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Arísia Galdino Odontologia 2020.1 Farmacologia 1 Percurso do fármaco (efeito farmacológico) Definição de farmacodinâmica FÁRMACO → CORPO Estudo dos efeitos fisiológicos e bioquímicos das drogas e dos seus mecanismos ❖ Local de ação ❖ Mecanismo de ação ❖ Efeito terapêutico e tóxico Considerando um dado medicamento: a. Sua ação depende essencialmente de sua estrutura química b. Ligam-se aos receptores formando um complexo → Alteração do funcionamento celular Definição de transdução de sinais Refere-se a qualquer processo através do qual uma célula converte um tipo de sinal ou estímulo em outro. Fármaco se liga a um alvo terapêutico, e esse alvo terapêutico é responsável por transformar um efeito farmacológico em uma alteração fisiológica na célula. Características de transdução de sinais 1. Especificidade As moléculas sinalizadoras são específicas para determinados receptores; outros sinais não se encaixam. 2. Amplificação Um sinal é capaz de produzir vários outros sinais simultaneamente. Exemplo adrenalina. Arísia Galdino Odontologia 2020.1 Farmacologia 2 3. Desensibilização/Adaptação Depois que a molécula sinalizadora se conecta ao seu sítio alvo, produz uma resposta, contudo essa resposta não precisa ser contínua nem permanente, então o próprio organismo para evitar isso ele induz uma resposta inibitória a fim de inibir o receptor. Exemplo: Desensibilização do receptor beta-adrenérgico na presença constante de adrenalina 4. Integração Quando dois sinais apresentam efeitos opostos sobre uma característica metabólica, como, por exemplo, a concentração de um segundo mensageiro X ou potencial de membrana ou o potencial de membrana Vm, a regulação é consequência da ativação integrada dos dois receptores. Ou seja, a resposta vai ser uma média da resposta do sinal um com a do sinal dois. Alvos terapêuticos • Receptores; - A maioria dos receptores são proteínas, as quais são formadas por aminoácidos que possuem diversos grupos em sua cadeia lateral; então quando o fármaco for interagir com o receptor, a estrutura do fármaco tem que conectar a uma estrutura semelhante do receptor. Grupos hidrofílicos interagem com grupos hidrofílicos, e hidrofóbicos com hidrofóbicos. Essa interação é feita por: Interações eletrostáticas; Lig. De Van de Walls; • Transportadores; • Enzimas; • Parede/ Membrana celular • Genes Tipos gerais de transdutores de sinais i. Canal iônico (ionotrópicos) Quando o fármaco se liga a ele, ele abre ou fecha em resposta ao ligante sinalizador ou potencial de membrana. A sua abertura ou fechamento é determinada pela ligação a um agonista, natural ou fármaco, (PORTÃO) ⇾ É uma proteína de membrana formada por 4 a 5 subunidades proteicas. - Voltagem: despolarização – ocorre quando há influxo de Ca+2 ou de Na+, causando excitação neuronal.; ABRE OS CANAIS hiperpolarização – corre quando há influxo de Cl - ou efluxo de K+, causando inibição neuronal. FECHA OS CANAIS - Ligante: Nesse receptor vai ter m local (sítio de ligação) o qual recebe a acetilcolina, e quando a acetilcolina se ligar vai promover alterações nesse canal. Papel dos canais iônicos: contração muscular → placa motora : *Receptor nicotínico da acetilcolina: a abertura do canal se dá p ela ligação de 2 moléculas de acetilcolina. Alguns fármacos antagonistas agem como bloqueadores neuromusculares, como a tubocurarina e pancurônio, permitindo o relaxamento neuromuscular, facilitando a anestesia geral para intubação endotraqueal . *Receptor GABAA do GABA (principal neurotransmissor inibitório do SNC): quando aberto, permite a passagem de Cl-, causando hiperpolarização e inibição neuronal, pois dificulta a despolarização do neurônio. Isso ocorre com os benzodiazepínicos, como Diazepam, midazolam e lorazeapam que são ansiolíticos e hipnóticos, e com os barbitúricos, como o fenobarbital que é anticonvulsivante e o porpofol que é anestésico geral Arísia Galdino Odontologia 2020.1 Farmacologia 3 ii. Receptores metabotrópicos ⇾ É uma proteína que passa 7 vezes na membrana (7 alfa- hélices transmembranas) e quando ativado se liga a uma proteína especifica, a proteína G , que pode ativar diversas vias nas células. ⇾ Mais de 50% dos fármacos agem por esse tipo de receptor. ⇾ Existe na forma trimérica ou monomérica. ⇾ É formada pelas subunidades alfa e o dímero beta gama, que são ancorados na membrana. ⇾ O efeito celular é mais lento que o do receptor ionotrópico, pois o fármaco se liga ao receptor e ativa a proteína G (subunidade alfa), a qual ativa proteínas efetoras, que forma segundos mensageiros, que irão ativar alvos celulares para, por fim, gerar o efeito, finalizando a cascata de ação. ⇾ Uma única proteína G pode ser ativada por vários receptores metabotrópicos, ampliando a sua resposta. ⇾ Principais alvos da proteína G: • Gs: ativa ciclase de adenilil (AC): aumenta os níveis de cAMP (2º mensageiro), que ativa a PKA (alvo celular), a qual fosforiza enzimas no meio, permitindo observar o efeito. → Alvos celulares da PKA: *Aumenta atividade dos canais de cálcio no músculo cardíaco, causando a contração; *Fosforila e inibe MLCK (quinase da cadeia leve se miosina) no músculo liso, causando relaxamento; *Aumenta o metabolismo energético no tecido adiposo; *Aumenta a secreção ácida. → Sinais que usam AC/AMPc: *Noradrenalina (beta2-adrenérgico): fenoterol (causa broncodilatação). *Histamina (H2): ranitidina (antagonista do H2: reduz a secreção ácida). *Dopamina (D2): quetiapina (antagonista do D2: antipsicótico). • Gi: inibe ciclase de a denilil ( AC) e ativa canais iônicos K+: o fármaco se liga ao receptor, ativa a subunidade alfa da proteína Gi e inibe a denilasecilase, reduzindo os níveis de cAMP, não ativando a PKA, o que impede a ativação dos alvos celulares. Dessa forma, possui efeito cronotrópico e inotrópico. iii. Receptores catalíticos Possuem um domínio extracelular, um domínio transmembrana helicoidal e um intracelular, o qual tem ação enzimática que irá modular ações na célula. Quando ocorre a ativação do domínio extracelular, ocorre a ativação do domínio intracelular, provocando a fosforilação de proteínas intracelulares, atuando indiretamente na regulação da transcrição gênica (síntese proteica). ⇾ Esses receptores regulam a divisão celular, o crescimento e diferenciação celular, a apoptose, a *Receptores do glutamato (principal neurotransmissor excitatório do SNC): pode chegar aos receptores AMPA (permite a entrada de C a2+, causando despolarização e permitindo a excitação neuronal), de cainato e NMDA. Fármacos como a cetamina, anestésico geral, inibe a ação do glutamato para promover a anestesia. Arísia Galdino Odontologia 2020.1Farmacologia 4 regeneração, as respostas imunológicas e metabólicas e são classificadas: *Tirosina cinase; serina/treonina cinase; receptores de KAK/START e receptor ciclase de guanilil. ⇾ Receptora tirosina cinase: é ativado principalmente por citosinas (eritropoietina, INF), fatores de crescimento e hormônios como a insulina. iv. Receptores nucleares São encontrados no citoplasma ou no núcleo, diferindo dos outros receptores que se encontram na membrana celular. São ativados principalmente por hormônios esteroides, glicocorticoides, hormônios da tireoide e da vitamina D. Para isso, os fármacos precisam ser lipofílicos para conseguirem atravessar a membrana plasmática. Também exerce efeito sobre a transcrição gênica e apresenta resposta tardia. Fármaco-receptor A estrutura química do fármaco determina a sua afinidade/especificidade seu receptor, dependendo do seu tamanho, formato e carga. *Dessa forma, modificações na estrutura do fármaco provocam mudanças nas suas propriedades farmacológicas. →Afinidade É a tendência/capacidade do fármaco em se ligar ao receptor. As sustâncias químicas que possuem afinidade por um dado receptor podem ser classificadas como: agonistas e antagonistas. →Eficácia GERAR UM EFEITO É a tendência do fármaco em alterar a conformação e ativar o receptor, uma vez ligado. Essa é uma característica dos agonistas, pois os antagonistas não conseguem induzir resposta I. Efeito máximo: agonista pleno/total II. Efeito parcial: agonista parcial III. Nenhum efeito: antagonista →Potência • Concentração em que produz 50% da resposta máxima • CE50 → Concentração de efetiva em 50 • Usa-se para escolher qual a dosagem ideal O fármaco X é mais potente que o fármaco Y Tipos de agonistas *Agonista pleno ou total: é o fármaco que se liga ao receptor e induz o efeito máximo do tecido, mesmo quando menos de 100% dos receptores estão ocupados. Até em pequenas doses podem produzir resposta máxima. Um bom exemplo é fenilefrina que é um agonista total nos adrenoceptores α 1. *Agonista parcial: tem atividade intrínseca, mas não consegue induzir a resposta máxima do tecido, sendo maior do que 0 e menor que 100%, apresentando uma resposta submáxima, até mesmo quando ocupa 100% dos receptores. Além disso, ainda pode ser chamado de antagonista parcial quando impede que um agonista total se ligue ao seu receptor, deixando de desencadear o seu efeito máximo. Como exemplo temos a buprenorfina (agonista parcial que atua no receptor μ), um opioide utilizado para tratamento da dependência de opioides, a fim de evitar a síndrome da abstinência, já que tem resposta submáxima. Outro exemplo é o aripiprazol, antipsicótico, que atua como agonista parcial nos receptores D2. *Agonista inverso: tem capacidade de se ligar ao receptor ativado constitutivamente, que é o receptor que permanece ativado mesmo na ausência de um ligante. Quando ocorre essa ligação do agonista no receptor que já está ativado, irá ocorrer a diminuição da ativação. Dessa forma, sem o ligante o receptores tá ativado e com o l ligante ele reduz o grau de ligação, com efeito farmacológico oposto ao dos agonistas, Arísia Galdino Odontologia 2020.1 Farmacologia 5 tendo atividade intrínseca menor que zero , já que inibe o receptor. Tipos de antagonistas *Antagonismo por bloqueio de receptor: ⇾ Antagonismo competitivo reversível: impede que o agonista se ligue ao seu receptor. Porém se houver aumento da concentração do agonista suficiente ocorre o deslocamento do antagonista competitivo reversível do sitio de ação. *O efeito máximo é alcançado com o aumento da dose do agonista. ⇾ Antagonista competitivo irreversível: tem maior afinidade pelo receptor, fixando-se de forma covalente ao local ativo do receptor. Por isso, reduzem o número de receptores disponíveis para o agonista. O aumento da concentração do agonista endógeno não é suficiente para deslocar o antagonista competitivo irreversível do sítio de ação. ⇾ Antagonista não competitivo: não compete pelo mesmo sítio de ligação que o agonista, pois se liga em um local alostérico diferente do local de ligação do agonista, impedindo que o receptor seja ativado. *Quanto maior for à dose do antagonista não competitivo, com mais receptores ele vai se ligar, o que reduz a disponibilidade de receptores para o agonista. Isso reduz a resposta máxima do agonista. *Antagonismo químico: substância que se liga quimicamente ao antagonista, inativando-a, o que a impede de causar seu efeito no organismo. Por exemplo, se a tetraciclina for ingerida com leite, a sua reação será reduzida, pois no intestino a tetraciclina irá reagir quimicamente com o cálcio, formando um complexo que não será absorvido. Nesse caso, o antagonista químico é o cálcio. *Antagonismo farmacocinético: é o fármaco que afeta a absorção (reduz a velocidade), metabolismo (aumenta a velocidade) ou excreção (aumenta a velocidade) de outro fármaco. Exemplo: a rifampicina, antibiótico utilizado para tratamento da tuberculose, é um indutor enzimático, ou seja, induz a produção de mais enzimas do citocromo P450, responsável pela metabolização e excreção de fármacos. Em caso de administração em conjunto com o etinil estradiol (anticoncepcional), a rifampicina será o antagonista farmacocinético do etinil estradiol, já que aumenta a produção enzimática, metabolizando mais o fármaco e reduzindo a sua absorção e concentração plasmática. *Antagonismo fisiológico: um fármaco irá antagonizar a ação fisiológica de outro fármaco (agonista endógeno). Exemplo: em caso de choque anafilático, a histamina atua no receptor e promove a broncoconstrição. O tratamento é a administração de adrenalina, que se liga a outro receptor e tem efeito fisiológico oposto, a broncodilatação. →Antagonista alostérico Ligam-se em um sítio alostérico e impedem que o agonista se ligue ao receptor Curva dose-reposta Arísia Galdino Odontologia 2020.1 Farmacologia 6 → Comparar fármacos Índice terapêutico Relação entra a dose letal 50 (dose na qual 50% da população morre), e a dose efetiva 50 (50% da população que usa esse fármaco adquiri os resultados estimados) REFERÊNCIAS: GOLAN, David E. e col. Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da farmacoterapia. Editora Guanabara Koogan, 3ª edição, 2014. WHALEN, K.; FINKEL, R.; PANAVELIL, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. GOODMAN & GILMAN: As B ases Farmacológicas da Terapêutica. 12ª ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2012.