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1 NUTRIÇÃO NA ADOLESCÊNCIA A adolescência é marcada por intensas modificações físicas, psíquicas, comportamentais e sociais. Após o nascimento, é o único momento em que o ser humano apresenta aceleração na velocidade de crescimento estatural e no ganho de peso, nos demais casos, mesmo com crescimento intenso, há desaceleração dessa velocidade. Compreende o período dos 10 aos 19 anos de idade. A lei Brasileira, segundo Estatuto da Criança e do Adolescente, considera adolescente o indivíduo de 12 a 18 anos de idade (WEFFORT & LAMOUNIER, 2009). É dito pré-púbere na faixa de idade de 10 a 14 anos, púbere de 14 a 16 anos e pós-púbere dos 16 aos 20 anos (WEFFORT & LAMOUNIER, 2009). OMS adolescência – intervalo entre os 10 aos 19 anos. Comparando-se os sexos, as meninas iniciam o desenvolvimento púbere dois anos antes dos meninos. A fase de pico de crescimento é dependente da fase de maturação sexual. Entre as alterações biológicas, destaca-se o estirão de crescimento, maturação sexual e modificações na composição corporal. Os adolescentes ganham cerca de 20% da altura e 50% do peso corpóreo e massa óssea de um indivíduo, no início de sua vida adulta. Durante a puberdade, o crescimento estatural médio anual dos meninos é de 9 a 10 cm e o ganho ponderal é de 8kg. O crescimento estatural médio anual das meninas é de 8cm/ano e o ganho ponderal é de 6 a 8kg. ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS (KRAUSE, 2013) O desenvolvimento cognitivo e emocional do adolescente pode ser dividido em adolescência inicial, intermediária e final. Adolescência inicial O adolescente possui as seguintes características: - preocupação com o corpo e a imagem corporal; - confia e respeita os adultos; - é ansioso quanto às suas relações com os colegas; - é ambivalente quanto a sua autonomia. Adolescência intermediária Um adolescente na fase intermediária caracteriza-se por: - é muito influenciado por seu grupo de colegas; - desconfia dos adultos; - vê a independência como algo muito importante; - experimenta um desenvolvimento cognitivo significante. Adolescência final O adolescente possui as seguintes características: - estabeleceu uma imagem corporal; - está orientado em direção ao futuro e está fazendo plano; - está cada vez mais independente; - é mais consistente em seus valores e crenças; - está desenvolvendo intimidade e relações permanentes. AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO SEXUAL Os estágios de maturação sexual serão verificados através da aplicação das tábuas de maturação de Tanner. NUTRIÇÃO NOS CICLOS DA VIDA ADOLESCÊNCIA, ADULTO E GERIATRIA Prof. José Aroldo Filho goncalvesfilho@nutmed.com.br 2 3 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO - ESTIMATIVA DA ESTATURA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM LIMITAÇÕES FÍSICAS Existe a estimativa de altura de crianças e adolescentes com limitações físicas uso das medidas de membros superiores (CSB), do membro inferior a partir do joelho (CJ) e do comprimento tibial (CT). Tabela 1: Estimativa de altura em crianças e adolescentes com limitações físicas segundo WEFFORT & LAMOUNIER (2009) MEDIDA DO SEGMENTO ESTATURA ESTIMADA (cm) DP (cm) CSB E = (4,35 X CSB) + 21,8 +1,7 CT E = (3,26 X CT) + 30,8 +1,4 CJ E = (2,69 X CJ) + 24,2 +1,1 ÍNDICE DE MASSA CORPORAL PARA A IDADE (IMC/I) Para avaliar o estado nutricional do adolescente, a OMS preconiza o uso do IMC, o qual deve ser avaliado de acordo com a idade e sexo (o IMC aumenta com o passar da idade). Os pontos de corte foram definidos por meio de estudo de validação, considerando a morbimortalidade por doenças associadas ao baixo peso e ao sobrepeso. Segundo CHEMIN & MURA, é um indicador para triagem e não para diagnóstico de alterações nutricionais. No caso de adolescentes, a justificativa para preconização do IMC/I baseia-se em: - inadequação do uso do P/I, isolado na avaliação de adolescentes (a fase de intenso crescimento necessita de avaliação de altura); - possibilidade do ajuste do IMC pela idade (levando em consideração as modificações ao longo do tempo); - utilização do mesmo critério de avaliação desde os dois anos de idade até a fase adulta/idosa; - estudos mostram que crianças e adolescentes com alto IMC/I tendem a manter essa condição na vida adulta. Desvantagem: não diferencia os componentes do peso corporal. Pontos de corte para classificação do estado nutricional pelo IMC/IDADE(OMS 2007 – CHEMIN & MURA 2011 / VITOLO 2014): Magreza acentuada <p0,1 (VITOLO, 2014) Baixo peso / Magreza <p3; Normalidade p3 |– p85 ; Sobrepeso p85 |- p97 Obesidade ≥p97. Obs.: Vitolo (2014) considera Risco de sobrepeso p85 |- p97; Sobrepeso p97 |- p99,9 e Obesidade >p99,9. - CLASSIFICAÇÃO OMS/NCHS 2000 para o IMC segundo WEFFORT & LAMOUNIER (2009): Percentil OMS (1977) NCHS (2000) <p5 Risco de desnutrição Baixo peso p 5 |- 85 Eutrofia Eutrofia >p85 (OMS) ≥p85 (NCHS) Risco de Sobrepeso Sobrepeso >p95 (OMS) ≥p95 (NCHS) Risco de Obesidade Obesidade ESTATURA PARA A IDADE - PERÍMETRO TORÁCICO: na adolescência a fita passa no apêndice xifoide (WEFFORT & LAMOUNIER, 2009). - SEGMENTOS CORPORAIS: as proporções entre segmento superior e inferior alteram–se com a idade. Essa relação tem valor para exame físico. O segmento inferior (SI) é definido pela distância entre o solo e a borda superior da sínfise púbica, estando o indivíduo de pé, descalço, com os barcos pendentes ao lado e os pés ligeiramente afastados. O segmento superior (SS) é definido no ponto da sínfise púbica até o ápice da cabeça. Para indivíduos com idade superior a 10 anos, a relação SS/SI deve ser menor que 1,0 WEFFORT & LAMOUNIER (2009). - AVALIAÇÂO LABORATORIAL segundo WEFFORT & LAMOUNIER (2009): Indicador Valor normal Albumina ≥3,5 g/dL Transferrina 170 a 250 mg/dL Fibronectina 30 a 40 mg/dL Contagem de linfócitos circulantes Aceitável: >1200cels/mm3 Moderadamente reduzidos: 800 a 1200cels/mm3 Reduzidos: <800cels/mm3 Glicemia de jejum 70 a 100 mg/dL Folato sérico >6ng/mL Tempo de protrombina 11 a 15 segundos Alfatocoferol ≥0,7 mg/dL Ácido ascórbico ≥30 mg/dL Retinol ≥30mg/dL Glutation redutase <20% Vitamina B12 ≥200pg/mL Fósforo 5 a 8mg/dL Zinco 60 a 120 mcg/dL Colesterol total Desejável: <150mg/dl Limítrofe: 150 a 169mg/dl Aumentando: >170mg/dl LDL colesterol Desejável: <100mg/dl Limítrofe: 100 a 129mg/dl Aumentando: >130mg/dl HDL colesterol ≥45mg/dL Triglicerídeos Desejável: <100mg/dl Limítrofe: 100 a 129mg/dl Aumentando: >130mg/dl Gravidade Dosagem de albumina sérica (g/dL) Depleção leve 3,5 a 2,8 Depleção moderada 2,7 a 2,1 Depleção grave Inferior a 2,1 NECESSIDADES E RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS Energia Para estimativa das necessidades de energia (EER ou VCT) deve-se levar em consideração o gasto energético total e a energia de deposição. A OMS (2007), na CHEMIN & MURA (2011) <p3 ou <- 2EscZ.= Baixa estatura para idade. A normalidade é dada àqueles com E/I >p3. 4 Idade Necessidades de energia – sexo masculino Sedentário Pouco ativo Ativo Muito ativo 10 1601 1875 2149 2486 11 1691 1985 2279 2640 12 1789 2113 2428 2817 13 1935 2276 2618 3038 14 2090 2459 2829 3283 15 2223 2618 3013 3499 16 2320 1736 3152 3663 17 2366 1796 3226 3754 18 2383 2823 3263 3804 Tab. 2: Necessidades de Energia segundo sexo – meninos (KRAUSE). Idade Necessidades de energia – sexo feminino Sedentário Pouco ativo Ativo Muito ativo 10 1470 1729 1972 2376 11 1538 1813 2071 2500 12 1798 2113 2428 2817 13 1617 1909 2183 3640 14 1718 2036 2334 3831 15 1731 2057 2362 2870 16 1729 2059 2368 2883 17 1710 2042 2353 2871 18 1690 2024 2336 2858 Tab. 2 (CONTINUAÇÃO): Necessidades de Energia segundo sexo – meninas (KRAUSE). Estima-se que 9% da ingestão calórica total em adolescentes do sexo masculino e 8% do consumo de adolescentes do sexo feminino, sejam atribuídosao consumo de refrigerantes. WEFFORT & LAMOUNIER (2009) O cálculo energético pode ser realizado das seguintes formas: 1)De acordo com as recomendações da RDA (1989) por centímetro de altura real, onde: Faixa etária (anos) Meninas Meninos 11 - 14 14kcal/cm 16 kcal/cm 15 – 18 13,5 kcal/cm 17kcal/cm 2) Ou segundo a FAO/OMS: onde a Taxa de Metabolismo Basal seria dada por: Faixa etária (anos) Meninas Meninos 10 – 18 12,2 x P + 746 17,5 x P + 651 Após o cálculo da TMB, deve-se multiplicar o fator atividade: Atividade Meninas (g/dia) Meninos (g/dia) Escola e atividade leve 1,5 1,6 Atividade moderada 2,2 2,5 Atividade intensa 6 6 3) Pode-se ainda utilizar o gasto energético com base no centímetro de altura real (VITOLO, 2014): Faixa etária (anos) Meninos Meninas 1 14,1 13,6 2 a 3 15,0 13,5 4 a 6 15,2 13,8 7 a 10 16,7 14,1 11 a 14 16,8 13,0 15 a 16 15,9 11,8 Considerar ainda se o adolescente é sobrepeso ou não, seguem as tabelas do CHEMIN & MURA: Tabela 3: Cálculo da estimativa das necessidades de energia para adolescentes (CHEMIN & MURA 2011 / VITOLO 2014). O IOM preconiza que, para adolescentes com risco de sobrepeso ou sobrepeso (IMC/I ≥p85 e 95, respectivamente), não se deve incluir a energia de deposição no cálculo da EER. A não inclusão da energia de deposição leva em consideração que haveria a utilização do tecido adiposo excedente para promover o crescimento. Contudo, essa recomendação deve ser avaliada individualmente, considerando o período de crescimento, maturação sexual, histórico familiar e estilo de vida de cada adolescente. Tabela 3 (continuação): Cálculo da estimativa das necessidades de energia para adolescentes com sobrepeso (CHEMIN & MURA). 5 Carboidratos: Recomenda-se cerca de 130g/dia. Proteínas (VITOLO, 2014) Idade EAR (g/kg/d) RDA (g/kg/d) 9 – 13 0,76 0,95 ou 34g/d 14 – 18 Meninos Meninas 0,73 0,71 0,85 ou 52g/d 0,85 ou 46g/d WEFFORT & LAMOUNIER (2009) a recomendação proteica seria: Idade RDA (g/kg/d) 11 – 14 1,0 g/kg 15 – 18 Meninos Meninas 0,90 g/kg 0,80 g/kg Corresponderia de 12 a 14% do VCT. Fibras A ingestão adequada (AI) de fibras possui variação com a faixa etária e sexo. Vitolo (2014), idade +5 até os 15 anos. Após, a mesma recomendação de adultos: 20 a 30g diários. Segundo CHEMIN & MURA, estabeleceu-se uma AI de 14g/1000kcal. Tabela 7: Recomendação de fibras para adolescentes (CHEMIN & MURA). Faixa etária (anos) Meninas (g/dia) Meninos (g/dia) 9 – 13 26 31 14 – 18 26 38 19 – 50 25 38 CHO - Recomenda-se cerca de 130g/dia. Lipídios - Recomenda-se cerca de 30 – 35% do VET, com não mais de 10% das calorias de ácidos graxos saturados. Idade W3 W6 9 – 13 Meninos Meninas 1,2 1,0 12 10 14 – 18 Meninos Meninas 1,6 1,1 16 11 WEFFORT & LAMOUNIER (2009) A faixa de distribuição aceitável de energia proveniente dos macronutrientes segundo as DRIs (2002) seria: - CHO de 45 a 65%; - PTN de 10 a 30%; - LIP de 25 a 35%. Minerais e vitaminas A EAR deve ser utilizada na avaliação dietética de adolescentes, bem como no cálculo de dietas para grupos de adolescentes. Nesse último caso, é preciso conhecer o desvio-padrão de ingestão no grupo. O limite superior tolerável (UL) não é uma recomendação, pois níveis de ingestão superiores causam efeitos deletérios à saúde. No entanto, é um guia importante para limitar o apetite de adolescentes, especialmente aqueles que, em culto ao melhor desempenho físico, fazem uso indiscriminado de suplementos nutricionais. ESPECIFICIDADES DOS MICRONUTRIENTES ( KRAUSE) 1. Ferro Todos os adolescentes têm alta necessidade de ferro, decorrente da síntese muscular, aumento de volume sangüíneo nos meninos e menarca nas meninas. Anemia fisiológica do crescimento reservas adequadas de ferro, mas, em vista do rápido crescimento e aumento de massa magra, tem-se diminuição do ferro circulante. Faixa etária (anos) Meninos (mg) Meninas (mg) 9 – 13 8 8 14 – 18 11 15 19 – 50 8 18 2. Cálcio recomenda-se 1300mg diários para ambos os sexos. KRAUSE Em função dos desenvolvimentos muscular, esquelético e endócrino acelerados, as necessidades de cálcio são maiores durante a puberdade e adolescência, que na infância ou fase adulta. A DRI de cálcio para adolescentes é de 1300mg, o que está entre os valores recomendados pelo NIH para ingestão de cálcio ótima (1200 – 1500mg) para adolescentes de 11 a 24 anos. Entretanto, segundo as pesquisas NHANES II e III, observou-se diminuição do consumo de cálcio e consumo inadequado frente às recomendações, o que pode ser decorrente do alto consumo de refrigerante e diminuição do consumo de leite. IOM maiores níveis de ingestão para indivíduos de 9 a 18 anos que adultos, uma vez que, em meninas, há construção de 92% da massa óssea ao redor dos 18 anos de idade. 3. Zinco (KRAUSE) O zinco é essencial para o crescimento e maturação sexual. A retenção de zinco aumenta significativamente durante o estirão de crescimento. A ingestão limitada de zinco pode afetar o crescimento físico, assim como o desenvolvimento de características sexuais secundárias. Faixa etária (anos) Meninos (mg) Meninas (mg) 9 – 13 8 8 14 – 18 11 9 19 – 50 11 8 6 4. Folato RDA de 300mcg para adolescentes de 9 a 13 anos e de 400mcg quando têm 14 a 18 anos. 5. Vitamina A grande importância devido à aceleração do crescimento e por contribuir para a manutenção da integridade do sistema imunológico. Recomenda-se 600mcg para ambos os sexos dos 09 aos 13 anos, de 900mcg para o sexo masculino de 14 a 18 anos e 700mcg para o sexo feminino na mesma faixa etária (WEFFORT & LAMOUNIER, 2009). 6. Vitamina C participa da síntese de colágeno, na cicatrização, formação de dentes e integridade capilar. Recomenda-se 45mg diários para aqueles com idade de 9 a 13 anos. Meninos de 14 a 18 anos necessitam de 75mg/dia e meninas na mesma faixa etária cerca de 65mg diários (WEFFORT & LAMOUNIER, 2009). 7. Vitamina D pela sua atuação na síntese de massa óssea e homeostase de cálcio, recomenda-se 7mcg/dia para ambos os sexos, independente da faixa de idade (WEFFORT & LAMOUNIER, 2009). NUTRIÇÃO NA IDADE ADULTA AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA A primeira etapa do atendimento nutricional de um adulto consiste na avaliação do estado nutricional. A prescrição da dieta deve atender ao objetivo dietoterápico, caso exista alguma enfermidade associada, considerando ainda o uso de medicamentos e suplementos. Para avaliação nutricional de adultos, são utilizados como parâmetros essenciais o peso e a altura, os perímetros da cintura e do quadril e as dobras cutâneas do tríceps, bicipital, subescapular e supra ilíaca. PESO O peso corporal é constituído por massa óssea, tecido adiposo, tecido muscular e água. Variações no curto espaço de tempo estão mais relacionadas a perda ou retenção hídrica do que modificações no tecido adiposo ou muscular. O peso sofre variação normal de 1,0 a 1,5kg entre o período da manhã e o período da noite, sem significar que é aumento de gordura. CIRCUNFERÊNCIA DE CINTURA (CC) Tem como objetivo avaliar a adiposidade abdominal em função de sua associação com doenças crônicas. A OMS recomendou o uso do ponto médio entre o último rebordo costal e a crista ilíaca. O perímetro de cintura é o melhor indicador da gordura visceral, mais relacionado às doenças cardiovasculares ateroscleróticas. A RCQ está mais relacionada à resistência à insulina. Tabela 8: Pontos de corte de perímetro de cintura segundo sexo. Sexo Perímetro de cintura (cm) Risco Aumentado de DCV Risco Muito aumentado de DCV ♂ ≥94 ≥102 ♀ ≥80 ≥88 INDICADORES E CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO IMC Por recomendação da OMS tem-se utilizado para avaliação do peso corporal de adultos o IMC. As principais limitações do IMCapontadas por alguns autores referem-se ao fato do IMC estabelecer correlação, com a altura, embora baixa, com a massa magra, principalmente nos homens, e com proporcionalidade corporal (relação do tamanho das pernas / tronco), o que compromete sua utilização como indicador de gordura corporal. Para auxiliar na avaliação dos componentes do IMC, Vanitallie et al., propuseram a separação do IMC com base no peso de gordura corporal e de massa livre de gordura, onde: IMCG (índice de massa corporal de gordura) = peso de gordura (kg) / altura em m2 IMCLG (índice de massa corporal livre de gordura) = peso de massa magra (kg) / altura em m2 RELAÇÃO CINTURA-QUADRIL (RCQ) Indicador de gordura visceral, onde, risco aumentado para doenças cardiovasculares; HOMENS RCQ>1 e MULHERES RCQ>0,85. COMPOSIÇÃO CORPORAL A avaliação da composição corporal pode ser definida como a mensuração e a interpretação dos valores obtidos acerca dos compartimentos corporais, sendo os mais avaliados: gordura corporal, massa livre de gordura, água corporal e conteúdo mineral ósseo total. Obesidade excesso de gordura corporal total e não de peso corporal. As medidas de dobras cutâneas predizem a quantidade de gordura corporal localizada ou total, por meio da avaliação subcutânea. Seu emprego na avaliação da gordura total se deve ao fato de apresentar boa correlação (r) com métodos mais precisos de avaliação de composição corporal (r entre 0,6 a 0,9, estando em alguns estudos em torno de 0,85). Em relação à composição corporal, avaliam-se os compartimentos corporais e, em especial, sua associação com o risco de adoecer (tanto por distúrbios associados à desnutrição, quantos aqueles associados à obesidade). Na área de Nutrição, tem-se utilizado o protocolo de soma das quatro dobras (tríceps, bíceps, supra ilíaca e subescapular) e densidade corporal proposto por Durnin e Rahaman. 7 Em geral considera-se como aceitável, para adultos, um percentual de gordura corporal de até 25% para homens e 30% para mulheres. Tabela 09: Pontos de corte de adiposidade e risco (CHEMIN & MURA) Classificação Homens Mulheres Risco de distúrbios associados a desnutrição ≤ 5 ≤ 8 Abaixo da média 6-1 9-22 Média 15 23 Acima da média 16-24 24-31 Risco de distúrbios associads a obesidade ≥ 25 ≥ 32 NECESSIDADES E RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS a)Energia (EER) considerando peso e altura de referência, a EER para indivíduos ativos de 19 anos é calculada em 3.067kcal/dia para homens e 2.403kcal/dia para mulheres. Tabela 11: Estimativa de necessidades de energia para indivíduos com idade igual ou superior a 19 anos (CHEMIN & MURA). O cálculo de energia pode ser feito utilizando Harris & Benedict (1919) ou pela FAO/OMS (1985). b) Proteínas 0,8g/kg/dia para ambos os sexos. O que corresponde a 56g/dia para homens e 46g/dia para mulheres, levando-se em conta o peso corporal de referência. Assumiu-se um coeficiente de variação de 12% para o cálculo da RDA, levando-se em consideração características como digestibilidade. c) Carboidratos EAR = 100g/dia e a RDA = 130g/dia. d) Fibras Os valores de ingestão diária de referência para fibras totais são dados segundo sexo e idade. Tabela 13: Recomendação de fibras para adultos (CHEMIN & MURA). Faixa etária (anos) Mulheres (g/dia) Homens (g/dia) 19 – 50 25 38 ≥ 51 21 30 e) Lipídeos Com base na população americana, o Institute of Medicine (2002) estabeleceu a ingestão adequada para ácido linoléico (ômega 6) e alfa-linolênico (ômega 3) segundo idade e sexo. Para o ácido linoléico (ômega 6), a AI foi estabelecida como segue: Tabela 14: Recomendação de lipídeos para adultos segundo o IOM. Faixa etária (anos) Mulheres (g/dia) Homens (g/dia) 19 – 30 12 17 51 – 70 11 14 Atenção, pois a CHEMIN & MURA não apresenta a recomendação para adultos de 31 a 50 anos de idade. Para ômega 3, foi estabelecida a ingestão adequada em 1,6g/dia para homens e 1,1g/dia para mulheres. FAIXA DE DISTRIBUIÇÃO ACEITÁVEL DE MACRONUTRIENTES Segundo CHEMIN & MURA são aceitáveis os seguintes valores de ingestão diária de referência de macronutrientes: Proteínas 10 – 35%; Lipídeos 20 – 35%, sendo: o Ácido linoléico 5 – 10%; o Ácido alfa-linolênico 0,6 – 1,2%; EPA ou DHA até 10% da faixa de distribuição aceitável de macronutrientes; Carboidratos 45 – 65%. 8 NUTRIÇÃO EM GERIATRIA O processo de envelhecimento humano é considerado um processo irreversível, natural, progressivo e dinâmico, promovendo alterações morfológicas, bioquímicas, fisiológicas, comportamentais e psicossociais. ALTERAÇÕES ORGÂNICAS, FISIOLÓGICAS E METABÓLICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO 1. Alteração da composição corporal Com o envelhecimento ocorre aumento progressivo da massa gordurosa e diminuição da massa magra (água, tecido ósseo e muscular). Há concentração de gordura no tronco, com aumento de gordura abdominal e diminuição da gordura periférica. Fatores que podem explicar a diminuição da massa magra em idosos: diminuição da atividade física, alimentação inadequada, diminuição da ACT e perda generalizada da massa celular. Há redução da água corporal total em cerca de 15 a 20% e redução de massa muscular em 11kg nos homens e 4kg nas mulheres, deste modo, tais alterações influenciam no desenvolvimento de atividades físicas e na necessidade calórica desses pacientes, que tende a diminuir. 2. Diminuição do Metabolismo Basal Ocorre diminuição do metabolismo basal (de 10 a 20% com o decorrer da idade, entre 30 e 75 anos). 3. Diminuição da acuidade dos órgãos dos sentidos A redução da sensibilidade por gostos primários (doce, amargo, ácido e salgado) é considerada um dos fatores mais relevantes na redução da ingestão alimentar de idosos. A perda da sensação de paladar pode estar relacionada a redução do número de papilas gustativas, logo, o idoso necessita concentrar mais sabor das preparações para ajustar ao paladar alterado. 4. Alterações na cavidade oral A ausência total ou parcial de dentes e/ou o uso inadequado de próteses (parciais ou totais), a presença de cáries e doenças periodontais ou a presença de xerostomia acarretam prejuízos no processo de mastigação. Isso faz com que esses indivíduos reduzam a ingestão de alguns alimentos, como carnes, frutas, verduras e legumes crus. Com o envelhecimento há atrofia e perda de elasticidade de todos os tecidos da cavidade oral, diminuição quantitativa e qualitativa de saliva, redução da secreção de mucina e ptialina. Alterações de cavidade oral podem explicar a preferência alimentar por alimentos macios, de fácil mastigação e muitas vezes pobres em nutrientes (fibras, vitaminas e minerais). 5. Alterações esofágicas Idosos apresentam fraqueza na musculatura faríngea e relaxamento anormal do músculo cricofaríngeo, deficiência do relaxamento do EES e na peristalse primária, prejudicando a deglutição. A disfagia, comum em idosos, pode ser definida como desordem na deglutição e/ou potencial desabilidade em deglutir, com prejuízos na segurança, na eficiência e na qualidade de comer e beber. A presença de disfagia implica em risco de aspiração. Outras afecções comuns em idosos incluem hérnia de hiato e ulcerações de esôfago. 6. Alterações gástricas Ocorre declínio da secreção ácida gástrica, que se relaciona com o grau de atrofia de mucosa gástrica. A diminuição do suco gástrico implica diretamente na redução da secreção de fator intrínseco, responsável pela absorção da vitamina B12 pelo TGI, o que pode acarretar em anemia megaloblástica. Outro ponto é que a gastrite atrófica e acloridria são causas de anemia em idosos (diminuição da eficiência de absorção de ferro). Além disso, o esvaziamento gástrico lentificado pode prejudicar a digestão, retardar a biodisponibilidade de algumas drogas,além de aumentar a saciedade precoce, podendo contribuir para a anorexia do idoso. 7. Alterações intestinais Com o envelhecimento tem-se diminuição da capacidade absortiva de micronutrientes e há aumento da incidência de obstipação intestinal. 8. Alterações metabólicas Com o envelhecimento ocorrem alterações orgânicas funcionais no pâncreas, fígado e rins. As alterações pancreáticas podem ocasionar diminuição da secreção de enzimas (prejudicando a absorção de nutrientes e hormônios (como a insulina). No fígado pode ocorrer diminuição de fluxo sanguíneo, do tamanho dos hepatócitos e da produção de ácidos biliares, prejudicando a absorção de gorduras. Nos rins, pode-se ter capacidade diminuída para eliminação de metabólitos e toxinas. 9. Alterações na atividade física A prática de atividade física está diminuída (decorrente de doença neurológica, alterações orgânicas ou por alterações fisiológicas). FATORES PATOLÓGICOS As doenças crônicas como osteoporose, DM, DCV, dislipidemias e câncer são frequentes no paciente geriátrico. FATORES PSICOLÓGICOS Algumas situações como perda do cônjuge; morar sozinho ou em instituições; sensação de abandono; perda de autonomia; perdas do papel social diante da sociedade e depressão podem causar desinteresse na alimentação. FATORES ECONÔMICOS O baixo poder aquisitivo aliado ao aumento do gasto com medicações dificulta o acesso dos idosos à alimentação segura, tanto em quantidade quanto em qualidade. 9 FATORES CULTURAIS A presença de mitos, tabus, crenças, receitas e medicações caseiras podem prejudicar o tratamento de saúde, controle de doenças e oferta de alimentos. As variáveis fisiológicas que se deprimem no idoso estão apresentadas na tabela 1. Índice metabólico basal Dentição Colesterol sérico Sede Hemoglobina Salivação (a viscosidade salivar aumenta) Tolerância à glicose Sensibilidade gustative Densidade óssea Sensibilidade olfativa Síntese proteica Acuidade visual Água corporal total Capacidade motora Peso corporal Absorção gastrientestinal Capacidade respiratória máxima Motilidade gastrintestinal Capacidade renal Tab. 12: Variáveis fisiológicas que se deprimem no idoso segundo DAN WAITZBERG. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Foi estabelecido um índice de Desnutrição do Idoso (IDI) levando-se em consideração pelo menos duas variáveis: antropometria (DCT, DCSE, AMB abaixo do p5) e/ou valores bioquímicos reduzidos, albumina <2,8g/100ml e CTLP<900céls/mm3. A história dietética deve levar em consideração as alterações do paladar e de cavidade oral, já descritas anteriormente. As variáveis antropométricas devem ser avaliadas cuidadosamente, uma vez que tem-se alterações nos depósitos musculares e gordurosos. AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR O modelo de avaliação multidisciplinar melhora significativamente o cuidado total fornecido. As medidas de estado funcional avaliam a capacidade dos indivíduos de realizar as tarefas necessárias para lidar com a vida diária e com o próprio ambiente. Deve ser realizada a avaliação de atividade diária: - Atividades da vida diária: Alimentar-se Transferência cama-poltrona Mobilidade interna/externa Vestir-se Banhar-se Toalete Continência - Atividades instrumentais de vida diária: Uso do telefone Viajar Fazer compras Cozinhar Leves serviços domésticos Tomar remédios Gerenciar as finanças NUTRITIONAL SCREENING INITIATIVE - DETERMINE A iniciativa de Avaliação Nutricional feito pela American Academy of Family Physicians (AAP), American Dietetic Association e o National Council on Aging desenvolveu um Checklist Nutricional baseado em sinais do idoso. Esta nova ferramenta está disponível em www.aafp.org/nsi/palm.html, o chamado formulário DETERMINE. Nome: ______________________________________________________________________ Idade: _______ Data: ___/___/_____ QUESTÒES RESPOSTAS AFIRMATIVAS (pontos) Você tem alguma doença que o fez mudar o tipo/quantidade de alimentos que consome? 2 Você consome menos que duas refeições por dia? 3 Você bebe três ou mais doses de cerveja, licor ou vinho quase todos os dias? 2 Você consome poucas frutas, legumes, verduras ou produtos lácteos? 2 Você tem problemas bucais que dificultam sua alimentação? 2 Você nem sempre tem dinheiro suficiente para comprar os alimentos que necessita? 4 Você come sozinho nas maiorias das vezes? 1 Você usa três ou mais medicamentos diferentes prescritos ou por conta própria ao dia? 1 Você ganhou ou perdeu cerca de 4,5kg nos últimos 6 meses, involuntariamente? 2 Você nem sempre tem condições físicas para fazer compras, cozinhar e/ou alimentar-se sozinho? 2 PONTUAÇÀO 0 – 2 – BOM! - Revisar em 6 meses. 3 – 5 – RISCO NUTRICIONAL MODERADO! – Verifique o que você pode fazer para melhorar seus hábitos alimentares e seu estilo de vida. 6 ou mais - RISCO NUTRICIONAL ALTO! – Procure ajude de um médico ou nutricionista. 10 O Checklist Nutricional é baseado nos sinais de advertência descritos a seguir. (Utiliza-se a palavra DETERMINE em inglês como lembrete dos sinais de advertência.) Doença: Qualquer doença, enfermidade u condição crônica que faça com que você mude a maneira de comer ou dificulte a alimentação, coloca sua saúde nutricional em risco. Quatro de cinco adultos têm doenças crônicas que são afetadas pela dieta. Estima-se que confusão ou perda de memória, que contribuem para piorar, afetem um de cinco ou mais de adultos idosos. Isto pode tomar difícil lembrar-se o que, quando ou se você comeu. Sentir-se triste ou deprimido, o que acontece com um em oito adultos idosos, pode causar grandes alterações no apetite, digestão, nível de energia, peso e bem-estar. Comer pouco: Comer muito pouco ou comer em demasia levam a uma saúde precária. Ingerir os mesmos alimentos um dia após o outro ou não consumir frutas, hortaliças e produtos lácteos também irá ocasionar uma saúde nutricional precária. Um em cinco adultos pula refeições diariamente. Apenas 13% dos adultos consomem a quantidade mínima de frutas e vegetais necessários. Um em quatro adultos mais velhos bebe muito álcool. Muitos problemas de saúde se tornam piores se você beber mais de um ou duas bebidas alcoólicas ao dia. Perda de dentes/dor na boca: Boca, dentes e gengivas saudáveis são necessários para se alimentar. Dentes ausentes, amolecidos ou cariados ou próteses que não estão bem adaptadas, tornam a alimentação difícil. Dificuldade econômica: Até 40% dos americanos idosos têm renda inferior a 6 mil dólares ao ano. Ter menos ou escolher gastar menos que 25 a 30 dólares por semana para a alimentação torna muito difícil obter os alimentos que você precisa para se manter saudável. Contato social reduzido: Um terço das pessoas idosas vive sozinha. Estar com as pessoas diariamente dá um efeitos positivo sobre a moral, o bem-estar e a alimentação. Medicamentos múltiplos: Muitos americanos idosos devem tomar medicamentos para problemas de saúde. Quase metade dos americanos idosos toma vários medicamentos todos os dias. Envelhecer pode mudar a maneira de responder às drogas. Quanto mais medicamentos você tomar, maior a chance de efeitos colaterais, como mais ou menos apetite, mudança no paladar, constipação, fraqueza, tontura, diarreia, náusea e outros. As vitaminas ou minerais, quando tomados em grandes doses, atuam como drogas e podem prejudicar. Alerte o seu médico sobre tudo que você toma. Perda/ganho de peso involuntário: A perda ou ganho de peso involuntário quando você não está tentando fazê-lo é um sinal de advertência importante que não deve ser ignorado. Estar com sobrepeso u abaixo do peso também aumenta a sua chance de saúde precária. Necessidade de auxílio no autocuidado: Apesar da maioria das pessoas idosas serem capazes de comer sozinhas, uma em cada cinco tem problemas para caminhar, fazer compras ou compras ou comprar e preparar os alimentos, especialmente conforme envelhecem. Mais de80 anos: A maioria das pessoas idosas leva vidas completas e produtivas. Porém, conforme a idade aumenta, o risco de debilidade e problemas de saúde aumenta. Verificar sua saúde nutricional regulamente é de bom senso. Fig. 2: Questionário DETERMINE de avaliação nutricional do idoso. MINIAVALIAÇÃO NUTRICIONAL (MAN) O rastreamento da DEP em idosos pode ser feita com a MAN, em pacientes ambulatoriais, hospitalizados ou em clínicas geriátricas. A triagem é feita na primeira parte da MAN, onde serão considerados de risco aqueles que pontuam com 11 pontos ou menos, devendo continuar a avaliação. O melhor instrumento validado para a avaliação é a segunda parte da MAN. Valores entre 24 e 30 indicam ausência de risco nutricional, de 17 a 23,5 indicam risco e abaixo de 17 indicam alto risco de desnutrição ou desnutrição já estabelecida. Os dados de NHANES sugerem que os adultos mais velhos estão em risco de desnutrição pela presença de doenças, incapacidade física, polifármacos, saúde dental e oral prejudicadas, isolamento social, limitações financeiras ou saúde mental prejudicada. Segundo KRAUSE uma boa ferramenta para diagnóstico nutricional é a Mini Avaliação Nutricional que consiste de questões e medidas antropométricas para determinar um escore indicador de desnutrição. MINI AVALIAÇÀO NUTRICIONAL – MNA TRIAGEM Item Questionamento Pontuação A A ingestão de alimentos diminuiu nos últimos 3 meses devido à falta de apetite, problemas digestivos, dificuldade de mastigação ou deglutição? Escore 0 = redução severa na ingestão de alimentos 1 = redução moderada na ingestão de alimentos 2 = não houve redução na ingestão de alimentos B Perda de peso involuntária nos últimos 3 meses? Escore 0 = perda de peso superior a 3 kg (6,6 libras) 1 = não sabe 2 = perda de peso entre 1 e 3 kg (2,2 e 6,6 libras) 3 = nenhuma perda de peso C Mobilidade? Escore 0 = preso à cama ou à cadeira 1 = pode sair da cama/cadeira, mas não sai 2 = sai 11 D Sofreu estresse psicológico ou doença aguda nos últimos 3 meses? Escore 0 = sim 1 = não E Problemas neuropsicológicos? Escore 0 = demência severa ou depressão 1 = demência leve 2 = sem problemas psicológicos F Índice de Massa Corporal (IMC)? Escore 0 = IMC menor do que 19 1 = IMC 19 até menos do que 21 2 = IMC 21 até menos do que 23 3 = IMC 23 ou maior Pontuação total da triagem (máximo de 14 pontos) 12 pontos ou mais: Normal, não está em risco. Não precisa de avaliação complementar. 11 pontos ou abaixo: possível desnutrição. AVALIAÇÃO GLOBAL Item Questionamento Pontuação G Vive independentemente (não em uma casa de repouso)? Escore 0 = não/ 1 = sim H Toma mais de 3 medicamentos receitados por dia? Escore 0 = sim / 1 = não I Escaras ou úlceras cutâneas? Escore 0 = sim / 1 = não J Quantas refeições completas o paciente faz diariamente? Escore 0 = 1 refeição / 1 = 2 refeição / 2 = 3 refeição K Selecionar os marcadores de consumo para ingestão de proteínas » Pelo menos uma porção de produtos lácteos por dia? ( ) sim ( ) não » Duas ou mais porções de ovos por semana? ( ) sim ( ) não » Carne, peixe ou frango todo dia? ( ) sim ( ) não Escore 0.0 = se 0 ou 1 uma resposta sim / 0.5 = se 2 respostas sim / 1.0 = se 3 respostas sim L Consome duas ou mais porções de frutas ou verduras por dia? Escore 0 = não / 1 = sim M Qual a quantidade de líquido (água, suco, café, chá, leite) consumida por dia? Escore 0.0 = menos de 3 xícaras / 0.5 = 3 a 5 xícaras / 1.0 = mais de 5 xícaras N Modo de alimentação? Escore 0 = não consegue se alimentar sem ajuda / 1 = alimenta-se sozinho com alguma dificuldade 2 = alimenta-se sozinho sem problemas O Ponto de vista pessoal da condição nutricional Escore 0 = vê-se desnutrido / 1 = não tem certeza de sua condição nutricional 2 = vê-se sem problemas nutricionais P Em comparação com outras pessoas da mesma idade, como o paciente avalia sua condição de saúde? Escore 0.0 = não tão boa / 0.5 = não sabe / 1.0 = tão boa quanto/ 2.0 = melhor Q Circunferência braquial (CB) em cm Escore 0.0 = CB menor do que 21 / 0.5 = CB 21 a 22 / 1.0 = CB 22 ou maior R Circunferência da Panturrilha (CP) em cm Escore 0 = CP menor do que 31 / 1 = CP 31 ou maior Avaliação do Estado Nutricional De 17 a 23,5 pontos: Risco de desnutrição Menos de 17 pontos: Desnutrido Fig. 3: Miniavaliação Nutricional 12 Preconiza-se, dentre outros o uso de métodos objetivos (antropometria, composição corporal e exames bioquímicos). a) Antropometria Medidas: Estatura (que pode ser estimada pela altura do joelho ou pela hemienvergadura do braço): O valor de estatura pode diminuir com o avanço da idade, em razão do achatamento dos discos intervertebrais e do arco plantar dos pés e do enfraquecimento de musculatura da perna. Há declínio (embora sem consenso) de 1,2 – 4,2cm a cada 20 anos, a partir dos 30 anos. Chumlea propõe equações para estimativa de altura. Tab. 14: Fórmula para estimar a altura a partir da altura do joelho Homem Mulher 64,19 - (0,04 x idade) + (2,02 x altura do joelho) 84,88 - (0,24 x idade) + (1,83 x altura do joelho) O valor estimado da altura pode ser usado para cálculo do IMC e das necessidades energéticas. Peso, que pode ser estimado segundo a fórmula de Chumlea, com a combinação das medidas de panturrilha, joelho e braço, onde: HOMEM = (0,98 x perímetro de panturrilha) + (1,16 x altura do joelho) + (1,73 x circunferência do braço) + (0,37 x dobra cutânea subescapular) – 81,69 MULHER = (1,27 x perímetro de panturrilha) + (0,87 x altura do joelho) + (0,98 x circunferência do braço) + (0,4 x dobra cutânea subescapular) – 62,35 Quando não há possibilidade de mensuração ou estimativa do peso, pode-se utilizar o peso habitual. Perímetro do braço No caso de idosos impossibilitados de permanecerem em pé, a mensuração é feita com individuo sentado ou deitado. Em acamados, a medida é realizada em decúbito lateral. Dobra cutânea tricipital No caso de idosos impossibilitados de permanecerem em pé, a mensuração é feita com individuo sentado ou deitado. Em acamados, a medida é realizada em decúbito lateral. Dobra cutânea subescapular No caso de idosos impossibilitados de permanecerem em pé, a mensuração é feita com individuo sentado ou deitado. Em acamados, a medida é realizada em decúbito lateral. Perímetro da cintura No caso de idosos impossibilitados de permanecerem em pé, esta medida não se aplica. Perímetro do quadril No caso de idosos impossibilitados de permanecerem em pé, esta medida não se aplica. Perímetro da panturrilha Em idosos é a medida mais sensível de massa muscular. Indica mudanças de massa magra que ocorrem com o envelhecimento e diminuição da atividade. IMC – 22 a 27kg/m2 (CHEMIN&MURA 2011; CUPPARI 2014; VITOLO 2014) ou 24 a 29kg/m2 (KRAUSE, 2015) Circunferência muscular do braço Área muscular do braço Área muscular do braço corrigida com ajuste da área óssea à equação de Gurney e Jellife de área muscular do braço. As medidas de perimetria e circunferência serão comparadas junto às tabelas do FRISANCHO (1990). AVALIAÇÃO DO RISCO DE DESNUTRIÇÃO (WAITZBER, 2009) Presença de pelo menos dois sinais: - perda de 2kg no ultimo mês ou 4kg nos últimos 6 meses; - perda de 15-20% do peso adulto normal; - duas refeições por dia; - dieta especial ou para perda de peso; - baixa ingestão oral; - problema oral ou dentário; - perda da autonomia física ou psicológica; - constipação (obstipação) intestinal grave; - dificuldade de deglutição; - morar sozinho ou depressão; - mais que cinco medicações por dia; - doença aguda ou crônica. RECOMENDAÇÕES DIETÉTICAS NO ENVELHECIMENTO As DRIs atuais, estabelecidas para otimizar a saúde de indivíduos e grupos, fornecem uma diretriz para avaliar a conhecimentos sobre as necessidades nutricionais.Energia As necessidades diminuem com a idade em função das alterações de composição corporal e diminuição na taxa metabólica basal e redução de atividade física. Um IMC desejável pode ser estimado com relação à idade da pessoa para determinar uma estimativa mais apropriada da necessidade de energia. ATENÇÃO: CHEMIN & MURA / VITOLO 2014 IMC adequado 22 a 27kg/m2! As necessidades energéticas totais diárias normalmente são estimadas de acordo com a taxa de metabolismo basal (TMB), que contribui com cerca de 60 a 75% do VCT. Em geral, utiliza-se a equação de Harris & Benedict. A partir da TMB, multiplicam-se os fatores atividade, lesão e térmico, onde: HOMENS: TMB = 66 + (13,7 X P) + (5 X A) – (6,8 X I) MULHERES: TMB = 655 + (9,6 X P) + (1,7 X A) – (4,7 X I) VCT = TMB x FA x FL x FT 13 Tabela 15: Fatores atividade, lesão e térmicos a serem utilizados nas equações de Harris & Benedict (CHEMIN & MURA). Fator atividade (HOSPITALIZADO) Fator lesão (lesão, estresse) Fator térmico Acamado = 1,2 Acamado + Pacientes não complicados = 1 38°C = 1,1 Móvel = 1,25 Ambulante = 1,3 Pós-operatório câncer = 1,1 Fratura = 1,2 Sepse = 1,3 Peritonita = 1,4 Multitrauma reabilitação = 1,5 Multitrauma + sepse = 1,6 Queimadura 30 – 50% = 1,7 Queimadura 50 – 70% = 1,8 Queimadura 70- 90% = 2 39°C=1,1 40°C=1,3 41°C=1,4 Fonte: Kinney;Wilmore;Long;Elvin apud Avesani et al. Segundo CHEMIN & MURA equação de Harris & Benedict são mais indicadas, uma vez que a equação da FAO/OMS não diferencia idade (considerando como de mesma TMB indivíduos de 60 e 90 anos, por exemplo), entretanto, as equações da FAO podem ser utilizadas, onde: Tab. 16: Fórmulas de predição de TMB pela FAO/OMS 1985. Homens Mulheres TMB = 13,5 x P + 487 TMB = 10,5 x P + 596 A partir da TMB, para cálculo do valor calórico total, multiplica-se o fator atividade, onde: VCT = TMB x FA Tabela 17: Fatores atividade a serem utilizados na equação da FAO/OMS (CHEMIN & MURA). Nível de atividade Homens Mulheres Muito leve 1,3 1,3 Leve 1,6 1,5 Moderado 1,7 1,6 Intenso 2,1 1,9 Muito intenso 2,4 2,2 DISTRIBUIÇÃO DOS MACRONUTRIENTES (CHEMIN & MURA) Os valores de distribuição de macronutrientes: Proteínas 10 – 35% ou 0,8g/kg/dia; Lipídeos 20 – 35%, sendo: o Ácido linoléico 5 – 10% (14g/dia para homens e 11g/dia para mulheres); o Ácido alfa-linolênico 0,6 – 1,2% (1,6g/dia para homens e 1,1g/dia para mulheres); EPA ou DHA até 10% da faixa de distribuição aceitável de macronutrientes; Carboidratos 45 – 65% (RDA de 130g/dia). KRAUSE Segundo KRAUSE, uma ingestão de proteína de 1,0 a 1,25g/kg é geralmente segura para adultos mais velhos. Tabela 18: Necessidades de proteína segundo estado nutricional (KRAUSE) Condição Albumina (g/dL) Necessidade de proteína (g/kg/dia) Estado nutricional adequado >3,5 0,8 Depleção suave 2,8 – 3,5 1,0 – 1,2 Depleção moderada 2,1 – 2,7 1,2 – 1,5 Depleção grave <2,1 1,5 – 2,0 Faixa etária Redução da necessidade calórica Desconto diário em kcal/d 51 |-| 75 10% = 200 = 200 76 |- 20-25% = 500 = 400 Tab. 18: Fator de correção de necessidades energéticas. NECESSIDADES HÍDRICAS As sensações de sede diminuídas, a ingestão reduzida, o acesso limitado ao fluido, a função renal diminuída e a incontinência urinária aumentam o risco de infecção. WAITZBERG (2009) 1ml/kcal ou 30ml/kg. CHEMIN & MURA recomenda no mínimo 1500mL/dia ou 1,0 a 1,5mL/kcal. NECESSIDADES DE MICRONUTRIENTES Minerais CÁLCIO: A manutenção dos níveis adequados de cálcio não está limitada apenas à ingestão do mineral, pois outros fatores afetam sua retenção: - estado hormonal menopausa; - sexo incidência de osteoporose é maior nas mulheres; - etnia; - genética; - componentes dietéticos baixa ingestão de alimentos ricos em cálcio, alimentação rica em proteínas; ingestão hiperfíbrica que diminui a absorção de cálcio e alimentação deficiente em vitamina D; - medicamentos diuréticos e antiácidos à base de alumínio; - redução da lactase; - alterações no metabolismo hipocloridria; e - inatividade física. O aumento da recomendação de cálcio para idosos foi estabelecido em razão das intercorrências que ocorrem neste estágio de vida. Recomenda-se 1200mg /dia para prevenir ou reduzir a doença óssea do idoso. WAITZBERG (2009) 1.200 a 1.500mg. A UL de cálcio é 2500mg/dia. 14 ZINCO: Um baixo consumo está associado com prejuízo imune, anorexia, diminuição do paladar, demora de cura de feridas e desenvolvimento de úlceras de pressão. Recomenda-se: Idade Homens (mg) Mulheres (mg) 51– 70 anos 11 8 >70 anos 8 8 Vitaminas É importante ressaltar a relação entre saúde e nutrição, particularmente em relação às necessidades de vitaminas antioxidantes como tocoferóis, carotenóides e vitamina C. Os antioxidantes atuam como um tampão contra o dano celular que pode ocorrer durante o funcionamento celular normal. As ingestões subótimas de vitaminas-chave podem colocar uma pessoa em risco de enfermidade crônica, especialmente nos idosos. VITAMINA C: Envolvida na síntese de colágeno e carnitina. Os adultos mais velhos com frequência possuem menores níveis séricos de vitamina C. O estresse, o fumo e medicações podem aumentar as necessidades deste micronutriente. Encorajar o consumo de alimentos ricos em vitamina C pode ser eficaz. A ingestão de 150 – 250mg de vitamina C pode ser protetora para catarata. O fumo aumenta o estresse oxidativo, então para fumantes, recomenda-se o aumento de 35mg além da DRI. VITAMINA D: A necessidade de vitamina D é dependente da concentração de cálcio e fósforo da dieta e a idade da pessoa, sexo, grau de exposição à luz solar e a quantidade de pigmentação da pele. A capacidade de sintetizar vitamina D a partir da luz solar é aproximadamente 60% menor nos adultos mais velhos. A influência da idade na absorção da vitamina D pelo TGI não é clara. A vitamina D pode ajudar a cicatrizar as lesões de pele, especialmente aquelas causadas por psoríase. A suplementação dietética de cálcio e vitamina D melhora a densidade óssea e pode prevenir fraturas nos adultos mais velhos saudáveis. Os menores níveis de vitamina D foram observados em idosos institucionalizados e confinados, com exposição irregular e deficiente à luz solar ou indivíduo com diminuída massa renal. O metabolismo da vitamina D pode estar afetado pelo uso de esteróides, que podem induzir perda óssea. Doses em excesso podem induzir hipercalcemia e aumentam o risco de calcificação metastática de tecidos moles. Não é conhecido se a absorção fisiológica está diminuída em razão da idade. WAITZBERG (2009) mínimo de 5mcg/dia. Recomenda-se 10mcg/dia para idosos de 51 a 70 anos e 15mcg para aqueles com idade superior a 70 anos. VITAMINA E: Pode ser benéfico intensificar o consumo de vitamina E em adultos mais velhos, por sua atividade antioxidante e um papel importante na prevenção de catarata.Recomenda-se 15mg ao dia para pacientes idosos. Tab. 19 Relação entre nutrientes e cérebro – KRAUSE 2013 Função cerebral Ingestão inadequada Perda de memória de curto prazo B12, vitamina C Resultados fracos em testes de resolução de problemas B2, folato, B12, vitamina C Demência B1, zinco Capacidade cognitiva Folato, B6, B12, ferro Degeneração de tecido cerebral B6 RECOMENDAÇÕES GERAIS SEGUNDO KRAUSE (2010) Segundo a KRAUSE (2010), idosos possuem menor consumo de calorias, gorduras totais, fibra, cálcio, magnésio, zinco, cobre, ácido fólico, B12, vitaminas C, E e D. Deste modo, os requerimentos nutricionais e as recomendações devem ser realizadas com base nestas prováveis deficiências, onde: - consumir B12 em sua forma cristalina (alimentos fortificados ou suplementos); - consumo extra de vitamina D; - consultar um provedorde Health Care sobre estratégias para perda de peso, antes de iniciar programas de emagrecimento; - realizar atividades físicas regulares para reduzir o declínio funcional associado ao envelhecimento; - procurar consumir não mais que 1500mg de sódio/dia e consumir 4700mg de potássio, sempre de alimentos; - não consumir leite e laticínios não pasteurizados; - consumir certas iguarias de carne ou salsicha fervidas ou cozidas no vapor. 15 16