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1 Resposta Técnica Assunto Agricultura e pecuária Palavras-chave Galinha caipira; criação de galinha; chocadeira de ovo; ovo de galinha. Identificação da Demanda Como fazer uma chocadeira para ovos de galinha caipira. Solução apresentada A produção de carne e ovos, quando integrada à agrícola, ou à de hortifrutigranjeiros, pode viabilizar a atividade rural, principalmente para produtores de baixo poder de investimento. As galinhas criadas no sistema semi-intensivo produzem carne com textura diferenciada e ovos com maior pigmentação, conferindo melhor aspecto e sabor aos pratos elaborados. Para essa escala de produção, as linhagens de dupla aptidão, como Label Rouge, Caipira Pedrez e a Poedeira Colonial Embrapa são as mais recomendadas, pela indicação das práticas relacionadas com o sistema misto de produção. A criação de galinha caipira se caracteriza pela sua forma de exploração extensiva, na qual, tradicionalmente, inexistem instalações e adoção de práticas de manejo que contemplem eficientemente os aspectos reprodutivos, nutricionais e sanitários, resultando em baixos índices de fertilidade e natalidade. A elevada mortalidade das crias, principalmente nas primeiras semanas de vida, aliada a um baixo desempenho das aves caracterizam uma atividade de baixa eficiência produtiva. Os problemas sanitários também representam um obstáculo ao sucesso da atividade, além de consistirem uma fonte potencial para disseminação de doenças, em função da convivência das aves com outros animais ou com pessoas no mesmo ambiente. Todos esses fatores tornam a criação de galinhas caipiras uma atividade incapaz de satisfazer às necessidades alimentares das famílias e, muito menos, de gerar lucro. Entretanto, a criação de galinhas caipiras é uma atividade cujo mercado é muito promissor, uma vez que, comumente, a oferta desse produto é menor do que a demanda. Além disso, a sua comercialização pode ser efetuada de modo direto (produtor-consumidor), ou com a existência de, no máximo, um intermediário, tornando compensadores e bastante atrativos os preços dos produtos para o criador. Um dos primeiros passos para aumentar a rentabilidade desse negócio, é investir na seleção das matrizes, que pode ser feita com base no plantel já existente, do qual são aproveitadas fêmeas em fase de pré-postura, filhas de matrizes de conhecido desempenho produtivo. Recomenda-se, entretanto, que sejam introduzidos reprodutores provenientes de outros plantéis, que apresentem boa capacidade reprodutiva, adaptabilidade ao ambiente e ao sistema de manejo empregado, além de um porte compatível com o das matrizes, possibilitando o estabelecimento de um plantel não consangüíneo e capaz de atingir altos índices de produtividade. Outro item relevante, preconiza a construção de instalações simples e funcionais, a partir dos recursos naturais disponíveis nas propriedades dos agricultores, tais como madeira redonda, estacas, bambu, etc. O principal objetivo dessa instalação é oferecer um ambiente higiênico e protegido, que não permita a entrada de predadores e que ajude a amenizar os impactos de variações extremas de temperatura e umidade, além de assegurar o acesso das aves ao alimento e à água. A instalação recomendada para criação, em sistema de semi-confinamento, de galinhas caipiras, consiste em um galinheiro com área coberta para alojar aproximadamente 10 aves/m2, e piquetes com área disponível de 5 m2/ave. O galinheiro deverá conter divisões internas destinadas a cada fase de criação: reprodução (postura e incubação), cria, recria e terminação (Figura 1). A área do galinheiro é calculada de modo a proporcionar boa ventilação, luminosidade, drenagem, facilidade de acesso e 2 disponibilidade de água. O piso deve ser revestido com uma camada de palha (cama) de 5 a 8 cm de espessura, distribuída de forma homogênea, podendo-se utilizar vários materiais, tais como serragem, palha, sabugo de milho triturado ou casca de cereais (arroz). A remoção e substituição da cama, bem como, a desinfestação do aviário com cal virgem devem ser periódicas. Figura 1. Exemplo de Planta baixa das instalações para o sistema de criação de galinhas caipiras, de 32 m2 de área útil. Fonte: <http://www.cpamn.embrapa.br/pesquisa/Agricultura%20Familiar/AgriculturaFamiliar/GalinhaCaipira/instalacao.htm>. Com exceção da área destinada à incubação e cria, as demais divisões internas devem permitir o acesso a piquetes de pastejo, com dimensões variáveis, capazes de atender às necessidades das aves e de abrigar todo o plantel de cada fase de criação. Os piquetes devem ser cercados de material semelhante ao utilizado no galinheiro e que seja capaz de evitar a entrada de predadores. A fase de reprodução se caracteriza por apresentar uma relação macho/fêmea de 1:12, cujas aves devem possuir idade entre 6 e 24 meses. O peso vivo indicado para os machos deve ser de 2,0 a 3,5 kg, enquanto que, para as fêmeas, de 1,6 a 2,5 kg. A substituição dos reprodutores deve ser semestral, tendo em vista que, também, a cada semestre, ocorrerá a reposição das matrizes, que são oriundas do mesmo plantel e, portanto, filhas do reprodutor em serviço. Nessa fase de criação, a instalação deve ter subdivisões destinadas à postura e à incubação. Esse artifício permite um maior controle sobre a postura, evita perdas com a quebra de ovos, proporcionando-lhes maior higiene e manutenção de sua viabilidade. Na subdivisão de postura, as aves permanecem em regime semi-aberto, na qual a área coberta deve conter ninhos de 0,35 m x 0,35 m, 1 bebedouro de pressão e 1 comedouro em forma de calha (Figura 2). O enchimento dos ninhos deve ser feito com o mesmo material utilizado na cama do aviário. A fase de postura dura aproximadamente 15 dias, ao longo da qual o número de ovos por matriz varia de 10 a 14. Figura 2. Exemplo de área destinada à incubação no sistema de criação de galinhas caipiras. Fonte: <http://www.cpamn.embrapa.br/pesquisa/Agricultura%20Familiar/AgriculturaFamiliar/GalinhaCaipira/instalacao.htm>. 3 No sistema de incubação natural, em que a própria galinha é quem choca os ovos, um ciclo reprodutivo dura cerca de 47 dias. O número de ovos a ser chocado por cada matriz pode variar de 12 a 15, de acordo com o tamanho da mesma. À medida que ocorre a postura dos ovos, os mesmos devem ser recolhidos, limpos com pano úmido e receber a inscrição do dia da postura. Em seguida, são selecionados de acordo com o tamanho e qualidade da casca. Os de tamanho médio devem ser destinados à incubação e os de tamanho grande e pequeno, ao consumo e/ou comercialização. Recomenda-se o seu acondicionamento em temperatura ambiente por no máximo 7 dias, desde que estejam em local arejado. Já em geladeiras, podem ser acondicionados por um período de até 30 dias. A posição de acondicionamento dos ovos deve ser alterada constantemente, para que não ocorra aderência da gema à casca. Portanto, tanto na incubação natural como na artificial, os critérios de seleção e acondicionamento dos ovos são muito importantes. O procedimento de analisar os ovos durante a incubação (ovoscopia) possibilita, após os primeiros 10 dias de incubação, o recolhimento dos ovos não fertilizados. A ovoscopia consiste em observar o interior do ovo através de uma fonte de luz em ambiente escuro. Nesse procedimento, percebe-se os prováveis defeitos da casca (rachaduras e despigmentação), duplicidade de gema e presença de elementos estranhos. No caso da incubação, observa-se o desenvolvimento do embrião. Caso seja utilizado o sistema com uso de chocadeira elétrica, que, embora representa um custo adicional, possibilita a redução do ciclo reprodutivo das matrizes de 47 para 26 dias, visto que, após a fase de postura, as mesmas entram diretamente no período de descanso.Tal fato, resulta em um aumento significativo do número de ciclos anuais por matriz, passando-se de 7 para 13. Na fase de cria, os pintos permanecem,desde o seu nascimento até os 30 dias de idade, em uma área equipada com um comedouro tipo bandeja e um bebedouro de pressão. Essa divisão deverá dar acesso a um solário. Torna-se imprescindível, nessa fase, a proteção térmica dos pintos, além do fornecimento de água e alimento. Nessa fase, também se iniciam os procedimentos para imunização do plantel. A fase de recria inicia-se na quarta semana (aos 31 dias de idade dos pintos) e se estende até os 60 dias de idade, com os pintos permanecendo em regime semi-aberto, em uma área coberta contendo dois bebedouros de pressão e dois comedouros em forma de calha. Nessa fase, embora a fonte principal de alimento seja a ração devidamente balanceada, a alimentação das aves pode ser complementada mediante o uso de um piquete de pastejo. Tornando-se, o reforço na imunização do plantel, muito importante. Finalmente, a fase de terminação inicia-se aos 61 dias e estende-se até os 120 dias de idade, quando as aves apresentam peso vivo de aproximadamente 1,8 kg, estando prontas para o abate. A área coberta deverá ser equipada com poleiros, quatro bebedouros de pressão e quatro comedouros em forma de calha (Figura 3). Nesta fase, as aves deverão ter acesso a um piquete de pastejo, o qual pode conter gramíneas como a Brachiaria humidicola, além de fruteiras como goiabeira, mangueira, que servirão como uma importante fonte de alimento, em complementação à ração fornecida. Figura 3. Exemplo de área de terminação no sistema de criação de galinhas caipiras. Fonte: <http://www.cpamn.embrapa.br/pesquisa/Agricultura%20Familiar/AgriculturaFamiliar/GalinhaCaipira/instalacao.htm>. Uma ótima alternativa para baratear o custo das instalações é o uso de cerca elétrica, que permite o translado do lote para áreas distintas, evitando com isso o pisoteio demasiado na mesma área. O menor 4 contato da ave com a lama manterá a cama e o piso limpos, diminuindo a umidade dentro da instalação, evitando a compactação da cama, reduzindo os riscos sanitários e ocorrência de ovos sujos e contaminados. Apresenta como principais benefícios o menor desgaste da pastagem, a preservação do solo, o controle sanitário a higienização do aviário e dos ovos colhidos. Nos dois primeiros dias, durante a adaptação, é possível algumas aves saírem entre os fios. Quando isso ocorrer, é preciso fazer com que retornem imediatamente com as demais. Eventualmente algumas voam sobre a cerca. Neste caso, cortar a ponta das penas de uma das asas e devolvê-las ao piquete. É importante evitar eventos que despertem a atenção das aves, como manejar comedouros e alimentos para outros animais próximo ao cercado. Para a construção da cerca elétrica é necessário um eletrificador, arame, estacas e isoladores. Todo o material necessário é encontrado no mercado. No entanto, para redução de custos, as estacas podem ser feitas na propriedade, utilizando-se sobra de ripas, madeira roliça, bambu, etc. É importante levar em conta o isolador, o qual pode ser adquirido no mercado e ser afixado com parafusos ou pregos. Ainda podem ser utilizadas mangueiras plásticas presas nas estacas, mas que permitam uma boa isolação. Para o arame ou fio, existem várias opções. Neste caso deve-se verificar no mercado o custo e a vida útil. Como eletrificador pode ser utilizado o modelo tradicional, usado também para os outros animais, de preferência com capacidade para eletrificar a extensão necessária, o qual, deve ficar protegido dentro do galpão ou em outro abrigo qualquer. É importante considerar a necessidade da utilização de pára-raios para proteção do eletrificador. A cerca elétrica deve apresentar uma altura mínima de 35 cm e construída com pelo menos três fios, sendo o primeiro afastado 8 cm do solo, o segundo 12 cm do primeiro e o terceiro 15 cm em relação ao anterior. As distâncias de uma estaca para outra dependerão das ondulações do terreno. Para terrenos planos, pode-se chegar a 5 m de distância entre as estacas. Nas extremidades dos piquetes recomenda-se a colocação de palanques (8 cm X 8 cm X 1,0 m) para fixar e esticar os fios. A vegetação sob a cerca tem que ser mantida baixa, de forma a manter o fio sem contato com a mesma. Outra alternativa interessante, visando reduzir custos na atividade de criação de galinhas caipiras, é a construção das próprias chocadeiras elétricas. As chocadeiras podem ser manuais, semi-automáticas ou automáticas, dependendo se o movimento dos ovos incubados é realizado manualmente, ou não. Esse equipamento, representado pela Figura 4, é constituído por uma caixa de madeira ou qualquer outro material com bom isolamento térmico, com acabamentos interno e externo resistentes à umidade e propícios à higienização (resina e verniz marítimo), sendo aquecidas através de resistências elétricas ou lâmpadas geradoras de calor, controladas por termostatos eletrônicos de alta precisão, regulados para manter a temperatura interna o mais constante possível em torno de 380C, temperatura ideal para incubação de ovos de galinha. Para a movimentação (viragem) dos ovos deverão ser utilizadas grades deslizantes, resistentes à corrosão, que podem ser acionadas automaticamente por motor elétrico, semi- automaticamente por alavanca ou manualmente pelo próprio criador. A caixa da chocadeira deverá possuir uma janela de inspeção e um termômetro (interno), para a verificação periódica da temperatura interna. Na lateral da caixa deve existir uma pequena saída de ar, e um ventilador (de computador) no lado oposto, para que ocorra circulação do ar inetrno, assim como, no seu interior, uma bandeja plástica com água, para a manutenção da umidade. Recomenda-se ainda que os fios internos sejam revestidos de silicone, para evitar ressecamento, e que exista uma lâmpada, de acionamento externo, que permita iluminar internamente a chocadeira, para melhor visualização da incubação e da eclosão dos ovos. Figura 4. Exemplo de chocadeira artesanal de 63x60x28cm, para 120 ovos de galinha, viragem semi-automática (por alavanca). Fonte: <http://www.sul.com.br/~js/>. 5 Conclusão e recomendações Recomenda-se que o cliente busque informações complementares através de bibliografia adequada e de todos os sites citados nessa resposta técnica. É importante, se possível, contar com o apoio de um profissional especialista na área, para elaboração de um projeto adequado às condições do produtor. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA (<http://www.embrapa.gov.br>), oferece, através de suas várias unidades, diversas informações técnicas sobre a produção de galinha caipira. Essas informações, que serviram de base para a elaboração dessa resposta técnica, estão disponíveis pela internet, nos seguintes endereços eletrônicos: - VALIDAÇÃO DO SISTEMA ALTERNATIVO DE CRIAÇÃO DE GALINHA CAIPIRA: <http://www.cpamn.embrapa.br/pesquisa/Agricultura%20Familiar/AgriculturaFamiliar/GalinhaCaipira/index.htm>. - CRIA E RECRIA DAS POEDEIRAS COLONIAIS EMBRAPA 051: <ftp://ftp.cnpsa.embrapa.br/pub/publicacoes/instecav/itav017.pdf>. - CRIAÇÃO DE GALINHAS EM SISTEMA DE SUBSISTÊNCIA: <ftp://ftp.cnpsa.embrapa.br/pub/publicacoes/instecav/itav013.pdf>. - UTILIZAÇÃO DE CERCA ELÉTRICA PARA CONTENÇÃO DE AVES NO SISTEMA SEMI – CONFINADO DE PRODUÇÃO: <ftp://ftp.cnpsa.embrapa.br/pub/publicacoes/comtec/cot266.pdf>. Metodologia do Atendimento/Fontes de informação consultadas/Bibliografia EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Disponível em: <http://www.embrapa.gov.br>. Acesso em: 11 abr 2005. MERCADO AGROPECUÁRIO. Disponível em: <http://www.mercadoagropecuario.com.br/eb- chocadeira.htm>. Acesso em: 11 abr 2005. PORTAL DO SUL BBS. Disponível em: <http://www.sul.com.br/~js>. Acesso em: 11 abr 2005. SISTEMA DE INFORMAÇÃO DO AGRONEGÓCIO DE MINAS GERAIS. Disponível em: <http://www.agridata.mg.gov.br/mantecn.htm#item13>. Acesso em: 11 abr 2005. Nome do técnico responsável Geverson Lessa dos Santos, Ms. em C&T Agroindustriale Engenheiro Agrícola. Nome da Instituição respondente SENAI/RS – Departamento Regional. Data de finalização 11/04/2005.