Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

IGOR DE ANGELI • MEDICINA – TURMA XXVIII 
 
1 
reforma psiquiátrica e R.A.P.S 
• HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA: na Grécia Antiga, 
acreditavam que os loucos possuíam poderes 
divinos. Na Idade Média, erram associados ao 
demônio e vistos como entes possuídos e, por 
isso, passavam seus dias acorrentados e 
expostos ao frio e à fome ou, em casos 
extremos, queimados, 
Até o século XVIII todos que apresentavam 
um comportamento diferente, sobretudo 
quando agitados e agressivos, eram 
considerados loucos. A sociedade, 
preocupada, permanecia com mesma 
conduta: isolar, punir etc. 
As reformas políticas e sociais, na virada do 
século XVIII para o século XIX, inspiram o 
francês Philippe Pinel a dar o primeiro passo 
para mudar a vida dessas pessoas. A loucura 
tornou-se uma questão médica. 
Surgiram a clínica, com local de internação, 
e os estudos sobre psiquiatria. Com essa nova 
estrutura, coube aos enfermeiros os cuidados 
com os loucos. 
No século XX, Freud cria a psicanálise que se 
populariza em todo o mundo e se impõe 
como marco no campo da Saúde Mental. 
No início, Freud recorria à hipnose para ajudar 
o paciente a lembrar do passado, mas logo 
abandonou esse método, pois percebeu que 
era mais fácil pedir ao paciente para falar 
livremente tudo o que vinha à mente, método 
chamado de associação livre, que seria a 
cura pela fala. A cura consistia na 
reconstrução de um trauma originário com a 
diminuição da censura e com acesso ao 
inconsciente. Freud deu voz ao discurso dos 
chamados loucos e aproximou o diálogo 
entre loucos e sãos. 
Em 1950, com introdução dos psicofármacos 
como a clorpromazina, as cirurgias de 
lobotomia foram reduzidas. Em 1959, 
apareceu o antidepressivo e um ano depois 
o benzodiazepínico. 
A eficácia desses medicamentos transformou 
a psiquiatria, os tratamentos se tornaram mais 
baratos e seguros para os pacientes. 
- PSIQUIATRIA NO BRASIL: no Brasil, a primeira 
instituição psiquiátrica foi inaugurada em 
1852, durante o império, recebendo o nome 
de Hospício Pedro II, no Rio de Janeiro. 
Juliano Moreira, psiquiatra baiano, foi um dos 
diretores do Hospício Pedro II. Seus estudos 
apontavam que o sofrimento mental tinha 
suas origens em fatores físicos e psicossociais, 
com a falta de acesso à educação, precária 
condição de higiene, afetando a dignidade 
humana. 
Como professor universitário, incorporou a 
psicanálise de Freud ao estudo da Medicina 
no Brasil. Foi reconhecido pela abordagem 
humanitária ao abolir assim como Franco 
Basaglia (Itália), o aprisionamento dos 
pacientes e modificou a estrutura física dos 
 
 
 
IGOR DE ANGELI • MEDICINA – TURMA XXVIII 
 
2 
reforma psiquiátrica e R.A.P.S 
hospícios ao incluir laboratórios, novas 
técnicas de tratamento e diagnóstico. 
Em 1911, fundou o primeiro Manicômio 
Judiciário do Brasil. 
No ano de 1979, Franco Basaglia visitou o 
Hosptal Colônia em Barbacena (MG), 
comparando a instituição aos campos de 
concentração nazista de Adolf Hitler. 
O Hospital Colônia foi responsável pelo 
genocídio brasileiro, matando mais de 60 mil 
pacientes, cerca de 70% dos internados não 
eram diagnosticados com nenhuma doença 
mental. 
No ano de 1946, Nise Da Silveira, revolucionou 
o tratamento e atenção dada aos pacientes 
psiquiátricos do Hospital Pedro II. Ela 
transformou um ambiente de maus-tratos em 
um setor de terapia ocupacional, um ateliê 
de pintura e modelagem, promovendo a 
cura pela arte. Além disso, ela trabalhava o 
afeto de seus pacientes, encorajando-os a 
interagir com cães e gatos. 
• LUTA ANTIMANICOMIAL: em 1978, sob 
governo militar, funcionários da área de 
saúde mental seguindo as ideias de Franco 
Basaglia, anunciaram greve e deram início ao 
movimento de denúncias das condições dos 
hospícios para o Ministério da Saúde. Como 
consequência, muitos deles foram demitidos, 
então se articularam e criaram o Movimento 
dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), 
o intuito era reivindicar “uma sociedade sem 
manicômios”. 
Inicialmente a mudança foi atendida para 
diminuir a superlotação dos hospícios, devido 
ao grande número de internações, o que 
desagradava os cofres públicos. Por isso, a 
solução proposta foi manter o “louco” junto à 
família e implementar a criação de colônias 
agrícolas anexas aos hospícios. Sendo assim, 
o começo das alterações na saúde mental 
do Brasil foram concretizadas para resolver os 
problemas do Estado, e não para beneficiar 
quem realmente precisava de ajuda. 
• POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL: 
- LEI 10.216 (MARCO DA REFORMA 
PSIQUIÁTRICA): chamada de lei 
antimanicomial, consistia em redirecionar o 
modelo de assistência psiquiátrica brasileiro 
visando melhores condições de saúde para 
os internados, assegurar seus direitos e 
promover a recuperação através da volta ao 
ambiente familiar, trabalho e comunidade. 
- NÚCLEOS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 
(NAPS): em 1989, a Casa de Saúde Anchieta 
dos Santos sofreu intervenção da Secretaria 
Municipal de Saúde Mental para acabar com 
os maus-tratos e mortes de pacientes, foi 
então implantado os Núcleos de Atenção 
Psicossocial (NAPS) com atendimento 24h, 
para acolher as pessoas egressas dos 
hospitais psiquiátricos. 
 
 
 
IGOR DE ANGELI • MEDICINA – TURMA XXVIII 
 
3 
reforma psiquiátrica e R.A.P.S 
- CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 
(CAPS): existem diferentes tipos de CAPS 
(CAPS I, II, ad, i) espalhados pelo Brasil para 
direcionar atendimento diário à adultos, 
adolescentes e crianças com transtornos 
mentais, e também aos dependentes 
químicos. A partir disso, houve uma redução 
do tempo de internação, o tratamento é 
humanizado e dado por uma equipe 
multidisciplinar com médicos, enfermeiros e 
psicólogos, entre outros profissionais. O 
número de CAPS aumentou e o de leitos de 
hospitais psiquiátricos diminuíram. 
a) CAPS I: atendimento a todas as faixas 
etárias, para transtornos mentais 
graves e persistentes, inclusive pelo uso 
de substâncias psicoativas; atende 
cidades e ou regiões com pelo menos 
15 mil habitantes. 
b) CAPS II: atendimento a todas as faixas 
etárias, para transtornos mentais 
graves e persistentes, inclusive pelo uso 
de substâncias psicoativas; atende 
cidades e ou regiões com pelo menos 
70 mil habitantes. 
c) CAPS i: atendimento a crianças e 
adolescentes, para transtornos mentais 
graves e persistentes, inclusive pelo uso 
de substâncias psicoativas; atende 
cidades e ou regiões com pelo menos 
70 mil habitantes. 
d) CAPS AD: álcool e drogas – 
atendimento a todas as faixas etárias, 
especializado em transtornos pelo uso 
de álcool e outras drogas, atende 
cidades e ou regiões com pelo menos 
70 mil habitantes. 
e) CAPS AD III: álcool e drogas – 
atendimento com 8 a 12 vagas de 
acolhimento noturno e observação; 
funcionamento 24h; todas as faixas 
etárias; transtornos pelo uso de álcool 
e outras drogas; atende cidades e ou 
regiões com pelo menos 150 mil 
habitantes. 
f) CAPS AD IV: atendimento a pessoas 
com quadros graves e intenso 
sofrimento decorrentes do uso de 
crack, álcool e outras drogas. Sua 
implantação deve ser planejada junto 
a cenas de uso em municípios com 
mais de 500.000 habitantes e capitais 
de estado. Tem como objetivos 
atender pessoas de todas as faixas 
etárias; proporcionar serviços de 
atenção contínua, com 
funcionamento 24h, incluindo feriados 
e fins de semana; e ofertar assistência 
a urgências e emergências, contando 
com leitos de observação. 
O cálculo do indicador CAPS/100.000 
habitantes considera que: 
§ CAPS I dá resposta efetiva a 50.000 
habitantes. 
§ CAPS III, a 150.000 habitantes. 
 
 
 
IGOR DE ANGELI • MEDICINA – TURMA XXVIII 
 
4 
reforma psiquiátrica e R.A.P.S 
§ CAPS II, CAPSi e CAPSad DÃO 
COBERTURA A 100.000 HABITANTES. 
Os seguintes parâmetros são adotados: 
I. Cobertura muito boa (acima de 0,70). 
II. Cobertura regular/boa (entre0,50 e 
0,69). 
III. Cobertura regular/baixa (entre 0,35 e 
0,49). 
IV. Cobertura baixa (entre 0,20 e 0,34). 
V. Cobertura insuficiente/crítica (abaixo 
de 0,20). 
- PROGRAMA DE VOLTA PRA CASA: contribui 
para reinserção social de pessoas com 
histórico de internação em hospital 
psiquiátrico ou Casa de Custódia por no 
mínimo 2 anos, beneficiando 
financeiramente essas pessoas através de um 
auxílio-reabilitação, possibilitando que o ex-
paciente more em sua casa e seja tratado 
numa rede de atenção básica como o CAPS. 
- RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS: são preparadas 
para receber pessoas egressas de hospitais 
psiquiátricos com transtornos mentais graves 
que não possuem moradia e que sejam 
referenciados pelo CAPS, em cada casa 
existe um cuidador responsável pelas tarefas 
e por lidar eventualmente com os conflitos 
entre os moradores. 
• REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS): a 
RAPS é formada por 7 componentes: 
I. Atenção Básica em Saúde. 
II. Atenção Psicossocial 
Especializada. 
III. Atenção de Urgência e 
Emergência. 
IV. Atenção Residencial de Caráter 
Transitório. 
V. Atenção Hospitalar. 
VI. Estratégias de 
Desinstitucionalização. 
VII. Reabilitação Psicossocial.

Mais conteúdos dessa disciplina