha dessa
ferramenta da qualidade, pois eu devolvo para você outra pergunta: Quantos clientes estão dispostos
a esperar diante de uma vasta concorrência em seu favor?
36
Figura 20 - EXEMPLO DE UM DIAGRAMA DE PARETO
Fonte: https://blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, um gráfico com barras indicando o número de casos e com uma linha
ascendente indicando a participação acumulada.
2.3.5 Histograma
Um histograma é uma ferramenta baseada num tipo de gráfico de barras que demonstra
uma distribuição de frequências, indicando o número de unidades em cada categoria.
Figura 21 - EXEMPLO DE UM HISTOGRAMA
Fonte: https://www.alura.com.br/artigos/o-que-e-um-histograma
Audiodescrição da figura: No centro da tela, um gráfico com barras de tamanhos diferentes e na mesma cor azul.
2.3.6.Diagrama de Dispersão
O diagrama de dispersão mostra o que acontece com uma variável quando a outra muda,
com o intuito de analisar uma possível relação entre elas, bem como sua intensidade.
37
Figura 22 - EXEMPLO DE UM DIAGRAMA DE DISPERSÃO
Fonte: FAESARELLA; SACOMANO; CARPINETTI. Gestão da Qualidade: Conceitos e Ferramentas, 2006.
Audiodescrição da figura: No centro da tela, um gráfico com pontos dispersos representando a relação entre duas
variáveis.
2.3.7 Cartas de Controle
Gráfico com limite de controle que permite o monitoramento dos processos. Serve para
verificar se o processo está dentro dos limites esperados. Neste gráfico, são estabelecidos o Limite
Superior de Controle (LSC), a Linha Média (LM), e o Limite Inferior de Controle (LIC).
Figura 23 - EXEMPLO DE UM GRÁFICO DE CONTROLE
Fonte: FAESARELLA; SACOMANO; CARPINETTI. Gestão da Qualidade: Conceitos e Ferramentas, 2006.
Audiodescrição da figura: No centro da tela, um gráfico com pontos dispersos, mas dentro dos limites de controle
esperados.Veja agora um vídeo curtinho e bem legal sobre as 7 ferramentas básicas da
qualidade:
https://www.youtube.com/watch?v=ScYJQshfvSg
38
2.4 PDCA.
A sobrevivência de uma empresa depende de sua capacidade de inovar e efetuar
melhorias contínuas em seus processos, a fim de garantir uma posição consolidada no mercado, onde
o cliente é tal como o casal de idosos do início do e-Book. A melhoria contínua torna-se uma condição
obrigatória face ao desafio de toda organização, que é o de promover produtos e / ou serviços que
satisfaçam as necessidades e superem as expectativas do cliente, cuja vontade muda
constantemente.
Você estudou há pouco as 7 ferramentas básicas da qualidade. Entenda que elas não
otimizam os processos, pois funcionam como verificadoras que buscam evitar a ocorrência de erros.
Então, como complemento às ferramentas básicas da qualidade, foram criadas as de melhoria
contínua, que buscam aperfeiçoar o processo de forma constante, ou seja, após uma melhoria
alcançada, outra melhoria é perseguida, e assim por diante.
Existem diversas ferramentas de melhoria contínua como por exemplo:
• O próprio TQC, Total Quality Control do guru Armand Feigenbaum, que concebeu a
ideia do envolvimento de todos no quesito Qualidade;
• KAIZEN (Melhoramento contínuo);
Figura 24 - KAIZEN
Fonte: file:///C:/Users/Aluno/Desktop/QUALIDADE/5-FERRAMENTA%20DE%20MELHORIA%20CONT%C3%8DNUA%20KAIZEN.pdf
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem com 3 símbolos japoneses na cor vermelha e, à direita, seus
significados.
Antes de você continuar no estudo do Ciclo PDCA, pare e assista à videoaula.
Ela está show. Lá, eu apresento detalhadamente a ferramenta de melhoria
contínua PDCA, com exemplos bem práticos.
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• JUST IN TIME (no tempo certo), baseado no início da produção de acordo com o
pedido do cliente e na busca do estoque mínimo;
• KANBAN, tipo de cartão colorido usado no controle da produção;
• O famoso 5 S, que visava a mudança comportamental dos trabalhadores, com foco
na Qualidade, e com os seguintes conceitos:
o Seiri – Senso de utilização – Necessário saber usar sem desperdiçar;
o Seiton – Ordenação – Necessário saber ordenar para facilitar o acesso e a
reposição;
o Seiso – Limpeza – Necessário saber usar sem sujar, promovendo a higiene;
o Seiketsu – Saúde – Necessário cuidar da saúde do corpo e da mente;
o Shitsuke – Autodisciplina – Necessário cumprir rigorosamente o que é
estabelecido.
• PDCA.
Figura 25 - CICLO PDCA
Veja agora um vídeo curtinho e bem legal sobre KAIZEN:
https://www.youtube.com/watch?v=mrLIGIVbyEQ
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Fonte: http://www.sobreadministracao.com/wp-content/uploads/2011/06/ciclo-pdca.jpg
Audiodescrição da figura: No centro da tela, um círculo repartido em 4 partes iguais e cores diferentes, e, ao lado de
cada parte, um retângulo com a respectiva explicação.
Walter A. Shewhart criou o PDCA no final da década de 1920, mas foi Deming que
desenvolveu e popularizou esse Ciclo da melhoria contínua a partir da década de 1950. Veja suas
etapas:
1. P (do inglês Plan / Planejar) O Ciclo PDCA tem início no Planejamento, onde um processo
problemático é identificado e, a partir daí, define-se aonde a empresa quer chegar em termos
de melhoria, estabelecendo assim as metas e os meios de alcançá-las;
2. D (do inglês Do / Fazer) Execução do plano, que consiste no treinamento dos envolvidos no
método a ser empregado, na execução propriamente dita e na coleta de dados para análise
posterior;
3. C (do inglês Check / Verificar) É a análise ou verificação dos resultados alcançados e dados
coletados. Nesta etapa, compara-se os resultados traçados no planejamento com os
resultados realizados. A atenção estará focada nos erros e falhas;
4. A (do inglês Act / Agir) Caracterizada pela realização das ações corretivas, onde os erros e
falhas encontrados na etapa anterior darão início à continuidade do ciclo, ou seja, o
Planejamento será refeito baseado nas novas informações, levando assim ao processo de
melhoria contínua.
Segundo Masaaki Imai ( que criou o conceito KAIZEN), o ciclo PDCA gira sem parar. Assim
que um melhoramento é feito, ele se torna o padrão que será desafiado com novos planos de mais
melhoramentos.
Viu só como o PDCA é uma ferramenta legal?! Pois é. E ela é usada de forma corriqueira
nas empresas em todo o mundo, mesmo sendo tão antiga. Lembre-se de que “panela velha é que faz
comida boa”.
Você está preparado para mais uma Competência? Na terceira Competência, falarei sobre
o sistema de medição de desempenho, abordando especificamente os Indicadores Balanceados de
Desempenho, ou, conforme seu termo originário, o BSC - Balanced Scorecard.
Até lá!
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3.Competência 03 | Entender o sistema de medição de desempenho - BSC.
Olá, Estudante!
Espero que, com você, esteja tudo bem.
Até aqui, você viu que a Qualidade por mais que esteja ligada a algo muito bom, seja um
produto que faça os olhos do cliente brilharem, seja uma prestação de serviço impecável, cuja
experiência fica marcada para sempre num cantinho da memória, todavia ela caminha na estrada da
subjetividade, pois varia de acordo com a percepção individual de cada pessoa, onde o “belo está nos
olhos de quem vê”. E não é apenas isso, pois você deve lembrar de que essa própria percepção
pessoal também muda através da motivação que busca constantemente por novas experiências e
novos produtos e serviços com “qualidade 100%”.
Agora que você já ouviu o Podcast, a Competência passada também mostrou a você que
a qualidade vem sendo praticada há muito tempo, mesmo em épocas onde a competitividade não
era uma preocupação para quem produzia. O aperreio acontecia apenas quando um artesão recebia
uma reclamação do seu cliente, e algum ajuste tinha que ser feito até alcançar a “qualidade”
esperada.
Quando veio a industrialização de mãos dadas com o avanço tecnológico e o aumento
da demanda (aumento da procura dos clientes por consumo), a qualidade assumiu nova forma, ou
seja, não se via mais o capricho dos artesãos. Na Administração Científica, de Taylor, a qualidade
buscada era o aumento da produção através da ênfase nas tarefas e padronização nos processos
industriais.
E pensando numa Qualidade 100%, antes de eu falar o que abordarei nesta
competência, dê uma pausa e vá direto ao Podcast. Você já sabe que não pode
perder, né? Encontro você lá.
42
Figura 26 - HENRY FORD e seu famoso Modelo T, primeiro carro popular da história.
Fonte: http://www.tulhaautomoveis.com/noticia/?id=618
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma foto em preto e branco do início do século passado retratando um
homem ao lado de um carro antigo, com roupa formal, mãos nos bolsos e chapéu.
A qualidade seguiu sua jornada com a ajuda dos gurus da qualidade, já conhecidos por
você, e recebeu o reforço de várias ferramentas, dentre elas as 7 ferramentas básicas da qualidade.
Como a competitividade passou a ser o vilão do dia a dia das empresas, apenas o controle da
produção tornou-se insuficiente, surgindo assim a preocupação de busca por novas ferramentas que
proporcionassem a melhoria nos processos de forma contínua.
Nesta Competência, você verá o significado de sistema de medição de desempenho,
bem como entenderá a importância e necessidade de as medições não ocorrerem de forma isolada.
Quer ver um exemplo? Henry Ford falava o seguinte: “O cliente pode ter o carro
da cor que quiser, contanto que seja preto". Já imaginou o absurdo de um
cliente não poder escolher a cor do carro que vai comprar?! Acontece que Ford
fez parte da Administração Científica e focou também no aumento da produção.
Ele criou a linha de produção em série e conseguiu transformar seu Modelo T
no primeiro carro popular da história!!
43
É aí que entra em cena o BSC- Balanced Scorecard, que significa Indicadores Balanceados de
Desempenho.
3.1 Sistemas de Medição de Desempenho
Sistemas de Medição de Desempenho são conjuntos de indicadores de desempenho
organizados de modo a permitir o gerenciamento de processos, bem como a avaliação deles no
sentido de identificar se estão no caminho anteriormente traçado. Ou seja, são formas de medir as
ações da produção e dos diversos departamentos das organizações. As medições de desempenho
abrangem vários aspectos do desempenho organizacional, tais como: lucratividade, competitividade,
eficiência, eficácia, qualidade, etc. Já já eu falarei sobre INDICADORES.
3.1.1. Tipos de Sistemas de Medição de Desempenho.
Os Sistemas de Medição de Desempenho podem ser:
a) Medição de Processos; e
b) Medição de Resultados.
Medição de Processos
Serve para indicar se os planos ligados aos fatores críticos de sucesso estão sendo
cumpridos. Os indicadores de medição de processos são apropriados para medição de planos de ação,
projetos, ou simplesmente para acompanhar todos os processos que a empresa definiu como
importantes. Dessa forma, entenda que essa forma de medição busca identificar a causa antes do
Você sabia?
Será que EFICIÊNCIA e EFICÁCIA são sinônimos? NÃO!
Enquanto EFICIÊNCIA é fazer certo as coisas, EFICÁCIA é alcançar resultados.
Exemplo: A copa do mundo de 1982 ficou famosa pelo Brasil possuir um elenco
de jogadores de futebol muito EFICIENTE, pois todos jogavam muita bola! Pena
que, apesar dos jogadores eficientes, a seleção brasileira não ganhou, pois não
foi EFICAZ.
44
efeito acontecer. Veja agora um exemplo de Medição de Processos quando o objetivo é
EMAGRECER:
Figura 27 - EXEMPLO DE MEDIÇÃO DE PROCESSOS.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=o9mg9cU7vIg
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem de dois gráficos de linha, lado a lado, sendo o da esquerda na
cor azul indicando o aumento dos exercícios diários e o da direita na cor roxa indicando a diminuição da ingestão de
calorias.
Perceba nesses dois gráficos que existe o acompanhamento durante o processo de
emagrecimento, ou seja, a Medição do Processo mencionada indica que as ações estão no caminho
certo, pois tanto o consumo de calorias está reduzindo, quanto o tempo da atividade de exercícios
diários está aumentando.
Desta forma, quando a hora da verdade chegar, ou seja, quando chegar a hora de ficar na
frente da balança, a Medição do Resultado não virá acompanhada de surpresas, pois a Medição do
Processo já havia sinalizado o que aconteceria.
Medição de Resultados
Usada para avaliar se o planejamento e seus objetivos definidos foram alcançados.
Apropriados para a medição do alcance dos objetivos. Neste caso, essa medição busca identificar o
efeito após um determinado tempo. Veja agora um exemplo de Medição de Resultados quando o
objetivo é EMAGRECER:
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Figura 28 - EXEMPLO DE MEDIÇÃO DE RESULTADOS.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=o9mg9cU7vIg
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma imagem de um gráfico de linha na cor amarela indicando a diminuição
do peso.
Perceba agora nesse gráfico que NÃO existe o acompanhamento durante o processo de
emagrecimento, ou seja, essa medição apenas indica o resultado final, que é o peso verificado em
cada momento. A evolução do peso mostra se a expectativa foi alcançada.
Observe agora duas afirmativas, acompanhadas logo abaixo de suas respectivas
avaliações, se são verdade ou “fake news”:
● “Não se mexe em time que está vencendo”.
☑ FAKE NEWS
☐ VERDADE
● “Quem disse que não se mexe em time que está vencendo? Deve mexer sim!”.
☐FAKE NEWS
☑VERDADE
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Não sei quem criou a frase “Não se mexe em time que está vencendo”, mas certamente
os times adversários da época da criação dessa frase não eram tão competitivos, e o criador dessa
ideia não deve ter ouvido falar em SUN TZU, general chinês que viveu no período de 544 a.C. a 496
a.C., e que dizia o seguinte:
“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem
batalhas”.
Perceba que TZU alertava para não apenas conhecer seu adversário, mas também a si
mesmo. Desta forma, entenda que um time que está vencendo ou uma empresa que está tendo
sucesso de vendas não implica dizer que essa situação continuará no futuro. As vendas podem cair
de forma espantosa, mesmo que uma organização repita sua “fórmula de sucesso”, pois mudanças
podem ocorrer nas ações de seus concorrentes, e torná-los mais atrativos aos olhos do consumidor.
Além disso, você já sabe bem que o cliente muda, tal como aquele casal de idosos. E numa
concorrência acirrada, como acontece nos dias de hoje, o time tem que ser mexido sim!
3.2. ISO 9001:2015 - Monitoramento, medição, análise e avaliação.
Lembra da Primeira Competência, quando você estudou a ISO? Naquele momento, você
viu que essa Norma, na sua versão mais recente, abordava a necessidade de se planejar as mudanças
nas empresas, e dava o passo a passo detalhando as ações a serem consideradas por elas.
Nessa mesma versão, na sua Cláusula 9, a ISO 9001:2015 também fala sobre a
necessidade de se medir e avaliar as ações empresariais de forma a entender se as práticas de
qualidade estão no caminho certo. Segundo essa cláusula, a organização deve determinar:
a) O que precisa ser monitorado e medido – Faz-se necessário definir o que precisa ser
monitorado e medido;
b) Os métodos para monitoramento, medição, análise e avaliação necessários para
assegurar resultados válidos – Após a definição do que será monitorado, medido,
E você sabe como as empresas descobrem a hora de mexer no “time”? Através
de um Sistema de Medição de Desempenho.
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avaliado e analisado, é preciso definir quais sistemas de medição e indicadores serão
mais adequados para a empresa;
c) Quando o monitoramento e a medição devem ser realizados – Com que frequência
e qual a periodicidade se dará o processo. Importante estabelecer essas metas nos
planos de monitoramento e quem serão as responsáveis chaves;
d) Quando os resultados de monitoramento e medição devem ser analisados e
avaliados – É preciso definir o momento em que os resultados de medição serão
obtidos e avaliados. Por exemplo, um indicador de lucratividade deverá ser avaliado
numa periodicidade mensal, enquanto um indicador de satisfação do cliente, será mais
adequado ser verificado semanalmente.
Veja ainda o que essa Norma orienta sobre os procedimentos junto ao cliente:
A organização deve monitorar a percepção de clientes do grau em que suas necessidades
e expectativas foram atendidas. A organização deve determinar os métodos para obter, monitorar e
analisar criticamente essa informação.
NOTA: Exemplos de monitoramento das percepções de cliente podem incluir pesquisas
com o cliente, retroalimentação do cliente sobre produtos ou serviços entregues, reuniões com
clientes, análise da participação de mercado, elogios, pleitos de garantia e relatórios de distribuidor.
3.3.Indicadores
Você acabou de ver no item 3.1. que Sistemas de Medição de Desempenho são conjuntos
de indicadores de desempenho organizados de modo a permitir o gerenciamento de processos… Mas
você sabe o que são INDICADORES?
Você sabia? Não sabia?? Agora está sabendo!
Retroalimentação - É o famoso Feedback, que é o retorno da informação ou de
um processo, ou no caso do cliente, simplesmente é a sua resposta sobre o que
ele achou do produto.
Pleito de garantia - Pleito geralmente é associado à disputa eleitoral, mas
também pode ser simplesmente uma demanda ou pedido, que no caso seria um
pedido de garantia do produto.48
Indicador é um elemento que possui como objetivo apontar ou mostrar algo a alguém,
com o objetivo de apresentar desempenhos e resultados de processos para ajudar a diretoria na
tomada de decisão, e assim, manter-se no caminho certo que a empresa busca trilhar.
Ora, é só lembrar do seu dedo indicador. Ele não recebe esse nome à toa, pois é ele que
você usa quando quer mostrar alguma coisa ou algum lugar para alguém.
Figura 29 - DEDO INDICADOR.
Fonte: https://emojiterra.com/pt/dedo-para-direita/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, imagem de um Emoji com o dedo indicador apontando.
Veja agora alguns indicadores, dentre tantos outros, que podem ser usados pelas
empresas:
Lucratividade: Um dos indicadores financeiros
mais utilizados.
FÓRMULA = lucro líquido / receita bruta x 100
ROI (Do inglês Return Over Investment =
Retorno sobre Investimento): O indicador de
retorno sobre investimento mostra a
quantidade de lucro que um investimento
gerou.
FÓRMULA = (Ganho obtido – Investimento) ÷
Investimento
Ticket médio: O ticket médio é um indicador
utilizado para saber, em média, quanto um
cliente gasta na empresa.
FÓRMULA = Faturamento total do período ÷
Quantidade de clientes que adquiriram
produtos ou serviços
Churn rate: É a taxa que mostra quantos FÓRMULA = Quantidade de cancelamentos no
Seria cansativo e improdutivo descobrir o faturamento mensal de uma
empresa de grande porte solicitando ao setor de Contas a Receber todas as
faturas recebidas e seus respectivos valores. Imagina só!! Neste caso, basta
perguntar ao setor o Índice de Faturamento, onde é calculada a soma de todas
as faturas, ou simplesmente, multiplicando-se o valor unitário pela quantidade
vendida.
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clientes a empresa perdeu em determinado
período.
período ÷ pela quantidade de clientes ativos
Aceitação de produto ou serviço e / ou
satisfação dos clientes:
Estes dois indicadores devem ser verificados
através de pesquisas através de perguntas por
e-mail, das redes sociais, etc.
Taxa de defeitos em peças (não-
conformidade): Quanto menor for a taxa,
menor é o desperdício de tempo, dinheiro,
matéria-prima e trabalho.
FÓRMULA = (Total de peças com defeitos ÷
Total de peças fabricadas) x 100
Retrabalho: Trata-se da execução de uma
atividade pela segunda vez, devido a erros na
sua primeira execução. Lê-se aqui
improdutividade.
FÓRMULA = (Total de serviços repetidos ÷ Total
de serviços realizados) x 100
Rotatividade de colaboradores (Turnover):
Esse índice mostra a velocidade entre a
admissão e a demissão de funcionários.
Fórmula = Número de desligamentos ÷ Soma
de funcionários ativos
Produtividade dos colaboradores: Esse índice
deve ser feito de acordo com as atividades que
os funcionários realizam, e será considerada a
relação entre o que foi produzido e os recursos
empregados para se atingir esse objetivo.
FÓRMULA (Exemplo) = Número de clientes
atendidos / Horas trabalhadas no período
Quadro 3 - EXEMPLOS DE INDICADORES
Fonte: O Professor Autor
Audiodescrição do Quadro: No centro da tela, um Quadro contendo 9 linhas e duas colunas, sendo uma coluna com os
tipos de indicadores e a outra, com suas respectivas fórmulas.
3.3.Conceito do BSC - Balanced Scorecard.
Balanced Scorecard é uma metodologia estratégica amplamente usada por diversas
organizações e tem o objetivo de dar foco aos esforços da empresa em busca de resultados traçados.
Para isso, é preciso promover a convergência de esforços, o compromisso com o desempenho e o
envolvimento de todos os colaboradores da organização com o objetivo de torná-la mais competitiva.
Essa ferramenta foi criada em 1992 pelos professores Robert S. Kaplan e David P. Norton,
da faculdade de economia da Universidade de Harvard, e se tornou uma das metodologias
estratégicas mais usadas.
O estudo e a criação do BSC foram motivados pela insuficiência de medidas de
desempenho, que em sua maioria são baseadas apenas em índices contábeis e financeiros para
avaliar a capacidade das empresas em criar valor econômico para o futuro. Desta forma, indicadores
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financeiros e contábeis por si só não tinham condições de explicar o fracasso ou o sucesso das
organizações.
Se um índice de lucratividade de uma determinada empresa assustou sua diretoria com
uma queda de 25%, o que fazer? Certamente problemas de várias áreas já estavam acontecendo.
Quer ver?:
• Falta de treinamento e/ou motivação dos funcionários;
• Retrabalho nos processos internos devido à falta de treinamento dos funcionários;
• Insatisfação e perda de clientes pela demora no atendimento, motivada pelo
retrabalho.
Perceba então que qualquer resposta ou qualquer estratégia para a resolução será uma
reação tardia em relação a problemas sérios como perda de clientes, cujo custo para reconquistá-los
sempre será mais caro do que o de mantê-los.
Veja a explicação sobre o BSC através do olhar dos professores Paludo e Chiavenato:
“ O BSC corresponde a um sistema de avaliação de desempenho organizacional
que contempla indicadores financeiros e não financeiros, que fornecem uma visão
equilibrada das diversas áreas da organização com vistas a avaliar a sua
efetividade” PALUDO.
“ O BSC cria um contexto para que as decisões relacionadas com as operações
cotidianas possam ser alinhadas com a estratégia e a visão organizacional,
permitindo divulgar a estratégia, promover o consenso e o espírito de equipe,
integrando as partes da organização e criando meios para envolver todos os
programas do negócio, catalisar esforços e motivar as pessoas” CHIAVENATO.
3.4.Perspectivas do BSC - Balanced Scorecard.
A escolha por parte das empresas em depositarem fé no uso do BSC como fator de
diferenciação junto à concorrência é apenas o início do caminho. Entenda que um dos desafios que
surgem no uso dessa ferramenta é a seleção correta dos indicadores para acompanhar e comunicar
o andamento das atividades.
Veja o que falam Kaplan e Norton:
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Medir é importante: “O que não é medido não é gerenciado”. O sistema de
indicadores afeta fortemente o comportamento das pessoas dentro e fora da
empresa. Se quiserem sobreviver e prosperar, as empresas devem utilizar sistemas
de gestão e medição de desempenho derivados de suas estratégias e capacidades.
Infelizmente, muitas empresas defendem suas estratégias baseadas no
relacionamento com os clientes, competências essenciais e capacidades
organizacionais, enquanto motivam e medem o desempenho apenas com
medidas financeiras (KAPLAN; NORTON, 1997, p.21).
Os criadores da ferramenta BSC estabeleceram que a análise dos indicadores deverá ser
realizadas sob 4 PERSPECTIVAS (Pontos de vista):
Financeira: É a perspectiva de análise das consequências econômicas das ações. Desta
forma, os Sistemas de Medidas de natureza financeira são os de Resultados, pois mostram
as consequências econômicas imediatas das ações realizadas.
Clientes: (Mercado consumidor): Essa perspectiva permite que a empresa identifique quais
serão seus consumidores-alvo, ou seja, em qual mercado consumidor atuará e quais serão
seus concorrentes, assim como quais medidas de desempenho serão utilizadas, como
satisfação, retenção, fidelização, entre outros.
Processos Internos: Nesta perspectiva, há um destaque nos processos de melhoria e
inovação com propostas capazes de atrair e reter consumidores. Aqui, o objetivo é
identificar os processos internos que não vinham sendo executados e que são
importantíssimos para o sucesso da empresa;
Aprendizado e Crescimento: Essa perspectiva relaciona-se com a infraestrutura necessária
para gerar a melhoria nos processos organizacionais, promovendo o crescimento e
desenvolvimento da empresa. Devem ser identificados aqui a necessidade de treinamentos
dos funcionários e executivos, os sistemas adotados e os procedimentos adequados a serem
implantados.Veja um vídeo curtinho falando do BSC:
https://www.youtube.com/watch?v=s9aJMZiRZXQ
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Figura 30 - PERSPECTIVAS DO BSC.
Fonte: https://www.euax.com.br/2020/01/perspectivas-do-bsc/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma pirâmide separada em 4 níveis de cores diferentes e, ao seu lado
direito, os títulos de cada nível com a sua respectiva explicação.
Como você viu no item 3.3, quando abordei o conceito do BSC, você constatou que o
monitoramento do desempenho da empresa NÃO pode se dar apenas pelos indicadores financeiros.
E as Perspectivas dessa ferramenta reflete o uso dos INDICADORES FINANCEIROS e NÃO
FINANCEIROS.
Após ter assistido à videoaula, veja agora exemplos de medidas tomadas dentro das
Perspectivas estabelecidas pelo BSC:
Agora, você vai dar uma pequena pausa na sua leitura e assistir à videoaula.
Você vai ficar craque com a metodologia BSC. Importante falar que cada
artefato oferece material complementar. Portanto, espero você lá.
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Figura 35 - EXEMPLOS DE MEDIDAS SOB AS PERSPECTIVAS DO BSC.
Fonte: Herrero (2005, p. 41)
Audiodescrição do Quadro: No centro da tela, um quadro com a coluna da esquerda apresentando as 4 Perspectivas do
BSC e, à direita, 3 colunas apresentando as medidas, as metas e as iniciativas para cada perspectiva.
A sequência das Perspectivas dentro da pirâmide não é à toa. Perceba que até no quadro
que você acabou de ver, a ordem continua a mesma. A base dessa pirâmide indica o APRENDIZADO
e o CRESCIMENTO, onde essa perspectiva trata sobre a aprendizagem dos funcionários e pode ser
considerada a mais importante de todas as demais perspectivas, exatamente por estudar a
necessidade da empresa em oferecer treinamento e reciclagem aos trabalhadores. E como as pessoas
são o motor de qualquer organização, elas precisam que as empresas, mais especificamente o setor
de Recursos Humanos, promovam a motivação e a qualificação necessárias para que essas pessoas
possam estar aptas a impactar positivamente os PROCESSOS INTERNOS, que é exatamente o próximo
degrau da pirâmide das quatro perspectivas. O melhoramento desses processos repercutirá
diretamente no CLIENTE, promovendo assim a sua satisfação. E cliente satisfeito é sinônimo de
aumento das vendas. E você já sabe aonde isso vai dar, né? Isso mesmo, refletirá na perspectiva
FINANCEIRA!
Veja agora em apenas 3 minutinhos um exemplo prático de um BSC
implantado numa empresa de Call Center e relatado pelo próprio dono:
https://www.youtube.com/watch?v=R9Y3R4tuKzc
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Viu como o BSC é importante para a competitividade das empresas? Claro, né! E caso a
empresa que você for trabalhar, ou já trabalha, vier a implantar essa ferramenta, certamente você,
como futuro profissional de RH, poderá ter participação na perspectiva de aprendizado e
crescimento.
Você está preparado para a última Competência? Pois é, o e-Book está chegando ao fim,
e você compreenderá na Quarta Competência o desdobramento da função qualidade, ferramenta
originária do inglês QFD (Quality Function Deployment).
Até lá!
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4.Competência 04 | Compreender o desdobramento da função qualidade
- QFD
Olá, Estudante!
Espero que, com você, esteja tudo bem.
Deixa eu contar uma historinha para você. Mas antes, veja o que o Wikipedia fala a
respeito do Sistema Toyota de Produção.
O Sistema Toyota de Produção (STP), também conhecido como Toyotismo, é um sistema
de produção desenvolvido pela Toyota entre 1947 e 1975, que aumenta a produtividade e a
eficiência, evitando o desperdício sem criar estoque, como tempo de espera, superprodução,
gargalos de transporte, inventário desnecessário, entre outros.
Perceba que o Toyotismo surgiu logo após o término da Segunda Guerra Mundial, e se
inspirou nos preceitos da Administração Científica de Taylor, especialmente na produção em série,
de Henry Ford. Este sistema também teve a ajuda do Guru Deming, pois os fundadores da Toyota o
estudaram nesse mesmo período. Daí, Taichi Ohno, responsável pelo desenvolvimento do STP
aperfeiçoou a produção em série e a transformou numa produção “enxuta” e “puxada.”
• A produção inicia-se apenas com o pedido do cliente, mesmo que toda a matéria-
prima esteja disponível para a produção, ou seja, o cliente “puxa” a produção. Ela é
baseada no JUST IN TIME e na Produção Enxuta, onde os estoques são mínimos, o
que implica na diminuição dos custos da produção.
Produção Puxada (do inglês Pull System)
•A produção inicia-se antes do pedido do cliente, daí a necessidade de se estimar (prever)
corretamente a demanda (cliente) para evitar estoques altos. Quando o cliente realizar o
pedido, já haverá produto estocado. A fábrica produz e depois “empurra” para o cliente. Os
custos produtivos são maiores pela necessidade de manutenção de estoques.
Produção Empurrada (do inglês Push System)
•Baseada na otimização da produção, ou seja, em fazer mais com menos, cujo foco é no
mínimo de desperdício possível nas operações produtivas, promovendo desta forma
velocidade no atendimento, diminuição de custos e melhoria da satisfação do cliente.
Produção Enxuta
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Mesmo ainda num ano de pandemia, que se arrasta desde o início de 2020, devido à crise
sanitária motivada pela disseminação da Covid-19, a Toyota conseguiu a façanha de ter sido o 1º
Lugar em vendas de Sedãs Médios no mundo inteiro no ano de 2021. Ela vendeu 41.891 unidades do
Toyota Corolla. E sabe quantas unidades o segundo lugar vendeu?? A Honda ficou em segundo lugar
com a venda de 18.949 unidades do Honda Civic. Ou seja, o Corolla vendeu mais que o dobro da
concorrência que chegou mais perto. Isso implica em simplesmente mais de 121%!!!
Veja o que disse Taichi Ohno, desenvolvedor do STP:
“O progresso não pode ser gerado quando estamos satisfeitos com as situações
existentes”.
Poucos dias depois de a Toyota assumir a liderança do mercado mundial de automóveis,
em 2011, o presidente da empresa, Katsuaki Watanabe, disse:
“Nossa maior luta é para ser a número 1 em termos de qualidade, não em quantidade”.
Pela frase que você acabou de ver, não houve sequer uma comemoraçãozinha pelo
resultado positivo! Entenda que o sentimento de vitória traz felicidades, mas pode acomodar. Ser o
número 1 pode ser traduzido em dever cumprido, em objetivo alcançado, e em não ter mais o que
melhorar. Aí é que mora o perigo, ou você já esqueceu da MELHORIA CONTÍNUA? Não, né? Tenho
certeza de que você se lembra sim!
Mudando de assunto, infelizmente você começou a estudar a Última Competência deste
e-Book! Na competência passada, você aprendeu o significado de indicadores, bem como a
diferenciar os indicadores de medição de processos e os de medição de resultados. Viu também a
orientação da ISO sobre o monitoramento, medição, análise e avaliação dos processos. E aprendeu o
conceito, as perspectivas e a importância do BSC no acompanhamento dos processos empresariais
de forma integrada e com foco no cliente.
Agora que você já ouviu o Podcast, entenda que desde o início do e-Book, você vem
estudando a Qualidade e já sabe que todas as atividades que envolvem a satisfação do cliente estão
Antes de abordar a atual e última competência, faça aquela habitual pausa e
ouça o Podcast, que está imperdível.
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associadas à forma de se construir um produto ou uma prestação de serviço com a mesma qualidade
que o cliente enxerga. Lembra do diálogo abaixo??
Figura 22 - DIÁLOGO SOBRE A QUALIDADE.
Fonte: O Professor Autor
Audiodescrição da figura: No centro da tela, repetição da sequência de um diálogo ocorrido na Primeira Competência
deste e-Book no formato de charge entre uma menina e um menino sobre as diferentes percepções da qualidade.
Lembra sim, né? Pois é! A percepção da qualidade é diferente para cada pessoa, onde o
olhar de cada um é responsável por desenharo tamanho e a forma da qualidade que o fará sorrir.
Entender que existem diferentes percepções entre indivíduos é simples, agora veja
algumas perguntinhas que não querem calar:
• Como entender de forma clara o que o cliente realmente quer?
• Como transformar essa falta de clareza na determinação acertada da qualidade no
processo de desenvolvimento do produto e/ou serviço que oferecerá satisfação ao
cliente?
Dessa forma, faz-se necessário que as empresas busquem ferramentas que escutem as
reais necessidades do cliente e a transformem em características acertadas de qualidade.
Existe uma ferramenta que busca garantir que a voz do cliente seja ouvida e convertida
na qualidade que ele espera. Essa ferramenta é o personagem principal desta última Competência, o
QFD (do inglês Quality Function Deployment) - que significa Desdobramento da Função Qualidade.
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4.1 QFD - Conceito.
Afinal, você sabe responder quem é de fato o patrão, o chefão, o “dono do negócio”? Será
que é o gerente ou o diretor? Ou será o presidente ou ainda o famoso CEO (do inglês Chief Executive
Officer - Diretor Executivo)? Ou não seria melhor arriscar no próprio empregado? Não! Nenhum
deles. A resposta correta é o cliente. Sem ele, não há acionista, ou sequer a própria empresa. Ele é a
razão da existência das empresas. A competitividade há tempos já vem ensinando às empresas que
o cliente deve estar sempre no topo da lista de objetivos. E para satisfazer seu cliente, as organizações
devem realizar bem a tarefa de conhecê-lo e, para isso, a ferramenta QFD surge como uma boa ideia.
Aí você faz a seguinte pergunta para mim: Professor, é realmente necessária uma
ferramenta para entender o cliente? Gostei da sua pergunta, mas veja a figura abaixo, e entenda que
ela representa uma realidade ainda existente nos dias de hoje no relacionamento entre clientes e
empresas:
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Figura 23 - O QUE O CLIENTE PEDE X O QUE A EMPRESA ENTENDE.
Fonte: https://br.ifunny.co/picture/o-que-o-cliente-oqueele-i-oprojetodo-descreveu-orcou-engenheiro-Vzx0lCE95
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma tira com sequência de imagens que retratam 8 entendimentos
errados do pedido do cliente e 1 imagem com o que ele realmente queria.
Para começar a falar do QFD, veja o que fala Yoji Akao (1990):
O método QFD foi desenvolvido nos estaleiros de Kobe das Indústrias Pesadas Mitsubishi
no Japão em meados da década de 1970. O QFD foi desenvolvido para fornecer meios de se traduzir
necessidades dos clientes em requisitos técnicos apropriados para cada estágio do desenvolvimento
de produto e da produção.
O QFD (do inglês Quality Function Deployment) ou Desdobramento da Função Qualidade
é uma técnica criada pelo engenheiro japonês Yoji Akao, no final da década de 70 com o objetivo de
traduzir as inquietações do cliente, que são muitas, em requisitos que podem ser entendidos pela
engenharia ou setor de desenvolvimento do produto. Traduzindo para você, essa ferramenta
transforma os desejos e expectativas do cliente em especificações técnicas possíveis de serem
interpretadas pela empresa.
Em outras palavras, o QFD traduz a necessidade do cliente em expressões técnicas que
facilitem a empresa fazer o produto e/ou serviço ideal.
Figura 24 - YOJI AKAO (DESENVOLVEDOR DO QFD).
Fonte: https://www.leanstrategiesinternational.com/masters-of-lean-and-six-sigma/yoji-akao
Audiodescrição da figura: No centro da tela, uma foto de um idoso com fisionomia de oriental, vestindo paletó e
gravata.
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4.2.QFD - As 4 Atividades básicas.
O QFD envolve 4 atividades básicas, a saber:
1. Planejamento do Produto;
2. Desenvolvimento dos Componentes ou Desdobramento do Produto;
3. Planejamento do Processo; e
4. Planejamento da Produção.
Nas atividades 1 e 2, são realizadas todas as atividades necessárias para transformar as
necessidades dos clientes em características de qualidade do produto e de seus componentes.
Já nas atividades 3 e 4, envolvem a determinação das atividades necessárias para garantir
a qualidade do produto nas fases de produção.
Veja com mais detalhes cada atividade:
Planejamento do Produto - Primeiramente, a diretoria da empresa monta uma equipe
multidisciplinar, ou seja, seleciona funcionários de vários departamentos, de preferência ligados às
áreas de pesquisa e desenvolvimento, marketing e operações. Depois, inicia-se a elaboração da
Matriz QFD, ou simplesmente, “Casa da Qualidade”. Eu falarei mais detalhadamente sobre esta
Matriz no próximo item. As informações que serão coletadas para o preenchimento de todos os
cômodos desta “Casa” serão obtidas através da Pesquisa de Mercado.
Desenvolvimento dos Componentes ou Desdobramento do Produto - Esta fase envolve
o projeto do produto, ou seja, o detalhamento do produto em componentes críticos. Continua aqui
o preenchimento de uma matriz de desdobramento do produto.
Planejamento do Processo - Nesta etapa, continua o preenchimento de uma matriz
denominada matriz de planejamento do processo. O preenchimento desta matriz visa a identificação
e planejamento das fases críticas do processo para a garantia das características de qualidade dos
componentes.
Você sabia? Segundo o SEBRAE, Pesquisa de Mercado é a coleta de
informações junto ao consumidor, concorrente ou fornecedor para orientar a
tomada de decisões ou solucionar problemas.
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Planejamento da Produção - Nessa etapa objetiva-se o planejamento das atividades de
controle do processo de fabricação para que as características de qualidade do produto sejam
executadas em conformidade com as especificações do projeto. Envolve o planejamento e controle
da qualidade do processo; e o planejamento e controle da qualidade de elementos críticos do
produto.
4.3 Casa da Qualidade.
Pronto, como eu havia dito que você veria a Casa da Qualidade com mais detalhes, ela é
também chamada de Matriz QFD e é a principal atividade dentro do projeto desta ferramenta.
Agora que você já assistiu à videoaula, veja o modelo da Matriz do QFD, também chamada
de Casa da Qualidade:
Mas antes de eu falar da Casa da Qualidade, faça o seguinte: Pause sua leitura
e assista à videoaula desta competência. Lá você entenderá as 4 atividades
básicas do QFD de forma mais prática. Está bem legal!
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Figura 25 - MATRIZ DO QFD (CASA DA QUALIDADE).
Fonte: https://www.infoescola.com/administracao_/desdobramento-da-funcao-qualidade-qfd/
Audiodescrição da figura: No centro da tela, imagem de uma matriz em forma de uma casa desmontada em uma
dimensão, onde cada parte da casa é uma etapa da matriz com sua respectiva explicação.
Falarei agora sobre todos os itens contidos na Casa da Qualidade-QFD:
1. Requisitos do Cliente (O Quê?)
Requisitos dos clientes envolve definir o que o cliente espera e qual o grau de importância
que ele dá a essa expectativa.
Exemplo: na compra de uma pizza, o cliente espera que a fatia esteja fina, com pouca
borda, ou que a massa seja mais grossa, além de uma borda recheada de catupiri, além claro de pagar
um preço baixo. Mas até que ponto o cliente pode aceitar pagar mais caro com todas as
características que acabei de mencionar?
Feita a definição dos requisitos, deve-se analisar o quanto de importância o consumidor
dá para cada um deles. Para isso, é necessário realizar uma pesquisa, que deve refletir o peso da
importância da opinião do cliente em uma escala de 1 a 5, ou de 1 a 7 (a empresa define).
63
2. Requisitos Técnicos
Em Requisitos técnicos, a equipe do projeto deve estabelecer os meios de produção, que
é exatamente o “Como?”.
Assim, é necessário compreender e definir quais as características da qualidade do
produto ou serviço que são relevantes para o cliente, ou melhor, as ações que agregam valor.
Aqui, será entendida a informação sobre quaisrequisitos o cliente mais valoriza, ou seja,
qual o peso de importância para a borda de catupiri, para a massa fina, etc.
Essa análise deve ser feita em conjunto pelo marketing e pela engenharia.
3. Matriz de relacionamentos
Na matriz de relacionamento, os requisitos dos clientes devem ser relacionados com as
características de qualidade através da interseção de tabelas.
O relacionamento deve ser classificado como forte, médio ou fraco, o que pode ser
demonstrado através de símbolos diferentes.
O que você deve pensar é o seguinte: em que medida o sabor da Pizza está ligado aos
requisitos técnicos? Qual seria a relação com o componente do sabor? Com a borda?
Desta forma, a empresa saberá onde realizar os ajustes e investir nos requisitos com
maior grau de importância de acordo com o olhar do cliente.
Então, é exatamente isso que você deve assinalar na matriz QFD!
4. Avaliação da concorrência
Na avaliação da concorrência, deve ser feito um benchmarking externo, isto é, deve-se
analisar o desempenho dos concorrentes com base na opinião dos clientes.
A avaliação competitiva deve ser feita com base em duas ou mais empresas que são
referência no mercado daquele produto ou serviço, avaliando a capacidade de cada uma delas em
atender aos requisitos do cliente.
Para isso, devem ser utilizadas notas de 1 a 5 ou de 1 a 7 para preencher o campo de
benchmarking externo na matriz QFD.
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5. Avaliação técnica
Na avaliação técnica, deve ser realizado o benchmarking interno. Assim, os técnicos da
empresa são responsáveis por fornecer uma avaliação do desempenho dos mesmos concorrentes
analisados anteriormente, mas com uma visão técnica.
Além de preencher a tabela com essa avaliação, deve-se estabelecer metas para cada
característica da qualidade, de forma a transformar cada "como" em "quanto".
É isso! A sua "casa da qualidade" está montada e pronta para uso!
Agora você deve partir para a etapa de análise da matriz QFD para tirar as informações
necessárias ao processo de desenvolvimento do produto.
4.4 Benefícios do uso do QFD.
Estou certo de que você percebeu a importância dessa ferramenta não apenas para as
empresas, mas sobretudo para os clientes. E como a base de atuação do QFD é sempre iniciar com a
escuta do cliente, a empresa que adota esse instrumento da qualidade manterá uma consistência de
qualidade, sendo assim o cliente dificilmente terá surpresas desagradáveis. Portanto, uma vantagem
clara que o QFD proporciona é a credibilidade. O cliente confiará na empresa e será fiel a ela.
Veja ainda outras vantagens do uso do QFD:
• É orientado para o consumidor, desta forma o cliente é o foco de geração do produto,
garantindo a incorporação no produto das características mais importantes;
• Reduz o tempo de desenvolvimento e lançamento de novos produtos, uma vez que
todas as fases desde a concepção até o controle de fabricação são feitos de forma
conjunta;
Você sabia? Benchmarking é um processo de comparação de produtos, serviços
e práticas empresariais, e é um importante instrumento de gestão das
empresas. O benchmarking é realizado através de pesquisas para comparar as
ações de cada empresa. Alguns entendem de forma errada esse conceito e
acreditam que se trata de IMITAR ou COPIAR/COLAR o modelo do concorrente.
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• Reduz os custos de fabricação, uma vez que o projeto incorpora aspectos como
facilidade de fabricação e montagem;
• Promove o trabalho em equipe facilitando a comunicação entre diferentes pessoas e
departamentos e, consequentemente, promove uma visão sistêmica da empresa;
• Permite o acúmulo e registro de informações tecnológicas em formato estruturado e
conciso (resumido).
“A principal vantagem do QFD é, naturalmente, o aumento da satisfação do
cliente, que pode ser medida, por exemplo, em termos de redução de reclamações
de garantia”. (OAKLAND, 1994, p. 60).
É interessante dizer que, tal como o BSC, o QFD também promove o trabalho em equipe
e permite a comunicação entre diferentes departamentos, buscando assim as ações necessárias para
o alcance das metas organizacionais. E o departamento mais apto para fazer que essa comunicação
aconteça é o de Recursos Humanos!
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Conclusão
Olá, Estudante! Gostou da viagem pelo mundo da QUALIDADE? Eu espero que sim. Este
e-Book procurou fazer você enxergar esse mundo não simplesmente pelos olhos de um cliente que
exige um excelente produto e um atendimento impecável. Outra intenção foi permitir que você
enxergasse também através dos olhos de um profissional que sabe que faz parte da construção dessa
qualidade. Especialmente você, futuro profissional de Recursos Humanos, área responsável
diretamente pela avaliação e desenvolvimento dos trabalhadores, dentre outras atividades.
Você viu ao longo de toda a disciplina que a qualidade não pode ser enxergada de forma
resumida, onde ela dependerá da atuação de um único setor ou de determinadas pessoas, sendo as
escolhidas pela árdua tarefa de fazer o produto ou o serviço conseguir proporcionar a tão esperada
satisfação do cliente. Isso é coisa do passado! Desde o século passado, o próprio guru Armand
Feigenbaum com o seu TQC, do inglês Total Quality Control, Controle da Qualidade Total, já levantava
a ideia de envolvimento de todos pela responsabilidade da qualidade no resultado final dos produtos.
E partindo da ideia inicial, onde todos os processos empresariais são conduzidos por pessoas, perceba
como o RH, ou seja, como você fará parte das Práticas de Qualidade e Competitividade!
Percebeu então como esta disciplina é importante? Tenho a certeza de que você não só
percebeu, mas sobretudo sabe que deverá participar do acompanhamento dos funcionários junto
aos gestores, no sentido não apenas de avaliá-los mas principalmente para promover um clima
organizacional saudável e adequado para cada colaborador conseguir motivar-se e, de forma efetiva,
participar ativamente da busca e da manutenção da Qualidade em todos os processos da organização,
onde o ciclo de melhoria contínua será uma prática corriqueira e os resultados serão o atingimento
das metas das empresas, a oferta de serviços e de produtos com verdadeira qualidade e, o fator mais
importante de todos: a satisfação e a superação das expectativas do cliente.
Você agora conquistou o dever de compartilhar seu conhecimento, e participar da
qualidade na vida das pessoas. Seja feliz na nova profissão e fique com Deus!
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Referências
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Minicurrículo do Professor
Elber Ferreira Cabral
Graduado em Administração de Empresas. Lecionou durante
6 anos no Curso de Logística na ETEPAM, e atuou de forma majoritária na
iniciativa privada, buscando sempre a racionalização dos custos
administrativos, bem como apontando ajustes nos processos em algumas
empresas, dentre elas o Diario de Pernambuco, onde trabalhou durante
10 anos na Gestão Administrativa e a ADUFEPE, que foi Gerente
Administrativo por 2 anos. Atualmente, leciona na ETEPAC no curso de
Recursos Humanos.