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Reflexos integrados do tronco encefálico As conexões reflexas acontecem entre neurônios dos núcleos sensitivos dos nervos cranianos com neurônios motores (e pré-ganglionares) dos núcleos das colunas eferentes (somática, visceral especial e visceral geral). São importantes para avaliar os arcos reflexos a nível do tronco encefálico, já que a falência de áreas do tronco pode ser confirmada por esses testes. Essas conexões entre os núcleos ocorrem por fibras através da formação reticular ou do fascículo longitudinal medial (une essas conexões, tendo ascendentes do tronco para o prosencéfalo e descendentes), esse último que promove uma união entre os núcleos sensitivos e motores, tendo uma coordenação de funcionamento correta dos núcleos dos nervos cranianos, como no movimento conjugado dos olhos, movimento em resposta a um som, entre outros. A formação reticular também é capaz de gerar reflexos, como o reflexo por estímulo auditivo. Reflexo mandibular ou mentoniano: se percute o mento de cima para baixo, estando a boca entreaberta (passiva). A resposta é o fechamento brusco da boca por ação dos músculos mastigadores, em especial o masseter. Assim, testa-se o reflexo miotático de dois grupos de neurônios. O núcleo mesencefálico é um gânglio dentro do tronco encefálico com neurônios pseudounipolares. O seu prolongamento periférico se enovela no fuso neuromuscular, que é um receptor para o estiramento. Quando ocorre a percussão do mento se estira os músculos mastigadores, ativando os fusos neuromusculares. Assim, os impulsos aferentes seguem pelo nervo mandibular até o núcleo mesencefálico do trigêmeo e um outro prolongamento desse neurônio faz sinapse em um neurônio motor na coluna eferente visceral especial no núcleo motor do trigêmeo, em que os axônios seguem via porção mandibular do nervo trigêmeo até os músculos mastigadores, tendo-se o reflexo de contração muscular e fechamento da boca. Em condições normais mantém a boca fechada sem que seja necessária atividade voluntária. A via aferente é a raiz sensitiva do nervo trigêmeo e a via eferente é a raiz motora do nervo trigêmeo. Encontra-se hiperativo em lesões piramidais acima do núcleo motor do trigêmeo e ausente em casos de lesão periférica do nervo trigêmeo. Reflexo trigêmeo facial: é a junção de um estímulo no trigêmeo e um reflexo no facial. Tocando-se ligeiramente a córnea com uma mecha de algodão tem-se um fechamento dos olhos por contração bilateral da parte palpebral do músculo orbicular do olho, tendo também um aumento da secreção lacrimal. A divisão oftálmica do trigêmeo inerva sensitivamente a córnea, de modo que o neurônio pseudounipolar que gera o prolongamento periférico que encosta na córnea está no gânglio trigeminal. Ao chegar no tronco encefálico ele faz sinapse no núcleo sensitivo principal do trigêmeo (sensibilidade geral) e do trato espinhal do trigêmeo se for necessário, de modo que as fibras podem cruzar ou não o plano mediano e acessar o núcleo motor do nervo facial bilateralmente. Os axônios dos neurônios eferentes motores desse núcleos trafegarão pelo facial até o músculo orbicular do olho. A resposta é bilateral pois os núcleos motores do facial recebem inervação do núcleo sensitivo principal do trigêmeo. A via aferente é o nervo trigêmeo e a via eferente é o facial. A lesão do nervo trigêmeo de um lado abole bilateralmente o reflexo se o estímulo for feito do lado da lesão, mas ocorre o reflexo bilateralmente se o estímulo ocorrer do lado normal, já que algumas fibras cruzam o plano mediano. Se houver lesão de um dos nervos faciais irá abolir o reflexo do lado ipsilateral. Se o facial de um lado estiver lesado, o reflexo só será feito do lado contrário, já que a via aferente está preservada e a informação chega aos dois núcleos faciais. Para tratamento de nevralgias do trigêmeo promove-se a secção sensitiva do nervo trigêmeo ou tratotomia do núcleo espinhal do nervo trigêmeo. Reflexo lacrimal: o estímulo da córnea adentra o tronco encefálico e faz sinapse no núcleo sensitivo principal e do trato espinhal do trigêmeo e segue para o núcleo motor do nervo facial, como também para o núcleo lacrimal fazendo Contração muscular e fechamento da boca Segue pelo NC V3 até os músculos mastigadores Seu prolongamento vai até o núcleo motor do trigêmeo Segue até o núcleo mesencefálico do trigêmeo Implusos aferentes pelo nervo mandibular Ocorre o estiramento dos músculos e ativação dos fusos neuromusculares Resposta bilateral de fechamento dos olhos Axônios desse núcleo trafegam pelo facial até o orbicular do olho Fibras cruzam ou não o plano mediano e vão até o núcleo motor do facial bilateralmente Faz sinapse no núcleo sensitivo principal ou no espinhal do trigêmeo Informação chega até o tronco encefálico sinapse bilateralmente. Os axônios motores viscerais para inervação da glândula sairão via nervo facial, sendo que se deslocam ao sair da órbita, fazendo sinapse no gânglio pterigopalatino, indo em direção à glândula lacrimal via divisão maxilar do trigêmeo. Reflexo de piscar: quando o objeto é rapidamente jogado em direção aos olhos tem-se o reflexo de piscar, em que fibra aferentes da retina seguem ao colículo superior pelo nervo óptico, partindo do colículo algumas fibras em direção ao núcleo motor do nervo facial, que saem para a parte palpebral do orbicular do olho, promovendo o ato de piscar. Se o estímulo for muito intenso, fibras segue, do colículo superior para a medula espinhal pelo trato teto-espinhal, promovendo inervação da musculatura, protegendo os olhos com as mãos. A via teto espinhal sai da altura do mesencéfalo em que axônio desce e promove inervação de neurônios motores, sendo uma via expressiva na região cervical. Reflexo de movimentação dos olhos por estímulos vestibulares: é o reflexo que mantém a fixação do olhar em um objeto que interessa, quando essa fixação tende a ser interrompida por movimentos do corpo ou da cabeça. Se não houvesse esse mecanismo o objeto sairia da mácula da retina. Os receptores são as cristas dos canais semicirculares do ouvido interno. Os movimentos da cabeça causam movimento da endolinfa dentro dos canais semicirculares, determinando o deslocamento dos cílios das células sensoriais. Esse estímulo chega aos nervos vestibulares através da porção vestibular do NC VIII. Quando a cabeça está em movimento as cristas serão estimuladas, de modo que os estímulos são conduzidos para os núcleos vestibulares, que constituem o fascículo longitudinal medial. Esse fascículo faz sinapse no núcleo dos nervos oculomotor, abducente e troclear, proporcionando um movimento de ordem conjugada. Movimentos exagerados podem levar a movimentos oscilatórios dos olhos, denominado nistagmo. Com o teste da água, em pacientes normais, com a água fria olha-se em direção a água e quente em direção contraria a água. Reflexo fotomotor direto: tem-se um estímulo de luz que se incide sobre a retina, que segue pelo nervo óptico, cruzando o plano mediano pelo quiasmo, passando pelo trato óptico até outras regiões, como hipotálamo, núcleo geniculado lateral e núcleos pré-tectais do tronco encefálico, de onde fibras vão chegar até o núcleo de Edinger-Westphal (porção visceral do oculomotor), de onde saem fibras pré-ganglionares que se dirigem junto com o oculomotor até o gânglio ciliar, fazendo sinapse, partindo fibras pós-ganglionares até o músculo esfíncter da pupila, promovendo sua contração. Quando se incide a luz, independente do lado, tem-se a miose. Reflexo consensual: quando um olho é estimulado com um feixe de luz ambas as pupilas se contraem, já que se tem fibras que cruzam no quiasma óptico. Se houver ausência do reflexo fotomotor, em paciente consciente, indica dano no mesencéfalo. Se a luz direcionada para o olho direito causa apenas resposta consensual no olho esquerdo a via aferente está intacta, masa via eferente para o olho direto está lesada, com provável lesão do nervo oculomotor. Em uma lesão unilateral do nervo óptico (cegueira unilateral) a luz no olho lesado não causa nenhuma resposta, mas a luz no olho bom resulta em reflexo fotomotor e consensual. Reflexo do vômito: pode ser desencadeado por várias causas, como irritação da mucosa intestinal, já que a irritação estimula visceroceptores que pelas fibras aferentes do nervo vago chegam ao núcleo do trato solitário. Daí seguem Seguem em direção a glândula lacrimal via NC V2 Axônios motores viscerais seguem via nervo facial e fazem sinapse com o gânglio pterigopalatino Segue para o núcleo motor no nervo facial e para o lacrimal Faz sinapse nos núcleos sensitivo principal e espinhal do trigêmeo Estímulo na córnea adentra o tronco encefálico Promove inervação da musculatura para proteção dos olhos com as mãos Se o estímulo for intenso as fibras do colículo segue para a medula via tetoespinhal Suas fibras saem para o orbicular do olho, promovendo o ato de piscar Fibras aferentes da retina ao colículo superior, que projeta fibras ao núcleo motor do nervo facial Origem do movimento dos olhos e da cabeça de forma conjugada O FLM faz sinapse com os núcleos dos nervos oculomotor, troclear e abducente Estímulos sensoriais aos núcleos vestibulares, que constituem o fascículo longitudinal medial Movimentos da cabeça e movimentação da endolinfa Chegam no músculo esfíncter da pupila, promovendo sua contração Faz sinapse no gânglio ciliar, de onde saem fibras pós- ganglionares Chegam até o núcleo de Edingher-Westphal, de onde saem fibras pré-ganglionares que vão junto com o oculomotor Estímulo de luz até núcleos pré-tectais do tronco encefálico, de onde partem fibras impulsos ao centro do vômito na formação reticular do bulbo. O estômago possui inervação sensitiva e eferente visceral geral via nervo vago. Como respostas que desencadeiam o vômito, partindo da formação reticular tem-se: Fibras para o núcleo dorsal do vago, de onde saem fibras pré-ganglionares para gânglios na parede do estômago, aumentando a contração e a abertura da cárdia para refluxo e saída do conteúdo gástrico. Fibras reticulo-espinhais na coluna lateral da medula, de onde saem fibras simpáticas pré-ganglionares que pelos nervos esplâncnicos chegam aos gânglios celíacos e fibras pós fecham o piloro para impedir a passagem do conteúdo gástrico para regiões intestinais. Fibras reticulo-espinhais cervicais que estimulam neurônios motores da região medula espinhal cervical que formam o nervo frênico, promovendo a contração do diafragma. Fibras reticulo-espinhais torácicas estimulam neurônios motores da região medula espinhal torácica para os nervos torácico-abdominais, contraindo o músculo da parede abdominal. Fibras para o núcleo motor do nervo hipoglosso promovendo a protusão da língua. A boca fica cheia de saliva por ter muita ação simpática e parassimpática, que produzem saliva fluida e espessa. O vômito forçado é conduzido via nervo glossofaríngeo até o núcleo do trato solitário, seguindo para o centro do vômito. Os núcleos vestibulares também levam informação para o centro do vômito, desencadeando todas as etapas seguintes.