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FLUXOGRAMA 
Desembarque -> Curral de descanso e observação -> corredor de manejo -> 
seringa -> brete -> boxe insenbilização 
DESEMBARQUE 
É de grande importância os estabelecimentos de abate, monitorar e avaliar os 
seguintes aspectos relativos ao bem estar dos animais: 
1. Adequação dos veículos (manutenção e densidade) 
2. Tempo de jejum e dieta hídrica (desde o início do embarque) 
3. Duração do embarque e transporte 
4. Condições dos animais na chegada (gestantes, exaustos, lesionados, 
mortos) 
5. Manejo pré-abate dentro do frigorífico 
Recomendações técnicas para desembarcadouros de bovinos: 
1. Paredes laterais fechadas, reduzindo distração visual e facilitando o fluxo 
dos animais 
2. Piso nivelado 
3. Sinalização adequada, garantindo orientação clara para os operadores 
4. Proteção de borracha para evitar impactos 
5. Iluminação indireta, sem fazer sombras para não assustar os animais 
CURRAL DE DESCANSO 
Propósito: 
1. Recuperação do estresse na viagem, visando reduzir os riscos de 
contusões 
2. Cumprir o tempo de jejum para evitar problemas digestivos 
➢ O jejum alimentar tem como objetivo reduzir o conteúdo 
gastrointestinal, facilitando a evisceração e evitando 
contaminações na carcaça, não devendo exceder o tempo total de 
24h 
3. Inspecionar os animais ante mortem (estado sanitário, condições de bem 
estar e documentações), garantindo que apenas animais saudáveis vão 
para o abate 
➢ Animais feridos ou com algum sinal de doença devem ser removidos 
para o curral de observação 
4. Agrupar os animais para linha de abate 
Os animais devem ter espaço suficiente para a livre movimentação e para deitar 
ao mesmo tempo, sem ficar um sobre os outros, ou seja, a densidade adequada 
de um curral de descanso deve ser de 2,5m²/UA. 
Características construtivas desejáveis: 
1. Fluxo contínuo para linha de abate 
2. Formato recomendado é o espinha de peixe, no qual os currais são no 
ângulo de 60° 
3. Dois corredores, um vindo do desembarcadouro e o outro indo para o abate 
4. Dimensionamento de acordo com o número de bovinos abatidos no dia 
Currais grandes não são recomendados, pois dificultam a separação dos 
animais em lotes menores. A recomendação são currais menores, facilitando 
o manejo e permitindo a separação em lotes de animais vindos de um mesmo 
lugar. 
Características desejáveis no conforto ambiental: 
1. Sombreamento e com boa circulação de ar 
2. Nebulização com aspersores de água 
3. Ambiente tranquilo, longe de trânsito de carros e pessoas 
4. Paredes vazadas 
CURRAL DE OBSERVAÇÃO 
Local de isolamento de animais feridos ou com algum sinal de doença, 
identificados na inspeção de ante mortem. 
CONDUÇÃO DOS ANIMAIS 
Embarque, desembarque e condução dos animais devem ser feitos com uso de 
instrumentos que não provoquem dor, lesões ou agitação nos animais. 
Instrumentos pontiagudos ou chicotes são proibidos. 
Animais que não querem se mover, é permitido o uso de dispositivos de descargas 
elétricas. Esses dispositivos podem ser usados nos membros posteriores, 
contando que não durem mais de um segundo e que o animal tenha espaço para 
avançar ou levantar. É proibido o uso em áreas ou regiões sensíveis, como ânus, 
genitálias, cabeça e cauda. 
O uso de bandeiras (tecidos ou plásticas) são permitidas, desde que não toque 
nos animais e que esteja posicionada para alto para que todos os animais vejam. 
 
 
CORREDORES DE MANEJO 
Precisam ser largos para que os animais fiquem em grupos (bovinos são 
estimulados a caminharem quando visualizam outros animais andando). Paredes 
laterais fechadas e uniforme, sem coloração, textura e luminosidade diferentes, 
facilitando a condução e evitando a distração. 
A passarela de acesso ao manejador deverá ser paralela ao corredor, permitindo 
acesso indireto aos animais. 
Logo após descanso, os animais recebem um banho de aspersão com jatos ou 
sprays de água clorada. 
SERINGA 
É a área de transição do corredor (animais em grupo) para o brete (fila indiana). 
Construções circulares e porteiras com rodas facilitam manejo. As porteiras são 
usadas para restringir o espaço, estimulando o avanço dos animais. 
BRETES 
É um corredor estreito (fila indiana) que conduz os animais até o boxe de 
insensibilização. Podem ser em linha reta e circular. 
Vantagens do brete circular: 
1. Exploram o comportamento natural porque os bovinos tendem a se mover 
em círculos, seguindo sua zona de fuga 
2. Reduz a visão do que ocorre a sua frente, diminuindo resistência e medo 
Erros nas construções: 
1. Curtos demais 
2. Curvas acentuadas - dificultando a movimentação física dos bovinos e 
criando sensação de bloqueio para os animais 
3. Estreitos – aumentando risco de acidentes, porque brete estreito não 
permite que animais caídos se levantem com segurança 
As paredes devem ser fechadas, evitando distrações visuais e mantendo o fluxo 
contínuo dos animais. As porteiras devem ter a altura das paredes e irem até o 
chão. 
PISO 
Os pisos devem ser feitos com materiais antiderrapantes em todas as áreas de 
passagem (desembarque, corredores, seringa e brete) e dispor de inclinação 
adequada para que seja feito o escoamento de água. 
Bovinos tem percepção binocular limitada, ou seja, a percepção de profundidade 
é reduzida, dificultando a identificação de desníveis no caminho. Além disso, são 
extremamente sensíveis às mudanças de coloração, textura e luminosidade nas 
paredes e pisos, gerando medo e recuo. Também relutam em avançar áreas com 
buracos, degraus, ralos, calhas, incidência de luz e poças de água. 
Os ralos podem ser um ponto crítico porque os animais podem parar, escorregar 
ou cair., logo, não deverão estar atravessados no caminho e sim, localizados 
paralelos às paredes. 
DANOS À CARCAÇA 
São os efeitos negativos do estresse sobre a qualidade da carne. 
Contusões, hematomas e fraturas geram perdas econômicas significativas, 
estimadas em milhões, além de comprometerem a segurança alimentar. 
Um manejo cuidadoso no pré-abate reduz acidentes, melhora a eficiência da linha 
e garante maior rendimento de cortes nobres. 
BOXE DE INSENSIBILIZAÇÃO 
O boxe de insensibilização tem a função de isolar o animal para a realização da 
insensibilização. 
A entrada do boxe constitui um ponto crítico devido às mudanças de estrutura 
(boxe metálico) e de ambiente (iluminação, ruídos, isolamento, entre outros). 
Recomendações: 
1. Evitar o uso excessivo de bastões elétricos. 
2. Utilizar porteiras do tipo folha, com acionamento hidráulico e revestimento 
de borracha, reduzindo a produção de ruídos. 
Dispositivos de contenção efetiva 
1. Trapézio: atua sobre os quartos traseiros, estimulando o avanço. 
2. Parede móvel: ajusta a largura do boxe ao tamanho do animal. 
3. Pescoceira: promove a contenção do pescoço. 
4. Bandeja: eleva a cabeça, posicionando-a adequadamente para a 
insensibilização. 
Método mecânico de insensibilização 
A insensibilização tem como objetivo tornar o animal inconsciente, permitindo o 
abate sem dor ou angústia. 
 
Os métodos de insensibilização permitidos no Brasil são: 
1. Mecânico. 
2. Elétrico. 
3. Atmosfera controlada. 
Em bovinos, o método mais utilizado é o mecânico, podendo também ser 
empregado em equinos, suínos, aves, coelhos, ovinos e caprinos. 
O método mecânico provoca concussão cerebral, resultando em perda imediata 
da consciência em aproximadamente 2 milissegundos, ocorrendo mais 
rapidamente que a percepção da dor. 
Atualmente utiliza-se a pistola de dardo cativo, que pode ser acionada por: 
1. Ar comprimido (mais comum no Brasil). 
2. Cartucho de explosão. 
As pistolas podem ser classificadas em: 
1. Dardo cativo penetrante. 
2. Dardo cativo não penetrante. 
Pistolas de dardo cativo penetrante 
O dardo penetra no cérebro do animal, causando concussão e danos irreversíveis, 
incluindo perda de massa encefálica. 
Em teoria, ocorre perda permanente da consciência, sendo que aproximadamente 
após 60 segundos ocorre morte cerebrale após cerca de 10 minutos ocorre 
parada cardíaca. 
O intervalo máximo entre a insensibilização e a sangria deve ser de 60 segundos, 
evitando a possibilidade de retorno da consciência. 
Pistolas de dardo cativo não penetrante 
O dardo não penetra no cérebro, provocando depressão do crânio sem 
perfuração. 
Como os danos cerebrais são menores, o intervalo entre a insensibilização e a 
sangria deve ser de no máximo 30 segundos. 
Não deve ser utilizado em: 
1. Bubalinos. 
2. Equinos. 
3. Bovinos muito jovens (menos de 8 meses). 
4. Bovinos muito velhos ou touros. 
Posicionamento do dardo 
A correta contenção do animal e o posicionamento adequado da pistola são 
fundamentais para a eficácia da insensibilização. 
Para dardos penetrantes, o ponto recomendado corresponde à interseção de duas 
linhas imaginárias ligando a base dos chifres aos olhos. 
Para dardos não penetrantes, o ponto de aplicação deve ser cerca de 2 cm acima 
da posição utilizada para dardos penetrantes. 
Monitoramento da insensibilização 
A insensibilização é considerada o ponto mais importante do abate humanitário. 
Fatores que comprometem a eficácia da insensibilização: 
1. Posicionamento incorreto da pistola. 
2. Pressão insuficiente. 
3. Contenção inadequada da cabeça. 
4. Equipamento inadequado ao tamanho ou características do animal. 
5. Falta de manutenção ou falhas do equipamento e do operador. 
Sinais de eficácia da insensibilização: 
1. Perda da consciência com colapso imediato. 
2. Ausência de vocalização. 
3. Ausência de respiração rítmica. 
4. Olhar fixo e vidrado. 
5. Mandíbula relaxada e língua solta. 
6. Ausência de sensibilidade a estímulos dolorosos. 
7. Ausência de reflexo de endireitamento da cabeça. 
8. Ausência de tentativa de recuperar a postura. 
Coices e movimentos de pedalagem são considerados normais, pois representam 
contrações musculares involuntárias. 
Todos os animais devem permanecer inconscientes até a morte. 
Reinsensibilização 
Utiliza-se uma pistola de emergência de dardo cativo penetrante acionada por 
cartucho explosivo. 
Também pode ser empregada para o sacrifício de animais incapacitados em: 
1. Currais de observação. 
2. Corredores. 
3. Bretes. 
4. Outras áreas de manejo. 
SANGRIA 
Objetivos: 
1. Promover a morte do animal. 
2. Garantir a qualidade da carne. 
A morte ocorre por choque hipovolêmico, resultando em falência múltipla de 
órgãos e anóxia cerebral. 
A adequada remoção do sangue contribui para: 
1. Melhor aparência da carne. 
2. Menor proliferação microbiana. 
3. Maior vida de prateleira. 
A retenção de sangue nos vasos provoca: 
1. Descoloração da carne. 
2. Veias escurecidas. 
3. Manchas indesejáveis. 
4. Alterações de sabor e odor. 
5. Redução da vida útil devido à autólise e oxidação da gordura. 
Resultados: 
1. Morte em aproximadamente 20 segundos. 
2. Tempo de sangria de cerca de 3 minutos. 
O corte apenas da artéria carótida e da veia jugular não é o ideal, pois a artéria 
vertebral pode continuar fornecendo sangue ao cérebro. 
Tempo máximo entre insensibilização e sangria: 
1. 30 segundos para dardo não penetrante. 
2. 60 segundos para dardo penetrante. 
Abate humanitário 
O abate humanitário consiste no conjunto de procedimentos destinados a evitar 
dor, sofrimento e angústia aos animais durante o processo de abate, utilizando 
equipamentos e técnicas adequadas para garantir o bem-estar animal.