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Puericultura 
•Pedro de Alcantara, um dos organizadores da Pediatria 
como disciplina do curso médico no Brasil, afirmava: “o 
pediatra atua no ser em formação, contribuindo para a 
promoção e a preservação da saúde de uma criança, 
sua recuperação e habilitação quando doente, e sua 
integração na sociedade”. 
⤷A pediatria propõe-se “à criação de indivíduos 
fisicamente sadios, psiquicamente equilibrados e 
socialmente úteis” → no discursos dos pediatras sempre 
esteve presente o ideal da atenção integral, reforçado 
sempre nas propostas de atendimento global e 
sustentado pela afirmação de que o seu objeto não é 
um órgão ou sistema, mas dirige-se à criança como um 
todo. 
•As altas taxas de morbidade e mortalidade nas crianças 
com idade inferior a 5 anos e, principalmente, abaixo de 
1 ano de vida, sempre colocaram essas faixas etárias 
como grupos de alto risco e prioritários nas ações de 
saúde. 
•A consulta pediátrica possui diferenças que decorrem 
das características próprias da criança e das suas relações 
familiares e sociais → algumas dessas características 
incluem: 
a. As peculiaridades da criança, principalmente do 
lactente, enquanto um ser em desenvolvimento, 
apresentando acentuada imaturidade 
imunológica e no funcionamento de vários 
sistemas, traduzem-se principalmente na 
dificuldade em localizar os processos mórbidos 
→ a consulta não pode limitar-se ao exame 
voltado apenas para o sistema ou aparelho no 
qual se localiza o sistema principal, mas é 
necessário o exame da criança na sua totalidade. 
b. A preocupação com a transmissão de normas 
e condutas no cuidado com as crianças, visando 
o seu pleno desenvolvimento e crescimento, 
confere uma sistemática própria à consulta em 
pediatria → além da anamnese clássica, do 
exame físico e das orientações de tratamento, 
grande parte da consulta pediátrica é despendida 
com informações e orientações sobre a 
alimentação, a vacinação, o desenvolvimento e 
os cuidados gerais. 
c. As consultas em pediatria acontecem, também 
sem que haja uma queixa específica de doença 
→ em pediatria têm-se dois tipos de consultas: 
as para acompanhamento do crescimento e do 
desenvolvimento e aquelas em função de uma 
queixa de doença. 
→A criança, por estar e, processo de 
crescimento e desenvolvimento, necessita de 
um seguimento mais frequente para que se 
identifiquem condições de risco ou desvios da 
normalidade nesse processo. 
d. A relação médico-paciente é bastante peculiar, 
tratando-se de uma relação à três: o médico, a 
criança e a mãe (ou o pai). 
•É importante ressaltar que a realização da anamnese 
está diretamente influenciada pela relação médico-
paciente estabelecida, favorecendo ou dificultando a 
obtenção de informações → a comunicação entre o 
médico e o paciente é decisiva tanto para que o paciente 
compreenda aquilo que o médico necessita saber, como 
para que este último entenda o que o paciente lhe relata. 
•Para se tornar mais eficiente, a consulta pediátrica 
requer normalizações que lhe conferem a condição de 
um procedimento técnico → as bases da consulta 
pediátrica expressam-se nas ações que visam a: 
a. Acompanhar o processo de crescimento e 
desenvolvimento; 
b. Identificar situações de risco que vulnerabilizam a 
criança; 
c. Evidenciar processos mórbidos; 
d. Estabelecer condutas dentro de um plano mais 
geral de seguimento da criança. 
⤷Em cada período de vida da criança, as características 
do processo de desenvolvimento e os riscos a que estão 
submetidas conferem diferentes graus de vulnerabilidade, 
determinando necessidades diferentes de atendimentos 
de rotina 
•Na consulta pediátrica identificamos quatro momentos: 
1. Os pais ou a própria criança fornecem 
informações: anamnese. 
2. A identificação de sinais pelo médico: exame 
físico. 
3. Formulação do diagnóstico. 
4. Elaboração do plano terapêutico. 
•No processo de conhecer a criança que traz uma queixa 
de sofrimento, o estado de saúde atual informa sobre as 
repercussões do agravo no organismo como um todo e, 
ainda, as condições que possam ter contribuído, direta ou 
indiretamente para aquele sofrimento → na avaliação do 
estado de saúde atual, inclui-se a situação nutricional, de 
imunização e do desenvolvimento. 
⤷A avaliação nutricional tem início com a repercussão 
da história alimentar e a identificação do padrão alimentar 
atual e se completará no exame físico → a recuperação 
da história alimentar começa com a amamentação, 
indagando-se sobre sua condições, as dificuldades 
enfrentadas, os conhecimentos dos pais sobre a 
importância do leite materno e vantagens em 
amamentar, a idade de início e fim do desmame, enfim, 
procurando-se obter todas as informações possíveis 
sobre a alimentação daquela criança. 
→Um aspecto importante na dieta das crianças com 
idade inferior a 5 anos e com história de anemia é avaliar 
o teor lácteo da dieta → sabe-se que crianças com idade 
superior a 6 meses, que continuam com alimentação 
exclusivamente láctea ou que após os 12 meses mantêm 
um excesso de mamadeiras, desenvolvem, com 
frequência, deficiência de ferro, explicando o quadro 
anêmico que apresentam. 
⤷A situação vacinal, com descrição dos tipos de vacinas 
e o número de doses recebidas de cada uma delas, indica 
o grau de proteção dessa criança aos agravos 
infecciosos para os quais se dispõe de vacinas → é 
importante conhecer as reações às vacinas e, nos casos 
de um esquema incompleto, esclarecer os motivos do 
eventual atraso ou ausência da vacinação. 
⤷A avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor é 
fundamental, tanto nas consultas de rotina, como 
naquelas em que o pediatra conhece a criança na 
situação de uma queixa de doença. 
•Esses dados permitem conhecer as condições de saúde 
da criança naquele momento → essas condições, no 
entanto, são determinadas também por fatores que 
interferiam ou vêm interferindo desde momentos 
anteriores, havendo, portanto, a necessidade de 
conhecer o passado dessa criança, que compreende os 
antecedentes pessoais de saúde. 
⤷As informações sobre o pré-natal devem abranger 
dados sobre o planejamento da gestação, agravos 
ocorridos durante a gestação e condições do parto. 
⤷Ainda nos antecedentes pessoais, deve ser investigada 
a ocorrência de doenças, internações e acidentes. 
•Os antecedentes familiares permitem associar a queixa 
apresentada pela criança com doenças hereditárias 
apresentadas por pessoas da família. 
•O diagnóstico em pediatria deve obedecer aos 
princípios gerais da prática pediátrica, ou seja, deve 
abranger todos os setores do cuidado com a criança → 
haverá um diagnóstico global que sintetiza a condição 
geral da criança e diagnóstico específicos, 
correspondentes às queixas apresentadas ou aos 
achados da anamnese e exame físico. 
•Durante a consulta, o pediatra deve verificar a situação 
vacinal, investigar as rotinas de refeições e de sono e 
observar a dinâmica familiar, para avaliar a relação entre 
pais e filhos, os vínculos parentais, manifestações de 
afeto, estabelecimento de limites ou permissividade e 
sinais que possam sugerir estresse tóxico, o qual pode 
causar danos irreversíveis ao DNPM da criança e 
aumentar os riscos para doenças orgânicas. 
⤷Para fins didáticos, o diagnóstico global pode ser 
decomposto em subitens que correspondem às grandes 
áreas da puericultura → é norma que se anotem, em 
todas as consultas, os quadro diagnósticos que cobrem 
os principais setores da criança. 
1. Trofismo → monitorização do crescimento e 
desenvolvimento frente a proliferação celular. 
2. Alimentação → avaliação do estado nutricional. 
3. Desenvolvimento neuropsicomotor → avaliação 
de evolução frente ao ganho de capacidade 
motoras, cognitivas e socioafetivas. 
4. Imunização → controle e promoção frente ao 
desenvolvimento imunológico adequado. 
 
→Em seguida, anotam-se os demais diagnósticos. 
→A cada diagnóstico devecorresponder a descrição das 
condutas referentes à investigação complementar e ao 
plano terapêutico. 
•A consulta em puericultura tem como objetivo 
acompanhar de forma criteriosa o crescimento e o 
desenvolvimento da criança pelo princípio da 
integralidade e da longitudinalidade, bem identificar as 
necessidades da criança → recomenda-se a frequência 
de 7 consultas no primeiro ano de vida da criança, 
preferencialmente em datas que coincidam com os 
períodos de imunização. 
 
•O acompanhamento ideal das crianças pré-termo exige 
a utilização de curvas específicas ou que se corrija a 
idade cronológica até que completem 2 anos de idade 
para a utilização das curvas-padrão → a idade corrigida 
(idade pós-concepção) traduz o ajuste da idade 
cronológica em função do grau de prematuridade. 
⤷Considerando-se que o ideal seria nascer com 40 
semanas de idade gestacional, deve-se descontar o 
número de semanas que faltaram para o feto atingir essa 
idade gestacional → para uma criança nascida com 36 
semanas, o peso aos 2 meses será registrado na idade 
de um mês. 
 
•Para se obter um exame satisfatório, é aconselhável que 
o ambiente esteja em temperatura amena, o bebê 
acordado e sem choro, em torno de uma hora e meia 
após a mamada → pode-se obter melhores condições 
examinando, primeiramente seu contato com o meio e 
a cabeça, sem despir a criança. 
⤷Ao despi-la utilizar o princípio da manipulação mínima, 
conforme orientação de Pretchtl: 
→Efetuar todas as manobras possíveis de investigação 
primeiramente com o bebê em decúbito dorsal, depois 
puxando-o para sentar-se, em seguida, erguendo-o ereto 
com apoio plantar no plano de exame → segue-se 
efetuando a manobra da suspensão ventral e, por fim, 
examinando-o em decúbito ventral. 
CRESCIMENTO 
•O crescimento é um processo dinâmico e contínuo, 
expresso pelo aumento do tamanho corporal → constitui 
um dos indicadores de saúde da criança. 
⤷O processo de crescimento é influenciado por fatores 
intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (ambientais, entre 
os quais se destacam a alimentação, a saúde, a higiene a 
habitação e os cuidados gerais com a criança, que atuam 
acelerando ou restringindo tal processo. 
⤷O crescimento corresponde às alterações físicas (de 
tamanho, proporções e forma) que vão ocorrendo com 
a idade enquanto o desenvolvimento se refere à 
aquisição de novas funções e habilidades. 
•O acompanhamento sistemático do crescimento e do 
ganho de peso permite a identificação de crianças com 
maior risco de morbimortalidade por meio da sinalização 
precoce da subnutrição e da obesidade. 
⤷Avaliar o crescimento e monitorar sua evolução é uma 
ação básica de saúde que deve sempre ser parte do 
atendimento à criança e ao adolescente. 
•Todo indivíduo nasce com um potencial ou alvo 
genético de crescimento, o qual está relacionado com a 
energia hereditária e o sistema neuroendócrina → no 
entanto, esse alvo pode ou não ser atingido, dependendo 
fortemente de questões ambientais, relacionadas à 
alimentação, condições socioeconômicas, geofísicas, de 
urbanização e da relação mãe-filho. 
 
•A variabilidade individual do crescimento acaba gerando 
dificuldades para a avaliação de sua normalidade, pois não 
se dispõe ainda de um instrumental capaz de identificar 
qual é o potencial de crescimento específico de cada ser 
humano → para superar essa dificuldade, o crescimento 
de uma criança ou adolescente acaba sendo comparado 
com a variabilidade de parâmetros antropométricos 
(peso, estatura, circunferência do crânio, índice de massa 
corporal e etc.), bem como de sua evolução com a idade, 
apresentados por seus pares, isto é, adolescentes 
saudáveis de mesmo sexo e idade. 
⤷O instrumento que deve ser utilizado para este fim são 
as curvas de crescimento → são gráficos que 
representam a variabilidade considerada normal de 
medidas corporais como o peso, a estatura, o IMC etc., 
que se observa entre indivíduos saudáveis de mesmo 
sexo e idade. 
→O traçado das curvas indica a tendência de 
crescimento esperada em função da idade e de acordo 
com o porte físico da criança, seja ele microssômico, 
normossômico ou macrossômico. 
•Na rotina assistencial da criança e/ou do adolescente, o 
referencial apresentado nas curvas de crescimento é 
utilizado com três objetivos básicos: 
1. Analisar a normalidade ou não de seu processo 
de crescimento → incluindo o crescimento 
alcançado e a velocidade de crescimento, 
estimada pela tendência observada na curva. 
2. Compor o diagnóstico do estado nutricional e 
acompanhar a sua evolução com o tempo. 
3. Mostrar e discutir com os pais ou responsáveis 
o crescimento e o estado nutricional de sua 
criança ou adolescente, fazendo com que 
possam melhor compreendê-los e, assim, 
colaborar adequadamente frente às orientações 
e/ou eventuais prescrições necessárias. 
⤷Além disso, o registro nas curvas dos valores 
observados em avaliações sucessivas permitirá analisar a 
tendência de crescimento e/ou a evolução do estado 
nutricional daquela criança ou adolescente → para isso, 
a avaliação da tendência deverá ser feita com no mínimo 
três mensurações sucessivas, realizadas a intervalos de 
tempo compatíveis com a velocidade de crescimento 
que as crianças/adolescentes apresentam naquela faixa 
etária. 
•Nas curvas da OMS/MS, os valores dos dados 
antropométricos estão plotados nos gráficos de cada 
parâmetro (em percentis ou escores z), apresentando 
uma linha que espelha a tendência média, ou mediana, de 
crescimento de cada parâmetro e outras linhas ao seu 
redor, que indicam um maior ou menor afastamento 
dessa tendência central → os exores z indicam unidades 
do desvio-padrão do valor da mediana (escore z 0 ou 
linha verde), um ponto que não esteja entre as linhas 
vermelhas (escore z < +2 e > -2) indica um problema 
de crescimento. 
⤷Cabe ressaltar que um maior risco de anormalidade 
não implica na certeza da existência de anormalidade. 
 
•A velocidade de crescimento pós-natal é especialmente 
elevada nos 2 primeiros anos de vida, com declínio 
acentuado até o final da fase pré-escolar → no 1° ano, a 
criança cresce em torno de 24 cm e ganha em torno 
de 6 kg. 
⤷Após o nascimento há diminuição do peso em virtude 
da eliminação de urina e mecônio, na ordem de 10% por 
volta do 10° e por volta do 10° dia de vida o peso de 
nascimento é novamente atingido 
⤷Admitem-se os 5° e 12° meses de vida, quando a 
criança dobra e triplica seu peso de nascimento → a 
partir do segundo ano de vida, o ganho médio e de cerca 
de 2 kg por ano até a idade de 8 anos. 
•A criança cresce em média 15cm no primeiro semestre 
e 10cm no segundo semestre, isto é, no final do primeiro 
ano de vida a criança cresceu 50% da altura ao 
nascimento. 
•O perímetro cefálico é uma medida importante, pois 
indica crescimento do cérebro, sendo um dos índices de 
menor variação para os diferentes grupos etários. 
 
•A medida do perímetro torácico deve ser feita 
passando a fita métrica pelos mamilos e no meio tempo 
entre a expiração e a inspiração → é uma medida útil para 
a classificação de desnutrição quando associada ao perímetro 
cefálico. 
⤷É um indicador de reserva adiposa e massa muscular que 
tende a estar associada ao peso. →é utilizada isolada ou 
associada à circunferência cefálica. 
•Do nascimento até os seis meses de vida, a relação 
entre os perímetros torácico e cefálico (relação PT/PC) 
são aproximadamente iguais, resultando em uma relação 
PT/PC = 1. 
⤷Dos seis meses aos cinco anos de idade, uma relação 
normal entre PT/PC é sempre maior que 1 → uma 
relação menor que 1 neste período é indicativo de 
desnutrição energética-proteica. 
•Puberdade é a fase final do crescimento estatural que 
consiste em um processo fisiológico de maturação 
hormonal e crescimento somático que torna o 
organismo apto a se reproduzir → nessa fase, acontece 
o estirão puberal, momento em que ocorreuma rápida 
velocidade de crescimento e várias mudanças corporais 
por um período de 3 e 5 anos. 
⤷Nas meninas, a puberdade pode iniciar entre 8 e 13 
anos de idade, com o aparecimento do broto mamário 
→ a menarca acontece em até 5 anos após o início 
deste processo, geralmente entre 6 e 12 meses após o 
pico de crescimento estatural. 
⤷Nos meninos, a puberdade começa entre 9 e 14 anos 
de idade, com o aumento do volume dos testículos, e 
termina 5 anos após → a semenarca ou espermarca 
ocorre no pico de velocidade de crescimento. 
⤷A maturação sexual abrange o desenvolvimento das 
gônadas, órgãos de reprodução e caracteres sexuais 
secundários → deve-se observar o aparecimento de 
pelos e o crescimento da genitália. 
→A determinação do estadiamento da maturação 
sexual é feita utilizando-se os critérios de Tanner. 
 
 
•O mais comum é que os dentes decíduos (de leite) 
comecem a erupcionar em torno dos 6 meses, porém, 
é possível que haja retardo na erupção, o que não deve 
ser motivo de preocupação se ela acontecer até os 12 
meses. 
⤷Após um ano de idade da criança, se não ocorreu a 
erupção, é necessário investigar o caso, pois existe a 
possibilidade (rara) de ocorrer anadontia (ausência dos 
dentes). 
⤷Por volta dos 18 meses aparecem os molares decíduos, 
o que vai exigir maiores cuidados de limpeza (introdução 
obrigatória da escova dental), pois estes dentes 
apresentam sulcos retentivos de placa bacteriana. 
 
•É importante realizar a limpeza da cavidade oral da 
criança utilizando uma gaze e água filtrada → a partir 
dos dois anos de idade a escovação contínua é 
responsabilidade dos pais ou responsáveis, mas à medida 
que a criança cresce, deve ser estimulada a fazer a 
escovação sozinha. 
⤷Na medida do possível, crianças com menos de 06 
anos devem fazer uso de dentifrício fluoretado sob 
supervisão de um adulto ciente dos riscos da ingestão 
do produto. 
 
 
nutrição 
•A Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde 
e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que o 
aleitamento materno seja exclusivo até os 6 meses de 
vida e complementar até os 2 anos ou mais → o 
aleitamento materno promove um maior vínculo afetivo 
entre mãe e filho. 
⤷Em relação ao leite materno, o leite de vaca possui 
diversas desvantagens → possui uma quantidade maior 
de solutos e de proteínas, podendo acarretar sobrecarga 
renal no lactente até 1 ano, principalmente até os 6 meses 
de vida; uma menor biodisponibilidade do ferro para 
absorção intestinal, favorecendo a ocorrência anemia 
ferropriva; e uma quantidade maior de gordura. 
•As fórmulas infantis, apesar de tentarem se aproximar 
da composição e das características do leite materno, 
não possuem as propriedades imunológicas que este 
último possui. 
•A técnica de amamentação, em especial o 
posicionamento da mãe e do bebê e a pega do bebê ao 
seio, é fundamental para a saída efetiva do leite durante 
a mamada e para a proteção dos mamilos da mãe. → 
alguns pontos-chave para uma boa técnica de 
amamentação incluem: 
a) Posicionar o rosto do bebê de frente para a 
mama, com o nariz em oposição ao mamilo; 
b) Corpo do bebê próximo da mãe; 
c) Bebê com cabeça e tronco alinhados; 
d) Aréola um pouco mais visível acima da boca do 
bebê; 
e) Boca bem aberta, lábio inferior virado para fora 
e queixo tocando a mama (BRASIL, 2012). 
⤷Em relação à frequência, é comum um bebê em 
aleitamento materno exclusivo mamar de 8 a 12 vezes 
por dia → o ideal é recomendar o aleitamento materno 
livre demanda, ou seja, de acordo com a necessidade do 
bebê; isso favorece a “descida do leite”, a estabilização 
dos níveis de glicemia da criança e a recuperação mais 
rápida do peso de nascimento, lembrando que o recém-
nascido pode perder até 10% de nascimento, devendo 
recuperá-lo até o décimo dia de vida 
⤷É sempre importante frisar para a mãe que não existe 
leite fraco e lembrar também que o leite do final á o leite 
mais rico em calorias. 
•Para as crianças alimentadas exclusivamente ao seio 
materno, a introdução de alimentos complementares, em 
geral, se faz aos 6 meses de vida → se a alimentação é 
introduzida mais precocemente, antes dos 4 meses, esta 
pode acarretar mal aproveitamento dos nutrientes, 
devido à imaturidade do intestino, pode ocasionar 
sobrecarga de solutos e pode ter valor nutricional inferior 
ou maior que o necessário (BRASIL, 2004). 
•Na impossibilidade de se proporcionar aleitamento 
materno exclusivo no primeiro ano de vida, deve-se 
utilizar fórmulas infantis para lactentes, adequada para a 
idade do bebê, para substituir e/ou suplementar o 
aleitamento materno → o leite de vaca não é um 
alimento apropriado para a criança menor de 1 ano de 
idade. 
•Se a criança está em aleitamento materno exclusivo, 
não há necessidade de oferta de água → se a criança 
está em uso de fórmulas, a água deve ser oferecida nos 
intervalos das mamadas. 
•A quantidade de alimento que a criança deve ingerir é 
aquela que satisfaça seu desejo de se alimentar, isto é, 
seu apetite, e que promova seu bom crescimento e 
desenvolvimento, segundo sua dotação genética → a 
introdução de alimentos novos de modo progressivo visa 
a tatear a tolerância gastrintestinal e a sensibilidade 
alérgica, bem como o paladar. 
⤷Deve-se equilibrar a tendência laxante e obstipante dos 
alimentos. 
•Com 6 meses, a maioria das crianças está preparada, 
do ponto de vista digestório, renal, imunológico e 
neurológico, para a ingestão segura de alimentos sólidos 
→ nessa idade, ela passa a sentar sem apoio, pega 
objetos e os leva a boca, é capaz de fazer movimentos 
de mastigação mesmo antes de surgirem os primeiros 
dentes, demonstra interesse pelos alimentos e gosta de 
participar das refeições familiares. 
⤷Como consequência de seu desenvolvimento, é 
comum a criança querer colocar as mãos na comida, por 
isso, é importante dar liberdade para que ela explore os 
alimentos → entender os sinais de maturidade do 
lactente (sinais de prontidão) para iniciar a introdução de 
alimentos sólidos é fundamental para uma introdução 
alimentar com sucesso. 
→São eles: sentar-se sem ou com mínimo apoio, 
apresentar interesse na comida da família, levar objetos 
à boca e ter diminuído o reflexo de protusão da língua. 
•Em relação ao preparo, usar temperos naturais (salsa, 
cebolinha, alho, cebola, alecrim, manjericão, tomate), bem 
como óleo vegetal, azeite ou manteiga para refogar → 
o sal não deve ser adicionado no preparo das refeições 
antes de 12 meses, assim como outros condimentos 
industrializados ricos em sódio. 
→O consumo exagerado desse mineral está associado 
ao desenvolvimento de hipertensão arterial na vida adulta 
•O açúcar deve ser evitado até 2 anos de idade, da 
mesma forma os preparados para pudim, gelatina, sucos 
em pó, refrigerantes, geleias industrializadas, leites 
fermentados, biscoitos, doces e guloseimas → outros 
alimentos desaconselháveis são aqueles pré-preparados, 
refrigerantes, café e embutidos. 
 
•No Brasil, embora a maioria da população resida em 
regiões de adequada exposição solar, a hipovitaminose D 
é um problema comum em lactentes, crianças e 
adolescentes 
⤷A dose preventiva universal da vitamina D é de 400UI 
para lactentes de 0-12 meses e 600UI para os maiores 
de 1 ano → entretanto, a Academia Americana de 
Pediatria vem discutindo ultimamente a individualização 
das doses. 
⤷Recomenda-se a prescrição isolada de vitamina D para 
podermos titular a dose; em regiões de comprovada 
deficiência de vitamina A se recomenda o Programa de 
Suplementação de vitamina A, do Ministério da Saúde, 
com utilização da megadose única para crianças de 6-12 
meses, dose de 100.000UI, e para crianças de 12-72 
meses, 200.000UI, lembrando a relação local/regional do 
risco-benefício: hipertensão intracraniana versus risco de 
mortalidade por pneumonia, diarreia e sarampo. 
•A anemia por deficiênciade ferro é a mais comum das 
carências nutricionais, com maior prevalência em 
crianças, principalmente nos países em desenvolvimento 
→ aquelas com idade entre 6-24 meses apresentam 
risco duas vezes maior para desenvolver a doença do 
que aquelas entre 25-60 meses. 
⤷As novas recomendações da SBP (2019) indicam a 
suplementação preventiva para recém-nascido de 
termo, de peso adequado para a idade gestacional, de 
1mg de ferro elementar/kg de peso/dia, a partir do 3° 
mês (independentemente se em aleitamento materno 
exclusivo, misto ou somente fórmula infantil) até o 24° 
mês de vida 
Desenvolvimento neuropsicomotor 
•A monitorização do crescimento e do desenvolvimento 
provavelmente é a tarefa mais importante do pediatra 
→ a exploração de determinados aspectos do 
desenvolvimento infantil e a avaliação de sua adequação 
à idade do paciente podem fazer toda a diferença na 
detecção precoce de dificuldades do desenvolvimento 
•O que se convenciona chamar de desenvolvimento é o 
resultado de muitos processos complexos e 
multifacetados que são influenciados direta e 
indiretamente por uma gama de fatores biológicos, 
genéticos, psíquicos, socioeconômicos e ambientais → a 
despeito dessa complexidade, a prática pediátrica 
permite formular um método de avaliação do 
desenvolvimento infantil. 
⤷O desenvolvimento pode ser classificado pela 
conceituação mais abrangente proposta por Lissauer e 
Clayden no livro Illustrated Textbook of Paediatrics: 
a. Motor grosseiro. 
b. Motor refinado e visão. 
c. Fala, linguagem e audição. 
d. Social, emocional e comportamental. 
•A monitoração dos parâmetros do crescimento é 
relevante porque o atraso do crescimento pode 
denunciar um distúrbio que também afetará o 
desenvolvimento → o perímetro cefálico deve ser 
medido a cada consulta nos lactentes sadios. 
⤷É fundamental registrar a medida encontrada em um 
gráfico do crescimento apropriado. 
•Quanto ao formato do crânio, avaliamos de acordo com 
a relação entre a distância biauricular (de uma inserção 
superior de uma orelha à outra) e anteroposterior 
(glabela-occipício), esperando resultado igual a 1 → diz 
braquicefálico, quando a medida biauricular é maior do 
que a anteroposterior e, dolicocefálico ou escafocéfalo, 
quando a medida biauricular é menor do que a 
anteroposterior, dando ao crânio um formato de quilha 
de navio. 
⤷Essas formas podem ou não estar relacionadas ao 
fechamento precoce patológico de suturas (coronárias 
no caso de braquicefalia e sagital na escafocefalia). 
⤷A trigonocefalia é sempre consequência do 
fechamento precoce patológico da sutura metópica 
 
•A presença dos reflexos primitivos, com atenção 
especial às idades em que eles aparecem e 
desaparecem, é uma boa medida da integridade do SNC 
no 1º semestre de vida e uma demonstração do estágio 
de desenvolvimento do recém-nascido e do lactente → 
ao longo do processo de mielinização e formação da 
circuitaria do SNC, os reflexos primitivos surgem em 
idades previsíveis e, após um determinado período, são 
suprimidos pela maturação da função dos níveis 
cerebrais superiores. 
 
•Reflexos primitivos são respostas automáticas e 
estereotipadas a um determinado estímulo externo → 
estão presentes ao nascimento mas devem ser inibidos 
ao longo dos primeiros meses, na medida em que 
surgem os reflexos posturais. 
⤷Sua presença mostra integridade do sistema nervoso 
central, entretanto, sua persistência revela disfunção 
neurológica → os reflexos primitivos são mediados por 
mecanismos neuromusculares subcorticais, que se 
encontram desenvolvidos desde o período pré-natal. 
⤷O desaparecimento desses está atribuído ao 
desenvolvimento de mecanismos corticais inibitórios dos 
lobos frontais à medida em que a criança se desenvolve 
pela maturação do cérebro, decorrente da mielinização, 
arborização e formação das sinapses nervosas, com 
crescente controle voluntário de cada uma das atividades 
relacionadas a estes reflexos → na criança, a falta de 
amadurecimento ou desaparecimento de tais reflexos 
pode indicar a existência de lesões cerebrais. 
•Reflexo de moro → surge com 28 a 32 semanas de 
idade gestacional, mas só é completo a termo. 
⤷A idade limite para seu desaparecimento é aos 5 
meses, porém, muitas crianças deixam de tê-lo mais 
cedo. 
⤷Para suscitá-lo, mantêm-se o tronco do bebê em uma 
posição semiereta e, em seguida, permite-se que a 
cabeça caia, aparando a queda com a mão → a resposta 
completa consiste em extensão e abdução dos dedos 
das mãos e dos braços, seguidas por flexão dos braços. 
→Alguns bebês emitem um som agudo no início da 
resposta e, a maioria chora com o susto. 
⤷A ausência de resposta em um dos braços significa, 
mais provavelmente, paralisia do plexo braquial por 
tocotraumatismo. 
⤷A ausência do reflexo de Moro no recém-nascido a 
termo, em geral, reflete disfunção acentuada do SNC. 
 
•O reflexo de sucção está bem estabelecido com 34 
semanas de idade gestacional e, para pesquisá-lo, basta 
colocar um dedo limpo na boca do recém-nascido. 
 
⤷Complementar a este reflexo é o reflexo dos pontos 
cardeais, ou de voracidade → ao estimular delicadamente 
a região perioral com um dedo, o bebê procura 
abocanhá-lo. 
 
•O reflexo tônico-cervical assimétrico (Magnus e De 
Kleijin ou reflexo do esgrimista) começa a surgir por volta 
de 35 semanas de idade gestacional, mas só está 
completo ao 1° mês de vida → com o bebê em decúbito 
dorsal, gira-se a cabeça para um dos lados. 
⤷A resposta consiste em extensão do braço e da perna 
ipsilaterais e flexão dos membros contralaterais. 
 
⤷Costuma desaparecer aos 6 a 7 meses, mas mesmo 
quando presente, o lactente deve ser capaz de sair da 
“postura de esgrimista” que caracteriza sua resposta. 
⤷No paciente que apresenta este reflexo em apenas 
um dos lados do corpo, a interpretação da anormalidade 
depende da idade → no 1° semestre de vida, o 
hemisfério cerebral contralateral ao lado em que o RTC 
está ausente é normal, porém, em crianças maiores, o 
hemisfério cerebral contralateral ao lado em que o RTC 
persiste é anormal. 
•O reflexo de preensão palmar surge com 28 semanas 
de idade gestacional e desaparece até 4 a 5 meses de 
idade → é pesquisado estimulando-se a palma aberta do 
bebê com um dedo, sendo a flexão dos dedos a resposta 
normal. 
 
•O reflexo de preensão plantar aparece ao nascimento 
e desaparece aos 9 a 12 meses → a estimulação da 
planta, próximo aos dedos, produz flexão plantar. 
 
•O reflexo de apoio plantar é desencadeado pelo apoio 
do pé do recém-nascido sobre uma superfície dura, 
estando este seguro pelas axilar, observando-se 
extensão total das pernas. 
 
•O reflexo da marcha reflexa é desencadeado por 
inclinação do tronco do recém-nascido após a obtenção 
do apoio plantar → deve-se observar cruzamento das 
perna, uma à frente da outra. 
 
•O reflexo de Galant (ou reflexo de encurvamento do 
tronco) é desencadeado por estímulo tátil na região do 
dorso lateral → resulta em encurvamento do tronco 
ipsilateral ao estímulo. 
 
•O reflexo de colocação (ou Placing) é desencadeado 
por estímulo tátil do dorso do pé estando o bebê seguro 
pelas axilas → tem como resposta a elevação do pé, 
como se estivesse subindo um degrau de escada. 
⤷É o único reflexo primitivo com integração cortical. 
 
•O reflexo cutâneo-plantar é desencadeado por estímulo 
tátil na região lateral externa do pé, no sentido do 
calcanhar para o 2° e 3° podáctilos, resultando em 
extensão dos dedos até aproximadamente o 9° mês, 
podendo ser em extensão, flexão ou indiferente após o 
primeiro semestre de vida → após a aquisição da 
marcha, resulta sempre em flexão. 
 
•O reflexo de fuga à asfixia é desencadeado colocando-
se o bebê em decúbito ventral no leito, com a face 
voltada para o colchão → em alguns segundo o recém-
nascido deverá virar o rosto, liberando o nariz para 
respirar adequadamente.•De modo geral, a sucção reflexa e a marcha reflexa 
desaparecem por volta dos dois meses de vida e, os 
demais, devem desaparecer até no máximo 6 meses de 
idade, exceto os dois reflexos dos pés. 
•Os reflexos posturais substituem os reflexos primitivos, 
sendo movimentos automáticos que mantém a posição 
e equilíbrio do corpo durante repouso ou movimento, 
modulando a distribuição de tônus muscular nos 
membros e tronco → relacionado a harmonia do 
movimento. 
⤷Reflexo de Landau → desencadeado quando o bebê 
é suspenso na posição prona observando a elevação da 
cabeça acima do tronco e em seguida o tronco fica 
retificado e as pernas estendidas. 
 
→Quando o examinador flete a cabeça do bebê, as 
pernas se fletem também (Landau II). 
→É um reflexo postural fundamental para sentar-se e 
andar, estando presente a partir de 4 ou 5 meses de 
idade. 
⤷Apoio Lateral → desencadeado lateralizando-se o 
tronco do bebê sentado observando extensão do braço 
ipsilateral ao lado da queda, com apoio da palma da mão 
ao solo; presente a partir de 6 ou 8 meses de idade. 
•Manobra do paraquedas → desencadeado colocando a 
criança de ponta cabeça, observando a extensão dos 
braços para frente, como se fosse amparar a queda. 
⤷É o último reflexo postural a aparecer, presente a 
partir de 8 a 9 meses de idade → deve estar 
obrigatoriamente presente aos 12 meses. 
•Boa parte da avaliação no 1º semestre de vida baseia-se 
no desenvolvimento da função motora, fruto da 
complexa interação do processo de mielinização, 
formação de sinapses, apoptose, nutrição, experiências 
e brincadeiras → a simples atitude do recém-nascido no 
leito já assinala eventuais insultos ao SNC. 
⤷Assim, é importante inspecionar a postura e os 
movimentos espontâneos antes de realizar manobras de 
avaliação do tônus muscular. 
⤷O tônus muscular é definido como a resistência que os 
músculos oferecem à movimentação passiva em 
repouso (componente estático) ou o grau de contração 
durante um dado movimento (componente fásico) e 
provavelmente é a melhor medida da integridade do SNC 
nos primeiros 6 meses de vida. 
•Durante o primeiro ano de vida o tônus muscular varia 
de flexor (no RN a termo) para hipotônico (entre 6 e 8 
meses), até atingir valores normais no fim do primeiro 
ano de vida → o reflexo de Landau é muito útil para 
diferenciar a hipotonia fisiológica da hipotonia patológica. 
 
•Para avaliação da força muscular devemos observar 
principalmente se há alguma assimetria entre os 
membros através da manobra do rechaço → na 
avaliação da força muscular de membros inferiores, 
coloca-se o bebê na beira da cama e observa-se se ele 
consegue manter as pernas elevadas. 
 
 
•Fraqueza proximal, muitas vezes associada à doença 
neuromuscular, pode ser avaliada pela manobra de 
Gowers → nessa manobra pede-se que a criança sente 
no chão e levante. 
⤷A manobra é positiva (sinalizando fraqueza muscular 
proximal) quando a criança se apoia no chão ou coxas 
para se levantar. 
 
•Estima-se que 11 a 20% das crianças nos Estados Unidos 
tenha algum distúrbio comportamental ou emocional, 
conforme definido na 5ª edição do Manual Diagnóstico e 
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V); esta é a 5ª 
principal doença pediátrica crônica. 
⤷O que tem sido observado é que exposições 
constantes a eventos estressantes, como violência, abuso 
sexual, álcool, drogas e negligência, comprometem a 
capacidade das crianças em regular seu sistema de 
resposta ao estresse de forma eficaz, podendo levar a 
mudanças estruturais e funcionais adversas de longo 
prazo no cérebro e em outras partes do corpo → 
possíveis consequências do estresse tóxico no 
comportamento infantil devem chamar a atenção do 
pediatra e são, por exemplo, hiperatividade, 
agressividade, personalidade introspectiva, distúrbio do 
sono, enurese, mudanças de comportamento, 
sentimento de incompetência, déficit de atenção e 
transtorno obsessivo compulsivo. 
•A Academia Americana de Pediatria sugere que sejam 
aplicados testes de triagem em relação ao 
comportamento infantil. 
⤷Ages and Stages Questionnaire, 3.ed. (ASQ-3), que 
avalia os domínios de coordenação motora ampla e fina, 
comunicação, capacidade de resolução de problemas e 
relação pessoal/social. 
⤷Denver Developmental Screening Test II, 2.ed. (DDST-
II), que avalia 4 campos do desenvolvimento: motricidade 
grossa e fina, linguagem e competência pessoal-social. 
⤷Swanson, Nolan and Pelham Scale (SNAP-IV), versão 
abreviada, que avalia a gravidade da desatenção e 
hiperatividade/impulsividade por meio de escores 
quantitativos. 
⤷Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ), que 
rastreia 4 áreas de dificuldade da criança (sintomas 
emocionais, problemas de conduta, 
hiperatividade/desatenção e problemas no 
relacionamento com pares) e 1 área de capacidades da 
criança (comportamento pró-social). 
•A rotina para um sono tranquilo deve ser estabelecida 
para as crianças o mais cedo possível, uma vez que 
possui íntima relação com o desenvolvimento intelectual. 
⤷É importante que, ao anoitecer, o movimento da casa 
seja modificado → menos barulho e menos iluminação 
são fundamentais para manter um ambiente mais sereno. 
→Pode-se introduzir também o que chamamos de “ritual 
para uma boa noite de sono”, que deve ser ocorrer 
diariamente. 
 
imunização 
•O sistema imunológico do recém-nascido apresenta 
habilidade limitada em montar uma resposta efetiva do 
ponto de vista quantitativo e qualitativo contra patógenos 
invasivos, implicando mais suscetibilidade a infecções → 
sabe-se que quanto menor o período gestacional, menos 
desenvolvido será o sistema imunológico ao nascimento, 
de forma que recém-nascidos prematuros extremos 
(<28 semanas) apresentam risco 5-10 vezes mais alto de 
infecção que o recém-nascido a termo. 
⤷O neonato é altamente dependente da transferência 
materna passiva de anticorpos no início da vida fetal e 
neonatal → o desenvolvimento imunológico somente 
estará completo na infância tardia (por volta dos 12 anos 
de idade). 
→O leite materno é um exemplo importante de 
transferência de imunidade passiva no período pós-natal 
→ ele possui funções antimicrobianas, anti-inflamatórias 
e imunorreguladoras. 
•É indiscutível o relevante papel de prevenção e 
promoção que as imunizações desempenham na 
Atenção Básica à Saúde → poucas ações são tão 
fortemente evidenciadas como capazes de proteger a 
saúde infantil e de impactar a incidência e a prevalência 
de doenças na infância. 
•A vacina penta de células inteiras (DTPw-HB/Hib) atua 
não prevenção do tétano, difteria, coqueluche, meningite 
por Hib e hepatite B. 
⤷Trata-se de vacina inativada, indicada para crianças até 
7 anos de idade. 
⤷Contraindicações: 
a. Maiores de 7 anos de idade, com ou sem 
história de reação alérgica grave (anafilaxia) 
a algum componente da vacina. 
b. Crianças que apresentaram reações vacinais 
consideradas graves após a aplicação da 
vacina DTPw ou combinada a ela: 
o Episódio hipotônico-hiper-responsivo 
(EHH) nas primeiras 48 horas → esta 
reação em geral é precedida por 
irritabilidade e febre. A criança torna-se 
pálida, perde o tônus muscular e a 
consciência, e esse quadro pode durar 
desde alguns minutos até algumas horas. 
Apesar de muito angustiante, melhora 
sem deixar sequelas. Sua ocorrência não 
indica tendência de repetição quando da 
aplicação de doses subsequentes. 
o Convulsões nas primeiras 72 horas. 
o Reação anafilática nas primeiras duas 
horas. 
o Encefalopatia aguda nos sete dias após 
a vacinação. 
⤷Pode provocar vários eventos adversos, quase sempre 
entre as primeiras 48 a 72 horas, sendo o componente 
pertussis o principal responsável → em geral, são 
eventos leves, que melhoram sem complicações ou 
sequelas e não contraindicam doses subsequentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
→Estes eventos são os mesmos e comfrequência 
semelhantes aos observados com a vacina tríplice 
bacteriana de células inteiras (DTPw). 
•A vacina rotavírus previne a doença diarreica causada 
por rotavírus → há dois tipos: 
1. Vacina oral monovalente (VRH1) → contém um 
tipo de rotavírus vivo “enfraquecido”, além de 
sacarose, adipatodissódico, meio Eagle 
modificado Dulbecco (DMEM) e água estéril. 
2. Vacina oral atenuada pentavalente (VRH5) → é 
composta por cinco tipos de rotavírus vivos 
“enfraquecidos”, sacarose, citrato de sódio, 
fosfato de sódio monobásico monoidratado, 
hidróxido de sódio, polissorbato 80, meios de 
cultura e traços de soro fetal bovino. 
⤷É indicada para bebês de 6 semanas a 8 meses e 0 
dia → a primeira dose deve ser obrigatoriamente 
aplicada até a idade de 3 meses e 15 dias, e a última dose 
até os 7 meses e 29 dias. 
⤷Efeitos e eventos adversos: 
→VRH1 –em nosso país, verificou-se um pequeno 
aumento no risco de invaginação, na primeira 
semana após a segunda dose da vacina → a 
ocorrência é muito menor que o risco de 
hospitalização ou óbito decorrente de gastrenterite 
causada por rotavírus. 
→VRH5 – sintomas de gastrenterite ocorrem em 
menos de 10% dos vacinados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
peculiaridades

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