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TERMODINÂMICA QUÍMICA I CRITÉRIOS DE ESPONTANEIDADE E EQUILÍBRIO CAPÍTULO II – PARTE VI 2021.01 (suplem.) v13 Propriedades dos Gases Termodinâmica Clássica Definições Básicas Energia de Gibbs Energia: Trabalho e Calor Leis da Termodinâmica 1ª Lei TERMO I Gás como um Sistema Termodinâmico Conceitos Básicos Energia Interna 2ª e 3ª Leis Entropia Entalpia Termoquímica 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 CRITÉRIOS DE ESPONTANEIDADE E EQUILÍBRIO • Introdução No início do capítulo sobre a 2ª lei da Termodinâmica foi dito que a importância dessa lei para a Química seria: “Estabelecer critérios para explicar a espontaneidade, não espontaneidade e até mesmo o estado de equilíbrio de sistemas termodinâmicos em processos químicos e físicos.” Foi visto que associada a 2ª Lei encontra-se a função de estado entropia cujas mudanças para o universo termodinâmico de sistemas estabelece os critérios: ∆Suni > 0 → processo espontâneo (irreversível; natural); ∆ Suni = 0 → processo em equilíbrio (reversível); ∆ Suni < 0 → processo não espontâneo. Em princípio os critérios estabelecidos pela 2ª Lei parecem satisfazer às necessidades do químico quando do estudo acerca da espontaneidade de processos químicos e físicos. Mas por que em princípio? Resp.: os critérios estabelecidos pela 2ª Lei são devidos às mudanças da entropia do universo e não apenas do sistema. Assim, necessita-se conhecer além das propriedades do sistema (por ex. uma reação química), as propriedades das vizinhanças, o que torna esses critérios de certo modo inconvenientes para muitas aplicações. Apesar de ∆ Ssis se referir apenas ao sistema a análise de sua contribuição para o valor do ∆Suni leva à conclusão da necessidade de se procurar outros critérios de espontaneidade, de não espontaneidade e de equilíbrio, todos, igualmente baseados apenas nas propriedades do sistema. Análise da variação da entropia do universo: ∆ Suni = ∆ Ssis + ∆ Sviz > 0 (sistema isolado) ∆ Ssis > 0 ou ∆ Ssis < 0 o processo pode o processo pode ou não ocorrer ou não ocorrer espontaneamente espontaneamente A questão de poder ou não ocorrer espontaneamente vai depender dos sinais de ∆ Ssis e ∆ Sviz, portanto, necessita-se de outros critérios. Há duas outras funções de estado derivadas da 2ª Lei que fornecem os critérios que se está procurando com base apenas em propriedades do sistema, e portanto, independentes das propriedades das vizinhanças e assim do universo. TAREFA #1 Por que a aplicação da 2ª Lei já não é o suficiente para a análise dos fenômenos químicos espontâneos? CRITÉRIOS GERAIS DE ESPONTANEIDADE E EQUILÍBRIO COM BASE EM PROPRIEDADES DO SISTEMA Dedução: partindo-se da desigualdade de Clausius dS ≥ dq 𝑻 → T dS ≥ dq onde T dS > dqirr ou T dS = dqrev - Usando a 1ª Lei: dU = dq + dw → dq = dU - dw , com w incluindo todo o tipo de trabalho ou seja wpV e wad (adicional, exemplo wele = elétrico); ou seja dw = dwpV + dwad ou ainda dw = [(- pex dV)+ dwad]; - Combinando a 1ª e a 2ª lei: T dS ≥ dU - dw → T dS ≥ dU - [(- pex dV)+ dwad] - Rearranjando - dU + (- pex dV)+ dw ad) +T dS ≥ 0 - Finalmente Esta é a condição geral de espontaneidade (>) e de equilíbrio (=) em termos das mudanças nas propriedades do sistema: dU, dS e dV, na temperatura T, e dos tipos de trabalho dwpV e dwad envolvidos nas mudanças de estado de sistemas termodinâmicos. - dU - pex dV+ dwad +𝐓 𝐝𝐒 ≥ 0 A partir da condição geral de espontaneidade e equilíbrio: Aplicando-se ao sistema condições particulares durante uma mudança de estado, chega-se a diversos critérios de espontaneidade e equilíbrio referentes tão somente ao sistema e não mais ao universo. A seguir será deduzido apenas o primeiro critério, o mais importante. Processo Espontâneo (Irreversível) Nome da Função de Estado Processo em Equilíbrio (Reversível) dG p,T < 0 Energia de Gibbs dGp,T = 0 dA T,V < 0 Energia de Helmholtz dA T,V = 0 dSV,U > 0 Entropia dSV,U = 0 dUV,S < 0 Enrgia Interna dUV,S = 0 dHp,S < 0 Entalpia dHp,S = 0 - dU - pex dV+ dwad +𝐓 𝐝𝐒 ≥ 0 Critérios de Espontaneidade e Equilíbrio Sendo o processo isobárico, pex = p, que é a pressão de equilíbrio, portanto, pex dV = p dV = d(pV). - Por outro lado se o processo também for isotérmico, TdS = d(TS). - Substituindo-se na equação geral: - dU - pex dV+ dwad +𝐓 𝐝𝐒 ≥ 0 – dU – d(pV)+ dwad + 𝐝(𝐓𝐒) ≥ 0 – dU – d(pV) + 𝐝(𝐓𝐒) ≥ - dwad - Multiplicando-se por (- 1): dU + d(pV) − 𝐝(𝐓𝐒) ≤ dwad - Rearranjando-se: d(U + pV - 𝐓𝐒) ≤ dwad - Observa-se que todas as funções em parênteses d(U + pV - 𝐓𝐒) são funções de estado, onde U + pV = H é a função entalpia, - enquanto, H – TS, define uma nova função de estado, a Energia de Gibbs (G). • Sistema Submetido à Pressão e Temperatura Constantes - Repetindo a última expressão: d(U + pV - 𝐓𝐒) ≤ dwad H - Portanto, d( H - TS ) ≤ dwa G - Esta nova função de estado , derivada da 2ª Lei, a energia ou função de Gibbs (G), tem papel importantíssimo na Termodinâmica Química pois é critério de espontaneidade e equilíbrio de processos termodinâmicos com base apenas nas propriedades do sistema em estudo, neste caso pressão (p) e temperatura (T): dGp,T ≤ dwa TAREFA #2 Qual o modo mais simples de testar a espontaneidade de um fenômeno químico que ocorre sob temperatura e volume constantes? A variação da energia de Gibbs indica conveniente medida do “driving force” (força propelente) de um processo químico ou físico, i. é., o sentido espontâneo ou natural de uma reação ou de uma transição de fase. De todos os critérios de espontaneidade e equilíbrio este é o mais importante para o químico, pois nos laboratórios de Química a grande maioria dos experimentos são conduzidos à pressão e temperatura constantes. • COMENTÁRIOS Nos processos espontâneos, os naturais, quando conduzidos a p e T constantes, a energia de Gibbs do sistema irá decrescer até atingir o valor mínimo, o qual permanecerá constante indicando o estado de equilíbrio termodinâmico do sistema, assim como o final do processo espontâneo (ver figura). O processo inverso é não espontâneo. AS FUNÇÕES DERIVADAS DA 2ª LEI – ENERGIA DE GIBBS E ENERGIA DE HELMHOLTZ Definições: G = H – TS energia de Gibbs (A = U – TS) (energia de Helmholtz) Mudanças infinitesimais: dG = dH – d(TS) energia de Gibbs (dA = dU – d(TS) (energia de Helmholtz) Mudanças finitas: ∆G = ∆H – ∆(TS) energia de Gibbs (∆A = ∆U – ∆(TS) (energia de Helmholtz) • COMENTÁRIO Em processos isotérmicos são comuns as representações dG = dH – T dS e ∆G = ∆H – T ∆S; (o mesmo para dA e ∆A). • Energia de Gibbs: G = H – TS - Para uma mudança geral de estado termodinâmico de um sistema dG = dH – d(TS) - Mas dH = dU + d(pV) dU = dq + dw dG = dq + dw + d(pV) – d(TS) - Aplicando as condições: p e T constantes e trabalho reversível de ambos os tiposwpV e wad (adicional, por exemplo elétrico) os quais em processos isotérmicos representam o trabalho máximo, wrev, máx ( dwrev,máx = dwpV, máx + dwad, máx) - Tem-se dG = dqrev + dwrev,máx + pdV – TdS - E ainda dG = TdS + (dwpV, máx + dwad, máx ) + pdV – TdS - Logo dG = TdS – pdV + dwad, máx + pdV – TdS dG = dwad, máx INTERPRETAÇÃO FÍSICA DA FUNÇÃO DERIVADA DA 2ª LEI: ENERGIA DE GIBBS Finalmente Conclusão A variação da energia de Gibbs que ocorre em dado processo espontâneo, à pressão e temperatura constantes, representa o trabalho adicional máximo, wad, máx , (diferente do trabalho pV) que pode ser obtido do sistema; esta energia muitas vezes é denominada “energia livre”, pois refere-se a energia disponível para a realização de trabalho adicional útil, tais como: acender uma lanterna; fazer funcionar um celular, etc. • COMENTÁRIO ∆G = wad, máx é a expressão para estimar o trabalho elétrico gerado por pilhas eletroquímicas ou a combustível. dG = dwad, máx ou ∆G = wad, máx • ILUSTRAÇÃO #1 - Cálculo do trabalho máximo adicional (diferente do wpV ): A energia disponível para sustentar as atividades musculares e nervosas de um ser humano vem da combustão da glicose em seu organismo. Calcular a variação da energia de Gibbs quando da oxidação (combustão) de 1 mol de glicose sob condições padrão, lembrando que a temperatura média do corpo humano é igual a 37 o C e que medidas calorimétricas fornecem os valores de ∆c H o = - 2808 kJ/mol e ∆cS o = + 182,5 kJ/K mol. Solução: - A partir de: ∆c G o = ∆c H o – T ∆c S o ∆c G o = - 2808 kJ/mol – (310 K x 182,4 kJ/K mol) = - 2865 kJ/mol - Portanto, como |∆c G|= Iwad, máx |= 2865 kJ/mol, conclui-se que 2865 kJ/mol é a energia para a realização de trabalho adicional máximo (atividades musculares e nervosas) pela combustão de 1 mol de glicose. • ILUSTRAÇÃO #2 Uso do trabalho máximo adicional (não há expansão): A partir do trabalho adicional devido à combustão de 1 mol de glicose, calculado na ilustração #1 (|wad, máx | = |2865 kJ/mol|), pergunta-se: a que altura uma pessoa com massa igual a 75 kg poderá subir verticalmente acima do solo? Solução: - A partir de: |wad, máx | = m g h → h = 𝟐𝟖𝟔𝟓 𝒌𝑱 𝟕𝟓 𝒌𝒈 𝒙 𝟗,𝟖𝟏 𝒎𝒔−𝟐 = 4,1 m - Portanto, a combustão de 1 mol de glicose permite a realização do trabalho necessário para que a pessoa suba verticalmente 4,1 m acima do solo. TAREFA #3 Ao considerar o resultado da Ilustração #2, calcular a altura que a pessoa deve subir ao consumir 5 mol de glicose. Resp.: ? Calcular o trabalho máximo, diferente do de expansão, que se pode obter, por mol, numa pilha a combustível em que a reação química é a combustão do propano a 298 K. Solução • ILUSTRAÇÃO #3 Cálculo do trabalho máximo numa pilha de combustão - Reação na pilha: C3H8 (g) + 5 O2 (g) 3 CO2 (g) + 4 H2O (l ) ∆G = wad, máx neste problema wad, máx = wele |wele | = || ∆rG o = [3 ∆f G o (CO2 (g)) + 4 ∆f G o (H2O (l)) ] - [1 ∆f G o (C3H8 (g)) - ∆fG o (O2) (g)] 0 ∆rG o = [3 (- 394,36) + 4 (- 237,13)] kJ. mol-1 - [1 (- 23,49)] kJ. mol-1 ∆rG o = [3 (- 394,36) + 4 (- 237,13) - 1 (- 23,49)] kJ. mol-1 ∆rG o = - 2108,11 kJ. mol-1 Assim o trabalho máximo será: |∆r G o |=|wele|= 2108,11 kJ. mol-1 TAREFA #4 Calcular o trabalho máximo diferente do de expansão que pode ser obtido por mol, numa pilha de combustível em que a reação química é a combustão do metano a 298 K. Dado: ∆r S o = - 243 J . K-1 mol-1. Resp.: |wmáx |= |∆ G | = 817,07 kJ. PROPRIEDADES DA FUNÇÃO ENERGIA DE GIBBS • 1 - Tem dimensão de energia: [G] = ML2t-2; no SI a unidade é o joule (J). • 2 – A energia de Gibbs é propriedade extensiva. • 3 - A energia de Gibbs molar e específica são propriedades intensivas: Energia de Gibbs molar: Gm = G/n; Energia de Gibbs específica: g = G/m. • 4 - A Termodinâmica Clássica só fornece meios para o cálculo de variações de energia ide Gibbs, ∆G, e não para o cálculo de valores absolutos, G. (A Termodinâmica Estatística permite o cálculo de valores absolutos). • 5 - A função energia de Gibbs é função de estado, pois é definida pelas funções de estado H, T e S: G = H – T S • 6 - Pelo fato da energia de Gibbs ser função de estado, a sua diferencial, dG, (variação infinitesimal) é diferencial exata. • 7 - A integral de G (diferencial exata) entre dois estados de equilíbrio termodinâmico de dado sistema é feita em uma diferença finita, que independe do caminho da integração: 𝒅𝑮 = 𝑮𝒇 − 𝑮𝒊 𝑮𝒇 𝑮𝒊 = ∆G • 8 - A integral de dG (diferencial exata) em um ciclo é igual a zero: 𝒅𝑮 = 𝟎 • 9 – A energia de Gibbs e a de Helmholtz estão intimamente relacionadas; a partir de suas definições chega-se a G = A + pV • 10 – A energia de Gibbs está associada a equação denominada “equação fundamental da Termodinâmica Química”: dG = V dp – S dT • COMENTÁRIO - Sobre a Propriedade 10: - Para a mudança infinitesimal de estado de um sistema fechado e de composição constante ou seja, o formado por uma substância pura, em que o único tipo de trabalho envolvido é o pV, (trabalho de expansão) tem-se a partir da definição da função energia de Gibbs G = H –TS → dG = dH – d(TS) (mudança infinitesimal de estado) ou ainda dG = dH – TdS – SdT -Por outro lado para este mesmo sistema tem-se as mudanças de H e U dH = d(U + pV) = dU + pdV + Vdp mas sabe-se que dU = TdS – p dV (uma das equações fundamentais da T. Química). - Combinando as duas últimas equações: dH = (TdS – p dV) + pdV + Vdp - Substituindo a expressão de dH na de dG: dG = (TdS – p dV) + pdV + Vdp – TdS – SdT . - Simplificando tem-se uma outra equação fundamental da termodinâmica química em termos de G: dG = V dp – S dT . • 11 - A energia de Gibbs para um sistema fechado de composição constante (substância pura) é função das propriedades de estado T, V e p do sistema; mas em Química as propriedades de estado mais importantes para G são p e T. • COMENTÁRIOS - Sobre a Propriedade 11 - Pelo fato de G = f(p,T), sabe-se que quando as propriedades p e T mudam, simultaneamente, de quantidades infinitesimais dp e dT, a variação infinitesimal de G (dG) é expressa por sua diferencial total dG = ( 𝝏𝑮 𝝏𝒑 )𝑻 dp + ( 𝝏𝑮 𝝏𝑻 )𝒑 dT - Comparando a diferencial total dG = ( 𝝏𝑮 𝝏𝒑 )𝑻 dp + ( 𝝏𝑮 𝝏𝑻 )𝒑 dT com a “equação fundamental da Termodinâmica Química” em termos de G: dG = V dp – S dT chega-se às duas relações denominadas: - coeficiente de pressão, 𝛛𝐆 𝛛𝐩 𝐓 = 𝐕 e - coeficiente de temperatura, 𝛛𝐆 𝛛𝐓 𝐩 = − 𝐒 - Os coeficientes de pressão e de temperatura expressos pelas respectivas derivadas parciais têm significado físico e geométrico, ver figura. • 12 – A variação da energia de Gibbs com a pressão é determinada pelo volume do sistema, por meio do coeficiente de pressão, 𝛛𝐆 𝛛𝐩 𝐓 = 𝐕, que representa os coeficientes angulares das curvas abaixo: V(g) >>> V(l) > V(s) dG = V dp • 13 – A variação da energia de Gibbs com a temperatura é determinada pela entropia por meio do coeficiente de temperatura, 𝛛𝐆 𝛛𝐓 𝐩 = − 𝐒, que representa os coeficientes angulares das curvas abaixo: S(g) > S(l) > S(s) dG = - SdT • 14 – A variação da energia de Gibbs padrão de reações químicas é dadapor: ∆r G 0 = 𝒗 ∆𝐟𝐆 𝟎 𝐏𝐫𝐨𝐝. – 𝒗 ∆𝐟𝐆 𝟎 𝐑𝐞𝐚𝐠. onde os valores das 𝐞𝐧ergias de formação padrão (∆𝒇𝑮 𝟎 ) são tabelados e usados similarmente como os de ∆𝒇𝑯 𝟎 e 𝒗 são números estequiométricos (negativos para reagentes e positivos para produtos). • COMENTÁRIO - Sobre a Propriedade 14: - Usa-se a equação acima de modo semelhante ao cálculo de ∆𝒓𝑯 𝟎 , porém, trocando-se os valores tabelados de ∆𝒇𝑯 𝟎 pelos tabelados de ∆𝒇𝑮 𝟎 . VARIAÇÃO DA ENERGIA DE GIBBS (∆G) • Energia de Gibbs de Reação Padrão Para uma reação genérica : a A + b B → c C + d D calcula-se a variação da energia de Gibbs da reação (∆r G 0) da mesma forma como se calcula a variação da entalpia padrão (∆rH 0 ). ∆r G 0 = 𝒗 ∆f G 0 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜𝑠 − 𝒗 ∆f G 0 𝑟𝑒𝑎𝑔𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 onde: ∆f G 0 são valores tabelados das energias de Gibbs de formação padrão. • Energias de Gibbs de Reação Padrão de Formação Juntamente com outras funções termodinâmicas: • ILUSTRAÇÃO Calcular a energia de Gibbs da reação padrão para: 2 H2 (g) + O2 (g) → 2 H2O (l) Solução - A partir dos dados tabelados de energias de Gibbs de formação padrão, escreve-se: ∆r G 0 = [ 2 ∆fG 0 (H2O(l)) ] – [ 2 ∆fG 0 (H2(g)) + ∆fG 0 (O2(g))] = = 2 [(- 237,13 kJ mol-1)] – [2 ( 0 kJ mol-1 ) + 1 (0 kJ mol-1 )]= = - 474,26 kJ mol-1 TAREFA #5 Calcular a variação da energia de Gibbs padrão para a reação: Zn (s) + Cu 2+ (aq) Zn 2+ (aq) + Cu(s) Obs.: usar a tabela - “Dados Experimentais de Funções Termodinâmicas” enviada para todos os alunos desta disciplina. Resp.: ∆r G 0 = ? kJ mol-1 • ESPONTANEIDADE DAS REAÇÕES QUÍMICAS (E DE PROCESSOS FÍSICOS) Para se verificar que uma reação genérica é espontânea: a A + b B → c C + d D (p e T = const.) deve-se assim proceder: - Calcula-se o ∆r G 0 a partir dos ∆f G 0 (tabelados) ∆r G 0 = 𝒗 ∆f G 0 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜𝑠 − 𝒗 ∆f G 0 𝑟𝑒𝑎𝑔𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 - E verifica-se o sinal de ∆r G 0: ∆r G 0 < 0 → processo espontâneo (natural); ∆r G 0 = 0 → processo em equilíbrio; ∆r G 0 > 0 → processo não espontâneo. ∆r G 0 = (- 50,72 J mol-1) – [∆f G 0 (C(grafite) + 2 ∆f G 0 (H2(g)] ILUSTRAÇÃO Verificar se a reação para a formação do CH4(g) representada pela equação: C (grafite)) + 2 H2 (g) → CH4 (g) é reação espontânea nas condições padrão. Solução - Deve-se verificar o sinal do ∆r G o a partir dos valores tabelados de ∆f G 0 0 0 - Pelo fato do ∆r G 0 para a formação do metano ser negativa, conclui-se que a reação é espontânea. TAREFA #6 Calcular a variação da energia de Gibbs padrão para a reação: CO (g) + CHOH (l) CH3COOH (l) a partir das entalpias e entropias padrão de formação encontradas na tabela mencionada na TAREFA #5. Resp.: ∆r G 0 = - 86,2 kJ mol-1 • Cálculos da Variação da Energia de Gibbs com a Pressão Como varia a energia de Gibbs de um sistema fechado de composição constante (substância pura) com a pressão, sob condições de temperatura constante? - A partir da equação “fundamental da termodinâmica química”: dG = V dp – S dT observa-se que, para processos isotérmicos, ou seja T = const., dT = 0, e dG = V dp a qual fornece a variação da energia de Gibbs (∆G) em função da pressão. - Assim, para o cálculo de ∆G tem-se: 𝐝𝐆 = 𝐆𝐟 𝐆𝐢 𝐕 𝐝𝐩 𝐩𝒇 𝐩𝒊 ou ainda Gf – Gi = ∆G = 𝐕 𝐝𝐩 𝐩𝒇 𝐩𝒊 - Mas como V depende de p, V(p)? Lembrar que a substância pura (o sistema) poderá ser sólida, líquida ou gasosa. Portanto, pode-se fazer a pergunta de outra forma: como o volume de sólidos, líquidos e gases depende da pressão? - É evidente que os volumes variam de formas diferentes: sólidos e líquidos são pouco afetados pela variação de pressão, sendo os líquidos um pouco mais, no entanto, os gases são bastante afetados. - Os resultados abaixo mostram essas diferenças, bem como, ilustram o fato de que a variação da energia de Gibbs (∆G) com a pressão, expressa pela integral, 𝑽 𝒅𝒑, 𝒑𝒇 𝒑𝒊 ser dada pela área sob a curva que descreve V = f (p): - Desta forma, para a resolução da integral, 𝐕 𝐝𝐩, 𝐩𝒇 𝐩𝒊 deve-se assim proceder: Para sólidos e líquidos considerar volume constante ∆ G = V (𝐩𝒇 - 𝐩𝒊) Para gás ideal considerar V = (nRT/p) ∆ G = nRT ln 𝒑𝒇 𝒑𝒊 ∆ G = 𝐕 𝐝𝐩 𝐩𝒇 𝐩𝒊 para quantidades molares ∆ G m = Vm (𝐩𝒇 - 𝐩𝒊) ∆ G m = RT ln 𝒑𝒇 𝒑𝒊 • ILUSTRAÇÃO Cálculo da variação de energia de Gibbs molar: a) da água líquida , tratada como fluido incompressível; b) do vapor de água, que apresenta comportamento de gás perfeito, mesmo quando a pressão se eleva de 1 a 2 bar, isotermicamente a 25 0C. Solução: a) para água líquida (fluido incompressível) → ∆ Gm = Vm (𝐩𝒇 - 𝐩𝒊) como n = 1 mol, tem-se que Vm = 18 cm 3. mol-1 , logo ∆ Gm = 18 cm 3.mol-1 x 1 m3 x 10-6 cm-3 (𝟐 -𝟏)bar x 105 Pa x (1 bar) -1 ∆Gm(H2O(l)) = 1,8 J. mol -1 b) para água gasosa → ∆ Gm = RT ln 𝒑𝒇 𝒑𝒊 logo ∆ Gm = 8,314 J.mol -1.K-1 x 298 K ln 𝟐 𝐛𝐚𝐫 𝟏 𝐛𝐚𝐫 = 1.717,322 J. mol -1 ∆Gm(H2O(s)) = 1.717,322 J. mol -1 = 1,7 kJ. mol -1 • Observação: a razão ∆ Gm (gás) / ∆ Gm (líquido) ≈ 1000; portanto, mudanças de ∆ Gm com a pressão para líquidos (e sólidos) podem ser desprezadas. - Dos resultados obtidos da ilustração anterior conclui-se que: “pelo fato dos volumes molares dos gases serem bem maiores do que dos líquidos e sólidos, G para gases é fortemente dependente da pressão, o mesmo não ocorrendo com as fases condensadas, daí o ∆G para sólidos e líquidos serem desprezados quando ocorre variação da pressão (ver a dependência de G para as fases: gasosa, líquida e sólida; ver fig. abaixo).” - Observa-se assim que a expressão analítica dessa dependência para gases é logarítmica e expressa por: ∆G = nRT ln 𝒑𝒇 𝒑𝒊 com ∆G = G(pf) – G(pi) como mostrado abaixo. • COMENTÁRIO • ILUSTRAÇÃO Suponha que 2,5 mmol de Ar(g) ocupem 72 dm3 a 298 K e na sequência se expandam até 100 dm3 . Calcular ∆G para o processo. Solução ∆G = nRT ln 𝒑𝒇 𝒑𝒊 mas como a temperatura é constante a 298 K, logo: 𝐩𝐟 𝐩𝐢 = 𝐕𝐢 𝐕𝐟 ∆G = nRT ln 𝑽𝒊 𝑽𝒇 ∆ G = 2,5 x 10-3 mol x 8,314 J K-1 mol-1 x 298 K ln 𝟕𝟐 𝐝𝐦𝟑 100 dm3 ∆G = - 2,035 J Calcular a variação da energia de Gibbs de 25 g de metanol, cuja densidade à temperatura ambiente é 0,791 g cm-3, quando a pressão aumenta isotermicamente de 100 kPa a 100 Mpa. Solução ∆G = V ∆p ∆G = V (pf - pi); mas ρ = 𝐦 𝐕 e V = 𝐦 𝛒 V = 𝐦 𝛒 V = 𝟐𝟓 𝐠 𝟎,𝟕𝟗𝟏 g cm−3 V = 31,61 cm3 ∆G = V (pf - pi ) ∆G = 31,61 cm 3 x ( 𝟏𝐦𝟑 𝟏𝟎𝟔 𝐜𝐦𝟑 ) x (99,9 x 𝟏𝟎𝟔 𝐏𝐚) ∆G = + 3,2 kJ • ILUSTRAÇÃO TAREFA #7 Quando se comprimem isotermicamente 3 mol de um gás ideal a 230 K e 150 kPa, sua entropia diminui de 15 J K-1. Calcular: a) pressão final do gás; b) a variação da energia de Gibbs para a compressão. Resp.: a) pf = 274 kPa; b) 3,45 kJ. • O Potencial Químico - Em Físico-Química a energia de Gibbs molar (Gm) de um sistema fechado e de composição constante, i. é., de substância pura, recebe o nome de potencial químico, que é identificada pela letra grega μ (mu): μ = Gm = 𝐆 𝐧 (para substância pura) - A razão para o nome potencial químico vai ser melhor compreendida quando do estudo da TermodinâmicaQuímica II, pois: “ O Potencial Químico (μ) representa a medida do potencial que uma substância possui para provocar mudanças no sistema, tais como: equilíbrio de fases, equilíbrio químico, etc.” - Daí a expressão para a energia de Gibbs molar de um gás ideal Gm(p) = G 0 m + RT ln p ser expressa na notação de potencial químico: μ(p) = μ0 + RT ln p • ILUSTRAÇÃO a) Calcular a mudança do potencial químico ( a energia de Gibbs molar) de gás ideal (substância pura) quando o gás é comprimido, isotermicamente a 35 oC, de 2,3 atm para 12 atm. b) O potencial químico do gás aumentou ou diminuiu após esse processo? c) Caso tenha havido aumento do potencial químico, o que se pode dizer acerca do aumento da energia possuída pelo sistema? Solução: ∆𝝁 = ∆Gm = 𝑹 𝑻 𝐥𝐧 𝒑𝒇 𝒑𝒊 ∆𝝁 = 8,314 J K-1 mol-1 x 308,15 x K 𝐥𝐧 𝟏𝟐 𝒂𝒕𝒎 𝟐,𝟑 𝒂𝒕𝒎 = + 𝟒, 𝟐𝟑 𝐤𝐉 𝐦𝐨𝐥 − 𝟏; b) como a variação do potencial químico é ∆𝝁 > 0, então houve aumento do mesmo após o processo; c) o aumento do potencial químico, isto é, da energia do sistema é equivalente ao trabalho útil, trabalho diferente do de expansão, que o mesmo pode realizar. a) Calcular a variação do potencial químico de um gás perfeito quando sua pressão aumenta isotermicamente de 1,8 até 29,5 atm, a 40 0C. Resp.: ∆μ = + 7,3 kJ.mol-1. TAREFA #8