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Curso de Educação Ambiental MÓDULO III Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada. 118 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. MÓDULO III Introdução Nesse módulo abordaremos a Educação Ambiental e a Sustentabilidade. O termo sustentabilidade engloba várias áreas de atuação. Sempre associamos a sustentabilidade ao desenvolvimento sustentável, aquele desenvolvimento que gera equilíbrio entre a tecnologia e o ambiente, relevando-se os diversos grupos sociais de uma nação e também dos diversos países na busca da equidade social. Também vamos abordar as culturas econômicas que agridem o meio ambiente, tais como a agricultura e seus agrotóxicos, fertilizantes, pesticidas e a agropecuária, em conjunto com a epidemiologia, pois a modificação no ambiente natural levou ao surgimento de novas doenças, as chamadas doenças tropicais. 13. O que é sustentabilidade? Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais. A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pensamento_sist%C3%AAmico http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia http://pt.wikipedia.org/wiki/Biodiversidade http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistemas http://pt.wikipedia.org/wiki/Terra 119 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Para um empreendimento humano ser sustentável, deve ter quatro requisitos básicos. Esse empreendimento deve ser: • ecologicamente correto; • economicamente viável; • socialmente justo; e • culturalmente aceito. Colocando em termos simples, a sustentabilidade é prover o melhor para as pessoas e para o ambiente tanto agora como para um futuro indefinido. Segundo o Relatório de Brundtland "Our Common Future" (Nosso futuro comum), Oxford University Press, 1987, sustentabilidade é: "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas". Isso é muito parecido com a filosofia dos nativos dos Estados Unidos, que diziam que os seus líderes deviam sempre considerar os efeitos das suas ações nos seus dependentes nas sete gerações futuras. O termo original foi "desenvolvimento sustentável," um termo adaptado pela Agenda 21, programa das Nações Unidas. Algumas pessoas hoje, referem-se ao termo "desenvolvimento sustentável" como um termo amplo, pois implica em desenvolvimento continuado, e insistem que ele deve ser reservado somente para as atividades de desenvolvimento. "Sustentabilidade", então, é hoje usado como um termo amplo para todas as atividades humanas. Na economia, crescimento sustentado refere-se a um ciclo de crescimento econômico real do valor da produção (descontada a inflação), sendo portanto relativamente constante e duradouro, assentado em bases consideradas estáveis e seguras. Parece-nos que um dos maiores equívocos associados à sustentabilidade é pensar que podemos continuar crescendo indefinidamente, como se não fosse haver um limite. Basta informar que o empreendimento é sustentável para receber a chancela ou simpatia dos diversos stakeholders. Os relatórios do Clube de Roma ou do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês) http://pt.wikipedia.org/wiki/Relat%C3%B3rio_de_Brundtland http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_sustent%C3%A1vel http://pt.wikipedia.org/wiki/Agenda_21 http://pt.wikipedia.org/wiki/Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia 120 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. estão a nos dizer o contrário e há muito tempo. Segundo essas entidades, o planeta está em perigo e, em breve, chegaremos a um ponto sem retorno. Ou seja, a Terra perderá a capacidade de se regenerar e, com isso, vão faltar água e alimentos em diversas partes do globo. O aquecimento global chegará a um nível catastrófico dizimando a vida de uma infinidade de seres vivos. É nesse contexto que surge a sustentabilidade. Ela foi concebida para que o homem, independentemente de suas crenças, possa sensibilizar-se para o real perigo que representa para o planeta. O objetivo da sustentabilidade é induzir o homem a reduzir a pegada predatória. Como a biodiversidade planetária está no limiar do esgotamento, todas as atenções da sustentabilidade dirigem-se para o meio ambiente. No entanto, ela possui infindáveis vertentes. É, portanto em razão dessas inúmeras correlações que a sustentabilidade se tornou um tema complexo. Não se pode fechar a questão em torno dela, tampouco aprisioná-la em conceitos que servem mais para acomodar interesses do que compreendê-la. 13.1 Sustentabilidade Ambiental O conceito de sustentabilidade ambiental refere-se às condições sistêmicas segundo as quais, em nível regional e planetário, as atividades humanas não devem interferir nos ciclos naturais em que está baseado tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras. O crescimento econômico deve se adequar na busca da sustentabilidade ambiental, da mesma forma que a equidade social deve ser fruto de uma adaptação por parte da sociedade na busca desta sustentabilidade. O emprego do critério de sustentabilidade, que substitui o de “adaptação” da abordagem teórica evolucionária, permite enumerar as diferentes formas de uso que as populações fazem do meio ambiente, considerando suas diferenças genéricas em termos de inserção na economia de mercado e posse de uma tradição ou história ecológica. 121 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A sustentabilidade ambiental responde diretamente pela preservação e conservação do ambiente, de forma que o desenvolvimento não agrida o meio ambiente. O desenvolvimento atual vem gerando enormes impactos ambientais. Para que a sustentabilidade em si se aplique, há a necessidade de que conhecimentos fragmentados sejam integrados. Na sustentabilidade, os aspectos ambientais devem ser tão relevantes quanto os aspectos técnicos e econômicos, bem como os aspectos de estética e conforto. A sustentabilidade ambiental nas cidades pode ser entendida como a sua capacidade de manter o meio ambiente interno e externo de forma constante ou estável por um determinado período. Os estudos e a práticas dos conceitos da nova gestão pública das cidades ou a “New Public Management (NPM)” podem contribuir com a sustentabilidade ambiental municipal. A NPM pressupõe aplicar nas cidades os modelos de gestão originalmente oriundos da iniciativa privada e dos conceitos de administração estratégica focada nos pressupostos dos negócios empresariais e nos conceitos de empreendedorismo. Seus preceitos tambémenvolvem essas características: focar o cidadão como cliente; clarear a missão da organização pública; delegar autoridades; substituir normas por incentivos; orçar baseado em resultados; expor operações à concorrência e ao público; procurar soluções de mercado; e medir o sucesso do governo pelo cidadão. 13.2 Desenvolvimento sustentável A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. 122 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos. Esse conceito representou uma nova forma de desenvolvimento econômico, que leva em conta o meio ambiente. Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende. Atividades econômicas podem ser encorajadas em detrimento da base de recursos naturais dos países. Desses recursos depende não só a existência humana e a diversidade biológica, como o próprio crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem. O desenvolvimento econômico é vital para os países mais pobres, mas o caminho a seguir não pode ser o mesmo adotado pelos países industrializados. Mesmo porque não seria possível. Se as sociedades do Hemisfério Sul copiassem os padrões das sociedades do Norte, a quantidade de combustíveis fósseis consumida atualmente aumentaria 10 vezes e a de recursos minerais, 200 vezes. Em vez de aumentar os níveis de consumo dos países em desenvolvimento, é preciso reduzir os níveis observados nos países industrializados. O crescimento econômico e populacional das últimas décadas tem sido marcado por disparidades. Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial. Conta-se que Mahatma Gandhi, ao ser perguntado se, depois da independência, a Índia perseguiria o estilo de vida britânico, teria respondido: “a Grã- Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?” 123 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A sabedoria de Gandhi indicava que os modelos de desenvolvimento precisam mudar. Os estilos de vida das nações ricas e a economia mundial devem ser reestruturados para levar em consideração o meio ambiente. Em 1996, um grupo internacional de pesquisadores no campo do desenvolvimento sustentável se reuniu em Bellagio, na Itália, para avaliar o progresso mundial pós Rio 92, em relação às ações e pesquisas para realização dos acordos aí estabelecidos. Foram então propostos princípios que serviriam para guiar a avaliação no que se refere ao progresso em relação ao desenvolvimento sustentável. Os Princípios de Bellagio propostos para o processo de desenvolvimento sustentável são: Descrição 1 É necessário primeiramente ter uma visão clara de desenvolvimento sustentável e as metas que o definem. 2 Proceder a revisão do sistema atual como um todo e em partes; considerar o bem-estar dos subsistemas, social, ecológico e econômico, os seus estados, a direção e a taxa de mudança em relação a estes estados e suas inter-relações; considerar as consequências positivas e negativas das atividades humanas, de maneira que reflitam os custos e benefícios para os seres humanos e sistemas ecológicos, em termos monetário e não-monetário. 3 Considerar as questões de igualdade e disparidade entre a população atual e entre as gerações presentes e futuras, avaliando o uso dos recursos, consumo e pobreza, direitos humanos, e acessos aos serviços básicos; considerar as condições ecológicas das quais a vida depende; considerar o desenvolvimento econômico e outras atividades fora do mercado, que contribuem para o bem-estar humano e social. 124 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 4 Adotar horizonte de planejamento longo o suficiente para abranger as escalas de tempo humano e dos ecossistemas naturais, respondendo assim às necessidades das futuras gerações, como também às que precisam de decisões em curto prazo; definir o escopo de trabalho abrangente o suficiente para que inclua os impactos locais e regionais/globais na população e ecossistemas; basear-se nas condições históricas e atuais para antecipar condições futuras – aonde se quer chegar, aonde se pode ir. 5 Utilizar uma estrutura organizacional que conecte a visão e os objetivos a indicadores e critérios de avaliação; utilizar um número limitado de aspectos para análise; um número limitado de indicadores ou combinação de indicadores para conseguir uma sinalização mais clara do progresso; padronizar medidas, quando possível, de modo a permitir comparações; comparar valores dos indicadores e metas, valores de referência, ou valores limites. 6 Os métodos e dados utilizados devem ser acessíveis a todos; todos os julgamentos, valores assumidos e incertezas nos dados e interpretações devem ser explicitados. 7 Ser projetado para atender às necessidades da comunidade e dos usuários; utilizar indicadores e outras ferramentas que podem estimular e trazer a atenção dos governantes; buscar utilizar simplicidade na estrutura e linguagem acessível. 8 Obter representação efetiva da comunidade, profissionais em geral, grupos sociais e técnicos, de modo a garantir diversidade e reconhecimento dos valores utilizados. 9 Desenvolver capacidade de monitoramento para obtenção das tendências; ser interativo e adaptativo, e que possa responder às mudanças e incertezas, considerando a complexidade e possibilidade de mudança dos sistemas; ajustar os objetivos, a estrutura e os indicadores conforme novos conhecimentos e ideias forem chegando; promover conscientização da sociedade e que possa suprir aqueles que tomam decisão. 10 Indicar responsabilidades e obter prioridade no processo de gestão e decisão; prover capacidade institucional para coleta, manutenção e documentação dos dados; garantir e prover capacidade de avaliação local. 125 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. O Desenvolvimento Sustentável tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas: 1. A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer); 2. A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver); 3. A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal); 4. A preservaçãodos recursos naturais (água, oxigênio, etc.); 5. A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como, por exemplo, os índios); 6. A efetivação dos programas educativos. 13.3 Triple bottom line ou Tripé da sustentabilidade A imagem do tripé é perfeita para entender a sustentabilidade. No tripé estão contidos os aspectos econômicos, ambientais e sociais, que devem interagir, de forma holística, para satisfazer o conceito. Uma empresa era sustentável se estivesse economicamente saudável, ou seja, tivesse um bom patrimônio e um lucro sempre crescente, mesmo que houvesse dívidas. Para um país, o conceito incluía um viés social. Afinal, o desenvolvimento teria que incluir uma repartição da riqueza gerada pelo crescimento econômico; seja por meio de mais empregos criados, seja por mais serviços sociais para a população em geral. Esse critério, na maioria das vezes, é medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) do país. A perna ecológica do tripé trouxe, então, um problema e uma constatação. Se os empresários e os governantes não cuidassem do aspecto ambiental podiam ficar em maus lençóis sem matéria-prima e, talvez, sem consumidor, além do fantasma de contribuir para a destruição do planeta Terra. http://ambiente.hsw.uol.com.br/calculo-pib.htm http://ambiente.hsw.uol.com.br/planeta-terra.htm 126 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Assim, o Triple Bottom Line ficou também conhecido como os 3 Ps (People, Planet and Proift, ou, em português, PPL - Pessoas, Planeta e Lucro). Vamos, então, detalhar o que significa cada um desses aspectos, levando em conta a administração de uma empresa, de uma cidade, estado ou país. É importante verificar que esses conceitos podem ser aplicados tanto de maneira macro, para um país ou próprio planeta, como micro, sua casa ou uma pequena vila agrária. Vamos aos 3 Ps. People Refere-se ao tratamento do capital humano de uma empresa ou sociedade. Além de salários justos e estar adequado à legislação trabalhista, é preciso pensar em outros aspectos como o bem-estar dos seus funcionários, propiciando, por exemplo, um ambiente de trabalho agradável, pensando na saúde do trabalhador e da sua família. Além disso, é imprescindível ver como a atividade econômica afeta as comunidades ao redor. Não adianta, por exemplo, uma mineradora pagar bem seus funcionários, se ela não presta assistência para as pessoas que são afetadas indiretamente com a exploração, como uma comunidade indígena vizinha que é afetada social, econômica e culturalmente pela presença do empreendimento. Nesse item, estão contidos também problemas gerais da sociedade como educação, violência e até o lazer. Planet Refere-se ao capital natural de uma empresa ou sociedade. É a perna ambiental do tripé. Aqui, assim como nos outros itens, é importante pensar no curto, médio e longo prazo. A princípio, praticamente toda atividade econômica tem impacto ambiental negativo. Nesse aspecto, a empresa ou a sociedade deve pensar nas formas de amenizar esses impactos e compensar o que não é possível amenizar. Assim, uma empresa que usa determinada matéria-prima deve planejar formas de repor os recursos ou, se não é possível, diminuir o máximo possível o uso 127 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. desse material, assim como saber medir a pegada de carbono do seu processo produtivo, que, em outras palavras, quer dizer a quantidade de CO2 emitido pelas suas ações. Além disso, obviamente, deve ser levada em conta a adequação à legislação ambiental e a vários princípios discutidos atualmente como o Protocolo de Kyoto. Para uma determinada região geográfica, o conceito é o mesmo e pode ser adequado, por exemplo, com um sério zoneamento econômico da região. Profit Trata-se do lucro. Não é muito difícil entender o que é o conceito. É o resultado econômico positivo de uma empresa. Quando se trata do Triple Botton Line, essa perna do tripé deve levar em conta os outros dois aspectos. Ou seja, não adianta lucrar devastando, por exemplo. 13.4 Como medir o desenvolvimento sustentável Os modelos tradicionais de medição econômica não conseguem abranger os aspectos do desenvolvimento sustentável. O exemplo mais claro é o Produto Interno Bruto (PIB), que mede a receita total de uma determinada região. Como leva em conta apenas os aspectos monetários, o PIB não consegue abranger outros aspectos como a divisão igualitária dessa riqueza na sociedade e os impactos negativos no meio ambiente. Assim, ao longo dos últimos anos, começaram a surgir alguns métodos para tentar medir a sustentabilidade. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), não é exatamente um índice de sustentabilidade, mas ajudou a dimensionar esses novos métodos. Um dos exemplos de novo método é o Indicador de Progresso Genuíno (GPI) que baseado no cálculo do PIB agrega outros dados que podem influenciar para cima ou para baixo o valor. O GPI é calculado pelas organizações não- governamentais Redefining Progress, baseado em metodologia do Friends of the Earth. Nele, são medidos dados como: http://ambiente.hsw.uol.com.br/pegada-de-carbono.htm http://ambiente.hsw.uol.com.br/protocolo-kyoto.htm http://ambiente.hsw.uol.com.br/protocolo-kyoto.htm http://ambiente.hsw.uol.com.br/idh.htm http://ambiente.hsw.uol.com.br/framed.htm?parent=desenvolvimento-sustentavel.htm&url=http://www.pnud.org.br/home/ http://ambiente.hsw.uol.com.br/framed.htm?parent=desenvolvimento-sustentavel.htm&url=http://www.rprogress.org/index.htm http://ambiente.hsw.uol.com.br/framed.htm?parent=desenvolvimento-sustentavel.htm&url=http://www.foe.co.uk/ http://ambiente.hsw.uol.com.br/framed.htm?parent=desenvolvimento-sustentavel.htm&url=http://www.foe.co.uk/ 128 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Distribuição da receita: mede quanto do PIB vai para as classes menos favorecidas. Trabalho doméstico e voluntário: como o que a dona-de-casa faz não rende dinheiro, seu trabalho não entra nas estatísticas tradicionais. Aqui, ele conta; assim como o trabalho voluntário. Nível educacional: quanto maior o nível educacional da população, maior o índice GPI. Custo do crime: a violência contra o homem, a natureza e a propriedade privada é um grande desperdício de recursos de uma sociedade. Por isso, esse custo deve ser subtraído. Exaustão de recursos: ligado diretamente à questão ambiental, contabiliza as perdas de recursos naturais ocorridas em casos como o desmatamento ou a exploração de uma jazida mineral. Poluição: fumaça nas cidades, rios cheios de poluentes, barulho. Tudo isso, gera custo, que vai impactar negativamente o índice. Degradação ambiental em longo prazo: mudanças climáticas, lixo nuclear, buraco na camada de ozônio. Os custos desses problemas contemporâneos são contabilizados. Diminuição do tempo de lazer: nas grandes cidades, o tempo para descansar e se divertir é cada vez mais escasso, ou seja, é importante saber o quanto a falta desse tempo de ócio pode custar para a vida das pessoas e do país. Gastos defensivos: esse item mede os custos de se defender contra vários problemas de ordem ambiental e/ou social, seja a erosão ou um acidente de carro. Tempo de vida útil dos bens de consumo e da infraestrutura pública: os índices tradicionais medem o investimento em infraestrutura e os gastos com consumo, mas não estimam o desgastee a manutenção desses produtos (o GPI, sim). Dependência de ativos externos: nos cálculos tradicionais, como no PIB, a maioria dos empréstimos internacionais é considerada positiva. Já no GPI, quando o empréstimo é para investimentos, ele pode ser considerado positivo; se o empréstimo é para o consumo, torna-se negativo. 13.5 Sociedade Sustentável Como seria, verdadeiramente, uma sociedade sustentável? Ainda não há modelos detalhados, mas na última década surgiram critérios básicos que nos permitem desenhar a forma emergente das sociedades sustentáveis. A sustentabilidade global requer uma drástica diminuição do crescimento mundial. As sociedades sustentáveis terão populações estáveis, como as que têm atualmente 13 países europeus e o Japão. A população mundial deverá se estabilizar no máximo em oito bilhões de pessoas. As economias sustentáveis não serão potencializadas por combustíveis fósseis, mas sim por energia solar e suas muitas formas diretas e indiretas: luz solar para aquecimento e eletricidade fotovoltaica; energia eólica e hídrica; e assim por diante. A energia nuclear deixará de ser usada em virtude de sua longa lista de desvantagens e riscos econômicos, sociais e ambientais. Os painéis solares esquentarão a maior parte da água doméstica ao redor do mundo, e muito da calefação dos diversos espaços será feita pela entrada direta dos raios solares. Com as células fotovoltaicas, os lares, em todas as partes do mundo, chegarão a ser produtores tanto quanto consumidores de eletricidade. A produção de energia chegará a ser muito mais descentralizada e, por isso mesmo, menos 129 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 130 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. vulnerável aos cortes ou apagões; isto será, também, compatível com as instituições políticas democráticas. Um sistema energético sustentável será também muito mais eficiente energeticamente. Como algo típico, será duplicada a economia de combustível dos automóveis; por sua vez, será triplicada a eficiência dos sistemas de iluminação e as necessidades de aquecimento diminuirão em 75%. Tudo isto, hoje, é possível graças às tecnologias já existentes. O transporte em uma sociedade sustentável será muito menos esbanjador e poluente do que o atual. As pessoas morarão muito mais perto dos seus lugares de trabalho e elas se movimentarão nas vizinhanças mediante sistemas altamente desenvolvidos de ônibus e transportes sobre trilhos. Haverá menos automóveis particulares. As bicicletas serão veículos importantes no sistema de transporte sustentável. Hoje, mundialmente, já há o dobro de bicicletas com relação a automóveis. Nas indústrias sustentáveis, a reciclagem será a principal fonte de matéria prima. O desenho industrial se concentrará na durabilidade e no uso reiterado, em vez da vida curta e descartável dos produtos. O desejável será uma mentalidade baseada na ética da reciclagem. As empresas de reciclagem ocuparão em grande escala, o lugar das atuais companhias de limpeza urbana e disposição final do lixo, reduzindo os resíduos, pelo menos, em dois terços. Uma sociedade sustentável necessitará de uma Base Biológica restaurada e estabilizada. O uso da terra seguirá os princípios básicos da estabilidade biológica: a retenção de nutrientes, o equilíbrio de carbono, a proteção do solo, a conservação da água e a preservação da diversidade de espécies. É provável que as áreas rurais tenham maior diversidade que hoje em dia, com o uso da terra em equilíbrio de manejo, em que haverá rotatividade quanto à plantação e cultivo de espécies. As empresas que produzirem alimentos e energia serão mais populares. Não haverá desperdício de colheitas. Os bosques tropicais serão conservados. Não haverá desmatamento para obtenção de madeira e outros produtos. Pelo contrário, milhões de hectares de novas árvores serão plantados. Os esforços para deter a desertificação transformarão as áreas degradadas em terrenos produtivos. O uso exaustivo de pastagens será eliminado, assim como haverá 131 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. modificação na cadeia alimentar das sociedades afluentes, para incluir menos carne e mais grãos e vegetais. Novas indústrias sustentáveis estarão mais descentralizadas, fomentando maior independência nas grandes cidades. Os sistemas de valores que enfatizam a quantidade, a expansão, a competição e a dominação, darão lugar à qualidade, à conservação, à cooperação e à solidariedade. À medida que a acumulação de riqueza material perca sua fatigante importância, a brecha entre ricos e pobres se estreitará, eliminando muitas tensões sociais. A característica decisiva de uma economia sustentável será a rejeição da cega busca de crescimento. O produto nacional bruto chegará a ser reconhecido como um indicador em bancarrota. No lugar do PIB, as mudanças econômicas e sociais, tanto quanto as tecnológicas, serão medidas por sua contribuição para a sustentabilidade. Em um mundo sustentável, os orçamentos militares serão uma pequena fração do que são atualmente. Em vez de manter caras poluidoras instituições de defesa, os governos poderão investir em uma fortalecida Nações Unidas para a manutenção da paz. As nações individuais descentralizarão o poder e a tomada de decisões dentro de suas próprias fronteiras. Ao mesmo tempo, estabelecerão um grau de cooperação e coordenação sem precedentes em nível internacional para solucionar problemas globais. As diferenças ideológicas se dissiparão frente à crescente consciência de que a Terra é o nosso lugar comum, não importando os nossos diferentes antecedentes culturais. A compreensão de que todos nós compartilhamos esta Terra será a fonte de um novo código ético. A imagem de uma futura Terra sustentável tem sido pintada com grandes pincéis. O desafio das décadas vindouras é aprimorar com detalhes, pelo trabalho das corporações, dos governos, das organizações ambientais, dos partidos políticos e dos cidadãos. Nós acreditamos que o ideal da sustentabilidade é uma preciosa meta, incitante para os seres humanos, cansados de uma época esbanjadora e destrutiva. Promete um sentido de segurança e oportunidades para esforços de colaboração internacional, que tem estado ausente da Terra nas décadas recentes. 132 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 14. Educação ambiental e sustentabilidade Para pensar em sustentabilidade, devemos primeiro pensar em uma Educação Ambiental voltada para a sustentabilidade. Como, também, o novo mundo não será criado da noite para o dia, na caminhada para alcançar a sustentabilidade, devemos consolidar estratégias de transição. A transição, para passar do “desenvolvimento insuportável” para o desenvolvimento sustentável exigirá grandes investimentos nas áreas da pesquisa e da educação ambiental. Pesquisar e educar para poder viver da melhor forma possível, sem destruir. Assim, Educar é mais que tudo, ensinar a amar. Ensinar a amar ler e escrever. Ensinar a amar uma profissão. Ensinar a amar a qualidade ambiental e as alternativas sustentáveis de produção. As práticas agrupadas sob o conceito de educação ambiental têm sido categorizadas de muitas maneiras: educação ambiental popular, crítica, política, comunitária, formal, não-formal, para o desenvolvimento sustentável, conservacionista, socioambiental, ao ar livre, para solução de problemas entre tantas outras. Uma das práticasque colabora com a implantação da Educação Ambiental é a percepção ambiental que pode ser definida como uma tomada de consciência pelo homem, ou seja, o ato de perceber o ambiente que se está inserido, aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo. Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações sobre o meio. As respostas ou manifestações são, portanto resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo. Embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes, são constantes, e afetam nossa conduta, na maioria das vezes, inconscientemente. Em se tratando de ambiente urbano, muitos são os aspectos que, direta ou indiretamente, afetam a maioria dos habitantes: pobreza, criminalidade, poluição, entre outros. Estes fatores são relacionados como fontes de insatisfação com a vida urbana. Entretanto, há também uma série de fontes de satisfação a ela associada. As cidades exercem um forte poder de atração em função de sua heterogeneidade, movimentação e possibilidades de escolha. 133 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Uma das manifestações mais comuns de insatisfação da população é o vandalismo. Condutas agressivas em relação a elementos físicos e arquitetônicos, geralmente públicos, ou situados próximos a lugares públicos. Isso se dá na maioria entre as classes sociais menos favorecidas, que no dia-a-dia, estão submetidas à má qualidade de vida, desde a problemática dos transportes urbanos, até a qualidade dos bairros e conjuntos habitacionais em que residem, hospitais e escolas de que dependem. Assim, o estudo da percepção ambiental é de fundamental importância para que possamos compreender as inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas. 15. Proteção Ambiental Por esse enfoque, o conjunto de ações de proteção ambiental deve ter como objetivo manter, controlar e recuperar os padrões de qualidade de vida e ambiental. O enfoque ecossistêmico é proposto na estratégia das ações de proteção ambiental, ou seja, manutenção do balanço ecológico das relações entre os componentes bióticos e abióticos, e do fluxo de energia entre eles. A incorporação do princípio desse modelo nos processos de educação ambiental representa efetivamente a possibilidade de mudar padrões de consumo e de produção, de forma a alcançar taxas de consumo de recursos naturais e produção de resíduos compatíveis com a capacidade de absorção e recuperação dos ecossistemas. O sistema de áreas verdes deve priorizar manutenção de espécies florísticas que servem de alimento e habitat para a fauna, o que também representa aumento das áreas permeáveis no solo urbano e maior capacidade de recarga de lençol freático. Isso significa melhor funcionamento do sistema de drenagem natural, contribuição na redução do efeito estufa, conforto térmico urbano, além dos benefícios paisagísticos e de espaço de lazer. No planejamento do sistema de limpeza pública, a priorização de processos de tratamento por compostagem dos resíduos orgânicos possibilita o retorno dessa 134 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. matéria orgânica e de nutrientes para as áreas de produção de alimentos, nos cinturões verdes das cidades ou nas áreas rurais; os processos de reuso e reciclagem dos resíduos urbanos industriais diminuem a pressão do consumo de recursos naturais virgens. Nesse enfoque sistêmico, as ações para gestão da proteção ambiental, devem incluir planejamento para o uso adequado dos espaços antrópicos e naturais; investimentos em programas de capacitação profissional para preparo de recursos humanos no desenvolvimento interdisciplinar de atividades e projetos; integração de enfoque nas ações institucionais para proteção e sustentabilidade ambiental; priorização em pesquisa para desenvolvimento de tecnologias apropriadas e para melhor compreensão do funcionamento dos ecossistemas e do impacto potencial das atividades antrópicas; esforços deverão ser empreendidos junto aos órgãos de gestão ambiental para sua melhor estruturação institucional; estabelecimento de políticas públicas que garantam espaços efetivos de participação da comunidade no processo de planejamento e implantação de programas de educação ambiental é uma condição positiva no processo de caminhar rumo ao desenvolvimento sustentável. Conjunto de ações para gestão do controle ambiental. Segundo Philippi e Pelicioni (2005), o Controle Ambiental relaciona-se com: Implantação de programa de capacitação profissional; Planejamento territorial; Atividades de pesquisa para desenvolvimento de tecnologias apropriadas; Sistemas de saneamento do meio; Organização e capacitação dos órgãos de gestão ambiental; Políticas públicas de participação e de Educação Ambiental. 135 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Para que os espaços urbanos, as áreas rurais e os ecossistemas possam atender às necessidades do ser humano (fisiológicas, epidemiológicas e psicológicas), da flora, fauna e do meio ambiente, é preciso ordenamento, articulação e provisão de equipamentos, racionalizando o espaço e destinando corretamente suas partes – recursos naturais, artificiais e humanos. Assim, a função do planejamento territorial é criar condições adequadas para a sociedade exercer suas atividades de circulação, recreação, trabalho e habitação e manter o equilíbrio ecológico dos ecossistemas. A manutenção do meio ambiente é uma das condições necessárias para a qualidade de vida. É preciso, então, planejar o espaço, de modo a garantir a conservação e o controle do uso de recursos naturais e artificiais, o gerenciamento de resíduos, o conforto térmico, acústico, visual e espacial, ou seja, condições ambientais que diminuam ou evitem o risco de exposição da população ao agravo de sua saúde. 16. Saúde Pública e Meio Ambiente A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. A VIII Conferência Nacional de Saúde Pública, realizada em 1986, marco importante na discussão no Brasil da relação saúde/doença, ampliou esse conceito, incluindo na definição de saúde o acesso a condições de vida e trabalho, bem como o acesso igualitário de todos aos serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, colocando como uma das questões fundamentais a integridade da atenção à saúde e a participação social. Nos últimos anos, tem-se observado que a finalidade dos projetos de saneamento tem saído de sua concepção sanitária clássica, recaindo em uma abordagem ambiental, que visa não só promover a saúde do homem, mas, também, a conservação do meio físico e biótipo. Com isso, a avaliação ambiental dos efeitos dos sistemas de saneamento nas cidades consolidou-se como uma etapa importante 136 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. no processo de planejamento, no que se refere à formulação e seleção de alternativas e à elaboração e detalhamento dos projetos selecionados. A compreensão dessas diversas relações revela-se um pressuposto fundamental para o planejamento dos sistemas de saneamento em centros urbanos, de modo a privilegiar os impactos positivos sobre a saúde pública e sobre o meio ambiente. Ressalta-se que o conceito de saneamento compreende os sistemas de abastecimento de água eesgotamento sanitário, a coleta e disposição de resíduos sólidos, a drenagem urbana e o controle de vetores. O planejamento e gerenciamento do conjunto de sistemas que compõem o saneamento do meio devem cumprir com objetivos sanitários o atendimento a padrões de potabilidade da água distribuída à população; coleta, tratamento e destinação de resíduos com eficiência que atenda a padrões legais, evitando, desse modo, riscos de agravo à saúde e à qualidade de vida, e proteção ambiental. Os objetivos estéticos também devem ser observados, uma vez que a poluição dos ecossistemas poderá interferir nos usos desejáveis, impedindo atividades de lazer, circulação, trabalho e habitação, por exemplo. As questões ambientais e de saúde conhecem novos desafios em função dos avanços da humanidade engendrados pelo desenvolvimento, que impacta de maneira importante o ecossistema e a qualidade de vida das pessoas, nacional e internacionalmente. Essas alterações, que encontram correspondência na dimensão individual (com implicações significativas nas condições de saúde), vêm imprimindo estilos de vida com baixa sustentabilidade para comportamentos considerados saudáveis. Cada vez mais organismos multilaterais, cientistas e militantes de movimentos ecológicos alertam para a tendência mundial de agravamento dos riscos ambientais, evidenciando que a produção e a distribuição dos riscos ampliam as vulnerabilidades da espécie humana. Apesar destas visões, persiste uma situação crítica que coloca em risco a saúde da população, com comprometimento da qualidade da água e ar associados a processos contínuos de desequilíbrio do ecossistema. 137 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. O informe da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o ano de 2002, intitulado Reducir los riesgos y promover una vida sana, mostra um paradoxo mundial do consumo, acentuando a clivagem entre países ricos e pobres. Muitos dos riscos examinados nesse informe são produzidos pelo paradoxo do consumo insuficiente entre os pobres e excessivos no caso dos privilegiados. Principalmente nos conglomerados urbanos, persiste a manifestação de um quadro de enfermidades não transmissíveis associadas aos maus hábitos e aos alimentos, coexistindo com a desnutrição em áreas mais pobres. Segundo a OMS (2002), pode-se considerar estes os dez riscos regionais e mundiais mais importantes para a falta da saúde: insuficiência ponderal, práticas sexuais de risco, hipertensão arterial, tabagismo, alcoolismo, água insalubre, saneamento e higiene insuficientes, carência de ferro, fumaça de combustíveis sólidos em espaços fechados, hipercolesterolemia e obesidade. Juntos, esses fatores são responsáveis por mais de um terço de toda mortalidade mundial. A maioria dos fatores de risco examinados nesse informe guarda estreita relação com os hábitos de vida, e em particular com o consumo excessivo ou insuficiente. No extremo oposto da pobreza se encontra a sobrealimentação, qualificada como sobreconsumo. Na esteira dessa realidade observa-se que os riscos comuns relacionados às sociedades ricas (tais como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo) e enfermidades associadas predominam em todos os países de ingressos medianos e altos. Mais dramático ainda é o quadro prevalente nos países periféricos, com nítida acumulação epidemiológica, onde se origina uma dupla carga ao somarem-se as enfermidades infecciosas, com maior incidência nestes países, as não transmissíveis produzidas pelas novas condições de produção e consumo do mundo moderno. Em relação a esta última tendência, o que se pode observar é que ainda persiste uma expansão rápida de epidemias relacionadas a tais enfermidades que provocam em torno de 60% da mortalidade mundial e que, por sua vez, guarda uma relação manifesta com a evolução dos hábitos alimentares, com o consumo 138 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. constante de alimentos industrializados, com alto teor de gorduras, salgados ou açucarados. 17. Epidemiologia e Educação Ambiental Primeiramente, temos que definir o que é epidemiologia para podermos estabelecer uma ponte com a educação ambiental. Epidemiologia é o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos estados ou eventos relacionados à saúde em específicas populações e a aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde. No segmento de tempo anterior aos últimos dez mil anos, cobrindo uma enorme extensão da evolução do homo sapiens, fase denominada pré-agrícola, essa espécie mantinha uma estreita relação com a natureza. Os grupos tribais alimentavam-se de raízes, frutos, sementes e outras partes de vegetais. A caça e a pesca forneciam-lhe as proteínas. Quando os recursos da área ocupada se esgotavam, eles se deslocavam para um novo sítio. Em resumo, nessa grande fase, o comportamento dos povos da Terra obedecia ao estilo nômade-coletor-caçador. Ainda na atualidade, tribos indígenas isoladas mantêm estilo de vida semelhante. Os ecossistemas terrestres mantiveram-se praticamente intactos, pois esse modo de relacionamento não degradava exaustivamente o ambiente. No final da fase pré-agrícola, estima-se que a população da Terra teria alcançado os cinco milhões de habitantes. Nessa época, há cerca de dez mil anos, a espécie humana já estaria dispersa por todos os continentes. Estando os ecossistemas terrestres totalmente povoados, tinha-se o comportamento nômade comprometido, pois, diante da necessidade de migração, as vizinhanças já estariam tomadas, gerando conflitos e guerras. Para o referido estilo de vida, a capacidade de suporte da Terra estaria em seu limiar, o que teria funcionado como uma força de pressão seletiva, levando as populações a adotarem uma nova maneira de relação com o ambiente. Entre vários povos e culturas, surge em diferentes lugares e em épocas distintas a fase agrícola, que continua seu desenvolvimento até os dias atuais. 139 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. No início do domínio agrícola, o homem começou o processo de domesticação de plantas e animais. Essa nova relação permitiu o aumento da produção de alimentos. Surgiram as comunidades fixas, pois já não era necessário o deslocamento em busca de alimento exclusivamente pelo extrativismo. Logo no início da era industrial, por causa do estabelecimento dessa atividade junto às áreas urbanas e diante da necessidade de mão-de-obra, ocorreu uma grande expansão das cidades nas regiões onde a industrialização se efetivara. Esse crescimento era principalmente marcado pela migração no sentido rural- urbano. Além desse aspecto, a demografia era caracterizada pelas elevadas taxas de natalidade. Como um todo, porém, a população da Terra crescia em um ritmo lento, em razão da elevada mortalidade, principalmente por agravos profissionais e doenças infecciosas. O desenvolvimento científico era precoce e a saúde-doença era debatida à luz da teoria miasmática. Não havia ainda a consciência de saneamento e as condições de trabalho eram deploráveis. No mundo atual, o crescimento rápido da população humana tem exercido severa pressão sobre os resíduos de ambientes naturais que ainda subsistem. Tais ecossistemas que podem ser considerados exemplos de auto-sustentabilidade detêm biodiversidade que se mantém pouco perturbada. A agricultura moderna, altamente produtiva, tem avançado para as áreas naturais, ocasionando perda da biodiversidade. Os terrenos agrícolas são totalmentemanipulados pelo homem. Funcionam com elevado gasto energético, além do artificialismo na aplicação de produtos como adubos, herbicidas, fungicidas, inseticidas, entre outros. Os espaços intensamente utilizados para fins de produção sofrem os mais variados impactos. A degradação do solo, manifestada pela erosão, lixiviação de fertilizantes, salinização e desertificação, serve de diagnóstico do declínio rural. A expansão das pragas agrícolas e o uso obrigatório de produtos tóxicos para evitar perdas econômicas trazem geralmente como consequência a contaminação dos trabalhadores, bem como dos produtos que carregarão sempre certa dosagem de venenos e que serão consumidos como alimento. 18. Meio ambiente e os defensivos agrícolas A agricultura, em conjunto com outros elementos tais como água, energia, saúde e biodiversidade, tem uma função de grande relevância na conquista do Desenvolvimento Sustentado. A indústria de fertilizantes, por sua vez, tem desempenhado, por mais de 150 anos, um papel fundamental no desenvolvimento da agricultura e no atendimento das necessidades nutricionais de uma população continuamente crescente. De fato, basta mencionar que, em geral, os fertilizantes são responsáveis por cerca de um terço da produção agrícola, sendo que em alguns países os fertilizantes chegam a ser responsáveis por até 50% das respectivas produções nacionais. Os defensivos agrícolas são inseticidas, herbicidas, fungicidas e outros, destinados ao controle de pragas que atacam as plantações. Porém, essas substâncias podem atingir os corpos d’água, pelos meios já vistos, e se são tóxicos às pragas, também o são, em sua maioria, aos seres humanos. Fertilizantes www.melbar.com.br 140 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Os fertilizantes promovem o aumento de produtividade agrícola, protegendo e preservando milhares de hectares de florestas e matas nativas, assim como a fauna e a flora. Sendo assim, o uso adequado de fertilizantes se tornou ferramenta indispensável na luta mundial de combate à fome e subnutrição. Fertilizantes minerais são materiais, naturais ou manufaturados, que contêm nutrientes essenciais para o crescimento normal e o desenvolvimento das plantas. Nutrientes de plantas são alimentos para as espécies vegetais, algumas das quais são utilizadas diretamente por seres humanos como alimentos, outras para alimentar animais, suprir fibras naturais e produzir madeira. O homem e todos os animais dependem totalmente das plantas para viver e reproduzir. A percepção pública sobre fertilizantes minerais geralmente não leva em conta esses simples fatos. O uso excessivo de fertilizantes é responsável pela maior parte das emissões, ou 2,1 bilhões de toneladas, de CO2 anuais. O excesso de fertilizantes provoca a emissão de óxido nitroso (N2O), que é 300 vezes mais potente que o CO2 na mudança do clima. O êxito da aplicação dos fertilizantes vai depender da conveniente aplicação dos diversos fatores associados aos condicionalismos agroclimáticos e culturais, mas, em qualquer caso, é sempre indispensável começar por se saber quais são os fertilizantes que podem ser aplicados e quais as características que cada um deles possui. Pesticidas blogdobira.acessepiaui.com.br 141 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 142 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Inseticida é um tipo de pesticida usado para exterminar insetos, destruindo ovos e larvas principalmente. Os inseticidas são utilizados na agricultura, na indústria e nas casas. Ao longo da história, diversos tipos de materiais de origem natural já foram usados contra os insetos, tais como o mercúrio, o arsênico, a nicotina e o tabaco. O desenvolvimento de novos inseticidas foi alavancado pela necessidade de se criar produtos menos tóxicos. O notório DDT foi criado como uma alternativa mais segura, se comparado com os inseticidas anteriores que usavam arsênico em sua composição, por exemplo. No entanto, o uso exacerbado da substância pode oferecer riscos à natureza e ao homem. Dedetização Com a popularização na aplicação doméstica do DDT, a partir dos anos 60, a ação de desinsetizar também passou a ser chamada de "dedetizar" (da pronúncia dedetê), sendo, inclusive, consagrado na música Mosca na Sopa, de autoria do cantor e compositor Raul Seixas, em 1973. O uso de inseticidas é considerado como um dos principais fatores responsáveis pelo aumento da produtividade agrícola durante o século XX. No entanto, a maior parte dos inseticidas oferece riscos para o meio ambiente, por meio de impactos nos ecossistemas gerados pela poluição da água (principalmente); além de causarem riscos para a saúde dos seres humanos, pois muitos são tóxicos. Outros, por sua vez, são encontrados em alimentos contaminados por inseticidas. Pode-se dizer que a evolução humana é um processo que gera doenças, por meio da sua atuação com o meio ambiente. Observa-se a infinidade de novos fatores que estão somando-se aos antigos aos quais o homem moderno está exposto. Depreende-se que, dada a capacidade criativa ou imaginativa do homem, com o avanço científico e tecnológico, as ações humanas, muitas vezes, impactam inadvertidamente o ambiente. Grande parte dos fatores ambientais que afetam a saúde humana é de natureza antrópica, ou seja, é desencadeada pelo próprio homem. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesticida http://pt.wikipedia.org/wiki/Inseto http://pt.wikipedia.org/wiki/Ovo http://pt.wikipedia.org/wiki/Larva http://pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura http://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria http://pt.wikipedia.org/wiki/Merc%C3%BArio http://pt.wikipedia.org/wiki/Ars%C3%AAnico http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicotina http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabaco http://pt.wikipedia.org/wiki/DDT http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza http://pt.wikipedia.org/wiki/Homem http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_60 http://pt.wikipedia.org/wiki/Cantor http://pt.wikipedia.org/wiki/Compositor http://pt.wikipedia.org/wiki/1973 http://pt.wikipedia.org/wiki/Produtividade http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XX http://pt.wikipedia.org/wiki/Ambiente_(ecologia) http://pt.wikipedia.org/wiki/Sa%C3%BAde http://pt.wikipedia.org/wiki/Alimento 143 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Destaca-se, neste contexto, a importância da Epidemiologia Ambiental, cuja ênfase está na discussão dos fatores do meio que atuam na geração de doenças. Se grande parte dessas fatores é potencializada pela ação ou pelo comportamento humano, então, a educação ambiental, com base no conhecimento gerado pelos estudos epidemiológicos, poderá priorizar a conquista de comportamentos saudáveis, protetores da saúde e, ao mesmo tempo, atuar na reversão de comportamentos de risco. Assim, a educação ambiental necessita da Epidemiologia como base científica multifisciplinar para auxiliá-la na interpretação de fatores determinantes que agravam a qualidade de vida humana. Na Epidemiologia, o hospedeiro que ocupa a discussão é o próprio homem. Nesse aspecto, essa ciência é antropocêntrica. Muitas características do homem podem constituir fatores que ajudam a propiciar a doença. Citam-se algumas delas: sexo, idade, condição socioeconômica, ocupação, raças, etnias, entre outras. O ambiente é sem dúvida importante componente do sistema em discussão. Sob o ponto de vista ecológico, não se pode conceber esses elementosisolados. Entre o agente, o hospedeiro e o ambiente, a alteração de qualquer natureza pode provocar desequilíbrio. Fatores ambientais associados às doenças podem ser de origem física biológica e social. O meio físico é propiciador de numerosos fatores que podem em certas situações favorecer ou estimular a doença. O meio biológico também pode estar correlacionado com a saúde ou a doença. No mundo contemporâneo, cada vez mais, a preservação do ambiente é vista como importante para a sobrevivênca humana. Reservas, parques, estações ecológicas são mantidos, para a proteção da biodiversidade. Reconhece-se que espécies silvestres de animais ou plantas podem conter importantes princípios ativos, muitos ainda desconhecidos, que servirão de base para a síntese de medicamentos. Nas áreas urbanas, a manutenção de espaços verdes torna-se necessária, pois eles funcionam como tampão para equilibrar o clima e amenizar a poluição. Há várias definições de áreas verdes: 144 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. a) Aspectos estéticos: combinações de formas e cores da vegetação, arbustos educados por podas drásticas para formar figuras além de canteiros floridos. b) Aspectos sociais: consideram o uso como trilhas para caminhadas, bancos para descanso, play-grounds, espaços para manifestações artísticas. c) Aspectos ecológicos: microclima mais ameno e despoluído, aumento do teor de umidade e de oxigênio. d) Áreas verdes podem ser definidas como espaços abertos com cobertura vegetal e uso diferenciado, integrado no tecido urbano e que a população tem acesso. Classificações internacionais incluem como áreas verdes: campos de esporte, jardins botânicos, zoológicos, cemitérios modernos formados por extensos gramados, interrompidos apenas por lápides. e) As áreas verdes não devem ser encaradas como corpos estranhos de uma cidade, mas devem ser vistas como importantes elementos integrantes e participantes da estrutura e da dinâmica urbana. Um índice (discute-se se este foi estabelecido pela ONU, ou não) sugere 12 metros quadrados de área verde por habitante para que haja equilíbrio entre a quantidade de oxigênio e gás carbônico. Se incluirmos todas as atividades antrópicas com combustão (indústria, tráfego, atividades domésticas) este índice se eleva para 75 m² por habitante. Praticamente, todas as cidades brasileiras acusam menos de 5 m² por habitante, portanto, elas são deficientes em áreas verdes, fato que se explica pela falta de conhecimentos acerca da importância das áreas verdes por parte das autoridades e também pelo alto custo de preparação e aquisição de mudas, podas, limpeza, combate às pragas, estragos em tubulações e fiação elétrica. Sabemos que áreas verdes não precisam ser necessariamente extensas, ao contrário, podem ser pequenas em área, mas numerosas. São cidades verdes as que possuem cobertura vegetal, especialmente arbórea em todo o espaço urbano: parques, jardins, quintais, ruas e avenidas e ao longo de rios e lagos. 145 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. As vantagens da existência de áreas verdes são inúmeras: f) Criação de microclima mais ameno que exerce função de centro de alta pressão e se reflete de forma marcante sobre a dinâmica da ilha de calor e do domo de poluição. g) Despoluição do ar de partículas sólidas e gasosas, dependendo do aparelho foliar, rugosidade da casca, porte e idade das espécies arbóreas. h) Redução da poluição sonora, especialmente por espécies aciculiformes (pinheiros) que podem acusar redução de 6 a 8 decibéis. i) Purificação do ar pela redução de microorganismos. Foram medidos 50 microorganismos por metro cúbico de ar de mata e até 4.000.000 por metro cúbico em shopping centers. j) Redução da intensidade do vento canalizado em avenidas cercadas por prédios. k) Vegetação como moldura e composição da paisagem junto a monumentos e edificações históricas. Considerada a cidade mais arborizada do Brasil, onde cada habitante tem direito, aproximadamente, a 17m² de área verde, além de mais de 1.200.000 árvores plantadas nas calçadas, Porto Alegre possui mais de 700 praças, 10 grandes parques, três reservas biológicas e diversos morros preservados. A cidade de Dourados é considerada a cidade mais arborizada do estado de Mato Grosso do Sul, com cerca de 60 m² de área verde para cada habitante. 19. Meio ambiente e agropecuária www.veja.abril.com.br Na pecuária mantém seus rebanhos em condição artificial. Se extensiva, cobre grandes áreas com a monocultura do capim, simplificando o meio biológico. É sabido que o intenso pastoreio provoca danos irreversíveis ao terreno, por causa do pisoteio, que facilita a perda de camadas superficiais por erosão e abertura de sulcos ou ravinas e até voçorocas. Diminui-se a capacidade de suporte desses terrenos para manter as comunidades biológicas. Esses ambientes desequilibrados são propícios à proliferação de pragas entomológicas, que podem invadir áreas agrícolas. Na pecuária intensiva, os animais confinados podem gerar problemas, principalmente pelo acúmulo do esterco e seu manejo que, nem sempre, é feito corretamente. É comum a proliferação intensa de moscas, que se deslocam para comunidades humanas. Ressalta-se que, de maneira geral, muitas espécies desses dípteros podem servir de vetor mecânico a inúmeras infecções. O combate aos insetos que atacam os rebanhos exige aplicação de venenos por diversas estratégias, que logicamente contaminam esses animais e seus produtos. 146 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 147 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 20. História natural da doença História natural da doença é o nome dado ao conjunto de processos interativos compreendendo as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. A história natural da doença, portanto, tem desenvolvimento em dois períodos sequenciados: o período epidemiológico e o período patológico. No primeiro, o interesse é dirigido para a relação suscetível-ambiente; no segundo, interessam as modificações que se passam no organismo vivo. Abrange, portanto, dois domínios interagentes, consecutivos e mutuamente exclusivos, que se completam: o meio ambiente, onde ocorrem as pré-condições, e o meio interno, lócus da doença, onde se processaria, de forma progressiva, uma série de modificações bioquímicas, fisiológicas e histológicas, próprias de uma determinada enfermidade. Alguns fatores são limítrofes. Situam-se, de forma indefinida, entre os condicionantes pré-patogênicos e as patologias explícitas. São anteriores aos primeiros transtornos vinculados a uma doença específica, sem se confundir com a mesma e, ao mesmo tempo, são intrínsecos ao organismo do suscetível. Em uma situação normal, em ausência de estímulos, jamais se exteriorizariam como doenças. Dentre as pré-condições internas, citam-se os fatores hereditários, congênitos ou adquiridos em consequência de alterações orgânicas resultantes de doenças anteriores. 20.1 Período de pré-patogênese O primeiro período da história natural. É a própria evolução das inter- relaçõesdinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, de outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma 148 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. configuração favorável à instalação da doença. É também a descrição desta evolução; envolve as inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que permitem a existência desses fatores. 20.2 Período de patogênese A história natural da doença tem seguimento com a sua implantação e evolução no homem. É o período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras ações que os agentes patogênicos exercem sobre o ser afetado. Seguem- se as perturbações bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na forma e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura. 20.3 Período do desfecho Na última fase da história natural da doença, no período pós-fase clínica, irá naturalmente ocorrer um desfecho. Quais as alternativas desse desfecho? Quando um organismo adoece, a evolução final do processo levará a uma das seguintes possibilidades: morte, recuperação ou sequela. Aos que morreram, deverá ser preenchida uma declaração de óbito. Convém salientar que toda estatística de mortalidade, no país e fora dele, é feita com base na informação originalmente levantada na referida declaração. Para algumas doenças infecciosas de alta transmissibilidade, o fato de caixão ser lacrado é de extrema importância para evitar contato e passagem do agente para pessoas no período do cerimonial. Os recuperados voltam para o contingente dos saudáveis. Continuarão correndo o risco de adquirir novas doenças ou recaída da doença anterior. Infecções que conferem resistência permanente, como o sarampo, não devem voltar a se manifestar no acometido sob a forma clínica. De maneira bastante generalizada, todas as pessoas que adoeceram ou sofreram algum agravo ficam com alguma 149 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. marca, muitas vezes, imperceptível fisicamente, mas registrada na memória imunológica ou nas lembranças, embora algumas medidas possam ser tomadas em relação aos mortos e curados; é referente aos sequelados a ênfase da prevenção no período do desfecho da história natural. Essa é categorizada como prevenção terciária de quinto nível. 21. Sociedade sustentável, epidemiologia e educação ambiental Há uma corrente teórica que continua a defender o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades e Responsabilidade Global, elaborado durante encontro internacional, em 1992, na cidade do Rio de Janeiro. A palavra desenvolvimento, entre outros significados, implica adiantamento, crescimento, aumento e progresso. Trata-se de estágio econômico, social e político de uma comunidade, caracterizado por altos índices de rendimento dos fatores de produção, ou seja, os recursos naturais, o capital e o trabalho. Seguindo essa linha de raciocínio, podem ser feitas algumas reflexões: 1) O desenvolvimento sustentável serviria a quais grupos de interesse? 2) Quais seriam os benefícios a serem atingidos? 3) Empreender esforços nesse sentido seria mesmo importante para o futuro da humanidade? 4) A preservação da Amazônia interessaria às multinacionais ou aos países industrializados? 5) Que retorno o Brasil teria ao investir em políticas públicas que garantissem a sustentabilidade daquela região? A política global da humanidade baseada em um modelo socioeconômico desequilibrado está comprometendo rapidamente a capacidade de suporte necessária à manutenção da vida no planeta. A miséria se intensifica no mundo, privando as pessoas do acesso ao alimento, à saúde, à educação, ao transporte, à habitação, entre outros. Para combater essa situação caótica, cada sociedade deve 150 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. se organizar de acordo com sua cultura, ambiente e história, definindo seus próprios modelos de produção e consumo. Para Rodrigues (1996), uma sociedade sustentável pode ser definida como a que vive e se desenvolve integrada à natureza, considerando-a um bem comum. O que se preconiza é o respeito à diversidade biológica e sociocultural. Essa estratégia de desenvolvimento está centrada no exercício responsável e consequente da cidadania, o que implicaria distribuição equitativa das riquezas geradas. Não utilizaria recursos além da capacidade de renovação destes, o que desencadearia processo favorável à garantia de condições dignas de vida para as gerações atuais e futuras. Como última reflexão, seria interessante especular qual seria o real papel da epidemiologia e da educação ambiental na contribuição para a construção da sociedade sustentável. Que o desafio a essa resposta não se prenda a conceitos teóricos, porém sirva como estímulo aos empreendedores das políticas e aos efetuadores das ações, que garantirão a melhora da qualidade ambiental, fator decisivo à conquista de um padrão almejado. 22. Ocupação existencial do mundo: uma proposta ecossistêmica da qualidade de vida O mundo hoje padece sob o impacto de poderosos interesses, cujas estratégias econômicas, políticas e culturais afetam gravemente a saúde física, mental e social, tanto nos países ditos desenvolvidos como não desenvolvidos, com terríveis consequências para a saúde e o meio ambiente. A definição e a compreensão dos problemas, controladas por esses mesmos interesses, são prejudicadas por representações fragmentadas da realidade, que se limitam às “bolhas de superfície”, objeto de discursos acadêmicos ou manchetes de jornais, ignorando o caldo no bojo do caldeirão. Os problemas básicos estão no bojo do caldeirão efervescente, não nas bolhas que aparecem na superfície. Philippi Jr. & Pelicioni, Educação Ambiental e Sustentabilidade, 2005. A “inclusão” nesse sistema de coisas gera um círculo vicioso: os novos “incluídos” acreditam que podem gozar irrestritamente das “benesses” oferecidas pelo sistema que os excluiu, debitando às próprias vítimas problemas estruturais, sem questionar as estruturas responsáveis pela exclusão. 151 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 152 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. O pluralismo construtivo não ignora, não nivela nem suprime as diferenças, mas aceita a diversidade, transforma-a e enriquece em termos de um sentido moral e cultural para a existência, opondo-se à visão reducionista, em que a informação passa a significar conhecimento; esquemas operacionais e táticos assumem o lugar da ação-reflexão; identifica-se e classifica-se, reduzindo atos, situações e valores implicados; toma-se o possível pelo provável, excluindo o possível-impossível, o imaginário, o utópico e a transgressão; reduz-se o risco ao aleatório; o jogo à previsão; o diferente ao indiferente; o complexo ao simples; o plural ao único, repetitivo e monótono. Sob o patrocínio de uma devastadora rede de “produtores e consumidores egocêntricos”, legitima-se uma cultura de gozo imediato e exclusivo de recursos, posições e recompensas, em que alguns podem usufruir todos os “direitos”, enquanto os demais acumulam toda sorte de obrigações. A problemática atual temcomo pano de fundo uma vivência desastrosa, repercute de forma cruel sobre os segmentos desfavorecidos da população, cortados em seu desenvolvimento e incentivados a buscar, a qualquer preço, o estilo de vida imposto pela sociedade de consumo, na tentativa de igualar-se aos mais privilegiados. A capacidade de escolha e decisão é afetada pelo lado da oferta, por um quadro de “opções” preestabelecidas pelas estratégias de “marketing” e propaganda, pelo lado da demanda, pela perda de sensibilidade e capacidade crítica para distinguir o que efetivamente importa para a qualidade de vida. A realidade, tanto física como social, expressa diferentes espécies de conexões, não resulta da soma de diferentes objetos. Pode ser pensada como um gigantesco holograma, no qual cada região de espaço-tempo reflete os diferentes níveis de complexidade de sistemas e subsistemas. Como indivíduos dotados de subjetividade, estamos imersos em uma rede de relações imediata, sofremos e reagimos às injunções de uma sociedade maior e somos afetados pelas condições de nossos corpos e pelo ambiente que nos envolve, sobre o qual exercemos uma influência cada vez maior, em termos de seus aspectos naturais e construídos. 153 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Reconhecer a dimensão íntima é reconhecer o sentido que o mundo assume para cada um, reconhecer a dimensão interativa é reconhecer que esse sentido é mediado pelos grupos de referência, reconhecer a dimensão social é reconhecer o contexto cultural, político e econômico, reconhecer a dimensão biofísica é reconhecer o ambiente natural e construído. Cada dimensão de mundo expressa a si mesma e também espelha todas as demais. Aspectos da dimensão íntima (crenças, valores, atitudes) refletem influências recebidas pelos sujeitos nas dimensões interativa (grupos a que pertencem), social (sociedade da qual fazem parte) e biofísica (ambiente em que vivem). A dimensão biofísica circunda e constitui o próprio homem; está tanto “fora” (ambiente) como “dentro” (células, órgãos, sistemas). A representação de mundo passa a ser um fenômeno que ocorre no próprio mundo, como parte integrante dele; as “realidades” do homem e do mundo são interdependentes. Para a análise dos eventos, é necessário considerar as configurações formadas pela imbricação das diferentes dimensões de mundo, associando motivações (dimensão íntima), apoios reais ou simbólicos de grupos de referência (dimensão interativa), prêmios e sanções (dimensão social) e os ambientes de vida (dimensão biofísica): dimensão íntima, características dos sujeitos, enquanto mediadores entre variáveis “objetivas” e “subjetivas” (cognitição e afeto, locus de controle, habilidades, autoestima, motivos, expectativas, crenças, desejos). • Dimensão interativa, características dos grupos primários e de referência (familiares, colegas, amigos, pares, associados), enquanto locus de acolhimento, apoio mútuo, trocas afetivas, construção de significados comuns, liderança compartilhada, diálogo, coesão e inclusão. • Dimensão social, características da sociedade, condições econômicas e políticas, direitos e deveres, qualidade e equidade, trabalho, segurança, cultura, comunicação, cidadania, saúde, ambiente, transporte, moradia, lazer. • Dimensão biofísica, características do ambiente natural e construído, cidades e campos, seres vivos, ecossistemas, cenários, logradouros, vias, habitats, 154 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. fauna, flora, clima, matéria e energia. As dimensões de mundo podem estar em equilíbrio ou em desequilíbrio. • No modelo ecossistêmico de cultura estão em equilíbrio dinâmico; singularidade e reciprocidade são aspectos complementares; há interação, “feedback” e desenvolvimentos recíprocos; as diferenças são enriquecedoras; as dimensões têm um papel pró-ativo, em termos de doação e recepção. • No modelo não-ecossistêmico estão em desequilíbrio, há destruição e ruptura, diferenças e conflitos são exacerbados, o poder torna-se “domínio e exploração”; a riqueza, “exploração predatória”; o crescimento, “expansão ilimitada”; o trabalho, “especialização segmentada”. 22.1 Qualidade de vida e cidades saudáveis Cidades saudáveis possuem ambientes seguros e limpos (incluindo a moradia); ecossistemas estabilizados e sustentáveis; comunidades fortes, solidárias e não autodestrutivas; ampla participação e controle públicos nas questões de qualidade de vida e atendimento às necessidades básicas; acesso a variada gama de experiências e recursos, contatos, interação e comunicação; acesso universal aos cuidados de saúde/doença; alto nível de saúde pública; preservação da memória urbana, da herança cultural e biológica dos cidadãos; entorno urbano e economia diversificada, vital e inovadora. (OMS, 1992). A qualidade de vida é mais uma questão de processos do que de produtos. Depende tanto da cultura vigente, do meio ambiente, da organização social (saúde, educação, trabalho, lazer), das redes de apoio contra os estigmas, quanto do clima familiar, da vizinhança, dos grupos de filiação e referência, dos possíveis espaços de vivência alternativos, muitas vezes limitados, nas periferias das grandes cidades, a grupos vítimas de um complexo de problemas, que se refugiam na criminalidade e no consumo de drogas. Anomalias no projeto de vida de largas parcelas da população, ausência de “capital social”, espaços coletivos degradados e segregados, inadequação de serviços públicos, transporte penoso e caótico, mercantilização de meios de 155 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. comunicação social, lazer e cultura, precariedade de moradia e de trabalho, má distribuição de renda conjugam-se para criar situações altamente adversas, situações-limite à saúde física, mental e social. Nas periferias das gigantescas metrópoles de hoje as pessoas necessitam de condições e habilidades para lidar com os problemas quotidianos de qualidade de vida; questões atuais e passadas ao longo do histórico de vida de milhões de pessoas são responsáveis por agravos e experiências traumáticas, que se repetem ao longo de gerações sucessivas, diminuindo as chances de construção de um capital social. O capital social é um bem coletivo, de que ninguém pode apropriar-se individualmente e que intervém na vida social na forma de um respeito às obrigações mútuas e às normas de comportamento que geram relações de confiança e transcendem as meras preocupações de interesse para criar o marco moral do grupo envolvido. Os problemas ambientais estão associados às questões cruciais de nossos tempos: dar um sentido moral e cultural à existência, desenvolver uma genuína comunicação entre as pessoas, construir novos paradigmas em face de novas realidades, questionando epistemológica e axiologicamente as posições cientificistas estéreis, ingênuas ou maliciosamente vinculadas ao atual sistema de coisas. Características do modelo ecossistêmico de cultura Um modelo ecossistêmico de cultura é uma configuração dinâmica, em que todas as dimensões do mundo (íntima, interativa, social e biofísica) estão associadas em termos de doação e recepção. Um modelo ecossistêmico de cultura caracteriza-se pelos princípios de singularidade (promoção da identidade de cada dimensão) e comunalidade (promoção da reciprocidade entre todas). Ética, educação, saúde, ambientes saudáveis e qualidade de vida são expressões do modelo ecossistêmico de cultura, nele se originam de forma endógena e nele prosperam. 156Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Eventos fortes e sustentáveis em ética, educação, saúde, meio ambiente e qualidade de vida demandam projetos orientados por paradigmas inerentes ao modelo ecossistêmico de cultura. Princípios de ética, educação, saúde e qualidade de vida sem sofrer artificiosa manipulação nos modelos não-ecossistêmicos de cultura em benefício da preservação do próprio status quo. Princípios de ética, educação, saúde e qualidade de vida não prosperam na vigência de modelos não-ecossistêmicos de cultura, não ultrapassando a condição de “remendos em tecidos corrompidos”. Modelos não-ecossistêmicos de cultura destroem a singularidade e a reciprocidade entre as quatro dimensões de mundo, produzindo os mais variados agravos à qualidade de vida. 23. Promoção de saúde e meio ambiente A importância da educação para a promoção da saúde é inegável e tem sido reconhecida através dos tempos por diferentes autores como fator imprescindível para a melhoria da qualidade de vida. As práticas de saúde adequadas não decorrem de experiências contínuas de ensino-aprendizagem e acabam influenciando as decisões a serem tomadas ao longo da existência dos indivíduos, podendo contribuir para diminuir, manter ou elevar o seu nível de saúde. A abordagem educativa deve, portanto, estar presente em todas as ações para promover a saúde e prevenir as doenças, facilitando a incorporação de ideias e práticas corretas que passem a fazer parte do cotidiano das pessoas de forma a atender suas reais necessidades. Tomando como ponto de partida o saber gerado em todas as situações vivenciadas no dia-a-dia, deve-se procurar atender aos interesses dos vários grupos sociais pertencentes a diferentes classes sociais. Ao falar sobre a educação popular realizada com os movimentos populares por meio da participação em lutas nos mais variados espaços mencionam uma 157 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. educação política que não se dissocia da vida cotidiana, a qual é base para a compreensão dos problemas no bairro é ponto de partida para reflexões sobre as estratificações sociais e de poder que refletem, no nível local, a estrutura social e política mais ampla. As pessoas educam-se na ação desenvolvida, descobrem a solidariedade e a opressão e, pela organização, a esperança de transformar a situação encontrada. A chamada “era microbiana” ou “bacteriológica” enfatizava a concepção biológica da doença e foi marcada por uma educação controladora, baseada na teoria tradicional liderada por Durkheim que explicava o surgimento das doenças de forma bastante simplista, isto é, pela “ignorância e descaso das pessoas”. Como a educação em saúde é parte da saúde pública e, consequentemente, da medicina, cada época reflete as tendências dessas áreas e acaba reproduzindo suas concepções. Assim, não se pode criticar a fase higienista e/ou comportamentalista da educação em saúde sem localizá-la no tempo e no espaço já que sempre recebeu influência não só da saúde pública como da própria medicina. No Brasil, até o início do século XX, as preocupações do setor saúde centravam-se apenas nas situações de epidemia e, no campo da educação, restringia-se ao ensino de hábitos de higiene. Mudanças nas estruturas sociais, econômicas e políticas relacionadas a diversos fatores como: a abolição da escravatura; a saída dos trabalhadores e suas famílias do campo para cidades carentes de infraestrutura; o desenvolvimento do comércio e da indústria; a necessidade de ampliar o comércio externo e receber imigrantes europeus exigia soluções rápidas para as doenças que assolavam os núcleos urbanos e começavam a ameaçar a força de trabalho, bem como a expansão das atividades capitalistas. Nesse sentido, merecem destaque as políticas de saúde da Primeira República, consideradas, por alguns autores, como estratégias das classes dominantes relacionadas à dinâmica do capitalismo nacional e internacional. Doenças como varíola, peste e febre amarela entre outras de rápida transmissibilidade começaram a exigir um controle mais rígido, principalmente quanto às suas causas ambientais. 158 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A gestão do médico Oswaldo Cruz à frente dos serviços federais de saúde, entre 1903 e 1909, caracterizou o primeiro período do movimento sanitarista brasileiro. Nessa época, as ações de saúde, notadamente, o saneamento urbano e combate às epidemias foram concentradas no Rio de Janeiro (Distrito Federal) e em alguns portos. Ainda nessa fase, a “polícia sanitária” dedicava-se ao confinamento de enfermos em desinfectórios e à vacinação compulsória da população, relegando a educação a um segundo plano. A atenção à saúde voltava-se também às classes mais favorecidas e à classe média por meio do oferecimento de serviço de profissionais liberais (médicos generalistas). Os esforços de educação em matéria de saúde foram sistematizados com a reorganização dos serviços sanitários federais e a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública como parte integrante do Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1923, foi incorporado ao Departamento, o Serviço de Propaganda e Educação Sanitária. O termo “educação sanitária” foi, então, inserido na legislação federal pela primeira vez. O denominado sanitarismo desenvolvimentista teve início voltando-se para a zona urbana com as campanhas sanitárias de controle de epidemias e atenção médica realizadas pelas Santas Casas de Misericórdia e para o desenvolvimento da zona rural fomentado pelo SESP com financiamento da Fundação Rockefeller. A educação, nesse período, era vista como um processo individual de mudança de comportamento em que os fenômenos sociais responsáveis pelas barreiras à aprendizagem não eram considerados, e muito menos as raízes estruturais e socioeconômicas dos problemas de saúde. A prática profissional na área era conservadora e reprodutiva, traduzida em ações de higienização, normatização e domesticação. Em 1993, uma definição de Saúde Ambiental, que insere também os aspectos de atuação prática, foi apresentada na Carta de Sofia, produzida no encontro da Organização Mundial de Saúde, realizado na cidade de Sofia: Saúde ambiental são todos aqueles aspectos da saúde humana, incluindo a qualidade de vida, que estão determinados por fatores físicos, químicos, 159 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. biológicos, sociais e psicológicos no meio ambiente. Também se refere à teoria e prática de valorar, corrigir, controlar e evitar aqueles fatores do meio ambiente que, potencialmente, possam prejudicar a saúde de gerações atuais e futuras (OMS, 1993). O grande número de fatores ambientais que podem afetar a saúde humana é um indicativo da complexidade das interações existentes e da amplitude de ações necessárias para melhorar os fatores ambientais determinantes da saúde. Porém, os programas de melhorias no ambiente têm ações bastante diferenciadas daquelas de atenção médica, ainda que não possam estar desvinculadas delas. As preocupações com aspectos ambientais, tanto em relação à Saúde Pública quanto em relação a outras características dos diferentes grupos sociais (organização social, cultural e econômica), existem desde os primórdios da história humana e constituíram importante base analítica do pensamento social no passado. Hoje, essas questões voltam a chamar a atenção de diferentes ciências.Clarence Glacken (1967) sintetiza essas preocupações em três grandes perguntas, que tiveram destaque em diferentes momentos da história humana: 1. Qual o sentido da criação humana e qual a concepção da terra? Ou seja, a terra foi criada para o ser humano? 2. Qual a influência do entorno físico – do meio ambiente – nas características do ser humano e das sociedades? 3. Como os seres humanos vêm transformando a terra? A primeira dessas questões está presente em quase todas as religiões. O exemplo mais conhecido é o do catolicismo que usa a metáfora de Deus, criando o mundo para os homens nele habitarem e procriarem. A segunda questão já nos interessa de perto, pois se preocupa com o impacto do meio ambiente sobre a atividade humana e as sociedades. Essa preocupação é bastante antiga e está nas raízes do determinismo ambiental ou environmentalism. Um de seus expoentes mais notáveis, já na Grécia Antiga, foi 160 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Hipócrates, ainda que seja mais conhecido por seus escritos em medicina, mais especificamente por seu “juramento”. Sua obra, denominada Dos Ares, das Águas e dos Lugares, ilustra suas preocupações com aspectos ambientais na determinação das doenças. A Saúde Pública, como disciplina prática de política sociossanitária, inclusive, atualmente, é herdeira do ambientalismo Hipocrático. A terceira questão é da maior relevância na atualidade, consistindo na avaliação dos impactos das diferentes ações da humanidade sobre os ecossistemas. No âmbito da Saúde Ambiental, tem ganhado destaque nas últimas décadas, em decorrência da verificação do importante papel das transformações ambientais na modificação dos padrões de saúde e doença na face da terra, em diferentes escalas geográficas. No estudo das afecções infecciosas, a ecologia das doenças ou dos complexos patogênicos continuava a ser de interesse. A área de extensão de um complexo depende em grande parte das condições do meio, e a ecologia do grupo (sinecologia) é resultante das ecologias individuais de seus membros. Haveria uma geografia das enfermidades infecciosas no globo terrestre relacionada a faixas climáticas (temperatura e umidade) e o controle dos vetores se baseava em sua destruição, com emprego do DDT e a supressão dos biótopos que lhes servem de apoio. Esta forma de luta também se mostrou bastante problemática. Os vetores desenvolveram resistência ao DDT que, por sua vez, frequentemente, tinha resultados mais negativos que a própria doença que se pretendia exterminar. As contaminações tornaram-se frequentes, sobretudo no âmbito dos profissionais de saúde. Mas o meio ambiente foi o principal prejudicado e a avifauna, a mais afetada. Era urgente a necessidade de um novo modelo de saúde ambiental, que enfocasse aspectos preventivos. A nova Saúde Ambiental ampliou seu potencial e seus horizontes, ao mesmo tempo em que desenvolveu sua base científica e pragmática. Concomitantemente, vem fornecendo uma base mais sólida para a efetividade de políticas e programas de saúde coletiva no enfrentamento dos complexos problemas 161 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. científicos, sociais e administrativos, almejando níveis mais altos de saúde para a totalidade das populações. O paradigma hospedeiro/agente/meio ambiente se expandiu, com um alargamento da definição de cada um dos componentes, em relação tanto às doenças infecciosas quanto às doenças crônico-degenerativas. As intervenções para mudar os fatores relativos aos hospedeiros, aos agentes ou aos ambientes constituem a essência da nova saúde pública. A saúde dos indivíduos é afetada por fatores de risco intrínsecos àquela pessoa e por fatores externos. Adota-se a abordagem de risco, que seleciona grupos populacionais na base de risco e auxilia a determinação de intervenções prioritárias para reduzir a morbidade e a mortalidade. No Brasil, os enfoques na abordagem de problemas de saúde relacionados ao meio ambiente seguiram, em linhas gerais, os mesmos enfoques internacionais. As preocupações com os problemas ambientais e sua vinculação com a saúde humana foram ampliadas no Brasil, a partir da década de 1970. Durante essa década, foi criada a SEMA (Secretaria Especial de Meio Ambiente) e, a exemplo dos EUA, foram estabelecidos os Padrões de Qualidade do Ar e das Águas. No estado de São Paulo, foi criado um órgão de controle ambiental, pretendendo controlar, em um primeiro momento, a poluição de origem industrial e, da década de 1980 em diante, também a poluição causada por veículos. A despeito de ser uma política setorial, desvinculada do setor saúde, ela trouxe alguns resultados positivos, com reflexos nas condições de saúde. A Constituição Federal, de 1988, expressa essa preocupação em diversos artigos: • Art. 196 define saúde como direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. 162 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. • Art. 225 diz: todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo, preservá-lo para as presentes e futuras gerações. • Art. 200, incisos II e VIII, fixam como atribuição do Sistema Único de Saúde (SUS), entre outras, a execução de ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador e colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. Juntamente com a evolução da legislação, ampliou-se a consciência de que a saúde, individual e coletiva, em suas dimensões física e mental, está intrinsecamente relacionada à qualidade do meio ambiente. Essa relação tem se tornado mais evidente para a sociedade em virtude da sensível redução da qualidade ambiental, verificada nas últimas décadas, consequência do padrão de crescimento econômico adotado no país e de suas crises. O modelo de crescimento econômico brasileiro tem gerado fortes concentrações de renda e de infraestrutura, com exclusão de expressivos segmentos sociais de um nível de qualidade ambiental satisfatório, com decorrentes problemas de saúde, tais como doenças infecto-parasitárias nos bolsões de pobreza das cidades e do país, onde são precárias as condições sanitárias e ambientais. Uma parcela da população que vive em condições precárias é mais vulnerável às agressões ambientais, propiciadoras de doenças. Esses fatores, agravados pela falta de infraestrutura e de serviços de saneamento nas áreas mais pobres, levam a uma sobrecarga do setor de saúde com pacientes acometidos de doenças evitáveis. Na população brasileira há o reflexo das situações apontadas anteriormente, traduzindo-se na coexistência de doenças infecto-contagiosas e crônico- degenerativas, ambas vinculadas aos fatores ambientais. As primeiras, relacionadas à presença de vetores e à contaminação das águas, e as crônico-degenerativas, fundamentalmente, à poluição ambiental, à má qualidade dos alimentos e ao 163 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. estresse. Cresce, também, os óbitos e lesões causadas por acidentes e violência, especialmente entre os jovens. Hoje, diante da expressiva degradação ambiental que o processode desenvolvimento ocasionou, há um desejo de reorientação de suas formas. A proposta de desenvolvimento sustentável, empunhada pelos ambientalistas, vem recebendo grande número de adeptos. No âmbito da ecologia social, o conceito de desigualdade ambiental vem sendo inserido na fundamentação dos estudos e pesquisas. A desigualdade ambiental é a exposição de indivíduos e grupos sociais a riscos ambientais diferenciados. Os indivíduos não são iguais do ponto de vista do acesso a bens ambientais, tais como ar puro, áreas verdes, locais salubres para moradia, embora muitos desses bens sejam públicos. Essa discussão traz o debate para o tema da ética. No entanto, o espectro ideológico do ambientalismo é altamente complexo, indo de uma abordagem mais naturalista e ecocêntrica, passando pela ecologia social, até o eco-socialismo. A Saúde Ambiental atual baseia-se no reconhecimento da existência e das necessidades de todos os seres humanos e no encontro de soluções dentro dos princípios de equidade e de universalidade. 24. Planejamento Ambiental O fortalecimento da cidadania depende da instrumentalização da gestão democrática da cidade, inserida no contexto do novo paradigma político-ambiental da sociedade globalizada: O Estado de Direito do Ambiente. Atualmente, a perspectiva do desenvolvimento urbano nas grandes cidades combate a degradação ambiental causada pela urbanização acelerada, especialmente nos centros industriais, onde a crise ecológica global desencadeou uma crescente onda de catástrofes naturais causadas pela devastação dos recursos naturais, e pelo chamado aquecimento global causado pela emissão intensa de gases poluentes no ar. 164 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A conscientização global da crise ambiental requer a participação conjunta entre o Estado e a coletividade, daí o surgimento do Estado democrático de direito do ambiente, em que as políticas públicas somente podem tornar-se eficientes a partir da inserção de alternativas originadas no seio da sociedade, com a implementação de tecnologias e de capacitação de recursos humanos voltados para a sustentabilidade, além da criação de leis que permitam a regulação das estratégias de desenvolvimento sustentável. A Lei Federal n. 10.257/01 (Estatuto da Cidade) foi criada para promover o controle municipal do processo de desenvolvimento socioeconômico e de urbanização. Com base nas políticas urbanas, todo município com mais de vinte mil habitantes tem a obrigação de promover o equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento urbano e a preservação ambiental, visto que o binômio desequilíbrio ambiental/ desigualdade social tem marcado o crescimento das cidades brasileiras. O advento desta lei reflete a necessidade de estabelecer um freio aos parâmetros de desenvolvimento que tem marcado a era da globalização, regulando o disposto nos artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988, que consistem na garantia constitucional da real função social da propriedade e da gestão democrática das cidades para o pleno e “sustentável” desenvolvimento urbano. A questão da educação ambiental aborda um sentimento de participação democrática na gestão das cidades, proporcionando a sensação de bem-estar aos cidadãos, visto que o objetivo de inserir-se nas políticas públicas ambientais não é apenas um ato de cidadania, mas conduz a uma reivindicação de justiça social e qualidade de vida para cada um que tenta transformar a sociedade em busca da sustentabilidade emergente. O desenvolvimento humano tem na sustentabilidade o principal eixo de equilíbrio entre as atividades produtivas e a gestão do meio ambiente. A possibilidade de preparar o ser humano para o engajamento e transformação das políticas de planejamento ambiental se concretiza pela educação ambiental, pois a partir desta o cidadão poderá estar apto para exigir ética nas relações sociais e com a natureza em prol do desenvolvimento sustentável. A conscientização ambiental emergente na atualidade surge com uma nova era política, onde a colaboração internacional faz parte de um contexto de tragédias humanas e catástrofes naturais afetadas pela ação humana, como a problemática do aquecimento global agravado pela emissão de gases poluentes pelos países industrializados. Portanto, a visão de que os seres humanos são responsáveis pelos problemas ambientais que culminou na crise ecológica e no risco de extinção da vida na Terra, também é a resposta para a solução desta crise, pois se entende que o ser humano não tem somente capacidade destrutiva, mas da capacidade criativa surgirão alternativas viáveis ao fortalecimento de políticas sustentáveis. Pela educação ambiental o conhecimento do meio em que se vive é propagado e valorizado como indispensável à promoção de uma plataforma política ambiental eficiente e condizente com a realidade atual. Esta valorização do conhecimento traduz a necessidade de capacitar recursos humanos em busca de alternativas viáveis ao desenvolvimento socioeconômico de uma região tão rica ambientalmente e tão pobre social e economicamente. Educação ambiental envolve muito mais que simples conhecimento, envolve aspectos políticos, sociais e ecológicos que transformam realidades de insegurança e medo em propostas de luta pela sobrevivência digna do ser humano, levando-se em conta que o conceito de sustentabilidade aborda a preocupação com o bem- estar das presentes e futuras gerações. 25. Sociedades Sustentáveis e a Amazônia www.cienciahoje.uol.com.br 165 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. http://www.cienciahoje.uol.com.br/ 166 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. O Brasil possui 1,15 milhão de km2 de floresta amazônica adequados à exploração sustentável, segundo aponta estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Essa é a área que poderia ser destinada à criação de Florestas Nacionais (Flonas), zonas reservadas ao uso sustentável e à proteção da biodiversidade. O Brasil possui a maior reserva e variedade de florestas tropicais e subtropicais do Planeta, razão pela qual é considerado como o principal membro do Grupo dos Países Megadiversos, abriga nelas uma incontável quantidade de recursos genéticos. Paradoxalmente, mais da metade dessas florestas são terras públicas pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios (na Amazônia, chegam a 75% e outra parte se encontra em UCs e terras indígenas, mas a maioria está constituída por “terras devolutas”, sem regulamentação, que ao longo do tempo se tornaram alvo da grilagem, da ocupação ilegal, do desmatamento e das queimadas, gerando graves problemas ambientais e econômicos. A ameaça de estagnação econômica na Amazônia reflete a pressão internacional na preservação ambiental desta que é considerada uma região com um potencial hídrico e florestal abundante de recursos naturais. O título de “patrimônio natural da humanidade” rende à Amazônia um congelamento das atividades produtivas, pois se entende que é necessário conservar intacta a biodiversidade amazônica em nome da humanidade. O conhecimento e a compreensão da riqueza ecológica da Amazônia é ponto fundamental para se propor a utilização dos recursos naturais da região de forma sustentável. Os detentores originários desta terra conservam um expressivo rol de conhecimento da biodiversidade amazônica que se expressa pela utilização responsável deste potencial ecológico. Já não é possível supor que a sustentabilidade humana seja motivo para estagnar o desenvolvimentode nações como o Brasil e a Índia, que não destruíram seus recursos naturais com a industrialização, mas que podem aprender com os erros das nações industrializadas. O padrão atual de exploração predatória, responsável por danos excessivos à floresta e aumento do risco de incêndio, gera um ciclo econômico do tipo "boom- colapso". No início, a extração das árvores de maior valor gera um rápido 167 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. crescimento econômico. Após oito anos, em média, essas árvores são exauridas e inicia-se a extração das de médio e baixo valor. Em 20 anos, esgota-se a madeira de valor comercial e a economia local entra em colapso. Em seu lugar, fica apenas uma pecuária de baixa produtividade, pois o solo na Amazônia em geral é pobre para a agricultura e o clima favorece a proliferação de pragas. Em uma área de 1 milhão de hectares (ha), o número de empregos cai de 4.500, no auge da exploração madeireira, para 500, na pecuária. O investimento em educação e pesquisas que envolvem o conhecimento acerca da biodiversidade amazônica é um forte aliado do desenvolvimento sustentável, tendo em vista que a ciência e a tecnologia é um processo natural e evolutivo da humanidade, configurando-se como uma necessidade humana diante das conquistas já alcançadas em anos de história. A gestão da biotecnologia amazônica não é uma questão apenas singular que requer a observação sistemática do potencial ecológico amazônico, mas reflete uma pressão internacional que tende a promover a interferência externa e ferir a soberania nacional. Tendo em vista que a ação antropológica é um fator de sustentabilidade, o etnoconhecimento amazônico é a ponte para a construção de uma política democrática e eficiente capaz de promover o planejamento ambiental e o manejo adequado dos recursos naturais da região. O governo desenvolveu o Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado em 8 de maio de 2008. É um plano do Governo Federal brasileiro em parceria com os governadores dos estados da região amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins). O plano tem como objetivo definir as diretrizes para o desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira. O PAS não é um plano operacional, mas estratégico, contendo as diretrizes gerais e as recomendações para sua implementação. As ações operacionais serão planos sub-regionais, alguns já elaborados ou em processo de elaboração, como o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável para a Área de Influência da Rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), o Plano de Desenvolvimento Territorial http://pt.wikipedia.org/wiki/8_de_maio http://pt.wikipedia.org/wiki/8_de_maio http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil http://pt.wikipedia.org/wiki/Acre http://pt.wikipedia.org/wiki/Amap%C3%A1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Amazonas http://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuiab%C3%A1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Santar%C3%A9m 168 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Sustentável para o Arquipélago do Marajó e o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu. O PAS está organizado em torno de cinco grandes eixos: • Produção sustentável com inovação e competitividade; • Gestão ambiental e ordenamento territorial; • Inclusão social e cidadania; • Infraestrutura para o desenvolvimento; • Novo padrão de financiamento. 26. Sudam As diretrizes gerais ressaltam a atuação do Estado, inclusive com a ampliação de sua presença na região em todos os níveis, principalmente no federal e no estadual, mas também no municipal e nas organizações da sociedade regional. Isso se dará pelo fortalecimento institucional da recém-criada Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O papel da Sudam será elaborar o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia, este em sintonia com o PAS, com a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com os governos estaduais envolvidos. ----------- FIM DO MÓDULO III ----------- http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Maraj%C3%B3 http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Xingu http://pt.wikipedia.org/wiki/Superintend%C3%AAncia_de_Desenvolvimento_da_Amaz%C3%B4nia http://pt.wikipedia.org/wiki/Superintend%C3%AAncia_de_Desenvolvimento_da_Amaz%C3%B4nia