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1 BBPM V - PATOLOGIA Neoplasias genitourinárias CASO CLINICO o Mulher de 26 anos apresentando massa renal de 4,0 cm. Observe as imagens e diga o diagnostico Em rosa vemos uma lesão de baixa densidade, bem delimitada no rim Esquerdo, não sendo tão radiopaca e com consistência de tecido entre a pele e o tecido muscular (não em consistência ou aspecto de gas porque é hipodenso). Seta azul – estrutura radiodensa com aspecto ósseo calcificado (provavelmente um calculo fora da lesão). Com a retirada do rim temos esse tumor bem delimitado (limites nítidos entre tumor e o parênquima) com superfície regular, homogênea (amarelada) e com algumas áreas esbranquiçadas (pode ser uma estrutura vascular) e o rim está preservado (região medular mais branca, cálices e córtex). Tumor com efeito de massa, amarelado. Abaixo vemos tumor (circulado) com aspecto diferente após a fixação, com coloração esbranquiçada/acastanhada, heterogêneo porem não perde a nitidez e a delimitação entre parênquima e tumor. 2 BBPM V - PATOLOGIA Na microscopia: Nota-se no menor aumento ausência de glomérulo, túbulo, interstício diferenciado. Observo apenas feixes de tecido muscular (seta preta) envolto por estruturas vasculares com parede espessada (círculo amarelo) e lumen fechado. Intersticio com fibrose e infiltrado inflamatório com linfócitos. Tecido composto por adipócitos (células vacuolizadas e com núcleo lateralizado na periferia da célula- seta vermelha). Trata-se de um tumor heterogêneo. Abaixo vemos: Estruturas vasculares rígidas e espessadas (círculos). Tecido adiposo maduro de permeio (seta vermelha), típicos do adulto. Infiltrado inflamatório ao redor dos vasos (azul) Em maior aumento temos: Estruturas musculares lisas. Estruturas vasculares espessadas, tecido adiposo (seta vermelha) e infiltrado leucocitário linfomononuclear. ANGIOMIOLIPOMA Angio = vasos, mio = músculos; lipo = adiposo; oma = benigno • Tumor chamado de Hamartoma (PEComas) composto por vasos sanguíneos, músculo liso e células adiposas • Associado à esclerose tuberosa. ▪ Retardo mental. ▪ Tumores subependimários. ▪ Hamartomas. ▪ Lesões cutâneas (Angiofibroma, Hipopigmentação). • Aparência radiológica característica, comportamento benigno (quase sempre) – semelhança com tecido adiposo subcutâneo onde encontra-se vasos, tecido muscular e adiposo • Também ocorre no fígado, pulmões, gânglios linfáticos e tecido mole retroperitoneal =não é exclusivo de rim • Hepático pode ganhar aparência epitelioide, mas possui marcações especificas imunohistoquimicas para vaso, músculos e tecido adiposo sendo possível diferenciar • Geralmente tem comportamento benigno, mas pode ser complicado por hemorragia (muito vascularizado), 3 BBPM V - PATOLOGIA invasão de órgãos adjacentes ou envolvimento não contíguo de outros órgãos. Mesmo sendo benigno pode aderir a outros órgãos, gerar efeito de massa e hemorragia. CASO 2 Homem de 54 anos com tumoração em polo superior do rim direito. Na imagem abaixo observamos a lesão (vermelho) – ela possui um contato próximo com estruturas vasculares e não realiza dilatação do sistema pielocalicial e nem do ureter, sendo provavelmente um tumor renal ou de adrenal (localizada no polo superior do rim – e pode simular lesão renal) Na macroscopia: lesão bem delimitada (amarelo), e o tecido adiposo da fascia acaba abruptadamente e começa o tecido acastanhado (azul) então trata-se de invasão de tecido adiposo = invasão de gordura perirrenal. Em decorrência disso, aumenta a suspeita de tumor maligno devido a invasão (rompeu a capsula renal), apesar da lesão ser bem delimitada (redondinha). Lesão heterogênea (amarelo granulado x liso e brilhante) com áreas hemorrágicas (verde). Na microscopia: Aspecto característico com células claras, citoplasma amplo, ricas em glicogênio. Rede vascular bem característica, se ligando uns aos outros (como se fosse tela de galinheiro). Há estruturas glandulares, acinares, cordonais (vários subtipos de apresentação 4 BBPM V - PATOLOGIA Em maior aumento: Notamos a microvasculatura separando as células tumorais (riscos em vermelho). As células são bem delimitadas e com núcleos lateralizados (não são adipócitos porque o núcleo não é comprimido pela vesícula de gordura e sim é arredondado com citoplasma rico em glicogênio – por isso fica branco – em coloração especifica para glicogênio ele seria visto). Bem característico o aspecto em CELULAS CLARAS (glicogênio). Abaixo vemos: Estruturas vasculares e secreção eosinofilica no meio do tumor e células claras ao redor. CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS DE CÉLULAS CLARAS • Grupo morfologicamente heterogêneo de carcinomas renais (categoria geral – sendo que dentro deste há outros subtipos) com citoplasma claro ou eosinofílico, vasculatura característica e assinatura molecular comum da inativação do VHL (gene associado ao von Hippel-Lindau). • Arquitetonicamente e citologicamente diversificados: padrões de crescimento sólido, alveolar, acinar e cístico de células com citoplasma claro ou eosinofílico. Subtipos podem aparecer misturados • Rede característica de vasculatura pequena, de paredes finas e “chicken wire" (tela de galinheiro) • Inativação da VHL e aumento da transcrição de fatores relacionados à hipóxia (VEGF, PDGF) – por ser um tumor muito vascularizado produz esses fatores angiogenicos. 60% a 80% são encontrados incidentalmente em imagens – para ter sintomatologia ele já tem que ter um tamanho considerável. Pode cursar com hematúria sem dimorfismo (com dimorfismo apenas em lesões glomerulares) e dor em flanco. • Metástases frequentemente hematogênicas por veias renais: pulmão, fígado, osso, tecido mole, adrenal. Alto risco de metástase por ser muito vascularizado – alcança a veia renal com facilitada lançando embolos na corrente sanguínea. • Fatores de risco: doença policística adulta, tabagismo, obesidade, hipertensão, doença de von Hippel-Lindau (VHL). • Pior prognóstico que Papilífero e Cromófobo (estes fazem parte dos carcinomas de células renais) 5 BBPM V - PATOLOGIA Abaixo vemos uma massa amarelada/dourada vindo da massa principal (carcinoma de células claras) que invadiu a veia renal indicando péssimo prognostico. Abaixo vemos o tumor bem delimitado, multifocal e presença de invasão dos cálices renais (azul). Pode invadir vasos do hilo renal (em especial veia renal) e estruturas da pelve. Forma áreas amarelo/douradas. Abaixo vemos: tumor invadiu a gordura e rompeu a capsula renal. Nada impede que ele invada estruturas adjacentes, adrenal, aorta, veia cava. Sinal de mal prognóstico. Em preto – contorno normal do rim (observe que o tumor pega o rim e invade acima da capsula renal, causando deformação e possível invasão para estruturas adjacentes) CASO 3 Homem de 59 anos com dor em flanco esquerdo, sendo detectada tumoração renal de 8 cm. Abaixo vemos: Tumor bem delimitado, hemorrágico, acastanhado nas áreas solidas e com áreas esbranquiçadas = heterogêneo. Não tem aspecto amarelo ouro. 6 BBPM V - PATOLOGIA Abaixo vemos foco de invasão da própria capsula tumoral. É um tumor que parece encapsulado, com áreas acastanhadas. Abaixo não vemos as áreas esbranquiçadas. Na microscopia: não tem células claras. Tumor possui papilas (dedinhos do tumor) que no corte são vistos transversalmente e da região superior. Há estiocitos espumosos e revestimento por epitélio cuboide da papila. Não possui estrutura vascular característica. É uma estrutura micropapilar com revestimento epitelial maligno. Abaixo vemos células encavaladas com núcleos agrupados (sinal de malignidade).Os núcleos estão na região contralateral da mm basal (distante da membrana). Há estiocitos benignos permeando o interior da papila. O epitélio maligno de revestimento é róseo, eosinofilico, sem tanta atipia nuclear. Não há muita necrose e mitose. CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS PAPILÍFERO • Neoplasia maligna derivada de epitélio tubular renal com arquitetura predominantemente papilar ou tubulopapilar. • Muitas vezes bem circunscrito e encapsulado. • Segundo carcinoma de células renais (CCR) mais comumente encontrado, compreendendo aproximadamente 18,5% dos CCRs. • A idade média (59 - 63 anos) é semelhante ao carcinoma de células renais de células claras. 7 BBPM V - PATOLOGIA SUBDIVISÕES DO CARCINOMA PAPILÍFERO: TIPO 1 – aparência benigna – papilas bem formadas, pouca atípica nuclear, estiocito espumoso no interior da papila TIPO 2 – mais agressivo, com perda das papilas, ficando acinar. Papilas ficam bem pequenas no interior, sem eixo, sem estiocitos no interior. Epitélio feio, róseo, celularizado. Abaixo temos um exemplo desse tipo: Abaixo vemos nucléolos exuberantes, núcleos maiores, vacuolizados = sinais de atipia intensa. Há padrões tubulares (circulo), não sendo tao papila quanto o tipo 1. Quanto mais se parecer com uma “papila” mais benigno é. CASO 4 Abaixo vemos um tumor no terço médio renal, de grande monta. Amarelado e com cicatriz central. É homogêneo, encapsulado, amarelo/acastanhado, sem hemorragia ou necrose grosseira. ACHADO PRINCIPAL = CICATRIZ Na microscopia: citoplasma claro, com limites nítidos entre as células (mais do que o carcinoma de células claras). É possível delimitar as mm citoplasmática destas células (fica bem espessada). Citoplasma com conteúdo granuloso. Núcleo maior e não é tao lateralizado (pode ser central). Falta a rede de microvasculatura de tela de galinheiro (apenas de células claras). 8 BBPM V - PATOLOGIA Abaixo vemos: núcleos bizarros com maior atípica, excesso de células com núcleos irregulares, cromatina grosseira Imagem abaixo com menos atipias, mas ainda permanece núcleo com chinfrarias, membrana citoplasmática reforçada e citoplasma eosinofilico e granuloso. CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS CROMÓFOBO • Células tumorais com bordas celulares proeminentes, citoplasma pálido finamente granular, halos perinucleares e núcleos irregulares. • Terceiro subtipo de RCC mais comum (5 a 7% dos tumores epiteliais renais adultos). • A maioria é esporádica e incidental, sem preferência por sexo. • Idade média 58 anos. • Diagnóstico diferencial → Oncocitoma (como se fosse a variante benigna mas tem menos atipias celulares). – Oncocitomas bilaterais → Síndrome de Birt-Hogg-Dubé (autossômica dominante). ONCOCITOMA Muito semelhante ao cromofogo, são bem delimitados, homogêneos, perde a capsula (cromofogo ainda possui capsula) e presença de cicatriz central. 9 BBPM V - PATOLOGIA Abaixo no oncocitoma não notamos atipias celulares, sem halo perinuclear (núcleos e citoplasma não faz halo claro). Núcleos celulares iguais, do mesmo tamanho, regular = sugestivo de benignidade Geralmente possui aparência de ninho, mas abaixo forma túbulos. Na imagem há halos claros perinucleares, mas a atipia é pouca para falar de malignidade. Então é uma neoplasia oncocitica (tudo aquilo que fica bem rosa) sem comemorativos de malignidade. Em padrão solido quase não se vê estruturas tubulares e acinares, “tapetão de células” com núcleo pequeno, quase sem halo perinuclear, eosinofilico. Para diferenciar quando são muito parecidos – precisamos de padrões imunohistoquimicos. CARCINOMAS DE CÉLULAS RENAIS 10 BBPM V - PATOLOGIA GRADUAÇÃO Há uma graduação dos carcinomas de células renais com base na escala de Fuhrman segundo as características do núcleo e nucléolo. Quanto maior o núcleo, irregular, aumentado o nucléolo o tumor ganha graus e pior prognostico GRAU 1 – núcleo pequeno, picnotico com cromatina regular GRAU 2 – núcleo aumenta e aparece nucléolo, vai aumentando o pleomorfismo GRAU 3 – nucléolo ainda mais evidentes, núcleo irregular GRAU 4 – núcleo e nucléolo grande e bem atípicos, células bizarras DIFERENCIAÇÃO RABDÓIDE Acima vemos que o tumor renal passa a ganhar características de tecido muscular esquelético. Células atípicas, aparecem rabdomioblastos (progenitores de tecido muscular), citoplasma granuloso, róseo, eosinofilico. Núcleo feio, aumentado e nucléolo e cromatina evidente = péssimo prognostico. DIFERENCIAÇÃO SARCOMATÓIDE Acima as células tumorais renais começam a ganhar características de um sarcoma (neoplasia mesenquimal miofibroblasticas) = sinal de indiferenciação celular grave com péssimo prognostico. Células fusocelulares formando feixes ao redor de estruturas vasculares, padrão de redemoinho. Importante – tumores renais 1. Subtipar 2. Quais são as características mais importantes de cada um 3. Quais idades 4. Genes envolvidos em cada um 5. Como diferenciar os papilares, cromofobo e oncocitoma 6. O que leva em consideração para graduar? 7. Achados de maus prognósticos 11 BBPM V - PATOLOGIA ESTADIAMENTO Estadiamento realizado com base na AJCC. Para cada tamanho tumoral ou invasão ele ganha categoria T (tumor primário), para os linfonodos acometidos ao redor ganha N e para metástases a distância ganha M. A chave para classificação é o tamanho tumoral. TI- Menor que 7cm limitado ao rim. TIA – menor ou igual a 4cm TIB - entre 4-7cm T2 - >7cm T2a – entre 7-10cm T2b - > 10cm T3 – quando penetra tecido adiposo perinefrico T4 – quando invade além da fáscia renal e da adrenal. SISTEMA TNM • T para o tumor primário. • N para linfonodos. O câncer que se disseminou para os linfonodos próximos. • M para metástase. O câncer que se disseminou para partes distantes do organismo. A categoria T fornece informações sobre aspectos do tumor primário, como seu tamanho, quão profundamente se desenvolveu no órgão em que se originou e quanto invadiu os tecidos adjacentes: • TX significa que o tumor não pode ser avaliado • T0 significa que não existe evidência de tumor primário (não pode ser encontrado). • Tis significa que as células cancerígenas estão se desenvolvendo apenas na camada mais superficial do tecido, sem invadir tecidos mais profundos. Também pode ser chamado de câncer in situ. • Os números que aparecem após o T (como T1, T2, T3 e T4) descrevem o tamanho do tumor e/ou a disseminação da doença nas proximidades. Quanto mais alto o número atribuído a T, maior o tumor e/ou mais disseminado nos tecidos próximos se encontra. A categoria N descreve se o câncer se disseminou para os linfonodos próximos: 1. NX significa que os linfonodos não podem ser avaliados. 2. N0 significa que os linfonodos vizinhos não contêm câncer. 3. Os números que aparecem após o N (por exemplo, N1, N2 e N3) descrevem o tamanho, localização e/ou o número dos linfonodos com a doença. Quanto mais alto o número atribuído a N, mais o câncer está disseminado para os linfonodos. A categoria M descreve se o câncer se disseminou (metástases) para locais distantes do corpo: • M0 significa que nenhuma disseminação foi encontrada. • M1 significa que o câncer se disseminou para tecidos e órgãos distantes (metástases à distância foram encontradas). LESÕES UROTELIAIS São lesões que crescem em qualquer local das vias urinarias – pelve, ureter, bexiga, uretra – com urotelio. São divididas em 2 grupos: a. Lesões planas – crescem em espessura do epitélio, sem características papilares (eixos fibrovasculares e formação de dedinhos). b. Lesões papilíferas 12 BBPM V - PATOLOGIA O epitéliourotelial é estratificado não queratinizado com células que lembram epitélio escamoso com citoplasma aumentado, núcleo arredondado. Possuem células em guarda-chuva, citoplasma grande que revestem toda a extensão do epitélio. Presença delas = sinal de normalidade. Importante para diferenciar de malignidade. Quando há muitas atípicas celular há perda dessa camada superior. EVOLUÇÃO DA LESÃO PLANA: 1. Hiperplasia plana – proliferação celular com aumento da espessura do epitélio com presença de células em guarda-chuva. 2. Conforme ganha alterações nucleares há displasia – aumento de volume nuclear, atipias, células grandes nas camadas superiores (alta proliferação), mas há umbrela cels 3. Atipia de padrão reativo – inflamação exarcebada (cistite), proliferação celular reativa à inflamação, aumento dos núcleos celulares, hiperplasia das células de revestimento em guarda-chuva. Analise confusa (experiencia do patologista). 4. Lesões pre malignas completamente estabelecidas = carcinoma in situ (não ultrapassou mm basal – fica restrito ao epitélio somente) com núcleos grandes, pleomorfismos, nucléolos evidentes e figuras de mitose e perda das umbrela nas camadas superiores devido a alta proliferação celular (chegam ao ápice do epitélio sem maturação). EVOLUÇÃO DA LESÃO PAPILAR 1. Tem início com as lesões benignas/reativas – hiperplasias e papilomas (tumor que expressa papilas benignas de revestimento mucoso habitual). So ganha o formato de papila (“arvore”), mas possui umbrela 2. Hiperplasia – aumento da espessura, pode ser devido a inflamação. Mas mantem maturação do epitélio padrão 3. Tumor papilífero urotelial com baixo pot de malignidade – encaixar lesões que ficavam em duvida entre papiloma, hiperplasia reativa ou lesão de baixo grau. Não possuem evolução definida 4. Após estabelecer que é um carcinoma, é preciso classificar em alto ou baixo grau. a. BAIXO GRAU – alterações na maturação do epitélio, núcleos grandes próximos a superificie, preserva umbrela cels b. ALTO GRAU – estruturas papilares complexas, espessas, epitélio aumentado, figuras de mitoses, perda das umbrela, semelhante ao carcinoma in situ plano. Próximo passo é invadir a lamina própria e se tornar um carcinoma urotelial invasivo – completamente estabelecido 13 BBPM V - PATOLOGIA • In situ – usado apenas para lesões planas. Se o papiloma não ultrapassou a membrana chamo de não invasivo e não in situ. o Lesões papilíferas – não invasivo e invasivo o Lesões planas – in situ e invasivo UROTÉLIO NORMAL Epitélio não queratinizado, com células basais, maturação diferente em relação ao escamoso. Ultima camada superficial possui células eosinofilicas, núcleo maior, distantes = umbrela cels. Abaixo da mm basal já ganha acesso a microvasculatura. HIPERPLASIA UROTELIAL PLANA Abaixo vemos umbrela cels na camada superficial. Notamos espessamento do epitelio, não há conformação papilifera (é reto = lesao plana hiperplasica). Associado a cistite, calculo e neoplasias uroteliais. No centro da lesao é displasia e na periferia apenas hiperplasica – investigar fatores. 14 BBPM V - PATOLOGIA CARCINOMA UROTELIAL “IN SITU” Acima vemos que a lesão é plana, bem delimitada. Perda da organização das células na camada basal (despolarização). Surgem células grandes com nucléolo evidente nas camadas mais altas. Carcinoma não ultrapassa a mm basal. Abaixo ainda temos um carcinoma urotelial in situ – respeita a mm basal apesar de haver muita vascularização acima na camada submucosa. Os vasos não entram no epitélio – é a incidência do corte. HIPERPLASIA UROTELIAL PAPILÍFERA No meio da papila há um eixo onde passa um vaso, respeitando a mm basal sem invadir. Há um revestimento epitelial com mm basal nas papilas. Núcleos pequenos, organizados. Pode ser uma hiperplasia ou papiloma, mas respeita a mm basal. PAPILOMA UROTELIAL Papiloma – lesão benigna. TTO – exérese. “arvorezinha sai inteira”. 15 BBPM V - PATOLOGIA Papilas em cortes transversais: Eixo fibrovascular fica no centro, bem como a mm basal. Ao redor há o revestimento urotelial. Na periferia ficam menos núcleos visíveis e há ainda umbrela cels (núcleo pequeno ou aumentado, muito citoplasma). CARCINOMA UROTELIAL PAPILÍFERO BAIXO GRAU Se passar uma linha logo abaixo da mm basal, nota-se perda das células totalmente orientadas na mm basal – há despolarização da camada urotelial. Na camada superficial há dificuldade de diferenciar umbrela cels. Há células maiores ao lado de menores, variando de tamanho. Já são lesões de baixo grau ou baixo potencial de malignidade. CARCINOMA UROTELIAL PAPILÍFERO ALTO GRAU Lesao papilífera de alto grau não invasiva. Ainda não invadiu o eixo, mas há presença de atipias bizarras, com núcleos gigantescos, perda de polaridade da mucosa, figuras de mitose, nucléolo evidente. CARCINOMA UROTELIAL INVASIVO 16 BBPM V - PATOLOGIA Quando o carcinoma se estabelece completamente e rompe a mm basal invadindo outras camadas. Acima há carcinoma invasivo que solta “braços” (circulo preto) e nessa região há camada muscular da bexiga e essas células não deveriam estar ai entre as fibras musculares. CARCINOMA UROTELIAL • Tipo mais comum de câncer que ocorre na pelve renal, ureter e bexiga urinária (mais comum). • Mais comum em homens (3: 1). Aumento de mulheres por causa do uso de tabaco; • Aumento da incidência com o envelhecimento (sétima década) • Os locais mais comuns de câncer são as paredes laterais ou posteriores na base da bexiga – pesquisa de invasão do detrusor (biopsia profunda) – necessidade de TTO radical • CAUSAS: – Tabagismo leva a um risco quatro vezes maior. – Trabalhadores nas indústrias de corantes, borracha, tintas e couro. – Ciclofosfamida, exposição ao arsênio. – Consumo de cerveja (as nitrosaminas [carcinogênicas] estão presentes na cerveja). – Infecções por Schistosoma haematobium – tropismo pela bexiga • CLÍNICA: – Hematúria macroscópica ou microscópica indolor ocorre (70% a 90% dos casos) – sem dimorfismo – Disúria (dor ao urinar). – Poliúria. PRÓSTATA 17 BBPM V - PATOLOGIA A zona periférica da próstata possui intimo contato com o reto. No toque retal consegue sentir essa zona – avaliar nodulação e endurecimento. Simples, barato e sensibilidade relativamente boa. Zona periférica é a que mais sofre processos neoplásicos. Câncer se desenvolve na parte periférica, longe de locais que poderiam causar obstrução (perto da uretra) com sintomas identificáveis, com isso o dx é tardio e há maior risco de disseminação para o tecido adiposo fibroconjuntivo periprostático. Já na hiperplasia prostática, há acometimento da zona transicional, causando sintomas obstrutivos intensivos e diagnostico facilitado. HIPERPLASIA NODULAR DA PRÓSTATA Lóbulos direito e esquerdo da próstata com nodulações. Câncer geralmente é unifocal, não faz nodulações exuberantes. Na microscopia vemos proliferação glandular e estromal da próstata cheia de cistos com a uretra no meio comprimida. ADENOCARCINOMA DE PRÓSTATA • Adenocarcinoma Acinar Usual de Próstata. • Epidemiologia: – Câncer mais comum em homens. – Segunda causa de morte relacionada ao câncer em homens (pulmão ou brônquios em primeiro lugar) – Aproximadamente 65% de todos os cânceres de próstata são diagnosticados em homens com idade ≥65 anos. A idade média do diagnóstico é de 72 anos. – Mais comum em negros (10% de risco a mais do que brancos). Raro em asiáticos. – Os adenocarcinomas são os tipos mais comuns de câncer na próstata. Os tipos menos comuns são os neuroendócrinos. – Geralmente assintomático até quando se tornam avançados (localização periféricana maioria dos casos atrasa o diagnóstico). • FATORES DE RISCO – A idade avançada é o fator de risco mais importante. – Câncer de próstata em parentes de primeiro grau (pai e irmãos) – Raça negra, tabagista, dieta rica em gordura saturada 18 BBPM V - PATOLOGIA PRINCÍPIOS GERAIS DO DIAGNÓSTICO: – Testes de triagem para câncer de próstata. – Toque retal e PSA (molécula liberada pelos acinos prostáticos) são recomendados anualmente a partir dos 40 anos de idade (EUA). – O valor normal para um PSA sérico é de 0 a 4 ng / mL. – PSA> 10 ng / mL é altamente preditivo de câncer de 70%. – PSA entre 4 e 10 ng / mL é uma zona cinzenta. – Um PSA sérico normal não exclui a possibilidade de câncer de próstata – sua negatividade não afasta doença • RECOMENDAÇÕES DA SBU: – Screening deve ser feito em todos os homens entre 50-75 anos, desde que a expectativa de sobrevida seja > 10 anos. – Alto risco (negros, história familiar), começar aos 45 anos. – Screening deve ser feito com psa + toque retal. – Tr positivo (nódulo, induração) indica biópsia, independente do psa. – Valor de referência do psa para considerar a realização de biópsia é 4 ng/ml, porém, para homens < 60 anos este valor passa a ser 2,5 ng/ml. Todavia, cabe ao médico avaliar individualmente o ponto de corte do psa. – Seguinte "derivativo do psa" pode ser utilizado: • Velocidade de crescimento > 0,75 ng/ml/ano (> 0,4 em pacientes jovens). – Periodicidade do screening também deve ser individualizada: • Psa < 1,0 ng/ml pode fazer psa + tr a cada 2-4 anos. • Psa > 1,0 ng/ml, negros ou história familiar positiva devem fazer psa + tr anualmente • DISSEMINAÇÃO DO CÂNCER DE PRÓSTATA. – Invasão perineural. – Disseminação linfática é para os linfonodos regionais obturatorios. – Disseminação hematogênica. • O osso é o local extranodal mais comum de metástase. Os ossos envolvidos em ordem decrescente incluem a coluna lombar, o fêmur proximal e a pelve. • Pulmões e fígado são locais adicionais para disseminação hematogênica. • CRITÉRIOS PROGNÓSTICOS: – Margens cirúrgicas – se estiver comprometida significa que ficou tumor dentro do paciente – Invasão de vesícula seminal e ductos deferentes. – Invasão perineural. – Extensão extraprostática – saiu do órgão e invade os tecidos adjacentes – Diferenciação neuroendócrina. 19 BBPM V - PATOLOGIA ADENOCARCINOMA DE PRÓSTATA Em A: hiperplasia prostática – órgão aumentado de tamanh, nodulações comprimem a uretra. Em B: nódulo hiperplasico apontado pela seta obstruindo a via uretral. Em C: câncer não realiza efeito de massa – apenas área branca, irregular, mal delimitada. Cresce perifericamente sem comprimir uretra, não tem sintoma – seta branca na imagem Em D: lesões osseas – metástase OSTEOBLASTICA – induz a proliferação óssea formando lesões radiodensas. Não são osteolíticas (comem osso – formando buraco). Formam lesões brancas densas na RX. Rastreamento por biopsia com agulha. Divide-se o lobo D/E em 3 partes, tirando 2 fragmentos de cada parte. Realiza-se um sextante → mais utilizado. Mas pode chegar a 12 regioes divididas contando com áreas periféricas, transicionais e de cada lobo. Abaixo vemos o fragmento de biopsia – filiforme. Há acinos prostáticos sem atipias, região com proliferação suspeita – glândulas pequenas, tortuosos (back to back), espremidas. Difícil diferenciar. 20 BBPM V - PATOLOGIA Nota-se glândulas proliferadas com lumens glandulares, próximas umas as outras. Produzem corpos eosinófilos sugestivo de neoplasia maligna. Acima vemos substancia rosa no meio, parece mucina produzida pelos acinos prostáticos malignos. Abaixo vemos infiltração perineural – axônios, células de shuwam e glândulas prostáticas tortuosas malignas cercando o nervo = adenocarcinoma Quando temos dúvida (muito parecido com acino prostático normal) – suspeita-se porque núcleos maiores, glândulas tortuosas, eosinofilia dentro do lumen = mas não fecha diagnostico, então digo que há DX DE ATIPIA CELULAR DE PEQUENOS ACINOS NÃO CONCLUSIVO PARA ADENOCARCINOMA → patologista precisa solicitar imunohistoquimica para concluir. Um dos marcadores é o RACEMASE – expresso nas glândulas neoplásicas. Na imagem da D as glândulas normais ficam azul, sem marcação e o acastanhado é a reação com o anticorpo. MARROM = POSITIVO ÁRA RACEMASE 21 BBPM V - PATOLOGIA Outro achado para definir é a presença de células MIOEPITELIAIS na base dos acinos (falam a favor de normalidade) pois o câncer perde essas células, essa diferenciação celular. A marcação com P63 (cora células mioepiteliais) é NEGATIVA NAS CELULAS NEOPLASICAS. Na foto da D as células azuis (não coradas) são neoplásicas e as mais escuras (preto/castanho) são células mioepiteliais Abaixo temos dupla marcação de racemase (corante vermelho) e P63 (marrom) Glândula BENIGNA – marca o marrom (P63- normal) e não marca o rosa (racemase – maligna). Glândula MALIGNA – marca o racemase (fica bem rosa) e sem o marrom GRADUAÇÃO Quanto maior a pontuação – pior o prognostico (mais agressivo) e menos se parece com glândula prostática normal. Na pratica se usa do 3 em diante, porque 1 e 2 são tão parecidos com a glândula normal que não da para diferenciar. 1) Parecido com a normal 2) Um pouco mais proliferado, tortuoso 22 BBPM V - PATOLOGIA Abaixo vemos exemplos de GLEASON 3 – com glândulas bem formadas, parecem com a normal. Entre elas há estroma separando, consegue delimitar onde esta cada uma. É possível contar os lumens. Se parece muito com tecido normal = gera confusão por isso peço imunohistoquimica. Abaixo vemos exemplo de GLEASON 4: maçaroca de glândulas, não se ve delimitação entre elas, vários lumens sem saber onde começa e acaba o outro. PADROES CRIBRIFORME – 4 a 5 glândulas unidas formando um furinho = bolinha toda furada com vários lumens mas não dá para saber quantas glândulas tem ali. 23 BBPM V - PATOLOGIA Abaixo vemos exemplo de GLEASON 5: tapetões de células unidas, sem diferenciação especifica. Presença de necrose tumoral, microcalficação. Há células soltas passeando pelo estroma e evoluem para metástase. Pode ter vários aspectos. NECROSE + TAPETÃO HOMOGENEO + CELULAS SOLTAS. Na biopsia usa-se os aspectos mais prevalentes e soma-se com o grau maior. Na peça cirúrgica usa-se os 2 graus mais prevalentes. Ex: gleason 3+4. Percebeu-se que gleason 7 (3+4 ou 4+3) tem comportamento diferente porque precisa saber se tem mais padrão 3 ou 4. Por isso quando maior gleason 4 pior o prognostico. Hoje se classifica em subgrupos do gleason 7. 24 BBPM V - PATOLOGIA Há o gleason individual, há o somatório totalizando 10 pontos e os subgrupos de 1 a 5. • GLEASON 7 – com mais componente 3 = faz parte do grupo 2 • GLEASON 7 – com mais componente 4 – grupo 3 25 BBPM V - PATOLOGIA