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1 FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA 2 Clévia Fernanda Sies Barboza Doutora em Ensino em Biociências e Saúde (EBS) pelo Instituto Oswaldo Cruz - IOC - Fiocruz (2019). Mestre em Diversidade e Inclusão (CMPDI) pela Universidade Federal Fluminense (UFF) (2015). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis - RJ (2002), graduação em Educação Física pela mesma instituição (2006), pedagoga pela Universidade Cruzeiro do Sul (2020), pós-graduada em Docência do Ensino Superior, pela Centro Universitário Barão de Mauá (CBM) (2012), Gestão Escolar Integradora pelo nstituto Pedagógico de Minas Gerais (CBM) (2018) e em Libras (2021). Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Educação Física Inclusiva. Experiência com Libras, sendo professora bilíngue Português-Libras, possuindo o certificado de Proficiência emitido pelo MEC - PROLIBRAS em Proficiência na Tradução e Interpretação da LIBRAS-Língua Portuguesa 2013 e PROLIBRAS - MEC Proficiência no Ensino da LIBRAS 2015. Autora do Glossário SurdeSportes contendo os sinais olímpicos em Libras favorecendo a acessibilidade nas Olimpíadas Rio 2016. Professora Adjunta de Libras na UNIFASE - Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto - Docente das disciplinas: Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia do Esporte, Estudos sobre Deficiências, Inclusão Social, Atividades Físicas e Saúde, docente da Licenciatura no curso de Enfermagem, também na UNIFASE. Coordenadora do curso de pós graduação em Psicologia do Esporte - FMP/UNIFASE. Diretora de Esportes da APES - Associação Petropolitana de Surdos. Suplente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPDDI) pela Superintendência de Esportes e Lazer. Suplente do Conselho Municipal de Educação (COMED) pela FMP/UNIFASE. Atualmente coordenadora do curso de LIBRAS na graducação EAD da Faculdade Única de Ipatinga (2021). LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS 1ª edição Ipatinga – MG ANO 3 FACULDADE ÚNICA EDITORIAL Diretor Geral: Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva Carla Jordânia G. de Souza Rubens Henrique L. de Oliveira Design: Brayan Lazarino Santos Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Luiza Filgueiras © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização escrita do Editor. T314i Teodoro, Jorge Benedito de Freitas, 1986 - . Introdução à filosofia / Jorge Benedito de Freitas Teodoro. – 1. ed. Ipatinga, MG: Editora Única, 2020. 113 p. il. Inclui referências. ISBN: 978-65-990786-0-6 1. Filosofia. 2. Racionalidade. I. Teodoro, Jorge Benedito de Freitas. II. Título. CDD: 100 CDU: 101 Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. NEaD – Núcleo de Educação as Distancia FACULDADE ÚNICA Rua Salermo, 299 Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br http://www.faculdadeunica.com.br/ 4 Menu de Ícones Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São sugestões de links para vídeos, documentos científico (artigos, monografias, dissertações e teses), sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e Biblioteca Pearson) relacionados com o conteúdo abordado. Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações importantes nas quais você deve ter um maior grau de atenção! São exercícios de fixação do conteúdo abordado em cada unidade do livro. São para o esclarecimento do significado de determinados termos/palavras mostradas ao longo do livro. Este espaço é destinado para a reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-o a suas ações, seja no ambiente profissional ou em seu cotidiano. 5 SUMÁRIO SURDEZ E O SURDO .................................................................................. 7 CONCEITUANDO A SURDEZ E O SURDO .................................................................. 7 VISÃO MÉDICA E VISÃO ANTROPOLÓGICA ......................................................... 10 LIBRAS: LÍNGUA OU LINGUAGEM? ........................................................................ 14 OS MITOS SOBRE AS LÍNGUAS DE SINAIS .............................................................. 17 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 19 OS SURDOS E A LIBRAS .......................................................................... 22 CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELA EDUCAÇÃO DE SURDOS .................. 22 LIBRAS: A LÍNGUA MATERNA DOS SURDOS .......................................................... 27 CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO SURDO: COMUNIDADE E CULTURA ........................ 29 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 32 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS ................................................ 36 MORFOLOGIA DA LIBRAS ...................................................................................... 36 ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO ................................................................................. 40 LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA ....................................................................................... 44 3.3.1 A Constituição Federal ................................................................................. 44 3.3.2 Lei de Diretrizes e Bases (LDB) – 9.394/96 .................................................... 44 3.3.3 Lei de Libras 10.436/02 .................................................................................. 44 3.3.4 Decreto 5.626 de 2005 .................................................................................. 45 3.3.5 Lei Brasileira de Inclusão (LBI) 13.146/15 .................................................... 45 3.3.6 Lei de Acessibilidade – 10.098/00 ............................................................... 45 FIXANDO O CONTEÚDO............................................................................................... 47 ASPECTOS VISUAIS DA LIBRAS ................................................................ 50 COMUNICAÇÃO VISUAL E SURDEZ ....................................................................... 50 INTERAÇÃO SURDO-SURDO ................................................................................... 52 COMUNICAÇÃO SURDO-OUVINTE ........................................................................ 54 FIXANDO O CONTEÚDO............................................................................................... 57 PRÁTICA DE LIBRAS I ............................................................................... 59 DATILOLOGIA .......................................................................................................... 59 NÚMEROS ................................................................................................................62 VOCÁBULOS BÁSICOS ........................................................................................... 64 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 70 PRÁTICA DE LIBRAS II .............................................................................. 73 CONSTRUÇÃO DE FRASES ...................................................................................... 73 ENM – EXPRESSÕES NÃO MANUAIS ....................................................................... 75 FIXANDO O CONTEÚDO............................................................................................... 79 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ............................................... 82 REFERÊNCIAS ........................................................................................... 83 UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 04 UNIDADE 05 UNIDADE 06 6 CONFIRA NO LIVRO A Unidade I explora os conceitos de surdez e de quem é a pessoa surda nas visões médica e antropológica. Aborda a Língua Brasileira de Sinais e os mitos que surgem sobre a Libras. A Unidade II percorre o caminho feito até chegar à educação de surdos que temos hoje e aprofunda o quanto a Libras, enquanto língua materna destas pessoas, cria sua identidade dentro de uma cultura e comunidade próprias. A estrutura da língua é abordada na Unidade III, bem como a acessibilidade e a inclusão dos Surdos que só é possível através da Libras. Vale compreender que temos legislação que valida o direito do Surdo a ter acesso à educação através da sua língua materna. A comunicação visual fundamental para a Libras é abordada na Unidade IV. As interações surdo-surdo e surdo-ouvinte através da língua de sinais oferece ao Surdo um sentimento positivo de equidade e inserção social. A Unidade V é voltada para a parte prática de Libras. Você irá aprender a datilologia, que é o alfabeto manual da língua de sinais, os números e vocábulos usuais básicos na língua de sinais. Continuamos com prática na Unidade VI, onde as construções frasais permitirão o início da comunicação básica com uma pessoa surda. Para tal, essa unidade aborda a importância das expressões não-manuais. 7 SURDEZ E O SURDO CONCEITUANDO A SURDEZ E O SURDO O temo surdez é utilizado para designar a perda de audição, seja ela parcial (dificuldade em ouvir) ou total (impossibilidade de ouvir), temporária ou permanente. A Sociedade Brasileira de Anatomia em 2001, adotou a palavra orelha para se referir ao órgão da audição sendo dividida em orelha externa, orelha média e orelha interna. O nosso sentido da audição é constituído por um conjunto de canais que conduz toda forma de som a orelha interna. Na orelha interna essas ondas sonoras são transformadas em estímulos elétricos enviados ao cérebro e, é o cérebro o responsável por reconhecer e identificar tudo que ouvimos (HALL, 2017). A deficiência auditiva (DA) muitas vezes passa desapercebida pelas outras pessoas na sociedade, mas não para a criança que tem seu desenvolvimento comprometido como um todo: nos aspectos cognitivos, culturais, psicológicos e sociais. Muitas vezes existindo também um comprometimento linguístico (QUADROS, 1997). Segundo a Organização Mundial de Saúde, existem mais de 120 milhões de pessoas com perda auditiva no mundo (SILVA; LLERENA JUNIOR; CARDOSO, 2007). E de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seu último censo de 2010, cerca de 9,8 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva ou surdez, o que representa 5,2 % da população do Brasil (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA , 2014). O Decreto 5.296/04 em seu artigo 5º, letra b, define a deficiência auditiva como “perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hz, 1000 Hz, 2000 Hz e 3000 Hz” (BRASIL, 2004). UNIDADE 01 8 O audiograma é um medidor auditivo, normalmente realizado por um fonoaudiólogo, que inclui vários testes e ilustra a capacidade em ouvir e a variação de frequência permitindo assim, que seja possível identificar a possibilidade do uso de um aparelho auditivo, por exemplo, e permite classificar a deficiência auditiva. Segundo a Davis e Silverman (1970)a deficiência auditiva pode ser classificada como: Audição Normal – limiares entre 0 e 20 dB. Deficiência Auditiva Leve – limiares entre 20 e 40 dB. Deficiência Auditiva Moderna – limiares entre 41 e 70 dB. Deficiência Auditiva Severa – limiares entre 71 e 90 dB. Deficiência Auditiva Profunda – limiares acima de 90 dB. A autora Strobel (2011)concorda com essa classificação realizada por Davis e Silverman adotando-a para explicitar as gradações da deficiência auditiva e surdez junto à comunidade surda. Até o sexto mês de vida, o cérebro do bebê deve ser estimulado constantemente para que sejam formadas as vias auditivas. Dependendo da resposta do bebê aos estímulos auditivos fica mais verificar uma possível deficiência auditiva. O quanto antes conseguir detectar a deficiência auditiva, mais rápida será a busca de processos terapêuticos que irão aproveitar o potencial da linguagem expressiva e receptiva. Diante dos conceitos sobre surdez nos deparamos com a seguinte pergunta: então, quem é o surdo? Surdo é o indivíduo que não consegue ouvir os sons, estando dentro da classificação de deficiência auditiva severa ou profunda. Autoras como Quadros (1997) Strobel (2011) e Campello (2008) compreendem a classificação médica porém manifestam seu apreço pela classificação antropológica como veremos adiante. Ele irá se constituir enquanto sujeito a partir da sua primeira instituição: a familiar. Por ser uma deficiência sensorial não visível pode levar a recusa por parte dos pais em acreditar no diagnóstico de surdez o que os leva a viver em negação e lidar de forma tardia com seu filho surdo. Outros pais se disponibilizam logo em buscar 9 tratamentos e terapias, na tentativa de fazer o filho ouvir. Temos aqueles outros tipos de pais, que compreendem a diferença na comunicação e buscam aprender Libras. (LUTERMAN, 1979). As reações dos pais são as mais variadas pois dependem da sua educação, experiências, religião, cultura e personalidade. Muitas são as perguntas que surgem frente a um diagnóstico de surdez: meu filho conseguirá falar? Conseguirá aprender? Conseguirá ir para a escola? Em qual escola deve estudar? Segundo Roots (1999)os pais não devem considerar somente dois modelos de comunicação (oral e por sinais), eles precisam pensar na integração da família com a forma de se comunicar, pois esta poderá manter a criança na estrutura familiar ou inseri-la em uma cultura não familiar. A partir do que os pais espelham, a criança surda interage na sociedade com uma visão positiva ou negativa sobre si mesmo. Esse fator interfere diretamente na sua autoestima e nas suas relações com o mundo. O sujeito surdo irá se desenvolver enquanto pessoa dentro da perspectiva dos pais, o que nos leva a pensar na trajetória que irão seguir: a busca por uma “cura” ou a aceitação como sendo uma pessoa surda. Figura 1: Símbolo Internacional de Surdez Fonte: Estado Direito (2019 online) 10 VISÃO MÉDICA E VISÃO ANTROPOLÓGICA A surdez envolve muitos aspectos: 1) o primeiro aspecto é o de ordem médica que pensa em dar diagnóstico, descobrir a causa da “doença”, verificar a possibilidade de uso de aparelho auditivo ou de cirurgia de implante coclear, entre outros; 2) outro aspecto é de ordemterapêutica, mais focado no trabalho fonoaudiológico e em terapias que podem auxiliar na audição e na fala; 3) existe também o aspecto de ordem educacional onde temos a necessidade de acessibilidade comunicacional (permitir comunicação do surdo com os demais); 4) outro de ordem linguística que envolve a aquisição de uma língua diferente, a língua de sinais (no Brasil denominada Libras); 5) o aspecto de ordem social que levará o surdo a interação com a maioria ouvinte dentro da sociedade; 6) de ordem política onde temos a luta pelos direitos do surdo, como o direito a intérpretes da Língua Brasileira de Sinais; 7) de ordem trabalhistas com emprego em vagas de cotas, por exemplo. Frente a todas essas barreiras é desejo dos pais que seus filhos aprendam a falar e inicia-se uma verdadeira peregrinação em busca dos mais variados auxílios para que eles consigam. Entende-se por visão clínica, aquela trazida pelos conceitos médicos a fim de diagnosticar e oferecer tratamento, neste caso, para as pessoas com deficiência auditiva ou surdez. A surdez nesta visão é entendida como “doença” ou “patologia”, sendo assim é possível ser “tratada” ou até mesmo “curada”. Segundo a visão clínica, de acordo com o seu surgimento, a surdez pode ser: congênita ou adquirida. 11 a) Surdez congênita: onde o bebê nasce surdo pois a surdez é adquirida na gestação ou pouco tempo após o parto. Pode ocorrer nos períodos: pré – gestacional: casos onde os pais tem algo que podem gerar um filho surdo, como por exemplo, fatores genéticos, hereditários, mães com idade acima de 40 anos, incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, gestação de múltiplos com 5 bebês ou mais, doenças preexistentes, entre outros. pré – natal: ocorre no útero da mãe, a criança pode adquirir surdez através da mãe, como por exemplo, má alimentação da mãe, diabetes, uso de drogas, doenças como rubéola, entre outros. perinatal: ocorre na hora do parto ou nas primeiras horas de vida, como anóxia (ausência de oxigênio), uso de fórceps, traumas no parto, infecção hospitalar, entre outros (HALL, 2017). b) Surdez adquirida: quando o indivíduo fica surdo devido a problemas após o nascimento. pós – natal: ocorre após o nascimento. Pode ocorrer devido a convulsões, caxumba, sífilis, otite por mais de 3 meses, meningite, sarampo, tumores, traumatismo craniano, entre outros (HALL, 2017). Outra forma de classificar a surdez é de acordo com a aquisição da língua. A 12 surdez, segundo esta classificação, pode ser: a) pré-lingual: quando aparece antes da aquisição da linguagem afetando a fala do indivíduo; quando o bebê nasce surdo ou adquire a surdez antes de aprender uma língua oral ele terá sua fala comprometida. b) pós-lingual: quando ocorre após a aquisição da linguagem, podendo ou não afetar a fala do indivíduo; quando o sujeito se torna surdo após ter aprendido a língua oral de origem, a surdez poderá afetar a fala se o indivíduo parar de utilizá-la ou não (GOMES, 2010). Corroborando com esta divisão pré e pós lingual da aquisição da surdez, Quadros (1997) reforça a ideia de que a fala poderá ser afetada e, manifesta que o surdo deverá fazer tratamento fonoaudiológico apenas se manifestar desejo em falar. A visão clínica tem sua importância na descoberta precoce da surdez e em um possível tratamento, mas não deve impor a tentativa de “ouvintizar” ou “normalizar” os surdos que anseiam por uma visão diferente sobre eles. A maioria dos pais que optam pelo implante coclear é ouvinte, esse dado é relevante já que demonstra a frustração em não conseguir se comunicar com seus filhos e por falta de entendimento ou informação, a surdez é vista como uma patologia a ser tratada. Diferente da visão clínica que pretende “fazer ouvir para fazer falar”, a visão antropológica vem contra a visão de falta, de deficiência, de que falta audição aos surdos, de que necessitam de tratamento, de uma cura. Esta visão defende o bilinguismo (a Libras como primeira língua dos surdos) e procura diminuir estigmas e preconceitos, admitindo que existe uma língua diferente, como os próprios surdos. A maioria da comunidade surda é contra o implante coclear por ser visto pelos surdos como uma tentativa fracassada de torná-los ouvintes (LICHTIG et al., 2003; 13 CAMPELLO, 2008). O implante privaria a criança de viver dentro da comunidade surda e de participar do mundo ouvinte por ainda não se conhecer todas as consequências fisiológicas, psicológicas e sociais desta cirurgia. Os surdos se opõem ao implante por não acreditar que precisam ser curados, uma vez que são normais como os ouvintes (VIROLE, 2003). Nesta visão escrevemos a palavra Surdo com “S” maiúsculo no sentido de empoderar um sujeito que se vê dentro de uma cultura e de uma comunidade diferente dos ouvintes (FERNANDES, 2003). A pessoa surda, nesta visão, é aquela que por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso de uma Língua de Sinais (BRASIL, 2005). Antes desta visão a surdez era vista como patologia incurável e o sujeito portador era deficiente, a partir da visão antropológica, o Surdo é considerado um diferente que vive dentro de uma comunidade que utiliza a língua de sinais como forma de comunicação. Autores renomados, como Strobel (2011)compreendem a necessidade de identificação da surdez e segundo a autora temos a descrição da surdez, também por decibéis, sendo: audição normal (0 a 15 dB), surdez leve (16 a 40 dB), surdez moderada (41 a 55 dB), surdez severa (71 a 90dB) e surdez profunda (acima de 91dB); mas termina sua classificação lembrando que indivíduos com surdez moderada, severa ou profunda devem fazer uso das línguas de sinais (STROBEL, 2011). Os indivíduos que fazem uso da língua de sinais defendem a visão antropológica, onde os que não desejam ser “curados” podem viver dentro dessa cultura diferente sem precisar utilizar todos os meios possíveis na tentativa de ouvir e, sentem orgulho em ser Surdo. Esta visão oferece um empoderamento dos sujeitos Surdos, no sentido de destacar que cada indivíduo é único e desenvolve sua personalidade dentro de uma comunidade que é minoria linguística. 14 LIBRAS: LÍNGUA OU LINGUAGEM? Uma das necessidades humanas é a comunicação. Através dela compartilhamos ideias, mensagens, emoções e sentimentos. A comunicação utiliza a palavra falada e escrita, mas também mecanismos não-verbais (sem verbalizar, falar) como expressões, gestos, imagens. E existem situações nas quais a comunicação pode ser prejudicada, como a impossibilidade de ouvir. Sobre a comunicação, o autor Sacks (2007, p. 27) relata: Ser deficiente na linguagem, para um ser humano, é uma das calamidades mais terríveis, porque é apenas por meio da língua que entramos plenamente em nosso estado e cultura humanos, que nos comunicamos livremente com nossos semelhantes, adquirimos e compartilhamos informações. Entre os humanos destaca-se o uso da linguagem como uma das formas importantes de comunicação; que nos permite não só manter uma interlocução, mas refletir sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor (FRANCHI, 2012). A linguagem é um termo utilizado para falar sobre qualquer forma de comunicação, o que lhe confere um sentido mais amplo. Ela faz parte da natureza humana e é através dela que o homem exprime seus pensamentos. A reflexão sobre si mesmo e sobre o mundo é essencialmente humana, sendo possível somente através da linguagem. Saussure separa a língua da linguagem, como sendo uma parte do todo. Assim sendo, a língua é composta por um sistema de signosque permite a compreensão pelos indivíduos. A escrita e a fala aparecem como modalidades comuns à maioria das línguas. O indivíduo aprende uma língua a partir do meio no qual se encontra inserido e essa facilita a interação social (SANTAROSA, 1997; QUADROS, 1997). Os Surdos desejam ser aceitos como são: uma cultura minoritária dentro da sociedade ouvinte. Como você acha que ocorre essa aceitação uma vez que cerca de 95% dos surdos nascem em famílias ouvintes? 15 As línguas de sinais começaram a receber status de línguas a partir dos trabalhos realizados em 1960 por William Stokoe. O pesquisador realizou uma comparação entre a Língua de Sinais Americana (ASL) e a língua inglesa e pode observar que a ASL possuía todos os critérios exigidos para ser reconhecida como língua. Stokoe (1978) observou que os sinais eram complexos e não simples imagens e, foi o primeiro a procurar sua estrutura, dividi-los, estuda-los e pesquisar sobre cada uma de suas partes. Em seu livro Sign Language Structure e Dictionary of ASL, o pesquisador deixa sua marca na história sobre a compreensão a respeito de língua e linguagem (KARNOPP; SILVEIRA, 2014). Entre 1970 e 1980, a pesquisadora Brito, começa a estudar a Língua Brasileira de Sinais e observa os aspectos fonológicos, morfológicos, semântico, sintaxe, léxico e pragmático, que oferece o status de língua a Libras. De acordo com Brito, através das línguas de sinais, seus usuários podem expressar qualquer assunto comunicativo, do mais simples ao mais complexo. Pela ausência da fala, surge a necessidade de uma língua que não utilize o canal oral- auditivo, mas sim visuo – gestual (BRITO, 1998). Quadros (1997) em consonância com Brito destaca a importância de perceber a diferença entre as línguas orais e as língua de sinais, o caráter visuo motor da segunda deve ser levado em conta. A Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão, e segundo a Lei 10.436/02 Se a língua é um conjunto de signos que permite que as pessoas de um mesmo grupo se comuniquem e compreendam o que está sendo comunicado, a Libras é língua ou linguagem? 16 Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil (BRASIL, 2002). Para Almeida e Almeida (2012) a Libras é uma língua visuo-espacial (falam com as mãos e compreendem com os olhos). Karnopp e Silveira (2014) diz que é um gestual-visual, e ambos concordam que essa língua se difere da língua portuguesa, por exemplo, que se apresenta como oral-auditiva. O autor Sacks (2007, p. 34-42) realiza um comentário sobre a língua falada e a língua de sinais: Tanto as Línguas de Sinais como as Línguas Orais são canais distintos de comunicação, contudo ambas são independentes para a transmissão e a recepção da habilidade linguística. O uso da fala (discurso) está intrinsecamente ligado ao conhecimento de uma Língua, não necessariamente ao ato de falar, mas na percepção do entendimento das estruturas semânticas que compõem a comunicação, quer seja nas Línguas Orais ou de Sinais. Libras é uma língua viva e natural do sujeito surdo (CAMPELLO, 2008). O surdo projeta em sua mente uma imagem daquilo que deseja transmitir. Para falar sobre uma pessoa, por exemplo, o sujeito surdo observa suas características físicas marcantes como cabelo, cor dos olhos, estatura; bem como sua profissão, por exemplo se é professor, médico, enfermeiro. Assim, com a imagem bem próxima da realidade, ele realiza uma quantidade infinita de combinações para conseguir expressar sobre quem se fala. Através da Libras os surdos conseguem exprimir qualquer ideia ou sentimento, estando em igualdade comunicativa com os ouvintes graças a língua de sinais e somente, a partir dela, é possível diminuir o atraso na aquisição de conhecimentos que ocorre através de estímulos auditivos pelos ouvintes. 17 OS MITOS SOBRE AS LÍNGUAS DE SINAIS Os mitos são ideias de caráter simbólico, não sendo condizentes com a realidade e relacionados a uma determinada cultura. Podem ser sobre uma pessoa, assunto ou lugar. Muitos são os mitos relacionados as línguas de sinais descritos por Quadros (2004): a) A Língua de sinais é incapaz de expressar conceitos abstratos. MITO! Os sujeitos surdos podem falar sobre política, poesia, filosofia, matemática...todos os assuntos podem ser expressos através da língua. b) A Língua de Sinais é universal. MITO! Cada país possui sua língua de sinais, da mesma forma que possui uma língua falada, por exemplo, no Brasil temos o Português e a Libras; nos Estados Unidos o Inglês e a ASL (Língua de Sinais Americana). c) As Línguas de Sinais são inferiores as línguas orais estando subordinadas a elas. MITO! As Línguas de Sinais não são inferiores e nem subordinadas as línguas orais, são línguas naturais que possuem estrutura e gramática próprias. d) As Línguas de Sinais surgem dos gestos dos ouvintes. MITO! Surgem de forma espontânea devido a necessidade dos surdos em se https://bit.ly/3u92Fut https://bit.ly/2NjsTtJ 18 comunicar. Importante destacar que muitas vezes recebemos a informação de que “Todo surdo é mudo”, por isso o termo surdo-mudo. Os surdos não possuem lesões no aparelho fonador (estrutura responsável pela fala), o que ocorre é que como não ouvem não conseguem reproduzir os sons da fala. O surdo pode falar se assim desejar e tiver um tratamento fonoaudiológico especializado (TEMÓTEO, 2008). 19 FIXANDO O CONTEÚDO 1. No Decreto 5.626/05, considera-se uma pessoa com deficiência auditiva a) aquela que usa aparelho auditivo ou implante coclear. b) aquela com perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (db) ou mais, aferida por audiograma nas frequências 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. c) aquela que por ter perda da audição faz leitura labial. d) aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais. e) a pessoa que estuda em escola bilíngue. 2. Muitos são os mitos sobre as Línguas de Sinais. Um desses mitos segundo Quadros (2004) é a) a língua de sinais expressa emoções e sentimentos. b) as línguas de sinais são inferiores as línguas orais. c) as línguas de sinais possuem estrutura própria. d) libras é a sigla de Língua Brasileira de Sinais. e) os surdos se desejarem, podem aprender a falar. 3. A surdez congênita tem diversas causas. Algumas delas são: a) Fatores genéticos, uso de drogas e diabetes da mãe. b) Fatores hereditários, rubéola e traumatismo craniano. c) Meningite, otite e traumatismo craniano. d) Fatores genéticos, diabetes e convulsões. e) Fatores hereditários, meningite e caxumba. 4. Com relação a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, coloque verdadeiro ou falso e marque a alternativa correta. 20 ( ) A língua de Sinais é uma língua oral-auditiva. ( ) A língua Portuguesa é uma língua oral-auditiva. ( ) A língua de Sinais é visuo-gestual. a) V – F – F. b) V – V – V. c) F – V – V. d) F – V – F. e) F – F – V. 5. (IBC, 2015 – Adaptada) Atualmente, a utilização, da expressão, surdomudo, é inadequada, pois, a) os surdossão capazes de prestar atenção nas conversas dos ouvintes e entender. b) antigamente eles não eram “oralizados”. c) os surdos são capazes de falar, pois possuem aparelho fonador idêntico ao dos ouvintes. d) os surdos são capazes de aprender a linguagem de sinais sem nenhum acompanhamento específico. e) os surdos podem ler e escrever. 6. Sobre as visões clínica e antropológica da surdez, marque a alternativa correta. a) A visão antropológica pretende fazer o surdo ouvir e falar. b) A visão médica empodera o surdo submetendo-o a cirurgia de implante coclear. c) A visão médica busca por tratamentos para cada tipo de surdez. d) A visão antropológica é a favor da visão médica. e) Os surdos preferem a visão médica. 7. Na visão antropológica “a pessoa surda é aquela que por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso de uma Língua de Sinais”. Com relação a língua de sinais, marque a alternativa correta. 21 a) A Língua de sinais é universal. b) A língua de sinais é oral-auditiva. c) A Língua de sinais é um tipo de linguagem. d) A língua de Sinais é reconhecida como língua da comunidade surda. e) A Língua de Sinais é aceita pela visão médica. 8. Segundo Brito (1998), a Língua Brasileira de Sinais é a) reconhecida como língua devido aos seus aspectos fonológicos, morfológicos, sintaxe, semântico, léxico e pragmático. b) reconhecida como língua, mas inferior as línguas faladas. c) não é reconhecida como língua sendo, portanto, uma linguagem. d) não é reconhecida como língua devido aos seus aspectos fonológicos, morfológicos, sintaxe, semântico, léxico e pragmático. e) reconhecida como língua, mas não é oficial no Brasil. 22 OS SURDOS E A LIBRAS CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELA EDUCAÇÃO DE SURDOS Na história de diversas civilizações, a condição biológica do sujeito era um marco de permanência, abandono ou exterminação da sociedade. A deficiência impregnava um corpo que aparecia limitado ou incapaz. Os deficientes, na antiguidade, eram vistos como seres castigados pelos deuses. Com o passar do tempo passaram a ser vistos como pessoas doentes que poderiam passar a doença e por esse motivo viviam trancados sem participar da vida social. Muitos foram enclausurados e até mesmo mortos e, os surdos estavam entre eles. Muitas mudanças relacionadas à educação de surdos ocorreram ao longo do tempo. Segundo Reis e Ramos (1992 )no século XVI iniciaram-se as primeiras tentativas de incentivo à leitura labial e “desmutização” dos surdos. Muitos relatos de tentativas de “fazer o surdo falar” com o intuito de serem vistos como “normais” foram descritos (QUADROS, 1997; ROCHA, 1997 ). Um médico italiano, Girolamo Cardano, no século XVI teve um filho surdo e começou a realizar pesquisas estudando o corpo humano, mais especificamente o nariz, o ouvido e o cérebro. Sua intenção era descobrir a cura para surdez. Sem sucesso, chegou a desenvolver um método para ensinar os surdos, mas não o colocou em prática (ROCHA, 1997 ). UNIDADE 02 23 Figura 2: Girolamo Cardano Fonte: SciHi blog (2019 online) Neste mesmo século surgiu o primeiro professor de surdos da história, o monge espanhol Pedro Ponce de Léon. Ele ensinava os filhos dos nobres a ler, escrever, calcular e fazer orações para que essas crianças surdas fossem aceitas pela sociedade. Como somente os nobres tinham dinheiro para pagar pela educação dos seus filhos, os surdos pobres não tinham direito a educação. Figura 3: Pedro Ponce de Léon Fonte: Gutierrez (2017 online) Um espanhol chamado Juan Pablo Bonet em 1620, foi um dos precursores do 24 oralismo, por acreditar que os surdos deveriam saber ler e escrever. No século XVII, O escocês Dalgarno, acreditando que os surdos tinham o mesmo potencial para se desenvolver e aprender como os ouvintes, criou um sistema primitivo do alfabeto manual. Mas o reconhecimento histórico, quanto ao início do uso de sinais na educação de surdos, recai sobre Abade L’Epeé no século XVIII na França. L'Epeé fundou a primeira escola para surdos em 1755, devido à sua percepção, ainda atual, de falta de sinais para o ensino dos surdos (ROCHA, 1997 ). Figura 4: Abade Charles Michel L’Epée ensina linguagem de gestos a um surdo-mudo Fonte: Lopéz (2018 online) L’Epeé utilizava os sinais realizados pelas crianças, acrescentando e adaptando outros para termos do Francês e elementos gramaticais (REIS; RAMOS, 1992 )e apesar do surdo Desloges (1779) ser o primeiro a divulgar a existência de uma língua gestual francesa antes de L’Epeé, este continuou a ser idolatrado pelos surdos pois foi o responsável em oferecer coletivamente ensino aos surdos (BRAZ, 2014). Nos Estados Unidos, a implantação do método gestual que chegou da França, 25 aconteceu em 1816 por Thomas Gallaudet (REIS; RAMOS, 1992 ). O principal inimigo de Gallaudet foi o inventor do telefone, o escocês Alexander Graham Bell. Sua mãe e esposa eram surdas e Graham Bell era a favor do método oral, desejando acabar com as línguas de sinais que poderiam dar poder aos surdos. O século XIX foi marcado pelo Oralismo, tendo a Língua de Sinais definitivamente proibida em 1880, no Congresso Internacional de Surdos, em Milão (ROCHA, 1997 ). A discussão deste Congresso girou em torno da melhor metodologia para ensino de surdos, dividindo os educadores entre o método oral e o método gestual. Bell aproveitou de todo o seu prestígio, em defesa do oralismo. Os educadores surdos não tiveram direito ao voto, tendo como resultado 160 votos para o Oralismo e apenas 04 para a Língua de Sinais, que foi abolida ( (ROCHA, 1997 ; GOMES, 2010). Com a língua de sinais proibida, muitos surdos tinham suas mãos amarradas para não poderem conversar através dos sinais. Muitos perderam o emprego e a educação de surdos entrou em decadência pois todo o ensino era feito através do oralismo. Visivelmente a abordagem oralista não trouxe bons resultados, os surdos não conseguiam aprender através da leitura labial e então, no século XX, surgiu a Comunicação Total ou Bimodalismo. Essa abordagem utiliza as línguas orais e de sinais simultaneamente, além de qualquer recurso de comunicação (fala, gestos, escrita, mímica). A principal crítica foi a de que essa abordagem descaracterizava e dificultava o aprendizado de ambas às línguas (BRITO, 1993; REIS,1992) pois por ser uma mistura de ambas, os surdos não aprendiam nem a língua oral e nem a língua de sinais. Ernest Huet, professor surdo, chegou ao Brasil vindo da França em 1855 com o intuito de fundar uma escola para surdos, sendo prontamente auxiliado pelo Imperador D. Pedro II . Ernest fundou em 26 de setembro de 1857 o Imperial Instituto de Surdos e Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES, utilizando o ensino da leitura labial para os alunos que possuíam resquício auditivo e sinais para os que estavam liberados desta disciplina por serem totalmente surdos (ROCHA, 1997 ). 26 Figura 5: Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES Fonte: Cristiano (2020 online) Atualmente, dada à importância do aprendizado de uma língua natural, a abordagem Bilíngue é a principal na educação de surdos no Brasil. Esta abordagem propõe o aprendizado das duas línguas: a Língua de Sinais como L1, e a Língua Portuguesa da comunidade ouvinte, onde o surdo encontra-se inserido, como L2. O Bilinguismo caracteriza-se, segundo Goldfeld (1997, p. 39) “[...]tendo como pressuposto básicoque o surdo deve ser bilíngue, ou seja, deve adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como segunda língua, a língua oficial de seu país.” As abordagens educacionais utilizadas com os surdos foram as mais diversas. Uma busca constante da tentativa de fazer o surdo falar, mas a comunidade surda vem buscando seus direitos de escolha e de “fala” demonstrando à vontade em escolher o melhor método para a instrução dos surdos. Podemos visualizar no quadro abaixo as três abordagens mais utilizadas: Quadro 1: Abordagens educacionais utilizadas com os surdos Oralismo É uma abordagem que utiliza o treinamento da fala e da leitura labial. Comunicação Total É a abordagem que inclui todo e qualquer aspecto de comunicação: fala, leitura, escrita, gestos criados, língua de sinais, mímica, alfabeto manual, entre outros. Bilinguismo Tem como pressuposto que o surdo deve ser bilíngue, ou seja, deve adquirir sua língua natural e materna como primeira língua – a Libras e, como segunda língua a língua oficial do seu país. 27 Fonte: Elaborado pela Autora (2021) A criança surda deve ser colocada em contato com um sujeito surdo fluente em Libras o mais rápido possível, para que ela adquira uma língua de sua compreensão e comece a dar significado ao mundo. O bilinguismo permite que a criança surda tenha contato com a língua da comunidade surda. Dentro do âmbito educacional, o trabalho bilíngue respeita as especificidades das crianças surdas desenvolvendo suas capacidades, rompendo suas barreiras para uma aprendizagem eficiente através da sua língua materna. LIBRAS: A LÍNGUA MATERNA DOS SURDOS A língua materna é aquela aprendida de forma natural pelo sujeito. No Brasil, os ouvintes adquirem a Língua Portuguesa de forma natural através da audição. Quando nasce, o sujeito ouvinte é inserido em uma sociedade ouvinte e fica exposto a sua língua oral. Sua primeira interação é com a estrutura familiar e inicia assim a construção da sua subjetividade. Quando estes sujeitos entram na escola, entram com sua língua materna e no caso dos ouvintes, são atendidos educacionalmente a partir dessa língua. Quadros (1997) domina de forma clara esta questão dizendo que as crianças simplesmente aprender a falar, não são ensinadas. Segundo a autora essa primeira língua (L1) é a língua natural e espontânea do sujeito. A autora afirma ainda que o mesmo ocorre com as crianças surdas, elas aprendem de forma natural a sinalizar. Assim temos a Língua de Sinais como L1 das crianças surdas. A questão é que a maioria das crianças surdas são filhas de pais ouvintes. Somente cerca de 5% nascem surdas e são filhas de pais surdos. Dessa forma, 95% das crianças surdas não possuem contato com a Língua de Sinais (LS), portanto não https://bit.ly/2NjsTtJ https://bit.ly/3qzKtIq 28 a desenvolvem como sua L1 e quando acessam a escola, não dominam nenhuma língua. Assim, o planejamento pedagógico escolar deve ser o aprendizado da língua de sinais pelos alunos surdos (QUADROS, 1997). O indivíduo surdo, por não conseguir ouvir, não tem como adquirir a Língua Portuguesa de forma natural. Essa aquisição se dará de forma artificial, ou seja, como uma segunda língua (L2). A língua adquirida de forma natural pelo surdo é a Libras (GOLDFELD, 1997) o que ocorre através do sentido visual (BRASIL, 2002). Mas nem sempre o surdo terá a Libras como a L1. Muitas são as questões que levam o surdo a não ter contato com a Libras e adquiri-la de forma natural. Entre elas destacamos as questões familiares: pais ouvintes que não dominam a língua de sinais; questões individuais: se o sujeito surdo sente vergonha em ser surdo e sinalizante; questões escolares: ele poderá ser oralizado e usar a Língua Portuguesa como forma de comunicação. O que pode perdurar, pois quando nos deparamos com a realidade da inclusão nos locais de ensino, observa-se a falta de materiais em Libras para se trabalhar com os surdos. A partir da aquisição de uma língua natural (no caso dos surdos, a Libras), ele será capaz de adquirir uma segunda língua (no Brasil, a língua portuguesa), se tornando bilíngue. Mas essa nem sempre a realidade que encontramos, muitos surdos adultos por não terem sidos expostos na infância a Língua de sinais chegam a fase adulta sem a aquisição de nenhuma língua pois foram expostos a uma língua oral que não era possível ser compreendida por eles. [...] quanto antes o sujeito adquirir uma língua, com maior eficiência ele construirá sua identidade, conseguirá interagir, compreender e construir significados sociais e, para os surdos todos estes fatores serão atingidos através da Língua de Sinais. Assim, baseados na situação atual ainda aquém da qualidade necessária para o atendimento escolar da comunidade surda, existe a necessidade vigente de revisão dos planos curriculares e pedagógicos de ensino para esses sujeitos, respeitando o bilinguismo e a natureza visual-motora destes (BARBOZA, 2015, p. 23). Uma orientação adequada se faz necessária. Orientação que preconiza a Libras como primeira língua dos seus filhos surdos e orientações de aprendizado dessa língua pelos seus pais para que a criança se comunique de forma eficaz, tendo assim seu desenvolvimento garantido e ficando pronta para aprender a língua majoritária daquele país. 29 CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO SURDO: COMUNIDADE E CULTURA A cultura é entendida como um conjunto de comportamentos de um grupo que tem sua própria língua, valores, regras de comportamentos e tradições, portanto, na comunidade surda podem existir ouvintes, como pais, filhos, intérpretes, entre outros; ao contrário da cultura surda onde, o grupo de surdos se comporta como surdos, apresentando a mesma língua e costumes. De acordo com Felipe e Monteiro (2001)quando uma pessoa se identifica como surda, isso não significa que ela esteja automaticamente dentro de uma cultura e de uma comunidade surda. Lembramos que cerca de 95% dos surdos são filhos de pais ouvintes, a maioria não conhece a Libras e não participam dos eventos relacionados aos surdos, como associações por exemplo, o que pode levá-los a tornar-se deficientes auditivos, não possuindo identidade do ser surdo (QUADROS, 1997). Os surdos politicamente atuantes fazem distinção entre ser surdo e deficiente auditivo. O conceito de DA é uma visão estritamente médica, ligada ao fato destes indivíduos não terem a capacidade auditiva funcional acima de 90 decibéis (Db). Já o ser Surdo é a possibilidade de apreender o mundo pela visão e se comunicar através das mãos A Libras é a língua materna da criança surda, mas a maioria dos surdos não é exposta a essa língua desde a infância. Como a criança surda poderá desenvolver-se de forma saudável sem conseguir se comunicar de forma eficaz? https://bit.ly/2ZwmNbR https://bit.ly/3ay2aCA 30 [...] as identidades surdas são construídas dentro das representações possíveis da cultura surda, elas moldam-se de acordo com maior ou menor receptividade cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa receptividade cultural, também surge aquela luta política ou consciência oposicional pela qual o indivíduo representa a si mesmo, se defende da homogeneização, dos aspectos que o tornam corpo menos habitável, da sensação de invalidez, de inclusão entre os deficientes, de menos valia social (PERLIN; QUADROS, 2006, p. 77-78). Campello (2008)discorre amplamente sobre o assunto corroborando com a visão de Perlin no que diz respeito a construção de identidade surdo e as lutas políticas a favor da inclusão do surdo através da Libras. Mas ainda nos dias atuais, segundo Dizeu e Caporali (2005),os ouvintes tentam integrar socialmente os surdos através do oralismo, assim a Libras, fica renegada para segundo plano e a constituição do sujeito surdo aparece defasada. Após o aprendizado de sua língua natural, os surdos criam sua identidade de forma subjetiva, encontrando-se prontos para aprender uma segunda língua, tornando-se bilíngues, o que se faz necessário, uma vez que os surdos estão inseridos em uma comunidade majoritariamente ouvinte. Segundo Reis e Ramos (1992 )“a maior angústia da família não está em receber um filho surdo, mas na incapacidade de se comunicar com este”. A língua permite a comunicação, o contato com seus familiares, a aquisição do mundo e o conhecimento sobre si mesmo. Segundo Dizeu e Caporali (2005 )a criança surda teria seu desenvolvimento preservado se utilizassem a Libras pois, através da língua conseguiriam compreender e se comunicar de forma clara. Para os autores, essa exposição a língua de forma precoce é possível quando os pais recebem orientações adequadas sobre a importância da língua para seus filhos. Essa exposição pode ocorrer através do convívio do surdo com uma comunidade que se expressa através da mesma língua, o que favorece a identificação do sujeito e um convívio confortável com modelos surdos. Assim, o sujeito surdo não necessita se “igualar” ao sujeito ouvinte, pois ele pode aceitar sua cultura e identidades próprias, convivendo em sua comunidade surda sem carregar o estigma da surdez. A comunidade surda é representada por associações, igrejas, escolas, qualquer lugar onde os surdos se reúnem para divulgar suas histórias e compartilhar 31 experiências utilizando a língua de sinais. O surdo se integra a uma comunidade surda pelas possibilidades de se comunicar e de se identificar, o que lhe permite uma participação efetiva e prazerosa. Algumas instituições no Brasil foram fundadas pelos surdos e para os surdos, como: Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo – Feneis. Fundada em 1987 no Rio de Janeiro, é uma entidade não – governamental que tem como principal função ministrar e divulgar a Libras através de cursos, palestra e outros, além de organizar ações políticas e manifestações em defesa dos direitos da comunidade surda. Confederação Brasileira de Desporto Surdo – CBDS. Fundada em 1984, promove a integração dos Surdos através dos esportes. Organiza torneios e campeonatos de diferentes modalidades esportivas. Associações de Surdos. Existentes em todo o território nacional, formada por uma diretoria que administra as reuniões para lutar pelos direitos dos Surdos. Frente ao panorama de exclusão social e invisibilidade da população surda, o processo de criação de instituições para surdos só teve início por meio de tentativas de grupos e indivíduos que tinham o desejo de modificar a realidade dos que sofriam com a exclusão e somente a partir deste movimento foi possível determinadas modificações nas políticas públicas de inclusão. https://bit.ly/3dBG4AO 32 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (IFPB, 2013) A educação de surdos é dividida, geralmente, em três concepções filosóficas distintas. Associe as duas colunas, conectando as concepções aos seus conceitos/exemplos: (1) Oralismo (2) Comunicação Total (3) Bilinguismo (X) Respeita a autonomia da língua de sinais e a considera como primeira língua, requerendo não só adaptações linguísticas, mas também atitudinais, culturais e pedagógicas na escola. (X) Os surdos sofriam terapias repetitivas, uso da violência, aparelhos e cirurgias; por muitas décadas o fracasso escolar foi endêmico mesmo nos centros de referência internacional. (X) Uso simultâneo de sinais e oralização, em que a língua de sinais se torna recurso para o ensino da língua oral. (X) Filosofia baseada no modelo clínico, surgiu no século XIX e ainda permanece nas práticas sócio-educativas, hoje em dia; objetivo principal: treinar/reabilitar o corpo do paciente surdo, visando o status de ouvinte. A sequência CORRETA é a) 2, 2, 1, 3. b) 2, 1, 2, 1. c) 3, 2, 2, 1. d) 3, 2, 1, 1. e) 3, 1, 2, 1. 2. Considerado pelos surdos o “pai” do ensino através de língua sinais, foi o primeiro a oferecer o ensino de forma coletiva. Estamos falando de a) Pedro Ponce de Léon. 33 b) Juan Pablo Bonet. c) Girolamo Cardano. d) Alexander Graham Bell. e) Abade Charles Michel L’Epée. 3. Segundo a abordagem Bilíngue, a criança surda deverá aprender a) Libras como L1 e Língua Portuguesa como L2. b) Libras como L2 e Língua Portuguesa como L1. c) Língua Portuguesa como L1. d) Libras como L2. e) Libras como L1 e não deverá aprender a Língua Portuguesa. 4. O Congresso Internacional de Milão em 1880 teve como principal motivo: a) criar um sistema de comunicação completo formando um sistema de combinações entre o uso da língua de sinais e o uso da língua oral. b) debater a melhor forma de comunicação para as pessoas surdas. Resultando na escolha do método oral e da aprendizagem da língua de sinais. c) discutir questões inerentes à linguagem e cognição das pessoas surdas, dando maior ênfase aos aspectos da língua e sua estrutura. Determinou a utilização do método de alfabetização baseado no uso de datilologia. d) debater sobre o melhor método de ensino para a educação dos surdos. Resultou na escolha do método oralista e a proibição da língua de sinais. e) ouvir os surdos para compreender qual era o método preferido por eles. 5. Conde francês responsável por trazer a língua de sinais para o Brasil: a) Gallaudet. b) L’Epeé. c) Graham Bell. d) Desloges. e) Huet. 34 6. Qual o método educacional considerado ADEQUADO para as crianças surdas e defendido pela comunidade surda? a) Bilinguismo. b) Oralismo. c) Pedagogia sensorial. d) Comunicação Total. e) Pedagogia surda. 7. Observe a tirinha abaixo: As opções que representam a surdez, opostas entre si e encontram-se na tirinha são: a) Deficiência como falta X minoria linguística. b) Identidade ouvinte X identidade surda. c) Reabilitação X diferença cultural. d) Oralização X bilinguismo. e) Bimodalismo X oralismo. 8. Em relação ao Congresso de Milão identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ): ( ) Não deve ser comemorado por ter sido um momento obscuro na história dos surdos. ( ) Deve ser celebrado por ter sido uma conquista para a comunidade surda. 35 ( ) Foi um evento constituído por pessoas surdas. ( ) O método adotado foi o oralismo. Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo. a) V • F • F • V. b) V • F • F • F. c) F • V • V • V. d) F • V • F • F. e) F • F • V • V. 36 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS MORFOLOGIA DA LIBRAS A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a segunda língua oficial do país, sendo reconhecida por Lei apenas em 2002. Essa língua é jovem e ainda está em construção, o que leva a necessidade de neologismos. Pesquisas importantes como as realizadas por Stokoe em 1960 (GOMES, 2010) vêm demonstrar que as línguas de sinais são comparáveis em expressividade e complexidade com qualquer língua oral, diferenciando-se apenas pelo seu caráter visuo-gestual ao invés do caráter oral- auditivo. A Libras é formada por regras que seguem parâmetros das línguas visuais e sua autonomia enquanto língua aparece devido ao fato dela possuir fonologia, morfologia, sintaxe e léxico próprios. O que denominamos itens lexicais (léxicos ou palavras)nas línguas orais auditivas aparece denominado como sinais nas LS. Cada sinal é formado por cinco parâmetros descritos a seguir: 1) Configuração de mãos (CM) – a forma assumida pela mão durante a realização de um sinal. As mãos podem estar configuradas com letras do alfabeto manual ou outro formato. Temos 61 CMs desenvolvidas e aperfeiçoadas por Pimenta e Quadros (2008) UNIDADE 03 37 Figura 6: As 61 CMs da Libras Fonte: Pimenta e Quadros (2008) Alguns sinais são realizados com a mesma configuração de mãos, mas possuem significados diferentes. Observe o exemplo abaixo: Figura 7: Sinal de aprender – mão configurada em “S” Fonte: Capovilla e Raphael ( (2001, p. 15) 38 Figura 8: Sinal de sábado – mão configurada em “S” Fonte: Capovilla e Raphael (2001, p. 1157) 2) Ponto de articulação (PA) – local onde se encontra a mão predominante configurada. Podendo tocar uma parte do corpo ou estar em espaço neutro vazio. Figura 9: Sinal de educação – deslizando no braço (local) Fonte: Capovilla e Raphael (2001, p. 571) 3) Movimento (MOV) – os sinais podem apresentar movimento ou não. Os movimentos podem ser ainda unidirecionais (em uma só direção), bidirecionais (realizados em duas direções) ou multidirecionais (várias direções). Figura 10: Sinal de desculpa – não tem movimento Fonte: Capovilla e Raphael (2001, p. 523) 39 Figura 11: Sinal de família – tem movimento Fonte: Capovilla e Raphael (2001, p. 657) 4) Orientação da palma (OP) – direção da realização do sinal, sua inversão pode oferecer ideia de oposição. Figura 12: Sinal de querer – palma para cima Fonte: Capovilla e Raphael (2001, p. 1106) 5) Expressão não manual (ENM) – utilizadas como diferenciador além dos quatro parâmetros. São as expressões realizadas com o rosto e o corpo, responsáveis por mostrar se os sinais e as frases são afirmativos, negativos, exclamativos ou interrogativos. Vale ressaltar que a Libras por ser uma língua nova, oficializada apenas em 2002 no Brasil, necessita criar novos sinais para contemplar cerca de 400 mil palavras da língua portuguesa. Os neologismos das línguas de sinais, vem a ofertar a tradução integral de todos os assuntos que surgem na língua oral do país. Como toda língua também possui empréstimos linguísticos, que são os sinais de outro país adotados pela Língua Brasileira de Sinais e, empréstimo da Língua Portuguesa quando usa o alfabeto manual para realizar a sequência de letras escrita em português. 40 ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004) define, acessibilidade como a condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaços, mobiliários, equipamentos urbanos e elementos. Define ainda o termo acessível como espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento que possa ser alcançado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa, inclusive aquelas com mobilidade reduzida. O termo acessível implica tanto acessibilidade física como de comunicação. Dessas definições, um elemento merece destaque: os sistemas de comunicação. A acessibilidade deve promover a possibilidade de utilização dos espaços, edificações, meios de comunicação, equipamentos, entre outros com autonomia e segurança pelas PcDs. A acessibilidade comunicacional se faz necessária quando falamos de pessoas surdas. Para uma comunicação eficaz o surdo tem direito à professores bilíngues, intérpretes de língua de sinais, janelas de Libras, aplicativos, tradutores online, entre outros. https://bit.ly/2M5gj0v https://bit.ly/3k4Eo4c 41 Figura 13: Símbolo acessível em Libras Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais (2013 online) Segundo o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE (Decreto n° 6.094), lançado pelo Ministério da Educação, um dos seus eixos norteadores diz respeito à formação de professores para a educação especial, bem como a implantação de salas de recursos multifuncionais e a questão da acessibilidade escolar, o que fornece garantia de condições para o acesso e a permanência dos alunos da educação especial no ensino regular, além do atendimento educacional especializado. Baseado na definição de educação inclusiva como sendo uma adaptação da instituição de ensino à realidade de cada aluno, com modificações de metodologias, o aprendizado da Libras pelos docentes que ministram aulas dentro de classes inclusivas com alunos surdos, torna-se um diferencial que irá facilitar ou não a adequação do sistema de ensino ao aluno. Segundo Claudia Werneck, Diretora-Executiva da Escola de Gente, em sua mensagem no primeiro volume do ‘Manual da Mídia Legal’, alguns pontos sobre a inclusão devem ser distintos do conceito de integração. Para a autora WERNECK et al. (2002, p. 09)a inclusão: [...]é a inserção total e incondicional, exige rupturas do sistema, exige transformações profundas, a sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com deficiência, valoriza a individualidade de pessoas com deficiência, defende os direitos de todas as pessoas com ou sem deficiência, entre outras. 42 Porém, não é este o perfil do professor que se encontra nas salas de ensino regular com inclusão de surdos e nas salas de recurso. Não se encontram, no quadro de docentes, sujeitos bem preparados no que tange a diferentes aspectos da diversidade e inclusão. Atualmente a formação do professor nas universidades ainda é precária e de qualidade insuficiente para lidar com esta realidade de forma que se preserve a autonomia. Não se oferece ampla bibliografia sobre a educação especial; e sua formação prática (quando existente) é reduzida e/ou com carga horária insatisfatória. “Esta falta de preparo leva os professores a uma abordagem ainda oralista junto aos alunos surdos. A própria instituição adere à filosofia oralista, constatando-se desconhecimento frente outras possibilidades de educação destes alunos” (WERNECK et al., 2002). Segundo Machado, em sua contribuição à obra ‘Estudos Surdos I’, de organização de Quadros e Perlin (2006, p. 41): Parece que se superficializa a temática sobre o processo de integração/inclusão do surdo na escola regular, quando se limita o que sejam as ações necessárias para sua integração/inclusão, ao fato de colocá-los fisicamente nas escolas regulares, optando-se por modelos pedagógicos que expressam a herança que a instituição, direta ou indiretamente, deixou para os educadores atuais – um modelo clínico, oralista e assistencialista na educação de surdos. Esse modelo ainda hegemônico, em síntese, pauta-se por uma atitude “normalizadora” em que as diversas formas de educação de surdos tem a intenção de “ouvintizar”, ou seja, de fazê-los parecer como ouvintes. Este problema dificulta à implantação dos ditos “incluídos” pelo sistema educacional, acarretando a pouca permanência destes no sistema e também a baixa aquisição dos conteúdos disciplinares. Para que ocorra a inclusão e não a integração, faz-se necessário o conhecimento e domínio da língua materna do surdo – a Libras – e o entendimento que a Língua Portuguesa se porta como uma segunda língua para este indivíduo, seguindo para tanto o modelo bilíngue proposto a seguir: O Bilinguismo tem como pressuposto básico que o surdo deve ser Bilíngue, ou seja, deve adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como segunda língua, a língua oficial de seu país [...] Para os bilinguistas,o surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo assumir sua surdez (GOLDFELD, 1997, p. 37). 43 Segundo Mourão (2008)antigamente os alunos surdos limitavam-se a copiar a demonstração do professor, mas com o domínio da Libras, o profissional possibilita o processo interativo surdo-ouvinte obtendo uma verdadeira inclusão através do uso de instrumentos e estratégias, voltados para as necessidades específicas do alunado surdo. O AEE – Atendimento Educacional Especializado, traz suportes pedagógicos para auxiliar a inclusão do aluno com deficiência no ensino regular. Podemos verificar a formação adequada e especializada dos professores, novas estratégias de ensino para a especificidade do aluno, adaptação de materiais, ampliação de tempo para execução de tarefas, adequações curriculares, bem como o auxílio do intérprete de Libras na sala de aula em tempo integral. Vale ressaltar que o fato de o professor ter domínio da língua de sinais não é suficiente para resolver todos os problemas referentes a educação de surdos. Pra além do domínio da Libras, o professor deverá conhecer aspectos didáticos e metodológicos eficazes para a cultura surda e adaptado à língua de sinais. Saber lidar com a personalidade de cada aluno surdo, interagindo com ele, sendo um facilitador entre ensino – aprendizagem, levando em conta sua diferença cultural, promoverá a inclusão. Muitas são as dificuldades encontradas: falta de preparo profissional, falta de conhecimento sobre a cultura e identidade surda, falta de materiais acessíveis, de adaptações didático pedagógicas e de sinais. O maior difusor on-line da LSB, o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES – através de seu dicionário on-line Acessibilidade Brasil, adotado pelo Governo Federal https://bit.ly/3pDjWbE , apresenta dificuldades informacionais pela ausência de sinais específicos para as diversas áreas. A própria legislação que só reconheceu a Libras como língua em 2002 está engatinhando na elaboração de leis que atendam de forma eficaz todas as necessidades desta população. A abordagem Bilíngue é a mais eficaz para o desenvolvimento da criança surda, mas esta não é a realidade de muitos surdos no país. Como será possível um ensino eficaz sem o uso desta abordagem educacional. https://bit.ly/3pDjWbE 44 LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA Somente ao receber status de língua, as línguas de sinais passaram a ter vários países se comprometendo legalmente com a educação de surdos. No Brasil temos algumas leis que regulamentam o direito, a legitimidade e a acessibilidade do surdo através da Língua de Sinais. 3.3.1 A Constituição Federal No artigo 205, dispõe que o acesso à educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família. O acesso deverá ser promovido e incentivado com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, garantindo o atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 1988). 3.3.2 Lei de Diretrizes e Bases (LDB) – 9.394/96 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação do Brasil (Lei nº 9.394/96), no seu capítulo sobre educação especial, coloca que os educandos com necessidades especiais devem ter a educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular, bem como, serviços de apoio especializado (BRASIL, 1996). Este capítulo da nova LDB vem demonstrar a possibilidade de aprendizagem pelas pessoas com deficiência desde que esta siga as adequações necessárias às especificidades de cada caso. 3.3.3 Lei de Libras 10.436/02 Passa-se a perceber a importância da Libras como língua materna dos surdos e para tal, a mesma foi reconhecida no Brasil em 2002 através da Lei 10.436 que entende como “Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil” (BRASIL, 2002). 45 A Lei de Libras visa ampliar a visibilidade da língua de sinais, o direito dos surdos a acessibilidade através desta língua e a difusão da mesma. 3.3.4 Decreto 5.626 de 2005 Segundo o Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 é colocada à obrigatoriedade do atendimento especializado, sendo que o mesmo deve ser realizado principalmente pelo professor, colocando ainda que a Libras tornou-se obrigatória para a formação no magistério tanto em nível superior quanto médio. Assim, faz-se necessário construir uma escola de qualidade com professores capacitados baseados em uma cultura de diversidade. Esta cultura é um processo de aprendizagem, “ensinar a aprender”, uma nova maneira de educar tendo o respeito à diversidade como valor (BRASIL, 2005). 3.3.5 Lei Brasileira de Inclusão (LBI) 13.146/15 A Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146 de 2015 é a adaptação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas). A LBI pode ser subdividida em três grandes partes: 1) Direitos fundamentais das pessoas com deficiência, como educação e saúde. 2) Acessibilidade e Ciência e Tecnologia, tratando do acesso à informação e à comunicação além do uso das tecnologias assistivas. 3) Acesso à Justiça e as punições a quem infringe a lei. Destacamos o acesso à informação e à comunicação necessário para a comunidade surda, principalmente quando falamos de saúde e educação e a necessidade de uma oferta com equidade para esses cidadãos (BRASIL , 2015). 3.3.6 Lei de Acessibilidade – 10.098/00 A Lei nº 10.098 de 2000, regulamenta os critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. A acessibilidade de todas as PcDs é promovida através da eliminação dos obstáculos e barreiras (BRASIL, 2000). 46 Essa lei tem grande importância para a comunidade surda. Em seu Art. 17 estabelece a necessidade de romper as barreiras comunicacionais ofertando acessibilidade através da língua de sinais. E segundo o Art. 18 ressalta a formação de intérpretes de escrita em Braille, língua de sinais e de guias - intérpretes a fim de que a comunicação direta seja possível à pessoa com deficiência sensorial ou com dificuldade de comunicação. Esta minoria linguística necessita de uma sociedade bilíngue para que os ouvintes possam dar voz a cada um dos sujeitos que dela fazem parte. https://bit.ly/2Zx1FSP https://bit.ly/3aFKbu9 47 FIXANDO O CONTEÚDO: 1. A Lei nº 10.436 conhecida como Lei de Libras, é uma das maiores conquistas legais dos surdos brasileiros. Ela determina que a) a disciplina de Libras seja ofertada de forma obrigatória no ensino superior, nas licenciaturas e nos bacharelados. b) o meio de comunicação oficial da comunidade surda brasileira é a Língua Brasileira de Sinais. c) a formação de professores de Libras deve ser de responsabilidade das associações de surdos e da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS. d) o poder público e as empresas concessionárias de serviços públicos de saúde ofereçam tratamento adequado ao surdo por meio da reabilitação oral. e) não é obrigatória a oferta de intérpretes de Libras e professores ou instrutores da língua pelas escolas. 2. (IBC, 2015 - Adaptada) O professor de escola bilíngue para surdos tem como características necessárias: a) conhecer e respeitar apenas a língua de sinal conhecer aspectos das línguas para o ensino da escrita e ter bom desempenho comunicativo.b) conhecer e respeitar apenas a língua oral, sem conhecer aspectos das línguas requeridos para o ensino da escrita e ter bom desempenho comunicativo. c) conhecer e respeitar as duas línguas, conhecer aspectos das línguas requeridos para o ensino da escrita e ter bom desempenho comunicativo. d) conhecer apenas a língua de sinal, sem conhecer aspectos das línguas requeridos para o ensino da escrita e ter bom desempenho comunicativo. e) falar devagar e pausadamente na frente do aluno. 3. (FEPESE, 2010) Assinale a alternativa correta em relação ao parâmetro “movimento” nas línguas de sinais. 48 a) Todos os sinais têm movimento. b) Os sinais podem ter ou não ter movimento. c) Os sinais dos verbos nunca têm movimento. d) Quando a mão direita se movimenta, a esquerda sempre fica parada. e) Os movimentos devem ser sempre igualmente rápidos. 4. (FEPESE, 2010) Os sinais, na Libras, são formados a partir da a) criatividade de seus usuários que não precisam seguir regras fixas. b) incorporação da negação, afirmação ou sinal temporal a um sinal já conhecido. c) utilização de um processo bastante comum na língua que é o de configurar os sinais com a primeira letra da palavra em português. d) combinação dos movimentos das mãos com um determinado lugar que pode ser uma parte do corpo ou um local do espaço. e) combinação de um sinal já conhecido com um novo sinal criado pelos professores de línguas de sinais. 5. O termo utilizado para se referir a língua da comunidade surda no Brasil segundo a Lei de nº 10.436/2002 é a) Língua de Sinais Brasileira. b) Língua de Sinais das Comunidades Brasileiras. c) Língua Brasileira de Sinais. d) Língua de Sinais Nacionais. e) Linguagem de Sinais Brasileira. 6. (Chapecó-SC, 2015 - Adaptada) Conforme a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que reconhece a Libras – Língua Brasileira de Sinais e outros recursos a ela associados, em seu parágrafo único: “Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras, a forma de comunicação e expressão, em que o sistema _______ de natureza _________, com estrutura ________ própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de _______ e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil”. Complete as lacunas, seguindo a ordem, com as palavras 49 CORRETAS: a) línguas – brasileiras – sinais - Libras b) Libras – comunicação – ideias – ocorridos c) linguístico - visual-motora - gramatical - ideias d) visual-auditivo – gramatical - linguística – ideias e) oral – gramatical – linguística - Libras 7. (Chapecó – SC, 2015 - Adaptada) Os parâmetros da língua de sinais são as articulações das mãos, que podem ser comparadas com os fonemas e morfemas da língua oral. Na língua de sinais, temos os seguintes parâmetros: a) Configuração de mão – movimento – classificador – relaxamento – figuras geométricas. b) Movimentos retilíneos – helicoidal – circular – semicircular – sinuoso – angular. c) Oralismo – comunicação total – bilinguismo – Pidgin – configuração de mãos. d) Configuração de mãos – ponto de articulação – movimento – orientação – expressão facial. e) Movimento e expressão facial. 8. A acessibilidade comunicacional é vista: a) Rampas de acesso. b) Adaptações curriculares. c) Elevadores. d) Bengalas e cadeira de rodas. e) Braille e Libras. 50 ASPECTOS VISUAIS DA LIBRAS COMUNICAÇÃO VISUAL E SURDEZ A comunicação através de imagens é muito presente nos veículos de comunicação como televisão, internet, mídias sociais, entre outros. Muitas vezes os gestos corporais são realizados junto a fala. Quantas vezes ao dizer “liga para mim” vemos as pessoas fazendo o gesto de telefone na orelha? A comunicação visual está presente no nosso dia a dia e é fundamental para os surdos que usam a língua de sinais que apresenta-se visuo-gestual. Figura 14: Sinal de telefone em Libras Disponível: https://bit.ly/3pQsj45. Acesso em: 20 fev. 2021 De acordo com Campello (2008, p. 128), o aspecto de visualidade é um requisito importante para o ensino dos alunos surdos. Aspectos da visualidade na educação de Surdos, ou pedagogia surda é assim denominada considerando-se que a mesma pode ser compreendida como aquela que se ergue sobre os pilares da visualidade, ou seja, que tem no signo visual seu maior aliado no processo de ensinar e aprender. UNIDADE 04 https://bit.ly/3pQsj45 51 A iconicidade traz uma facilidade neste processo de ensino – aprendizagem quando falamos de alunos surdos. A linguagem é utilizada pelos sujeitos para produção, desenvolvimento e compreensão da língua e, manifestações simbólicas que sejam semelhantes a ela (SAUSSURE, 1995). Portanto observa-se a utilização desta linguagem no campo da estética, na comunicação não verbal e sim visual, na informática, nas pinturas, fotografias, entre outros. As Descrições Imagéticas se referem aos classificadores nas línguas de sinais (FELIPE, 2002). As línguas sinalizadas têm sua natureza icônica como “foto da realidade” o que remete a não as analisar como as línguas orais, fato este que apagaria a visualidade necessária de tais línguas. Sabendo que a Libras tem cunho visuo-motor é possível avaliar a importância das imagens para o desenvolvimento do sujeito Surdo, bem como para sua comunicação, construção de conceitos e entendimento do mundo (BRASIL, 2002). Para Quadros, a Libras é um conjunto de signos partilhados por uma comunidade linguística. Enquanto os ouvintes utilizam a audição e verbalizam as palavras, os surdos utilizam as mãos e o corpo para se comunicarem através de uma comunicação visual (QUADROS; KARNOPP, 2004). Os signos linguísticos são unidades de significação (ABAURRE, 2002)tendo o pressuposto de conhecimento pelos seus usuários dando significado. Visualmente isso ocorre com ouvintes e surdos, como por exemplo, a cor vermelha nos semáforos significa “pare”. Considerando que a variedade linguística é advinda do fato das línguas serem dinâmicas, vivas e sofrerem variações regionais ou sociais, como as palavras “macaxeira” ou “aipim”, o mesmo ocorre com os sinais dentro das línguas de sinais, fato este que fortalece o sentido de língua atribuído a Libras. Muitas pessoas não surdas, não compreendem a língua sinalizada, sendo considerados “estrangeiros” a Libras. A “experiência visual” onde a Libras se constrói 52 e é absorvida somente poderá ser construída a partir do contexto em que o sujeito nasce e é criado. Sem a fluência em LS pelos que estão ao seu redor, o surdo tem dificuldades na construção e compreensão da LS. Para a autora, o adulto surdo somente terá uma identidade forte e centrada no ser surdo, a “identidade política surda” se ele estiver em contato com outros surdos. Ainda para Perlin, a “identidade surda se constrói dentro de uma cultura visual”, sendo esta a experiência que o separa da identidade ouvinte (PERLIN; QUADROS, 2006, p. 57). A experiência visual surda é necessária para a aquisição das informações. Informações estas muito relevantes quando se fala de educação, saúde e trabalho, e somente através do caráter visual da língua de sinais que se torna possível uma interação eficaz entre os surdos e entre surdos e ouvintes. INTERAÇÃO SURDO-SURDO Segundo Jonhson, Escosteguy e Schulman (2010) através do discurso o sujeito consegue perceber sobre si mesmo, muitas vezes indiretamente. O processo é ativo de identificação, incorporação, seleção, organização, categorização e interpretação de práticas, valores e sentidos. A Libras é captada e compreendida através dos olhospelo sujeito surdo. Como seria sua compreensão do mundo sem o sentido visual próprio da estrutura da língua de sinais? Essa compreensão seria possível? https://bit.ly/3skyXAS https://bit.ly/2ZBKGib 53 A identidade é constituída no reconhecimento da diferença e da grupalidade que aparecem como elementos componentes do EU. A identidade aparece como um conjunto de relações que vinculam ou separam as pessoas entre si, formando grupos e sentindo de pertença. As construções sociais contemporâneas demonstram as identidades e as diferenças, o que levam ao surgimento de desigualdades, movimentos sociais e militâncias, ouvintismo, preconceitos, entre outros. Muitas são as tentativas de trazer para a normalidade o que aparece como exceção, no caso o surdo conseguir ouvir, com o intuito de “abafar as distinções culturais e linguísticas” (BAUMAN, 1998, p. 29) Mizutani (2012) relata que as minorias são constituídas em determinado contexto histórico a partir da construção da identidade que ocorre do encontro entre o eu e o outro em uma relação contextualizada através da linguagem. Este dado nos remete a analisar, por exemplo, que a minoria surda no Brasil se constituiu de maneira política, histórica e cultural diferentemente da minoria surda dos Estados Unidos. A linguagem é fundamental nas relações dos sujeitos. É por meio e através dela que os sujeitos preparam um ato a ser consumado (GOES, 2000 ). A linguagem viabiliza a existência. A interação entre os surdos ocorre através da Libras para os surdos sinalizantes, mas como falado anteriormente, muitos surdos chegam a uma idade avançada sem aprender o domínio da língua de sinais, o que dificulta sua inserção na comunidade surda, sua minoria linguística. A Libras faz parte da cultura surda, é a língua que permeia essa comunidade. Os surdos preferem interagir em ambientes onde podem se comunicar com todos através da sua língua materna. Esses encontros acontecem frequentemente em associações, igrejas, treinos esportivos, entre outros (QUADROS; KARNOPP, 2004). A identidade surda “é uma identidade subordinada com o semelhante surdo [...] o encontro surdo-surdo é essencial para a construção da identidade surda” (PERLIN; QUADROS, 2006, p. 54). 54 Poucas são as autoras surdas que realizam estudos sobre a interação entre surdos pois esta interação acontece dentro de uma comunidade própria que comporta surdos e ouvintes que possuem o domínio da Libras. Por serem minoria linguística a margem da sociedade, a comunicação eficaz ocorre entre os membros desta comunidade que temem ser “julgados” ou “oprimidos” pela maioria ouvinte. Este fato leva esta população a se tornar mais coesa e fechada, afim de proteger sua subjetividade. O desrespeito pela cultura e comunidade surdas muitas vezes relatado por seus membros ou até mesmo divulgados nos meios de comunicação, levam os sujeitos a uma tentativa de proteção da sua própria identidade. Outro fato é o desconhecimento e a falta de domínio da língua de sinais pelos ouvintes, o que leva os sujeitos surdos a se tornarem cada vez mais fechados dentro da sua própria comunidade. O sentimento de pertencer ocorre com os sujeitos quando estão dentro da sua cultura, usufruindo de uma língua que se faça compreender e ser compreendido. COMUNICAÇÃO SURDO-OUVINTE Quando falamos sobre surdez, o sujeito de referência é o ouvinte. Os surdos aparecem como minoria linguística dentro da sociedade majoritariamente ouvinte. Nesta visão, o surdo é o outro, aquele que não ouve e, dentro de uma concepção https://bit.ly/3qDdB1n https://bit.ly/2OS8o7M 55 ouvintista este sujeito precisa se igualar ao ouvinte (SILVA; LLERENA JUNIOR; CARDOSO, 2007). Na tentativa de “igualar” os surdos aos ouvintes, a comunicação surdo-ouvinte passa a ser idealizada a partir de condições que os façam ouvir. Sendo assim, muitos são encaminhados para cirurgia, implante coclear, tratamento fonoaudiológico, entre outros. Perlin e Quadros (2006, p. 169) relatam que para o surdo, o ouvinte representa opressão, manifestam superioridade e se posicionam “falando mal” dos surdos. Os ouvintes por conseguirem se expressar através da língua majoritária do seu país de forma oral e escrita corretamente se colocam em posição de superioridade em relação a maioria dos surdos. Ter proficiência da língua de sinais, leva o sujeito ouvinte a ser visto de forma diferenciada pelo sujeito surdo. O domínio linguístico permite o acesso ao surdo, o que lhe gera confiança. A experiência de acessar o surdo através da língua de sinais, afeta de forma subjetiva como o próprio surdo se vê e percebe como é visto pelos ouvintes. Fica claro que ao perceber o mundo através dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato), a maneira de se dirigir e de se fazer entender não precisa necessariamente ser realizada através da fala e da audição. Não havendo uma supremacia dos ouvintes sobre os surdos pelo fato de as pessoas surdas por não conseguirem ouvir, aprimorarem o sentido da visão que compensa a perda auditiva. A comunicação eficaz entre um surdo e um ouvinte ocorre através da Libras, onde o modelo ideal seria que todas as pessoas ouvintes fossem bilíngues português- Libras, mas esta realidade está longe de ser alcançada. Os ouvintes que não dominam a língua de sinais devem saber que devido ao fato dos surdos terem a visão aguçada é importante que enquanto estiverem 56 falando devem olhar diretamente para eles, falar pausadamente e demonstrar através de expressões faciais o que deseja comunicar. Como nem todos os surdos sabem realizar leitura labial ou dominam a língua de sinais, algumas vezes os ouvintes precisam recorrer a escrita. Lembrando que a Língua Portuguesa é a segunda língua dos surdos e muitas vezes pode ser uma barreira para comunicação. Vale ressaltar ainda que para chamar um surdo não devemos gritar ou tocar repentinamente no sujeito, o ideal é balançar os braços ou as mãos para ganhar sua atenção ou em local fechado acender e apagar a luz para que o surdo se vire para você. As diferenças linguísticas entre ouvintes que não dominam a Língua de Sinais e os Surdos que tem a Língua Portuguesa como segunda língua gera uma barreira comunicacional muito grande. Muitas vezes além da língua, as diferenças culturais geram estranheza entre os ouvintes como: sinais luminosos para chamar a atenção, uso frequente de vídeo chamadas, entre outros. Esta barreira linguística afeta o recebimento de informações, o aprendizado e a construção da própria identidade do surdo que em sua maioria nasce no seio de famílias ouvintes. A luta pela concepção bilíngue se torna necessária para a inserção, com equidade, do sujeito surdo no mundo. https://bit.ly/3pQzysN https://bit.ly/3aDy0hg 57 FIXANDO O CONTEÚDO 1. O sentido visual da Libras é importante para os Surdos porque a) utilizam a audição para compreender o que é sinalizado. b) utilizam o tato para compreender o que é sinalizado. c) utilizam a visão para compreender o que é sinalizado. d) utilizam o paladar para compreender o que é sinalizado. e) utilizam o olfato para compreender o que é sinalizado. 2. A iconicidade pode ser vista em: a) O sinal de telefone feito na orelha. b) O sinal de telefone feito no ar. c) O sinal de muito feito na frente do corpo. d) O sinal de feio feito no peito. e) O sinal de telefone feito no ombro. 3. A interação Surdo – Surdo acontece de forma eficaz quando a) é feita através de gestos. b) é realizada através da leitura labial. c) é feita utilizando resquício de fala. d) é realizada através da Libras.e) é realizada através da mistura de gestos, Libras e resquício de fala. 4. A Língua de Sinais permite que os Surdos a) realizem uma comunicação ineficaz. b) não realizem comunicação. c) realizem comunicação eficaz e tenham sentimento de pertença. d) realizem comunicação eficaz e não se sintam pertencentes ao grupo. e) realizem comunicação eficaz somente entre eles. 58 5. A interação eficaz Surdo – Ouvinte ocorre quando a) o ouvinte fala alto. b) o ouvinte realiza gestos e expressões. c) o Surdo não possui domínio da Libras. d) o ouvinte não possui domínio da Libras. e) surdo e ouvinte dominam a Língua de Sinais. 6. Iconicidade é a) sinal determinado pela comunidade surda. b) um gesto realizado por ouvinte. c) uma palavra escrita em Libras. d) um sinal usado somente pelos surdos. e) um sinal fácil de compreender por ser como uma foto da realidade. 7. Quando um ouvinte não domina Libras, a melhor maneira de se comunicar com um surdo é a) ficar frente a frente, falar pausadamente, olhar nos olhos e ser expressivo. b) falar gritando e gesticulando de forma rápida. c) gesticular sem mover os lábios. d) falar rápido virando o corpo quando necessário. e) fazer mímicas, gritar e ficar lateralizado ao surdo. 8. A maior interação surdo – surdo ocorre em a) locais movimentados e com pessoas que não dominam Libras. b) em associações com surdos que se encontram esporadicamente e podem dominar ou não Libras. c) em qualquer ambiente com surdos que conseguem fazer leituras labiais. d) em associações, igrejas e clubes entre surdos que dominam Libras. e) na rua e em associações entre surdos e ouvintes que dominam Libras. 59 PRÁTICA DE LIBRAS I DATILOLOGIA A datilologia ou alfabeto manual faz parte da Libras, mas não é a Libras. A Libras é composta pelo alfabeto manual que é a soletração de uma palavra da Língua Portuguesa no espaço. Essa soletração é realizada através de uma sequência de sinais que corresponde a sequência das letras da palavra a ser soletrada. O alfabeto manual normalmente é o primeiro contato que os ouvintes possuem com a língua de sinais. Em um primeiro momento de contato com outra pessoa, precisamos realizar nossa apresentação e a escrita do próprio nome requer o aprendizado do alfabeto. Essa soletração manual é escrita de forma linear, uma “escrita no ar” de palavras das línguas orais auditivas (GUARINELLO, 2006). Cada letra assume uma configuração de mão e a partir destas configurações associadas a localização e movimento realizamos os sinais. A escrita pode ser realizada tanto com a mão direita, quanto com a mão esquerda e as palavras são escritas de dentro para fora do corpo. São 27 configurações manuais pois o alfabeto manual inclui uma configuração para a cedilha. Figura 15: Alfabeto Manual em Libras Disponível em: https://bit.ly/3uuAtCL. Acesso em: 20 fev. 2021 UNIDADE 05 https://bit.ly/3uuAtCL 60 Podemos observar que algumas letras do alfabeto em Libras possuem a mesma configuração manual, como por exemplo, as letras H, K e P. O que modifica seu significado é o movimento ou a falta deste. O alfabeto manual é utilizado em algumas situações, como: para escrever o nome de pessoas, locais e ruas. Utilizado para escrever palavras em português que não possuem sinal correspondente em Libras ou palavras em português que a pessoa não conheça o sinal. Após a pessoa ser “batizada” com um sinal, ela irá se apresentar com seu sinal escrevendo seu nome somente se for perguntado. Da mesma forma, após aprender o sinal da palavra em português não se soletra mais a palavra, utiliza-se o sinal aprendido do objeto. Figura 16: Nome Maria soletrado em Libras Disponível em: https://bit.ly/3dAEj6Z . Acesso em: 20 fev. 2021 https://bit.ly/3dAEj6Z 61 Figura 17: Palavra Libras soletrada em Libras Disponível em: https://bit.ly/3sdtjRh. Acesso em: 20 fev. 2021. Quando escrevemos palavras compostas, devemos escrever a primeira utilizando a datilologia e após uma pequena pausa escrever a segunda palavra. Vale ressaltar que a escrita no ar possui regras próprias que devem ser seguidas para a sinalização correta e compreensão por parte do sujeito surdo: 1) utilizamos um quadrante de sinalização. Devemos utilizar a escrita dentro de um quadro imaginário que se localiza acima da cabeça do sinalizante até a altura de seu abdômen; 2) a palma deverá sempre estar voltada para frente para que as letras estejam direcionadas a quem sinalizamos; 3) ao iniciar a escrita com uma mão deverá permanecer escrevendo com a mesma, sendo vedada a troca de mãos durante a escrita; 4) não são sinalizados os acentos agudo e circunflexo, bem como as pontuações ponto final, interrogação e exclamação. 5) o único acento sinalizado é o til que deverá ser feito ao final da palavra escrita. A maioria dos sinais realizados surgem a partir das configurações manuais do alfabeto em Libras, portanto quanto maior for a prática da datilologia, mais fácil será o domínio da Libras por parte dos ouvintes. https://bit.ly/3sdtjRh 62 NÚMEROS Os números em Libras também são muito utilizados pelos surdos sinalizantes e seguem regras específicas quanto a sua utilização. Os números em Libras são divididos em: números cardinais e números ordinais. Figura 18: Números em Libras Disponível em: https://bit.ly/2Nry1Mk . Acesso em: 20 fev. 2021 https://bit.ly/2Nry1Mk https://bit.ly/3aILMiF http://www.acessobrasil.org.br/ 63 Os números cardinais em Libras são utilizados para representar quantidades, como por exemplo: Uma bola. Os números 1, 2, 3 e 4 neste caso, são sinalizados com a mão para cima e do número 5 em diante utiliza-se os números em formato de Libras. Os números ordinais são próprios da Libras e assim assumem configurações de mãos específicas como na figura acima, são utilizados para indicar idade, número de telefone, número de casas, de ônibus, entre outros. Ao expressarmos dois números iguais, como por exemplo o número 22, as mãos assumem a configuração dos números em Libras e passam a possuir movimento. Contudo, quando o número se repete três ou mais vezes o movimento não deve acontecer, sinalizamos com uma pausa entre eles. Números na casa do milhar (mil, dois mil, três mil, etc) assumem a ideia de quantidade até o número quatro mil e depois seguem a numeração em Libras, com os ordinais. O ponto referente a casa do milhar deverá ser sinalizado. Assim temos sinalizado o número 1.523, por exemplo, sendo: o número 1 em cardinal + o sinal de ponto + sinal de 5 em ordinal + sinal de 2 em ordinal + sinal de 3 em ordinal. 64 Figura 19: Número 8 ou letra S em Libras Disponível em: https://bit.ly/3sh0PpD . Acesso em: 20 fev. 2021 Após dominar a datilologia (da qual retiramos a maior parte das configurações para execução de sinais) e, os números, passamos a compreender o sentido visuo – gestual da língua de sinais e damos início ao aprendizado dos sinais básicos para uma comunicação eficaz, através da Libras, com os surdos. VOCÁBULOS BÁSICOS O sujeito surdo se constitui na medida em que interage com o outro e, através das suas próprias falas e das falas dos demais, ele se constrói e se completa (GERALDI, 1997). A língua de sinais é a língua natural do sujeito surdo, quando este nasce em família ouvinte ele é exposto frequentemente a língua oral. Sem o suporte familiar, sem a família se comunicando através da língua de sinais, poderá acarretaratrasos na aquisição de uma língua. https://bit.ly/3sh0PpD https://bit.ly/3knSP3H http://www.acessobrasil.org.br/ 65 Quando a família ouvinte domina a língua de sinais, favorece que o sujeito surdo seja exposto as duas línguas: uma oral e uma visual e, estas crianças poderão adquirir de forma simultânea as duas línguas. A concepção bilíngue vislumbra a possibilidade de aprendizado da língua materna e da língua pátria de forma concomitante pelo sujeito surdo. Os surdos passarão a se comunicar através da língua de sinais e da língua pátria escrita, no caso do Brasil, a Língua Portuguesa. Para iniciarmos a comunicação em Libras com o sujeito surdo, os vocábulos básicos são fundamentais. São sinais iniciais que garantem uma apresentação pessoal, saudação e agradecimento. Figura 20: Sinal do cumprimento Oi/Olá Disponível em: https://bit.ly/3umBrRq . Acesso em: 20 fev. 2021 Apesar de alguns sinais serem formados pela associação de letras, em sua maioria os sinais aparecem de forma arbitrária, ou seja, são criados e determinados pela comunidade surda. Para realizar a apresentação pessoal, por exemplo, utilizamos o sinal arbitrário para nome e escrevemos através do alfabeto https://bit.ly/3umBrRq 66 manual o nosso nome letra por letra. Figura 21:Sinal de nome em Libras Disponível em: https://bit.ly/3pIY6DZ. Acesso em: 20 fev. 2021 As composições de base para saudarmos as pessoas aparece utilizando o sinal referente a Bom/Boa e o sinal do período do dia ao qual estamos nos referindo (dia/tarde/noite). Assim vemos o início de uma construção frasal sem verbo. Figura 22: Sinal de bom/boa em Libras Disponível em: https://bit.ly/2Meoms7. Acesso em: 20 fev. 2021 https://bit.ly/3pIY6DZ https://bit.ly/2Meoms7 67 Figura 23: Sinal de dia em Libras Disponível em: https://bit.ly/2Meoms7. Acesso em: 20 fev. 2021 Figura 24: Sinal de tarde em Libras Disponível em: https://bit.ly/2Meoms7. Acesso em: 20 fev. 2021 Figura 25:Sinal de noite em Libras Disponível em: https://bit.ly/2Meoms7. Acesso em: 20 fev. 2021 https://bit.ly/2Meoms7 https://bit.ly/2Meoms7 https://bit.ly/2Meoms7 68 Ressaltamos a diferença entre um sinal arbitrário como no caso do sinal de desculpa que se apresenta em configuração da letra Y com a localização no queixo, sem movimento e, um sinal icônico que se apresenta como uma foto da realidade, como no sinal de tchau. Vale revisar os parâmetros dos sinais para podermos compreender a base da formação do sinal: configuração de mãos, movimento, orientação da palma, ponto de articulação e expressões não – manuais (vide Unidade 3). Figura 26: Sinal de desculpa em Libras Disponível em: https://bit.ly/3qMAuPZ . Acesso em: 20 fev. 2021 Figura 27: Sinal de tchau em Libras Disponível em: https://bit.ly/3qMAuPZ . Acesso em: 20 fev. 2021 https://bit.ly/3qMAuPZ https://bit.ly/3qMAuPZ 69 Os vocábulos básicos em Libras permitem um primeiro contato caloroso e compreensível pelo sujeito surdo. Uma recepção em Língua de Sinais gera no surdo o sentimento de pertença e a transposição da barreira linguística que existe na sociedade majoritariamente ouvinte. A partir da aquisição de sinais os ouvintes podem começar a formular construções frasais. Conseguir ser compreendido pelos ouvintes é um desejo de todos os surdos. O que para você apresenta uma maior lógica: um surdo aprender a falar ou um ouvinte aprender a sinalizar? https://bit.ly/3kbHhQ http://www.acessobrasil.org.br/ 70 FIXANDO O CONTEÚDO 1. A datilologia ou alfabeto manual é a) uma “escrita no ar” de palavras das línguas orais auditivas. b) é a Libras em si. c) são configurações de mãos que nada representam. d) faz parte da Libras podendo utilizar somente ela em um diálogo. e) escrita de sinais no papel. 2. Os nomes devem ser escritos através do uso do alfabeto manual. Abaixo temos um nome escrito utilizando a datilologia. Que nome está escrito em Libras? Assinale a alternativa CORRETA. a) João. b) Rose. c) Rosa. d) Ruth. e) Igor. 3. Abaixo temos uma palavra escrita no alfabeto manual de Libras. Escolha o significado CORRETO da mesma em Língua Portuguesa: a) Disco. b) Pisar. c) Turma. d) Preto. e) Primo. 71 4. Abaixo temos dois números sinalizados em Libras. Esses números são, respectivamente: a) 15 e 16. b) 16 e 17. c) 17 e 18. d) 18 e 19. e) 19 e 20. 5. Os números em Libras podem ser divididos em cardinais e ordinais. Os números utilizados para expressar quantidade em Libras são os cardinais. Relacione as colunas com os números cardinais correspondentes: (1) ( I ) 6 (2) ( II ) 3 (3) ( III ) 8 (4) ( IV ) 1 a) 1 – II; 2 – III; 3 – IV; 4 – I b) 1 – III; 2 – II; 3 – I; 4 – IV c) 1 – III; 2 – I; 3 – IV; 4 – II 72 d) 1 – I; 2 – II; 3 – III; 4 – IV e) 1 – II; 2 – IV; 3 – III; 4 – 1 6. O alfabeto manual faz parte da Língua Brasileira de Sinais. Ele deve ser utilizado quando a) pretendemos conversar em Libras com um surdo. b) queremos formar frases longas sem sinais. c) escrevemos nome, ruas, nome de objetos que não possuem sinais. d) sempre que quisermos. e) conversamos com um surdo e desejamos não usar sinais. 7. Alguns sinais são formados pela soma de letras do alfabeto manual. Qual palavra abaixo possui um sinal baseado na explicação acima? a) Tchau. b) Bom. c) Tarde. d) Dia. e) Oi. 8. Os sinais em Libras são muito importantes para mantermos a comunicação eficaz com os surdos. Dentro da Língua de Sinais observamos o uso da datilologia em algumas situações, mas a Língua de sinais não é composta somente pelo alfabeto visual. Se assim fosse os surdos ficariam esgotados devido a importância do _______________ da Libras. Complete a lacuna de forma CORRETA. a) aspecto linguístico b) aspecto visual c) aspecto comunicacional d) aspecto frasal e) aspecto de acessibilidade 73 PRÁTICA DE LIBRAS II CONSTRUÇÃO DE FRASES A construção frasal em Libras normalmente é realizada com a soma de sinais que são correspondentes as palavras na Língua Portuguesa. A lógica da frase ocorre com a combinação dos sinais referentes ao que desejamos comunicar. Frases básicas como “Bom dia”, “Boa tarde” e “Boa noite” fazem parte das saudações sinalizadas. Figura 28: Saudações em Libras Disponível em: https://bit.ly/2Meoms7. Acesso em: 20 fev. 2021 Destacamos que Libras é uma língua que possui estrutura e gramática próprias o que nos leva a regras específicas que podem modificar o sentido da frase. Uso da datilologia: a Língua Portuguesa possui cerca de 400 mil palavras, mas temos apenas cerca de 13 a 15 mil sinais registrados na Língua de Sinais para realizar a tradução. Isso nos leva a algumas vezes termos que utilizar a datilologia no meio da frase para conseguirmos explicitar o que desejamos, UNIDADE 06 https://bit.ly/2Meoms7 74 também quando falamos o nome de pessoas, locais, entre outros. Verbos: a Língua de Sinais não apresenta conjugação verbal, portanto temos apenas o sinal do verbo no infinitivo. Para darmos o sentido temporal ao que estamos sinalizando, devemos acrescentar um advérbio de tempo, como porexemplo: Frase na Língua Portuguesa: Eu fui para casa. Frase em Libras: Eu ir casa ontem. Preposições e conectivos: note na frase acima, que palavras utilizadas como conectivos não são sinalizadas, como por exemplo: para, a, o, de, no, entre outros. LP: Ele é o meu irmão. Libras: Ele ser meu irmão. Negação nas frases: a construção frasal negativa na Libras tem uma regra diferente. A palavra “não” deverá sempre vir após o verbo. LP: Eu não preciso de ajuda. Libras: Eu precisar não ajuda. O fato da Libras não oferecer conjugação verbal, preposições, conectivos, entre outros, faz com que às vezes tenhamos a sensação de uma fala muito extensa 75 na Língua Portuguesa e traduções ou interpretações para Libras que aparentemente são reduzidas, mas isso não significa que estejam equivocadas ou incompletas. As estruturas das Línguas de Sinais são diferentes das estruturas das línguas orais auditivas, o que no início poderá causar algum estranhamento, mas com a prática constante percebemos que a estranheza vai dando lugar ao entendimento e assim nos tornamos bilíngues oferecendo acessibilidade a minoria surda brasileira. Ressaltamos que para dar sentido as frases, como alegria, tristeza, dor, raiva, sarcasmo, entre outros, as expressões faciais e corporais são obrigatórias durante as sinalizações. Estas complementam o sentido frasal e auxiliam na questão visual tão importante para os surdos que “escutam” com os olhos. ENM – EXPRESSÕES NÃO MANUAIS As expressões não manuais (ENM) também são chamadas de expressões faciais e corporais. Essas expressões acompanham os sinais diferenciando-os. Um sinal de desculpa em Libras poderá ter significado diferente de acordo com a ENM realizada: uma expressão de arrependimento dará o sentido de estar comovido com algo que aconteceu. Já uma expressão de sorriso dará um sentido sarcástico ao pedido de desculpas. Para Silva, Llerena Junior e Cardoso (2007, p. 28)“expressões faciais são forma de comunicar algo, um sinal pode mudar completamente seu significado em função da expressão facial utilizada”. Existem dois tipos diferentes de expressões faciais: a) Afetivas – que estão ligadas a sentimentos e emoções e podem expressar tristeza, raiva, felicidade, medo, etc. https://bit.ly/3siuT4o http://www.acessobrasil.org.br/ 76 b) Gramaticais – que estão ligadas a afirmação, negação, interrogação, exclamação e ordem. Figura 29: ENM Afetivas Disponível em: https://bit.ly/2NPYR0s. Acesso em: 20 fev. 2021 No quadro abaixo proposto por Ferreira - Brito e Langevin (1995) apud Quadros e Karnopp (2004, p. 61)podemos ter ideia de movimentos faciais e corporais que auxiliam na compreensão do significado que o sinal deseja transmitir. Quadro 2: Movimentos Faciais e Corporais ROSTO Parte Superior Sobrancelhas franzidas Olhos arregalados Lance de olhos Sobrancelhas levantadas Parte Inferior Bochechas infladas Bochechas contraídas Lábios contraídos e projetados e sobrancelhas franzidas Correr da língua contra a parte inferior interna da bochecha Apenas bochecha direita inflada Contração do lábio superior https://bit.ly/2NPYR0s 77 Franzir do nariz CABEÇA Balanceamento para frente e para trás (sim) Balanceamento para os lados (não) Inclinação para frente Inclinação para o lado Inclinação para trás ROSTO E CABEÇA Cabeça projetada para frente, olhos levemente cerrados, sobrancelhas franzidas Cabeça projetada para trás e olhos arregalados TRONCO Para frente Para trás Balanceamento alternado dos ombros Balanceamento simultâneo dos ombros Balanceamento de um único ombro Fonte: Quadros e Karnopp (2004, p. 61) Muitas vezes os surdos utilizam ENM para se comunicar dentro da comunidade surda. Afim de não realizarem sinais que poderão ser observados e compreendidos por demais surdos, eles utilizam principalmente as expressões faciais, como por exemplo: mover os olhos lateralmente para mostrar ou chamar a atenção para alguma coisa ou alguém; levantar as narinas para comunicar que compreenderam algo que foi sinalizado; entre outros. Verificamos a importância das expressões não manuais quando comparamos a realização dos sinais por um intérprete humano em comparação as expressões realizadas pelos avatares dos aplicativos de tradução Português – Libras (BARBOZA, 2019). A compreensão do significado da informação transmitida apresenta-se prejudicado quando realizado artificialmente. A questão dialógica entre seres humanos, bem como os aspectos afetivos ligados as transmissões de informação, fazem com que a realização das ENM durante a sinalização seja relevante para o entendimento dos surdos. A compreensão das frases em Libras pelos surdos vai além da simples realização de um sinal. Justamente pelo seu caráter visuo – gestual, olhar nos olhos e realizar expressões faciais e corporais são necessários para exprimir a emoção e a intenção da informação que se deseja transmitir. Somente com a prática temos a possibilidade de desenvolver essas expressões e oferecer de forma clara a sinalização para a comunidade surda a fim de incluí-la de forma eficaz em uma sociedade majoritariamente ouvinte. 78 https://bit.ly/2NPmUwN https://bit.ly/37A4dnS 79 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Como podemos dar o sentido temporal dentro de uma história sinalizada em Libras? a) Utilizando o sinal do verbo + o sinal de um advérbio de tempo. b) Utilizando o sinal do verbo + complemento com a datilologia. c) Utilizando os sinais dos verbos conjugados. d) Utilizando o sinal do verbo + sinal do local. e) Utilizando somente o sinal do verbo. 2. As frases negativas na Língua Brasileira de Sinais seguem uma regra gramatical específica. Esta regra trata de a) sinalizar o não após o sinal do verbo. b) sinalizar o não logo que iniciar a frase. c) sinalizar o não em qualquer momento da frase. d) sinalizar o não no final da frase. e) não existem frases negativas em Libras. 3. A estrutura da Língua Brasileira de Sinais comporta regras muito específicas com os verbos. Para dar o sentido negativo a frase, o sinal de não deverá vir após o verbo, mas em alguns casos os verbos possuem sinais negativos próprios. A negação incorporada ocorre nos seguintes verbos abaixo: a) Não saber e não ir. b) Não querer e não falar. c) Não querer e não precisar. d) Não saber e não conversar. e) Não querer e não gostar. 80 4. As ENM são podem ser a) ENM lexicais e ENM afetivas. b) ENM afetivas e ENM gramaticais. c) ENM gramaticais e ENM estruturais. d) ENM bilíngues e ENM gramaticais. e) ENM corporais e ENM afetivas. 5. Qual frase abaixo está escrita de forma correta se for sinalizada em Libras? a) Eu não precisar conversar. b) Meu filho não comer manga. c) Ele não falar muito. d) Minha mãe precisar não ajudar. e) Amigo não comer nada. 6. Algumas regras estruturais da construção de frases em Libras são diferentes das línguas orais auditivas. Nas frases sinalizadas, não sinalizamos a) verbos. b) negações. c) preposições. d) saudações. e) substantivos. 7. Coloque Verdadeiro (V) ou Falso (F) e marque a sequência correta. ( ) As ENM auxiliam na transmissão de sentimentos. ( ) As ENM são pouco utilizadas pelos surdos. ( ) A construção frasal negativa em Libras segue regras específicas. ( ) Conseguimos passar emoções através da Libras. a) V-V-V-V. 81 b) V-F-V-F. c) V-F-F-F. d) F-V-V-F.e) V-F-V-V. 8. As ENM englobam a) posturas corporais. b) expressões faciais e corporais. c) expressões faciais. d) expressões manuais. e) expressões de sinais. 82 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 01 UNIDADE 02 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 C QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 C QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 A UNIDADE 03 UNIDADE 04 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 C QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 D QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 E QUESTÃO 8 D UNIDADE 05 UNIDADE 06 QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 E QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 E QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 C QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 B QUESTÃO 8 B 83 REFERÊNCIAS ABAURRE, M. Português: Língua e Literatura. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2002. ALMEIDA, M. P.; ALMEIDA, M. E. História de libras: Característica e sua Estrutura. 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