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FICHAMENTO SOBRE O ARTIGO:
Vaquejada: A Contradição da Constituição em Relação à Proibição Desta Prática, de Wilber Alarcon Borges
	 BORGES, Wilber Alarcon 
 Artigo Científico: Vaquejada: A Contradição da Constituição em Relação à Proibição Desta Prática, de Wilber Alarcon Borges, 2019.
 “VAQUEJADA: THE CONTRADICTION OF THE CONSTITUTION IN RELATION TO THE PROHIBITION OF THIS PRACTICE”
1. Considerações sócio-histórico-econômico-culturais da vaquejada. 2. Vaquejada: a Lei e a jurisprudência. 3 Vaquejada atual: entre a cultura, o negócio e crueldade. 4. Vaquejada: o direito dos animais e a Constituição Federal. 5. Conclusão
 
BIBLIOGRAFIAS DO AUTOR
Wilber Alarcon Borges: Acadêmico de Direito do Centro Universitário São Lucas.
RESENHA CRÍTICA DO TEXTO SOB A FORMA DE FICHAMENTO 
VAQUEJADA: A CONTRADIÇÃO DA CONSTITUIÇÃO EM RELAÇÃO À PROIBIÇÃO DESTA PRÁTICA 
“( ) A vaquejada consiste em uma prática aparentemente esportiva, na qual dois vaqueiros tentam derrubar o touro puxando-o pelo rabo, o que, muitas das vezes, leva-o ao desenluvamento – nome técnico dado ao arrancamento do rabo pela retirada violenta da pele e tecidos da cauda.” 
	Trata-se de uma prática esportiva e cultural que é cruel dependendo do ponto de vista de quem a analisa. Antigamente, a vaquejada não ocorria da forma dos dias atuais, até porque, era uma prática essencial aos fazendeiros de gados para conseguirem capturar os animais e tratá-los de forma adequada. 
No entanto, a Constituição Federal trouxe disposições que são contrárias entre si ao tratar do assunto hodiernamente. Para chegar nessa análise, é necessário percorrer a origem histórica da prática.
CONSIDERAÇÕES SÓCIO-HISTÓRICO-ECONÔMICO-CULTURAIS DA VAQUEJADA
“( ) A origem da vaquejada nos remonta ao sertão nordestino, por volta dos séculos XVII e XVIII (CASCUDO, 1976), quando o gado era criado, marcado e solto na mata, ou seja, sua origem encontra-se ligada às festas de apartação. Bezerra bem explica:
“Na verdade, tudo começou aqui pelo Nordeste com o Ciclo dos Currais. É onde entram as apartações. Os campos de criar não eram cercados. O gado, criado em vastos campos abertos, distanciava-se em busca de alimentação mais abundante nos fundos dos pastos (BEZERRA, 1978, p. 7)”.
	O autor ainda complementa dizendo que:
“Para juntar gado disperso pelas serras, caatingas e tabuleiros, foi que surgiu a apartação. Escolhia-se antecipadamente uma determinada fazenda e, no dia marcado para o início da apartação, numerosos fazendeiros e vaqueiros devidamente encourados partiam para o campo, guiados pelo fazendeiro anfitrião, divididos em grupos espalhados em todas as direções à procura da gadaria (BEZERRA, 1978, p. 7)”.
	Isso mostra que o objetivo da captura dos animais não passava além de manutenção dos gados do fazendeiro, seja para tratar, para castrar, para ferra, dentre outros. 
“( ) “Há estilos de ser e de viver que se conectam à sociedade, bem como há particularidades que são executadas cotidianamente em seus eventos. Na vaquejada promove-se estilos de vida que se configuram pela maneira como atuam e representam o mundo no evento, a saber: o tipo de vestimenta, o cavalo, as brincadeiras e as festas (AIRES; ASSUNÇÃO, 2018, p. 6)”
VAQUEJADA: A LEI E A JURISPRUDÊNCIA
“( ) No Brasil, a legislação somente se direcionou aos animais pela primeira vez em 10 de setembro de 1924, através do Decreto Federal n. 16.590, o qual vedava concessão de licenças para corridas de touros, garraios, novilhos, brigas de galo e canários e quaisquer outras diversões desse gênero que causassem sofrimento aos animais.” 
“( ) Notadamente, a Corte tem entendido que tais práticas são incompatíveis com o ideal adotado pelo ordenamento jurídico. É a mesma linha de pensamento de Steinmetz (2009), segundo o qual os maus tratos estão para os animais como a tortura está para os seres humanos, salientando que esta não pode ser ponderada e afastada por outro princípio. Em suma, o objetivo é garantir o bem-estar animal, entendido como:
“[…] a garantia de atendimento às necessidades físicas, mentais e naturais do animal, a isenção de lesões, doenças, fome, sede, desconforto, dor, medo e estresse, a possibilidade de expressar seu comportamento natural, bem como a promoção e preservação da sua saúde […] (BRASIL, 2007).”
“[…] a crueldade intrínseca à vaquejada não permite a prevalência do valor cultural como resultado desejado pelo sistema de direitos fundamentais da Carta de 1988. O sentido da expressão “crueldade” constante da parte final do inciso VII do § 1º do artigo 225 do Diploma Maior alcança, sem sombra de dúvida, a tortura e os maus-tratos infringidos aos bovinos durante a prática impugnada, revelando-se intolerável, a mais não poder, a conduta humana autorizada pela norma estadual atacada. No âmbito de composição dos interesses fundamentais envolvidos neste processo, há de sobressair a pretensão de proteção ao meio ambiente. (ADI 153531, Relator(a): Min. FRANCISCO REZEK, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Segunda Turma, julgado em 03/06/1997, DJ 13-03-1998 PP-00013 EMENT VOL-01902-02 PP-00388).”
No entanto, mesmo à frente do entendimento do STF, o Congresso Nacional aprovou a Lei n. 13.364, de 29 de novembro de 2016, através da qual, se eleva o rodeio e a vaquejada, a expressões artístico-culturais, considerando manifestações da cultura nacional e patrimônio cultural imaterial (BRASIL, 2016). 
VAQUEJADA ATUAL: ENTRE A CULTURA, NEGÓCIO E CRUELDADE
Hodiernamente, a vaquejada se traduz como um evento milionário que movimenta aristocracia rural e que atrai grandes empresários. Ou seja, cai por terra a ideia de manter o evento a fim de que se preserve a cultura, como bem expôs o autor. 
“( ) Portanto, de tradição só resta a atrocidade cometida contra o gado, qual seja: puxá-lo pelo rabo para que caia no chão. Conforme Figueiredo e Gordilho (2016, p. 6), “os animais são açoitados e violentados físico-psicologicamente, objetivando-se – deliberadamente – alcançar seu desequilíbrio emocional e consequente arremesso desabalado no palco em que sofrerá a inevitável queda”. Os autores asseveram que, embora não exposto ao público, durante o confinamento, os bois são açoitados e insultados, levando choque e até mesmo sofrendo a humilhação da inserção de pimenta e mostarda pelo ânus, dentre outras formas de maus tratos.” 
“( ) Em continuação, Lourenço (2017) afirma que existe uma regra de ouro para curar essa hipermetropia existente nessa multidão que defende. Para o autor, basta trocar a figura do boi por um humano e toda crueldade seria revelada. Ele assevera que a repugnância moral equivalente que passará a existir após a substituição é a mesma que deve ser aplicada quando é o animal que está sofrendo.”
 CONCLUSÃO 
Deste modo, pode-se concluir que em pleno século XXI, é incabível que trate as coisas do passado como integrantes do patrimônio histórico-cultural apenas por serem antigas. Tais definições vão muito além e abarcam outros fatores muito mais importantes que isso. 
No entanto, a vaquejada ser ou não um evento histórico-cultural, não tira de si a disponibilidade ao julgamento social, que sempre analisa uma questão de acordo com seus preceitos e valores sociais da época. Fato este, que é possível asseverar que, na sociedade atual, práticas de crueldade e tortura aos animais jamas podem ser concebidas como normal. 
Diante do exposto, por mais que as leis tragam garantias aos praticantes de tal prática, tem-se evidências de que a vaquejada é uma prática estritamente cruel aos animais e os próprios estudos das áreas atinentes à isso, demonstram com comprovações científicas em cima das mutilações, dilacerações e agressões que os animais são submetidos. 
 				 REFERÊNCIAS 
GORDILHO, Heron José de Santana; BORGES, Daniel Moura. Direito animal e a inconstitucionalidade da 96ª emenda à Constituição Brasileira. Revista Sequência – PPGD UFSC. Local: Curitiba, 2018.

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