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Crimildo Carlos Chiconela
Regência verbal no Citshwa e Português de Moçambique: caso das preposições
simples “com” e “em” em falantes dos níveis médio e superior da Cidade de Maxixe
Licenciatura em ensino de Português
Universidade Save- Maxixe
2022
1
Crimildo Carlos Chiconela
Regência verbal no Citshwa e Português de Moçambique: caso das preposições
simples “com” e “em” em falantes dos níveis médio e superior da Cidade de Maxixe
Júri
- Presidente: Dra. Lina Honorata;
- Arguente: Dr. João Samuel;
- Supervisor: Ma. Tomás Gomes.
Universidade Save- Maxixe
2022
Monografia Científica apresentada ao
Departamento de Letras e ciências sociais como
requisito para obtenção do grau de Licenciatura
em Ensino de Português, com habilitações em
Línguas Bantu (Citshwa).
i
2
Declaração de Honra
Declaro que esta Monografia Científica intitulada Regência verbal no Citshwa e Português de
Moçambique: caso das preposições simples “com” e “em” em falantes dos níveis médio e
superior da Cidade de Maxixe, é fruto da minha investigação pessoal e das orientações do
meu supervisor. O seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente
mencionadas no texto, nas notas de rodapé e nas referências bibliográficas.
Declaro ainda que este não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção de
qualquer grau académico.
Maxixe, 24 de Maio de 2022
Crimildo Carlos Chiconela
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Índice
Introdução ................................................................................................................................. 11
Delimitação do estudo ............................................................................................................... 12
Justificativa ............................................................................................................................... 12
Objectivos da pesquisa .............................................................................................................. 13
Formulação do Problema .......................................................................................................... 14
CAPÍTULO I ............................................................................................................................ 17
1. Fundamentação teórica ............................................................................................... 17
1.1. Quadro teórico ............................................................................................................ 17
1.2. Funcionalismo linguístico ........................................................................................... 17
1.3. Concepções de regência .............................................................................................. 18
1.3.1. Regência verbal .......................................................................................................... 18
1.3.2. Concepções do Verbo ................................................................................................. 19
1.3.3. Transitividade verbal .................................................................................................. 20
1.3.4. Verbos intransitivos .................................................................................................... 20
1.3.5. Verbos transitivos ....................................................................................................... 21
1.3.5.1. Verbos transitivos directos .......................................................................................... 21
1.3.5.2. Verbos transitivos indirectos ....................................................................................... 22
1.4. Concepções de Preposição .......................................................................................... 22
1.4.1. Preposições simples .................................................................................................... 23
1.4.2. Preposição simples “com” .......................................................................................... 23
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4
1.4.3. Preposição simples “em” ............................................................................................. 24
1.4.4. As preposições nas línguas bantu ................................................................................ 25
1.4.5. Preposições/ Morfemas nas línguas bantu com enfoque na língua Citshwa .................. 27
1.5. Regência verbal dos verbos afectados pelas preposições {com e em}. ......................... 30
CAPITULO II ........................................................................................................................... 31
1.6. Metodologia da pesquisa ................................................................................................. 31
1.6.1. Quanto a abordagem ........................................................................................................ 31
1.6.2. Quanto aos objectivos...................................................................................................... 31
1.6.3. Quanto à natureza ............................................................................................................ 32
1.6.4. Quanto aos procedimentos ............................................................................................... 32
1.6.5. Métodos e técnicas de recolha de dados ........................................................................... 32
1.6.6. Entrevista ........................................................................................................................ 32
1.6.7. Inquérito por questionário................................................................................................ 33
1.6.8. Instrumentos e técnicas de análise de dados ..................................................................... 33
1.6.9. Análise descritiva ............................................................................................................ 33
1.7.1. População ........................................................................................................................ 33
1.7.2. Amostra .......................................................................................................................... 34
CAPÍTULO III ......................................................................................................................... 35
2. Regência verbal do Português de Moçambique, caso das preposições simples “com” e
simples “em” pelos estudantes do nível médio e superior da Cidade de Maxixe. ....................... 35
2.1. Factores determinantes da regência verbal desviante no PM: caso das preposições simples
“com” e “em”............................................................................................................................ 38
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2.2. Interferência das línguas Bantu ........................................................................................... 38
2.3. Descrição dos dados obtidos através da entrevista aos estudantes do 2º ano curso de
Português em relação à regência verbal no Citshwa e PM, caso das preposições simples
associativa “com” e locativa “em”............................................................................................. 40
2.4. Constatações extraídas da entrevista aos estudantes do 2º ano curso de Português em
relação à regência verbal no Citshwa e PM, caso das preposições simples associativa “com” e
locativa “em”….. ...................................................................................................................... 46
2.5. Descrição dos dados referentes ao Inquérito para alunos da 12ª Classe da E.S. 29 deSetembro da Cidade de Maxixe. ................................................................................................ 47
2.6. Preposição simples “com” nos verbos {Cuidar, comprar, namorar.} ................................... 48
2.7. Preposição simples “em” nos verbos {Ir, cair e Chegar.} .................................................... 49
2.8. Conclusões sobre fatores determinantes da regência verbal no PM: caso das preposições
“com” e “em” nos verbos de regência contrária e/ou intransitivos. ............................................ 52
3. Conclusões finais .................................................................................................................. 53
4. Bibliografia ........................................................................................................................... 54
Apêndices…………………………………………………………………………………….…..57
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Lista de Abreviaturas
PM- Português de Moçambique;
PE- Português Europeu;
ES- Escola Secundária.
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Lista de tabelas e figuras
Tabela 1- Informantes do nível Superior.................................................................................42
Tabela 2- Informantes do nível médio.....................................................................................48
Figura-1: Ocorrência da preposição simples com nos verbos regentes...................................49
Figura 2- Ocorrências da preposição simples “em” nos verbos regentes................................50
vi
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Dedicatória
À minha mãe!
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Agradecimentos
A Deus, pelo dom da vida e pelas forças, quem sabe donde, que me tem dado para enfrentar
todos e cada um dos obstáculos desta caminhada estudantil.
Ao meu supervisor, Ma. Tomás Gomes, pela paciência, dedicação e compreensão na
realização desta pesquisa, pela exigência frequente e apoio moral ao longo da pesquisa.
À minha mãe, Isabel Alfredo Sipendo, e meu irmão, Dionísio Carlos Chiconela, pelo amor e
apoio incondicional. Palavras não são suficientes para expressar o meu profundo
agradecimento e honra que sinto por vos ter como responsáveis de mim.
Aos meus docentes, Ma. Alberto Mathe, Ma. Isaías Mate, Ma. Lucério Gundane e tantos
outros que não caberiam pela caminhada e ensinamentos de ordem não só pedagógica como
também cívica e moral.
Aos meus amigos, Raúl Cossa, Estêvão Manjate, Bento Mutoba, Alex Lichate, Bilson
Chihungo, Nércia Cau, Ivormerla Amélia, pelo apoio incondicional e suporte dado nestes
quatro anos de muito Aprendizado.
A todos que seja de forma directa ou indirecta contribuíram para o meu bem-estar, muito
Khanimambo!
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Resumo
A presente monografia científica tem como titulo: Regência verbal no Citshwa e Português de
Moçambique, caso das preposições simples “com” e “em” nos falantes dos ensinos médio e superior
da Cidade de Maxixe e pretende debruçar sobre ocorrência das preposições “com” e “em” nos verbos
que não estabelecem regência com as preposições em causa ou seja, possui uma grelha de regência
diferente daquela que é exibida pelo Português Europeu que, neste caso, funciona como padrão em
Moçambique. Em relação à metodologia de pesquisa, esta pesquisa é explicativa e quanto aos
procedimentos técnicos é de campo, que se sustenta pela pesquisa bibliográfica. Relativamente à
recolha de dados, optamos pela observação directa intensiva, através da técnica de observação e pela
observação sistemática, através de instrumento de recolha inquérito por questionário e técnica de
entrevista semiestruturada. Os resultados do estudo demonstram que grande parte dos verbos de
movimento direccionais seleccionam a preposição em, em contextos em que deveria reger a
preposição simples direcional a e verbos que selecionam a preposição com em regência verbal onde
não seleciona preposição ou exige preposição a.
Palavras-Chave: Regência verbal, verbos transitivos indirectos, preposições “com” e “em”.
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Introdução
Os linguistas, especialistas no estudo da língua, há alguns anos não se preocupavam com a
questão da correcção linguística, justificando-se pelo fato de que o único objectivo de estudo e
actuação da linguística é a “língua espontânea e usual, por ser a natural e livre manifestação
do falar” (Bechara, 1999). Consubstanciando, o português é uma língua que é mobilizada em
diferentes países, como é o caso específico de Moçambique. No caso do país em causa, sendo
que é um país multilinguístico, é certo que a língua portuguesa apresenta diversas
interferências em diferentes níveis da gramática.
Entretanto, é relevante ter-se em conta de que a língua possui uma função social que é o da
comunicação onde só se pode compreender e interpretar dentro do contexto sociocultural ou
seja, importante compreender que a língua não é um sistema uno, invariado, estático, porém,
abriga um conjunto de variantes, variedades, e dialectos. Todas as línguas são moldadas pelos
contextos socioculturais e a sua variação e mudança dependem da forma como os usuários
replicam o seu uso. Em Moçambique, não é excepção. Todas as línguas faladas tendem a
mudar com o tempo desviando-se constantemente em relação à norma. Sendo assim, a norma
não é apenas ou simplesmente um conjunto de formas linguísticas pré-estabelecidas, mas,
também, é um agregado de valores socioculturais usados por uma comunidade linguística.
Diante dessa realidade sociolinguística, surge a presente pesquisa com o titulo: Regência
verbal no Citshwa e Português de Moçambique, caso das preposições “com” e “em” nos
falantes dos ensinos médio e superior da Cidade de Maxixe objectivando analisar a ocorrência
das preposições “com” e “em” no âmbito discurso escrito/ oral como preposições que se aliam
aos verbos transitivos indiretos em regência verbal nos âmbitos verbal ou escrita no seio do
Português de Moçambique, particularmente em Maxixe nos alvos citados.
Em relação à pertinência, pesquisar sobre Regência verbal do Português de Moçambique no
caso das preposições “com” e “em”, particularmente Cidade de Maxixe nos alunos da 12ª
Classe da Escola Secundária 29 de Setembro e estudantes do 2º ano- Curso de Licenciatura
em Português da Unisave - Maxixe traz consigo a intenção de reflectir de forma conjunta,
assim como autónoma para os falantes e para linguistas em prol da mobilização e
impulsionamento das normas que compõem a língua, outrossim, a pesquisa abre discussão no
que concerne a situação do PM tendo em conta as variáveis sociais, assim como as
características léxico-semânticas e sintácticas. Também poderá despertar a necessidade de
12
afirmação própria no que tange a variação linguística, isto é, variedade moçambicana, bem
como da redução do preconceito linguístico que aflige o sistema educativo do país.
Relativamente a estrutura, o presente trabalho está organizado em três capítulos, a saber: No
primeiro capítulo apresenta-se a revisão da literatura em que estabelecemos a discussão de
conceitos refentes a regência, regência verbal, verbo, preposição, transitividade verbal e de
forma particularizada foi-se mobilizando aprofundadamente os dados que constituem a base
da pesquisa. No segundo capítulo constam o tipo e modelo de pesquisa, métodos e técnicas de
recolha de dados, a amostra e metodologia de análise de dados. O último capítulo (terceiro) é
reservado a análise de dados onde abordamos sobre o tema central da pesquisa, seguindo-se a
conclusão e as referências bibliográficas.
Delimitação do estudo
Aliando-se a Lopes, Sitoe e Nhamuende (2013, p.17 cit. em Timbane (2017), “em
Moçambique vem-se desenvolvendo uma variedade de portuguêsque é moçambicana, no
sentido em que há traços, características e realizações formais e contextuais de
moçambicanidade na fala e na escrita...”. Assim como qualquer língua que contempla
variações, é notável a ocorrência de construções que resultam da linguagem usual que se
distancia das normas gramaticais. Quanto a actuação, o estudo tem como foco analisar
mobilização das preposições “com” e “em” em regência verbal, especificamente na província
de Inhambane, na Cidade de Maxixe nos alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de Setembro e
estudantes do 2º Ano Curso de licenciatura em Português da Unisave Maxixe. Em suma,
pretende-se com a presente pesquisa, evidenciar a reais causas de regência desviante que se
estabelece entre diversos verbos regentes das preposições em causa. Deste modo, a pesquisa
decorreu no período de tempo dos anos 2021 à 2022.
Justificativa
O Português de Moçambique (PM) é uma variedade que resulta de contextos sociolinguísticos
e da diversidade cultural. A escola moçambicana baseia-se no português de Portugal (norma-
padrão europeia) para ensinar e avaliar seus alunos, o que faz com que os alunos não
progridam academicamente. Portanto, na postura de um país que possui certa variação do
português mas que têm o português europeu como referencia devido as variáveis sociais em
Moçambique vêm se desenvolvendo uma variedade que é só moçambicana. A partir desta
13
realidade, no que tange a mobilização da gramática normativa1 da língua padrão, mereceu
destaque para o caso da ocorrência das preposições “com” e “em” nos diferentes verbos.
Nesta senda, no caso de estudantes da Cidade de Maxixe, julgamos que possuem factores que
determinam a confusão na regência verbal no PM, permitindo estabelecer coerência e coesão
nos discursos produzidos, pois em cada frase/ período produzido há que vigorar relações
gramaticais entre as palavras.
Sendo assim, a presente pesquisa surge no âmbito da confusão na regência verbal do
Português de Moçambique nos alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de Setembro e estudantes do
2º Ano Curso de licenciatura em Português da Unisave - Maxixe, em relação a ocorrência das
preposições “com” e “em” no que diz respeito a regência verbal nos verbos transitivos
indirectos ou ditransitivos, estabelecendo uma pesquisa para a regência verbal.
Em relação as normas que a língua possui, sendo linguistas, emanamos a discussão a respeito
das prescrições normativas da língua em uso, mas não simplesmente para confirmar o que se
prega tradicionalmente. Outrossim, para examinar a língua em uso e avaliar os casos em que
há distanciamento da norma, sempre tendo em mente seu conhecimento do funcionamento
linguístico.
A nível académico, esperamos que a pesquisa promova leituras em relação a gramática
tradicional, reiterando o que as gramaticas normativas prescrevem relativamente as normas de
construções sintáticas, promovendo assim construções sintáticas aceitáveis gramaticalmente.
A pesquisa poderá conscientizar os falantes no sentido de levarem em consideração as normas
regentes da língua portuguesa em todos âmbitos discursivos.
Objectivos da pesquisa
Objectivo geral
Analisar a regência verbal no Português de Moçambique: caso das preposições
simples locativa em e simples associativa com nos alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de
Setembro e estudantes do 2º Ano Curso de licenciatura em Português da Unisave -
Maxixe;
1 A gramática normativa recomenda como se deve falar e escrever segundo o uso e a autoridade dos escritores
correctos e dos gramáticos e dicionaristas esclarecidos. (Bechara, 1999: 37)
14
Objectivos específicos
Estabelecer conceções sobre o uso das preposições “com” e “em” nos alunos da 12ª
Classe da E.S. 29 de Setembro e estudantes do 2º Ano Curso de licenciatura em
Português da Unisave - Maxixe;
Interpretar a ocorrência de regência verbal no PM, caso das preposições “com” e “em”
nos alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de Setembro e estudantes do 2º Ano Curso de
licenciatura em Português da Unisave - Maxixe;
Identificar fatores que contribuem para confusão da regência verbal, caso das
preposições “com” e “em” nos alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de Setembro e
estudantes do 2º Ano Curso de licenciatura em Português da Unisave - Maxixe;
Explicar os fatores que influenciam no uso inadequado das preposições “com” e “em”
em regência verbal nos alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de Setembro e estudantes do 2º
Ano Curso de licenciatura em Português da Unisave - Maxixe;
Formulação do Problema
Gonçalves (2000), […] A Língua Portuguesa (LP) foi adoptada como língua oficial do país,
porque precisava-se estender o acesso à educação para os diversos cantos do país, ou seja,
havia necessidade de se fazer com a maior brevidade possível aquilo que o colono não foi
capaz de fazer durante muitos anos. Por causa da diversidade linguística do país e pela
necessidade de dar educação ao moçambicano, definiu-se que a única língua que reunia
condição para que esse objectivo fosse alcançado era o português – aliás, o português gozava
desse papel mesmo durante o período da luta pela independência do país.
Portanto, sem a padronização do português de Moçambique, têm-se o Português Europeu
como língua que contempla as regras da norma culta, ou seja, que o guia. Em relação às
diferentes mobilizações da regência verbal das preposições “com” e “em” nos alunos da 12ª
Classe da Escola Secundária 29 de Setembro e estudantes do 2º ano- Curso de Licenciatura
em Português da Unisave - Maxixe, verificou-se há contextos onde a preposição “com” é
estabelecida onde devia posicionar-se a preposição “a” devidas as exigências do verbo ou dos
valores semânticos que a preposição possui. Assim como da preposição “em”, é comum os
falantes da língua em assunção estabelecer onde se devia posicionar a preposição “a” regido
pelos verbos transitivos indirectos.
15
Então, muitos factores poderam influenciar na regência verbal desviante em relação as
preposições com e em dos discursos constatados eventualmente. Sendo assim, constatamos a
longo prazo a que os falantes desenvolvem uma regência verbal das preposições “com” e
“em” desviada da língua norma padrão {PE} nas sentenças:
* Cuidado com Carro;
* Comprei com meu dinheiro;
*[Ex2] namora com [CI3];
*Foi na Escola;
*Chegar em casa;
*Faltei nas aulas.
No que diz respeito às construções atípicas dos estudantes dos níveis médio e superior, foram
obtidas através da observação directa intensiva (audição e visão), onde Lakatos e Marconi
(2011) define observação directa intensiva como sendo um tipo de actividade que “[…] utiliza
os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e
ouvir, mas também examinar fatos ou fenómenos que deseja estudar”, sendo que
frequentemente, no seu processo de construção de frases julgam estabelecer a regência das
preposições “com” e “em” em verbos por sinal transitivos indirectos4 porem de forma
inadequada.
A nível gramatical, as construções sintáticas em causa, admite-se:
Cuide-se do Carro;
Comprei a meu dinheiro;
[Exp5] namora [CI6];
Foi a Escola;
Chegar a casa;
2 EXP corresponde ao Experienciador.
3 CI corresponde ao complemento indirecto.
4 Verbos transitivos indirectos necessitam obrigatoriamente de uma preposição para estabelecer regência verbal
com o objecto indirecto.
5 Ibid.
6 Ibid.
16
Faltei as aulas.
Entretanto, esses erros são comuns no Português de Moçambique, particularmente nos alvos
citados, e leva-nos a pensar que o PM neste caso, é uma língua que se desvincula das
estruturas sintáticas gramaticais, neste caso, regência de alguns verbos que não selecionam
preposições com e em.
Com base no fenómeno constatado nos estudantescorrespondentes a frequência escolar pré-
universitária e universitária em relação a regência verbal, caso das preposições “com” e “em”,
surge a seguinte pergunta:
Que fatores contribuem para a confusão na regência verbal no Português
Moçambique, caso das preposições “com” e “em” em alunos da 12ª Classe da E.S.
29 de Setembro e estudantes do 2º Ano Curso de licenciatura em Português da
Unisave - Maxixe?
Hipóteses
H¹: Moçambique é um país multilinguístico. Sendo assim, os falantes7 em causa, não só tem o
português como língua de uso, ou seja, mobilizam diversas línguas, por isso, denotamos como
fator mediador, a transposição de estruturas linguísticas das diversas línguas para a língua
Portuguesa;
H2: Denota-se como causa do fenómeno a aplicabilidade desviante dos conhecimentos
adquiridos sobre regência de alguns verbos;
H3: A Língua portuguesa como qualquer outra língua natural, reúne diversificadas normas
específicas, que garantem o seu correcto e complexo funcionamento em detrimento dos seus
diversos contextos. Contudo, a falta do conhecimento dessas normas linguísticas por parte dos
seus utentes, pode se reflectir através do uso inapropriado das mesmas normas que a regem,
originando desvios;
7 Alunos da 12a Classe e 2o ano Curso de Licenciatura em Português
17
CAPÍTULO I
1. Fundamentação teórica
1.1.Quadro teórico
1.2.Funcionalismo linguístico
O Funcionalismo corresponde a corrente de análise linguística que possui foco principal a
linguagem em uso. A teoria analisa os contextos de interacção extralinguística, considerando
os aspectos semânticos e discursivos. A teoria funcionalista foi fundada pela escola de Praga,
datada 1926 pelos linguistas Roman Jakobson e NikolajTrubetzkoy.
Seguindo a perspetiva de Neves (1997),
“os componentes funcionais são os componentes fundamentais do significado na
língua, sendo cada elemento da língua explicado por referência à sua função na
comunicação linguística. Assim, a forma dos enunciados não é independente da sua
função, e uma descrição completa considera todo o complexo interacional, ou seja,
o que importa não é o que cada elemento significa isoladamente, mas como se
codificam no texto a escolha do item, a ordem em que ele se coloca, a sua
combinação com outros elementos, etc.”
Então, a pesquisa concentra-se nos processos ligados à predicação, correspondente ao
processo básico de constituição dos enunciados, discursos, buscando-se determinar,
especialmente, a aparente tensão entre o uso e a norma nos casos que a tradição chama de
regência verbal nos verbos transitivos indirectos. No que tange a gramática funcional, visa a
explicar regularidades nas línguas, e através delas, em termos de aspectos recorrentes das
circunstâncias sob as quais as pessoas usam a língua. A gramática funcional ocupa, assim,
uma posição intermediária em relação às abordagens que dão conta apenas da sistematicidade
da estrutura.
Outrossim, a teoria funcionalista contribui para uma percepção mais vasta acerca dos usos
linguísticos, ao analisar a língua em contextos reais de comunicação, através de textos
produzidos orais ou escritos. Portanto, estudar a regência verbal do Português de
Moçambique: caso das preposições “com” e “em”, insere-se no âmbito da teoria
Funcionalista, que se objetiva: estudar a língua em uso e se procurar verificar as funções dos
meios linguísticos de expressão, isto é, objectiva-se determinar os fins a que as unidades
linguísticas servem.
18
1.3.Concepções de regência
Faraco e Moura (1999, cit. em, Marques 2006) “Regência é a relação de dependência que se
estabelece entre dois termos”. Para completar, diz-se que, quando o termo regente é um verbo,
dá-se à regência o nome de regência verbal.
Então, linguistas conceituam a regência de diversas maneiras, não obstante, o estudo de
regência sempre remete a dependência das várias partes da proposição, cujo sentido é
determinado por uma delas, e distingue, na sintaxe de regência, as partes regentes
(preposições, adjectivos que pedem complementos, verbos, e, algumas vezes, advérbios e as
próprias proposições) e as partes regidas (palavras, orações ou proposições que ficam sob a
dependência das regentes).
1.3.1. Regência verbal
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os
complementam (objectos directos e objectos indirectos), ou seja, a relação de dependência
que determinados verbos contemplam quer seja com objectos directos ou indirectos.
Para o caso vejamos os exemplos:
Cheguei a Vila molhado.
Comprei blusão bonito.
Em relação ao primeiro exemplo, o verbo flexionado Cheguei estabelece regência com a
preposição direccional a para o objecto Vila, por isso, o verbo flexionado rege indirectamente
por meio da preposição para o objecto/ complemento. No caso do segundo exemplo, o verbo
flexionado Comprei estabelece regência com o adjectivo Blusão, isto é, o sintagma verbal
rege directamente com o complemento.
O mesmo elucida Pereira (1909, citado. em Marques 2006) afirmando “… Regência verbal
nada mais que a relação estabelecida entre os verbos e seus respectivos complementos, pois,
nessa relação, há aqueles que, indispensavelmente, requerem o uso das preposições.”
Cunha & Cintra (1985), em geral “…as palavras de uma oração são interdependentes, isto é,
relacionam- se entre si para formar um todo significativo. Essa relação necessária que se
estabelece entre duas palavras, uma das quais serve de complemento a outra, é o que se chama
regência.”
19
Analisando os conceitos de Pereira (1909, cit. em Marques, 2006) e Cunha e Cintra (1985),
regência verbal é estabelecida através relação/ ligação por meio de preposição ou de forma
directa (verbo para objecto) para que haja sentido.
A palavra dependente denomina-se regida, e o termo a que ela se subordina, regente. As
relações de regência podem ser indicadas:
A. Pela ordem por que se dispõem os termos na oração;
B. Pelas preposições, cuja função é justamente a de ligar palavras estabelecendo entre
elas um nexo de dependência;
C. Pelas conjunções subordinativas, quando se trata de um período composto.
Na maioria dos casos de regência, verifica-se se o uso da preposição ou não obrigatório, e se o
usuário satisfaz ao que recomenda a normativa quanto a esse uso.
1.3.2. Concepções do Verbo
As gramáticas definem o verbo seguindo critério morfossintáctico, dado que, conceituam o
verbo no que diz respeito a morfologia, isto é, componente que expressa o tempo, espaço,
lugar, modo, etc. em relação ao aspecto sintáctico, o verbo corresponde o núcleo da oração.
Neste caso Lima (2011), define verbo “como sendo algo que expressa um fato, um
acontecimento: o que se passa com os seres, ou em torno dos seres. É a parte da oração mais
rica em variações de forma ou acidentes gramaticais.”
Ex: Mário morreu.
Em relação ao conceito de Lima, enfatiza o facto de que “verbo” é uma classe gramatical ou
seja classe de palavras que expressa uma determinada realidade dos seres, assim como em
torno deles, estabelecendo marcas de tempo e modo. Ex: Maria saiu da universidade às 12h.
Obs. No exemplo em assunção, temos a forma verbal do verbo “Sair”, que expressa o aspecto
tempo temporal.
Ao contrário de Bechara (1999), entende-se por verbo:
“a unidade de significado categorial que se caracteriza por ser um molde pelo qual
organiza o falar seu significado lexical. No verbo português, há categorias que sempre
20
estão ligadas: não se separa a “pessoa” do “número” nem o “tempo” do “modo”; isto
ocorre em grande parte, senão totalmente, com o “tempo” e o “aspecto”.
Em suma, os conceitos encontrados nas gramáticas sobre Verbos, induzem-nos a mesma
concepção, de que verbo é uma unidade de significado ou algo que expressa um facto no
tempo e noespaço.
1.3.3. Transitividade verbal
Segundo Cunha & Cintra (1985), o predicado verbal tem o núcleo, isto é, o verbo como
elemento principal da declaração que se faz do sujeito, um verbo significativo. Verbos
significativos são aqueles que trazem uma ideia nova ao sujeito.
A ligação do verbo com o seu complemento, isto é, a regência verbal, pode, fazer-se:
Directamente, sem uma preposição intermédia, quando o complemento é objecto
directo;
Indirectamente, mediante o em prego de um a preposição, quando o complemento é
objecto indirecto.
Destarte, o verbo quanto a predicação, pode ser: transitivo ou intransitivo.
1.3.4. Verbos intransitivos
Nestas orações de Da Costa e Silva,
Sobe a névoa... A sombra desce... (PC, 281.)8
Verificamos que a acção está integralmente contida nas formas verbais “sobe e desce”. Tais
verbos são, pois, intransitivos, ou seja, não transitivos: a acção não vai além do verbo. (Cunha
& Cintra, 1985)
Em consonância com a conceitualização de Cunha & Cintra, podemos acertar na ideia de que
os verbos intransitivos são verbos que não necessitam de complemento para dar sentido a
frase, isto é, os verbos por si só dão sentido à frase sem transição.
8 Exemplo de Cunha e Cintra (1985)
21
Assumindo deste modo a não ocorrência de regência verbal em verbos cuja predicação é
intransitiva.
1.3.5. Verbos transitivos
Nesta oração
Ele não me agradece, / nem eu lhe dou tempo. 9
Vemos que as formas verbais “agradece e dou” exigem certos termos para completar-lhes o
significado. Como o processo verbal não está integralmente contido nelas, mas se transmite a
outros elementos (o pronome me na primeira oração, o pronome lhe e o substantivo tempo na
segunda), estes verbos chamam-se Transitivos. (Cunha & Cintra, 1985)
Os verbos transitivos podem ser directos, indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo
tempo.
1.3.5.1.Verbos transitivos directos
Nas orações comuns do português de Moçambique
Vou ver o professor.
Ele rogava a deus.
A acção expressa por vou ver e rogava transmite-se a outros elementos (professor e Deus)
directamente, ou seja, sem o auxílio de preposição. São, por isso, chamados verbos transitivos
directos, e o termo da oração que lhes integra o sentido recebe o nome de objecto directo.
Deste modo, há ocorrência de regência verbal entre o núcleo da frase “Verbo” e o
complemento directo: “Vou ver” é regente de “O doente”, e “O doente” é regido por “Vou
ver”.
Bechara, descreve que verbos transitivos directos não possuem sentido completo, logo
precisam de um complemento, ou seja, de objecto. E esses complementos (sem preposição),
são chamados de objectos directos. O complemento objectivo indirecto ou, mais
simplesmente, complemento indirecto ou objecto indirecto, é o que representa uma pessoa ou
coisa em cujo proveito ou desproveito se realiza a acção do verbo transitivo ou intransitivo.
9 Exemplo de Cunha & Cintra (1985).
22
1.3.5.2.Verbos transitivos indirectos
Temos como referencia os exemplos,
a. Os abusados assistiam a luta armada;
b. Perdoe a minha Mãe.
Na perspectiva de Cunha e Cintra (1985), vê-se que, “a acção expressa pelos verbos transita
para outros elementos da oração indirectos. O termo da oração que completa o sentido de um
verbo transitivo indirecto denomina-se objecto indirecto.” A acção expressa por assistiam e
perdoe transita para outros elementos da oração (a luta e minha Mãe) indirectamente, isto é,
por meio da preposição a. Por isso os verbos Assistir e Perdoar assumem-se verbos transitivos
indirectos porque necessitam da preposição para complementar-lhe o sentido.
Em relação à regência verbal, nos verbos transitivos indirectos ocorrem através de verbo e
preposição, isto é, regente e o regido. Sendo assim, para os exemplos usados em Cunha &
Cintra podemos entender o seguinte:
a) No 1º exemplo, a forma verbal “assistiam” é o termo regente da preposição “a” que
complementa indirectamente, e é o termo regido.
b) E no 2º exemplo, a forma verbal “Perdoem” é o termo regente da preposição “a” que
complementa indirectamente, e é o termo regido.
1.4.Concepções de Preposição
Bechara conceitua preposição como “uma unidade linguística desprovida de independência –
isto é, não aparece sozinha no discurso, salvo por hipertaxe” e, em geral, átona, que se junta a
substantivos, adjectivos, verbos e advérbios para marcar as relações gramaticais que elas
desempenham no discurso, quer nos grupos unitários nominais, quer nas orações (Bechara,
1999). Em outras palavras, uma unidade linguística que estabelece relações entre termos de
sintagmas ou orações, tornando possível que uma determinada função gramatical seja
desempenhada por uma determinada partícula.
Contudo, as preposições distinguem-se das conjunções pela sua capacidade de regência e por
serem semanticamente a expressão de uma dada relação”.
23
Cunha & Cintra (1985), afirmam que as “preposições são palavras invariáveis que relacionam
dois termos de uma oração”, de tal modo que o sentido do primeiro (antecedente) é explicado
ou completado pelo segundo (consequente)
Assim:
Antecedente ---- Preposição---- Consequente
Vou a Maputo
Chegaram a tempo
Estive com Pedro
Concordo com você
Em suma, preposição é uma palavra invariável que relaciona dois termos de uma oração.
Em relação aos sintagmas preposicionais (SP), o núcleo preposicional é sempre
complementado pela expressão subordinada/regida.
[Os meninos não pagaram as contas [ao [pai] SP] SN].
Cunha & Cintra (1985, p. 375) afirmam que ―a relação que se estabelece entre palavras
ligadas por intermédio de preposição pode implicar movimento ou não movimento; melhor
dizendo: pode exprimir movimento ou uma situação daí resultante.
1.4.1. Preposições simples
Para Cunha e Cintra (1985), preposições simples são: a, com, em, por (per), ante, contra,
entre, sem, após, de, para, sob, até, desde, perante, sobre, trás.
Emprego das preposições (simples associativa “com” e simples locativa “em”)
1.4.2. Preposição simples “com”
Mateus (2003) “A preposição com é a preposição que exprime companhia (comitativo). Com
este valor, esta preposição afecta a interpretação do predicado verbal uma vez que as frases
podem ser parafraseadas por coordenação e por construções que exprimem a reciprocidade.
Portanto é possível notar a ocorrência da preposição com em:
1. - Eu brinquei com João (exprime valor de maneira);
2. - Falamos com muita motivação (Exprime valor de causa ou razão);
24
3. - Com a segurança que temos não nos derrubaram (Exprime valor de instrumento).
No caso de Bechara (1999), a preposição “com” aparece nas circunstâncias de companhia,
ajuntamento, simultaneidade, modo, maneira, meio, instrumento, causa, concessão
(principalmente seguida de infinitivo), oposição:
Diferentemente de Borregana (2007), a preposição “com”, assume valor de companhia e
modo:
Ele vai com os amigos (Companhia);
Caminha com rapidez (modo);
No caso de Cunha & Cintra (1985), A preposição “com” exprime, fundamentalmente, a ideia
de “associação”, “companhia” pág. 580-581. E esta ideia básica, sentimo-la muito mais
intensa no primeiro exemplo,
= Viajei com Maria, do que no segundo, = Concordo com ela.
Posto que o uso da partícula com após o verbo concordar, por ser construção já fixada no
idioma, provoca um esvaecimento do conteúdo significativo de “associação”, “companhia”,
em favor da função relacional pura.
Além disso, a preposição “com” exprime Situação = adição, associação, companhia,
comunidade, simultaneidade. Em certos contextos, pode exprimir as noções demodo, meio,
causa e concessão.
Na noção:
a) Vivemos com medo de ser preso por causa da renúncia.
b) Sai do quarto com sol já ardente.
Em relação aos 2 exemplos do valor noção, é notável que a preposição com é constituinte do
sintagma verbal, ou seja, o verbo flexionado [vivemos] é regente da preposição regida com.
Assim como no segundo exemplo, em que estamos diante a um argumento interno por sinal
sintagma verbal Sai que rege a preposição com.
1.4.3. Preposição simples “em”
Raposo et alii (2013, cit. Joaquina 2014), a preposição em dignifica-se preposição simples
com valor espacial básico ou preposição locativa, mas particularmente a preposição
representa uma localização espacial estática de uma entidade, no lugar que ocupa. Ex:
Estamos na sala de espera.
25
Já Borregana (2007), elucida-nos que a “preposição em possui valor de lugar, matéria, tempo
e modo:
i. Estou em Maputo (Lugar);
ii. Relógio em Ouro (matéria);
iii. Fez viagem em uma hora (tempo);
iv. Ouviu-o em silêncio (modo).
Na perspectiva de Bechara (1999), a “preposição em indica lugar onde, situação, em sentido
próprio ou figurado”, como é o caso de Vivemos em Nampula, em que a preposição em
aparece para indicar o lugar onde o sujeito oculto vive, garantindo o sentido para o caso do
sintagma preposicional [em Nampula] regendo-se com verbo estático Viver. Em relação ao
valor “causa, motivo (geralmente antes do infinitivo) ”, o autor demonstra que a preposição
em rege-se com verbos de modos, como é o caso de {Há pessoas que são felizes em ter milho
na Machamba}
Outrossim, a preposição em indica “lugar para onde se dirige um movimento, sucessão, em
sentido próprio ou figurado”, para a situação: Entrar em Casa, Saltar em Corrida, etc. que por
sua vez estabelece regência entre o predicador/ verbo para exprimir valor de estado.
1.4.4. As preposições nas línguas bantu
Para falarmos das preposições nas línguas bantu, passamos a fazer uma abordagem sobre as
línguas bantu em geral.
Bleek (1851, citado em Ngunga 2004), designa as línguas bantu, da África sub-Sahariana de
“pronominal prefix languages” (línguas de prefixo pronominal) por ter observado nelas a
existência de um sistema comum de concordância por meio de prefixos, usando pela primeira
vez o termo bantu para referir a estas línguas.
Tendo como ponto a ideia de Bleek retomada por Ngunga, concordamos neste aspecto de as
línguas bantu serem de prefixo pronominal, visto que, algumas palavras em bantu apresentam
sempre um prefixo no início para exprimir o plural. Vamos observar alguns exemplos da
palavra “pessoas” em algumas línguas.
26
Exemplos:
Citshwa: va- {Prefixo pronominal} –nhu {tema nominal}
Gitonga: va- {prefixo pronominal} –thu {tema nominal}
Changana: va- {prefixo pronominal} – nhu {tema nominal}
Para melhor compreender o fenómeno das línguas bantu, vamos dispor da classificação das
línguas africanas em família, Greenberg (1963, cit. em Ngunga, 2004), afirma que estas
línguas se encontram divididas em quatro grandes famílias linguísticas, nomeadamente:
1. Afro- asiática, encontra-se as seguintes subfamílias: Semítica, Egípcia, Cushitica,
Berber, Chádica);
2. Nilo- Sahariana (Subfamílias: Songhai, Sahariana, Maban, Fur, Chari-Nilo, Koman);
3. Congo – Kordofaniana (Subfamílias: Níger-Congo e Kordofaniana);
4. Khoi e San (Subfamílias: Khoi, San, Sandawe, Iraqwe, Hatsa ou Hadza).
Após a apresentação da classificação das línguas em família, passamos a outro tipo de
classificação adoptado por Doke (1945) segundo a qual se classificam Zonas, Grupos, Língua
ou conjunto de Dialectos, e Dialectos.
Segundo Ngunga (2004), zonas são agregados de línguas que têm uma certa uniformidade ou
similaridade de fenómenos linguísticos, mas que não necessitam de ser mutuamente
inteligíveis. Esta posição de Ngunga, faz-nos perceber que existem línguas com algumas
características comuns, até palavras semelhantes, mas apesar desta semelhança os falantes
destas línguas podem não se compreenderem durante a comunicação. Porém, existem algumas
línguas que apresentam uma similaridade que possibilita que os falantes se compreendam,
mesmo não conhecendo a língua, é o caso de Gitonga e Cicopi, Citshwa e Xangana.
Ngunga & Faquir (2012), declaram que o nome Tsonga abrange 3 línguas: Xirhonga,
Xichangana e Citshwa, mutuamente inteligíveis, faladas nas províncias de Maputo, Gaza e
Inhambane, e na zona meridional das províncias de Manica e Sofala. No entanto, como nos
referimos, o interesse da nossa pesquisa centra-se na língua Citshwa. Relativamente a esta
língua, os dados do Censo de 2007, citados pelos mesmos autores, apontam que esta língua é
falada por 693.386 pessoas de cinco anos e mais de idade (INE, 2010), e esta apresenta as
seguintes variantes:
a) Xikhambani – falada no Distrito de Panda;
27
b) Xirhonga – falada na zona ocidental do Distrito de Massinga;
c) Xidzivi – falada nos Distritos de Morrumbene e Homoíne;
d) Xihlengwe – falada nos Distritos de Morrumbene e Massinga, na zona de Funhalouro;
e) Ximhandla – falada no Distrito de Vilankulo;
f) Xidzhonge (ou Xidonge) – falada na parte meridional do Distrito de Inharrime;
Em relação a nossa pesquisa, tomamos como referencia a variante {Xidzivi} por ser a
variante que maioria dos falantes da cidade de Maxixe tem mobilizado.
1.4.5. Preposições/ Morfemas nas línguas bantu com enfoque na língua Citshwa
Cunha e Cintra (1985), “uma preposição podem exprimir diversos valores semântico
dependendo do contexto.” Ou seja, as preposições possuem tendência de exprimir valor
semântico para cada contexto, destarte, a medida que uma preposição específica pode
expressar mais de um valor semântico, pode-se verificar em Citshwa, onde geralmente usa-se
a preposição simples ka para se referir tanto à preposição simples locativa em na frase (a)
tanto à preposição simples direccional a na frase (b).
Frases em Citshwa
Exemplos
a. Yana ka Departamento ya maletras. {preposição simples ka}
b. Ndzilomo ka Departamento ya maletras. {preposição simples ka}
Nas construções acima, trata-se de contextos distintos, isto é, o primeiro estamos perante
regência verbal do verbo ir flexionado {yana} que é regente da preposição simples direccional
a e o segundo contexto temos regência verbal estabelecida pelo verbo estar flexionado
{ndzilomo} regente da preposição simples locativa em. Entretanto, ao analisar estas duas
construções, verifica-se que no que concerne ao valor semântico das preposições,
especificamente as simples locativa em e simples direccional a, a língua Citshwa contraria o
pensamento de Neves (2004 cit. em Marques, 2006), dado que “a preposição “a” indica”
movimento em direcção a um lugar”, enquanto a preposição em dá a ideia de “inserção em um
lugar”, dizendo-se que essa preposição pode ser usada apenas quando indica o lugar dentro do
qual ocorre a acção. Portanto, a distinção semântica das preposições no Português, relaciona-
se com o verbo que estabelece regência:
28
Frases traduzidas à luz do padrão europeu
a. Vai ao Departamento de Letras. {Preposição simples direccional a}
b. Estou no Departamento de Letras. {Preposição simples locativa em}
Nestas frases do português, o valor semântico das preposições empregadas determinam a
interpretação em relação a sua regência verbal, pois Mateus et ali (2003) defendem que a
preposição em, em muitos contextos selecciona os verbos estáticos e a preposição “a” indica”
movimento em direcção a um lugar”, enquanto a preposição em dá a ideia de “inserção em um
lugar” Neves (Ibid). Deste modo, podemos afirmar que o verbo de movimento flexionado Vai
rege a preposição simples direccional a e o verbo estático flexionado estou rege a preposição
simples locativa em.
Ao contrário do que acontece na língua citshwa em que se usa a preposição simples Ka para
reger com verbo demovimento assim como verbo estático, por isso, o que marcará fronteiras
entre as frases será os verbos regentes.
Em torno destas considerações, observa-se que esta língua da família Bantu, acima
referenciada, classificada como a língua usada pela maioria dos seus falantes, distancia-se
completamente do Português que é a língua-alvo ou segunda desses falantes, especificamente
na regência verbal dos verbos intransitivos caso da preposição simples em, pois se verifica
que há uma transposição entre a Língua Citshwa para Língua Portuguesa.
Relativamente a preposição simples associativa com, na língua Citshwa, ocorre isoladamente
mas assumindo duas grafias {na e ni} como ilustram as frases:
Frases em Citshwa
a) Maria arandzana na Mário;
b) Tiwonele ni Mova.
Nas frases plasmadas, estamos perante contextos diferentes onde o verbos flexionado
arandzana rege a preposição simples associativa na em {arandzana - na} e no segundo caso
o verbo flexionado Tiwonele rege a preposição simples ni {Tiwonele – ni}. Deste modo, ao
analisar estas duas construções, verifica-se que no que concerne ao valor semântico das
preposições, Mateus (2003) “A preposição com é a preposição que exprime companhia
(comitativo). Com este valor, esta preposição afecta a interpretação do predicado verbal uma
29
vez que as frases podem ser parafraseadas por coordenação e por construções que exprimem a
reciprocidade.
Vemos que na Língua Citshwa o verbo namorar posiciona-se como transitivo directo,
indirecto e intransitivo, mas na frase supracitada o verbo pede preposição simples associativa
com para estabelecer sentido pois teríamos {Maria arandzana Mário} por isso é necessário a
ocorrência da preposição simples associativa. No caso da segunda frase (b), o verbo
flexionado pede assim como não a preposição, admitindo que o verbo é transitivo e
intransitivo. Sem ocorrência da preposição simples associativa com teríamos Tiwonele Mova
sem a mudança e/ ou falta de sentido.
Frases traduzidas em português
a) Maria namora com Mário;
b) Cuidado com Carro.
Ainda na análise, verificamos a transposição das estruturas sintácticas da LE para LP,
verifica-se que os falantes da língua supracitada (Citshwa) no caso da preposição simples
locativa em e simples direccional a assume o mesmo valor, o que vai divergir será o verbo
que vai reger as preposições em contextos diferentes {Yana ka/ Ndzilomo ka}. Ao contrário
da preposição simples associativa com no verbo kurandzana consubstancia-se preposição
exigida pelo verbo e quanto ao verbo Kutiwonela não exige obrigatoriamente a preposição na
frase em causa. Assumimos por via disso que a causa principal das dificuldades e dos erros
dos aprendentes reside na transferência negativa da língua Citshwa.
30
1.5. Regência verbal dos verbos afectados pelas preposições {com e em}.
Cuidar
Em consonância com Vitória (1969), a recomendação normativa tradicional para o verbo é
que posiciona-se transitivo directo, indirecto e pronominal. Quando é transitivo indirecto rege
a preposição com, exceptuando quando flexionado no particípio passado porque actua como
adjectivo e não exige preposição.
Comprar
O verbo comprar pertence ao grupo dos predicados de evento não-causativos de actividade
mental (dois lugares), exprimem propriedades ou relações dinâmicas “vividas” por uma
entidade “agente” (Mateus, 2003). Relativamente a predicação, o verbo comprar é intransitivo
e transitivo directo e indirecto. Quando é transitivo indirecto rege a preposição a.
Namorar
De acordo com Vitória (1969), “o verbo namorar compreende-se verbo transitivo directo e
não admite preposição, pois, trata-se de verbo transitivo directo (construído sem qualquer
preposição).” Pág. 120
Ir
Na perspetiva de Marques (2006), A recomendação normativa tradicional para este verbo é
que, quando usado como verbo de movimento, ele tenha um complemento de direcção regido
pela preposição a. Em alguns casos, aceita-se o uso das preposições {para e até}.
Chegar
O verbo chegar, quando usado como verbo de movimento, possui grelha de transitividade
semelhante do verbo ir, em que recomenda-se que seu complemento de destino seja regido
pela preposição a.(Marques, 2006), ou seja, é transitivo indirecto e intransitivo.
Faltar
Luft (1986), “o verbo faltar é um verbo intransitivo ou transitivo indirecto. Quando assume-se
transitivo indirecto, selecciona um complemento que é regido pela proposição a.”
31
CAPITULO II
1.6. Metodologia da pesquisa
Na produção de trabalho científico é necessário que se apoie a diversos modelos
metodológicos. Para tanto, entende-se por “método”, um processo organizado, lógico e
sistemático de pesquisa. Ou seja, representa o “caminho” para se chegar a um fim. Lakatos &
Marconi (2011), explicam que este método se “inicia pela percepção de uma lacuna nos
conhecimentos acerca da qual se formulam hipóteses e, pelo processo de inferência dedutiva,
se testa a predição da ocorrência dos fenómenos abrangidos pela hipótese.”
1.6.1. Quanto a abordagem
Do ponto de vista da forma de abordagem, a pesquisa segue os parâmetros da pesquisa mista,
a qual segundo Gil (1994), “considera que existe uma relação entre o mundo e o sujeito que
não pode ser traduzida em números, tornando assim a pesquisa descritiva, na qual o
pesquisador tende a analisar seus dados indutivamente”. Pág. 207 É caracterizada como a
tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais
apresentadas pelos entrevistados, em lugar de produção de medidas quantitativas de
características ou comportamentos (Richardson, 1999).
Sendo assim, na base desta modalidade de pesquisa, objectivamos descrever, a partir de
análises, de maneira indutiva10, isto é, através de dados colhidos no dia-a-dia com estudantes
chegar-se -à a conclusões gerais no que concerne ao emprego inadequado das preposições
“com” e “em” em regência verbal nos alunos da 12ª Classe e 2º ano do curso de Licenciatura
em Português da Unisave - Maxixe.
1.6.2. Quanto aos objectivos
Do ponto de vista dos objectivos, a pesquisa é explicativa, em que pretende-se “identificar os
factores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenómenos. É o tipo que
mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas.”
(Gil, 2004) No entanto, poderemos explicar os fatores que influenciam o emprego inadequado
das preposições “com” e “em” em regência verbal nos alunos da 12ª Classe e 2º ano do curso
de Licenciatura em Português da Unisave - Maxixe.
10 Gil (2004), “parte de dados particulares observados para chegar a uma proposição geral ou universal não
contida nas partes examinadas.”
32
1.6.3. Quanto à natureza
A presente pesquisa, quanto à natureza é aplicada. Diz-se que uma pesquisa é aplicada,
quando, segundo Gil (1994) se “objectiva gerar conhecimentos para a aplicação prática,
dirigidos à soluções de problemas específicos.”
De facto, ao descrevermos as causas que fazem com que os falantes usem de forma desviante
a preposição locativa “em” e preposição simples associativa “com” em regência verbal,
pretendemos, apontar o distanciamento do PM em relação ao PE, o que poderá ser benéfico,
tanto os planificadores das políticas linguísticas, como os responsáveis pela educação em
Moçambique dado que poderão traçar metodologias adequadas para o português de
Moçambique.
1.6.4. Quanto aos procedimentos
Relativamente aos procedimentos para a colecta de dados, apelidamos pesquisa de campo, em
que Lakatos e Markoni (2011) “pesquisa de campo consiste na observação de factos e
fenómenos tal como ocorrem espontaneamente, na colecta de dados a eles referentes e no
registro de variáveis que se presume relevantes para analisá-los.” p.69
Então,os campos de pesquisa são a escola Secundária 29 de Setembro da Cidade de Maxixe e
Universidade Save- Maxixe, Campus 2.
1.6.5. Instrumentos e técnicas de recolha de dados
Os métodos de recolha de dados, são estratégias que possibilitam ao pesquisador obter dados
empíricos que lhe possibilitam responder às suas questões investigativas. Para o caso da
pesquisa, tem-se como métodos e técnicas de recolha de dados a observação sistemática, que
por sua vez, “o observador sabe o que procura e é objectivo nas suas investigações” (Markoni
& Lakatos, Ibid11, p. 78)
1.6.6. Entrevista
Segundo Gil (2004), a “entrevista é uma técnica “em que o investigador se apresenta frente ao
investigado e lhe formula perguntas, com o objectivo de obtenção dos dados que interessam à
investigação” p.109. Neste caso, baseando-se na entrevista semiestruturada, foi aplicada aos
informantes, que contempla estrutura mista (perguntas abertas e fechadas) para 15 estudantes
11 2011
33
do 2º ano Curso de Licenciatura em Português da Universidade Save-Maxixe, de forma
aleatória.
1.6.7. Inquérito por questionário
Para Lakatos e Markoni (2011), “questionário é um instrumento e colecta de dados, onde o
pesquisador envia perguntas ao grupo pesquisado e recolhe-o depois de preenchido.” Pág. 86
Portanto, aplicamos 1 inquérito para 20 alunos da 12ª Classe da Escola Secundária 29 de
Setembro da Cidade de Maxixe, em que a escolha da turma assim como dos alunos foi de
forma aleatória.
1.6.8. Métodos e técnicas de análise de dados
Análise de dados é o processo de aplicação de técnicas estatísticas e lógicas para avaliar
informações obtidas a partir de determinados processos. Nos moldes das tipologias de análise
de dados, a pesquisa tem como técnica de análise de dados, a análise descritiva.
1.6.9. Análise descritiva
Corresponde a análise de factos baseado em factos, ou seja, na prática este tipo de avaliação
de dados é feita a partir de resultados obtidos. Deste modo, usamos análise descritiva dos
dados, onde iremos descrever as principais tendenciais nos dados obtidos, mundo real da
ocorrência da regência verbal nos alvos citados, interpretar-se-ia os resultados de forma quali-
quantitativa para descobrir os factores da ocorrência do fenómeno.
1.7. População e amostra
1.7.1. População
Segundo Lakatos e Markoni (2011), a população ou universo da pesquisa é “o conjunto de
seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum”
p.223. Deste modo, a população constitui o universo do que se pretende estudar, descrever,
analisar e/ou averiguar numa pesquisa. A população da nossa pesquisa são os estudantes do 2º
ano do curso de Português e 12ª Classe da escola Secundária 29 de Setembro da Cidade de
Maxixe.
34
1.7.2. Amostra
A amostra é vista de acordo com Gil (2004) “ […] como parte da população que seja
representativa da melhor forma, ou seja, é uma porção ou parcela do todo” p. 90. é um
subconjunto do universo. Só ocorre quando a pesquisa não é censitária, isto é, não abrange a
totalidade dos componentes do universo, surgindo a necessidade de investigar apenas uma
parte dessa população. Deste modo, a pesquisa tem como amostra 15 estudantes do 2º ano do
Curso de Licenciatura em Português, de Maxixe e 20 alunos da 12ª Classe da Escola
Secundária 29 de Setembro da Cidade de Maxixe, somando 35 estudantes de idade
compreendida dos 16 a 24 anos de Idade.
1.7.3. Tipo de amostra
Amostra aleatória simples
Para Lakatos e Markoni (2011), a escolha de um indivíduo, entre uma população, é ao acaso
(aleatória), quando cada membro da população tem a mesma probabilidade de ser escolhido.
Objetivamos a partir do tipo de amostra, interpretar o fenómeno tendo-se como premissa o
estatuto de que cada componente da população estudado possui características similares,
gerando igual probabilidade para informantes não seleccionados.
Descrição da amostra
Níveis
Género Médio Superior
Masculino 10 Informantes 8 Informantes
Feminino 10 Informantes 7 Informantes
35
CAPÍTULO III
2. Regência verbal no Citshwa e Português de Moçambique, caso das preposições
simples “com” e simples “em” nos falantes do nível médio e superior da Cidade de
Maxixe.
No presente capítulo iremos apresentar e analisar os dados do fenómeno obtidos através da
técnica de observação directa intensiva, com vista a interpretar construções que contemplam
regência verbal, caso das preposições simples locativa “em” e simples associativa “com” nos
falantes dos níveis médio e superior da Cidade de Maxixe.
Sendo que o fenómeno foi constatado por via auditiva, ou seja, observação directa intensiva,
agruparemos as construções em categorias para a análise.
Categoria 1- Preposição simples associativa “com” em:
Frase 1. *Cuidado com Carro;
Frase 2. *Comprei com meu Dinheiro;
Frase 3. *[Exp]12 namora com [CI]13;
Conforme evidente na categoria 1, temos elucidadas construções frásicas nas quais fez-se
regência verbal desviante a luz da norma-padrão14, isto é, usou-se a preposição simples
associativa com num contexto em que não ocorre.
Em relação a primeira construção, a preposição simples associativa é regida pelo particípio
passado do verbo cuidar, embora Cunha e Cintra (1985) reiterem que “o particípio passado
ocorre como adjectivo” elucida-nos ainda, o desvio evidente nesta mesma construção é que o
interlocutor refere-se a uma realidade em que o sujeito emprega a preposição simples
associativa no verbo que se encontra no passado para traduzir uma ideia no presente. Pelo
sentido que nos dá a nível da aceitabilidade, a construção transmite valor de presente em que a
intenção é de ter zelo consigo próprio ou velar por si quanto ao carro, ao passo que a nível da
gramaticalidade nos dá o sentido desviante, dado que posiciona-se pronominal, onde a acção
recai ao sujeito, ou seja, reflexivo. Na perspectiva de Cunha e Cintra (1985), “verbos
12 Experienciador
13 Complemento Indirecto
14 Rocha Lima (2011) define “norma-padrão é um constructo sociocultural, portador-perpetuador de uma
ideologia linguística, muito mais até do que um guia normativo para se falar e escrever correctamente.”
36
reflexivos são utilizados quando a acção exercida pelo verbo recai também sobre o sujeito, ou
seja, nas orações em que o sujeito é o agente e também o paciente”, então quanto a norma o
verbo “cuidar” fica cuidar-se, admitindo-se agente e paciente. Portanto, o que as gramáticas
normativas do Português Europeu admitem é Cuide-se, flexão verbal da 2ª pessoa do singular
na forma pronominal. Assim, ficaria Cuide-se do Carro, regendo-se a preposição simples
direccional “de” dado que Cunha e Cintra apontam “indica a razão ou a causa por que uma
coisa sucede.” Pág. 567, excluindo-se a necessidade de reger o verbo intransitivo «Cuidado»
com a preposição simples associativa «com».
Na frase 2, os usuários da língua discursam para se referir da proveniência dos valores que
foram usados para pagamento de diversos fins, tendo-se a pergunta: Comprou com o que? E
de seguida, manifesta-se a resposta «comprei com meu dinheiro» já o interlocutor vê-se a usar
a preposição simples associativa “com” no valor de modo para um verbo que quanto a
regência verbal, rege a preposição simples direccional “a”, ficando «comprei a». Deste modo,
o verbo comprar pertence ao grupo dos predicados de evento não-causativos de actividade
mental (dois lugares), exprimem propriedades ou relações dinâmicas “vividas” por uma
entidade “agente” (Mateus, 2003).
Na frase 3, a preposição simples associativa «com» é regida pelo verbo flexionado «namora»,
com intenção de estabelecer uma relação de afectividade entre dois indivíduos que é
estabelecida pela preposição associativa. Mas, quanto ao verbo que contemplaregência,
Vitória (1969, pág. 169), “o verbo namorar compreende-se verbo transitivo directo e não
admite, pois, a preposição com", por outra, quer no sentido de desejar fortemente algo, quer
no significado de galantear, trata-se de verbo transitivo directo (construído sem qualquer
preposição). Namorar é um verbo que precisa de complemento. Quem namora, namora
alguém, certo? Não há necessidade da preposição com. Este é um complemento chamado
objecto directo, pois liga-se directamente ao verbo, sem necessidade de preposição.
Alertando-se que não necessita de preposição pois rege diretamente o complemento.
Frases corrigidas da categoria 1, preposição simples associativa com:
Frase1. Cuide-se do carro!
Frase2. Comprei a meu dinheiro.
37
Frase3. [Exp]15 namora [CI]16
Categoria 2- Preposição simples locativa {em} nos discursos:
Frase 4. *Foi na Escola;
Frase 5. *Faltei nas aulas;
Frase 6. *Cheguei em casa;
Conforme evidente na categoria 2, temos elucidadas construções frásicas nas quais fez-se
regência verbal desviante a luz da norma-padrão17, isto é, usou-se a preposição simples
locativa “em” num contexto em que não ocorre.
Na frase 4, podemos constatar que o interlocutor refere-se a um agente que deslocou-se de um
lugar para um determinado lugar, e quanto a preposição simples locativa em sofreu contracção
em +a ficando na. Em relação ao valor da preposição simples locativa em o que se nota é que
ela é usada preferencialmente para indicar “inserção em algum lugar” (Neves, 2004 cit. Em
Marques, 2006), ou seja, rege-se com verbos estáticos. Assim, o verbo ir elege a preposição a
em virtude das afinidades que existem entre o sentido do próprio verbo e a ideia de
“movimento” inerente a deslocação.
E quanto ao verbo ir, na gramática de valências, o verbo ir apresenta valência 2, pois pede
dois argumentos, pertencendo ao grupo dos predicados de evento não-causativos de
movimento que exprimem o deslocamento de uma entidade origem ou objecto para um dado
lugar locativo (Mateus et alii, 2003). Entretanto, o argumento “locativo”, indicando meta,
destino, não é tratado de modo uniforme nas gramáticas. Alguns autores consideram-no como
complemento verbal e, portanto, obrigatório para completar a predicação do verbo, enquanto
outros consideram-no como adjunto, ou seja, termo acessório, não obrigatório.
Na frase 5, refere-se a preposição simples locativa em é regida pelo verbo intransitivo Faltar,
na medida em que, defende Luft18
“o verbo faltar é um verbo intransitivo (por exemplo, em «faltam casas», «casas» é
sujeito) ou transitivo indirecto [«faltou a reunião», em que «a reunião» é o
15 Experienciador
16 Complemento Indirecto
17 Rocha Lima (Ibid)
18 Luft, Celso Pedro. (1986) Dicionário Prático de Regência verbal.
38
complemento indirecto]. Quando assume-se transitivo indirecto, selecciona um
complemento que é regido pela proposição a.”
Na frase 6, a ocorrência da preposição simples locativa “em” é regida pelo verbo chegar que
apresenta valência 2, pedindo dois argumentos e pertencendo ao grupo dos predicados de
evento não-causativos de movimento que exprimem o deslocamento de uma entidade origem
ou objecto para um dado lugar locativo. As recomendações prescritivas para esse verbo,
quando verbo de movimento – exceptuando-se as ocorrências em que o verbo tem o sentido
de “ir/vir para perto de”, “encostar”, que são casos especiais e não entram na zona de conflito
entre uso e norma –, indicam que seu complemento de destino deve iniciar-se pela preposição
a ou até (e não pela preposição em). A preposição “a” indica” movimento em direcção a um
lugar”, enquanto a preposição em dá a ideia de “inserção em um lugar” (Neves, 2004 cit. em
Marques, 2006), dizendo-se que essa preposição pode ser usada apenas quando indica o lugar
dentro do qual ocorre a acção.
Frases corrigidas da categoria 2, preposição simples locativa em:
Frase 4. Foi a Escola;
Frase 5. Faltei as aulas;
Frase 6. Cheguei a casa/ Cheguei a Escola.
2.1. Factores determinantes da regência verbal desviante no PM: caso das preposições
simples “com” e “em”
Interferência das línguas Bantu
Conforme elucidamos, o Português de Moçambique (PM) é uma variedade que resulta de
contextos sociolinguísticos e da diversidade cultural. A escola moçambicana baseia-se no
português de Portugal (norma-padrão europeia) para ensinar e avaliar seus alunos, o que faz
com que os alunos não progridam academicamente. Diante desta realidade, emanamo-nos a
Chutumiá (2013), que julga
Português de Moçambique, os linguistas são unânimes em afirmar que no Português
oral em Moçambique ocorrem realizações linguísticas de algum modo “estranhas” à
norma do Português europeu, as quais podem resultar da transposição de estruturas
linguísticas (fonológicas, morfológicas, sintácticas e até semânticas) próprias das
línguas Bantu para a língua portuguesa.
39
Relativamente a preposição simples associativa com, na língua Citshwa, ocorre isoladamente
mas assumindo duas grafias {na e ni} como ilustram as frases:
Frases em Citshwa
a) *[SUJ]19 arandzana na [CI]20;
b) Tiwonele ni Mova.
Nas frases plasmadas, estamos perante contextos diferentes onde o verbos flexionado
warandzana rege a preposição simples associativa com em {arandzana - na} e no segundo
caso o verbo flexionado Tiwonele rege a preposição simples com {Tiwonele – ni}. Deste
modo, ao analisar estas duas construções, verifica-se que no que concerne ao valor semântico
das preposições, Mateus eta lii (2003) “A preposição com é a preposição que exprime
companhia (comitativo). Com este valor, esta preposição afecta a interpretação do predicado
verbal uma vez que as frases podem ser parafraseadas por coordenação e por construções que
exprimem a reciprocidade.
Vemos que na Língua Citshwa, o verbo namorar posiciona-se como transitivo directo,
indirecto e intransitivo, mas na frase supracitada o verbo pede preposição simples associativa
com para estabelecer sentido pois teríamos {[SUJ] arandzana [CI]} por isso é necessário a
ocorrência da preposição simples associativa. No caso da segunda frase (b), o verbo
flexionado pede assim como não a preposição, admitindo que o verbo é transitivo e
intransitivo. Sem ocorrência da preposição simples associativa com teríamos Tiwonele Mova
sem a mudança e/ ou falta de sentido.
2.2. Quanto aos verbos por sinal de movimento ou de estado que co-ocorre a preposição
simples direccional e locativa [ka]
Cunha e Cintra (1985), “uma preposição podem exprimir diversos valores semântico
dependendo do contexto.” Ou seja, as preposições possuem tendência de exprimir valor
semântico para cada contexto, destarte, a medida que uma preposição específica pode
expressar mais de um valor semântico, pode-se verificar em Citshwa, onde geralmente usa-se
a preposição simples ka para se referir tanto à preposição simples locativa em na frase (a)
tanto à preposição simples direccional a na frase (b).
19 Sujeito
20 Complemento Indirecto
40
Frases em Citshwa
Ex:
a. Yana ka Departamento ya maletras. {preposição simples ka}
b. Ndzilomo ka Departamento ya maletras. {preposição simples ka}
Nas construções acima, trata-se de contextos distintos, isto é, o primeiro estamos perante
regência verbal do verbo ir flexionado {yana} que é regente da preposição simples direccional
a e o segundo contexto temos regência verbal estabelecida pelo verbo estar flexionado
{ndzilomo} regente da preposição simples locativa em.
No que tange a regência verbal do verbo comprar, julgamos como possível factor a falta de
conhecimento das exigências dos verbos a luz da norma-padrão.
2.3. Descrição dos dados obtidos através da entrevista aos estudantes do 2º ano curso de
Português em relação à regênciaverbal no Citshwa e PM, caso das preposições simples
associativa “com” e locativa “em”
Nesta fase, iremos apresentar e descrever os dados obtidos através da observação sistemática
aliando-se a técnica de entrevista estruturada, ocorrida na Universidade Save- Campus 2 da
Maxixe, correspondentes ao universo de 15 informantes. O objectivo da entrevista foi de
analisar através de perguntas abertas e fechadas o conhecimento de regência verbal, os
factores que causam a má regência, seus posicionamentos sobre regência de alguns verbos e
propomos que criassem frases dos quais os informantes julgam correctas. Em relação aos
dados dos informantes, julgamos irrelevante saber, pois a intenção do estudo centra-se na
ocorrência das preposições em relação a sua regência verbal. Relativamente, a nossa
entrevista questionamos se alguma vez tiveram algum debate científico referente a regência
verbal ou ocorrência de preposições simples associativa “com” e simples locativa “em” ao
longo do seu perfil académico.
41
Tabela 1- informantes do nível Superior
Géneros
Quant.
Universidades
Ano
Curso
Masculino 8 Unisave-Maxixe, Campus 2 2º Ano Licenciatura em
Português
Feminino 7 Unisave- Maxixe, Campus 2 2º Ano Licenciatura em
Português
Total dos informantes: 15
Fonte: Autor
A tabela ilustra dados referentes a técnica de entrevista que adoptamos no presente estudo.
Separamos os informantes em géneros para que seja facilitada a citação no decurso da
descrição. A primeira questão do nosso instrumento de entrevista foi de querer saber dos
informantes:
Já leu ou aprendeu sobre regência verbal?
Para informantes do género feminino, 5 julgaram nunca ter estudado. Os restantes 3
responderam positivamente.
Os informantes do género masculino, 3 admitiram ter lido nas classes do nível médio e os
restantes 5 responderam que estudaram sobre regência verbal mas não se lembram ao certo.
No que tange aos resultados da questão, regência verbal segundo Pereira (1909 cit. em
Marques 2006) vai ser “…nada mais que a relação estabelecida entre os verbos e seus
respectivos complementos, pois, nessa relação, há aqueles que, indispensavelmente, requerem
o uso das preposições.” Assim como Cunha e Cintra (1985), “regência verbal ocorre através
da relação/ ligação por meio de preposição ou de forma directa (verbo para objecto) para que
haja sentido.”. Diante dessa realidade, surge a questão: o que se espera de quem não tem
conhecimento da regência verbal? Obviamente que devido a este factor e mais outros será
mais susceptível a cometer desvios.
42
A segunda questão para os informantes foi: Quais são as preposições regidas pelos verbos
abaixo:
V(a) -Comprar;
V (b) - Namorar;
V (c) - Ir;
V (d) - Faltar;
Relativamente aos dados colhidos, no caso de o verbo comprar todos do género feminino
propuseram a preposição simples associativa com, assim como 4 informantes do género
oposto. Os restantes 4 do género masculino, julgaram não incorporar nenhuma preposição, ou
seja, o verbo não exige preposição para estabelecer regência verbal. Para o verbo namorar,
num universo de 8 informantes do género masculino, 6 responderam de forma infeliz {rege a
preposição simples associativa com} e 7 informantes aliaram-se a mesma resposta de que a
preposição exigida é com, os restantes 3 de ambos géneros não seleccionaram nenhuma
preposição regida. Em relação ao verbo ir, 4 informantes do género feminino, assim como 5
informantes do género masculino responderam de forma infeliz dizendo que exige a
preposição em, os restantes 6 de ambos géneros estabeleceram a preposição simples
direccional a. Por fim o verbo faltar, onde os informantes do género masculino julgaram
exigir preposição em e informantes do género feminino, 4 aliaram-se a resposta dos
informantes do género oposto e 3 informantes estabeleceram a exigência da preposição
simples direccional a.
Assim, nota-se que o maior índice de desobediência à norma-padrão está na língua falada, que
se encontra emanada a norma implícita que Leite (1999b, cit. Ibid21), “[…]norma implícita é a
linguagem usada pelo um grupo social (o dos falantes cultos, p. ex.)”
Continuando, na terceira questão, objectivamos saber se os informantes22 julgam correcto
afirmar:
*Cuidado com carro.
*Namora com estudante do 3º ano.
21 Marques, Pág. 36
22 Do género masculino
43
*Vai no Departamento de Letras.
*Faltei nas aulas de Linguística.
Dos 8 informantes do género-M, três julgaram que «cuidado com carro», é o certo e ao
justificar o primeiro informante disse:-Sempre se falou assim e acho correcto dizer assim.
Dando continuidade as justificativas, outros dois informantes do género-M estabeleceram
resposta semelhante ao primeiro informante dizendo: -Cuidado com carro é correcto sim
porque as pessoas falam assim. Houve outras respostas dos 5 informantes do mesmo género,
dos 4 justificaram dizendo que é certo dizer cuidado com carro porque o interlocutor deve
precaver-se de um infortúnio. O último informante julgou inadequado afirmar cuidado com
carro, por que afirmar cuidado com carro remete-nos a uma ideia do passado e não do
presente. E os informantes do género feminino, julgaram correcto dizer Cuidado com carro
porque a frase traduz a ideia de algo que está acontecendo por conta do sujeito pronominal23
oculto que expressa a segunda pessoa do presente do indicativo.
Analisando as ideias dos informantes, percebemos que na óptica dos mesmos a ocorrência da
preposição simples associativa “com” é bem-vinda, mas Mateus et al . (2003: 397), contradiz
dizendo “a preposição com exprime companhia (comitativo); […]”, excluindo-se a ocorrência
da preposição simples associativa “com” regida pelo particípio passado do verbo cuidar na
ideia de presente do indicativo.
Na segunda afirmação «Namora com estudante do 3º ano», dos 8 informantes do género
masculino, 7 credibilizaram a frase, pois traduz a ideia de associação por meio de uma relação
de intimidade amorosa por isso é correcto dizer «Namoro com estudante do 3º ano», quanto
ao último informante, teceu outro posicionamento dizendo «namora-se alguém e não com
alguém». Em relação aos informantes do género oposto, afirmaram que é certo dizer namora
com Mário, porque surge da interrogativa: Com quem namora? por isso diz-se namora com
estudante do 3º ano. Entretanto, aliamo-nos na perspectiva de Vitória (1969, pág. 169), “o
verbo namorar compreende-se verbo transitivo directo e não admite, pois, a preposição com",
por outra, quer no sentido de desejar fortemente algo, quer no significado de galantear, trata-
se de verbo transitivo directo (construído sem qualquer preposição). Assim, houve uso
indevido da preposição com, apesar de esta referir-se ao modo e a maneira por que o verbo
não exige preposição devido a sua transitividade verbal.
23 Tenha.
44
Para o enunciado «Vai no Departamento de Letras», 5 informantes do género masculino
estabeleceram mesmas respostas, alegando estar errado dizer: Vai no BIM levantar dinheiro,
por que o verbo ir corresponde aos verbos de movimento, por isso, exigem a preposição a
para reger. E os restantes 3 do mesmo género, estabeleceram ideias contraditórias, afirmando
que sim é correcto dizer Vai no Departamento de Letras porque trata-se de um lugar estático
que é Departamento. Para informantes do género feminino, apenas 4 admitiram que a
afirmação é correcta mas sem justificativas, assim as demais24 julgaram estar desviada a
regência verbal do Verbo ir porque os verbos de movimentos rege-se a preposição a.
Verifica-se que os falantes tendem a dar respostas sem ter total certeza do que a norma
padrão25 prescreve em relação a norma implícita. Sendo assim, concordamos com (Mateus etalii, 2003), na ideia de que “o verbo ir apresenta valência 2, pois pede dois argumentos,
pertencendo ao grupo dos predicados de evento não-causativos de movimento que exprimem
o deslocamento de uma entidade origem ou objecto para um dado lugar locativo, portanto,
Neves (Ibid26) “a preposição em é preferida nas construções em que o complemento de
destino indica, mais do que “movimento em direcção a”, “inserção em algum lugar”. Através
disso, A recomendação normativa tradicional para este verbo é que, quando usado como
verbo de movimento, ele tenha um complemento de direcção regido pela preposição a.
Quanto a frase Faltei nas aulas de Linguística, para informantes do género feminino, três
discordaram da frase, alegando estar incorrecta porque «alguém falta ás aulas e não nas
aulas» e para as demais julgaram correcto estabelecendo mesma justificativa de que: falta-se
nas aulas. Em relação aos informantes do género masculino, as respostas seguiram a mesma
lógica sem base normativa da língua, 7 julgaram errado e estabeleceram justificativa de que
falta-se as aulas e não nas aulas. Para o último informante a afirmação Faltei nas aulas de
Linguística é correta, mas sem justificativa.
Descrevendo os posicionamentos dos informantes, seguem o mesmo rumo pois estabelecem
respostas sem base normativa da língua que nos induz ao factor do erro «É normal verificar-
24 Três informantes do género feminino.
25 A escolha desse uso para transformá-lo em norma, ou, em outros termos, linguagem padrão, é arbitrária.
Escolheu-se um determinado uso, que foi elevado à categoria de norma, por acreditar-se que ele representaria a
forma culta de utilização da língua, o chamado bom uso, razão pela qual esta acaba recebendo o status de norma
culta. Em outras palavras, a norma nada mais é que o uso que ganhou prestígio social. (Terra (1997, cit. em
Marques, 2006)
26 Marques, 2006
45
se erros para quem não tem conhecimento da matéria», alguns até buscavam respostas
vizinhas da norma, mas exclui-se devido a falta de base teórica ou normativa por que trata-se
de regência verbal, caso da preposição simples locativa “em” que é regida pelo verbo Faltar.
Ao justificar, concordamos com Cunha e Cintra (1985) que defendem que a preposição em,
quanto ao valor, pode indicar um movimento que é a superação de um limite de interioridade,
alcance de uma situação dentro de situação que é por sua vez posição no interior de, dentro
dos limites de, em contacto com, em cima de, indicando espaço, no tempo e noção para ambas
situações, assim sendo, não se adequa ao contexto. Luft (Ibidi27), “o verbo faltar é um verbo
intransitivo (por exemplo, em «faltam copos», «copos» é sujeito) ou transitivo indirecto
[«faltou ao jogo», em que «ao jogo» é o complemento indirecto]. Quando assume-se
transitivo indirecto, selecciona um complemento que é regido pela proposição a.”
Para última questão, propomos aos informantes que preenchessem espaços vazios com as
devidas preposições, algumas contraídas, combinadas e simples tais como (a, ao, por, pelo,
com, em, no, o, na) nas frases:
I. Maria foi____ casa da amiga.
II. O chefe namora _____ Subchefe.
III. O Menino faltou_____ Escola.
IV. O meu lanche comprei_____ meu dinheiro.
Para interpretar a ocorrência de regência verbal indevida no caso das preposições em causa,
notamos que na primeira frase, 5 informantes do género feminino preencheram a preposição
simples locativa “em” e a última informante estabeleceu a preposição contraída “na” sendo a
correcta na frase. No caso dos informantes do género masculino, dois estabeleceram a
preposição simples “a”, quatro estabeleceram a preposição contraída “na” e os restantes
estabeleceram a preposição simples locativa “em”. Na segunda frase, notamos que todos
informantes julgaram a preposição que é regida pelo regente namorar é a preposição simples
{com}.
Para terceira frase, dez informantes surgiram com respostas iguais, sugerindo a preposição
que é regida pelo verbo faltar é a preposição simples locativa “em” contraída em+a= na, 3
julgaram que a preposição certa é a preposição simples direccional {a} e os demais
estabeleceram a preposição simples em. Relativamente a última frase, os informantes
27 1986
46
estabeleceram respostas comuns, isto é, a preposição simples associativa “com” como sendo
a correcta.
Frases corrigidas a luz do PE, da última questão da entrevista:
a. Maria foi a casa da amiga.
b. Chefe namora a Subchefe.
c. Menino faltou a escola.
d. O meu lanche comprei a meu dinheiro.
Em relação as frases {a e c}, constata-se que o informante ao colocar a preposição em, a frase
toma outro sentido. Partindo do pressuposto defendido sobre os sintagmas preposicionais,
sabe-se que o seu papel temático é atribuído tendo em consideração os tipos de verbos. Deste
modo, Mateus e tal (2003) defendem que “a preposição {em}, em muitos contextos
selecciona os verbos estáticos. Deste modo, não havia necessidade da colocação desta nas
frases ou por outra, colocaria a preposição {a} para indicar movimento em direcção a um
lugar.” Pág. 399
Assim como para frases {b e d}, constata-se que ao colocar a preposição com, coloca-se em
causa a regência que os verbos “namorar” e “comprar” constatamos que nas frases não havia
a necessidade da colocação da preposição com porque o verbo namorar é intransitivo e
transitivo directo por conta disso não exige preposição, o mesmo acontece na construção «O
meu lanche comprei com meu dinheiro» em que a preposição simples com rege verbo que
possui regência verbal contrária.
2.4. Constatações extraídas da entrevista aos estudantes do 2º ano curso de Português
em relação à regência verbal no Citshwa e PM, caso das preposições simples associativa
“com” e locativa “em”
Os estudantes possuem conhecimento acerca de regência verbal, mas tendem a fazer confusão
por influência da sociedade, citando que alguns afirmaram que “Pessoas falam assim/ Muitas
pessoas falam assim” e outros afirmaram positivamente. Também, há que salientar o facto de
estes não conhecerem as regras que regem a gramática do Português e o valor semântico dos
verbos {Ir, namorar, faltar, comprar e cuidar} regidos assim como das preposições em causa.
47
Descrição dos dados referentes ao Inquérito para alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de
Setembro da Cidade de Maxixe.
Esta etapa caracteriza-se pela apresentação e análise dos dados recolhidos através da técnica
de inquérito, que correspondem ao universo de 20 informantes. Este inquérito tem por
objectivo interpretar a ocorrência de regência verbal, caso das preposições “com” e “em” e o
foco é preencher os espaços que julgam correcto. Assim, analisaremos os dados de forma
estatística.
Tabela 2- Informantes do nível Médio.
Idade Género Informantes Nome da Escola Línguas
usadas
Classe
17
M
A, C e D
E.S. 29 de Setembro da
Cidade de Maxixe
Português
e Citshwa
12ª Classe
18 M B, E, F e H. - Português,
Citshwa e
Gitonga.
-
18 M G, I e J. - Português -
17 F K, L, M e O - Português
e Citshwa
-
18 F N, P, Q e R -
Português
e Citshwa
-
18 F S e T - Português -
Fonte: autor
Nesta subsecção comentam-se os resultados encontrados para cada preposição analisada,
quanto ao confronto entre obediência e não-obediência à prescrição normativa. Cada análise é
48
seguida de um gráfico/ figura, que permite a visualização desse confronto entre uso e norma
nas frases. Para tanto, buscamos 7 verbos que regem as preposições “com” e “em” de forma
indevida. Após conjunto de verbos que propusemos para estabelecer a regência verbal, segue-
se a questão de natureza fechada em que os alunos devem traduzir as frases de Português para
sua língua local/materna em que verbo rege a preposiçãoquer seja locativa ou associativa.
2.5. Preposição simples “com” nos verbos {Cuidar, comprar, namorar.}
O quadro que se segue ilustra, em percentagem, a frequência das respostas28 dos informantes
em cada verbo.
Figura-1: Ocorrência da preposição simples com nos verbos regentes. Em relação aos dados
estatísticos da ocorrência da preposição simples “com” nos alunos da 12ª Classe da Escola
Secundária 29 de Setembro, na turma 4, verificamos o uso abundante da preposição simples
associativa “com” nos verbos em causa. Quanto ao uso da preposição simples associativa
“com” nota-se que há uma grande preferência pela preposição (62%) pertencente a 14
informantes, desviante e (38%) pertencente a 6 informantes, julgaram que não ocorre de
acordo com a recomendação normativa de preferência de uso.
Contudo, percebemos na análise do corpus que os alunos acabaram adoptando em suas
produções textuais uma concepção de gramática que responde ao modo de como as
informações são codificadas e afectadas pelo contexto social em que eles são inseridos. Isso
faz com que os alunos não utilizem a concepção de gramática normativa, e o aluno acaba se
preocupando com a parte sintáctica abandonando assim todo conhecimento semântico. Dessa
28 Veja grelha de preenchimento das respostas em apêndices!
62% Não seguem a
norma.; 14
38% Seguem a
norma.; 6
62% Não seguem
a norma.
38% Seguem a
norma.
0
2
4
6
8
10
12
14
16
Ocorrências da preposição simples "com" nos verbos regentes
49
maneira, os alunos acabaram preenchendo ou não a regência dos verbos utilizando
preposições que eles julgam mais natural ou com mais eficiência para o contexto
comunicativo.
Para segunda questão, propusemos para informantes que são falantes da língua Citshwa para
traduzir frase do predicador namoram com objectivo de identificar o factor da confusão:
1. (Namorar) Moças namoram professores____________________________________.
Para análise referente as traduções, no caso do verbo Namorar, os informantes A, C, D, K, L,
M e O, estabeleceram a mesma tradução, sendo “Vananyana varandzana ni vagondzisi” ao
contrário dos informantes B, E, F e H que julgaram tradução certa a “Vavassati varandzana ni
Vagondzisi, havendo diferença do substantivo “Vananyana/ Vavassati”. Para o caso dos
informantes N, P, Q e R estabeleceram a tradução Vananhana varandza vagondzisi.
Diante destes posicionamentos, concluímos mais um factor determinante da confusão da
regência verbal no PM: caso da preposição simples associativa com no verbo namorar, que se
deve a transposição do mesmo verbo em língua bantu com exigência da preposição simples
associativa com pelo valor de companhia {ni}. Portanto, ao ocorrer o verbo sem a preposição
ficaria sem sentido, por isso, afirmamos que as preposições nas línguas bantu possuem valor
polissémico, e para o caso de verbos transitivos directos a sua ocorrência é obrigatória por que
sem preposição teríamos: Vanhanyana varandzana [-] vagondzisi com sentido incompleto.
2.5. Preposição simples “em” nos verbos {Ir, Faltar e Chegar.}
O quadro que se segue ilustra, em percentagem, a frequência das respostas29 dos informantes
em cada verbo.
29 Veja grelha de preenchimento das respostas em apêndices!
70% não seguem a
norma.; 16
30% Seguem a
norma.; 4
70% não seguem
a norma.
30% Seguem a
norma.
0
5
10
15
20
Ocorrências da preposição simples "em" nos verbos regentes
50
Figura 2- Ocorrências da preposição simples “em” nos verbos regentes.
Quanto ao uso da preposição simples locativa “em” nota-se que há uma grande preferência
pela preposição em (70%) correspondente a 16 alunos. 30% Preferência pela preposição a
correspondente a 4 alunos, julgaram a preposição a de acordo com a recomendação normativa
de preferência de uso.
Conforme o quadro ilustra, o verbo ir sendo transitivo indirecto que rege-se com a preposição
locativa “em” desviada da norma padrão, onde houve o uso inadequado da preposição (em
+o=no) e poucos informantes riscaram a regência verbal certa, assim Mateus e tal (Ibid30)
defendem que a “preposição {em}, em muitos com na frase ou por outra, coloca-se a
preposição {a} para indicar movimento em direcção a um lugar.” O verbo Faltar, a tendência
dos informantes é de enfatizar a regência verbal com a preposição simples locativa em,
consubstanciando-se errada porque o verbo faltar estabelece a regência com a preposição a,
assim como defende Luft31
“o verbo faltar é um verbo intransitivo (por exemplo, em «faltam casas», «casas» é
sujeito) ou transitivo indirecto [«faltou a reunião», em que «a reunião» é o
complemento indirecto]. Quando assume-se transitivo indirecto, selecciona um
complemento que é regido pela proposição a.”
Deste modo, o verbo faltar não estabelece regência com a preposição simples locativa “em”.
Para o caso do verbo apontar, nas frases propostas a tendência dos informantes foi frisar
regência verbal com a preposição simples locativa “em” sendo que o verbo cair exprime o
valor de queda em movimento, e por isso admite construção com a preposição a e não em. O
verbo chegar também teve uma tendência em relação a regência com a preposição simples
locativa em, riscando muitos informantes a construção desviada da norma prescritiva. Para
esclarecer a norma da regência [SUJ]32 chegou em [CI]33 . O verbo chegar é um daqueles
verbos que, quando usado como direccional, ocorre obrigatoriamente com a preposição a.
Neves34 defende que a preposição “a” indica” movimento em direcção a um lugar”, enquanto
a preposição em dá a ideia de “inserção em um lugar”, por isso, a preposição que rege o verbo
chegar é a.
30 Pág. 399.
31 Luft, Celso Pedro. (1986) Dicionário Prático de Regência verbal.
32 Sujeito.
33 Complemento indirecto.
34 Neves (2004, cit. em Marques, 2006)
51
Portanto, a análise e interpretação das frases permitiu-nos aferir que a língua portuguesa dos
estudantes dos níveis médio e superior da Cidade de Maxixe sofre transformações sob ponto
de vista sintáctico, semântico e morfológico, o que faz com que aquilo que pode constituir
“erro”, nesse caso “uso indevido” na perspectiva da norma Padrão do PE, pode ser entendido
como forma própria do Português de Moçambique, fruto de diversos factores35 desviantes as
gramáticas normativas e/ou tradicionais da língua.
Para última questão, propusemos para informantes que são falantes da língua Citshwa para
traduzir frase dos verbos “cair” e “Faltar” com objectivo de identificar o factor da confusão:
1. (Faltar) Ontem faltei às aulas de Português.
2. (Faltar) Ontem faltei nas aulas de Português.
Relativamente a tradução do verbo Faltar nas frases sugeridas, os informantes B, C, R, K, N, L
e F traduziram “Tolo ndzitxhotile ka zigondzo za Portugueji”, diferentemente dos informantes
P, H e A que julgaram correcto a tradução “Ntolo ndzichotile ka gondzo ga Portugueji” e os
restantes E, O, Q, B e D, também estabeleceram mesma tradução Tolo zitxotile ka zvigondzo
zva Portugues. Em relação a última frase do mesmo verbo, só os informantes K, H, Q e B
estabeleceram tradução diferente Tolo txotile ka gondzo ga Portugues e os demais 14
informantes, estabeleceram a mesma tradução da frase anterior onde o verbo Ndzitxhotile
rege a preposição simples locativa e direccional “ka” . Analisando, podemos verificar que na
LB o verbo faltar rege simplesmente a preposição simples “ka” não havendo distinção entre
às e nas. Portanto, julgamos como factor determinante da confusão na regência verbal, caso
da preposição simples “em” no verbo faltar a transposição da estrutura sintática da língua
Citshwa para Português.
35 Desconhecimento dos valoressematicos dos verbos, aplicabilidade desviante dos conheciementos sobre
regencia, influencia das língua de origem bantu.
52
2.6. Conclusões sobre fatores determinantes da regência verbal no PM: caso das
preposições “com” e “em” nos verbos de regência contrária e/ou intransitivos.
A Língua portuguesa é uma língua natural e viva, sendo assim, possui regras normas
prescritivas que correspondem ao bom uso da língua. Em relação ao país Moçambique, é um
país que compadece da sua língua padrão e por causa disso tem o português europeu como o
padrão/modelo. Em suma, segue-se o PE como língua que se julga culta o que torna qualquer
texto escrito ou oral em desacordo desta norma, agramatical/desviante e/ou não aceitável.
Nesta perspetiva, julgamos como fatores determinantes da regência verbal no Citshwa e PM:
caso das preposições com e em nos falantes dos níveis superior e médio da Cidade de Maxixe,
A falta de conhecimento das exigências de alguns verbos à luz da norma padrão;
A influência da sociedade no estabelecimento de um tipo de linguagem comum;
Confusão na aplicabilidade dos conhecimentos adquiridos sobre regência verbal
devido as influências de diversas linguagens que são usadas na sociedade (Gírias,
calão, etc.);
A influencia das línguas bantu na medida em que possuem uma grelha de regência
verbal distanciada;
A complexidade da própria língua portuguesa na medida em que o verbo possui grelha
de regência quanto a transitividade e a preposição também possui seu valor semântico.
Diante das concepções dos informantes, citamos Gonçalves (2000) “No momento actual, as
propriedades do PM estão ainda em fase de variação, verificando-se que a maior parte dos
seus falantes ora produzem estruturas convergentes com a norma europeia, ora usam
estruturas divergentes desse padrão.”
53
3. Conclusões finais
Ao concebermos este trabalho, tínhamos como objectivo analisar a ocorrência de regência
verbal no Português de Moçambique, caso das preposições simples “com” e “em” pelos
alunos da 12ª Classe da E.S. 29 de Setembro e 2º ano- Português da Cidade de Maxixe.
A concepção de gramática que os alunos da amostra utilizam demonstra uma visão de língua
em cujas funções prevalecem a representação comunicativa, e apresenta que seus
conhecimentos postos nas produções relacionam-se com a frequência de uso e uma
regularização conforme os discursos orais e escritos. Relativamente aos resultados obtidos,
denotamos que os informantes flutuam entre a norma e o desvio. Assim, seria prematura uma
proposta que desse conta de que essas estruturas estejam normalizadas no emergente
português moçambicano, uma vez que ainda há oscilação entre a norma e o desvio.
Em relação ao país Moçambique, é um país que compadece da sua língua padrão e por causa
disso tem o português europeu como o padrão/modelo. Em suma, segue-se o PE como língua
que contempla culta o que torna qualquer texto escrito ou oral em desacordo desta norma,
agramatical/desviante e/ou não aceitável.
No que diz respeito as preposições que servem de corpus ao nosso estudo, notamos como
principal factor do erro de regência verbal no Português de Moçambique, a falta de
conhecimento das exigências de alguns verbos à luz da norma padrão; a influência da
sociedade no estabelecimento de um tipo de linguagem comum; Confusão na aplicabilidade
dos conhecimentos adquiridos sobre regência verbal devido as influências de diversas
linguagens que são usadas na sociedade (Gírias, calão, etc.); A influencia das línguas bantu na
medida em que possuem uma grelha de regência verbal distanciada; A complexidade da
própria língua portuguesa na medida em que o verbo possui grelha de regência quanto a
transitividade e a preposição também possui seu valor semântico.
54
4. Bibliografia
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56
Apêndices
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Guião de entrevista para estudantes do 2º ano do Curso de Português - Maxixe
Caro informante, o presente questionário, serve de base para entrevista que enquadra-se no
âmbito de um estudo de monografia científica, em que objectiva-se pesquisar sobre regência
verbal no Português de Moçambique: caso das preposições “com” e “em”. Sendo assim,
agradecíamos que colaborasse por responder integralmente as questões feitas.
NB: Perguntas abertas e fechadas.
1. Já leu ou aprendeu sobre regência verbal?___________.
2. Quais são as preposições regidas pelos verbos abaixo:
a) V(a) -Comprar;_______.
b) V (b) – Namorar______.
c) V (c) – Ir______.
d) V (d) – Faltar________.
3. É correcto afirmar: {sim/não} Justifique!
a. *Cuidado com carro. ________________________________________________
__________________________________________________________________
_.
b. *Namora com estudante do 3º ano._____________________________________.
_________________________________________.
c. *Vai no Departamento de Letras_______________________________________
_______________________________________________.
d. *Faltei nas aulas de Linguística._______________________________________________________________________________________________________.
4. Preencha espaços vazios com as devidas preposições, algumas contraídas, combinadas
e simples tais como (a, ao, por, pelo, com, em, no, o, na) nas frases:
I. Maria foi____ casa da amiga.
II. O chefe namora _____ Subchefe.
III. O Menino faltou_____ Escola.
IV. O meu lanche comprei_____ meu dinheiro.
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Inquérito referente a Regência verbal do Português de Moçambique para alunos da 12ª
classe da Escola Secundária 29 de Setembro- Cidade de Maxixe.
Caro informante, o presente inquérito por questionário enquadra-se no âmbito de um estudo de
monografia científica, em que objectiva-se pesquisar sobre Regência verbal no Português de
Moçambique: caso das preposições “com” e “em”. Sendo assim, agradecíamos que
colaborasse por responder integralmente as questões feitas.
Dados do informante:
Idade_____ . Línguas usadas______________/________________/_________________.
1. Atente-se as construções que se seguem e marque com X na frase que julga estar
correcta no que concerne a regência verbal.
Verbo cuidar Verbo Ir
a) Cuidado com carro!______. a) Professor foi na Cantina______.
b) Cuide-se do carro!______. b) Professor foi a Cantina______.
Verbo comprar Verbo Faltar
a) Comprei com meu dinheiro.______. a) Faltei nas aulas de Português______.
b) Comprei a meu dinheiro.______. b) Faltei às aulas de Português______.
Verbo namorar Verbo Chegar
a) Chefe namora com subchefe.______. a) Professor chegou em casa salvo____.
b) Chefe namora a subchefe.______. b) Professor chegou a casa salvo____.
2. Excepto informantes que possuem a língua Citshwa.
i. Traduza a frases para Citshwa:
a. Moças namoram professores____________________________________________.
b. (Faltar) Ontem faltei às aulas de Português__________________________________.
c. (Faltar) Ontem faltei nas aulas de Português_________________________________.