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Teoria geral dos recursos É o meio pelo qual a parte solicita a modificação ou anulação da sentença/decisão no todo ou em parte desde que não transitada em julgado. Recurso é sempre ato da parte. Deve sempre haver prejuízo, sob pena de não haver interesse recursal. Atualmente o recurso tem como fundamento a falibilidade e inconformidade do prejudicado. Natureza jurídica dos recursos É uma extensão do direito de ação. Duplo grau de jurisdição É um direito de o prejudicado pela decisão se submeter a outro órgão jurisdicional hierarquicamente superior na estrutura da administração da justiça. É um direito fundamental? Sim. O fato de não haver em outras instâncias o duplo gral de jurisdição não significa que não exista, pois esse direito não é absoluto, Art. 8º item 2 do pacto São José da Costa Rica. Recurso de fundamentação livre ou vinculada Vinculada é quando a lei limita o objeto da impugnação. Ex. embargos infringentes ou de nulidade art. 609, §ú do CPP. Recurso voluntário Vigora nos recursos o princípio da voluntariedade, ou seja, qualquer manifestação inequívoca do desejo de recorrer, deve ser aceita desde que feita por meio adequado. Havendo manifestação antagônica do defensor e do réu prevalecerá a do direito de recorrer, súmula 705 do STF c/c art. 577 e c/c 708 do STF Recursos de ofício Excepcionalmente, temos os Arts. 574, 746 do CPP e o art. 7º da lei 1021/50 que concede o recurso nos seguintes casos: • Sentença que concede HC; • Sentença que concede reabilitação do réu; • Decisão de arquivamento de inquérito policial. Efeitos Efeito devolutivo Devolve ao TJ a matéria para rediscutir a matéria, limitando a atuação do órgão ao objeto da impugnação. É regra, do tantum devolutum quantum apelatum, que significa uma espécie de correlação recursal. Efeito regressivo O próprio juiz que prolatou a decisão pode reexaminá-la (possibilidade de retratação) ex. embargos de declaração, art. 619. Efeito devolutivo propriamente dito A matéria objeto da impugnação é devolvida para o tribunal superior. Efeito devolutivo misto Previsão de retratação e se não fizer devolve a matéria ao tribunal. A extensão de determinado recurso, o seu efeito devolutivo é medido na petição de interposição (Paulo Rangel). As razões são apenas inconformismos. É a interposição que se estabelece o que será objeto da impugnação. Inclusive o tribunal permite que o processo suba sem as razões. Vale lembrar que se estivermos no tribunal, intima-se o advogado e se este for inerte, o réu deverá ser intimado para constituir novo advogado. Se não fizer a defensoria o fará. HC 179776 agr/HC STJ/ HC 71066/ HC 240043. Umq pergunta impostarnte que se deve fazer é: Qual recurso que cabe em cada decisão? As hipóteses estão previstas nos Arts. 593, 581, 606 §ú Lembrar do macete: VOGAL VOGAL; CONSOANTE CONSOANTE Apelação – Impronúncia; Rese – Pronúncia. CONTINUAÇÃO RECURSOS 2020.1 Questão: É aplicável no processo penal o princípio do tantum devolutum quantum apellatum? Este princípio diz que o tribunal vai apreciar aquilo que é objeto de impugnação da parte. Não se aplica no processo penal. Independente de quem esteja recorrendo, esse recurso devolverá ao tribunal todas as questões que possam beneficiar o réu, inclusive o recurso da acusação. Esse princípio só se justifica no que diz respeito ao recurso da acusação, visto que o tribunal só pode agravar a situação do réu naquilo que foi impugnado pelo MP. Recurso exclusivo do réu em que impugna toda a decisão. Está o tribunal autorizado a reconhecer nulidade não arguida? Paulo Rangel entende que isso só é possível se a nulidade não causar prejuízo ao réu, pois não pode haver reformatio in pejus, inteligência da súmula 160 STF, ressalvados os casos de recurso de ofício. Súmula 160, STF. É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso de acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício. Os poderes instrutórios do tribunal, no art. 616 do CPP, é compatível com o sistema acusatório? Sim, na medida em que, em razão do princípio da busca da verdade real, o juiz tem poderes autônomos de instrução. Não afeta a imparcialidade, na medida em que o juiz não sabe previamente a quem aquela prova irá beneficiar. (MAJORITÁRIO) PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Todo recurso deve ser arrazoado e contrarrazoado, ou seja, deve ser dada a parte recorrida a possibilidade de contrapor as razões recursais do recorrente. Deve ser dada vista ao defensor do parecer do MP? Não, pois o parecer é meramente opinativo, (STJ, HC 163.972). PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA Julgamento de apelação sem razões defensivas. O julgamento de apelação, sem que tenham vindo as razões defensivas, importa cerceamento de defesa. Para a doutrina, recurso sem razão é recurso acéfalo (Paulo Rangel). Se o advogado do réu não oferecer as razões, primeiro, intima-se o advogado e, se permanecer inerte, o réu deve ser intimado pessoalmente para constituir novo advogado. Não o fazendo, a Defensoria é quem oferecerá as razões. Nesse sentido: STJ, AgRg no HC 179.776, HC 240.043. Há ainda alguns julgados entendendo que não é nulo o julgamento de apelação se o advogado foi intimado e não ofereceu as razões (STJ, HC 242.736). REGRAS ESPECÍFICAS DO SISTEMA RECURSAL 1ª. Taxatividade: o cabimento do recurso depende da sua previsão em lei. Inclusive o cabimento é um dos requisitos objetivos do recurso. 2ª. Fungibilidade: encerra uma noção de substitutividade e está prevista no art. 579 do CPP. É aceitar como correto o recurso interposto de forma equivocada, desde que não haja má-fé do recorrente. Interpreta-se má-fé como: (a) existência de erro grosseiro; (b) interposição fora do prazo recursal correto. 3ª. Unirrecorribilidade ou singularidade: de cada decisão judicial cabe apenas um recurso. Ex. art. 593, §4º, do CPP. Visa evitar que a pessoa utilize dois recursos para impugnar a mesma parte da decisão.. 4ª. (In)disponibilidade: na ação penal de iniciativa privada, o recurso é disponível, sendo possível dele renunciar ou desistir (todos os princípios que informam a ação penal privada aplicam-se ao recurso). Já no caso da ação penal pública, o recurso é indisponível, o que significa que o MP não poderá desistir (art. 576 do CPP). 5ª. Extensão subjetiva dos efeitos do recurso: no caso de concurso de agentes, a decisão do recurso interposto por um dos réus aproveita àqueles que não recorreram, se fundada em motivos que não sejam de caráter pessoal (art. 580 do CPP). A extensão subjetiva acontece também nas ações autônomas de impugnação. 6ª. Vedação da reformatio in pejus: visa impedir que o réu tenha receio de impugnar a decisão (art. 617 do CPP). Se o recurso for exclusivo do réu, o tribunal não poderá agravar a sua situação. No HC 99.925, o STF entendeu que viola à vedação da reformatio in pejus a decisão do tribunal que, em recurso exclusivo da defesa, reconhece circunstância judicial desfavorável ao réu, ainda que o quantum da pena fique menor ao imposto em primeira instância. Reformatio in pejus indireta - Se o tribunal anula a decisão proferida pelo juiz em recurso exclusivo da defesa, o juiz não poderá proferir sentença com quantum superior ao do primeiro julgamento. Paulo Rangel e Ada Pellegrini, minoritariamente, são contrários à existência da reformatio in pejus indireta, sob os seguintes fundamentos: (a) o art. 617 do CPP direciona-se ao tribunal e não ao juiz de primeiro grau; (b) uma decisão anulada não subsiste no mundo jurídico, logo, não poderia produzir efeitos. Reformatio in pejus no tribunal do júri. Se a decisão do júri é anulada pelo tribunal, há vedação à reformatio in pejus no novo júri? Doutrina e jurisprudência entendem que não há como se limitar à atuação dos jurados, tendo em vista o princípio da soberania dos veredictos. Entretanto,decidindo igual ao primeiro julgamento, o juiz-presidente está limitado à primeira pena imposta. Vide Inf. 499, HC 205.616, STJ. (indireta) 7ª. Reformatio in mellius: é possível melhorar a situação do réu em caso de recurso exclusivo do acusador. O art. 617 do CPP veda a reforma para pior e não para melhor. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE E JUÍZO DE MÉRITO O juízo de admissibilidade, também conhecido como juízo de prelibação, é o exame dos pressupostos processuais. Há um duplo juízo de admissibilidade, na medida em que acontece tanto no juízo a quo como no tribunal ad quem. O juízo de mérito é uma cognição sobre a existência de erro/vício de ilegalidade e/ou injustiça da decisão impugnada. REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS OBJETIVOS a) Cabimento: o recurso deve estar previsto em lei. Está ligado à taxatividade. b) Adequação: deve-se optar pelo meio correto para a impugnação da decisão. Admite- se, em determinados casos, a fungibilidade. c) Tempestividade: o recurso deve ser interposto no prazo legal (conta sempre a partir da intimação). O prazo em dobro para o defensor existe por força da LC 80/94. d) Preparo: só ocorre nas ações penais de iniciativa privada. e) Ausência de fato impeditivo do direito de recorrer: é um requisito de admissibilidade negativo. Não pode ter ocorrido a renúncia ou a desistência no caso das ações penais privadas. SUBJETIVOS a) Legitimidade: art. 577 do CPP: MP, querelante, réu, procurador ou defensor. O MP tem legitimidade para impetrar HC? Sim, na qualidade de custus legis. Logo, o HC não pode ser utilizado com interesse acusatório. O MP tem legitimidade para recorrer em ação penal de iniciativa privada? Depende do resultado do julgamento e qual é o fundamento do recurso. Se o querelado foi condenado com violação explícita à lei, por exemplo, o MP poderá recorrer na qualidade de fiscal da lei. O assistente de acusação pode recorrer? Sim, com base no art. 271 do CPP. b) Interesse: no processo penal, o interesse está vinculado à noção de prejuízo. Prejuízo é a diferença desfavorável entre a pretensão e o provimento jurisdicional obtido. Há interesse do réu em recorrer de uma sentença absolutória? Depende do fundamento da decisão. O réu poderá recorrer nos casos em que a sentença não constrange a repercussão cível, ou seja, para evitar que lhe seja proposta ação civil ex delicto. COMENTÁRIOS INICIAIS No processo penal, o prazo começa a contar da intimação e não da juntada do mandado, conforme enunciado pelo verbete 710 da Súmula do STF. Prazo em dobro da Defensoria. A DP tem prazo processual em dobro, seja qual for o ato processual, inclusive o recurso (Lei 1.060/50). O RESE e a apelação têm prazo comum de 5 dias. Logo, a DP tem prazo de 10 dias. E o advogado dativo? Embora a Lei 1.060/50 seja genérica (assistência jurídica gratuita), o STF entende que ele não tem prazo em dobro, (STF, HC 85.543/DF). Para cada decisão, existe um recurso legalmente previsto. Eventualmente, se interposto recurso inadequado, pode ser aplicado o princípio da fungibilidade, salvo hipótese de má-fé e erro grosseiro (art. 579 do CPP). RECURSO EM SENTIDO ESTRITO HIPÓTESES E NATUREZA JURÍDICA DO ROL É o recurso cabível para as 24 decisões listadas no art. 581 do CPP. Qual a natureza jurídica do rol do art. 581 do CPP? O rol é exaustivo na essência, mas exemplificativo na forma. Pacelli fala que é exaustivo na vertical, mas exemplificativo na horizontal. O STF entende que não cabe ao intérprete criar uma 25ª decisão da qual cabe RESE, ampliando o rol, mas se admite que o intérprete revele o verdadeiro alcance da norma para incluir decisões que não estão no art. 581 do CPP por erro técnico legislativo, mas que guardam identidade com outras decisões que ali se encontram (STF, RE 104.659/PR). Art. 581, do CPP. Análise de inciso por inciso no artigo. PRAZO (ARTS. 586 E 588) É um prazo bifásico, pois existe um prazo de 5 dias para recorrer e um prazo de 2 dias para juntar as razões. O prazo não é corrido (5+2=7). Se o juiz admitir o recurso interposto, ele deverá intimar o recorrente para juntar as razões em 2 dias. Os principais recursos no processo penal têm prazo bifásico, ex. apelação (5 dias para apelar + 8 dias para arrazoar). O efeito devolutivo do recurso significa que a matéria é devolvida para o tribunal nos limites do recurso. O que não foi recorrido o tribunal não pode analisar, sob pena de violação ao princípio da correlação. A Súmula 713 do STF dispõe que o efeito devolutivo é fixado na petição de interposição e não nas razões se houver divergência entre esses dois atos. PROCESSAMENTO (ART. 589) 1º. Interposição do RESE em 5 dias 2º. Juntada das razões em 2 dias 3º. Juntada das contrarrazões em 2 dias 4º. Juízo de retratação (art. 589 do CPP) EFEITOS DO RESE O RESE tem quatro efeitos: a) Dilatório: todo recurso tem, visto que dilata o curso do processo que poderia já ter se findado. b) Devolutivo: todo recurso tem, na medida em que devolve ao tribunal ad quem a matéria impugnada. c) Extensivo: todo recurso tem. Está previsto no art. 580 do CPP, pelo qual se estendem os efeitos do recurso ao corréu que não recorreu, desde que em razão de circunstâncias objetivas, ou seja, de caráter não pessoal (ex. prescrição). d) Regressivo: nem todo recurso tem. É o juízo de retratação que ocorre no RESE (art. 589) e no agravo em execução. O RESE NÃO TEM EFEITO SUSPENSIVO COMO REGRA. O STF entende que não cabe MS para conferir efeito suspensivo ao recurso se a lei não o fez, na medida em que não haveria direito líquido e certo a se proteger. APELAÇÃO CABIMENTO Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular; Com as últimas reformas do CPP, todas as sentenças condenatórias ou absolutórias são impugnadas com apelação (vide art. 593 c/c art. 416 do CPP). II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não previstos no Capítulo anterior; É a chamada apelação supletiva ou residual, ou seja, naquelas hipóteses não previstas no art. 581 do CPP, caberá apelação. III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados; c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança; d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. A apelação no tribunal do júri é limitada, pois se restringe às quatro hipóteses numeradas em lei. Questão: O que mede o recurso: petição de interposição ou razões? Majoritariamente Ada entende que é a petição de interposição, pois, de acordo com o art. 601 do CPP, com ou sem as razões, os autos serão remetidos ao tribunal. O STJ vem mitigando a redação do art. 601 do CPP, entendendo que, na hipótese de recurso da defesa, ele subiria enfraquecido, devendo então o juiz intimar o réu para constituir novo patrono, sob pena de as razões serem apresentadas pela Defensoria Pública. Questão: Se a defesa apelar com base no art. 593, III, a, do CPP, o tribunal pode dar provimento ao recurso com base no art. 593, III, d, do CPP? De acordo com a Súmula 713 do STF, isso não seria possível, pois, em se tratando de procedimento do júri, a soberania dos veredictos acaba funcionando como uma espécie de limitador. Contudo, o STF tem alguns julgados em sentido contrário a Súmula, em nome do favor rei/favor libertatis. Análise das hipóteses de apelação no júri. As decisões do júri são consideradas subjetivamente complexas, ou seja, temos dois órgãos trabalhando na elaboração de uma mesma decisão. Por conta disso, dependendo do objeto da apelação, o seu pedido e processamento será distinto. Quando o objeto do apelo for as alíneas a oud do art. 593, III (situações que influem no conselho de jurados), julgado procedente o apelo, o réu será submetido a novo júri, nos termos do §3º. Quando o objeto do apelo for as alíneas b e c (situações relacionadas à atribuição do juiz-presidente), julgado procedente o recurso, o próprio tribunal rescinde e rejulga, nos termos dos §§1º e 2º. § 3o Se a apelação se fundar no no III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se convencer de que a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, dar-lhe-á provimento para sujeitar o réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo motivo, segunda apelação. Quando a apelação tiver como fundamento o art. 593, III, d, do CPP, ela só poderá ser utilizada uma única vez por ambas as partes. Trata-se de um pressuposto recursal objetivo negativo, segundo Paulo Rangel. A regra da vedação a reformatio in pejus está prevista no art. 617 do CPP, no capítulo que trata do recurso de apelação. Contudo, trata-se de um princípio tão importante, que é aplicado para todos os recursos no CPP. Significa que é proibida a reforma da situação do réu para pior no julgamento de recurso exclusivo da defesa. Questão: Julgada procedente apelação exclusiva da defesa, o tribunal anula parte do procedimento, devolvendo o mesmo ao juízo singular para sua reconstrução. Neste momento, seria possível agravar a situação do réu? 1ª hipótese. Anulação da sentença. 1ª corrente (Ada, Paulo Rangel): a primeira sentença foi invalidada. Não serve de parâmetro para mais nada. Ademais, o art. 617 do CPP proíbe a reforma para pior pelo tribunal e não pelo próprio juiz sentenciante. 2ª corrente (Tourinho): não é possível agravar a situação do réu, pois isso seria uma reformatio in pejus indireta, o que é proibido pelo art. 617 do CPP. É a que prevalece. 2ª hipótese. Anulação de todo o processo. 1ª corrente (Tourinho): nesse caso, não há como limitar a atuação do juiz competente, ou seja, é possível agravar a situação do réu. 2ª corrente: não é possível agravar, pois isso seria uma reformatio in pejus indireta, nos termos do art. 617 do CPP. 3ª hipótese. Tribunal do júri. Caso: A foi pronunciado e submetido à Plenário pela prática de um homicídio duplamente qualificado. No julgamento, ele foi condenado a 6 anos de reclusão por homicídio simples, afastando-se as qualificadoras. Julgado procedente recurso exclusivo da defesa, A será submetido a novo júri. No segundo plenário, o juiz-presidente poderá quesitar as qualificadoras? 1ª corrente (Damásio, Pollastri, Tourinho e Mirabete): o 1º plenário foi invalidado, desapareceu da ordem jurídica e não é possível agravar o que não existe mais. Ademais, a soberania dos veredictos é um dogma constitucional que não pode ser limitado. Pode agravar a situação do réu. 2ª corrente (Ada, STF): A soberania dos veredictos será respeitada na medida em que os jurados apreciarão o feito livremente, podendo até reconhecer as qualificadoras, porém a pena não poderá ultrapassar a do julgamento anterior. Isto porque o réu não pode ser prejudicado quando estiver no exercício da ampla defesa constitucional. 3ª corrente (Pacelli, STJ): Se no segundo plenário os jurados julgarem da mesma forma, reconhecendo ou não as qualificadoras, não é possível agravar a situação do réu. Se os jurados reconhecerem as qualificadoras, há como agravar a situação do réu, de forma a prestigiar a soberania dos veredictos. EFEITOS DA APELAÇÃO a) Efeito devolutivo b) Efeito suspensivo: segundo Barbosa Moreira, a expressão efeito suspensivo traz a falsa noção de que uma decisão estava produzindo seus efeitos naturalmente e que, apenas com a interposição de um recurso, tais efeitos serão suspensos. PROCEDIMENTO DA APELAÇÃO Esquemas para verificação do recurso cabível Petição de interposição (5 dias - art. 593) Análise judicial sobre admissibilidade Apresentação das razões (8 dias - art. 600) Contrarrazões (8 dias - art. 600) Remessa ao TJ Juiz singular Omissão, obscuridade ou contradição? "Embarguinhos" (art. 382) Não recebeu o recurso? Carta testemunhável (art. 639) Está no rol do art. 581 do CPP? RESE Não está no rol do art. 581? Apelação (art. 593) Juiz da VEP Agravo em execução (art. 197 da LEP) EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE O recurso é o mesmo, sendo chamado de infringente quando o seu objeto for de direito material e, de nulidade, quando seu objeto envolver questão processual. Trata-se de recurso exclusivo da defesa, podendo ser utilizado pelo MP, porém, pro reo. No CPPM, qualquer das partes pode se valer dos embargos infringentes e de nulidade. Este recurso pressupõe a existência de um voto vencido proferido no julgamento de uma apelação ou de um RSE, em função do capítulo em que os embargos se encontram previstos. O efeito devolutivo desses embargos é restrito ao conteúdo do voto vencido. Caso contrário, ele funcionaria como uma segunda apelação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Ele é previsto no art. 619 do CPP quando o objeto da impugnação for um acórdão e, no art. 382, quando o objeto for uma sentença do juiz singular. Para Ada, apesar de o CPP mencionar apenas sentença e acórdão, o art. 382 pode ser utilizado para qualquer decisão do juiz singular. A utilização dos embargos vem sendo frequente para fins de prequestionamento e, assim, reforçar o juízo de admissibilidade dos recursos constitucionais. CARTA TESTEMUNHÁVEL É o recurso utilizado para impugnar uma decisão que não admitiu outro recurso ou que impeça seu seguimento ao juízo ad quem. A carta testemunhável, contudo, tem caráter residual, somente se aplicando em face da decisão que não admitir RESE ou agravo em execução. Acórdão A decisão foi por maioria? Embargos infringentes ou de nulidade (art. 609, p.ú) Omissão, obscuridade ou contradição? Embargos de Declaração (art. 619) Contraria lei federal? REsp Contraria norma constitucional? RE Previsão no RI? Agravo regimental Recurso negado Recurso cabível Apelação RESE RESE Carta testemunhável Agravo em execução Carta testemunhável Embargos infringentes Agravo regimental RE e REsp Agravo do art. 544 do CPC Apesar de o art. 640 do CPP estabelecer prazo de 48 horas para a interposição da carta, não existe prazo em horas no processo penal, de forma que ela deverá ser interposta no prazo de 2 dias contados da intimação da decisão que denegar o recurso. De acordo com o art. 644 do CPP, julgada procedente a carta, o tribunal determinará o processamento do recurso ou, se ela for razoavelmente instruída, o tribunal julgará o mérito do recurso que foi negado. REVISÃO CRIMINAL Revisão criminal é a ação autônoma de impugnação da coisa julgada material, utilizada sempre que houver um erro judiciário. O seu objeto é a restauração do status dignitatis do indivíduo. Condições da ação revisional 1ª. Possibilidade jurídica do pedido: as hipóteses mencionadas no art. 621 do CPP sinalizam quando é possível ação revisional. Para Ada, o tribunal pode julgar procedente a ação revisional com base em outro dispositivo não indicado pela parte, isso porque a necessidade de proteção da liberdade individual justificaria a ampliação da causa de pedir. 2ª. Legitimidade: são legitimados a propor a revisional aqueles listados no art. 623 do CPP: réu, procurador habilitado (procuração geral), ou em caso de condenado que já morreu, cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. O MP pode propor a revisão criminal? 1ª corrente (Pollastri): o MP ocupa o pólo passivo da ação revisional. Logo, ele não pode ocupar o pólo ativo. 2ª corrente (Tourinho e Ada): se o MP pode recorrer, ele também pode manejar a revisão criminal pro reo, mesmo porque ele não atua apenas como parte, mas também como fiscal da lei. 3ª corrente (Aury Lopes Jr.): é uma discrepância processual o órgão acusadoratuar como defensor. O que deve ser feito é fortalecer a DP, potencializando a sua posição de obtenção da tutela jurisdicional. 4ª corrente (Pacelli): a revisão criminal é uma das únicas hipóteses de jurisdição voluntária no processo penal, ou seja, nela não há lide, não existe uma pretensão que será resistida pela parte contrária, de forma que não haveria impeditivos na sua utilização pelo MP. Ademais, devemos interpretar o art. 623 do CPP de forma conjunta com a CF. Na qualidade de custus legis, o MP pode manejar a revisão criminal. Modelo de revisão criminal no Brasil Modelo brasileiro/italiano: é aquele modelo que só permite a desconstituição da coisa julgada quando houver interesse do réu (sempre pro reo). Hipóteses de ação revisional As causas de pedir da ação revisional estão no art. 621 do CPP: Quando a revisão criminal tiver como fundamento os incisos II e III, ela exigirá prova pré-constituída, sendo comum a parte recorrer à justificação, prevista no CPC, como meio de produzir tais provas. Para Ada, por conta da necessidade de proteger a liberdade individual, nada impede que essa prova seja produzida no curso da ação revisional. Essa posição da Ada, contudo, tem um problema, já que não existe dilação probatória no curso da ação revisional. NATUREZA JURÍDICA A revisão criminal é uma ação autônoma de impugnação. PRESSUPOSTOS 1. Sentença condenatória ou absolutória imprópria: só cabe se as respectivas sentenças, que trazem alguma sucumbência ao réu, tiverem passado em julgado. Os Tribunais têm aceitado revisão criminal em caso de sentença absolutória imprópria, na medida em que ela reconhece a presença de um injusto penal, apesar de o indivíduo não ser culpável em razão da sua inimputabilidade, aplicando, então, medida de segurança. Da sentença absolutória transitada em julgado não cabe revisão criminal, pois não se admite no Brasil revisão criminal pro societate. 2. Erro judiciário: é necessário que se verifique algum erro do juiz ou do tribunal na prolação da sentença. HIPÓTESES DE ADMISSIBILIDADE (CPP, ART. 621) Os Tribunais Superiores tendem a ter uma interpretação restritiva das hipóteses do art. 621 do CPP, na medida em que a revisão opera a desconstituição da coisa julgada, sendo a coisa julgada importante para garantir a segurança jurídica nas relações sociais. Atenção: A revisão criminal, em regra, não tem efeito suspensivo, ou seja, não suspende a execução da pena. Somente em hipóteses excepcionalíssimas o Tribunal confere esse efeito suspensivo, como na hipótese em que o réu foi condenado por homicídio e a suposta vítima aparece viva. LEGITIMIDADE (CPP, ART. 623) A legitimidade para propor ação de revisão criminal está prevista no art. 623 do CPP, sendo este artigo interpretado de forma restritiva pelos Tribunais. FORMATIO IN PEJUS NA REVISÃO CRIMINAL O princípio da vedação da reformatio in pejus é aplicado também na ação de revisão criminal, por força do art. 626, parágrafo único: Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser agravada a pena imposta pela decisão revista. Indenização do Estado: o pedido de indenização será feito no próprio bojo da ação de revisão criminal (art. 630). Embora o art. 630, §2º, b, do CPP vede a indenização na hipótese de ação penal privada, entende-se que tal dispositivo não foi recepcionado pela CF, na medida em que essa indenização é uma garantia constitucional do art. 5º, LXXV, da CF, que não faz qualquer ressalva quanto ao tipo da ação. HABEAS CORPUS NATUREZA JURÍDICA HC não é recurso, mas ação autônoma de impugnação. A natureza do HC é mandamental, na medida em que, sendo uma ordem, não depende do ajuizamento de uma execução para que a ordem seja cumprida. A decisão proferida é imediatamente executável como consequência de sua prolação. FINALIDADE A finalidade do HC é tutelar o direito de ir, vir e ficar do indivíduo contra um ato ilegal que o esteja cerceando (lesão atual), em vias de cerceá-lo (lesão iminente) ou que potencialmente possa fazê-lo (lesão potencial), ainda que parcialmente. Basta que o indivíduo não possa gozar de sua liberdade plena em razão de um ato ilegal para que seja cabível o HC. Não se exige que o indivíduo seja preso. Interesse de agir: o interesse de agir é caracterizado pelo binômio necessidade e adequação. São partes do HC: o paciente, ou seja, aquele que sofre a ilegalidade; o impetrante, que pode ser ou não o paciente, sendo aquele que subscreve a petição; o coator, que comete a ilegalidade. Quando o impetrante não for o paciente, teremos o fenômeno da substituição processual, pois a pessoa está agindo em nome próprio, mas na defesa de interesse alheio. PRAZO O HC não se submete a prazo. Por isso, pode ser impetrado a qualquer tempo, inclusive após o trânsito em julgado. COMPETÊNCIA Para verificar a competência, devem-se conjugar dois critérios: a) Territorialidade: será competente o juízo do local onde se praticou a ilegalidade. b) Hierarquia: previsto no art. 650, §1º, do CPP, diz que será competente o órgão hierarquicamente superior àquele que praticou a ilegalidade, desde que com competência para analisar os atos do coator e julgá-los. ❖ Delegado de polícia – o competente não é o chefe de polícia, mas o juiz de direito. ❖ Promotor de justiça – será julgado no TJ em que atua. ❖ Juiz trabalhista como autoridade coatora – competência do TRF. ❖ TSE – quando se tratar de crime eleitoral e a ilegalidade advier das instâncias inferiores. ❖ STM – quando se tratar de crime militar e a ilegalidade advier das instâncias inferiores.