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EPIDEMIOLOGIA:
Aproximadamente 55% das lesões traumáticas da CV ocorrem na região cervical, 15%
na região torácica, 1 5% na transição toracolombar e 15% na região lombossacra.
OBS.: Aproximadamente 1 0% dos doentes vítimas de fraturas de coluna cervical
apresentam uma segunda fratura de coluna vertebral, não contígua.
IMPORTANTE: Desde que a coluna do doente esteja devidamente protegida, o exame
da coluna e a exclusão de lesões medulares podem ser adiados seguramente,
especialmente na presença de alguma instabilidade sistêmica, como, por exemplo,
hipotensão e insuficiência respiratória.
Lesões da coluna cervical em crianças são um evento relativamente raro, ocorrendo
em menos de 1% dos casos. Avaliação mais desafiadora (anatomia, comunicação...)
Embora o perigo de uma imobilização inadequada tenha sido bem documentado,
também existem riscos associados à imobilização prolongada em superfície rígida,
tal como a prancha longa.
Além de causar um grande desconforto em doentes acordados, podendo levar à
formação de graves lesões por pressão em doentes com lesões vertebromedulares.
IMPORTANTE: Portanto, a prancha longa deve ser usada somente como um
dispositivo de transporte para o doente
Quando não se consegue completar tal avaliação dentro de 2h, o doente deve ser
removido da prancha longa e rodado lateralmente, em monobloco, em intervalos
de 2 horas, mantendo-se a integridade da coluna com a finalidade de evitar a
formação de lesões por pressão.
REVISÃO ANATÔMICA:
COLUNA VERTEBRAL: A coluna vertebral é formada por 7 vértebras cervicais, 12
torácicas e 5 lombares, pelo sacro e pelo cóccix
A vértebra típica consiste em um corpo vertebral de posição anterior, que constitui a
principal coluna de sustentação. Os corpos vertebrais são separados pelos discos
intervertebrais e são fixados, entre si, anterior e posteriormente, por ligamentos
longitudinais, respectivamente, anteriores e posteriores.
Posterolateralmente, 2 pedículos formam os pilares sobre os quais se apoia o teto
do canal vertebral (constituído pelas lâminas).
Obs.: As facetas articulares, os ligamentos interespinhosos e os músculos
paravertebrais são estruturas que contribuem para dar estabilidade à coluna.
A coluna cervical é particularmente vulnerável ao trauma devido a sua exposição e
mobilidade. O canal medular é amplo na parte superior da coluna cervical, ou seja,
do forame magno até a parte inferior de C2.
→ A maioria dos doentes com lesões nesse nível que sobrevivem mantém-se
neurologicamente intacto ao chegar ao hospital.
→ Mas, cerca de 1/3 morrem no local do trauma em decorrência de apneia
provocada por perda da inervação central dos nervos frênicos resultante de
lesão da medula no nível de C1.
Abaixo do nível de C3, o diâmetro do canal medular é menor em relação ao
diâmetro da medula e lesões da coluna vertebral nesse nível apresentam maior
probabilidade de provocar lesões medulares.
OBS.: A coluna cervical de crianças até 8 anos de idade tem algumas diferenças
significativas com relação à coluna cervical dos adultos.
→ Essas diferenças incluem maior flexibilidade das cápsulas articulares e
dos ligamentos interespinhosos...
→ As diferencas vão diminuindo até os 12 anos de idade, quando a coluna
cervical é mais parecida com a de um adulto
A mobilidade da coluna torácica é muito mais restrita do que a da coluna cervical.
Este segmento possui um apoio adicional que lhe é conferido pelos arcos costais.
Como consequência, a incidência de fraturas torácicas é muito menor. A maioria das
fraturas ocorre por compressão e não está associada a lesões medulares.
Entretanto, quando a lesão vertebral ocorre por fratura-luxação, quase sempre
resulta em lesão medular completa, pois o canal medular, no nível torácico, é
relativamente estreito.
A transição toracolombar constitui-se no ponto de apoio entre a região torácica,
inflexível, e os níveis lombares, mais robustos. Em decorrência disso, ela se torna
mais vulnerável ao trauma, o que faz com que 15% de todas as lesões de coluna
ocorram nessa região
EXAME DO SISTEMA SENSORIAL
Dermátomo a área de pele inervada pelos axônios sensitivos que estão situados
dentro de uma determinada raiz nervosa segmentar
O conhecimento dos níveis de alguns dermátomos importantes reveste-se do maior
significado, pois permite determinar o nível da lesão traumática e avaliar a
evolução neurológica, seja para melhora ou para agravamento.
OBS.: O nível sensorial é definido como o dermátomo mais baixo com função
sensorial normal e pode, com frequência, diferir de um lado para o outro do corpo
MIÓTOMOS
Cada nervo segmentar (raiz nervosa) inerva mais de um músculo e a maioria dos
músculos é inervada por mais de uma raiz nervosa (normalmente duas).
Importante: Entretanto, para simplificar o exame, certos músculos ou grupos
musculares são identificados como representando uma única raiz nervosa espinhal.
Os músculos chaves devem ser testados quanto à força nos dois lados. Cada músculo
é classificado em uma escala de 6 pontos de uma força normal até a paralisia
A documentação da força nos grupos musculares ajuda a avaliar a melhora ou a
piora nos exames subsequentes. Além disso, o esfíncter anal externo deve ser
testado quanto à contração voluntária durante o toque retal
CHOQUE NEUROGÊNICO VERSUS CHOQUE MEDULAR
O choque neurogênico resulta da lesão das vias descendentes do SS da ME cervical
ou torácica alta, o que ocasiona a perda do tônus vasomotor e a perda da inervação
simpática do coração.
O choque neurogênico é raro nas lesões medulares abaixo do nível de T6. Se o
choque estiver presente nesses doentes, deve-se realmente suspeitar de outra causa
A perda do tônus vasornotor, por sua vez, causa vasodilatação dos vasos viscerais e
das extremidades inferiores, represamento de sangue = hipotensão.
→ tornar-se bradicárdico ou, deixar de apresentar taquicardia como resposta à
hipovolemia.
→ Nessas condições, a pressão sanguínea não costuma normalizar-se através da
infusão de líquidos apenas e, o que é pior, esforços para normalizá-la podem
resultar em sobrecarga hídrica e edema pulmonar.
• Habitualmente, a pressão sanguínea pode ser restaurada pelo uso
cauteloso de vasopressores, após reposição volêmica moderada.
• A atropina pode ser usada para corrigir uma bradicardia que acarrete
repercussões hemodinâmicas significativas.
O termo choque medular refere-se à flacidez (perda do tônus muscular) e à perda de
reflexos notada após a lesão medular.
O "choque" para a medula lesada pode fazer com que ela pareça totalmente
desprovida de função, ainda que não esteja necessariamente destruída. A duração
deste estado é variável.
EFEITOS EM OUTROS ÓRGÃOS E SISTEMAS
Uma lesão de medula cervical baixa ou torácica alta pode resultar em
hipoventilação por paralisia dos músculos intercostais.
Quando há lesões da medula cervical alta ou média, o diafragma também é
paralisado devido ao comprometimento dos segmentos de C3 a C5, que inervam o
diafragma através dos nervos frênicos.
A incapacidade de perceber estímulos dolorosos pode mascarar lesões
potencialmente graves em outras partes do corpo. É o caso dos sinais usuais de
abdome agudo
CLASSIFIAÇÃO DAS LESÔES MEDULARES:
classificadas de acordo com (1) o nível, (2) a gravidade do défice neurológico, (3) o
tipo de síndrome medular e (4) a morfologia.
NÍVEL
O nível neurológico de lesão é definido pelo segmento mais caudal da medula, que se
traduz através de funções motoras e sensoriais normais em ambos os lados do corpo.
O termo nível sensorial, quando usado, refere-se aos segmentos mais caudais da
medula que conservam suas funções sensoriais normais.
Nível motor é definido pela função motora do grupo-chave muscular mais baixo que
mantém um valor de,pelo menos, 3/5 na escala de graduação de força muscular
As lesões traumáticas dos primeiros 8 segmentos cervicais da medula resultam em
quadriplegia, enquanto as abaixo de T1 acarretam paraplegia.
OBS.: O nível ósseo da lesão corresponde à vértebra cuja estrutura está danificada,
resultando em lesão medular.
Já o nível neurológico da lesão é determinado fundamentalmente pelo exame clínico
GRAVIDADE DO DÉFICE NEUROLÓGICO
Lesões medulares podem ser categorizadas quanto a:
→ Paraplegia incompleta (lesão torácica incompleta)
→ Paraplegia completa (lesão torácica completa)
→ Quadriplegia incompleta (lesão cervical incompleta)
→ Quadriplegia completa (lesão cervical completa)
Isso é importante para avaliar qualquer sinal de preservação da função ao longo
dos tratos da medula espinhal.
Qualquer função motora ou sensorial abaixo do nível da lesão constitui uma lesão
incompleta.
→ Sinais de uma lesão incompleta: qualquer sensação (incluindo o
reconhecimento de posição) ou movimentos voluntários nas extremidades
inferiores, preservação sacral, contração esfincteriana anal voluntária e flexão
voluntária do hálux.
→ Reflexos sacrais, como o reflexo bulbocavernoso ou a contratilidade anal, não
são qualificados como preservação sacral.
SÍNDROMES MEDULARES
Nos doentes portadores de lesão medular, são encontrados, com frequência, alguns
padrões característicos de lesão neurológica, tais como síndrome central da medula,
síndrome anterior da medula e síndrome de Brown-Séquard. Tais padrões devem
ser reconhecidos, pois, de outra forma, podem confundir o examinador.
→ A síndrome central da medula: é caracterizada pela desproporção entre a
perda de força motora nas extremidades superiores, que é muito mais
acentuada que a perda de força nas extremidades inferiores.
OBS.: Nessas circunstâncias, pode haver graus variáveis
de perda sensorial.
Acredita-se que a síndrome central da medula seja decorrente de um
comprometimento vascular no território de distribuição da artéria espinhal
anterior. Esta artéria supre as porções centrais da medula.
A síndrome central da medula: pode ocorrer com ou sem fratura ou luxação da
coluna cervical.
→ A recuperação da força muscular costuma seguir um padrão característico:
inicia-se pelos músculos dos membros inferiores, continua pela recuperação da
função vesical e termina pela musculatura proximal dos membros sup e mãos.
→ Nestes casos de lesão central, o prognóstico quanto à recuperação costuma ser
melhor do que aquele de outras lesões incompletas.
A síndrome anterior da medula: caracteriza-se por paraplegia e por dissociação da
perda sensorial com perda de sensibilidade à dor e à temperatura.
→ De todas as lesões incompletas, é aquela que tem o pior prognóstico.
A síndrome de Brown-Séquard: resulta da hemissecção da medula, geralmente por
traumatismo penetrante. Embora esta síndrome seja raramente encontrada, as
variações do padrão clássico não são raras.
Em sua forma mais pura, ela consiste em comprometimento motor ipsilateral (trato
corticoespinhal) e perda da sensibilidade postura! (coluna posterior), concomitantes
à perda contralateral da sensibilidade térmica e à dor começando um ou dois níveis
abaixo do nível da lesão (trato espinotalâmico).
Mesmo que a síndrome seja decorrente de traumatismos penetrantes diretamente
na medula, costuma ocorrer algum grau de recuperação.
MORFOLOGIA
As lesões traumáticas de coluna podem ser descritas como fraturas, fraturas-
luxações, lesões medulares sem anormalidades radiológicas (SCIWORA) e lesões
penetrantes.
Cada lesão poderá ainda ser classificada como estável ou instável. Entretanto, a
determinação da estabilidade de um tipo particular de lesão nem sempre é fácil.
Assim sendo, especialmente durante o atendimento inicial, todo doente que
apresente evidências radiológicas de lesão de coluna e todos aqueles com défices
neurológicos devem ser considerados portadores de uma lesão instável da coluna.
Esses doentes devem ser imobilizados até serem avaliados por um especialista
TIPOS ESPECIFÍCOS DE LESÃO ESPINHAL:
As lesões traumáticas da coluna cervical podem resultar de apenas um ou de vários
dos seguintes mecanismos de trauma:
→ Compressão axial
→ Flexão
→ Extensão
→ Rotação
→ Flexão lateral
→ Tração
LUXAÇÃO ATLANTO-OCCIPITAL
As disjunções craniocervicais são lesões pouco comuns e resultam de movimentos
acentuados de flexão e tração, de natureza traumática.
A maioria desses doentes morre por destruição do tronco cerebral e apneia, ou
apresenta lesões neurológicas extremamente graves
Esse tipo de lesão pode ser identificado em até 19% dos doentes portadores de
lesões fatais da coluna cervical e é uma causa comum de morte em casos de
síndrome do bebê sacudido quando este morre imediatamente após a agressão.
A imobilização da coluna é recomendada desde o início.
FRATURA DO ATLAS {C1)
→ O atlas é um anel ósseo delicado, dotado de amplas superfícies articulares.
→ Correspondem a aproximadamente 5% das fraturas agudas da coluna cervical.
Cerca de 40% das fraturas do atlas vêm acompanhadas de fraturas do áxis (C2).
→ A lesão mais comum de Cl consiste em fratura por explosão da vértebra
(fratura de Jefferson).
O mecanismo usual do trauma é uma sobrecarga axial, tal como ocorre quando um
objeto pesado cai verticalmente sobre a cabeça ou quando o próprio doente cai,
batendo a cabeça em posição relativamente neutra.
A fratura de Jefferson consiste na ruptura anterior e posterior do anel de Cl, com
subsequente deslocamento lateral das massas laterais.
A incidência radiológica mais adequada para diagnosticar a fratura é a radiografia
transoral, que permite ver a região de Cl e C2, e pela tomografia axial (TC)
SUBLUXAÇÃO POR ROTAÇÃO EM C1
A subluxação por rotação em Cl costuma ser vista com maior frequência em crianças
Pode ocorrer espontaneamente após traumatismos de grande ou pequeno porte,
com infecções respiratórias altas ou acompanhando a artrite reumatoide.
O doente apresenta-se com a cabeça em rotação persistente (torcicolo).
Essa lesão é diagnosticada melhor pela radiografia transoral através da visualização
do odontoide, embora os achados radiológicos possam ser de difícil interpretação.
Nesse tipo de lesão, o odontoide não se encontra equidistante dos processos
laterais de Cl.
O doente não deve ser forçado a corrigir a rotação da cabeça, mas, pelo contrário,
deve ser imobilizado e enviado a um centro no qual possa receber tratamento esp
FRATURAS DO ÁXIS {C2)
O áxis é a maior vértebra cervical e apresenta um formato peculiar. Por isso é
suscetível a vários tipos de fraturas, dependendo da força e da direção do impacto.
Representam aproximadamente 18% de todas as fraturas de coluna cervical.
→ Fraturas do Odontoide:
Cerca de 60% das fraturas de C2 acometem o processo odontoide (uma
protuberância óssea bem definida que se projeta cranialmente e que, em condições
normais, faz contato com o arco anterior de Cl). O processo odontoide é mantido fixo
pelo ligamento transverso.
As fraturas do odontoide podem ser identificadas, inicialmente, seja por meio de
uma radiografia lateral da coluna cervical, seja por uma radiografia transoral.
Entretanto, costuma ser necessária uma TC para definição mais clara.
As fraturas do odontoide de tipo I afetam tipicamente sua extremidade e são
relativamente raras. As fraturas de tipo II ocorrem através da base do odontoide e
são as mais frequentes
Obs.: Em crianças abaixo de 6 anos, a epífise usualmente presente pode ser
confundida com uma fratura a este nível.
As fraturas de tipo III afetam a base do odontoide e se prolongam obliquamente para
o corpo do áxis.
→ Fraturas dos Elementos Posteriores
A fratura típica do enforcado compromete os elementos posteriores de C2, ou seja,
a parte interarticular.
Esse tipo defratura representa cerca de 20% de todas as fraturas do áxis e resulta,
habitualmente, de uma lesão por extensão.
Doentes portadores desse tipo de fratura devem ser mantidos com imobilização
externa até que possam receber cuidados especializados.
Variantes da fratura do enforcado incluem fraturas bilaterais que comprometem os
processos laterais ou os pedículos da vértebra.
→ Outras Fraturas de C2
Cerca de 20% de todas as fraturas do áxis não afetam o odontoide e são de tipo
diferente da fratura por enforcamento. Entre elas encontram-se as fraturas que
afetam o corpo, o pedículo, os processos laterais, as lâminas e o processo espinhoso.
FRATURAS E LUXAÇÕES (C3 A C7)
As fraturas de C3 são pouco comuns, possivelmente porque esta vértebra está
localizada entre o áxis, que é mais vulnerável, e o "fulcro relativo" da coluna cervical,
(ou seja C5 e C6), que constituem a parte mais móvel, na altura das quais a coluna
cervical possui os maiores movimentos de flexão e extensão.
Em adultos, o local mais frequente de fraturas de coluna cervical é C5 e o nível mais
comum de subluxação é entre C5 e C6.
Os padrões mais comuns de lesões identificadas nesse segmento são:
→ as fraturas dos corpos vertebrais, com ou sem subluxação;
→ a subluxação dos processos articulares (incluindo as luxações das facetas
articulares, uni ou bilateralmente);
→ Fraturas das lâminas, dos processos espinhosos, dos pedículos ou das massas
laterais.
→ Raramente ocorrem rupturas ligamentares sem que existam,
concomitantemente, fraturas ou luxações das facetas articulares.
A incidência de lesões neurológicas aumenta dramaticamente com as luxações das
facetas articulares.
Na presença de luxações unilaterais dessas facetas, 80% dos doentes apresentam
algum tipo de lesão neurológica, cerca de 30% têm apenas lesões de raízes nervosas,
40% lesões incompletas da medula espinhal e 30% lesões completas da ME.
Na presença de luxação bilateral das facetas, a morbidade é muito maior, com lesões
de medula incompletas em 16% dos casos e completas em 84%.
FRATURAS DA COLUNA TORÁCICA (T1 A T10)
As fraturas da coluna torácica podem ser classificadas em quatro grandes categorias:
→ Lesões em cunha por compressão anterior
→ Lesões por explosão do corpo vertebral
→ Fraturas de Chance
→ Fraturas-luxações
A sobrecarga axial associada à flexão resulta em lesões em cunha por compressão
anterior.
Graças à rigidez da caixa torácica, a maioria dessas fraturas costuma ser estável.
As lesões por explosão do corpo vertebral são causadas pela compressão vertical
axial.
As fraturas de Chance são fraturas transversas no corpo vertebral. Elas são causadas
por flexão sobre um eixo anterior à coluna vertebral e são mais frequentemente
encontradas em colisões automobilísticas
→ podem estar associadas a lesões viscerais abdominais e retroperitoneais.
As fraturas-luxações são relativamente raras na coluna lombar e torácica devido à
orientação das articulações das facetas.
Essas lesões são quase sempre resultantes de flexão extrema ou trauma contuso
grave da coluna, que produz ruptura dos elementos posteriores das vértebras
(pedículos, facetas, lâmina).
Entretanto, o canal medular é estreito em relação à ME, de modo que as fraturas-
subluxações da coluna torácica freq. resultam em défices neurológicos completos.
Fraturas simples por compressão são usualmente estáveis e frequentemente
tratadas com um colete rígido.
Fraturas por explosão, fraturas de Chance e fraturas-luxações são extremamente
instáveis e quase sempre requerem fixação interna.
FRATURAS DA JUNÇÃO TORACOLOMBAR (T11 A L1)
Fraturas neste nível da coluna toracolombar costumam ser o resultado da relativa
imobilidade da coluna torácica quando comparada à coluna lombar.
Em sua maioria, resultam da combinação de hiperflexão e rotação agudas e,
consequentemente, costumam ser instáveis.
Entre os doentes particularmente suscetíveis a esse tipo de lesão, encontram-se os
que sofrem quedas de altura e os motoristas que, por estarem usando cinto de
segurança, sofrem uma flexão com grande transferência de energia.
A medula espinhal termina no cone medular, aproximadamente no nível de Ll. Uma
lesão neste nível costuma resultar em disfunções da bexiga e do intestino, assim
como em redução da sensibilidade e da motricidade nos membros inferiores.
Importante: Os doentes portadores de fraturas toracolombares são particularmente
vulneráveis a movimentos de rotação. Por isso, qualquer movimento de rotação em
monobloco deve ser realizado com extremo cuidado.
FRATURAS LOMBARES
Os sinais radiológicos associados às fraturas lombares são semelhantes àqueles
encontrados nas fraturas toracolombares e torácicas.
Entretanto, por acometerem apenas a cauda equina, a probabilidade de existir um
défice neurológico completo é menor nesse tipo de lesão.
LESÕES PENETRANTES
Os tipos mais comuns são causados por arma de fogo ou por arma branca.
E importante que se determine o trajeto do projétil ou da arma branca. Para tanto,
deve-se utilizar as informações obtidas da história, o exame clínico (orifício de
entrada e de saída), assim como interpretar as radiografias simples e tomográfico.
Quando o trajeto do agente vulnerante atravessa diretamente o canal vertebral,
costuma ocorrer um défice neurológico completo.
OBS.: Entretanto, défices completos podem também ocorrer como consequência de
transferência de energia quando um projétil de alta velocidade passa próximo à
medula espinhal, mesmo sem transfixá-la.
De um modo geral, as lesões penetrantes da coluna costumam ser estáveis, a menos
que o projétil destrua uma parte considerável da vértebra.
LESÕES VASCULARES CONTUSAS DAS ARTÉRIAS CARÓTIDA E VERTEBRAL
O traumatismo contuso da cabeça e do pescoço é um fator de risco para lesões das
artérias carótida e vertebral. O reconhecimento e o tratamento precoce dessas
lesões podem reduzir o risco de acidente vascular cerebral. As indicações para
investigação são amplas, mas os critérios sugeridos para a investigação incluem:
→ Fraturas de Cl - C3
→ Fraturas cervicais com subluxação
→ Fraturas envolvendo o forame transverso
Aproximadamente- um terço desses doentes irão apresentar lesões vasculares
contusas das artérias carótida e vertebral na angiotomografia cervical.
O tratamento destas lesões envolve a anticoagulação ou terapia antiplaquetária,
geralmente recomendada para os doentes sem contraindicações.
AVALIAÇÃO RADIOLÓGICA:
A associação de um exame clínico cuidadoso e uma avaliação radiológica completa é
fundamental na identificação de uma lesão de coluna
COLUNA CERVICAL
Radiografias da coluna cervical são indicadas para todos os doentes traumatizados
Existem duas opções para a avaliação radiológica:
→ Em locais com tecnologia disponível, deve-se realizar uma tomografia axial
com cortes finos desde o occipício até Tl, com reconstruções sagital e coronal.
→ Em locais onde esse exame não está disponível, deve ser realizada radiografia
nas incidências lateral, anteroposterior (AP) e transoral para identificação do
odontoide
Importante: Antes que a série de radiografias seja considerada normal e que o colar
cervical seja removido, ela deve ser revisada por um médico experiente na
interpretação adequada desses filmes.
Doentes com dores cervicais e imagens normais devem realizar rm ou radiografias
com extensão-flexão ou ser tratados com colar cervical semirrígido por 2 a 3s com a
repetição de exames sequenciais clínicos e de imagem
OBS.: Em nenhuma circunstância, o pescoço do doente deverá ser forçado em
posição na qual haja dor. Todos os movimentos devem ser voluntários.
Aproximadamente 10% dos doentes com fratura de coluna cervical apresentam
também uma segunda fratura de coluna vertebral não contígua. Esse fato justifica
uma varredura radiológica completa detoda a coluna em qualquer doente que
tenha fratura de coluna cervical.
Na presença de défices neurológicos, a ressonância nuclear magnética (RNM) é
recomendada para detectar qualquer lesão por compressão de partes moles, como
hematoma extradural ou hérnia de disco traumática, que não podem ser detectados
nas radiografias simples
COLUNA TORÁCICA E LOMBAR
As indicações para a realização de radiografias torácicas e lombares são as mesmas
que as utilizadas para a coluna cervical.
Antes de retirar as imobilizações e proteções da coluna, uma série completa de
radiografias de boa qualidade deve ser considerada normal após análise e
interpretação adequada por um médico habilitado, à semelhança do que é feito com
a coluna cervical.
Entretanto, devido à possibilidade de úlcera por pressão, a remoção desses doentes
da prancha longa NAO deve aguardar pela interpretação final dessas radiografias.
TRATAMENTO
Por ser um trauma, semelhante ao trauma torácico, abdominal, entre outros, o
tratamento do TRM também pautado no ATLS, seguindo a sequência de atendimento
inicial do trauma, o ABCDE. A prioridade, como qualquer trauma, é evitar as lesões
secundárias.
O tratamento básico das lesões de coluna e medula espinhal inclui imobilização,
infusão endovenosa de fluidos, medicações e transferência, se isso for apropriado
IMOBILIZAÇÃO:
O pessoal responsável pelo atendimento pré-hospitalar costuma imobilizar o doente
antes de transportá-lo para o serviço de emergência.
Sempre que se suspeite de lesão de coluna, o doente deve ser imobilizado desde
acima até abaixo do local suspeito, até que a presença de fratura tenha sido excluída
através de estudos radiológicos.
OBS.: Lembre-se de que a proteção da coluna deve ser mantida até que uma
possível lesão de coluna cervical tenha sido excluída.
Para garantir uma imobilização apropriada, o doente deve ser mantido em posição
neutra, ou seja, em posição supina, sem rotação ou arqueamento da coluna.
Quando existem deformações evidentes, não se deve tentar corrigi-las.
OBS.: Não é recomendada a realização de tentativas de alinhamento da coluna com o
intuito de mobilizar o doente na prancha longa, se isso provocar dor.
A imobilização do pescoço com um colar semirrígido não garante a estabilização
completa da coluna cervical
→ é necessário manter a imobilização contínua do doente como um todo, usando
um colar cervical semirrígido, imobilizadores de cabeça, uma prancha,
esparadrapo e ataduras, antes e durante o transporte para uma unidade que
possua os recursos necessários para o tratamento definitivo
A manutenção da imobilização adequada de doentes inquietos, agitados ou violentos
merece atenção especial. Tal comportamento pode ser devido à dor, à confusão
decorrente da hipóxia ou da hipotensão... O médico deve procurar a causa
responsável e corrigi-la, se possível.
Se for necessário, pode-se usar agentes sedativos ou bloqueadores neuromusculares,
assegurando-se o controle e proteção da via aérea e garantindo a ventilação.
Recomenda-se o uso de fármacos de curta duração.
Assim que o doente chegar à sala de emergência, todo o esforço deve ser feito para
retirá-lo da prancha o mais cedo possível, a fim reduzir o risco de formação de úlcera
por pressão.
A remoção da prancha é frequentemente realizada como parte da avaliação
secundária, quando o doente é rolado em bloco para inspeção e palpação da região
dorsal. Não se deve demorar para fazer isso apenas com o objetivo de realizar
radiografias adicionais...
FLUIDOS ENDOVENOSOS
Em doentes com suspeita de lesão de coluna, administram-se líquidos endovenosos
da mesma forma que se faz durante a reanimação do doente traumatizado.
Caso não se suspeite ou não se detecte hemorragia ativa, a hipotensão persistente
após a reposição de 2 ou mais litros de líquido deve ser interpretada como sendo
resultante de choque neurogênico.
Os doentes em choque hipovolêmico costumam estar taquicárdicos e aqueles em
choque neurogênico, bradicárdicos.
Quando a pressão arterial não melhora após a infusão de líquidos, pode estar
indicado o uso criterioso de drogas vasopressoras.
→ Recomenda-se a utilização de hidrocloridato de fenilefrina, dopamina ou
norepinefrina.
→ A administração excessiva de líquidos em doentes portadores de choque
neurogênico pode resultar em edema pulmonar.
Quando há dúvidas quanto às condições volêmicas, pode ser útil o uso de
monitoração invasiva. Uma sonda vesical deve ser passada para monitorar o débito
urinário e evitar a distensão da bexiga.
TRANSFERÊNCIA
Os doentes que apresentam fraturas de coluna ou défices neurológicos comprovados
devem ser transferidos para serviços que possuam recursos para proporcionar-lhes
tratamento definitivo.
O procedimento mais seguro consiste em transferir o doente após uma consulta
telefônica com um especialista. Demora desnecessária deve ser evitada.
As condições do doente devem ser estabilizadas e deve-se proceder à aplicação das
medidas necessárias para a imobilização, tais como talas, prancha e/ou colar cervical
semirrígido.
Lembre-se de que as lesões altas de medula cervical acima de C6 podem resultar
em perda parcial ou total da função respiratória.
Se existir qualquer dúvida a respeito da eficiência da ventilação, o doente deve ser
intubado antes de ser transferido.
MORTE ENCEFÁLICA:
A morte encefálica representa um estado clínico irreversível em que as funções
cerebrais (telencéfalo e diencéfalo) e do tronco encefálico estão irremediavelmente
comprometidas por uma injúria que causa dano irreversível.
O conceito de morte encefálica está relacionado a impossibilidade do cérebro
recuperar suas funções e a gente pode identificar isso por meio de alguns sinais:
No entanto, além desses sinais, para se abrir o protocolo de morte encefálica ainda é
imprescindível que haja a comprovação por meio de algum exame de imagem
Antes de iniciar o protocolo de morte encefálica, o médico deve preparar o paciente
e os familiares. A primeira fase é a identificação da ME.
Para isso, deve-se informar a família da suspeita, antes mesmo da abertura do
protocolo. Nessa conversa com a família do paciente, o médico deve explicar todos
os processos e o protocolo, fornecendo para eles todo o suporte. A partir disso, o
profissional deve iniciar os exames clínicos e complementares para confirmar a ME e
a sua possível causa, lembrando que essa deve ser conhecida.
Exame de imagem que pode ser um eletroencefalograma, um estudo de fluxo
sanguíneo cerebral (como o Doppler, por exemplo) ou uma arteriografia cerebral.
Ainda com tudo isso, é importante a gente sempre estar atento aos fatores que
podem mimetizar um quadro de morte encefálica como, por exemplo:
Uso de barbitúricos: Por isso o protocolo só pode ser aberto depois que já tenha
passado o efeito de todos os medicamentos administrados
Crianças: Elas conseguem se recuperar de TCEs muito severos
Após checado todos esses parâmetros, se a morte encefálica for diagnosticada, é
importante contactar as instituições responsáveis por doação de órgãos antes de
desligar os equipamentos de suporte avançado de vida.