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Anna lillian canuto bittencourt • Os átrios e os ventrículos são isolados eletricamente pelo esqueleto cardíaco, que é formado por tecido conectivo fibroso; - É o esqueleto fibroso que serve de apoio para as valvas atrioventriculares. • A única comunicação elétrica normal entre as câmaras superiores e inferiores é o nó atrioventricular e o sistema His- Purkinje; • O nó atrioventricular tem a função fisiológica de atrasar o estímulo elétrico entre a despolarização atrial e a estimulação ventricular; - Por isso que os ventrículos só despolarizam quando os átrios já acabaram de se despolarizar. • Cerca de 3% da população apresenta uma via acessória de comunicação atrioventricular, formada por tecido de condução. 1°: Surge um estímulo no nó sinusal; 2°: O estímulo seguirá normalmente para o nó atrioventricular, onde permanecerá por um tempo para que haja o atraso entre a despolarização atrial e a estimulação ventricular; 3°: Nos casos em que o paciente possui uma via acessória, o estímulo também chegará rapidamente nessa via; Pré-excitação ventricular ANATOMIA E FISIOLOGIA FISIOPATOLOGIA Anna lillian canuto bittencourt 4°: O estímulo que chega na via acessória é conduzido para o ventrículo, célula a célula e de forma lenta, mesmo antes do nó AV enviar o seu estímulo; - Isso causa uma ativação sequencial dos ventrículos, ou seja, primeiro um e depois o outro. 5°: Após já ter iniciado uma pré- excitação do ventrículo que possui a via acessória, há a deflagração do estímulo que estava “preso” normalmente no nó AV; 6°: Os ventrículos são despolarizados normalmente, já que não há nenhum bloqueio de ramo. • O retardo da condução elétrica no nó AV faz parte do intervalo PR; • Então, quando o paciente possui uma via acessória, há a formação da onda delta, lenta e indolente (já que é a despolarização célula a célula), no início do QRS, porque ocorre antes da despolarização ventricular pelo nó AV; - A onda delta é lenta porque não se utiliza do sistema His-Purkinje para despolarizar o músculo cardíaco. • A figura acima demonstra a formação da onda delta no complexo QRS, que é justamente a despolarização ventricular que começou antes da hora, alargando o início do QRS e encurtando o intervalo PR; • Quando houver todos os critérios no ECG, chama-se via acessória manifesta; • Alguns pacientes podem ter uma via acessória, mas ela não se conduzir, denominada via acessória oculta. - ECG normal em ritmo sinusal. NO ELETRO CRITÉRIOS DE PRÉ-EXCITAÇÃO VENTRICULAR 1. Intervalo PR curto (<120ms); 2. QRS alargado (>120ms); 3. Presença de uma onda delta lenta e indolente no início do QRS, que não precisa estar em todas as derivações. Anna lillian canuto bittencourt • Em ritmo sinusal, não há problemas para a existência da via acessória, estando assintomático; • Porém, existem arritmias específicas que acontecem em pacientes que possuem via acessórias; - Taquicardia por reentrada atrioventricular; - Fibrilação atrial com pré-excitação. Taquicardia por reentrada ventricular • Ocorre um circuito de reentrada, ou seja, o estímulo desce para os ventrículos pelo nó AV e, depois, sobe para os átrios pela via acessória; • Essa subida pela via acessória gera um QRS estreito. Fibrilação atrial com pré- excitação • Há um ritmo rápido e desorganizado no átrio (fibrilando) e, sem a proteção do nó AV, há um risco alto de degeneração ventricular com uma fibrilação ventricular; FORMAÇÃO DE ARRITMIAS DIFERENÇAS DO QRS EM BLOQUEIO DE RAMO E PRÉ- EXCITAÇÃO VENTRICULAR Apesar do QRS estar alargado nas duas patologias, há uma diferença neles: 1. No bloqueio de ramo, quem está alargando o QRS é a onda final; 2. Na pré-excitação ventricular, é a formação da onda delta no INÍCIO do QRS que alarga o complexo QRS. SÍNDROME DE WOLFF-PARKINSON-WHITE • Indica a presença de uma via acessória de condução atrioventricular; • O paciente POSSUI MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, como: - Taquiarritmias da via acessória; - Palpitações; - Morte súbita abortada. • Na ausência de quaisquer sintomas relacionados à via acessória, o termo mais correto é dizer “pré-excitação ventricular”. Anna lillian canuto bittencourt - Frequência atrial na FA = 400- 600bpm; • Porém, quando o paciente possui uma via acessória, há uma perda da proteção do nó AV, e ele passa a ter fibrilação atrial com pré-excitação; • Então, as características de uma FA com pré-excitação ventricular são: - Ritmo irregular; - QRS alargado com pré-excitação; - Frequência ventricular bastante elevada; - Complexos QRS com morfologias diferentes; - Eixo ventricular permanece constante. • O tratamento é realizado com uma ablação por cateter; • A ablação bem sucedida “acaba” com a via acessória e normaliza o ECG. CARDOSO, Rhanderson. Curso Intensivo de ECG. 2022. REFERÊNCIAS TRATAMENTO Anna lillian canuto bittencourt