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MODELO DE RESENHA CRITICA

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substituições de 
ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura 
com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no 
supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a 
cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou 
fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira 
cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para 
esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração 
saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e 
supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista 
de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da 
Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. 
Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh 
Alimentos. 
 
 
 
 
 Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. 
A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para 
iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a 
interessar-se pela leitura. 
 
 
 
11. A crítica 
 
 A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se 
acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estar presente 
desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do 
resenhista se interpenetram. 
 
 
 O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc. 
 
 Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se 
tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, 
escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de 
"ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé". 
 
 
12. Exemplos de resenhas 
 
 Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações 
feitas ao longo desta apresentação. 
 
 
 
Atwood se perde em panfleto feminista 
 
Marilene Felinto 
Da Equipe de Articulistas 
 
 Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom 
feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já 
publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance. 
 
 O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em 
teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores 
de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre 
guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, 
Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca 
cerebral". 
 
 Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que 
poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor 
bocejante. 
 
 É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas 
pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme 
fatale" que vive roubando os homens das outras. 
 
 Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa 
solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não 
emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia 
funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não 
conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se 
pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito. 
 
 Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem 
mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As 
intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor 
capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) 
e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de 
homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria 
deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz". 
 
 Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas 
ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que 
afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo 
todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", 
trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a 
palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão 
contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela). 
 
 As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos 
cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a 
infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores 
sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras. 
 
 
 Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no 
meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página 
de agradecimentos - se orgulha de ter realizado. 
 
 
 
 
 
Estadista de mitra 
 
 
Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista 
Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa 
 
Ivan Ângelo 
 
 Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano 
nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso 
rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política 
internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em 
nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em 
prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos 
com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o 
planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia 
da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do 
socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É 
uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas 
autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa? 
 
 O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de 
Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 
páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O 
autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o 
papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois 
anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois 
dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do 
personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de 
correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é 
literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa