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Diego Gomes Forte Psiquiatria 2021 AGENTES ANTIPSICÓTICOS (STAHL) Será abortado neste resumo os antipsicóticos com enfâse no uso em Esquizofrenia É baseado aqui a noção farmacológica para o uso racional dos diversos antipsicóticos Serão abortados primeiramente os antipsicóticos convencionais, e depois os atípicos. ANTIPSICÓTICOS CONVENCIONAIS Estes antipsicóticos podem ser denominados de convencionais, clássicos, típicos, neurolépticos ou antipsicóticos de primeira geração. O antagonismo dos receptores de D2 torna o antipsicótico convensional, sendo responsável por sua eficácia e seus efeitos colaterais indesejáveis como a “neurolepsia” O bloqueia a via dopaminérgica mesolímbica, na qual há a redução da hiperatividade da via, quu acredita-se que é a causa dos sintomas positivos na psicose O alto bloqueio da via dopaminérgica mesolímbica para os sintomas positivos da psicose afeta os sistemas de recompensa, contribuindo também para o agravamentos dos sintomas positivos (anedonia, apatia) e da elevada incidência de abuso de substâncias na esquizofrenia. O bloqueio ao atingir os receptores D2 da via dopaminérgia (DA) mesocortical, costuma agravar os sintomas negativos e cognitivos sendo descrita como: “Síndrome de déficit induzida por neurolépticos” Enquanto isso o bloqueio dos neurolépticos na via DA nigroestriatal a curto prazo causa efeitos colaterais conhecidos como sintomas extrapiramidais (SEP). Porém a longo prazo pode levar a um efeito colateral pior ainda: a discinesia tardia na qual ocorre movimentos faciais e da lingua, mastigação constante, protrusão da língua, caretas e movimentos dos membros rápidos, espasmódicos ou coreiformes. Quanto a discinesia tardia, é um efeito colateral associado aos antipsicóticos clássicos que aumenta sua incidência conforme o tempo de uso e pode se tornar permanente caso se mantenha o uso dos antipsicóticos convencionais concomitantemente a presença do efeito colateral de maneira crônica. Outra complicação rara mas fatal é a Síndrome neuroléptica maligna (SNM) tendo como sintomas a rigidez muscular extrema, febre alta e até mesmo a morte relacionada ao bloqueio dos receptores D2 na via nigroestriatal no uso de antipsicóticos convencionais Já o bloqueio dos receptores D2 na via DA tuberoinfundibular causa uma elevação das concentrações plasmáticas de prolactina (hiperprolactinemia). Conforme isto ocorre há a presença de sintomas tais como: a galactorreia (secreção mamária), amenorreia (períodos menstruais irregulares ou ausentes), disfunção sexual, ganho de peso, infertilidade e desmineralização dos ossos. O bloqueio dos receptores colinérgicos muscarínicos M1 causam efeitos colaterais tais como boca seca, visão turva, constipação intestinal e embotamento cognitivo. É importante apontar que as propriedades anticolinérgicas auxiliam nos efeitos indesejavéis do bloqueio de D2 no sistema nigroestriatal, explicando a estratégia comum de administrar agentes anticolinérgicos com antipsicóticos convencionais a fim de reduzir SEP (Haldol + Fenergan). Entretanto essa combinação não evita a capacidade dos neurolépticos de causar discinesia tardia, além de agentes anticolinérgicos causarem efeitos colaterais tais como: boca seca, visão turva, constipação intestinal, retenção urinária e disfunção cognitiva. Outras ações dos antipsicóticos convencionais são a ação de bloqueio dos receptores de histamina H1 (ganho de peso e sonolência) e o bloqueio dos receptores α1-adrenérgicos (hipotensão ortostática e sonolência) É possível fazer a divisão de antipsicóticos de primeira linha em “baixa potência” e “alta potência”. Nos agentes de baixa potência é necessário doses maiores a fim de atingir a janela terapêutica, além de apresentarem maiores propriedades anticolinérgicas, anti- histamínicas e antagonistas α1 sendo mais sedativos em geral. Dessa maneira a ação de bloqueio de outras vias que não sejam a dopaminérgica são diferentes para cada fármaco neuroléptico apresentando suas diferenças e aplicabilidades. Em casos em que a dose dos antipsicóticos convencionais não estejam tem o efeito esperado pode ser utilizado a utilização de estabilizadores de humor tais como o valproato de sódio, carbamazepina e lamotrigina. Também pode ser utilizado benzodiazepinicos para controle da agitação a curto prazo USO E DOSAGEM DE ANTIPSICÓTICOS DE PRIMEIRA LINHA A droga mais utilizada no sistema público destes antipsicóticos é o Haloperidol (Haldol) tendo suas grandes variedades de aplicação. O uso de Injeção para rápido alívio (IM) vai de 2 a 5mg por dose (geralmente é usada uma ampola por dose), sendo repetida a dose a cada 1 hora caso necessário, deve-se visar a alteração para uso oral assim que possível. O uso em forma oral deve ser inicialmente de 1 a 15 mg/dia ou em doses divididas no começo do tratamento durante o escalonamento de rápida dose. Pode ser dosado no máximo até 100 mg/dia. O uso de Haloperidol Decanoato é usado em pacientes com resistência ao tratamento os quais por diversos motivos não conseguem utilizar da dosagem oral regularmente, nestes casos deve ser feito de 10 a 20x a quantidade da dose oral pelo primeiro mês, dividido em 2 doses bisemanais. As injeções não podem ter volume maior que 300 (3ml), caso o paciente necessite de doses maiores tipicamente recebem doses mensais divididas em injeções bisemanais. Já a Clorpromazina tem suas dosagens variando de 200 a 800 mg/dia Para o tratamento de psicose é necessário aumentar as doses até os sintomas sejam controlados, tendo uma diminuição na sua posologia para a menor dose efetiva após o controle. Deve-se ter cuidado com o uso de dose muito baixas que podem ter maior efeito sedativo (anti-histaminérgico) do que antipsicótico. Ambas as drogas devem ser utilizadas apenas como emergência psiquiatria (exceto o decanoato de Haldol) devido a presença de drogas melhores para o controle contínuo. ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Os antipsicóticos atípicos, ou de segunda geração, podem ser categorizados principalmente por serem antagonistas da serotonina-dopamina, entretanto podem apresentar antagonismo simultâneo dos receptores de serotonina 5HT2A, agonismo parcial dos receptores 5HT1A e parciais nos receptores D2. Todos estes auxiliam, por meio de vias diferentes, na diminuição dos sintomas extrapiramidais e hiperprolactinemia mantem as ações antipsicóticas sobre os sintomas positivos. MECANISMOS DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Para entender os mecanismos dos antipsicóticos atípicos é necessário entender que existem receptores chamados 5HT2A os quais são pós-sinápticos e localizados nos neurônios piramidais corticais. Devido ao carácter inibitório indireto dos receptores 5HT2A, que liberam glutamato que posteriormente libera o GABA (-), o bloqueio destes receptores (-) causa uma liberação de dopamina (+). Para entender melhor deve ser a regra dos sinais da matemática: inibição (-) do neurotransmissor GABA (-) = Liberação de dopamina (+); Excitação (+) levando a liberação do neurotransmissor GABA (-) = Inibição da dopamina (-) Mais o que significa a liberação de dopamina? Na via corticoespinhal - redução dos SEP. Além desta também há a atuação dos neurônios dopaminérgicos nigroestriatais por meio de outros mecanismos em outras áreas cerebrais. Esta atuação deve principalmente aos neurônios serotoninérgicos encontrados na rafe do tronco encefálico que inervam neurônios dopaminérgicos no estriado e na substância negra. Portanto a situação fisiológica faz com que a estimulação (+) de receptores 5HT2A pela serotonina que vai ativar neurotransmissores GABA(-) em ambas as extremidades dos neurônios da substância negra bloqueando (-) a liberação de dopamina no estriado. No caso dos antipsicóticops átipicos esses receptores 5HT2A são bloqueados (-), diminuindo a ligação dos neurotransmissores GABAérgicos (-) causando a liberação da dopamina pelo estriado (+). Mas o que ao aumentar a dopamina não se perde os efeitos antipsicóticos? Não, pois estas moléculas de dopamina vão competir com os antagonistas de receptores D2 no estriado, assim reduzindo a ligação de 80% (causa SEP) para 60% (redução significativa de SEP) e com ações antipsicóticas comparáveis. A redução de hiperprolactinemia ocorre pelo na serotonina e dopamina. Ao bloquear os receptores D2 (-) a DA não pode mais inibir a prolactina (+), mas ao bloquear (-) os receptores 5HT2A (+) a seratonina não pode mais estimular a liberação da prolactina (-) havendo redução da prolactina pelo bloqueio de duas vias (uma excitatória e uma inibitória). Devido a essa dicotomia entre ação antipsicótica positiva e SEP foi criado um espectro de ação dos antipsicóticos atípicos. A esquerda do espectro ficam os antipsicóticos tem maior afinidade ao receptor D2 (acima de 60%) enquanto os com menor afinidade se encontram a direita (abaixo de 60%). Apesar de ser dificl criar generalidades devido a individualidade de cada fármaco os antipsicóticos pina e dona tem maior afinidade aos receptores 5HT2A sendo à esquerda da ligação com o receptor D2. Inferindo uma menor probabilidade de SEP e hiperprolactinemia nos fármacos destas classes Em contraste os antipsicóticos pip e rip, estão a direita da ligação ao receptor D2, tendo uma ligação ao receptor 5HT2A muito baixa, utilizando os receptores de 5HT1A e o agonismo parcial de D2 para atingir suas propriedades atípicas. Conforme foi descrito acima a ligação ao receptor 5HT2A é um mecanismo o qual torna um antipsicótico atípico, contudo este não é o único mecanismo que torna os antipsicóticos em atípico, em vista disso é imperativo abordar o agonismo parcial de 5HT1A. A estimulação dos receptores 5HT1A no córtex reduz (-) a liberação de glutamato (-) no tronco encefálico, assim estimulando a liberação de dopamina (+) por fim reduzindo os SEP. A presença da serotonina em um autorreceptor somatodendrítico 5HT1A, desativa os neurônios seratoninérgicos fazendo com que a serotonina não seja liberada nos receptores 5HT2A (-). Estes iriam causar inibição da liberação da dopamina no estriado, causando SEP. Um caracter interresante dos receptores 5HT1A é que a infrarregulação e dessensibilização desses autorreceptores podem explicar as ações antidepressivas dos fármacos que bloqueiam a recaptação de serotonin, temos como comprovados a quietiapina e o aripiprazol. Por último é importante mencionar os receptores 5HT2C pois estes suprimem a liberação de dopamina (mais na via mesolímbica do que na via nigroestriatal), criando (teóricamente) um antipsicótico sem SEP (vabacaserina) e que pode ter também uma ação contra a obesidade (lorcaserina). Em alguns antipsicóticos atípicos existem propriedades antagonistas de 5HT2C potentes, em particular os antipsicóticos “pina” explicando o porque do aumento metabolico ao se utilizar antipsicóticos dessa classe. Os receptores 5HT1B/D, 5HT3, 5HT6 e 5HT7 são de menor importância clínica, pois ainda não tem suas importâncias teóricas comprovadas. O último mecanismo de ação que participa dos antipsicóticos atípicos são os agonistas parciais de D2, os quais se ligam de tal maneira que não são nem agonistas demais, nem antagonistas demais tendo sua ligação de maneira intermediária. É interessante constatar que é necessária uma pequena ligação com os agonistas parciais da D2 para evitar a SEP. É imprescindivel ter a noção de que os fármacos demasiadamente a esqueda são considerados “frios” demais apresentando SEP e acatisia, em contrapartida se for demais ao lado esquerdo se torna quente demais sem SEP e acatisia, mas precipitador de sintomas positivos com náuseas e vômitos intoleráveis. O fármaco mais próximo a atingir a zona intermédia, ou seja, com melhora dos sintomas positivos, sem SEP e acatisia é o aripiprazol (sendo levemente virado a esquerda). RELAÇÃO ENTRE PROPRIEDADES DE LIGAÇÃO E AÇÕES CLÍNICAS Ações antidepressivas na depressão bipolar e unipolar: Como principais mecanismos antidepressivos temos a Inibição da recaptação de seratonina e/ou de noradrenalina encontrada na Quetiapina. E o antagonismo de alfa-2 (α2) encontrado em antidepressios comprovados como a mirtazapina, sendo encontrado em quase todos os antpsicóticos “pina” (enfâse na quetiapina e clozapina) e os antipsicóticos “dona” (em particular a risperidona) além do aripiprazol. Ações antimaníacas: São provindas dos mecanismos de antagonismo/agonismo parcial de D2, associado ao antagonismo de 5HT2A e das ações agonistas/agonistas parciais dos receptores 5TH1A tendo sua eficácia antimaníaca. Ações ansiolíticas: O uso de antipsicóticos atípicos em transtornos de ansiedade é considerado bem controverso, tendo maior enfâse no transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A sua possível ação é por meio das propriedades anti-histamínicas e sedativas anticolinérgicas, tendo ação tranquilizante para estes pacientes. A droga mais comprovada para este uso é a Quietiapina Ações sedativo-hipnóticas e sedativas: As ações sedativas podem ser explicadas pelo bloqueio de 1 ou mais de 3 receptores sendo estes os receptores colinérgicos muscarínicos M1, os receptores histaminicos H1 e os receptores α1-adrenérgicos centrais. Os receptores α1-adrenérgicos periféricos estão mais associados a hipertensão ortostática. O uso sedativo é bom ao curto prazo, tendo isso como efeito terapêutico desejado no controle de pacientes agressivos, agitados ou que necessitam de indução do sono. Já a longo prazo é um efeito colateral que pode levar ao prejuízo cognitivo. Ações anti-histamínicas potentes: A clozapina, a quetiapina, a olanzapina e a iloperidona tem ações antagonistas de H1 mais potentes do que antagonistas de D2, enquanto os outros antipsicóticos tem potência moderada. A única exceção é lurasidona que praticamente não se liga aos receptores H1. Ações anticolinérgicas potentes: Essa ligação é apenas vista nos antipsicóticos “pina” que tem alta potência para os receptores muscarínicos. Antagonismo α1-adrenérgico potente: todos os antipsicóticos atípicos apresentam uma ligação moderada aos receptores α1- adrenérgicos, sendo os mais potentes respectivamente, a clozapina, quetiapina, risperidona e iloperidona. Em vista dos mecanismos citados é possível perceber que geralmente, os antipsicóticos “pina” são mais sedativos que os antipsicóticos “dona”. Ações cardiometabólicas: Os antipsicóticos apresentam diversos espectros de risco entre os fármacos. Risco metabólico alto: Clozapina e olanzapina. Risco metabólico moderado: Risperidona, paliperidona, quetiapina, iloperidona (apenas ganho de peso). Risco metabólico baixo: Ziprasidona, aripripazol, lurasidona, iloperidona (baixo risco para dislipidemia), asepina, brexpiprazol (?), cariprazina (?). Os mecanismos da via metabólica começam pelo aumento do apetite e pelo ganho de peso tendo evolução progressiva para a obesidade, resistência à insulina e a dislipidemia, com elevação dos níveis de triglicerídeos em jejum. Por fim a hiperinsulinemia evolui para a insuficiência das células β pancreáticas, pré- diabetes, diabetes e por fim doenças cardíacas por meio da via metabólica. As principais vias responsáveis por esses efeitos colaterais são as ações anti- histamínicas, além das propriedades antagonistas de 5HT2Cvistas na clozapina, olanzapina e quetiapina (sendo visto também no antidepressivo mirtazapina) Outro problema cardiometabólico raro, porém possivelmente fatal é a ocorrência súbita de Cetoacidose diabética (CAD), ou a Síndrome hiperosmolar hiperglicêmica (SHH). Tendo em mente esses possíveis colaterais deve ser seguido três passos para o uso seguro da droga: 1. Exames físicos e laboratoriais basais tais como: monitoramento de peso e do IMC, glicemia total, glicemia em jejum, niveis de triglicerídeos e determinar se há histórico familiar de diabetes. 2. Determinar os níveis de triglicerídeos em jejum/IMC antes e depois de iniciar o antipsicótico atípico. Em pacientes obesos é importante monitorar a pressão arterial, a glicose em jejum e a circunferência da cintura antes e depois do início dos antipsicóticos (Pode ser feito o encaminhamento a um endócrinologista). 3. Em pacientes de alto risco (Hiperinsulinemia/pré-diabetes/diabetes) deve ser utilizados de parâmetros clínicos e químicos de maneira rigorosa a fim de detectar sinais iniciais de CAD/SHH. Os principais fatores da via metabólica que devem ser observados são os que não podem ser controlados (a constituição genética e a idade do paciente), os modestamente controláveis (mudança no estilo de vida, como a dieta, exercício e abandono do tabagismo) e aqueles muito controláveis, sendo estes a seleção do antipsicótico e, se necessário a mudança de um fármaco que esteja causando maior risco em determinado paciente para um fármaco de menor risco. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS INDIVIDUAIS (“PINA”) CLOZAPINA A clozapina é um antagonista dos receptores de serotonina 5HT2A- dopamina D2 ou antagonista seratonina e dopamina (ASD) sendo considerado o “protótipo” dos antipsicóticos atípicos. Este antipsicótico não causa elevação da prolactina e nem causa discinesia tardia, tendo acima de tudo uma baixa incidência de SEP. A clozapina é o único antpsicótico, sendo reconhecido como eficaz quando os outros falham, sendo então “padrão-ouro” para esquizofrenia refratária e tendo destaque no tratamento da agressão e da violência em pacientes psicóticos. Esta eficácia é tão grande que em alguns pacientes (de maneira rara) é possível experimentar um “despertar” com retorno a um nível normal de funcionamento cognitivo, interpessoal e vocacional. Não sendo restrito a apesar a melhora dos sintomas positivos da psicose. Além disso a Clozapina é o único antipsicótico que reduz o risco de suícidio na esquizofrenia, e podendo diminuir a gravidade da discinesia tardia em alguns pacientes. Os seus efeitos colaterais são: Aumento de risco de desenvolver agranulocitose (necessitando de acompanhamento com hemograma), maior risco de convulsões (em doses altas), sialorreia, constipação intestinal grave (íleo paralítico), maior risco de miocardite e maior grau de peso (devido ao risco cardiometabólico). Por isso a clozapina não é tratamento de primera linha sendo usada somente quando os outros antipsicóticos falham. Sua dosagem para efeito terapêutico tendo uma seu limiar efeito a partir de 350ng/mL A posologia deve começar com 25mg a noite, aumentando em 25-50 mg/dia a cada 48-72 horas. Doses maiores que 500mg/dia terão que serem dividas. Doses acima de 700ng/ml não costumam ser bem toleradas. Devido ao cronograma de monitoração as prescrições são feitas a cada 1 semana pelos primeiros 6 meses, assim espaçando cada vez mais nas consultas posteriores. Para ser feito o uso de Clozapina é necessário ter uma contagem absoluta de neutrófilos acima de 1500/µL e pelo menos 1000/µL para pacientes com neutropenia étinica benigna documentada. OLANZAPINA A olanzapina é um antipsicótico átipico pelo fato de não causar SEP, com baixas incidências tanto em doses moderadas quanto em doses altas. Além disso não costuma elevar os níveis de prolactina com tratamento prolongado. A olanzapina também está associada ao ganho consistente de peso, em virtude das ações anti- histamínicas e antagonistas de 5HT2C já explicadas (evitar em pacientes já propensos a descompensação metabólica – fármaco de 2a linha). Esta apresenta maior eficácia em doses altas (> 15mg/dia) sendo utilizado principalmente em pacientes institucionalizados. Obs: No Stahl não é especificado a dosagem usada na prática por não ser liberada pela FDA (as doses efetivas costumam ser maior que as estudadas) QUETIAPINA A quetiapina tem ações farmacológicas diferentes para doses diferentes e formulações orais diferentes. Isso se deve a quetiapina e seu metabólito ativa a norquetiapina que apresenta propriedades únicas tais como a inibição do transportador de noradrenalina (NAT) mas também o antagonismo de 5HT7, 5HT2C e α2 e ações agonistas parciais de 5HT1A. A metáfora usada para explicar a quetiapina seriam os três ursos da cachinhos dourados: A quetiapina como antipsicótico é o Papai Urso de 800mg, na formulação de liberação prolongada (LP), nesta os receptores D2 estão ocupados efetivamente até a próxima dose, depois de 24h, tendo efeito antipsicótico sem apresentar os efeitos de sedação. Como antipsicótico vária de 400-800mg/dia em 1 ou 2 doses. Já a formulação como antidepressivo é a Mamãe Ursa de 300mg, preferencialmente na formulação LP, tem a produção da norquetiapina e bloqueio da recaptação de noradrenalina e antagonista de 5HT2C, portanto aumentando a liberação de dopamina e noradrenalina produzindo os efeitos antidepressivos. Devido a esse mecanismo ela é aprovada para uso em depressão bipolar ou como agente potencializador dos ISRS/IRSN. Por fim como sedativo-hipnótico é o Bebê Urso de 50mg, idealmente na formulação liberação imediata (LI), afim de utilizar de sua propensão a esquerda da faixa tendo caracteríscas anti-histamínicas H1 que resultam em um rápido início do sono. A quetiapina é bem atípica, pois não provoca nenhum SEP, nem elevação da prolactina independente da dose. Por este motivo ela é o antipsicótico atípico preferido para pacientes com doença de Parkinson que necessitem tratamento para psicose. A quetiapina pode causar ganho de peso tanto por suas ações antagonistas de 5TH2C quanto pelo seu metabólito ativo (norquetiapina). A dosagem inicial para esquizofrenia é 25 mg/dia 2x ao dia, aumentando de 25-50mg 2x ao dia até a dose desejada. (Teoricamente) Na pratica se inicia com 2 doses diárias totalizando 100mg/dia no primeiro dia (dia 1), aumentando para 400mg/dia no quarto dia (dia 4) com incrementos de 100mg/dia, ao dia 6 deve ter incrementos de no máximo 200 mg/dia. (Prática) Para esquizofrenia pode-se usar a QuetiapinaXR começando com 300mg/dia, podendo aumentar 300mg/dia até a dose máxima de 800 mg/dia. Em pacientes idosos pode ser usado doses menores tais como 25-100 mg/dia 2x ao dia, devido a baixa excreção. ASENAPINA É um fármaco distinto que tem estrutura clínica relacionada ao antidepressivo mirtazapina, assim explicando sua ação antidepressiva. A asenapina é distinta devido a sua pouco biodisponibilidade que faz com que sua formulação seja sublingual e administrada 2x ao dia levando em conta possivel perda de dose durante a administração. Devido a esse uso sublingual pode ser usada como antipsicótico oral de ação rápida. A asepina pode ser sedativa principalmente na primeira dose, porém ela não tem propensão a produzir SEP nem ganho de peso/dislipidemia causando uma vantagem em pacientes com descompensações cardiometabólicas. Sua dose é sublingual e vai de 10mg/dia em 2 doses a 20mg/dia em 2 doses por dia. Além disso não pode ser ingerido nenhum alimento ou bebida 10 minutos após o uso do fármaco. Seu uso em pacientes com depressão resistente ao tratamento ou depressão bipolar ainda estão sendo estudos. O fármaco Zotepina não será mencionado devido a sua menor importância e uso na prática clínica. ANTIPSICÓTICOS “DONA” - RISPERIDONA Os antipsicóticos “dona” apresentam propriedades atípicas, principalmente em doses baixas. Enquanto em doses altas de certa forma “convencionais” podendo ocorrer SEP. Ademais é visto elevados níveis de prolactina até mesmo em doses baixas, apresentando risco moderado de ganho de peso (particularmente em criança) e dislipidemia. A Risperidona pode ser utilizada para esquizofrenia, na mania bipolar em doses moderadas e uso off-label (sem indicação na bula) da agitação e psicose associadas à demência (em baixas doses). Além disso é muito usada em doses baixas e moderadas em crianças e adolecentes com: irritabilidade associada ao transtorno autístico (agressão a outras pessoas, autolesão proposital, ataques de coléra e rápida mudança de humor), trastorno bipolar e esquizofrenia todos em em crianças e adolecentes. A risperidona apresenta formulação injetável de depósito de ação longa, comprimido de desintegração oral e formulação líquida. A dose de 2-8 mg/dia oral é usada para psicoses aguda e transtorno afetivo bipolar (TAB). Seu efeito máximo em 4-8 mg/dia oral. A dose de 0,5-2.0 mg/dia oral para crianças e idosos. Por fim a posologia de 12,5-50 mg em formulação intramuscular de depósito a cada 2 semanas. Em adultos com psicose não emergente, a dose inicial é 1mg/dia oral dividida em 2 doses (na prática começa-se é 3mg/dia). Tem que aumentar 1 mg/dia oral até a dosagem desejada, tendo como máximo 16 mg/dia oral Diminuindo a dose em alguns paciente com eficácia estável para reduzir efeitos colaterais sem perda de eficácia, particularmente em doses maiores que 6 mg/dia oral. Devido ao metabolismo pela CYP450, costuma competir por fármacos que usam desses receptores para seu metabolismo. ANTIPSICÓTICOS “DONA” - PALIPERIDONA É o antipsicótico ativo com antagonismo do receptor de serotonina 5HT2A e do receptor de dopamina D2. A paliperidona é o metabólito ativo da risperidona não sofrendo metabolismo hepático tendo uma eliminação por excreção urinária. Outra importante diferença farmacocinética é que o paliperidona se encontra na forma oral de liberação prolongada sendo necessária somente a dose 1x ao dia, enquanto a risperidona exige 2 doses ao dia para evitar sedação e a hipotensão ortostática (principamente em idosos e crianças). Apesar da menor propensão de sedação e hipotensão ortostática ainda é visto um aumento de peso, resistência à insulina e diabetes e elevação da prolactina iguais aos da risperidona. Apesar de ser um metabólito ativo a paliperidona deve ser titulada diferentemente do rispedona, tem que se iniciar com 6 mg (em vez dos 3 das risperidona). Apresentando um aumento de até 3 mg na segunda consulta e até 12 mg na terceira semana com ótima eficácia. É visto como uma futura boa opção como antipsicótico de depósito para administração prolongada, a cada 4 semanas por causa da falta da sedação intensa. ANTIPSICÓTICOS “DONA” - ZIPRASIDONA A Ziprasidona apresenta algumas particularidades importantes de se mencionar, entre elas a pouca propensão de ganho de peso, com pouca associação à dislipidemia, elevação dos triglicerídios em jejum ou resistência à insulina tendo menor risco cardiometabólico. Além do mais a Ziprasidona é administrada 2x ao dia e com alimentos, não provocando o prolongamento de QTc dose-depedente (sendo anormal para a classe dos antipsicóticos), portanto não se recomenda a realização rotineira de ECG tendo apenas cautela em pacientes que apresentem problemas cardíacos. Por último tem visto que existem propriedades farmacológicas que apresentam ações antidepressivas, apesar de ainda não terem sido comprovadas em ensaios clínicos de grande porte. Sua posologia para esquizofrenia é de 40 a 200 mg/dia oral (em doses divididas). Tendo como dose inicial de 20mg ou 40mg ou 60mg 2x ao dia (a fim de evitar efeitos colaterais) tendo um máximo de 100 mg 2x ao dia durante as refeições. Já no TAB suas doses são de 80 a 160 mg/dia oral (em doses divididas) Tendo como dose inicial de 40 mg 2x ao dia (dia 1), 60 ou 80 mg 2x ao dia (dia 2) De maneira intramuscular recomenda-se 10 a 20 mg/mL podendo administrar 10mg de 2 em 2 horas chegando a dose máxima de 40mg intramuscular por dia. ANTIPSICÓTICOS “DONA” - ILOPERIDONA A Iloperidona tem como suas propriedades clínicas mais distintas seu nível muito baixo de SEP, baixo nível de dislipidemia, nível moderado de ganho de peso e prolongamento do intervalo QTc dose- dependente. Tem possivel efeito antidepressivo e melhora nos pesadelos (TEPT) porém estes ainda não foram estudados. ANTIPSICÓTICOS “DONA” - LURASIDONA Este fármaco apresenta alta afinidade com ambos os receptores 5HT7 e 5TH2A, bem como afinidade moderada pelos receptores 5HT1A e α2, com mínima afinidade pelos receptores de histamina H1 e colinérgicos M1. Mas o que isso significa? Significa que o paciente apresenta pouca ou nenhuma sedação (principalmente quando administrado a noite), com pouco ou nenhum ganho de peso ou dislipidemia e sem prolongamento de QTc. Pode-se apresentar SEP moderados com a lurasidona diminuindo se dosado a noite, porém tem que ser absorvido com 500g de comida como a ziprasidona. Também devido a ligação com receptores 5HT7, 5HT1A e α2 é conferido uma ação antidepressiva na depressão bipolar com eficácia estudada, além de ter possível uso na depressão unipolar e resistente ao tratamento. Sua posologia para o uso na esquizofrenia é de 40-80mg, sendo usado em estudos até 160 mg/dia. Sua dosagem inicial é de 40-80 mg/dia com comida. A titulação da dose inicial de até 40 mg/dia não é necessária para esquizofrenia. É considerado o acrécimo de doses de 40mg/dia até 160 mg/dia na esquizofrenia, caso necessário. A dosagem na depressão bipolar vai de 20 a 60 mg/dia, tendo como dose inicial de 20mg 1x ao dia com alimentos (preferencialmente a noite pelo menores efeitos colaterais). A titulação na depressão bipolar vai até 120 mg/dia, caso necessário ANTIPSICÓTICOS “PIP” - ARIPIPRAZOL Este é um agente agonista parcial de D2 (APD), conforme visto neste resumo isso confere uma redução de SEP e de hiperprolactinemia. O aripiprazol mostra-se efetiva no tratamento da esquizofrenia e da mania sendo aprovado em crianças e adolecentes tais como: Aqueles com esquizofrenia (a partir dos 13 anos), mania aguda/mania mista (a partir dos 10 anos) e irritabilidade relacionada ao autismo (em crianças de 6 a 17 anos). Devido a falta de antagonismos dos receptores colinérgicos e muscarínicos M1 e de histamina H1 não é sedativo, tem pouca propensão ao ganho de peso (tendo as vezes o ganho de peso sem dislipidemia), baixa associação a elevação dos triglicerídios em jejum ou resistência à insulina. Assim como a Ziprasidona e a Lurasidona o uso do Aripiprazol pode causar perda de peso e redução dos níveis de triglicerídios em jejum. Além disso o aripiprazol foi aprovado como antidepressivo para potencializar os ISRS/ISRN no tratamento do transtorno depressivo maior resistente ao tratamento, sendo usado também na depressão bipolar. Devido ao agonismo levemente excessivo doses baixas tem mais efeitos antipsicóticos que doses altas. Porém em baixas doses acredita-se que ele seja “frio demais” sendo muito antagonista e causando acatisia em alguns pacientes, precisando assim associar um agente anticolinérgicoou um benzodiazepínico. Suas formulações são intramuscular para uso a curto prazo, comprimidos de desintegração oral e formulação líquida. Para o uso de esquizofrenia e mania deve ser usado 15-30 mg/dia, a dose inicial recomendade é de 10-15 mg/dia, tendo seu máximo de 30 mg/dia. Como potencializador ISRS/ISRN na depressão é usado 2-10 mg/dia, sua dose inicial é de 2-5 mg/dia podendo aumentar por 5 mg/dia em intervalos de 1 semana. Dose máxima de 15 mg/dia. Além disso tem seu uso para autismo por 5-15 mg/dia, com uma dose inicial de 2 mg/dia com intervalos de no mínimo uma semana para aumentar 5 mg/dia. Dose máxima de 15 mg/dia. E por último o uso em síndrome de Tourette usando 5-20 mg/dia, sua dose inicial é de 2 mg/dia, depois de 2 dias pode aumentar 5 mg/dia tendo o aumento de 10 mg/dia após 1 semana adicional. ANTIPSICÓTICOS “PIP” - BREXPIPRAZOL O brexpiprazol é um mais antagonista de D2 do que o aripiprazol, colocando-o à esqueda da faixa de antagonistas totais, além disso apresenta antagonismo de 5HT2A, agonismo parcial de 5HT1A e antagonismo de α1 mais potente que o aripiprazol. Teoricamente isso deve resultar em menor incidência de SEP e ocorrência rara de acatisia. Entretanto este fármaco ainda esta em estudo. ANTIPSICÓTICO “RIP” - CARIPRAZINA A cariprazina é outro agonista parcial dos receptores de dopamina D2 em estudo para a esquizofrenia, a mania bipolar aguda, a depressão bipolar e a depressão resiste ao tratamento. A cariprazina apesar de não muito bem testada é preferida em doses mais altas para a mania e a esquizofrenia, tendo como enfoque suas ações antagonistas. Já em doses mais baixas é utilizada para a depressão, o que ressalta suas ações agonistas e, potencialmente, suas propriedades singulares de preferência pelos receptores D3 (apesar de ainda não forem comprovadas). OUTROS ANTIPSICÓTICOS Outros antipsicótico são a Sulpirida, Amissulprida, Serindol e Perospirona Entretanto estes são poucos comuns e usados normalmente na Europa, tendo como única exceção a Perosírona (usada no Japão). ANTIPSICÓTICOS NA PRÁTICA CLÍNICA Na prática os pacientes se apresentam frequente mais complicados, sem que preencham totalmente os critérios diagnósticos, tenham mais comorbidades ou que não tenham a mesma respota com as doses estudadas (algumas excessivamente alta e outras baixas). Para se encontrar uma melhora na esquizofrenia é necessário um apoio familiar e psicoterapia a fim de manter os delírios sob controle Na psicoterapia um ramo promisso é a remediação cognitiva que tenta melhorar a neurocognição em áreas como atenção, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, planejamento e capacidade executiva levando a melhora do funcionamento social do indíviduo. Por fim é importante frizar a importância dos programas de tratamento da comunidade pois estes visam a reabilitação vocacional e aumento da autoestima do paciente, mesmo sendo raro o emprego em pacientes com sintomas graves. Em alguns casos pode ser encontrada a psicose resistente ao tratamento apresentando: delírios, alucinações, transtornos cognitivos (principalmente positivos) e não respondendo a doses padrão de antipsicóticos convencionais ou atípicos. Nestes casos é sugerido o uso da clozapina, entretanto há situações onde a clozapina não funciona ou não pode ser prescrita ou o paciente se recusa a tomá-la. Em casos onde a clozapina não funciona há três medidas a serem feitas quanto ao tratamento desse paciente 1. Os pacientes devem ser estudados na procura de um transtorno afetivo, o qual se encontrado deve ser tratado com a potencialização com um estabilizador de humor (divalproex ou lamotrigina ou lítio) ou até um antidepressivo. 2. Deve se usar do conceito “tempo como remédio” tratando o paciente por muitas semanas a fim de ver um resultado, caso o paciente possa aguardar os efeitos clínicos. 3. Em paciente resistentes os quais não respondem as outras medidas pode ser feito o aumento da dose acima do padrão tolerado ou o uso de dois antipsicóticos de maneira adjunta, pois o risco-benefício (produção de SEP x sintomas psicóticos positivos) é justificavél principalmente se o paciente se encontrar impulsivo e agressivo. Obs: Tanto o uso de um antipsicótico em altas doses quanto o uso de 2 antipsicóticos de maneira adjunta podem causar aumento dos efeitos colaterais devendo ser usados apenas como último caso e em pacientes bem selecionados. A ARTE DE MUDAR DE ANTIPSICÓTICO Como já foi descrito anteriormente pode ser usado 2 antipsicóticos ao mesmo tempo como terapia, entretanto o uso de 2 antipsicóticos de maneira adjunta pode ser feito devido a transição de 1 classe de antipsicóticos para outra. Essa mudança é bem critériosa para estimular a melhora clínica e evitar efeitos colaterais como agitação, ativação, insônia, psicose de rebote e efeitos de abstinência (efeitos anticolinérgicos). Portanto o deve ser feito administração concomitante de 2 antipsicóticos por alguem tempo, com início em doses baixas com aumento da dose de um deles e diminuição da dose do outro para que a transição seja favorável ao paciente. Na mudança de dois agentes com farmacologia semelhante tais como “pina” com “pina” ou “dona” com “dona” pode ser feito dentro de 1 semana com aumento da dose do antipsicótico que vai permanecer em uso e redução do antipsicótico que vai entrar em “desuso” pelo paciente. Quando ocorre a mudança de um antipsicótico “pina” para um “dona” é importante interromper o AP “pina” ao longo de pelo menos 2 semanas para evitar rebote anticolinérgico. Agora a clozapina apresenta um tempo especifico, sendo interrompido no decorrer de 4 semanas ou mais. Já nos antipsicóticos “dona” para um “pina” ocorrem no decorrer de 2 semanas para que o paciente tolere melhor os efeitos sedativos da maioria dos AP “pina”. Quando é feita a transição de antipsicótico “pina” para aripiprazol é necessário começar por dose média, em vez de baixa, aumentando rapidamente sua dose no período de 3 a 7 dias, enquanto é feito o “desmame” do AP “pina” durante 2 semanas. Isso ocorre pelo maior tropismo dos agonistas parciais de D2 que provoca a “retirada” do primeiro fármaco. Na mudança do antipsicótico “dona” para o aripiprazol pode ser feito a mesma titulação (3 a 7 dias) para o aripiprazol com a retirada da “dona” em 1 semana devido a menor associação aos efeitos anticolinérgico e anti- histaminícos. Já a mudança do aripiprazol para um AP “pina”, deve-se considerar a interrupção imediata do aripiprazol e início de antipsicótico “pina” em dose média sendo aumentada no decorrer de 2 semanas. No caso do aripiprazol para o AP “dona” é retirado imediatamente o “pip” e iniciado o “dona” em dose média no decorrer de 1 semana. TRATAMENTOS FUTUROS PARA A ESQUIZOFRENIA Apesar de muito importantes em conferir uma perspectiva contra os futuros tramentos farmacológicos utilizados contra a esquizofrenia, irei me contentar em apenas citar estes tratamentos. Estes são as AMPAquinas, Antagonistas de mGluR pré-sinápticos/agonistas pós- sinápticos, Agonistas da glicina e Inibidores de GlyT1. Também é discutido a importância do tratamento pré-sintomático ou prodrômico, porém estes ainda não estão bem estudados tendo seus resultados ainda inconclusivos.