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Maurício F. Rangel Pós-graduação em Direito/Processo Penal, UNESA, 2010 Coletânea de Exercícios 8° ) CASO CONCRETO Instaurado inquérito policial para fins de averiguação de autoria e materialidade e, conseqüente responsabilização penal da empresa WCK, Construção Civil Ltda, pela prática de crime contra a ordem tributária, previsto no art.1°, da lei n. 8137/1990, seus gerentes impetram Habeas Corpus face ao Tribunal Regional Federal com vistas ao trancamento do inquérito policial, sob o argumento de que o delito não se consumara face à inexistência de lançamento definitivo do tributo. Ante o exposto, com base nos estudos realizados sobre a responsabilidade penal da pessoa jurídica analise o pedido constante no writ . Conforme o entendimento esposado pelo STF (Informativo 560 STF, RHC 90532), o prévio exaurimento da via administrativa é condição objetiva de punibilidade do delito descrito no enunciado (art. 1º da Lei 8.137/90). Somente após o lançamento do crédito tributário haverá certeza de dano ao erário, o que é exigido por este tipo penal, por se tratar de crime material. Assim, deve ser deferido o habeas corpus. 9° ) CASO CONCRETO Humberto, denunciado e condenado pela prática de furto qualificado pelo concurso de agentes, previsto no art. 155, § 4º, inciso IV, do Código Penal, à pena de 2 anos de reclusão em regime aberto, mais 10 dias-multa, por ter subtraído de Sônia, jovem de quinze anos, um pen-drive no valor de R$30,00 (trinta reais), inconformado com a decisão proferida pelo juízo criminal interpõe recurso de apelação com vistas à configuração da atipicidade conglobante da conduta em decorrência do pequeno valor da res, ou, no caso de sua impossibilidade, da desclassificação da conduta de furto qualificado, para o delito de furto privilegiado pelo pequeno valor (art. 155,§2°, do Código Penal). Ante o exposto, sendo certo que Humberto é conhecido em seu bairro pela prática de “pequenos delitos”, sua tese defensiva deve prosperar? Responda com base nos estudos realizados acerca da Teoria do Tipo Penal. A tipicidade conglobante constitui a tipicidade penal (formal + conglobante) e abrange a tipicidade material e a conduta antinormativa. Pela tipicidade material, podemos entender que à conduta não basta ser descrita no tipo penal para ser típica, é necessário que efetivamente cause um dano ao bem jurídico protegido, de forma relevante. No caso, a conduta de Humberto não é materialmente típica, pois o furto – delito contra patrimônio sem violência ou grave ameaça – de apenas R$ 30,00 não justifica a resposta penal do Estado, que deve se ocupar de violações apenas graves. E, apesar de Humberto ser conhecido pela prática de “pequenos delitos”, o fato é que isto não configura periculosidade apta a impedir a aplicação da insignificância, uma vez que “condições pessoais desfavoráveis, maus antecedentes, reincidência e ações penais curso não impedem a aplicação desse princípio” (Informativo 441 STJ, HC 84.412, 6ª Turma, unânime). Acerca da desclassificação para o art. 155, § 2º CP, que era adotada pela jurisprudência em busca de proporcionalidade, a Súmula 442 STJ dispôs que não é viável tal desclassificação: “é inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do roubo”. 10° ) CASO CONCRETO Julia, no nono mês de gestação, sente fortes dores no ventre e decide ir à Casa de Saúde por acreditar estar em trabalho de parto. Lá chegando é atendida por Clóvis, médico plantonista que, após detalhados exames obstétricos a orienta a retornar à sua casa sob o argumento de que a mesma ainda não se encontrava em trabalho de parto. Aproximadamente seis horas após o primeiro atendimento, Júlia retorna à Casa de Saúde e procura Clóvis que, novamente realiza os exames cabíveis, dentre eles o toque obstétrico, por meio do qual verifica que Júlia encontra-se em trabalho de parto, mas identifica que o colo do útero não está suficientemente dilatado para o parto, e o feto encontra-se bem, tendo, desta forma, Julia retornado à sua casa. Por volta das 7h da manhã, cinco horas após o último atendimento prestado, Julia chega à Casa de Saúde e é atendida por Clóvis que, no momento de troca de plantão indica César como o médico que realizará seu parto. Entretanto, Julia dá a luz a um natimorto, tendo sido comprovado posteriormente que o feto falecera durante o trabalho de parto, mormente durante as contrações uterinas, tendo sido Clóvis pronunciado por delito doloso contra a vida - aborto. Ante o exposto, com base nos estudos realizados sobre as teorias da conduta e dos tipos penais comissivos e omissivos, analise, sob o aspecto jurídico-penal, a conduta de Clóvis e sua respectiva tipificação penal (se cabível): Não há conduta típica por parte de Clóvis. Primeiramente, não houve homicídio culposo porque a morte de um feto proposital caracteriza aborto. E, segundo, não houve aborto, porque não existe a modalidade culposa deste – e o médico jamais pretendia a morte do feto, apenas orientou-a a aguardar mais, não havendo prova sequer de nexo causal entre a conduta de Clóvis e a morte (TJ/MA, APR 14798200). 11ªQUESTÃO: Com base na assertiva apresentada responda às questões propostas “A competência para processo e julgamento do delito de latrocínio, tipificado no art. 157,§3, in fine, do Código Penal, consoante o disposto no verbete de súmula n. 603, do Supremo Tribunal Federal ,é do Juiz singular e não do Tribunal do Júri.” Ante o exposto, pergunta-se: a) o delito de latrocínio, complexo, resta como figura preterdolosa? Apenas os delitos com resultado agravador culposo são preterdolosos, conforme se extrai do conceito dado por Mirabe: “o crime preterdoloso é um crime misto, em que há uma conduta que é dolosa, por dirigir-se a um fim típico, e que é culposa pela causação de outro resultado que não era objeto do crime fundamental pela inobservância do cuidado objetivo. Não há aqui um terceiro elemento subjetivo, ou forma nova de dolo ou mesmo de culpa. Como bem acentua Pimentel, „é somente a combinação de dois elementos – dolo e culpa – que se apresentam sucessivamente no decurso do fato delituoso: a conduta inicial é dolosa, enquanto o resultado final dela advindo é [culposo.]‟ Há, como se tem afirmado, dolo no antecedente e culpa no conseqüente” (http://www.leonildocorrea.adv.br/curso/mira30.htm). Assim, somente na hipótese de latrocínio com roubo e morte consumados, sendo o homicídio culposo, configurar-se-á a figura preterdolosa. b) No caso concreto caso o agente logre êxito na subtração da res, mas a vítima sobreviva, qual a melhor tipificação a ser dada à conduta? Responda com base nos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais dominantes. Há dois entendimentos. Para o primeiro, minoritário, configura-se roubo em concurso material com tentativa de homicídio. Já o segundo, amplamente majoritário, ocorre tentativa de latrocínio, sendo o entendimento mais técnico. 12ªQUESTÃO: Leia o texto abaixo e solucione o caso concreto apresentado. Padrasto é preso acusado de espancar enteado de três anos Fonte: Gabriela Moreira - Extra e Natanael Damasceno, O Globo RIO Publicada em 08/02/2008. O padrasto de um menino de três anos foi preso no fim da noite desta quarta-feira em Duque de Caxias acusado de espancar a criança. O menino foi levado pela mãe, Patrícia Alves, de 26 anos para o Hospital de Saracuruna, em Caxias, com um grande hematoma na cabeça. Ela teria dito aos médicos que a criança, que tem uma deficiência mental, tinha caído de seus braços, mas depois acabou confessando que o menino foi agredido pelo padrasto. De acordo a polícia, os médicos teriam desconfiado da versão que a mulher estava contando porque não era a primeira vez que ela levava a criança ao hospital. Segundo os médicos, foi a terceira vez que Patríciaesteve na unidade, sempre contando a mesma história. Depois de pressionada ela acabou contando que a criança fora vítima do padrastro, Elias Barbosa, de 34 anos. De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, o menino foi operado e está internado em coma no Centro de Terapia Intensiva, e corre risco de vida. Ainda de acordo com a secretaria, a criança teve traumatismo craniano e chegou ao hospital com escoriações pelo corpo todo. A mãe foi detida no hospital por policiais do 15º BPM (Duque de Caxias). Na delegacia, ela prestou depoimento e foi liberada. Já seu marido foi preso em casa, na Rua Coronel Matos, quando fazia as malas para fugir. Ele foi preso em flagrante. O caso está sendo investigado pela 60ª DP (Campos Elíseos). Ante o exposto, com base nas teorias acerca dos tipos penais dolosos e culposos, tipifique a conduta de Elias Barbosa. Apesar de quase matar a criança, o objetivo de Elias parece ser apenas o de lesionar. Incidiu, na hipótese, no delito do art. 129, § 1º, II CP (lesão corporal grave por perigo de vida). Isto em sede de dolo. Contudo, vindo a criança a morrer, será sua conduta agravada pelo resultado, conforme previsto no art. 129, § 3º CP (lesão corporal seguida de morte). Neste caso, há dolo direto quanto à lesão e culpa em relação à morte dela decorrente. Ou seja, sua conduta imprudente de lesionar causou a morte, que não era visada. Evidentemente, se tinha intenção de matar a criança desde o início, responderá por homicídio doloso, com aumento de pena (art. 121, § 4º, 2ª parte CP), caso a criança faleça. Do contrário, responderá pela tentativa do homicídio majorado. Em qualquer hipótese, incidirá a agravante genérica do art. 61, II, ‘f’ CP. 13ªQUESTÃO: Leia o texto abaixo e solucione o caso concreto apresentado. Marcos, após um churrasco em que ingeriu vários copos de cerveja, flagrantemente embriagado decide ir embora dirigindo seu carro. Alertado por um amigo sobre seu estado, informa que estava bem e que conseguia dirigir, inclusive com os olhos vendados. Pegando seu carro, parte em alta velocidade para sua casa quando, no caminho, perde a direção do veículo adentrando na contramão, colidindo de frente com uma moto, causando a morte do motociclista. Considerando que o motociclista estava sem capacete, o que poderia ter evitado o resultado fatal, com base nas teorias acerca dos tipos penais dolosos e culposos , identifique a responsabilidade penal de Marcos. Inicialmente, cumpre ressaltar que a embriagues para dirigir não exime o condutor de ser responsabilizado criminalmente, conforme a teoria da actio libera in causa, espécie de dolo antecedente: o agente tem uma conduta anterior que causa a conduta posterior, delituosa, a qual é praticada sem consciência pelo agente. O dolo é projetado então sobre a consciência do agente em se colocar no estado de falta de discernimento no qual delinqüiu. Isto posto, é certo que, mesmo embriagado, não era intenção de Marcos matar o motociclista, nem previu que poderia ocorrer. Atuou, então, de forma imprudente e perdeu o controle do veículo – vindo a causar a morte da vítima. Contudo, apesar desta só ter morrido por estar sem capacete, é certo que não teria caído no chão se não fosse por Marcos – e o fato de não usar capacete deverá ser considerado quando na dosimetria da pena. E, evidente, responderá Marcos, em concurso material, pelo delito de embriaguez ao volante (art. 306 da Lei 9.503/97), desde que comprovado o teor alcoólico em seu sangue. Uma vez que a lei estabelece como elemento objetivo do tipo penal a quantidade de decigramas por litro de sangue, sua comprovação é indispensável. E como esta só pode ser realizada por meio de exame de sangue e bafômetro (Decreto 6.488/08), a sua não realização impede a tipificação da conduta (Informativo 438 STJ, HC 166377, 6ª Turma, unânime). 14ª QUESTÃO: Leia o texto abaixo e solucione o caso concreto apresentado. PM admite erro de sargento que atirou em torcedor do São Paulo no Bezerrão Fonte: O DIA ONLINE. Acesso em 09/12/2008 O crime ocorreu no estacionamento de um shopping do Gama. Até mesmo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) deixou de defender o sargento José Luiz Carvalho Barreto. A corporação reconheceu ontem que a seqüência de falhas do policial com 21 anos de experiência resultou na lesão capaz de tirar a vida do torcedor paulista Nilton César de Jesus, 26 anos. O crime ocorreu no estacionamento de um shopping do Gama cerca de 10 minutos antes de começar a partida entre Goiás e São Paulo, no estádio Bezerrão, no domingo. O jovem levou um tiro na nuca, está internado no Hospital de Base do DF e, segundo o último boletim médico, continua em estado grave. O corregedor da PMDF, coronel Francisco das Chagas Maia, avaliou que o sargento José Luiz agiu com imprudência. “Ele mantinha a munição na agulha, a arma destravada e o dedo no gatilho. Fez tudo ao contrário do que é ensinado aos policiais militares. E não pode nem alegar imperícia, pois estava habilitado para usar a arma”, afirmou. O oficial fez a avaliação após assistir às imagens gravadas pela Rede Record. O cinegrafista flagrou o momento em que o policial atingiu a vítima. O tiro saiu de uma pistola Taurus calibre 40mm. Ante o exposto, analise os fatos narrados de modo a identificar o correto enquadramento jurídico-penal. (trabalhado em sala) 15ª QUESTÃO: João, saindo de uma festa onde ingeriu grande quantidade de bebida alcoólica, resolveu voltar para casa de bicicleta. No percurso, Felipe, motorista que estava dirigindo um caminhão, avista o ciclista (João) na estrada e aproxima-se com o objetivo de ultrapassá-lo. Como João estava fortemente embriagado, e, em virtude de uma reação provocada pelo álcool, gira a bicicleta para a esquerda (pois assustou-se com o barulho do caminhão), caindo sob as rodas traseiras do veículo. Sendo certo que Felipe efetuou a ultrapassagem muito próximo a João (aquém da distância mínima para tal), mas que ficou provado que o acidente ocorreria mesmo que o motorista tivesse observado a distancia regulamentar para a manobra e, de acordo com os estudos apresentados acerca da Teoria da Imputação Objetiva, responda: pode ser atribuída a Felipe a responsabilidade pelo ocorrido, ou seja, deve ele responder por homicídio culposo Não. Apesar da negligência em não tomar a distância adequada, é fato que mesmo se tivesse feito João teria morrido. Assim, não há como se imputar a ele, por culpa, o resultado morte, pois esta não derivou de sua negligência. Como se sabe, é necessário, pela Teoria da Imputação Objetiva, que a conduta seja a causa do resultado. No caso concreto, não foi, não havendo que se falar em homicídio culposo, pois o resultado não foi causado pela negligência de Felipe. Houve, no caso, culpa exclusiva da vítima. 16ª QUESTÃO Maria foi vítima de lesões corporais perpetradas por Joana (que tinha dolo de matar). Prontamente socorrida, Maria foi levada ao hospital para ser operada. Na sala de cirurgia Édson, anestesista, aplica quantidade excessiva da substancia pertinente, o que faz com que Maria venha a óbito em virtude de parada cardíaca derivada do choque anestésico. Com base nos estudos acerca da imputação objetiva e da relação de causalidade, responda: a que título devem responder Joana e Édson Joana responderá por tentativa de homicídio (art. 121 c/c 14, II CP), pois causou as lesões corporais visando a morte de Maria. Isto porque, como a causa da morte se deu por circunstância superveniente relativamente independente (excesso de anestesia), que não é imputável à conduta de Joana, não responderá esta pela morte. Em relação ao médico, incidirá no delito do art. 121, § 3º CP (homicídio culposo), uma vez que deu causa à morte em face à sua imperícia ao ministrar a anestesia. Destaque-se não ser hipótese do art. 121, §4º, 1ª parte CP (inobservância de regra técnica), uma vez que o problema não deu nenhuma informação neste sentido – apenas que Édson ministrou quantidade excessiva de anestesia, atuando com imperícia. 17ª QUESTÃO Leopoldo, durante a madrugada e mediante escalada, ingressou em um apartamento por meio de sua varanda, com vistas a subtrair os aparelhos eletroeletrônicos da residência, pois sabia que seus moradores haviam viajado de férias. No momento em que se encontrava no interior do apartamento para realizar a subtração, foi surpreendido pelo segurança do edifício, que lhe disse que já havia chamado a polícia e que, portanto, Leopoldo não escaparia dali. Irritado com a ameaça, Leopoldo, agride o segurança e, após se envolver em luta corporal toma-lhe a arma, dando-lhe uma coronhada na cabeça, ferindo-o e, ato contínuo, foge do local sem nada levar Com base nos estudos realizados sobre os crimes contra o patrimônio, analise sob o aspecto jurídico-penal, a responsabilidade penal atribuída à conduta de Leopoldo. Responda de forma fundamentada, com base nas teorias adotadas e aponte os respectivos dispositivos legais. Inicialmente, a conduta de Leopoldo amoldava-se ao art. 155, § 4º, II CP. Contudo, em face à violência cometida contra o segurança para assegurar a impunidade do delito, que até então era tentado, poderia ter incidido no tipo do art. 157, § 1º CP – se já tivesse subtraído os aparelhos domésticos, o que não aconteceu. Assim, a violência cometida contra o segurança se amolda ao delito de lesões corporais simples (art. 129 CP). Como resultado final, sua conduta é o concurso material entre os dois delitos: art. 155, § 4º, II c/c 14 e art. 129 CP, n/f do art. 69 CP. Neste sentido, as seguintes jurisprudências do TJ/SP: "Não ocorre o roubo impróprio se precedentemente à violência não chegou sequer a haver subtração" (RT 548/310). TACRSP: "Se a subtração é apenas tentada e há violência ou ameaça na fuga, o crime será de furto em concurso com crime contra a pessoa e não tentativa de roubo" (RT 711/346). TARS: "É amplamente dominante entre os doutrinadores a tese segundo a qual, se a subtração é apenas tentada e há violência na fuga, caracteriza-se o crime de furto tentado em concurso com o crime contra a pessoa e não tentativa de roubo, muito menos de roubo consumado" (JTAERGS 70/94). (Fonte: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=12353) 18ª QUESTÃO Everton, ingressa no táxi de Alexandre na Avenida Presidente Vargas em torno das 19h de uma terça-feira, indicando-lhe como destino rua situada no Bairro de Madureira. A meio caminho, Everton se dirige a Alexandre dizendo-lhe: “pare o carro e me entregue toda a féria do dia, ou será um homem morto”. Alexandre após parar o veículo reage o que irrita Everton, vindo este a desferir-lhe um tiro letal do qual resulta a morte instantânea de Alexandre. Irritado com a situação toda Everton empreende fuga sem, contudo, levar consigo o valor almejado. Analise a conduta de Aluísio sob o enfoque dos institutos repressores da Lei n. 8072/1990. Há hipótese, houve uma morte consumada e um roubo tentado, pois matou a vítima, visando pegar seu dinheiro, mas não levou os valores, após matá-la. Em tal situação, há quatro correntes: 1ª. Há latrocínio consumado (Súmula 610 STF), que é a corrente majoritária, e que nos parece a mais correta, pois o bem vida foi sacrificado visando à subtração de um patrimônio, mesmo que esta não tenha ocorrido; 2ª. Há tentativa de latrocínio, que é a corrente mais técnica, uma vez que o roubo não se consumou; 3ª. Há tentativa de roubo mais homicídio em concurso material, que é a corrente minoritária; e 4ª. Há homicídio qualificado, n/f do art. 121, § 2º, V CP, sendo corrente também minoritária. Adotada a primeira ou a segunda correntes, incidirá na hipótese a lei dos crimes hediondos (art. 1º, II da Lei 8.072/90). Como conseqüência, não poderá o condenado receber anistia, graça ou indulto, nem obter livramento condicional mediante fiança (art. 2º, I e II da Lei 8.072/90). Além disso, sua pena será cumprida inicialmente em regime fechado (art. 2º, § 1º) e a progressão de regime ocorrerá de forma mais gravosa que em geral: após 2/5 da pena, se primário, ou 3/5, se reincidente. 19ª QUESTÃO Adamastor, humilhado por Wallace na frente de sua namorada, saca de sua arma produzindo diversos disparos que atingem Wallace em região letal. Surpreendentemente, porém, nada lhe acontece, pois, conforme se verificou depois, a munição da arma já perdera a sua eficácia pelo decurso do tempo. Analise a conduta de Adamastor sob o aspecto jurídico-penal. Não há de se falar sequer em tentativa de homicídio, pois a ineficácia absoluta do meio configura crime impossível (art. 17, 1ª figura CP), uma vez que as balas não tinham a condição de causarem a morte. 20ª QUESTÃO Hélio, com a intenção de causar a morte de Gracindo, e sabendo que este coloca ração, todas as manhãs bem cedo, para patos, no lago existente dentro do condomínio no qual residem, passa na vasilha destinada à colocação do alimento dos animais um veneno que acarreta a morte em algumas horas, com um simples contato com o corpo. Entretanto, para surpresa de Hélio, na manhã esperada, em lugar de Gracindo, comparece para alimentar os animais a filha de seu desafeto, Leandra, que acaba por tocar a vasilha e contaminar-se. Com a finalidade de afastar qualquer suspeita, Hélio tranca Leandra num cômodo próximo ao lago, onde normalmente fica guardado o material de jardinagem, impedindo-a de pedir socorro. Sendo certo que Leandra faleceu poucas horas após o envenenamento, é correto imputar à conduta de Hélio os delitos de homicídio doloso na forma tentada em relação a Gracindo e homicídio culposo em relação a Leandra? Responda justificadamente com base nos estudos feitos sobre o tema. Neste caso, Hélio responderá pela morte de Leandra como se tivesse conseguido matar a Hélio. Trata-se de hipótese de aberratio ictus ou erro na execução (art. 73, 1ª parte CP). Isto porque os atos executórios eram plenamente aptos a matar Hélio, conforme a previsão de comportamento diário da vítima, na hora de alimentar os patos. Contudo, o erro na execução foi não ter previsto a possibilidade de outra pessoa ir fazer isto, dando causa à morte de Leandra por consequência. Assim, não há que se falar em tentativa em relação a Hélio e culpa em relação a Leandra. O que houve, no caso, por força de nossa legislação, foi um homicídio doloso consumado, no qual deve-se aplicar a regra do art. 20, § 3º CP, considerando-se as condições e qualidade de Hélio na hora de aplicar a pena, e não as da real vítima. 21ª QUESTÃO Pedro, andando pela rua, escuta o Choro de uma criança vindo de dentro de um carro com portas e vidros fechados. Desesperado, face aos inúmeros casos semelhantes veiculados pelos meios de comunicação, com um paralelepípedo arrebenta com o vidro de uma das janelas do veículo para salvar a criança que aparentava possuir por volta de um ano. Ocorre que do lado de fora, encostado no carro, tem dois sujeitos conversando, sendo que um deles está com a chave de um carro balançando na mão. Sendo este o pai da criança que em nenhum momento se afastou do veículo, mas deixou a porta encostada porque o garoto estava fazendo “manha”, o que foi visto por Pedro, qual será a sua responsabilidade penal. Justifique analisando as hipóteses de descriminantes e seus elementos. Ao se analisar a tipicidade da conduta de Pedro, temos que esta se amolda ao tipo do art. 163 CP (crime de dano), pois destruiu coisa alheia, qual seja, o vidro do carro da vítima. Contudo, ao se analisar a ilicitude de sua conduta em face ao art. 24 CP, temos que observar que Pedro acreditava atuar para salvar terceiro (a criança) de perigo atual não provocado por ele (sufocamento dentro do carro), podendo causar dano mais gravedo que a quebra da janela (a morte da criança). Resta somente analisar: haveria outro modo de evitar o dano (morte), sem precisar quebrar o vidro? Sim, bastava antes ter tentado abrir a porta do carro normalmente. Por isso, sua conduta permanece ilícita. Assim, como também é culpável, configurou-se o delito do art. 163 CP. Por fim, caso não houvesse outro modo de evitar o falso dano, permaneceria a excludente de ilicitude apenas se fosse invencível o erro, pois sua finalidade de agir seria lícita. Mas, no caso, seu erro de julgamento é inescusável, já que presenciou o pai da criança encostar a porta porque ela fazia “manha”. 22ª QUESTÃO Febrônio, pretendendo proteger-se de ladrões que atuam na sua área residencial durante a noite, instala no muro de sua casa pedaços de vidro de forma que qualquer pessoa que tentasse pulá-lo viria a se cortar com os cacos de vidro. Com o intuito de evitar que crianças vizinhas se machucassem Febrônio coloca avisos nos muros acerca da existência dos vidros bem como conta a vários vizinhos sua conduta. Diante de sua conduta responda: Caso Crisântemo, conhecido assaltante da região, tente invadir a casa de Febrônio e acabe se ferindo nos cacos de vidro pode-se afirmar que Febrônio praticou algum delito? Não. Os ofendículos constituem legítima defesa preordenada. De fato, tais meios de segurança não são aptos a causar dano a ninguém, a menos que a pessoa tenha a intenção de ingressar no imóvel sem autorização do proprietário ou possuidor. Por isso, sempre que atuam lesionando alguém que, como Crisântemo, tinha a intenção de entrar na residência sem sua autorização com algum fim ilícito, constituem legítima defesa, tornando lícita a lesão corporal causada. Há de se destacar que parte da doutrina dá aos ofendículos a natureza jurídica de exercício regular de direito. Para eles, caracterizam legítima defesa preordenada apenas os dispositivos ocultos, que são ativados com a invasão. Contudo, a maioria da doutrina não diferencia os dois, adotando ou todos como exercício regular de direito (minoritária) ou como legítima defesa preordenada (majoritária). (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2260). Há ainda uma terceira posição, que diz ser exercício regular de direito o momento da colocação do ofendículo, e legítima defesa preordenada quando efetivamente atuam na invasão. De qualquer forma, a conduta de Febrônio estará sempre amparada por uma excludente de ilicitude, se presentes seus requisitos. Na hipótese, adotada a posição pela legítima defesa, a lesão causada ao invasor foi proporcional, estando presentes as demais condições desta excludente (como a proporcionalidade). 23ª QUESTAO Maurício de Oliveira, médico plantonista em um hospital público, tendo sob sua responsabilidade diversos pacientes, constata que dois deles precisam ser encaminhados, com urgencia à UTI, em razao da gravidade e piora dos respectivos quadros clínicos. Cientifica-se, contudo, momentos depois, que só há um leito disponível na UTI e, percebendo que se nenhuma providencia for tomada os dois pacientes morrerao, encaminha um deles(o que lhe parece mais necesitado de cuidados intensivos) à aludida unidade. Esse paciente consegue sobreviver, mas o outro, pela falta dos cuidados médicos que se faziam necessários nas circunstancias, pouco tempo depois vem a falecer. A familia do paciente morto leva o ocorrido ao conhecimento do Delegado de Polícia da circunscrição e, após a apuração dos fatos mediante inquérito policial, é oferecida denúncia pelo Ministério Público, contra Maurício de Oliveira, por crime de homicídio – comissivo por omissão. Tendo sido a denúncia recebida, o médico é citado, sendo instaurado processo criminal. Ante o exposto, qual a tese defensiva a ser apresentada? Fundamente sua resposta. Já em sede de tipicidade, é possível se alegar que não houve a intenção ou dolo do agente de matar um dos pacientes, ao escolher o outro para o único leito disponível na UTI. Noutras palavras, não houve dolo direto nem eventual de causar a morte com a omissão de socorro, mas apenas a escolha de um entre dois pacientes, prevalecendo o que tinha maiores chances de morrer sem socorro. Assim, afasta-se o dolo ou a culpa. Contudo, não adotado este posicionamento, pode-se ainda alegar, em sede de culpabilidade, que havia inexigibilidade de conduta diversa. Só havia um leito para dois pacientes, e a ele cabia escolher quem seria tratado. Não havia meios ou recursos de tratar dos dois, então ele fez o que causaria menor dano: escolher o que mais necessitava de tratamentos, deixando aquele com maiores chances de sobreviver. E parece-nos que esta segunda alegação é irrefutável. Do contrário, será o mesmo que condenar previamente por homicídio todos os médicos que atuam em UTIs nos hospitais que estejam superlotados por algum desastre ou que simplesmente não tenham recursos. É responsabilizar o profissional da saúde pela má-sorte ou pelo descaso da administração pública com os hospitais. Não havia outro comportamento exigível do médico. Era a única postura que podia adotar, e escolheu o paciente com base em critérios imparciais e lógicos. Não há, pois crime, seja por ausência de tipicidade (falta de dolo ou culpa) ou de culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa). 24ª QUESTÃO Tertuliano, 17 anos de idade, emancipado, casa-se com Martifinélia, portadora de grave doença mental, com quem se muda para a cobertura de um prédio de dez andares, situado na rua das Hortênsias, nº 24, centro da cidade de Sucupira. Numa noite de lua cheia, na véspera de seu 18º aniversário, Tertuliano convence sua esposa a saltar do referido prédio, segurando uma raquete de tênis em cada mão e com várias penas de pavão presas às costas, dizendo para ela que, deste modo, conseguiria voar. Tertuliano queria a morte de Martifinélia com o objetivo de herdar seus bens, já que se tratava de uma mulher muito rica. O fato ocorreu no dia 1º de abril de 2009, à meia-noite. Martifinélia salta da cobertura e, obviamente, é projetada em parafuso até o chão, onde cai morta. Diante disto: Tertuliano cometeu crime? Apesar da conduta de Tertuliano amoldar-se ao crime de induzimento ao suicídio, na forma qualificada (art. 122, p. único CP), o agente contava com 17 anos quando os fatos se deram. Assim, em face ao art. 27 CP, é considerado imputável, não havendo culpabilidade em sua conduta, o que exclui o crime. Por sim, cumpre-se destacar que a maioridade civil (o fato de ser emancipado) em nada influi na seara penal. 25ª QUESTÃO FABRÍCIO, pretendendo matar LILIAN, sua esposa, de quem estava separado de fato, deliberadamente se embriagou e, munido de um revólver, postou-se atrás de uma pilastra da garagem do imóvel em que a mesma residia. Efetivamente, minutos após, LILIAN chegou ao local, acompanhada de GERVÁSIO, seu pai, de oitenta anos de idade, e de AQUILES, filho do casal, de apenas três anos de idade. Ato contínuo, FABRÍCIO efetuou cinco disparos de arma de fogo contra LILIAN, não logrando atingi-la, porém atingindo, involuntariamente, o sogro e o próprio filho, os quais tiveram morte instantânea. Também em conseqüência dos disparos, vieram a ser danificados o pára-brisa do automóvel e uma tela de Portinari que LILIAN, momentos antes, arrematara em leilão. Diante da hipótese formulada, responda se a embriaguez pode ser utilizada como tese defensiva para fins de exclusão da culpabilidade? Não. A embriaguez voluntária não é apta a excluir a culpabilidade, conforme o art. 28, II CP, mesmo que o agente não tivesse condições de entender o caráter ilícito de sua conduta, ou comportar-se de acordo com este entendimento. Incide no caso o dolo antecedente, em que o dolo do agente é transferido para o momento anterior em que se colocou embriagado, assumindo então a responsabilidade por sua condutainconsciente. Este é o endentimento dominante (actio libera in causa). 26ª QUESTÃO Marcos, feirante, com a finalidade de prejudicar Beto, concorrente seu, convence Tuco a derrubar sua barraca, dizendo que aquele ficaria contente e lhe daria um doce. Tuco, animado com a idéia, corre e joga a barraca de Beto no chão, o que vem a lhe render uma boa sova. Sendo certo que, Marcos aproveitou-se do fato de Tuco ser doente mental - inimputável, bem como sequer encostou na barraca de Beto, com base nos estudos feitos acerca das teorias aplicáveis ao concurso de pessoas, analise a responsabilidade penal das condutas de Marcos e Tuco. Responda de forma fundamentada. Marcos incidiu no delito do art. 163 c/c 62, III CP. No caso, sua autoria é denominada mediata, pois valeu-se de alguém inimputável para realizar o ilícito. No caso, Tuco, por ser doente mental, serviu como mero instrumento de Marcos, para realizar o crime. Logo, Tuco não cometeu nenhum crime, pois não há culpabilidade em sua conduta, tendo em vista sua inimputabilidade. 27ª QUESTÃO Ricardo, menor inimputável, com 14 anos de idade, disse para Lúcio, maior de idade, que pretendia subtrair aparelhos de som (CD player) do interior de um veículo. Para tanto, Lúcio emprestou-lhe uma chave falsa, plenamente apta a abrir a porta de qualquer automóvel. Utilizando a chave, Ricardo conseguiu seu intento. Na situação acima narrada, quem é partícipe de furto executado por menor de idade responde normalmente por esse crime? Fundamente sua resposta de acordo com teoria adotada pelo Código Penal quanto à natureza jurídica da participação.(135° Exame de Ordem/SP – 2ª Fase. Cespe/UnB). De acordo com Luiz Flávio Gomes (Direito Penal, Parte Geral, volume 02, Ed. Revista dos Tribunais, 2007, p. 509), a participação é acessória (natureza jurídica). Sem a conduta principal, não há que se falar em punição do partícipe. Isto posto, o partícipe de furto executado por menor responde normalmente pelo crime, porque a conduta principal não precisa ser levada a cabo por agente culpável (basta ser típica e ilícita) – se adotada a teoria limitada da participação. Teorias sobre a Participação. Teorias da Acessoriedade: a) Mínima: basta que a conduta do autor seja típica e partícipe é punível; b) Limitada: a conduta deve ser típica e ilícita (mais aceita no momento); c) Máxima: deve caracterizar crime (tipicidade, ilicitude e culpabilidade); d) Hiperacessoriedade: a conduta deve típica, ilícita, culpável e punível. Em suma, o fato principal precisa ser típico e ilícito. São as duas exigências para se punir o partícipe. No caso, então, Lúcio será responsabilizado penalmente como partícipe. 28ª QUESTÃO Febrônio, utilizando-se de arma de fogo de uso permitido, por volta das 21h de um sábado, na esquina das ruas Maria Angélica e Barão da Torre, aborda Renata vindo a subtrair-lhe a bolsa com todos os seus pertences. Diante dos fatos narrados é correta a tipificação da conduta de Febrônio como incursa no art. 157,§2°, inc.I c/c art.16 da lei n. 10826/03 em concurso de crimes? A resposta seria a mesma caso Febrônio fosse encontrado por policiais algumas horas mais tarde ainda na posse da res furtiva e da arma de fogo que utilizara para a subtração? Fundamente sua resposta. 1) A conduta de Febrônio amolda-se ao tipo do art. 157, § 2º, I CP, apenas. O porte ilegal da arma de fogo de uso permitido (art. 16 da Lei 10.826/03) é absorvido, em face ao princípio da consunção, pelo roubo, uma vez que se tratava de meio para a execução da subtração, através da ameaça. 2) Contudo, se flagrado posteriormente na posse da res furtiva e da arma, então incorrerá no delito do art. 16 da Lei 10.826/03, uma vez que a posse da arma não se dá mais em função da realização do roubo, que já se concretizou. Nesta hipótese, responderá pelo roubo (fatos ocorridos com Maria Angélica) e pelo porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (pois estava com ela quando flagrado pela polícia), em concurso material. 29ª QUESTÃO Para Edna Del Pomo (professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal Fluminense) tem-se hoje a denominada vitimização carcerária decorrente, dentre outros fatos, da superpopulação carcerária e dos fenômenos de prisionização e estigmatização do preso e do ex-preso. Diante desta afirmação aponte, com base nos estudos realizados acerca das transformações do Direito Penal, sob o ponto de vista de política criminal (penitenciária) e, consequente forma de controle social, possíveis soluções para o problema apresentado: (ARAÚJO, Edna Del Pomo de. Vitimização Carcerária: Propostas e Alternativas. Disponível em: http://www.achegas.net). A aplicação das penas restritivas de direito (penas alternativas) surgem como um método hábil a retribuir a conduta de quem cometeu um delito, bem como de mantê-lo na sociedade, da qual não se afastará, sendo obrigado por vezes a realizar trabalhos sociais. Com isso, sem a vivência carcerária, evita as influências negativas bem como a estigmatização de ter sido preso um dia. Nas palavras de Edna Del Pomo: a pena restritiva de direitos “oferece uma real perspectiva de reeducá-lo para o convívio social, além de propiciar uma reparação à sociedade principalmente através das ‘penas de prestação de serviços à comunidade’” (http://www.achegas.net/numero/vinte/edna_araujo_20.htm). Além disso, é necessário que os presídios sejam efetivamente centros de reeducação, de novas oportunidades, com cursos de ensino e profissionalizantes, possibilitando ao preso atividade durante a reclusão e maiores chances de retornar à sociedade com possibilidades de obter seu sustento de forma lícita. “Em síntese, algumas premissas poderiam ser adotadas para se evitar uma vitimização pelo sistema carcerário brasileiro: 1- Incentivo à adoção da “pena alternativa” como medida de prevenção vitimológica: Pena Alternativa => evita a prisionização e conseqüente vitimização do preso => reintegração social => evita a reincidência criminal => evita a vitimização da comunidade 2- Incentivo à criação de Conselhos da Comunidade pelos Juizes de todas as comarcas, principalmente com a orientação de acompanhar e supervisionar a aplicação das “penas de prestação de serviços à comunidade” 3- Incentivo à adoção de projetos que viabilizem a formação educacional e profissional do encarcerado, notadamente aqueles que contam com o apoio de instituições de ensino como as universidades, propiciando a participação de estagiários-estudantes no programa 4- Incentivo à adoção de projetos que viabilizem a profissionalização do encarcerado, notadamente aqueles que contam com o apoio da iniciativa privada, propiciando uma remuneração justa e digna 5- Incentivo à adoção de projetos sociais em parceria com a comunidade, propiciando o envolvimento da sociedade civil organizada na busca de soluções para a problemática penitenciária”. 30ª QUESTÃO Arnaldo, pai de Antônio, jovem de 11 anos, ao acompanhá-lo à festa junina de sua escola, segundo testemunho de pessoas presentes no local, dentre elas professores da escola, teria discutido e, consequentemente, agredido, por meio de apertões e empurrões, Lucas, 12 anos, colega de sala de seu filho, ao tentar retirar Antônio da barraca da “cadeia”, cujo “xerife” era Lucas e que estipulara, como condição para a soltura de Antônio, o pagamento de “fichas” de valor equivalente a R$1,00. Ainda, conforme narrativa das testemunhas, Arnaldo teria perdido a paciência com as exigências do “xerife”. Da conduta perpetrada por Arnaldo, restaram caracterizadas, no auto de exame de corpo de delito, lesões corporais leves em Lucas. Diante dos fatos narrados, solucione o caso concreto de modo a fixar a sanção penal adequada em consonância com os estudos realizados sobre a criação de medidas alternativas à penaprivativa de liberdade e a Lei n. 9099/1995. A conduta perpetrada por Arnaldo amolda-se ao tipo penal do art. 129 CP (lesões corporais leves), cuja pena é de 3 meses a 1 ano. Desta forma, será julgado perante os Juizados Especiais Criminais, sob regência da Lei 9.099/95 (art. 60). Antes de iniciado o processo, poderão o agente e a vítima, por meio de seu responsável, entrarem em um acordo. Caso ocorra a composição civil dos danos, sendo esta homologada pelo juiz, estará extinta a punibilidade (art. 74, p. único), uma vez que a lesão corporal leve é crime de ação penal pública condicionada a representação (art. 88). Caso não haja acordo, o Ministério Público poderá apresentar proposta de Transação Penal (art. 76), que poderá ser aceita pelo agente e homologada pelo juiz, consistente em pena restritiva de direitos ou multas. Caso não haja a transação, o MP poderá propor a suspensão condicional do processo (art. 89), tendo em vista que a pena máxima é igual a um ano. Caso aceita e homologada, o processo ficará suspenso durante o período de prova, de 2 a 4 anos. Neste tempo, o agente deverá cumprir os termos da suspensão, a fim de ter extinta a punibilidade ao fim do período. Contudo, caso nenhuma das descriminantes incida, ao final o agente poderá ser condenado a uma pena restritiva de direitos, se satisfeitos os requisitos do art. 44 CP. 31ª QUESTÃO Claudionor da Silva foi condenado à pena de reclusão de 9 meses e 15 dias multa pela prática do delito de furto qualificado pelo concurso de pessoas e pelo rompimento de obstáculo, consoante o disposto no art. 155, §4°, I e IV, do Código Penal, por ter subtraído o som automotivo (cd player) do veículo de Belízia de Oliveria tendo, para tanto, contado com o auxílio de João Ferreira. Inconformado com a sanção imposta, interpõe recurso de apelação criminal pleiteando, inicialmente, a exclusão da qualificadora “rompimento de obstáculo” sob o argumento de que não poderia sua conduta ser punida mais severamente pela subtração do aparelho de som do que se tivesse subtraído o próprio veículo. Ainda, aduz que, com relação à incidência da qualificadora do concurso de pessoas, deveria ser aplicada a majorante prevista no art. 157,§2°, sob pena, em ambos os casos, de desrespeito ao princípio da proporcionalidade. Sendo certo que, a referida pena privativa de liberdade foi substituída por uma pena restritiva de direitos consistente na prestação de serviços à comunidade, solucione o caso concreto apresentado de modo a decidir acerca da possibilidade da desclassificação da qualificadora prevista no delito de furto e, conseqüente, aplicação da causa de aumento de pena, prevista no delito de roubo. Responda de forma fundamentada. Acerca da primeira questão sobre quebrar o vidro do carro para roubar seu cd player, há três correntes: 1ª. Se o vidro for quebrado para roubar uma peça do carro, há qualificação; mas se for para furtar o próprio veículo, é furto simples; 2ª. Outra corrente, a fim de evitar a iniqüidade da anterior, afirma pela qualificação em todos os casos, com base na proporcionalidade da resposta penal (Informativo 429 STJ, HC 152.833, 6ª Turma, por maioria); 3ª. Contudo, caso se furte um bem no interior do veículo, não um item do mesmo, há qualificação (Informativo 585 STF, HC 98.606, 1ª Turma, unanimidade). Adotando-se a primeira e a terceira posições, de fato, não deverá ser agravada a conduta de Claudionor pelo rompimento de obstáculo. É evidente a desproporcionalidade de se punir mais gravemente quem quebra uma janela para subtrair um item do carro, do que aquele que a quebra para roubar o carro inteiro, bem de valor monetário incomparavelmente maior. Já acerca da aplicação do art. 157, § 2º CP ao concurso de agentes, não assiste razão o agente. Isso porque se tratam de dois tipos penais absolutamente diversos, no qual o próprio art. 155 CP prevê, em seu § 4º, a hipótese de concurso de pessoas. 32ª QUESTÃO Adalberto,foi denunciado pelo Ministério Público pelo delito de lesões corporais leves (incurso no tipo penal previsto no art.129, caput, do Código Penal) perpetradas em face de Bernardo, seu vizinho, como restou claro no auto de exame de corpo de delito, sendo certo que as mesmas tiveram por elemento propulsor a discussão acerca de uma obra a ser realizada no muro divisório de suas casas. Cabe salientar que, em momento oportuno, foi proposta e aceita a transação penal com a respectiva aplicação imediata de pena restritiva de direitos, a saber: prestação de serviços à comunidade, entretanto, Adalberto quedou-se inerte no cumprimento da referida sanção penal, razão pela qual o parquet propôs a ação penal. Diante dos fatos narrados, com base nos estudos realizados sobre o instituto da Transação Penal e seus consectários, solucione o caso concreto de modo a analisar a possibilidade da propositura da ação penal quando do descumprimento da sanção penal estabelecida na sentença homologatória de transação penal: O assunto já está pacificado na Jurisprudência do STF: se descumprida a transação penal, poderá o MP oferecer a ação penal respectiva. Em sede de repercussão geral, o STF decidiu que “não fere os preceitos constitucionais a propositura de ação penal em decorrência do não cumprimento das condições estabelecidas em transação penal” (RE 602.072, Tribunal Pleno, unanimidade). Isso porque a homologação da transação penal não faz coisa julgada material, de forma que, descumpridas suas cláusulas, retornar-se à situação anterior, com a possibilidade do MP de oferecer a ação penal. Mas, por outro lado, o STJ possui forte posição em contrário, pela qual a homologação da transação penal gera coisa julgada formal e material, não podendo seu descumprimento dar azo a instauração da AP (Informativo 438 STJ, HC 90.126, 6ª Turma, unânime) 33ª QUESTÃO Ambrósio, com 20 anos de idade, pratica o injusto do art. 157, § 2º, I n/f art. 14, II, todos do Código Penal. O fato restou provado, sendo que, no curso da instrução criminal, apurou-se que o acusado havia morrido, tendo a defesa juntado o atestado de óbito de Ambrósio. O Juiz criminal ao prolatar sua decisão, julgou extinta a punibilidade com base no art.107, I, do Código Penal. Entretanto, após o trânsito em julgado da decisão, descobre-se por meio de prova pericial que, a Certidão de Óbito utilizada como documento comprobatório para a declaração extintiva de punibilidade era materialmente falsa. Diante dos fatos narrados, é possível a revisão desta sentença, ainda que transitada em julgado para a acusação, de modo a prejudicar o réu? Fundamente sua resposta com base nos estudos realizados sobre o tema extinção de punibilidade. Esta decisão não gera coisa julgada em sentido estrito, pois “a formalidade não pode ser levada a ponto de tornar imutável uma decisão lastreada em uma falsidade. O agente não pode ser beneficiado por sua própria torpeza” (Informativo 433 STJ, HC 143.474, 6ª Turma; no STF: HC 84.252). Nos termos da ementa da decisão “HABEAS CORPUS - PROCESSO-CRIME. 1. REVOGAÇÃO DE DESPACHO QUE JULGOU EXTINTA A PUNIBILIDADE DO RÉU, A VISTA DE ATESTADO DE ÓBITO BASEADO EM REGISTRO COMPROVADAMENTE FALSO: SUA ADMISSIBILIDADE, VEZ QUE REFERIDO DESPACHO, ALÉM DE NÃO FAZER COISA JULGADA EM SENTIDO ESTRITO, FUNDOU-SE EXCLUSIVAMENTE EM FATO JURIDICAMENTE INEXISTENTE, NÃO PRODUZINDO QUAISQUER EFEITOS. 2 - CONDENAÇÃO DO RÉU, NO MESMO PROCESSO, POR OUTRO CRIME, FUNDADO EM FATO NOVO, POSTERIOR AO QUE DEU CAUSA A AÇÃO PENAL, MEDIANTE SIMPLES ADITAMENTO DA DENUNCIA; IMPOSSIBILIDADE, MORMENTE QUANDO NÃO FORAM OBSERVADOS OS TRAMITES REGULARES EXIGIDOS PARA VALIDADE DO PROCESSO, COM EVIDENTE CERCEAMENTO DE DEFESA. HABEAS CORPUS DEFERIDO EM PARTE, PARA SE DECRETAR A NULIDADE DO PROCESSO QUANTO AO SEGUNDO CRIME”. 34ª QUESTÃO Adalberto, no dia 20 de abril de1996, dia do seu 21º aniversário, totalmente embriagado, na direção de veículo automotor, atropelou Larissa que estava no ponto de ônibus. Larissa foi levada ao hospital e faleceu 3 meses depois em razão das lesões provocadas pela conduta de Adalberto. No dia 20 de agosto de 1996 Adalberto foi denunciado por homicídio culposo. O Juízo da 100ª Vara Criminal recebeu a denúncia no dia 20 de setembro de 1996. A sentença condenatória foi proferida no dia 20 de julho de 2000 e publicada no dia 20 de agosto de 2000. Adalberto foi condenado à pena mínima cominada ao crime. Ante o exposto, é correto afirmar que houve prescrição até então? Ainda, caso Adalberto fizesse aniversário no dia 21 de abril de 1996, a situação jurídico-penal se alteraria? A prescrição do delito é regulada pela pena efetivamente aplicada. No caso, a pena mínima do art. 302 da Lei 9.503/97 é de dois anos. Desta forma, diante do art. 109, V CP, o prazo prescricional é de 4 anos. Isto posto, uma vez que entre o recebimento da denúncia e a publicação da sentença (causas interruptivas da prescrição – art. 117, I e IV CP), decorreram mais de quatro anos, houve a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva. (Neste sentido, HC 96.730 STF). Assim, não haveria diferença caso Adalberto contasse com 20 anos à data dos fatos, o que causaria a diminuição do prazo prescricional à metade, uma vez que mesmo com prazo integral houve a prescrição. 35ª QUESTÃO Cláudio no dia 15 de dezembro de 2001 matou dolosamente Adriana. No dia 15 de novembro 2002 Cláudio foi denunciado por homicídio simples. A denúncia foi recebida pelo juízo no mesmo dia. No dia 15 de dezembro de 2006 Cláudio foi pronunciado por homicídio simples nos exatos termos da denúncia. Cláudio, inconformado, recorreu da decisão. No dia 15 de outubro de 2008 o Tribunal julgou improcedente o recurso mantendo a decisão. Ante o exposto, com base nos estudos sobre o tema prescrição, verifique se houve prescrição na hipótese narrada. Não. Conforme o art. 109, III CP, o lapso prescricional mínimo para o homicídio simples é de 12 anos de prescrição. E, como se pode notar, desde os fatos até a decisão do tribunal não transcorreram sequer 8 anos. E isso sem contar com as causas de interrupção da prescrição (art. 117 CP) que se deram neste interregno desde os fatos (15/12/01): recebimento da denúncia (15/11/02), pronúncia (15/12/06) e a decisão confirmatória desta (15/10/08). 36ª QUESTÃO André foi denunciado no dia 20 de outubro de 2000 pelo crime de bigamia. A denúncia foi recebida após cinco dias. Dois anos após o recebimento o juiz tomando conhecimento de que está tramitando ação de anulação do primeiro casamento no juízo cível, decide pela suspensão do processo para aguardar o julgamento desta questão prejudicial. Após Dez anos e três meses o juiz determina o prosseguimento do feito criminal. Ante o exposto, com base nos estudos sobre o tema prescrição, verifique se houve prescrição da pretensão punitiva na hipótese narrada. Conforme o art. 116, I CP, quando houver outra ação que resolva questão da qual depende a existência do crime, não correrá a prescrição penal. Assim, uma vez que a existência do primeiro casamento é necessária para configuração da bigamia, é necessário se aguardar pela solução da ação de anulação do mesmo, pelo prazo que for preciso. Assim, não ocorreu a prescrição da pretensão punitiva, uma vez que existente causa impeditiva da prescrição.