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Universidade Aberta ISCED Faculdade de Ciências de Educação Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia Geomorfologia De Moçambique Felício Lázaro Elias: 51210065 Manica, Agosto 2022 Universidade Aberta ISCED Departamento de Ciências de Educação Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia Geomorfologia De Moçambique Felício Lázaro Elias: 51210065 Manica, Agosto 2022. Trabalho de Campo a ser submetido na Coordenação do Curso de Licenciatura em Ensino de geografia da UnISCED. Tutor: MsC. Juvêncio Vicente Luís Índice 1 Introdução................................................................................................................................. 1 1.1 Objetivo geral ................................................................................................................... 1 1.2 Objetivos específicos ........................................................................................................ 1 1.3 Metodologia ...................................................................................................................... 1 2 Geomorfologia De Moçambique .............................................................................................. 2 2.1 Características da geomorfologia de Moçambique ........................................................... 3 2.1.1 Relevos em cúpula de origem sedimentar ................................................................. 3 2.1.2 Vertentes, vales e fundos dos rios ............................................................................. 4 2.1.3 Superfícies dos cumes e cristas de origem erosivo-desnudada ................................. 4 2.1.4 Relevos estruturais altos e compartimentados ........................................................... 5 2.1.5 Superfícies dos cumes e cristas, de origem intrusivo-tectónica e erosivo - desnudada 5 2.2 Génese das formas do relevo ............................................................................................ 5 2.3 Principais formas do Relevo de Moçambique e suas características. ............................... 6 2.3.1 Planície ...................................................................................................................... 6 2.3.2 Planalto ...................................................................................................................... 6 2.3.3 Montanhas ................................................................................................................. 6 2.3.4 Depressões ................................................................................................................. 7 3 Considerações finais ................................................................................................................. 9 4 Referências bibliográficas ...................................................................................................... 10 1 1 Introdução A Geografia Física é uma vertente voltada para a análise dos elementos naturais do espaço terrestre. Ela aborda as características da Terra, sua dinâmica e elementos naturais, tais como o clima, relevo, geologia, topografia, vegetação, hidrografia, entre outros. Moçambique é um país com uma grande extensão geográfica e caracteriza-se pela ocorrência de uma enorme geodiversidade da qual fazem parte todos os tipos genéticos de rochas, com idades que vão desde o Arcaico ao Quaternário, minerais , fósseis, lagos interiores, pântanos, zonas marinhas e continentais, vários tipos de clima (tropical, subtropical, de altitude, semidesértico) e por altitudes que vão de 0 a mais de 2.000 metros, desta forma, o presente trabalho tem como enfoque trazer abordagem da geomorfologia de Moçambique tendo como objetivos: 1.1 Objetivo geral Apresentar e descrever a geomorfologia de Moçambique; 1.2 Objetivos específicos Apresentar a origem e características da geomorfologia de Moçambique; Descrever a morfoestruturas em diferentes regiões de Moçambique; Descrever diferentes formas do relevo de Moçambique; Apresentar as principais cadeias montanhosas em região; 1.3 Metodologia Este trabalho foi possível sua realização usando a metodologia de pesquisa bibliográfica e espera se que seja da compreensão do leitor 2 2 Geomorfologia De Moçambique A superfície do território moçambicano apresenta-se de forma desigual. Ela apresenta zonas altas e outras baixas, como resultado de muitos acontecimentos que se registam na superfície da Terra e, no interior da Terra. Tais acontecimentos incluem vulcões, tremores de terra. Sendo assim, o relevo de Moçambique apresenta-se em forma de escada. A altitude aumenta à medida que caminhamos do litoral para o interior, do ponto de vista geológico apresenta duas unidades geológicas: Precâmbrico - é uma unidade constituída por rochas mais antigas formadas há mais de 600 milhões de anos. Esta formação ocupa uma superfície de 534 mil km2, equivalente a 2/3 do território nacional, Localiza-se na região centro-ocidental e norte de Moçambique. (Barca, 1992) Fanerozóico - É constituído essencialmente por rochas sedimentares que se formaram entre 300 e 70 milhões de anos. Essas rochas incluem também as formações eruptivas (magmáticas) como basaltos e riolitos e se podem encontrar junto a fronteira de Namaacha. O Fanerozóico Ocupa quase na totalidade as províncias de Inhambane, Gaza e Maputo e vai se estreitando para o norte até ao curso do rio Rovuma ocupando 1/3 do território nacional, as rochas precâmbricos segundo (Barca & Santos, 2007) dividem-se em duas partes: Pré-câmbrico inferior ou arcaíco – representado pelo crotao rodesiano. É constituído por rochas metamórficas de origem magmáticas e sedimentares e Localiza-se no sistema de Mânica e tem uma idade de 200 milhoes de anos e é constituída pelas formações de Macequese, Mbeza e Vengo; Pré-câmbrico superior – conhecida por cinturão de Moçambique (Mozambique Belt). São rochas que datam 500 milhoes de anos e divide-se em 3 províncias geológicas : província de Moçambique, província de Niassa e província de Médio-Zambeze. Com uma extensão maior (51%), ocorrem superfícies aplanadas com altitudes compreendidas entre 200 e 1.000 metros, desenvolvidas na metade Norte de Moçambique e constituindo o Planalto Moçambicano. Distinguem-se em Moçambique duas zonas planálticas. A primeira, de altitudes entre 200 e 500 metros é designada por planaltos médios e está representada ao Norte do paralelo 17º Sul. A segunda, designada por altiplanáltica, tem altitudes superiores a 500 metros. A sua maior ocorrência verifica-se no Norte e Centro do País. A zona de planaltos com altitudes entre os 200 e 3 500 metros, situa-se nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e interior de Inhambane. As áreas de montanhas que incluem formas de relevo com altitudes superiores a 1.000 metros, são pouco extensas (5%) e não constituem faixas contínuas, à semelhança dos planaltos. A sua maior ocorrência regista-se a Norte do paralelo 21º Sul, nas províncias de Niassa, Zambézia, Tete e Manica. (Barca A. , 1992) 2.1 Características da geomorfologia de Moçambique Segundo (Bondyrev, 1983), a geomorfologia de Moçambique pode ser descrita pelas morfoestruturas que a seguir se descrevem 2.1.1 Relevos em cúpula de origem sedimentar O carácter e o aspecto destas morfoestruturas foram determinados pela natureza da sua litologia. 2.1.1.1 Cornijas de cuestas O relevo de cuestas, representado por dobras monoclinais, é característico das regiões constituídas por rochas sedimentares. Este tipo de relevo está representado, por exemplo, pelos estreitos cumes de cuestas do complexo sedimentar da margem direita do rio Zambeze. Um grupo destas morfoestruturas ocupa uma faixa entreo rio Luenha e a boca de Lupata. As morfoestruturas estão situadas umas por detrás das outras descaindo para o lado do rio Zambeze. As altitudes dos cumes de cuestas são da ordem de 300 a 320 m. Há ainda de salientar um grupo de morfoestruturas de cuestas desenvolvidas no complexo gnaissico-migmatítico, resultantes da alteração selectiva, da erosão fluvial e da tectónica. Estas morfoestruturas ocupam a região entre Muandina e Chilo (distrito de Morrumbala). (Bondyrev, 1983) 2.1.1.2 Relevos suaves nas formações do Karoo A litologia (arenitos, tilitos, conglomerados, xistos, .), determinou uma dissecção vertical significativa. A desnudação selectiva originou uma paisagem de colinas grandes, mais características nos vales dos rios Lunho e Messinge (província de Niassa) e no curso inferior dos rios Panhame, Choe, Impata, Daque, Muze (afluentes da margem direita do rio Zambeze, província de Tete). As altitudes na província de Tete variam de 700 a 750 m e na província de Niassa de 180 a 250 m. As morfoestruturas têm geralmente um aspecto aplanado e côncavo, relacionado com a tectónica e 4 com as particularidades da sedimentação das rochas do Karoo no graben de Messinge e do Médio Zambeze. (Bondyrev, 1983) 2.1.1.3 Colinas nas zonas de sopé Em Moçambique, a zona entre os maciços montanhosos e as zonas aplanadas pode estender-se até 70-80 km, chegando num caso a atingir os 200 km. Tal fenómeno é consequência do carácter de plataforma das estruturas principais e das particularidades da composição litológica. O relevo de colinas estende-se por vastos espaços, nos quais se elevam por vezes grupos de inselbergs. As colinas raramente ultrapassam a altitude média de 150-200 m, ocupando a zona hipsométrica de 180-250 m de altitude absoluta. (Bondyrev, 1983) 2.1.2 Vertentes, vales e fundos dos rios Este grupo morfoestrutural é caracterizado por: Deslocamentos tectónico-gravíticos Fundos e vertentes dos vales sem aluviões típicos Fundos e vertentes dos vales com terraços rochosos e outros com aluviões pouco espessos Leitos antigos cortando grés e conglomerados (Cretácico Superior – Quaternário Inferior) Leitos abandonados cortando depósitos eluviais do Quaternário Inferior Plataformas litorais recobertas por conglomerados e arenitos cretácicos 2.1.3 Superfícies dos cumes e cristas de origem erosivo-desnudada As morfoestruturas deste tipo ocorrem em todo o território de Moçambique e ocorrem nas zonas periféricas dos sistemas montanhosos mais altos, exemplo monte Binga, Namúli. Algumas formas assemelham-se a torres de fortalezas antigas, outras a dinossáurios. Estas morfoestruturas são constituídas em granitoides e as suas formas estão relacionadas com as particularidades da alteração química, expressa na desagregação esferoidal que apresentam. Na província de Niassa estas morfoestruturas ocorrem nos arredores de Mauá e no Maciço Mindje (1.176 m), tem como cararcteristicas apresentar relevos suaves e compartimentados. As superfícies dos cumes e cristas de origem erosivo-desnudada são caracterizadas por relevos esculpidos por desnudação (ruiniformes) O relevo ruiniforme está bem desenvolvido na província de Nampula, na região de Ribaué – Lalaua. Os montes afectados pela desnudação criam uma 5 paisagem absolutamente fantástica, nomeadamente os maciços Ribaué I (1.777 m), Ribaué II (1.536 m), Norre (1.038 m), Lepe (1.154 m). 2.1.4 Relevos estruturais altos e compartimentados Este grupo de morfoestruturas está amplamente representado em todo território de Moçambique, a norte do rio Save. Fazem parte deste grupo as montanhas mais altas de Moçambique, tais como, por exemplo, os cumes ocidentais da parte central da cadeia Chimanimani, representados pelo monte Binga (2.436 m), Mesurucero (2.176 m), Macace (2.134 m) (Muchangos, 1999). 2.1.5 Superfícies dos cumes e cristas, de origem intrusivo-tectónica e erosivo-desnudada Tem como características a presentar relevos em patamar da zona do rifte que são representados pela elevação de Cheringoma, a leste do maciço de Gorongosa (Bondyrev, 1983). O planalto está muito peneplanizado pelo facto de este se situar na intersecção dos grabens de Chire-Urema e Zambeze. As altitudes variam entre 210 e 220m, outras características incluem segundo (Bondyrev, 1983) relevos de desligamento , relevos intrusivos em patamar, relevos básicos assim como relevos graníticos cujo é muito comum em Moçambique e pode ser visto em todo território, a norte do rio Búzi. 2.2 Génese das formas do relevo O relevo Moçambicano é o resultado da interacão de agentes internos (vulcanismo, tectonismo e abalos sismicos), responsáveis pela formação de montanhas, planaltos e agentes externos responsáveis pela erosão (rios , ventos , seres vivos, lagos mares e oceanos). O relevo Moçambicano de acordo com (Muchangos, 1999) tem um formato de escadaria, ou seja ao caminhar do litoral ao interior temos 3 degraus em que o mais baixo corresponde a planície no litoral. O intermediário são planaltos e o mais alto, as montanhas no interior. A morfologia – é a forma como o relevo se apresenta. Em Moçambique temos 3 tipos de relevo: planície, planaltos e montanhas. 6 2.3 Principais formas do Relevo de Moçambique e suas características. 2.3.1 Planície É a superfície que se estende em todo litoral, cujas altitudes não ultrapassam os 200 metros. As planícies localizam - se no sul do rio Save e ao longo de todo o litoral de Moçambique. Ocupa cerca de 250 mil km², a sua maior extensão é nas províncias de Gaza, Inhambane e Sofala. Ao longo dos vales das principais bacias hidrográficas destacam - se as seguintes planícies: Planície do Save, atravessado pelo rio Save; Planície do Incomáti, atravessado pelo rio Incomáti; Planície do Zambeze, atravessado pelo rio Zambeze; Planície do Limpopo, atravessado pelo rio Limpopo. (Muchangos, 1999). 2.3.2 Planalto Um terreno extenso quase plano que apresenta altitudes que variam entre 200 a 1000 metros. As maiores extensões dos planaltos encontram - se nas regiões norte e centro do país. Ocupa dois terços do território nacional, o que corresponde a 500mil km². Tipos de Planaltos Morfologicamente, distinguem - se em Moçambique os seguintes planaltos: Planaltos médios com uma altitude compreendida entre 200 - 500m Planaltos Altos com altitude compreendida entre 500 - 1000m Principais Planaltos de Moçambique Os principais planaltos encontram-se logo a seguir às planícies e são planaltos a destacar: Planalto Moçambicano nas províncias de Zambézia e Nampula; Planalto de Angónia e Marávia na província de Tete; Planalto da Mueda na província de Cabo Delgado. Planalto de Lichinga na rovíncia de Niassa Planalto de Chimoio na rovíncia de Manica. 2.3.3 Montanhas Chama-se zonas de montanha aos lugares da superfície terrestre que apresentam altitudes superiores a 1000 metros. (Panizza M. , 2001). As Principais cadeias montanhosas. 7 As principais montanhas estão localizadas no centro e norte de Moçambique e as mais importantes são: Cadeia montanhosa Maniamba-Amaramba, que está localizada na província de Niassa, onde a serra Jéci apresenta as maiores altitudes, 1836 metros (Muchangos, 1999) Formações Chire-Namúli, na província da Zambézia, tem como pontos mais elevados o monte Namúli, 2419 metros e a serra Imago com 1807 metros. Cadeia de Manica, estende-se ao longo da fronteira entre a província de Manica e o território zimabweano. Nesta cadeia localiza-se o monte Binga, que é o mais elevado do país com 2436 metros. Também nesta cadeia encontramos o Monte Goróngué, com 1887 metros e a serra Choa com 1844 metros. A cadeia dos Libombos estende-se ao longo da fronteira com a África de Sul, nas províncias de Gaza e Maputo. As altitudes desta cadeia não atingem os 1000 metros, porém no conjunto do relevo do sul de Moçambique,ela destaca-se por ser a única formação elevada. (Barca A. , 1992) O ponto mais elevado desta cadeia é o Monte Mponduíne, com 801 metros, e está localizada no distrito da Namaacha, província de Maputo. 2.3.4 Depressões Das principais depressões existentes em Moçambique destacam – se os vales dos rios e as formas de relevo negativas onde se localizam – se os lagos e Pantanos. Estas depressões interrompem frequentemente a continuidade das planícies; planaltos e das montanhas. As mais importantes depressões são segundo (Bondyrev, 1983): Depressão do vale do rio Zambeze - é a maior não por constituir um dos maiores do continente africano, como também por atravessar regiões de litologia e tectónica complicada, ás quais o rio teve se adaptar. Em alguns pontos do seu percurso o rio Zambeze, dada a resistência de certas formações rochosas por onde atravessa, escava o seu leito, constituindo gargantas apertadas e profundas, com grande relevância para a topografia do relevo. Depressões Chire – Urema e Espungabera - estas formas negativas é resultado de movimentos grabens tectónicos e representam das superfícies falhadas que caracterizam a África Oriental. Depressão do Niassa - onde se localizam os lagos Niassa, Chirua, Chiúta e Amaramba. 8 Depressão de Chissenga - é prolongamento do afundamento de Urema – Zangué para Sul; este aberga o curso inferior do Púngué e que se desvia para mar onde continua na plataforma continental. Depressão de Funhalouro - constitue um dos mais importantes afundimentos tectónico á Sul do Rio Save. Depressão do Xai – Xai - constitue um largo e profundo afundamento que representa o vale do rio Limpopó. Depressão das Palmeiras - na província de Maputo, este afundamento é percorrido pelo rio Incomati, no extremo Sul composta o afundamento tectónico correspondente a baia de Maputo. 9 3 Considerações finais Como foi possível constatar durante o trabalho o relevo de Moçambique dispõe-se em forma de escadaria onde se distingue uma zona montanhosa a Oeste, que decresce em degraus aplanados até à planície litoral a Leste, portanto, de acordo com a altitude, identificam-se em Moçambique, planícies, planaltos, montanhas e depressões e cerca de metade (44%) do território moçambicano é constituído por planície, com altitudes até 200 metros, foi também constatado que as principais formas do relevo de Moçambique são : planícies e montanhas, desta forma, pode se concluir que os trabalhos do trabalho foram respondidos com u sucesso uma vez que foi possível descrever diferentes formas do relevo de Moçambique, apresentamos cada um e fizemos a descrição e sua localização bem como se fez abordagem da geomorfologia de apresentando exemplos elucidativos em cada de região do país, e espera-se que este trabalho tenha sido da compreensão do leitor. 10 4 Referências bibliográficas Barca, A. (1992). Perfil Físico: Colecção “Conhecer Moçambique 1”. Editora Escolar. Barca, A. d., & Santos, T. d. (2007). Livro de Geografia da 10ª Classe. Maputo. Bondyrev, I. V. (1983). Notícia explicativa (provisória) da Carta Geomorfológica de Moçambique. Ministério dos Recursos Minerais, Instituto Nacional de Geologia. Maputo. Honguane, A. M. (2007). Diagnostico da Zona Costeira de Moçambique. Revista de Gestão Costeira Integrada. Muchangos, A. d. (1999). Moçambique, Paisagens e Regiões Naturais. Edição: do Autor. Panizza, M. (2001). Geomorphosites: concepts, methods and examples of geomorphological survey. Chinese Science Bulletin, 46, 4-6.